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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: lukas de souza em 02 de Janeiro de 2011, 14:13

Título: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: lukas de souza em 02 de Janeiro de 2011, 14:13
Caro(a) Leitor(a)

A matéria é um pouco extensa, por esta razão a estou anexando.
lukas

FELIZ 2011
Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: Conforti em 19 de Fevereiro de 2011, 18:31
          Olá, Lukas, novo companheiro.

          Todos, sem exceção, percebem as tremendas desigualdades, não somente sociais, é claro, mas de todas espécies e mesmo dentro do mesmo nível social, seja do mais alto ao mais baixo. Sobre elas apresento uma questão que ninguém consegue responder: qual a causa das desigualdades?

          Um abraço.
Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: Ace em 19 de Fevereiro de 2011, 19:04
Amigo Coronel, o karma, talvez.

Abraços. Paz. :)
Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: Conforti em 19 de Fevereiro de 2011, 19:49
          Olá, Ace Cz, novo amigo.

          Compreendo, amigo, mas isso não responde totalmente a questão pois, se a causa das desigualdades está no "karma" (voce quer dizer "lei de causa e efeito, é isso?) o karma, então, já era desigual. Eu não fui claro: a pergunta correta é esta: de onde veio a desigualdade, como surgiu a desigualdade, se todos eram perfeitamente iguais? É isso.

          Um abraço.

]
Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: MarcoALSilva em 19 de Fevereiro de 2011, 20:46

Eu ainda não li os textos. Mas peço licença para uma observação.

O Amigo Coronel diz: "se todos eram perfeitamente iguais".

Na minha modesta visão, quando o evolucionário está em vias de completar a individualização na fase de humanização, já guarda em si diferenças dentre os que lhe comunguem do status.

A Doutrina ensina que os Espíritos necessitam da matéria para desenvolver a inteligência. Creio que a necessidade de vivenciar o plano físico, dentre vários outros aspectos, advém da necessidade das restrições que a matéria impõe como forma de alcançar-se a individualidade plena em relação ao princípio inteligente.

Aí é que está... A partir de então o instinto de conservação transborda em uns e outros, com maior ou menor intensidade na aptidão de gerar vícios e paixões, conforme o ser passe a optar conscientemente.

Essa situação é por demais complexa para que consideremos que os seres nesse patamar são perfeitamente iguais.

Acho que os seres somente são perfeitamente iguais quando não há sequer resquícios de uma individualidade a amoldar-se. Antes da humanização, pois, quando havia "apenas" o princípio inteligente.

Marco
Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: Conforti em 19 de Fevereiro de 2011, 22:19
          Olá, amigo Marco   (ref #4)
          Cito suas palavras:
          “O amigo diz: "se todos eram perfeitamente iguais".
          Cel: não, Marco, é a doutrina que diz isso...
          Marco:
          “Na minha modesta visão, quando o evolucionário está em vias de completar a individualização na fase de humanização, já guarda em si diferenças dentre os que lhe comunguem do status”.
          Cel: e, é evidente, desigualdades decorrentes das experiências pelas quais passou, não é verdade? É isso que a doutrina ensina...
          Marco:
          “A Doutrina ensina que os Espíritos necessitam da matéria para desenvolver a inteligência. Creio que a necessidade de vivenciar o plano físico, dentre vários outros aspectos, advém da necessidade das restrições que a matéria impõe como forma de alcançar-se a individualidade plena em relação ao princípio inteligente”.
          Cel: veja, também aí, amigo, uma nova estranheza: a verdadeira pátria, a vida verdadeira do espírito é aquela do plano espiritual; no entanto, ele vem <obrigatoriamente> ao plano físico, que não é sua vida verdadeira, para “aprender a como viver” no plano espiritual, que é onde está a vida verdadeira!!! E todos, também sem exceção, vêm ao plano físico para <obrigatoriamente> passar por tantos e tão terríveis sofrimentos... é como se a evolução se fizesse à força de sofrimentos e como se o Criador, amoroso e misericordioso, empunhasse o chicote para que, sob a dor de suas chicotadas, sejamos empurrados no sentido do aperfeiçoamento espiritual, concorda?
          Marco:
          “Aí é que está... A partir de então o instinto de conservação transborda em uns e outros, com maior ou menor intensidade na aptidão de gerar vícios e paixões, conforme o ser passe a optar conscientemente”.
          Cel: portanto, é a vida (ou a natureza) que nos leva a nos tornarmos desiguais, a sermos o que somos, concorda? Não temos, assim, qualquer responsabilidade ou culpa de sermos o que somos: bons ou maus, egoístas ou solidários, humildes ou orgulhosos etc. Sempre é a escola que aqui cursamos, a escola do bem e do mal que é a vida, que nos permite uma maior ou menor compreensão das coisas da vida (e da vida espiritual, como vimos até há pouco!). O que significa “optar conscientemente”? Se é a vida que nos faz o que somos, todas nossas ações estarão baseadas nas lições que vida nos ofereceu, certo? Então “optar conscientemente” significa “optar de conformidade com o que a vida nos ensinou”; é como se, para toda opção, perguntássemos à escola da vida qual escolha fazer, concorda? Dentro desse entendimento, não escolhemos conscientemente; é a vida que escolhe por nós.
          Marco:
          “Essa situação é por demais complexa para que consideremos que os seres nesse patamar são perfeitamente iguais”.
          Cel: meu amigo, é verdade que nesse patamar já deixaram de ser iguais; estou me baseando na codificação que diz, literalmente, e você sabe, “criados simples e ignorantes” (única imperfeição: a ignorância), e iguais quanto às inclinações e quanto às faculdades intelectuais. Até aí, nenhuma desigualdade, concorda? Entretanto a própria doutrina afirma que uns, <desde o princípio>, se dirigem para o caminho do bem absoluto, enquanto outros, <desde o princípio>, se dirigem para o caminho do mal absoluto! Veja, portanto, a desigualdade surgindo desde o princípio da criação!... Outra coisa: nossa conversa trouxe a questão da perfeição, certo? A <única> imperfeição dos espíritos, na criação, portanto, era a ignorância; e, embora a doutrina na admita o retrocesso moral, o espírito torna-se sobrecarregado de tantas outras espécies de imperfeições, (o que significa retrocesso tantas vezes gigantesco!!”), pois as imperfeições variam das mais “inocentes”, às mais perturbadoras e terríveis, tanto que terá de arcar, muitas vezes, por número indeterminado de vidas, com o peso de penalidades expiatórias que, conforme a doutrina, lhes serão cheias de sofrimentos torturantes e insuportáveis e que até lhes trarão “eternidades mais longas”... 
          Marco:
          “Acho que os seres somente são perfeitamente iguais quando não há sequer resquícios de uma individualidade a amoldar-se. Antes da humanização, pois, quando havia "apenas" o princípio inteligente”.
          Cel: por tudo isso que vimos, amigo, inclusive com os esclarecimentos que você colocou, percebemos que o homem <não> é responsável pelas desigualdades em que se acha: que a desigualdade é conseqüência natural do processo evolutivo; logo, nenhuma “culpa” cabe ao homem pelo que faz de errado, como nenhum mérito lhe cabe pelo que faz de acertado; a vida, com todas suas mais variadas experiências, de todos os instantes, é que o faz ser o que é a cada instante. Porque, então, se falar tanto em castigos, penalidades, necessidade de pedir perdão, se não há culpados?! E veja mais: o que mais afeta os homens, sem exceção de nenhum, e desde que nasce até que morre, é o sofrimento, concorda? E o fato de uns sofrerem mais do que outros é resultante das desigualdades, certo? E onde, então, estariam os infinitos amor e justiça divinos que permite que os homens sofram sem serem culpados de ser o que são? Porque a criação de leis punitivas e mundos de expiação (locais de castigos, como diz a doutrina)?
          Um abraço, meu amigo.



Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: filhodobino em 19 de Fevereiro de 2011, 22:37
Amados,
Carlos Gardel já cantava assim:

Guardando intorno a te


És triste, não te entendo,
tens tudo aquilo que queres.
Eu não sei o que procuras,
eu não sei o que mais queres.

A vida te deu demais
e por isso tu não queres
apreciar tantas coisas,
todas as coisas mais belas
mas que tu não vês mais,
porque tu não olhas o mundo
com a minha simplicidade.

Olhando em volta de ti,
tu talvez entenderás
que aquilo que te falta
está aí perto de ti.

Olhando em volta de ti,
no mundo encontrarás
as coisa que tu procuras
mas que possuis já.

Há pequenas coisas
que tu não vês, porem
são exatamente estas coisas
que tu deverá procurar.

Um menino que te sorri,
a natureza que te dá
bosques, prados e mil flores,
luzes, cores e alegria.
Tu és triste mas não sabes
que a vida é muito bela
se a olhas como eu.

Olhando em volta de ti,
no mundo encontrarás
as coisas que tu procuras
mas que possuis já.


Perdão pelo plágio... retiro se quiseres...
Saúde e Paz!
Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: lukas de souza em 20 de Fevereiro de 2011, 14:02
Estimados leitores(as),

Como um dever de consciência, lhes devo dizer de que em 2/JAN/2011, publiquei a matéria cujo título encontra-se sob epígrafe, movido por forte sentimento de culpabilidade em face da minha própria impotência na moção mais prematura do imperativo da reforma íntima.
Não tenho dúvidas que mais detém a postagem, o cunho de desabafo com um perfil quase que infantil intelectualmente falando, porém, sem me colocar sob constrangimento, eis que dotado de particular verdade, sem contudo deter a pretensão de calar qualquer voz.

Quem sabe se constituiu num pedido de socorro? Com otimismo, um alerta, se trouxer a minha frente, os ensinamentos do Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVII - Sede Perfeitos - item 7 "O DEVER," que responde e acalma quanto a aflição havida. Referi responde de forma categórica, uma vez que o Evangelho Segundo o Espiritismo, assim entendo, não dá margens a digressões. É a moral cristã em toda a sua pureza; um Código Divino, e, saliente-se, é o que Deus, pelos Venturosos Espíritos nos podem oferecer e que podemos assimilar, dada a nossa pequenez  em intelectualidade e moralidade - Míopes na interpretação e pela aceitação do que é lei e lei imutável.

Em fragmento prefacial do livro dantes citado, com assinatura de O Espírito de Verdade: "... Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos... ."
Penso que com este aditamento, sustentado pelo 'plus' trazido por preceitos contidos no Evangelho, não somente respondi-me quanto da razão das desigualdades sociais e de que tais, trazem justiça, desde que não vejamos a vida de forma nuclear, o que ocorre, se nos abstrairmos dos ensinamentos da Doutrina das Reencarnações

A todos que acessaram a esta, ou, a postagem inaugural do tópico, havendo ou não se manifestado através deste fórum, meu respeito, minha gratidão pela paciência e tolerância e sobretudo pela compreensão.

Recebam meu afetuoso abraço.

                 lukas
Título: Re: Eu e as desigualdades sociais
Enviado por: Conforti em 20 de Fevereiro de 2011, 16:39
          Lukas de souza   (ref #7)

          Cel: meu novo amigo; qual a razão desse “forte sentimento de culpa em face de sua impotência” para realizar alguma coisa? Foi você mesmo que, por sua própria vontade, desejou se encher dessa impotência, ou a vida é que lhe trouxe, agora, a percepção dessa impotência? O amigo tem alguma culpa ou responsabilidade por ser “impotente” para realizar, como deseja, a reforma íntima? Use seu raciocínio, sua cabeça e analise, reflita. Alguém é incapaz de realizar a reforma íntima, ou é orgulhoso, egoísta, mau, simplesmente porque, num estalar de dedos, resolveu, decidiu ser assim? Analise e perceba que não é assim. Você não se fez o que é agora; a vida, esta escola do bem e do mal que todos cursamos, com todas suas mais variadas experiências pelas quais passamos, como se fossem aulas ministradas por essa escola, é que nos faz ser o que somos a cada instante.
          Cito o amigo Lukas:
          “Em fragmento prefacial do livro dantes citado, com assinatura de O Espírito de Verdade: "... Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos...”
          Cel: veja, meu amigo, aqui, também, cabe a mesma pergunta feita acima: porque “confundir”, como num castigo “merecido”, os orgulhosos, e premiar os justos, se todos nós somos o que somos devido ao nível de aprendizado obtido na escola da vida? Tanto o orgulhoso quanto o justo são o que são simplesmente porque desejaram ser o que são? O “orgulhoso” desejou ser orgulhoso e o justo desejou ser “justo” e, assim se tornaram? Porque a desigualdade entre orgulhosos e justos, senão porque a vida os tornou assim desiguais? Você é justo ou bom simplesmente porque quer ser justo e bom? E, se sua resposta for positiva, lhe pergunto: porque você quer e outros não querem?
          Um abraço.