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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: Haga em 16 de Fevereiro de 2008, 21:46

Título: Rumo ao Sublime
Enviado por: Haga em 16 de Fevereiro de 2008, 21:46
Rumo ao Sublime
Pedro Elias, do livro Reflexões Espirituais para um Nova Terra

Ao olhar Daquele que debruçado sobre o espaço-tempo espreita o desenrolar desse drama imenso onde nos encontramos, toda a forma de dualidade é inexistente. Ele vê a unidade de todas as coisas, Ele vê a completude de todos os caminhos, Ele vê a realização plena do tempo e do espaço nesse momento eterno que nunca deixou de ser a verdadeira e a única Realidade. Aí, nessas imensas varandas da Eternidade, de onde se observam as bolsas temporais, tudo É aquilo que sempre FOI. Livre arbítrio e destino são tão ilusórios quanto o bem e o mal, quanto o conceito de evolução. Tudo é inalterância.

Nós não existimos para evoluir, para ascender. Essa é mais uma das muitas ilusões nas quais nos encontramos mergulhados, já que fora do espaço e do tempo, onde a nossa verdadeira essência se “encontra”, não existe evolução mas apenas a Realidade. Nós somos como tochas sagradas que têm a função única de incendiar a substância universal pela força e pela intensidade do nosso Fogo Cósmico. Essa é a razão primeira e última porque estamos aqui.

No entanto, enquanto mergulhados dentro das ilusões do tempo, é importante compreendermos as regras desse imenso jogo, dessa dança cósmica que a Mãe Divina tem consigo mesmo, promovendo dentro do seio do seu manto temporal, a transubstanciação da sua própria natureza.

O bem e o mal, o livre arbítrio e o destino, as forças evolutivas e involutivas, são apenas protocolos que o universo estabeleceu consigo mesmo dentro dessa realidade virtual a que chamamos tempo. São válidos, como tal, apenas no interior das fronteiras dessa mesma ilusão.

Compreendido isso, torna-se mais fácil perceber e enquadrar a existência temporal dentro dessas fronteiras, já que, embora real numa realidade que não o é, fora dessa realidade tudo se esfuma na força da única Vida Existente.

Mergulhemos, pois, nessa bolsa temporal - uma germinação dentro da eternidade - para compreendermos as regras desse jogo dual entre evolução e involução, entre forças que transmitem o potencial futuro de uma existência que nunca deixou de ser aquilo que É e as forças que pretendem estagnar esse potencial nas memórias temporais do momento em que nada parecia Ser. Todas elas, no entanto, são partes importantes desse mesmo jogo, desse drama universal no qual somos peças fundamentais.

Ter isto presente, em nós, deverá trazer-nos força para não nos deixarmos enredar nessas mesmas ilusões, alimentando esse potencial futuro que é o ponto de onde nunca verdadeiramente saimos: a Eternidade.
Título: Re: Rumo ao Sublime
Enviado por: Haga em 16 de Fevereiro de 2008, 21:46
Assim sendo, assumindo a virtualidade desta existência como sendo real - já que enquanto a nossa consciência se manifestar através dos veículos dessa mesma ilusão, as regras têm que ser compreendidas e assimiladas por nós - que entremos na dança cósmica que a Mãe nos propõe, percebendo os mecanismos que estão por detrás dessa mesma dança e das pequenas ilusões dentro da ilusão maior que tantas vezes nos impedem de despertar para a nossa verdadeira condição.

A palavra-chave, para perceber o jogo da vida temporal e assim direccionar a nossa consciência para o foco interno dessa Luz Maior que nos habita, foi repetida há dois mil anos, de uma forma persistente, por um grande Mestre a quem deram o nome de Jesus. Nessa palavra encontramos a forma que nos permitirá manter viva, em nós, essa memória futura que sempre esteve presente e com isso aprender a decifrar muitas dessas ilusões com que tantas vezes nos deixamos enredar por não termos a coragem de nos reverenciar como divindades que somos. Essa palavra é: Vigiai.

É importante ter consciência que, ao longo dos séculos, as forças involutivas, partes importantes nesse esquema universal que tem como função última a transubstanciação de toda a matéria, foram refinando os seus estratagemas de acção, de modo a retirar do caminho aqueles que já tinham, em si, o potencial de luz capaz de os resgatar deste plano dimensional onde os seus corpos ainda estão mergulhados.

Hoje, de uma forma perspicaz, inteligente e ordenada, essas forças mostram-se aos homens com vestes de cordeiro e não mais no rosto descoberto do lobo que no passado, de uma forma precipitada e por vezes impulsiva, acabava por denunciar as suas acções pela brutalidade com que se apresentava, facilitando, àqueles que já tinham o discernimento mais ou menos trabalhado, a denúncia dessas forças.

Mas se o universo é evolução dentro da ilusão do tempo, ele é evolução nos dois sentidos e, por isso mesmo, essas forças também evoluíram dentro da arquitectura interna do espaço que o universo lhes concedeu, refinando as suas estratégias e aprendendo com os seus erros. Hoje elas não se apresentam mais de rosto descoberto, como o faziam no passado, mas em vestes de luz, sob a capa de anjos e mestres; proferindo palavras capazes de iludir mesmo aqueles que já estão no caminho.

Antigamente, perante um impulso na direcção da luz, perante uma vontade interna de caminhar rumo a Deus, essas forças tudo faziam para impedir que concretizássemos essa mesma Vontade, de modo que o passo não fosse dado. Hoje, pelo contrário, elas tudo facilitam para criar em nós a ilusão de que concretizamos essa mesma Vontade, apresentando-se com as mais belas cores, revestindo-se com tudo aquilo que nos fascina; alimentando todos os desejos e fragilidades dos nossos corpos e assim afastando-nos, de uma forma doce, suave e bela, do verdadeiro caminho espiritual. Ou seja, ficamos com o deslumbre do poema e com o êxtase da aparente espiritualidade e perdemos a essência do propósito.

Hoje elas estão por todo o lado, disfarçadas das mais variadas formas. Minam as consciências dos homens, não apenas nos pontos relacionados com o materialismo deste mundo, fomentando o egoísmo, a intolerância, o fanatismo, o ódio... mas principalmente nos pontos relacionados com a espiritualidade do homem onde elas assumem novas funções, não mais de uma forma violenta, como na idade média, por exemplo, onde a inquisição era um dos seus produtos, mas nas formas doces, belas, fascinantes e coloridas da pseudo-espiritualidade com a qual nos desviam dos trilhos do nosso destino.
Título: Re: Rumo ao Sublime
Enviado por: Haga em 16 de Fevereiro de 2008, 21:47
Muitas das práticas que se intitulam espirituais são um dos seus campos de acção mais intensos, pois é exactamente no astralismo que tantas vezes predomina em toda essa panóplia de possibilidades, que elas nos mantêm adormecidos no fascínio que essas cores intensas, que esses perfumes diversos, que essas formas estagnadas pela inércia de quem se acomodou àquilo que é belo e bonito e aí se instalou no conforto de ter os seus corpos e o seu ego saciado, nos provocam, alimentando a dormência que nos afastará por completo do nosso verdadeiro caminho espiritual.

É importante compreender que o astralismo é contrário à via espiritual; essa é a nossa fraqueza, pois na ânsia de tudo querer saber - na curiosidade de um aspirante que busca saciar a sua sede em todas as fontes sem compreender que a única fonte verdadeira está dentro de si - abrimos brechas enormes nas nossas muralhas por onde essas forças penetram, desviando-nos por completo do verdadeiro caminho que temos que trilhar. É através do alimentar contínuo dos nossos desejos, das nossas carências, que essas forças nos envolvem numa encenação cuidada e, por vezes, grandiosa no brilho incandescente com que nos iludem, acabando por nos condenar a um estado de estagnação e de inércia que tantas vezes caracteriza aquilo que chamamos de espiritualidade.

Estes não são tempos para ficarmos fascinados com as cores do mundo, sejam essas cores materiais ou para-espirituais. Estes não são tempos para pararmos diante do bonito, do fantástico, do óptimo, mas para caminhar rumo ao sublime, àquilo que está para além de todas as formas, mesmo as mais espiritualizadas. Estes são tempos de contacto com o Fogo Interno e não com as mil e uma cores que essas forças instalaram à nossa volta para impedir que possamos contactar a verdadeira Luz que nos habita.

A palavra é, por isso mesmo: Vigiai; estar atento aos sinais profundos que vêm de dentro do nosso Ser Interno. É na PAZ que emana do centro do nosso coração que saberemos qual o caminho a seguir. É nessa Voz Profunda, nesse imenso Sim que o Universo nos deixa, que saberemos quais são os trilhos certos do nosso destino. Nada mais importa. Nada mais nos poderá condicionar nessa caminhada. Nada que venha de fora deverá abalar essa certeza profunda que emana do centro do nosso coração.

Cuidado, pois, com as projecções exteriores que geralmente são alimentas por carências dos nossos corpos e potenciadas por essas forças que tudo farão para inflamar essas mesmas carências. Cuidado com os bonitos cenários de luz que nos são apresentados sobre a forma de vestes espirituais. Cuidado com as supostas palavras de seres iluminados e com a aparente sabedoria dessas palavras que escondem, por detrás dos seus adornos requintados, frutos bastante amargos.

Que possamos seguir o farol interno dessa PAZ Profunda que habita o nosso coração. Esse é o único caminho. As forças involutivas podem iludir-nos no plano físico, materializando-se sob a capa de mestres conhecidos; podem iludir-nos no plano emocional, agarrando nas nossas carências e transformando-as em supostas virtudes espirituais para que o orgulho e a vaidade nos mantenham presos às coisas deste mundo; podem iludir-nos no plano mental com palavras doces, aparentemente sábias e repletas de luz, conduzindo-nos, sem que por vezes nos apercebamos disso, para o caminho oposto àquele que julgamos estar a trilhar.

Estes três níveis são o seu território de acção, onde elas têm toda a sua força concentrada e toda a sua estrutura montada para nos afastar do caminho que o nosso Ser Interno nos pretende mostrar. No entanto, elas não podem ir mais além, não podem penetrar no nosso coração profundo e, por isso mesmo, não poderão nunca simular em nós a PAZ que esse mesmo coração irradia desde o centro do nosso Ser.

É essa PAZ que nos deverá guiar pelo mar de ilusões em que esta civilização se transformou. É essa PAZ que deveremos ouvir como a única Voz capaz de nos conduzir à meta por nós determinada antes mesmo de termos encarnado. É essa PAZ que define em nós o caminho profundo do nosso veio espiritual, o cordão de Luz que nos ligará à Essência Cósmica que nos habita desde sempre e com a qual nos fundiremos num despertar há muito aguardado.

Nada mais deveremos ouvir que essa PAZ Profunda que somos em Essência. Ela é o nosso único farol enquanto estivermos mergulhados dentro da ilusão do tempo, ela é a Voz silenciosa que vem da eternidade para mostrar o caminho de retorno ao lugar que nunca deixámos, reforçando em nós os laços com a única Realidade existente: aquela que se encontra para além do limiar deste Universo temporal e das muitas ilusões que lhe dão expressão.


PAX,
Pedro Elias