Forum Espirita

GERAL => Mensagens de Ânimo => Poesia => Tópico iniciado por: Victor Passos em 23 de Julho de 2007, 12:11

Título: POESIA
Enviado por: Victor Passos em 23 de Julho de 2007, 12:11

 Poesia
O perfume exala sobre o ocaso.
Entre o ontem, o hoje e o agora
cada dia declama a beleza que o vaso
reflete na luz da estação da aurora.

Ervas, plantas, flores,
iluminam as varandas,
exalando  essência lírica
e amorosa,
se, por acaso,
a grande noite avança...

Vem do coração, lá de dentro do ser
o cantar que declama o mundo,
suas angústias, suas dores,
tudo que é elevado,
e o que é também
abismo profundo...

É essência como a terra, guarida,
cavalgada interior de anjos pressentida,
dominando  todas as luas,
deixando seus rastros pelos céus
para que não nos percamos
da verdadeira vida.


Lucia Constantino
Título: Re: POESIA
Enviado por: CHASIL em 31 de Agosto de 2010, 15:04

O ANTES E O DEPOIS...




No amanhecer, não vemos esclarecer
o bem que faz escurecer,
para sabermos amar sem conhecer,
a noite vem depois do entardecer,
e as mudanças  nos fazem crescer.


No anterior, vemos a seguir,
o que vem de nós,
o presente persegue como algoz,
seu futuro escrito nos lençóis
não adianta pensar em ser veloz.


Dorme, acorda, sonha, desperta
da jornada, não espera que vida,
te ensine tudo
Há espaço aqui e em outros mundos,
Posso cantar, posso falar, posso ser surdo,
quem sabe outrora,
noutra vida poderei ser  mudo.
 
CHASIL..









Título: Re: POESIA
Enviado por: Augustus em 05 de Dezembro de 2010, 18:28
Amanhecer, Entardecer e Anoitecer da Sombra.

De sonhos profundos venho, tropeçando,
Num vai e vem entre o corpo e o espaço,
Ainda às oníricas ninfas da loucura abraçando;
A luz solar invadindo, espantando o cansaço,
Meus olhos ainda rubros, nublados, piscando.

Em reflexos que misturam sonho e realidade
Amanhece, de novo, o que aguarda o inaudito,
Suspiro, soluço, sussurrado gemido, verdade.
Ainda não penso só ensaio, sonho e vomito.
 Esse ambíguo sabor, mistura de dor e saudade.

Frases desconexas em bons dias, geridos,
Anomalias, senões, ecos e erros do passado,
Comedidos, gestos impensados, agredidos,
Pelo infante emergido, crasso, amarfanhado,
Dos compromissos impostos, velhos, assumidos.

Do orfeico mundo, ou do porão inconsciente,
Trazendo em si memórias, perdidas atitudes,
Bruxuleio da finda flama rubra iridescente...
Em sombras, ou luz de si em mofadas virtudes,
Emerge completo, repleto, ego vil, efervescente.

Enfim a lucidez, frágil confluência de pensamentos,
Lava-me o semblante amarrotado pelo travesseiro,
Trazendo todos os conflitos inerentes e sentimentos
Mais que usados, trapos vivos de ser o velho mineiro,
A cavar cada vez mais ao fundo de si tantos tormentos.

E à luz do novo dia que se impõe, em mim,
Recomeça a rotina desgastante do mundo;
Propor, analisar, catalogar ao infinito e assim,
Construir, novo ser, do criado mais profundo.
O tempo passa, o suor enlanguesce enfim.

Ao buscar o simples, esbarro na vaidade enfadonha,
Como cultura, estudos, para o simples expressar?
Só que o refinado ou fino trato traz junto, à peçonha,
A hipocrisia, mais que, usual e pessoal de mascarar,
As verdades profundas de meus defeitos em vergonha.

O intento é explorar o real do ser em que estagio e revelar
Ao inseguro consciente, a grandeza que ha no sentimento,
Sincero, sem maquiagem ou artifícios, como o tanto amar,
Meus filhos, filhos de todos os filhos, mesmo que aumento,
O imperativo de se criar amor em ondas como faz o mar.

Capacidades de me expressar amorosamente,
Com todos, porque filho do infinito oriundo,
Da coerência de em si reter, a percepção consciente,
Num oceano de energias, energia ser, até o fundo,
Partícipe do todo e vibrar amor harmonicamente.

Bolhas de energia, ligadas e sintonizadas,
Pela frequência vibratória a todas demais,
Ao tudo unidas, as essências em si separadas,
Almas ou espíritos cheios de erros como antes,
Tal na criação, simples sementes divinizadas.

O tempo escorreu ampulheta abaixo, veloz.
O dia se fez tarde e a tarde anoiteceu então
Uma vontade louca de tocar a vida e soltar a voz
Para revelar ao mundo por uma simples canção
Que estamos como longo rio rumo a sua foz.

A noite refresca o suor da infindável busca,
Uma brisa suave anela meus ralos cabelos,
A pálida luz da lua em prata reluz e ofusca
As sombras, todos os males, mesmo ao retê-los,
Dentro do mofado porta-luvas de meu fusca.

De tanto cismar e mesmo ainda cismando
Em mergulhar nas águas do grande oceano
Da vida e me purificar, renovar e limpando,
Na dádiva divina de ser simples mais humano,
Que já fora, e já sendo à luz em mim buscando.

Perdoar-me então e a todos perdoar por amar
E ser igual, mesmo valor que todos os demais,
Lançar-me à vida incauta, como a nau ao mar,
Singrando a infinita onda de amor rumo à paz
Onde no santo sono da vida ao fim vou atracar.

Augustus César 20/11/2010