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CONVÍVIO => Off-topic => Tópico iniciado por: Adir Tavares em 29 de Novembro de 2017, 09:26

Título: Especulação sobre a possível origem híbrida do homem
Enviado por: Adir Tavares em 29 de Novembro de 2017, 09:26
por Gustavo Gollo
Em 2013, Eugene McCarthy, um matemático/biólogo especialista em híbridos levantou uma hipótese interessantíssima sobre a origem do homem: a possibilidade de que uma hibridação ancestral tenha desencadeado a disrupção que acabou por gerar a espécie humana.
O interesse da hipótese se estende por diversos níveis: diretamente, pela própria curiosidade que a questão suscita, e por desdobramentos de outras ordens que ela induz. Acredito, aliás, que considerações marginais, de segunda ordem, que deveriam ser irrelevantes para a avaliação da questão sob o ponto de vista de uma neutralidade objetiva, adquiram dimensões maiores, nesse caso, do que teriam relativamente a temas mais usuais.

A hipótese consiste na sugestão de que há poucos milhões de anos, um evento pontual teria levado à separação entre nossos ancestrais e o dos chimpanzés: a hibridação entre o primata e um porco! Teria sido difícil imaginar pior escolha. De acordo com o autor da hipótese, no entanto, certas características humanas, especialmente de nossos espermatozoides teriam se revelado típicas de herança híbrida, consideração que teria gerado a busca pelo perpetrador da peripécia, sugerido devido a um conjunto surpreendente de semelhanças conosco.

 

O DNA mitocondrial é herdado apenas através da linhagem feminina. Por essa razão, se nossos ancestrais tivessem sido originados de uma fêmea não-primata, tal ocorrência estaria gravada em seu código, o que teria decidido a questão positivamente.

Nosso DNA mitocondrial, no entanto, assemelha-se ao dos primatas, o que garante, apenas, que nossa linhagem feminina ancestral não passa por uma fêmea de outro tipo. (Tal fato confundiu o autor da hipótese, levando-o a concluir pela necessidade entre o acasalamento de um macho suíno e uma fêmea símia. Teria sido possível, no entanto, uma hibridação original com fêmea porca, cujos descendentes híbridos, machos, teriam gerado a linhagem que desembocou em nossa espécie, mantendo, desse modo, o DNA mitocondrial dos primatas).

 

Hibridações são relativamente raras, especialmente entre indivíduos pertencentes a linhagens tão distantes como chimpanzés e porcos. Mais raro ainda que os híbridos resultem férteis. Creio ser essa a principal objeção racional à hipótese.

Ideias novas sempre nos causam estranheza, o que, a mim, estimula. Aos conservadores, elas causam profunda repulsa.

“Engolir” a hipótese de uma hibridação original entre espécies tão distantes exige desconfiança, obviamente. A possibilidade, no entanto, explicaria dezenas de peculiaridades humanas destoantes e surpreendentes em um primata, como a ausência de pelagem. Teríamos herdado os olhos dos porcos, entre outras características. A medicina, aliás, reconhece nossa similaridade com os porcos, sendo essa a espécie preferida como doadores de órgãos para transplantes em pessoas, exatamente por essa razão. O autor da hipótese lista uma quantidade considerável de coincidências.

Temos 23 pares de cromossomos, enquanto os símios possuem 24, e os porcos 20. A hibridação teria causado uma forte disrupção, e rearranjo cromossômico imediato. A diferença no número de cromossomos tende a causar desarranjos genéticos fatais, decorrentes de dificuldades no pareamento dos cromossomos, o que origina a infertilidade híbrida.Tal ocorrência consistiria em uma acomodação evolutiva altamente acelerada, induzindo a composição imediata de uma nova espécie tipológica. O novo tipo teria, então, desenvolvido seu próprio sistema de isolamento reprodutivo baseado na mistura entre os sistemas das espécies ancestrais. Teríamos herdado preferências sexuais de ambas as espécies, rejeições, também, posteriormente somados a outras, mais exclusivas. A introgressão das características híbridas teria se dado apenas entre os símios, ou seja, uma única hibridação teria ocorrido, por exemplo: um macho símio cruza com uma porca; desse cruzamento surge um macho híbrido que cruza com fêmeas símias, e mais nenhum cruzamento com porcos ocorre. Da descendência desses híbridos retrocruzados com chimpanzés teria resultado a nossa espécie.

A aquisição de preferências sexuais distintas das duas espécies ancestrais é fundamental para o desenvolvimento de uma nova espécie, que deve, necessariamente, se isolar reprodutivamente das ancestrais. A estranheza revelada no vídeo bastante prosaico abaixo poderia ser explicada pela hipótese aventada.
O autor apresentou boas justificativas para a hipótese da hibridação. Listou bom número de características morfofisiológicas justificando a escolha do porco como candidato a híbrido. Acrescentou umas poucas características bioquímicas. A lista de características apresentadas pelo autor me impressionou. Confira aqui.

http://www.macroevolution.net/human-origins.html#.UuOSr9dTuZd

Tudo isso diz respeito diretamente à questão. Caso fossem duas espécies quaisquer, e a espécie humana não estivesse envolvida na trama, considerações desse tipo seriam as únicas levadas em conta para decidir a questão, que nesse caso teria um interesse menor e não evocaria respostas emocionais.

A presença da espécie humana no caso, no entanto, desloca a discussão para um outro nível, fato que, por sua vez, também gera questões interessantes.

o restante aqui: https://jornalggn.com.br/fora-pauta/especulacao-sobre-a-possivel-origem-hibrida-do-homem-por-gustavo-gollo