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GERAL => Mensagens de Ânimo => Meditação => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 18 de Dezembro de 2020, 20:10

Título: Natal
Enviado por: dOM JORGE em 18 de Dezembro de 2020, 20:10
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.



                   
             Natal




Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade

 
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”

Resposta: "Jesus!" [1]

 

Conta-nos Emmanuel[2] que, segundo constam nas tradições do Mundo Espiritual, “existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Supremo Senhor do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as Coletividades Planetárias e, ao que nos foi dado saber, essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual Jesus é um dos membros divinos, apenas já se reuniu, nas proximidades da Terra, para a solução de problemas decisivos da organização e da direção do nosso Planeta, por duas vezes no curso dos milênios conhecidos:

A primeira verificou-se quando o Orbe terrestre se desprendia da nebulosa solar, a fim de que se lançassem, no Tempo e no Espaço, as balizas do nosso sistema cosmogônico e os pródromos da vida na matéria em ignição do planeta.   A segunda deu-se quando se decidia a vinda do Senhor à face da Terra, trazendo à família humana a lição imortal do Seu Evangelho de amor e redenção”.

Ensina o Mestre lionês1: “para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lO oferece como o mais perfeito modelo e a Doutrina que ensinou é a expressão mais pura da Lei do Senhor, porque sendo Ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino O animava.”

Com o Espírito André Luiz aprendemos[3]: “antes d`Ele, grandes comandantes da ideia haviam pisado no chão do mundo, influenciando multidões:  guerreiros e políticos, filósofos e profetas, alinhavam-se na memória popular, recordados como disciplinadores e heróis, mas todos desfilaram com exércitos e fórmulas, enunciados e avisos, em que se misturam retidão e parcialidade, sobra e luz.”

Discorrendo sobre o advento do Cristo, diz Emmanuel[4]: “as legiões angélicas, junto à manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não apresentaram qualquer palavra de violência, senão: glória a Deus no Universo; paz na Terra; boa-vontade para com os homens.

O Pai Supremo, legando a Nova Era de segurança e tranquilidade ao mundo, não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir; nem castigo ao rico avarento; nem punição ao pobre desesperado; nem desprezo aos fracos; nem condenação aos pecadores; nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso; nem anátema contra o gentio inconsciente.  Derramava-se o Tesouro Divino pelas mãos de Jesus a serviço da boa-vontade.  A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontra, enfim, o Amor disposto à sublime renúncia até à Cruz. E daquele inolvidável momento em diante, a Terra se renovaria.  O algoz seria digno de piedade; o inimigo converter-se-ia em irmão transviado; o criminoso passaria à condição de doente. Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais seriam relegados ao abandono nos vales da imundície.

Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento”.

André Luiz canta, também, as alvíssaras do Sublime Advento3: “Ele chega sem qualquer prestígio de autoridade humana, mas, com a Sua magnitude moral, imprime novos rumos à vida, por dirigir-Se, acima de tudo, ao Espírito em todos os climas da Terra... Transmitindo as ondas mentais das Esferas Superiores de que procede, transita entre as criaturas, despertando-lhes as energias para a vida maior, como que a tanger-lhes as fibras recônditas, de maneira a harmonizá-las com a sinfonia universal do bem eterno. Para recepcionar o influxo mental de Jesus, o Evangelho nos dá notícias de uma pequena congregação de médiuns, à feição de transformadores elétricos conjugados, para acolher-Lhe a força e armazená-la, de princípio, antes que se lhe pudesse canalizar os recursos. E longe de anotarmos aí a presença de qualquer instrumento psíquico menos seguro do ponto de vista moral, encontramos importante núcleo de medianeiros, desassombrados na confiança e corretos na diretriz.

Informamo-nos, assim, nos apontamentos da Boa Nova, de que Zacarias e Isabel, os pais de João Batista, precursor do Médium Divino, “eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor”[5]; que Maria, a jovem simples de Nazaré, que acolheria o Embaixador Celeste nos braços maternos, se achava “em posição de louvor diante do Eterno Pai”[6]; que José da Galileia, o varão que O tomaria sob paternal tutela, “era justo”[7]; que Simão, o amigo abnegado que O aguardou em prece, durante longo tempo, “era justo e obediente a Deus”[8]; e que Ana, a viúva que O esperou em oração, no Templo de Jerusalém, por vários lustros, vivia “servindo a Deus” [9].  Nesse grupo de médiuns admiráveis, não apenas pelas percepções avançadas que os situavam em contato com os Emissários Celestes, mas também pela conduta irrepreensível de que forneciam testemunho, surpreendemos o circuito de forças a que se ajustou a onda mental do Cristo, para daí expandir-se na renovação do mundo.”

Aduz a nobre mentora Joanna de Ângelis[10]: “(...) após o malogro das ruidosas fantasias e dos turbulentos gozos, vibram na Terra as notas de doce canção de paz, penetrando e enlevando as criaturas ansiosas. São as alegrias do Natal que chegam, refazendo o espírito humano, aturdido e descoroçoado pela infatigável busca dos valores que, então, contacta mortos.

Convite à reflexão, o Natal faz recordar o Excelso Amigo, participando das justas alegrias de uma boda e do grave doce encontro com a mulher surpreendida em adultério...

Evoca o Senhor das forças vivas da Natureza, repreendendo os ventos e o mar, e convidando gárrulas crianças ao regaço, por pertencer-lhes, na Natureza de que se fazem símbolo o Reino de Deus...  Atualiza o diálogo, de alcance transcendente, com o príncipe e doutor da Lei sobre os renascimentos no corpo, e fala do soerguimento do filho da viúva de Naim, do servo do Centurião, e de Lázaro, do torpor da catalepsia e da morte para as excelências da ação lúcida...

Faculta uma visão nova da vida à luz do Sermão da Montanha, exaltando, nestes dias de truculência, a grandeza da humildade, a força da fé e a operosidade da “não violência”...

O Natal é oportunidade feliz para cada homem voltar-se para dentro de si, fazer paz consigo próprio, valorizar a bênção da vida física que se esvai célere, e amar...

As alegrias do Natal proporcionam ensanchas para cada um felicitar-se mediante as doações de amor que se permita, renovando as paisagens íntimas e, dando um passo além do “eu”, distender a solidariedade com os que sofrem, os que se amarfanham na luta, os que se desesperam, os que se sentem a sós, os pequeninos e velhinhos ao abandono nas ruas e nos campos, dilatando até eles a ternura e facultando-lhes sorrisos, através da ação do bem, que transforma o homem em anjo de amor e fá-lo repetir quase em silêncio, novamente, a sonata inesquecível dos Céus dirigida aos ouvidos do mundo atento: - glória a Deus nas alturas e paz na Terra para os homens de boa-vontade!...”     

Natal, para o espírita deve ser assim como uma canção, que fala de amor, de paz, alegria e de um mundo novo com Jesus!... Integremo-nos na Divina Sinfonia em uníssono com a plêiade de Espíritos mais diretamente ligados a Jesus, para que possamos também recepcionar-Lhe o influxo mental a fim de esparzi-lo junto aos nossos irmãos em humanidade, em especial com os “Filhos do Calvário”.

 

[1] - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 88.ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, q. 625.

[2] - XAVIER, Francisco Cândido.  A caminho da luz.  37.ed. Rio [de Janeiro]: 2008, cap. I.

[3] - XAVIER, Francisco Cândido.  Mecanismos da mediunidade. 4.ed. Rio [de Janeiro]: 1973, cap. XXVI.

[4] - XAVIER, Francisco Cândido.  Fonte viva. 10.ed. Rio [de Janeiro]: 1982, cap. 180.

[5] - Lucas, 1:5

[6] - Lucas, 1:30

[7] - Mateus, 1:19

[8] - Lucas, 2:25

[9] - Lucas, 2:37

[10] - FRANCO, Divaldo. “Responsabilidade”. Salvador: LEAL, 1987, cap. 20.

 
           Rogério Coelho









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Natal
Enviado por: dOM JORGE em 21 de Dezembro de 2020, 13:56
                                                              VIVA JESUS!




            Bom-dia! queridos irmãos.




                   
Natal: tempo de solidariedade e gratidão


É possível afirmar-se, sem grande margem de erro, que durante o ano inteiro, todos os dias recordam uma qualquer efeméride: seja um acontecimento mundial, de cariz social, cultural, científico, bélico, histórico, religioso, hagiográfico; seja, ainda, no âmbito das diversas profissões, biografias de grandes figuras mundiais, descobertas tecnológicas, comemorações de eventos que de alguma forma se tornaram referências universais.

O Calendário anual dos Dias ecumênicos, mas, também, nacionais, e dos temas a eles associados, realmente é muito rico, e extenso, de resto, verifica-se ao longo do ano que, por vezes, para um só dia, se revivem diversos acontecimentos e, ainda que, de ano para ano, a lista venha aumentando, e, em alguns casos, haja alteração da data para o mesmo evento.

O Natal é um desses dias universais que, praticamente, em todo o mundo cristão, se celebra com intensa emoção e profunda devoção, esta no que respeita aos rituais religiosos, aos quais e, paralelamente, se desenrola a festa profana, no contexto familiar, num misto de: amor, saudade, gratidão e alegria, na maior parte dos lares portugueses.

Há princípios, valores e sentimentos que, nesta época do ano, se destacam com mais veemência: uns, obviamente, são verdadeiros, vividos e manifestados com grande sinceridade e afetuosidade; outros, com intenções diversas e objetivos bem definidos, não sendo de escamotear o recurso à hipocrisia, à bajulação e à obtenção de benefícios que, de outra forma, tais pessoas não conseguiriam.

A quadra natalina também é propícia à exuberância financeira, e/ou à ostentação de um qualquer poder: através da exibição de ofertas luxuosas às pessoas a quem se quer bem; ou impressionar, ou ainda, cativar para um apoio, eventualmente, inconfessável. O Natal serve para tudo isto, e muito mais.

Mas abordemos este período do ano tão sublime quanto respeitável, para destacar os sentimentos da saudade para aquelas pessoas, amigas, familiares e de quem gostamos, para com elas convivermos e recordarmos bons momentos de convívio, seja no âmbito acadêmico, social, profissional e de lazer que, ao longo dos anos, ocorreram.

De igual forma, não se podem ignorar os valores da Solidariedade, da Humildade e da Gratidão que, nesta época do ano, para muitas pessoas, se transformam em autênticos atos de benevolência para com familiares, amigos e colegas, pelo menos durante alguns dias, o mundo conflituoso parece ficar afastado dos pensamentos, e das ações de grande parte da humanidade.

O Natal presta-se muito bem para comportamentos solidários, verificando-se que muitas pessoas doam a outras alguns dos seus bens e, uma situação interessante, é que uma faixa significativa de uma população mais pobre não olha esforços, nem despesas para ajudar quem mais precisa, justamente através dos peditórios promovidos por diversas entidades, habitualmente, privadas.

Com efeito, tais intervenções, promovidas por grandes instituições, como Cruz Vermelha, Misericórdias, Banco Alimentar, diversas Organizações Não Governamentais e Instituições Particulares de Solidariedade Social, com todo um corpo de voluntariado, angariam bens de primeira necessidade para serem entregues às pessoas em dificuldades.

Este espírito solidário, tão característico do povo Português, faz-se notar ao longo do ano, no entanto, é em situações de catástrofe ou em períodos mais simbólicos, como o Natal, que a dádiva é, praticamente instintiva, porque este valor de que tanto nos orgulhamos, ultrapassa fronteiras, como é sabido. Importa destacar que a solidariedade não é um conceito vazio, nem tão pouco negociável, porque implica autenticidade, bondade e humildade.

O Natal que, um pouco por todo o mundo, ainda se comemora com a dignidade que se impõe, propicia às famílias, aos amigos e até aos conhecidos mais chegados, momentos de intensa confraternização, onde a saudade dos que estiveram ausentes vem, emocionalmente, à “flor da pele”, para, por entre abraços, beijos e lágrimas, estas de alegria e felicidade, as pessoas “matarem” as saudades, tantas vezes quantas necessárias, até que os corações se acalmem.

Como seria magnífico se em todos os dias do ano se festejasse o Natal, numa perspectiva de amor, de paz e de felicidade. Infelizmente, tais como muitos outros dias festivos, que se celebram ao longo do ano, assim não acontece, o que, se por um lado não constituiu um mal maior; por outro lado também permitiu viver este período da família com mais veemência.

Este período de tempo também poderá ser aproveitado para uma revisão da percepção, relativamente ao que fizemos durante os restantes 364 dias, porque em boa verdade, ao longo dos anos, ou dos anos ou até de décadas, muitos erros foram cometidos: uns, involuntariamente; outros, propositadamente, por isso, é chegado o momento de acertarmos as contas com o “tribunal da nossa consciência”.

O contexto natalino importa que seja experienciado sem mágoas, sem aversões e, acima de tudo, que os sentimentos negativos sejam substituídos por afetos positivos, no mínimo, que a partir destes, se inicie um processo de reconciliação para com as pessoas que, ao longo do ano, ou dos anos, estiveram de costas voltadas para nós e, provavelmente, também nós não teremos agido da melhor forma, logo, é  necessária a nossa compreensão, benevolência,  generosidade e humildade para que possamos retomar o que, possivelmente, há décadas terá sido interrompido, quantas vezes sem se saber as razões de tais comportamentos.

O Natal é união da família, certamente, mas essa circunstância constitui, apenas, uma parte da grandeza que devemos dar ao dia do nascimento de Jesus Cristo, obviamente, na perspectiva dos devotos católicos, porque outras manifestações, realizadas por crentes noutras dimensões religiosas, seguramente que devem ser respeitadas, sem censuras, nem condenações, até porque poderá  alguém afirmar com total certeza quem é que neste mundo está certo ou errado, no que respeita a uma possível vida espiritual para além da morte física?

No âmbito das nossas tradições natalinas: sejam de natureza religiosa cristã; sejam no âmbito dos festejos profanos; sejam, ainda, ao nível da solidariedade para com os mais necessitados, a verdade é que deveremos colocar de lado todas e quaisquer divergências, que nos tenham separado no passado e, retomemos agora uma vida de harmonização, de amor, de paz e de felicidade.

Neste Natal de 2020, e no que a Portugal respeita, haverá melhores condições materiais para que as pessoas, as famílias, os trabalhadores, os empresários e todo o tecido econômico-social possam “respirar” um pouco de uma carga fiscal brutal que, durante alguns anos lhes foi imposta, de fora para dentro, desnecessariamente, conforme se tem vindo a comprovar.

Portugal e os Portugueses, em geral, têm razões para festejar este Natal com redobrada esperança num futuro melhor; com perspectivas de um nível de vida superior a que, legal e legitimamente têm direito; portanto, haverá motivos que justificam acreditar que o pior terá passado, que soubemos vencer os obstáculos que nos foram colocados, razões mais que suficientes para encararmos este Natal com otimismo, com alento e alegria.

Desperdiçar esta quadra tão importante na vida das pessoas, das famílias, das organizações pode significar mais uma oportunidade perdida, no caminho do Bem Comum, do Amor, da Paz e da Felicidade. Não querer aderir, com entusiasmo, às seculares e salutares tradições religiosas e profanas portuguesas, é colocar-se à margem de uma comunidade civilizada, culta e humanista, como é a Portuguesa, em particular, e a sociedade Lusófona em geral.

Independentemente da crítica, já muito banal, que muitas pessoas fazem, quando afirmam que “Natal deveria ser todos os dias”, com a qual até se concorda, a verdade é que, se pelo menos uma vez por ano, houver um esforço de boa vontade, de afeto sincero e de alegria, então vale a pena esperar um ano para se vivenciar este dia, com a dignidade que tanto nos caracteriza.

Aproveito para lhes desejar: Um Santo e Feliz Natal, com verdade, com lealdade, com reciprocidade, se possível, com gratidão, seja no seio da família, seja com outras pessoas, com aquela amizade de um sincero «Amor-de-Amigo», com um sentimento de tolerância, de perdão e muito reconhecimento para com todas as pessoas que, ao longo da nossa vida, nos têm ajudado, compreendendo-nos e nunca nos abandonando. É este Natal que eu desejo festejar com muita alegria, pesem embora as atuais restrições e condicionalismos, impostos por uma pandemia cruel e mortífera.


Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo









                                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!