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GERAL => Mensagens de Ânimo => Meditação => Tópico iniciado por: macili em 03 de Outubro de 2012, 18:48

Título: Depoimento da Atriz Ana Rosa sobre a dor da perda de uma filha.
Enviado por: macili em 03 de Outubro de 2012, 18:48
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Depoimento da Atriz Ana Rosa
sobre a dor da perda de uma filha



Algumas vezes eu representei cenas de perdas de entes queridos em novelas. No dia 17 de novembro de 1995, no velório de minha filha Ana Luisa, nascida em São Paulo no dia 10 de dezembro de 1976, eu não queria acreditar que estivesse vivendo aquilo de verdade.
No dia seguinte, saí para comprar alguns presentes de Natal. Afinal, meus outros seis filhos ainda estavam ali e precisavam da mãe. Mas eu parecia um zumbi. Numa loja, me senti mal. Tontura, fraqueza, parecia que meu peito iria explodir, que eu não iria agüentar tanta dor. Pedi à vendedora que me deixasse sentar um pouco. Eu estava quase sufocando, as lágrimas queriam saltar de meus olhos. Mas eu não queria chorar. Queria esconder minha dor, fazer de conta que aquilo não havia acontecido comigo. Bebi água, respirei fundo e saí ainda zonza.

Eu sempre acreditei que iria terminar de criar minha filha, como todos os outros. Que iria vê-la formar-se em veterinária. Vê-la casada, com filhos. Achava que teria sempre a Aninha ao meu lado. Um dia, ela me contou que quando era pequena e eu saía pra trabalhar, ela sentia medo de que eu não voltasse. Por isso ficava sempre na porta de casa me olhando até eu sumir de sua vista. Por isso vivia grudada em mim.

Imagino que ela já pressentia ainda criança, que iríamos nos separar cedo. Só que foi ela a ir embora. Foi ela que saiu e não voltou mais. Foi ela que me deixou com a sua saudade. Para amenizar a falta, o vazio que ela deixou, eu ficava horas revendo os vídeos mais recentes com suas imagens. Nossas viagens, festas de aniversários, a formatura da irmã, seu jeitinho lindo tão meu conhecido de sentir vergonha.

Ela com o primeiro e único namorado. O gesto característico de arrumar os cabelos. A sua primeira apresentação de piano. Nesse vídeo então, eu ficava namorando suas mãos de dedos longos e finos. Até hoje eu me lembro de cada detalhe das mãos da Aninha. Assim como me lembro de cada detalhe de seus pés, do seu rosto...

Dali pra frente, o que mais me chocava e surpreendia era que todo o resto do mundo continuava igual. Como se nada tivesse acontecido: o sol nascia e se punha todos os dias, as pessoas andavam pelas ruas. O mesmo movimento, barulho. O mundo continuava a girar. Tudo, tudo igual. Só na minha casa, na minha família, dentro de mim, é que nada mais voltaria a ser como antes. Faltava minha filha, Ana Luisa!

Eu passava, quase diariamente, nos lugares comuns: o colégio Imaculada Conceição, em Botafogo. Cinema, lanchonete, restaurante, o metrô, onde tantas e tantas vezes viajamos juntas. A loja das comprinhas, o shopping, o parquinho, o clube onde fazia natação. A praia de Botafogo onde ela foi atropelada, o hospital Miguel Couto, onde passamos as horas mais angustiosas de nossas vidas.

O cemitério São João Batista, onde repousam seus restos mortais. Até hoje cada um desses lugares me lembra alguma coisa de minha filha. Até hoje guardo as lembranças de seus abraços, seus chamegos, o cheirinho da sua pele, o calor, seu carinho e aconchego. Ana vivia literalmente pendurada em mim. Já grandona, maior que eu, mas sempre como se fosse meu nenê pedindo colo.

Saudade. Saudade. Saudade, minha Aninha.

Não fosse a minha fé e a convicção de que a vida não termina com a morte, não fossem os outros filhos que ainda precisavam de mim, acho que teria pirado. Além da família, o trabalho, a terapia e o estudo da doutrina espírita me deram forças para superar a separação e a falta da Ana Luisa.

Sou e serei eternamente grata ao meu Pai do Céu, porque fui agraciada com muitos sinais de que a separação é apenas temporária. Alguns dias após sua passagem entrei em seu quartinho que ficou inundado pelo cheiro de rosas. Instintivamente fui olhar pela janela. Naturalmente o cheiro não vinha de fora. O perfume intenso era só ali dentro.

Um mês depois, no grupo que eu freqüentava no Centro Seara Fraterna, minha filha se manifestou. Ainda meio confusa pela mudança abrupta e repentina, mas já consciente de sua passagem. Naquela noite, o buraco no meu peito que parecia uma ferida sangrando, mudou de aspecto. Continuava a doer, mas a certeza de que minha filha continuava e continua viva em alguma outra dimensão me trouxe uma nova perspectiva. A de que eu poderia chorar pela sua ausência, nunca pelo seu fim.

Dalí pra frente, algumas vezes vi, em outras pressenti, sua essência ao meu lado. No decorrer desses doze anos, recebi, por acréscimo de misericórdia, um bom número de mensagens dela. Uma das últimas foi através de um médium reconhecido, que foi fazer uma palestra num evento que eu apresentava. Sem que eu esperasse ou solicitasse, ele disse que via uma jovem ao meu lado – me descreveu exatamente minha filha - e que ela me apontava para ele dizendo: é esta aqui, ó.

Esta é que é a minha mãe. Quando me sentei, ele disse que ela sentou-se no meu colo. Entre as várias coisas no recado que me mandou, encerrou dizendo que as violetas (enceno a peça “Violetas na janela” há 11 anos) que ela cultiva onde se encontra, não serão colocadas na janela, e sim, serão usadas para fazer um tapete de flores para eu pisar quando chegar lá.




Fonte: Luz da Existência - http://luzdaexistencia.blogspot.com.br
Título: Re: Depoimento da Atriz Ana Rosa sobre a dor da perda de uma filha.
Enviado por: Décio Carrascosa em 04 de Outubro de 2012, 19:15
Que sorte de ter tido estas respostas e contatos. Perdi meu querido irmão mais novo em julho passado e oro muito por ele e para ter alguma notícia sobre seu novo caminho.
Título: Re: Depoimento da Atriz Ana Rosa sobre a dor da perda de uma filha.
Enviado por: Guadalupe Girassol em 04 de Outubro de 2012, 19:55
Divaldo Franco na Ana Maria 4ª Parte (https://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWx5eVM4Mm1vTEprJmFtcDtOUj0xJmFtcDtmZWF0dXJlPWVuZHNjcmVlbiM=)

Título: Re: Depoimento da Atriz Ana Rosa sobre a dor da perda de uma filha.
Enviado por: macili em 04 de Outubro de 2012, 20:36
Olá queridos Irmãos...

Agradeço o comentário de Décio, esperando que seu irmão esteja
amparado espiritualmente...

e a Guadalupe que compartilhou o Vídeo, com a visita no programa
da Ana Maria Braga do nosso querido Divaldo Franco, Ana Rosa entre
outras pessoas.

Bênçãos de luz e paz!




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Reflexões sobre a passagem da vida terrena para a espiritual




[...]XIII - Sintonia entre os dois Planos



No período que se segue à morte física, os habitantes dos dois planos da vida continuarão a exercer influência recíproca acentuada, em geral insuspeita pelos encarnados. É claro que esta influência perdurará sempre, mas não terá o grau de intensidade dos primeiros tempos de separação. É natural que seja assim porque nós nos alimentamos do magnetismo das pessoas amadas. Quando a morte nos impõe a separação provisória, sentimo-nos lesados no âmago do ser, necessitado de recompor as energias básicas, de rearranjar o circuito de forças magnéticas no qual nos equilibramos. Este raciocínio é válido para os que se encontram nos dois planos da vida.

A influência dos pensamentos e ações dos que permanecem na crosta é tão significativa que, muitas vezes, os desencarnados não conseguem se adaptar à vida nova, vagando sem rumo, perturbados, sem condições de assumir suas funções na verdadeira pátria.
Isso acontece porque há um despreparo generalizado diante da crise da morte.

Encarnados e desencarnados sofrem profundos desequilíbrios psicológicos e espirituais, diante da separação que julgam definitiva, porque para a imensa maioria, sem “olhos de ver”, somente o silêncio dolorido responde aos apelos de parte a parte.

Tudo se passa como se os primeiros chorassem desesperadamente num compartimento da casa, e os últimos em outro, mas incapazes de se entenderem, apesar da proximidade, por absoluta falta de preparo em lidar com esse tipo de comunicação. Todos gritam, mas ninguém se entende.


XIV – Um apelo dos desencarnados aos que ficam

Muitos encarnados clamam desesperadamente pelos que partiram, vertendo lágrima de fel, quando não acalentando idéias de suicídio na enganosa ilusão de reencontrá-los. (...)
Há muito desassossego na vida psíquica dos desencarnados, toda vez que os familiares não aceitam a separação ou procuram vingança, nos casos de desencarnação por assassinato, alimentando os sentimentos inferiores muitas envolvidos nesse processo. (...)

Inúmeros outros comunicantes falam da dificuldade de adaptação ao mundo espiritual por causa da perturbação dos familiares. Esse desequilíbrio, muitas vezes intenso, não lhes permite a própria renovação no plano em que se encontram.

Vamos destacar alguns trechos das cartas dos desencarnados nos quais solicitam a compreensão dos familiares diante da separação. São pontos muito úteis para o nosso próprio preparo diante da morte:

(1) “Vejo seu rosto sem parar, todo banhado em lágrimas sobre o meu e sua voz me alcança de maneira tão clara que pareço carregar ouvidos no coração.
Ah, Mamãe! Eu não tenho o direito de pedir ao seu carinho mais que sempre recebi, mas se seu filho pode pedir mais alguma coisa à sua dedicação, não chore mais.”
(Alberto Teixeira através de Chico Xavier – “Presença de Chico Xavier”)

2) “As lágrimas com que me recordam, caem no meu coração por chuva de fogo, (...), o pensamento é uma ligação, que ainda não sabemos compreender.

Quando estiverem com as nossas lembranças mais vivas, comemorando acontecimentos, não se prendam à tristeza. (...) Posso, porém, dizer-lhes que estou com vocês dois, assim como alguém que carregasse no ouvido um telefone obrigatório. Não estou em casa, mas ouço e vejo quanto se passa.

Nosso amigos daqui me esclaressem que isso passará quando a saudade for mais limpa entre nós. Saudade limpa!. Nunca pensei nisso! Mas dizem que a saudade que se faz esperança no coração, é assim como um céu claro, mas a saudade sem paciência e sem fé no futuro é semelhante a uma nuvem que se prende com a sombra e tristeza aqueles que dão alimento na própria alma.”
(Marilda Menezes através de Chico Xavier – “Novamente em Casa”)

(3) “Estou presente, rogando à senhora que me ajude com a sua paciência.

Tenho sofrido mais com as suas lágrimas do que mesmo com a libertação do corpo. Isso porque a sua dor me prende à recordação de tudo o que sucedeu.

E quando a senhora começa a perguntar como teria sido o desastre, no silêncio do seu desespero, sinto-me de novo na asfixia”.

(William José Guagliardi através de Chico Xavier – “Vida no Além)


“Evidentemente que não vamos cultivar falsa tranquilidade, considerando natural que alguém muito amado parta para o plano espiritual. Por maior que seja a nossa compreensão, com certeza sofreremos muito. No entanto, devemos manter a serenidade, a confiança em Deus, não por nós mesmos, mas sobretudo em benefício daquele que partiu.

Mais do que nunca ele precisa de nossa ajuda, e principalmente de nossas orações."[...]




Fonte: http://pt.scribd.com/doc/7213083/O-Despertar-Da-Borboleta-Reflexoes-Sobre-a-Passagem-Da-Vida-Terrena-Para-a-Espiritual