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GERAL => Psicologia & Espiritismo => Sexualidade => Tópico iniciado por: Diana em 04 de Março de 2006, 13:17

Título: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: Diana em 04 de Março de 2006, 13:17
A sexualidade do Paralisado Cerebral

A maioria dos portadores de P.C. “Paralisia Cerebral” apresentam apenas dificuldades no movimento corporal, mantendo plenas suas capacidades mentais. Frequentemente são superdotados na inteligência. O conhecimento disso tem prejudicado a plena inclusão a que ele tem direito.

Infelizmente, uma percentagem grande de pessoas com deficiência física ainda vive isolada em sua prisão-pessoa; tentam em vão lutar para serem ouvidos, tentam mostrar que são pessoas normais, mas ninguém se convence, ficam olhando seus corpos diferentes, não entendem o que eles falam, não se interessam por seus problemas, sabem que eles vivem solitários e não querem mudar as coisas.

Falo aqui do número imenso de paralisados cerebrais, aqueles com inteligência normal, mas com inúmeros problemas de comunicação, coordenação e locomoção, em especial aqueles que nasceram portadores de lesões cerebrais ou que a adquiriram na infância, tendo de crescer no meio de centros de habilitação, convivendo semanalmente com médicos, enfermeiros e inúmeros cuidadores, famílias rejeitadoras ou superdotadas.

Vivência difícil e, às vezes, inconsciente, da sexualidade, abusos sexuais por parte de inimigos, e, na vida adulta, a condenação da sexualidade marginal, prostíbulos, casas de massagem, garotas de programa. Ou isto, ou a masturbação solitária, ou a rigidez ascética supervisionada pela família, um mundo de sonhos e fantasias presos numa redoma de vidro, afogados num aquário.

Sofrem porque sentem iguais aos “normais”, porém são tratados como diferentes de todo mundo, inclusive das outras pessoas com deficiência física. Como cresceram com a deficiência não se sentem diferentes, podem vir a manter uma atitude rígida, controlada e obsessiva, tendendo à agressividade contra tudo e contra todos, pais, familiares, outros parceiros e a sociedade como um todo.

Rejeitando a todos, fecham o ciclo do isolamento. Não podemos esquecer que a pessoa que se sente rejeitada é sempre aquele que primeiro rejeitou.

Os paralisados cerebrais que nunca viveram a sexualidade sofrem além dos males da virgindade obrigatória, o problema de não terem modelos de identificação. Pais normais, sociedade normal, revistas, vídeos e demais meios de comunicação mostram como deve ser para o sujeito normal. O sexo-show, o sexo da telinha, da foto estática, mas o paralisado cerebral treme, se descoordena, não consegue ficar de pé ou manter determinada posição sexual da moda, às vezes mal consegue se tocar, com gestos bruscos pode até se machucar ou machucar parceiros íntimos.

Alguns pouco conseguem ter relacionamentos afectivos sexuais equilibrados, mas esta situação é sempre o final de um processo de luta do paralisado cerebral e de sua família contra um montanha de barreiras e preconceitos invisíveis que dificultam que estes homens e mulheres possam viver sua sexualidade de forma plena.

Que deve então fazer o paralisado cerebral, desistir do sexo? Absolutamente, não.

Deve utilizar ainda mais a fantasia à criatividade sexual, para encontrar posições que não foram pensadas nem no Kama Sutra. Deve descobrir formas de conseguir ter prazer auto-erótico, partindo, em seguida, para a intimidade com outra pessoa.

[size=10pt]Por Fabiano Puhlmann
Psicoterapeuta especializado em sexualidade humana Transcrito do Jornal Terra Azul n.º 36, abril a junho/2005, publicado pela Instituição Beneficente Nosso Lar – Editora e Distribuidora Terra Azul
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Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: aruanda em 04 de Março de 2006, 14:39
Aprendi  com este texto a ter ainda mais respeito pelos  defecientes. Não tinha uma noção real de tal sofrimento...penso que poucos de nós se apercebe disso, infelizmente.

Gostei.É bom que analisemos este tema à luz do espiritismo para começarmos a ser um pouco mais compreensivos.Falo por mim, claro

Abraços.
Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: Diana em 04 de Março de 2006, 15:27
Também achei este texto muito interessante. Acho que estamos tão compenetrados nas nossas vidas, que poucas ou nenhumas vezes pensamos como será viver como estas pessoas...
Sensibilizou-me, e por isso o pus aqui.
Bjs;)
Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: guida em 04 de Março de 2006, 19:44

 Excelente texto.
Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: Carlos Ribeiro em 25 de Maio de 2006, 15:12
Citar
"Deve utilizar ainda mais a fantasia à criatividade sexual, para encontrar posições que não foram pensadas nem no Kama Sutra."

Eu também gostei deste texto sobre deficientes, mas por mais que me esforce não consigo imaginar mais posições além daquelas que estão no Kama-Sutra. Será que tenho pouca imaginação?   ;D ??? ;D
Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: Suelen em 14 de Junho de 2009, 19:59
Também gostei do texto!

Participo de um grupo de visita aos doentes aos sábados, temos duas pacientes com paralisia cerebral, mas nunca nos atentamos para essa dificuldade... interessante mesmo, vou repensar.
Serviu como alerta, obrigada!

Muita paz!
Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: hcancela em 15 de Junho de 2009, 21:30
Olá amigos(as)

A imagem mais comum que a sociedade faz do portador de deficiência física é a de um paraplégico sentado numa cadeira de rodas. Devido à confusão entre cérebro e mente, mesmo os "especialistas" (neurologistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, etc.) acostumados a lidar com pessoas com deficiência, pensam que uma lesão cerebral implica necessariamente em retardo mental. No entanto, mesmo segundo o ultrapassado teste de QI, ao menos em 25% dos casos, não existe comprometimento da capacidade mental. Por fim, como quem tem paralisia cerebral quase sempre precisa de outra pessoa para se alimentar, banhar, vestir, etc, geralmente o vêem como um bebê ou um anjo. Assim, ora os problemas da sexualidade de portadores de lesão cerebral, mental e psicologicamente normais são tratados como iguais aos dos tetra e paraplégicos, ora são associados aàs pessoas com deficiência intelectual (mental) ou são simplesmente negados, pois são vistos como assexuados.

No sexo em si, como em tudo o mais, o grande problema dos portadores de paralisia cerebral é a falta de coordenação motora. Além do mais, a paralisia cerebral deforma suas feições físicas, tornando-os um improvável objeto de desejo de um homem ou mulher, e dificulta ou impossibilita a fala, a qual é importantíssima na sedução. A quem dispõe de algum dinheiro e é homem, resta apelar para a profissão mais antiga do mundo, o que gera uma série de problemas familiares, inclusive por serem vistos como crianças ou anjos, além de reduzir ainda mais sua auto-estima e ser fonte de constrangimento. Porém, mesmo para tais "privilegiados" a vida sexual raramente deixa de ser altamente insatisfatória, o que causa tensão, insônia, ansiedade, entre outros problemas psicológicos, psicossomáticos e fisiológicos. Se em certos casos a necessidade de sexo pode ser (muito mal) suprida com dinheiro, a de amor, a de uma companhia do sexo oposto não. O que machuca, fere, dói na alma. Alguns têm a saúde seriamente prejudicada porque a família não os leva a urologistas ou ginecologistas, já que são considerados assexuados. Outros sofrem abuso sexual, às vezes repetidamente, sem ter possibilidade alguma de se defender e, devido à impossibilidade de falar, comunicar, contar o que aconteceu, também de denunciar os agressores.

São evidentes as grandes dificuldades para alguém ter atração, relações sexuais e/ou amorosas, filhos com um portador de paralisia cerebral e, portanto, ter uma sexualidade problemática é inerente à sua condição. Entretanto, embora o discurso sobre "beleza interior" seja quase sempre hipócrita, de modo nenhum é impossível um homem ou uma mulher se interessar por eles e se dispor a enfrentar tais dificuldades. Mas aí emerge toda a carga de preconceitos e visões distorcidas pelos quais não podem fazer sexo, namorar, se casar e ter filhos, isto é, nestas ocasiões a sociedade tende a negar-lhes os direitos humanos mais básicos. Mas o fato é que os portadores de paralisia cerebral cuja capacidade mental não foi afetada não têm, ao contrário dos tetra e paraplégicos, problemas de sensibilidade tátil e em ter prazer, e têm desejos, amam e se apaixonam como qualquer pessoa "normal".

Ronaldo Correia Junior - Paralisado Cerebral.




SAUDAÇÕES FRATERNAS


Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: sergio miranda em 10 de Julho de 2010, 19:49
é as vezes nós reclamamos de "barriga cheia!"....
saudaçoes as amigos sergio miranda.
Título: Re: A sexualidade do paralisado cerebral
Enviado por: lemari em 28 de Julho de 2010, 23:22
Realidade dura e triste do paralisado cerebral, eu tbm nunca tinha pensado neste assunto, gostei muito do texto, excelente.