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GERAL => O que é o espiritismo => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 13 de Outubro de 2017, 15:36

Título: Espiritismo e Progresso
Enviado por: dOM JORGE em 13 de Outubro de 2017, 15:36
                                                              VIVA JESUS!





             Bom-dia! queridos irmãos.




                    Espiritismo e Progresso




                    Quando falamos em Espiritismo, nos vem logo uma imagem de religião. Mas devemos nos lembrar que, o codificador não fundou religião alguma. Ele sempre tomou muito cuidado em falar do Espiritismo. Ele não falava Religião Espírita, e sim Doutrina Espírita. Uma doutrina filosófica religiosa que tem como base a fé raciocinada. Nada a ela é atribuída que não tenha passado por perguntas.

O Espiritismo ao chegar no Brasil acabou se consolidando como religião. Pois seu caráter seria esse. Oferecer uma boa conduta. É uma Doutrina que tem um caráter religioso, pois tem em seus princípios a crença em Deus e em Espíritos, e além disso carrega a convicção de que a vida não cessa após a morte da carne, e ainda que, retornaria quantas vezes se fizesse necessário.
O Espiritismo tomou esse rumo, sendo chamado até mesmo de religião, pois sabemos que “não cai uma folha de árvore sem a permissão de Deus”.

Sendo assim, vemos que o Espiritismo anda juntamente a Evolução do Ser.
Entre uma das teorias, disse-nos que, o espírito continua a sentir suas emoções, seus desejos e ainda tem vocações. Se um espírito atuasse como médico poderia atuar na área médica após o desencarne. Assim seria útil ao mundo espiritual, ajudando aos outros. Assim como um espírito que foi um professor, motorista, cozinheiro,... E ajudando ao próximo, estaria ajudando primeiramente a si mesmo.

O Codificador afirma então:

"Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará."
(A Gênese - cap 1, it 55)

Por essa frase, vemos que Allan Kardec de modo algum pediu para que as pessoas acreditassem somente na doutrina (no que foi escrito na codificação)e desprezasse o que de "novo" fosse comprovado. Por Exemplo: A Doutrina Espírita não visa a terapia de vidas passadas, mas se os resultados forem os melhores, além de ser provado sua eficácia e verdade, que o Espiritismo aceite a TPV, assim estaria caminhando juntamente ao progresso.

Assim entendemos que o intuito dos espíritos consoladores (espíritos da verdade, da codificação), era que essa Doutrina caminhasse junto da ciência, daquilo que fosse provado, daquilo que fosse uma verdade.

Ainda ressaltou que:

"Se uma nova lei for descoberta, tem a Doutrina Espírita que se por de acordo com essa lei. Não lhe cabe fechar a porta a nenhum progresso, sob pena de se suicidar. Assimilando todas as ideias reconhecidas justas, de qualquer ordem que sejam, físicos ou metafísicos, ela jamais será ultrapassada, constituindo isso uma das principais garantias de sua perpetuidade."
(Obras Póstunas - 2ªparte)

Ele não queria que a Doutrina se fechasse a novas ideias. Muito pelo contrário, disse que: se o espiritismo acompanhar a todas as ideias que fossem verdadeiras e comprovadas, seria uma doutrina que não iria ficar ultrapassada, não ficaria pro passado; Ela simplesmente iria progredir a cada vez mais.

Assim como o Espiritismo era um antes do querido médium mineiro Francisco Cândido Xavier, e o Espiritismo se faz outro após ele. Chico Xavier junto a seu mentor e guias de luz escreveu centenas de livros. Cujo conteúdo detalhava o mundo espiritual. O Livro Nosso Lar, conta-nos sobre como é a vida no outro plano. Coisa que as obras da codificação não detalhava.
E o Espiritismo abriu as portas para essa realidade, e hoje vemos nossa Doutrina tão bem distribuída e tão bem divulgada.

Assim irmãos, como dizia Kardec, se surgir uma verdade nova, que a Doutrina abra os braços a essa verdade. Progredindo Sempre.

Concluímos que:

"Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade." - Allan Kardec
"Nascer, morrer, renascer e ainda progredir sempre, Tal é a Lei." - Allan Kardec
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É Bom Lembrar:

- O Espiritismo não afirma estar acima de nenhuma outra crença.
- Este é um estudo Espírita que respeita a todas as crenças, filosofias e pensamentos.

GRUPO DE ESTUDOS AMIGOS DE CHICO XAVIER








                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Espiritismo e Progresso
Enviado por: dOM JORGE em 16 de Fevereiro de 2021, 05:57
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                     
O Espiritismo ainda
não tem ponto final



“O espírita esclarecido repele esse entusiasmo cego, observa com frieza e calma, e, assim, evita ser vítima de ilusões e mistificações.” (ALLAN KARDEC)


No meio espírita encontramos confrades que veem as obras da Codificação Espírita, que Allan Kardec (1804-1869) publicou, como contendo tudo sobre o Espiritismo, para eles é como se o Mestre de Lyon já lhe tivesse colocado um ponto final, portanto, nada mais teria a ser acrescentado.

Amigos da Associação de Divulgadores do Espiritismo de São Paulo nos informam [1] que, na “Pesquisa para Espíritas 2019”, empreendida pelo confrade Ivan Franzolim, 81,5% dos respondentes disseram que o Espiritismo tem todas as explicações sobre o espírito, reencarnação e as Leis Naturais, portanto, a situação é bem mais grave do que, inicialmente, pensávamos.

Essa visão superficial, que evidencia terem pouco conhecimento doutrinário, é facilmente derrubada com algumas considerações feitas pelo Codificador, ao longo de suas obras. Vamos mencionar algumas delas por ordem cronológica.

1) O Livro dos Médiuns, janeiro de 1861:

[…] Além disso, muitas pessoas pensam que O Livro dos Espíritos esgotou a série das questões de moral e filosofia. É um erro. Por isso julgamos útil indicar a fonte da qual se pode tirar assuntos de estudo, por assim dizer ilimitados. [2] (grifo nosso)

As fontes a que se refere Allan Kardec são os Espíritos Superiores e os vulgares, aqui no sentido de comuns, com os quais ainda temos muito a aprender.

2) Revista Espírita 1864, mês de abril:

 Os Espíritos superiores procedem, em suas revelações, com uma extrema sabedoria; não abordam as grandes questões da Doutrina senão gradualmente, à medida que a inteligência está apta a compreender as verdades de ordem mais elevada, e que as circunstâncias são propícias para a emissão de uma ideia nova. É por isso que, desde o começo, não disseram tudo, e ainda não disseram tudo hoje, não cedendo jamais à impaciência das pessoas muito apressadas, que querem colher os frutos antes de sua maturidade. […] [3] (grifo nosso)

3) Revista Espírita 1865, mês de fevereiro (duas primeiras transcrições) e mês outubro (última transcrição):

Mas, dir-se-á, ao lado destes fatos [referindo-se às manifestações espíritas] tendes uma teoria, uma doutrina; quem vos diz que essa teoria não sofrerá variações; que a de hoje será a mesma em alguns anos?

Sem dúvida, ela pode sofrer modificações em seus detalhes, em consequência de novas observações. Mas estando o princípio doravante adquirido, não pode variar e ainda menos ser anulado; aí está o essencial. Desde Copérnico e Galileu, calculou-se melhor o movimento da Terra e dos astros, mas o fato do movimento permaneceu com o princípio. [4] (grifo nosso)

[…] As lacunas que a teoria atual pode ainda encerrar se encherão do mesmo modo. O Espiritismo está longe de ter dito a última palavra, quanto às suas consequências, mas é inabalável em sua base, porque esta base se assenta sobre os fatos.[5] (grifo nosso)

[…] Esse ensino não está ainda completo, e não se deve considerar o que deram até este dia senão como os primeiros degraus da ciência; pode-se compará-lo às quatro regras por relação aos matemáticos, e não estamos nele ainda senão nas equações do primeiro grau; é porque muitas pessoas não lhe compreendem ainda nem a importância nem o alcance. […]. [6] (grifo nosso)

4) Revista Espírita 1866, mês de julho:

O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão colocar-lhe as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação. [7] (grifo nosso)

5) Revista Espírita 1867, mês de abril:

[…] O Espiritismo não disse ainda a sua última palavra, muito longe disto, não mais sobre as coisas físicas do que sobre as coisas espirituais. Muitas das descobertas serão o fruto de observações ulteriores. O Espiritismo não fez, de alguma sorte, até o presente, senão colocar os primeiros degraus de uma ciência cuja importância é desconhecida. Com a ajuda do que já descobriu, ele abre àqueles que virão depois de nós o caminho das investigações numa ordem especial de ideias. Não procede senão por observações e deduções. Se um fato é constatado, se diz que ele deve ter uma causa, e que esta causa não pode ser senão natural, e então ele a procura. Na falta de uma demonstração categórica, pode dar uma hipótese, mas até a confirmação, não a dá senão como hipótese, e não como verdade absoluta. […]. [8] (grifo nosso)

6) A Gênese, publicada em janeiro de 1868:

Além disso, deve-se assinalar que, em nenhuma parte o ensino espírita foi dado de maneira completa. Abarca uma quantidade tão grande de observações, de assuntos tão diversos, que requerem conhecimentos e aptidões mediúnicas especiais, de modo que seria impossível estarem reunidas no mesmo ponto todas as condições necessárias. […].

Desse modo, a revelação é feita parcialmente, em diversos lugares e por uma multidão de intermediários. Dessa maneira, prossegue ainda agora, já que nem tudo foi revelado.[…] [9] (grifo nosso)

[…] Avançando com o progresso, o Espiritismo jamais será superado, pois, se novas descobertas demonstrarem estar em erro em um determinado ponto, ele se modificará sobre esse ponto. Se uma nova verdade se revela, ele a aceita. [10] (grifo itálico do original, negrito nosso)

7) Revista Espírita 1868, mês de dezembro:

Se bem que o Espiritismo não haja dito ainda a sua última palavra sobre todos os pontos, ele se aproxima de seu complemento, e o momento não está longe em que lhe será necessário dar uma base forte e durável, suscetível, no entanto, de receber todos os desenvolvimentos que as circunstâncias ulteriores comportarem, e dando toda segurança àqueles que se perguntam quem lhe tomará as rédeas depois de nós. [11] (grifo nosso)

O programa da Doutrina não será, pois, invariável senão sobre os princípios passados ao estado de verdades constatadas; para os outros, ela não os admitirá, como sempre o fez, senão a título de hipóteses até a confirmação. Se lhe for demonstrado que ela está no erro sobre um ponto, ela se modificará sobre esse ponto. [12] (grifo nosso)

Observe, caro leitor, que cerca de quatro meses antes de desencarnar Allan Kardec ainda afirmava que o Espiritismo não estava completo, que poderia “receber todos os desenvolvimentos que as circunstâncias ulteriores comportarem.”

Em Depois da Morte, de autoria de Léon Denis (1846-2027), encontramos um parágrafo que corrobora tudo isso:



 
[1]   Link: ADE SP

[2]   KARDEC, O Livro dos Médiuns, cap. XXIX, item 343, p. 458.

[3]   KARDEC, Revista Espírita 1864, p. 104.[4]   KARDEC, Revista Espírita 1865, p. 40.

[5]   KARDEC, Revista Espírita 1865, p. 41.

[6]   KARDEC, Revista Espírita 1865, p. 306.

[7]   KARDEC, Revista Espírita 1866, p. 223.

[8]   KARDEC, Revista Espírita 1867, p. 122.

[9]   KARDEC, A Gênese, cap. I, item 52, p. 66.

[10] KARDEC, A Gênese, cap. I, item 55, p. 71.

[11] KARDEC, Revista Espírita 1868, p. 370.

[12] KARDEC, Revista Espírita 1868, p. 377.

[13] DENIS, Depois da Morte, p. 171.

[14] KARDEC, Revista Espírita 1864, p. 104.

[15] KARDEC, Revista Espírita 1864, p. 105.

[16] KARDEC, Revista Espírita 1864, p. 101.

[17] KARDEC, Revista Espírita 1864, p. 102.

[18] KARDEC, Revista Espírita 1864, p. 102.

[19] JOSÉ HERCULANO PIRES, O Espírito e o Tempo, p. 191.

 
            Paulo da Silva Neto Sobrinho









                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Espiritismo e Progresso
Enviado por: dOM JORGE em 16 de Fevereiro de 2021, 06:01
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                     Em Depois da Morte, de autoria de Léon Denis (1846-2027), encontramos um parágrafo que corrobora tudo isso:

A doutrina de Allan Kardec, nascida – não seria demais repeti-lo, da observação metódica, a experiência rigorosa, não pode tornar-se um sistema definitivo, imutável, fora e acima das futuras conquistas da Ciência. Resultado combinado dos conhecimentos de dois mundos, de duas humanidades penetrando-se uma na outra, mas que são todas duas imperfeitas e todas duas em marcha para a verdade e para o desconhecido, a Doutrina dos espíritos transforma-se, incessantemente, pelo trabalho e o progresso e, embora superior a todos os sistemas, a todas as filosofias do passado, permanece aberta às retificações, aos esclarecimentos do futuro. [13] (grifo nosso)

Esse argumento de Léon Denis, foi para nós uma grande surpresa, uma vez que demonstra que desde a 1889, data de publicação da obra, já temos o alerta para não ter o Espiritismo como produto pronto e acabado.

Presumimos que fica bem claro, para todos nós, que não devemos e nem podemos fechar a Codificação de forma a se ter como ponto doutrinário somente o que lá consta, pois agindo assim não seguiremos as orientações de Allan Kardec, e também estaremos nos comportando tal e qual os cristãos tradicionais que fecharam a revelação divina ao que consta na Bíblia, mesmo diante da clareza desta fala de Jesus: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas não podeis agora suportar. Quando vier o Espírito de Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena, […].” (João 16,12-13)

Temos plena convicção de que os estudiosos espíritas sabem que para aceitar algo novo devemos seguir a orientação de Allan Kardec quanto a passar tudo pelo crivo da concordância universal, conforme se pode depreender do artigo Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos, publicado na Revista Espírita 1864:

[…] as instruções dadas pelos Espíritos sobre os pontos da Doutrina não elucidados ainda, não poderiam fazer lei, enquanto estiverem isolados; que elas não devem, por consequência ser aceitas senão sob toda a reservas e a título de informação. [14] (grifo nosso)

A opinião universal, eis, pois, o juiz supremo, aquele que decide em última instância; ela se forma de todas as opiniões individuais; se uma delas é verdadeira, não tem senão seu peso relativo na balança; se é falsa, não pode se impor sobre todas as outras. Nesse imenso concurso, as individualidades se apagam, e está aí um novo fracasso para o orgulho humano. [15] (grifo nosso)

Para efeitos didáticos podemos resumir o Controle Universal do Ensino dos Espíritos – CUEE em três pontos fundamentais, que são:

1º controle: o da lógica e da razão [16]

2º controle: o da unanimidade de opinião da maioria dos Espíritos [17]

3º controle: concordância das revelações feitas espontaneamente por um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros e em diversos países [18].

Assim, se somos partidários do bom senso e da lógica, devemos ter a mente aberta para novas revelações, obviamente, sem nos afastarmos do indispensável critério de avaliação fornecido por Allan Kardec como base para se considerar algo como novo princípio doutrinário, qual seja, o de tudo passar pelo crivo do Controle Universal do Ensino dos Espíritos.

Em O Espírito e o Tempo, José Herculano Pires (1914-1979), detalha de uma forma diferente os pontos do Controle Universal que devem ser observados em novas revelações:

[…] É bom lembrar a regra do “consenso universal”, segundo o qual nenhum espírito ou criatura humana dispõem, sozinhos, por si mesmos, de recursos e conhecimentos para nos fazerem revelações pessoais. Esse tipo de revelações individuais pertence ao passado, aos tempos anteriores ao advento da Doutrina. Um novo ensinamento, a revelação de uma “verdade nova” depende das exigências doutrinárias de:

a) Concordância universal de manifestações a respeito;

b) Concordância da questão com os princípios básicos da Doutrina;

c) Concordância com os princípios culturais do estágio de conhecimento atingido pelo nosso mundo;

d) Concordância com os princípios racionais, lógicos e logísticos do nosso tempo. [19] (grifo nosso)

Não podemos deixar de levar em conta novas revelações, até mesmo porque, como vimos, o próprio Jesus disse a seus discípulos: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora.” (João 16,12), com isso sabemos que a revelação divina é essencialmente progressiva. Logo o Espiritismo não deve ser mesmo considerado uma revelação que contém ponto final, pois, certamente, haverá outras revelações que, no tempo e no espaço, serão compatíveis com o progresso conquistado pela humanidade.


             Paulo da Silva Neto Sobrinho









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!