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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: Marianna em 16 de Julho de 2010, 04:16

Título: Os Gladiadores
Enviado por: Marianna em 16 de Julho de 2010, 04:16



(http://img594.imageshack.us/img594/74/hg14l.jpg)

Que eram eles?

 
Sempre que vemos o Coliseu de Roma automaticamente nos lembramos dos combates entre os gladiadores, homens que lutavam até a morte perante uma platéia sedenta de sangue. Entretanto, quase sempre nos esquecemos de perguntar quem eram aqueles homens que davam suas vidas para o divertimento dos romanos.
 
O cinema hollywoodiano se encarregou de popularizar a figura do gladiador com o filme Spartacus, onde o galã Kirk Douglas representava o gladiador Espártaco, um escravo trácio, que se rebelou em 73 a.C. e com um exército de milhares de escravos quase derrubou a combalida República romana.

Mas fica a dúvida:
▬  Será que todos eram escravos? Não.

Os gladiadores não eram somente escravos. Homens livres também combatiam na arena, além de alguns tipos de criminosos, que formavam um tipo especial de lutadores.Os escravos que lutavam eram de preferência os prisioneiros de guerra e os alugados por seus senhores. Como escravos, esses homens não tinham escolha, mas através de suas vitórias nos combates, poderiam conquistar a sonhada liberdade representada por uma espada de madeira, a rudis, sendo a partir chamados de Rudiarii.
 
Os homens livres também competiram e na República romana, metade dos gladiadores era formada por eles. Os homens livres eram muito procurados por seu entusiasmo durante os combates e o gladiador mais famoso foi um homem livre, Públio Ostório que fez 51 combates em Pompéia. Mas o que levava um homem livre a ingressar na vida de gladiador para ser marcado a ferro, viver preso em uma cela, ser chicoteado e morrer pela lâmina de espada?
 
Apesar de toda a dureza da vida dos gladiadores, ela tinha seus pontos positivos. Com suas vitórias, os gladiadores poderiam conseguir riquezas, que um trabalhador comum não conseguiria durante toda sua vida. A fama e a admiração feminina eram outros componentes que contavam a favor desse estilo vida. No que diz respeito à admiração feminina, dizia-se que Cômodo (180-192), filho de Marco Aurélio (161-180) e Faustina, era na verdade o fruto de uma ardente paixão dela com um gladiador.

O poeta Juvenal confirma essa admiração feminina com um outro relato, onde a esposa do senador Eppia fugiu com um gladiador para o Egito.Roland Auguet cita uma pichação em Pompéia que também confirma essa opinião: “Celádio, o thraex, três vezes vencedor e três vezes coroado, adorado pelas jovens."

Além dos fatores citados, outros incentivavam o ingresso nesse tipo de vida. O homem que se tornava gladiador participava de grupo coeso (família gladiatória), com moral rígida e fidelidade ao seu mestre. Nessa vida, virava um modelo de disciplina militar e com comportamento rigoroso, podendo alcançar a fama semelhante de um soldado romano em um campo de batalha.
 
Outros homens livres buscaram os jogos gladiatórios com outros objetivos. Relatos contam que um homem se ofereceu para lutar por 10 mil dracmas para auxiliar um amigo endividado. Um jovem lutou para conseguir dinheiro para o funeral do pai. E outros se tornavam gladiadores após a falência. Ex-gladiadores também voltavam à arena quando a oferta era grande.

Um dia de jogos gladiatórios.
 
Os jogos gladiatórios não começavam no dia das lutas. Na verdade começavam alguns dias antes quando os combates eram anunciados com cartazes afixados nas casas e edifícios públicos. Nos cartazes pregados e nos vendidos na rua, veríamos todas a programação do dia de jogos, com os tipos de combates, horários, os nomes dos lutadores e o patrocinador da competição.
 
O dia dos jogos começava logo pela manhã. Romanos de todas as classes sociais se dirigiam ao Anfiteatro Flávios para presenciar um espetáculo que duraria até o crepúsculo. Nos arredores do anfiteatro, novos programas eram distribuídos. Nesse dia o público não precisaria comprar ingressos, já que o imperador era o promotor do evento. As pessoas se dirigiam para seus lugares segundo seu grupo social. A elite ocuparia a fileira mais perto da arena; os grupos médios ocupariam a segunda fileira e plebe e as mulheres ocupariam as duas últimas fileiras. Nesse dia, ainda era esperada a presença do imperador.
 
Para alívio dos espectadores, o velarium (os toldos de pano) estava sendo estendido para proteger o público do sol que brilhava radiante no céu limpo de nuvens de Roma. Para as pessoas que haviam saído com pressa de casa, e por isso, estavam em jejum, existiam vendedores que ofereciam refrescos, salsichas e bolos, como nos estádios de futebol da atualidade.
 
Treinador com o seu leão amestrado. Observe a cabeça de burro próxima à pata do leão. Piso em uma villa em Nennig (século II ou III)


Título: Re: Os Gladiadores
Enviado por: Marianna em 16 de Julho de 2010, 04:17


O primeiro espetáculo do dia estava reservado aos animais. Primeiramente entraram os treinadores com animais amestrados. Panteras puxando carroças, elefantes que rolavam no chão ao comando de seu treinador e outros animais selvagens que faziam coisas fantásticas ao som da orquestra que os acompanhava, como nos espetáculos circenses do mundo contemporâneo.
 
Com o fim desse número, iniciava-se o segundo espetáculo da manhã, com as lutas entre os animais. Para a arena vários animais foram trazidos e lutaram entre si, em variadas combinações: leão X pantera, urso X leão, pantera X urso, urso X cachorros selvagens e uma infinidade de  combinações que começavam a excitar a platéia.

Para finalizar os espetáculos pela manhã, os romanos assistiriam os primeiros gladiadores a pisar na arena neste dia, os bestiarii, especialmente treinados para combates com animais. No entanto, antes disso haveria um intervalo para a preparação da arena. Do seu chão foi erguida uma decoração que a transformou em uma floresta. Leões foram soltos. Os bestiarii em maior número entraram na arena e começaram a caçada que terminou com a morte dos leões e alguns gladiadores feridos. 

Ao meio-dia o sol castigava a arena. Escravos entraram para retirar os corpos dos animais, e por ventura de algum bestiarii que houvesse morrido pela porta libitinensis. Ao mesmo tempo, a decoração para o espetáculo era recolhida, e outros escravos se encarregavam de trazer mais areia para cobrir as manchas de sangue.

Com a arena novamente limpa, era a hora de uma nova etapa do espetáculo: criminosos seriam levados à arena para morrerem. Quando entraram, um grito de alegria percorreu as arquibancadas. Escravos declararam os crimes cometidos por aqueles homens, enquanto alguns eram amarrados em postes de madeira.

Novamente, animais foram soltos na arena, mas dessa vez não seriam as vítimas. Leões e panteras famintos avançaram nos criminosos amarrados e devoraram-nos. Em outro momento, um criminoso foi enviado à arena para separar uma briga de dois animais, e acabou devorado. Por último, duas dezenas de criminosos, incluindo cristãos foram deixados na arena, onde os leões atacaram e destroçaram seus corpos.
 
O êxtase da platéia estava chegando ao ponto máximo. Um novo intervalo foi feito e novamente, escravos entraram para recolher os corpos e cobrir o chão manchado de sangue com areia. Os músicos da orquestra to cavam animadamente para distrair o público, que aproveitava esse novo intervalo para se alimentar. Nesse momento, o imperador chegou ao anfiteatro e todos perceberam sua chegada que foi saudada com aplausos e gritos da platéia. Após mais algumas músicas, a orquestra iniciou a última parte dos jogos do dia, o tão esperado momento, o combate entre os gladiadores.
 
Transportados em carruagens abertas, os gladiadores entraram pela porta trumphalis na arena e atrás deles, seus criados carregando seus armamentos. A platéia explodiu em alegria gritando os nomes de seus preferidos. Os gladiadores vestiam uma capa púrpura com detalhes em ouro e deram uma volta em torno da arena para que o público pudesse vê-los. A carruagem parou em frente à tribuna imperial, o pulvinar, onde estava o imperador e os gladiadores saudaram-no erguendo o braço direito.
 
Um par de gladiadores se equipou para o combate e o restante saiu de cena, esperando para lutarem em um outro momento. O combate seria entre um retiarius e um secutor. Com um toque da orquestra o combate começou. O anfiteatro tremia com fervor. A luta era muito disputada. O ferimento mais leve tirava urros da torcida.

Espectadores gritavam o nome do retiarius, enquanto outros incentivavam o secutor. O retiarius tentava com prender com sua rede a espada de seu oponente, enquanto o secutor esperava um descuido do retiarius para ferir um de seus braços para inutiliza-lo para o combate. Após minutos de combate, num descuido do retiarius, o secutor cravou a espada em sua barriga. A multidão começou a gritar: Degola! Degola! Degola! 
Desenho de um combate entre um retiarius (com a rede) e um secutor (com o escudo).
 
O retiarius ferido e caído no chão esperava seu destino: a morte. O vitorioso, ainda ofegante, dirigiu seu olhar para o pulvinar, esperando a decisão imperial. O imperador por sua vez, observou a platéia do anfiteatro esperando seu posicionamento. A platéia não demonstrou clemência e pediu a morte do retiarius. O imperador virou-se para o secutor e sinalizou para a morte do adversário.

Em um último momento de dignidade, o derrotado expôs o pescoço para o vitorioso que em um golpe preciso cravou a espada no pescoço do adversário. A multidão gritou extasiada, enquanto a areia se encharcava com o sangue do morto.

Após a morte do gladiador, criados entraram na arena para recolher o corpo e limpá-la. Após esse pequeno intervalo, novos combates se sucederam, dessa vez com vários gladiadores lutando ao mesmo tempo. E por várias vezes o ritual da morte se repetiu, com os vitoriosos indagando ao imperador, que por sua vez indagava à platéia, se os derrotados deveriam morrer.

As batalhas duraram toda a tarde e ao entardecer, os gladiadores vitoriosos retornaram à arena e receberam a palma como símbolo de suas vitórias, moedas, pratos dourados e outros objetos de valor. Assim terminava um dia de jogos gladiatórios em Roma.

(A. D.)