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GERAL => O que é o espiritismo => Reencarnação => Tópico iniciado por: *Leni* em 05 de Fevereiro de 2009, 19:28

Título: Reencarnações - afetos e desafetos
Enviado por: *Leni* em 05 de Fevereiro de 2009, 19:28



REENCARNAÇÕES - AFETOS E DESAFETOS

Cada dia fico mais fascinada pela leitura do livro "Pais Brilhantes, Professores Fascinantes", do Dr. Augusto Cury. Pequenas frases têm o poder de nos fazer refletir tanto, especialmente sobre nós mesmos.

Uma frase que li hoje me fez refletir sobre a reencarnação e os encontros com nossos afetos e desafetos.

Ele diz:
"Nos computadores, a tarefa mais simples é deletar ou apagar as informações. No homem, isso é impossível, a não ser quando há lesões cerebrais. Você pode tentar com todas as suas forças apagar seus traumas, pode tentar com toda a sua habilidade destruir as pessoas que o decepcionaram, bem como os momentos mais difíceis de sua vida, mas não terá êxito".

Se carregamos uma mágoa, um trauma, um erro, um inimigo, enfim, alguma história que daríamos tudo para esquecer, de tanta dor que nos causa, e não resolvemos durante a vida, ao desencarnarmos, a dor irá conosco. Inclusive por isso o suicídio é o ato mais inútil e contra-produtivo que tem para fugir dos problemas, porque quando "atravessamos o véu", deixamos aqui só as coisas materiais, mas o que *somos*, o que *sentimos*, inclusive nossas maiores dores, vão conosco, porque elas não fazem parte do que temos, mas do que somos, como Cury diz:

"Cada idéia, pensamento, reação ansiosa, momento de solidão, período de insegurança são registrados em sua memória e farão parte da colcha de retalhos da sua história existencial, do filme da sua vida".

E aqui podemos ampliar o conceito de vida, para Vida Espiritual, porque o corpo que usamos muda de existência para existência, mas a consciência espiritual, a individualidade é sempre a mesma ao longo dos milênios, que vai acumulando as experiências boas e ruins. As boas continuam conosco pela eternidade, mas as ruins precisamos reescrever, transformando-as em experiências boas, como veremos mais para frente.

Portanto o que somos, nosso medos, alegrias, vontades, desejos, sonhos, pensamentos e atitudes boas ou ruins, sentimentos, afetos e desafetos, estão sempre conosco, na verdade o conjunto de tudo isso constrói o nosso "eu". É o nosso Patrimônio Espiritual. Nossa bagagem, como alguns dizem. Nosso Baú do Tesouro. Não podemos nos separar dele, mas podemos vida após vida, lapidar as pedras brutas em jóias de rara beleza, até que um dia nosso tesouro seja de uma beleza indescritível. Mas nos separar dele? Isso não podemos, independente de estarmos usando um corpo de carne ou não... Só podemos manuseá-lo e transformá-lo, e isso inclui, evidentemente, enchê-lo de pedras brutas e feias também.

Nisso podemos refletir: "Como fazemos, então, se nem quando eu morrer, não vou me libertar dessa dor, desse trauma, desse arrependimento, desse ódio, dessa mágoa?"

Augusto Cury diz que há apenas uma forma de nos livrarmos dos maus registros dentro de nós. Ele diz:

"A única possibilidade de resolver nossos conflitos, como vimos, é reeditar os arquivos da memória, através do registro de novas experiências sobre as experiências negativas, nos arquivos onde elas estão armazenadas. Por exemplo, a segurança, a tranqüilidade e o prazer devem ser arquivados nas áreas da memória que contenham experiências de insegurança, ansiedade, humor triste. Reeditar o filme do inconsciente ou reescrever a memória é construir novas experiências que serão arquivadas no lugar das antigas".

Bem, quando temos essa possibilidade na própria vida, excelente, mas quando não temos e morremos com traumas, dores, desafetos? É muito raro alguém morrer isento de conflitos, e com aquela paz angelical, mesmo porque a maioria esmagadora da população morre repentinamente em virtude dos campeões nas estatísticas dos motivos que geram a morte: acidentes de todos os tipos, doenças cardio-vasculares fulminantes e acidentes vasculares cerebrais, também repentinos e fatais na maior porcentagem dos casos. A verdade é: eu mesma que vos escrevo agora não posso garantir que amanhã estarei viva. Como saber?

O que podemos concluir com isso? Que a maioria esmagadora dos seres-humanos morrem sem resolver seus conflitos existenciais, e aqui ainda entra aqueles que morrem de causas naturais ou doenças dos mais diversos tipos, mas que não resolveram seus problemas antes de partir. Como faremos, portanto, para nos livrarmos dos conflitos, se segundo a Psicologia temos um único caminho, que é reeditar nosso emocional, viver situações boas que apaguem as ruins? Como aqueles que morreram com conflitos, poderiam fazer para reviver as situações e ficarem curados de suas mazelas íntimas? Aqui entra a reencarnação e sua necessidade.

Renascemos, então, justamente perto daqueles com quem precisamos viver as situações boas que apeguem as ruins. Um exemplo clássico: Se matei alguém e um dia, aqui ou no além-túmulo me arrependo, passo a sentir uma dor terrível de remorso, uma dor que eu pagaria qualquer preço para esquecer, para apagar. Por sua vez a minha vítima alimenta por mim um ressentimento, uma mágoa devastadora, que igualmente daria tudo para esquecer, para apagar. De comum acordo, portanto, renascemos. Eu venho primeiro e anos depois o recebo como filho. Um assassinato terrível e traumatizante tanto para a vítima como para o algoz, sendo reeditada, reescrita pela bênção da maternidade, por uma situação abençoada e sagrada que trás uma alegria indizível. Inimigos ferrenhos tendo a chance de viverem o mais sagrado dos relacionamentos, tendo a chance de reescreverem a sua história, de apagarem as suas dores e traumas.

Outras vezes o conflito não é necessariamente com alguém, mas com um acontecimento. Um suicídio, por exemplo. A pessoa, diante de uma situação de muita dor, resolve dar cabo da própria vida. Atravessando as dimensões, além de ver que sua dor continua, compreende as implicações do seu ato não só sobre si, mas sobre todos aqueles que foram atingidos por sua impulsividade. Pedem outra oportunidade. Quando conseguem, precisam reeditar aquele trauma contra si mesmo. Novamente passam por uma dor muito grande, mas dessa vez não se suicidam, conseguindo passar pelo testemunho vitoriosos. Reeditaram seu trauma e viram o Sol após a tempestade, a cura daquele conflito.

Aqui podemos aprofundar um pouco mais e pensarmos: Como saber se essa dor que agora nos aniquila, nos faz desejar fugir para a morte, não é justamente a oportunidade de reeditarmos um suicídio anterior? Como não temos condições de saber ao certo, na dúvida o melhor mesmo é resitir a essa idéia e continuar vivendo.

E assim será com todos os conflitos que carregamos vida após vida, até que não reste um único ser-humano com dores, conflitos, traumas, desavenças, enfim, até que nenhuma ovelha esteja mais perdida de si mesma.

No entanto continuamos tendo o livre-arbítrio e podendo sobrepor dores às dores, traumas aos traumas, erros aos erros. Podemos fazer nossos inimigos ainda mais inimigos, podemos sucumbir outra vez nas dores, buscando o suicídio. Mas como não somos bobos nem nada, dessa vez queremos fazer tudo diferente, queremos reeditar nossa alma e ter paz. Como fazer, então? Como podemos fazer tudo certo, reescrever as histórias ruins com as boas?

Um Mestre nos disse à muito tempo trás... Ou melhor, alguns Mestres vêm nos dizendo desde muitos milênios, cada um à seu tempo e povo: Buscando o auto-conhecimento, educando nossas emoções, cultivando bons pensamentos e hábitos, aprendendo a perdoar, a sermos bons, justos, misericordiosos, a termos boas atitudes no lugar das ruins. Aprendendo a ter bons sentimentos no lugar dos ruins. Aprendendo a ter bons anseios no lugar dos ruins. Aprendendo a ter fé nos momentos adversos, a superar dramas em vez de perpetuá-los e remoê-los. Sobretudo e especialmente, tentando dia-após-dia, aprimorarmo-nos na Arte de Amar.

É fácil?

Claro que não, pois que se fosse, não estaríamos ainda com tanto trabalho íntimo a ser feito. Mas podemos? Claro que sim. Somos Filhos de Deus, carregamos o Amor como Herança Divina, e por isso mesmo nos tornamos "Impossíveis"

Anjo azul.



Título: Re: REENCARNAÇÕES - AFETOS E DESAFETOS
Enviado por: Pedro Gomes em 31 de Maio de 2011, 02:06
boa noite
mensagem muito verdadeira, Deus é justo e bondoso, sempre nos dá chances e mais chances de aprendizado para a evolução....


abraços
Título: Re: Reencarnações - afetos e desafetos
Enviado por: filhodobino em 11 de Setembro de 2011, 00:50
Irmã Leni,
Estava a folear alguns posts e me deparei com o seu e achei interessante, para trocarmos idéias, se vc assim o desejar.

Então replico parte do estudo que faço alhures...

Tanto quanto mais servirmos elevando os que caminham à nossa retaguarda, e sendo exemplo para os que seguem em evolução à nossa vanguarda, pensando primeiro nos outros e depois em nós, faremos dessa parábola, a verdade inconteste e a perfeição do amor no planeta Terra.
Esse foi o Exemplo do Cristo, e o Espírito da verdade o confirmou, em toda a inteireza de sua manifestação...
Este é o segredo... Simples assim, que vendeu milhões, foi best-seller ...
Este é o Código... Simples assim, que vendeu milhões, foi best-seller ...
É só disso que Gautama falou e disse...
É só disso que Krishna falou e disse...
É só disso que o Cristo falou, disse e exemplificou, vivenciando para nos mostrar que é possível sim a qualquer que o queira.
O primeiro e mais importante serviço que podemos prestar aos nossos irmãos é lhes oferecer afetividade, que nem sempre é aceita, natural, e o estudo filosófico do comportamento, nos mostra os caminhos...

AFETIVIDADE –
O desenvolvimento da afetividade decorre do amadurecimento psicológico do ser que cresce, a esforço moral, ampliando a capacidade de entendimento emocional e cultural.
Nem sempre, porém, resulta da aquisição de cultura, mas sim da perfeita harmonia entre sentir e saber, de modo que se possam evitar os distúrbios que, não raro, surgem durante o processo de evolução.
JOANNA DE ÂNGELIS em LIÇÕES PARA A FELICIDADE - 1ª Ed. Alvorada, 2003 -26 –
Livro dos Espíritos- Questão:- 938a

938. As decepções oriundas da ingratidão não serão de molde a endurecer o coração e a fechá-lo à sensibilidade?
“Fora um erro, porquanto o homem de coração, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz.
“Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, será lembrado em outra e que o ingrato se envergonhará e terá remorsos da sua ingratidão.”


a)   - Mas, isso não impede que se lhe ulcere o coração. Ora, daí não poderá nascer-lhe a idéia de que seria mais feliz, se fosse menos sensível?

“Pode, se preferir a felicidade do egoísta.
Triste felicidade essa!
Saiba, pois, que os amigos ingratos que os abandonam não são dignos de sua amizade e que se enganou a respeito deles.
Assim sendo, não há de que lamentar o tê-los perdido.
Mais tarde achará outros, que saberão compreendê-lo melhor. Lastimai os que usam para convosco de um procedimento que não tenhais merecido, pois bem triste se lhes apresentará o reverso da medalha.
“Não vos aflijais, porém, com isso: será o meio de vos colocardes acima deles.”
A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado.
Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem.
Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo são amor e benignidade.
Desse gozo está excluído o egoísta.


A afeição mútua que dois seres se consagram na Terra, continua a existir sempre no mundo dos Espíritos, desde que originada de verdadeira simpatia.
Se, porém, nasceu principalmente de causas de ordem física, desaparece com a causa. As afeições entre os Espíritos são mais sólidas e duráveis do que na Terra, porque não se acham subordinadas aos caprichos dos interesses materiais e do amor-próprio.
Allan Kardec em:
Livro dos Espíritos- Questão: 297 –  939 –
Evangelho Segundo o Espiritismo- Cap.: - 4/18

Saúde e Paz!
Título: Re: Reencarnações - afetos e desafetos
Enviado por: Brisa do mar em 06 de Outubro de 2011, 17:16
Olá a todos

Eu já sabia que muitas vezes reencarnamos pagando dividas ou auxiliando na evoluçao do outro mas também aprendemos sempre mais pois os papeis vão sendo trocados para expandir as nossas experiencias. Dito assim parece tão fácil aceitar mas viver dramas ou conflitos com familiares  e sempre pensar que perdoando eles vão mudar é muito penoso.
São pessoas com as quais não me envolveria se não fossem familia, (não são más mas não tem nada em comum comigo).
Por essa razão vimos como familia pois existe assim uma obrigação de envolvimento.Já deu para entender que me acontece o que estive a relatar? Infelizmente o meu pai( que tinha a personalidade como eu) foi o primeiro a partir deixando-me só, sem mediador para me apoiar.
Bom chega de queixas porque todos temos problemas. Quis partilhar a minha experiência que mais uma vez prova que não vimos á Terra passar férias...

Paz para todos