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CONVÍVIO => Off-topic => Espiritualismo => Tópico iniciado por: Conforti em 31 de Janeiro de 2011, 16:26

Título: O Deus das Religiões não é o Deus que buscamos
Enviado por: Conforti em 31 de Janeiro de 2011, 16:26
          O Deus das Religiões não é o Deus que buscamos.         

          Depois que a ciência mais avançada do mundo, concluiu que as meditações das tradições orientais podem levar a estados elevados de consciência (até há pouco tempo, nem eram considerados pela ciência ocidental!), e nos quais podemos entrar numa condição de felicidade indescritível, chamada “bem-aventurança” pelos místicos e iluminados, muitos cientistas, psicólogos, religiosos e estudantes praticam técnicas de meditação. Mas, sua finalidade não é mais, como, em geral, se acredita no mundo ocidental, acabar com o estresse ou trazer saúde para o corpo. É muito mais: é conhecer a verdade de o que e quem realmente somos, a verdade que liberta; conhecer aquilo a que damos o nome de “eu”, aquilo a que damos o nome de Deus.
          Contudo, se você está satisfeito com a vida, como ela é com você e familiares; compreende porque sofremos; não tem problemas fisiológicos, psicológicos ou existenciais; não se interessa em acabar com as dúvidas ou julga que não há mais dúvidas a resolver, nem leia o que aqui vai escrito.
          Mas, se deseja compreender esta confusão tremenda e inexplicável que é a vida, seu significado; se quer verdadeiramente compreender o que é Deus e sentir o que os iluminados sentiram – bem-aventurança, serenidade e sabedoria -, você, pesquisando, poderá vir a perceber que de nada adiantam orações, pedidos aos céus, ler textos “sagrados” ou inspiradores,  freqüentar cultos; nem ouvir preleções ou mensagens instrutivas ou emocionantes, fazer promessas, esforçar-se na prática de amor ao próximo, cumprir as regras de ética e os mandamentos adotados pela religião que professa.
          Todas essas coisas não passam de exterioridades, artificialidades, criações dos homens, como também o são cerimônias e festas religiosas; músicas e cânticos sacros;  posturas e gestos ritualísticos, incenso e velas acesas.
           Como ensinam os iluminados e as escrituras, Deus nunca é encontrado nas exterioridades, nas coisas superficiais. As respostas que procuramos e Deus só podem ser encontrados e compreendidos, nas profundezas do ser, em nossa interioridade mais profunda.
          Portanto, se você realmente deseja compreender o que é a vida, o que é o “eu”, e sentir Deus, isso requer conheça como a vida é com todos os seres, que busque com perseverança e que, em total silêncio, entre em seu próprio interior, porque o “reino de Deus está dentro de nós” como ensinaram Jesus, Paulo e outros. 
          As religiões organizadas, populares, nos dão, apenas, pequenos e efêmeros momentos de alívio (como um refrigerante num momento de calor; o efeito passa logo e o calor volta); nunca levam a uma compreensão total, necessária para que fiquemos, completa e definitivamente livre de todo sofrimento e de toda ignorância.
          Veja bem: nós nem sabemos quem somos, porque existimos, porque estamos aqui, porque sofremos, o que é isto a que chamamos vida, o que é o “eu”, o que é Deus. Para todas as perguntas que fazemos sobre essas coisas, as respostas que nos dão, mais nos enchem de dúvidas. E as dúvidas estão nas próprias escrituras! Um exemplo: o Velho Testamento mostra um Deus impaciente, vingativo, parcial, orgulhoso, nervoso, sanguinário e cruel; o Novo Testamento, um Deus de misericórdia e de amor. No VT, um Deus impiedoso, agindo de modo a dar medo para obter obediência. No NT, Deus se torna um Pai amoroso. Mas, segundo certas crenças, mesmo sendo um Pai amoroso, ainda pune, com severidade, e por toda a eternidade, aqueles que não obedecem a seus mandamentos ou ordens.
          Observe: o Deus, das religiões populares, das religiões organizadas, é o Deus dos rituais e das cerimônias; “inatingível”, senão pelos privilegiados, os “santos”; um Deus, fora de nosso alcance, Ele lá, nós aqui; que, eternamente, registra os acertos e desacertos de suas criaturas para, num julgamento hipotético, premiar os que obedecem a suas leis, e punir os que não obedecem; é um Deus que não consegue derrotar o mal e este, contra Sua vontade, atrai para suas fileiras mais almas do que Deus atrai para as suas, mostrando que, nem sempre, o Todo Poderoso tem poder sobre o mal. É o Deus que cria todos para sofrimentos indispensáveis e obrigatóriosl Esta é a visão, extremamente pobre, que as religiões do povo nos dão de Deus.   
          No entanto, nada conhecemos do Deus Real; afirmamos que criou o Universo, todas as coisas que existem; que não elege um povo para explorá-lo; que está, não longe de nós, mas em todo lugar, dentro e fora de nós, como afirmaram Jesus, Paulo e outros; que dá vida e morte, cria e destrói incessantemente e que, como ensinam os sábios, podemos vir a conhecer desde que nos esqueçamos de nós mesmos, nos momentos de meditação.
          Esse é o Deus que não está só nas palavras dos sacerdotes e ministros, ou nos templos; nem nos rituais, cerimônias e orações; é o Deus cujo percebimento nos revela, como disse Jesus, a verdade de que “eu e o Pai somos um”. É o Deus que está dentro de nós e que, por isso, não precisamos de intermediários, como “santos”, sacerdotes, gurus, pastores, mentores, médiuns para alcançá-lo. É o Deus, cujo percebimento, nos liberta de toda ignorância e de todos os sofrimentos, e nos coloca numa condição de extrema felicidade, amor incondicional e sabedoria, como afirmam os místicos e como afirmou Jesus.
          Esse é o Deus que devemos buscar.