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GERAL => Outros Temas => Pedagogia Espírita => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 21 de Outubro de 2014, 14:11

Título: O que é Evangelização Espírita?
Enviado por: dOM JORGE em 21 de Outubro de 2014, 14:11
                                                               VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                      O que é Evangelização Espírita?




"Para coisas novas são necessárias palavras novas"
Allan Kardec, LE:I

Allan Kardec no item I da Introdução de O Livro dos Espíritos tem o cuidado de definir o que é Espiritismo. Conforme reproduzimos na epígrafe, o Codificador afirma que para coisas novas são necessárias palavras novas. Guiado por esse pensamento, cria a expressão Doutrina Espírita ou Espiritismo para definir a doutrina que tem por objeto as relações do mundo material com os Espíritos, ou seres mundo invisível, apresentada de forma inaugural nessa obra.

Essa atitude de Kardec é, do ponto de vista pedagógico, extremamente recomendável, pois equivale ao estabelecimento e um marco para que novas bases sejam assentadas. Isto ocorre sempre, nos mais diversos campos do saber. Cada vez que um novo conceito, objeto ou instrumento é criado ou algum novo procedimento é descoberto e/ou inventado trata-se logo de nomeá-lo a fim de distingui-lo dos congêneres e estabelecer os seus limites. Aplicando o pensamento do Codificador à tarefa da qual nos ocupamos, convém, antes de qualquer coisa, defini-la e conceituá-la.

Evangelização é, na verdade, um termo genérico que indica a ação que se faz em torno da difusão do evangelho. É, portanto, uma ação inerente a quem quer que tome os quatro principais livros de o Novo Testamento como preceitos de orientação. Entretanto, o que singulariza essa ação é o corpo doutrinário que a ela subjaz. Assim, evangelizar à luz da Doutrina Espírita significa, no sentido estrito do termo, tomar os ensinos de Jesus, apresentados nesses mesmos livros e interpretá-los segundo a codificação espírita.

Desse modo, a expressão "evangelização espírita" encerra a relação entre a Doutrina Espírita e o Evangelho, já esclarecida pelo Codificador na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, conforme se lê a seguir: "O ensino moral do Cristo nos evangelhos é o terreno onde todos os cultos podem reunir-se... Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autores sacros em geral são ininteligíveis, parecendo alguns até disparatados, por falta da chave que faculte se lhes apreenda o verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiritismo, como já puderam reconhecer os que o têm estudado seriamente... O essencial é por o evangelho ao alcance de todos, mediante a explicação das passagens obscuras e o desdobramento de todas as conseqüências, tendo em vista a aplicação em todas as condições de vida."

Como exemplo dessa chave interpretativa, podemos apontar a assertiva de Jesus sobre a necessidade de nascer de novo da água e do espírito (Jo. 3: 1 - 12), cuja coerência só é restabelecida quando lida à luz da idéia reencarnacionista. Outro exemplo, tido como contraditório, é o fato de, em determinada circunstância, Jesus (Mat. 12: 46 - 50) ter sido advertido de que a sua mãe e seus irmãos o aguardavam, ao que o Mestre respondeu que a sua mãe e os seus irmãos eram aqueles que faziam a vontade do Pai. Longe de significar uma negação aos laços de família, constitui-se, à luz da Doutrina, uma ampliação desses laços, a adoção da família universal como referência afetiva. Apenas para finalizar esses exemplos, vale destacar a frase de Jesus (Jo: 10 - 30) na qual se auto define, afirmando: "eu e o pai somos um". Lida por outras doutrinas cristãs, essa passagem dá margem a muitas interpretações dúbias sobre a personalidade e a origem de Jesus. A esse respeito, esclarece-nos o Espiritismo sobre a profunda compreensão que o Mestre tem de Deus, a ponto de identificar-se plenamente com as Suas Leis.

Postos estes exemplos, não significa dizer que a evangelização espírita tem como objeto apenas tópicos sobre a vida de Jesus. Esses são parte do conteúdo. A evangelização trata dos princípios da Doutrina, da conduta espírita, do movimento espírita e também do Cristianismo, mas à luz do paradigma Espírita.

Para que se realize com eficácia, a evangelização se desdobra e toma as feições do grupo a que se destina. Quando voltada para a criança e o jovem, por exemplo, há uma necessária adequação dos meios e da linguagem. É isso o que ocorre no trabalho que hoje se desenvolve em todo o Brasil, com o título de "evangelização infanto-juvenil" - simplesmente conhecido como evangelização. O fio condutor dessa tarefa é a formação do homem de bem, através do conteúdo espírita sobre a imortalidade da alma, das suas relações com o mundo corpóreo, da sua volta à vida na terra, das leis físicas e morais que regulam a sua estada aqui e no mundo espiritual.

Assim, a "evangelização na casa espírita" deve ser um trabalho organizado em aulas sistemáticas, pedagogicamente direcionadas, para que esse público tenha desde cedo contato com os ensinamentos doutrinários, repassados através de recursos compatíveis com o seu desenvolvimento intelectual, estimuladores do seu progresso espiritual e consentâneos com o seu perfil sócio-psicológico.

Como atividade vitalizadora do processo pessoal de melhoramento progressivo, a evangelização se apresenta como excelente recurso à disposição dos pais para lhes auxiliar na tarefa de educar aqueles que, atualmente, estão sob a sua tutela na feição de filhos. Por isso, não suporta a descontinuidade uma vez que passa a não despertar na criança e principalmente no jovem o interesse pela seqüência das aulas.

Daí advém a importância de os pais estimularem os filhos a participarem sempre das aulas, evitando a ausência por motivos, às vezes, absolutamente insignificantes. Nesse mesmo sentido, há que se destacar a importância de os evangelizadores se esforçarem para elaborar aulas cada vez mais motivadoras a fim de prender a atenção dos evangelizandos, despertando-lhes a curiosidade pela seqüência e continuidade do assunto. Assim sendo, o improviso é o recurso do qual não se deve lançar mão.

Quando freqüentada assiduamente, a evangelização demonstra a pujança do ensino moral do Cristo bem como dos ensinamentos espíritas e é, em sentido lato, um curso de Espiritismo. Logo, requer a dedicação dos companheiros que lhe reconhecem a importância - pais e evangelizadores -, que devem tomar para si a mesma fraternal advertência que os Espíritos fizeram a Kardec nos prolegômenos de O Livro os Espíritos:

"Com perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos.
O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e
bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral
conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente".

Por tudo isto, a evangelização é tarefa de longo curso que se revela de primordial importância na educação da criança e do jovem, tanto no lar como na casa Espírita.

Denise Lino








                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!