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GERAL => Outros Temas => Pedagogia Espírita => Tópico iniciado por: HelenaBeatriz em 17 de Novembro de 2010, 19:30

Título: Sentimentos Conflitados
Enviado por: HelenaBeatriz em 17 de Novembro de 2010, 19:30
SENTIMENTOS CONFLITADOS

Roberto Silveira
Psiquiatra

"Entre os impedimentos para a auto-identificação, no período da adolescência, destaca-se a rejeição.

Caracterizado pelo abandono a que se sente relegado o jovem no lar, esse estigma (de forma figurada: marca infamante, vergonhosa) o acompanha na escola, no grupo social, em toda parte, tornando-o tão amargurado quão infeliz.

Sentindo-se impossibilitado de auto realizar-se, o adolescente que vem de uma infância de desprezo, foge para dentro de si, rebelando-se contra a vida, que é a projeção inconsciente da família desestruturada, contra todos, o que é uma verdadeira desdita.(infelicidade, desventura) Daí ao desequilíbrio, na desarmonia psicológica em que se encontra, é um passo. "

Espírito: Joanna de Ângelis
Livro - "ADOLESCÊNCIA E VIDA"
Psicografia - Divaldo P Franco
7a Edição Pág. 122

Os avançados estudos da moderna Psicologia, principalmente aqueles que estão sendo elaborados pelos aficionados pesquisadores da Psicologia Transpessoal, vêm oferecendo bases insofismáveis para um melhor entendimento dos perniciosos efeitos causados pelas perturbações afetivas maternas no desenvolvimento emocional fetal.

 O acompanhamento médico-psiquiátrico de jovens portadores de patologias comportamentais tem mostrado a enorme importância dos traumas emocionais sofridos e, consequentemente, dos pensamentos formulados pela progenitora desses pacientes ainda durante o período gestacional, antes, portanto, de nascidos.
O estudo, particularmente de crianças e jovens adotados, vem comprovando, de modo bem evidente, essas observações.

No livro "Ação e Reação", psicografado por Francisco Cândido Xavier e de autoria do Espírito André Luiz, há a descrição de um caso que bem avaliza os danosos efeitos das despropositadas reações emocionais maternas. Trata-se de uma rica senhora que, depois de tumultuado casamento, que mal durou 10 meses, passou a viver exclusivamente para seu filho.
Nascido após um período de gestação marcado por divergências de seus pais, Rogério, belo bebê de olhos azuis, conquistou definitivamente sua mãe que não continha gastos e mimos para agradá-lo.

Centralizando os conflitados sentimentos de sua sofrida mãe, cresceu na delicada condição de filho único e, como não poderia deixar de ser, excessivamente cercado de todos os cuidados e atenções foi, aos poucos, se habituando a não admitir que seus desejos, mesmo os mais absurdos e despropositados fossem negados.

Se enquanto criança, tudo que queria logo se tornava realidade, crescendo e se fazendo um mal-educado adolescente, continuou a conseguir a realização dos seus desejos, quer através do dinheiro, que nunca Ihe foi negado, quer através da força.
Assim, buscando aprimorar seus recursos físicos nas academias de luta livre e karatê e contando com o talão de cheques de sua mãe, Rogério se fez líder de um mal-intencionado grupo de jovens problemáticos, rejeitando o colégio e não admitindo as oportunidades de trabalho que Ihe eram oferecidas.
Sem demora, da ansiedade mal contida pelo cigarro passou às drogas, procurando sentir-se com uma ilusória auto-estima, tornando-se assim, além de contumaz usuário da famigerada cocaína, perigoso contraventor e, pouco antes de completar os 23 anos de idade, depois de várias detenções policiais! foi brutalmente assassinado.

O infeliz Rogério exemplifica boa parcela desses jovens que vitimados pelas mais variadas deformações ambientais tornam-se crianças problemáticas, agitadas e complicados adolescentes e sublevados jovens.

O caso em pauta é motivo para inusitadas ponderações pois, ao contrário do abandono, da ausência materna no lar ou da carência afetiva ou, ainda, das condições sociais, consideradas mesmo como importantes fatores para o desencadeamento das dependências químicas nos jovens Rogério nasceu cercado por carinhosa expectativa.
Cresceu como razão de um lar com ilimitados recursos sócio econômicos e sempre fora o motivo das atenções de seus familiares.

"O desamor que para muitos pode ser entendido como rejeição, abandono ou desafeição, deve ser também entendido como forma de irresponsabilidade afetiva e inconseqüente sentimento de amor."

Fonte: Alcoolismo e Drogas, Caminhos de Esperança Enfoques inspirados a partir de textos de Joanna de Ângelis.