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GERAL => Mensagens de Ânimo => Meditação => Tópico iniciado por: macili em 08 de Outubro de 2013, 04:13

Título: Os problemas da existência
Enviado por: macili em 08 de Outubro de 2013, 04:13
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Os problemas da existência




O que importa saber antes de tudo é o que somos, de onde viemos, para onde vamos, quais os nossos destinos.

As idéias que fazemos do Universo e suas leis, do papel que cada um de nós deve exercer sobre este vasto teatro, tudo isso é de uma importância capital.

É de conformidade com elas que dirigimos os nossos atos.

É consultando-as que fixamos um alvo à nossa vida, e para ele caminhamos. Eis a base, o verdadeiro incentivo de toda a civilização.Conforme for o ideal, assim é o homem. Para as coletividades, da mesma forma que para o indivíduo, a concepção do mundo e da vida é que determina os deveres; mostra o caminho a seguir,as resoluções a adotar.

Mas, já o dissemos, a dificuldade de resolver esses problemas faz muitas vezes rejeitá-los. A opinião do maior número é vacilante, indecisa; os atos, os caracteres se ressentem. Nisso consiste o mal da época, a causa da perturbação que pesa sobre todos.

Há o instinto do progresso; quer-se caminhar, mas para onde ir? Ninguém pensa nisso suficientemente.

O homem ignorante dos seus destinos é semelhante ao viajante que percorre maquinalmente a sua rota, sem conhecer o ponto de partida nem o ponto de chegada, e mesmo sem saber qual o motivo da sua viagem; do que resulta, sem dúvida, o estar sempre disposto a parar diante do menor obstáculo e a perder o tempo sem cuidar do alvo que deve atingir.

O vácuo e a obscuridade das doutrinas religiosas, os abusos que elas engendraram, lançam muitos espíritos no materialismo. Ficam dispostos a acreditar que tudo acaba com a morte, que o destino do homem é o de desaparecer no vácuo.

Demonstraremos mais adiante como esse modo de ver está em oposição flagrante à experiência e à razão. Digamos desde já que isso é contrário a toda noção de justiça e progresso.

Se a vida está circunscrita entre o berço e a tumba, se as perspectivas da imortalidade não vêm esclarecer a nossa existência, o homem não tem outra lei que não seja a dos seus instintos, dos seus apetites, dos seus gozos.

Pouco importa que ame o bem, a eqüidade. Se nada faz que aparecer e desaparecer deste mundo; se leva consigo para o olvido as suas esperanças e afeições, ele sofrerá tanto quanto mais puras e elevadas forem suas aspirações; amando a justiça, como soldado do direito, acreditar-se-á condenado a jamais ver a sua realização; apaixonado pelo progresso, sensível aos males dos seus semelhantes, imagina se extinguirá antes de ver triunfar seus princípios.

Com a perspectiva do nada, quanto mais praticardes a abnegação e a justiça, tanto mais vossa vida será fértil em amargores e decepções. O egoísmo bem compreendido seria então a suprema sabedoria; a existência perderia toda a sua grandeza e dignidade. As mais nobres faculdades, as mais generosas tendências do espírito humano acabariam por fornecer, por extinguir-se completamente.

A negação da vida futura também suprime toda a sanção moral. Assim todo ato bom ou mau, criminoso ou sublime, termina com os mesmos resultados. Não há compensação às existências miseráveis, à obscuridade, à opressão, à dor; não há mais consolação nas provas, esperança para os aflitos.

Nenhuma diferença existe, no futuro, entre o egoísta que viveu para si só, e muitas vezes à custa dos seus semelhantes, e o mártir ou o apóstolo que sofreu, sucumbiu no combate pela emancipação e pelo progresso da raça humana. A mesma obscuridade os encobrirá.

Se tudo acaba com a morte, o ser não tem nenhum motivo para constranger-se, para comprimir seus instintos, seus gostos. Fora das leis sociais, nada pode detê-lo! O bem e o mal, o justo e o injusto se confundem igualmente, se esvaem no nada. E o suicídio será sempre um meio de escapar aos rigores das leis humanas.

A crença em o nada, ao mesmo tempo que arruína toda a sanção moral, deixa de resolver o problema da desigualdade das existências na parte que toca à diversidade das faculdades, das aptidões, das situações, dos méritos.

Com efeito, qual o motivo por que uns possuem todos os dons do espírito e do coração, favores da fortuna, quando muitos outros só tiveram em partilha pobreza intelectual, vícios e misérias? Por que na mesma família, parentes, irmãos, nascidos da mesma carne e do mesmo sangue diferem essencialmente sobre tantos pontos de vista?

Estas questões são insolúveis para os materialistas, da mesma forma que para muitos crentes; entretanto, vamos examiná-las sumariamente à luz da razão.





Obra: O Porquê da Vida, por Léon Denis
Título: Re: Os problemas da existência
Enviado por: lconforjr em 11 de Outubro de 2013, 22:05
      Amigos,

      Todos os problemas são um único problema, e têm uma única causa.

      Todos os problemas da existência têm uma única causa, e se resumem num só: na ignorância, que começa do fato de ignorarmos "o que" e "quem somos", e o que a vida e o mundo são na realidade.

      Resolvido esse, todos os demais estarão resolvidos. Dores, conflitos, ignorância, imperfeições, defeitos morais, se dissolverão como fumaça.

      E esse problema é resolvido com o conhecer a "verdade que salva", como disse Jesus.

      Esse problema é a causa de todos os demais. Pela nossa ignorancia, não sabemos nossa verdadeira identidade, devido a que, compulsoriamente, somos colocados sob os efeitos da matéria (obstáculo enorme para nossa interpretação das coisas),  e "matriculados" num mundo desconhecido (do qual, por estarmos mergulhados na carne, tudo ignoramos).

      Este mundo chamado de escola de espíritos, nada mais é do que uma escola do bem e do mal. Frente a suas ameaças, inconscientemente criamos uma defesa psicológica que dará lugar àquilo a que a doutrina chamou de "a maior chaga da humanidade", o egoísmo.

      É ele o causador de todos os males referentes aos relacionamentos entre todas as criaturas, humanas e não humanas.

      O egoísmo, portanto, resulta da ignorância, de o que somos e do que o mundo é e, dessa ignorância, resultam todos os demais problemas, mas sempre independentes de nossa vontade ou escolha, pois provenientes de causas naturais.

      Cessada a ignorância, pela percepção da verdade, cessarão todos os problemas (pois que têm nela sua origem), pois ficamos conhecendo quem somos e o que o mundo é; e o egoismo, produzido que fora pela ignorância, cessa e, consequentemente, cessam todos os males que, antes, causávamos aos semelhantes, ao mundo e a nós mesmos.

      Todos os nossos problemas, cuja única causa é a ignorância, estarão resolvidos com a extinção desse único problema, que é a ignorância, no qual estavam embutidos todos os demais.

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