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GERAL => Mensagens de Ânimo => Poesia => Tópico iniciado por: Peregrino em 05 de Maio de 2006, 18:42

Título: A Sabiá e o Lobo Solitário.
Enviado por: Peregrino em 05 de Maio de 2006, 18:42



A Sabiá e o Lobo Solitário.


Sou lobo peregrino, pesco no azul-marinho,
Na orla costeira refugiei minha solidão,
Longe da ignorância cruel do mundo,
Que «rectifica» além da sua mesquinha visão.

Mas, nestes dias, novo canto abençoa a manhã,
Suave e melodioso hino traz esperança renovada!
Que poderes te foram concedidos, meiga Sabiá,
P´ra despertar o esplendor da alvorada?

Depois do trinar, vens pousar ao meu lado,
Sem nada dizer, tua beleza sorrindo ao mar,
Que inveja minha sorte, por partilhares meu fado
E, paciente, ensinares-me a amar.

Quando, arisca, te afastei, de início,
Soubeste que necessitava teu ficar,
Porque o amor tem que ser teimoso,
P´ra derrubar a fortaleza do desacreditar,

Que espinhosos caminhos erigem a volta
Dos nossos feridos sonhos e adiados ideais,
Afugentando a desilusão e a revolta
E protegendo seus restos mortais,

Aguardando o dia em que tu virias,
Célere e incólume, na humana tempestade,
Imune a descrenças e melancolias,
Ressuscitando a eterna felicidade!

Teu coração sabe que o lobo solitário
É fiel a um só amor, cuja chama lhe acende
Manso brilho no olhar, no feliz horário
Em que tua presença me transcende,

Num baptismo de tamanha alegria,
Que me devolve à serena idade de lobacho,
Ensaboado num banho de harmonia,
Meu carma lavado em chilreante riacho!



(David Velez – 03/10/2004)