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CONVÍVIO => Como usar este Fórum => Sugestões => Tópico iniciado por: *Leni* em 15 de Novembro de 2008, 01:33

Título: Jesus
Enviado por: *Leni* em 15 de Novembro de 2008, 01:33

Seria ótimo se vocês tivessem um espaço chamado Jesus Cristo. Lá nós poderíamos escrever mensagens apenas sobre nosso Mestre.
Título: Re: Jesus
Enviado por: Diegas em 15 de Novembro de 2008, 06:37
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A infância do menino Jesus, aparentemente, transcorreu de modo tão comum quanto a dos meninos hebreus, seus conterrâneos. Ele discrepava dos demais meninos devido à sinceridade e franqueza com que julgava as coisas do mundo, sem sofismas ou hipocrisia. Algumas vezes, causava preocupações nos próprios pais, provocando comentários contraditórios entre aquela gente conservadora, que jamais poderia compreender o temperamento de um anjo exilado na carne e incapaz de se acomodar aos interesses prosaícos do ambiente humano.

A vida de Jesus transcorreu adstrita aos costumes das famílias judaícas pobres e de descendência fértil, o que ainda é muito comum na Judéia atual. Os escritores que biografaram sua vida, quase sempre teceram comentários ao sabor de sua imaginação e absolutamente crentes de que ele foi uma criança submissa aos preconceitos e sofismas da época. Assim a lenda e o absurdo transformaram a vida do ser incomum que foi Jesus, num Deus vivo imolado na cruz de redenção, depois de ter vivido existência incompatível com a realidade humana.

Quanto ao aspecto físico, era um menino encantador, de olhos claros, doces e aveludados, como duas jóias preciosas e de um azul-esverdeado encastoadas na fisionomia adornada pela beleza de Maria e cunhada pela energia de José. Vestia-se pobremente, como os demais meninos dos subúrbios de Nazaré, onde proliferavam as tendas de trabalho dos homens de ofício e as lavanderias do mulheril assalariado.

O menino Jesus tinha os cabelos de um louro-ruivo, quase fogo, que emitiam fulgores e chispas à luz do Sol; eram soltos, com leves cachos nas pontas e flutuavam ao vento. Quando ele corria ladeira abaixo perseguido pelos cabritos, cães e aves, seus cabelos então pareciam chamas vivas esvoaçando em torno de sua cabeça angélica. A roupa íntima era de pano inferior, que depois ele cobria com uma camisola de algodão, de cor sépia ou salmão. Só nos dias festivos ou de culto religioso ele envergava a veste domingueira, sendo-lhe permitido usar o cordão de neófito da Sinagoga.

Sobre os ombros, nas manhãs frias, Maria, punha-lhe o manto azul-marinho, de lã pura, tecida em Jerusalém, que fora delicado presente de Lia, uma de suas mais queridas amigas de infância.

Aos doze anos de idade, o porte do menino era ereto e altaneiro, pois as roupas caíam-lhe majestosas sobre o corpo impecável, de anatomia tão admirável que causava inveja às mães dos meninos trôpegos ou defeituosos. Nele se justificava o provérbio de que "o belo e o bom não são imitados, mas apenas invejados" , pois tanto o invejaram pela fartura do seu encanto, pela prodigalidade de sua doçura e cortesia, como devido à sua dignidade e conduta moral mais propria de um sábio e de um santo. Embora fosse criatura merecedora de todos os mimos do mundo, nem por isso a maldade humana deixava de atingir o menino Jesus, em cuja fisionomia, esplêndida e leal, às vezes pairavam algumas sombras provocadas pela maledicência, injustiça e despeito. Aliás, o que é delicado é mais fácil de ser maltratado, pois enquanto o condor esfacela um novilho, o beija-flor sucumbe sob o afago do menino bruto. Assim também acontecia com Jesus. Seu porte atraente, a sua beleza angélica, a sabedoria prematura e a meiguice invulgar, tornavam-no um alvo para concentração de ciúmes, de inveja e sarcasmo. Enfrentou, desde cedo, a maldade, a má fé, a malícia e a hipocrisia humanas, o que é natural às almas sublimes exiladas no plano retemperador e educativo dos mundos materiais. Nada ele tinha de vaidade ou orgulho que o distanciasse dos demais companheiros de infância, pois era cordial e afetuoso, amigo e leal. (*)


(*) Do livro 'O Sublime Peregrino'