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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Marccello em 12 de Julho de 2010, 00:44

Título: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Marccello em 12 de Julho de 2010, 00:44

Na visão espírita, Jesus não é literalmente Deus, nem o “Filho de Deus”, mas um “Espírito Puro”, “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo” (KARDEC, O Livro dos Espíritos, pergunta 625) (negrito meu), mas ele não sofreu nem morreu para redimir os nossos pecados, conforme ensina o cristianismo dogmático e mítico (paulinismo).
Como todos já sabemos, mas convém repetir, segundo a doutrina cristã dogmática e mítica, Jesus é literalmente Deus – o “Filho de Deus” e “Deus o Filho” (Deus encarnado, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade) – sofreu e morreu na cruz para pagar nossos pecados, nossas culpas, incluindo o “pecado original” cometido por Adão e Eva. Essa crença, como já vimos em muitas matérias deste blog, é a doutrina central cristã (paulinista) da redenção da humanidade pelo sangue de Cristo derramado na cruz. Quem crê nessa doutrina paulina e luterana está “salvo”, e quem não crê nela está condenado ao fogo do inferno eterno. Isso é verdade ou mito? Como já foi esclarecido em matérias anteriores, mas não me cansarei de repetir,

esta doutrina tradicional é a de Paulo e não a de Jesus. Foi Paulo quem centralizou a atividade de Jesus em sua morte, mostrando que é através dela que o homem de fé se liberta de seus pecados, das misérias do mundo e do poder de satanás. Há muito tempo, os teólogos modernos e os estudiosos de história da Igreja vêm afirmando abertamente que o cristianismo da Igreja organizada, cuja questão central é a compreensão da salvação como fruto da morte e do sofrimento de Jesus, se apoiou em fundamentos incorretos. [...] Associando a morte do Unigênito de Deus à redenção de nossos pecados, Paulo retrocedeu às primitivas religiões semíticas, em que os pais deviam imolar seus primogênitos. Paulo também é o responsável pelos dogmas do pecado original e da trindade, posteriormente incorporados pela Igreja (KERSTEN, Holger. Jesus Viveu na Índia: a desconhecida história de Cristo antes e depois da crucificação. 17. ed. São Paulo: Best Seller, 1986, p.34-35) (negrito meu).

O Espiritismo rejeita, com razão, essa velha crença mítica e repugnante do cristianismo dogmático, ensinando-nos que Jesus, mesmo sendo um espírito elevadíssimo, um espírito puro, perfeito, não mais tendo que passar por provas e expiações, aceitou, contudo, encarnar-se e sofrer neste planeta, a fim de cumprir uma MISSÃO em favor de toda a humanidade, ou seja, a MISSÃO de nos ensinar e de praticar, como nenhum outro espírito, a VERDADEIRA RELIGIÃO, A PRÁTICA DO AMOR-CARIDADE.

A essa altura de nossa argumentação, algum cristão dogmático poderia fazer aos espíritas o seguinte questionamento:
Cristão dogmático – Se Jesus, na visão espírita, era um espírito puro, elevadíssimo, um espírito perfeito, que não mais tinha que passar por provas e expiações obrigatórias (Lei de Causa e Efeito), e que não veio à Terra para sofrer e morrer na cruz para pagar nossos pecados, como aceitar o argumento espírita segundo o qual Jesus veio sofrer e morrer para cumprir uma MISSÃO divina, ou seja, a missão de ensinar uma elevada moral à humanidade? Para alguém ensinar uma elevada moral à humanidade, era preciso sofrer tanto, como sofreu Jesus?

Continua...
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Marccello em 12 de Julho de 2010, 00:48
Espírita(s) – A Doutrina Espírita esclarece que um espírito pode encarnar-se na Terra por três razões: 1) para expiar obrigatoriamente faltas cometidas em vidas passadas; 2) para passar por determinadas provações escolhidas, a fim de progredir em sua evolução e 3) para cumprir uma MISSÃO divina, em favor da evolução da humanidade, o que explica o objetivo da encarnação de Jesus neste planeta, para o qual ele veio com a MISSÃO divina de nos ensinar e praticar, como nenhum outro espírito, a VERDADEIRA RELIGIÃO, A PRÁTICA DO AMOR-CARIDADE.

O sofrimento, incluindo a morte, significa muito pouco (ou nada) para seres da magnitude de Jesus. Todo o sofrimento de Jesus foi causado por ele ter ensinado e praticado uma moral frontalmente oposta à que era praticada em sua época pelas autoridades judaicas e romanas, como a exploração, a injustiça, a discriminação, o preconceito, o exclusivismo etc. Jesus ensinou e praticou a caridade, o perdão, a humildade, a justiça, o igualitarismo, a fraternidade, o inclusivismo, a tolerância, o amor aos inimigos etc. Tudo isso pôs Jesus em rota de colisão com as autoridades judaicas e romanas.
Foi por causa desses seus ensinamentos e ações em prol da igualdade e fraternidade entre todas as pessoas, sem distinção de classes sociais e econômicas, que ele foi considerado pelas autoridades judaicas e romanas como um camponês rebelde, politicamente inconveniente, que se opunha às leis injustas judaicas e romanas. Foi por isso que ele foi executado, ou seja, por ter sido considerado uma pessoa inconveniente, e não por ter se declarado “Filho de Deus”.
Em resumo, Jesus não se encarnou para expiar erros cometidos em encarnações passadas, nem para cumprir provas escolhidas por ele mesmo, a fim de acelerar sua evolução espiritual, mas para cumprir uma missão divina de ajudar a humanidade a evoluir espiritualmente, através da Lei do Amor, mesmo que, para cumprir esta missão, ele tivesse que enfrentar terríveis sofrimentos, incluindo a morte na cruz. Foi um sacrifício tipicamente missionário, em prol da evolução de nosso planeta. Somente um espírito da magnitude evolutiva de Jesus poderia ter enfrentado e cumprido esta difícil MISSÃO divina em favor da humanidade.
Para concluir a matéria, reafirmo que Jesus, na visão espírita, não sofreu e morreu para nos salvar, ou seja, para pagar nossos pecados (como na visão cristã dogmática), nem para resgatar débitos de vidas passadas, nem para cumprir uma provação escolhida por ele mesmo para agilizar sua evolução espiritual, mas para cumprir a MISSÃO divina de ensinar e vivenciar o amor a Deus e ao próximo, derrubando leis judaicas e romanas exclusivistas, injustas e discriminatórias, mostrando ao mundo que Deus não era o Ser perverso, violento, vingativo, intolerante e exclusivista, como literalmente retratado no Antigo Testamento, mas um Espírito misericordioso, amoroso, justo e compassivo, que não o enviou à Terra para morrer na cruz por nossas culpas, mas para ensinar a humanidade a evoluir espiritualmente mediante a vivência da verdadeira religião – a prática do amor-caridade.

Escrito por José Pinheiro de Souza

Muita paz. :)
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: fernandes adalberto em 12 de Julho de 2010, 13:06
os ensinamentos de Jesus é sempre um alicerce para os irmãos de fé. onde nos ensina a amar aos nossos proximos, amar aos nossos inimigos etc..
Isso nos dar a entende que sem o amor em nosso coração, jamais iremos aprender as lições divinas do Cristo.
um otimo Texto, muito bom.
Fernandes Adalberto
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Surya em 12 de Julho de 2010, 15:05
Excelente texto,obrigada por partilhar!!
Abraços Fraternos!!
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Leonardo Hardware em 13 de Julho de 2010, 00:39
Muito belo e construtivo o texto.

Leonardo.
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Marccello em 13 de Julho de 2010, 02:17
Boa noite amigos Adalberto, Leonardo e querida amiga Surya!

O ensinamento de Jesus..."O amor é o maior dos mandamentos"

Grande abraço! ;)

Muita paz. :)
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Diegas em 13 de Julho de 2010, 02:46
Citar
'...O sofrimento, incluindo a morte, significa muito pouco (ou nada) para seres da magnitude de Jesus...'


Olá.


Vamos tentar entender o extremo:

Será que o sofrimento, incluindo a morte, é bastante significativo para seres de pouca expressão espiritual ? Afinal, de que significado escreve o autor que não consegui captar ?

Somente os espiritas-catolicos ou espiritas-evangelicos valorizam em demasia ou destacam a morte como uma coisa trágica, importam-se tanto com o sofrimento. Facilmente explicável:  pelo fato de depositarem tudo nesta vida, consideram a existencia terrena um fim em si mesmo.

Quando o espiritualista livrar-se-á dessa dramatica tendencia de considerar a morte um mal ? Vai lá que este sentimento seja toleravel na boca de um ateu, mas inaceitável quando proveniente de um crente na imortalidade da alma, na pluralidade das existencias e dos mundos habitados.



Abç
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Marccello em 13 de Julho de 2010, 03:05
Boa noite amigo Diegas!

Obrigado por suas considerações...

Falando em religiões...

Toda religião procura confortar os homens, ante a esfinge da morte. A Doutrina Espírita não apenas consola, mas também alumia o raciocínio dos que indagam e choram na grande separação. Toda religião admite a sobrevivência.
A Doutrina Espírita não apenas patenteia a imortalidade da vida, mas também demonstra o continuísmo da evolução do ser, em esferas diferentes da Terra. Toda religião afirma que o mal será punido, para lá do sepulcro. A Doutrina Espírita não apenas informa que todo delito exige resgate, mas também destaca que o inferno é o remorso, na consciência culpada, cujo sofrimento cessa com a necessária e justa reparação. Toda religião ensina que a alma será expurgada de todo o erro, em regiões inferiores. A Doutrina Espírita não apenas explica que a alma, depois da morte, se vê mergulhada nos resultados das próprias ações infelizes, mas também esclarece que, na maioria dos casos, a estação terminal do purgatório é mesmo a Terra, onde reencontramos as conseqüências de nossas faltas, a fim de extingui-las, através da reencarnação. Toda religião fala do céu, como sendo estância de alegria perene. A Doutrina Espírita não apenas mostra que o céu existe, por felicidade suprema no espírito que sublimou a si mesmo, mas também elucida que os heróis da virtude não se imobilizam em paraísos estanques, e que, por mais elevados, na hierarquia moral, volvem a socorrer os irmãos da Humanidade ainda situados na sombra. Toda religião encarece o amparo da Providência Divina às almas necessitadas. A Doutrina Espírita não apenas confirma que o amor infinito de Deus abraça todas as criaturas, mas também adverte que todos receberemos, individualmente, aqui ou além, de acordo com as nossas próprias obras. Os espíritas, pois, realmente não podem temer a morte que lhes sobrevém, na pauta dos desígnios superiores. Para todos eles, a desencarnação em atendimento às ordenações da Vida Maior é o termo de mais um dia de trabalho santificante, para que se ponham, de novo, a caminho do alvorecer.

Emmanuel

Grande abraço! ;)

Muita paz. :)
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Diegas em 13 de Julho de 2010, 12:35
Olá, Marccello


Agradeço por trazer Emmanuel.



Abç
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Disc em 15 de Julho de 2010, 17:19
Eu acho que se Jesus era um Espírito Puro antes de vir à Terra, não haveria essa possibilidade de ele encarnar e sofrer como sofreu. Na perfeição da obra divina, deve-se excluir qualquer possibilidade de sofrimento e este só seria possível, no nosso entendimento, em razão de uma imperfeição moral. Uma vez li em um artigo em um site sobre Pietro Ubaldi que Jesus veio para a Terra viver a sua última encarnação, sendo esta a sua missão final como Espírito ainda em processo de evolução.
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: lillus em 15 de Julho de 2010, 18:11
Marccello,
gostei de suas explicações, de fácil entendimento.
Título: Re: O Sofrimento de Jesus na Visão Espírita
Enviado por: Marccello em 16 de Julho de 2010, 03:43
Boa noite Diegas, SkyLight e Lillus!

Obrigado pela participação e os esclarecimentos...

Grande abraço! ;)

Muita paz. :)