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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Adir Tavares em 16 de Maio de 2017, 12:17

Título: Há prova científica da existência de Espíritos?
Enviado por: Adir Tavares em 16 de Maio de 2017, 12:17
por Marcos Villas-Bôas

Os últimos textos, como primeiros do blog, tinham o objetivo de despertar a curiosidade sobre o estudo científico dos Espíritos e tratar de alguns pontos básicos. Muitos têm cobrado agora a apresentação de provas científicas da existência de Espíritos. Alguns elementos já foram apresentados em texto anterior, mas iremos, de agora em diante, descer em mais detalhes sobre sólidos estudos realizados por célebres cientistas ao longo da história.
Primeiramente, é preciso tecer algumas palavras sobre a prova e sobre a prova científica. Uma prova é um relato sobre um fato, é algo que atesta a ocorrência do evento ou a procedência de uma teoria e lhe faz, assim, fato, consumado, aceito. A prova, portanto, é, como tudo na vida social, comunicacional e retórica.

Quer-se dizer com isso que não existe a “prova em si”, mas apenas a “prova aceita”. Há prova quando há concordância sobre algo estar provado.

A prova científica se forma, então, quando há concordância de estudiosos acerca de um relato ou de uma teoria sobre algo, e essa “certeza” depois termina “escoando” para a sociedade. É, portanto, um conceito fluido, na medida em que não há uma definição de quantas pessoas seriam necessárias para se falar em “prova científica”. É preciso unanimidade? Seria maioria? Se sim, simples ou absoluta?

Pretende-se demonstrar com isso que há um claro e considerável grau de subjetividade em relação ao que está provado cientificamente e ao que não está. A imensa maioria das pessoas não faz experimentos científicos, nem viu com os próprios olhos as provas de 99,99% deles. Elas simplesmente acreditam, pois veem especialistas falando sobre aquilo, beneficiam-se de tecnologias resultantes das descobertas e sua racionalidade aceita a hipótese.

Quantos já fizeram experiências científicas com a energia elétrica? A partir de qual momento foi possível afirmar que havia prova da sua existência? Apesar de Tales de Mileto tê-la descoberto na Grécia Antiga, se alguém afirmasse isso no século XIII, seria queimado na fogueira como demoníaco. Se falasse no início do século XVII, seria tido por louco.

Foi apenas em meados do século XVII, 23 séculos depois de Tales de Mileto, que se iniciaram estudos sistematizados da energia elétrica com Otto von Guericke. No século XVIII vieram Ewald Georg von Kleist, Petrus van Musschenbroek, Benjamin Franklin, Luigi Aloisio Galvani e outros. No século XIX, vieram James Clark Maxwell, Heinrich Hertz, Thomas Alva Edson e outros. Em 1876, próximo do final do século XIX, ainda não se sabia transmitir a energia elétrica gerada.

Qual a importância disso para o estudo dos Espíritos? Ninguém vê propriamente a energia elétrica, mas apenas os efeitos que provoca, sendo possível senti-la. Até o início do século XVIII, mesmo apesar dos estudos de alguns dos cientistas geniais aqui citados, a grande maioria das pessoas negava existir a energia elétrica. Algo similar acontece com os Espíritos, que, em regra, não se mostram aos olhos da maioria dos humanos. Segundo Kardec, no item 105 do Livro dos Médiuns:

“Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível e tem isto de comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, sem que, entretanto, jamais os tenhamos visto. Mas, também, do mesmo modo que alguns desses fluidos, pode ele sofrer modificações que o tornem perceptível à vista, quer por meio de uma espécie de condensação, quer por meio de uma mudança na disposição de suas moléculas. Aparece-nos então sob uma forma vaporosa”.

O estudo do Espírito enquanto objeto científico começou apenas em meados do século XVIII, com Allan Kardec. Quem lê suas obras nota a sua rara racionalidade e capacidade científica, mas é preciso, como sempre, desenvolver e difundir a ciência que ele sistematizou.

O restante aqui:
http://jornalggn.com.br/noticia/ha-provas-cientificas-da-existencia-dos-espiritos-parte-i-por-marcos-villas-boas
Título: Re: Há prova científica da existência de Espíritos?
Enviado por: Adir Tavares em 21 de Maio de 2017, 21:51
Há provas científicas da existência dos Espíritos? Parte III, por Marcos Villas-Bôas
Nos dois últimos textos, procuramos nos posicionar entre os crédulos e incrédulos, buscando construir uma perspectiva científica, crítica da literatura sobre manifestações de Espíritos. Isso já foi feito por inúmeros outros estudiosos bem mais célebres, como os citados Camile Flammarion, Carl Gustav Jung, Charles Richet, Pierre Curie, Marie Curie e muitos outros. Continuaremos com eles e acrescentaremos as visões de Gabriel Delanne e William Crookes. 
Richet, vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia (ou Medicina) em 1913, criou o que se chama de Metapsíquica, precursora da Parapsicologia, que uns chamam de ciência e outros de pseudociência, como normalmente acontece com temas que “incomodam” as pessoas.

No seu Tratado de Metapsíquica, Richet registrou diversas experiências que realizou com médiuns, que levaram a uma melhor compreensão sobre, por exemplo: a) a telecinesia, ação mecânica sem contato sobre pessoas ou objetos, como a levitação; b) ectoplasmia, emissão de fluidos pelo corpo humano que dão origem a materializações de Espíritos; c) fenômenos psíquicos chamados de “subjetivos”, como telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglossia, psicografia e outros.

Fato curioso é que Chico Xavier recebeu, em 21 de janeiro de 1936, uma comunicação assinada pelo Espírito Humberto de Campos que trata do desencarne de Charles Richet, acontecido em 4 de dezembro de 1935. No relato, conta-se um diálogo entre aquele chamado de “Senhor” e o “Anjo da Morte”. Este advoga pela permanência de Richet na Terra, enquanto que aquele diz ser chegada a sua hora, pois, após 85 anos, ele não teria dado como certa a imortalidade, devendo retornar ao mundo espiritual para receber, como recompensa pelos seus trabalhos, a centelha divina da crença.

Chico Xavier morava em Pedro Leopoldo, no interior de Minas Gerais, quando realizou a referida psicografia, tinha 25 anos e não havia concluído o ensino primário. Naquele tempo de comunicação muito mais difícil, obviamente, até aquele momento, Chico nem sequer sabia quem era Charles Richet, muito menos como teria sido sua vida, seus estudos, sua descrença e sua morte, acontecida apenas 48 dias antes da psicografia. 

Se a psicografia está assinada por Humberto de Campos, com a mesma assinatura que ele tinha em vida, tendo, inclusive, a viúva dele ajuizado ação judicial para receber direitos autorais pelas obras publicadas por Chico, os incrédulos precisam explicar qual outra razão existiria para os dados psicografados, senão a de ter havido, de fato, comunicação com o Espírito Humberto de Campos. 

Richet era um homem da ciência, preocupado com a sua imagem no seio científico e muito pautado nos experimentos. É interessante notar que, para muitos, se tornou um maluco voltado para assuntos metafísicos, enquanto que, para “os céus”, ainda era um descrente. Ele inicia o livro assim:

“Não verão os seus propósitos realizados aqueles que neste livro esperarem encontrar considerações nebulosas acerca dos destinos do homem, da magia e da teosofia. Tudo fiz por escrever um livro de ciência e não de devaneios. [...] Não obstante, os fatos existem: são numerosos, autênticos, brilhantes. Achar-se-ão, no decorrer das páginas dessa obra, exemplos tão abundantes, tão preciosos, tão demonstrativos, que não percebo como um sábio de boa-fé, consentindo na verificação deles, possa ousar por todos em dúvida. [...] Escrevendo este livro à maneira dos tratados clássicos das outras ciências, tais como a física, a botânica, a patologia, quisemos tirar aos fatos, aos quais chamam ocultos, e dos quais muito indiscutivelmente são reais, a aparência sobrenatural e mística que lhes emprestaram as pessoas que nada sabem sobre eles” (Antelóquio do Tratado da Metapsíquica, p. 9-10).
o restante aqui:
http://jornalggn.com.br/noticia/ha-provas-cientificas-da-existencia-dos-espiritos-parte-iii-por-marcos-villas-boas
Título: Re: Há prova científica da existência de Espíritos?
Enviado por: Adir Tavares em 23 de Maio de 2017, 13:28
por Marcos Villas-Bôas

No texto anterior, terminamos tratando de Gabriel Delanne e William Crookes. O livro deste último é emblemático, pois é uma coletânea de artigos que vai demonstrando, ao longo dos meses, a evolução do pensamento do autor sobre o tema dos Espíritos. Ele inicia admitindo que não conhece quase nada sobre o assunto, mas que, por estarem todos interessados, entende ser importante submetê-los a experimentos científicos cuidadosos:
“Some weeks ago the fact that I was engaged investigating Spiritualism, so called, was announced in a contemporary: and in consequence of the many communications I have since received, I think it desirable to say a little concerning the investigation which I have commenced. Views or opinions I cannot be said to possess on a subject which I do not pretend to understand. I consider it the duty of scientific men who have learnt exact modes of working, to examine phenomena which attract the attention of the public, in order to confirm their genuineness, or to explain, if possible, the delusions of the honest and to expose the tricks of deceivers. But I think it a pitty that any public announcement of a man’s investigation should be made until he has shown himself willing to speak out.

A man may be a true scientific man, and yet agree with Professor De Morgan, when he says – ‘I have both seen and heard, in a manner which would make unbelief impossible, things called spiritual, which cannot be taken by a rational being to be capable of explanation by imposture, coincidence, or mistake. So far I feel the ground firm under me; but when it comes to what is the cause of these phenomena, I find I cannot adopt any explanation which has yet been suggested...The physical explanation which I have seen are easy, but miserably insufficient. The spiritual hypothesis is sufficient, but ponderously difficult’” (Researches in the Phenomena of Spiritualism, p. 3). 

Em tradução livre para o português, Crookes disse:

“Algumas semanas atrás, o fato de que eu me engajei no estudo do Espiritualismo, assim chamado, foi anunciado em um jornal contemporâneo [The Athenaum]: e em consequência às muitas comunicações que eu tenho recebido desde então, acho que é apropriado dizer alguma coisa sobre a investigação que comecei. Não se pode dizer que tenho visões ou opiniões sobre um tema que eu não finjo entender. Eu considero o dever de homens científicos que aprenderam modos exatos de trabalho examinar fenômenos que atraem a atenção do público, com o objetivo de confirmar a sua genuinidade, ou para explicar, se possível, as ilusões dos honestos e expor os truques dos enganadores. Mas, eu acho uma pena qualquer anúncio público sobre a investigação de um homem sem que ele tenha se mostrado disposto a falar.

Alguém pode ser um verdadeiro homem científico e, ainda assim, concordar com o professor De Morgan quando ele diz: “Eu vi e ouvi, de uma maneira que faria a descrença impossível, coisas chamadas de espirituais, que não podem ser tomadas por um ser racional capazes de explicação de impostura, coincidência ou erro. Até então, eu sinto o chão firme sob mim; mas, quando se trata da causa desses fenômenos, eu descubro que não posso adotar nenhuma explicação que já foi sugerida...As explicações físicas que eu vi são fáceis, mas miseravelmente insuficientes. A hipótese espiritual é suficiente, mas ponderadamente difícil” (Pesquisas nos Fenômenos do Espiritualismo, p. 3). 

Com postura típica do gênio que era, Crookes se deixa aberto a estudar o que se chama à época dele de Espiritualismo e verificar se, de fato, eram os Espíritos que estavam ajudando a promover aqueles acontecimentos estranhíssimos e inexplicáveis pelas leis conhecidas da Física até então. Em trecho posterior, ele afirma serem necessárias, para concluir pela existência de algo “espiritual”, a “exatidão da observação” e uma prova cabal, convincente:

“My whole scientific education has been one long lesson in exactness of observation, and I wish it to be distinctly understood that this firm conviction is the result of the most careful investigation. But I cannot, at present, hazard even the most vague hypothesis as to the cause of the phenomena. Hitherto I have seen nothing to convince me of the truth of the ‘spiritual’ theory. In such an inquiry the intellect demands that the spiritual proof must be absolutely incapable of being explained away; it must be so strikingly and convincingly true that we cannot, dare not deny it.

O restante aqui:
http://jornalggn.com.br/noticia/ha-provas-cientificas-da-existencia-dos-espiritos-parte-iv-por-marcos-villas-boas