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GERAL => Psicologia & Espiritismo => Auto-Conhecimento => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 09 de Janeiro de 2017, 18:47

Título: O sono e suas implicações físicas e espirituais
Enviado por: dOM JORGE em 09 de Janeiro de 2017, 18:47
                                                                   VIVA JESUS!




               Boa-tarde! queridos irmãos.



                     O sono e suas implicações em termos de saúde
física e espiritual
(Parte 1)



Introdução - Em nossa vida física, dormimos aproximadamente um terço do tempo de nossa vida no corpo somático. Considerando a ocorrência da emancipação da alma através do sono físico, a qual consiste na emancipação anímica fundamental e geral, ou seja, comum a todos os indivíduos, é possível inferir a grande relevância do sono físico não somente para a saúde do corpo somático, mas também para o crescimento espiritual do Espírito reencarnado.
O Espírito não permanece, necessariamente, emancipado do corpo (desdobrado do corpo físico) durante todo o tempo de sono físico. Entretanto, boa parte desse intervalo de tempo pode representar “emancipação da alma”, o que equivale a afirmar que todos os homens e mulheres encarnados passam por períodos significativos de vivência espiritual propriamente dita, isto é, “fora” do corpo físico.
A emancipação da alma - O capítulo VIII, da segunda parte de O Livro dos Espíritos (LE), intitulado “Emancipação da Alma”, discute a questão, apresentando diversas implicações dessa realidade comum a todos os Espíritos encarnados, sem exceção. A muito objetiva questão 401 de LE e a extraordinária resposta à questão 402 de LE fornecem excepcional material introdutório ao assunto. Vejamos as questões 401 e 402 do LE:

401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.
402. Como podemos avaliar a liberdade do Espírito durante o sono?
Pelos sonhos. Sabei que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do passado e às vezes a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros Espíritos, seja deste mundo, seja de outro. Frequentemente dizes: “Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança”. Enganas-te. É quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas que viste ou que verás numa outra existência ou em outra ocasião. O corpo está adormecido, o Espírito trata de quebrar as suas cadeias para investigar no passado ou no futuro.
Pobres homens, que conheceis tão pouco dos mais ordinários fenômenos da vida! Acreditais ser muito sábios, e as coisas mais vulgares vos embaraçam. A esta pergunta de todas as crianças: “O que é que fazemos quando dormimos; o que são os sonhos?” ficais sem resposta.
O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado em que estará de maneira permanente após a morte. Os Espíritos que logo se desprendem da matéria, ao morrerem, tiveram sonhos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem procuram a sociedade dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram concluídas, ao morrer. Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo.
Isto, para os Espíritos elevados; pois a massa dos homens que, com a morte, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza de que vos têm falado, vão, seja a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os chamam, seja à procura de prazeres talvez ainda mais baixos do que possuíam aqui; vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que as que professavam entre vós. E o que engendra a simpatia na Terra não é outra coisa senão o fato de nos sentirmos, ao acordar, ligados pelo coração àqueles com quem acabamos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer. O que explica também as antipatias invencíveis é que sentimos, no fundo do coração, que essas pessoas têm uma consciência diversa da nossa, porque as conhecemos sem jamais as ter visto. É ainda o que explica a indiferença, pois não procuramos fazer novos amigos quando sabemos ter os que nos amam e nos querem. Numa palavra: o sono influi mais do que pensais, sobre a vossa vida.
Por efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos, e é isso o que faz que os Espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar-se entre vós. Deus quis que, durante o seu contato com o vício, pudessem eles retemperar-se na fonte do bem, para não falirem, eles que vinham instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam o grande livramento, a libertação final, que deve restituí-los ao seu verdadeiro meio.
O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes, ou de tudo o que vistes. Isso porque não tendes a vossa alma em todo o seu desenvolvimento; frequentemente não vos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida e a vossa volta, a que se junta a lembrança do que fizestes ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isso, como explicaríeis esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.
De resto, vereis dentro em pouco desenvolver-se uma outra espécie de sonhos; uma espécie tão antiga como a que conheceis, mas que ignorais. O sonho de Joana, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns adivinhos indianos: esse sonho é a lembrança da alma inteiramente liberta do corpo, a recordação dessa segunda vida de que há pouco eu vos falava.
Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonhos, entre aqueles de que vos lembrardes; sem isso, cairíeis em contradições e em erros que seriam funestos para a vossa fé.
Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeadas de coisas do mundo atual, formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter nem senso, nem nexo.
A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho. Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases ao acaso: os fragmentos restantes, sendo reunidos, perderiam toda significação racional. (Negritamos)


             Leonardo Marmo Moreira








                                                                                                               PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: O sono e suas implicações físicas e espirituais
Enviado por: dOM JORGE em 09 de Janeiro de 2017, 18:49
                                                                   VIVA JESUS!




               Boa-tarde! queridos irmãos.




                     Portanto, a alma fora do corpo tem maiores potencialidades anímicas e também maiores contatos com os Espíritos desencarnados e também com Espíritos encarnados que estejam igualmente desdobrados. Tais ampliações, que ocorrem durante um grande intervalo de tempo, todos os dias, e com todas as pessoas, demonstram como o aprofundamento do estudo e da educação espiritual em geral e particularmente associada ao sono são esforços imprescindíveis para nosso processo evolutivo. A questão 403 de LE reforça essa ideia de que nossos níveis de percepção espiritual são maiores quando estamos fora do corpo físico. Vejamos:
 
403. Por que não nos recordamos sempre dos sonhos?
Nisso que chamais sono só tens o repouso do corpo, porque o Espírito está sempre em movimento. No sono, ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas, como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.
O esclarecimento dos Mentores espirituais à questão 403 de O Livro dos Espíritos demonstra que podemos ter um nível de percepção da realidade, quando em DPSF, muito maior do que quando em estado de vigília. Tal fato é justificado pela natureza semimaterial do perispírito, o qual permite maior compreensão da própria realidade espiritual da “mente” assim como mais alto nível de percepção do contexto espiritual no qual a respectiva alma está inserida.
A emancipação da alma e suas implicações propriamente anímicas e mediúnicas - Na obra O Livro dos Médiuns (LM) temos interessante passagem no capítulo XIV, intitulado “Os Médiuns”, inserto na segundo parte do livro. Trata-se do tópico seis, denominado “Médiuns sonâmbulos”, o qual engloba os interessantes itens 172, 173 e 174. Nosso interesse principal está focado no item 173, que será transcrito a seguir:
 
“173. Um dos nossos amigos usava como sonâmbulo um rapazinho de 14 para 15 anos, de inteligência bastante curta e de instrução extremamente limitada. Em estado sonambúlico, porém, dava provas de extraordinária lucidez e grande perspicácia. Isso principalmente no tratamento de doenças, tendo feito numerosas curas consideradas impossíveis.
Certo dia, atendendo a um doente, descreveu a sua moléstia com absoluta exatidão. – Isso não basta, lhe disseram, agora é necessário indicar o remédio. – Não posso, respondeu ele, meu anjo doutor não está aqui. – A quem chama você de anjo doutor? – Aquele que dita os remédios. – Então não é você mesmo que vê os remédios? – Oh, não, pois não estou dizendo que é o meu anjo doutor quem os indica?
Assim, nesse sonâmbulo, quem via a doença era o seu próprio Espírito, que para isso não precisava de assistência. Mas a indicação dos remédios era feita por outro Espírito. Se esse não estivesse presente, ele nada podia dizer. Sozinho, ele era apenas sonâmbulo; assistido pelo que ele chamava de seu anjo doutor, era médium-sonâmbulo”.  (Negritamos)
Fica evidente que o menino, de pouca idade, e que na opinião de Allan Kardec apresentava “inteligência bastante curta e de instrução extremamente limitada”, tinha uma expansão drástica em sua capacidade espiritual quando estava fora do corpo, pois ele “dava provas de extraordinária lucidez e grande perspicácia”.
A supracitada ampliação era, a priori, fundamentalmente anímica, isto é, da própria alma (individualidade anímica), quando ele fornecia o diagnóstico “com absoluta exatidão”. Portanto, nessa primeira situação, o menino era apenas um “sonâmbulo”, isto é, um “paranormal anímico”. Mas ele somente fazia a recomendação dos medicamentos, quando estava sob a orientação do chamado “anjo doutor”, sendo, nesse segundo caso, um “médium-sonâmbulo”.
Esse exemplo extremamente didático que Allan Kardec oferece-nos em LM demonstra que o Espírito, revestido de seu perispírito ou corpo espiritual, mas “emancipado” do corpo físico, tem um aumento substancial de suas potencialidades intelectuais, seja de forma estritamente anímica ou mesmo constituindo um fenômeno anímico-mediúnico propriamente considerado. (Continua no próximo número.)
 
Referências bibliográficas:
A. Kardec, O Livro dos Espíritos, tradução de José Herculano Pires, Livraria Allan Kardec Editoria, São Paulo, São Paulo. 62 ed. 2001.
A. Kardec, O Livro dos Médiuns, tradução de José Herculano Pires, Livraria Allan Kardec Editora, São Paulo, São Paulo. 1 ed. 1973.
A. Luiz [psicografado por Francisco C. Xavier], Missionários da Luz, Federação Espírita Brasileira, Brasília, Distrito Federal. 1 edição especial.  2003.
M.P. Miranda [psicografado por Divaldo P. Franco], Tormentos da Obsessão, Livraria e Editora Alvorada, Salvador, Bahia. 2 ed. 2001.

              Leonardo Marmo Moreira









                                                                                                                PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: O sono e suas implicações físicas e espirituais
Enviado por: dOM JORGE em 15 de Janeiro de 2017, 07:36
                                                                   VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.



                      O sono e suas implicações em termos de saúde
física e espiritual
(Parte 2 e final)



Mesmo se considerarmos os processos de emancipação da alma mais “sutis”, ou seja, aqueles mais gerais e associados ao sono, é possível perceber que os momentos nos quais a alma “afasta-se” do cérebro físico são decisivos para a recepção e melhor fixação da chamada “intuição ou inspiração espiritual”. A “Falange do Espírito de Verdade” (FEV) enfatiza isso em O Livro dos Espíritos (LE) nas questões 410 e 410-a. Analisemos, primeiramente, a questão 410:
 
“410. Têm-se às vezes, durante o sono ou o cochilo, ideias que parecem muito boas, e que, apesar dos esforços que se fazem para recordá-las, se apagam da memória. De onde vêm essas ideias?
R. São o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades. Frequentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos”. 
Os Espíritos deixam claro que as “boas” ideias são, nesse contexto, “...o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades”. Portanto, os Espíritos frisam que a capacidade intelectual do Espírito imortal manifesta-se com mais facilidade, originalidade e/ou rapidez do que quando na vigília física, onde o cérebro físico exerce certa “obstrução” à manifestação de toda a bagagem espiritual da alma em questão. Os Espíritos também comentam que tais “inspirações” são, usualmente, sugestões das Entidades desencarnadas (“Frequentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos”). Note que a FVE utiliza a expressão “frequentemente” e não asseveram “Em todos os casos” ou “Na maioria dos casos”. Portanto, em um bom número de casos, há inspiração de Espíritos desencarnados, mas em uma significativa quantidade de ocorrências não acontece tal influência dos desencarnados, o que equivale a afirmar que é o próprio encarnado desdobrado parcialmente que, em bom número de ocorrências, adquire maior acuidade intelectual para ter excelentes ideias. Portanto, na primeira situação, temos a intuição dos Espíritos desencarnados, e no segundo caso, observamos um fenômeno fundamentalmente anímico, isto é, um “raciocínio” ou “lampejo” intrínseco do próprio Espírito encarnado (seria uma espécie de “insight”, utilizando um termo inglês usualmente empregado, que nasce, em princípio, do próprio encarnado fora do corpo).
Vejamos, em sequência, a questão 410, item a:

“410-a. De que servem essas ideias ou esses conselhos, se a sua recordação se perde e não se pode aproveitá-los?
R. Essas ideias pertencem algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos que ao mundo corpóreo, mas o mais frequente é que se o corpo as esquece, o Espírito as lembra, e a ideia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento”.
Portanto, a FVE é bastante explícita ao afirmar que, mesmo quando esquecemos as ideias apreendidas com os mentores, elas permanecem em uma espécie de “estado latente” em nossa memória, o qual poderia ser “ativado” com uma pequena “associação de ideias” ou com alguns momentos de reflexão ou até mesmo, através do estudo de obras de autores que abordem o assunto em questão, mesmo que levemente, favorecendo o despertamento da respectiva elucubração.
As implicações das vivências espirituais a partir do desdobramento parcial pelo sono físico – Informações de Allan Kardec, André Luiz e Manoel Philomeno de Miranda enfatizam a relevância desses períodos de emancipação da alma via sono para as realizações do indivíduo na vigília física, tanto no que se refere a tarefas rotineiras da vida material assim como inspirações para trabalhos de maior impacto em termos de contribuição para questões propriamente espirituais.
Em “Missionários da Luz” é narrado um encontro de grupos de trabalhadores espiritistas, os quais, desdobrados pelo sono físico, assistiram a uma palestra do mentor espiritual Alexandre no centro espírita ao qual estavam vinculados [Luiz, 2003]. A exposição, que está registrada no capítulo nove, denominado “Mediunidade e Fenômeno”, foi focada no tema “desenvolvimento mediúnico”, apresentando multifacetados aspectos, e era direcionada predominantemente aos irmãos encarnados desdobrados. Isso demonstra que mesmo com o eventual esquecimento das vivências no desdobramento parcial pelo sono físico (DPSF), para significativo número de indivíduos, os mentores consideram tais iniciativas produtivas, o que está em concordância com as bases kardequianas.
Nessa mesma obra [Luiz, 2003], no capítulo sete, intitulado “Socorro Espiritual”, é narrada uma intervenção através de passes por parte dos desencarnados, com o auxílio magnético de um passista encarnado desdobrado de nome Afonso. Nesse episódio, é providenciada a aplicação de “uma espécie de passe humano-espiritual atípico”, uma vez que o homem atendido, de nome Antônio, não sabia que estava recebendo o passe e o passista encarnado, estava desdobrado. De qualquer maneira, o texto de André Luiz deixa claro que os Amigos Desencarnados necessitavam da contribuição de um passista encarnado desdobrado, em função da necessidade de fluidos vitais inerentes aos encarnados. No entanto, não era possível a utilização de qualquer passista, mas de um passista com preparo espiritual e experiência, uma vez que o organismo de Antônio estava, segundo André Luiz, em estado “já moribundo”. O passista encarnado Afonso foi convocado em função da elevação moral que o caracterizava, fazendo com que os fluidos vitais por ele fornecidos fossem de elevada qualidade. Afonso pareceu um “veterano em semelhantes serviços de assistência”, na opinião de André Luiz, e atuou sob a orientação de Alexandre e em parceria com o grupo do Irmão Francisco para “salvar a vida física” de um companheiro que estava efetivamente em uma situação de grande risco de morte. Antônio foi salvo e ganhou alguns meses para completar tarefas da existência física. Tal narrativa denota os impactos fluídicos que temos no DPSF sobre nossa saúde física (como o exemplo de Antônio ilustra) assim como o volume de atividades espirituais de grande relevância que podemos desenvolver, se estivermos em condições morais para isso (como a atuação de Afonso exemplifica) [Luiz, 2003].
Na obra “Tormentos da Obsessão” [Miranda, 2001], os amigos espirituais, dirigidos por Eurípedes Barsanulfo, tentam orientar um trabalhador espírita encarnado, durante um DPSF desse respectivo irmão. Eurípedes e os amigos elaboram uma reunião específica para esse irmão que estava assumindo diretrizes equivocadas espiritualmente.
O sono, dessa forma, está muito associado aos estados de saúde e/ou doença tanto do corpo físico como do Espírito imortal propriamente considerado. Mais do que isso, o sono está profundamente relacionado à produtividade intelecto-moral durante o período de vigília no corpo físico.
Nesse contexto, é importante adir que o sono e a emancipação da alma via sono são inerentes à vida de todo ser humano, contemplando substancial tempo de vida física. Assim sendo, a excelência, ou, pelo menos, uma melhoria em termos de realizações espirituais, seria fortemente afetada pelo sono propriamente dito para toda e qualquer criatura humana. Logo, um maior esforço de conscientização em termos de estratégias para melhor aproveitamento desse intervalo de tempo deveria ser um foco de mais significativa atenção nas atividades doutrinárias por parte das instituições espíritas.
Objetivando a supracitada otimização das horas de sono é fundamental um esforço efetivo em um processo de “educação para dormir”. Tal meta contempla uma série de atitudes antes, durante e após as horas mais associadas ao período de sono de cada indivíduo. O Espiritismo, por conseguinte, ensina algo muito importante e que jamais teve uma proposta, assim como uma explicação, tão ampla e profunda: a necessidade de educação intelecto-moral para aproveitarmos nossas horas de sono.
Somos Espíritos e usamos temporariamente um corpo físico. Todavia, mesmo durante a encarnação, não estamos totalmente presos ao corpo físico. Há situações em que recebemos uma espécie de “liberdade condicional”. Tais situações permitem que o Espírito goze de um pouco mais de liberdade em relação ao seu corpo físico. O caso mais comum desse tipo de “liberdade condicional” ocorre através do sono físico.
Do ponto de vista físico, realmente necessitamos de aproximadamente oito (8) horas de sono por dia; mas, do ponto de vista espiritual, jamais ocorre qualquer tipo de interrupção de nossas atividades mento-espirituais. Dessa forma, a “consciência” não para de atuar jamais. De fato, durante as horas de sono físico, podemos adquirir (O Espírito propriamente dito, isto é, o princípio inteligente do universo, a verdadeira individualidade, também chamada de mente ou Eu superior, o qual é acompanhado pelo perispírito ou corpo espiritual) uma liberdade parcial em relação ao corpo físico.
Isso não significa que se eu costumo dormir oito (8) horas por dia, eu estarei desdobrado oito (horas) por dia. Em um bom intervalo desse tempo, o Espírito pode estar “coincidente” como o corpo físico, ou seja, justaposto ao corpo, mas, de qualquer maneira, uma boa parte desse intervalo de tempo dedicado ao sono físico pode estar, e frequentemente está, associado a um desdobramento efetivo do Espírito.


           Leonardo Marmo Moreira








                                                                                                 PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: O sono e suas implicações físicas e espirituais
Enviado por: dOM JORGE em 15 de Janeiro de 2017, 07:39
                                                                   VIVA JESUS!




                Bom-dia! queridos irmãos.




                         O sono como fator de perturbação espiritual e abalo à saúde física – A questão 412 de LE [Kardec, 1972] é profundamente significativa em termos de correlação entre DPSF e saúde física. Vejamos:

“412. A atividade do Espírito, durante o repouso ou o sono do corpo, pode fadigar a este?
R. Sim, porque o Espírito está ligado ao corpo, como o balão cativo ao poste. Ora, da mesma maneira que as sacudidelas do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo, e pode produzir-lhe fadiga”.
O supracitado desgaste do corpo físico é compreensível, à luz da Doutrina Espírita, pois a vivência espiritual no DPSF gera significativos desgastes psicológicos, devido a vivências negativas espiritualmente, e também perdas em termos de fluido vital, em função das “vampirizações” a que se sujeitam, frequentemente, os encarnados. Realmente, a alma, quando permanece significativo tempo em meios e/ou em atividades de baixo padrão vibratório, usualmente na companhia de entidades atrasadas espiritualmente, perde fluido vital e acaba impregnada de fluidos negativos que abalam o equilíbrio perispiritual, o que tende a afetar negativamente as condições fisiológicas do organismo somático mais grosseiro.
Logo, o desdobramento parcial pelo sono físico, com raras e especiais exceções, tem sido muito mal aproveitado pela humanidade. A chamada “vigilância moral” é frequentemente relaxada durante as horas de sono e, desta forma, muitas tendências negativas que controlamos durante a vigília, não inibimos durante o sono físico. Isso explica, pelo menos parcialmente, a ocorrência de muitos sonos grosseiros em que podemos nos surpreender em atitudes que somos incapazes de tomar durante o dia. Tal contexto tende a ser minimizado com o estudo mais sério do Espiritismo e com um esforço mais sincero na aplicação desses princípios libertadores a nós mesmos.
De fato, longe de aproveitarmos nossas horas de contato mais efetivo com o mundo espiritual para gerarmos inspiração e iluminação espiritual para nós mesmos, costumamos desperdiçar todo esse tempo e, o que é pior, muitas vezes ainda acentuamos viciações materiais, processos obsessivos e comprometimentos negativos de toda espécie.
Um terço da vida física é um tempo gigantesco, que pode gerar intuições positivas para a resolução de inúmeros problemas existenciais que nos desafiam durante o dia (durante a vigília física). Por outro lado, considerando o nível espiritual médio de nossa humanidade terrestre, podemos gastar esse tempo engendrando perturbações para nós mesmos e para outrem, perturbando nossa própria capacidade de desenvolvimento das tarefas diárias.
Estratégias para um melhor aproveitamento das horas de sono – Neste contexto, o hábito da oração antes de dormir é uma prática extremamente positiva e saudável do ponto de vista espiritual, e com inevitáveis consequências perispirituais e físicas. Entretanto, somente a oração não é suficiente. Muitos pensam que um simples “Pai Nosso” ou uma “Oração de Francisco de Assis” ou qualquer outra oração, decorada ou não, proporcionaria uma imunidade espiritual total, ou quase total, para todo e qualquer tipo de possível perturbação espiritual que podemos adquirir durante as horas de sono físico. Essa ideia não corresponde à realidade. De fato, os pensamentos, sentimentos, fixações, palavras e atos que praticamos durante todo o dia constituem a preparação para a noite e para os hábitos que desenvolvemos durante o desdobramento parcial gerado durante o sono físico. De forma semelhante, tudo aquilo que fazemos, em Espírito, durante o respectivo desdobramento parcial, influencia nosso estado mental, nossa tranquilidade, nossa capacidade de concentração, nosso apego ou não à matéria, nossas lembranças, incluindo as negativas e/ou as positivas, entre outros estados íntimos, durante o dia seguinte.
Isso ocorre porque as atividades do Espírito imortal não param nunca e, não parando, estamos construindo nosso estado vibratório e nossas afinidades espirituais a cada instante e sempre, sem nenhuma interrupção em quaisquer que sejam as situações existenciais. Um esforço de elevação de pensamentos de aproximadamente cinco (5) minutos, por exemplo, ajudaria, mas provavelmente não reverteria completamente um dia inteiro de pensamentos negativos, agressivos, vingativos, ressentidos, depressivos que tenhamos cultivado.
Assim, podemos gerar círculos viciosos ou círculos virtuosos durante esses ciclos de vigília-desdobramento parcial- vigília, dependendo de nossas diretrizes ético-morais e nossos esforços por empreender nossa evolução espiritual.
As obras de André Luiz, por intermédio da mediunidade de Chico Xavier (citaríamos, a título de exemplo, a extraordinária obra “Missionários da Luz”, terceira obra da série “A Vida No Mundo Espiritual”, também chamada série “Nosso Lar” ou série “André Luiz”), e as obras oriundas da mediunidade de Dona Yvonne do Amaral Pereira (tais como “Memórias de um Suicida”; “Devassando o Invisível” e “Recordações da Mediunidade”), entre outras, mostram grande número de casos em que a necessidade de educação para o sono constitui um dos pré-requisitos fundamentais para uma evolução espiritual sustentável e mais substancial. O estudo desta realidade e a tentativa de aplicação efetiva dessas informações em nossa melhoria íntima é fundamental a fim de gerar um salto qualitativo que nos permitiria adquirir, de fato, um patamar de maior espiritualidade durante toda nossa vida física, vinte e quatro (24) horas por dia.
Acreditamos que tal realidade poderia e deveria ser mais enfatizada nos estudos de rotina em nossas instituições espíritas, pois tal problemática consiste em fator determinante para a melhoria intelecto-moral de todos os indivíduos.
 
Referências bibliográficas:
A. Kardec, O Livro dos Espíritos, tradução de José Herculano Pires, Livraria Allan Kardec Editoria, São Paulo, São Paulo. 62 ed. 2001.
A. Kardec, O Livro dos Médiuns, tradução de José Herculano Pires, Livraria Allan Kardec Editora, São Paulo, São Paulo. 1 ed. 1973.
A. Luiz [psicografado por Francisco C. Xavier], Missionários da Luz, Federação Espírita Brasileira, Brasília, Distrito Federal. 1 edição especial.  2003.
M.P. Miranda [psicografado por Divaldo P. Franco], Tormentos da Obsessão, Livraria e Editora Alvorada, Salvador, Bahia. 2 ed. 2001. 


         Leonardo Marmo Moreira








                                                                                                              PAZ, MUITA PAZ!