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GERAL => Psicologia & Espiritismo => Auto-Conhecimento => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 12 de Setembro de 2019, 18:55

Título: Ressignificando a solidão
Enviado por: dOM JORGE em 12 de Setembro de 2019, 18:55
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                   
 

Ressignificando a solidão


A ascensão espiritual se dá de modo solitário. Cada ser tem o seu próprio ritmo; sua própria passada; e aprende a realidade de forma muito específica. De modo que, se hoje estamos com determinadas pessoas, amanhã, a depender do nosso ritmo (e delas) de ascensão, não poderemos estar.

Ascender espiritualmente significa viver em solidão. Mas não desassistido. Implica em estar no convívio social, mas com a mente voltada para o Alto. A solidão, portanto, não tem um sentido negativo. Mas um sentido de comunhão com o Divino.

Há que se considerar que não significa que os laços afetivos se rompam. Apenas que os interesses se modificam e as faixas vibratórias se alteram. Logo, a solidão é a comunhão intrínseca com o próprio Criador, porque Ele está em tudo. E nos fala na acústica d´alma.   

À medida que se ascende, ficam para trás coisas e pessoas. As primeiras em decorrência do natural desprendimento dos bens materiais, que passam a ser insignificantes diante da realidade espiritual.

Já as pessoas, porque elas não conseguem compreender ainda o Divino na solidão (e por terem seus próprios ritmos de marcha evolutiva), muitas ainda estão presas às situações que as infelicitam ou lhes dão prazeres momentâneos.

A habitualidade no bem separa, naturalmente, as pessoas que se comprazem com essas práticas daquelas que não se sentem atraídas.

E, infelizmente, muitos não se sentem bem em fazer o bem.

Reconhecem a importância, acham interessante, até desejam auxiliar, mas não se sentem realmente felizes porque avocam para si outros eventos que julgam mais relevantes (e prazerosos).

Logo, aqueles que buscam o caminho da “porta estreita” experimentam a solidão, mas não são desassistidos. A presença do Criador no íntimo do coração dá-lhes uma paz que não conseguimos compreender.

Assim, auxiliar uma creche, um orfanato, um asilo; dedicar-se a alguém ou a uma causa; fazer gestos de caridade; aparar as próprias arestas; realizar uma cirurgia moral profunda, entre outros aspectos, tornam o caminhar de cardos e espinhos e solidão.

A solidão não implica em se alijar do convívio social. Mas estar no mundo sem se deixar levar por ilusões. É ter os pés no chão. Mas o pensamento a vibrar em faixas mais evoluídas. É compreender as dificuldades dos outros e respeitar-lhes o ritmo. É não violentar consciências. É, em síntese, aparar as próprias inclinações negativas e ir se despojando de coisas e pessoas (é não ter dependência emocional) rumo ao Sempiterno.

Pode parecer egoísmo numa leitura desatenta, mas só podemos auxiliar de fato o outro se estivermos bem espiritualmente, equilibrados, saudáveis.

A solidão é parar alguns minutos do dia frenético que vivemos para sentir/conversar com as Forças Superiores. É não viver às apalpadelas no mundo. Mas ter os olhos abertos para a realidade espiritual.

Pouquíssimos têm os olhos para ver, os ouvidos para ouvir, o coração para sentir a realidade espiritual. Pouquíssimos são os que vivem na solidão, porque pouquíssimos compreendem a importância do mergulho na matéria (reencarnação) e a realidade do Espírito imortal.

A solidão, portanto, não é estar longe das pessoas. Porque mesmo nestes casos as companhias mentais podem ser variadas. A solidão é estar no meio de várias pessoas a enfrentar os desafios do cotidiano, mas ter o pensamento, o coração e a alma inclinados para o Criador, para faixas superiores. Este é um exercício difícil e demorado.


           Marcos  Paulo de Oliveira Santos









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Ressignificando a solidão
Enviado por: CONDE em 13 de Setembro de 2019, 15:28
Parabéns Marcos, muito bem abordado o assunto à luz da espiritualidade. Eu apenas usuária a palavra solitude no lugar de solidão, para esse estado de conexão com vibrações mais elevadas. Solidão a meu ver carrega um sentimento de perda, de falta de algo que já não possui ( e na realidade nunca possuiu), de tristeza e amargura. Já a solitude refere-se ao estado de plenitude, de total contentamento consigo mesmo, com sua presença, com seu modo de ser, de pensar, de sentir e de agir.
Título: Re: Ressignificando a solidão
Enviado por: dOM JORGE em 14 de Setembro de 2019, 09:17
                                                              VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                     
Solução é não ser solitário, nem ocioso


A vaga tristeza que se apodera do coração, quase que de maneira imperceptível, levando a pessoa a considerar amarga a existência, chama-se melancolia. Se não combatida no íntimo pode desencadear estados de angústia profunda e depressão.

Este abatimento se revela, muitas vezes, através de pequenos contratempos do cotidiano, coisas simples e corriqueiras que assumem cores mais escuras que a realidade. Ouvir uma reprimenda, tirar notas baixas na escola, desentender-se com um familiar…

Qualquer motivo acaba desencadeando esse estado de melancolia, que, diga-se de passagem, precisamos combater. Uma das maneiras de enfrentar a melancolia é identificar o agente causador e, o mais rápido possível, atacar a raiz do problema, solucionando-o.

Isso nos faz lembrar a história de “…um professor muito estimado pela espontaneidade e alegria que dele emanava. Todos o procuravam quando passavam por dificuldade.

Quando ele via alguém com um semblante tristonho a caminho de sua sala, ele pegava um papel e uma caneta e perguntava: ‘Qual é o problema?’ À medida que a pessoa ia falando ele ia anotando todas as queixas: notas baixas, briga com o melhor amigo, derrota no esporte, um resfriado…

Em grande parte, as situações eram coisas simples e de fácil solução, se buscada com seriedade. Normalmente, as pessoas que iam conversar com ele, ao olhar as muletas que ficavam escoradas na sua escrivaninha e que denunciavam a paralisia do jovem mestre, sentiam-se envergonhadas por entristecer-se por tão pouco”.

A melancolia pode ser estimulada por uma mágoa, um pneu furado, uma dificuldade amorosa, um dia vazio, um bolso vazio, um estômago vazio, um coração vazio…

Mentalmente, pode-se puxar um papel e escrever exatamente o que provoca esse estado de infelicidade, e trabalhar por eliminá-lo. Algumas coisas são imodificáveis, outras não; identificá-las é que diferencia o homem sereno do homem melancólico.

Aos primeiros sinais de melancolia pode-se utilizar antídotos: sair da rotina e fazer algo diferente, que desejava há muito tempo, mas nunca tivera oportunidade de fazer; dedicar-se a dar alegria a alguém, sem exigir absolutamente nada em troca; adquirir novos conhecimentos, leituras, amizades; buscar na memória momentos da vida em que sentiu extrema felicidade…

A melancolia está diretamente ligada ao estado de espírito da solidão e do ócio. Então, a solução é não ser solitário, nem ser ocioso. Se formos ociosos, não sejamos solitários. Se formos solitários, que não sejamos ociosos.

Todos temos algo a desempenhar, seja junto à família ou à coletividade. A felicidade, presente e futura, depende do cumprimento dessa tarefa, com alegria, sempre.


Nota do autor: este artigo é uma adaptação de texto original de Luís Roberto Scholl, de Santo Ângelo-RS.


              Orson Peter Carrara









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!