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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Vitor Santos em 28 de Setembro de 2012, 10:49

Título: Educação dos filhos e sociedade competitiva
Enviado por: Vitor Santos em 28 de Setembro de 2012, 10:49
Olá

Independentemente das razões para isso, este mundo é altamente competitivo. Com os elevadas taxas de desemprego que se verificam em muitos lados, a concorrência entre as pessoas é feroz, por vezes.

Neste ambiente, não basta ter uma boa formação e boa vontade, pois a concorrência não é leal nem justa. É o salve-se quem puder.

Aqui há uns anos, em Portugal, uma pessoa com boa formação e boa vontade (pessoa trabalhadora e séria), safava-se, em geral. Sem enriquecer, mas ganhando o suficiente para viver dignamente. Os que queriam enriquecer a todo o custo, podiam enfrentar esse ambiente mais agressivo, mas era quase facultativo.

As pessoas e as empresas descontavam imenso para a segurança social (a receita da segurança social era de cerca de 35% de todos os salários), e no final da vida, as pessoas tinham uma reforma. Mas hoje em dia nem reforma , nem emprego certo (porque o dinheiro que as pessoas descontam foi e continua a ser, decerto, desbaratado pelo Estado, desviado para outros fins). Entre os 40 e os 50 anos, as empresas começam a empurrar algumas pessoas para fora, para as substituir por pessoas mais jovens. Muitos são excluídos 20 anos antes da idade de reforma. Antes as pessoas trabalhavam até à idade da reforma.

Tudo isto para nos situar no ambiente altamente competitivo dos dias de hoje. Nuns países é melhor do que isto, noutros é bem pior. Mas a abertura dos mercados a países como a China, onde os direitos humanos são ignorados, vai fazendo alastrar isto a todo o mundo. Os investidores não têm pátria. Onde a mão de obra for mais barata é que é a pátria deles.       

A necessidade de trabalhar é resultado de termos um corpo de carne, com necessidades, e a generalidade das pessoas tem de trabalhar para viver. Daí não vem mal ao mundo. Pelo contrário. Penso que as pessoas que não querem ou não podem trabalhar, serão mais infelizes do que as que trabalham, ainda que tenham dinheiro para viver. Tudo depende de como as pessoas aceitam o trabalho. Ainda ontem estive com um familiar que é uma excepção, mas que ainda trabalha aos 97 anos, mas agora menos. E nunca se achou infeliz por trabalhar, na sua profissão de médico. Pelo contrário, sempre mostrou ser feliz a trabalhar, mesmo quase sem tempo nenhum, aqui há uns anos. A dedicação ao trabalho estava acima de si mesmo. Ele ganhava pelo seu trabalho, não era um altruísta (em regra, embora ajudasse muita gente sem levar nada, quando assim entendia, mas não fazia trabalhos em organizações humanitárias). É um ateu. Não tem motivação religiosa. Mas tinha paixão pelo que fazia.   

O espiritismo ensina-nos a ter uma conduta condizente com as palavras de Jesus de Nazaré, interpretadas à luz da doutrina de Kardec. As relações de trabalho não podem excluir-se dessa conduta. O espiritismo não é apenas para os tempos livres, senão era uma brincadeira. A caridade, a solidariedade, a benevolência, enfim, o não egoísmo, o não orgulho, a não violência, a não vingança, o perdão, são os preceitos morais que são ensinados. Mas não é isso que este mundo onde vivemos nos exemplifica. Não são essas as regras. Um dia talvez seja melhor, mas nós temos de viver hoje, antes de mais.

Se preparamos as nossas crianças de acordo com os princípios espíritas, e as lançamos depois "aos bichos", elas vão dar-se mal. Pelo menos até se adaptarem. De qualquer modo, parece que não as preparamos adequadamente para enfrentar a vida. Elas têm de sobreviver e competir com outras pessoas que não têm princípios nenhuns, e nem pesos de consciência.

Se prepararmos as crianças bem adaptadas para viver neste mundo selvagem, temos de as preparar para serem frias e egoístas. Senão podemos estar a preparar gente "sem-abrigo", em vez de criar gente competitiva.

Este desafio coloca-se aos pais espíritas que encaram a doutrina seriamente, mas que amam os seus filhos e não os querem ver futuros pedintes. Esta maneira de falar é um bocado exagerada, pois as coisas não são assim tão a preto e branco. Mas serve para ilustrar aquilo que quero dizer e que acho que todos entendem facilmente. 

Onde está esse caminho do meio para as nossa crianças? Como devem elas ser preparadas?
 
bem hajam
Título: Re: Educação dos filhos e sociedade competitiva
Enviado por: Diana Barbosa em 30 de Setembro de 2012, 03:29
Vitor,

Vamos testar se entendi o que disse e então explico por quê está difícil de responder:

Você tenta mostrar um paradoxo entre a "educação espírita" e a educação para a competitividade do mundo, certo?

Não está muito claro em quê a educação espírita levaria nossas crianças a tornarem-se futuros pedintes.

Da maneira como colocou sobra espaço para imaginarmos que você quis montar dois opostos, de um lado um espírita que dá tudo o que tem, cuja caridade leva-o a níveis de mendicância; de outro lado um mundano globalizado competitivo e sem escrúpulos.

Quando comenta sobre o seu familiar médico, o que pretende é demonstrar que pode-se fazer caridade sem deixar-se abater pela concorrência, ou pretende justamente o contrário,  ao dizer que ele não trabalhava em organização humanitária? Pretende mostrar que o trabalho pode ser dignificante ou o quê?

Está confuso para mim. Perdoe por favor minha incapacidade de compreendê-lo, mas preciso realmente que seja mais claro. O caminho do meio que nos pede, é o meio entre que pontos?