Forum Espirita

GERAL => Psicologia & Espiritismo => Sexualidade => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 12 de Dezembro de 2016, 08:16

Título: O Sexo e o Espírito
Enviado por: dOM JORGE em 12 de Dezembro de 2016, 08:16
                                                                   VIVA JESUS!




                   Bom-dia! queridos irmãos.




                           O Sexo e o Espírito



“Os Espíritos encarnam como homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, assim como cada posição social, lhes oferece provas, deveres especiais e a ocasião de adquirir experiência.” (1)
A organização sexual é inerente ao corpo biológico, como esclarece a Doutrina (2), que lhe permite a geração de novos corpos, para que os espíritos possam realizar seus progressos no mundo material, e o desenvolvimento humano obedece, física e espiritualmente, uma diretriz, do mais animalizado para o mais espiritualizado:
“Na sua origem, o homem possui instintos; mais avançado e corrompido, possui sensações; mais instruído e purificado, possui sentimentos. No ponto mais delicado e evoluído dos seus sentimentos, surge o amor…” (3)
No trajeto evolutivo as sensações aparecem quando ainda não há razão e conhecimento, sedimentando a paixão pelo prazer físico que a atividade sexual proporciona, fortalecidas pelo egoísmo provocado pelos instintos animalizados, resultando em comportamentos infelizes tais, que provocam prejuízos físicos e emocionais a si mesmo e ao próximo, e todo prejuízo causado deverá ser ressarcido em maior ou menor tempo, por aquele que lhe deu causa.
Mas não é só isso. A alma continua a ter a sua individualidade, mesmo sem o corpo físico:
 “Ela ainda tem um fluido que lhe é próprio, tomado da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu perispírito. (4)
E o Perispírito possui forma determinada e pode ser palpável:
 “… tem a forma que lhe convém. É assim que se apresenta, algumas vezes, nos sonhos, ou quando estais acordados, podendo tomar uma forma visível e até mesmo palpável.” (5)
O Espírito carrega após a morte do corpo físico, na sua configuração perispiritual, todos os reflexos de sua mente, incluindo seus vícios e paixões, com a consequente vontade de satisfazê-las, como atesta o Espírito Santo Agostinho:
“Quando o Espírito deixa a Terra leva consigo as paixões ou as virtudes de sua natureza e vai para o Espaço se aperfeiçoar, ou permanece estacionário até que deseje esclarecer-se.” (6)
 E a satisfação das paixões é buscada pelo espírito tanto no plano espiritual, quanto junto aos encarnados viciosos, em simbiose, conforme nos orienta a Codificação:
 Os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?
– A esse respeito, sua influência é maior do que podeis imaginar. Muitas vezes são eles que vos dirigem.(7)
 Pode o homem se libertar da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?
– Sim, porque apenas se ligam àqueles que os solicitam por seus desejos ou os atraem pelos seus pensamentos.” (8)
O atual panorama humano mostra, de forma direta e contundente, o quanto o sexo se encontra aviltado e incompreendido pela humanidade, e por isso a sujeita aos mais profundos processos obsessivos, com a participação ativa dos desencarnados junto aos encarnados em suas atividades sexuais infelizes:
“Um Espírito pode momentaneamente entrar no corpo de uma pessoa viva, isto é, se introduzir num corpo animado e agir no lugar daquele que está encarnado?
– O Espírito não entra num corpo como entrais numa casa. Ele se identifica com um Espírito encarnado que tem os mesmos defeitos e as mesmas qualidades para agir conjuntamente; mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer, sobre a matéria em que está…” (9)
A cultura humana conhece, de há muito, as figuras espirituais chamados Íncubos e Súcubos (10), que são tidos como espíritos masculinos e femininos, que buscam os encarnados, durante o sono ou mesmo em vigília, tanto por perseguição e tortura, quanto para satisfação de suas paixões infelizes na área do sexo.
As respostas acima, ditadas pelos Espíritos Superiores, atestam a veracidade da existência desses espíritos, e a possibilidade de suas ações. No entanto, sempre estará no encarnado a responsabilidade pela ocorrência, seja pelos vícios desenvolvidos no passado, seja pelos decorrentes de desequilíbrio moral na existência atual.
A propósito, a respeito da inviolabilidade espiritual do ato conjugal, sugerimos a leitura do capítulo treze do livro Missionários da Luz, ditado por André Luiz à Francisco Cândido Xavier.
Dia vem, por força da destinação que a Divina Providência determina, em que as paixões saturam o espírito que a desenvolveu, e então ele buscará o progresso moral desenvolvendo as ações necessárias:
“O homem pode encontrar nos Espíritos uma assistência eficaz para superar suas paixões?
– Se ele orar a Deus e a seu protetor com sinceridade, os bons Espíritos certamente virão em sua ajuda, porque é missão deles. (11)
Como se pode neutralizar a influência dos maus Espíritos?
– Fazendo o bem e colocando toda a confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores e anulais o domínio que querem ter sobre vós…” (12)
Pode-se por si mesmo afastar os maus Espíritos e se libertar de sua dominação?
– Sempre se pode libertar de um domínio quando se tem vontade firme. (13)
Assim sendo, não basta querer o progresso, é preciso fazê-lo acontecer, e isso se dará em maior ou menor tempo, conforme nos propõe o Benfeitor Espiritual Áureo (14):
“No seio augusto do tempo, a mente se angeliza e a forma se transluz. A mente, que se manifesta na matéria, se expressará, um dia, em plena luz. O sexo, que vibra na carne, radiará, um dia, o puro amor.
No regaço insondável dos milênios, a crisálida de consciência acende, humilde, o primeiro raio da coroa de glórias arcangélicas. Os genes cromossomáticos, que partem dos núcleos celulares e do citoplasma, iniciam, com modesta nota, a sinfonia cósmica da comunhão dos querubins.
Atritada pelos problemas e acicatada pelo trabalho, a mente freme na eclosão do conhecimento, para o esplendor da sapiência. Acrisolado pela dor, nos torniquetes da experiência, o sexo emerge, transformado, para as excelsas criações da beleza.
Torna-se a mente em poder; torna-se o sexo em amor. O poder constrói os mundos; o amor os apura e diviniza. A mente se fortalece e expande; o sexo se desdobra e auto completa. Entretanto, só a mente é eterna; o sexo, que a reflete, acaba por ela absorvido.
Dia chega em que só a mente existe, na plenitude da vida, gloriosa de sabedoria e de amor, na comunhão divina. Então, o verme humilde, que se transformara, com o tempo, em homem problema, será, no império do Universo, um príncipe de luz.”
Pensemos nisso.
Antônio Carlos Navarro
Referências bibliográficas:
(1) O Livro dos Espíritos, item 202; comentário de Allan Kardec;
(2) Idem, item 201;
(3) O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap XI, item 8;
(4) O Livro dos Espíritos, item 150a;
(5) Idem, item 95;
(6) O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap XIV, item 9;
(7) O Livro dos Espíritos, item 459;
(8) Idem, item 467;
(9) Idem, item 473;
(10) Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dncubo
(11) O Livro dos Espíritos, item 910;
(12) Idem, item 469;
(13) Idem, item 475;
(14) Universo e Vida, Hernani T. Sant’Anna, Espírito Áureo (mensagem completa disponível em:
http://www.bvespirita.com/Universo%20e%20Vida%20 (psicografia%20Hernane%20T.%20SantAnna%20-%20espirito%20Aureo).pdf
Nota do Autor:
Grifos do Autor.
Antônio Carlos Navarro








                                                                                                                PAZ, MUITA PAZ!









                                                                   
Título: Re: O Sexo e o Espírito
Enviado por: dOM JORGE em 27 de Agosto de 2018, 20:16
                                                              VIVA JESUS!




            Boa-tarde! queridos irmãos.




                  Sexo nos Espíritos: o pensamento de Kardec


 

Discute-se, em nosso movimento espírita, a respeito da sexualidade dos Espíritos desencarnados. Se eles mantêm a forma humana, então conservam o gênero masculino ou feminino? Há entre eles relação sexual? E se existe esse tipo de relação, podem reproduzir-se, no além?
Allan Kardec ocupou-se dessa temática e teve oportunidade de apresentar suas ideias de forma didática e esclarecedora. Sem desconsiderar opiniões de outros autores (encarnados ou desencarnados) valemo-nos, neste estudo, das ideias do mestre Kardec, Codificador da Doutrina Espírita.
Na resposta ao item 822-a de O Livro dos Espíritos, os Benfeitores grafaram o seguinte: Os sexos só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro, não havendo diferenças entre eles a esse respeito.
Anteriormente, nos itens 200 a 202 da obra citada eles haviam dito que os sexos dependem da constituição orgânica (item 200), que o Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher em uma nova existência, pois são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres (item 201) e que quando somos Espíritos preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher dependendo das provas que tivermos de sofrer (item 202).
Pelo dito, fica claro que os Espíritos não possuem polaridade sexual, gênero masculino/feminino, sendo, nesse particular, assexuados. Tal constatação, todavia, pode levantar o seguinte questionamento: como então, nas obras mediúnicas, ou nas sessões de intercâmbio com os desencarnados eles se apresentam com a forma masculina e feminina, até mesmo enamorados uns dos outros ou eventualmente vivendo juntos na condição de esposos?
A excelente explicação vem pelo codificador, em ensaio publicado na Revista Espírita, janeiro de 1866, página 4: Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e exigências impostas pelo mesmo organismo. Esta influência não se apaga imediatamente após a destruição do invólucro material, assim como não perde instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. Depois, pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. Somente quando chegado a certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos.
Importa considerar que as descrições do Mundo dos Espíritos que recebemos via mediúnica referem-se a regiões muito próximas da crosta terrestre, habitadas por Espíritos ainda muito materializados, segundo refere Kardec, no texto acima. Quase nenhuma referência possuímos da vida dos Espíritos em esferas superiores. (Uma referência breve vamos identificar em Nosso Lar, no capitulo “O sonho”, quando André Luiz, em corpo mental, visita sua mãe em uma esfera acima daquela onde se encontra a colônia citada descrita no livro.) Nas esferas próximas da crosta há absoluta prevalência de Espíritos de evolução primária, que, em sua maioria, nem se dão conta da desencarnação, nutrindo apetites e ansiando vivências similares às da Terra.
No Livro dos Médiuns, item 74, Kardec escreveu: Nos Espíritos inferiores (seu perispírito) aproxima-se da matéria e é isso que determina a persistência das ilusões da vida terrena nas entidades de baixa categoria, que pensam e agem como se ainda estivessem na vida física, tendo os mesmos desejos e quase poderíamos dizer a mesma sensualidade.
Isso poderia explicar os relatos mediúnicos sobre Espíritos atormentados pelas emoções sexuais, verdadeiros vampiros da sexualidade de encarnados imprevidentes. Impossibilitados de saciarem sua libido, se acoplam magneticamente a casais com os quais sintonizam, todos eles igualmente com a sexualidade destrambelhada, absorvendo as emanações psíquicas liberadas durante a relação sexual.
É curioso observarmos que Kardec, no ensaio citado anteriormente (Revista Espírita, janeiro de 1866) admite a hipótese de uma inversão da libido desencadeada pela reencarnação em um corpo físico que não corresponde à psicologia do Espírito, que vinha vivenciando muitas existências em apenas uma polaridade sexual (masculina ou feminina). Tal ocorrência poderia explicar alguns casos da homossexualidade. Confira o texto original: Se essa influencia se repercute da vida corporal à vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito. Mudando de sexo, poderá, então, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres.
Mas afinal, os Espíritos desencarnados fazem sexo, ou seja, existem relações sexuais entre eles? As descrições do modo de vida na erraticidade se reportam a Espíritos dormindo, se alimentando, namorando… mas intercurso sexual ocorre ou não?
A resposta é não, segundo o pensamento de Allan Kardec.
Em duas oportunidades, ambas registradas na Revista Espírita, Kardec expõe suas ideias de maneira indiscutível.
Na Revista Espírita de junho de 1862, após dialogo instrutivo com uma entidade que pertencera à Sociedade Parisiense, Kardec escreve: Os sexos só são necessários para a reprodução dos corpos; porque os Espíritos não se reproduzem, o sexo lhes seria inútil.
Ainda na Revista Espírita, janeiro de 1866, Kardec volta ao tema com o mesmo posicionamento: As almas ou Espíritos não têm sexo. As afeições que os unem nada têm de carnal e, por isso mesmo, são mais duráveis, porque fundadas numa simpatia real e não são subordinadas às vicissitudes da matéria. Os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual.
Admite o codificador que há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos (O Livro dos Espíritos, item 200).
E, finalmente, examinando o sofrimento advindo das paixões inferiores, Kardec reproduz em O Livro dos Espíritos o seguinte pensamento dos Benfeitores: Embora as paixões não existam materialmente, ainda persistem no pensamento dos Espíritos atrasados (item 972). Referindo-se à impossibilidade do intercurso sexual entre eles, comenta que esse tipo de paixão causa suplício no espírito devasso que vê as orgias de que não pode participar (item 972-a).
O tema é complexo e está aberto a novas contribuições. Esperamos ter colaborado para o debate, ao apresentar a linha de pensamento de Kardec.
RICARDO BAESSO DE OLIVEIRA









                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!