Forum Espirita

GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: Haga em 18 de Julho de 2008, 14:35

Título: Justiça e Livre Arbítrio
Enviado por: Haga em 18 de Julho de 2008, 14:35
Os seres humanos não conhecem o que é justiça, pois ela não existe no planeta Terra. O que é conhecido como “justiça”, na verdade pode ser chamada de “reparação” ou “punição”.

Fazer justiça de verdade é não deixar acontecer o que não deve acontecer. A “justiça” terrena só entra em ação depois que um fato aconteceu, obrigando o seu causador à reparação do ato através de uma punição.

Um exemplo comum do que o ser humano chama de “justiça” é quando alguém desencarna “vítima” de uma bala “perdida”, atingido “contra a sua vontade”. A justiça, nesse caso, para o ser humano, será tentar identificar um culpado para punir e lamentar a morte “injusta” de quem não precisava morrer daquele jeito... Ninguém consegue ver nessa “bala perdida” a justiça Divina, a “morte” de alguém que precisava desencarnar nesse dia, daquele jeito!

Analisando o conceito de “justiça” terrena, encontraremos a imagem que quase todas as religiões fazem de Deus: um Pai em um mundo isolado, longe, espiritual, que a tudo assiste sem poder interferir, aguardando o ato ser cometido para julgar o infrator e lhe impor uma reparação (reencarnação) ou uma punição (vida espiritual no umbral ou inferno). Atribuir a Deus a função reparadora e punitiva é compará-lo aos seres humanos que adotam essa “justiça”, é aplicar a “justiça” terrestre ao mundo espiritual...
Entretanto, existe um conhecimento que sempre foi transmitido por todas as religiões: Deus é JUSTO.

No “Livro dos Espíritos”, Allan Kardec nos traz o seguinte texto:
“É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite duvidar da sua justiça, nem da sua bondade”. (Livro dos Espíritos – Comentários à pergunta 13).

É preciso entender que Deus age antes da ação acontecer, ou seja, Ele causa os acontecimentos. Este é o Deus que se revela nas menores e nas maiores coisas: Ele é a Causa Primária de tudo, inclusive dos nossos atos.

Somente com Deus causando as coisas, ou seja, agindo sobre as coisas materiais e os atos dos seres humanos, podem os espíritos alcançar um mundo realmente justo, onde só acontecem coisas perfeitas, pois a fonte destas coisas é a Inteligência Suprema do Universo.

Deus é tão magnânimo que concede ao espírito o livre arbítrio, não de atos, mas de sentimentos.

Todo espírito tem o direito de sentir o que quiser, mesmo que não use o amor universal. Com base no sentimento que o espírito busca para reagir a um determinado acontecimento é que Deus lhe dará um pensamento que o levará a praticar um ato. Se um ser humano nutre raiva por outro, Deus lhe dará um pensamento para que ele pratique atos que espelhem esta raiva.

Porém, para manter esta justiça suprema, Deus fará com que os pensamentos sejam canalizados para seres humanos que, por nutrirem sentimentos iguais, mereçam receber este sentimento de raiva e o ato conseqüente dele.

Aquele que nutre raiva não conseguirá praticar atos contra quem não mereça ou não precise recebê-los não havendo, assim, a injustiça.

Assim é a ação de Deus para promover a justiça suprema em todas as coisas.
Se um espírito merece, pelos seus sentimentos, receber atos que espelhem estes sentimentos, Deus providenciará para que os espíritos se encontrem e um dê ao outro o que merecem. Isto é justiça, mas como o ser humano não vê a ação de Deus e imagina que o pensamento é seu, acredita também que pode fazer o que quer, quando quiser...

“Imaginamos injustamente que a ação dos Espíritos não deve se manifestar senão por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem ajudar por meio de milagres e nós os representamos sempre armados de uma varinha mágica. Não é assim; eis porque sua intervenção nos parece oculta e o que se faz com seu concurso nos parece muito natural. Assim, por exemplo, eles provocarão a reunião de duas pessoas que parecerão reencontrar por acaso; eles inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; eles chamarão a atenção sobre tal ponto, se isso deve causar o resultado que querem obter; de tal sorte que o homem, não crendo seguir senão seu próprio impulso, conserva sempre seu livre arbítrio”. (Livro dos Espíritos – Comentários à pergunta 525).
Título: Re: Justiça e Livre Arbítrio
Enviado por: Haga em 18 de Julho de 2008, 14:38
Sem entender esta vida com estes preceitos, os espíritos não conseguem alcançar a justiça das coisas e, por isso, perdem-se em um mundo onde não permitem a entrada Deus, a não ser quando não conseguem mais ter o controle das situações.

Enquanto o espírito imaginar que ele pode ser capaz de ser a causa primária das coisas que acontecem, estará separando os locais de habitação espiritual, bem como seus “assuntos”.

Enquanto existirem acusações, críticas ou mágoas causadas pelos “outros”, o espírito não conseguirá ver a ação de Deus em tudo e em todas as coisas e ainda achará injustiça.

www.meeu.org