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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: António Manuel Bento em 22 de Janeiro de 2012, 16:37

Título: As parábolas e os ensinamentos de Jesus III
Enviado por: António Manuel Bento em 22 de Janeiro de 2012, 16:37
A PARÁBOLA DO SEMEADOR
Concluindo este estudo sucinto sobre as parábolas de Jesus, vamos analisar a Parábola do Semeador. Entendida por alguns autores como a parábola das parábolas, ela sintetiza as características predominantes em todas as almas e ao mesmo tempo ensina a distingui-las pela forma como recebem os ensinamentos espirituais.
Afluindo uma grande multidão e vindo ter com Ele gente de todas as cidades, disse Jesus em parábola:
“Saiu o Semeador para semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do Céu a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e tendo crescido, secou, porque não havia humidade. Outra caiu no meio dos espinhos; e com ela cresceram os espinhos, e sufocaram-na. E a outra caiu na boa terra, e, tendo crescido, deu fruto a cento por um. Dizendo isto clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Os seus discípulos perguntaram-lhe o que significava esta parábola. Respondeu-lhes Jesus: A vós vos é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros se lhes fala em parábolas, para que vendo não vejam; e ouvindo não entendam”
Sendo uma parábola de tripla tradição sinóptica, pois como já vimos aparece nos três Evangelhos, Mt13:1-9; Mc4:1-9; e Lc8:4-15, é descrita também no Evangelho Gnóstico de Tomé de forma semelhante à dos Sinópticos. No Evangelho Segundo o Espiritismo, a narração da parábola do semeador é a que surge em Mateus.
A parábola do Semeador dirige-nos para o problema da crença versus não crença, ou seja, receber e aceitar ou não a mensagem que a narrativa contém. Os discursos das parábolas não podem ser evidentes, pois tal como a realidade também não é evidente, importa por isso analisar o seu conteúdo:
- A Semente significa os ensinamentos doutrinários contidos no Evangelho, e a terra o estado intelectual e moral de cada um. Para uns, atendendo apenas ao sentido literal, esta não passa de letra morta, não produzindo qualquer fruto, ou seja, não retirando da narrativa qualquer ensinamento espiritual. São idênticos à semente caída em sítio espinhoso ou pedregoso. Para outros, a narrativa contem sublime ensinamento, que dela sabem extrair, aproveitar e difundir. São como a semente em terra boa, que germina, cresce, floresce e dá fruto.
No comentário à parábola do semeador referenciada no ESE, Allan Kardec aplica-a às diferentes categorias dos espíritas: Aos que se agarram aos fenómenos físicos e deles não extraem nenhuma consequência, porque só os vêm como objecto de curiosidade; aos que só procuram a comunicação com os espíritos e só se interessam se esta satisfizer a sua imaginação, mas que depois de a ouvir, permanecem indiferentes e dela não extraem nenhum ensinamento; aos que só aplicam aos outros os conselhos bons que admiram, mas não a eles próprios; e finalmente aos que aproveitam os ensinamentos e as instruções dos espíritos para se aperfeiçoarem, instruírem e progredirem.
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No mesmo sentido afirma Cairbar Schutel:“ Que os espíritas, compenetrados dos deveres que assumiram, semelhantes ao Semeador, levem, a todos os lares, e plantem em todos os corações, a Semente da fé que salva, erguendo bem alto essa Luz do Evangelho, escondida sob o alqueire dos dogmas e dos falsos ensinos que tanto têm prejudicado a Humanidade”.
Como gostaríamos que sempre assim fosse!
António Bento
Bibliografia:
Bíblia Sagrada, Soc. Bíblica de Portugal, Lisboa, 1997, Trad. João Ferreira de Almeida
KARDEC, A., O Evangelho Segundo o Espiritismo, CEPC, Lisboa, 1987, 4ª ed.
MIRANDA, H. C., O Evangelho Gnóstico de Tomé, Ed. Lachâtre, S.P., 2007, 4ª ed.
SCHUTEL, C., Parábolas e Ensinos de Jesus, S.P.,1979,11ª ed.

Publicado na Revista Fraternidade - Orgão Doutrinário e Noticioso da A.B.F. - Novembro de 2011