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GERAL => O que é o espiritismo => Reencarnação => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 30 de Maio de 2020, 19:50

Título: Chico Xavier teria sido a médium Srta. Japhet?
Enviado por: dOM JORGE em 30 de Maio de 2020, 19:50
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                 
   
Chico Xavier teria sido a médium Srta. Japhet?

Parte 1



“Nós temos uma tendência à inércia mental, a nos fixarmos em dogmas, em princípios tradicionais e a permanecermos, por assim dizer, enleados nesses princípios sem conseguirmos avançar na compreensão real das coisas.” (HERCULANO PIRES)


Introdução

Nossa intenção não é propriamente provar que Chico Xavier (1910-2002) foi a médium Ruth Celine Japhet (1822-1884), cujo trabalho na Codificação foi utilizado por Allan Kardec (1804-1869) na revisão e ampliação de O Livro dos Espíritos, porquanto isso não possui relevância alguma para continuarmos a vê-lo como um autêntico servidor do Mestre Jesus.

Após assistirmos ao filme Kardec: a história por trás do nome, produção de Wagner de Assis ([1]), no qual a atriz Julia Konrad faz o personagem da Srta. Japhet ([2]), novas ideias nos surgiram à mente em relação a esse tema, que talvez possam fazer algum sentido; porém, quem decidirá isso será você, caro leitor, na função de nosso juiz.

O pesquisador Carlos Seth Bastos nos informa que o nome verdadeiro da médium é Cœlina ou Célina Eugenie Béquet, e diz ter encontrado estas variações: Célina Japhet; Célina Béquet; Célina Béqet; Célina Béquet dite Japhet; Ruth Celine Japhet. ([3]) Neste artigo, usaremos este último nome, por ser o mais disseminado no meio espírita.

Algumas pessoas que acreditam ser Chico Xavier a reencarnação de Kardec acham que tudo que os outros dizem em contrário, para demonstrar que essa crença não faz sentido algum, tem apenas por objetivo denegrir a pessoa do “Mineiro do Século XX”, uma vez que tomam isso como se o tirassem do pedestal no qual o colocaram. A nossa intenção sempre foi a de encontrar a verdade, esteja ela de que lado for, pois a verdade é a verdade, e ponto.

Para o desenvolvimento deste artigo traremos pontos novos, e, por necessidade, utilizaremos também várias coisas que citamos em Kardec & Chico: 2 missionários, pois, a quem nos acompanha no trabalho, em alguns trechos terá a nítida impressão que “já li isso, não sei onde?”. Não há como reinventar a roda.

O psiquismo que lhe aflorava

Esse ponto é importante, porquanto abrirá a possibilidade de Chico Xavier ter reencarnações em corpo feminino, razão pela qual estamos trazendo-o para o início desse artigo. A variação de experiências nos dois sexos biológicos é, conforme afirmam os orientadores, algo necessário à evolução do Espírito.

R. A. Ranieri (1920–1989), que considerava Chico Xavier uma “Alma feminina, inegavelmente Espírito delicado, pureza sem limites” ([4]), em Chico Xavier – o Santo de Nossos Dias, registra o seguinte diálogo com o médium:

– Ora, Chico, vou lhe dizer uma coisa: a primeira vez que ouvi e vi o Clóvis falando em Belo Horizonte, lembro-me que disse: – Esse homem é Espírito de padre reencarnado! E tem mais, Chico, eu não acho que Espírito que sempre reencarnou como mulher passe facilmente a reencarnar como homem. Creio que haverá necessidade de uma travessia ou passagem gradativa assim como o Espírito de homem reencarnar como mulher. Você não acha?

– Acho que é uma aventura. Eu, por exemplo, é a primeira reencarnação de homem que tenho. A Espiritualidade Superior, quando eu fui reencarnar, estava preocupada com isso, achava que eu poderia fracassar… Há uma linha de reencarnação, acredito, da qual é muito difícil escapar. O Espírito precisa de se preparar para isso.

O ensinamento ficou no ar. O Chico sorria e tomava uma xícara de café, após ter servido os outros. Depois, deu uma gargalhada.

– Uai, Ranieri! Lei é Lei, ninguém pode fugir dela! […]. ([5]) (grifo nosso)

A citação de Ranieri se deve ao fato dele ter sido “amigo de Chico há décadas, conhecia-o há mais de cinquenta anos. Eram amigos inseparáveis.” ([6]), portanto, isso que narra merece ser levado em conta, a não ser que se prove que estava mentindo.

Outro amigo de Chico Xavier que não podemos deixar de citar é o médium e escritor Jorge Rizzini (1924-2008). De uma entrevista sua à Ana Carolina Couttinho, publicada na revista Universo Espírita, com título “Em defesa dos princípios doutrinários”, destacamos este trecho em que fala de Chico Xavier ser uma alma feminina:

[…]. Chico é uma alma feminina. Ele me falou das encarnações passadas dele, sempre como mulher. E ele reencarnou como homem para poder desenvolver esse trabalho fantástico e esta fidelidade à Jesus. Mas a alma dele é feminina, ele sempre demonstrou isso. […]. ([7]) (grifo nosso)

Rizzini disse “acompanhei-o por mais de meio século”, portanto, o seu depoimento é de alguém que o conhecia profundamente, razão pela qual, não o podemos descartar. Observe, caro leitor, que o trecho “Ele me falou das encarnações passadas dele, sempre como mulher”, vai ser, mais adiante, corroborado por duas outras fontes.

Em 14 de novembro de 1962, Chico Xavier envia uma carta a Joaquim Alves (1911-1985), designado de Jô, a qual intitula de Carta do coração para o coração e cujo teor atribui como “Extremamente Confidencial”. Destacamos este trecho:

Desculpe-me, ainda, se me refiro ao trabalho de verdade… É só para dizer a você que eu, que me sinto na condição de sua mãe pelo coração, mãe espiritual que tem a idade de quem o viu renascer, não mudou… […] Deus sabe, filho meu, quantas dificuldades foi ela obrigada a atravessar, desde a infância, para que o trabalho de Nuel ([8]) não parasse e nem fenecesse. […] Por muito que eu trabalhasse, e realmente nada tenho feito de mim, não estaria de minha parte, senão cumprindo um dever… Lembre-se de que sua mãe pelo coração está igualmente na viagem do mundo, carregando imperfeições, impedimentos, inibições… […]. Chico. ([9]) (grifo nosso)

 
         Paulo da Silva Neto Sobrinho









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Chico Xavier teria sido a médium Srta. Japhet?
Enviado por: dOM JORGE em 30 de Maio de 2020, 19:56
                                                               VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                   Certamente, que, ao dizer “sua mãe pelo coração”, Chico Xavier se referia a alguma reencarnação passada em que ele foi mãe biológica de Jô, ou seja, eram membros de uma mesma família na condição de mãe e filho(a).

Em Chico, Diálogos e Recordações…, temos a informação de que após o término da psicografia de Ave, Cristo!, Chico Xavier faz esta prece:

Senhor!

Confiaste-me a glória de receber-nos....

Senhor!

Abriste-me o próprio (coração?) e confiaste-me os filhos de teu amor!

Não me deixes sozinha na estrada a percorrer.

Nas horas de alegria, dá-me temperança.

Nos dias de sofrimento, sê minha força salvadora.

Ajuda-me a governar o coração para que meu carinho não mutile as asas dos anjos tenros que me deste, e adoça o meu sentimento para que a minha devoção afetiva não se converta em sensibilidade constrangedora.

Defende-me contra o egoísmo que se aninha em minha alma para que minha ternura não se transforme em prisão daqueles que asilaste em meus braços.

Ensina-me a corrigir amando, sem fadiga de (ilegível) de abnegação que depuseste em meu espírito.

Nos minutos difíceis, inclina-me a renúncia com que devo iluminar o caminho daqueles que me cercam.

Senhor, auxilia-me a tudo dar, sem nada receber. Mostra-me os horizontes eternos de tua graça para que os desejos da carne não me encarcerem nas sombras!

Pai, sou também tua filha!

Guia-me nos caminhos escuros para que eu não te perca a mão generosa sob os nevoeiros das trevas, e saiba conduzir ao infinito bem os promissores rebentos de Tua Glória.

Senhor não me desampares!

Quando a tua sabedoria exigir o depósito de bênçãos que me confiastes, por empréstimo sublime, dá-me o necessário desapego para que eu te restitua as joias vivas do meu coração com serenidade e alegria. E quando a vida me impuser em teu nome o desprendimento e a solidão, reaquece minha alma ao calor de teu carinho celeste para que eu venere a tua vontade para sempre.

Assim seja. ([10]) (grifo nosso)

Dessa prece, duas frases se destacam: “Não me deixes sozinha na estrada a percorrer.” e “Pai, sou também tua filha!” que vêm, indubitavelmente, corroborar o fato de que Chico Xavier possuía um psiquismo feminino.

Três depoimentos

O jornalista Luciano dos Anjos (1933-2014), será o nosso primeiro depoente. No seu artigo “Chico Xavier foi Ruth-Celine Japhet”, publicado na revista eletrônica digital O Consolador, de número 204, de 10 de abril (parte 1) e número 205 de 17 de abril de 2011 (parte 2 e final), ele lista 14 reencarnações anteriores do médium, incluindo no meio, a sua antepenúltima, como Srta. Japhet, médium da Codificação nascente. Tomemos os seguintes parágrafos:

A reencarnação do Chico como sendo a Ruth-Céline Japhet me havia sido repassada desde 4.8.1967, quando o Abelardo Idalgo Magalhães esteve com o médium em Uberaba e, lado a lado, foi anotando as vidas pregressas do Chico personificadas nos romances de Emmanuel.

Arnaldo Rocha é reconhecidamente espírita sério, honesto, de inatacável probidade.

Tenho esse quadro comigo até hoje com a assinatura do Abelardo. A Ruth-Céline não aparece porque não foi personagem de nenhum dos romances, mas o Abelardo também falou dela, a meu pedido, e recebeu a confirmação. Eu já sabia desde aquela década, em mero exercício especulativo. Essa mesma confirmação o Divaldo Pereira Franco ouviu diretamente do Chico, que tinha acabado de chegar de Paris, onde visitara o túmulo do Codificador. Ainda mais. Muitos anos antes, foi o mesmo Chico quem fizera igual revelação para um dos seus maiores amigos e confidentes, o Arnaldo Rocha, marido da Meimei, esse Espírito maravilhoso que nos ditou mensagens de elevado teor evangélico.

Destaco como importante que, de todos os que andam por aí se jactando de terem ouvido declarações do Chico, ou tirando conclusões por conta própria de que ele era Allan Kardec, nenhum deles viveu a intimidade vivida pelo Arnaldo Rocha. E, ainda este ano, quando mais uma vez esteve aqui em minha residência, o Arnaldo voltou a me afirmar que o Chico era a Ruth-Céline Japhet. Também há pouco menos de um mês, no programa da Globo News em homenagem ao centenário do Chico, ele retomou o assunto e, em resposta à pergunta que lhe foi feita, falou, até com certo enfado, que não passa de bobagem essa ideia de que Chico Xavier era Allan Kardec. Anote-se que o Arnaldo Rocha é reconhecidamente espírita sério, honesto, de inatacável probidade. Ninguém, absolutamente ninguém, no momento, tem mais autoridade do que ele para colocar um ponto final nessa ficção que o bom senso e o conhecimento da doutrina espírita deveriam de há muito ter inumado. ([11]) (grifo nosso)
Título: Re: Chico Xavier teria sido a médium Srta. Japhet?
Enviado por: dOM JORGE em 30 de Maio de 2020, 20:00
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                   
Arnaldo Rocha (1922-2012), em depoimento concedido ao confrade Guaraci Lima Silveira, publicado na revista eletrônica digital O Consolador, de número 204, de 10 de abril de 2011, responde a várias questões das quais destacamos:

Existem também informações de que Chico Xavier teria sido a encarnação de Allan Kardec. Contudo você tem dito que ele foi a reencarnação da Srta. Japhet, médium contemporânea de Kardec. Pode comentar sobre essa controvérsia?

O campo da fantasia pulula lamentavelmente no meio espírita. De Hatshepsut, princesa egípcia, por volta de 3.256 a.C., até 1890 quando desencarnou na Espanha, em Barcelona, todas as reencarnações de Chico Xavier foram em corpos femininos, pois ele é um Espírito feminino. Somente agora, nesta última existência, com vistas às suas responsabilidades, ele reencarnou como homem.

Dialogando com Chico, falei-lhe de uma dúvida que era constante em meu pensamento. Consta que uma vez por mês, ou na casa do Sr. Roustan ou na casa do Sr. Japhet, Kardec levava o material que seria O Livro dos Espíritos, e o Espírito Verdade fazia correções, aconselhando sua publicação em 18 de abril de 1857. Na casa do Sr. Roustan, Kardec falava sobre a médium (C), na do Sr. Japhet dava o nome todo da médium, Ruth-Céline Japhet. Chico corrigiu-me a expressão Japhet, dizendo que a pronúncia é “Japet”! A família era judia. Indaguei-lhe quem era Ruth Japet.

O que foi que o Chico lhe disse?

Respondeu-me sorrindo: “Você está conversando com ela…”

Assim, Chico Xavier foi contemporâneo de Kardec e era a Srta. Japhet?

Ele mesmo disse isto a mim.

Pode nos dizer qual foi a verdadeira relação entre Kardec e a Srta. Japhet?

A Srta. Japhet era médium e ela sempre colaborou com ele, desde o início, quando se conheceram na casa da senhora Plainemaison. Kardec consultava os Espíritos por meio dela. ([12]) (grifo em negrito do original, o sublinhado do negrito é nosso)

Confirma, portanto, o que antes vimos em Luciano dos Anjos e também reforça que foi a sua primeira encarnação como homem, algo que reputamos importante.

Na obra Chico, Diálogos e Recordações…, Arnaldo Rocha lista mais 12 reencarnações de Chico Xavier em corpo feminino. Verifica-se alguma diferença de personagens entre a lista de Luciano dos Anjos e a de Arnaldo Rocha, porém, ambas traçam todas as anteriores reencarnações de Chico Xavier como mulher, o que, certamente, vem a justificar o seu psiquismo feminino, conforme o comprovamos em pesquisa. Aos leitores interessados, sugerimos o nosso ebook Chico Xavier, verdadeiramente uma alma feminina. ([13])

Lá pelos idos de 1927, o Espírito Allan Kardec manifesta-se a Chico Xavier. Essa informação podemos ver no vídeo de uma entrevista de Arnaldo Rocha ao coordenador do Site EBH – Espiritismo BH, realizada em 24 de abril de 2009, que recebeu o título de “Minha vida com Meimei e Chico” ([14]). O entrevistador, Marcelo Orsini, a certa altura lhe pergunta: “Sr. Arnaldo e o relacionamento entre Chico e Kardec?” Resumimos a resposta nos parágrafos que se seguem.

Conta Arnaldo que, certa feita, quando a Maria Xavier, irmã de Chico, ficou obsidiada, embora a família fosse católica apostólica romana, foram procurar, em Matozinhos/MG, o Perácio, que era espírita. A moça, num processo obsessivo muito doloroso, acalmou. Não obstante, Perácio começou a se preocupar com Chico, que tinha por volta de 15 a 17 anos na época.

Naquela ocasião, disse ele que deram a Chico um exemplar de O Livro dos Espíritos para ler, ainda que tivesse apenas curso primário. Nesse livro tinham palavras que ele não entendia. Então, ele começou a ver um homem ao seu lado, mas tinha vergonha de perguntar-lhe quem era. Esse Senhor também não se apresentou. E as dúvidas que ele tinha, eram esclarecidas por esse Senhor, com o qual foi construindo uma amizade muito bonita.

Arnaldo informa que alguém deu de presente a Chico, um livro, do qual não se lembra o nome, que tinha o retrato do Senhor Allan Kardec. Então, Chico estava lá no estudo de O Livro dos Espíritos, quando lhe apareceu esse homem (Espírito). Chico olhou para ele, se pôs de joelho, com todo respeito. Esse Espírito disse a Chico que assim como havia colaborado com ele (Kardec), uma vez por mês, na casa do sr. Roustan, quando o Espírito de Verdade fazia as correções em O Livro dos Espíritos, agora vinha colaborar também. Foi então que Chico se deu conta de que esse homem era Allan Kardec. ([15])

Sabemos que essa médium, que Kardec utilizou para as correções da obra mencionada, foi justamente a Srta. Japhet.

Divaldo Pereira Franco, na palestra “Orientação aos Espíritas dos EUA”, na cidade de New Jersey (EUA), a 26 de novembro de 2017, a certa altura, diz:

A primeira coisa que Kardec fez, depois de lançado O Livro dos Espíritos, na noite de 18 de abril de 1857, na rua dos Mártires, foi reunir os médiuns em uma noite de chuva, e ali comemorar o lançamento do livro, com Aline Carlotti; a médium que lhe revelou a missão, que foi o instrumento de Hahnemann, e que foi o instrumento do Espírito da Verdade, a senhorita Japhet que se reencarnará como Chico Xavier, a médium do Livro dos Espíritos; as meninas Baudin e treze convidados. E foi feita uma reunião mediúnica e através da senhorita Japhet, o Espírito de Verdade disse: A natureza em festa varre os céus de Paris destruindo as construções psíquicas negativas para que a grande luz esparsa a claridade sobre toda a humanidade. (A fonte: o Dr. Abreu, que estava em Paris quando os arquivos de Allan Kardec iam ser queimados pelos alemães. E ele comprou todos os arquivos de Allan Kardec e levou-os para o Brasil. […]. ([16]) (grifo nosso)

 

Este artigo será concluído na próxima edição.

 


 
[1]   Uma adaptação do livro Kardec: a Biografia, autoria do jornalista Marcel Souto Maior.

[2]   Julia Konrad é Ruth-Celine Japhet, disponível em: link-1

[3]   BASTOS, Srta. Japhet e Sr. Roustan, disponível em: link-2

[4]   RANIERI, Chico Xavier – o Santo de Nossos Dias, p. 56.

[5]   RANIERI, Recordações de Chico Xavier, p. 199.

[6]   COSTA E SILVA, Chico Xavier, o Mineiro do Século, p. 27.

[7]   COUTTINHO, Em defesa dos princípios doutrinários. in. Universo Espírita, nº 24, p. 9.

[8]   Forma carinhosa com a qual Chico Xavier tratava Emmanuel, seu mentor.

[9]   GALVES, Amor e Renúncia – Traços de Joaquim Alves, p. 85.

[10] COSTA, Chico, Diálogos e Recordações…, p. 367.

[11] ANJOS, Chico Xavier foi Ruth-Céline Japhet, disponível em link-3 (parte 1) e link-4

 (parte 2 e final)

[12] SILVEIRA, Entrevista Arnaldo Rocha, disponível em link-5

[13] NETO SOBRINHO, Chico Xavier, verdadeiramente uma alma feminina, disponível em: link-6

[14] ESPIRITISMO BH, Minha vida com Meimei e Chico, disponível em: link-7, a partir de 43'54'' a 52'02’’.

[15] NETO SOBRINHO, Kardec & Chico: 2 Missionários, p. 54-55.

[16] RAETV, Divaldo Franco, orientação aos espíritas dos EUA, disponível em: link-8

Atualmente não está mais disponível o vídeo, mas a informação de que Chico Xavier foi Srta.Japhet, pode ser confirmada no texto explicativo do vídeo “Mediunidade e investigação científica”. No link: link-9 , Fátima Paz Parente Soares, em 12 jan. 2018, conforma isso, dizendo: “Boa noite. Acabo de ouvir nesse vídeo link-10 Divaldo Franco – Orientação aos Espíritas dos USA - Parte 2, onde Divaldo Franco falando aos 1h:33;10 segundos, falando exatamente que, Ruth Japhet, a médium que reencarnaria como Chico Xavier. E aí?”

 
                Paulo da Silva Neto Sobrinho







                                                           
   
                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Chico Xavier teria sido a médium Srta. Japhet?
Enviado por: dOM JORGE em 06 de Junho de 2020, 17:20
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                    Chico Xavier teria sido a médium Srta. Japhet?

Parte 2 e final

Como o vídeo não consta mais no link com a palestra de Divaldo Franco, trazemos para confirmar isso o seguinte parágrafo da explicação, constante no site EspiritismoPlay, para o vídeo do médium com o tema “Mediunidade e investigação científica”: “Traz, ainda, a informação de que Chico Xavier é a reencarnação da médium Ruth Céline Japhet, uma das principais colaboradoras de Allan Kardec na codificação.” ([1]) (grifo nosso)
Marcas do passado
Em Kardec: a biografia, o autor Marcel Souto Maior, informa que:
As primeiras reações indesejáveis vieram logo após a publicação do livro, e de onde o professor menos esperava: dos próprios colaboradores. Ao lançar sua obra – ou, melhor, a obra dos espíritos superiores –, Rivail não dera qualquer crédito às irmãs Caroline e Julie Baudin ([2]), a Ruth Japhet e a outros médiuns também consultados.
Ruth Japhet não se conformou. Pelas suas contas, três quartos do livro se deviam à sua mediunidade e a seus manuscritos, e a omissão a seu nome era, portanto, inadmissível. Em desabafo ao escritor russo Alexandre Akasakof, Ruth se queixaria de não ter ganho sequer um exemplar do livro e de não ter recebido seus manuscritos de volta quando os pediu ao professor.
Akasakof faria estas revelações em artigo publicado no jornal The Spiritualist Newspaper, em 1875. Rivail – morto seis anos antes – não pode se defender, nem através de mensagens mediúnicas.
Dezoito anos depois da publicação de O Livro dos espíritos, Ruth ainda estava inconformada com a falta de crédito e de consideração, mas em nenhum momento de sua entrevista renegou a comunicação com os espíritos nem a autenticidade das mensagens atribuídas ao além. ([3]) (grifo em itálico do original, negrito nosso)
Supondo Chico Xavier ter sido a Srta. Japhet, algumas coisas na vida do médium começam a fazer sentido. Em todos os livros que publica, embora sejam de autoria de Espíritos, consta o seu nome como o medianeiro, isso proporcionou-lhe grande prestígio, que não teve no século XIX. Além disso, os direitos autorais de todas as obras que psicografou foram integralmente doados as diversas instituições espíritas, com registro em Cartório e tudo.
Uma outra marca será mencionada do tópico a seguir.
Duas Advertências
Em 10 de julho de 1927, Chico Xavier recebe a visita da Rainha Santa de Portugal, a venerável Isabel de Aragão; conforme registrado em Chico Xavier, e Isabel, a Rainha Santa de Portugal. Do diálogo entre os dois destacamos o seguinte trecho da narrativa de Chico:
A dama sorriu e esclareceu-me:
– Chegará o tempo em que você disporá de recursos. Você vai escrever para as nossas gentes peninsulares e, trabalhando por Jesus, não poderá receber vantagem material alguma pelas páginas que produzir, mas vamos providenciar para que os Mensageiros do Bem lhe tragam recursos para iniciar a tarefa. Confiemos na bondade do Senhor. ([4]) (grifo nosso)
Essa advertência de que “não poderá receber vantagem material alguma pelas páginas que produzir” é algo inusitado, que só faz sentido se tiver alguma relação com o passado espiritual de Chico Xavier, já que lhe foi dada no período que ele nem bem ainda tinha iniciado sua “tarefa do livro”.
Em Cartas de uma Morta, veremos o que o Espírito Maria João de Deus aconselha ao filho:
Exerce o teu ministério, confiando na Providência Divina.
Seja a tua mediunidade como harpa melodiosa; porém, no dia em que receberes os favores do mundo como se estivesses vendendo os seus acordes, ela se enferrujará para sempre. O dinheiro e o interesse seriam azinhavres nas suas cordas.
[…].
 

***
 

Não encares a tua mediunidade como um dom.
O dom é uma dádiva e ainda não mereces favores do Altíssimo dentro da tua imperfeição.
Refleti que, se a Verdade tem exigido muito de ti, é que o teu débito é enorme diante da Lei Divina.
Considera tudo isso e não te desvies da humildade. ([5]) (grifo nosso)
A mãe de Chico é outro Espírito que o adverte quanto a “receber os favores do mundo”, ou seja, sobre a possibilidade de ele mercantilizar o seu “dom mediúnico”.
Chico Xavier levou tão a sério essa advertência, que, em outubro de 1995, portanto, com 68 anos de atividade mediúnica, declarou: “[…] Nunca procurei explorar a mediunidade no sentido pecuniário ou mesmo para obtenção de valores ou conquistas que vão além de minha simplicidade.” ([6])
A razão de as duas nobres personagens fazerem a mesma advertência a Chico Xavier se encontra em seu passado, provavelmente no século XIX, quando viveu como a Srta. Japhet.
O pesquisador Alexandre Aksakof (1832-1903), em seu artigo intitulado “Pesquisas sobre a Origem Histórica das Especulações Reencarnacionistas dos Espiritualistas Franceses”, cita a médium Ruth-Céline Japhet, com a qual se encontrou. Deste artigo de Aksakof, transcrevemos:
Em 1845 ela foi para Paris em busca do senhor Ricard, e acabou conhecendo o senhor Roustan na casa de senhor Millet, um magnetizador. Ela tomou, então, por motivos familiares, o nome de Japhet, e tornou-se uma sonâmbula profissional sob o controle do senhor Roustan, e permaneceu nessa posição até meados de 1848. Ela deu, sob seu novo nome, conselhos médicos, sob a orientação espiritual de seu avô, que tinha sido um médico, e também de Hahnemann e de Mesmer, de quem ela recebeu um grande número de comunicações.
Um pouco mais à frente, lê-se:
Além do exposto, detalhes complementares sobre a origem de O Livro dos Espíritos, e os diferentes pontos de conexão, podem e devem ser obtidos a partir de testemunhas vivas para lançar luz sobre a concepção e o nascimento deste livro, como a senhora Japhet, senhora de Guldenstubbe, senhor Sardou, e o senhor Taillandier. Este último continua, até o presente momento, trabalhando com a senhora Japhet como uma médium; ela ainda está na posse de seus poderes sonambúlicos, e continua dando consultas. Ela se autossugestiona para dormir por meio de objetos que tinham sido magnetizados pelo senhor Roustan. Penso que é um dever aproveitar esta ocasião para testemunhar a excelência de sua lucidez. Eu perguntei a ela sobre mim, e ela me deu a informação exata tanto de uma doença localizada quanto de meu estado geral de saúde. ([7]) (grifo nosso)
Vital Cruvinel, em seus comentários no artigo “Uma controvérsia em detalhes”, diz: “De acordo com a entrevista, Japhet vivia da mediunidade, ganhava por isso, e seria uma das pioneiras na obtenção de comunicações dos espíritos. […].” ([8]) (grifo nosso)
Em Srta. Japhet & Sr. Roustan, Carlos Seth apresenta um documento que prova a mercantilização da mediunidade pela Srta. Japhet:









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Chico Xavier teria sido a médium Srta. Japhet?
Enviado por: dOM JORGE em 06 de Junho de 2020, 17:24
                                                               VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                    Eis a tradução livre do anúncio de Célina: “Srta. Célina, Sonâmbula. Dá consultas sobre todos os tipos de assuntos, durante a semana, das 3 às 6 horas; domingos e feriados, do meio-dia às 2 horas, e todos os dias nas horas solicitadas. Basta dirigir-lhe uma pergunta oral ou escrita que lhe é transmitida por seu magnetizador, para que atinja o objetivo de suas pesquisas. Pessoas que não podem vir elas mesmas, podem enviar alguém em seu lugar. Nota. A Srta. Célina atende os convites a domicílio.” ([9])
A reclamação da Srta. Japhet, surtiu algum efeito, conforme se pode ver na Revista Espírita 1858, nesta fala de Kardec:
Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram as senhoritas B…, cuja boa vontade jamais nos faltou. O livro foi quase todo escrito por seu intermédio e em presença de numeroso público que assistia às sessões, nas quais tinha o mais vivo interesse. Mais tarde os Espíritos recomendaram uma revisão completa em sessões particulares, tendo-se feito, então, todas as adições e correções julgadas necessárias. Essa parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, a qual se prestou com a maior boa vontade e o mais completo desinteresse a todas as exigências dos Espíritos, porque eram eles que marcavam os dias e as horas para suas lições. O desinteresse não seria aqui um mérito especial, visto que os Espíritos reprovam qualquer tráfico que se possa fazer de sua presença; a Senhorita Japhet, que é também notável sonâmbula, tinha seu tempo utilmente empregado, mas compreendeu, igualmente, que dele poderia fazer uma aplicação proveitosa ao se consagrar à propagação da doutrina. Quanto a nós, já declaramos desde o princípio, e temos a satisfação de reafirmar agora, jamais pensamos em fazer de O Livro dos Espíritos objeto de especulação: seu produto será aplicado a coisas de utilidade geral. Por isso seremos sempre gratos aos que, de coração e por amor ao bem, se associarem à obra a que nos consagramos. ([10]) (grifo nosso)
A impressão é que, bem nas entrelinhas, Kardec aborda a questão da comercialização da mediunidade feita para Srta. Japhet. Em O Evangelho Segundo o Espírito, disse o Codificador: “A mediunidade séria nunca pode constituir uma profissão, […] é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente”. ([11])
Dois Fatos inéditos
Josyan Courté, em Chico Xavier – O mais importante brasileiro da história, narra este fato acontecido com o médium e a sua mãe em outubro de 1958:
O dia 10 de outubro era a data de aniversário da minha mãe Odila, e eu, de presente, havia oferecido o passeio.
Às 10 da manhã, Chico veio até a “Pensão da D. Naná”, onde estávamos hospedados. Ele trouxe um lindo exemplar do Há Dois Mil Anos com expressiva dedicatória pelo seu “venturoso natalício”. O livro, mais tarde, entreguei-o à minha filha Sheila, como lembrança de sua avó Odila e de Chico Xavier. Esse encontro com Chico mudaria nossa vida para sempre.
Ele conversou com minha mãe em francês (xenoglossia?), língua que ela conhecia desde a infância, e disse-lhe, entre outras coisas, que Allan Kardec possuía uma caderneta verde de couro, onde anotava o nome dos espíritas franceses que lhe eram mais próximo. ([12]) (grifo nosso)
Ora, esse episódio poderia ser explicado de duas maneiras. A primeira, é que Chico Xavier tenha incorporado algum espírito que, pessoalmente, conheceu ou conviveu com Kardec e por isso falou em francês e contou o detalhe da caderneta verde de couro. A segunda, mais de acordo com o que estamos desenvolvendo nesse artigo, é que a causa disso seja, exatamente, pelo fato de Chico Xavier ter sido a Srta. Japhet.
No Globoplay há um vídeo do programa “Terra de Minas”, o especial “Amigos e parentes lembram de Chico Xavier com muita saudade”, exibido em 13 de abril de 2013, no qual surge um fato novo e bem interessante no depoimento de Sidney Pereira Flávio, enfermeiro de Chico Xavier por muitos anos. Transladamos este trecho que se inicia com o repórter falando:
Reencontramos Sidney 10 anos após a morte de Chico. O enfermeiro continua frequentando o Centro Espírita fundado pelo médium em Uberaba. Ele nos contou um segredo que era só dos dois, Chico nunca o chamou pelo nome.
– Ele sempre me chamava de Antônio, né? Eu um dia, passou um tempo, foi Tio Chico, por que Antônio? O meu nome não é tão complicado do Senhor pronunciar. Ele falou assim: Não, meu filho, nós fomos irmãos em outras encarnações passadas deu até um sorriso para mim entender que realmente era uma coisa do passado. ([13]) (grifo nosso)
No artigo “Srta. Japhet & Sr. Roustan”, o pesquisador Carlos Seth Bastos, informa algo que pode nos ajudar a desvendar esse “mistério”.
Em resumo, Célina nasceu na comuna de Caen, departamento de Calvados, na França, em primeiro de abril de 1822 [1], e desencarnou em 30 de abril de 1884 no 19º arrondissement de Paris [3]. Morava na época na Impasse Fessart, 14; depois do ano de 1899, Rue Mélingue [46]. Impasse é uma rua sem saída. Célina era filha de François Béquet e Aimable Julie Le Planquais. Esta desencarnou em 21 de maio de 1859 no departamento de la Manche, como viúva Béquet [47]. O Sr. Béquet trabalhava como comerciante de brinquedos, como vemos no registro de nascimento de Célina e em outra fonte de 1836 [48]. Célina, que era a 2ª, teve mais 3 irmãos: Antonielle Justine de 1819, Georges Alphonse de 1823 e Aimable Hippolyte de 1827. Este último se casou em 1863 e teve Jean Roustan como testemunha. Interessante que Aimable Hippolyte, um vendedor ambulante, foi condenado em 1846 (pela venda de escritos ilícitos), em 1852 (por desacato ao oficial da força policial) e mais tarde, em 1872 (por porte de armas) [49]. Os filhos deste “comunard” de Nogent-sur-Marne nasceram entre 1854 e 1863, portanto antes da oficialização do casamento, sendo que a 1ª nasceu na Bélgica (teria ele se exilado e depois sido anistiado, como Leymarie?). Seria este (os eventos antes da prisão em 1846) o motivo da Srta. Célina ter adotado o sobrenome Japhet? Como ela disse, a mudança em 1845 foi por motivos familiares. Acreditamos que aqui tenhamos nossa 3ª prova circunstancial. ([14]) ([15]) (grifo nosso)
Essa Antonielle Justine não poderia ser o Antônio (Sidney), que Chico Xavier disse ter sido seu irmão?
Conclusão
De Recordações da Mediunidade, autoria Yvonne A. Pereira (1900-1984), destacamos esse trecho de uma fala do Espírito Bezerra de Menezes:
[…] Existem mediunidades que do berço se revelam no seu portador, e estas são as mais seguras, porque as mais positivas, frutos de longas etapas reencarnatórias, durante as quais os seus possuidores exerceram atividades marcantes, assim desenvolvendo forças do perispírito, sede da mediunidade, vibrando intensamente num e noutro setor da existência e assim adquirindo vibratilidades acomodatícias do fenômeno. […]. ([16]) ([17]) (grifo nosso)
Caso nossa linha de raciocínio esteja correta, então, novamente, reputamos ser necessário que Chico Xavier, em seus personagens anteriores, tenha sido médium, possivelmente com um grau mediúnico um pouco menor, o que acontece na hipótese de ele ser a Srta. Japhet.
Vejamos este trecho do artigo “Chico Xavier foi Ruth-Céline Japhet” de autoria de Luciano dos Anjos, replicado em vários sites na Internet:
Ruth-Céline Japhet na realidade se chamava Ruth Céline Bequet. O sobriquet Japhet ela o adotou para identificar-se como sonâmbula profissional. Reencarnou em 1837, na província de Paris, cujo local exato não consegui localizar. No ano de 1841, ainda morava por lá, com os pais, quando ficou gravemente doente, impedida de caminhar. Sua infância lembra os infortúnios de Chico Xavier, tal a luta que empreendeu pela saúde combalida. Era médium desde pequena, mas só por volta dos 12 anos começou a distinguir a realidade entre este mundo e o espiritual. Na infância, confundia os dois. Acamada por mais de dois anos, foi um magnetizador chamado Ricard quem constatou que ela era médium (sonâmbula, na designação da época), colocando-a em transe pela primeira vez. […]. ([18]) (grifo nosso)
Mais elementos que colocam Chico Xavier bem próximo de ser, de fato, a reencarnação de Ruth Celine Japhet. Srta. Japhet nasceu em 1º de abril e, quase noventa anos depois, retorna a 2 de abril como Chico Xavier, será isso uma mera coincidência ou teria algo mais?
Tudo isso olhado de forma isolada, pode não ter muita força, porém, quando se procura ver pelo conjunto, torna-se tal qual um feixe de varas.

 
           Paulo da Silva Neto Sobrinho









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!