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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: Liana em 14 de Setembro de 2005, 06:02

Título: Entrevista com Divaldo Franco
Enviado por: Liana em 14 de Setembro de 2005, 06:02
Olá para todos

Pergunta: Qual o requisito para ser um bom doutrinador e como se conduzir no exercício dessa função?

Divaldo Franco: Para alguém ser um bom doutrinador não basta ter boa vontade. Recordo-me que, quando estava muito em voga o termo boa vontade, um Espírito escreveu pela psicografia o seguinte: A boa vontade não basta. Já afirmava Goethe que "não pode haver nada pior de que um indivíduo com grande dose de boa vontade mas sem discernimento de ação." ? Acontece que a pessoa de boa vontade, não sabendo desempenhar a função a contento, termina fazendo uma confusão terrível. Não é suficiente ter apenas boa vontade, mas saber desempenhar a função. É melhor uma pessoa com má vontade que saiba fazer corretamente a tarefa do que outra de boa vontade que não sabe agir. Aliando-se as duas qualidades o resultado será mais positivo. O médium doutrinador, que é também um indivíduo suscetível à influência dos Espíritos, pode desajustar-se no momento da doutrinação, passando a sintonizar com a Entidade comunicante e não com o seu Mentor e, ao perturbar-se, perde a boa direção mental ficando a dizer palavras a esmo. Observa-se, às vezes, mesmo em reuniões sérias, que muitos companheiros excelentes, ao invés de serem objetivos, fazem verdadeiros discursos no atendimento aos Espíritos sofredores, referindo-se a detalhes que não têm nada com o problema do comunicante. | Não é necessário ser um técnico, um especialista, para desempenhar a função de doutrinador. Porém, é preciso não abdicar do bom senso. Deste modo, quando o Espírito incorporar, cabe ao doutrinador acercar-se do médium e escutá-lo para avaliar o de que ele necessita. Não é recomendável falar-se antes do comunicante procurando adivinhar aquilo que o aflige. A técnica ideal, portanto, é ouvir-se o que o Espírito tem a dizer, para depois orientá-lo, de acordo com o que ele diga, sempre num posicionamento de conselheiro e nunca de um discutidor. Procurar ser conciso, porque alguém em perturbação não entende muito do assunto que seu interlocutor está falando. Torna-se imprescindível que o doutrinador ausculte a problemática da Entidade. Por exemplo: o médium está em estertor e não consegue dizer nada. O doutrinador aproxima-se e pergunta com delicadeza:

- Qual é o seu problema ou dificuldade? Estamos aqui para lhe ser úteis. Você já percebeu porque foi trazido a este local? Qual a razão de encontrar-se tão inquieto?

- A Entidade retruca: - Eu estou com raiva!

- E o doutrinador: - Você já percebeu o quanto a raiva é prejudicial para a pessoa que a está sentindo?

- Pois eu odeio.

- Mas, tudo nos ensina a amar. Procure superar esse sentimento destruidor.

O comunicante deve ser encaminhado ao autodescobrimento. Não adianta falar-lhe sobre pontos doutrinários, porque ele não se interessa. Vamos ilustrar: Chega uma pessoa com dor de cabeça e aconselha-se: - Tome um analgésico, descanse, depois vamos conversar. Isto significa dar o remédio específico para o problema do paciente. No atendimento mediúnico o doutrinador deve ser breve, porque nas discussões infindáveis e nas doutrinações que não acabam nunca, o medianeiro se desgasta excessivamente, e o que se deve fazer é preservá-lo ao máximo.

Pergunta: Durante a doutrinação deve-se fornecer muitas informações doutrinárias à Entidade sofredora que se manifesta?

Não. Essa é uma particularidade que devemos ter em mente.

Coloquemo-nos na posição do comunicante. Quando alguém está com uma forte enxaqueca, por exemplo, não adianta nenhum médico se deter na explicação sobre a origem da doença. A enxaqueca está causando tanto mal-estar que o indivíduo não assimila nada do que é dito. Ele deseja apenas um medicamento para o curar o mal. Quanto menos informações forem dadas melhor. Os Espíritas, com exceções, é claro, têm um hábito que não se coaduna com esta atividade: o de usarem vocabulário específico da Doutrina, esquecendo-se que nem todo Espírito que se comunica é um adepto do Espiritismo, capaz de conhecer os seus postulados. Comunica-se um Espírito e diz-se-lhe: - Você está desencarnado? Ele não tem a menor idéia do que a pessoa está falando. Ou então: - Você precisa afastar-se do médium, desligar-se. Tampouco ele entende desta vez. Devemos, nos lembrar, sempre, que este é um vocabulário específico da Doutrina Espírita que somente pode ser entendido por Espíritas praticantes. É o mesmo que um engenheiro eletrônico chegar-se para outra pessoa e começar a explicar Eletrônica na linguagem científica. O ouvinte, não entendendo do assunto, demonstra total desinteresse pelo que está sendo transmitido e, terminada a explanação, continua no mesmo estado mental. A função das comunicações dos Espíritos sofredores tem por finalidade primordial o seu contato com o fluídoanimalizado do médium para que ocorra o chamado choque anímico. Allan Kardec usou a expressão fluido animalizado ou animal, porque, quando o Espírito se acopla ao sensitivo para o fenômeno da psicofonia ou psicografia, recebe uma alta carga de energia animalizada que lhe produz um choque. Como se pode depreender, às vezes, quando advém a desencarnação,o psiquismo do Espírito leva com ele todas as impressões físicas, não se dando a menor conta do que ocorreu. Ele continua no local do desenlace, estranhando tudo em sua volta, sem a mínima idéia da cirurgia da morte que aconteceu há muito tempo. Quando se dá incorporação, o Espírito recebe um choque vibratório que o aturde. Se nessa hora forem dadas muitas informações, este estado se complica ainda mais e a Entidade não assimila, como seria de desejar, o socorro de emergência a ser ministrado. O doutrinador deve ser breve, simples e, sobretudo, gentil, para que o desencarnado receba mais pelas suas vibrações do que pelas suas palavras. Imaginemos alguém que teve uma parada cardíaca e subitamente desperta num Hospital de Pronto Socorro com uma sensação de desmaio. A situação é comparável ao despertar pela manhã depois de uma noite de sono. Qual a nossa reação psicológica se alguém,|aproximando-se da nossa cama, nessa hora nos diz:

- Você já morreu. ?

Damos uma risada e respondemos:

- Qual nada! Estou aqui no quarto acordado.

E continuamos, no entanto, a manter as impressões do sono. No caso de um Espírito desencarnado que se comunica, nesse momento é a vibração do interlocutor que vai torná-lo mais seguro, embora as palavras ditas suscitem nele alguns conflitos. Somente são necessários alguns esclarecimentos preparatórios para que os Mentores façam-se recordar-se da desencarnação em outra ocasião. Em casos especiais é viável, quando o Espírito permite, dizer-se que a sua desencarnação foi consumada, pois toda regra é adaptável às circunstâncias. Chega por exemplo, um Espírito dizendo:

- Estou sofrendo há muito tempo, não consigo livrar-me desta dor desconfortável.

Redargue o doutrinador:

- Você já notou o que lhe aconteceu? Há muito tempo você está sentindo esta dor?

E o diálogo prossegue:

- Ah! Eu não me lembro. Não tenho a menor idéia.

- Meu amigo, isto é preocupante. Veja bem, examine-se, observe, onde você se encontra. Você sabe que lugar é este?

- Não sei.

-Você se encontra entre amigos. Note a forma como está falando. -Você já percebeu que se está expressando através de outra pessoa?

O Espírito vai ficar surpreso porque está convencido de estar falando com os seus próprios recursos. Terminada a pausa, o diálogo continua:

- Você já notou que até agora esteve falando e ninguém lhe respondia, enquanto neste momento estou lhe respondendo? Sabe o porquê? Note que até agora tem pedido ajuda e ninguém lhe apareceu, qual a razão disto?

Enfim o doutrinador deve fazê-lo perceber, gentilmente, que algo aconteceu e ele não se deu conta.(...) Não há, pois, justificativa para a preocupação de dar-se muitos informes. É como dizer-se para uma criança o que ela não tem condição de assimilar. Não adianta falar muito. Tem que ser prático e objetivo. (...) Às vezes, o doutrinador fala em demasia, e não deixa o Espírito expor o seu problema. Observa-se com freqüência um hábito que deve ser eliminado: o médium apresenta os primeiros estertores e isso depende da organização nervosa ou da constituição psicológica do sensitivo e logo o doutrinador, aproximando-se, e sem ouvir o problema da Entidade, propõe:

-Tenha calma, tenha calma ...

O Espírito, nem sequer disse uma palavra, e já foi tolhido de falar. Necessário deixar-se que a comunicação se dê, para o doutrinador sentir o problema do comunicante, a fim de encontrar a forma mais sensata de atendê-lo. Se o Espírito está gemendo, ouve-se dizer:

- Venha com Deus ou venha na paz de Deus. Existe uma outra fórmula muito corriqueira, que se costuma usar:

- Ore, pense em Deus.

São chavões que não levam a lugar nenhum. O doutrinador tem primeiro que ouvir as alegações da Entidade, para depois iniciar a argumentação específica, como se faz no relacionamento humano. Se alguém está chorando não se diz:

- Calma, calma, não chore, não chore...

Deixa-se a pessoa chorar um pouco, e depois Pergunta-se: - Qual é o problema? Por que está chorando tanto?

Damos um outro exemplo:

Aproxima-se de nós uma pessoa muito nervosa, e se quisermos atendê-la, dizemos:

- Pois não... ? E mantemo-nos em silêncio até a outra extravasar os sentimentos. Depois é que a interrogamos.

Interrogar na hora do desespero cria confusão e a irritação acontece, prejudicando o êxito do atendimento. Portanto, poucas informações são um sinal de bom senso. Na hipótese da Entidade recalcitrar na teimosia, deve-se-lhe dizer:

- Você veio aqui em busca de ajuda, deixe-me ajudá-lo.

Tratando-se de Espíritos perturbadores que, por princípio, se deduz que sabem o estado em que se encontram, agindo, portanto, com intenção maléfica, o doutrinador usa outra técnica. Aliás, é bom alertar: a tática do obsessor é discutir para ganhar tempo e perturbar o ambiente. Enquanto está discutindo, irradia vibração desagradável que a todos irrita e provoca mal-estar; enfraquece-se o círculo vibratório e ele se torna senhor das mentes que emitem animosidade na sua direção. (...) Nota-se que o número de obsidiados que se curam hoje, é bem menor do que nos primórdios. A razão disso, é porque o Espiritismo em muitos corações tem tido o efeito de uma reunião social, de um clube em que a pessoa vai participar com certa unção mas, saindo dali acabou-se, não mais se interessa, tem a vida profana normal,é o homem social comum, e por isso, os Espíritos que nos observam não acreditam em nossas palavras. Os vingativos não abandonam as vítimas que não demonstrem propósitos de melhorar-se intimamente, nem também levam em consideração as palavras destituídas do respaldo dos bons atos. Desta forma, quando convivermos com os obsessores, a melhor técnica é não discutir com eles, porque são faladores e têm o objetivo de confundir; principalmente os inimigos do ideal superior, as Entidades "religiosas", frias, cínicas, sofistas. A atitude do doutrinador deve ser sempre pacifíca e gentil. Caso percebamos a intenção do Espírito em demorar-se além do necessário, digamo-lhe: - Agora, você pode ir-se. Já lhe atendemos conforme podíamos. Vamos aplicar-lhe uma medicação,e utiliza-se da indução hipnótica. Às vezes o Espírito reage, mas a medicação faz efeito, porque, quando tomamos esta postura, os Mentores Espirituais aplicam-lhes sedativo indispensável para o tratamento específico , hipnose ou certos produtos de origem espiritual que os anestesiam e retiram-se.

Esta é a técnica ideal.

Extraída do site www.plenus.net

Abraços para todos

Muita Paz

Liana
Título: Re: Entrevista com Divaldo Franco
Enviado por: WOLLER em 19 de Setembro de 2005, 12:48
Olá amiga

Essa entrevista com o Divaldo, é ótima leitura para aqueles que pretendem ,
um dia, serem doutrinadores.
Muito bem colocada.

Abraços

WOLLER
Título: Re: Entrevista com Divaldo Franco
Enviado por: Ma3434 em 16 de Dezembro de 2009, 01:33
Olá Liana,
Também gostei muito, mas não consegui entrar naquele site, pois recebi a mensagem de que o site está em manutenção. Essa entrevista se encontra em texto mesmo? ou tem também algum vídeo?

Muito grata
Título: Re: Entrevista com Divaldo Franco
Enviado por: Lourdilena em 30 de Maio de 2010, 03:45
Liana, Muito obrigada pela possibilidade de ler este artigo esclarecedor. Todos os médiuns que trabalham no esclarecimento de irmãos desencarnados em desequilíbrio deveriam ler estas valiosas informações.

Paz e Luz!