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GERAL => Outros Temas => Espiritismo & Jovens => Tópico iniciado por: Edna ☼ em 09 de Setembro de 2018, 19:02

Título: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 09 de Setembro de 2018, 19:02
Evangelho No Lar  |  Livro Nosso Lar

Clarêncio

http://www.youtube.com/watch?v=9SYXbx9xMEs#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Setembro de 2018, 19:35
3 - A Oração Coletiva

http://www.youtube.com/watch?v=Q0pcpflVrcw&t=105s#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 13 de Setembro de 2018, 14:23
4 - O Médico Espiritual

http://www.youtube.com/watch?v=04-qk7gaii4&t=89s#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 27 de Setembro de 2018, 18:34
(http://4.bp.blogspot.com/_YhlAfrC0frA/TLZzXZoJpDI/AAAAAAAAAII/y47WqLH1WJs/s1600/nosso-lar-andre-luiz-hospital-lisias.jpg)
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5 - Recebendo assistência


"— É você o tutelado de Clarêncio?

A pergunta vinha de um jovem de singular e doce expressão.

Grande bolsa pendente da mão, como quem conduzia apetrechos de assistência, endereçava-me ele sorriso acolhedor. Ao meu sinal afirmativo, mostrou-se à vontade e, maneiras fraternas, acentuou:

— Sou Lísias, seu irmão. Meu diretor, o assistente Henrique de Luna, designou-me para servi-lo, enquanto precisar tratamento.

— É enfermeiro? — indaguei.

— Sou visitador dos serviços de saúde. Nessa qualidade, não só coopero na enfermagem, como também assinalo necessidades de socorro, ou providências que se refiram a enfermos recém-chegados.

Notando-me a surpresa, explicou:

— Nas minhas condições há numerosos servidores em “Nosso Lar”. O amigo ingressou agora na colônia e, naturalmente, ignora a amplitude dos nossos trabalhos. Para fazer uma ideia, basta lembrar que apenas aqui, na seção em que se encontra, existem mais de mil doentes espirituais, e note que este é um dos menores edifícios do nosso parque hospitalar.

— Tudo isso é maravilhoso! — exclamei. Adivinhando que minhas observações iam descambar para o elogio espontâneo, Lísias levantou-se da poltrona a que se recolhera e começou a auscultar-me, atento, impedindo-me o agradecimento verbal.

— A zona dos seus intestinos apresenta lesões sérias com vestígios muito exatos do câncer; a região do fígado revela dilacerações; a dos rins demonstra característicos de esgotamento prematuro.

Sorrindo, bondoso, acrescentou:

— Sabe o irmão o que significa isso?

— Sim — repliquei —, o médico esclareceu ontem, explicando que devo esses distúrbios a mim mesmo… Reconhecendo o acanhamento da confissão reticenciosa, apressou-se a consolar:

— Na turma de oitenta enfermos a que devo assistência diária, cinquenta e sete se encontram nas suas condições. E talvez ignore que existem, por aqui, os mutilados. Já pensou nisso? Sabe que o homem imprevidente, que gastou os olhos no mal, aqui comparece de órbitas vazias? Que o malfeitor, interessado em utilizar o dom da locomoção fácil nos atos criminosos, experimenta a desolação da paralisia, quando não é recolhido absolutamente sem pernas? Que os pobres obsidiados nas aberrações sexuais costumam chegar em extrema loucura?

Identificando-me a perplexidade natural, prosseguiu:

— “Nosso Lar” não é estância de Espíritos propriamente vitoriosos, se conferimos ao termo sua razoável acepção. Somos felizes, porque temos trabalho; e a alegria habita cada recanto da colônia, porque o Senhor não nos retirou o pão abençoado do serviço.

Aproveitando a pausa mais longa, exclamei sensibilizado:

— Continue, meu amigo, esclareça-me. Sinto-me aliviado e tranquilo. Não será esta região um departamento celestial dos eleitos?

Lísias sorriu e explicou:

— Recordemos o antigo ensinamento que se refere a muitos chamados e poucos escolhidos na Terra.

E vagueando o olhar no horizonte longínquo, como a fixar experiências de si mesmo no painel das recordações mais íntimas, acentuou:

— As religiões, no planeta, convocam as criaturas ao banquete celestial. Em sã consciência, ninguém que se tenha aproximado, um dia, da noção de Deus, pode alegar ignorância nesse particular. Incontável é o número dos chamados, meu amigo; mas, onde os que atendem ao chamado? Com raras exceções, a massa humana prefere aceder a outro gênero de convites. Gasta-se a possibilidade nos desvios do bem, agrava-se o capricho de cada um, elimina-se o corpo físico a golpes de irreflexão. Resultado: milhares de criaturas retiram-se diariamente da Esfera da carne em doloroso estado de incompreensão. Multidões sem conto erram em todas as direções nos círculos imediatos à crosta planetária, constituídas de loucos, doentes e ignorantes.

Notando-me a admiração, interrogou:

Acreditaria, porventura, que a morte do corpo nos conduziria a planos de milagres? Somos compelidos a trabalho áspero, a serviços pesados e não basta isso. Se temos débitos no planeta, por mais alto que ascendamos, é imprescindível voltar, para retificar, lavando o rosto no suor do mundo, desatando algemas de ódio e substituindo-as por laços sagrados de amor. Não seria justo impor a outrem a tarefa de mondar o campo que semeamos de espinhos, com as próprias mãos.

Abanando a cabeça, acrescentava:

— Caso dos muitos chamados, meu caro. O Senhor não esquece homem algum; todavia, raríssimos homens o recordam.

Acabrunhado com a lembrança dos próprios erros, diante de tão grandes noções de responsabilidade individual, objetei:

— Como fui perverso!

Contudo, antes que me alongasse noutras exclamações, o visitador colocou a destra carinhosa em meus lábios, murmurando:

— Cale-se! meditemos no trabalho a fazer. No arrependimento verdadeiro é preciso saber falar, para construir de novo.

Em seguida, aplicou-me passes magnéticos, atenciosamente. Fazendo os curativos na zona intestinal, esclareceu:

Não observa o tratamento especializado da zona cancerosa? Pois note bem: toda medicina honesta é serviço de amor, atividade de socorro justo; mas o trabalho de cura é peculiar a cada Espírito. Meu irmão será tratado carinhosamente, sentir-se-á forte como nos tempos mais belos da sua juventude terrena, trabalhará muito e, creio, será um dos melhores colaboradores em “Nosso Lar”; entretanto, a causa dos seus males persistirá em si mesmo, até que se desfaça dos germes de perversão da saúde divina, que agregou ao seu corpo sutil pelo descuido moral e pelo desejo de gozar mais que os outros. A carne terrestre, onde abusamos, é também o campo bendito onde conseguimos realizar frutuosos labores de cura radical, quando permanecemos atentos ao dever justo.

Meditei os conceitos, ponderei a bondade divina e, na exaltação da sensibilidade, chorei copiosamente. Lísias, contudo, terminou o tratamento do dia, com serenidade, e falou:

— Quando as lágrimas não se originam da revolta, sempre constituem remédio depurador. Chore, meu amigo. Desabafe o coração. E abençoemos aquelas beneméritas organizações microscópicas que são as células de carne na Terra. Tão humildes e tão preciosas, tão detestadas e tão sublimes pelo espírito de serviço. Sem elas, que nos oferecem templo à retificação, quantos milênios gastaríamos na ignorância?

Assim falando, afagou-me carinhosamente a fronte abatida e despediu-se com um ósculo de amor."
.
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 27 de Setembro de 2018, 18:47
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6 - Precioso aviso

"No dia imediato, após a oração do crepúsculo, Clarêncio me procurou em companhia do atencioso visitador.

Fisionomia a irradiar generosidade, perguntou, abraçando-me:

Como vai? Melhorzinho?

Esbocei o gesto do enfermo que se vê acariciado na Terra, amolecendo as fibras emotivas. No mundo, às vezes, o carinho fraterno é mal interpretado. Obedecendo ao velho vício, comecei a explicar-me, enquanto os dois benfeitores se sentavam comodamente a meu lado:

— Não posso negar que esteja melhor; entretanto, sofro intensamente. Muitas dores na zona intestinal, estranhas sensações de angústia no coração. Nunca supus fosse capaz de tamanha resistência, meu amigo. Ah! como tem sido pesada a minha cruz!… Agora que posso concatenar ideias, creio que a dor me aniquilou todas as forças disponíveis…

Clarêncio ouvia, atencioso, demonstrando grande interesse pelas minhas lamentações, sem o menor gesto que denunciasse o propósito de intervir no assunto. Encorajado com essa atitude, continuei:

— Além do mais, meus sofrimentos morais são enormes e inexprimíveis. Amainada a tormenta exterior com as socorros recebidos, volto agora às tempestades íntimas. Que terá sido feito de minha esposa, de meus filhos? Teria o meu primogênito conseguido progredir, segundo meu velho ideal? E as filhinhas? Minha desventurada Zélia muitas vezes afirmou que morreria de saudades, se um dia eu lhe faltasse. Admirável esposa! Ainda lhe sinto as lágrimas dos momentos derradeiros. Não sei desde quando vivo o pesadelo da distância… Continuadas dilacerações roubaram-me a noção do tempo. Onde estará minha pobre companheira? Chorando junto às cinzas do meu corpo, ou nalgum recanto escuro das regiões da morte? Oh! minha dor é muito amarga! Que terrível destino o do homem penhorado no devotamento à família! Creio que raras criaturas terão padecido tanto quanto eu!… No planeta, vicissitudes, desenganos, doenças, incompreensões e amarguras, abafando escassas notas de alegria; depois, os sofrimentos da morte do corpo.. Em seguida, martirizações no além-túmulo! Que será, então, a vida? Sucessivo desenrolar de misérias e lágrimas? Não haverá recurso à semeadura da paz? Por mais que deseje firmar-me no otimismo, sinto que a noção de infelicidade me bloqueia o Espírito, como terrível cárcere do coração. Que desventurado destino, generoso benfeitor!…

Chegado a essa altura, o vendaval da queixa me conduzira o barco mental ao oceano largo das lágrimas. Clarêncio, contudo, levantou-se sereno e falou sem afetação:

— Meu amigo, deseja você, de fato, a cura espiritual?

Ao meu gesto afirmativo, continuou:

— Aprenda, então, a não falar excessivamente de si mesmo, nem comente a própria dor. Lamentação denota enfermidade mental e enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil. É indispensável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios. Somente conseguiremos equilíbrio, abrindo o coração ao Sol da Divindade. Classificar o esforço necessário de imposição esmagadora, enxergar padecimentos onde há luta edificante, sói identificar indesejável cegueira da alma. Quanto mais utilize o verbo por dilatar considerações dolorosas, no círculo da personalidade, mais duros se tornarão os laços que o prendem a lembranças mesquinhas. O mesmo Pai que vela por sua pessoa, oferecendo-lhe teto generoso, nesta casa, atenderá aos seus parentes terrestres. Devemos ter nosso agrupamento familiar como sagrada construção, mas sem esquecer que nossas famílias são seções da Família universal, sob a Direção Divina. Estaremos a seu lado para resolver dificuldades presentes e estruturar projetos de futuro, mas não dispomos do tempo para voltar a zonas estéreis de lamentação. Além disso, temos, nesta colônia, o compromisso de aceitar o trabalho mais áspero como bênção de realização, considerando que a Providência desborda amor, enquanto nós vivemos onerados de dívidas. Se deseja permanecer nesta casa de assistência, aprenda a pensar com justeza.

Nesse ínterim, secara-se-me o pranto e, chamado a brios pelo generoso instrutor, assumi diversa atitude, embora envergonhado da minha fraqueza.

— Não disputava você, na carne — prosseguiu Clarêncio, bondoso —, as vantagens naturais, decorrentes das boas situações? Não estimava a obtenção de recursos lícitos, ansioso de estender benefícios aos entes amados? Não se interessava pelas remunerações justas, pelas expressões de conforto, com possibilidades de atender à família? Aqui, o programa não é diferente. Apenas divergem os detalhes. Nos Círculos carnais, a convenção e a garantia monetária; aqui, o trabalho e as aquisições definitivas do Espírito imortal. Dor, para nós, significa possibilidade de enriquecer a alma; a luta constitui caminho para a divina realização. Compreendeu a diferença? As almas débeis, ante o serviço, deitam-se para se queixarem aos que passam; as fortes, porém, recebem o serviço como patrimônio sagrado, na movimentação do qual se preparam, a caminho da perfeição. Ninguém lhe condena a saudade justa, nem pretende estancar sua fonte de sentimentos sublimes. Acresce notar, todavia, que o pranto da desesperação não edifica o bem. Se ama, em verdade, a família terrena, é preciso bom ânimo para lhe ser útil.

Fez-se longa pausa. A palavra de Clarêncio levantara-me para elucubrações mais sadias.

Enquanto meditava a sabedoria da valiosa advertência, meu benfeitor, qual o pai que esquece a leviandade dos filhos para recomeçar serenamente a lição, tornou a perguntar com um belo sorriso:

— Então, como passa? Melhor?

Contente por me sentir desculpado, à maneira criança da que deseja aprender, respondi, confortado:

— Vou bem melhor, para melhor compreender a Vontade Divina."

.
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 27 de Setembro de 2018, 18:52
7 - Explicações de Lísias

http://www.youtube.com/watch?v=Ti_7PFTbG4g#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 28 de Setembro de 2018, 16:00
8 - Organização de Serviços

http://www.youtube.com/watch?v=EH5H-cPQ890#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 28 de Setembro de 2018, 16:01
9 - O Problema da Alimentação

http://www.youtube.com/watch?v=Ksgo1b_8SAs#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 28 de Setembro de 2018, 16:09
10 - No Bosque das Águas

http://www.youtube.com/watch?v=02crbK8Keok#ws
(http://img.downloadwap.com/screensavers/d/new/nature/waterfall-6609.gif)
Imagem da Internet
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 29 de Setembro de 2018, 15:50
11 - Notícias do Plano

http://www.youtube.com/watch?v=5ApWO0WeF2g#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 05 de Outubro de 2018, 15:39
(https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQLQuPPXBJP7tQDS_v3PU3VSS1pcSr5ksYWqfIEc0S9F-15RQZmzg)

Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 05 de Outubro de 2018, 15:43
12 -  Umbral

http://www.youtube.com/watch?v=lENY0kxbNQc#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Outubro de 2018, 18:19
13 - No Gabinete do Ministro

http://www.youtube.com/watch?v=70L6e2txCSE#ws

Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 16 de Outubro de 2018, 16:56
Elucidações de Clarêncio

http://www.youtube.com/watch?v=vNt_4r-6RN8#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:03
A Visita Materna

http://www.youtube.com/watch?v=ruAfJnOppew#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:09
(https://image.slidesharecdn.com/dqvepaqaqhuioticcri1-signature-7462f021cb8f3a731eea676538a6f8566dc43db821079a35bf411c39a8752c63-poli-160212164531/95/estudo-do-filme-nosso-lar-19-638.jpg?cb=1455295823)
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:11
16 - Confidências

http://www.youtube.com/watch?v=CjUVz9qE55o&index=9&list=PLF570VijpK3tnhcguArQ8OHEf42A6sGhL#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:12
Na Casa de Lísias

http://www.youtube.com/watch?v=5rde9mmFDB4#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:17
18 - Amor Alimento das Almas

http://www.youtube.com/watch?v=9chYT308aYM#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:24
19 -A Jovem Desencarnada

http://www.youtube.com/watch?v=uSDW3zavAFM#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:31
20 - Noções de Lar

http://www.youtube.com/watch?v=6OSVV955RXw&list=PLF570VijpK3tnhcguArQ8OHEf42A6sGhL&index=4#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:32
21 - Continuando a Palestra

http://www.youtube.com/watch?v=FOu_KumQ1is#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:39
22 - O Bônus Hora

http://www.youtube.com/watch?v=Gb4hi4UVz2c#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:46
(https://scontent.fgru7-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-0/p206x206/44526552_10209776804296671_6225968073837379584_n.jpg?_nc_cat=101&_nc_ht=scontent.fgru7-1.fna&oh=bcca1c65415bedf8a984d7c1d3ba140d&oe=5C537012)
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:48
23 - Saber Ouvir

http://www.youtube.com/watch?v=VdodR9DE5Sw#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:50
(https://scontent.fgru7-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/44526545_10209776835017439_7951544293938692096_n.jpg?_nc_cat=109&_nc_ht=scontent.fgru7-1.fna&oh=96b5dcb5875a15c03f77d4f8ee6878e0&oe=5C4E0F1E)


Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 20:56
24 - O Impressionante Apelo

http://www.youtube.com/watch?v=fFRIl1po7qc#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 20 de Outubro de 2018, 21:00
25 - Generoso alvitre

 
"No dia imediato, muito cedo, fiz leve refeição em companhia de Lísias e familiares.

Antes que os filhos se despedissem, rumo ao trabalho do Auxílio, a senhora Laura encorajou-me o espírito hesitante, dizendo, bem-humorada:

— Já lhe arranjei companhia para hoje. Nosso amigo Rafael, funcionário da Regeneração, passará por aqui, a meu pedido. Poderá aceitar-lhe a companhia em direção ao novo Ministério. Rafael é antiga relação de nossa família e apresentá-lo-á, em meu nome, ao Ministro Genésio.

Não poderia explicar o contentamento que me dominou a alma. Estava radiante. Agradeci, comovido, sem encontrar palavras que definissem meu júbilo. Lísias, por sua vez, demonstrou grande alegria. Abraçou-me efusivamente antes de sair, sensibilizando-me o coração. Ao beijar o filho, a senhora Laura recomendou:

— Você, Lísias, avise ao Ministro Clarêncio que comparecerei ao expediente, logo que entregue nosso amigo aos cuidados de Rafael.

Comovidíssimo, eu não conseguia agradecer tamanha dedicação.

Ficando a sós, a desvelada genitora do meu amigo dirigiu-me a palavra carinhosa:

— Meu irmão, permita-me algumas indicações para os seus novos caminhos. Creio que a colaboração maternal sempre vale alguma coisa e, já que sua mãezinha não reside em “Nosso Lar”, reivindico a satisfação de orientá-lo neste momento.

— Gratíssimo — respondi, sensibilizado —; nunca saberei traduzir meu reconhecimento à sua atenção.

Sorriu a bondosa senhora, acrescentando:

— Estou informada de que pediu trabalho há algum tempo…

— Sim, sim… — esclareci, relembrando as elucidações de Clarêncio.

— Sei, igualmente, que não o obteve de pronto, recebendo, mais tarde, a necessária autorização para visitar os Ministérios que nos ligam mais fortemente à Terra.

Esboçando significativa expressão fisionômica, a boa senhora acrescentou:

— É justamente neste sentido que lhe ofereço minhas sugestões humildes. Falo com o direito de experiência maior. Detendo, agora, essa autorização, abandone, quanto lhe seja possível, os propósitos de mera curiosidade. Não deseje personificar a mariposa, de lâmpada em lâmpada. Sei que seu espírito de pesquisa intelectual é muito forte. Médico estudioso, apaixonado de novidades e enigmas, ser-lhe-á muito fácil deslizar na posição nova. Não esqueça que poderá obter valores mais preciosos e dignos que a simples análise das coisas. A curiosidade, mesmo sadia, pode ser zona mental muito interessante, mas perigosa, por vezes. Dentro dela, o espírito desassombrado e leal consegue movimentar-se em atividades nobilitantes; mas os indecisos e inexperientes podem conhecer dores amargas, sem proveito para ninguém. Clarêncio ofereceu-lhe ingresso nos Ministérios, começando pela Regeneração. Pois bem: não se limite a observar. Ao invés de albergar a curiosidade, medite no trabalho e atire-se a ele na primeira ocasião que se ofereça. Surgindo ensejo nas tarefas da Regeneração, não se preocupe em alcançar o espetáculo dos serviços nos demais Ministérios. Aprenda a construir o seu círculo de simpatias e não olvide que o espírito de investigação deve manifestar-se após o espírito de serviço. Pesquisar atividades alheias, sem testemunhos no bem, pode ser criminoso atrevimento. Muitos fracassos, nas edificações do mundo, originam-se de semelhante anomalia. Todos querem observar, raros se dispõem a realizar. Somente o trabalho digno confere ao espírito o merecimento indispensável a quaisquer direitos novos. O Ministério da Regeneração está repleto de lutas pesadas, localizando-se ali a região mais baixa de nossa colônia espiritual. Saem de lá todas as turmas destinadas aos serviços mais árduos. Não se considere, porém, humilhado por atender às tarefas humildes. Lembro-lhe que em todas as nossas Esferas, desde o planeta até os núcleos mais elevados das zonas superiores, em nos referindo à Terra, o Maior Trabalhador é o próprio Cristo e que Ele não desdenhou o serrote pesado de uma carpintaria. O Ministro Clarêncio autorizou-o, gentilmente, a conhecer, visitar e analisar; mas pode, como servidor de bom senso, converter observações em tarefa útil. É possível receber alguém negativa justa dos que administram, quando peça determinado gênero de atividade reservada, com justiça, aos que muito hão lutado e sofrido no capítulo da especialização; mas ninguém se recusará a aceitar o concurso do espírito de boa vontade, que ama o trabalho pelo prazer de servir.

Meus olhos estavam úmidos. Aquelas palavras, pronunciadas com meiguice maternal, caíam-me no coração como bálsamo precioso. Poucas vezes sentira na vida tanto interesse fraternal pela minha sorte. Semelhante conselho calava-me no fundo da alma e, como se desejasse temperar com amor os criteriosos conceitos, a senhora Laura acrescentou com inflexão carinhosa:

— A ciência de recomeçar é das mais nobres que nosso espírito pode aprender. São muito raros os que a compreendem nas Esferas da crosta. Temos escassos exemplos humanos, nesse sentido. Lembremos, contudo, o de Paulo de Tarso, Doutor do Sinédrio, esperança de uma raça, pela cultura e pela mocidade, alvo de geral atenção em Jerusalém, que voltou, um dia, ao deserto para recomeçar a experiência humana, como tecelão rústico e pobre.

Não pude mais. Tomei-lhe as mãos como filho agradecido, e cobri-as do pranto jubiloso que me inundava o coração.

A genitora de Lísias, agora de olhos fixos no horizonte, murmurou:

— Muito grata, meu irmão. Creio que você não veio a esta casa atendendo ao mecanismo da casualidade. Estamos todos entrelaçados em teia de amizade secular. Brevemente voltarei ao Círculo da carne; entretanto, continuaremos sempre unidos pelo coração. Espero vê-lo animado e feliz, antes de minha partida. Faça desta casa a sua habitação. Trabalhe e anime-se, confiando em Deus.

Levantei os olhos rasos d’água, fixei-lhe a expressão carinhosa, experimentei a felicidade que nasce dos afetos puros e tive impressão de conhecer minha interlocutora, de velhos tempos, embora tentasse, debalde, identificar-lhe o carinho nas reminiscências mais distantes. Quis beijá-la muitas vezes, com o enternecimento filial do coração, Fitou-me a senhora Laura, mostrando indefinível ternura maternal e falou:

— É Rafael que vem buscá-lo. Vá, meu amigo, pensando em Jesus. Trabalhe para o bem dos outros, para que possa encontrar seu próprio bem."

Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:35
26  - Novas perspectivas

 
"Ponderando as sugestões carinhosas e sábias da mãe de Lísias, acompanhei Rafael, convicto de que iria, não às visitas de observações, mas ao aprendizado e serviço útil.
Anotava, surpreso, os magníficos aspectos da nova região, rumo ao local onde me aguardava o Ministro Genésio; contudo, seguia Rafael, em silêncio, estranho agora ao prazer das muitas indagações. Em compensação, experimentava novo gênero de atividade mental. Dava-me todo à oração, pedindo a Jesus me auxiliasse nos caminhos novos, a fim de que me não faltasse trabalho e forças para realizá-lo. Antigamente, avesso às manifestações da prece, agora a utilizava como valioso ponto de referência sentimental aos propósitos de serviço.

O próprio Rafael, de quando em vez, lançava-me curioso olhar, como se não devesse esperar tal atitude de minha parte.

Deixou-nos o aeróbus à frente de espaçoso edifício.

Descemos, calados.

Em poucos minutos, achava-me diante do respeitável Genésio, um velhinho simpático, cujo semblante revelava, entretanto, singular energia.

Rafael apresentou-me fraternalmente.

— Ah! sim — disse o generoso Ministro —, é o nosso irmão André?

— Para servi-lo — respondi.

— Tenho notificação de Laura, referente à sua vinda. Fique à vontade.

Nesse ínterim, o companheiro aproximou-se respeitosamente e despediu-se, abraçando-me em seguida. Rafael era esperado com urgência no setor de tarefas a seu cargo.

Fixando em mim os olhos muito lúcidos, Genésio começou a dizer:

— Clarêncio falou-me a seu respeito, com interesse. Quase sempre recebemos pessoal do Ministério do Auxílio, em visita de observações que, na sua maior parte, redundam em estágios de serviço.

Compreendi a sutil alusão e obtemperei:

— Este o meu maior desejo. Tenho mesmo suplicado às Forças Divinas que me ajudem o espírito frágil, permitindo seja convertida a minha permanência, neste Ministério, em estação de aprendizado.

Genésio parecia comovido com as minhas palavras, e, valendo-me das inspirações que me inclinavam à humildade, roguei, de olhos úmidos:

— Senhor Ministro, compreendo agora que minha passagem pelo Ministério do Auxílio se verificou por efeito da graça misericordiosa do Altíssimo, talvez devido a constante intercessão de minha devotada e santa mãe. Noto, porém, que somente venho recebendo benefícios, sem nada produzir de útil. Certo, meu lugar é aqui, nas atividades regeneradoras. Se possível, faça, por obséquio, seja transformada a concessão de visitar em possibilidade de servir. Compreendo hoje; mais que nunca a necessidade de regenerar meus próprios valores. Perdi muito tempo na vaidade inútil, fiz enormes gastos de energia na ridícula adoração de mim mesmo!…

Satisfeito, notava ele, no fundo de meu coração, a sinceridade viva. Quando eu recorrera ao Ministro Clarêncio, não estava ainda bastante consciente do que pedia. Queria serviço, mas talvez não desejasse servir. Não entendia o valor do tempo, nem enxergava as bênçãos santificantes da oportunidade. No fundo, era o desejo de continuar a ser o que tinha sido até então — o médico orgulhoso e respeitado, cego nas pretensões descabidas do egotismo em que vivia, encarcerado nas opiniões próprias. No entanto, agora, diante do que vira e ouvira, compreendendo a responsabilidade de cada filho de Deus na obra infinita da Criação, punha nos lábios quanto possuía de melhor. Era sincero, enfim. Não me preocupava o gênero de tarefa, procurava o conteúdo sublime do espírito de serviço.
O velhinho fitou-me, surpreendido, e perguntou:

— É mesmo você o ex-médico?

— Sim… — murmurei, acanhado.

Genésio calou por momentos, como buscando resolução para o caso, dizendo, então:
— Louvo seus propósitos e peço igualmente ao Senhor o conserve nessa posição digna.
E, como que preocupado em levantar-me o ânimo e acender-me no espírito novas esperanças, acentuou:

— Quando o discípulo está preparado, o Pai envia o instrutor. O mesmo se dá, relativamente ao trabalho. Quando o servidor está pronto, o serviço aparece. O meu amigo tem recebido enormes recursos da Providência. Está bem disposto à colaboração, compreende a responsabilidade, aceita o dever. Tal atitude é sumamente favorável à concretização dos seus desejos. Nos Círculos carnais, costumamos felicitar um homem quando ele atinge prosperidade financeira ou excelente figuração externa; entretanto, aqui a situação é diferente. Estima-se a compreensão, o esforço próprio, a humildade sincera.

Identificando-me a ansiedade, concluiu:

— É possível obter ocupações justas. Por enquanto, porém, é preferível que visite, observe, examine.


E logo, ligando-se ao gabinete próximo, falou em voz alta:

— Solicito a presença de Tobias, antes que se dirija às Câmaras de Retificação.
Não se passaram muitos minutos e assomou à porta um senhor de maneiras desembaraçadas.

— Tobias — explicou Genésio, atencioso —, aqui tem um amigo que vem do Ministério do Auxílio, em tarefa de observação. Creio de muito proveito para ele o contato com as atividades das câmaras retificadoras.

Estendi-lhe a mão, enquanto o desconhecido correspondia, afirmando, gentil:

— Às suas ordens
.
— Conduza-o — prosseguiu o ministro, evidenciando grande bondade. André precisa integrar-se no conhecimento mais íntimo de nossas tarefas. Faculte-lhe toda oportunidade de que possamos dispor.

Prontificou-se Tobias, revelando a maior boa vontade.

— Estou de caminho — acrescentou ele, bem-humorado —, se deseja acompanhar-me…
— Perfeitamente — respondi, satisfeito.

O Ministro Genésio abraçou-me, comovido, com palavras de animação.

Segui Tobias resolutamente.

Atravessamos largos quarteirões, onde numerosos edifícios me pareceram colmeias de serviço intenso. Percebendo-me a silenciosa indagação, o novo amigo esclareceu:

— Temos aqui as grandes fábricas de “Nosso Lar”. A preparação de sucos, de tecidos e artefatos em geral, dá trabalho a mais de cem mil criaturas, que se regeneram e se iluminam ao mesmo tempo.

Daí a momentos, penetramos num edifício de aspecto nobre. Servidores numerosos iam e vinham. Depois de extensos corredores, deparou-se-nos vastíssima escadaria, comunicando com os pavimentos inferiores.

— Desçamos — disse Tobias em tom grave.


E notando minha estranheza, explicou, solícito:

— As Câmaras de Retificação estão localizadas nas vizinhanças do Umbral. Os necessitados que aí se reúnem não toleram as luzes, nem a atmosfera de cima, nos primeiros tempos de moradia em “Nosso Lar”. "

Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:36
Enfim, o trabalho

http://www.youtube.com/watch?v=-wtSXG6eZxw#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:37
28 - Em Serviço

http://www.youtube.com/watch?v=zuMpxKo3p4o#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:38
29 - A Visão de Francisco

http://www.youtube.com/watch?v=oEnOLgVn7gE#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:40
30 - Herança e Eutanásia

http://www.youtube.com/watch?v=2sKL4I55Gws#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:41
31 - Vampiro

http://www.youtube.com/watch?v=m-4TNAYNqkw#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:42
32 - Notícias da Veneranda

http://www.youtube.com/watch?v=WFx8bMQhXiM&t=44s#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:43
33 - Curiosas Observações

http://www.youtube.com/watch?v=tgPor1Hx8I8#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 11:44
34 - Com os Recém-chegados do Umbral

http://www.youtube.com/watch?v=zrbnNuf5XQ4&t=18s#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 08 de Novembro de 2018, 14:15
(https://scontent.fgru7-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/44439058_10209776804016664_5686041026318303232_n.jpg?_nc_cat=101&_nc_ht=scontent.fgru7-1.fna&oh=089a2e908940ae3e01afd61142ada491&oe=5C7EE894)
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 09 de Novembro de 2018, 13:15
35 - Encontro singular

 
Guardavam-se petrechos da excursão e recolhiam-se animais de serviço, quando a voz de alguém se fez ouvir carinhosamente, a meu lado:

— André! você aqui? Muito bem! Que agradável surpresa!…

Voltei-me surpreendido e reconheci, no Samaritano que assim falava, o velho Silveira, pessoa de meu conhecimento, a quem meu pai, como negociante inflexível, despojara, um dia, de todos os bens.

Justo acanhamento dominou-me, então. Quis cumprimentá-lo, corresponder ao gesto afetuoso, mas a lembrança do passado paralisava-me de súbito. Não podia fingir naquele ambiente novo, onde a sinceridade transparecia de todos os semblantes. Foi o próprio Silveira que, compreendendo a situação, veio em meu socorro, acrescentando:

— Francamente, ignorava que você tivesse deixado o corpo e estava longe de pensar que o encontraria em “Nosso Lar”.

Identificando-lhe a amabilidade espontânea, abracei-o comovido, murmurando palavras de reconhecimento.

Quis ensaiar algumas explicações relativamente ao passado, mas não o consegui. No fundo, eu desejava pedir desculpas pelo procedimento de meu pai, levando-o ao extremo de uma falência desastrosa. Naquele instante, eu revia mentalmente o clichê do pretérito. A memória exibia, de novo, o quadro vivo. Parecia-me ouvir ainda a senhora Silveira, quando foi a nossa casa, suplicante, esclarecer a situação. O marido estava acamado, havia muito, agravando-se-lhes a penúria com a enfermidade de dois filhinhos. As necessidades não eram reduzidas e os tratamentos exigiam soma considerável. A pobrezinha chorava, levando o lenço aos olhos. Pedia mora, implorava concessões justas. Humilhava-se, dirigindo olhares doridos à minha mãe, como a rogar entendimento e socorro no coração de outra mulher. Recordei que minha mãe intercedeu, atenciosa, e pediu a meu pai esquecesse os documentos assinados, abstendo-se de qualquer ação judicial. Meu genitor, porém, habituado a transações de vulto e favorecido pela sorte, não podia compreender a condição do retalhista. Manteve-se irredutível. Declarou que lamentava as ocorrências, que ajudaria o cliente e amigo, de outro modo, frisando, porém, que, no tocante aos débitos reconhecidos, não via outra alternativa que a de cumprir religiosamente os dispositivos legais. Não podia, afirmava, quebrar as normas e precedentes do seu estabelecimento comercial. As promissórias teriam efeito legal. E consolava a esposa aflita, comentando a situação de outros clientes que, a seu ver, se encontravam em piores condições que o Silveira. Lembrei os olhares de simpatia que minha mãe lançou à desventurada postulante afogada em lágrimas. Meu pai guardara profunda indiferença a todas as súplicas, e, quando a pobre mulher se despediu, repreendeu minha mãe austeramente, proibindo-lhe qualquer intromissão na esfera dos negócios comerciais. A pobre família houve de arcar com a ruína financeira completa. Relembrava, perfeitamente, o instante em que o próprio piano da senhorita Silveira foi retirado da residência para satisfazer às últimas exigências do credor implacável.

Queria desculpar-me e todavia não encontrava frases justas, porque, na ocasião, também encorajara meu pai a consumar o iníquo atentado; considerava minha mãe excessivamente sentimentalista e induzira-o a prosseguir na ação, até ao fim. Muito jovem ainda, a vaidade apossara-se de mim. Não queria saber se outros sofriam, não conseguia enxergar as necessidades alheias. Via, apenas, os direitos de minha casa, nada mais. E, nesse ponto, tinha sido inexorável. Inútil qualquer argumentação materna.

Derrotados na luta, os Silveiras haviam procurado recanto humilde no Interior, amargando o desastre financeiro em extrema penúria. Nunca mais tivera notícias daquela família, que, certo, nos devia odiar.

Essas reminiscências alinhavam-se-me no cérebro com a rapidez de segundos. Num momento, reconstituíra todo o passado de sombras.

E enquanto mal dissimulava o desapontamento, o Silveira, sorrindo, chamava-me à realidade:

— Tem visitado o “velho”?

Aquela pergunta, a evidenciar espontâneo carinho, aumentava o meu pejo. Esclareci que, apesar do imenso desejo, não conseguira ainda tal satisfação.

Silveira identificou-me o constrangimento e apiedando-se, talvez, do meu estado íntimo, procurou afastar-se. Abraçou-me cavalheirescamente e voltou ao trabalho ativo.
Muito desconcertado, procurei Narcisa, ansioso de conselhos. Expus-lhe a ocorrência, detalhando os sucessos terrenos.

Ela ouviu-me com paciência e observou carinhosamente:

— Não estranhe o fato. Vi-me, há tempos, nas mesmas condições. Já tive a felicidade de encontrar por aqui o maior número das pessoas que ofendi no mundo. Sei, hoje, que isso é uma bênção do Senhor, que nos renova a oportunidade de restabelecer a simpatia interrompida, recompondo os elos quebrados, da corrente espiritual.

E, tornando-se mais categórica no ensinamento, perguntou:

— Aproveitou, você, o belo ensejo?

— Que quer dizer? — indaguei.

— Desculpou-se com o Silveira? Olhe que é grande felicidade reconhecer os próprios erros. Já que você pode examinar-se a si mesmo com bastante luz de entendimento, identificando-se como antigo ofensor, não perca a oportunidade de se fazer amigo. Vá, meu caro, e abrace-o de outra maneira. Aproveite o momento, porque o Silveira é ocupadíssimo e talvez não se ofereça tão cedo outra oportunidade.

Notando-me a indecisão, Narcisa acrescentou:

— Não tema insucessos. Toda vez que oferecemos raciocínio e sentimento ao bem, Jesus nos concede quanto se faça necessário ao êxito. Tome a iniciativa. Empreender ações dignas, quaisquer que sejam, representa honra legítima para a alma. Recorde o Evangelho e vá buscar o tesouro da reconciliação.

Não mais vacilei. Corri ao encontro de Silveira e falei-lhe abertamente, rogando perdoasse a meu pai, e a mim, as ofensas e os erros cometidos.

— Você compreende — acentuei —, nós estávamos cegos. Em tal estado, nada conseguíamos vislumbrar, senão o interesse próprio. Quando o dinheiro se alia à vaidade, Silveira, dificilmente pode o homem afastar-se do mau caminho.

Silveira, comovidíssimo, não me deixou terminar:

— Ora, André, quem haverá isento de faltas? Acaso, poderia você acreditar que vivi isento de erros? Além disso, seu pai foi meu verdadeiro instrutor. Devemos-lhe, meus filhos e eu, abençoadas lições de esforço pessoal. Sem aquela atitude enérgica que nos subtraiu as possibilidades materiais, que seria de nós no tocante ao progresso do espírito? Renovamos, aqui, todos os velhos conceitos da vida humana. Nossos adversários não são propriamente inimigos e, sim, benfeitores. Não se entregue a lembranças tristes. Trabalhemos com o Senhor, reconhecendo o infinito da vida.

E fixando, emocionado, os meus olhos úmidos, afagou-me paternalmente e rematou:

— Não perca tempo com isso. Breve, quero ter a satisfação de visitar seu pai, junto de você.

Abracei-o, então, em silêncio, experimentando alegria nova em minha alma. Pareceu-me que, num dos escaninhos escuros do coração, se me acendera divina luz para sempre.
.

Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 09 de Novembro de 2018, 13:17
O Sonho

http://www.youtube.com/watch?v=LRVuM4e5-7U&t=152s#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 09 de Novembro de 2018, 13:19
(https://scontent.fgru7-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/44585349_10209776803296646_6082777313047478272_n.jpg?_nc_cat=104&_nc_ht=scontent.fgru7-1.fna&oh=14bb0d34334d41c178e4692e48f9366e&oe=5C6F4F00)

Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 09 de Novembro de 2018, 13:23
A Preleção da Ministra

http://www.youtube.com/watch?v=g1ixVjKmYGE#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:19
38 - O Caso de Tobias

http://www.youtube.com/watch?v=y1jcu3PJsU8#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:25
39 - Ouvindo Dona Laura

http://www.youtube.com/watch?v=EUWtnQRnr-c&list=PLF570VijpK3tnhcguArQ8OHEf42A6sGhL&index=1#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:26
40 - Quem Semeia Colherá

http://www.youtube.com/watch?v=WJqqJ8ZU-YY#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:28
41 - Convocados a Luta

http://www.youtube.com/watch?v=TOwEJ-0gTT8#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:30
A Palavra do Governador

http://www.youtube.com/watch?v=_u2LmrMwZf0&t=40s#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:33
43 - Em Conversação

http://www.youtube.com/watch?v=fDmVJJyZA3A#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:37
44 - As Trevas

http://www.youtube.com/watch?v=RHTcSV8LB-U#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:39
(https://image.slidesharecdn.com/nossolar11-130426215212-phpapp01/95/nosso-lar-parte11-19-638.jpg?cb=1367013168)
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 12:42
45 - No Campo da Música

http://www.youtube.com/watch?v=HYhUFAroSwU#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 13:34
46 - Sacrifício de mulher

"Um ano se passou em trabalhos construtivos, com imensa alegria para mim. Aprendera a ser útil, encontrara o prazer do serviço, experimentando crescente júbilo e confiança.

Até ali, não voltara ao lar terrestre, apesar do imenso desejo que me espicaçava o coração. Às vezes, intentava pedir concessões, nesse particular, mas alguma coisa me tolhia. Não recebera auxílio adequado, não contava, ali, com o carinho e apreço de todos os companheiros? Reconhecia, portanto, que, se houvesse proveito, de há muito teria sido encaminhado ao velho ambiente doméstico. Cumpria, pois, aguardar a palavra de ordem. Além disso, não obstante desdobrar atividades na Regeneração, o Ministro Clarêncio continuava a responsabilizar-se pela minha permanência na colônia. A senhora Laura e o próprio Tobias não se cansavam de me lembrar esse fato. Por diversas vezes tinha defrontado o generoso Ministro do Auxílio e, no entanto, mantinha-se ele sempre silencioso sobre o assunto. Aliás, Clarêncio nunca modificava a atitude reservada, no desempenho das obrigações concernentes à sua autoridade. Apenas pelo Natal, quando me encontrara nos festejos da Elevação, tocara levemente no assunto, adivinhando-me as saudades da esposa e dos filhinhos. Comentara as alegrias da noite e asseverara não andar longe o dia em que me acompanharia ao ninho familiar. Agradeci, comovidamente, esperando, cheio de bom ânimo. Entretanto, atingíramos setembro de 1940, sem que visse a realização de meus desejos.

Confortava-me, porém, a certeza de haver preenchido todo o meu tempo nas Câmaras de Retificação, com serviço útil. Não descansara. Nossas tarefas prosseguiam sempre, sem solução de continuidade.

Habituara-me a cuidar dos enfermos, a interpretar-lhes os pensamentos. Não perdia de vista a pobre Elisa, encaminhando-a, de maneira indireta, a melhores tentames.

À medida, porém, que se consolidava meu equilíbrio emocional, intensificava-se-me a ansiedade de rever os meus.

A saudade doía fundo. Em compensação, de longe em longe era visitado por minha mãe, que nunca me abandonou à própria sorte, embora permanecesse em Círculos mais altos.
A última vez que nos avistáramos, ela me disse que tencionava cientificar-me de projetos novos. Aquela atitude maternal de suave conformação nos sofrimentos morais que lhe feriam a alma sensível, comovera-me profundamente. Que novas resoluções teria tomado? Intrigado, esperei-lhe a, visita, ansioso de conhecer-lhe os planos.

Com efeito, nos primeiros dias de setembro de 1940, minha mãe veio às Câmaras e, depois das saudações carinhosas, comunicou-me o propósito de voltar à Terra. Em tom afetuoso, explicou o projeto. Mas, surpreendido e discordando de semelhante decisão, protestei:

— Não concordo. Voltar a senhora à carne? Por quê? Internar-se, de novo, no caminho escuro, sem necessidade imediata?

Mostrando nobre expressão de serenidade, minha mãe ponderou:

— Não consideras a angustiosa condição de teu pai, meu filho? Há muitos anos trabalho para reerguê-lo e meus esforços têm sido improfícuos. Laerte é hoje um céptico de coração envenenado. Não poderia persistir em semelhante posição, sob pena de mergulhar em abismos mais fundos. Que fazer, André? Terias coragem de revê-lo em tal situação, esquivando-te ao socorro justo?

— Não — respondi, impressionado —; trabalharia por auxiliá-lo; mas a senhora poderá ajudá-lo mesmo daqui.

— Não duvido. No entanto, os Espíritos que amam, verdadeiramente, não se limitam a estender as mãos de longe. De que nos valeria toda a riqueza material, se não pudéssemos estendê-la aos entes amados? Poderíamos, acaso, residir num palácio relegando os filhinhos à intempérie? Não posso ficar a distância. Já que poderei contar contigo aqui, doravante reunir-me-ei a Luísa a fim de auxiliar teu pai a reencontrar o caminho certo.

Pensei, pensei, e redargui:

— Insistiria, no entanto, com a senhora. Não haverá meios de evitar essa contingência?

— Não. Não seria possível. Estudei detidamente o assunto. Meus superiores hierárquicos foram acordes no conselho. Não posso trazer o inferior para o superior, mas posso fazer o contrário. Que me resta, senão isso? Não devo hesitar um minuto. Tenho em ti o amparo do futuro. Não te percas, pois, meu filho, e auxilia tua mãe, quando puderes transitar entre as Esferas que nos separam da crosta. Entrementes, zela por tuas irmãs, que talvez ainda se encontrem nas sombras do Umbral, em trabalho ativo de purgação. Estarei novamente no mundo, em breves dias, onde me encontrarei com Laerte para os serviços que o Pai nos confiar.

— Mas — indaguei — como se encontra ele com a senhora? Em Espírito?

— Não — disse minha mãe com significativa expressão fisionômica. Com a colaboração de alguns amigos, localizei-o na Terra, a semana passada, preparando-lhe a reencarnação imediata sem que ele nos identificasse o auxílio direto. Quis fugir das mulheres que ainda o subjugam, talvez com razão, e aproveitamos essa disposição, para jungi-lo à nova situação carnal.

— Mas isso é possível? E a liberdade individual?

Minha mãe sorriu, algo triste, e obtemperou:
— Há reencarnações que funcionam como drásticos. Ainda que o doente não se sinta corajoso, existem amigos que o ajudam a sorver o remédio santo, embora muito amargo. Relativamente à liberdade irrestrita, a alma pode invocar esse direito somente quando compreenda o dever e o pratique. Quanto ao mais, é indispensável reconhecer que o devedor é escravo do compromisso assumido. Deus criou o livre-arbítrio, nós criamos a fatalidade. É preciso quebrar, portanto, as algemas que fundimos para nós mesmos.
Enquanto me perdia em graves pensamentos, continuou ela, retomando as anteriores observações:

— As infelizes irmãs que o perseguem, entretanto, não o abandonam, e, não fosse a Proteção Divina por intermédio de nossos guardas espirituais, talvez lhe subtraíssem a oportunidade da nova reencarnação.

— Deus meu! — exclamei. — Será então possível? Estamos à mercê do mal até esse ponto? Simples joguetes em mão dos inimigos?

— Essas interrogações, meu filho — esclareceu minha genitora, muito calma —, devem pairar em nossos corações e em nossos lábios, antes de contrairmos qualquer débito, e antes de transformarmos irmãos em adversários para o caminho. Não tomes empréstimos à maldade…

— E essas mulheres? — indaguei. Que será feito dessas infelizes?
Minha mãe sorriu e respondeu:
— Serão minhas filhas daqui a alguns anos. É preciso não esqueceres que irei ao mundo em auxílio de teu pai. Ninguém ajuda eficientemente, intensificando as forças contrárias, como não se pode apagar na Terra um incêndio com petróleo. É indispensável amar, André! Os que descreem perdem o rumo verdadeiro, peregrinando pelo deserto; os que erram se desviam da estrada real, mergulhando no pântano. Teu pai é hoje um céptico e essas pobres irmãs suportam pesados fardos na lama da ignorância e da ilusão. Em futuro não distante, colocarei todos eles em meu regaço materno, realizando minha nova experiência.

E, olhos brilhantes e úmidos, como se estivesse a contemplar horizontes do porvir, rematou:

— E mais tarde… quem sabe? talvez regresse a “Nosso Lar”, cercada de outros afetos sacrossantos, para uma grande festividade de alegria, amor e união…

Identificando-lhe o espírito de renúncia, ajoelhei-me e beijei-lhe as mãos.

Desde aquela hora, minha mãe não era apenas minha mãe. Era muito mais que isso. Era a mensageira do Amparo, que sabia converter verdugos em filhos do seu coração, para que eles retomassem o caminho dos filhos de Deus."
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 13:35
47 - A Volta de Laura

http://www.youtube.com/watch?v=wWg1ms6S7Cs#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 13:39
48 - Culto Familiar

http://www.youtube.com/watch?v=UMEEcHjT1bg#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 10 de Novembro de 2018, 13:46
(https://image.slidesharecdn.com/48nossolarcultofamiliar-160229234705/95/48-nosso-lar-culto-familiar-9-638.jpg?cb=1456789641)
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Novembro de 2018, 12:24
(https://image.slidesharecdn.com/49nossolarregressandoacasa-160229234410/95/49-nosso-lar-regressando-a-casa-4-638.jpg?cb=1456789461)
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Novembro de 2018, 12:28
49 - Regressando à casa

"Imitando a criança que se conduz pelos passos dos benfeitores, cheguei à minha cidade, com a sensação indescritível do viajante que torna ao berço natal depois de longa ausência.

Sim, a paisagem não se modificara de maneira sensível. As velhas árvores do bairro, o mar, o mesmo céu, o mesmo perfume errante. Embriagado de alegria, não mais notei a expressão fisionômica da senhora Laura, que denunciava extrema preocupação, e despedi-me da pequena caravana, que seguiria adiante.

Clarêncio abraçou-me e falou:

— Você tem uma semana ao seu dispor. Passarei aqui diariamente para revê-lo, atento aos cuidados que devo consagrar aos problemas da reencarnação de nossa irmã. Se quiser ir a “Nosso Lar”, aproveitará minha companhia. Passe bem, André!

Último adeus à dedicada mãe de Lísias e me vi só, respirando o ar de outros tempos, a longos haustos.

Não me demorei a examinar pormenores. Atravessei celeremente algumas ruas, a caminho de casa. O coração me batia descompassado, à medida que me aproximava do grande portão de entrada. O vento, como outrora, sussurrava carícias no arvoredo do pequeno parque. Desabrochavam azáleas e rosas, saudando a luz primaveril. Em frente ao pórtico, ostentava-se, garbosa, a palmeira que, com Zélia, eu havia plantado no primeiro aniversário de casamento.

Ébrio de felicidade, avancei para o interior. Tudo, porém, denotava diferenças enormes. Onde estariam os velhos móveis de jacarandá? E o grande retrato onde, com a esposa e os filhinhos, formávamos gracioso grupo? Alguma coisa me oprimia ansiosamente. Que teria acontecido? Comecei a cambalear de emoção. Dirigi-me à sala de jantar, onde vi a filhinha mais nova, transformada em jovem casadoura. E, quase no mesmo instante, vi Zélia que saía do quarto, acompanhando um cavalheiro que me pareceu médico, à primeira vista.

Gritei minha alegria com toda a força dos pulmões, mas as palavras pareciam reboar pela casa sem atingir os ouvidos dos circunstantes. Compreendi a situação e calei-me, desapontado. Abracei-me à companheira, com o carinho da minha saudade imensa, mas Zélia parecia totalmente insensível ao meu gesto de amor. Muito atenta, perguntou ao cavalheiro alguma coisa que não pude compreender de pronto. O interlocutor, baixando a voz, respondeu, respeitoso:

— Só amanhã poderei diagnosticar seguramente, porque a pneumonia se apresenta muito complicada, em virtude da hipertensão. Todo o cuidado é pouco, o Dr. Ernesto reclama absoluto repouso.


Quem seria aquele Dr. Ernesto? Perdia-me num mar de indagações, quando ouvi minha esposa suplicar, ansiosa:

— Mas, doutor, salve-o, por caridade! Peço-lhe! Oh! não suportaria uma segunda viuvez.

Zélia chorava e torcia as mãos, demonstrando imensa angústia.

Um corisco não me fulminaria com tamanha violência. Outro homem se apossara do meu lar. A esposa me esquecera. A casa não mais me pertencia. Valia a pena de ter esperado tanto para colher semelhantes desilusões? Corri ao meu quarto, verificando que outro mobiliário existia na alcova espaçosa. No leito, estava um homem de idade madura, evidenciando melindroso estado de saúde. Ao lado dele, três figuras negras iam e vinham, mostrando-se interessadas em lhe agravar os padecimentos.

De pronto, tive ímpetos de odiar o intruso com todas as forças, mas já não era eu o mesmo homem de outros tempos. O Senhor me havia chamado aos ensinamentos do amor, da fraternidade e do perdão. Verifiquei que o doente estava cercado de entidades inferiores, devotadas ao mal; entretanto, não consegui auxiliá-lo imediatamente.

Assentei-me, decepcionado e acabrunhado, vendo Zélia entrar no aposento e dele sair, várias vezes, acariciando o enfermo com a ternura que me coubera noutros tempos, e, depois de algumas horas de amarga observação e meditação, voltei, cambaleante, à sala de jantar, onde encontrei as filhas conversando. Sucediam-se as surpresas. A mais velha casara-se e tinha ao colo o filhinho. E meu filho? Onde estaria ele?

Zélia instruiu convenientemente uma velha enfermeira e veio palestrar, mais calmamente, com as filhas.

— Vim vê-los, mamãe — exclamou a primogênita —, não só para colher notícias do Dr. Ernesto, como também porque, hoje, singulares saudades do papai me atormentam o coração. Desde cedo, não sei por que penso tanto nele. É uma coisa que não sei bem definir…

Não terminou. Lágrimas abundantes borbotavam-lhe dos olhos.

Zélia, com imensa surpresa para mim, dirigiu-se à filha autoritariamente:

— Ora essa! Era o que nos faltava!… Aflitíssima como estou, tolerar as suas perturbações. Que passadismo é esse, minha filha? Já proibi a vocês, terminantemente, qualquer alusão, nesta casa, a seu pai. Não sabe que isso desgosta o Ernesto? Já vendi tudo quanto nos recordava aqui o passado morto; modifiquei o aspecto das próprias paredes, e você não me pode ajudar nisso?

A filha mais jovem interveio, acrescentando:

— Desde que a pobre mana começou a se interessar pelo maldito Espiritismo, vive com essas tolices na cachola. Onde já se viu tal disparate? Essa história dos mortos voltarem é o cúmulo dos absurdos.

A outra, embora continuasse chorando, falou com dificuldade:

— Não estou traduzindo convicções religiosas. Então é crime sentir saudades de papai? Vocês também não amam, não têm sentimento? Se papai estivesse conosco, seu único filho varão não andaria, mamãe, a praticar por aí tantas loucuras.

— Ora, ora — tornou Zélia, nervosa e enfadada —, cada qual tem a sorte que Deus lhe dá. Não se esqueça de que André está morto. Não me venha com lamúrias e lágrimas pelo passado irremediável.

Aproximei-me da filha chorosa e estanquei-lhe o pranto, murmurando palavras de encorajamento e consolação, que ela não registrou auditiva, mas subjetivamente, sob a feição de pensamentos confortadores.

Afinal, via-me em face de singular conjuntura! Compreendia, agora, o motivo pelo qual meus verdadeiros amigos haviam procrastinado, tanto, o meu retorno ao lar terreno.

Angústias e decepções sucediam-se de tropel. Minha casa pareceu-me, então, um patrimônio que os ladrões e os vermes haviam transformado. Nem haveres, nem títulos, nem afetos! Somente uma filha ali estava de sentinela ao meu velho e sincero amor.

Nem os longos anos de sofrimento, nos primeiros dias de além-túmulo, me haviam proporcionado lágrimas tão amargas.


Chegou a noite e voltou o dia, encontrando-me na mesma situação de perplexidade, a ouvir conceitos e a surpreender atitudes que nunca poderia ter suspeitado.

À tardinha, Clarêncio passou, oferecendo-me o cordial da sua palavra amiga e reta. Percebendo meu abatimento, disse, solícito:

— Compreendo suas mágoas e rejubilo-me pela ótima oportunidade deste testemunho. Não tenho diretrizes novas. Qualquer conselho de minha parte, portanto, seria intempestivo. Apenas, meu caro, não posso esquecer que aquela recomendação de Jesus para que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, ( † ) opera sempre, quando seguida, verdadeiros milagres de felicidade e compreensão, em nossos caminhos.

Agradeci, sensibilizado, e pedi que me não desamparasse com o necessário auxílio.

Clarêncio sorriu e despediu-se.

Então, em face da realidade, absolutamente só no testemunho, comecei a ponderar o alcance da recomendação evangélica e refleti com mais serenidade. Afinal de contas, por que condenar o procedimento de Zélia? E se fosse eu o viúvo na Terra? Teria, acaso, suportado a prolongada solidão? Não teria recorrido a mil pretextos para justificar novo consórcio? E o pobre enfermo? Como e por que odiá-lo? Não era também meu irmão na Casa de Nosso Pai? Não estaria o lar, talvez, em piores condições, se Zélia não lhe houvesse aceitado a aliança afetiva? Preciso era, pois, lutar contra o egoísmo feroz. Jesus conduzira-me a outras fontes. Não podia proceder como homem da Terra. Minha família não era, apenas, uma esposa e três filhos na Terra. Era, sim, constituída de centenas de enfermos nas Câmaras de Retificação e estendia-se, agora, à comunidade universal. Dominado de novos pensamentos, senti que a linfa do verdadeiro amor começava a brotar das feridas benéficas que a realidade me abrira no coração."
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Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Novembro de 2018, 12:31
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Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Novembro de 2018, 12:33
50 - Cidadão do Nosso Lar

http://www.youtube.com/watch?v=T9j-DMoQZ0s#ws
Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Novembro de 2018, 12:35
(https://image.slidesharecdn.com/50nossolarcidadaodenossolar-160229234541/95/50-nosso-lar-cidadao-de-nosso-lar-14-638.jpg?cb=1456789576)
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Título: Re: Evangelho No Lar | Livro Nosso Lar
Enviado por: Edna ☼ em 11 de Novembro de 2018, 12:42
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