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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: Fabiano Ribeiro em 28 de Maio de 2010, 12:42

Título: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Fabiano Ribeiro em 28 de Maio de 2010, 12:42
Olá a todos. Nós sabemos que em nosso sistema Jurídico as normas positivadas são temporais e, desta forma, lei que antes punia um indivíduo por uma conduta criminosa pode não mais adquirir essa característica após alguns anos devido a mudanças valorativas e estudos de doutrinadores do direito. Por favor, corrijam-me se eu estiver errado já que sou novato, mas acredito que o Espiritismo é atemporal, portanto o que era correto há 100 anos ainda hoje permanece verdadeiro. Minha pergunta é, do ponto de vista jurídico, se uma pessoa pratica um assassinato ou estupro, por exemplo, é punido e cumpre seu dever com a sociedade, ele será afetado de alguma forma na doutrina Espírita? Não sei se consegui claro.
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Maiza em 28 de Maio de 2010, 22:56
Caro Fabiano, No Espiritismo aprendemos a lei do amor, e a lei da ação e reação, e que a cada um será dado de acordo com suas obras. Mesmo que um individuo tenha pago a sua divida perante a sociedade, ele ainda tem a sua divida perante a sua consciencia, ele deve ser perdoado e o mais importante, deve se perdoar, só assim estará livre do seu débito, caso contrario consciencia desse individuo vai cobrar dele a atitude correta a ser feita, mas é logico que de acordo com a sua conduta essa divida pode ser diminuida ou ate mesmo sanada. Pelo menos é esse o meu entendimento diante da sua pergunta. Espero ter ajudado.
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Mourarego em 28 de Maio de 2010, 23:03
Maristela, em termos de Espiritismo invocar a máxima de São Paulo "o amor cobre uma multidão de pecados" constitui-se num erro franco de desconhecimento do que quis o Espírito dizer.
Na verdade esse "cobre" quer dizer abarca, e não torna inimputável aquele que cometeu o erro.
Não amigos, tornar sem o devido transformar o erro em acerto, não constitui uma verdade, já que senão seriam dois pesos e duas medidas. e não há no mundo Espiritual ou físico ninguém que possa subverter a Lei natural.
Assim como  também é um ver muito reducionista a explicação sobre o que seja o direito de cada um pois aqueles que estudaram a Cátedra, no primeiro período da faculdade de Direito aprendem sobre a dicotomia entre Justiça e direito.
Uma coisa me pode ser justa mas não me ser de Direito, e outra me pode ser de Direito e nem por isso ser de Justiça.
Contudo todo o direito Canônico veio a tona através dos ensinos da antiguidade cristão e como tudo cresceu e se atualizou através dos tempos fazendo nascerem as outras expressões de Direito que as vemos sendo utilizadas nos diversos países.
Na inglaterra o Direito é tido sob outro patamar que em Portugal ou cá no Brasil. este um exemplo fácil.
Abraços,
Moura
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Mourarego em 28 de Maio de 2010, 23:06
Olá a todos. Nós sabemos que em nosso sistema Jurídico as normas positivadas são temporais e, desta forma, lei que antes punia um indivíduo por uma conduta criminosa pode não mais adquirir essa característica após alguns anos devido a mudanças valorativas e estudos de doutrinadores do direito. Por favor, corrijam-me se eu estiver errado já que sou novato, mas acredito que o Espiritismo é atemporal, portanto o que era correto há 100 anos ainda hoje permanece verdadeiro. Minha pergunta é, do ponto de vista jurídico, se uma pessoa pratica um assassinato ou estupro, por exemplo, é punido e cumpre seu dever com a sociedade, ele será afetado de alguma forma na doutrina Espírita? Não sei se consegui claro.

Sim, Fabiano, a lei do homem não é maior que a lei Natural, pois decorre desta.
Como somos Espíritos antes de tudo haveremos de arcar com as consequencias de nossos atos na forma de Espíritos e sob o patamar moral.
Abraços,
Moura
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: pedro conrado richter em 29 de Maio de 2010, 02:10
irmãos: transpor ao nivel espiritual normas de direito, tanto substantivo de Consti  tuição Petrea assim como regulamentações, tudo isso em mundo factico, e assim levarmos a esse patamar de luz e conforto dos desencarnados respostas de ordem jurídica de nossa vã filosofia e triste sociologia, é impossivel, pois o nascedouro do direito é pagão, o substrato do direito está no mundo pagão Romano, então puniremos nosso irmão que trilhou o "iter criminis", aqui dentro do nosso sistema de direito, com o conhecimento filosofico pagão Nunca haverá JUSTIÇA PLENA AQUI., por isso Alan Kardek discorre em toda a sua obra, o aperfeiçoamento espiritual,e face a tese do irmão Fabiano, penso que algoz e vítima em outro plano espiritual diverso da nossa Justiça irão encontrar consciencia comum de seus atos, desencarnados das vestes corporais. Então impossivel transpor e impor nossas regras jurídicas morais e amorais ao patamar espiritual.
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Almeida Josef em 29 de Maio de 2010, 03:10
Fabiano, somos espíritos, seres inteligentes do Universo e nossa única necessidade neste planeta de Expiação e Provas é evoluir, para tal, somos regidos pelas Leis Naturais que possibilitam este propósito.
A sociedade é regida pelas Leis Sociais que se modificam com o tempo e local onde estão inseridas.
Toda penalidade sofrida por alguém, em virtude de suas transgressões a esta lei, só terá reflexo em seu processo de aprendizado neste mundo, se realmente o transgressor mudar seus hábitos ou conduta em virtude destas penalidades, pois o único objetivo de estarmos aquí é a possibilidade de mudarmos nossos propósitos rumo ao nosso crescimento.
Abraço.
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Izozulo em 29 de Maio de 2010, 13:58
Olá! Pelo que os espíritos insistentemente informam, as faltas são sempre atenuadas pela extensão da compreensão do erro pelo espírito.

À época do povo hebreu do velho-testamentário, a vida era muito dura. Por isso, muitas vezes os povos se viam obrigados a guerrear simplesmente para se manterem vivos. Obviamente que os assassínios cometidos naquela época tinham, para a consciência dos espíritos envolvidos (embora também revestidos de gravidade) uma repercussão MENOR em seus processos existenciais. Lembremos que Abrão (ainda não transformado em Abraão) pediu a benção do rei de Salém, uma das pessoas mais espiritualizadas da época, para continuar as guerras em nome do "Deus único". (Gn 14:18-24). E recebeu...rs

Pergunta-se: hoje, com todos os meios conciliatórios e argumentativos existentes; com a evolução dos direitos humanos (muito mais amplos do que simplesmente "proteger bandido", como dito pelo senso comum); e com o progresso de todas as ciências sociais, o peso pelo assassinato de alguém, nas paragens da consciência, será o mesmo que 3.200 anos atrás?  Claro que não!!! O peso será muito maior, visto que a gravidade da falta e de suas repercussões será muito melhor compreendida. Será que existe no ocidente alguém desconhecedor da sobrevivência da alma (não digo "aceitador", mas conhecedor)?

Quanto maior o entendimento sobre a valorização da vida, mais complicadas serão os desdobramentos de um homicídio. Quanto maior a compreensão sobre a sexualidade, mais lastimável será qualquer crime contra a liberdade sexual. Quanto mais desenvolvidas as técnicas de administração pública, mais complicadas serão as "penas" para o administrador público corrupto. E por aí vai. Lembrando sempre que tudo que fazemos fica guardadinho no perispírito, como informação, e no espírito, como conhecimento na consciência...

Sem pretensão de fechar o assunto,

Deus conosco!
Luiz Gustavo/BH  
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Adelpho em 29 de Maio de 2010, 17:17
Concordo com todas as explanações. Com o objetivo de oferecer apenas mais uma opinião, acredito que as leis dos homens, em todas as épocas, apresentaram falhas e não poucas vezes lamentáveis.  A única perfeita é a Lei de Deus, razão pela qual está "impressa" em cada consciência.  Ela se desenvolve na mesma proporção do nosso conhecimento intelectual e moral por extensão.  Através dela, de acordo com o nível de entendimento que alcançamos, somos nós mesmos que auto-aplicamos a pena correspondente aos erros que praticamos, ao carregarmos os nossos sofrimentos mentais sob o peso do arrependimento.  Portanto, é uma lei justa.               José Adelpho Barros
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Nissei em 04 de Junho de 2010, 03:50
O debate acerca do assunto foi no mínimo, silogístico, me conduzindo a compreender ainda mais a doutrina. Mas, cabe ainda uma colocação na assertiva do caro Adelpho quando trata das leis divinas expondo que...
"A única perfeita é a Lei de Deus, razão pela qual está "impressa" em cada consciência".
A, nós, estudantes da ciência do direito, alvitra a relação "DIREITO NATURAL X DIREITO POSITIVADO", onde o primeiro se caracteriza por ser um complexo de regras e doutrinas baseadas no bom senso e na eqüidade, alocado na consciência humana, enquanto o segundo compreende o direito escrito, o consuetudinário, aquele que constitui as normas impostas pelo Estado, como a Constituição, por exemplo.
Leva-nos a crer, compendiando todas as explanações anteriores, que o Direito Natural (manifestado interiormente em cada um de nós) é o que de fato nos sentencia (julga) no plano espiritual, de acordo com nosso histórico de conduta e nível de evolução.
Espero haver contribuído, de alguma forma, ao menos racionalmente, para que possamos evoluir juntos.
Não quero lançar nenhum axioma, mas, foi o que alcancei, tendo como base as proposições expostas.
Abraço e PAZ a todos!
Andréia Albuquerque.
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Mourarego em 04 de Junho de 2010, 14:42
Poderias ter dito Julga e sentencia amiga Nissei, já que em lá chegando é deus a nos julgar pelas intenções e sua Lei, a Natural que nos sentencia às penas nelas cominadas.
Abraços,
Moura
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Nissei em 04 de Junho de 2010, 18:20
Poderias ter dito Julga e sentencia amiga Nissei, já que em lá chegando é deus a nos julgar pelas intenções e sua Lei, a Natural que nos sentencia às penas nelas cominadas.
Abraços,
Moura


Acho que não fui clara, caro amigo Moura, mas deixe-me ratificar:

O Aurélio esclaresce melhor o verbo sentenciar, que não significa só condenar, porém, julgar e condenar, dár-se como julgado.
   
"sentenciar
[De sentença (< lat. sententia) + -iar2.] 
1.Julgar por sentença, decidir (causa).
2.Condenar por meio de sentença:
3.Julgar, decidir, resolver acerca do mérito ou do demérito de. "

Sentenciar engloba julgamento e condenação conforme o ato, benéfico ou não. (mérito ou demérito)
 
Por isso, não me ative aos detalhes da especificidade da colocação, apenas quis passar o recado do Direito Naural como justo árbitro de nossa existência espiritual.

Mas, agradeço pela atenção.
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Mourarego em 04 de Junho de 2010, 18:36
E uma pena amiga Nissei,
há muito joguei a cópia do aurélio que tinha fora, isso desde que o próprio Aurélio entregou o comando daquele dicionário para uma equipe na qual nem participava mais. Hoje vejo que tive razão...
Um vocábulo não pode ser ambíguo, tem de expressar ou uma coisa ou outro sendo assim, Julgar exibe termo próprio para ação própria e única no campo da justiça.  por isso não há causa sem um julgamento próprio onde todos os elemento do caso sejam estudados isso em qualquer esfera do Direito.
Só após este julgamento o juiz, por convencimento, dá a sentença que é outro ato próprio.
O dicionaris engloba dois termos que no direito trazem duas esferas diferentes num só verbete.
Ora julgar é uma coisa, é apenas tomar conhecimento de algo ou alguma coisa. No campo do direito julgar significa tomar conhecimento dos atos próprios ao caso e de acordo com a defesa e o MP, tornar-se convencido  das alegações de um ou do outro lado.
Após isso,  ele julga por sentença, mas esse julgar já não indica conhecer, mas sim que estando convencido exara a sentença. É nesse sentido que o dicionarista ao englobar tudo num verbete erra.
abração,
Moura
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Adelpho em 04 de Junho de 2010, 20:41
Andréia Albuquerque: A sua colocação, no meu modo de avaliar, está correta. Vista pala ótica espírita, eu diria corretíssima.  Quem conhece a Doutrina, sabe muito bem que Deus não julga nem condena ninguém. Seria falta de bom senso e fora lógica, acreditar que sendo Deus onisciente, sabe de tudo antes que aconteça, nos criasse já sabendo que iria nos condenar.  Tudo que acontece Deus permite que aconteça, pois antes de acontecer ELE já sabia o resultado, caso contrário não seria verdadeiramente  DEUS.  Há muitos outros argumentos, (dentro da ótica espírita) para confirmar esse raciocínio. Mas, agora, digo-lhe apenas que lhe desejo muita paz e alegria. José Adelpho Barros.

 
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Vitor Santos em 04 de Junho de 2010, 22:08
Olá amigos

Já não vinha aqui ao fórum há tempo. E fiquei muito satisfeito com o que encontrei. A organização está de parabéns, porque o fórum está a evoluir em qualidade.

Quanto ao tema, concordo mais com aqueles que dizem que Deus não julga, não pune e não se ofende. Isso são reacções típicas dos homens, não de Deus.

Com base no livro o "Céu e o Inferno" de Kardec, e nos estudos de casos de quase-morte, parece-me que o dia do juízo final, mencionado nos evangelhos, é o dia do desencarne. E o juízo final é a visão retrospectiva da vida na carne, que acabou de deixar.

Conforme o nível intelecto-moral do espírito, assim será, a reacção dos espíritos, a receber o feedback da sua acção, mais livres do que no corpo de carne, para ter a noção do que fizeram de mal ou de bem para si mesmos.

Penso que haverá espíritos imaturos, que ainda não sabem avaliar o que é o melhor para si mesmos. A brutidade está de acordo com a sua natureza. A sua consciência pouco os acusa. Assim que se sentem mais livres, aí estão eles a perturbar os encarnados, das mais diversas formas. E nova reencarnação virá independentemente da vontade deles, onde os sofrimentos serão maiores do que na anterior. É tal qual como se domam os cavalos - à força. A sensibilidade moral só chega a partir de um certo grau de desenvolvimento intelectual. Nestes casos a encarnação tem mais o objectivo de forçar o desenvolvimento intelectual dos espíritos e de os fazer querer ansiar por um futuro melhor "aquando do próximo juízo final".

Haverá também espíritos menos imaturos, já com sensibilidade moral, mas sem força de vontade e/ou sabedoria suficientes, que lhes permitam vencer o jugo dos seus defeitos e ultrapassar a fase de reencarnações na terra, ou em planetas similares. Esses entendem que aquilo que fizeram na terra foi perder tempo. Grande desilusão deve ser (nem quero pensar muito nisso, para não desanimar). Tentarão novas encarnações, até que um dia ganharão o arcaboiço necessário, se libertarão da sua própria preguiça, orgulho, egoísmo, etc. que os prendem a um planeta tão material e que são as verdadeiras fontes da sua infelicidade, mesmo aqui na terra. Nessas encarnações tentarão reparar o mal que fizeram a outrem, por iniciativa própria e/ou por força da família onde encarnam, mas podem conseguir ou não concretizar isso na terra.

Aqueles espíritos que vemos nascer ou contrair doenças incapacitantes, independentes da sua acção aqui na terra, às vezes em grande sofrimento,mas que não se revoltam, ao contrário, lutam com coragem para resolver os seus problemas, e ainda bendizendo a Deus pela oportunidade da vida, já são espíritos avançados (muitos encarnam pela última vez na terra). Estão aqui em missão, para dar o exemplo, reparando ao mesmo tempo mal que fizeram no seu passado, com o bem do seu exemplo.

É impressionante para todos nós ver uma pessoa com problemas de saúde muito graves, sempre a manter a fé em Deus e a coragem, enquanto que nós, por coisas insignificantes, quando comparadas com a situação física dessas pessoas, ficamos logo muito aflitos e desanimados. São eles que escolhem a natureza das suas provas, pois têm consciência do que é o melhor para si mesmos.
   
Mas os espíritos aqui na terra, em regra, estarão mais na fase de fraqueza e de pouca sabedoria, do que na fase da completa insensibilidade. Infelizmente há excepções que confirmam a regra.

O que interessa é que ninguém tem a fatalidade de não poder melhorar e evoluir. Está na nossa mão lutar por nós mesmos, praticando o bem e não praticando o mal, trabalhando para se auto-conhecer e se superar a si mesmo.  É isso que a doutrina espirita nos ensina a fazer. Cumprir a lei do trabalho, a lei da caridade e a lei do progresso.

Aquele que é punido aqui na terra, pela justiça, se essa punição o fizer vergar, ou, até arrepender, em consciência, estará a ter uma oportunidade de progredir.

Contudo a brutalidade da vida nas prisões, por vezes, ainda torna as pessoas mais revoltadas do que eram antes de lá chegar. A justiça humana deve defender a sociedade e os guardas prisionais das pessoas perigosas, mas dar o um bom exemplo aos presos. Se alguém foi preso por ser violento e o tratam com violência, não lhe está a confirmar que o caminho da violência é legitimo? Toda a violência desnecessária é crime.

bem hajam
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Fabiano Ribeiro em 05 de Junho de 2010, 16:35
Contudo a brutalidade da vida nas prisões, por vezes, ainda torna as pessoas mais revoltadas do que eram antes de lá chegar. A justiça humana deve defender a sociedade e os guardas prisionais das pessoas perigosas, mas dar o um bom exemplo aos presos. Se alguém foi preso por ser violento e o tratam com violência, não lhe está a confirmar que o caminho da violência é legitimo? Toda a violência desnecessária é crime.

Todos nós abdicamos de parte de nossa liberdade ao Estado para que consigamos conviver em sociedade. Aos que não compreendem esta necessidade e saem do caminho acabam isolados da sociedade para que sejam reeducados, mas infelizmente não é isso que vemos já que nosso sistema carcerário é um caos. “Ladrões de galinha” saem dos presídios peritos em roubo a bancos, presidiários que cometeram pequenos delitos tornam-se mais violentos e treinados a cometerem crimes piores. Assim como nós essas pessoas são vítimas do sistema e acabam sendo condicionadas, através da violência, a acreditar que só encontrarão a verdade pela violência, por isso que vemos a banalização das agressões a todo momento, seja no trânsito, nas escolas, em casa etc.

Ai me surge uma outra dúvida. Ainda na época do nazismo houve uma corrida pela positivação das leis prevalecendo sobre as demais, e aproveitando-se disso os nazistas positivaram leis que atentavam contra vida de judeus. Muitos que viveram aquele momento acreditavam está fazendo a coisa certa seguindo o ordenamento jurídico nazista. Quando desencanadas, estas pessoas sofrerão simplesmente por seus atos ou será levado em consideração a sua crença de está fazendo algo correto?

E se causamos um grande mal a terceiro de forma involuntária? Como, por exemplo, em uma caça em que confundimos uma pessoa com um animal e atingimos fatalmente este indivíduo. Pela doutrina jurídica esse seria um crime culposo e, pela análise de um caso concreto, talvés o agente nem fosse privado da liberdade. Existe uma avaliação mais criteriosa por parte do Espiritismo em casos como este?

Desculpa o excesso de perguntas. Parece que quanto mais lemos mais dúvidas surgem. Sei que muitas dessas dúvidas tirarei em outras leituras, mas fico ansioso em saná-las.

Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Mourarego em 05 de Junho de 2010, 16:52
Fabiano,
existe um ensinamento constante no ESE e no LE que nos deixa bem centrados na tua pergunta. Este ensinamento é : "Deus julga pela intenção."
Abraços,
Moura
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Adelpho em 05 de Junho de 2010, 17:22
A "avaliação criteriosa" do espiritismo nos ensina que o mundo é uma escola. Por justiça e sem privilégios, fomos criados simples e ignorantes, porém sujeitos ao  progresso.  As leis dos homens são passageiras, mas devem e serão sempre aperfeiçoadas pela sociedade em que se vive. Já a Lei de Deus é eterna e imutável.  Inscrita na consciência de cada ser, desenvolve-se confome o nível intelectual e moral que conquistamos. (Leia a livro "O Realista" para melhores esclarecimentos). José Adelpho Barros.  
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: La. em 06 de Junho de 2010, 00:00
Ei Fabiano,

A Lei universal é de ação e reação. Não que você matou pela bala pela bala voce morrera, porque é restringir a lei divina ao olho por olho dente por dente. è mais complexa do que isso, quando dizem que o amor combre uma multidão de pecado,como bem disse o amigo Moura nao é que voce deixara de pagar, mas que sua divida com a Consciencia Divina que está dentro de você sera amenizada. Os livros espiritas são fartos em historias desse naipe. Lembro de uma em que o cara que ia perder a mão, mas que devido com sua contuda integra e amorosa perdeu um pedacinho do dedo mindinho.

Eu adoro Carnelutti, ele diz que quando os homens se refegerem pelo amor o direito sera dispensdo. Livro a Arte do Direito.

O direito e sua aplicação reflete a sociedade e o grau de evolução humano, se ele é parcialista, tendecioso, mal aplicado é porque os homens são assim.

Mas estamos evoluindo de um direito puramente positivista de Kelsen, passamos para um culturalista de Cossio, ou o tridimensionalida de Reale. Da aplicação cega a letra da lei, emergimos para um estado que a dignidade da pessoa humana é a primazia de todo direito. Como bem observa o professor Luis Flavio Gomes hoje fala-se em um Estado de Direito Democratico e Humanista.

È a evolução,vagarosa,lenta mas inexorável!

abraços e muita luz!
Título: Re: Doutrina Jurídica e Doutrina Espírita
Enviado por: Vitor Santos em 06 de Junho de 2010, 22:08
Olá amigo Fabiano

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Quando desencarnadas, estas pessoas sofrerão simplesmente por seus atos ou será levado em consideração a sua crença de está fazendo algo correto?

A intenção é tudo, no mundo espiritual. E ninguém nos julga. Somos nós que nos auto-julgamos (em minha opinião, que é comum à opinião de outras pessoas deste tópico)

Deus escreveu a noção de bem e de mal na consciência de todos os homens. Se nós não a levamos a sério, ou não temos ainda sensibilidade para a entender e interiorizar, somos espíritos imaturos. Pode não haver culpa, mas há sempre um nível de maturidade espiritual baixo, em jogo.

Exceptua-se o caso de as pessoas tivessem sido ameaçadas ao ponto de a lei da sobrevivência falar mais alto, e terem de reagir para conservar a própria vida, como os militares que estão involuntariamente na frente de combate, por exemplo. Ou o caso de ter de usar a violência para evitar um mal maior, como é o caso dos policias, quando não exageram.

Se fizemos mal a alguém vingativo, podermos sofrer retaliações desse alguém, tanto no mundo espiritual como enquanto encarnados.

Se somos ainda abrutalhados, sentimo-nos bem no meio da brutidade, e só nos sentimos mal quando os nossos interesses materiais são ameaçados, ou quando nos impedem de fazer o que bem nos apetece.

Se somos espíritos com sensibilidade moral, ao desencarnar arrependendemo-nos e temos vergonha do mal que fizemos. Entendemos que não seguimos o melhor caminho para nós mesmos. Em vez de progredir para mundos melhores, continuamos a encarnar em mundos precários.

Citar
E se causamos um grande mal a terceiro de forma involuntária?

Tudo depende de a quem fizemos o mal. Se foi a um bom espírito perdoar-nos-à e não se vingará. Se foi a alguém vingativo, podemos sofrer retaliações no mundo espiritual, como sofremos aqui na terra das pessoas vingativas, imagino.

Há que perceber uma coisa: depois de desencarnados não temos as ilusões que temos aqui, e avaliamos melhor a nossa situação, tanto melhor quanto mais maduros formos, como espíritos.

Na minha opinião, o critério que nos associa a um corpo terreno é sempre o melhor para termos as vivências adequadas ao estado em que nos encontramos, e em simultâneo, podermos reparar a outras pessoas o mal que lhes fizemos noutra encarnação. Podemos encarnar como pais de alguém a quem fizemos mal, por exemplo. Não há expiação que não seja simultaneamente um remédio.

Por isso Jesus nos avisou mais ou menos assim : antes de rezares e/ou ires ao templo vai conciliar-te com o teu irmão, pois quanto mais inimigos deixarmos nesta encarnação...

O Livro "O Céu e o Inferno", De Allan Kardec, tem exemplos de espíritos em várias situações, que foram interrogados por via mediunica. É muito interessante. Eles falam, inclusivamente, na sensação do seu desencarne, e da sua situação no além. Vale a pena ler.

bem hajam