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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: jose da silva de jesus em 07 de Fevereiro de 2019, 21:49

Título: Política e solidariedade
Enviado por: jose da silva de jesus em 07 de Fevereiro de 2019, 21:49




Política e solidariedade

Vivemos atualmente em um clima de grande confrontação entre as correntes políticas da esquerda e da direita no Brasil, sendo que o momento parece estar mais favorável à direita.

Cada pessoa possui a sua própria interpretação sobre o desenrolar dos fatos dos últimos anos no país, assim como cada um possui uma visão diferente sobre o que significam os termos esquerda e direita. Uns veem a esquerda como sinônimo de luta contra as injustiças sociais e a desigualdade, outros enxergam a esquerda como uma ideologia que defende e apoia ditaduras sanguinárias. Uns veem a direita como a defesa da liberdade individual, do empreendedorismo e do crescimento econômico, outros enxergam apenas como a defesa das velhas elites e da desigualdade social que as beneficia.

Independentemente de qual seja o seu alinhamento político, qualquer pessoa honesta e
com bom senso consegue separar o que existe de bom e de ruim em cada uma destas ideias. Justiça social e igualdade de direitos e deveres é sempre bom, ditaduras e autoritarismo são sempre ruins. Liberdade e desenvolvimento são bons, elitismo e desigualdade são ruins. Com estes valores e princípios todos podemos concordar, pois eles são compatíveis com os nossos valores cristãos.

O mundo seria um lugar muito mais pacífico e as pessoas resolveriam seus conflitos muito mais facilmente se conseguissem analisar os fatos sem os filtros ideológicos, levando em consideração apenas os seus valores e princípios morais. Porque até a pessoa mais simples e mais desligada da política consegue, sem muito esforço, perceber o que existe de bom e ruim em cada proposta ou cada política pública, caso olhe para os seus fundamentos mais básicos, que ficam quase sempre escondidos debaixo do discurso manipulador.

Quando Jesus disse “quem tiver olhos de ver que veja” estava pedindo que retirássemos os preconceitos políticos, religiosos, raciais etc. e apenas enxergássemos a verdade com o coração. Qualquer ser humano tem o poder de diferenciar o bem do mal com muito pouco esforço.

Um política pública que afeta muito a vida dos cidadãos de qualquer país é a previdência social. A previdência social é um sistema solidário que garante renda principalmente para os velhos, os doentes e as viúvas. Um sistema solidário significa que quem pode pagar, paga por aqueles que não podem mais contribuir. Os jovens e sadios trabalham e sustentam o sistema para que os velhos, doentes etc. tenham como sobreviver. Ao contrário do que muitos pensam, a previdência social brasileira não se parece em nada com um sistema de poupança, em que cada um deposita um valor para si mesmo no futuro. A exigência de que as pessoas contribuam um mínimo de anos para se aposentar serve apenas para garantir que espertalhões não deixem de dar a sua devida contribuição para o sistema que protege a todos aqueles que trabalham.

Mas este modelo está prestes a ser destruído, senão imediatamente, pelo menos para as
gerações de nossos filhos e netos. Entre as propostas que estão sendo sugeridas pelos deputados e senadores existe a ideia de acabar com o sistema solidário e implantar no lugar um sistema de capitalização. A capitalização significa o fim do sistema solidário, fim do princípio da solidariedade entre os trabalhadores. Pelo sistema de capitalização cada trabalhador contribui para uma conta individual e só recebe aquilo que depositou em sua própria conta. Pode parecer justo à primeira vista, mas logo podemos imaginar, como ficam por exemplo a mulher e os filhos daquele policial morto em serviço? Pelo sistema atual seus filhos teriam garantido até a idade adulta (quando puderem prover seu próprio sustento) uma renda igual à que o policial ganhava quando estava vivo. Mas após 5 anos arriscando sua vida dia a dia no combate ao crime e finalmente sendo vítima dele, este policial teria contribuído para a tal caixa individual (sistema de capitalização) apenas o suficiente para manter sua família por alguns meses. Qual seria a tristeza da alma deste policial ao ver seus filhos jogados para a miséria e sendo aliciados para o mundo do crime daqui há alguns anos.

Não preciso me alinhar a nenhuma corrente ideológica para perceber que substituir um sistema baseado na solidariedade por outro baseado no individualismo é mal negócio. A proposta também não se justifica em bases científicas ou econômicas. Qualquer sistema de previdência (solidário ou não) precisa pagar benefícios de acordo com o que é arrecadado do trabalhador. Seja um sistema solidário ou de capitalização, sempre será preciso aumentar as contribuições ou diminuir o valor pago em benefícios, quando o sistema não estiver equilibrado. Acabar com a solidariedade do sistema e deixar as viúvas desamparadas não elimina esse problema.

Mas a proposta é muito popular entre os grandes bancos e seus economistas. Atualmente os bancos não conseguem competir com a previdência solidária, porque não possuem capital para criar um grande sistema solidário nacional igual ao da previdência pública. Mas se acabarmos com a solidariedade, então os bancos poderão oferecer planos individuais (sem solidariedade) e concorrer de igual para igual com uma previdência pública não solidária. O fim da solidariedade abre um mercado de centenas de bilhões de reais para os bancos explorarem.

Não preciso citar, como fazem alguns esquerdistas, um suposto comportamento comunista dos apóstolos de Jesus, nem nenhuma outra distorção ideológica da esquerda para enxergar que a solidariedade é um melhor caminho do que o individualismo. O mandamento maior do mestre Jesus “amar ao próximo como a si mesmo” e muitas outras lições, como a da parábola do bom samaritano, deixam bem claro que a solidariedade para com os necessitados é uma obrigação cristã. Por isso não existe como harmonizar essa destruição do sistema de solidariedade com os princípios cristãos. Crises financeiras continuarão a existir e fraudes podem ocorrer em qualquer sistema, ambas estas coisas podem ser combatidas. Mas a destruição do sistema solidário que protege velhos e doentes, viúvas e aleijados e troca isto por um sistema “cada um por si” não pode ser vista com bons olhos por nenhum cristão.

Jesus nos convoca a defender a solidariedade entre os homens dizendo: “Vinde, abençoados de meu Pai! Recebei como herança o Reino, o qual vos foi preparado desde a fundação do mundo. Pois tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber; fui estrangeiro, e vós me acolhestes. Quando necessitei de roupas, vós me vestistes; estive enfermo, e vós me cuidastes”



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