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CONVÍVIO => Off-topic => Espiritualismo => Tópico iniciado por: Conforti em 08 de Novembro de 2010, 20:45

Título: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Conforti em 08 de Novembro de 2010, 20:45
       Aquilo que procuramos...

       Aquilo que você procura e não pode encontrar é VOCÊ mesmo. O motivo porque a Mente não pode ser encontrada é porque é Ela que está realizando o ato de procurar. Quando isso é profundamente compreendido, atinge-se o fim da busca, e nada mais há a ser buscado (‘Buscai em primeiro lugar o reino de Deus, que o demais vos virá por acréscimo’). Quando isso acontece, nossa identidade se une com tudo o que é experimentado. Não há mais um experimentador separado de objetos experimentados separados; há somente experimentação não-dual. Então, quando olhamos para dentro (de nós mesmos) à procura do eu-Percebedor encontramos o universo inteiro (como disse Jacob Boeme), que não é mais um objeto ameaçador lá fora, e percebemos que Ele é quem está procurando. Assim, se os pensamentos cessam, e se você perseverar nisso, a qualquer momento, sem causa ou razão aparente, pode acontecer e a busca se acabou (Como na parábola do ladrão que pode chegar a qualquer hora).
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: filhodobino em 08 de Novembro de 2010, 21:08
       Aquilo que procuramos...

       Aquilo que você procura e não pode encontrar é VOCÊ mesmo. O motivo porque a Mente não pode ser encontrada é porque é Ela que está realizando o ato de procurar. Quando isso é profundamente compreendido, atinge-se o fim da busca, e nada mais há a ser buscado (‘Buscai em primeiro lugar o reino de Deus, que o demais vos virá por acréscimo’). Quando isso acontece, nossa identidade se une com tudo o que é experimentado. Não há mais um experimentador separado de objetos experimentados separados; há somente experimentação não-dual. Então, quando olhamos para dentro (de nós mesmos) à procura do eu-Percebedor encontramos o universo inteiro (como disse Jacob Boeme), que não é mais um objeto ameaçador lá fora, e percebemos que Ele é quem está procurando. Assim, se os pensamentos cessam, e se você perseverar nisso, a qualquer momento, sem causa ou razão aparente, pode acontecer e a busca se acabou (Como na parábola do ladrão que pode chegar a qualquer hora).

Amado Irmão,
Essa idéia ser-me-ia bem aceita se pudesses me explicar a à fisicidade do logos conceitual, considerado estático, imóvel, rígido. - Então eu entenderia patente o UNO.
Saúde e Paz!
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Conforti em 08 de Novembro de 2010, 21:21
          Querido xará Filhodobino   (ref #1)

          Meu amigo, essa sua linguagem rebuscada está até me obrigando a tentar traduzi-la em termos mais acessíveis à minha compreensão. Se o amigo puder se expressar de modo mais simples...

          Um abraço.
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Hebe M C em 08 de Novembro de 2010, 22:30
... A mente inocente abrange aquele todo em que está contido o corpo, o coração, o cérebro e a mente propriamente dita. A mente inocente, jamais atingida pelo pensamento, pode ver o verdadeiro, o real. Isso é meditação. Para alcançar-se aquela maravilhosa beleza da verdade e seu êxtase, é necessário lançar a base adequada. Essa base é a compreensão do pensamento, que gera medo e nutre o prazer; é a compreensão da ordem e, por tanto, virtude. Fica-se, assim, livre de todo conflito, de toda agressividade, brutalidade e violência. Lançada essa base da liberdade, desponta uma sensibilidade que é a culminância da inteligência, e a vida do homem se torna, em todos os seus aspectos, inteiramente diferente. (Krishnamurti)  ;)

Um abço

Hebe


Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 30 de Setembro de 2014, 21:37
O Presente da Águia

Cinco Proposições Explicativas

1 — O que percebemos como mundo são os comandos da Águia (Deus).

Dom Juan explicou que o mundo que percebemos não tem existência transcendental. Nossa familiaridade com ele nos leva a acreditar que o que percebemos é um mundo de objetos existentes como os percebemos, quando na verdade não há um mundo de objetos, mas sim um universo dos comandos da Águia.

Esses comandos representam a única realidade imutável. É uma realidade que engloba tudo o que existe, o perceptível e o não-perceptível, o conhecível e o não conhecível.

Os observadores que vêem as emanações da Águia chamam-nas de comandos por causa da sua força compulsória. Todas as criaturas vivas são compelidas a usar as emanações, e usam-nas sem nunca saberem o que elas significam. O homem padrão interpreta-as como realidade. E os observadores que vêem as emanações interpretam-nas como o regulamento.

Apesar dos observadores verem as emanações, não há um meio deles saberem o que estão vendo. Ao invés de entrarem em conjeturas supérfluas, entram numa especulação funcional de como os comandos da Águia podem ser interpretados. Dom Juan insistia em dizer que ao intuirmos uma realidade que transcende o mundo percebemos remanescentes a nível de conjeturas, não é suficiente resumir que os comandos da Águia são percebidos de uma vez só por todas as criaturas vivas da terra e que não há uma criatura que perceba igual à outra. Os guerreiros devem ter como objetivo presenciar o fluxo das emanações e ver como o homem e os outros seres vivos usam-nas para construir seu mundo perceptível.

Quando eu propus o uso da palavra “descrição” em vez de comandos da Águia, Dom Juan esclareceu que não estava construindo uma metáfora. Disse que a palavra “descrição” tem uma conotação de concordância do homem, e que o que percebemos deriva de um comando no qual a concordância do homem é deixada de fora.

2 — A atenção é o que nos faz perceber os comandos da Águia como vestígios.

Dom Juan disse que a percepção é uma faculdade física cultivada por todos os seres vivos da terra; nos seres humanos o resultado final é conhecido pelos observadores como “atenção”. Acrescentou que qualquer tentativa de defini-la é perigosa, pois transforma uma realização mágica numa coisa comum. Descreveu a atenção como a utilização e canalização da percepção. Disse que é a nossa maior realização em separado, cobrindo toda a gama de alternativas e possibilidades humanas...

Ler mais: https://www.facebook.com/groups/UmSemSegundo/
C. Castañeda (D.Juan Matus)

Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: lconforjr em 30 de Setembro de 2014, 22:33


      Amigos foristas.

      Conforme dizem sábios, instrutores e nossa ciência mais avançada, somos aquilo q procuramos.

      Apenas, não percebemos isso devido a estarmos num corpo material q, como diz a DE, tolhe os "movimentos" do espirito q somos, como se nos prendesse a um "lodaçal muito viscoso", e nos impede a correta interpretação dos eventos e fatos que ocorrem em torno de nós, como se só nos permitisse vê-los como se através de um "vidro muito opaco".

      Isso lembra o sábio apóstolo Paulo q disse: "Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino. Porque agora, vemos apenas um reflexo, obscuramente, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte, mas então conhecerei totalmente."

.....................
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 07 de Outubro de 2014, 17:53
Aquilo que qualquer humano está condicionado a procurar intensamente é a continuidade do prazer e o fim do sofrimento. Apenas se esquece que não existe um sem o outro, e mais importante ainda, esquece-se que a compreensão do sofrimento é a libertação do sofredor - dele próprio.
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Vitor Santos em 08 de Outubro de 2014, 21:02
Olá amigos

Aquilo que eu procuro é entender o que sou, o que estou aqui a fazer, o que é tudo isto a que chamamos universo. Nós nascemos neste corpo de carne e um dia começamos a ter consciência de nós mesmos. As respostas a essas questões não passam de crenças, de hipóteses.

Como imagino que acontece com muitas outras pessoas, eu sempre tive a intuição e a esperança de que este "eu" que me sinto, embora noutras circunstâncias muito diferentes, pode sobreviver ao corpo de carne e já vem de trás. E essa é.a motivação que me atrai para a espiritualidade. Se eu sou. apenas um corpo  de carne, sou apenas como a besta sadia, cadaver adiado que procria.

Neste momento da minha vida, tornei-me mais céptico. E deixei de prestar muita atenção aquelas pessoas que explicam a vida com uma postura de certeza absoluta, julgando que as outras pessoas as vêem como sábios acima da necessidade de justificacao, não questionando  qual é a origem da informação que divulgam. Todavia eu tornei-me mais exigente. A palavra, só por si, não é nada. É necessário entender porque as palavras de uns, que defendem versões da realidade diferentes, muitas vezes até opostas valem mais do que as palavras de outros.

Neste post existem imensas afirmações ditas como verdades irrefutáveis, mas sem informação das fontes e das evidências que estão por detrás dessas fontes. Não afirmo que essas afirmações estão certas nem erradas. Sao apenas opiniões pessoais respeitaveis, mais nada.Há opiniões para todos os gostos e feitios. Mas nada me dizem no que se refere às respostas que eu procuro.

Bem Hajam




Ao fim de 53 anos de vida já passei por muitas crenças e fases diferentes.

Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 08 de Outubro de 2014, 22:54
Olá amigos

Aquilo que eu procuro é entender o que sou, o que estou aqui a fazer, o que é tudo isto a que chamamos universo. Nós nascemos neste corpo de carne e um dia começamos a ter consciência de nós mesmos. As respostas a essas questões não passam de crenças, de hipóteses.


Bem Hajam

Ao fim de 53 anos de vida já passei por muitas crenças e fases diferentes.

Mas há respostas a essas questões que são factos, reais, e não meras crenças ou hipóteses, ou invenções do pensamento, amigo Vitor.

A primeira verdade factual é que o homem não é um simples "corpo de carne", ou 'escafandro' como outros amigos lhe chamam. O homem é um organismo de perceção atemporal, sempre e quando não existe o pensamento temporal, limitador da liberdade de perceção.
A outra verdade é que "esse", "que um dia começa a ter consciência de si próprio", é uma ilusão, é a perceção social, do pensamento condicionado que condiciona a perceção imediata do organismo.
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 13 de Outubro de 2014, 23:47
Eu Sou Aquilo

"Enquanto você imagina ser algo tangível e sólido, uma coisa entre coisas, existindo realmente no tempo e no espaço, de breve duração e vulnerável, naturalmente estará ansioso para sobreviver e crescer. Mas quando se conhece como além do tempo e do espaço em contato com eles apenas no ponto do aqui e agora; de qualquer forma todo-penetrante e todo-abarcante, inacessível, inalcançável, invulnerável não terá mais medo algum. Conheça-se tal como é, contra o medo não há outro remédio.

Você tem que aprender a pensar e sentir desse modo, ou permanecerá indefinidamente no nível pessoal do desejo e do temor, ganhando e perdendo, crescendo e decaindo. Um problema pessoal não pode ser resolvido em seu próprio nível. O próprio desejo de viver é o mensageiro da morte, da mesma forma que o desejo de ser feliz é a essência da aflição. O mundo é um oceano de dor e de medo, de ansiedade e desespero. Os prazeres são como os peixes, poucos e ligeiros, chegam raramente e depressa se vão. Um homem de pouca inteligência acredita contra a evidência, que é uma exceção e que o mundo lhe deve felicidade. Mas o mundo não pode dar o que não tem; irreal até à medula, é de nenhuma utilidade para a felicidade real. Não pode ser de outra forma. Buscamos o real porque estamos infelizes com o irreal. A felicidade é nossa própria natureza e não descansaremos até que a encontremos. Mas raramente sabemos onde buscá-la. Uma vez que tenha entendido que o mundo é apenas uma visão errada da realidade, e não é o que parece ser, você é livre de suas obsessões. Apenas o que é compatível com seu ser real pode fazê-lo feliz e o mundo, como você o percebe, é sua clara negação.

Mantenha-se tranquilo e observe o que chega à superfície da mente. Rejeite o conhecido, dê as boas vindas ao até agora desconhecido e rejeite-o em seu devido tempo. Assim você chega a um estado em que não há conhecimento, apenas ser, e o próprio ser é o conhecimento. O conhecimento mediante o ser é o conhecimento direto. Está baseado na identidade do que vê e do visto. O conhecimento indireto é baseado na sensação e na memória, na proximidade do que percebe e sua percepção, confinado ao contraste entre os dois. O mesmo acontece com a felicidade. Geralmente você deve estar triste para conhecer a alegria, e alegre para conhecer a tristeza. A verdadeira felicidade não tem causa e não pode desaparecer por falta de estimulação. Não é o oposto da aflição e inclui toda aflição e todo sofrimento."

(Nisargadatta Maharaj)
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Vitor Santos em 14 de Outubro de 2014, 10:19
Olá amigo Olé

Citar
A primeira verdade factual é que o homem não é um simples "corpo de carne", ou 'escafandro' como outros amigos lhe chamam. O homem é um organismo de perceção atemporal, sempre e quando não existe o pensamento temporal, limitador da liberdade de perceção.
A outra verdade é que "esse", "que um dia começa a ter consciência de si próprio", é uma ilusão, é a perceção social, do pensamento condicionado que condiciona a perceção imediata do organismo.


Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/aquilo-que-procuramos/#ixzz3G6lJ2z9K

Amigo, não sei o que que quer dizer com "verdade factual". Há, talvez, experiências subjectivas, que levam as pessoas que as têm a pensar que não são corpos de carne e nada mais. A explicação dessas experiências, contudo, é uma interpretação da pessoa. Ao que parece, muitas dessas experiências sugerem que somos seres espirituais que sobrevivem à morte do corpo de carne.

A existência de evidências cientificas que sugerem o homem não é um mero corpo de carne e osso é um facto, contudo essas evidências não são suficientemente confiáveis. Carecem de mais investigação, sobretudo investigação isenta e independente de crenças de qualquer espécie, sejam a favor sejam contra.

Bem haja 
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: lconforjr em 14 de Outubro de 2014, 14:54
Re: Aquilo que procuramos...

      Referencia resp #6 em: 071014, 17:53, de Olé

      Olé escreveu: Aquilo que qualquer humano está condicionado a procurar intensamente é a continuidade do prazer e o fim do sofrimento. Apenas se esquece que não existe um sem o outro, e mais importante ainda, esquece-se que a compreensão do sofrimento é a libertação do sofredor - dele próprio.
........

      Conf: pois há quem procure a satisfação que consiste naquilo que os condicionamentos lhe asseguram ser o melhor, e há quem procure a satisfação que consiste no encontro daquilo q uma percepção, além dos condicionamentos, lhe assegura ser o melhor.

      Os primeiros ainda estão dormindo; os segundos estão acordando.

      Assim, disse um q começou a perceber a realidade que está escondida sob o peso das ilusões causadas pela vida na carne:
      “Os nossos queridos, abençoados sejam eles, estão dormindo e, por isso, acreditam e temem que quem está acordando está ficando louco”;

      E um outro que começou a remover o véu q encobre a realidade:
      “Dizem que quem está acordando é que está ficando louco; como eu daria tudo para ser louco como eles!”.

      E aquele sábio que percebeu o real:
      “Quando se atinge a percepção que está além dos condicionamentos, além dos sentidos, a visão total atingida é tão clara que o indivíduo não faz mais do que rir e até, em aparência, ser irreverente, quando vê a fantástica superestrutura de superstições, ilusões e mistérios que está erigida, pelas nossas crenças e religiões, tradições, costumes e cultura, suposições e sociedade, sobre e em torno da simplicidade elementar que é a Verdade".

      Por isso, disse um outro sábio mais nosso conhecido: “Buscai, em primeiro lugar, o reino de Deus, que tudo o mais vos virá como acréscimo!”; e: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. 
      Ele assegurou que, pelo conhecermos essa verdade, estaremos livres. Ele não disse: “... a verdade poderá vos libertar”, mas q, pelo fato de conhecê-la, seremos libertados.

..................

Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: lconforjr em 14 de Outubro de 2014, 17:25
Re: Aquilo que procuramos...

      Referencia resp #7 em: 081014, 21:02, de Vitor S.

      Vitor disse: Aquilo que eu procuro é entender o que sou, o que estou aqui a fazer, o que é tudo isto a que chamamos universo. Nós nascemos neste corpo de carne e um dia começamos a ter consciência de nós mesmos. As respostas a essas questões não passam de crenças, de hipóteses.

      Conf: como já lhe disse, vc não vai encontrar esse entendimento senão por seu próprio esforço e se a vida já lhe deu possibilidades para isso e se já lhe mostrou que é isso que vc deve e tem de fazer. E as respostas que buscamos estão além das doutrinas populares, das filosofias, psicologias etc. Estas apenas nos dirão aquilo q todos os crentes já sabem: q somos criados por Deus, pq Ele de nós necessita para q o auxiliemos na consecução da boa marcha da criação, coisa realmente difícil de entender pois, como compreender q o Todo Poderoso, que Aquele que é o próprio Poder, que criou, e cria,  todas as coisas, que é Perfeito em todos seus aspectos, “necessite” de auxiliares?!

      Também, nos dirão que nosso destino final é glorioso e cheio de felicidade. Mas, infelizmente, não dizem qual é a causa de nossos sofrimentos; de, mesmo tendo a possibilidade de escolher fazer o bem, escolhermos fazer o mal e q, com isso, nada mais estamos fazendo do que escolher sofrer; nem mesmo dizem qual é a causa de um ser bom e outro ser mau.

      E todas as respostas q vc encontrar serão apenas respostas nas quais vc poderá ou não acreditar. Pois, todas as experiências q poderão lhe trazer respostas nada mais são do que experiências “subjetivas”. 

      Vitor: Neste momento da minha vida, tornei-me mais céptico. E deixei de prestar muita atenção aquelas pessoas que explicam a vida com uma postura de certeza absoluta, julgando que as outras pessoas as veem como sábios acima da necessidade de justificação, não questionando  qual é a origem da informação que divulgam. Todavia eu tornei-me mais exigente. A palavra, só por si, não é nada. É necessário entender porque as palavras de uns, que defendem versões da realidade diferentes, muitas vezes até opostas valem mais do que as palavras de outros.

      Conf: vc está coberto de razão; mas tudo isso dependerá de experiências que, das lições da vida, lhe vierem, e de sua compreensão que, tb, das experiências da vida lhe vier.

      Vitor: Neste post existem imensas afirmações ditas como verdades irrefutáveis, mas sem informação das fontes e das evidências que estão por detrás dessas fontes. Não afirmo que essas afirmações estão certas nem erradas. São apenas opiniões pessoais respeitáveis, mais nada. Há opiniões para todos os gostos e feitios. Mas nada me dizem no que se refere às respostas que eu procuro.

      Conf: meu amigo, e de que lhe valerá conhecer as fontes ou mesmo as evidencias q estão por trás delas? Isso lhe fará crer? As evidencias são relatadas pelas fontes e as fontes lhe farão se convencer q as experiências pelas quais passaram, são a realidade e não apenas ilusão?

      Qual fonte vc prefere? Vc confiará em que fontes? Em Jesus, em Einstein, Paulo, Pe. Quevedo, Papa Francisco, em que “santos”, em que mestres, em que espíritos? São apenas seres q, eles mesmos, ou seus seguidores, ou a história, nos asseguram que passaram por inusitadas experiências pelas quais não passamos ainda; nada mais.

      Por isso, sábios dizem: “não ponha outra cabeça acima da sua!”, isto é, “não creia em ninguém; tenha sua própria experiência”. E... a coisa não é fácil pois, como sabemos, todas as experiências, sejam de que espécie forem, se resolvem, ou são interpretadas, em nossa área psicológica.

      Para mim (veja: para mim!), há alguns pontos q nos mostrarão se estamos ou não no caminho certo:

      - um desses pontos é o despertamento do amor por todos os seres vivos, sem exceção, humanos e não humanos, sejam eles o que forem, bons ou perversos e pervertidos, perigosos ou não perigosos, e, sobretudo, por todos sofrerem seja pq a vida os faz sofrerem, ou que sofrem pq erraram, sabendo q estavam errados etc.

      - outro ponto é o aumento da felicidade e da aceitação do que ocorre, pois nossa possibilidade de modificar para melhor o que quer que seja é muito restrita ou mesmo nula. Por isso mesmo, sábios dizem: “para tentar viver melhor em meio  aos acontecimentos da vida, se possível, ‘tome’ uma boa dose de humor e uma boa dose de indiferença”.
....
      “A aspiração maior de todos os seres humanos é alcançar a união consciente da alma pessoal com sua fonte, Deus. Os que buscam esse objetivo entendem que não basta perceber, ou sentir, ou pertencer a Deus; que é necessário penetrar na pletora da divindade, confundir-se com ela, numa plena consciência de sua união com a fonte da alma...
      E isso pode ser conseguido por determinados exercícios, demorados e realizados com determinação, que podem (apenas "podem") trazer mudança e ampliação da consciência de modo a podermos buscar a essência divina existente no ‘eu’, no íntimo de nós mesmos.
      E esse que busca acaba percebendo que, para vivenciar o êxtase dessa união, não depende de nenhum intermediário, como sacerdotes, mentores, pastores,  santos, gurus, religiões, igrejas. Deve inverter, “de certo modo”, sua consciência, para dentro, e não para fora como sempre a temos”.

      E, pelo esforço perseverante, poderá lhe acontecer o que nestes versos do Zen está representado:

                “Chuva nevoenta sobre o Monte Lu
                 E ondas encapeladas no Rio Che.
                 Se você ainda não esteve lá,
                 Muitos pesares por certo terá.
                 Mas, uma vez lá, e no caminho de casa,
                 Quão prosaicas parecem todas as coisas.
                 Chuva nevoenta sobre o Monte Lu
                 E ondas encapeladas no Rio Che.”

      Se você ainda não esteve lá, isto é, se não teve o percebimento, muitos pesares ainda terá, isto é, viverá ainda em conflitos e consequentes sofrimentos. Mas, se esteve, não por efeito de drogas ou traumatismos, mas no caminho de casa, isto é, no caminho para a vida real e plena, na busca de Deus, como todas as coisas no espaço-tempo lhe parecerão sem importância (infantis e fúteis, segundo Krishnamurti; lixo, no dizer de Teresa de Ávila). A transformação é interior e não exterior, tanto que, antes dela e após ela, o mundo (ondas, chuva etc.) continua o mesmo; a transformação iluminadora e libertadora acontece em nosso íntimo e não fora de nós.   

.................................
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 14 de Outubro de 2014, 22:08
Olá amigo Olé

Citar
A primeira verdade factual é que o homem não é um simples "corpo de carne", ou 'escafandro' como outros amigos lhe chamam. O homem é um organismo de perceção atemporal, sempre e quando não existe o pensamento temporal, limitador da liberdade de perceção.
A outra verdade é que "esse", "que um dia começa a ter consciência de si próprio", é uma ilusão, é a perceção social, do pensamento condicionado que condiciona a perceção imediata do organismo.


Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/aquilo-que-procuramos/#ixzz3G6lJ2z9K

Amigo, não sei o que que quer dizer com "verdade factual". Há, talvez, experiências subjectivas, que levam as pessoas que as têm a pensar que não são corpos de carne e nada mais. A explicação dessas experiências, contudo, é uma interpretação da pessoa. Ao que parece, muitas dessas experiências sugerem que somos seres espirituais que sobrevivem à morte do corpo de carne.

A existência de evidências cientificas que sugerem o homem não é um mero corpo de carne e osso é um facto, contudo essas evidências não são suficientemente confiáveis. Carecem de mais investigação, sobretudo investigação isenta e independente de crenças de qualquer espécie, sejam a favor sejam contra.

Bem haja 

Amigo Vitor, o amigo é um organismo de perceção imediata, sensível, inteligente, atemporal; isto é um facto, uma verdade factual sem necessidade de comprovações.

O outro facto sem necessidade de comprovações é que, à perceção imediata do organismo segue-se sempre a perceção social limitada e condicionante; memória.

Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Vitor Santos em 15 de Outubro de 2014, 22:31
Olá amigo Olé

Citar
Amigo Vitor, o amigo é um organismo de perceção imediata, sensível, inteligente, atemporal; isto é um facto, uma verdade factual sem necessidade de comprovações.

O outro facto sem necessidade de comprovações é que, à perceção imediata do organismo segue-se sempre a perceção social limitada e condicionante; memória.

Respeito a sua opinião. Mas ela não passa de uma opinião.

Outras pessoas dizem que é uma verdade factual, sem necessidade de comprovações, que uma pessoa é apenas uma máquina natural de carne e osso, mortal.

Eu não tenho verdades factuais para apresentar. Apenas tenho a esperança de ser um espirito imortal associado a um corpo de carne e osso mortal. Essa associação ser espiritual/ corpo de carne é que pode ser considerada uma evidência altamente confiável, tanto por cada um de nós como pela ciência.

Pela última vez: porque é que nós havemos de pensar que a sua palavra vale mais do que a palavra de outra pessoa qualquer, quando afirmam coisas diferentes, ou em caso extremos até opostas, se o amigo não apresenta quaisquer bases que sustentem aquilo que afirma?

Qualquer um pode afirmar o que bem entender.

Voltando ao tema do tópico: o amigo não me deu a resposta ao que procuro. Deu a sua opinião pessoal e nada fundamentada. E não responde a esta pergunta tão simples, acima colocada: porque é que nós havemos de pensar que a sua palavra vale mais do que a palavra de outra pessoa qualquer?

Bem haja

       

 
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 15 de Outubro de 2014, 23:41


Olá amigo Olé

Citar
Amigo Vitor, o amigo é um organismo de perceção imediata, sensível, inteligente, atemporal; isto é um facto, uma verdade factual sem necessidade de comprovações.

O outro facto sem necessidade de comprovações é que, à perceção imediata do organismo segue-se sempre a perceção social limitada e condicionante; memória.

Respeito a sua opinião. Mas ela não passa de uma opinião.

Outras pessoas dizem que é uma verdade factual, sem necessidade de comprovações, que uma pessoa é apenas uma máquina natural de carne e osso, mortal.

Eu não tenho verdades factuais para apresentar. Apenas tenho a esperança de ser um espirito imortal associado a um corpo de carne e osso mortal. Essa associação ser espiritual/ corpo de carne é que pode ser considerada uma evidência altamente confiável, tanto por cada um de nós como pela ciência.

Pela última vez: porque é que nós havemos de pensar que a sua palavra vale mais do que a palavra de outra pessoa qualquer, quando afirmam coisas diferentes, ou em caso extremos até opostas, se o amigo não apresenta quaisquer bases que sustentem aquilo que afirma?

Qualquer um pode afirmar o que bem entender.

Voltando ao tema do tópico: o amigo não me deu a resposta ao que procuro. Deu a sua opinião pessoal e nada fundamentada. E não responde a esta pergunta tão simples, acima colocada: porque é que nós havemos de pensar que a sua palavra vale mais do que a palavra de outra pessoa qualquer?

Bem haja

Amigo Vitor, eu, organismo, não procuro ideias, procuro factos e um facto para mim é que sou sensível; sinto... e, ao sentir, essa sensação é ação, inteligência. Tudo instantaneamente, de imediato, tal como levar uma martelada num dedo.
O resto é estória, amigo...
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: lconforjr em 20 de Outubro de 2014, 19:08
      Amigos,

      Sem dúvida, aquilo q procuramos é a luz do conhecimento, é o caminhar rumo ao aperfeiçoamento intelectual e moral possível ao espírito; nos libertar de nossas imperfeições e do apego aos atrativos do mundo; aprender a "como fazer" para q, em nosso coração, exista amor suficiente para q possamos ofertá-lo ao próximo que dele necessite.
 
      Consequentemente, aquilo que procuramos é o "reino de Deus" que, como disse o Mestre Jesus, é tão importante q o encontremos, q devemos buscá-lo "em primeiro lugar" e de cujo encontro nos virá, como acréscimo, "tudo o mais de q necessitamos"!
     
      Os amigos observem que, sem qualquer exceção, tudo que as criaturas de Deus, humanas ou não humanas, fazem no mundo, tem, exatamente, o objetivo de fazer q cessem seus sofrimentos ou que, pelo menos, se tornem mais suaves.

      Todas as ciências, tecnologias, medicinas, filosofias, psicologias, todas as doutrinas religiosas, entretenimentos, vícios, delitos e crimes q praticamos, por mais hediondos e monstruosos q sejam, existem, exatamente, devido a essa busca sem fim de fugir dos sofrimentos, da infelicidade, e de conquistar a felicidade.

      Parece estranho que até se pratique coisas maldosas, como crimes etc, com o objetivo de ser mais feliz?! Mas, é o que vemos no mundo; roubos, latrocínios, assassinatos, vinganças, corrupções estão aí, à frente de  todos, todos os dias, para nos mostrar q essa é uma verdade!

      Todos os homens, sem exceção de um só, desde q se lhes desperta a consciência, e em todos os segundos de seus dias, estão lutando para se afastarem dos sofrimentos e para conquistarem a felicidade; e, essa luta sem fim, é realizada do modo que julgam seja o mais vantajoso, ou o mais conveniente e, assim, por qualquer meio q seja, tanto por ações voltadas para o bem, para o amor, cuidando para não levar prejuízos ao próximo, como por ações voltadas para o mal, para a maldade, nas quais pouco importa q o próximo sofra, sendo mesmo, tantas vezes, com o objetivo exato de fazer que ele sofra.

      E nós, que queremos seriamente compreender a doutrina e, consequentemente, a vida, temos de raciocinar, como manda a DE: "qual é a causa de a vida ser assim?!!!     Todos cometendo ações erradas e, consequentemente, todos sofrendo, e todos se esforçando para se libertarem dos sofrimentos? Todos possuindo a liberdade de escolher e, ao mesmo tempo, todos fazendo tantas escolhas erradas q, no dizer de Kardec, "essa é a causa dos sofrimentos do mundo"!

      Afinal, desde tempos que se perdem na memória, até hoje, é esse o retrato do mundo que, ensinam as religiões, o Criador de todas as coisas, nos dá, como escola de evolução.

      Conforme a doutrina, e pela justiça divina, somos todos criados perfeitamente iguais, em particular nos quesitos q facilitam ou dificultam o alcançar-se o objetivo da vida, q é o da evolução, aperfeiçoando-nos no q se refere ao conhecimento intelectual e à moral, esta tendendo à conquista de um Amor incondicional.

      Mas, se Deus é Amor e é Justiça, pq temos, obrigatoriamente e forçosamente, de sofrer para chegar a esse objetivo? Quais os estorvos q existem em nossa caminhada para q ela se torne tão difícil, tão sofrida? Nós mesmos os colocamos a nossa frente para nos dificultar os passos?!

      Se tudo o que existe, inclusive o que somos neste mesmo instante, é nada mais q um dos efeitos dessa sequencia sem fim de causas e efeitos q vem desde o mais longínquo antepassado, e das causas que lhes deram origem, em nossa linha genética, e têm como resultado (ou efeito) o que somos neste mesmo instante, pq temos de sofrer?!

      E como podemos mudar o efeito q somos agora (para que nos melhoremos, principalmente no aspecto moral) se esse efeito é produzido por causas anteriores a ele, e, consequentemente, são causas que não podemos, de nenhum modo, modificar?

      Aí estão nosso mundo e nossas gentes, vivendo e sofrendo, e, como diz a DE, “pecando” e "sendo punidos em tudo aquilo em que pecaram"!       

      Esse, sem dúvida, é, para muitos (para mim é), um dos “mistérios” que a doutrina espirita, as demais doutrinas e religiões, filosofias e psicologias, ciências e cientistas estão tentando solucionar, mas para o qual (como eu entendo) ainda não encontraram respostas satisfatórias ou inquestionáveis.

      Quais serão essas respostas? O mau uso do livre-arbítrio? O egoísmo, a maior chaga da humanidade, como afirma a doutrina espírita?

      Se são essas as respostas, e se todo efeito tem sua causa, temos de perguntar: qual é a causa que tem como efeito o fato de usarmos de modo indevido o nosso livre-arbítrio? E qual a causa de termos nos tornado egoístas e de possuirmos, hoje, tantas imperfeições se, antes, não éramos assim?!

.........................

Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 26 de Outubro de 2014, 13:01
O Vazio da Existência

"Reflexões com a natureza das acima podem, de fato, nos levar a estabelecer a crença de que gozar o presente e fazer disso o propósito da vida é a maior sabedoria; visto que somente o presente é real, todo o mais é representação do pensamento. Mas tal propósito poderia também ser denominado a maior tolice, pois aquilo que, no próximo instante, não mais existe e desaparece completamente como um sonho, jamais poderá merecer um esforço sério.
 
Toda a nossa existência é fundamentada tão-somente no presente — no fugaz presente. Deste modo, tem de tomar a forma de um constante movimento, sem que jamais haja qualquer possibilidade de se encontrar o descanso pelo qual estamos sempre lutando. É o mesmo que um homem correndo ladeira abaixo: cairia se tentasse parar, e apenas continuando a correr consegue manter-se sobre suas pernas; como um pólo equilibrado na ponta do dedo, ou como um planeta, o qual cairia no sol se cessasse com seu percurso. Nossa existência é marcada pelo desassossego.

Num mundo como este, onde nada é estável e nada perdura, mas é arremessado em um incansável turbilhão de mudanças, onde tudo se apressa, voa, e mantém-se em equilíbrio avançando e movendo-se continuamente, como um acrobata em uma corda — em tal mundo, a felicidade é inconcebível. Como poderia haver onde, como Platão diz, tornar-se continuamente e nunca ser é a única forma de existência? Primeiramente, nenhum homem é feliz; luta sua vida toda em busca de uma felicidade imaginária, a qual raramente alcança, e, quando alcança, é apenas para sua desilusão; e, via de regra, no fim, é um náufrago, chegando ao porto com mastros e velas faltando. Então dá no mesmo se foi feliz ou infeliz, pois sua vida nunca foi mais que um presente sempre passageiro, que agora já acabou.

Ao mesmo tempo, é algo surpreendente que, tanto no mundo de seres humanos quanto no dos animais em geral, essa variada e incansável moção é produzida e mantida por meio de dois simples impulsos — fome e o instinto sexual, ajudados talvez por um pouco de tédio, mas nada mais —, e estes, no teatro da vida, têm o poder de constituir o primum mobile de uma maquinaria tão complexa, colocando em movimento cenas tão estranhas e variadas!

Analisando os pormenores, constatamos que a matéria inorgânica apresenta um constante conflito entre forças químicas, as quais por vezes promovem a dissolução; por outro lado, a existência orgânica somente é possível através de uma contínua substituição de matéria, e não pode subsistir se não dispuser de uma eterna ajuda exterior. Portanto a vida orgânica é como o balançar de um pólo na mão; deve ser mantida em constante movimento e ter constante suprimento de matéria — da qual necessita continuamente e eternamente. Apesar disso, é apenas através da vida orgânica que a consciência é possível.

Este é o reino da existência finita, e seu oposto seria uma existência infinita, a qual não está exposta a ataques externos nem precisa de ajuda exterior; [grego: aei hosautos on] o reino da paz eterna; [grego: oute gignomenon, oute apollymenon], sem mudanças, sem tempo, sem diversidade; o conhecimento negativo do que constitui a nota fundamental da filosofia platônica. A renúncia da vontade de viver revela o caminho a um tipo de estado como esse.
 
As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos — devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim [provisoriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida — isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!"

(Arthur Schopenhauer)
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Vitor Santos em 26 de Outubro de 2014, 20:40
Olá amigo Olé

A morte. por vezes, é simbolizada com a imagem de uma borboleta. Uma borboleta que se solta do casulo e voa.  É o momento mais alto da vida. Este mundo é uma prisão, Mas o suicido é uma garantia de que voltamos para a prisão e não de libertação.

Se há alguma coisa que faz sentido é apenas o amor incondicional, que é a lição que estamos aqui a aprender. Amar incondicionalmente é olhar o próximo como Jesus de Nazaré ensinou. Se há uma lei mais ou menos consensual, entre espiritualistas, é que todos somos seres espirituais igualmente importantes, para Deus e para todos os efeitos. Num mundo como este, trata-se de uma prova muito difícil, conseguir, de vez em quando, amar incondicionalmente. É tão mais difícil quanto mais nos damos importância em relação aos outros. Ou, no lado oposto, quando menos nos damos importância em relação aos outros.

O livre-arbítrio é a opção por assumir a igualdade em relação ao próximo, pelo menos de um ponto de vista espiritual, ou por se assumir  diferente.

Bem hajam   

 
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 26 de Outubro de 2014, 23:57
A Morte e a Dor

"Indiferença da Natureza perante a Morte. A vida e a morte, o nascer e o morrer, é o maior jogo de dados que conhecemos; ansiosos, interessados, agitados assistimos a cada partida, porque a nossos olhos tudo se resume nisso. A natureza, pelo contrário, que é sempre sincera e nunca mente, contempla a partida com ar indiferente, não se preocupa com a morte ou a vida do indivíduo, entregando a vida do animal e também a do homem a todos os acasos, não fazendo o mínimo esforço para os salvar. Esmagamos sem querer o inseto que se acha em nosso caminho; a lesma necessita de todo meio para se defender, não pode fugir, esconder-se, nem enganar, está condenada a ser presa de todos os seus inimigos; o peixe saltita tranquilamente na rede ainda aberta; o sapo devido a sua moleza não pode salvar-se; o pássaro não vê o falcão voar sobre sua cabeça, nem a ovelha vê o lobo que a espreita oculto na mata. Todos esses animais inofensivos e fracos, vivem no meio de perigos ignorados, dos quais podem ser vítimas a todo momento. A natureza exprime com esse procedimento, no seu estilo lacônico, oracular, que lhe é indiferente a destruição de seus seres, não podendo ser por eles prejudicada, e que em casos semelhantes tão indiferente é o efeito como a causa. Por isso abandona sem defesa esses organismos, obras de uma arte eterna, à vontade do mais forte, aos caprichos da sorte, à crueldade da criança, ao mau numor de um imbecil. A natureza, mãe soberana e universal de todo o criado, sabe que quando seus filhos sucumbem, voltam ao seu seio, onde os conserva ocultos, expondo-os a mil perigos sem temor algum; a sua morte é para ela um divertimento, um jogo. A natureza é indiferente no que se relaciona ao homem ou ao animal; não se deixa impressionar conosco, durante a vida ou na morte. Tampouco devíamos nos comover porque fazemos parte dela.

A Folha Seca Interroga o Destino. Se dirigíssemos o pensamento para um longínquo futuro e procurássemos representar-nos às futuras gerações com os milhões de homens distintos e diferentes de nós pelos usos e costumes, perguntaríamos a nós mesmos: “De onde vieram? Onde estão agora? Onde se achará o profundo seio do nada, produtor do mundo, que os oculta?” Mas a esta pergunta, devíamos sorrir, por onde se poderá achar senão onde toda a realidade é, e será, no presente em tudo o que este representa e contém, em ti, insensato que interrogas, pois ignorando a tua própria essência, assemelhas-te a uma folha seca que oscila no ramo de uma árvore, e, no Outono, pensando na sua próxima queda, lamenta sua sorte, sem querer consolar-se com a ideia dos tenros brotos que na Primavera virão adornar a árvore. E a folha seca se queixa: “Já não sou eu, serão outras folhas”. Oh! folha insensata onde queres tu ir? De onde poderiam vir as outras folhas? Onde está esse nada em que temes sucumbir? Reconhece, pois, o teu próprio ser oculto na força íntima, sempre ativa da árvore, nessa energia que não acarreta a morte nem o nascimento de todas as suas gerações de folhas. Não sucede com as gerações de homens o mesmo que com as folhas de uma árvore?"

(Arthur Schopenhauer)
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: lconforjr em 27 de Outubro de 2014, 14:58
Re: Aquilo que procuramos

      ‘A procura é provocada pela ânsia de felicidade do homem e de tentar encontrar um meio de escapar da armadilha que é a vida.
      Não é sua culpa se ele supõe que a solução para a sua profunda insatisfação (incompreensão, sofrimentos, desentendimentos, não realização dos desejos, frustrações) reside numa vida sensual ou nas realizações profissionais ou do mundo social, ou ainda em uma vida de experiências excitantes.
      Tampouco é culpa sua se a vida, em geral, não é bastante longa para ensinar-lhe, concretamente, que ele encontraria uma desilusão ainda maior e mais profunda se esses objetivos fossem satisfeitos por completo.
      O homem é impelido a essa busca pela desilusão (desencanto) com as coisas mundanas (os atrativos do mundo) que o fascinam e das quais não consegue afastar o pensamento.
      Empenha-se o quanto pode em alcançar os prazeres dos sentidos e em evitar todos os tipos de sofrimentos.
      Mas, enquanto ele atravessa dias, meses e anos das mais variadas experiências, surge, com freqüência, uma ocasião em que ele começa a questionar: ‘Mas, qual a finalidade de tudo isso?’
      E, incapaz de se contentar com as coisas transitórias da vida, questionando, ele se torna totalmente cético em relação aos valores habituais que até então aceitava sem hesitação.
      E, nesse desespero, o homem toma a decisão de descobrir e compreender o propósito da vida.
      É então que ele principia a verdadeira busca, a busca dos prazeres duradouros (Sri Baba).
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 29 de Outubro de 2014, 23:43
A Simplicidade de Ser ... Jean Klein

"Como posso recuar de minhas emoções, desejos e agitações de modo que eu possa manter-me na pura Consciência?

Você não pode manter-se na Consciência porque ela é o que você é. O que ela é e o que é você é a luz em toda percepção. Todos os objetos, todas as percepções dependem da luz, sua natureza real. Não podem existir sem perceber a luz. Eu chamo sujeito final a esta luz em todas as percepções. Está claro que não tem nada a ver com o sujeito, o “eu”, o qual passa por nós mesmos na relação sujeito-objeto. A percepção existe apenas porque você, luz, Consciência, sujeito final, ou como o quiser nomear, é. A percepção aparece e desaparece em você.

Desta forma, seja completamente consciente da percepção. Veja que ela existe no tempo e no espaço, enquanto você é atemporal. Espaço e tempo não são senão energia em movimento. Quando nenhum sujeito volitivo interfere para cristalizá-la, a percepção toma forma e então se desfaz de volta ao silêncio, pois o silêncio é contínuo, enquanto a percepção é descontínua. Portanto acentua o que percebe, o sujeito, não o percebido, o objeto. Em um primeiro momento você experimenta a Consciência silenciosa e, depois, a dissolução da percepção, mas, mais tarde, você será o silêncio tanto na presença como na ausência de objetos."
..............................

Fernando Pessoa

"Não tenho ambições nem desejos.
ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho."
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 10 de Novembro de 2014, 22:10
Além do pensamento

"A manifestação universal está apenas na consciência, mas o ‘desperto’ tem seu centro de visão no Absoluto. No estado original de puro ser, não consciente de sua qualidade de ser, a consciência surge como uma onda sobre a extensão das águas, e o mundo aparece e desaparece na consciência. As ondas se levantam e caem, mas a expansão das águas permanece. Antes de todos os princípios, de todos os fins, eu sou. O que quer que aconteça, devo estar presente para testemunhar.
     
Não é que o mundo não ‘exista’. Ele existe, mas meramente como uma aparência na consciência – a totalidade do manifesto conhecido na infinidade do desconhecido, o não manifestado. O que começa deve terminar. O que aparece deve desaparecer. A duração da aparição é um assunto relativo, mas o princípio é que o que quer que seja sujeito ao tempo e à duração deve terminar e é, portanto, não real.
         
Você não pode perceber imediatamente que neste sonho da vida você ainda está dormindo, que tudo que seja reconhecível está contido nesta fantasia da vida? E que aquele que, enquanto conhecer este mundo objetificado, considerar-se uma ‘entidade’ separada da totalidade que conhece é, em realidade, parte integral deste mesmo mundo hipotético?
         
Considere também: Nós parecemos estar convencidos de que vivemos uma vida própria, de acordo com nossos próprios desejos, esperanças e ambições, de acordo com nosso próprio plano e objetivo, através de nossos próprios esforços individuais. Mas é realmente assim?   Ou estamos sendo sonhados e vividos sem vontade, totalmente como fantoches, exatamente como em um sonho pessoal? Pense! Nunca esqueça que, assim como o mundo existe, embora como uma aparência, as figuras sonhadas também, neste ou naquele sonho, devem ter um conteúdo – elas são o que o sujeito do sonho é. É por isto que digo: Relativamente ‘eu’ não sou, mas eu mesmo sou o universo manifesto.

Visitante: Penso que começo a entender toda a ideia.
Maharaj: Não é o pensamento de si mesmo uma noção na mente? O pensamento está ausente quando se vê as coisas intuitivamente. Quando você pensar que entendeu, você não entendeu. Quando perceber diretamente, não há nenhum pensamento. Você sabe que está vivo; você não ‘pensa’ que você está vivo.

V: Céus! Isto parece ser uma nova dimensão que você está apresentando.
M: Bem, nada sei sobre uma nova dimensão, mas você se expressou bem. De fato, poderia ser dito que tal dimensão adquire uma nova direção de medida – um centro novo de visão – na medida em que, evitando os pensamentos e percebendo diretamente as coisas, evita-se a concepção. Em outras palavras, vendo com a mente total, intuitivamente, o observador aparente desaparece, e a visão torna-se o visto."

(Nisargadatta Maharaj)
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: lconforjr em 11 de Novembro de 2014, 15:03
Re: Aquilo que procuramos...

      Referencia resp #18 em: 261014, 20:40, de Vitor Santos

      Conf: meu amigo Vitor, pq voltaríamos para a “prisão” pelo suicídio se, para todas as concepções religiosas, Deus é amor? Pq, então, faria sofrer ainda mais aquele que já está sofrendo ao ponto de desesperar-se e abandonar a vida?

      Afinal, o que todos, sem exceção, buscam, é a felicidade. Essa é a motivação de “tudo” que ocorre pelo mundo, de absolutamente tudo, até mesmo da maldade.

      Mas, a felicidade “mais feliz” depende do amor e não existe quem ensine como fazer para verdadeiramente amar, para ter amor pelos demais. Esse ensinamento está além de todas as filosofias e religiões que conhecemos. Por isso, mesmo procurando, muitos não o encontram, e o mundo continua sendo que é: desentendimentos, conflitos e tudo o mais q concorre para q os homens não sejam felizes.

      Certamente o que faz sentido, e podemos perceber que traz felicidade, é amar, mas amar a todos, indistintamente, sejam o q sejam, gente como nós ou animais de que espécie forem, sem pesar  suas qualidades, virtudes, vícios, imperfeições morais, ferocidade, maldades, por mais monstruosos ou perigosos q sejam, por mais que perturbem nossa vida. 

      E esse “olhar o próximo como Jesus ensinou” tem um significado muito profundo. Amar o próximo é sentir suas dores, suas dificuldades, seus problemas, suas incapacidades; é sentir por ele, perceber sua inocência e pureza, ter o coração cheio de amor por ele.

      Mas, como colocado acima, como fazer nascer esse amor em nosso íntimo, nem religiões, nem religiosos ensinam. A amar ninguém aprende com conselhos, nem com ensinamentos, nem com exemplos de quem quer q sejam.

      Para aprender a amar, o ensinamento é outro. Como dissemos, está além das religiões e filosofias, mas pode, sim, ser encontrado. Mas, para isso, há sérios obstáculos a serem removidos, sendo, o mais grave o “preconceito”.

..............
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 21 de Novembro de 2014, 20:05
O que posso fazer para ser mais receptivo à realidade suprema?

"Não há nenhum sistema, método ou técnica pela qual aproximar-se da realidade. Ela se revela por si mesma quando todas as técnicas e sistemas falham e a futilidade da volição é percebida. Então a mente se envolve em um estado de entrega inocente. A técnica apenas faz a mente mais astuta e engenhosa. Você ainda permanece em sua rede e, embora possa ter a impressão de transformação, está de fato desempenhando os velhos jogos. É um círculo vicioso.

Liberdade, humildade e amor aparecem instantaneamente, nunca como um empreendimento. A mente, o processo de pensamento, acontece em termos de tempo e espaço. Mas a Consciência silenciosa não é condicionada ou qualificada nem por um nem pelo outro. Por esta razão a mente limitada não pode alcançar o absoluto pela expansão de si mesma. Todos os esforços apenas resultam na perpetuação do ego.

Se você presta atenção enquanto falamos, então, neste próprio estado de atenção, sua mente passa por uma transformação. O importante é o ato de escutar, de observar sua reação a estas palavras. A escuta real envolve seu ser total, e nele as fronteiras do ego se dissolvem. A mente então se envolve em um estado de grande atenção.

A respeito de sua pergunta, qualquer método ou técnica implica especialização ou localização. Mas tal focalização parcial nunca pode levá-lo à totalidade. Quanto mais você se especializa, mais estreita seu campo de visão, mas a causa básica do conflito na psique não é removida. A tranquilidade obtida através das técnicas está apenas na superfície, enquanto a origem profunda do conflito continua.

Como posso livrar minha mente do condicionamento?

A mente é função, energia em movimento. É um depósito, em diferentes níveis de consciência, das experiências individuais e coletivas passadas. Sem a memória, não há mente, pois os pensamentos são sons, palavras e símbolos que nela aparecem. A memória é em si mesma condicionada, estando baseada na estrutura do prazer e da dor: todo prazer está armazenado e tudo o que é doloroso é relegado às camadas do inconsciente.

A função básica do organismo humano é sobreviver. A sobrevivência biológica é um instinto natural, mas a sobrevivência psicológica é a fonte do conflito, pois é simplesmente sobrevivência da psique com o seu centro, o “eu”. O que chamamos geralmente de aprendizagem é apropriação condicionada pela sobrevivência psicológica. A mente condicionada não pode mudar por seu próprio esforço ou sistema."

Continua...
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 21 de Novembro de 2014, 20:07
Continuação...

"Então, como acontece esta transformação, esta integração?

A mente deve chegar a um estado de silêncio, vazia completamente de medo, desejo e de todas as imagens. Isto não pode ser produzido pela supressão, mas pela observação de todo sentimento e pensamento sem qualificação, condenação, julgamento, ou comparação. Se a atenção desmotivada está para funcionar, o censor deve desaparecer. Deve existir apenas uma observação serena sobre o que a mente elabora. Ao descobrir os fatos como eles são, a agitação é eliminada, e o movimento dos pensamentos se torna lento; podemos observar cada pensamento, sua causa e conteúdo, à medida que surge. Nós nos tornamos conscientes de todo pensamento em sua integridade e, nesta totalidade, não pode existir conflito. Então apenas a atenção permanece, apenas o silêncio no qual não há nem observador nem observado. Portanto, não force sua mente. Apenas observe seus vários movimentos como você olharia o vôo dos pássaros. Neste olhar desanuviado, todas as suas experiências emergem e se aclaram. Pois a visão desmotivada não apenas gera tremenda energia, mas libera toda tensão, todas as várias camadas de inibições. Você vê a totalidade de si mesmo.

Observar tudo com plena atenção torna-se um modo de vida, um retorno a seu ser meditativo original e natural.

Como posso agir para não criar uma reação adicional, o carma?

Sempre que o amor e a bondade estão em seu coração, você terá a inteligência para saber o que fazer e quando – e como – agir. Quando a mente vê suas limitações, as limitações do intelecto, surgirão uma humildade e uma inocência que não são questão de cultura, acumulação ou aprendizado, mas resultado do entendimento instantâneo. No momento em que você vê seu desamparo, que nada funciona, chega ao ponto da rendição, a uma parada, onde você está em comunhão com o silêncio, a verdade derradeira. É esta realidade que transforma sua mente, não o esforço ou a decisão.

Creio conhecer algo de mim mesmo, tenho uma certa Consciência de minha força e debilidade psicológica, mas também sinto uma falta de satisfação perfeita; de outra forma, não estaria aqui. Há algo que possa fazer agora?

Se você observar, verá que é violento com sua percepção. Você interfere constantemente ao tentar controlá-la e dirigí-la. O controlador faz parte do que é controlado; ambos são objetos e um objeto não pode conhecer outro. Portanto, você deve progressivamente permitir que a percepção se expanda, dando-lhe a liberdade completa. Se você permitir que a percepção se expanda, cedo ou tarde ela o trará de volta para você mesmo. Deixe-a ir para que se revele a si mesma e o dinamismo para produzir desaparecerá.

Como aprender a partir do conflito?

Veja que você está condicionado na aceitação e na rejeição, pois não há nada para aceitar ou rejeitar. Na escuta total, a atenção sem memória, não há conflito. Há apenas visão. Na escuta silenciosa, o que é dito, o que é ouvido e o que surge como resposta e reação, está dentro de seu próprio Eu. Esta percepção da totalidade é a atenção real e não há nela nem problemas nem condicionamentos. Há simplesmente liberdade.

O que você quer dizer quando você diz que não há ator no fazer, falar ou escutar?

Na ação que surge da plenitude não há um ator no ato, há apenas ação. Você está funcionando e o “eu” está ausente. No momento em que o pensamento do “eu” aparece, você se torna autoconsciente e é dominado pelo conflito. Na ausência deste pensamento, não há nem quem fale nem quem escute, não há nenhum sujeito controlando um objeto. Somente então há harmonia completa e adequação a cada circunstância."

Continua...
Título: Re: Aquilo que procuramos...
Enviado por: Olé em 21 de Novembro de 2014, 20:11
Continuação e fim...

"Qual é o lugar do intelecto na escuta incondicionada?

O intelecto é uma defesa contra algo que você aceita ou rejeita. Uma vez que você tenha, pela totalidade, visto a verdade de alguma coisa, não há mais como escapar. Você vive com ela. Com este entendimento completo, a mente não pode evitar a mudança e a transformação que ocorrem. Quando o intelecto está ausente, há atenção total; escutar e falar podem espontaneamente acontecer, mas brotam da realidade. Não há mais produção por parte da mente. Em atenção silenciosa, a mente está completamente vazia e o que é ouvido penetra profundamente. No estado de rejeição ou aceitação há apenas um jogo com as palavras, com a memória, com o intelecto. Mas, no estado de escuta silenciosa, não há lugar para certo ou errado, compensação ou conclusão. Eles se tornaram, através da compreensão intuitiva, conhecidos ou não.

Seja consciente dos processos de seu corpo e de sua mente e você começará a compreender a si mesmo. Não há diferença entre esta compreensão e a compreensão da totalidade do universo. Sua percepção se abre completamente para a realidade em sua plenitude.

Pode-se pensar uma experiência real?

Uma experiência é um acontecimento. Não pode ser pensada. O pensamento não é a experiência direta, mas a busca e a tentativa de repetir a sensação. Na experiência real, o experimentador está completamente absorvido no experimentado – eles são um, não restando nem memória nem identificação. É uma não-experiência, pois não há ninguém experimentando qualquer coisa.

No campo da tecnologia, a acumulação de experiência é necessária e não leva ao conflito. Mas, no plano psicológico, o qual é orientado em função de agrado e desagrado, a acumulação da experiência fortalece o ego e nega a possibilidade da experiência real: a não-experiência.

O ponto mais elevado e amadurecido de uma experiência é a liberdade da unidade sem sujeito e objeto. Esta não é a unidade da experiência mística, que é ainda um estado em que se entra e sai. A experiência real não é uma busca de prazer em qualquer nível porque a satisfação é a sensação que não foi plenamente reabsorvida. É o remanescente de uma experiência incompleta, uma repetição das projeções da memória. A mente, então, fica entediada e busca experiências novas. Na não-experiência real, nenhum resíduo é deixado. Ela nos traz de volta a todo momento para nossa natureza atemporal.

Como posso libertar-me do tédio que sinto freqüentemente?

Se vivemos superficialmente e observamos isto, nós nos tornamos conscientes de uma profunda falta ou desconforto que pode aparecer como tédio. Vemo-nos indo de uma compensação à outra. Encare estes momentos de aborrecimento. Realmente, perceba-os sem justificação ou conceituação. Você deve libertar a percepção, deixando-a desdobrar-se em sua consciência. Então, uma transformação acontece em todos os níveis. Toda a energia que estava dispersa e localizada em hábitos fixos se libera e recombina. Cada circunstância requer uma reorganização de energia que é perfeitamente adequada a uma situação. Na reorganização completa que acontece, a energia que estava anteriormente dissipada no tempo psicológico “retorna” e desaparece em nossa presença atemporal.

Você diz que, quando vivemos na liberdade da relação sujeito-objeto, vivemos no atemporal. Mas nossos corpos vêm e vão, o sol se levanta e se põe; não estamos, no final das contas, ligados ao tempo?

O que você chama “tempo” está claro para você? É verdadeiro que o homem sempre está criando tempo. O tempo psicológico é pensamento baseado na memória. É essencialmente o passado, e nós revivemos continuamente o passado através dele. De fato, o que chamamos futuro é apenas um passado modificado. O tempo psicológico nunca está no agora, mas, como um pêndulo, está em constante movimento do passado para o futuro, do futuro para o presente, em rápida sucessão. Existe apenas no plano horizontal do ter -devir, do prazer-desprazer, da avidez-contenção, da segurança-insegurança. É a origem da miséria e do conflito. A compreensão psicológica do tempo e do espaço é o caminho para a meditação e para o viver correto.

O tempo cronológico, astronômico, está baseado igualmente na memória, mas é uma memória puramente funcional, livre da intervenção do ego, da vontade. É essencialmente presente. Os eventos prosseguem em sucessão ordenada e, desde que não há movimento entre o que chamamos passado e futuro, não há conflito.

A vida é o presente, mas quando nós pensamos, pensamos em termos de passado ou futuro. Viver no agora implica uma mente livre de balanços e recapitulações, livre de ambição e esforço. No presente, não há nenhum pensamento; os pensamentos estão fundidos na totalidade. Viver o momento contém todos os acontecimentos possíveis, de modo que não há lugar para o tempo. Tudo pode ser resumido nisto: o tempo é pensamento e o pensamento aparece no tempo. A beleza e a alegria são reveladas apenas no tempo.

Você diz com freqüência que a ação correta não é uma questão de moralidade, mas surge naturalmente da espontaneidade. Como eu posso chegar a essa espontaneidade?

A espontaneidade vem com a escuta e resulta na compreensão. Na audição incondicionada, a qual é silêncio, livre de toda agitação e conceito, a situação é vista em sua inteireza e é desta visão total que surge a ação instantânea apropriada.

É óbvio que uma ação que procede do pensamento consciente não pode ser espontânea. É igualmente verdadeiro, mas menos óbvio, que as ações que decorrem do hábito, da inclinação ou do instinto não podem ser também espontâneas; porque o hábito e o instinto são condicionados, automáticos e mecânicos, e as ações que surgem da inclinação são motivadas pela justificação, racionalização e conflito. Todas estas são regidas pelo pensamento inconsciente. De fato, apenas podemos chamar de ação aquilo que surge da espontaneidade. Tudo o mais não está livre da interferência e é, portanto, reação.

Para revelar a espontaneidade, o pensamento consciente e o inconsciente devem terminar. Todas as projeções do intelecto devem cessar para que a espontaneidade criativa possa operar. O esforço intelectual e o cultivo da força de vontade são inúteis na integração da espontaneidade. A mente deve tornar-se humilde e sensitiva, livre de violência, orgulho e ambição. Então, a inteligência real pode funcionar.

Quando o intelecto se torna silencioso através da observação, através da audição, a natureza básica da mente sofre uma transformação. Esta transformação atinge ao máximo os impulsos e movimentos de nossa vida animal. O intelecto se converte em pensamento claro à luz da inteligência que a tudo integra e nasce um ser humano em toda sua beleza.

A vida é vivência espontânea intocada pelo tempo.

O que pode dizer sobre a moralidade social e convencional?

Quando permite que o Supremo se encarregue de você, a espontaneidade é virtuosa e vai além da moralidade social e convencional.

Pode-se ser ativo em silêncio?

O silêncio é nosso estado natural. É o fundamento de tudo. Nenhuma concentração é necessária para estar nele. Enquanto estivermos envolvidos na percepção, nós viveremos no tempo, isto é, apenas no plano horizontal. Mas o silêncio é atemporal. Está no centro onde se encontram tempo e eternidade, onde o horizontal e o vertical se juntam. Este ponto é o coração.

Habitualmente, em nosso envolvimento com objetos, nós não percebemos realmente as coisas como elas são, mas as vemos apenas como projeções do ego. A menos que permitamos o florescimento de nossas percepções no silêncio sem ego, não poderemos conhecer verdadeiramente a realidade. Você vê esta flor? Permita que ela chegue a você em sua plenitude sem impor sua mente sobre ela. A observação verdadeira é multidimensional. Você vê, ouve, saboreia, cheira, sente, com todo seu ser, globalmente. A visão verdadeira é receptividade vigilante, passividade ativa. Nesta observação, um objeto pode aparecer, mas não se é dirigido para ele.

O que pensar sobre a morte, e como podemos enfrentar esta experiência?

O pensamento aparece no silêncio e desaparece no silêncio. Algo que aparece e desaparece em algo, não é senão este algo.

Igualmente, o que você acredita ser também aparece e desaparece no silêncio. O que você entende por morte não é nada senão um indicador que aponta para o silêncio, para a própria vida. A morte não tem realidade. Mas se não vê desse modo, permanece como uma idéia estagnada na qual você está aprisionado. Enquanto você se tomar por uma entidade independente, está submetido ao karma. Coloquemos de outra forma: antes de falar da morte, pergunte-se o que é a vida. Toda percepção existe apenas porque é existência presente e eterna. Este é o plano de fundo da vigília, do sonho e do sono profundo. No conhecimento vivo, no presente, o problema da morte não tem significado."

(A Natureza do Ser - Nisargadatta Maharaj - diálogos com Jean Klein)