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GERAL => Mensagens de Ânimo => Poesia => Tópico iniciado por: Atma em 02 de Outubro de 2008, 16:58

Título: Esperanto - Mensageiro
Enviado por: Atma em 02 de Outubro de 2008, 16:58
ESPERANTO


A. Castro Alves


O Esperanto – mensageiro

De encantados tempos novos

Erguerá nações e povos

Do campo de lodo e pó.

Da Harmonia timoneiro,

Que os portos da paz descerra,

Libertará toda a Terra,

Na glória de um mundo só!

 

Vemo-lo já, no futuro,

Fulgente, impávido e forte,

Vencendo a miséria e a morte,

-   Luz fraterna em sendas mil!

Chave de amor santo e puro,

Abrirá caminhos grandes,

Do altivo Himalaia aos Andes,

Da Cochinchina ao Brasil.

 

Nessa eminência sublime

Do mundo regenerado,

Não haverá Jove irado,

Cujos carros fugirão;

Nem Babilônias do crime

Bebendo em festins sangrentos,

Nem purpúreos paramentos

De senhores da ilusão.

 

Seus luzidos estandartes

Brilharão no mundo inteiro,

Abolindo o cativeiro

A que a maldade conduz;

Convertendo os Bonapartes

Em benfeitores amados,

De canhões – forjando arados,

De balas – penas de luz!

 

Hífen de sol, religando

Os Templos da Humanidade,

De grande fraternidade

Fazendo virtude e lei;

Orgulho triste e nefando,

Que torvas guerras produzes,

Espadas, fuzis, obuses,

Mentiras, trevas – tremei!

 

Na Terra inda há sombra inglória

Da noite do mundo velho,

Embora seja o Evangelho

O Amor que do Alto reluz!

No limiar da vitória

Das verdades do Infinito,

Esperanto! Sê bendito

Ao doce olhar de Jesus! 


(Recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, na sessão pública do Grupo Espírita “Luiz Gonzaga”, em 26-5-1947. Transcrito de Reformador, agosto de 1947, pág. 177, em comemoração ao Cinqüentenário da poesia.)

Revista Reformador - Nº 2020 - Julho de 1997