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GERAL => Outros Temas => Livros Espíritas => Tópico iniciado por: Conforti em 27 de Dezembro de 2012, 17:59

Título: Comentários - texto "A Alma", livro "Depois da Morte", de Leon Denis
Enviado por: Conforti em 27 de Dezembro de 2012, 17:59
   
      Amigos,

      Um amigo trouxe texto de Leon Denis, “A Alma”, do livro “Depois da Morte”, q tentamos comentar juntos. A finalidade de comentar é tentar raciocinar, como recomenda a doutrina, para melhor compreender.
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      Primeiramente, como milhares de outros textos, msg, conselhos, fábulas, poesias etc, se bem observarmos, esse nenhuma explicação contém; é provável q a intenção do autor tenha sido apenas esta: consolar.    

      Amigos, precisamos refletir e raciocinar. Primeiramente, diz o texto q a alma vem de Deus, q somos de Sua mesma essência, “partícula”, “parte” de Deus. Sendo assim, devemos perguntar: porq vindo e ‘sendo parte’ daquilo q, para as religiões, é perfeito, a alma se torna carregada das mais monstruosas imperfeições?

      Outra pergunta: O perfeito pode criar o imperfeito? A perfeição pode produzir imperfeição? De onde vêm as imperfeições? A alma mesma as cria e as coloca em seu íntimo? Não era, de início imperfeita; tornou-se imperfeita; como aconteceu isso?

      Texto: (o espírito, para evoluir, em sua caminhada) precisou passar vias escuras... O objetivo da evolução... não é a felicidade terrestre, mas o aperfeiçoamento, e devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor... Se há na Terra menos alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento por excelência da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio.

      Cel: nova pergunta: terá a suprema sabedoria, a suprema misericórdia, idealizado e criado um processo evolutivo no qual o ingrediente mais eficiente para fazer progredir é o sofrimento?

      Terá o Criador criado seres, nós mesmos, tão imperfeitos, de mentes tão néscias, q só aprendemos q, para caminhar para o aperfeiçoamento, esse caminho tem de ser feito à força de dores e sofrimentos, como se, à força de chicotadas, a Lei nos force a caminhar?

      Devemos, assim, crer q cânceres, deformações físicas e mentais, demência, ver o filhinho agonizando com terríveis dores nos seus braços, ou terem os pés amputados a machadadas; a filhinha, sua alegria e razão de viver, ser cruelmente estuprada e assassinada na sua frente etc, são, como diz Denis, “excelentes instrumentos”, preparados pelo Supremo amor e suprema sabedoria, sem os quais a alma não progrediria? Ou essa afirmação não passa de uma tentativa de consolar, mitigar a dor dos q sofrem?

      Outro ponto a raciocinar: se o objetivo da evolução é nos tornar perfeitos, o q foi q nos levou a nos tornar tão imperfeitos, ao ponto de termos de ser “chicoteados” para nos aperfeiçoar? Já q temos liberdade de escolher, devemos crer q nós mesmos escolhemos nos carregar de imperfeições? Desejamos e decidimos possuir defeitos morais, os mais monstruosos, como vemos no mundo e, em consequência, sofrer por possuí-los?

      Se isto é verdade, porq se diz q Deus, o Criador (q ninguém conhece, mas q constantemente sobre Ele dizemos isto e aquilo e até lhe conferimos atributos, baseados nas virtudes humanas) é supremo amor e inteligência, sabedoria e justiça? Como entender isso?

      Texto: Assim, a vida do ser consciente é uma vida de solidariedade e liberdade. Livre dentro dos limites que lhe assinalam as leis eternas, faz-se o arquiteto do seu destino. O seu adiantamento é obra sua.

      Cel: será mesmo a alma a construtora de seu destino? É ela mesma q se faz boa ou má? Onde ela aprende a ser boa ou a ser má, a agir corretamente ou a agir incorretamente? Ela se torna assim carregada das mais monstruosas imperfeições na erraticidade, ou na própria escola para onde é mandada para se libertar das imperfeições? A bondade e a maldade brotam de sua cabeça, de sua mente, espontaneamente? Ou são as experiências/lições pelas quais passa na vida q a tornam boa ou má, feliz ou infeliz, honesta ou desonesta?

      Será q aquele q é bom, é bom simplesmente porq escolheu ser bom? Que o mau escolheu ser mau? Porq, podendo escolher caminhar no bem e, em consequência, ser feliz, alguém, de sã consciência, escolhe caminhar no mal e, em consequência, ser infeliz? É mais q evidente q somente o q não tem a mente sã, o louco, o desequilibrado, o extremamente ignorante, fará escolha tão errada, concordam?

      Texto: Nenhuma fatalidade a oprime, salvo a dos próprios atos, cujas consequências nele recaem;

      Cel: aqui é preciso colocar outra pergunta: isso significa q não a oprimem o medo, a insegurança, a maldade, a injustiça, as humilhações, os vulcões e terremotos, os tsunamis e inundações, epidemias e guerras e tantas coisas mais? Os sofrimentos dos filhos e familiares queridos? O sofrimento do mundo? Como, então, dizer-se q nada a oprime? Como entender isso?

      E, qto às consequências de seus atos errados? Se sabe q tais consequências, forçosamente, lhe virão, porq os pratica? Não consegue deixar de praticá-los? Não quer deixar de praticá-los?

      Texto: A Lei de justiça requer que, por sua vez, sejam emancipadas, libertadas da vida inferior todas as almas. Todo ser que chega à plenitude da consciência deve trabalhar para preparar aos seus irmãos uma vida suportável, um estado social que só comporte a soma de males inevitáveis.

      Cel: como entender as palavras acima? “Dever” significa “obrigação”, “necessidade de cumprir compromissos” mas, esse q chegou à emancipação, nada faz por dever, mas por amor; a natureza daquele que  “chegou” é amor; nela não há sequer um pensamento q não seja de amor.

      Texto: Esses males, necessários ao funcionamento da lei de educação geral, nunca deixarão de existir em nosso mundo, pois representam uma das condições da vida terrestre.

      Cel: novamente Leon Denis, com tantos outros, afirma q o Onisciente não sabe criar outro método de evoluir q não seja o da dor. Que só sofrendo os males q o mundo nos oferece, o espírito progride. Está dizendo que o amor perfeito, a suprema misericórdia, nos dá, à força, sofrimentos terríveis sem os quais não saberíamos caminhar! Que os sofrimentos q vemos no mundo vêm de Suas mãos! Será isso mesmo? Dizem q os males são criados pelos homens, mas então existirá, para a evolução do espírito, outro plano, um q não esteja alicerçado na dor? Quem pode esclarecer?

      Texto: Como, sem a dor, havíamos de conhecer a alegria; sem a sombra, apreciar a luz; sem a privação, saborear o bem adquirido, a satisfação alcançada? Eis aqui a razão por que encontramos dificuldades de toda sorte em nós e em volta de nós.

      Cel: aí estão, apenas, palavras bem colocadas, com q se procura aliviar, um pouco q seja, as amarguras do homem. É o mesmo q dizer q sem a luz, não entenderíamos a escuridão, ou q sem a alegria, não conheceríamos a tristeza. Apenas palavras bem colocadas, q o homem não mais estranha porq já as ouve desde muito tempo.

      Afinal, quem é q pode ajudar a compreender as dúvidas apontadas acima?
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Título: Re: Comentários - texto "A Alma", livro "Depois da Morte", de Leon Denis
Enviado por: Rubens Freitas em 28 de Dezembro de 2012, 20:36
É, amigo, são questões realmente intrigantes. Dá licença de fazer algumas colocações de como vejo a coisa? De início temos de partir de algumas premissas, senão poderemos parar por aqui mesmo. Deus existe, criou o mundo e com alguma finalidade positiva. E que o mundo criado por Ele tem leis perfeitas. Feito isso vamos aos fatos: que o sofrimento existe é fato. Que aprendemos com nossos erros e com os sofrimentos acarretados por eles é outro. Outra coisa, o fato de sabermos que com certo comportamento sofreremos no futuro não é garantia de que iremos nos comportar diferente no presente. Ainda agimos em relação aos prazeres imediatos como crianças que ganham algum dinheirinho e gastam com balas ou quinquilharias baratas ao invés de poupá-lo para juntar e comprar uma coisa melhor ou mais útil, ou mesmo que lhe dará maior prazer adiante.
Em relação a nós termos sido criados imperfeitos, esta palavra "imperfeitos" deve ser vista relativamente. Para fazer uma comparação que talvez esclareça o que penso, o fato de um recém nascido não ter comportamento de um adulto não significa que ele é imperfeito, mas que ainda tem de desenvolver seus potenciais. Entendo o papel do sofrimento como necessário muitas vezes para que o ser saia da inércia ou mude o rumo de suas atitudes.
De qualquer modo, acho que por mais que saibamos sempre restarão lacunas, para explicar os porquês de tudo. Isto é, sempre existirão questões enigmáticas. O importante é ter em mente que o fato de não conhecermos algo não significa que ele ou seus motivos não existam e que não sejam justos. Além do mais, somente agora com a "Terceira Revelação"começam a surgir explicações coerentes dadas pelos Espíritos Superiores, a respeito dos mecanismos básicos da vida, pelo menos até onde podemos compreender. O assunto levantado por você, com certeza dá margens a discussões interessantes. Abraço.