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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:10

Título: Chico e Amigos
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:10


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Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:13


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Olá Amigos de Chico, Amigos Visitantes e Amigos do Fórum

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-521.gif)  Este tópico é uma homenagem ao nosso Chico Xavier, em agradecimento a todos os anos de dedicação a Doutrina Espírita.

Não há complicação para postar aqui, e assim como em nosso Cantinho da Amizade, nós dispensamos os debates, porque nosso objetivo é divulgar nossa Doutrina e o lindo trabalho que Chico fez juntamente com os Espíritos que muito nos esclareceram.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-521.gif)  Como este tópico é uma homenagem ao Chico, é obvio que nada mais pode ser postado aqui além de coisas que tenham relação com o Chico:

▬  Tudo sobre a vida do Chico.
▬  Todos os Espíritos que ele psicografou.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-521.gif)  Qualquer assunto, frases, textos, poemas, poesias, gifs, fotos, com ou sem mensagens, que seja de Chico, ou de algum espírito que ele psicografou, vamos trazer pra cá. Não importa se foi postado no Fórum, no Cantinho da Amizade, em Mundo Encantado, nos jornais, na internet, etc. Devemos ter muito cuidado pra não haver duplicatas.

Seria bom que não postássemos vídeos, para evitar que o tópico fique repleto dos vídeos do Pinga Fogo, deixemos que as pessoas vejam no youtube, isso não significa que não possamos pegar todos os textos que encontrarmos sobre o programa Pinga Fogo.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-521.gif)  Aqui podemos conversar, elogiar, mas nunca criticar, isso podemos fazer em mensagem pessoal, e será nas críticas em off que vamos consertar o que estiver errado.

Gis de amizade, bichinhos, flores e etc, só se forem do Chico ou dos Espíritos que ele psicografou. Quem tiver alguma pergunta pode fazê-la aqui, o lugar de ficarmos mudos é em Mundo Encantado. Rsss.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-521.gif)  Se for para desejar um bom dia, boa tarde ou boa noite, seja na chegada ou na saída,  pode ser da maneira que preferirmos, (apenas isso), o restante, só do Chico e dos Espíritos que ele psicografou.

Façamos deste tópico “Chico e Amigos” uma extensão da morada espiritual de luz, onde ele se encontra e um local que seja de pesquisas sobre a vida do nosso Chico.

E veja ele lá em baixo, soltando beijos pra todos nós, brasileiros ou portugueses não importa o país, ele nunca fez distinção destas coisas.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-521.gif)  Com o Cantinho da Amizade, Mundo Encantado, Chico e Amigos, será difícil nos encontrarmos, mas fiquem tranquilos, eu não vou mais abrir outros tópicos, esses três são suficientes, para ocupar as nossas mentes, porque vocês sabem: "Mente desocupada, oficina do inimigo"

Obrigada pela atenção de todos.
Meu coração pra vocês.
Mariana.



Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:19

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Agradecimentos


Agradecemos a Deus, a Nosso Senhor Jesus Cristo e aos Mentores do Fórum por mais esta oportunidade de divulgarmos também aqui, a Doutrina de Allan Kardec, através dos Espíritos e pelas mãos abençoadas do nosso doce amigo/irmão Francisco Cândido Xavier.
 
Agradecemos a caridade dos Patrocinadores e Administradores por nos permitirem mais este espaço.
 
Agradeço também a todas as pessoas que faz parte da nossa equipe, que com muito amor e dedicação, estão sempre dispostas a colaborar comigo, pessoas maravilhosas que trabalham incansavelmente.

Apesar de não nos conhecermos pessoalmente, temos uma história e somos uma família, nós jamais teríamos chegado aonde chegamos se não fosse esta união que nos liga ao amor de Jesus.

E por fim, agradecemos aos nossos visitantes que tanto nos prestigiam, que mesmo anonimamente são também nossos amigos e faz parte desta família abençoada.
 
Deus abençoe todos vocês.
 
Obrigada Senhor.
Mariana e equipe.



Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:22


A Luz de Deus


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Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:25


Deus, Jesus e Maria, Os Maiores Amigos do Chico


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Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:27


Jesus e Maria, Amigos Inseparáveis do Chico


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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:30


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Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:33


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Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:35


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Prece de Chico Xavier


[attach=2]

Que Deus não permita que eu perca o romantismo,
mesmo eu sabendo que as rosas não falam.

Que eu não perca o otimismo,
mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.

Que eu não perca a vontade de viver,
mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...

[attach=3]

Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de ajudar as pessoas,
mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver,
reconhecer e retribuir esta ajuda.

Que eu não perca o equilíbrio,
mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.

[attach=4]

Que eu não perca a vontade de amar,
mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo,
pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a luz e o brilho no olhar,
mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo,
escurecerão meus olhos...

Que eu não perca a garra,
mesmo sabendo que a derrota e a perda
são dois adversários extremamente perigosos.

[attach=5]

Que eu não perca a razão,
mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas.

Que eu não perca o sentimento de justiça,
mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu.

Que eu não perca o meu forte abraço,
mesmo sabendo que um dia meus braços estarão fracos...

[attach=6]

Que eu não perca a beleza e a alegria de viver,
mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos
e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o amor por minha família,
mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria
esforços incríveis para manter a sua harmonia.

Que eu não perca a vontade de doar
este enorme amor que existe em meu coração,
mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado.

[attach=7]

Que eu não perca a vontade de ser grande,
mesmo sabendo que o mundo é pequeno...

E acima de tudo,
que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente,
que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um
é capaz de mudar e transformar qualquer coisa,
pois a vida é construída nos sonhos e concretizada no amor!

[attach=8]

Chico Xavier.

Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:39


Chico e Amigos


[attach=1]


Chico em vida fez muitas amizades, mas os principais amigos dele foram os livros e os espíritos que ele psicografou. É sobre a vida do Chico, sobre seus livros e os seus amigos espirituais que vamos postar aqui.



Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:44




Total e Absoluta Fidelidade a Allan Kardec e a Sua Doutrina
 

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Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:51

Esses foram os Espíritos que Chico mais psicografou, mas há muitos outros que veremos ao longo das nossas postagens.


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Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 05:54


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Chico Xavier, o mais respeitado médium do Brasil.


Biografia:

Francisco Xavier, considerado o maior médium da atualidade, descobriu seu dom aos quatro anos de idade. Nesta época morava em Padre Leopoldo, pequena cidade mineira onde nasceu. Contou sobre o que via ao pai, João Cândido, e este pensou que o menino estava com o "demônio" no corpo. Era o ano de 1914.

Para "expulsar o demônio", Chico teve de rezar mil ave-marias e caminhar, nas procissões católicas, com uma pedra de 15 quilos na cabeça. Também levou várias surras da madrinha. A mãe, Maria João de Deus, faleceu um ano depois, e ele mantinha contato com o espírito dela. Deixou a escola ao completar o primário para trabalhar como caixeiro de um armazém e, depois, como funcionário público.

Aos 17 anos iniciou-se no espiritismo. Tornou-se conhecido em 32, ao psicografar seu primeiro livro, "Parnaso do Além-Túmulo", que compila 259 poesias ditadas por 56 poetas mortos, entre eles Arthur Azevedo, Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos e Alphonsus Guimarães. Era difícil não reconhecer a autenticidade dos textos. Chico Xavier deixou cerca de 400 obras, traduzidas para vários idiomas.

Apesar de ser mais conhecido pelo dom psicográfico, Chico Xavier também tinha outras mediunidades, como a vidência e a psicofonia. Reunia milhares de pessoas atrás de cura para as mais diversas doenças, e dedicou sua vida a isso e aos livros. Nos últimos anos, com a saúde debilitada por crises de angina, infartos, pneumonia e exergando mal, já não conseguia atender a tantas pessoas.

Chico Xavier faleceu neste domingo, em Uberaba, Minas Gerais, cidade onde viveu desde 1959. Ainda não se sabe a causa da morte. Ele tinha 92 anos.

Infância:

Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo (MG), no dia 2 de abril de 1910. Filho de operário inculto e de humilde lavadeira, ficou órfão de mãe aos cinco anos de idade. Seu pai se viu obrigado a entregar alguns dos seus nove filhos aos cuidados de pessoas amigas e Chico Xavier ficou com sua madrinha, mulher nervosa que o maltratava cruelmente.

Nos seus momentos de angústia, um anjo de Deus, que fora sua mãe na Terra, o assistia, quando, desarvorado, orava nos fundos do quintal:
▬  "Tenha paciência, meu filho!
▬  Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar".

O menino aprendeu a apanhar calado, sem chorar. Diariamente, à tarde, com vergões na pele e o sangue a correr-lhe em delgados filetes pelo ventre, ele, de olhos enxutos e brilhantes, se dirigia para o quintal, a fim de reencontrar a mãezinha querida, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.

Algum tempo depois, terminou seu martírio. Seu pai casou-se novamente e sua madrasta, alma boa e caridosa, o recolheu carinhosamente, a ele e a todos os irmãos que estavam espalhados. A situação era difícil. A guerra acabara e graçava a gripe espanhola. O salário do chefe da família dava escassamente para o necessário e os meninos precisavam estudar.

Foi então que a boa madrasta teve uma idéia:
Plantar uma horta e vender os legumes. Em algumas semanas, o menino já estava na rua com o cesto de verduras. Desta forma, conseguiram encher o cofre e voltar a frequentar as aulas.

Em janeiro de 1919 Chico Xavier começou o ABC. Com a saída do chefe da casa para o trabalho e das crianças para a escola, a madrasta era obrigada, algumas vezes, a deixar a casa a sós, pois precisava buscar lenha à distância.

Foi então que surgiu um problema:
A vizinha, se aproveitando da ausência de todos, passou a colher a verduras e, sem verduras, não haveria dinheiro para as despesas da escola. Preocupada, a madrasta, não querendo ofender a amiga, pediu a Chico Xavier que, pedisse um conselho ao espírito de sua mãe.

À tardinha, o menino foi ao quintal e rezou como fazia sempre que queria conversar com sua mãe e lhe contou o problema. Sua mãe lhe disse que realmente não deviam brigar com os vizinhos e lhe deu uma sugestão: Toda vez que sua madrasta se ausentasse, que desse a chave de casa à vizinha, para que ela tomasse conta da casa. Dessa forma, a vizinha, responsável pela casa, não tocou mais nas hortaliças.

Passados todos esses problemas, o menino não viu sua genitora com tanta frequência. Mas passou a ter sonhos.
À noite, levantava-se agitado e conversava com locutores invisíveis. De manhã, contava as peripécias de pessoas mortas, coisas que ninguém podia compreender! O pai resolveu levá-lo ao vigário de Matozinhos, que, após ouvi-lo, recomendou que o garoto não lesse mais jornais, revistas, livros.

Disse-lhe que ninguém volta a conversar depois da morte e que era o demônio que lhe estava perturbando. O menino chorava nos braços de sua madrasta, criatura piedosa e compreensiva.



Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:02

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Chico Xavier, o mais respeitado médium do Brasil


Biografia:

Francisco Xavier, considerado o maior médium da atualidade, descobriu seu dom aos quatro anos de idade. Nesta época morava em Padre Leopoldo, pequena cidade mineira onde nasceu. Contou sobre o que via ao pai, João Cândido, e este pensou que o menino estava com o "demônio" no corpo. Era o ano de 1914.

Para "expulsar o demônio", Chico teve de rezar mil ave-marias e caminhar, nas procissões católicas, com uma pedra de 15 quilos na cabeça. Também levou várias surras da madrinha. A mãe, Maria João de Deus, faleceu um ano depois, e ele mantinha contato com o espírito dela. Deixou a escola ao completar o primário para trabalhar como caixeiro de um armazém e, depois, como funcionário público.

Aos 17 anos iniciou-se no espiritismo. Tornou-se conhecido em 32, ao psicografar seu primeiro livro, "Parnaso do Além-Túmulo", que compila 259 poesias ditadas por 56 poetas mortos, entre eles Arthur Azevedo, Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos e Alphonsus Guimarães. Era difícil não reconhecer a autenticidade dos textos. Chico Xavier deixou cerca de 400 obras, traduzidas para vários idiomas.

Apesar de ser mais conhecido pelo dom psicográfico, Chico Xavier também tinha outras mediunidades, como a vidência e a psicofonia. Reunia milhares de pessoas atrás de cura para as mais diversas doenças, e dedicou sua vida a isso e aos livros. Nos últimos anos, com a saúde debilitada por crises de angina, infartos, pneumonia e exergando mal, já não conseguia atender a tantas pessoas.

Chico Xavier faleceu neste domingo, em Uberaba, Minas Gerais, cidade onde viveu desde 1959. Ainda não se sabe a causa da morte. Ele tinha 92 anos.

Infância:

Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo (MG), no dia 2 de abril de 1910. Filho de operário inculto e de humilde lavadeira, ficou órfão de mãe aos cinco anos de idade. Seu pai se viu obrigado a entregar alguns dos seus nove filhos aos cuidados de pessoas amigas e Chico Xavier ficou com sua madrinha, mulher nervosa que o maltratava cruelmente.

Nos seus momentos de angústia, um anjo de Deus, que fora sua mãe na Terra, o assistia, quando, desarvorado, orava nos fundos do quintal:
▬  "Tenha paciência, meu filho!
▬  Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar".

O menino aprendeu a apanhar calado, sem chorar. Diariamente, à tarde, com vergões na pele e o sangue a correr-lhe em delgados filetes pelo ventre, ele, de olhos enxutos e brilhantes, se dirigia para o quintal, a fim de reencontrar a mãezinha querida, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.

Algum tempo depois, terminou seu martírio. Seu pai casou-se novamente e sua madrasta, alma boa e caridosa, o recolheu carinhosamente, a ele e a todos os irmãos que estavam espalhados. A situação era difícil. A guerra acabara e graçava a gripe espanhola. O salário do chefe da família dava escassamente para o necessário e os meninos precisavam estudar.

Foi então que a boa madrasta teve uma idéia:
Plantar uma horta e vender os legumes. Em algumas semanas, o menino já estava na rua com o cesto de verduras. Desta forma, conseguiram encher o cofre e voltar a frequentar as aulas.

Em janeiro de 1919 Chico Xavier começou o ABC. Com a saída do chefe da casa para o trabalho e das crianças para a escola, a madrasta era obrigada, algumas vezes, a deixar a casa a sós, pois precisava buscar lenha à distância.

Foi então que surgiu um problema:
A vizinha, se aproveitando da ausência de todos, passou a colher a verduras e, sem verduras, não haveria dinheiro para as despesas da escola. Preocupada, a madrasta, não querendo ofender a amiga, pediu a Chico Xavier que, pedisse um conselho ao espírito de sua mãe.

À tardinha, o menino foi ao quintal e rezou como fazia sempre que queria conversar com sua mãe e lhe contou o problema. Sua mãe lhe disse que realmente não deviam brigar com os vizinhos e lhe deu uma sugestão: Toda vez que sua madrasta se ausentasse, que desse a chave de casa à vizinha, para que ela tomasse conta da casa. Dessa forma, a vizinha, responsável pela casa, não tocou mais nas hortaliças.

Passados todos esses problemas, o menino não viu sua genitora com tanta frequência. Mas passou a ter sonhos.

À noite, levantava-se agitado e conversava com locutores invisíveis. De manhã, contava as peripécias de pessoas mortas, coisas que ninguém podia compreender! O pai resolveu levá-lo ao vigário de Matozinhos, que, após ouvi-lo, recomendou que o garoto não lesse mais jornais, revistas, livros.

Disse-lhe que ninguém volta a conversar depois da morte e que era o demônio que lhe estava perturbando. O menino chorava nos braços de sua madrasta, criatura piedosa e compreensiva.



Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:06


Ao conversar com sua mãe, triste por não ser compreendido por ninguém, escutou dela que precisava modificar seus pensamentos, que não deveria ser uma criança indisciplinada, para não ganhar antipatia dos outros. Deveria aprender a se calar e que, quando se lembrasse de alguma lição ou experiência recebidas em sonho, que ficasse em silêncio.

Precisava aprender a obediência para que Deus, um dia, lhe concedesse a confiança dos outros. E durante 7 anos consecutivos, de 1920 a 1927, ele não teve mais qualquer contato com sua mãe. Integrado na comunidade católica, obedecia às obrigações que lhe eram indicadas pela Igreja. Confessava-se, comungava, comparecia pontualmente à missa e acompanhava as procissões.

Em 1923 terminou o curso primário, no Grupo. Levantava-se às seis da manhã para começar, às sete, as terefas escolares e entrando para o serviço da fábrica às três da tarde, para sair às onze da noite. Em 1925 deixou a fábrica, empregando-se na venda do Sr. José Felizardo Sobrinho, onde o trabalho ia das seis e meia da manhã às oito da noite. As perturbações noturnas continuaram. Depois de dormir, caía em transe profundo.

Em 1927 uma de suas irmãs caiu doente. Um casal de espíritas, reunido com familiares da doente, realizaram a primeira sessão espírita que teve lugar na casa. Na mesa, dois livros: "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e o "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec.

Pela mediunidade de D. Carmem, sua mãe manifestou-se:
▬  Meu filho, eis que nos achamos juntos novamente. Os livros à nossa frente são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra com seus deveres e, em breve, a bondade divina nos permitirá mostrar a você seus novos caminhos.

A primeira e única professora de Chico que descobriu sua mediunidade psicográfica foi D. Rosália. Fazia passeios campestres com os alunos que deveriam, no dia seguinte, levar-lhe uma composição, descrevendo o passeio. A de Chico tirava sempre o primeiro lugar.

Desconfiada, D. Rosália, um dia, fez o passeio mais cedo e, na volta, pediu que os alunos fizessem a composição em sua presença. Chico, novamente, tira o primeiro lugar, escrevendo uma verdadeira página literária sobre o amanhecer e daí tirando conclusões evangélicas. Rosália mostrou aos amigos íntimos a composição e todos foram unânimes em reconhecer que aquilo, se não fora copiado, era então dos espíritos.

Atividades mediúnicas em Pedro Leopoldo:

Ao entrar para o funcionalismo público, como datilógrafo, na Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura, começa a demonstrar sua admiração pela natureza. Distante 6 quilômetros da cidade, em contato com a natureza, ama até as pedras e os montes pensativos. Vê em tudo poesia e oração, trata as árvores como irmãs e compreende como poucos a alma do grande todo. Vê em tudo poesia e vida, verdade e luz, beleza e amor e, acima de tudo, a presença de Deus!

Em maio de 1927 foi realizada a primeira sessão espírita no lar dos Xavier, em Pedro Leopoldo. Em junho do mesmo ano foi cogitada a fundação de um núcleo doutrinário. Em fins de 1927 o Centro Espírita Luiz Gonzaga, sediado na residência de José Cândido Xavier, que se fez presidente da instituição, estava bem frequentado. As reuniões se realizavam às segundas e sextas-feiras.

A nova sede do Grupo Espírita Luiz Gonzaga foi construída no local onde se erguia, antigamente, a casa de Maria João de Deus, genitora de Chico Xavier. Em 8 de julho de 1927, Chico Xavier fez a primeira atuação do serviço mediúnico, em público. Seu primeiro livro psicografado foi publicado em 1931. Chico passou a receber as primeiras poesias de "Parnaso de Além -Túmulo", que foi lançado em julho de 1932.

Em 1950, Chico Xavier havia recebido, pela sua psicografia, mais de 50 ótimos livros. Vivia no apogeu de triunfos mediúnicos. Estava conhecidíssimo no Brasil e no mundo inteiro. O Parnaso de Além Túmulo, por si só, valia pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe o instrumental mediúnico, o mais completo e seguro que o Espiritismo tem tido para lhe revelar as verdades, inclusive o intercâmbio das idéias entre os dois Mundos.

Além disso, recebera romances, livros e mais livros, versando assuntos filosóficos, científicos e, sobretudo, realçando o espírito da letra dos Evangelhos, escrevendo e traduzindo, de forma clara e precisa, as Lições consoladoras e imortais do Livro da Vida.

Atividades mediúnicas em Uberaba:

Em 5 de janeiro de 1959 mudou-se para Uberaba, sob a orientação dos Benfeitores Espirituais, iniciando nessa mesma data, as atividades mediúnicas, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã. Deu ele, então, início à famosa perigrinação.

Aos sábados, saindo da "Comunhão Espírita-Cristã", o bondoso médium visitava alguns lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença amiga, acompanhado por grande número de pessoas afinizadas. Sob a luz das estrelas e de um lampião que seguia à frente, iluminando as escuras ruas da periferia, ia contando fatos de grande beleza espiritual.

A cidade de Uberaba, desde a sua vinda para cá, transformou-se num pólo de atração de inúmeros visitantes das mais variadas regiões do Brasil, e até mesmo do exterior, que aqui aportam com o objetivo de conhecer o médium.

Aqueles que conhecem a sua vida e a sua obra não medem distâncias para vê-lo. Seu trabalho sempre consistiu na divulgação doutrinária e em tarefas assistenciais, aliadas ao evangélico serviço do esclarecimento e reconforto pessoais aos que o procuram.

Os direitos autorais de seus livros publicados, em torno de 340, são cedidos, gratuitamente, às editoras espíritas ou a quaisquer outras entidades. Quanto à fortuna material, ele continua tão pobre quanto era. Chico é um homem aposentado e recebe somente os proventos de sua aposentadoria.

Do ponto de vista espiritual, Chico Xavier é, a cada dia que passa, um homem mais rico: multiplicou os talentos que o Senhor lhe confiou, através de seu trabalho, de sua perseverança e da sua humildade em serviço. Com a saúde debilitada, Chico Xavier vem confirmando, nos últimos tempos, a sua condição de um autêntico missionário do Cristo, pois impossibilitado de comparecer às reuniões do Grupo Espírita da Prece, ele tem reunido as forças que lhe restam para continuar, em casa, a tarefa da psicografia. E, embora debilitado, continua de ânimo firme e a alma com grande capacidade de trabalho.

Chico Xavier ama a tarefa que o Senhor lhe concedeu.


[attach=1]

Fonte bibliográfica:
Trinta Anos com Chico Xavier - Clovis Tavares - 1987 - IDE,
Mandato de Amor - União Espírita Mineira - Belo Horizonte, 1992,
Lindos Casos de Chico Xavier - Ramiro Gama - 1995 - São Paulo, LAKE,
Chico Xavier - Mediunidade e Paz - Carlos A. Baccelli - 1996 - Casa Editora Espírita "Pierre-Paul Didier.


Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:13

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Chico Xavier e Emmanuel


[attach=4]   Lembro-me de que, em 1931, numa de nossas reuniões habituais, vi a meu lado, pela primeira vez, o bondoso Espírito Emmanuel.
 
Eu psicografava, naquela época, as produções do primeiro livro mediúnico, recebido através de minhas humildes faculdades e experimentava os sintomas de grave moléstia dos olhos.
 
[attach=5]   Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença, mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz.
 
Às minhas perguntas naturais, respondeu, o bondoso guia:
 
▬ “Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista.
 
▬ Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afetivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos..."
 
[attach=6]   Essa afirmativa foi para mim imenso consolo e, desde essa época, sinto constantemente a presença desse amigo invisível que, dirigindo as minhas atividades mediúnicas, está sempre ao nosso lado, em todas as horas difíceis, ajudando-nos a raciocinar melhor, no caminho da existência terrestre.
 
A sua promessa de colaborar na difusão da consoladora Doutrina dos Espíritos tem sido cumprida integralmente. Desde 1933, Emmanuel tem produzido, por meu intermédio, as mais variadas páginas sobre os mais variados assuntos.
 
[attach=7]   Solicitado por confrades nossos para se pronunciar sobre esta ou aquela questão, noto-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando sempre todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas idéias dos outros.
 
Convidado a identificar-se, várias vezes, esquivou-se delicadamente, alegando razões particulares e respeitáveis, afirmando, porém, ter sido, na sua última passagem pelo planeta, padre católico, desencarnado no Brasil.
 
[attach=8]   Levando as suas dissertações ao passado longínquo, afirma ter vivido ao tempo de Jesus, quando então se chamou Públio Lêntulus. E de fato, Emmanuel, em todas as circunstâncias, tem dado a quantos o procuram o testemunho de grande experiência e de grande cultura.
 
Para mim, tem sido ele de incansável dedicação. Junto do Espírito bondoso daquela que foi minha mãe na Terra, sua assistência tem sido um apoio para o meu coração nas lutas penosas de cada dia.
 
[attach=9]   Muitas vezes, quando me coloco em relação com as lembranças de minhas vidas passadas e quando sensações angustiosas me prendem o coração, sinto-lhe a palavra amiga e confortadora.
 
Emmanuel leva-me, então, às eras mortas e explica-me os grandes e pequenos porquês das atribulações de cada instante. Recebo, invariavelmente, com a sua assistência, um conforto indescritível, e assim é que renovo minhas energias para a tarefa espinhosa da mediunidade, em que somos ainda tão incompreendidos.
 
Pedro Leopoldo - Minas Gerais, 16 de Setembro de 1937.
 
Francisco Cândido Xavier.


Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:16

[attach=1]


O Mestre Chico Xavier
*02/04/1910 +30/06/2002


Chico Xavier morre em Uberaba aos 92 anos

O médium psicógrafo Chico Xavier morreu no início da noite deste domingo, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, aos 92 anos. Ele foi encontrado no quarto pelo filho adotivo, Eurípdes Humberto.

Segundo a família, ele sofreu uma parada cardíaca. O velório deverá ser no Centro Espírita Casa da Prece, em Uberaba. Não foi definido ainda onde ele será enterrado.

Francisco Cândido Xavier nasceu a 2 de abril de 1910, no município de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. Desde 1959 ele morava em Uberaba.

Autor de mais de 400 livros, lançados por editores espíritas e traduzidos para vários idiomas, é considerado o mais importante médium psicográfico do Brasil.

Pedro Leopoldo ficou conhecida nacionalmente a partir da década de 30, com as notícias sobre as sessões mediúnicas de Chico Xavier. Em 1981, cerca de 10 milhões de brasileiros assinaram manifestos para que ele recebesse o prêmio Nobel da Paz.

Seu primeiro livro "Parnaso de Além-Túmulo" foi publicado em 1932.

Fonte:
Folha Online.


Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:20


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A Tentação do Repouso

 

[attach=2]   Num campo de lavoura, grande quantidade de vermes desejava destruir um velho arado de madeira, muito trabalhador, que lhes perturbava os planos e, em razão disso, certa ocasião se reuniram ao redor dele e começaram a dizer:
 
▬  Estás doente e cansado.
▬  Por que não cuidas de ti? 
▬  Liberta-te do jugo terrível do lavrador!
▬  Afinal, todos nós precisamos de algum repouso.
▬  Pobre máquina! A quantos martírios te submetes!
 
O arado escutou... escutou... e acabou acreditando.
 
[attach=3]   Ele, que era tão corajoso, que nem sentia o mais leve incômodo nas mais duras obrigações, começou a queixar-se do frio da chuva, do calor do Sol, da aspereza das pedras e da umidade do chão.
 
Tanto clamou e chorou, implorando descanso, que o antigo companheiro concedeu-lhe alguns dias de folga, a um canto do milharal.
 
[attach=4]   Quando os vermes o viram parado, aproximaram-se em massa, atacando-o sem compaixão. Em poucos dias, apodreceram-no, crivando-o de manchas, de feridas e de buracos.
 
O arado gemia e suspirava pelo socorro do lavrador, sonhando com o regresso às tarefas alegres e iluminadas do campo. Mas, era tarde. Quando o prestimoso amigo voltou para utilizá-lo, era simplesmente um traste inútil.
 
[attach=5]A história do arado é um aviso para nós todos.  A tentação do repouso é das mais perigosas, porque, depois da ignorância, a preguiça é a fonte escura de todos os males.
 
Jamais olvidemos que o trabalho é o dom divino que Deus nos confiou para a defesa de nossa alegria e para a conservação de nossa própria saúde.
 
Da obra: Pai Nosso.
Francisco Cândido Xavier.
Ditado pelo Espírito Meimei.


Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:29


Chico sempre teve Veneração por Maria

 
[attach=1]



Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:33



[attach=1]

Vidas Sucessivas


"Não te maravilhes de te haver dito: Necessário vos é nascer de novo".
Jesus. (JOÃO, 3:7.)
 
[attach=2]   A palavra de Jesus a Nicodemos foi suficientemente clara.

Desviá-la para interpretações descabidas pode ser compreensível no sacerdócio organizado, atento às injunções da luta humana, mas nunca nos espíritos amantes da verdade legítima.

[attach=3]   A reencarnação é lei universal.

Sem ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos, entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho.

[attach=4]   O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento. Entre os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação à morte ou aos sofrimentos prolongados.

A Providência, todavia, corrige, amando...

[attach=5]   Não encaminha os réus a prisões infectas e úmidas. Determina somente que os comparsas de dramas nefastos troquem a vestimenta carnal e voltem ao palco da atividade humana, de modo a se redimirem, uns à frente dos outros.

Para a Sabedoria Magnânima nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera. Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo; conhece o mecanismo sombrio de todas as circunstâncias que provocaram um crime.

[attach=6]   O algoz integral como a vítima integral são desconhecidos do homem; o Pai, contudo, identifica as necessidades de seus filhos e reúne-os, periodicamente, pelos laços de sangue ou na rede dos compromissos edificantes, a fim de que aprendam a lei do amor, entre as dificuldades e as dores do destino, com a bênção de temporário esquecimento.

Espírito Emmanuel.
Francisco Cândido Xavier.
Da obra: Caminho, Verdade e Vida.



Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:37


[attach=1]


Se eu morrer antes de você


[attach=2]   [attach=3]   [attach=4]             

Se eu morrer antes de você,
faça-me um favor:

Chore o quanto quiser,
mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.

[attach=5]

Se não quiser chorar, não chore.
Se não conseguir chorar, não se preocupe.
Se tiver vontade de rir, ria.

Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito,
esqueça e acrescente sua versão.

[attach=6]

Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me.

Se me quiserem fazer um santo, só porque morri,
mostre que eu tinha um pouco de santo,
mas estava longe de ser o santo que me pintam.

[attach=7]

Se me quiserem fazer um demônio,
mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio,
mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.

Espero estar com Ele o suficiente
para continuar sendo útil a você, lá onde estiver.

[attach=8]

E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim,
diga apenas uma frase:

"Foi meu amigo,
acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!"
Aí, então derrame uma lágrima.

Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.

[attach=9]

E, vendo-me bem substituído,
irei cuidar de minha nova tarefa no céu.
Mas, de vez em quando,
dê uma espiadinha na direção de Deus.

Você não me verá,
mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele.

[attach=10]

E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai,
aí, sem nenhum véu a separar a gente,
vamos viver, em Deus,
a amizade que aqui nos preparou para Ele.

Você acredita nessas coisas?

Então ore para que nós vivamos
como quem sabe que vai morrer um dia,
e que morramos como quem soube viver direito.

[attach=11]

Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente,
e se inaugura aqui mesmo o seu começo.

Mas, se eu morrer antes de você,
acho que não vou estranhar o céu...

Ser seu amigo...
já é um pedaço dele.

[attach=12]

Espírito Emmanuel.
Psicografia de Chico Xavier.



Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:39


[attach=1]

 
Extinção do Mal

 
[attach=2]  Na didática de Deus, o mal não é recebido com a ênfase que caracteriza muita gente na Terra, quando se propõe a combatê-lo. Por isso, a condenação não entra em linha de conta nas manifestações da Misericórdia Divina.
 
Nada de anátemas, gritos, baldões ou pragas.
 
A Lei de Deus determina, em qualquer parte, seja o mal destruído não pela violência, mas pela força pacífica e edificante do bem.
 
A propósito, meditemos.
▬  O Senhor corrige:
 
[attach=4]  O fogo: com a água,
[attach=5]  O ódio: com o amor,
[attach=6]  A sombra: com a luz,
[attach=7]  A dor: com o sedativo,
[attach=8]  A fome: com o alimento,
[attach=9]  A ofensa: com o perdão,
[attach=10]  A ferida: com o bálsamo,
[attach=11]  A doença: com o remédio,
[attach=12]  A maldição: com a benção,
[attach=13]  A ignorância: com a instrução, 
[attach=14]  A necessidade: com o socorro,
[attach=15]  O desânimo: com a esperança,
 
Somente nós, as criaturas humanas, por vezes, acreditamos que um golpe seja capaz de sanar outro golpe. Simples ilusão.
 
[attach=3]  O mal não suprime o mal.
 
Em razão disso, Jesus nos recomenda amar os inimigos e nos adverte de que a única energia suscetível de remover o mal e extingui-lo é e será sempre a força suprema do bem.
 
Da obra: Brilhe Vossa Luz.
Espírito Bezerra de Menezes.
Francisco Cândido Xavier
Carlos A Baccelli.


Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:47


[attach=1]


Enquanto...



[attach=2]

Busque agir para o bem,
Enquanto você dispõe de tempo.

É perigoso guardar uma cabeça cheia de sonhos,
com as mãos desocupadas.

[attach=3]

Acenda sua lâmpada,
Enquanto há claridade em torno de seus passos.

Viajor algum fugirá às surpresas da noite.

[attach=4]

Ajude o próximo,
Enquanto as possibilidades permanecem de seu lado.

Chegará o momento em que você
não prescindirá do auxílio dele.

[attach=5]

Acerte suas contas com o vizinho,
Enquanto a hora é favorável.

Amanhã, todos os quadros podem surgir transformados.

[attach=6]

Utilize o corpo físico para recolher as bênçãos da vida Mais Alta,
Enquanto suas peças se ajustam harmoniosamente.

O vaso que reteve essências sublimes
ainda espalha perfume, depois de abandonado.

[attach=7]

Dê suas lições sensatamente, na escola da vida,
Enquanto o livro das provas repousa em suas mãos.

Aprender é uma bênção e há milhares de irmãos,
 não longe de você,
aguardando uma bolsa de estudos na reencarnação.

[attach=8]

Ninguém deve ser o profeta da morte e nem imitar a coruja agourenta.
Mas, enquanto você guardar oportunidade
de amealhar recursos superiores para a vida espiritual,

Aumente os seus valores próprios e organize tesouros da alma,
convicto de que sua viagem para outro gênero de existência é inevitável.

[attach=9]

Da obra: Agenda Cristã.
Francisco Cândido Xavier.
Ditado pelo Espírito André Luiz

Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 06:51


[attach=1]




Título: Re: CHICO E AMIGOS.
Enviado por: Marianna em 08 de Dezembro de 2010, 07:15


Amigos do Fórum e Amigos Visitantes, espero que nestas postagens vocês tenham entendido mais ou menos como vai funcionar o tópico Chico e seus amigos.

Hoje é o dia 8 de dezembro, dia que em alguns locais do Brasil é festejado o dia de Nossa Senhora, a mãe de Jesus Cristo, razão maior, para que eu abrisse esse tópico hoje.

Agradecemos o carinho e a presença de todos vocês.
E Viva Jesus!

Mariana e Equipe.

[attach=1]

Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:37
Mariana, meus parabéns!

Vc tem uma missão muito bonita aqui no Forum Espírita: a de levar alegria, paz e amor à vida das pessoas!

O Chico é um ícone do Espiritismo, ele pautou toda a sua trajetória terrestre vivenciando a doutrina de Kardec, não há exemplo mais perfeito para nós do que este ser de Luz!

Homenageando o Chico estaremos engrandecendo a Doutrina Espírita!

Viva o Chico Xavier, hj e sempre!!!
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:39
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:41
Selo comemorativo do Centenário de nascimento de Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:44
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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:46
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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:50
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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:51
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:52
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:53
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:55
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:56
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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 11:57
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 12:01
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 12:03
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 12:05
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 08 de Dezembro de 2010, 12:07
...
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: FENet em 08 de Dezembro de 2010, 16:32
Olá!
Parabéns pela iniciativa!

Gostaria de contribuir com o vídeo de Chico que está num dos estudo mensais:
www.forumespirita.net - Estudo "Mediunidade e Chico Xavier" (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PXJ0SkQyRzlQWlVJI3dz)


http://www.forumespirita.net/fe/estudos-mensais/mediunidade-e-chico-xavier/
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: macili em 08 de Dezembro de 2010, 17:12
(http://lh6.ggpht.com/_MLJbTUhJjfw/ScbRL9Zsq-I/AAAAAAAAG3E/-YLjK1NiJBY/flores13.gif)
Querida Amiga Marianna,

Chico Xavier merece esta homenagem e deve estar muito feliz!!!
 
Que através deste tópico "Chico e seus Amigos", possamos seguir seu exemplo,
mesmo com a nossa pequenez,
exercitando todas as orientações deixadas por este espírito de amor e luz.

Que os Mentores te iluminem e que essa luz seja a nós redirecionada,
para que todos nós juntos, possamos alcançar o propósito de divulgar
o amor que Chico Xavier sentia por todos os seus irmãos, encarnados e desencarnados, amparado pela Espiritualidade Amiga.

Parabéns, amiga e muita luz em seu coração!!!

Beijos
Macili
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: macili em 08 de Dezembro de 2010, 17:19
(http://4.bp.blogspot.com/_rkMlOtW0s20/S7Hq-qrGurI/AAAAAAAACDQ/e6sa4MToc1I/s640/chico_page_2.jpg)
Uma História de Amor
 
Certa mulher sofrida no trabalho
E que agia tão-só na prática do bem,
Teve, um dia, saudade de Jesus
E passou a viver concentrada no Além.
Muito tempo, lutara dia-a-dia,
Vencendo sombra, empeço, tentação,
Servira a muita gente, mas supunha
Que todo o longo esforço houvera sido vão.
Trazia os pés feridos, indagando
Se a Terra não seria estranho espinheiral,
Conquanto a fé a acalentasse o peito,
Declarava temer a vitória do mal.

Suportara, sem mágoa, ingratidões e golpes,
Entretanto, cansara-se, por fim,
Queria agora a paz do Lar Celeste,
Sonhava entrar em fulgido jardim ...
Desejava esquecer a tristeza e a fadiga,
A poeira do mundo e a cinza do pesar,
Suplicava a Jesus lhe concedesse,
O caminho do Além e o dom de descansar.
Jesus, porém, um dia, veio e disse: –
"Enquanto houver na Terra algum sinal de dor,
Estarei, entre os homens, trabalhando
Para a Bênção de Deus, em tarefas de amor.

Mas se queres partir, segue adiante,
Busca os sóis da Divina Primavera,
Construíste, lutaste, padeceste,
Conquistaste o repouso, a Paz te espera."
Mas aquela que ouvira o Cristo Amado,
Não mais pensou no Céu, nem no Porvir,
E, se seguindo a Jesus, achou na própria Terra
A alegria de amar e o prazer de servir.


Do livro: Recanto de Paz
Médium: Francisco Cândido Xavier.
 
Maria Dolores
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: Telmaluz em 08 de Dezembro de 2010, 19:58

Parabens Mariana.

Já era hora de termo um tópico para postar apenas a vida e as obras de Chico.
Esssas idéias só poderia vir de você.

Está tudo perfeito.

Conte com todos nós.

Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: F em 08 de Dezembro de 2010, 22:59

Está muito lindo este tópico de Chico Xavier
Parabens a todos.

Permitam uma pequena colaboração.


Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS.
Enviado por: F em 08 de Dezembro de 2010, 23:02


Frases de Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGO
Enviado por: casquinha em 09 de Dezembro de 2010, 00:10
Parabéns marianna pela iniciativa!
Colaborarei dentro dos meus limites!

link=http://www.recadoscomfotos.com](http://www.recadodeorkut.com/438/003.gif)
[/link]

Mais recados? http://www.recadoscomfotos.com[/b

Boa noite para todos!
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGO
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 00:12
(http://meditando.files.wordpress.com/2007/11/ante-os-que-partiram-effect-aging.gif)
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 00:36
(http://www.ger.org.br/frase_chico2.jpg)

Afirmação

O Céu auxilia sempre
a quem trabalha
mas espera de quem trabalha
o auxílio possível
para todos aqueles
que ainda não descobriram
a felicidade de trabalhar.

Xavier, Francisco Cândido.
Da obra: Caminhos.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
2 edição. Jabaquara, SP: CEU. 1981.
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 00:50
(http://www.ger.org.br/frase_chico5.jpg)


"Renascer... eis a vida, o progresso incessante,
o eterno evoluir, eis a lei do Criador!

Eis do mestre Jesus, como luz rutilante
o ensino imortal no evangelho do amor.

Renascer... eis lei imutável, constante,
pela qual nosso "eu" no cadinho da dor,

em sublime ascensão pela luz deslumbrante,
subirá para Deus, nosso Pai e Senhor..."

Escrito em 1929 por Chico Xavier.
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 01:11
(http://3.bp.blogspot.com/_rkMlOtW0s20/SX7RLb7d4mI/AAAAAAAABtY/S6FaTyxE86A/s400/joaodebarro.jpg)

Nasceste no lar que precisavas,

Vestiste o corpo físico que merecias,

Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades,

Nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes, amigos são as almas que atraíste, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes...

São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.

Não reclames nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograma tua meta,

Busca o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,

Qualquer Um pode Começar agora e fazer um Novo Fim.


Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 01:23
(http://www.universoespirita.org.br/chicoxavier/livros/livro_cx001.jpg)

PARNASO DO ALÉM TÚMULO

A teoria, tanto quanto a prática espírita, apresenta, aos leigos e inscientes, aspectos e modismos inéditos, imprevistos, bizarros, surpreendentes.
Nos domínios da mediunidade, então, o reservatório de surpresas parece inesgotável e desconcerta, e surpreende até os observadores mais argutos e avisados.
Se fôssemos minudenciar, escarificar, o assunto até às mais profundas raízes, poderíamos concluir que o comércio de encarnados e desencarnados, velho quanto o mundo, se indica mais ou menos latente ou ostensivo, em todos os atos e feitos da Humanidade.
Inspirações, idéias súbitas ou pervicazes, sonhos, premonições e atos havidos por espontâneos e propriamente naturais, radicam muito e mais na influenciarão dos Espíritos que nos cercam - por força e derivativo da mesma lei de afinidade incoercível no plano físico, quanto no psíquico - do que a muitos poderia parecer.
E assim come se não desloca nem se precipita, isoladamente, um átomo no concerto sideral dos mundos infinitos, assim também não há pensamento, idéia, sentimento, isolado no conceito consciência dos seres inteligentes, que atualizam e vivificam o pensamento divino, em ascese indefinida - sempre acendeis...
É o que fazia dizer a Luísa Michel: “um ser que morre, uma folha que cai, um mundo que desaparece, não são, nas harmonias eternas, mais que um silêncio necessário a um ritmo que não conhecemos ainda".
Mas, não há daí concluir que a criatura humana se reduza à condição de autômato, sem vontade e sem arbítrio, porque nada à revelia da Lei se verifica; e no jogo dessa atuação constante, o ascendente dos desencarnados não vai além dos lindes assinadas pela Providência; não ultrapassa, jamais, a capacidade receptiva do percipiente, seja para o bem, seja para o mal.
Não é, contudo, desse mediunismo sutil, intrínseco, consubstancial à natureza humana, que importa tratar aqui.
Nem remontaríamos, aos filões da História para considerar-lhe a identidade nos tempos da Índia, do Egito, da Grécia, das Galas e de Roma, em trânsito para a Idade Média, na qual os médiuns eram imolados ao mais estúpido dos fanatismos - a religião. Hoje, a fogueira e potro foram substituídos pela difamação, pelo ridículo alvar, pago em boa espécie monetária, ou ainda pelo cerco caviloso e interditório de quaisquer vantagens sociais.
A luta tornou-se incruenta, mas, nem por isso, menos áspera e porfiosa.
Assoalha-se que a mediunidade é fonte de mercantilismo: entretanto, nenhum grande médium, que o saibamos, chegou a acumular fortuna e rendimentos.
Muitos, ao invés, quais Homem, Cadê, Eusápia e Espérance, morreram paupérrimos e, o que mais é, tendo a planejar-lhes a memória o labéu de charlatões.
Mas, houvesse de fato esse mercantilismo e nunca se justificaria, senão por abusivo e espúrio, de vez que a Doutrina o não autoriza, sequer por hipótese. Porque, na verdade, assim se escreve a História e o maior dos médiuns, o médium Deus, só escapou ao estigma da posterioridade pela porta Eça do concílio de Nicéia, numa divinização numa acomodação acomodatícia e rendosa ao formigamento parasitário e unindo dos Constantino, que, ainda hoje, lhe exploram os feitos e o nome Augusto, com bulas políticas de vulpina retórica fática pruridos de grosseira mistificação, em bonzolatrias de cimento armado.
Entretanto, como a confirmar a tradição - "os Santos Apóstolos foram, em sua maioria, humildes pescadores" - e não só a tradição como a sentença de que os últimos seriam os primeiro -, não vêm hoje os vexilários da Verdade trazê-la magnatas da Terra, aos príncipes dos sacerdotes, escribas e fariseus hodiernos, disputantes à compita da magnífica carapuça e eles talhada e ajustada, de vinte séculos, co capítulo XXIII de Mateus.
Ao contrário, esses escolas do Além parece preferirem os operários modestos, modestos e rústicos, rústicos e bons, como tão sutilmente os define o Eça em magistral mensagem:
"Tipos originais, mãos calosas que se entregam aos rudes trabalhos braçais, a fazerem a literatura do além-túmulo; homens a que Tartufo chama bruxos e Esculpiu qualificado basbaque, mistificadores, ou simples casos patológicos a estudar...”.
É verdade tudo isso; mas, convenhamos, também o é para maior glória de Deus.
Não ignoramos que homens de alta cultura e renome científico têm versado o assunto, investigado, perquirido e proclamado a verdade, acima e além das conveniências e preconceitos políticos, científicos, religiosos. Nomeá-los aqui, seria fastidioso quanto inútil.
O vulgo que não lê, ou que lê pela cartilha só Sr. vigário nos conselhos privados da família beata, não deitaria os seráficos olhares a estas páginas e seguiria, clamoroso ou contente, de qualquer forma inconsciente, - infinitos stultorum números - a derrota do seu calvário, no melhor dos mundos, a Pangloss.
O outro, o vulgo que lê e compreende, mas para o qual o magister deste é a melhor fórmula de concessão e acomodação consegue mesmo, estômago e vísceras em função, sofra a quem sofrer, doa a quem doer - esse, bazofiando ciência em gestos largos de animalidade superior, se estas linhas chegasse a ler, haveria de esboçar aquele sorriso fino e bom que Bonnemère não sabia definir se seria de Voltaire, ou do mais refinado dos idiotas...
Adiante, pois, na tarefa nada espartana, de apresentar esta prova opima das esmolas de luz que nos chegam em revoada de graças, a encher-nos o coração de alvissareiras esperanças.
Quem quiser certezas maiores, explanações técnicas e eruditas do fenômeno em apreço, que as procure no livram Do País da Luz, obra similar, editada, há uma vintena de anos, psicografada pelo médium português Fernando de Lacerda, e que fez, nas rodas profanas de Lisboa, o mais ruidoso sucesso.
Nessa obra, o ilustre Dr. Sousa Couto, em magistral prefácio, esgotou o assunto ao encará-lo sob todos os prismas de uma severa crítica, para concluir pela transcendência do fenômeno, rebelde a todos os métodos de classificação científica e, sem embargo, realismo em sua especificidade.
Pois, a nosso ver, maior é o mérito, por mais opulenta a polpa mediúnica, desta obra.
É que lá em Do País da Luz, avulta a prosa, com raras exceções; ao passo que aqui desborda o verso, mais original, mais difícil, mais precioso como índice de autenticidade autoral.
Lá, as mensagens características são exclusivas de escritores lusos, únicas que podem, a rigor, identificar pelo estilo os seus autores.
As de Napoleão I, Teresa de Jesus, etc., são incontestavelmente belas no fundo e na forma, mas não características de tais entidades.
Aqui, pelo contrário, não só concorrem poetas brasileiros e portugueses, como retinem cristalinas e contrastantes as mais variadas formas literárias, como a facilitarem de conjunto a identificação de cada um.
Romantismo, Condoreirismo, Parnasianismo, Simbolismo, aí se ostentam em louçanias de sons e de cores, para afirmar não mais subjetiva, mas obtivamente, a sobrevivência dos seus intérpretes.
É ler Casimiro e reviver Primaveras; é recitar Castro Alves e sentir Espumas flutuantes; é declamar Jongueiro e lembrar a Morte de D. João; é frasear Augusto dos Anjos e evocar Eu.
Senão vejamos:
Oh! Que clarão dentro Dalmar.
Constantemente cismando,
O pensamento sonhando
E o coração a cantar,
Na delicada harmonia
Que nascia da beleza,
Do verde da Natureza,
Do verde do lindo mar!
É Casimiro...
Há mistérios peregrinos.
No mistério dos destinos.
Que nos mandam renascer;
Da luz do Criador nascemos, múltipla vida vive, para a mesma luz volver.
É Castro Alves...
Pairava na amplidão estranho resplendor.
A Natureza inteira em lúcida poesia
Repousava, feliz, nas preces da harmonia!...
Era o festim do amor, no firmamento em luz, que celebrava.
A grandeza de uma alma que voltava.
Ao redil de Jesus.
É Jongueiro...
Descansa agora, vibrião das ruínas, esquecem o verme, as carnes, os estrumes.
Retempera-te em meio dos perfumes Cantando a luz das amplidões divinas.
É Augusto dos Anjos.
E todos, todos os mais, aí estão vivos, ardentes, inconfundíveis na modulação de suas liras encantadas e decantadas.
E na prosa - exceto a Fernando de Lacerda, cujo estilo não temos elementos para identificar - o mesmo traço de originalidade personalíssima se impõe.
Duvidamos que o mais solerte plumitivo, o mais intelectual dos nossos literatos consiga imitar, sequer, ainda que premeditadamente, esta produção.


- continua -

      

Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 01:27
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- continuação -

E isto o diz porque o médium Xavier, um quase adolescente, sem lastro, portanto, de grande cultura e treino poético, recebe-a de jacto, e mais - quando de alguns autores não conhece uma estrofe!
É extraordinário, será maravilhoso, mas é a verdade nua e crua; verdade que, qual a Luz, não pode ficar debaixo do alqueire.
Foi por assim pensarmos que conseguimos vencer a relutância do médium em sua natural modéstia para lançar ao público, em geral, e aos confrades, em particular, esta obra mediúnica, que, certo estamos, ficará como baliza fulgurante, na história a tracejar do Espiritismo em nossa pátria.
Mas, perguntarão: - quem é Francisco Cândido Xavier? Será um rapaz culto, um bacharel formado, um acadêmico, um rotulado desses que por aí vão felicitando a Família, a Pátria e a Humanidade?
Nada disso.
O médium polígrafo Xavier é um rapaz de 21 anos, um quase adolescente, nascido ali assim em Pedro Leopoldo, pequeno rincão do Estado de Minas. Filho de pais pobres, não pôde ir além do curso primário dessa pedagogia incipiente e rotineira, que faz do mestre-escola, em tese, um galopam eleitoral e não vai, também em tese, muito além das quatro operações e da leitura corrida, com borrifos de catecismo católico, de contrapeso.
Órfão de mãe aos cincos anos, o pai infenso a literatices e, ao demais, premido pelo ganha-pão, é bem de ver-se que não teve, que não podia ter o estímulo ambiente, nem uma problemática hereditariedade, nem um, nem dez cerídeos que o conduzissem por tortuosos e torturantes labirintos de acesso aos alatinados passos do Olimpio para o idílico convívio de Calíope e Pollímnia.
Tudo isso é o próprio médium quem no-lo diz, em linguagem eloqüente, porque simples como a própria alma cedo esfolhada de sonhos e ilusões, para não pretender colimar renomes literários.
Ao lhe formularmos um questionário que nos habilitasse a pôr de plano estes detalhes essenciais - de vez que, em obra deste quilate o que se impõe não é a apresentação do operário, mas da ferramenta por eles utilizada, tanto quanto do seu manuseio; e não querendo, por outro lado, endossar um fenômeno cuja ascendência sobejamente conhecemos para não recusar, mas, cujo flagrante não presenciamos - ele, o médium, veio "candidamente" ao nosso encontro com Palavras minhas, nas quais estereotipa a sua figura moral, tanto quanto retrata as impressões psicofísicas que lhe causa o fenômeno.
Nós mesmos vimos, certeza, em S. Paulo, o médium Mirabelli cobrir dezoito laudas de papel almaço, no exíguo tempo de 13 minutos marcados a relógio, enquanto conosco descritiva em idioma diverso da mensagem escrita.
É um fato. Do seu mecanismo intrínseco e extrínseco, porém, nada nos disse o médium.
Agora, diz-nos este que também as produções são recebidas de jacto.
Não há ideação prévia, não há encadeamento de raciocínios, fixação de imagens.
É tudo inesperado, explosivo, torrencial!
Do que escreve e sabe que está escrevendo, também sabe que não pensou e não seria capaz de escrever.
Há vocábulos de étimo que desconhece; há fatos e recursos de hermenêutica, figuras de retórica, que ignora; teorias científicas, doutrinas, concepções filosóficas das quais nunca ouviu falar, de autores também ignorados e jamais lidos!
Como explicar, como definir e transfixar a captação, a realização essencial do fenômeno?
Só o médium poderia fazê-lo, e isso ele o faz seguir, de maneira impressionante, e de modo a satisfazer aos familiares da Doutrina.
Aos outros, aos cépticos, fica-lhes a liberdade de conjeturar, para melhor explicar, sem, contudo negar, porque o fato aí está na plenitude de sua realidade, e um fato, por mais insólito que seja, vale sempre por mil umas teorias que nada explicam, antes complicam...
Como nota final aos Argos da crítica, Catões e Zelos de compasso e metro, faisqueiros de negas e nicas, na volúpia de escandir quando mente, diremos que, encarregado de apresentar esta obra, não nos dispôs a escoimá-la possíveis defeitos de técnica, não só por nos falecer autoridade e competência, como por julgar que tal ousio seria uma profanação.
Trata-se, precisamente, de um trabalho de identificação autoral, e de entidades hoje mais lúcidas e respeitáveis do que porventura o foram aqui na Terra.
Tal como no-lo deram, esse trabalho melhor corresponde à sua finalidade altíssima, e que a legítima ética doutrinária aponta é que quaisquer lacunas, ou tales devem ser atribuídas ou enrugadas ao possivelmente precário aparelhamento de transmissão, ou a fatores outros, em suma, que mal podemos imaginar e que, no entanto, racional e logicamente devem existir, mais sutis e delicados do que esses que, amiúde, ocorrem na telepatia, na radiofonia, em tudo, enfim, que participa do meio físico contingente.
Que os arautos da Boa Nova aqui escalonados, por vindos de tão alto, nos perdoem a vacuidade e a insulsice destas linhas, e que os leitores de boa vontade as desprezem como inúteis, para só apreçarem a obra que ora lhes apresentamos, na pauta evangélica que diz: - A árvore se conhece pelo fruto.
M. Quintão (*)
(*) MANUEL Justiniano de Freitas QUINTÃO, nascido em 28 de maio de 1874, na Estação de Quirino, Marquês de Valença, RJ, e desencarnado em 16 de dezembro de 1954, no Rio de Janeiro. Foi guarda-livros, depois de lutar com imensas dificuldades, como jovem sem recursos financeiros, nas posições mais modestas do comércio. Chefe de família numerosíssima. Estudioso incansável conseguiu, como autodidata, invejável cultura humanística. Foi jornalista. Ingressou na FEB em 1903, integrando-lhe o quadro social por 44 anos. Médium curador e espírita militante durante mais de meio século, exerceu cargos na Diretoria da Federação Espírita Brasileira ao longo de vários decênios, inclusive a Presidência nos anos 1915, 1918,1919 e 1929. Como membro do "Grupo Ismael" foi sempre dos mais assíduos e proficientes no estudo do Evangelho de Jesus. Traduziu diversos livros espíritas e publicou alguns de sua autoria, muito apreciados, dentre eles "Cinzas do meu Cinzeiro" (coletânea de trabalhos publicados no "Reformador") e "O Cristo de Deus", este último editado pela FEB. Em 1939, escreveu notas autobiográficas endereçadas ao Reformador, para serem publicadas após a sua desencarnação: estão estampadas na edição de janeiro de 1955. (Nota da Editora)



Batuíra
(do livro Mais Luz)
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Mizica em 09 de Dezembro de 2010, 02:59
Olá à todos!
Boa noite!

Marianna vc está de parabéns! O tópico sobre Chico está crescendo rapidamente e ficando lindo.
Que a Espiritualidade Amiga derrame suas bençãos sobre esse espaço virtual deixando-o sempre de portas abertas para receber os amigos, deixar carinho nos corações, afagar, dar colo, fazer ninar, mimar, amar, ... fazer o bem é bom... sempre.

Obrigado!
Abraço fraterno
Mizica
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Mizica em 09 de Dezembro de 2010, 03:09
A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...

TUDO BEM!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.

Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.
Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Mizica em 09 de Dezembro de 2010, 03:15
"Se Allan Kardec tivesse escrito que ´fora do Espiritismo não há salvação´, eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu ´Fora da Caridade´, ou seja, fora do Amor não há salvação."

Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 11:04
(http://t3.gstatic.com/images?q=tbn:oFy_DZvxq0Uu5M:http://i509.photobucket.com/albums/s332/kirecado/mensagens/bom-dia/22.gif&t=1)



O Irmão


"A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é
invejosa, não trata com leviandade, não se ensoberbece."
- Paulo.
(I Coríntios, 13:4.)


Quem dá para mostrar-se é vaidoso.
Quem dá para torcer o pensamento dos outros,
dobrando-o aos pontos de vista que lhe são peculiares, é tirano.
Quem dá para livrar-se do sofredor é displicente.
Quem dá para exibir títulos efêmeros é tolo.
Quem dá para receber com vantagens é ambicioso.
Quem dá para humilhar é companheiro das obras malignas.
Quem dá para sondar a extensão do mal é desconfiado.
Quem dá para afrontar a posição dos outros é soberbo.
Quem dá para situar o nome na galeria dos benfeitores e dos santos é invejoso.
Quem dá para prender o próximo e explorá-lo é delinqüente potencial.
Em todas essas situações, na maioria dos casos, quem dá se revela um tanto melhor
que todo aquele que não dá, de mente cristalizada na indiferença ou na secura;
todavia, para aquele que dá, irradiando amor silencioso,
sem propósitos de recompensa e sem mescla de personalismo inferior,
reserva o Plano Maior o título de Irmão.


Livro: Vinha de Luz. Chico Xavier/Emmanuel
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 12:02
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1     1932  PARNASO DE ALÉM TÚMULO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
2     1932  CARTAS DE UMA MORTA -    MARIA JOÃO DE DEUS    
3     1936  PALAVRAS DO INFINITO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
4     1936  CRÔNICAS DE ALÉM-TÚMULO -   HUMBERTO DE CAMPOS    
5     1938  EMMANUEL -   EMMANUEL    
6     1938  BRASIL,CORAÇÃO DO MUNDO,PÁTRIA DO EVANGELHO - HUMBERTO DE CAMPOS    
7     1938  LIRA IMORTAL -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
8     1938  A CAMINHO DA LUZ -   EMMANUEL    
9     1940  NOVAS MENSAGENS -   HUMBERTO DE CAMPOS
10    1939  HÁ DOIS MIL ANOS -   EMMANUEL    
11    1940  50 ANOS DEPOIS -   EMMANUEL    
12    1941  CARTAS DO EVANGELHO -   CASIMIRO CUNHA    
13    1942  O CONSOLADOR -   EMMANUEL    
14    1942  BOA NOVA -   EMMANUEL    
15    1943  PAULO E ESTEVÃO -   HUMBERTO DE CAMPOS    
16    1944  RENÚNCIA -   CASIMIRO CUNHA
17    1943  REPORTAGENS DE ALÉM-TÚMULO -    HUMBERTO DE CAMPOS    
18    1944  CARTILHA DA NATUREZA -   CASIMIRO CUNHA    
19    1944  NOSSO LAR -   ANDRÉ LUIZ    
20    1944  OS MENSAGEIROS    -  ANDRÉ LUIZ    
21    1945  MISSIONÁRIOS DA LUZ -   ANDRÉ LUIZ    
22    1945  COLETÂNEA DO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
23    1945  LÁZARO REDIVIVO -   IRMÃO X
24    1946  OBREIROS DA VIDA ETERNA -    ANDRÉ LUIZ    
25    1947  O CAMINHO OCULTO -   VENERANDA    
26    1947  OS FILHOS DO GRANDE REI -   VENERANDA
27    1947  MENSAGEM DO PEQUENO MORTO -   NEIO LÚCIO    
28    1947  HISTÓRIA DE MARICOTA -   CASIMIRO CUNHA    
29    1947  JARDIM DA INFÂNCIA -   JOÃO DE DEUS    
30    1947  VOLTA BOCAGE -   MANUEL M.B. DU BOCAGE    
31    1948  NO MUNDO MAIOR    - ANDRÉ LUIZ    
32    1948  AGENDA CRISTÃ -   ANDRÉ LUIZ    
33    1948  LUZ ACIMA -   IRMÃO X
34    1949  VOLTEI -   IRMÃO JACOB    
35    1948  ALVORADA CRISTÃ -   NEIO LÚCIO
36    1949  CAMINHO, VERDADE E VIDA -   EMMANUEL    
37    1949  LIBERTAÇÃO -    ANDRÉ LUIZ    
38    1950  JESUS NO LAR -   NEIO LÚCIO
39    1950  PÃO NOSSO -   EMMANUEL
40    1950  NOSSO LIVRO -   ESPÍRITOS DIVERSOS
41    1951  PONTOS E CONTOS -   IRMÃO X    
42    1951  FALANDO A TERRA -   ESPÍRITOS DIVERSOS
43    1951  PÁGINAS DO CORAÇÃO - IRMÃ CANDOCA
44    1952  VINHA DE LUZ -   EMMANUEL
45    1952  PÉROLAS DO ALÉM -   EMMANUEL
46    1952  ROTEIRO -   EMMANUEL    
47    1952  PAI NOSSO -   MEIMEI    
48    1952  CARTAS DO CORAÇÃO -   ESPÍRITOS DIVERSOS
49    1952  GOTAS DE LUZ -   CASIMIRO CUNHA
50    1953  AVE, CRISTO ! -   EMMANUEL


- continua -
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 12:41
(http://www.institutochicoxavier.org.br/topob.jpg)

- continuação -


51    1954  ENTRE A TERRA E O CÉU -   ANDRÉ LUIZ
52    1957  PALAVRAS DE EMMANUEL -   EMMANUEL    
53    1958  NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE -   ANDRÉ LUIZ    
54    1956  INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS -   ESPÍRITOS DIVERSOS
55    1956  FONTE VIVA -     EMMANUEL
56    1957  AÇÃO E REAÇÃO -   ANDRÉ LUIZ
57    1957  VOZES DO GRANDE ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS
58    1958  CONTOS E APÓLOGOS -   IRMÃO X
59    1958  PENSAMENTO E VIDA -   EMMANUEL
60    1959  EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS -   ANDRÉ LUIZ
61    1960  MECANISMOS DA MEDIUNIDADE -   ANDRÉ LUIZ
62    1960  EVANGELHO EM  CASA -   MEIMEI
63    1961  RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS -   EMANNUEL    
64    1960  A VIDA ESCREVE -   HILÁRIO SILVA
65    1961  ALMAS EM DESFILE -   HILÁRIO SALVA
66    1961  SEARA DOS MÉDIUNS -   EMMANUEL
67    1961  JUCA LAMBISCA -   CASIMIRO CUNHA
68    1962  O ESPÍRITO DA VERDADE -   ESPÍRITOS DIVERSOS
69    1962  JUSTIÇA DIVINA -   EMMANUEL
70    1962  CARTILHA DO BEM -   MEIMEI
71    1962  RELICÁRIO DE LUZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS
72    1962  TIMBOLÃO -   CASIMIRO CUNHA
73    1963  ANTOLOGIA DOS IMORTAIS -   ESPÍRITOS DIVERSOS
74    1963  IDEAL ESPÍRITA -   ESPÍRITOS DIVERSOS
75    1963  LEIS DE AMOR -   EMMANUEL
76    1963  OPINIÃO ESPÍRITA -   EMMANUEL / ANDRÉ LUIZ
77    1963  SEXO E DESTINO -   ANDRÉ LUIZ
78    1964  DESOBSESSÃO -   ANDRÉ LUIZ
79    1964  CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA -   IRMÃO X
80    1964  LIVRO DA ESPERANÇA -   EMMANUEL
81    1965  DICIONÁRIO DA ALMA -   ESPÍRITOS DIVERSOS
82    1965  TROVADORES DO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS
83    1964  PALAVRAS DE VIDA ETERNA -   EMMANUEL
84    1965  ESTUDE E VIVA -   EMMANUEL / ANDRÉ LUIZ
85    1965  O ESPÍRITO DE CORNÉLIO PIRES -   CORNÉLIO PIRES
86    1966  ENTRE IRMÃOS DE OUTRAS TERRAS -   ESPÍRITOS DIVERSOS
87    1966  CARTAS E CRÔNICAS -   IRMÃO X
88    1967  ANTOLOGIA MEDIÚNICA DO NATAL -   ESPÍRITOS DIVERSO
89    1967  CAMINHO ESPÍRITA -   ESPÍRITOS DIVERSOS
90    1967  ENCONTRO MARCADO -   EMMANUEL
91    1967  NO PORTAL DA LUZ -   EMMANUEL
92    1968  TROVAS DO OUTRO MUNDO -   ESPÍRITOS DIVERSOS
93    1968  E A VIDA CONTINUA ... -   ANDRÉ LUIZ
94    1968  LUZ NO LAR -   ESPÍRITOS DIVERSOS
95    1969  A LUZ DA ORAÇÃO -    ESPÍRITOS DIVERSOS
96    1969  ORVALHO DE LUZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS
97    1969  PASSOS DA VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS
98    1969  ESTANTES DA VIDA -   IRMÃO X    
99    1969  ALMA E CORAÇÃO -   EMMANUEL
100    1969  POETAS REDIVIVOS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
101    1970  IDÉIAS E ILUSTRAÇÕES -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
102    1970  PAZ E RENOVAÇÃO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
103    1970  VIDA E SEXO -   EMMANUEL
104    1970  MAIS LUZ -   BATUÍRA    
105    1970 CORREIO FRATERNO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
106    1971  TROVAS DO MAIS ALÉM -    ESPÍRITOS DIVERSOS
107    1971  BENÇÃO DE PAZ -   EMMANUEL
108    1971  MÃE -   ESPÍRITOS DIVERSOS
109    1971  ANTOLOGIA DA ESPIRITUALIDADE -   MARIA DOLORES
110    1971  RUMO CERTO -   EMMANUEL
111    1971  PINGA FOGO (PRIMEIRA) -   ESPÍRITOS DIVERSOS
112    1971  CORAGEM -   ESPÍRITOS DIVERSOS
113    1971  SINAL VERDE -   ANDRÉ LUIZ
114    1971  ENTREVISTAS -   EMMANUEL
115    1972  CHICO XAVIER DOS HIPPIES AOS PROBLEMAS DO MUNDO - ESPÍR. DIVERSOS
116    1972  ATRAVÉS DOS TEMPOS -   ESPÍRITOS DIVERSOS
117    1972  MÃOS UNIDAS -   EMMANUEL    
118    1972  TAÇA DE LUZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS
119    1972  CHICO XAVIER PEDE LICENÇA -   ESPÍRITOS DIVERSOS
120    1972  MÃOS MARCADAS -   ESPÍRITOS DIVERSOS
121    1972  NATAL DE SABINA -    FRANCISCA CLOTILDE    
122    1973  ESCRÍNIO DE LUZ -    EMMANUEL    
123    1973  SEGUE-ME -   EMMANUEL    
124    1973  ENCONTRO DE PAZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS
125    1973  NA ERA DO ESPÍRITO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
126    1973  ROSAS COM AMOR -    ESPÍRITOS DIVERSOS
127    1973  BEZERRA, CHICO E VOCÊ -   BEZERRA DE MENEZES    
128    1974  ASTRONAUTAS DO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
129    1974  ENTRE DUAS VIDAS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
130    1974  RETRATOS DA VIDA -   CORNÉLIO ´PIRES    
131    1974  DIÁLOGO DOS VIVOS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
132    1974  CALENDÁRIO ESPÍRITA -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
133    1974  INSTRUMENTOS DO TEMPO -   EMMANUEL    
134    1975  RESPOSTAS DA VIDA -   ANDRÉ LUIZ    
135    1975  JOVENS NO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
136    1975  CONVERSA FIRME -    CORNÉLIO PIRES    
137    1975  A TERRA E O SEMEADOR -   EMMANUEL    
138    1975  CHÃO DE FLORES -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
139    1975  CAMINHOS DE VOLTA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
140    1976  O ESPERANTO COMO REVELAÇÃO -   FRANCISCO V. LORENZ    
141    1976  BUSCA E ACHARÁS -   EMMANUEL / ANDRÉ    
142    1976  AMANHECE -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
143    1976  RECANTO DE PAZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
144    1976  DEUS SEMPRE -   EMMANUEL    
145    1976  SOMOS SEIS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
146    1976  TINTINO ... O ESPETÁCULO CONTINUA -    FRANCISCA CLOTILDE    
147    1976  AUTA DE SOUZA -   AUTA DE SOUZA    
148    1977  CRIANÇAS NO ALÉM -   MARCOS    
149    1977  BAÚ DE CASOS -   CORNÉLIO PIRES    
150    1977  AMIZADE -   MEIMEI
   

- continua -
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 13:15
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- continuação -

151    1977  COMPANHEIRO -   EMMANUEL    
152    1977  MARIA DOLORES -   MARIA DOLORES    
153    1977  MOMENTOS DE OURO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
154   1977  AMOR E LUZ -    EMMANUEL / ESP.    
155    1977  COISAS DESTE MUNDO -   CORNÉLIO PIRES    
156    1977  CHICO XAVIER EM GOIÂNIA -   EMMANUEL    
157    1977  LUZ BENDITA -   EMMANUEL / ESP.    
158    1978  AMOR SEM ADEUS -   WALTER PERRONE    
159    1978  RECADOS DO ALÉM -   EMMANUEL
160    1978  ENXUGANDO LÁGRIMAS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
161    1978  CORAÇÃO E VIDA -    MARIA DOLORES    
162    1978  CARIDADE -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
163    1978  ASSIM VENCERÁS -    EMMANUEL    
164    1978  FALOU E DISSE -   AUGUSTO CEZAR    
165   1978  SOMENTE AMOR -   MARIA    
166    1979  INSPIRAÇÃO -    EMMANUEL    
167    1979  TEMPO DE LUZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
168    1979  ENCONTROS NO TEMPO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
169    1979  MARCAS DO CAMINHO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
170   1979  JANELA PARA A VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
171    1979  AMIGO -   EMMANUEL    
172    1979  CALMA -   EMMANUEL    
173    1979  CLARAMENTE VIVOS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
174    1979  ANTOLOGIA DA CRIANÇA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
175    1979  CEIFA DE LUZ -   EMMANUEL    
176    1980  SINAIS DE RUMO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
177    1980  VIDA EM VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
178    1980  GAVETA DE ESPERANÇA -   LAURINHO    
179    1980  ALGO MAIS -   EMMANUEL    
180    1980  LIVRO DE REPOSTAS -   EMMANUEL    
181    1980  URGÊNCIA -   EMMANUEL    
182    1980  IRMÃ VERA CRUZ -   EMMANUEL    
183    1980  A VIDA CONTA -   MARIA DOLORES    
184    1980  MOMENTOS DE PAZ -   EMMANUEL
185    1980  PRONTO SOCORRO -   EMMANUEL    
186    1980  DEUS AGUARDA -   MEIMEI
187    1980  IRMÃO -   EMMANUEL    
188    1980  NOTÍCIAS DO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
189    1980  VIDA NO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
190    1981  FELIZ REGRESSO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
191    1981  CAMINHOS -   EMMANUEL    
192    1981  AULAS DA VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS   
193    1981  AUGUSTO VIVE -   AUGUSTO CEZAR    
194    1981  VIAJORES DA LUZ - ESPÍRITOS DIVERSOS
195    1981  ELES VOLTARAM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
196    1981  RUMOS DA VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS
197    1981  FAMÍLIA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
198    1981  INTERVALOS -    EMMANUEL    
199    1981  LINHA DUZENTOS - EMMANUEL    
200    1981  ATENÇÃO -   EMMANUEL    
201    1981  PAZ E ALEGRIA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
202    1981  1981  VIVENDO SEMPRE -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
203    1982  SEARA DA FÉ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
204    1982  NASCER E RENASCER -   EMMANUEL    
205    1982  QUEM SÃO -   ESPÍRITOS DIVERSOS
206    1982  MAIS VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
207    1982  REECONTROS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
208    1982  FILHOS VOLTANDO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
209    1982  SENTINELAS DA ALMA -   MEIMEI    
210    1982  PALAVRAS DO CORAÇÃO -   MEIMEI    
211    1982  ADEUS SOLIDÃO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
212    1982  PRAÇA DA AMIZADE -   ESPÍRITOS DIVERSOS
213    1982  GABRIEL -   GABRIEL    
214    1982  ENTES QUERIDOS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
215    1982  LEALDADE -   MAURÍCIO G. HENRIQUE    
216    1982  SEGUINDO JUNTOS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
217    1982  ENDEREÇOS DA PAZ -   ANDRÉ LUIZ    
218    1983  MATERIAL DE CONSTRUÇÃO - EMMANUEL    
219    1983  PRESENÇA DE LAURINHO -   LAURINHO    
220    1983  ESTAMOS NO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
221    1983  VENCERAM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
222    1983  NINGUÉM MORRE -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
223    1983  PACIÊNCIA -   EMMANUEL    
224    1983  DIÁRIO DE BENÇÃOS -   CRISTIANE    
225    1983  ANTENAS DE LUZ -   LAURINHO    
226    1983  RECADOS DA VIDA    - ESPÍRITOS DIVERSOS    
227    1983  MENSAGENS QUE CONFORTAM -   RICARDO TADEU    
228    1983  MAIS PERTO -   EMMANUEL    
229    1983  CAMINHOS DO AMOR -   MARIA DOLORES
230    1983  CORREIO DO ALÉM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
231    1983  OS DOIS MAIORES AMORES -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
232    1983  VIDA NOSSA VIDA - ESPÍRITOS DIVERSOS    
233    1983  PAZ -   EMMANUEL
234    1984  ENTENDER CONVERSANDO -   EMMANUEL    
235    1984  TEMPO E AMOR -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
236    1984  QUANDO SE PRETENDE FALAR DA VIDA - ROBERTO MUSZAKAT    
237    1984  HUMORISMO NO ALÉM -   MARIA DOLORES    
238    1984  TOCANDO O BARCO -   EMMANUEL    
239    1984  CONVIVÊNCIA -   EMMANUEL    
240    1984  SORRIR E PENSAR - ESPÍRITOS DIVERSOS    
241    1984 CONFIA E SEGUE -   EMMANUEL    
242    1984  ALMA E VIDA - MARIA DOLORES    
243    1984  RETORNARAM CONTANDO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
244    1984  PRESENÇA DE LUZ    -  AUGUSTO CEZAR NETTO    
245    1984  AGORA É O TEMPO -   EMMANUEL    
246    1984  HORAS DE LUZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
247    1984  HOJE -   EMMANUEL    
248    1984  FÉ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
249    1984  BASTÃO DE ARRIMO -   WILLIAN    
250    1984  NOVAMENTE EM CASA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
251    1985  VIAJOR -   EMMANUEL
252    1985  LOJA DE ALEGRIA -    JAIR PRESENTE    
253    1985  ESPERANÇA E VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
254    1985  ESPERA SERVINDO -   EMMANUEL
255    1985  NESTE INSTANTE -   EMMANUEL    
256    1985  EDUCANDÁRIO DE LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
257    1985  TÃO FÁCIL -   ESPÍRITOS DIVERSOS
258    1985  AMOR E SAUDADE -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
259    1985  CARAVANA DE AMOR -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
260    1985  JÓIA -   EMMANUEL    
261    1985  BAZAR DA VIDA -   JAIR PRESENTE    
262    1985  MONTE ACIMA -   EMMANUEL    
263    1985  VIAJARAM MAIS CEDO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
264    1985  JUNTOS VENCEREMOS -   ESPÍRITOS  DIVERSOS    
265    1985  NÓS -   EMMANUEL    
266    1986  FESTA DE PAZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
267    1986  DINHEIRO -   EMMANUEL    
268    1986  MEDIUNIDADE E SINTONIA -   EMMANUEL    
269    1986  LUZ E VIDA -   EMMANUEL    
270    1986  AGÊNCIA DE NOTÍCIAS -   JAIR PRESENTE    
271    1986  CRER E AGIR -   EMMANUEL / IRMÃO JOSÉ    
272    1986  ABRIGO -  EMMANUEL    
273    1986  O ESSENCIAL -   EMMANUEL    
274    1986  APELOS CRISTÃOS -   BEZERRA DE MENEZES    
275    1986  RECONFORTO -   EMMANUEL    
276    1986  PONTO DE ENCONTRO -   JAIR PRESENTE    
277    1986  APOSTILAS DA VIDA -   ANDRÉ LUIZ    
278    1986  CANAIS DA VIDA -   EMMANUEL    
279    1987  JESUS EM NÓS -   EMMANUEL    
280    1987  ESTRELAS NO CHÃO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
281    1987  VOZES DA OUTRA MARGEM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
282    1987  ESTRADAS E DESTINOS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
283    1987  VISÃO NOVA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
284    1987  RESGATE E AMOR -   TIAMINHO    
285    1987  VITÓRIA    -  ESPÍRITOS DIVERSOS    
286    1987  SEMENTES DE LUZ    -  ESPÍRITOS DIVERSOS    
287    1987  INTERCÂMBIO DO BEM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
288    1987  TENDE BOM ÂNIMO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
289    1987  DOUTRINA E VIDA    -  ESPÍRITOS DIVERSOS    
290    1987  ESPERANÇA E ALEGRIA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
291    1987  FONTE DE PAZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
292    1987  TREVO DE IDÉIAS -    EMMANUEL    
293    1987  HORA CERTA -   EMMANUEL    
294    1987  AÇÃO E CAMINHO -   EMMANUEL / ANDRÉ    
295    1987  PALAVRAS DA CORAGEM -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
296    1987  TEMAS DA VIDA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
297    1987  BRILHE VOSSA LUZ -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
298    1987  ESCULTORES DE ALMAS -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
299    1988  PLANTÃO DA PAZ -   EMMANUEL    
300    1988  VIDA ALÉM DA VIDA -   LINEU DE PAULA LEÃO    


- continua -
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Dezembro de 2010, 13:36
(http://www.institutochicoxavier.org.br/topob.jpg)

- continuação -

301     1988  LAR-OFICINA, ESPERANÇA E TRABALHO -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
302     1988  CURA -   ESPÍRITOS DIVERSOS    
303     1988  PALCO ILUMINADO -    JAIR PRESENTE    
304     1988  COMANDOS DO AMOR -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
305     1988  ROSEIRAL DE LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
306     1988  RELATOS DA VIDA    - IRMÃO X    
307     1988  ALVORADA DO REINO -    EMMANUEL    
308     1988  PÁGINAS DE FÉ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
309     1988  GRATIDÃO E PAZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
310     1988  ASSEMBLÉIA DE LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
311     1988  CORAÇÕES RENOVADOS -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
312     1988  CONSTRUÇÃO DO AMOR -    EMMANUEL    
313     1988  IRMÃOS UNIDOS -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
314     1988  ESCOLA NO ALÉM    - CLÁUDIA P. GALASSE    
315     1989  INDULGÊNCIA -    EMMANUEL    
316     1989  FOTOS DA VIDA -    AUGUSTO CEZAR NETTO    
317     1989  CONFIA E SERVE -    F. C. XAVIER/C. A. BACELLI    
318     1989  ACEITAÇÃO E VIDA -    MARGARIDA SOARES    
319     1989  DOUTRINA E APLICAÇÃO -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
320     1989  SERVIDORES NO ALÉM -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
321     1989  REFÚGIO -    EMMANUEL    
322     1989  HISTÓRIAS E ANOTAÇÕES -    IRMÃO X    
323     1989  FÉ, PAZ E AMOR -    EMMANUEL    
324     1989  SEMEADOR EM TEMPOS NOVOS -    EMMANUEL    
325     1989  RAPIDINHO -    JAIR PRESENTE    
326     1990  PORTO DE ALEGRIA -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
327     1990  SENTINELAS DA LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
328     1990  PERANTE JESUS -    EMMANUEL    
329     1990  PÉTALAS DA PRIMAVERA -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
330     1990  DOUTRINA DE LUZ -    EMMANUEL    
331     1990  A SEMENTE DE MOSTARDA -    EMMANUEL
332     1990  TRILHA DE LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
333     1990  ALMA E LUZ -    EMMANUEL    
334     1990  EXCURSÃO DE PAZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
335     1990  HARMONIZAÇÃO -    EMMANUEL    
336     1990  VEREDA DE LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
337     1990  MORADIAS DE LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
338     1990  ANTE O FUTURO -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
339     1990  CONTINUIDADE -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
340     1990  DÁDIVAS DE AMOR -    MARIA DOLORES    
341     1990  A VERDADE RESPONDE -    EMMANUEL / ANDRÉ LUIZ    
342     1991  FULGOR NO ENTARDECER -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
343     1991  AÇÃO, VIDA E LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
344     1991  ASSUNTOS DA VIDA E DA MORTE -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
345     1991  CARMELO GRISI, ELE MESMO -    CARMELO GRISI    
346     1992  NOVO MUNDO -    F.C.X./ENTREVISTAS    
347     1992  LUZ NO CAMINHO -    EMMANUEL    
348     1992  PÉROLAS DE LUZ -    EMMANUEL    
349     1992  LEVANTAR E SEGUIR -    EMMANUEL    
350     1992  CENTELHAS -    EMMANUEL    
351     1993  ESTAMOS VIVOS -    F.C.X./BARBOSA/DIVERSOS    
352     1993  TESOURO DE ALEGRIA -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
353     1993  SEMENTE -    EMMANUEL    
354     1993  MENTORES E SEAREIROS -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
355     1993  REVELAÇÃO -    JAIR PRESENTE    
356     1993  O LIGEIRINHO -    EMMANUEL
357     1993  BENÇÃOS DE AMOR -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
358     1993  TEMPO E NÓS -    EMMANUEL/ANDRÉ LUIZ    
359     1993  COMPAIXÃO -    EMMANUEL    
360     1993  GOTAS DE PAZ -    EMMANUEL    
361     1993  MIGALHA -    EMMANUEL    
362     1993  A VOLTA -    ESPÍRITOS DIVERSOS
363     1993  AS PALAVRAS CANTAM -    CARLOS AUGUSTO    
364     1993  ESPERANÇA E LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS
365     1993  PREITO DE AMOR -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
366     1993  ABENÇOA SEMPRE -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
367     1994  PÁSSAROS HUMANOS -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
368     1994  VIVEREMOS SEMPRE -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
369     1994  DÁDIVAS ESPIRITUAIS -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
370     1994  UNIÃO EM JESUS -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
371     1994  MOMENTO -    EMMANUEL
372     1994  VIDA E CAMINHO -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
373     1994  ANTOLOGIA DA PAZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
374     1995   PINGO DE LUZ -    CARLOS AUGUSTO    
375     1995  RENASCIMENTO ESPIRITUAL -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
376     1995  ANTOLOGIA DA CARIDADE -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
377     1995  NOTAS DO MAIS ALÉM -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
378     1995  INDICAÇÕES DO CAMINHO -    CARLOS AUGUSTO    
379     1995  RECADOS DA VIDA MAIOR -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
380     1995  PALAVRAS DE CHICO XAVIER -    EMMANUEL    
381     1995  ANOTAÇÕES DA MEDIUNIDADE -    EMMANUEL    
382     1995  PLANTÃO DE RESPOSTAS -    PINGA FOGO II    
383     1995  ELENCO DE FAMILIARES -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
384     1995  ANTOLOGIA DA JUVENTUDE -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
385     1995  ANTOLOGIA DA AMIZADE -    EMMANUEL    
386     1995  SÍNTESES DOUTRINÁRIAS -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
387     1995  ANTOLOGIA DA ESPERANÇA - ESPÍRITOS DIVERSOS    
388     1996  DOUTRINA ESCOLA -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
389     1996  SAUDAÇÃO DO NATAL -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
390     1996  PAZ E AMOR -    CORNÉLIO PIRES    
391     1996  ALMA DO POVO -    CORNÉLIO PIRES    
392     1996  PAZ E LIBERTAÇÃO -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
393     1996  NOVOS HORIZONTES -    ESPÍRITOS DIVERSOS
394     1996  OFERTA DE AMIGO -    CORNÉLIO PIRES    
395     1996  DEGRAUS DA VIDA -    CORNÉLIO PIRES    
396     1997  ANTOLOGIA DO CAMINHO -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
397     1997  TOQUES DA VIDA -    CORNÉLIO PIRES    
398     1997  TROVAS DO CORAÇÃO     CORNÉLIO PIRES
399     1997  SENDA PARA DEUS -    ESPÍRITOS DIVERSOS
400     1997  TRAÇOS DE CHICO XAVIER -    ESPÍRITOS DIVERSOS    
401     1997  PEDAÇOS DA VIDA -    CORNÉLIO PIRES    
402     1997  CAMINHOS DA FÉ -    CORNÉLIO PIRES    
403     1997  CAMINHOS DA VIDA -    CORNÉLIO PIRES    
404     1997  PÉTALAS DA VIDA    -  CORNÉLIO PIRES    
405     1998  CAMINHO ILUMINADO -    EMMANUEL    
406     1998  AGENDA DE LUZ -    ESPÍRITOS DIVERSOS
407     1999  ESCADA DE LUZ -    AUTORES DIVERSOS    
408     1999  CANTEIRO DE IDÉIAS -    AUTORES DIVERSOS    
409     1999  TROVAS DA VIDA -    CORNÉLIO PIRES    



Fonte: Instituto Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 09 de Dezembro de 2010, 18:03
Quantos livros, amiga Macili!!!

Perfeita a sua postagem divulgando a obra do nosso Chico Xavier...

Muito obrigada em nome de todos os que por aqui passarem.

Paz e luz sempre!!!
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 09 de Dezembro de 2010, 18:12
Lindas Palavras

Senhor!...
Dura é a pedra, entretanto,
com a Tua sabedoria,
temo-la empregada em
obras de segurança.

Violento é o fogo, todavia,
sob a tua inspiração
foi ele posto em disciplina,
em auxílio da inteligência

Agressiva é a lâmina ,
no entanto ao influxo
de Teu amparo vemo-la piedosa,
na caridade da cirurgia

Enfermiço é o pântano, contudo
sob tua benevolência
encontramo-lo convertido
em celeiro de flores


Eu trago comigo
a dureza da pedra
a violência do fogo
a agressividade da lâmina
e a enfermidade do charco
mas com a Tua benção de amor
posso desfrutar o privilégio de cooperar
na construção do Teu reino...
para isso Senhor, porém, Senhor
concede-me por acréscimo de misericórdia
a felicidade de trabalhar
e ensina-me a receber
o dom de servir.

Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 09 de Dezembro de 2010, 18:14
No justo momento

No justo momento em que o fracasso lhe atropele o
carro da esperança, o apoio habitual lhe falte à existência,
a ventania da adversidade lhe açoite
espírito, a aflição se lhe intrometa nos passos,
a tristeza lhe empane os horizontes, a solidão
lhe venha a fazer companhia, no momento justo
enfim, no qual a crise ou a angústia, a sombra
ou a atribulação se lhe façam mais difíceis de
suportar, não chore e nem esmoreça.
A água pura, a fim de manter-se pura
é servida em taça vazia.
A treva da meia noite é a ocasião em que o
tempo dá sinal de partida para novo alvorecer.
Por maior que seja a dificuldade, jamais desanime.
O nosso pior momento na vida é
sempre o momento de melhorar

Mensagem de Chico Xavier

Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 09 de Dezembro de 2010, 18:28
Um exemplo de humildade e serviço aos necessitados, sempre com um sorriso no rosto:
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 10 de Dezembro de 2010, 03:13
Emmanuel

(http://2.bp.blogspot.com/_79OZw_35-xQ/TCJgIP8JudI/AAAAAAAAAEw/hTI-K8BYec4/S250/Emmanuel_3.jpg)
Ele foi o inesquecível guia espiritual de Chico Xavier,
em seu longo apostolado mediúnico.


Querida Amiga EmBuscaDaLuz

O acervo do Chico Xavier é fabuloso.
Em 1987 ele psicografou 20 livros.
Que trabalho lindo e exemplar nos deixou!
Temos que realmente divulgar sua obra, homenageando-o.
Nosso querido Chico Xavier, exemplo de Médium, ser humano e espírito!!!

Parabéns Chico Xavier, parabéns Espiritualidade Amiga,
por ter nos proporcionado tanto conhecimento e tanto amparo e amor ao próximo.

Muita luz para todos !!!
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 10 de Dezembro de 2010, 03:23
(http://lh6.ggpht.com/_mcz-v0uR504/S0Rvht_nACI/AAAAAAAAAj0/7XgNydQ39aA/imagem_thumb.jpg?imgmax=800)

Psicografia de Chico Xavier

Insignificante é o pingo d'água,
todavia, com o tempo,
traça um caminho no
corpo duro da pedra.

Humilde é a semente,
entretanto, germina com
firmeza e produz a espiga
que enriquece o celeiro.

Frágil é a flor, contudo,
resiste à ventania,
garantindo a colheita farta.

Minúscula é a formiga,
mas edifica,
à força de perseverança
complicadas cidades subterrâneas.

Submissa é a argila,
no entanto, com o auxílio
do oleiro, transforma-se em
vaso precioso.

Branda é a veste física,
que um simples alfinete
atravessa, todavia
suporta vicissitudes
incontáveis e sustenta o
templo do Espírito em
aprendizado, por dezena
de lustros, repletos de
necessidades e
padecimentos morais.

O verdadeiro progresso
prescinde da violência.
Tudo é serenidade e
seqüência na evolução.
Aprendamos com a Natureza e
adotemos a brandura por
diretriz de nossas
realizações para a vida mais alta,
mas não a brandura que
se acomoda com a
inércia, com a perturbação
e com o mal e sim aquela
que se baseia na
paciência construtiva,
que trabalha incessantemente
e persiste no melhor a
fazer, ultrapassando os
obstáculos que a ignorância
lhe atira à estrada e
superando os percalços da luta,
a sustentar-se no serviço
que não esmorece
e na esperança fiel que confia,
sem desânimo, na vitória final do bem.
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 10 de Dezembro de 2010, 03:35

Confiar em Deus


“Em todo instante, confio em Deus.
 No que faço, penso em Deus.
 Com quem vivo, amo a Deus.
 Por onde sigo, sigo com Deus.
 No que acontece, Deus faz o melhor.
 Tudo o que tenho, é bênção de Deus.”


Emmanuel (Ação e Caminho – Chico Xavier)


(http://lh4.ggpht.com/_mcz-v0uR504/S1YPky7ihHI/AAAAAAAAAlQ/jylolSpzj24/chico%20e%20emmanuel_thumb.jpg?imgmax=800)


CONFIE SEMPRE


Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.
Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente,
erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo.
Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus
e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação Da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te.
Brilha a alvorada além da noite.
Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal,
aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte.
Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

Chico Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 10 de Dezembro de 2010, 23:28
Lançamento do livro LUZ NA ESCOLA

(http://1.bp.blogspot.com/__tUpP55FcpY/TLzpAaWFfJI/AAAAAAAAA9k/4Nnox3bWZRs/s320/capaluz.JPG)



Trata-se da reedição de um livro de Francisco Cândido Xavier, psicografado na Escola Jesus Cristo em 1940 e nunca mais reeditado.

Contando com a colaboração preciosa de nosso amigo e irmão Geraldo Lemos Neto, da Editora Vinha de Luz, da cidade irmã Belo Horizonte, teremos a grata satisfação de um novo lançamento deste livro após 70 anos.

É a singela homenagem que a Escola Jesus Cristo presta ao Centenário de Chico Xavier.

É também um marco dos setenta e cinco anos de fundação da Escola Jesus Cristo da Espiritualidade e da Escola Jesus Cristo de Campos.

E é também uma lembrança da primeira visita de Chico Xavier a Campos, em quatro dias de estadia na Escola Jesus Cristo, há setenta anos.



Fonte: Espiritismo Cristão
Postado por Flávio Mussa Tavares, em 11/outubro/2010
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 10 de Dezembro de 2010, 23:37
(http://1.bp.blogspot.com/__tUpP55FcpY/S-dnKZU-PSI/AAAAAAAAA7M/mUZm2R2sl3Q/s320/Maria+Jo%C3%A3o+de+Deus.JPG)

(http://2.bp.blogspot.com/__tUpP55FcpY/S-dnB-hVGzI/AAAAAAAAA7E/5IwcsX8AH4M/s320/Nina+Arueira1.JPG)


DUAS MÃES SURPREENDENTES


Flávio Mussa Tavares


A singela homenagem que fazemos em nossa Escola Jesus Cristo às Mães tem como ícones duas Mães surpreendentes que fizeram de sua maternidade uma devoção à humanidade e uma irradiação do amor de Deus. Viveram as duas Mães expressões inéditas da maternidade. Não digo inéditas no sentido de que jamais houve casos semelhantes aos que elas viveram, mas do ponto de vista, que se houve, não foram registrados como estes o foram. E para a glória delas e para a glória de seus filhos, fazemos nossa homenagem a todas as Mães nas pessoas destas grandes mulheres.

Trata-se de Nina Arueira e Maria João de Deus. Viveram ambas experiências peculiaríssimas nunca antes descritas na literatura espírita.

Nina Arueira fora uma jovem romântica, meiga, doce com as crianças e que sentia-se mãe a priori. Ela tornou-se mãe imaginária de um pequeno marinheiro, uma foto de revista. Deu a este marinheirinho o nome de Lill. Escrevia cartas para ele, mandava recadinhos dele nas suas cartas para o meu Pai, Clóvis Tavares que à época era o seu noivo e que morava no Rio de Janeiro. Paralelamente a este romantismo, a esta maternidade onírica, vivia a pequena Nina uma luta política e árdua, travada contra os empresários escravocratas de nossa região. Escreveu em jornais locais, críticas ácidas contra a exploração do homem pelo homem e brandia então, junto com Clóvis a bandeira do bolchevismo, ideal de suas vidas. Todavia, travou ela, conhecimento com Virgílio Paula, um amorável benfeitor de sua vida. Ela a acolheu, e ensinou a ela as belezas do Evangelho. Revelou à Nina um Jesus amigo dos pobres e das crianças. Revelou a ela um Jesus complacente com os pecadores, mas enérgico e incisivo com os poderosos de então. Ela passa a amar a este Cristo. E sonhando com seu filho e com o mundo mais justo, desencarna em março de 1935 em casa do vovô Virgílio. Com a sua desencarnação, Clóvis também abandona a política materialista e abraça os ideais de Nina sob as vistas de Virgílio Paula. E Nina chega ao mundo espiritual e é recebida por seu filho Lill. Um espírito desejoso de tornar-se criança, reduziu o seu perispírito e fez-se Lill. Corporificou-se como o filho de Nina Arueira. E foi educado por Nina no Plano do Espírito, para que pudesse reencarnar como filho de Clóvis. Ela educou-o na vida espiritual, para entregá-lo a outra Mãe, que foi a minha Mãezinha Hilda, que anos mais tarde vem a consorciar-se com Papai. Chico Xavier psicografou um poema de Lill retratando a forma amorosa com que Nina Arueira educava o pequeno Lill na vida espiritual:


DE UM FILHINHO ESPIRITUAL

Papai, quando chega a noite,
Diz Mamãe banhada em luz:
-Vamos Lill, orar por ‘ele’
E, preces ao bom Jesus!

Ajoelhados na fé,
No caminho redentor,
Novamente, de mãos postas,
Oremos por ‘nosso amor’.

Diz Mamãe: Daí-lhe, Jesus,
Do vosso divino pão!
E eu digo:-Do pão de luz
Da vossa consolação!

Mamãe roga:-Daí-lhe Mestre,
O espírito de servir.
E eu peço:-Com forças novas
Para as glórias do porvir.

Mamãe pede:-Mestre Amado,
Ajudai-o a caminhar.
E eu digo:- Inspirai-lhe a vida
Nas bênçãos de nosso lar.

E assim, nós ambos pedimos
Na fé que nunca se esvai
A bênção do Bom Jesus
Às suas provas de pai.

Que Deus lhe conceda sempre
Coragem para a missão
É o que deseja, Papai,
O filho do coração.

Lill.


Maria João de Deus, Mãe de nosso querido Chico Xavier também vivenciou uma experiência de maternidade inteiramente desconhecida até então. Mãe biológica de Chico Xavier, que em 1915, quando o pequeno Chico tinha apenas 5 anos, desencarna. Vai morar com a sua madrinha que lhe impôs uma vida de extremos padecimentos físicos e morais indescritíveis. A bondosa Maria João de Deus passa a visitar o seu filho diariamente e a educá-lo com conselhos, admoestações, instruções de ordem geral e de ordem espiritual, com vistas a formar o espírito sábio e humilde do futuro grande médium brasileiro Francisco Cândido Xavier. Uma Mãe desencarnada educando um filho na Terra. Este é o ineditismo e a singularidade extrema desta maternidade de Luz. Maria João de Deus, apesar de iletrada em sua última romagem terrena, é um espírito de alta envergadura moral e intelectual. Astrônoma de outras épocas, quando tinha trânsito livre nos luxuosos salões das cortes da Europa, renasce filha de lavadeira na cidade de Santa Luzia do Rio das Velhas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Iletrada e também pobre lavadeira como sua mãe, costumava perder horas a admirar o céu estrelado, como a recordar o tempo em que o admirava com olhar científico. Humilhada pela vida, jamais revoltou-se. E esta lição de humildade, ofereceu ao pequeno Chico, jamais concitando-o à revolta contra os que o humilhavam. E como que, conhecendo o capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ensinava ao pequeno sofredor, a justiça das aflições humanas, demonstrando que consolar verdadeiramente é dar a conhecer que não há injustiça na Terra. E que toda aparente injustiça é sabiamente reaproveitada pela Lei de Causa e Efeito numa equação de perfeita justiça.
Clóvis Tavares escreveu sobre Maria João de Deus, uma pequena biografia inserta no livro “Tempo e Amor”, que contém mensagens psicografadas por Chico Xavier na Escola Jesus Cristo, de espíritos campistas e por espíritos amigos de nossa casa. Trata-se de “Breve Notícia de Uma Grande Alma”.
Escreveu papai também um belo poema para a Mãe de Chico Xavier, sobre quem vou fazer uma revelação, que já não é mais revelação, pois já é sabido de muitos. Maria João de Deus é a mesma Ana de Samaria, criada de Lívia Lêntulus, esposa do Senador Públius Lêntulus. Era amiga e confidente da grande alma que foi Lívia, que viveu um isolamento social em seu próprio lar, vítima que foi de uma calúnia perversa. E Ana, a nossa querida Maria João de Deus, foi a sua companhia constante, que lhe ensinou sobre Jesus e que por alguns anos, a sua única companheira. Mais tarde, empresta suas vestes humildes à sua senhora, para que esta pudesse comparecer a uma reunião cristã, quando então é presa e levada ao martírio do Coliseu, devorada por fellinos ferozes. Depois deste fato, Públio reformula a sua vida e migra de Roma para a cidade de Pompéia onde viveria com Ana e sua filha Flávia os últimos anos de sua vida. Ali em paz e com muita alegria aprendeu os rudimentos do Cristianismo, com a sua serva fiel, que muito lhe fazia recordar a esposa injustiçada por ele mesmo e martirizada por Amor a Jesus. Ana de Samaria, Maria João de Deus, é então a primeira evangelizadora de Emmanuel, nosso grande Emmanuel, evangelizador dos espíritas do Brasil. Esta é a grandeza desta alma de escol.


MARIA JOÃO DE DEUS

Clóvis Tavares

Maria João de Deus, Estrela Amiga,
Do firmamento de nossa afeição,
Luz Carinhosa, meiga companheira,
Protetora das almas em afeição.

Bendita sejas pelo bem que ofertas
Do meigo Mestre a cada coração
Bendita sejas, ó querida amiga,
Que nos trazes do Além, consolação.

Maria João de Deus, Estrela Amiga,
Do firmamento de nossa afeição,
Bendita sejas pela luz que espalhas
Em penhor de ventura e redenção.

Bendita sejas por Teu filho amado,
Que se uniu a Jesus em santa unção.
Bendita sejas pela luz que espalhas
Em penhor de ventura e gratidão

Fonte: Espiritismo Cristão
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 10 de Dezembro de 2010, 23:43
Chico Xavier, Mediunidade e Caridade com Jesus e Kardec


(http://2.bp.blogspot.com/__tUpP55FcpY/S8M-dpuuenI/AAAAAAAAA60/vJT8JNtfz7Y/s320/Cartaz+outras+palestras.jpg)


Clique neste link e você terá acesso ao programa de homenagem ao centenário de Chico Xavier que ocorrerá em Niterói neste ano de 2010.

A Escola Jesus Cristo estará representada ali com a apresentação do trabalho sobre Célia Lúcius que é uma comprovação da mediunidade límpida e cristalina de nosso querido missionário de Minas Gerais.

A Chico Xavier, a Clovis Tavares e à Escola Jesus Cristo a nossa gratidão eterna.



Fonte: Espiritismo Cristão
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 10 de Dezembro de 2010, 23:55
OFERTA DE NATAL

(http://1.bp.blogspot.com/__tUpP55FcpY/SzNtqhlJX7I/AAAAAAAAA2s/J_GnoHq0-SA/s320/reismagos.JPG)

Senhor!


Enquanto as melodias do Natal nos enternecem, recordamos também, ante o céu iluminado, a estrela divina que te assinalou o berço na palha singela!…
De novo, alcançam-nos os ouvidos as vozes angélicas:

— Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens!…

E lembramo-nos do tópico inesquecível da narrativa de Lucas: “Havia na região da manjedoura pastores que viviam nos campos e velavam pelos rebanhos durante a noite; e um anjo do Senhor desceu onde eles se achavam e a glória do Senhor brilhou ao redor deles, pelo que se fizeram tomados de assombro… O anjo, porém, lhes disse:

"Não temais! eis que vos trago boas novas de grande alegria, que serão para todo o povo… É que hoje vos nasceu, na cidade de David, o Salvador, que é o Cristo, o Senhor.”

Desde o momento em que os pastores maravilhados se movimentaram para verte, na hora da alva, começaste, por misericórdia tua, a receber os testemunhos de afeição dos filhos da Terra.

Todavia, muito antes que te homenageassem com o ouro, o incenso e a mirra, expressando a admiração e a reverência do mundo, o teu cetro invisível se dignou acolher, em primeiro lugar, as pequeninas dádivas dos últimos!
Só tu sabes, Senhor, os nomes daqueles que algo te ofertaram, em nome do amor puro, nos instantes da estrebaria:



A primeira frase de bênção…
A luz da candeia que principiou a brilhar quando se apagaram as irradiações do firmamento…
Os panos que te livraram do frio…
A manta humilde que te garantiu o leito improvisado…
Os primeiros braços que te enlaçaram ao colo para que José e Maria repousassem…
A primeira tigela de leite…
O socorro aos pais cansados…
Os utensílios de empréstimo para que te não faltasse assistência…
A bondade que manteve a ordem, ao redor da manjedoura, preservando-a de possíveis assaltos…
O feno para o animal que devia transportar-te…


Hoje, Senhor, que quase vinte séculos transcorreram sobre o teu nascimento, nós, os pequeninos obreiros desencarnados, com a honra de cooperar em teu Evangelho Redivivo, pedimos vênia para algo ofertar-te…

Nada possuindo de nós, trazemos-te as páginas simples que tu mesmo nos inspiraste, os pensamentos de gratidão e de amor que nos saíram do coração, em forma de letras, em louvor de tua infinita bondade!

Recebe-os, ó Divino Benfeitor!, com a benevolência com que acolheste as primeiras palavras de respeito e os primeiros gestos de carinho com que as criaturas rudes e anônimas te afagaram na gloriosa descida à Terra!…

E que nós — Espíritos milenários fatigados no erro, mas renovados na esperança — possamos rever-te a figura sublime, nos recessos do coração, e repetir, como o velho Simeão, após acariciar-te na longa vigília do Templo:

— “Agora, Senhor, despede em paz os teus servos, segundo a tua palavra, porque os nossos olhos viram a salvação!…”



Emmanuel, Uberaba, 25 de dezembro de 1966.

(Mensagem psicografada por Francisco cândido Xavier, no dia de Natal na Comunhão Espírita Cristã , Prefácio da Antologia Mediúnica do Natal, espíritos diversos)
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 11 de Dezembro de 2010, 00:09
COITADINHO DE MIM ! ?


(http://4.bp.blogspot.com/__tUpP55FcpY/SfDToiTbyHI/AAAAAAAAApY/-hyIoLZ9Ye0/s320/jeronimoechico.JPG)



Jerônimo Mendonça nasceu em Ituiutaba (MG), em 1 de Novembro de 1939, tendo desencarnado em 25 de Novembro de 1989. A vida do médium Jerônimo Mendonça foi um exemplo de superação de limites. Totalmente paralítico há mais de trinta anos, sem mover nem o pescoço, cego há mais de vinte anos, com artrite reumatóide que lhe dava dores terríveis no peito e em todo o corpo, era levado por mãos amigas por todo o Brasil a fora para proferir palestras. Foi tão grande o seu exemplo que foi apelidado “O Gigante Deitado” pelos amigos e pela imprensa.

Houve uma época, em meados de 1960, quando ainda enxergava, que Jerônimo quase desencarnou. Uma hemorragia acentuada, das vias urinárias, o acometeu.. Estava internado num hospital de Ituiutaba quando o médico, amigo, chamou seus companheiros espíritas que ali estavam e lhes disse que o caso não tinha solução. A hemorragia não cedia e ele ia desencarnar.

- Doutor, será que podemos pelo menos levá-lo até Uberaba, para despedir-se de Chico Xavier? Eles são muitos amigos.

- Só se for de avião. De carro ele morre no meio do caminho.

Um de seus amigos tinha avião. Levaram-no para Uberaba. O lençol que o cobria era branco. Quando chegaram a Uberaba, estava vermelho, tinto de sangue. Chegaram à Comunhão Espírita, onde o Chico trabalhava então. Naquela hora ele não estava, participava de trabalho de peregrinação, visita fraterna, levando o pão e o evangelho aos pobres e doentes.

Ao chegar, vendo o amigo vermelho de sangue disse o Chico:

- Olha só quem está nos visitando! O Jerônimo! Está parecendo uma rosa vermelha!

Vamos todos dar uma beijo nessa rosa, mas com muito cuidado para ela não “despetalar”.

Um a um os companheiros passavam e lhe davam um suave beijo no rosto. Ele sentia a vibração da energia fluídica que recebia em cada beijo. Finalmente, Chico deu-lhe um beijo, colocando a mão no seu abdome, permanecendo assim por alguns minutos. Era a sensação de um choque de alta voltagem saindo da mão de Chico, o que Jerônimo percebeu. A hemorragia parou.

Ele que, fraco, havia ido ali se despedir, para desencarnar, acabou fazendo a explanação evangélica, a pedido de Chico, em seguida vem a explicação:

- Você sabe o porquê desta hemorragia, Jerônimo?

- Não, Chico.

- Foi porque você aceitou o “Coitadinho”. Coitadinho do Jerônimo, coitadinho... Você desenvolveu a autopiedade. Começou a ter dó de você mesmo. Isso gerou um processo destrutivo. O seu pensamento negativo fluidicamente interferiu no seu corpo físico, gerando a lesão. Doravante, Jerônimo, vença o coitadinho. Tenha bom ânimo, alegre-se, cante, brinque, para que os outros não sintam piedade de você.



Ele seguiu o conselho. A partir de então, após as palestras, ele cantava e contava histórias hilariantes sobre as suas dificuldades. A maioria das pessoas esquecia, nestes momentos, que ele era cego e paralítico. Tornava-se igual aos sadios.

Sobreviveu quase trinta anos após a hemorragia “fatal”. Venceu o “coitadinho”.

Que essa história nos seja um exemplo, para que nos momentos difíceis tenhamos bom ânimo, vencendo a nossa tendência natural de autopiedade e esmorecimento.



Extraído do Jornal Espírita de Setembro de 2007.
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 11 de Dezembro de 2010, 04:47
(http://3.bp.blogspot.com/_mcz-v0uR504/TIPs2lZL4OI/AAAAAAAABLU/4TYIdL-9j3c/S760/Fundo+de+E-mail.jpg)
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: macili em 11 de Dezembro de 2010, 05:21
(http://portalzen.blog.uol.com.br/images/5.gif)

Aprendendo Com a Natureza


As estrelas agrupam-se em ordem.
(Organização)


O céu tem horários para a luz
e para a sombra.
(Disciplina)


O vegetal abandona a cova escura,
embora continue ligado ao solo,
buscando a claridade a fim de produzir.
(Família)


O ramo que sobrevive à tempestade
cede à passagem dela, mantendo-se,
não obstante, no lugar que lhe é próprio.
(Fazendo concessões)


A rocha garante a vida no vale,
por resignar-se à solidão.
(Servir - doação)


O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos.
(Buscar soluções)


A ponte serve ao público sem exceções,
por afirmar-se contra o extremismo.
(Bom senso - equilíbrio)


A semeadura rende sempre,
de acordo com os propósitos do semeador.
(Lei do retorno)


Espírito de André Luiz/Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 11 de Dezembro de 2010, 13:16
(http://static.maniadescraps.com/imagens/turboscraps/chicoxavier/chico_xavier011.jpg)
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 11 de Dezembro de 2010, 13:41
(http://static.maniadescraps.com/imagens/turboscraps/chicoxavier/chico_xavier003.jpg)
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:07


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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:09


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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:11


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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:13


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Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:15


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:17
[attach=1]


"Morre um capim, nasce outro" 
 

 
[attach=3]  Eram pouco mais de 19h30 de domingo 30 de junho de 2002, quando o coração de Chico Xavier parou. Chico tinha acabado de deitar-se na cama estreita de seu quarto acanhado para mais uma noite de sono. Pouco antes de dormir, ergueu as mãos para o alto, como sempre fazia, e rezou pela última vez.
 
Chico morreu em casa, como queria, sem dor nem sofrimento. Poucas horas antes, ele chamou o enfermeiro que sempre o acompanhava. Precisava de ajuda para fazer a barba, mas Sidnei tinha viajado. A reação de Chico, ao saber da viagem, foi rápida e intrigante:
 
▬  Não vai dar tempo.
 
Nos últimos dias, a cozinheira da casa, Josiane Alberto, estranhou o comportamento de Chico. Bastava ela trazer um copo de água para Chico agradecer: Jesus vai te abençoar. Muito obrigado. Passou a semana agradecendo. Era como se estivesse se despedindo. Foi esta a sensação que teve o médium César de Almeida Afonso ao visitá-lo na semana anterior.
 
Chico disse ao vê-lo:
▬  Agora vieram todos.
 
[attach=4]  Disse isso depois de uma sucessão de visitas de outros médiuns. O líder espírita morreu exatos oito dias antes da data em que seria alvo de uma série de homenagens e comemorações: os 75 anos de sua mediunidade. Para os amigos mais íntimos, a morte, naquele momento, o poupou de novos desgastes com eventos e compromissos.
 
Chico planejou, com cuidado, a própria despedida. Uma de suas principais preocupações era impedir que impostores divulgassem, após sua morte, supostas mensagens transmitidas por ele. Temia que, em busca de projeção, médiuns se apresentassem como porta-vozes de seu espírito. Para evitar fraudes, Chico combinou um código secreto com três pessoas de sua confiança:
 
▬  O filho adotivo Eurípedes Higino dos Reis,
▬  O médico e amigo Eurípedes Tahan Vieira,
▬  E Kátia Maria, sua acompanhante nos últimos anos de vida.
 
[attach=5]  Três informações deveriam constar da primeira mensagem enviada do além. Na tarde anterior à própria morte, Chico confirmou o código com Eurípedes Tahan e avisou:
 
▬  Vocês saberão quem sou eu. Traduzindo: depois de morto, Chico revelaria um dos seus segredos mais bem guardados: quem ele teria sido na última encarnação.
 
[attach=6]  Ele pensou em cada detalhe. Seu corpo deveria ser velado no Grupo Espírita da Prece durante 48 horas, para que todos tivessem tempo de se despedir, sem confusão. O enterro seria feito no cemitério São João Batista, em Uberaba, a cidade que o acolheu em janeiro de 1959, quando Chico deixou para trás a família e os amigos da cidade natal, a também mineira Pedro Leopoldo. Foram feitas, é claro, as suas vontades.
 
Quando a notícia sobre a morte dele se espalhou, fogos de artifício ainda espocavam nos céus de Uberaba e do Brasil. O país festejava a conquista do pentacampeonato da Copa do Mundo de futebol. O jogo decisivo aconteceu na madrugada de sábado para domingo.
 
[attach=7]  Mas a principal notícia em Uberaba logo se tornou Chico Xavier. Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas correram para a casa dele. O corpo do médium saiu de casa por volta das 23h30 pelo portão dos fundos, rumo ao Grupo Espírita da Prece, o centro fundado por ele em 1975. Aplausos o saudaram na saída de casa e na chegada ao Centro.
 
Uma fila de admiradores logo dobrou o quarteirão e se prolongou dia e noite, por dois dias. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram mobilizados e, de todo canto do país, chegaram os devotos de Chico Xavier. Mães e pais que perderam filhos e foram consolados por ele; pobres que teriam morrido de fome ou de frio sem a ajuda dos mutirões que ele promovia; espíritas e não-espíritas de todo o país, que aprenderam a ter fé com a ajuda de Chico.
 
[attach=8]  As 48 horas de velório foram suficientes para que as caravanas de ônibus chegassem em paz. A Polícia Militar fez as contas: 2.500 pessoas por hora, em média, se despediram de Chico no Grupo Espírita da Prece. Ao todo, 120 mil pessoas. A fila para ver o corpo atingiu quatro quilômetros e chegou a exigir uma espera de aproximadamente três horas.
 
Coroas de flores foram enviadas de todo o país por políticos, artistas, admiradores anônimos, enquanto o prefeito decretava feriado na cidade, o Governador anunciava luto oficial por três dias, e o Presidente Fernando Henrique Cardoso divulgava uma mensagem sobre a importância do líder espírita para o país e para os pobres.
 
[attach=9]  Em frente ao cemitério, uma de suas admiradoras, a florista Isolina Aparecida Silva, atravessou a rua, foi até a cova onde Chico seria enterrado e jogou lá no fundo, sem que ninguém visse, uma carta de agradecimento por tudo o que o médium fez por ela e pelo Brasil.
 
Isolina, 56 anos, tornou-se devota de Chico aos catorze, quando ele curou a sua enxaqueca crônica apenas com o toque das mãos. Isolinas de todo o Brasil rezaram para Chico Xavier naqueles dias de despedida e conversaram com ele, nas breves passagens pela beira do caixão, como se Chico estivesse ouvindo cada palavra de saudade e de gratidão.
 
[attach=10]  Na terça-feira 48 horas depois da morte, um carro do Corpo de Bombeiros estacionou em frente ao Grupo Espírita da Prece para transportar o corpo de Chico até o cemitério. Os cinco quilômetros do trajeto demoraram uma hora e meia para serem percorridos. Mais de 30 mil pessoas acompanharam o cortejo a pé. O trânsito parou e um clima de comoção tomou conta da multidão.
 
A pedido de Chico, as flores das coroas mais de cem, no total - foram distribuídas a quem acompanhava o corpo. Na porta do cemitério, o caixão foi recebido com uma chuva de pétalas de 3 mil rosas lançadas de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal, ao som de músicas como Nossa Senhora, o canto de fé de Roberto Carlos, e Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, canção de protesto de Geraldo Vandré.
 
[attach=11]  O corpo permaneceu na entrada do cemitério mais quarenta minutos antes de ser levado para a sepultura. Chico queria se despedir de todos. E se despediu como planejou. Espíritas esperaram por notícias dele nos dias seguintes. Mas semanas, meses se passaram... e nada. Nenhuma mensagem de Chico Xavier. O "código secreto" nem precisou ser usado.

Seis meses depois, um dos médiuns mais concorridos de Uberaba, Carlos A. Bacceli, fechou os olhos e pôs no papel um livro intitulado Na Próxima Dimensão. O espírito do médico Inácio Ferreira, ex-diretor clínico do hospital psiquiátrico Sanatório Espírita de Uberaba teria ditado o texto a ele. Inácio, segundo o livro, também esteve no enterro de Chico. Era um dos espectadores "invisíveis" da "passagem" do líder mais importante do Brasil.
 
[attach=12]  Durante todo o velório, Chico, escreveu Bacceli, teria descansado nos braços de Cidália, segunda mulher de seu pai, considerada sua segunda mãe.  "Chico guardava relativa consciência de tudo”, descreve o texto. Uma faixa de luz azul enfeitava o céu e foi se tornando cada vez mais intensa à medida que se aproximava a hora do enterro.
 
Esta luz, segundo Inácio, envolveu Chico e partiu, levando o líder espírita para bem longe, no exato instante em que a multidão entoava a canção Nossa Senhora, em frente ao cemitério.
 
[attach=13]  Uma revelação, publicada no livro, causou alvoroço nos meios espíritas: Chico seria a reencarnação de Allan Kardec. Ele teria vindo à Terra para pôr em prática e "sentir na própria pele" a doutrina desenvolvida e divulgada por ele, em livro, na existência anterior.
 
Com a publicação do livro, Chico teria cumprido a promessa de revelar quem ele era. Para quem não acredita em vida depois da morte, os cinco parágrafos acima são mera ficção. Para quem acredita, tudo faz sentido.
 
[attach=14]  Verdade irrefutável mesmo é que Chico, o menino pobre e mulato do interior de Minas, filho de pais analfabetos, se transformou em mito, venerado, idolatrado, atacado, perseguido, um ídolo popular.
 
Marcel Souto Maior.
 
 
 
Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:26


[attach=1]


As Vidas de Chico Xavier


Foi a história desta metamorfose que decidi contar há dez anos quando desembarquei em Uberaba com uma tarefa ambiciosa: receber um sinal verde do próprio Chico Xavier para escrever sua biografia. Eu era repórter do Jornal do Brasil, tinha sérias dúvidas sobre questões como vida depois da morte e encarava o líder espírita com o habitual distanciamento jornalístico. Chico era um mito nacional adorado por milhões de brasileiros e menosprezado por centenas de jornalistas como eu.

▬  Chico Xavier?

▬  Não é o Chico Buarque?
▬  Chico Anysio?
▬  Chico Mendes?
▬  Não?

Amigos de redação ironizavam ao saberem do meu projeto: lançar a primeira biografia jornalística de um dos personagens mais idolatrados e polêmicos do país.

Lá fui eu.

Aos 81 anos, atormentado por sucessivas crises de angina, abatido por duas pneumonias graves e castigado por uma catarata crônica, Chico Xavier vivia em repouso e por recomendação médica já não participava de sessões espíritas há quase nove meses. Eu teria de contar com o apoio de seu filho adotivo, Eurípedes, para conseguir visitá-lo em casa nas reuniões para poucos amigos aos sábados à noite. Não consegui passar pelo portão. Eurípedes preferiu preservar o pai de qualquer desgaste, e eu decidi iniciar a reportagem sem autorização de ninguém nem do possível biografado.

O primeiro passo: acompanhar uma sessão espírita no Grupo Espírita da Prece, mais conhecido como "o Centro do Chico". Era noite de sábado e fazia frio. Dava para contar nos dedos o número de participantes do culto reunidos na casa simples, com piso de cimento e telhas descascadas no teto. Éramos catorze todos sentados a dois metros de distância da mesa comprida onde, até o ano anterior, Chico Xavier causava comoção ao fechar os olhos e pôr no papel mensagens de mortos a suas famílias na Terra.

Com a ausência de Chico nas sessões dos últimos meses, as multidões do ano anterior reduziram-se até chegarem naquele punhado de gente disposta a acompanhar a leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, e a análise de temas como compaixão e solidariedade. Sentei no banco de madeira em frente à mesa ocupada pelos dirigentes da sessão e, minutos depois, levei um susto.

Contra todas as expectativas, Chico Xavier reapareceu no Grupo Espírita da Prece, o corpo franzino arqueado sob um terno mal-ajambrado e o sorriso aberto de quem volta para casa depois de meses de internação. Ele se sentou à cabeceira, ouviu em silêncio a leitura de textos de Kardec e, em seguida, rezou o pai-nosso com um fio de voz. Eu não sabia nem como nem por que, mas lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto sem que eu sentisse qualquer emoção especial. Desabavam à minha revelia, aos borbotões, sem nenhum controle. No fim da sessão, eu me aproximei de Chico e fui direto ao assunto com a desinibição e arrogância típicas dos jovens jornalistas:

▬  Chico, trabalho no Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, e vim pedir autorização para escrever sua biografia. Chico recorreu a um de seus enigmas, tática usada por ele para evitar a indelicada palavra "não":
▬  Deus é quem autoriza.
Continuei no mesmo tom:
▬  E Deus autoriza?

Chico ficou em silêncio dois, três segundos e respondeu com um meio sorriso:
▬  Autoriza.

Era tudo o que eu precisava ouvir. Ou quase tudo. O acesso à casa de Chico, fundamental para a reportagem, foi negado por Eurípedes no dia seguinte. E o tempo começou a correr contra o projeto. Era preciso voltar ao Rio em breve com o máximo de informações possível, e o jovem repórter entrou em ação novamente, com uma tática de emergência.

Liguei para o outro filho adotivo de Chico, Vivaldo, responsável pela catalogação da obra do líder espírita e me apresentei com uma meia verdade:
▬  Vivaldo, sou jornalista e estou escrevendo uma reportagem sobre o seu pai.
▬  Você pode me ajudar?

Vivaldo convidou-me para uma visita e, simpático, ajudou-me, sem saber, a vencer o veto da véspera: ele morava em um anexo nos fundos da casa de Chico e foi lá que eu entrei na noite seguinte com gravador e bloco à mão para a primeira entrevista.

Vivaldo tratou de servir café enquanto eu despejava sobre ele as primeiras perguntas, as mais leves, sobre a obra de Chico Xavier e a responsabilidade dele, Vivaldo, de datilografar, classificar e arquivar os romances e poemas vindos do além.

Eram quase quatrocentos livros e mais de 20 milhões de exemplares vendidos de clássicos como Parnaso de Além-Túmulo (o livro de estréia) e best sellers como Nosso Lar (o campeão de vendas). Todos, sem exceção, segundo Chico, foram transmitidos a ele por espíritos.

A pauta da conversa estava prestes a entrar nas perguntas mais complicadas sobre a personalidade e a intimidade de Chico quando uma campainha soou na sala.

▬  É meu pai. Tá me chamando.

Vivaldo pediu licença e se retirou. Com dificuldades para andar, Chico tinha um interruptor ao lado da cama para acionar os filhos em caso de necessidade ou emergência. Quando Vivaldo saiu, um calor insuportável tomou conta da minha mão direita: era como se ela estivesse pegando fogo. Uma sensação tão nítida que me fez largar a caneta, saltar do sofá, ir até a porta, girar a maçaneta e correr para o quintal. Fiquei ali fora sacudindo a mão de um lado pro outro na noite fria até Vivaldo reaparecer.

▬  Meu pai disse que a sua biografia vai ser um sucesso. Parabéns. Só deu tempo de eu buscar o gravador e o bloco na sala, me desculpar e desaparecer. Foi assim, com lágrimas e calores inexplicáveis, que dei os primeiros passos no território de Chico Xavier.

▬  Auto-sugestão?
▬  Fenômenos físicos provocados pela aura de um ser iluminado?

São muitas as perguntas sem resposta neste mundo, onde vivos e mortos se misturam e espíritos enviam notícias do além por meio de médiuns em mensagens sempre intrigantes.

Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:30


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Trecho de uma delas:

▬  "Querida tia Isabel, se puder, não deixe a vovó chorar tanto nem a minha Mãezinha Gilda continuar tão aflita por minha causa. Estou vivo, mas preciso desembaraçar-me das prisões de casa para conseguir melhorar." A carta é assinada por Antônio Carlos Escobar, jovem de 22 anos, morto dias antes.

Ao longo de todo o texto, o "espírito" cita nomes e sobrenomes de família de vivos e de mortos:
"Estou aqui com o meu avô Primitivo Aymoré e com minha avó Isabel Rôa Escobar...".

A mensagem saiu das mãos de Chico Xavier, em sessão pública em Uberaba, arrancou lágrimas da mãe de Antônio Carlos, Gilda, e provocou o mesmo efeito nas pessoas reunidas no Grupo Espírita da Prece: o de reforçar a fé num dos dogmas do espiritismo: o de que existe, sim, vida depois da morte.

▬  Como duvidar de Chico Xavier?
▬  Como duvidar da autenticidade de um texto pontuado por tantos nomes e sobrenomes só conhecidos pela família do morto?

Fenômenos como estes se repetiram milhares de vezes ao longo dos 74 anos de atividade mediúnica do líder espírita. Quando Chico completou 70 anos - no dia 2 de abril de 1980, já eram 10 mil as cartas de mortos a suas famílias psicografadas por ele, segundo sua assessoria. E já eram também 2 mil as instituições de caridade fundadas, ajudadas ou mantidas graças aos direitos autorais dos livros vendidos ou das campanhas beneficentes
promovidas por Chico Xavier.

▬  Porta-voz de Deus?
▬  "Uma besta encarregada de transportar documentos dos espíritos" Chico reagia.
▬  Um iluminado? "Não. Uma tomada entre dois mundos" minimizava.
▬  Chico Xavier, o apóstolo? "Nada disso. Cisco Xavier".

Ele transformava o nome em trocadilho quando já era idolatrado por caravanas de fiéis e curiosos vindos de todo o Brasil e indicado ao Prêmio Nobel da Paz em campanha nacional embalada por mais de 2 milhões de assinaturas de adesão em 1981.

▬  "Sou um nada. Menos do que um nada", repetia para se defender de tanto assédio e evitar uma armadilha perigosa: a vaidade. Com a bênção de Chico, os centros espíritas kardecistas se multiplicaram (hoje já são mais de 5 mil) e formaram uma rede de solidariedade ativa no Brasil.

Por estatuto, cada centro deve divulgar o Evangelho, promover sessões públicas (sempre gratuitas) e, o mais importante, prestar serviços à comunidade. "Ajudai-vos uns aos outros" era o remédio receitado por Chico para todos os males. "Ajude e será ajudado", ele aconselhava aos desesperados e seguia à risca a própria receita.

Ao longo dos 92 anos de vida - 74 deles dedicados a servir de ponte entre vivos e mortos -, Chico escreveu 412 livros, vendeu quase 25 milhões de exemplares e doou toda a renda, em cartório, a instituições de caridade:
▬  Os livros não me pertencem. Eu não escrevi livro nenhum. "Eles" escreveram.

Em fevereiro do ano 2000, Chico foi eleito o Mineiro do Século em votação que mobilizou a população de todo o estado de Minas Gerais e o consagrou, mais uma vez, como fenômeno popular. Couberam a ele exatos 704.030 votos o suficiente para derrotar concorrentes poderosos como Santos Dumont (segundo colocado), Pelé, Betinho, Carlos Drummond de Andrade e Juscelino Kubitschek (o sexto colocado).

Recluso, doente, afastado dos holofotes, Chico continuava vivo, firme e forte, na lembrança do público. No ano seguinte, ele foi internado com pneumonia dupla, em estado grave, num hospital de Uberaba. Ao gravar imagens da fachada do prédio, um cinegrafista registrou uma aparição inusitada: um ponto luminoso vindo do céu se deslocou em alta velocidade na direção da janela do quarto onde Chico estava.

O médico Eurípedes Tahan Filho acompanhava o paciente e diagnosticou:
▬  Logo depois desta aparição, o quadro clínico de Chico mudou. "A febre desapareceu, a respiração melhorou e ele ficou mais alerta." Dois dias depois, Chico teve alta. As imagens foram exibidas no programa Fantástico, da Rede Globo, logo após a morte do médium.

▬  Reflexo na lente da câmera?
▬  Ajuda espiritual?
▬  Fraude?
▬  Milagre?

Engenheiros entrevistados descartaram a hipótese de fraude e não conseguiram explicar a origem da luz. Mais um mistério em torno de Chico. Numa das poucas conversas que tive com ele, depois de vencer as resistências iniciais, toquei num tema delicado: sua sucessão.

▬  Haveria um novo Chico Xavier?
Chico encerrou o assunto:
▬  "Morre um capim, nasce outro".
Ele falava sério.
 
O menino mal-assombrado:

O pai, João Cândido Xavier, balançava a cabeça e resmungava. É louco. A madrinha, Rita de Cássia, reagia às alucinações do menino com golpes de vara de marmelo. Entre uma surra e outra, enterrava garfos na barriga do afilhado e berrava:
▬  Este moleque tem o diabo no corpo.

Nem o padre Sebastião Scarzello conseguiu fazer de Chico Xavier um garoto "normal". Após as confissões, preces e penitências, Chico tagarelava com a mãe já morta, via hóstias cintilantes na comunhão, escrevia na sala de aula textos ditados por seres invisíveis e tornava-se, assim, o assunto mais exótico da cidade. Na empoeirada e católica Pedro Leopoldo, a 35 quilômetros de Belo Horizonte, era difícil encontrar quem apostasse na sanidade de Chico Xavier.

Para espantar o diabo e pagar os pecados, o garoto seguia à risca as receitas paroquiais. Chegou a desfilar em procissão com uma pedra de quinze quilos na cabeça e a repetir mil vezes seguidas a ave-maria. Rezava e contava. Não foi fácil. Um espírito desocupado fazia caras e bocas para atrapalhar seus cálculos. Na igreja, assombrações flutuavam sobre os bancos e beijavam os santos.
 
Chico divulgava estas e outras histórias do outro mundo para os adultos. Resultado: mais surras e mais risco de ser transferido de Pedro Leopoldo para Barbacena, a capital dos hospícios. João Cândido estudava com carinho a hipótese de internar o filho. Uma idéia antiga.

A Primeira Guerra Mundial começava a assombrar o mundo, e Chico já estava às voltas com fantasmas. Uma noite, seu pai conversava com a mulher, Maria João de Deus, sobre o aborto sofrido por uma vizinha, e desancava a moça. O filho interrompeu o julgamento e, do alto de seus quatro anos, proferiu a sentença:

▬  O senhor está desinformado sobre o assunto. O que houve foi um problema de nidação inadequada do ovo, de modo que a criança adquiriu posição ectópica. Naquela casa pobre de Pedro Leopoldo, a frase soava tão fora de propósito quanto à notícia de que, na longínqua Europa, a Alemanha acabava de declarar guerra à Rússia.

João Cândido arregalou os olhos e balbuciou:
▬  O que é nidação?
▬  O que é ectópica?

Chico não sabia. Tinha repetido palavras sopradas por uma voz. Os amigos da família Xavier, aqueles que desconheciam O discurso médico feito pelo menino aos quatro anos, arriscavam uma explicação para as alucinações de Chico: a morte da mãe, quando ele tinha cinco anos.

Maria João de Deus foi embora cedo demais e, ao se despedir, deixou em casa um garoto ao mesmo tempo magoado e impressionado. Pouco antes de morrer, ela pediu ao marido que distribuísse os nove filhos pelas casas de amigos e parentes. Só assim João Cândido, vendedor de bilhetes de loteria, conseguiria viajar pelas cidades vizinhas em busca de dinheiro.

No pé da cama onde a mãe agonizava, atormentada por crises de angina, Chico cobrou:
▬  Por que a senhora está dando seus filhos para os outros? Não quer mais a gente, é isso? Maria explicou que iria para o hospital e garantiu com voz firme:
▬  Se alguém falar que eu morri, é mentira. Não acredite. Vou ficar quieta, dormindo. E voltarei.

Chico acreditou. No dia seguinte, a mãe morreu e João Cândido entregou à madrinha, Rita de Cássia, um menino com idéias estranhas. Depois do enterro de Maria João de Deus, em 29 de setembro de 1915, o garoto teve que esticar as pernas para acompanhar a madrinha.

Na volta do cemitério, ela não encurtou os passos para andar de mãos dadas com o afilhado, como fazia a mãe dele. Ofegante. o menino alcançou Rita, mas o esforço foi um desperdício. Sua mão ficou balançando a procura dos dedos da madrinha.

▬  Ainda hoje sinto no braço a sensação do vazio, da procura inútil lamentou Chico, 65 anos depois, já conformado. Foi minha educadora. Se a dor ensina, Rita de Cássia foi mesmo uma professora exemplar. Chico Xavier recebeu aulas diárias durante os dois anos em que morou com ela e o marido, o comerciante José Felizardo Sobrinho, sempre ausente. Logo nos primeiros dias, enfrentou o primeiro teste. Bastou uma ida ao banheiro para encontrar, na volta, a cama ensopada de urina.

A madrinha perguntou o que tinha acontecido. Chico, sem culpa no cartório e com a cabeça cheia de sermões católicos, nem titubeou. Jogou a culpa no diabo. A surra foi demorada. Ele nem imaginava, mas o responsável pela sujeira tinha sido seu vizinho de cama, Moacir, de doze anos, sobrinho tratado como filho por Rita. O garoto tinha derramado um penico sobre o lençol.

Chico apanhava e queria rezar. Aos cinco anos, já sabia o pai-nosso de cor. Foi criado em meio a preces. Quando ele tinha dois anos, Maria João de Deus já apontava o céu estrelado e dizia:
▬  Foi Deus quem fez tudo isso.

Às vezes, exibia um retrato de Jesus e alertava:
▬  A maior ofensa que podemos fazer à nossa consciência é negar a existência de Deus.

A mãe reunia os filhos para a oração da noite, confessava aos sábados, comungava aos domingos. Na casa da madrinha, as rezas eram raras e as surras, fartas. Numa delas, Rita se empolgou e enfiou com força demais o garfo na barriga do afilhado.


Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:34


A ferida demorou a cicatrizar e, para evitar o atrito da pele com a roupa, a madrinha obrigou o menino a usar uma espécie de camisola conhecida como mandrião, vestida por meninas e confeccionada com tecido de ensacar farinha. Para piorar, o pano ainda tinha listras azuis. Os vizinhos se divertiram com a fantasia. Nos anos 50, foi apontado por alguns amigos como o precursor da moda saco, um sucesso na época.

O menino não conseguia achar graça. Chorava muito e só tinha sossego quando a madrinha tomava o rumo da estação para ver o trem de luxo passar. Ela adorava admirar os passageiros da primeira classe. Tão chiques, tão belle époque. Numa das escapadelas de Rita, Chico correu para o quintal e se ajoelhou embaixo de uma bananeira. Repetia o pai-nosso quando, de repente, viu na sua frente Maria João de Deus. Até que enfim. Ela cumpriu o prometido. Adeus surras e garfos. Chico se agarrou à recém-chegada e pediu socorro.

▬  Carregue-me com a senhora, não me deixe aqui, eu estou apanhando muito. A aparição desfez as ilusões do desesperado.
▬  Tenha paciência. Quem não sofre não aprende a lutar. Se você parar de reclamar e tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos. Em seguida, evaporou. Chico ficou ali, no quintal, sozinho, gritando pela mãe.

Daquele dia em diante, apanhou calado, sem chorar, para desespero da madrinha, que adotou um novo grito de guerra:
▬  Além de louco, é cínico.

O menino se defendia da acusação com um argumento absurdo. Toda vez que suportava as surras em silêncio, com paciência, via sua mãe. A vara de marmelo zunia, Chico engolia o choro e depois se refugiava no quintal para ouvir os surrados conselhos maternos: era preciso sofrer resignado, era fundamental obedecer sempre, porque logo um anjo bom apareceria para ajudá-lo. O menino ficava esperando.

Numa tarde, a "educadora" Rita de Cássia brindou o aluno com uma prova surpresa. Moacir, primo de Chico, apareceu com uma ferida na perna esquerda. Fleming ainda não tinha descoberto a penicilina e o machucado não cicatrizava. A madrinha, preocupada com o sobrinho, mandou chamar dona Ana Batista, uma benzedeira de Matuto, hoje Santo Antônio da Barra, cidade vizinha de Pedro Leopoldo.

A curandeira examinou o ferimento e aviou a receita. Só uma simpatia daria jeito. Uma criança deve lamber a ferida três sextas-feiras seguidas, pela manhã, em jejum.

▬  Chico serve? perguntou a madrinha.

O garoto ficou em pânico. Correu para debaixo das bananeiras e ouviu o repetido conselho materno:
▬  Você deve obedecer. Mais vale lamber feridas que aborrecer os outros. Você é uma criança e não deve contrariar sua madrinha.

▬  E isso vai curar o Moacir?
▬  Não, porque não é remédio. Mas dará bom resultado para você, porque a obediência acalmará sua madrinha.

Chico perdeu a paciência.
▬  Por que sua mãe não voltava para casa?
▬  Onde estava o tal anjo bom?

A aparição acalmou o menino:
▬  Seja humilde. Se você lamber a ferida, faremos o remédio para curá-la.

No dia seguinte, pela manhã e em jejum, Chico iniciou a missão. Fechava os olhos, pedia forças à mãe e lambia a perna do garoto. O gosto era amargo e ele só queria ter a língua maior para acabar logo com o suplício. Na terceira sexta-feira, o ferimento estava cicatrizado.

Pela primeira vez, Rita de Cássia elogiou o afilhado:
▬  Muito bem, Chico. Você obedeceu direitinho. Louvado seja Deus.

O menino não sabia, mas passaria a vida lambendo feridas alheias. As aulas na casa de Rita de Cássia terminaram dois meses depois, quando João Cândido Xavier se casou com Cidália Batista.

A primeira medida da mulher foi recolher os nove filhos do primeiro casamento do marido, dispersos pelas casas de parentes e amigos. Chico chegou por último. Quando apareceu, enfiado num camisolão, foi recebido com curiosidade por Cidália. Ela reparou na barriga inchada do menino e tentou levantar sua roupa para examinar o abdômen. Não conseguiu.

Chico, então com sete anos, se desvencilhou, tímido. Havia gente demais em volta. Cidália o pegou pela mão e o tirou da sala, a passos lentos, no ritmo de Maria João de Deus. A sós, a mulher de João Cândido levantou o camisolão do garoto e levou um susto ao deparar com a ferida aberta a garfadas.

▬  Enquanto eu viver, ninguém mais vai pôr as mãos em você.
Diante da promessa, Chico teve certeza:
▬  Aquele era o tal anjo anunciado pela mãe.

Após reunir as crianças, Cidália decidiu colocá-las no colégio. Não seria nada fácil, O salário mal dava para o indispensável. Como comprar caderno, lápis, livros? Pediu a ajuda de Chico. Plantaria uma horta, e ele venderia os legumes. O menino abriu um sorriso e arregaçou as mangas. Sempre descalço, carregou baldes com água, encheu balaios com esterco colhido no campo e, em poucas semanas, já percorria as ruas da cidade com um cesto de verduras a tiracolo. Cada maço de couve ou cada repolho valia um tostão. Até dezembro de 1918, de tostão em tostão, eles conseguiram juntar 32 mil-réis. Em janeiro, Chico já estava matriculado no Grupo Escolar São José.
 
Mas as alucinações persistiam. O menino se levantava da cama no meio da noite, batia papo com fantasmas e, muitas vezes, estragava o café da manhã do pai com notícias de parentes mortos e descrições de viagens por cenários fantásticos. Cidália escutava, não entendia, mas jurava acreditar no garoto.

▬  Um dia, quem sabe, vai aparecer alguém que entenda você e explique suas visões e as vozes que você escuta Mas ela estava preocupada. O menino deveria poupar o pai de suas histórias. Para ele, o filho estava mesmo endemoniado. Talvez Deus desse um jeito. João Cândido levou o "aluado" até o padre Sebastião Scarzello.

O menino ajoelhou-se no confessionário e desfiou seu rosário de histórias mirabolantes. Nas missas, pela manhã, figuras reluzentes transformavam as hóstias em focos de luz e defuntos conhecidos de Pedro Leopoldo reapareciam com rosas nas mãos. Contra delírios tão estapafúrdios, só mesmo uma saraivada de rezas, uma série
de novenas pelo descanso dos mortos e muito trabalho.

Foi o padre Scarzello quem livrou o menino do risco de ser internado como louco. A salvação não veio com as mil ave- marias ou com as pedras equilibradas na cabeça por Chico durante as procissões.

Veio com o salário:

A fábrica de tecidos estava empregando crianças para o turno da noite e o padre aconselhou Chico a se candidatar à vaga. Só assim o pai tiraria aquela idéia da cabeça. Melhor um filho com dinheiro para ajudar em casa do que um maluco hospitalizado. Com nove anos, Chico começou a trabalhar como tecelão. Entrava às 3h da tarde, saía à 1h da manhã, dormia até as 6h, ia para a escola, saía às 11h, almoçava, dormia uma hora depois do almoço, entrava de novo na fábrica. Nem parecia aquele menino mal-assombrado.

Era só fachada. Depois do trabalho, corria para o quintal. Ia conversar com Cidália, sempre debruçada sobre a roupa suja no tanque. Nesses encontros, ele costumava enxergar, próximas ao varal, figuras cobertas com mantos coloridos. Perguntava à segunda mãe quem era aquela gente e ficava sem resposta. Um dia, o garoto arriscou uma tese, baseado na profusão de azuis, vermelhos, verdes e amarelos.

▬  Acho que eles moram no arco-íris.
Cidália desconversava:
▬  Sou muito ignorante, mas acredito em você. Só não entendo direito. O padre Scarzello decidiu ser mais rigoroso e aconselhou o pai a afastar Chico da má influência dos livros, revistas e jornais. João fez uma fogueira com as páginas proibidas. Inconformado com o pai e o padre, Chico recorreu à mãe invisível.

▬  Eles estão contra mim. Acham que estou perturbado.
▬  Ouviu mais um conselho filho:
▬  Aprenda a calar-se. Quando se lembrar, por exemplo, de alguma lição ou experiência recebida em sonho, fique em silêncio. Mais tarde talvez você possa falar.

Chico calou-se. Restringiu seus desabafos à confissão. Azar dele. O padre Scarzello decidiu, a pedido do pai do menino, ter uma conversa mais dura com o garoto. E renegou os pretensos bate-papos entre Chico e a mãe.

▬  Ninguém volta a conversar depois da morte. O demônio procura perturbar-lhe o caminho.
▬  Mas, padre, foi minha mãe quem veio.
▬  Foi o demônio.

À noite, depois de muito choro, Chico sonhou que encontrava Maria João de Deus. Foi a segunda despedida deles. A mãe lhe cobrou obediência a João Cândido e ao padre, pediu que não brigasse por sua causa e avisou que sumiria de vista. Chico acordou sacudido por soluços e enxugou os olhos, resignado. Só a veria de novo sete anos depois.


Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:38


Na escola, fatos estranhos aconteciam. Muitas vezes, o menino sentia mãos inexistentes sobre as suas, guiando seus movimentos. Os colegas se chateavam com as visões do filho de João Cândido e, durante o recreio, tentavam colocar, a socos e pontapés, um pouco de juízo naquela cabeça dura. Intimidado, Chico abriu mão do descanso entre as aulas.

Em 1922, o país comemorava o centenário da Independência. O governo de Minas instituiu vários prêmios de redação para alunos da quarta série primária. Chico estava prestes a começar o texto quando viu um homem a seu lado ditando o que ele deveria escrever.

Perguntou ao companheiro de banco se ele estava vendo algo. O colega negou. Chico pediu licença à professora, Rosária Laranjeira, uma católica fervorosa, aproximou-se do estrado onde ela ficava e lhe contou o que estava acontecendo.

▬  O que o homem está mandando você escrever?

Chico repetiu a frase:
▬  O Brasil, descoberto por Pedro Álvares Cabral, pode ser comparado ao mais precioso diamante do mundo, que logo passou a ser engastado na coroa portuguesa...

Dona Rosária disse que não era nada normal que ele visse pessoas que ninguém via, garantiu que ele deveria estar ouvindo a si mesmo e mandou-o de volta à carteira. Não importava se o texto fosse ditado ou não por algum homem invisível. O importante era concluí-lo.

Algumas semanas depois, a Secretaria de Educação de Minas divulgou os resultados do concurso, disputado por milhares de estudantes. Chico Xavier, de Pedro Leopoldo, recebeu menção honrosa. A turma ficou dividida, Colegas espalharam o boato de que o garoto tinha copiado o trecho premiado de um livro qualquer. Outros, a minoria, apostaram nos dons, mediúnicos ou literários, do amigo. Os grupos se formaram e alguém, na sala, lançou o desafio.

▬  Se o texto dele foi ditado por alguma pessoa do outro mundo, por que esse homem não reaparecia para escrever sobre algum assunto proposto pelos colegas?

No exato momento do desafio, Chico viu a assombração pronta para escrever e comunicou o fato à professora. Ela resistiu à idéia, mas a pressão dos colegas foi mais forte. Enquanto Chico caminhava até o quadro-negro, uma das alunas, Oscarlina Lerroy, propôs o assunto: areia.

▬  Tenho carregado muita areia para ajudar meu pai numa construção.

As gargalhadas ecoaram na sala. O tema era insignificante, ridículo. Chico pegou o giz. Silêncio absoluto. Palavras inusitadas se arrastaram pelo quadro-negro:
 
▬  "Meus filhos, ninguém escarneça da criação. O grão de areia é quase nada, mas parece uma estrela pequenina refletindo o sol de Deus". Após o espetáculo, dona Rosária proibiu qualquer comentário na sala de aula sobre pessoas invisíveis.

Chico concluiu o primário em 1923, após repetir a quarta série. A repetência não foi provocada por falta de estudo, mas de saúde. O menino enfrentava problemas respiratórios. Seu pulmão sofria com a poeira do algodão na fábrica de tecidos. A professora se apegou tanto a ele que, quando foi transferida para Belo Horizonte, pediu a João Cândido para levar o garoto com ela. O pai não autorizou. Precisava do salário de Chico.

No ano seguinte, por recomendação médica, o garoto trocou a tecelagem pelo Bar do Dove, de Claudomiro Rocha. Varria o chão, lavava a louça, cozinhava e continuava mal-assombrado. Quando já tinha quinze anos, pediu socorro ao padre Scarzello. Em meio a uma crise de choro, Chico se queixou do assédio incessante de um espírito sofredor.

O padre, impressionado com a devoção do rapaz a Jesus, lhe disse para não se desesperar com as vozes e visões. Se elas vieram da parte de Deus, ele irá te abençoar e te dar forças para fazer o que deve ser feito. Após o discurso, saiu com o garoto da igreja e lhe comprou um par de sapatos. Chico deixou de andar descalço.

O salário do Bar do Dove era miserável e, depois de dois anos de dificuldades, o garoto se mudou para o armazém de José Felizardo Sobrinho, o ex-marido de Rita de Cássia, já morta e substituída por Júlia Antônia de Carvalho. Com um facão afiado na mão, o garoto estava sempre pronto a cortar toucinho para o freguês e ficava feliz da vida quando o patrão vendia fiado.

Atrás do balcão, pesava o arroz, cortava a lingüiça, arrumava as prateleiras. Atendia a todos, paciente, das 6h30 da manhã às 8h da noite. No final do mês, recebia 13 mil-réis. Uma ninharia. Mas não reclamava. Seu único drama era vender cachaça. O sujeito bebia e Chico tinha que carregar. Nessa época, ele fez amizade com a nova mulher de Felizardo. Bordava com ela e ensaiava, a seu lado, pinceladas sobre panos presos a arcos de madeira.

▬  Namoradas?
▬  Nenhuma.

Só se permitia arroubos apaixonados por encomenda, quando, a pedido dos amigos, escrevia cartas de amor às namoradas deles. O rapaz era esquisito mesmo. Comungava, confessava, ia à missa, acompanhava procissões e trabalhava muito. Além do normal.

Em 1927, uma das irmãs de Chico, Maria Xavier, ficou doente. Delirava, arregalava os olhos, se contorcia, suava frio, urrava impropérios. Médico nenhum deu jeito. A situação era tão dramática que João Cândido decidiu passar por cima do padre e apelar para um casal de amigos espíritas. Foi até a Fazenda de Maquiné, em Curvelo, a cem quilômetros de Pedro Leopoldo, e voltou de lá com José Hermínio Perácio e sua mulher Carmem.

Pela manhã, em 7 de maio de 1927, o casal atacou com passes e rezas a doença: um "espírito obsessor". Chico acompanhou o ritual e participou, assim, de sua primeira experiência no espiritismo. Nesse dia, recebeu de José Hermínio Perácio explicações sobre os fantasmas que o cercavam desde menino, foi apresentado ao Evangelho Segundo o Espiritismo e ao O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e conheceu uma palavra-chave: mediunidade.

O médium seria um intérprete dos espíritos na Terra.

A irmã melhorou e, no dia seguinte, embarcou com José Hermínio e Carmem para a fazenda deles. Precisava de tratamento prolongado. Na mesma semana, Chico voltou à igreja. Mas apenas para se despedir do padre. Mais uma vez, se ajoelhou no confessionário e contou tudo: o tratamento da irmã, sua melhora, a sessão de passes, as idéias de Kardec, sua intenção de se dedicar à mediunidade. Scarzello disse que não conhecia o espiritismo e, por isso, não podia julgar. Sabia apenas que a Igreja rejeitava o espiritismo e que Chico era jovem demais para assumir compromissos e tomar decisões.

O rapaz estava irredutível e o padre ficou em silêncio. Chico não queria deixar o ex-confessor contrariado e pediu a ele sua mão. O padre estendeu a mão direita. Depois de beijá-la, o ex-católico fez mais um pedido. Queria ser abençoado. Scarzello atendeu. Seja feliz, meu filho. Rogarei à Mãe Santíssima para que te abençoe e proteja. Chico levantou-se e saiu. Quando chegou à porta, olhou para trás. O padre o acompanhava com os olhos e sorria. Nunca mais se viram.

No dia 21 de junho de 1927, Chico já ajudava na fundação do primeiro centro espírita da cidade, num barracão onde morava o irmão dele, José Xavier. O dono da casa assumiu a presidência, Chico ficou como secretário e seu patrão, José Felizardo, virou tesoureiro. Faltava o nome do centro. Todos pensaram, pensaram e decidiram: Luiz Gonzaga.

Uma homenagem ao aviador Charles Lindbergh, que tinha atravessado o oceano Atlântico, sem escalas, a bordo de seu avião, o Spirit ofSt. Louis. Ninguém ali sabia, mas o piloto quis homenagear, com o nome da aeronave, o rei da França e não São Luiz Gonzaga. De qualquer forma, o batismo do centro não foi tão despropositado assim. O monarca francês tinha protegido Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita, no século passado e, portanto, merecia algum respeito.

Em julho, menos de três meses após a primeira sessão de rezas e passes, a irmã de Chico voltou para casa sã e salva. Na noite do dia 8 de julho, todos se reuniram para agradecer a cura. Carmem Perácio, que acompanhou Maria Xavier até Pedro Leopoldo, participou da sessão e ouviu uma voz aconselhando Chico a tomar o lápis.

Ele obedeceu e, de repente, se sentiu fora de seu corpo. As paredes desapareceram, o telhado se desfez e, no lugar do teto, ele viu estrelas. Olhando em volta, notou uma assembléia de "entidades" que o fitavam. Para ele, eram os habitantes do arco-íris.

Naquela noite, Chico preencheu dezessete páginas. Sem rasuras, sem borracha, em velocidade. Quem assinou foi um "amigo espiritual". Quando o rapaz pôs o ponto final tinha as pernas trêmulas e o coração acelerado. Dois dias depois, Carmem e o marido convidaram Chico a passar uns dias na fazenda. Eles rezavam quando Carmem, mais uma vez, ouviu uma voz suave.

Era um tal de Emmanuel, "amigo espiritual" de Chico. Depois do som, veio a imagem. Um jovem imponente, com vestes sacerdotais e aura brilhante.
▬  Irmã, fale ao Chico para ele tomar papel e lápis.

Chico Xavier não viu nem ouviu nada. Buscaram o material, ele segurou o lápis e as frases começaram a se espalhar pelas páginas. No texto, referências ao tratamento da irmã, detalhes sobre a vida dos irmãos e um recado pessoal:

▬  "Eis que nos achamos juntos novamente. Os livros à nossa frente (O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos) são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra seus deveres e, em breve, a bondade divina nos permitirá mostrar a você seus novos caminhos". A assinatura não era de Emmanuel, mas de Maria João de Deus.


Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:40

Após sete anos de ausência, ela dava novos sinais. No fim daquele ano, havia muitos candidatos à mediunidade no Centro Luiz Gonzaga. Uns queriam receber recados do além, outros estavam loucos para incorporar espíritos. O entusiasmo era contagiante quando, em outubro, desembarcaram em Pedro Leopoldo quatro moças ensandecidas, todas filhas de Rita Silva.Vinham da região de Pirapora.

A mãe estava desesperada. E não era para menos: o quarteto se mordia, se debatia, gritava. Uma das vítimas precisou ser acorrentada para chegar até ali inteira. Chico, mais uma vez, lançou sobre o papel mensagem assinada por Maria João de Deus:
▬  "Meus amigos, temos desejado o trabalho e o trabalho nos foi enviado por Jesus.Nossas irmãs doentes devem ser amparadas aqui no centro. A fraternidade é a luz do espiritismo. Procuremos servir com Jesus".

Era uma noite de segunda-feira. Quando chegou a reunião de sexta, sobraram na sala José, Chico e as loucas. Mais ninguém. Eles rezaram, rezaram, leram o Evangelho, tentaram conversar com os "obsessores", ou melhor, com as assombrações responsáveis pelos tormentos das coitadas, e nada. O tratamento seria longo.

Numa das noites, a situação piorou. José teria que viajar a serviço, era seleiro, e para não deixar Chico sozinho com as moças "obsediadas", pediu ajuda a um recém-chegado, o Manuel. Segundo os vizinhos, ele era capaz de acalmar os espíritos das trevas. O forasteiro aceitou o convite e, na hora combinada, apareceu no Centro Espírita Luiz Gonzaga armado com uma Bíblia puída.

A sessão começou pacífica. Como sempre, depois das preces, Chico emprestou seu corpo aos habitantes do além. Primeiro, veio um "espírito amigo" para orientar Manuel:
▬  Quando o perseguidor se apossar do médium, aplique o Evangelho com veemência.

Não demorou muito e um novo visitante do outro mundo apareceu. Estava descontrolado. Manuel nem pensou duas vezes. Tomou a Bíblia e bateu com ela muitas vezes sobre a cabeça de Chico, gritando, irritado:
▬  Pois tome Evangelho, tome Evangelho.

O tal espírito perseguidor desapareceu, a sessão foi encerrada e Chico sofreu violenta torção no pescoço. Mais tarde, ele se divertiria com a história, certo de que foi uma das poucas pessoas no mundo a levar surra de Bíblia. Só com muito custo, após muita reza, as quatro irmãs voltaram para casa sem a companhia de assombrações.

As histórias se espalhavam, viravam lenda. De Belo Horizonte, começavam a aparecer curiosos. Um deles, em um carro novo em folha, estacionou perto de Chico e perguntou ao rapazola de calças curtas onde morava o tal Chico Xavier. O rapaz ficou sem graça. Teria que decepcionar o forasteiro.
▬  Sou eu. O visitante encarou os sapatos puídos e enlameados do rapaz, engatou a primeira e acelerou após se despedir:
▬  Se você não arrumou nem pra você, imagine pra mim.

No final do ano, em 29 de outubro de 1928, o Centro Espírita Luiz Gonzaga mudou de endereço: saiu do barracão de José Xavier e se espalhou por uma sala alugada na casa de José Felizardo Sobrinho. Ganhou até um novo estatuto. Quem assinou a "ata de installação" foi o secretário Francisco Xavier:

"Aos vinte e nove de outubro de mil novecentos e vinte e oito, às oito horas da noite, foi reorganizado o Centro Espírita Luiz Gonzaga. Ficou decidido entre todos os presentes que ficasse estabelecida a mensalidade de um mil-réis e que fosse alugado a vinte mil-réis mensais o salão da residência do senhor José Felizardo Sobrinho para que aí fique installada a sede interina da associação...

A programação no centro seria intensa. Às segundas, quartas e sextas-feiras, sessões públicas de estudo e divulgação da doutrina "espírita-scientifica-cristã". Às quintas, sessões privadas e de caridade. "Para todos os efeitos, firmo a presente ata que assino".

Menos de três meses depois, em 18 de janeiro de 1929, uma sexta-feira, Carmem Perácio viu cair do teto, após a sessão evangélica, uma chuva de livros sobre a cabeça de Chico. Contou a visão ao rapaz e ele tratou de dispensar o presente dos céus.

▬  Não mereço que os espíritos me tragam lírios.

Não entendeu direito. Mais uma vez, não viu nem ouviu nada. Logo ele começou a cobrir páginas e páginas com poemas. Alguns ele assumia como seus. Como o dedicado ao amigo José Tosta, logo após a morte dele, em 27
de abril de 1929.

A primeira estrofe estava longe de ser divina: "Companheiro que à Pátria regressaste/ entre auréolas de luzes majestosas/ a levar tantas flores perfumosas/ a Jesus, tanto amor, que tanto amaste". Nessa época, ele ainda era o "poeta espírita que desabrocha em Pedro Leopoldo", como definiu Pereira Guedes, um dos divulgadores do espiritismo que o ajudaram a se lançar.

Os melhores poemas escritos por Chico eram obras sem dono. O poeta negava a autoria dos versos. Eles apareciam quando o rapaz, aflito, sentia uma pressão na cabeça como se um cinto de chumbo comprimisse seu cérebro - e um peso no braço direito, como se ele se transformasse numa barra de ferro e fosse arrastado por forças poderosas. Os textos se acumulavam anônimos e repetiam a mesma cartilha: amor, compreensão, tolerância. Os companheiros do centro liam a papelada e sugeriam a publicação.

Só havia um problema.
▬  Quem assinaria as obras? Chico consultou o irmão, José Cândido, e eles decidiram pedir conselhos ao diretor do jornal espírita carioca Aurora, Inácio Bittencourt. O jornalista convenceu o rapaz de Pedro Leopoldo a colocar seu nome embaixo dos poemas. "F. Xavier" começou a aparecer em várias publicações com o consentimento dos escritores invisíveis.

Chico nunca se esqueceu de como o soneto "Nossa Senhora da Amargura" chegou às suas mãos e se espalhou pelo papel. Uma noite, ele rezava quando viu aproximar-se uma jovem reluzente. Pediu papel e lápis e começou a escrever. A aparição chorava tanto que Chico começou a se debulhar em lágrimas também. No final das contas, ele já não sabia se os seus olhos eram os dela ou vice-versa.

Muito mais tarde identificaria a dona daquelas pupilas: a poeta Auta de Souza, do Rio Grande do Norte, que morreu em 1901, com 24 anos. Na época, ele assinou embaixo F. Xavier - e se sentiu culpado quando recebeu de um crítico português uma carta recheada de pontos de exclamação e adjetivos entusiasmados. Recebi elogios por um trabalho que não me pertencia.

Em 1931, Chico já não sentia a pressão alucinada na cabeça nem o enrijecimento doloroso no braço. Tinha aprendido a se entregar, a não criar resistência. Às vezes, um volume imaterial aparecia diante de seus olhos e era dali, daquelas páginas invisíveis, que Chico copiava os textos do outro mundo.

Em outras ocasiões, escrevia como se alguém lhe ditasse as mensagens e, enquanto colocava as palavras no papel, experimentava no braço a sensação de fluidos elétricos e, no cérebro, vibrações indefiníveis. De vez em quando, esse estado atingia o auge e Chico perdia a sensação do próprio corpo. Sem medo, já podia ser o instrumento passivo dos mortos-vivos.

▬  Um feiticeiro.
▬  Um maluco incapaz de separar o sonho da realidade.

Os rumores persistiam na cidade. Um padre de Belo Horizonte fez um discurso inflamado na igreja de Pedro Leopoldo contra o espiritismo e encerrou o sermão mandando Chico Xavier para o inferno. O rapaz, impressionado, correu para o colo invisível da mãe, contou seu drama e ouviu dela o muxoxo:

▬  E daí?
▬  Ele te mandou para o inferno, mas você não vai. Fique na Terra mesmo.

Poucas semanas depois, um intelectual, também de Minas, desembarcou na cidade. Chico vestiu sua melhor roupa e, com a pasta de poemas debaixo do braço, foi levado por um amigo até o forasteiro. O literato passou os olhos pelos versos, classificou tudo como "bobagem" e, com os olhos fixos no autor, encheu a boca:

▬  Este rapaz é uma besta.

O amigo de Chico defendeu a inteligência dele, sua dedicação aos espíritos, seu cuidado com os poemas vindos do outro mundo. O intelectual reviu seu julgamento.

▬  É uma besteira espírita.

Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:43


Chico, inconformado, buscou abrigo, mais uma vez, sob as saias de Maria João de Deus.
▬  Viu como eu fui insultado?

Ouviu mais um muxoxo materno:
▬  Não vejo insulto algum. Acho até que você foi muito honrado. Uma besta é um animal de trabalho. E é valioso e útil, a serviço do espiritismo, quando não dá coices.

Preocupado com a própria "rebeldia" e em estado de depressão, Chico teve mais uma visão. Um burro teimoso atrelado a uma carroça carregada de documentos puxava a carga e encarava com inveja os companheiros livres no pasto. De vez em quando, enquanto era alimentado com água e alfafa, assistia, de longe, às brigas violentas entre os colegas. Uma sucessão de coices sanguinolentos.

Chico olhou aquele burro e pensou: talvez fosse melhor estar sob freios do que estar solto no pasto da vida para escoicear e ser escoiceado.
▬  Aprendi a lição. Disse ele, pronto para receber os arreios.

Chico já estava cansado. Trabalhava, lutava no centro, fazia caridade, escrevia quase por compulsão e continuava desacreditado. Ele reclamava dos incrédulos, se queixava dos comentários envenenados e se entregava à reza. Após uma das várias orações, Maria João de Deus voltou à cena e, em vez de um conselho, sugeriu um remédio.

▬  Meu filho, para curar essas inquietações, você deve usar água da paz. Chico saiu à procura do remédio em todas as farmácias de Pedro Leopoldo. Nada. Recorreu a Belo Horizonte. Nada de novo. Ao fim de duas semanas, comunicou à mãe o fracasso da busca.

A aparição ensinou:
▬  Não precisava viajar. Você poderá obter o remédio em casa mesmo. Pode ser a água do pote.

▬  Como assim?
▬  Quando alguém lhe fizer provocações, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca. Não a lance fora nem a engula. Enquanto persistir a tentação de responder, guarde a água da paz banhando a língua. Chico engoliu a lição do silêncio. E digeriu. Nessa noite, sentiu o braço movido por alguém. Tomou o lápis e despejou os versos:

"Meu amigo, se desejas: paz crescente e guerra pouca, ajuda sem reclamar e aprende a calar a boca". Dessa vez, o recado veio com assinatura: Casimiro Cunha, poeta de Vassouras, morto em 1914. As visitas do outro mundo começaram a se identificar a partir de 1931.

Uma tarde, Chico regava os canteiros de alho na horta de José Felizardo, quando uma voz lhe pediu que ouvisse com atenção um poema inédito: "Vozes de uma Sombra". O dono da voz e dos versos se anunciou como Augusto dos Anjos. A voz pedia toda a atenção. Precisava recitar os versos naquele momento, durante o entardecer, e naquele cenário. Tudo o inspirava.

Chico deveria ouvir as palavras, familiarizar-se com elas e decifrá-las para mais tarde colocar as rimas no papel sem dificuldade. Corpos multiformes, vultoso abdômen, intensas torpitudes, larvas rudes, animáculo medonho, fótons, galáxias. O rapaz tropeçava nas sílabas e nos significados daquele palavrório. E, com o regador a tiracolo, parecia um imenso ponto de interrogação. O poeta invisível perdeu a paciência com a dificuldade do matuto de Pedro Leopoldo em entender os versos e entregou-se a Deus:

▬  Quer saber de uma coisa? Vou escrever o que puder, pois sua cabeça não agüenta mesmo. O poema foi destaque do primeiro livro publicado por Chico Xavier, Parnaso de Além-Túmulo, ao lado de outros 56 atribuídos a catorze poetas, todos enterrados. Para não se perder em meio às palavras desconhecidas, Chico costumava recorrer ao dicionário. Só assim descobria o sentido de algumas delas e corrigia a ortografia de outras.

Os poemas saíam de sua mão acompanhados de assinaturas inacreditáveis: Castro Alves, Alphonsus de Guimarães, Olavo Bilac. Até Dom Pedro ii tomou coragem e arriscou versos sobre um Brasil "triste e saudoso", que rimava com "bonançoso", e sobre uma "alma torturada", que combinava com "pátria idolatrada". Chico aproveitava cada minuto livre para escrever. E, no início, quando a eletricidade nem tinha chegado a Pedro Leopoldo, era surpreendido por acidentes estranhos.

Enquanto prestava atenção aos ditados do além ou sentia as mãos guiadas à revelia, ventos súbitos lançavam velas acesas sobre as mensagens e derrubavam o tinteiro sobre o papel. O rapaz encarava os obstáculos como provação e seguia adiante.  A notícia de suas estripulias lítero-espirituais começou a correr. Por essa época, Chico estava no enterro de um amigo, quando um jovem padre se aproximou e perguntou se era verdade que ele recebia mensagens do outro mundo. Chico confirmou. E o padre aconselhou cautela.

▬  Os espíritos das trevas têm muita astúcia para seduzir para o mal.
▬  Mas os espíritos que se comunicam através de mim só ensinam o bem. Diante da resposta, o padre lançou o desafio. Puxou um papel em branco do bolso e perguntou se ali, naquele momento, no cemitério, haveria um espírito disposto a se manifestar.

Chico, sem hesitar, pegou o papel, se concentrou e, minutos depois, escreveu um soneto intitulado "Adeus". A primeira das quatro estrofes: "O sino plange em terna suavidade/no ambiente balsâmico da igreja/ entre as naves, no altar, em tudo adeja/o perfume dos goivos da saudade". Assinado: Auta de Souza.


Título: Re: CHICO E SEUS AMIGOS
Enviado por: Marianna em 11 de Dezembro de 2010, 16:45

Numa noite de 1931, quando escrevia mais um dos poemas de seu livro de estréia, Chico sentiu o olho esquerdo invadido por fragmentos de areia. Esfregou os grãos imaginários, mas a coceira continuou. Experimentou fixar a lâmpada com a pupila incomodada, mas em vez da luz acesa viu um foco difuso. Mal conseguia enxergar os versos recém-escritos e assinados por Casimiro de Abreu. O rapaz ficou assustado e rezou mais uma vez.

O Dr. Bezerra apareceu para ele, tateou o olho e diagnosticou:

▬ Sua vista amoleceu por razões que não podemos saber agora. Prepare-se para ir a tratamento em Belo Horizonte, para que sua família não diga que você ficou sem se tratar por nossa causa. Dois dias depois, um amigo o levou à capital mineira e um oftalmologista diagnosticou:

▬ Isso é um tipo de catarata obscura e inoperável.

Chico nunca mais se livrou dos grãos de areia e ficou desconfiado de ter sido atacado por "falanges das trevas" interessadas em prejudicar sua tarefa mediúnica. Desde então, todos os dias, ele medicaria o olho doente com colírios à base de cortisona e cloranfenicol.

Na época em que sofria com os primeiros sintomas da catarata, Chico recebeu mais um pedido de socorro no Centro Luiz Gonzaga: um cego, guiado por um bêbado, tinha despencado de uma altura de quatro metros. Desmaiado e ensangüentado, já estava há horas embaixo de um viaduto da cidade.

O rapaz correu para ajudar. Alugou um quarto num velho pardieiro para o homem e conseguiu um médico de graça. Mas o doente precisava de companhia durante o dia, enquanto Chico trabalhava no bar de José Felizardo.

O caixeiro publicou um anúncio no jornal semanal da cidade pedindo socorro. Seis dias depois, duas moças apareceram dispostas a ajudar o enfermo durante o dia. Trabalhavam à noite: eram prostitutas. A recuperação do doente durou um mês.

Após acompanhar as rezas de Chico, as duas decidiram mudar de vida. Foram para Belo Horizonte. Uma se empregou numa tinturaria, a outra tornou-se enfermeira. Foi o primeiro de uma série de encontros entre Chico e as "nossas irmãs que comercializam a força sexual", segundo um dos eufemismos usados por ele.

Meses depois, um amigo de seu pai o convidou para dar um passeio à noite e o levou ao bordel. Chico não se apavorou nem se inibiu. Perguntou o porquê daquele programa. O acompanhante confessou: estava atendendo a um pedido do pai de Chico, preocupado com a virgindade tardia do filho. O rapaz perdeu a paciência e, rispidamente, disse que se quisesse ir até ali não precisaria de guia.

Ao entrar no salão, ele foi reconhecido.

▬ Vejam quem está aqui... Vamos fazer uma prece juntos. As mulheres não estavam brincando. De repente, o bordel virou um centro espírita improvisado. Preces, passes, "uma grande alegria cristã", segundo Chico. "Uma chatice", segundo quatro candidatos a uma noitada nada católica. O rapaz saiu de lá intato.

O ano de 1931 foi movimentado para Chico. E triste. Cidália morreu em março. Pouco antes de ir embora, chamou o enteado e fez um pedido:

▬  Ele deveria evitar que João Cândido se desfizesse, novamente, dos filhos - seis dela e nove do primeiro casamento.

▬  Ah, mãe, fique despreocupada. Eu prometo que, enquanto minha última irmã não estiver casada, minha missão no lar não terá acabado.

Depois da promessa, o apelo. Não vá embora, não.

▬ Com quem vou conversar sobre minhas visões?
▬ Quem vai acreditar em mim?

Num último esforço, Cidália o consolou. Tenho fé de que você ainda há de encontrar aquelas pessoas do arco-íris e elas vão te entender mais do que eu. Chico se sentia sozinho apesar das visitas esporádicas da mãe e das sessões no Centro Luiz Gonzaga.

Para escapar do coro dos céticos, ele arrastava os pés pelas ruas de terra do arraial e, com os sapatos sempre frouxos, tomava o rumo do açude. Aquele era seu refúgio. Ali, ele se encolhia à sombra de uma árvore, na beira da represa, encarava o céu e rezava ao som das águas.

MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 13 de Dezembro de 2010, 16:39
(http://alemdaterra.blog.terra.com.br/files/2008/12/flor115.jpg)


O Dom de Ajudar

Quem conquistou o dom de ajudar,
sem pedir remuneração,
penetrou o caminho de acesso
efetivo à Espiritualidade Superior.

Alberto Seabra/Chico Xavier
do livro "Falando à Terra".

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 13 de Dezembro de 2010, 16:50
(http://jizel.files.wordpress.com/2010/03/capturas-de-tela7.jpg?w=500&h=353)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 13 de Dezembro de 2010, 17:02
(http://jizel.files.wordpress.com/2009/11/chico_xavie2r1.jpg?w=500&h=555)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 14 de Dezembro de 2010, 01:40
(http://1.bp.blogspot.com/_Mrt7Jz7WZCg/S6eq2EUr0EI/AAAAAAAAAIU/B0dKEyBZxho/s1600/RIE%2BMAR%C3%87O.jpg)

Ajuda-te hoje...

Sim, nas leis da reencarnação, quase todos nós, os filhos da Terra, temos o passado a resgatar, o presente a viver e o futuro a construir.
Lembremo-nos, assim, de que, nas concessões da Providência Divina, o nosso mais precioso lugar de trabalho chama-se “aqui” e o nosso melhor tempo chama-se “agora”.
Detenhamo-nos, por isso, na importância das horas de hoje.



Ontem, perturbação.
Hoje, reequilíbrio.

Ontem, o poder transviado.
Hoje, a subalternidade edificante.

Ontem, a ostentação.
Hoje, o anonimato.

Ontem, a incompreensão.
Hoje, o entendimento.

Ontem, o desperdício.
Hoje, a parcimônia.

Ontem, a ociosidade.
Hoje, a diligência.

Ontem, a sombra.
Hoje, a luz.

Ontem, o arrependimento.
Hoje, a reconstrução.

Ontem, a violência.
Hoje, a harmonia.

Ontem, o ódio.
Hoje, o amor.

Diz-nos a sabedoria de todos os tempos — “Ajuda-te que o Céu te ajudará” —, afirmativa sublime que nos permitimos parafrasear, acentuando: “Ajuda-te hoje, que o Céu te ajudará sempre”.



ANDRÉ LUIZ
(Do livro “Coragem”, Francisco Cândido Xavier)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 14 de Dezembro de 2010, 01:55
(http://1.bp.blogspot.com/_eYitPELeqi0/TQXy1AcCebI/AAAAAAAAAfs/LvvcaDZTaWU/s200/paisagem.jpg)

LIBERTEMO-NOS


O homem, na essência, é um espírito imortal, usando a vestimenta transitória da vida física. A existência regular no corpo terrestre é uma série de alguns milhares de dias - átomos de tempo na Imortalidade – concedidos à criatura para o aprendizado de elevação.

A Crosta do Mundo é o campo benemérito, onde cada um de nós realiza a sementeira do próprio destino. A ciência é o serviço do raciocínio, erguendo a escola do conhecimento.

Todos nós somos herdeiros da Sabedoria Infinita do Amor Universal.

Entretanto, sem o arado do trabalho, com que possamos adquirir os valores inalienáveis da experiência, prosseguiremos colados ao seio maternal do Planeta, na condição de lesmas pensantes.

Não repouses à frente do dia rápido.

Abre os ouvidos à sinfonia do bem, que se derrama em toda parte.

Abre os olhos à contemplação da verdade que regenera e edifica.

Abre a mente aos ideais superiores que refundem a existência.

Abre os braços ao serviço salutar.

Descerra o verbo à exaltação da bondade e da luz.

Abre as mãos à fraternidade, auxiliando ao próximo.

Abre, sobretudo, o coração ao amor que nos redime, convertendo-nos fielmente em companheiros do Amigo Sublime das Criaturas, que partiu do mundo, de braços abertos na cruz, oferecendo-se à Humanidade inteira.

Cada inteligência tocada pela claridade religiosa, nas variadas organizações da fé viva, é uma estrela que ilumina os remanescentes da ignorância e do egoísmo, no caminho terrestre.

Liberta-te e sobe à luz do píncaro, a fim de iluminares a marcha daqueles mais necessitados que tu mesmo, na jornada de aperfeiçoamento a libertação.

(Do livro "Apostilas da Vida", pelo Espírito André Luiz, Francisco Cândido Xavier)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 14 de Dezembro de 2010, 01:58
(http://4.bp.blogspot.com/_eYitPELeqi0/TQX2p4LJQVI/AAAAAAAAAfw/5UCEsJCb6io/s200/barro.jpg)

O BARRO DESOBEDIENTE


Houve um oleiro que chegou ao pátio de serviço e reparou com alegria um pequeno bloco de barro. Contemplou-o, enlevado, em face da cor viva com que se apresentava e falou:

- Vamos! Farei de ti delicado pote de laboratório. O analista alegrar-se-á com teu concurso valioso. Imensamente surpreendido, porém, notou que o barro retrucava:

- Oh! Não, não quero! Eu, num laboratório, tolerando precipitações químicas? Por favor, não me toques para semelhante fim!

O oleiro, espantado, considerou:

- Desejo dar-te forma por amor, não por ódio. Sofrerás o calor do forno para que te faças belo e útil ... Entretanto, porque te recusas ao que proponho, transformar-te-ei numa caprichosa ânfora destinada a depósito de perfumes.

- Oh! Nunca! Nunca! ... - exclamou o barro isto não! Estaria exposto ao prazer dos inconscientes. Não estou inclinado a suportar essências, através de peregrinações pelos móveis de luxo.

O dono do serviço meditou muito na desobediência da lama orgulhosa, mas, entendendo que tudo devia fazer por não trair a confiança do Céu, ponderou:

- Bem, converter-te-ei, então, num prato honrado e robusto. Comparecerás à mesa de meu lar. Ficarás conosco e serás companheiro de meus filhinhos.

- Jamais! bradou o barro, na indisciplina isto seria pesada humilhação ... Transportar arroz cozido e agüentar caldos gordurosos na face? Assistir, inerme, às cenas de glutonaria em tua casa? Não, não me submetas! ... O trabalhador dedicado perdoou-lhe a ofensa e acrescentou:

- Modificaremos o programa ainda uma vez. Serás um vaso amigo, em que a límpida água repouse. Ajudarás aos sedentos que se aproximarem de ti. Muita gente abençoar-te-á a cooperação. Despertarás o contentamento e a gratidão nas criaturas! ...

- Não, não! Protestou a argila não quero! Seria condenar-me a tempo indefinido nas cantoneiras poeirentas ou nas salas escuras de pessoas desclassificadas. Por favor, poupa-me! Poupa-me! ... O oleiro cuidadoso considerou, preocupado:

- Que será de ti quando te conduzirem ao forno? Não passarás de matéria endurecida e informe, sem qualquer utilidade ou beleza. Sem sacrifício e sem disciplina, ninguém se eleva aos planos da vida superior. O barro, todavia, recusou a advertência, bradando:

- Não aceito sacrifício, nem disciplina ...

Antes que pudesse prosseguir, passou o enfornador arrebanhando a argila pronta, e o barro desobediente foi também conduzido ao forno em brasa.

Decorrido algum tempo, a lama vaidosa foi retirada e ó surpresa! não era pote de laboratório, nem ânfora de perfume, nem prato de refeição, nem vaso para água e, sim, feio pedaço de terra requeimada e morta, sem qualquer significação, sendo imediatamente atirada ao pântano.

Assim acontece a muitas criaturas no mundo. Revoltam-se contra a vontade soberana do Senhor que as convida ao trabalho de aperfeiçoamento, mas, depois de levadas pela experiência ao forno da morte, se transformam em verdadeiros fantasmas de desilusão e sofrimento, necessitando de longo tempo para retornarem às bênção da vida mais nobre.

(Do livro "Antologia da Criança", pelo Espírito Neio Lúcio, Francisco Cândido Xavier)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:01


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:06

 
 

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Muito prazer, Emmanuel


Em 1931, o bucolismo da cena deu lugar ao fantástico.

O rapaz teve sua conversa com Deus interrompida pela visita de uma cruz luminosa. Franziu os olhos e percebeu, entre os raios, a poucos metros, a figura de um senhor imponente, vestido com túnica típica de sacerdotes. O recém-chegado foi direto ao assunto.

▬  Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?
▬  Sim, se os bons espíritos não me abandonarem.
 
▬  Você não será desamparado, mas para isso é preciso que trabalhe, estude e se esforce no bem.
▬  O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?

▬  Perfeitamente, desde que respeite os três pontos básicos para o serviço.

Diante do silêncio do desconhecido, Chico perguntou:
▬  Qual o primeiro ponto?
▬  Disciplina.
▬  E o segundo?
▬  Disciplina.
▬  E o terceiro?
▬  Disciplina, é claro.
 
Chico Xavier concordou. E o estranho aproveitou a deixa:
▬  Temos algo a realizar.
▬  Trinta livros para começar.
 
O rapaz levou um susto.
 
▬  Como iria comprar tinta e papel?
▬  Quem pagaria a publicação de tantos títulos?
 
O salário de caixeiro no armazém de Felizardo mal dava para as despesas de casa, os 13 mil-réis mensais eram gastos com catorze irmãos, seu pai era apenas um vendedor de bilhetes de loteria.
 
Chico arriscou uma previsão.
▬  Papai vai tirar a sorte grande?

O forasteiro encerrou as apostas:
▬  Nada, nada disso. Sorte grande mesmo é o trabalho com fé em Deus. Os livros chegarão por caminhos inesperados. O roteiro estava escrito.
 
Restava ao matuto de Pedro Leopoldo, seguir as instruções. Seus passos, tropeços e quedas, muitas quedas, seriam acompanhados de perto por aquele estranho a cada dia mais íntimo,
 
O nome dele:
▬  Emmanuel, o mesmo que tinha se apresentado a Carmem Perácio quatro anos antes.
A missão:
▬  Guiar o rapazote e evitar que ele fugisse do script traçado no além.
 
Chico deveria colocar no papel as palavras ditadas pelos mortos e divulgar, por meio do livro, a doutrina dos espíritos. O ex-aluno do Grupo São José ganhou de presente um professor particular constante e rigoroso. Nessa trama insólita, ele assumiu "o papel de um animal freado, irrequieto".

Emmanuel segurou as rédeas e estalou o chicote. Chico disparou. E levantou poeira.

▬  Quem seria, afinal, este Emmanuel?

Poucos meses após o encontro no açude, chegou às livrarias o primeiro título da série inicial de trinta: Parnaso de Além - Túmulo. Um escândalo.
 
Parnaso de Além-Túmulo era quase um sacrilégio. Arrancava da sepultura poetas tão célebres quanto mortos. Augusto dos Anjos, enterrado em 1914, aos trinta anos, voltava à tona com uma dúvida em "Incógnita":

▬  Por que misterioso incompreensível Vomito ainda em náuseas para o mundo, todo o fel, toda a bílis do iracundo, se eu já não tenho a bílis putrescível?
 
Após falar de pestilências cadavéricas, de pútridos fedores e emanações pestíferas, o autor de Eu exigia em "Voz do Infinito":
Descansa, agora, vibrião das ruínas, Esquece o verme, as carnes, os estrumes, Retempera-te em meio dos perfumes. Muito menos metafísicas eram as rimas de Casimiro de Abreu, morto de tuberculose em 1860, aos 21 anos.
 
Em Lembranças, ele ressuscitava com fôlego e certa excitação:
▬  Teus lindos pés descalçados Pisando de manhãzinha A verde relva dos prados Moreninha.
 
A coletânea de poemas assinados por catorze defuntos ilustres chegou às livrarias em 1932 e provocou alvoroço. Os céticos enfrentavam dilemas.
 
▬  Se os versos foram criados mesmo pelo jovem de Pedro Leopoldo, por que ele não assumia a autoria?
▬  Por que trocava a possível consagração como poeta de talento ou como imitador genial pela inevitável suspeita de ser um impostor, um mentiroso?

O escritor Zeferino Brasil, integrante da Academia Riograndense de Letras, traduziu a perplexidade geral numa crônica publicada no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre:
▬  "Ou os poemas em apreço são de fato dos autores citados e foram realmente transmitidos do além ao médium, ou o sr. Francisco Xavier é um poeta extraordinário, capaz de imitar os maiores gênios da poesia universal".

Os mais desconfiados folheavam o Parnaso de Além-Túmulo e arriscavam palpites psicanalíticos sobre o autor. O matuto, leitor compulsivo, dono de memória prodigiosa, incorporava o estilo dos poetas inconscientemente. Os versos vinham de seu subconsciente.
 
Chico deveria ser estudado como um caso de esquizofrenia. Outros, menos freudianos, defendiam uma tese simples e direta:
▬  O livro era pura jogada de marketing. Francisco Cândido Xavier queria chamar a atenção. Em breve, ele convocaria a imprensa mineira, estufaria o peito e revelaria: "Estes poemas foram escritos por mim mesmo. Sou poeta".

O dia da confissão demorava a chegar.
 
O autor não só insistia em renegar o mérito dos versos como dispensava o dinheiro arrecadado com a publicação. Reverteu todos os direitos autorais para a Federação Espírita Brasileira, responsável pelo lançamento da coletânea, e começou a repetir o bordão que o acompanharia nas seis décadas seguintes:

▬  O livro não é meu.
▬  É dos espíritos.
 
MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:09



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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:10


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:13


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:15


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Nosso Lar desperta interesse sobre o Espiritismo[/center]

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)   Em apenas duas semanas em cartaz, o filme Nosso Lar, que é baseado em um livro de Chico Xavier e que acompanha a jornada de um médico após a morte, foi visto por mais de 2 milhões de espectadores quando a maioria dos longas nacionais não alcança cem mil.
,
  Antes disso, Bezerra de Menezes e Chico Xavier já haviam sido fenômenos semelhantes de bilheteria chamando a atenção para a força da doutrina espírita, religião discreta mas de presença constante na sociedade brasileira.

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)  Codificado em meados do século 19 pelo pensador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo Allan Kardec, o espiritismo não demorou a chegar ao Brasil.

A Federação Espírita Brasileira foi fundada já em 1884, em sintonia com a disseminação da doutrina pelo mundo (a American Society for Psychical Research, nos EUA, surgiu em 1885, e um Congresso Espírita Internacional ocorreu em Paris em 1889). O que torna o caso brasileiro peculiar é que, enquanto o espiritismo perdeu força no planeta, ele plantou raízes profundas no Brasil, país com o maior número de adeptos.

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)  “O que há de novo nesse ressurgimento é o interesse do cinema em explorar artisticamente o espiritismo, porque no Brasil ele se mantém forte”, diz Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de “O Mundo Invisível: Cosmologia, Sistema Ritual e Noção da Pessoa no Espiritismo” (Jorge Zahar, 1993).

A explicação para tal circunstância passa por algumas hipóteses traçadas por um bom número de teses e estudos nas áreas de sociologia e antropologia.

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)  Em sua tese “O Cuidado com os Mortos: uma História da Condenação e Legitimação do Espiritismo”, o pesquisador Emerson Giumbelli já estudava como o espiritismo se enraizou e se desenvolveu no Rio de Janeiro. 

E apontava que a doutrina, muito calcada no cientificismo em voga no panorama intelectual de fins do século 19, ocupou um espaço destinado à religião em um momento em que os campos tradicionais do saber se viam questionados.

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)  O espiritismo nasce como uma religião científica (seus adeptos, na maioria, a consideram uma doutrina filosófica, não uma fé religiosa) e, nesse sentido, tem pontos de contato com o Positivismo, por exemplo. E, como uma religião que se vê como ciência, é uma crença com poucos dogmas, o que facilitou sua aceitação pela sociedade brasileira, naturalmente sincrética.

“O espiritismo é uma crença de camadas letradas e urbanas da população. E no Brasil teve o papel importante de, no campo religioso, fazer uma espécie de mediação entre o catolicismo e o amplo universo das religiões afrobrasileiras”, analisa Maria Laura Cavalcanti. Outro ponto que explica o sucesso da doutrina espírita no Brasil é Chico Xavier.
Sua figura é imensamente popular.

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)  “Chico Xavier representa um divisor de águas do espiritismo no Brasil. Ele atuou 75 anos como divulgador, com dedicação e coerência, e deixou um legado de 450 livros, além de seu exemplo pessoal, sua história de caridade e humildade”, diz Antonio Cesar Perri de Carvalho, secretário-geral do Conselho Federativo da Federação Espírita Brasileira.

Pesquisadores como Sandra Jacqueline Stoll, autora de “Espiritismo à Brasileira” (Edusp/Orion, 2004) e Bernardo Lewgoy, autorde “O Grande Mediador:

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)  Chico Xavier e a Cultura Brasileira” (Edusc, 2004), apontam que Chico, embora não endossasse tal interpretação, tornou-se na imaginação popular um modelo de “homem santo”. Lewgoy, professor de pós-graduação em antropologia social analisa:
“Chico passa por uma ‘santificação informal’.

(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/g26.gif)  Sua biografia tem pontos que correspondem a uma ‘vida de santo’: origem humilde, criação católica, as mensagens que recebe da mãe incentivando-o a suportar as dificuldades de sua missão. E ele foi um gênio em atualizar o espiritismo para o País”.

Fonte: Partida e Chegada -A Vida em Dois Planos.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:16


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:17

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A Cidade Espiritual

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Muito se fala e se questiona sobre a vida após a morte, talvez pela necessidade ancestral do homem em saber se existe algum lugar para onde sua alma iria após a morte do corpo físico:

▬  Ou, simplesmente, a curiosidade natural do homem sobre o desconhecido.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Se entendermos como correta a afirmação de que os mundos espirituais se encontram mais próximos do material do que nunca, não é de se estranhar que os relatos a seu respeito apresentem imagens cada vez mais nítidas.

Nesse sentido, não resta dúvida de que as comunicações de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, ainda se encontram entre as mais complexas e nítidas de que se tem notícia.
 
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  A riqueza de detalhes sobre as cidades espirituais tem chamado a atenção de muitas pessoas, mesmo daquelas que não seguem o espiritismo, mas que entendem como necessária uma aproximação entre os diferentes pontos de vista, filosofias ou crenças.
 
▬  Quais seriam, por exemplo, os pontos em comum entre as narrativas do espírito André Luiz a respeito do Nosso Lar, e outras visões de possíveis dimensões paralelas à nossa, encontradas em várias partes do planeta?
 
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Para alguns pesquisadores de fenômenos insólitos verificados em nosso planeta, os contatos com outras dimensões de existência são uma realidade.
 
▬  Mais que isso:
 
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Alguns afirmam que existem pontos específicos na Terra que, de certa maneira, formam passagens entre essas dimensões, passagens que podem ser mais ou menos evidenciadas.
 
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Existem relatos de cidades maravilhosas que, em determinados momentos, podem ser vislumbradas em alguns locais do planeta; isso teria sido verificado no deserto do Arizona e também na Antártida.
 
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Fala-se de ilhas que surgem misteriosamente no oceano, para desaparecerem em seguida, como se uma porta tivesse sido aberta e, em seguida, novamente fechada, apenas deixando-nos ter uma leve percepção de outra realidade. E muitos mais.
 
▬  O mais interessante de tudo isso pode estar nos pontos em comum entre as diferentes narrativas.

▬  Cidades Dimensionais:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Seja qual for o rumo que se dê às investigações e especulações, o tema das cidades espirituais, ou dimensionais, se preferirem, é apaixonante.

▬  Por exemplo.
 
Algumas pessoas entendem que as orações funcionam como uma espécie de ferramenta para se atingir outros níveis ou, utilizando-se outro tipo de linguagem, “abrir uma passagem” para outra dimensão.
 
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  De forma semelhante, alguns contatados por extraterrestres falam a respeito da elevação do nível vibratório como meio para se atingir um plano superior e receber mensagens desses seres.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Fala-se que os mantras indianos igualmente permitiriam, em determinadas ocasiões, o acesso a dimensões superiores, vislumbrando assim uma parte do mundo normalmente invisível; os que realizam projeções ou viagens astrais também se referem a uma série de atitudes ou atividades de relaxamento e concentração, a partir das quais poderiam acessar outras realidades.
 
As noções se complementam, confundem-se, mas, seja como for, podem ser a indicação de um caminho único em direção a uma compreensão maior dos mundos invisíveis que nos cercam.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Uma das mais conhecidas comunicações sobre a vida após a morte surgiu nos relatos do espírito André Luiz ao médium Chico Xavier no livro Nosso Lar:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Ele se refere à existência de uma cidade completa, no plano espiritual,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Além de uma região que ficou conhecida como Umbral.

▬  Esse plano espiritual se situa próxima à crosta terrestre, e nele o espírito continua possuindo as sensações físicas próprias da vida terrestre, como:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Sede,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Fome,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Dificuldade em respirar,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Alterações de temperatura, etc.

▬  Ali é possível comer e beber como fazia quando era vivo.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  André Luiz comunicou que, quando se encontrava no Umbral, sentia sono e tentava dormir, mas era acordado por seres monstruosos, “seres animalescos que passavam em bandos”, e que o acusavam de ter se suicidado, afirmação, a seu ver, incorreta, mas que, mais tarde, entendeu ter sua verdade, uma vez que o tempo que ele poderia ter vivido na Terra foi encurtado devido aos excessos que cometera aqui.

Nesse lugar, o espírito de André Luiz viu:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Loucura,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Risos exagerados,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Gritos desesperados.

▬  E fez de tudo para sair dali.

Vendo-se preso em um lugar sombrio, ele pediu ao “Supremo Autor da Natureza”, pois não era seguidor de qualquer religião em vida, que o ajudasse. Assim, conseguiu enxergar entidades prontas para auxiliá-lo, contatando que a fé é uma manifestação divina do homem.

Posteriormente, soube que existia:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Hospital,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)    Cachorros,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Espíritos para fora do Umbral,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Aves de corpos volumosos (íbis viajores)
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Pássaros devoradores de formas mentais perversas.

André foi levado a um lugar muito parecido com os hospitais da Terra. Lá, foi acolhido por Clarêncio, um homem que “se apoiava em um cajado de substancia luminosa”.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Pôde então entender que as vaidades da experiência humana mataram seu corpo físico, sendo, pois, considerado um suicida.

Depois, ficou sabendo que o hospital onde estava era apenas um dos muitos que haviam naquele lugar, todos com a finalidade de tratar os males que as pessoas traziam de suas vidas anteriores, assim como curar as males causados por suas próprias ações na sua última vida.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Ele verificou que sua percepção visual e auditiva era muito maior. Clarêncio lhe explicou que o Sol, assim como a Lua e as estrelas, que ali iluminava, era o mesmo que ilumina a Terra, pois o lugar estava situado em esferas espirituais vizinhas ao nosso planeta.

▬  Nosso Lar:   

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Estava em Nosso Lar, uma espécie de cidade espiritual, ao longo da narrativa, esse local é descrito de forma detalhada, assim como os acontecimentos e sensações pelas quais esse espírito passou.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:19

▬   Para a recuperação inicial de sua alma, após ter passado oito anos, segundo calendário da Terra, na escuridão do Umbral, ele é examinado por um médico e recebe:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Caldos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Passes magnéticos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Agua portadora de fluidos divinos.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Tudo que é relatado é semelhante a uma vida absolutamente normal além da morte; porém, as vibrações do ambiente são outras:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)   Há vibrações de paz e alegria por todos os lados,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  E a renovação das energias é feita essencialmente através da natureza.

Sua direção, conta com mais de três mil funcionários na administrarão da Governadoria.

▬  Em Nosso Lar André encontou entre outras coisas:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Parques,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Animais domésticos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Grandiosos edifícios,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Espaços regulares e ordenados,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Casinhas cercadas de muros de hera,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  E todos os lugares repletos de muito verde; assim é descrito o Nosso Lar.

▬  Há, ainda, grandes fábricas de preparação:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  De sucos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  De tecidos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  De artefatos em geral, que dão trabalho a mais de cem mil criaturas.

▬  Zona de Transição:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  A ordem dessa “zona de transição” procede do mundo superior, sendo coordenada por um governador. O governador, que em 1939, ano em que André é acolhido em Nosso Lar, completava o 114° aniversário de sua direção, conta com mais de três mil funcionários na administrarão da Governadoria, tendo mais fieis ministérios.

Os espíritos que habitam o Nosso Lar aprenderam a prática dá divisão das tarefas administrativas em “departamentos espirituais”, por meio de visitas aos serviços da Alvorada, uma das colônias espirituais mais importantes que os circuvizinham. Cada ministério é auxiliado por doze ministros.

▬  O Ministério do Auxilio é responsável por:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Atender os doentes,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Ouvir e selecionar as preces,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Preparar reencarnações terrenas,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Socorrer as almas que se encontram no Umbral e as que choram na Terra.

▬  Os Ministérios da Regeneração, do Esclarecimento e da Comunicação, entre outras coisas cuidam espectivamente:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  De regeneração de almas,
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Do esclarecimento da vida.
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Da comunicação de Nosso Lar com a Terra e com o plano superior.

Os Ministérios da Elevação e o da União Divina possuem uma estreita ligação com o plano superior e realizam os serviços mais sublimes. A governadoria se encontra no centro da praça principal dessa cidade espiritual e é a partir dela que estão distribuídos os outros seis ministérios, de forma triangular.

Segundo André Luiz, o Nosso Lar é apensa umas das muitas colônias espirituais existentes. O lar na Terra é muito semelhante ao do Nosso Lar

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Cada uma apresenta particularidades essenciais e permanecem em graus diferentes de ascensão, tal como aqui na Terra, onde há sociedades bem diferentes.

Essa colônia, particularmente, é uma antiga fundação de portugueses desencarnados no Brasil no século 16. Esses portugueses se tornaram missionários da criação do Nosso Lar.

André ouviu inúmeras histórias por lá, contadas por moradores mais antigos:

▬  Alimentação:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Uma delas é sobre a alimentação na cidade, que antigamente dava brechas para a sustentação de vícios terrenos. Os alimentos terrenos eram adquiridos no Umbral; dessa forma, os espíritos que ali se encontravam viam uma abertura para chegar ao Nosso Lar.

A cidade acabou sofrendo uma tentativa de invasão pela multidões obscuras, obrigando a Governadoria a reduzir a alimentação à inalação de princípios vitais da atmosfera, através da respiração e de água misturada a elementos solares, elétricos e magnéticos, seguindo as Leis da Simplicidade.

▬  Água:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  A água utilizada ali, tanto como o alimento quanto como remédio, vem do Bosque da Águas; ela é mais tênue e pura que a da Terra, quase fluida, pois a densidade é diferente. Sua magnetização e distribuição são feitas pelo Ministério da União Divina, sendo essa atividade um dos únicos serviços materiais exercidos por ele.

▬  Transporte:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Há também os Serviço de Trânsito e de Transporte, que age como o serviço de transito daqui da Terra, porém, com um meio de transporte muito diferente: o aerobus, que é um grande carro aéreo, suspenso do solo a uma altura de mais ou menos cinco metros, e que pode transportar muitos passageiros com grande velocidade.

Segundo André, ele é constituído de material muito flexível, é bastante extenso e parece estar ligado a fios invisíveis, em virtude do grande número de antenas que se localizam na parte de cima, podendo ser comparado, em nosso planeta, a funicular (transporte utilizado em aclives e declives fortes, com a tração funcionando por meio de cabos).

▬  Educação:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Há também lugares reservados para a educação, estudos e conferências; são os chamados “salões verdes”. Eles se localizam nos parques do Ministério do Esclarecimento, dentro de um castelo de vegetação em forma de estrela.

Os moradores do Nosso Lar acreditam que os estudos formam a base justa para a resolução de problemas e que, com os espíritos reunidos, compartilhando opiniões e experiências, são capazes de tomar decisões sem se converterem a opiniões pessoais.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Já recuperado e mais bem disposto, André sai do hospital e se instala na casa da família espiritual do amigo e auxiliar de sua recuperação, Lísias. Ali, aprende a valorizar ainda mais o lar através dos ensinamentos da mãe de Lísias.

▬  O lar:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  O lar na Terra é muito semelhante ao do Nosso Lar, ou melhor, como é dito a André: “o lar terrestre é que, de há muito, se esforça por copiar esse instituto doméstico”. Porem, os casais terrestres muitas vezes se deixam ser invadidos pelo ciúme, pelo egoísmo e pelas vaidades pessoais, deixando para trás o sentido real do lar.

D. Laura, amãe de Lísias, explicou a André que “o lar é como um ângulo reto nas linhas do plano da evolução. O lar é o sagrado vértice onde o homem e a mulher se encontram para o entendimento indispensável”.

▬  O casamento:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Diz também que nele as pessoas devem se unir espiritualmente antes que corporalmente, e viver com todo o coração e com toda a alma.

O casamento espiritual é realizado através da combinação vibratória, da afinidade máxima, não uma união que vai se desgastando com o tempo, como ocorre muitas vezes na Terra. O Nosso Lar defende o equilíbrio através do amor e, a partir desse sentimento, homens, e mulheres realizam suas funções e compartilham experiências.

▬  Existe uma jornada de trabalho, com descanso obrigatório.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Trabalho, André, em meio a tantos ensinamentos e com a disposição renovada, começa a sentir necessidade de voltar a trabalhar, era médico na Terra.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  E como “quando alguém deseja algo ardentemente, já se encontra a caminho da realização”, ele foi aceito no auxílio aos enfermos, não como médico, pois ainda não poderia ocupar tal função em Nosso Lar, mas como um aprendiz. O trabalho nessa cidade é tal qual na Terra. Existe uma jornada de trabalho, com descanso obrigatório.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:24


▬  O bônus-hora:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  O pagamento, evidentemente, não é nada material como em nosso mundo, mas uma espécie de experiência em determinadas áreas, o que auxilia no crescimento do espírito; ganha-se também o bônus-hora.

O bônus-hora é uma ficha de serviço individual e funciona como valor aquisitivo. A produção de vestuário e alimentação pertence a todos em comum, assim como engrandecimento do patrimônio; os que trabalham adquirem direitos justos, o que lhes permite escolher o que querem usar e aonde querem ir.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  A propriedade é relativa, e sua aquisição é feita à base de horas de trabalho. As construções representam patrimônio comum nessa cidade, sob controle da Governadoria. Cada família espiritual pode adquirir somente um lar, apresentando 30 mil bônus-hora, o que pode ser conseguido com algum tempo de trabalho.

Os trabalhos manuais, pesados ou com sacrifícios pessoas têm seu reconhecimento multiplicado, diferentemente da Terra. André é informado que, muitas vezes, os milionários terrenos são mendigos de alma, pois o verdadeiro ganho para as criaturas é de natureza espiritual.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Os bônus-hora podem ser gastos, porém no Nosso Lar é mais valioso o registro individual da contagem de tempo de serviço útil, que confere aos trabalhadores o direito a títulos preciosos; quanto maior for esse número, mais intercessões poderão ser feitas por essa criatura em relação à elevação e defesa da alma. A herança nessa cidade é apensa a do lar, nunca a de bônus-hora.

▬  Comunicação:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  André explica que dessa cidade não se ouvem vozes da Terá; as transmissões são feitas através de forças vibratórias mais sutis que as da esfera da crosta, as vibrações do pensamento. Ele fica sabendo que, no inicio da colônia, as vozes terrenas podiam ser ouvidas; porém, boatos assustadores e problemas pertubavam as atividades em geral, provocando muita indisciplina em Nosso Lar.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Para manter a ordem, há dois séculos, um dos ministros da União Divina havia pedido que alguma atitude fosse tomada para melhorar a situação, valendo-se dos ensinamentos de Jesus, que manda os vivos enterrar seus mortos e, desde então, a comunicação passou a ser à base de vibrações.

▬  Reencarnaçaõ:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  O esforço de cada um em seu trabalho contribui para as vibrações de paz dentro dessa colônia e em geral, depois de certo tempo de serviço e aprendizado, os espíritos voltam a reencarnar para atividades de aperfeiçoamento.

▬  Arquivos:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Nessa cidade espiritual também existe uma seção de arquivos onde estão guardadas anotações particulares de cada um, as lembranças. Conforme o espírito desenvolve segurança em si mesmo, são permitidas as lembranças de outras vidas.

André é avisado de que essas lembranças apenas informam, sendo necessário, para o conhecimento profundo de seu espírito, muita meditação e passes no cérebro, que ajudariam a despertar energias adormecidas.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Segundo os relatos de André, a morte do corpo conduz o homem a situações miraculosas. O espírito está constantemente em processo evolutivo e, portanto, passará por inúmeros planos e pelas múltiplas regiões para o desencarnados, obedecendo a princípios de desenvolvimento natural e a uma hierarquia considerada justa. E é imprescindível o reconhecimento de apenas um Deus.

▬  Diferentes Contatos:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Se fôssemos nos concentrar apenas na especulação científica, não haveria motivo para citar apenas sete planos dimensionais. O número de dimensões paralelas possíveis, na verdade, poderia ser infinito.

Alguns estudiosos do assunto, ligados às mais variadas crenças e religiões, têm dito que, ultimamente, tem se tornado mais fácil acessar os níveis mais imediatos. Alguns chegam a dizer que está ocorrendo uma aproximação entre o plano material e o plano espiritual que se encontra mais perto da Terra, como se eles estivessem se mesclando.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Essa seria a razão do número crescente de contatos, seja por meio de mensagens psicografadas, seja por meio das chamadas canalizações, ou mesmo por contatos diretos em projeções astrais que permitiriam aos indivíduos encarnados atingir esses níveis superiores.

É verdade que as informações e mensagens desses contatos estão cada vez mais complexas e, certamente, mais confusas, uma vez que as comunicações têm sido atribuídas não apenas a espíritos, mas também a seres extraterrestres, que estariam vivendo numa dessas dimensões paralelas e trabalhando em conjunto com os espíritos mais avançados.

▬  Para falar o mínimo, é uma questão cabeluda:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Há quem diga que os contatos com extraterrestres não devem ser confundidos com os contatos espirituais,

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Outros afirmam que é tudo a mesma coisa, ou seja, que as mensagens atribuídas aos extraterrestres estão sendo mal interpretadas, e que na verdade são contatos com espíritos,

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Outros, ainda, garantem que os extraterrestres que se comunicam com médiuns são seres de uma espiritualidade elevada, e que atuam nos planos espirituais com a mesma facilidade com que atuam no plano físico.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Parece que o assunto tem sido menos discutido do que deveria, afinal, o próprio Kardec se referiu à existência de vida em outros planetas, em diferentes estágios evolutivos e de espiritualidade. As psicografias de Chico Xavier também se referem a seres de outros planetas, de modo que nada mais natural do que discutir essa questão de forma mais ampla, estendendo o tema à possível presença espiritual de seres extraterrestres.
 
É claro, desde que sejam examinadas com isenção e sem preconceitos.
 
▬  Religião:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Em certo momento do relato de André há uma crítica às igrejas e aos sacerdotes políticos, justificando que, sem o sopro divino, as personalidades religiosas não serão capazes de inspirar respeito, admiração, fé e confiança em seus seguidores. O Espiritismo, sendo uma religião que une o amor às ciências do espírito, surge e cresce como uma esperança e um consolo para a humanidade.

Dentro dessa doutrina, o espírito é tratado como um núcleo irradiante de forças que criam, transformam ou destroem, exteriorizadas em vibrações que a ciência terrestre ainda não é capaz de compreender.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Segundo os moradores da colônia espiritual, quando desencarnados, os espíritos que não tiveram uma preparação religiosa no mundo sofrem dolorosas perturbações (como as que André sofrera nos primeiros anos após a morte de seu corpo físico).

Eles ficam presos no Umbral, separados dos homens encarnados pelas leis vibratórias; lá, espíritos semelhantes se agrupam conforme o tipo de vibrações que vivenciam. André se

▬  Nossos afetos:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Em Nosso Lar, os espíritos são capazes de se reconhecer e se encontrar. André se encontrou algumas vezes com sua mãe, que continuava intercedendo por ele; reconheceu um homem a quem seu pai prejudicara e teve a oportunidade de pedir perdão...

Viu uma mulher que fora empregada de sua casa, acabou na vida de prostituição e agora experimentava muito sofrimento e dor. Ele, também, ainda sentia saudade da família terrena, pois, como lhe foi explicado, cada organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Muitas vezes, os que perdem um ente querido, na Terra, permanecem com seu pensamento focalizado nesses entes, de forma que acabam prejudicando sua evolução e fazendo-os sofrer com as lembranças. Assim, a esses encarnados são conferidas outras preocupações, para que deixem de pensar no espírito que já desencarnou.

▬  As trevas:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  André relata a existência de regiões ainda inferiores ao Umbral: as Trevas. Para lá vão as almas que fecham sua percepção, focando apenas em si mesmas, deixando de lado a visão e a compreensão do Deus único, estacionando no tempo e “sobrevivendo” em um sono de longos anos, vivendo apenas com as recapitulações de experiências vividas.

Ele também fala sobre a existência de fantasmas. Estes são “irmãos da Terra, poderosos espíritos que vivem na carne em missão redentora e podem, como nobres iniciados da Eterna Sabedoria, abandonar o veículo corpóreo, transitando livremente por lá”.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-555.gif)  Eles se diferenciam dos espíritos já desencarnados pelos filamentos pendidos dos braços e um fio da cabeça, e “sobem” ao Nosso Lar em missões secretas.

▬  Final:

▬  No mundo todo, nas mais diversas épocas, surgiram inúmeros relatos de cidades que se situariam no mundo espiritual, ou numa dimensão paralela, como preferem alguns pesquisadores:

No entanto, poucos são tão ricos e impressionantes em detalhes quanto o de André Luiz.

Camilla Salmazi.
Revista Espiritismo e Ciência 11, páginas 24-29.
Fonte: Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéicas.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 03:57


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Chico chorou


Espírito de jovem morta no incêndio do Joelma ditou carta para Chico

Durante 20 anos — 1967 a 1987 — Chico Xavier cumpriu uma das mais difíceis missões: o contato direto com a dor e o desespero de famílias com a perda de entes queridos. As sessões de psicografia aconteciam às sextas e sábados no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba.

Familiares tinham que informar os nomes do falecido, de quem esperava pela mensagem, data e causa da morte.

Uma das cartas era de Volquimar, 21 anos, morta no incêndio do edifício Joelma em São Paulo. “Nossas irmãs (Volnéia e Volnelita) e os cunhados José e Wilson, sempre amigos, nosso Álvaro, nossos queridos Flávio e Cristiano, com a sua imagem materna em meu coração, prosseguem comigo, como não podia deixar de ser”.

Mesmo com tantas evidências, nem todos saíam convencidos da existência de vida após a morte. Certa vez, um senhor espírita duvidou da autenticidade de uma carta psicografada por Chico e cuspiu no rosto do médium. Chico enxugou com um lenço e chorou muito em casa.

Emmanuel, seu guia espiritual, lhe disse:
▬  “Não reclame. Diga que a chuva molhou sua face”.

Fonte desconhecida.

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 04:01


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 04:08


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 04:32



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O Curioso Caso do Poeta Humberto de Campos


Desencarnado em 1934 o festejado escritor brasileiro Humberto de Campos iniciou, em 1937, pela mediunidade de Chico Xavier, a transmissão de várias obras de crônicas e reportagens, todas editadas pela Federação Espírita Brasileira, entre as quais sobressai "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho".

No ano de 1944, a viúva de Humberto de Campos ingressou em juízo, movendo um processo, que se torna célebre, contra a Federação Espírita Brasileira e Francisco Cândido Xavier, no sentido de obter uma declaração, por sentença, de que essa obra mediúnica "era ou não do ‘Espírito’ de Humberto de Campos", e que em caso afirmativo, se aplicassem as sanções previstas em Lei.

O assunto causou muita polêmica e, durante um bom tempo, ocupou espaço nos principais periódicos do País.

D. Ana de Campos Veras, mãe do popular escritor, rompeu o silêncio para ofertar ao médium de Pedro Leopoldo a fotografia do seu próprio filho, com esta expressiva dedicatória:

"Ao Prezado Sr. Francisco Xavier, dedicado intérprete espiritual do meu saudoso Humberto, ofereço com muito afeto esta fotografia, como prova de amizade e gratidão. Realmente - disse dona Ana Campos - li emocionada as Crônicas de Além-Túmulo, e verifiquei que o estilo é o mesmo de meu filho.

Não tenho dúvidas em afirmar isso e não conheço nenhuma explicação científica para esclarecer esse mistério, principalmente se considerarmos que Francisco Xavier é um cidadão de conhecimentos medíocres.

▬  Onde há fraude?

Na hipótese de o Tribunal reconhecer aquela obra como realmente da autoria de Humberto, é claro que, por justiça, os direitos autorais venham a pertencer à família. No caso, porém, de os juízes decidirem em contrário, acho que os intelectuais patriotas fariam ato de justiça aceitando Francisco Cândido Xavier na Academia Brasileira de Letras.
Só um homem muito inteligente, muito culto, e de fino talento literário, poderia ter escrito essa produção, tão identificada com a de meu filho."

Na noite de 15 de julho de 1944, quando o processo atingia o clímax, o Espírito Humberto de Campos retorna pelo lápis do médium Chico Xavier, tecendo, no seu estilo inconfundível, uma belíssima e emocionante página sobre o triste problema levantado pela incompreensão humana, página que pode ser devidamente apreciada no livro "A Psicografia ante os Tribunais".

Daí por diante, ele passou a assinar-se, simplesmente, Irmão X, versão evangelizada do Conselheiro XX, como era conhecido nos meios literários quando encarnado.

A Autora, D. Catarina Vergolino de Campos, foi julgada carecedora da ação proposta, por sentença de 23 de agosto de 1944, do Dr. João Frederico Mourão Russell, juiz de Direito em exercício na 8° Vara Cível do antigo Distrito Federal.

Tendo ela recorrido dessa sentença, o Tribunal de Apelação do antigo DF manteve-a por seus jurídicos fundamentos, tendo sido relator o saudoso ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa.

Miriam Lins Caetano.
Jornal Revelação on-line.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 04:45


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Seria suicídio?


A atriz Nair Belo, já falecida, recebeu uma carta psicografada por Chico Xavier. Era do filho Manoel Francisco Neto, morto aos 20 anos, num acidente de carro, em 1975, em São Paulo.

O rapaz perdeu a direção do veículo, que bateu numa árvore perto de casa. Mané, como era chamado, ficou cinco dias em coma até a morte. Transtornada, Nair Belo viajou até o Grupo Espírita da Prece, em Uberaba.

“Precisava saber se ele não havia cometido suicídio”, contou a atriz na época. Pouco antes do desastre, Manoel abandonou a faculdade, o emprego e o noivado com jovem do Rio. Na mensagem, o filho tranquiliza os pais:


“Estejam convencidos de que o carro deslizou sem que eu pudesse controlá-lo. A manobra infeliz veio fatal e com tamanha violência que a tese de suicídio não devia vir à baila”, dizia na carta, cheia de nomes de familiares — Vovó Maria, Dr. Trajano, bisavô Souza e Oduvaldo.

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 05:14


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A Carta


Querida mamãe, meu pai, este é o momento do Mané criança e preciso pedir a bênção. Não sei muito bem como escrever aqui. A sala iluminada, muita gente, e o menino aqui, lembrando as provas do colégio. Se a memória não estiver funcionando corretamente, já sei que não consigo o que desejo. Acontece, porém, que tenho bons amigos, auxiliando-me a grafar esta carta.

Creiam vocês, a rapidez da escrita, o tipo da letra em grande parte pertencem a eles, à Vovó Maria e ao nosso amigo Dr. Trajano, mas o que escrevo, o que passo nas linhas caprichosas do lápis não é cola nem sopro de outras inteligências.

Mãezinha, é hora de chorar com vocês e afirmar que os sentimentos são meus mesmo, são de seu Manoel caladão, enfeitado de tantas idéias próprias e de tantas teimosias que fui até onde a rebeldia e a falta de comunicação me levaram.

Já sabemos de tudo. Papai foi mais forte, naquele dezembro que estourava com a nossa certeza de uns dias de recreio e bons papos com os nossos de Limeira, quando você, mamãe, fazia tantos planos diante de nós, para ver se descansava de suas lutas no trabalho, eis que o Mané não achou a pedra no caminho, mas encontrou um tronco forte que me pôs a cabeça incapaz de pensar.

Mãezinha e meu pai, fiz tudo para levantar o corpo, mas creio que o choque me alterou a circulação. Não estamos na hora de saber se rebentei alguma artéria importante ou se abri torneiras de sangue na cabeça intracrânio (vamos criar uma palavra que me ajude a recordar), mas o que é certo é que sou trazido até aqui para consolar-nos, uns aos outros.

Erguer-me não pude, falar muito menos, tive apenas a sensação de que caía num sono contra minha própria vontade. E creiam vocês dois que pensei em ambos do mesmo modo que pensei em Deus naqueles momentos em que me apagava devagar. Tanto desejo de sair, buscar algum telefone e contar que fora vitima de um acidente.

Mamãe, isso tudo eu pensei com tantas saudades de você. Naquela hora precisava de sua alegria e de sua palavra para suportar o tranco, mas sem saber rezar, em silêncio, pedi a Deus nos abençoasse e não deixasse você e meu pai acreditarem em suicídio. Às vezes, o Mané casmurro que eu era, falava em mundo difícil de agüentar e fazia alguma referência que pudesse dar a idéia de que, algum dia, ainda forçaria o portão de saída da Terra.

Mas estejam convencidos de que o carro deslizou sem que eu pudesse controlá-lo. A visão não estava claramente aberta para mim, porque sentia em torno uma névoa grossa e a manobra infeliz veio fatal e com tamanha violência que a idéia de suicídio não devia vir à baila.

Isso tudo, eu compreendi muito depois, porque naquele instante estava pensando em Natal e em nossa viagem a Limeira. Não sei se recordam que eu demonstrava uma certa indecisão entre acompanhar a família ou ficar em nossa casa. Mas isso tudo era só de mentirinha porque, no fundo, eu queria seguir com todos.

Mas eu que, às vezes, falava na morte, não sabia que ela me espreitava assim tão perto. Caí, sem querer, num sono violento no qual me pareceu estar num poço muito profundo, à espera de que me libertassem, conquanto não me fosse possível gritar por socorro.

Por fim, sonhei, como um pesadelo, que me carregavam para o hospital e escutei, mamãe, o seu choro abafado. As vozes baixas no sonho eram ainda mais baixas, Senti o cheiro de remédios e escutei o ruído de instrumentos como se penetrando em meu cérebro. O sonho era demorado, um sonho em forma de pesadelo, daqueles que a gente quer acordar sem poder, mas depois veio um sono silencioso, como se tudo houvesse acabado, o mundo e eu.

Despertei não sei quando até hoje, e me senti à vontade, pedindo pela presença de meu pai para conversar. Queria preparar com ele um modo de atenuar os sustos em casa e sempre com a idéia fixa na viagem do Natal. Foi quando minha avó Maria e outra a quem ela deu o nome de dona Maria Angélica de Vasconcelos, me animaram para o conhecimento da verdade. A realidade é que eu estava completamente boiando no caos. Não conhecia ninguém.
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 05:17

Elas me apresentaram a dois senhores, que se identificaram como sendo o Dr. Trajano de Barros e meu bisavô Souza e depois trouxeram um sacerdote amigo e paternal que me disse conhecer-nos a todos. Tive a idéia de que o grupo se compadecia de minha ignorância, mas o sacerdote encontrou um caminho para abordar-me:
 
▬ ‘Pois você, Manoel, nunca ouviu falar em casa de seu bisavô a história de Frei João, aquele que pretendia curar febres com o suco de limas?
 
Ele perguntou com um sorriso tão luminoso e tão amigo, que meu espanto diminuiu. Se eu estava vendo o frei João, de Limeira, eu estava entre os mortos ou entre os vivos de outra espécie e perguntando à minha avó Maria sobre isso, com o olhar ela me respondeu:
 
– “É verdade, meu filho, a casa de Irineu e de Nair agora é a nossa aqui para você. A morte não existe. Você apenas voltou aos seus. Tínhamos muitas saudades de você também”.
 
Aquilo me cortou o coração.
▬  E mamãe?
Ela me informou que você e meu pai, com os irmãos, estavam com a bênção de Deus e que eu não devia rebelar-me contra o acontecido. Mamãe, não adiantaria qualquer resposta agressiva de minha parte…
 
Então chorei como se nunca mais fosse a situação em que a morte nos colocava diante daqueles que mais amamos. As emoções me agravaram a condição de doente e debati-me numa febre que perdurou muito tempo. Febre em que a via alucinada de dor, com meu pai procurando reconfortá-la.
 
Quem disse que a morte liquida tudo estava muito enganado. Nas alucinações ouvia os seus pensamentos:
▬  “O que terá você feito, filho?
 
Manoel, conte para sua mãe a verdade! Fale se você não mais nos quis!”
E eu respondia explicando o acidente, mesmo cansado e abatido como estava via meu pai sofrer calado para não aumentar a tristeza em casa e ouvia os irmãos falando em festas de Natal e Ano Novo, com algumas pontas de ironia de quem não compreende a presença do sofrimento, nas horas em que mais pensamos em Deus.
 
Mas, melhorando, comecei a temer por você, Mãezinha. Sua alegria parecia morta, seu coração dava a idéia de uma noite fria e sem estrelas. Você pensava se valeria a pena ficar na Terra sem seu Mané casmurro. E tanto amor extravazava de seu coração para o meu, embora as distâncias de Espaço que não existem para os que se amam que, o teimoso de sempre, inclinei-me para a idéia de Deus e comecei a pedir por sua alegria e por sua vida. Papai e os nossos não poderiam ficar sem você e você não poderia vir antes do momento marcado.
 
Pedi e pedi tanto, que um amigo apareceu com a vovó Maria e se identificou por Oduvaldo. Era o nosso amigo Oduvaldo Viana que me disse:
 
▬ “Você pode estar sossegado. Nair é mais corajosa do que você pensa e nós vamos organizar a peça em que sempre desejei ver sua mãe mostrar o talento que lhe conheço”.
 
Depois de algum tempo, passei a vê-la no espelho de minha visão ocupada com o teatro e Oduvaldo com muitos amigos auxiliando-a. Mãezinha, eu sabia que isso ia dar certo, porque você foi sempre a rainha do trabalho. Serviço nunca lhe deu medo e foi com muitas lágrimas de alegria que fui levado para abraçá-la em sua volta ao palco de paz e alegria. O trabalho diminuiu nossas penas, papai ficou mais calmo ao vê-la mais serena e toda a família reanimou-se. Perdoem-me se me estendi tanto. Não tenho pretensões de sintetizar.
 
Isso é para os escritores que burilam as palavras e as frases, como os ourives fazem com as pedras preciosas. Aqui, mamãe, é só o coração do filho para tranqüilizá-los.
 
Estou bem. Estou em outras faixas e agora menos introvertido. Estou aprendendo aquela ciência em que você e meu pai sempre me quiseram bem formado, a ciência do diálogo. Estou aprendendo a sair de mim mesmo e a ouvir para responder certo. Penso que consegui o que desejava: sossegar meu pai e minha mãe, acerca do acidente de que fui vítima.
 
Papai está com excelentes estudos sobre a vida da alma. Quando você, mamãe puder fazer o mesmo, isso será muito bom. Eu teria chegado aqui mais escovado se tivesse alguma preparação sobre os meus novos assuntos.
 
Abraços na turma toda, começando por Aparecida e continuando nos irmãos. Diga, mamãe, a eles todos que estou melhor e com boas notas de renovação. Desejo a todos uma vida longa e muito feliz.
 
Obrigado, mamãe, por seus gestos de caridade pensando em mim. Esse agradecimento é extensivo ao meu caro papai. Minhas saudações aos seus e nossos companheiros de trabalho, especialmente aos que vieram com vocês até aqui. Um abração para todos de São Paulo e Limeira e vice-versa.
 
Agora, peço-lhes que me abençoem com alegria. Mamãe, creio que principalmente você e eu já nos cansamos de chorar. Coloque a sua alegria em nossa vida como sempre. Seja sempre a nossa Nair Belo, que nós seguíamos atentos em tudo de bom e belo que a sua arte produz.
 
Meu abraço aos dois, a você e a meu pai, com um beijo do filho cada vez mais reconhecido e sempre mais filho de vocês pelo coração e com todo o coração do Mané.
 
Manuel Francisco Neto.





Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 05:24


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 14 de Dezembro de 2010, 05:32


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 14 de Dezembro de 2010, 11:16
Amigas, como está lindo este tópico, rico em esclarecimentos sobre a vida terrestre do nosso amado Chico Xavier...
Vcs estão de parabéns!
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: ANjinha em 14 de Dezembro de 2010, 21:46
.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 15 de Dezembro de 2010, 11:23
...
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 15 de Dezembro de 2010, 11:43
NÃO LAMENTES

Não lamentes na vida
Aquilo que perdeste.
O desgosto do sofrimento
Abriu-te estrada nova.
Segue através da senda
Que a prova te mostrou.
Renova o pensamento,
Larga-te do passado.
Trabalha e busca a frente,
Não chores, nem recues.
E entenderás que Deus
Dá-nos sempre o melhor.

(Emmanuel - Chico Xavier
)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 15 de Dezembro de 2010, 19:44
(http://4.bp.blogspot.com/_87F3Ot6Hxjs/TPpJXurJmmI/AAAAAAAABfw/wn9_UMCmKDA/s400/O%2BREM%25C3%2589DIO%2BIMPREVISTO.jpg)

O REMÉDIO IMPREVISTO


O pequeno príncipe Julião andava doente e abatido.

Não brincava, não estudava, não comia. Perdera o gosto de colher os pêssegos saborosos do pomar. Esquecera a peteca e o cavalo.

Vivia tristonho e calado no quarto, esparramado numa espreguiçadeira.

Enquanto a mãezinha, aflita, se desvelava junto dele, o rei experimentava muitos médicos.

Os facultativos, porém, chegavam e saíam, sem resultados satisfatórios.

O menino sentia grande mal-estar. Quando se lhe aliviava a dor de cabeça, vinha-lhe a dor nos braços. Quando os braços melhoravam, as pernas se punham a doer.

O soberano, preocupado, fez convite público aos cientistas do País. Recompensaria nababescamente a quem lhe curasse o filho.

Depois de muitos médicos famosos ensaiarem, embalde, apareceu um velhinho humilde que propôs ao monarca diferente medicação. Não exigia pagamento. Reclamava tão somente plena autoridade sobre o doentinho. Julião deveria fazer o que lhe fosse determinado.

O pai aceitou as condições e, no dia imediato, o menino foi entregue ao ancião.

O sábio anônimo conduziu-o a pequeno trato de terra e recomendou-lhe arrancasse a erva daninha que ameaçava um tomateiro.

— Não posso! Estou doente! — gritou o menino.

O velhinho, contudo, convenceu-o, sem impaciência, de que o esforço era viável e, em minutos breves, ambos libertavam as plantas da erva invasora.

Veio o Sol, passou o vento; as nuvens, no alto, rondavam a terra, como a reparar onde estava o campo mais necessitado de chuva...

Um pouco antes do meio-dia, Julião disse ao velho que sentia fome, O sábio humilde sorriu, contente, enxugou-lhe o suor copioso e levou-o a almoçar.

O jovem devorou a sopa e as frutas, gostosamente.

Após ligeiro descanso, voltaram a trabalhar.

No dia seguinte, o ancião levou o príncipe a servir na construção de pequena parede.

Julião aprendeu a manejar os instrumentos menores de um pedreiro e alimentou-se ainda melhor.

Finda a primeira semana, o orientador traçou-lhe novo programa. Levantava-se de manhã para o banho frio, obrigava-se a cavar a terra com uma enxada, almoçava e repousava. Logo após, antes do entardecer, tomava livros e cadernos para estudar e, à noitinha, terminada a última refeição, brincava e passeava, em companhia de outros jovens da mesma idade.

Transcorridos dois meses, Julião era restituído à autoridade paternal, rosado, robusto e feliz. Ardia, agora, em desejos de ser útil, ansioso por fazer algo de bom. Descobrira, enfim, que o serviço para o bem é a mais rica fonte de saúde.

O rei, muito satisfeito, tentou recompensar o velhinho.

Todavia, o ancião esquivou-se, acrescentando:

— Grande soberano, o maior salário de um homem reside na execução da Vontade de Deus, através do trabalho digno. Ensina a glória do serviço aos teus filhos e tutelados e o teu reino será abençoado, forte e feliz.

Dito isto, desapareceu na multidão e ninguém mais o viu.



Livro: Alvorada Cristã – Médium: Chico Xavier – Espírito: Néio Lúcio.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 15 de Dezembro de 2010, 20:11
(http://4.bp.blogspot.com/_87F3Ot6Hxjs/TEslotMQyOI/AAAAAAAABBY/3-4hpM3PAVY/s400/Dona+Martha.jpg)


MARTHA GALLEGO THOMAZ


Aos 94 anos (em 2009), Martha Gallego Thomaz continua em atividade na Federação Espírita do Estado de São Paulo e no Grupo Noel, instituição da qual é fundadora e cujo nome homenageia o compositor Noel Rosa, seu parceiro espiritual. Sua vasta experiência mediúnica é abordada nesta entrevista

Mediunidade é um tema caro a Martha Gallego Thomaz. Essa fluminense teve sua primeira experiência do gênero aos 3 anos, em 1918, e desenvolveu uma extensa carreira na área. Autora de dois livros ditados e três psicografados, ela ainda dirige trabalhos na Federação Espírita do Estado de São Paulo, na qual está desde 1956 (é sua médium mais antiga), e no Grupo Noel, casa que ajudou a fundar em 1977 e que oferece atendimento social e doutrinário a mais de 3 mil pessoas por mês. Ela fala a seguir sobre sua singular trajetória mediúnica.

A senhora via espíritos desde cedo. Como aprendeu a lidar com essa característica? Ela é mais comum do que se imagina?
Ela é muito comum hoje. Tratamos no Grupo, atualmente (2009), três crianças nessa situação. Isso está no Evangelho de Mateus: os velhos sonharão sonhos, os jovens terão vidência...

Em maio de 1918, os espíritos atacaram meu pai. Eu tinha 3 anos e brincava na sala de casa com minhas irmãs quando entrou um espírito muito feio, que se aproximou da minha mãe. Meu pai, que convalescia da gripe espanhola, levantou-se de onde estava feito uma fera – seu fraco era o ciúme que tinha da minha mãe. O espírito fez menção de abraçá-la e meu pai tirou os suspensórios para “bater” nele. De repente, o espírito percebeu que eu também via tudo. Aproximou-se, pôs a mão na minha garganta e disse: “Se contar que estou aqui, te esgano e você morre.”

Meu pai fez vários tratamentos no hospital psiquiátrico até receber alta. Não contei a ninguém sobre esse espírito, que me perseguia até na igreja.

Minha mãe só soube dele quando eu tinha 12 anos. Fomos de Petrópolis para o Rio de Janeiro e uma tia, que freqüentava uma casa espírita, chamou minha mãe para fazer um tratamento a distância para o meu pai, que estava internado no Hospital da Praia Vermelha. Minha mãe me levou, e fui morrendo de medo. Lá, uma senhora, vidente extraordinária, me disse: “Você está com medo desse bobalhão aí? Ele vem porque você tem medo. Se você pensar firmemente em Jesus, ele não vem mais.” Havia um Sagrado Coração de Jesus na parede e ela me instruiu: “Olhe nele até você o ver na sua cabeça.” Aprendi a me concentrar assim.


Libertei-me ali. Mas tinha muita vidência, e via coisas boas e más. Aos 30 anos, os espíritos começaram a tomar conta de mim quando eu não queria. Certa noite, um deles ficou olhando para mim, rindo, e caí doente. O médico que meu marido chamou lhe disse: “Vou dar a ela um remédio para dormir um pouco, mas os sintomas são de tétano. Passo aqui às 6 da manhã.” Eram 4 da madrugada. Quando o médico saiu, o espírito deu uma gargalhada e se foi – e eu me levantei, sem problema algum.

Meu marido, Íris, era paulista e já tinha um bom preparo espiritual. Um amigo de trabalho lhe disse que, no Rio de Janeiro, só encontraríamos espíritos daquele jeito na umbanda. Fomos, e ali a mediunidade explodiu. Três anos depois, o chefe do terreiro me disse: “Seu lugar não é aqui. Você está muito folgada...” Eu, que fui uma menina muito pobre, estava com carro e motorista. O chefe do terreiro afirmou: “Você vai sair desta cidade, seu marido vai vender tudo. Quando você vender a cama para ajudar seu marido a sustentar seus filhos, aí é que vai entender o que é espiritismo.”

Certa vez, uma médium do terreiro recebeu o espírito de José de Arimatéia, que acompanhava espíritos israelitas e alemães em visita a trabalhos espirituais no Rio de Janeiro. Ela falou aramaico, alemão, tudo. O chefe do terreiro me disse: “Você tem de conhecer o espiritismo. Aqui é como o primário que você fez na escola. Depois, vá conhecer o espiritismo.”

Viemos para São Paulo e, depois, fomos para Atibaia (a 65 km da capital). No centro kardecista de lá, de início eu era vista de forma diferente, por ter vindo da umbanda; depois, fiquei amiga de todos. Fundamos lá a Mocidade Espírita, que hoje está maravilhosa.

Após cinco anos em Atibaia, fui parar na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Um amigo do comandante Edgard Armond (um dos mais importantes dirigentes da história da Federação) conheceu nosso trabalho – em Atibaia, o Noel e nós fizemos várias sessões de efeitos físicos. Muita gente ia lá para vê-las – e acabei vindo para São Paulo a fim de me educar...



Quando Noel Rosa surgiu?


Enquanto eu estava no terreiro. Meu organismo não suporta álcool, mas o Noel me fez tomar cerveja das 8 horas da noite à 1 da manhã. Antes de ir embora, me disse: “Você não vai sentir nada.” De fato, não senti. Mas lhe disse: “Nunca mais me faça isso. Não se aproxime mais de mim.”

Quando ele se aproximou, em Atibaia, avisou: “Não é para beber nem fumar. Vim para aprender.” Ali, começamos a trabalhar juntos.

Voltando à Federação, fiz um teste com o comandante Edgard Armond. Ele me disse: “Médiuns iguais à senhora, eu tenho 12. A senhora é ótima médium, mas para fazer sessões em sua casa.” Respondi: “Esses 12 são melhores que eu porque têm escola, e eu não.” Ele retrucou: “Então, vai para a de Aprendizes e a de Médiuns de uma vez.” Eu me inscrevi, e algum tempo depois ele me chamou para me educar a fim de fazer parte do Colégio de Médiuns, um grupo de 12 a 14 médiuns que dão orientações especiais – quando os médiuns comuns e os psicólogos que fazem o primeiro atendimento não acertam o diagnóstico, o caso vai para esse grupo. Foram três anos de preparação.

Envergonhei o comandante com minha ignorância. Certa vez, ele me chamou ao seu gabinete, indicou um dos dois homens ali presentes e me disse: “A filha desse senhor está com um problema. Ele vai lhe mostrar o retrato dela. Use sua vidência e veja o que ela tem.” Vi a foto e disse ao homem: “Sua filha fez uma operação na barriga. Dos rins saem uns caninhos que vão dar na bexiga. O caninho da direita está furado.” O comandante me deu aulas de anatomia por dois anos, porque achava uma vergonha um médium da Federação dizer que a filha de um médico tinha “caninhos”...

Trabalhei com o comandante de 1956 a 1967. Quando ele saiu, doente, me fez herdeira do Colégio. Mas, dos 12 médiuns de então, o único que ficou fui eu. O comandante me chamou à casa dele e disse: “Você vai ter de formar o Colégio outra vez.”

Coordenei o Colégio até uns quatro anos atrás, e deixei-o com 29 grupos e 120 médiuns. Atualmente, trabalho só um dia lá, dirigindo um dos grupos, e na área de Vibração.



Como foi seu contato com Chico Xavier?


Quando eu conseguia me desdobrar (fazer o corpo espiritual sair do físico), tinha curiosidade em conhecer o Chico – e ele, muito caridoso, me atendia. Um dia, um diretor da Federação foi ao Chico porque um de seus netos estava com problema. O Chico lhe disse: “Procure a Martha, aquela que recebe o Noel, porque só ela pode dar um jeito no seu neto.” As indicações se repetiram e a diretoria da Federação me perguntou por que o Chico mandava me procurarem. “A senhora o conhece?” Respondi que só por foto. Fomos a Uberaba em 1960 e o dr. Luiz Monteiro de Barros, presidente da Federação na época, disse: “Não vamos entrar no centro agora. Vamos na hora do Evangelho, para ver se o Chico reconhece a Martha.” Pedi: “Vamos chegar à janela só para eu ver se ele é igual ao retrato?” Quando cheguei, o Chico me chamou: “Marthinha, há quanto tempo estou esperando por você! Vem cá!”

Fui a Uberaba umas seis vezes. Em cada uma delas, recebi o privilégio de uma onda de luz. Tenho em casa uma caixa com telegramas e recados do Chico me estimulando ao trabalho. Eles influenciaram minha vida.


Quando surgiu o Grupo Noel?


Em 1957, muita gente vinha à nossa casa, na Vila Mariana, em São Paulo, pedir ajuda e orientação. Pessoas que nos conheciam de Atibaia queriam que fundássemos um grupo. As famílias Prestes Rosa, Ferrari e Paroni eram as mais entusiasmadas com a idéia. Os benfeitores disseram: “Se vocês estudarem juntos durante 20 anos, funda-se o grupo.” Todos foram para a Federação fazer Escola de Aprendizes, de Médiuns. Em agosto de 1977, fundamos o Grupo Noel, na Vila Mariana.

O espiritismo brasileiro consolidou-se com ícones como Bezerra de Menezes e Chico Xavier. Ele ainda depende do carisma de figuras como essas?

Os espíritas precisam abolir o fanatismo por esses ícones. Temos ótimos médiuns.


- continua -
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 15 de Dezembro de 2010, 20:16
- continuação -


A senhora disse que um bom convívio familiar significa a resolução de mais de 90% dos problemas que trouxemos...

A família é uma reunião de espíritos que fazem parte de um mesmo grupo evolutivo. Por exemplo, tenho reencarnado com aqueles que foram meus irmãos, cunhados, filhos, etc. até nos harmonizarmos totalmente. Quando isso ocorrer, poderemos harmonizar outros grupos. Quando dei conta da minha família (já tenho tataranetos), pude me dedicar ao Grupo rodeada de amigos, porque sem amigos não fazemos nada. Nosso Grupo não tem o nome de “Centro Espírita” – é um grupo de pessoas com o mesmo ideal.

A condição mundial depende das famílias. Podemos fazer a sociedade melhorar dando exemplo dentro da nossa família. A atual situação planetária, aliás, está muito ligada ao lado espiritual. O Evangelho profético de Mateus mostra que estamos em pleno Apocalipse. Perguntado pelos discípulos sobre quando a Terra iria melhorar, Jesus disse que chegará um tempo em que nada ficará oculto – e hoje, com a internet e os “grampos”, praticamente se sabe de tudo... Jesus também disse que o começo do fim é quando os filhos começarem a matar os pais e os pais a matar os filhos. Desde os anos 1990 ouvimos falar de casos assim. É um momento muito difícil.

Certa vez, alguém pediu ao Chico para perguntar ao seu mentor, Emmanuel, quando a Terra melhoraria. Emmanuel respondeu que, se os espíritas fossem unidos, em 2015 teríamos um mundo melhor. Mas, como eles ainda têm muitas divergências, só teremos paz lá por 2040... Depende de nós.



Como seguir na ativa aos 94 anos?


Os médiuns derramam sobre os pacientes tratados jarros de fluidos. Os pacientes não absorvem tudo; o que sobra fica na sala. Quando os passes terminam, todos os que estão lá se beneficiam. É por isso que continuo trabalhando: aprendi a respirar esses fluidos. Na matéria, minha respiração está péssima, mas com esse reforço dá para manter a saúde.



Qual é a importância do pensamento?


Nosso pensamento é matéria fluídica. Ao concentrá-lo em um desejo por uma pessoa, por exemplo, essa matéria vai ao encontro dela. Com o pensamento, pode-se mudar a vida de alguém. Por isso, o desenvolvimento do pensamento não pode ser ensinado a qualquer um. Os que têm amor no coração, os honestos não usam a força do pensamento a favor deles mesmos.



Como a senhora avalia sua carreira mediúnica?


Conquistei com ela um enorme conhecimento. Só cursei o primário. Hoje, estou a par, por exemplo, de física quântica, trago informações sobre doenças que não se conheciam. Certa vez, atendemos um senhor cujos astrócitos estavam fracos – algo que não sai em tomografia. Procurei meus amigos médicos e eles me elucidaram. Os astrócitos alimentam os neurônios; com eles enfraquecidos, enfraqueceu-se a cabeça. Foi o trabalho mediúnico que me deu esse conhecimento.


SERVIÇO
Grupo Noel – Rua Domingos de
Moraes, 1.895/1.905, São Paulo, SP.
Fone: (11) 5571-1014.
E-mail: fale@gruponoel.org.br

Matéria de: Eduardo Araia
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 15 de Dezembro de 2010, 20:27
(http://images.megalivros.com.br/images/_product/8/8224/124e8c0b36eb70ebeb8873d4d76a98c1.jpg)


Um dia ...



Um dia, verás a ti mesmo em plano diferente...

Parecer-te-á, então, haver acordado de um sono profundo e, por isso mesmo, tudo te surpreenderá. Amigos que não vias, há muito tempo, se aproximarão de ti, estendendo-te as mãos. Perguntarás a vários deles: onde estavas que não mais te encontrei? Por que te distanciaste de mim? Todos te abraçarão, com a alegria a lhes fulgurar nos olhos, fitarás as árvores carinhosamente podadas, formando corações que palpitarão de vida, plantas outras, mostrando as frondes entrelaçadas, lembrando mãos que se tocam afetuosamente. Respirarás profundamente, reconhecendo, assim, as qualidades nutrientes do no ambiente em que te virás...

Naquela festa de almas, porém, um homem de olhar manso desce de um torreão brilhante e caminha na direção dele.

Em vão, o recém-chegado tenta retirar dele os olhos magnetizados pelo amor que o desconhecido irradia. Ele caminha serenamente a fixa-lo com bondade, com a familiaridade de quem o conhecia.

- “Ah! – pensou o recém-vindo – decerto que este amigo me conhece, de longo tempo.”

A custo, venceu a própria indecisão, e indagou do companheiro mais próximo:

- “Quem é este homem que está chegando até nós?”

- “É o Mensageiro da Vida.”

Não houve tempo para outras inquirições.

Efetivamente, aquela simpática e estranha personagem lhe endereçou saudações fraternas e segurando-lhe a destra, qual se nela conseguisse ler todas as minudências da sua vida, não lhe perguntou pelo próprio nome, nada arguiu quanto à família a que pertencera ou à posição que exercera...

Apenas pousou nele demoradamente os olhos e perguntou-lhe:

- “Amigo, o que fizeste?”




Do livro “A Semente De Mostarda”, de Emmanuel e Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: ANjinha em 16 de Dezembro de 2010, 04:41
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: EmBuscaDaLuz em 16 de Dezembro de 2010, 13:22
FRASES DE CHICO:


O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda parte.

Lembra-te de que falando ou silenciando, sempre é possível fazer algum bem´.

Hoje auxiliamos, amanhã seremos os necessitados de auxilio´.

Ninguém quer saber o que fomos, o que possuíamos, que cargo ocupávamos no mundo; o que conta é a luz que cada um já tenha conseguido fazer brilhar em si mesmo´.

A omissão de quem pode e não auxilia o povo, é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Tenho visto muitos espíritos dos que foram homens públicos na Terra em lastimável situação na Vida Espiritual´.

O desespero é uma doença. E um povo desesperado,lesado por dificuldades enormes, pode enlouquecer, como qualquer indivíduo. Ele pode perder o seu próprio discernimento. Isso é lamentável, mas pode-se dizer que tudo decorre da ausência de educação, principalmente de formação religiosa´
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 16 de Dezembro de 2010, 17:07
(http://3.bp.blogspot.com/_87F3Ot6Hxjs/TEshSjxje4I/AAAAAAAABAw/OOBEpwzU77k/s400/Emmanuel+-+Publius+Lentulus.jpg)


EMMANUEL



Emmanuel é o nome do espírito que tutelou a atividade mediúnica de Franscisco Cândido Xavier, o maior médium psicógrafo, hoje com mais de 350 obras psicografadas.

Ao tempo da passagem de Jesus pela Terra, chamou-se Públio Lentulus - senador romano -, e, ao que se sabe, foi a única autoridade que efetuou perfeita descrição Dele, através da célebre carta, publicada em numerosas línguas, autêntica obra-prima do gênero. Pessoalmente, encontrou Jesus, solicitando-Lhe auxílio para a cura de sua filha Flávia, que, supomos, estaria leprosa. Emmanuel desencarnou em Pompeia, no ano 79, vítima das lavas do Vulcão Vesúvio. Anos depois, reencarnaria como judeu na Grécia, em Éfeso, já não mais sob a toga de orgulhoso senador romano, mas sim na figura do modesto escravo Nestório, que, na idade madura, participava das reuniões secretas dos cristãos nas catacumbas de Roma.

Podemos ficar com melhor conhecimento da história desse espírito através das suas obras: Há Dois Mil Anos e Cinquenta Anos Depois , transmitidas mediunicamente através de Chico Xavier. Estas obras constituem verdadeiras obras primas de literatura mediúnica e histórica.

Emmanuel, o mentor espiritual que todos respeitamos, foi a personalidade de Manoel da Nóbrega, renascido em 18 de Outubro de 1517, em Sanfins, entre Douro e Minho, Portugal, quando reinava D. Manuel I, o Venturoso.

Inteligência privilegiada, ingressou na Universidade de Salamanca, Espanha, aos 17 anos, e, com 21 anos inscreve-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra, frequentando aulas de Direito Canônico e Filosofia. Em 14 de Junho de 1541, em plena mocidade, recebe a láurea doutoral, sendo, então, considerado doutor Padre Manoel da Nóbrega , pelo doutor Martim Azpilcueta Navarro.

Mais tarde, em 25 de Janeiro de 1554, seria um dos principais fundadores da grande metrópole São Paulo. Foi também o fundador da cidade de Salvador, Bahia, a primeira capital do Brasil.

A informação de que Emmanuel teria sido o Padre Manoel da Nóbrega, foi dada pelo próprio Emmanuel em várias comunicações através da mediunidade idônea e segura de Francisco Cândido Xavier.

No início da atividade mediúnica de Chico Xavier, nos anos trinta, ainda sem se identificar, disse-lhe que gostaria de trabalhar com ele durante longos anos, mas que necessitaria de três condições básicas para o fazer: 1ª disciplina, 2ª disciplina e 3ª disciplina. O que Chico cumpriu até o fim.

Chico foi um modesto funcionário público do Ministério da Agricultura que jamais misturou a sua atividade profissional com o exercício da mediunidade. Não poderemos deixar de registrar, sob pena de cometermos grave omissão, que, durante as décadas que Chico esteve a serviço do Estado, nunca, apesar da sua precária saúde e o trabalho doutrinário, faltou ou gozou qualquer tipo de licença no seu emprego no Ministério da Agricultura. Também no início da sua nobre missão, Emmanuel disse-lhe que se alguma vez ele o aconselhar a algo que não esteja de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, deverá procurar esquecê-lo, permanecendo fiel aos ensinamentos de Jesus e Kardec.

Emmanuel fez também parte da falange do Espírito da Verdade, que trouxe à Terra o Cristianismo restaurado, definição sua da Doutrina Espírita. No Evangelho Segundo o Espiritismo , Allan Kardec inseriu uma mensagem de Emmanuel, recebida em Paris, 1861, intitulada O Egoísmo (Cap. XI - 11)

Alem dos dois livros históricos citados, temos ainda várias dezenas de outros, dos quais destacamos: Paulo e Estevão , obra que, segundo Herculano Pires, justificaria, por si só, a missão mediúnica de Francisco Cândido Xavier: Ave, Cristo e Renúncia , livros estes que, juntamente com os citados anteriormente, ajudam-nos a entender o nascimento do Cristianismo. Estes cinco livros são baseados em fatos históricos verdadeiros. Emmanuel foi considerado o 5º evangelista, pela superior interpretação do pensamento de Jesus. Também os livros Palavras de Vida Eterna, Caminho, Verdade e Vida , Pão Nosso , Vinha de Luz e Fonte Viva são obras de consulta constante em nossa vida.

Visto ser completamente impossível, num trabalho deste gênero, falar de toda a sua obra transmitida através de Chico Xavier, gostaríamos, no entanto, de registrar o livro: A Caminho da Luz , que nos relata uma História da Civilização à Luz do Espiritismo e de Emmanuel , livro constituído por diversas dissertações importantes sobre Ciência, Religião e Filosofia.



Fonte: Grandes Nomes do Espiritismo
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 16 de Dezembro de 2010, 19:35
Senhor!...
Dura é a pedra, entretanto,
com a Tua sabedoria,
temo-la empregada em
obras de segurança.

Violento é o fogo, todavia,
sob a tua inspiração
foi ele posto em disciplina,
em auxílio da inteligência

Agressiva é a lâmina ,
no entanto ao influxo
de Teu amparo vemo-la piedosa,
na caridade da cirurgia

Enfermiço é o pântano, contudo
sob tua benevolência
encontramo-lo convertido
em celeiro de flores


Eu trago comigo
a dureza da pedra
a violência do fogo
a agressividade da lâmina
e a enfermidade do charco
mas com a Tua benção de amor
posso desfrutar o privilégio de cooperar
na construção do Teu reino...
para isso Senhor, porém, Senhor
concede-me por acréscimo de misericórdia
a felicidade de trabalhar
e ensina-me a receber
o dom de servir.

Chico Xavier

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 16 de Dezembro de 2010, 20:49
Carta a minha mãe

Quis visitar-te o anônimo jazigo
Em que a humildade em paz se nos revela,
Contemplo a cruz, antiga sentinela,
Erguida ao lado de um cipreste amigo.
Busco a memória e vejo-te comigo;
Estamos sob o verde da aquarela,
Teu sorriso na túnica singela
É luz brilhando neste doce abrigo.
Recordo o ouro, Mãe, que não quiseste,
Subindo para os sóis do lar Celeste
Para ensinar as trilhas da ascensão.
Venho falar-te, em prece enternecida,
Do amor imenso que me deste à vida,
Nas saudades sem fim do coração.

Auta de Souza
(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier,
em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, na noite
de 12 de março de 1989, em Uberaba, Minas Gerais)




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 15:54

Reverteu todos os direitos autorais para a Federação Espírita Brasileira, responsável pelo lançamento da coletânea, e começou a repetir o bordão que o acompanharia nas seis décadas seguintes:

▬  O livro não é meu.
▬  É dos espíritos.

Cont.


As vidas de Chico.


[attach=1]


Em sua defesa, ele escreveu o texto intitulado "Palavras Minhas", uma espécie de carta de apresentação incluída na introdução do livro de estréia. Em 140 linhas, Chico descreveu seu "ambiente sobrecarregado de trabalhos para angariar o pão cotidiano, onde não se pode pensar em letras" e fez questão de descartar a intenção de "fazer um nome": 'A dor há muito me convenceu da inutilidade das bagatelas que são ainda estimadas neste mundo".

No auto-retrato, o jovem de 21 anos admitia seu "pronunciado pendor literário" e reclamava da falta de tempo para os estudos e da ausência de estímulo da família.

"Nunca pude aprender senão alguns rudimentos de aritmética, história e vernáculo".

▬  Mas, afinal, os poemas publicados eram mesmo de autoria dos poetas que os assinavam?

Nem Chico, em seus parágrafos auto- biográficos, garantiu a autenticidade das assinaturas. Em consciência, não posso dizer que eles são meus, porque não despendi nenhum esforço intelectual ao grafá-los no papel. O texto, publicado na primeira edição do Parnaso de Além-Túmulo ao lado de uma foto do autor enfiado numa gravata-borboleta, terminava com um recado do escritor a todos os leitores:

Em alguns despertarei sentimentos de piedade e, noutros, risinhos ridicularizadores. Há de haver, porém, alguém que encontre consolação nestas páginas humildes. Um desses que haja, entre mil dos primeiros, e dou-me por compensado do meu trabalho. Em meio à polêmica, um dos escritores e jornalistas mais requisitados do país na época decidiu se manifestar.

No dia 10 de julho de 1932, o jornal Diário Carioca estampou no rodapé da primeira página o artigo "Poetas do Outro Mundo", assinado por Humberto de Campos, integrante da Academia Brasileira de Letras.

O "imortal" identificou nos versos escritos por Chico Xavier o estilo:

Frouxo e ingênuo de Casimiro,
Largo e sonoro de Castro Alves,
Filosófico e profundo de Augusto dos Anjos.

E assinou embaixo:

Sente-se, ao ler cada um dos autores que veio do outro mundo para cantar neste instante, a inclinação do senhor Francisco Cândido Xavier para escrever a la manière de, ou para traduzir o que aqueles altos espíritos soprarem ao seu ouvido.

Era quase a consagração.

O autor de Sombras que Sofrem encerrou o artigo com um alerta insólito aos escritores sobreviventes. Era preciso ter cuidado com os poetas mortos:

Se eles voltam a nos fazer concorrência com seus versos perante o público e, sobretudo, perante os editores, dispensando-lhes o pagamento dos direitos autorais.
▬  Que destino terão os vivos que lutam hoje com tantas e tão poderosas dificuldades?

Antes de pôr o ponto final, o escritor desafiou os rivais do outro mundo a ressuscitarem:
▬  "Venham fazer concorrência em cima da terra, com o arroz e o feijão pela hora da vida. Do contrário, não vale".

Dois anos depois, Humberto de Campos morreria e vestiria a camisa dos espíritos.

A segunda edição do Parnaso de Além-Túmulo exibiria logo na introdução um artigo com sua assinatura, acompanhado de uma ressalva entre parênteses: Espírito. Ele já havia mudado de time e não achava assim tão desleal a "concorrência" entre vivos e mortos.

Antes de se retirar do planeta, o escritor assinou outra crítica sobre o livro de Chico Xavier,

"Como Cantam os Mortos", também publicado na primeira página do Diário Carioca.

A manchete do dia "São Paulo em armas contra a ditadura" - descrevia como o general Isidoro Dias Lopes tinha derrubado, com suas tropas, o interventor de São Paulo, Pedro de Toledo, e colocado no poder uma junta governativa formada por ele próprio, pelo deposto e por Francisco Morato.

O cronista do Diário Carioca estava mais preocupado com assuntos do além. Impressionado com os versos do Parnaso de Além-Túmulo, ele pediu uma opinião sobre o livro ao colega de academia e de redação Augusto de Lima e ouviu uma ironia:

Chico seria a versão mineira do Barão de Münchhausen e estaria às voltas com fantasias mirabolantes. Humberto desconsiderou o ceticismo do amigo. Após esmiuçar os poemas do caipira de Pedro Leopoldo, enterrou de vez a hipótese de Chico escrever a la manière dos poetas mortos e convocou outros críticos:

"Parnaso de Além-Túmulo merece a atenção dos estudiosos, que poderão dizer o que há nele de sobrenatural ou de mistificação".

A convocação surtiu efeito. O poeta e escritor José Álvaro Santos leu as críticas, comprou Parnaso de Além-Túmulo, analisou os poemas e, em janeiro de 1933, desembarcou em Pedro Leopoldo para conhecer o autor do livro.

Encontrou o rapaz atrás do balcão no armazém de José Felizardo Sobrinho, visitou sua casa pobre, repleta de irmãos, e ficou impressionado com a rotina do rapaz. Trabalho braçal das 7h da manhã às 8h da noite por um salário de quarenta mil-réis mensais, O poeta não merecia perder tanto tempo com questões menores.

José Álvaro Santos fez uma proposta a João Cândido Xavier: arrumaria um bom emprego para seu filho em Belo Horizonte. Bastava que Chico o acompanhasse até a capital mineira. Em três meses, no máximo, o rapaz estaria contratado.

Os olhos do pai cresceram diante da perspectiva. O dinheiro andava curto demais. João argumentou com o filho e, mais tarde, Chico recorreu a seu amigo invisível, Emmanuel. Escutou conselho contrário ao do pai - deveria continuar onde estava -, e tomou a decisão: ficaria com a família.

No dia seguinte, João Cândido voltou a pedir socorro e Chico voltou a pedir uma orientação ao guia. A contra- ordem veio do além. A tentativa é inoportuna e desaconselhável, mas não desejamos que contraries teu pai. João Cândido conseguiu três meses de licença para o filho no armazém de José Felizardo Sobrinho, Chico se despediu dos companheiros do Centro Luiz Gonzaga e embarcou com o desconhecido em direção a uma chácara a três quilômetros do bairro da Gameleira, em Belo Horizonte.

O autor do Parnaso de Além-Túmulo, mulato, mal vestido, com expressão atordoada, virou atração na casa. Intelectuais mineiros se reuniam em torno dele e comentavam, diante de seus olhos arregalados, os estudos de Coorkes e Richet sobre a mediunidade, os pastiches de Paul Reboux, os poemas de Baudelaire, Musset, Bilac, Augusto dos Anjos.

O matuto acompanhava tudo em silêncio. Uma vez ou outra, respondia com monossílabos a perguntas sobre os poemas ditados do outro mundo. Tinha medo de cometer disparates. No meio da noite, sozinho no quarto, respirava aliviado diante das visões do guia e da mãe.

As aparições repetiam conselhos sobre a prudência e o respeito aos outros e Emmanuel ainda aproveitava para tirar dúvidas literárias do protegido. Explicava, por exemplo, que Paul Reboux era mestre em imitar o estilo de outros poetas.

Enquanto esperava o serviço prometido, Chico acompanhava, à distância, entre as árvores da chácara, a construção de um sanatório em terreno vizinho. Estava triste, tenso. O hospital, no terreno vizinho, crescia a cada dia e o emprego não saía. Os três meses se esgotaram.

Ele não podia mais ficar à toa. Precisava ajudar a família. Em março de 1933, Chico se despediu de José Álvaro Santos e, sozinho, tomou o rumo da Central do Brasil. Enquanto esperava o trem para Pedro Leopoldo, foi surpreendido por dois amigos de seu ex-anfitrião. Traziam uma ótima notícia: ele estava empregado.

O rapaz se lembrou do pai, da pobreza, dos irmãos e sentiu vontade de abraçar os dois. Quase chegou à euforia quando ouviu as outras boas novas: teria os estudos pagos no melhor colégio da cidade e ainda receberia dinheiro extra para ajudar em casa.

Havia apenas uma condição:

Chico deveria assumir a autoria de Parnaso de Além-Túmulo e negar a existência dos espíritos durante duas palestras, uma no auditório da Escola Normal e outra no Teatro Municipal.

O rapaz murchou. Mas ainda teve fôlego para reagir:
▬  Não posso mentir para mim mesmo. Ouço a voz de minha mãe, escrevo poemas que não são meus.

▬  Como posso renegar a verdade?

▬  Chico, você conhece um passarinho chamado sofrê?
▬  Não.

▬  O sofrê é um pássaro que imita os outros. Você nasceu com a vocação desse passarinho entre os poetas. Não acredite em espíritos. Esses poemas que você julga psicografar são seus, somente seus.

Nesse momento, Emmanuel apareceu com um de seus trocadilhos:
▬  Sim, volte a Pedro Leopoldo e procuremos trabalhar. Você não é um sofrê, mas precisa sofrer para aprender.

O rapaz voltou para casa e foi recebido por um pai inconformado. João Cândido encheu a boca para chamar o filho de ingrato. Chico já esperava aquela reação. Correu para o armazém de José Felizardo Sobrinho, refugiou- se atrás do balcão e sentiu até certo entusiasmo em cortar toucinho para os fregueses e varrer o chão.

Estava se sentindo tão à vontade na cidade natal que no dia 23 de setembro daquele ano, às 21h, assinou, como Primeiro- Secretário, a ata de posse da primeira diretoria do Pedro Leopoldo Futebol Clube. Parecia até um jovem comum.

▬  Quem sabe um dia entrasse em campo e marcasse um gol?
▬  Quem sabe chegasse a um bar e pedisse uma cerveja bem gelada ou convidasse uma moça para o cinema?

Não. Chico tinha mais o que fazer.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 15:56


A PELE DO RINOCERONTE


Nas noites de segunda e sexta-feira, ele colocava o Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, embaixo do braço e ia para o Centro Luiz Gonzaga. Seguia à risca uma instrução ditada por Emmanuel: fidelidade irrestrita a Jesus Cristo e a Kardec, o codificador da doutrina espírita.

O guia do outro mundo levava tão a sério este mandamento que um dia chegou a determinar a Chico:
▬  Se alguma vez eu lhe der algum conselho que não esteja de acordo com Jesus e Kardec, fique do lado deles e procure me esquecer.

Chico demorava na cartilha espírita, praticava as lições de caridade, promovia sessões de desobsessão às quartas-feiras, mas o centro ficava cada dia mais vazio. José Hermínio Perácio e a mulher, Carmem, se mudaram para Belo Horizonte. Precisavam ficar mais perto da família. José Xavier teve que trabalhar à noite numa oficina de arreios para pagar uma dívida. De repente, o rapaz se viu sozinho no barracão.

Quando pensou em sair de fininho, ouviu a voz de Emmanuel.
▬  Você não pode se afastar.
▬  Como? Não temos freqüentadores.
▬  E nós?
▬  Nós também precisamos ouvir o Evangelho. Além disso, temos aqui vários "desencarnados" que precisam de ajuda. Abra a reunião na hora marcada e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.

Chico seguiu as instruções. Às 8h em ponto iniciava a reza de abertura da sessão. Em seguida, abria O Evangelho Segundo o Espiritismo ao acaso e comentava o capítulo em voz alta. Nessa época, começou a ver mortos e a ouvir vozes com maior freqüência e nitidez.

Os seres invisíveis ocupavam os bancos vazios. Do lado de fora, vizinhos e parentes acompanhavam aquele espetáculo absurdo:
▬  O rapaz falava sozinho, gesticulava, rezava, duas horas seguidas.

Uma das irmãs, uma noite, se pendurou na janela para ouvir o monólogo:
▬  Tenhamos fé em Jesus, minha irmã.
▬  Com paciência alcançaremos a paz. Sem calma, tudo piora.

A espectadora interrompeu a cena insólita:
▬  Com quem você está conversando?
▬  Com dona Chiquinha de Paula.
▬  Ela já morreu, Chico.
▬  Você é que pensa. Ela está bem viva.

A família ainda pensava em levar o rapaz a um bom hospício. O padre Júlio Maria, da cidade mineira de Manhumirim, estava disposto a providenciar uma camisa-de-força para o espírita de Pedro Leopoldo. Todo mês, ele escrevia artigos no jornal local, O Lutador, e fazia o favor de enviar suas opiniões pelo correio ao autor do Parnaso de Além-Túmulo.

Em nome de Jesus Cristo, os textos excomungavam o espiritismo, reduziam a pó a reencarnação e à piada o porta-voz dos poetas mortos no Brasil.
▬  "Francisco Cândido Xavier deve ter pele de rinoceronte para suportar tantos espíritos", escreveu num de seus manifestos.

Chico ficou engasgado e precisou da ajuda de Emmanuel para engolir o comentário:
▬  Se você não tem pele de rinoceronte, precisa ter, porque, se cultivar uma pele muito frágil, cairá sempre com qualquer alfinetada.

O padre Júlio Maria espetou Chico Xavier durante treze anos. Só parou quando morreu. E, nesse dia, Chico ouviu o vozeirão de seu guia:
▬  Vamos orar pelo nosso irmão Júlio Maria. Com ele sempre tivemos um cooperador maravilhoso. Dava-nos coragem na luta e concitava-nos a trabalhar.

A cada ataque dos céticos, Chico escutava Emmanuel bater na mesma tecla:
▬  Não te aflijas com os que te atacam.
▬  O martelo que atormenta o prego com pancadas o faz mais seguro e mais firme.

O conselheiro invisível esquecia que martelos também entortam pregos. Chico sentia os golpes e andava pela cidade arqueado, sob o peso da desconfiança alheia. Em dezembro de 1934, o rapaz fechou os olhos e fincou o lápis no papel. As frases apareceram velozes e nada evangélicas. Eram endereçadas a ele mesmo:

"Meu amigo, Há mais de um decênio que não me preocupo com as parvoíces da Terra. Nem presumia a possibilidade de enviar novamente para aí a minha futilíssima correspondência, quando alguém me insinuou a idéia de vir ditar- te as minhas sandices.

Acometeu-me o desejo incoercível de atirar um dos meus petardos de troça ao gênero bípede e estalar uma boa gargalhada, sonora e sã. Foi o que fiz. Tentei a prova. Focalizei no meu pensamento a idéia de vir ter contigo e bastou isso para que as minhas raras faculdades de fantasma me conduzissem a esse maravilhoso recanto sertanejo em que vives, esplendor de canto agreste, quase selvagem...

Busquei aproximar-me de tua individualidade. Vi -te finalmente. Lá surgias ao fim de uma rua bem cuidada, onde se alinhavam casas brancas e arejadas, brasileiríssimas, abarrotadas de ar, de saúde, de sol; vinhas com o passo cansado, pele suarenta a derreter-se dentro de roupas quase ensebadas, com os pés metidos em legítimos socos do Porto, obrigando-me a evocar o cais de Lisboa...

Sem que pudesses observar-me, submeti-te a demorado exame. Procurei a tua bagagem de pensamento, encontrando na tua mocidade tudo quanto a tristeza criou de mais sombrio; em tua alma amargurada, vi apenas porções de sofrimentos, pedaços de angústia esterilizadora, recordações tristonhas, lágrimas cristalizadas... Vi-te e ri-me. Não de ti. Ri-me da estultice do cérebro desequilibrado do asno humano, com o seu volumoso e pesado arquivo de baboseiras.

Cansado das lamúrias de Chico Xavier, o remetente da carta recomendava o bom humor como arma:

▬  Convence-te de que se comete um ato desarrazoado, uma inqualificável imprudência, em chorar tolamente, em derreter-se inutilmente. Abandona essa exótica preocupação aos mais parvos do que tu.

▬  Ri-se o mundo de nós?
▬  Riamo-nos dele.

Achincalhemos os seus arremedos aos gorilas, ridicularizemos as suas intuições, onde predominam a bandalheira, os seus pulos de cabra-cega; traduzamos a admiração que tudo isso nos desperta com o riso bom, que sempre apavorou os tímidos e insuficientes".

O recado tinha a assinatura de Eça de Queiroz. O escritor português, autor de "pecados" como O Crime do Padre Amaro, dava mostras não só de sarcasmo como também de boas doses de informação sobre a polêmica em torno do Parnaso de Além-Túmulo.

Após listar a série de teorias usadas pelos críticos para decifrar o enigma Chico Xavier consciência, mediunidade, psicopatia, loucura, simulação, anormalidade, fenômeno, estupidez, espiritomania, o autor invisível não resistiu e voltou à boa e velha ironia:
▬  "Vai continuando até que te receitem a enxovia ou o manicômio. No cárcere ou no sanatório, alcançarás um período de repouso. Não te apavores".

Semanas depois, o rapaz colocou no papel um alerta sobre os riscos da vaidade e da ambição. Desta vez, quem assinava o texto era Maria João de Deus, sua mãe. Chico Xavier decorou cada palavra. Muitas delas eram golpes secos contra sua auto-estima. Para começo de conversa, ele não deveria encarar a própria mediunidade como uma dádiva, porque, imperfeito como era, não merecia favores de Deus. Uma metáfora barroca marcou sua história:
▬  "Seja tua mediunidade como harpa melodiosa; porém, no dia em que receberes os favores do mundo como se estivesses vendendo os seus acordes, ela se enferrujará para sempre".

Chico ficou atento às lições e passou a exercitar tanto o bom humor como a humildade ao longo dos anos.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 15:57


No dia 5 de dezembro de 1934, Humberto de Campos morreu. Três meses depois, Chico teve um sonho. As cenas eram nítidas demais. Ele deparou com um grupo de desconhecidos, embaixo de uma árvore enorme e transparente como cristal, sob um céu muito azul e brilhante. Não havia casas em volta.

Um dos estranhos se destacou da multidão, caminhou em sua direção, estendeu a mão e disse:
▬  "Você é o menino do Parnaso?
▬  Eu sou Humberto de Campos".

As lembranças terminaram aí, mas deixaram o rapaz cismado.

 ▬  Qual o sentido daquele sonho? Três meses depois, ele saberia.

Textos assinados por Humberto de Campos cairiam do céu um após o outro. Em março de 1935, a mão de Chico colocou no papel as primeiras linhas assinadas pelo ex- imortal.

Sob o título "A Palavra dos Mortos", o escritor se apresentava como uma testemunha do "trabalho intenso das coletividades invisíveis pelo progresso humano". Nem parecia aquele acadêmico capaz de desafiar os poetas mortos a competir com os vivos de igual para igual, "reencarnados". Do outro lado, ele tratava de defender as mensagens dos espíritos como "um consolo aos tristes e uma esperança aos desafortunados" .

Os materialistas que se cuidassem. O texto saía a jato da mão de Chico Xavier. A fé viria mais cedo ou mais tarde, pelo bem ou pelo mal:
▬  "Os homens aprenderão à custa das suas dores, com todo o fardo de suas misérias e de suas fraquezas, e as palavras do infinito cairão sobre eles como a chuva de favores do Alto".

O artigo virou introdução do livro Palavras do Infinito, de Chico Xavier, uma coletânea de ensaios assinados por Humberto de Campos e por outros mortos ilustres.

Cinco dias depois, Chico Xavier cobriria uma página em branco com novas frases assinadas pelo jornalista invisível. Era uma carta de despedida endereçada ao rapaz:
▬  "Tive pena quando soube que iam conduzí-lo a um teste. A curiosidade jornalística é agora levantada em torno de sua pessoa. Agora que os bisbilhoteiros o procuram, trago-lhe o meu adeus, sem prometer voltar breve".

O repórter morto saiu de cena e abriu alas para um jornalista vivo. Em maio, Clementino de Alencar, um correspondente do jornal O Globo, desembarcou em Pedro Leopoldo. O carioca estava disposto a desmascarar a "fraude mineira" e teve a primeira oportunidade em sessão espírita no Centro Luiz Gonzaga. Naquela noite, ele se sentou ao lado de Chíco na mesa tosca de madeira e acompanhou, de perto, os movimentos vertiginosos de sua mão sobre o papel.

O lápis percorria a folha na contramão -- da direita para a esquerda e rabiscava frases incompreensíveis. Um dos espectadores arriscou:
▬  "É árabe".

Era inglês, escrito de trás para frente. A mensagem invertida, que só poderia ser lida no espelho ou contra a luz, foi publicada em letras garrafais no jornal carioca:
▬  "My dear spiritualist friends, Men s learning is nothing over against ofthe death: letyou support your cross with patience and courage. The pain and faith are the greater earthly treasure and the work is thegold ofthe lífe. Butfor ali you, believing either not, here is the ourgreat message:
▬  God is our Father. We are brothers. Let us love one another". Emmanuel.

(Meus caros amigos espiritualistas, o conhecimento dos homens não é nada contra a morte; suportem as suas cruzes com paciência e coragem. A dor e a fé são os maiores tesouros terrenos e o trabalho é o ouro da vida. Para todos, entretanto, crentes ou não, aqui está a nossa grande mensagem: Deus é nosso Pai. Nós somos irmãos. Amemo-nos uns aos outros.)

O repórter apontou o erro crasso de gramática inglesa o uso do "the" antes do possessivo "our" na quinta linha e divulgou a desculpa do tal Emmanuel para o deslize:
▬  Ele ainda estava estudando inglês num curso no além.

A noite de boas-vindas ao jornalista foi movimentada. Após a exibição bilíngüe, Chico colocou no papel, em minutos, de olhos fechados, dois poemas de um certo Olavo Bilac: "Aos Descrentes" e "Ideal". Clementino de Alencar avançou sobre o primeiro:
▬  Vós que seguis a turba desvairada As hostes dos descrentes e dos loucos Que de olhos fechados e ouvidos moucos. Estão longe da senda iluminada. Retrocedei dos vossos mundos ocos.

A noitada só terminou depois de Chico Xavier rabiscar um poema de Augusto dos Anjos - sobre o fim das forças do "plasma agonizante" e outro de João de Deus. No quarto de hotel, Clementino passava os olhos pelos poemas do outro mundo e registrava as próprias sensações nas páginas de O Globo:
▬  Nossos olhos correm, a um tempo curiosos e ansiosos, sobre aquelas páginas incríveis, que o caixeiro bisonho e humilde afirma ter recebido, em transe, do mundo das sombras invisíveis, que ficam para lá das nossas percepções normais.

▬  Devemos crer nesse parnaso do além?

Esqueçam por hora as dúvidas. Fique para mais tarde a análise. Nem tudo era poesia na série de reportagens. Clementino também divulgou um texto atribuído a Emmanuel, a quem sempre se referia como o "guia" de Chico. O artigo, sobre o "corpo espiritual", soava como grego escrito de trás para frente.

A vida, em suas causalidades profundas, escapa aos vossos escalpelos, e apenas o embriogenista observa, na penumbra e no silêncio, a infinitésima fração do fenômeno assimilatório das criações orgánicas. O repórter se empolgou e decidiu, então, submeter o matuto de Pedro Leopoldo a uma série de testes. Chico aceitou o desafio.

Questionários elaborados por especialistas foram entregues a ele. As primeiras perguntas, sobre economia, vieram do gerente do Banco Agrícola de Sete Lagoas, Francisco Teixeira da Costa. Chico levou a prova para casa iria submetê-la os espíritos - e apresentou as respostas na manhã seguinte.

A primeira questão era muito difícil: Dado o aumento da população mundial e a escassez de ouro necessário à circulação, a socialização do sistema monetário, tendo por base certa percentagem de exportação de cada país, conseguiria, pela emissão naquela base, regular o fenômeno da troca?

A resposta veio em economês à altura, se arrastou por parágrafos e mais parágrafos, repletos de referências ao lastro regulador e às emissões fiduciárias, e terminou com a assinatura do português Joaquim Pedro d 'Oliveira Martins, ex-deputado, ex-ministro da Fazenda e ex-membro da Academia de Ciências de Lisboa, morto em 1894.

Na reportagem publicada no dia 31, Clementino estava quase convertido ao espiritismo. Sente-se o repórter no dever de anotar, já agora, aqui, esta impressão:
▬  Torna- se cada vez mais remota a idéia de fraude grosseira que tenha porventura surgido com as primeiras notícias relativas ao jovem médium de Pedro Leopoldo. O jornalista fez questão de esclarecer que não era o único ex-cético da cidade. Muitos curiosos desembarcavam desconfiados em Pedro Leopoldo e saíam de lá assombrados.

Um dos observadores atentos entrevistados por Clementino foi o professor de Psiquiatria da Universidade de Belo Horizonte, Melo Teixeira. Ele se sentou próximo ao rapaz e cravou nele seus olhos clínicos. Quando Chico Xavier largou o lápis sobre o papel repleto de frases do além, o médico perguntou quais as sensações do transe.

O matuto falou sobre o torpor e a impressão vaga de uma tênue irradiação. O psiquiatra deu o diagnóstico: Não se pode negar: estamos diante de um fenômeno lídimo, visto, presenciado. Haverá, naturalmente, os que acusam este rapaz de fabricar pastiches. É uma hipótese para observador distante e superficial. Sentimo-nos diante de uma força ultranormal.

Clementino precisava de mais evidências.
▬  Decidiu fazer perguntas em inglês. Uma das questões: Have you, spirits, any power upon thefuture of our livingfriends? (Vocês, os espíritos, têm algum poder sobre o futuro de nossos amigos vivos?).

A resposta, assinada por Emmanuel, começava com uma censura à referência aos amigos vivos.
▬  "Todos nós estamos vivendo", garantiu em bom português.

O repórter de O Globo leu os parágrafos escritos pelo rapaz, mas não se convenceu. Queria respostas em inglês. Em vez de fazer o pedido ao entrevistado, ele resolveu experimentar uma técnica espírita:
▬  A de enviar uma "espécie de prece insistente ao rapaz". "Inglês, inglês", mentalizou.

O texto veio em português. Quando Clementino já estava prestes a voltar ao ceticismo habitual, apareceram, sob a resposta, dezoito linhas em inglês.
▬  Do you have more questions?

Clementino de Alencar mudou. Emmanuel, citado como "guia" de Chico Xavier nas primeiras reportagens, virou o Amigo Invisível (com letras maiúsculas e sem aspas).

O repórter voltou para o Rio, um mês depois, convencido da honestidade do autor de Parnaso de Além-Túmulo. E suas reportagens atraíram caravanas de curiosos a Pedro Leopoldo.

MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 16:31


Mesa de CR$ 15,00

"O Chico estava empregado na venda do Sr. José Felizardo. Ganhava CR$ 60,00 por mês. Mal dava para ajudar a família. Apenas lhe sobrava, quando sobrava, meia dúzia de centavos.
 
Uma de suas irmãs, que o auxiliava no expediente do lar, falou-lhe, certa vez, da necessidade que estavam de uma mesa para a sala de jantar, pois a que possuíam era pequena e estava velha, a pedir substituição.
 
E alvitrou-lhe:
▬  A vizinha do lado tem uma que nos serve. Vende-a por CR$ 15,00.
▬  Mas, como a pagaremos se não possuo e nem me sobra esta quantia, no fim de cada mês?
 
A vizinha, dona da mesa, soube das dificuldades do Chico e, desejando ajudá-lo, propôs-lhe vender o entressonhado móvel à razão de 1 cruzeiro por mês, em quinze prestações mensais.
 
O Chico aceitou e a mesa foi comprada. Pagou-a com sacrifício. Ficou sendo uma mesa abençoada. E foi sobre ela que, mais tarde, entendeu com Emmanuel a lição do pão e dos demais alimentos, verificando em tudo a felicidade do pouco com Deus."
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 17:45



A Morte de Chico Xavier Prevista por Nostradamus

Talvez muitos não tenham se perguntado sobre o significado da morte de Francisco Cândido Xavier ter ocorrido no mesmo dia da conquista do título de pentacampeão mundial de futebol pelo Brasil. A rigor, tal  situação não deveria ter maior significado, pois as pessoas desencarnam todos os dias e nada impede que a separação definitiva do corpo e perespírito se dê em uma dia particular, a não ser o plano de vida pessoal evolutivo daquele que nos deixa.

Na manhã de 30 de Junho de 2002 Chico Xavier nos deixava. À tarde, na Ásia, conquistávamos mais um titulo mundial de futebol.  Sem sombra de dúvida dúvida, uma alegria malsã, pois Chico Xavier foi o maior médium  brasileiro de que tenho notícia, sem demérito algum para os excepcionais médiuns que  nasceram nesta  terra, e ciotar nomes seria injusto pelas missões que acabaria  por cometer.

Por outro lado, temos a insigne figura de Michel de Nostredame, o médico francês do Séc. XVI, que assombrou seus contemporâneos por suas previsões e hoje é uma das figuras mais controversas quando se fala em profecias. 450 anos depois da publicação de suas obras principais ainda discute-se o que teria ele dito e previsto.

Muitos entendem que Nostradamus teria sido um "médium" e da mesma forma que aqueles a quem chamamos de profetas e cujas previsões acham-se codificadas na Bíblia. Entrar nesta polêmica é a meu ver cair em uma armadilha. O movimento espírita nasceu com Alan Kardec, independente de entendermos que a mediunidade seja uma faculdade, um dom ou "acréscimo" (se é que assim podemos chamá-la) que é concedido a um ser com o fim de auxiliá-lo em sua caminhada no plano das formas e que por isto seu exercício preceda o surgimento  da Doutrina Espírita. Sobretudo, inúmeras religiões fazem uso de alguma forma de mediunidade em seus exercícios espirituais e nem por isto devem ser confundidas com o efetivo exercício do espiritismo kardecista.

O ponto de vista aqui esposado, no entanto, afasta-se dessa discussão. Nostradamus parece dar provas de uma  intimidade muito grande com os fatos que viriam a acontecer no que seria seu próprio futuro. Suas previsões propositadamente confusas e crípticas, como ele declara de próprio punho em sua Carta a César, são inequivocamente comprovadas por com fatos subseqüentes, pelo menos para as mentes mais sensíveis à complexa temática da profecia.

Se Nostradamus era um "médium"  na acepção kardecista estrita do  termo ou se ele próprio era o motor de suas próprias previsões é a meu ver uma discussão menor. Nesse caso, seria o mesmo que discutirmos  o quão crescido espiritualmente Chico Xavier seria para receber as mensagens de seu mentor  - segundo ele mesmo declarava - e traduzi-las para nosso entendimento e nível de compreensão. Ninguém se engane, para se receber mensagens espiritualmente elevadas e transmiti-las para terceiros é preciso que se tenha  um desenvolvimento espiritual consoante com o do comunicador, ainda que aqui o termo consoante não queira dizer necessariamente igual.

Dessa forma, se Nostradamus "psicografava" mensagens sobre o futuro vindouro, teria que ter um entendimento no mínimo acima dos de sua época a respeito do sueria o futuro, da mesma forma que Chico Xavier não poderia ter escrito as suas psicografias se estivesse limitado apenas a um processo "mecânico" de transcrição.

Além do mais, em geral o médium é um explicador, um canal de comunicação de mensagens que vêm de um plano espiritual superior. Ele é o responsável por simplificar e permitir entender o que os demais não teriam como ter acesso. Nostradamus, por outro lado, vai na direção oposta: cifra as mensagens para impedir que o conhecimento antecipado de fatos que a humanidade de cada tempo não poderia ter acesso sem vir a ser prejudicada  em sua marcha evolutiva. Definitivamente, não é tudo o que podemos saber a respeito de nosso próprio futuro.

Mas, se é secundária   então a discussão sobre a mediunidade de Nostradamus, o que teria ele a ver com Francisco Cândido Xavier?  Será que alguma de suas centúrias cita "o nosso Chico Xavier"? Minha resposta é um sonoro sim.  Mas para tanto é preciso entrar-se na simbologia de Nostradamus, compreender como ele refere-se aos personagens do futuro.

Uma de suas enigmáticas quadras, que interpreto como uma referência ao advento do espiritismo é  a Centúria  IV, 25:

IV. 25. 
Corps sublimes sans fin à l'œil visibles,
Obnubiler viendra par ses raisons,
Corps, front comprins, sens, chief & invisibles,
Diminuant les sacrees oraisons.

Corpos sublimes sem fim aos olhos visíveis
Virão obliterando (a consciência) por suas próprias razões
Corpos, fronte comprimida, sentido(significado), CHIEF, invisíveis
Diminuirão as sagradas orações.

Temos aí o estilo críptico de Nostradamus: do que está ele falando? Fala de corpos invisíveis "sem fins aos olhos visíveis". Qualquer um que já tenha tido uma experiência de visão direta de um espírito desencarnado (com evolução suficiente) sabe do que ele está se referindo. Muitos espíritos apresentam-se à visão do médium "sem pés", isto é, seus corpos parecem prolongar-se indefinidamente da cintura para baixo, como se trajassem um manto ou algo parecido. Suas ações  sobre o médium também parece descritas no segundo verso.

A atividade mediúnica muitas vezes exige que o médium tenha a sua consciência obliterada, dependendo da atividade a ser desenvolvida: efeitos físicos, psicografia, etc. Temos no terceiro verso um verdadeiro exemplo de uma enumeração de Nostradamus, que realmente nos dá o que pensar.

Nessa enumeração temos seis termos:  Corps, front comprins, sens, chief & invisibles. Por onde começar a entendê-la? Que tal "a fronte comrimida"? Esta era uma das marcas inequívocas da atividade psicográfica de Chico Xavier: a fronte comprimida pela mão ao receber uma mensagem mediúnica.  O termo "sens" quer "sentido",  "significado". Não é o significado  da mensagem mediúnica que precisa ser compreendido? Mas há um terceiro termo, CHIEF, que não existe na língua francesa, nem arcaica, nem moderna. Temos "chef" (literalmente, "chefe"). Mas não temos CHIEF.

Qual o significado de CHIEF? Não que Nostradamus não use termos inexistentes  na língua francesa, porém se há algo em sua obra que fascina são os conhecidos anagramas de nomes que encontramos. Por exemplo, no Presságio  XI, Setembro, temos termos aparentemente sem sentido, como Denys e Annibal.

PRESAGE XI,Septembre.

Pleurer le ciel. à t'il cela faict faire?,
La mer s'appreste. Annibal fait ses ruses:
Denys mouille. classe tarde. ne taire,
Na sçeu secret. & à quoy tu t'amuses?.

Chora o céu. Cabe a ti  esse feito?
O mar se prontifica. Annibal faz suas escaramuças sutis
Dsney parte A frota tarda. Não se mate
Não conhecias o segredo. E porque motivo te divertias?


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 17:48


Porém se nos reportamos ao trágico 11 de Setembro de 2001 e fizermos um pequeno exercício, podemos verificar que se Denys não faz sentido em si é, por outro lado, um anagrama de Dsney.  A Disneilândia fica na Flórida, um dos estados que compões os EUA, local dos atentados. Da mesma forma, Annibal não faz muito sentido nesse contexto, mas se observarmos  mais atentamente, é muito próximo de um anagrama parcial de bin laden. (Não vou entrar aqui no contexto da interpretação completa deste presságio; os leitores interessados podem consultar o rodapé para as referências completas). 

Outra situação onde encontramos uma anagrama é também a quadra:

IX. 74
Dans la cité de Fert sod homicide,
Fait & fait multe beuf arant ne macter,
Retour encores aux honneurs d'Artemide,
Et à Vulcan corps morts sepulturer.

Na cidade de FERT SOD  homicídio
Feito, e feito múltiplo, o boi arfante não morreu
Novo retorno às honras de Artemide
E (restou) a Vulcão (o deus do fogo) os corpos mortos sepultar

Qual é a "cidade de FERT SOD"?  Se observarmos com atenção, FERT SOD é um anagrama de RED SOFT, isto VERMELHA e MACIA. Há algo mais vermelho e macio do que uma maçã, o símbolo de Nova Iorque? Esta é mais uma quadra sobre os atentados de 11 de Setembro, começar por sua própria identificação:

IX, 74 => 09,74 => 09,7+4=11 => 09,11 => SET,11
Esses argumentos estão sendo aqui colocados para  justificar a observação de CHIEF, uma palavra inexistente, como FERT SOD, é provavelmente um anagrama parcial da identidade de alguém. Com certeza, se esta quadra fala do espiritismo, não será de Alan Kardec, mas que tal de

FRANCISCO CÂNDIDO (CHICO) XAVIER= CHIEF

Esta não é a única situação em que Nostradamus, pelo exposto,  usou de anagramas (confusos) para cifrar a identidade um personagem. Há a de outro personagem, brasileiro em que isto acontece, porém deixarei este tema para outra oportunidade.

É importante observar que a quadra IV. 25 acima diz no quarto verso que "as sagradas orações diminuirão". O sentido desta profecia parece-me claro, uma vez que boa parte dos espíritas (principalmente no Brasil) eram anteriormente católicos.

Mas terá sido esta a única oportunidade em que Nostradamus terá citado Chico Xavier? Provavelmente não. Há uma outra referência, mas para tanto precisamos lançar mão de duas sextilhas combinadas e aviso ao leitor que são de complexa compreensão. A primeira é a Sextilha 16:

XI. 16.
En Octobre six cents & cinq,
Pourvoyeur du monstre marin
Prendra du Souverain le Cresme,
Ou en six cents & six, en Juin,
Grand ioye aux grands & au commun,
Grands faits apres ce grand Baptesme.

Em Outubro seiscentos e cinco
O Patrocinador do monstro marinho
Prenderá do Soberano a Crisma
Ou em seiscentos e seis, em Junho
Grande júbilo  aos nobres e ao comum
Grandes fatos após seu grande batismo.

Não há meios de abordar o conteúdo total da interpretação desta quadra neste espaço exíguo. Vamos nos fixar então em uma das datas que são fornecidas, 606 em Junho. Nostradamus usou três datas para  codifcar os intervalos possíveois para a eclosão de determinados eventos: o nascimento de Hitler (20-ABR-1889), o nascimento de Lênin (10-ABR-1870) e o nascimento de um  terceiro personagem, que despontará ara o cenário mundial dentro de poucos anos, 20-JAN-1951. A data 606 corresponde ao número de meses, contados a partir da data de nascimento do terceiro personagem. Por exemplo, ao dividirmos 606 por 12 obtemos 50 anos e 6 meses  como  resultado. Esse valor inicial pode ser usado para estabelecermos "escadinhas", isto é , períodos possíveis para eclosão de determinados eventos.

As escadinhas funcionam  como "odômetros" em que ao aumentarmos determinadas quantidades, outras são diminuídas (a discussão deste método está fora do escopo deste artigo).

Dessa forma temos:

606=50 anos + 6 meses => 51 anos + 5 meses
(ao aumentarmos o número de anos em 1 unidade, diminuímos  o número de meses em 1 unidade para compensar)
20-JAN-1951 + 51 anos + 5 meses = 20-JUN-2002
Dessa forma, temos o período de 30 dias (a rigor seriam 50 dias)  contados a partir de 20-JUN-2002: 20-JUN..20-JUL-2002
Agora a sextilha complementar, a de número 17:

XI. 17
Au mesme temps un grand endurera,
Joyeux mal sain, l'an complet ne verra,
Et quelques uns qui seront de la feste,
Feste pour un seulement, a ce jour,
Mais peu apres sans faire long sejour,
Deux se donront l'un a l'autre de la teste.
 
Ao mesmo tempo um grande penará
Alegria(júbilo)  malsã(ão), o ano completo não verá
E quaisquer uns que estejam na festa (do penta)
Festa somente por um, a seu dia
Mas pouco depois sem fazer longa morada
Dois se verão l'un a l'autre pela testa

A Sextilha 17, complementa a Sextilha 16; diz que ao mesmo tempo em que os fatos da Sextilha 16 estiverem acontecendo (e ela refere-se aos problemas de saúde de João Paulo II em 2002, que se intensificaram a partir de Junho) "um grande penaria" (e morreria, pois não veria o ano se completar). O segundo verso é mais direto então. Porque na Sextilha 16, o quinto verso cita que  em 606 (entenda-se, no período 20-JUN..2-JUL-2002), haveria um grande júbilo para os grandes (os poderosos) e para o povo comum. Esse júbilo efetivamente aconteceu em 30-JUN-2002, quando o Brasil conquistou o inédito título de pentacampeão mundial de futebol. A Sextilha 17, por sua vez, diz que enquanto esse júbilo estivesse em gestação durante a campanha, um grande estaria a penar, vivendo seus últimos dias.

O júbilo  na festa pela conquista do pentacampeonato foi um júbilo malsão, a despeito da música-símbolo que caracterizou as comemorações interpretada por  uma cantora baiana.

Referências:
As íntegras das interpretações das quadras, sextilhas e presságios deste texto podem ser obtidas em:

C04Q025
P011M09
C09Q074
C11Q016
C11Q017


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 17:57



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"A Lenda do Peixinho Vermelho"
(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   No prefácio do livro "Libertação", Emmanuel diz o seguinte à respeito de André Luiz:

—  "Ante as portas livres de acesso ao trabalho cristão e ao conhecimento salutar que André Luiz vai desvelando, recordamos prazerosamente a antiga lenda egípcia do peixinho vermelho.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Encantado com as descobertas do caminho infinito, realizadas depois de muitos conflitos no sofrimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre.

Enunciando aos antigos companheiros que, além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual para a travessia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   O esforço de André Luiz, buscando acender luz nas trevas, é semelhante à missão do peixinho vermelho..."

No centro de formoso jardim, havia um grande lago, adornado de ladrilhos azul- turquesa. Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.

Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos.

Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.

—  O peixinho vermelho que nadasse e sofresse.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome.

Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.

Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro. À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:

(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)   Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)   Optou pela mudança.

Apesar de macérrimo, pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d'água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança...

—  Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.

Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais. Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.

De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.

O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações. Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida.

—  Encontrou:

(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)   Estrelas móveis,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)   Plantas luminosas,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)   Animais estranhos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)   E flores diferentes no seio das águas.

Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)   Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude, continuariam a correr para o oceano.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 18:00


(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  O peixinho pensou, pensou, e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.

—  Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade?
—  Não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?

Não hesitou. Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta.

(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Tornou ao rio,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Do rio dirigiu-se aos regatos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  E dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.

Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia.

Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saíam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele. Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.

O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência.  Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente.

(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos.
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar.

—  Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira:

(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Barcos imensos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Cidades praieiras,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Monstros temíveis,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Jardins submersos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Árvores gigantescas,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Estrelas do oceanos,
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  E ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranquilos.

Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada. Antes que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.

—  Ninguém acreditou nele.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível.

Que aquelas história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente.

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:

▬  "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas?

(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Grande tolo!
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Vai-te daqui!
(http://gifportal.ru/data/smiles/ribi-8.gif)  Não nos perturbes o bem-estar...

▬  Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém possui vida igual à nossa!..."

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.

Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca..

(http://smayls.ru/data/smiles/smayliki-ryby-69.gif)  As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama..."

(Do livro LIBERTAÇÃO, de André Luiz)


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 18:09

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Pinga-Fogo
(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)  Pinga-Fogo foi um programa de televisão veiculado pela extinta TV Tupi Canal 4 de São Paulo.

Estreou no ano de 1955 e terminou no início da década de 1980, com a crise financeira que culminou com o fechamento da emissora.

—  A entrevista com Chico Xavier:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)  Nesse período, marcou a história da televisão no Brasil a personalidade de Francisco Cândido Xavier como entrevistado. Em 28 de julho de 1971 a convite da produção do programa, o médium foi ao ar ao vivo, retransmitido em rede nacional (coisa pouco comum para as emissoras televisivas à época). O programa com previsão inicial para 60 minutos de duração, acabou por se estender por mais de três horas.

A impressionante repercussão junto à audiência levou a emissora a repetir o convite, indo ao ar, na noite de 21 de dezembro do mesmo ano, uma edição especial de fim de ano com o médium.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)  Desta vez o programa acabou por estender-se por quatro horas. A audiência estimada foi de 20 milhões de brasileiros.

Em ambas as ocasiões o médium respondeu à queima-roupa perguntas de alguns dos jornalistas mais conceituados do meio à época, como:

(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Helle Alves,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Reali Júnior,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Saulo Gomes,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Freitas Nobre,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Durval Monteiro,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Herculano Pires,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Vicente Leporace,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     O intelectual católico João Scantimburgo
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Além  do cientista Hernani Guimarães Andrade.

—  Foram abordados temas polêmicos como:

(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Sexo,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Aborto,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Pena de morte,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Bebê de proveta,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)       Homossexualidade,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Transplante de órgãos,
(http://www.gifs-paradise.com/animated_gifs/alarm/animated-gifs-alarm-08.gif)     Cremação dos mortos e muitos outros.

A autenticidade das obras psicografadas pelo médium foi questionada mais de uma vez. Em tempos de Regime Militar, o médium defendeu a atuação das forças armadas no país. Embora não tenha convencido os entrevistadores em muitos momentos, foi um inegável sucesso de audiência, com 75% dos televisores da cidade de São Paulo sintonizados no programa.

—  Características:

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)  O programa, que exibia entrevistas e variedades, encerrava a programação noturna das terças-feiras da emissora. Entre os entrevistados, existiam convidados de todas as áreas, mas sobretudo da política.

Desconheço a fonte.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 18:12


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 18:14



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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 17 de Dezembro de 2010, 18:55


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 19 de Dezembro de 2010, 00:30
(http://3.bp.blogspot.com/_e-y1vy34eSo/S76eciWEN-I/AAAAAAAAAt8/HdyUWVSJKNs/s400/lapis-papel.jpg)

Na noite de 13 de março de 1950, alguns amigos conversavam sobre os problemas do homem na Terra, quando, iniciados os trabalhos, André Luiz veio à assembleia e escreveu a seguinte Mensagem pelo lápis do Chico:


SALDO E EXTRA


O homem comum, em todas as latitudes da Terra, guarda, habitualmente, o mesmo padrão de atividade normal.
Alimenta-se. Veste-se. Descansa. Dorme. Pensa. Grita. Procria. Indaga. Pede. Reclama. Agita-se.
Em suma, consome e, muitas vezes, usurpa a vitalidade dos reinos que se lhe revelam inferiores.
É o serviço de evolução.
Para isso, concede-lhe o Senhor grande quota de tempo.
Cada semana de serviço útil, considerada em seis dias ativos, é constituída de 144 horas, das quais as criaturas mais excepcionalmente consagradas à responsabilidade gastam 48 horas em trabalho regular.
Nessa curiosa balança, a mente encarnada recebe um saldo de 96 horas, em seis dias, relativamente ao qual raríssimas pessoas guardam noção de consciência.
Por semelhante motivo, a sementeira gratuita da fraternidade e da luz para o seguidor de Cristo se reveste de especial significação.
Enorme saldo de tempo exige avultado serviço extra.

Em razão disso, às portas da Vida Eterna, quando a alma do aprendiz, no exame do aproveitamento além da morte, alega cansaço e se reporta aos trabalhos triviais que desenvolveu no mundo, a palavra do Senhor sempre interrogará, inquebrantável e firme:


- "Que fizeste de mais?"


André Luiz
Livro "Lindos Casos de Chico Xavier" - pág 140 - LAKE - 4º ed.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 19 de Dezembro de 2010, 02:23



(http://3.bp.blogspot.com/_pPlaaHsE9PM/S9273kT9WNI/AAAAAAAABGs/7mNmg_vUKkc/s200/chico.jpg)

"A Caridade é um exercício Espiritual.
Quem pratica o Bem, coloca em movimento
as forças da Alma."

Chico Xavier

***


Caridade

Caridade não é tão-somente a divina virtude, é também o sistema contábil do Universo, que nos permite a felicidade de auxiliar para sermos auxiliados.

Um dia, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as posses exteriores, e, se algo nos fica, será simplesmente a plantação das migalhas de amor que houvermos distribuído, creditadas em nosso nome pela alegria, ainda mesmo precária e momentânea, daqueles que nos fizeram a bondade de recebê-las.


EMMANUEL
Psicografado por Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 19 de Dezembro de 2010, 02:59
(http://1.bp.blogspot.com/_DDMqlCPMNjM/Svyfdu6EsEI/AAAAAAAAE1A/unbpS06Shl4/s200/pag9_1.jpg)


A Melodia do Silêncio

Repara a melodia do silêncio
nas criações divinas.
No Céu, tudo é harmonia
sem ostentação de força.
O Sol brilhando sem ruído...
Os mundos em movimento
sem desordem...
As constelações refulgindo
sem ofuscar-nos...

E, na Terra,
tudo assinala a música do silêncio,
exaltando o amor infinito de Deus.
A semente germinando sem bulício...
A árvore ferida preparando
sem revolta o fruto que te alimenta...
A água que hoje se oculta no coração
da fonte, para dessedentar-te amanhã...
O metal que se deixa plasmar no fogo vivo,
para ser-te mais útil.
O vaso que te obedece
sem refutar-te as ordens...
Que palavras articuladas
lhes definiriam a grandeza?

É por isso que o Senhor também nos socorre,
através das circunstâncias que não falam,
por intermédio do tempo, o sábio mudo.
Não quebres a melodia do silêncio,
onde tua frase soaria em desacordo
com a Lei de Amor que nos
governa o caminho!

Admira cada estrela na luz que lhe é própria...
Aproveita cada ribeiro em seu nível...
Estende os braços a cada criatura
dentro da verdade que lhe
corresponda à compreensão...
Discute aprendendo, mas,
porque desejes aprender,
não precisas ferir.

Fala auxiliando,
mas não te antecipes ao juízo superior,
veiculando o verbo à maneira
do azorrague inconsciente e impiedoso.

«Não saiba tua mão esquerda
o que deu a direita» - disse-nos o Senhor.

Auxilia sem barulho onde passes.
Recorda a ilimitada paciência do Pai Celestial
para com as nossas próprias faltas e ajudemos,
sem alarde, ao companheiro da romagem terrestre
que, muitas vezes, apenas aguarda o
socorro de nosso silêncio,
a fim de elevar-se à comunhão com Deus.

Meimei e Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 19 de Dezembro de 2010, 05:24
Querida amiga Marianna


Parabéns pela iniciativa e pela bela homenagem ao nosso querido Chico Xavier.

Esse espaço está muito lindo, como era de se esperar.

Abraços carinhosos da Katia
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 19 de Dezembro de 2010, 05:29
  LUZ  DA  VIDA

 

Enquanto o Natal retorna

Por dom excelso e profundo

De amor que renova o mundo,

Luz da Vida a rebrilhar,

 

Contempla no mar de cores

Em que o Céu se continua,

Alguém que passa na rua

De doce e sublime olhar...

 

Detém-se por toda parte

No trabalho a que se irmana,

Procura a bondade humana,

Sorri a crentes e ateus...

 

Bendiz em todos os templos

A fé simples que se eleva

Por fanal que rompe a treva

Ao santo nome de Deus!...

 

Tem a fronte iluminada,

A sombra desfaz-se ao vê-la.

No peito traz uma estrela

Em forma de coração.

 

Tem a voz amiga e branda

Pedindo aos homens na Terra

O banimento da guerra

E a paz sem destruição...

 

Afirma que a vida é bela

Qual o sol que nos alcança.

Diz que a bênção da esperança

Exalta a força do bem.

 

Que Deus quer misericórdia

Sem que o justo a degrade.

Louva toda a humanidade,

Sem menosprezo a ninguém.

 

Roga socorro aos caídos,

Aos deserdados de afeto,

Aos que caminham sem teto,

Ao triste irmão que vai só.

 

Apoio das mães desvalidas,

E às criancinhas largadas

Ao vento, à noite, nas estradas,

Lembrando flores no pó...

 

Almas aflitas em bando

Ao clarão que se irradia

Exclamam com alegria

Tocada de intensa luz.

 

Quem nos visita nas sombras,

Com tanto amor tanta fé,

Homem ou amigo? quem é?

E o Céu responde:

É Jesus!

 

Pássaros Humanos - Francisco Cândido Xavier - Autora: Maria Dolores   
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 19 de Dezembro de 2010, 22:19
(http://i37.tinypic.com/2nlcuf8.jpg)


FRASES DE CHICO XAVIER


Lembremo-nos de que o homem interior se renova sempre.
A luta enriquece-o de experiência, a dor aprimora-lhe as emoções
e o sacrifício tempera-lhe o caráter.
O Espírito encarnado sofre constantes transformações por fora,
a fim de acrisolar-se e engrandecer-se por dentro.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 00:35


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 00:37

O repórter voltou para o Rio, um mês depois, convencido da honestidade do autor de Parnaso de Além-Túmulo. E suas reportagens atraíram caravanas de curiosos a Pedro Leopoldo.

Cont.


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As vidas de Chico


O aprendiz Curandeiro:

A maioria dos visitantes saía do Rio de Janeiro e de São Paulo atraída pelo porta-voz dos poetas mortos e voltava para casa impressionada com as consultas médicas do Dr. Bezerra. Bastava escrever o nome e o endereço numa ficha para receber, no fim da noite, receitas sempre homeopáticas assinadas pelo espírito do médico.

Ninguém precisava revelar a doença para ter acesso ao diagnóstico escrito por Chico Xavier.
Muitos, impressionados com os poderes do protegido de Emmanuel, chegavam a oferecer dinheiro ao rapaz pobre como prova de gratidão.

Ele recusava e dizia:
▬  Ajude o primeiro necessitado que encontrar.

Outros lhe entregavam presentes. Chico se livrava deles com pressa e discrição. Numa noite, ganhou um relógio de ouro suíço. Na tarde seguinte, visitou uma doente, Glória Macedo. Pobre, ela costumava perder a hora de tomar os remédios receitados pelo Dr. Bezerra por falta de relógio. Chico deixou o presente da véspera sobre a mesa da "paciente".

Mas nem todos saíam satisfeitos do Centro Luiz Gonzaga. Alguns ficavam decepcionados com recados médicos vagos como "buscaremos cooperar espiritualmente em seu favor" ou "confiemos na bênção de Jesus". Chico esclarecia, com educação: não fazia milagres. Sua prioridade era o livro e não a cura.

Às vezes Chico decepcionava como "doutor" e repetia sempre:
▬  Todo médium é falível.

Vulnerável a enganos, ele tratava de tomar precauções:
Nunca receitava antibióticos e, diante de casos mais graves, aconselhava tratamento médico. Ninguém poderia acusá-lo do exercício ilegal da medicina.

Algumas das próprias falas clínico-espirituais ele justificava como decisões estratégicas dos "benfeitores espirituais". Os equívocos serviriam para combater sua vaidade e mostrar seus limites. Bem ou mal, Chico Xavier atiçava a curiosidade e colocava Pedro Leopoldo no mapa. João Cândido Xavier começou a gostar daquela confusão.

Com ares de empresário, sugeriu ao filho:
▬   Se você construir aí na porta um galinheiro e cada visitante deixar uma galinha, ficaremos ricos... Chico sacudiu a cabeça e riu. O pai se irritou.
▬   Ora, Chico, os espíritos que te orientam são tão atrasados, mas tão atrasados que, em vez de escreverem Manuel, escrevem Emmanuel.

O rapaz repetiu a velha história:
Nunca poderia ganhar dinheiro com sua mediunidade.

E ouviu o desabafo paterno:
▬   Eles mandam você não cobrar nada de ninguém porque não pagam o leite e não têm que comer carne. Pode ficar certo, meu filho, quando eu morrer, vou ser seu guia.

João Cândido só faltava bocejar quando o filho abria O Evangelho Segundo o Espiritismo e lia a recomendação de Jesus:
▬   "Dai de graça o que de graça recebestes".

A bênção da mediunidade parecia maldição. O pai ficava impressionado:
▬   Chico trabalhava tanto para os outros a troco de quê?

A recompensa não vinha. Nessa época, o rapaz enfrentava dificuldades sérias no armazém de José Felizardo. O patrão tinha sofrido uma trombose cerebral e o salário estava a cada dia mais minguado. Chico teve que recorrer a um bico na Inspetoria Regional do Serviço de Fomento da Produção Animal, na Fazenda Modelo. Nas horas vagas, trabalhava de graça para o doente e fazia companhia a ele.

Em 1935, Felizardo não teve dinheiro para pagar os impostos do segundo semestre, o armazém faliu e o ex-caixeiro entrou para o quadro de funcionários da Inspetoria como escrevente-datilógrafo. Em vez de servir cachaça, ele escreveria relatórios sobre os bois, cavalos e jumentos puro-sangue criados na fazenda do governo e emprestados, para reprodução, a fazendeiros cadastrados no Ministério da Agricultura. Em pouco tempo, seria um especialista em gado zebu.

No escritório, ele encontrou outro "guia", este de carne e osso, disposto a domar com boas chibatadas seus instintos de "besta espírita". O administrador da fazenda, o engenheiro agrônomo Rômulo Joviano, mantinha o rapaz no cabresto. Espírita de carteirinha, ele não só acompanhava de perto os relatórios do empregado como também supervisionava seus "textos do além" e acompanhava as sessões do Centro Luiz Gonzaga, do qual se tornaria presidente.

Só era distraído mesmo para promoções, aumentos e folgas. Chico já estava às voltas com memorandos bovinos quando chegou às livrarias a segunda edição do Parnaso de Além-Túmulo, em 1935. O volume, quase três vezes maior do que o da primeira edição, era festejado no prefácio pelo vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, Manuel Quintão.

Responsável pela primeira versão do livro, o filólogo espírita festejava as novas aquisições (Olavo Bilac, por exemplo) e transformava em estandarte o texto escrito por Humberto de Campos (espírito). No artigo, intitulado "De Pé, os Mortos", o escritor reafirmava a autenticidade dos poemas ditados pelos espíritos ao matuto de Pedro Leopoldo.

Quintão estava entusiasmado:
O crítico João Ribeiro disse que o médium não traiu nenhum dos poetas. Ora, esta concisa sentença de J. Ribeiro vale por todos os estultilóquios e paparrotadas que andas, que a crítica de papo-amarelo improvisou a propósito de quanto se afaste do seu clássico palmo de nariz.

O texto era um panfleto. A nova edição saiu com um único, e discreto, reparo. O perfil de Guerra Junqueiro, escrito pelo indignado Quintão em 1932, em introdução aos versos atribuidos ao poeta, mudou de tom, o "bardo" português, definido como "notável por sua hostilidade à Igreja de Roma" na versão original, passou a ser admirável por sua "veia combativa e satírica".

Era início da censura na literatura espírita. Era também uma alteração adequada a quem, como Chico, passaria a vida repetindo:
▬   Não vim para brigar com ninguém.
▬   Não vim para dividir.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 00:37


Mas dividia. O romancista mineiro João Domas Filho, por exemplo, se irritaria com os poemas assinados por Olavo Bilac na nova edição do Parnaso:
▬   "Ele, que nunca escreveu um verso imperfeito, nem em sua pior fase, depois de morto ditou ao médium sonetos inteiros abaixo do medíocre".

O ferino Osório Borba, autor de A Comédia Literária, decidiu assistir a uma sessão no Centro Luiz Gonzaga. Sem se identificar, viu Chico espalhar versos pelas páginas em branco em velocidade surpreendente, mas não se convenceu. Após o "espetáculo", ele conversou com o autor do Parnaso e foi honesto:
Duvidava da possibilidade de os espíritos se manifestarem com sua ajuda, mas acreditava na sua honestidade. Chico seria apenas uma vítima inconsciente de fenômenos ainda pouco estudados.

Os poemas e poetas recém-chegados à nova edição do Parnaso geraram boatos mirabolantes. Os católicos mais empedernidos chegaram a acusar a Federação Espírita Brasileira de manter uma comissão de escritores encarregada de inventar todos aqueles versos em sigilo absoluto.

A causa era nobre:
Convencer os incrédulos da existência de espíritos. Chico Xavier desempenharia o papel do ignorante sem tempo nem cultura para escrever os poemas, mas capaz de ser porta-voz dos mortos, em troca de dinheiro e em nome da divulgação do espiritismo.

Os rumores eram tão fortes que Chico tratou de arquivar, com cuidado, os originais de todos os textos vindos do "outro mundo". Quando lhe sugeriram transferir a papelada de Pedro Leopoldo para a sede da Federação Espírita, no Rio, ele recusou. Precisava ter seus garranchos sempre à mão para mostrar aos céticos. Fez bem.

Mais tarde, ele mostraria suas "provas" a dois padres e três protestantes interessados em desmistificar a "fraude mineira". Em meio à polêmica, o rapaz de Pedro Leopoldo ficava famoso e virava atração principal em sessões espíritas de outras cidades.

Em 1936, enquanto Boris Karloff provocava calafrios no filme O Morto Ambulante, ele roubava a cena na Sociedade Meta-psíquica de São Paulo. Na noite de 29 de março, colocou no papel uma mensagem assinada por Emmanuel, em inglês, e escrita de trás para a frente, em papel timbrado da entidade, previamente rubricado com duas assinaturas.

A platéia só faltou aplaudir de pé e pedir bis. Após a exibição, foi convidado para um jantar na casa de uma socialite espírita. A dona da casa tinha ímpetos de colocar o "embaixador" dos mortos numa de suas baixelas de prata. Diante dos talheres reluzentes e dos figurinos de gala, o rapaz enrubescia, engasgava. Nunca tinha visto tanta comida junta. Nem sabia por onde começar. Estava paralisado.

De repente, saltou em direção à porta da cozinha e arrancou das mãos de uma jovem uma travessa repleta de arroz. A anfitriã chegou a tempo de evitar o pior. O rapaz estava contrariado.
▬   A coitadinha é tão frágil. E nós aqui, à toa, vendo-a fazer tudo sozinha.

Foi difícil convencer o matuto de que a coitada era empregada da casa e recebia um salário por aquele serviço. Só após certa disputa pela posse da bandeja, Chico se conformou e foi à mesa se servir. A dona da casa fez questão de acompanhar o tour do pobrezinho em torno do bufê.

Isto é gostoso, meu filho. Coma, coma, coma um pouco mais. Com medo de fazer desfeita, o coitado engolia a miscelânea de carnes, massas e saladas. Sempre que levava à boca os últimos vestígios de comida, escutava a voz estridente ao seu lado:
▬   Coma um pouco mais. O que é isso? Tão pouco..

O prato se esvaziava e logo se enchia de novo. Chico sorria, agradecia, afrouxava o cinto, desabotoava o colarinho, respirava fundo. Quando chegou a sobremesa, sentiu vontade de chorar. A anfitriã cobriu seu prato de doces. Ele comeu. Ao sair, amparado por amigos, escutou o comentário sussurrado pela dona da casa a uma amiga:
▬   Esse Chico é formidável, mas, puxa, como come..

O aprendizado foi indigesto. Chico engoliria muito sapo até aprender a dizer "não"

Chico trabalhava como um obcecado e queria mais. Além dos poemas e crônicas, sonhava escrever romances do outro mundo como a médium Zilda Gama. Ele se colocou à disposição de Emmanuel, mas foi desestimulado por
ele. O trabalho exigia serenidade e Chico estava longe da tranqüilidade, sempre às voltas com os catorze irmãos, o pai desaparecia por algum tempo e a casa ficava por sua conta.

Só dois anos mais tarde, no final de 1938, após assumir com Emmanuel o compromisso de se acalmar, ele começou a preencher as páginas em branco com "lembranças" de 2 mil anos atrás. A primeira cena o pegou de surpresa: dois romanos envoltos em suas túnicas trocavam idéias no jardim, refestelados em longos sofás, quando um temporal desabou.

As imagens e sons eram nítidos demais. Chico se sentiu como se estivesse no cinema, ao mesmo tempo como espectador e ator de um filme, dentro e fora da tela. Parou de escrever. E ouviu a explicação de Emmanuel, o autor do romance:
▬   Você está sob certa hipnose. Você está vendo o que eu estou pensando. Mas não sabe o que eu estou escrevendo.

Chico acompanhou a história como um telespectador diante de novelas. Chegou a torcer por certos personagens. Um deles era o próprio Emmanuel numa de suas vidas pregressas. Na encarnação nada evangélica. Na época de Cristo, ele teria sido não um apóstolo, mas um senador romano orgulhoso chamado Publius Lentulus.

Em 1939, o crítico literário mais rigoroso da época, Agripino Grieco, católico convicto, decidiu conhecer de perto o fenômeno de Pedro Leopoldo. O autor do livro Francisco de Assis e a Poesia Cristã fez o sinal-da-cruz e foi até um centro kardecista em Belo Horizonte, onde o moço exibiria seus dotes.

Chico tinha acabado de lançar um livro com textos de Humberto de Campos (espírito), Crônicas de Além-Túmulo, o quarto da série de trinta títulos, e Agripino, ex-colega do jornalista e escritor, queria checar a honestidade do mineiro que tinha a petulância de se apresentar como representante do morto.

O salão estava lotado. Os auxiliares de Chico, avisados da presença de crítico tão ilustre, providenciaram uma cadeira para ele ao lado do matuto. O recém-chegado enterrou os olhos no rapaz e registrou, em silêncio, as primeiras impressões:

▬   "Um mestiço magro, meão de altura, com os cabelos bastante crespos e uma ligeira mancha esbranquiçada num dos olhos" Em seguida, rubricou, a pedido do orientador da sessão, vinte folhas de papel em branco, destinadas aos garranchos de Chico Xavier.

As rubricas afastariam a suspeita de substituição do texto. Segundos depois, o rapaz fechou os olhos e o lápis disparou sobre a papelada em velocidade impressionante. Primeiro, apareceu um soneto assinado por Augusto dos Anjos. Depois, foi a vez de uma crônica assinada por Humberto de Campos.

O crítico ficou perplexo. Em entrevista ao jornal Diário da Tarde, em 31 de julho, confessou:

▬   "Tendo lido as paródias de Paul Reboux e Charles Muller, julgo ser difícil levar tão longe a técnica do pastiche. De qualquer modo, o assunto exige estudos mais detalhados, a que não me posso dar agora..."

Cinco dias depois, falou ao Diário Mercantil sobre a "profunda emoção" de reencontrar as idéias e estilos do amigo Humberto de Campos. Ainda estava confuso: "Pastiche? Mistificação? Imitação?  Não nos reportemos somente a isso. O que não me deixou dúvidas, sob o ponto de vista literário, foi à constatação fácil da linguagem inconfundível de Humberto na página que li..."

No dia 21 de setembro, Agripino dava sinais de perplexidade crônica em entrevista ao Diário da Noite:

▬   Francisco Cândido Xavier compôs o texto com uma agilidade que não teria o mais desenvolto dos escreventes de cartório. Fiquei naturalmente aturdido. Depois disso, já muitos dias decorreram e não sei como elucidar o caso.

▬   Fenômeno nervoso? Intervenção extra-humana? Faltam-me estudos especializados para concluir.

No fim do ano, cientistas russos se candidataram a estudar o fenômeno mineiro. Fizeram uma proposta a Chico: Ele se submeteria a seis meses de testes em Moscou e receberia em troca trezentos contos de réis, O jovem ficou tentado, O dinheiro era suficiente para construir cinqüenta casas populares. Uma fortuna para quem ainda estava às voltas com a primeira das oito prestações de um novo chapéu.

Emmanuel entrou em cena e quebrou as ilusões do candidato a cobaia:
▬   Se quiser, pode ir. Eu fico.

Chico precisava ter cuidado. A tal "harpa melodiosa" citada por sua mãe poderia enferrujar se ele cedesse à ambição ou ao orgulho.

MARCEL SOUTO MAIOR.

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 00:57


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 00:59


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Chico e Boneca

Chico Xavier tinha uma cachorra de nome Boneca, que sempre esperava por ele, fazendo grande festa ao avistá-lo.  Pulava em seu colo, lambia-lhe o rosto como se o beijasse.
 
O Chico então dizia:
▬  Ah Boneca, estou com muitas pulgas!
 
Imediatamente ela começava a coçar o peito dele com o focinho.
 
Boneca morreu velha e doente. Chico sentiu muito a sua partida. Envolveu-a no mais belo xale que ganhara e enterrou-a no fundo do quintal, não sem antes derramar muitas lágrimas.
 
Um casal de amigos, que a tudo assistiu, na primeira visita de Chico a São Paulo, ofertou-lhe uma cachorrinha idêntica à sua saudosa Boneca.
 
A filhotinha, muito nova ainda, estava envolta num cobertor e os presentes a pegavam no colo, sem contudo desalinhá-la de sua manta.
 
A cachorrinha recebia afagos de cada um. A conversa corria quando Chico entrou na sala e alguém colocou em seus braços a pequena cachorra.
 
Ela, sentindo-se no colo de Chico, começou a se agitar e a lambê-lo.
▬  Ah Boneca, estou cheio de pulgas! disse Chico.
 
A filhotinha começou então a caçar-lhe as pulgas e parte dos presentes, que conheceram a Boneca, exclamaram:
▬  Chico, a Boneca está aqui, é a Boneca, Chico!"
 
Emocionados perguntamos como isso poderia acontecer.
 
O Chico respondeu:
▬  Quando nós amamos o nosso animal e dedicamos a ele sentimentos sinceros, ao partir, os espíritos amigos o trazem de volta para que não sintamos sua falta.
 
É, Boneca está aqui, sim e ela está ensinando a esta filhota os hábitos que me eram agradáveis.
 
Nós seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar.
 
Por isso, quem maltrata um animal é alguém que ainda não aprendeu a amar.
 
Adelino da Silveira.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 01:10


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 01:14
 


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Os exploradores de Chico

Em primeiro de Julho de 2002 a notícia se espalhou por todo o Brasil, dando conta que, no dia anterior, desencarnava o médium mais conhecido de que se teve notícia. Finalmente Deus permitiu que Francisco Cândido Xavier, o Chico, partisse de volta para a Espiritualidade.
 
Mineiro, da cidade de São Leopoldo, Chico passou a quase totalidade da vida psicografando livros e escrevendo mensagens ditadas por Espíritos de pessoas que partiram nas mais variadas situações. Foi uma existência dedicada à divulgação da imortalidade da alma, ao conforto de famílias e multidões. Momentos narrados em livros e prosas por seus seguidores.
 
Nos últimos tempos, porém, Chico vinha sendo motivo de vil exploração por parte dos que o cercavam. Envelhecido, abatido pela idade e enfermidades, teve de enfrentar o assédio e o fanatismo da parentela e amigos. Com freqüência, aparecia na mídia psicografando as costumeiras mensagens.
 
A cena era constrangedora:
 
O médium era literalmente carregado para a mesa do centro espírita. Ali, cercado de exaltados admiradores, se via obrigado a escrever por longo tempo. Ninguém tinha compaixão do homem, nem o deixavam descansar. Qualquer melhora de saúde era motivo para disponibilizá-lo ao trabalho da mediunidade. Cumpriam apenas uma vontade do médium, afirmavam.
 
E assim agiam, mesmo que o bom senso aconselhasse descanso e recolhimento para aquele homem de saúde débil, carente de sossego e cuidados. Um desses dias apareceu trêmulo, psicografando. Sequer conseguia manter a mão sobre a folha de papel. A pena freqüentemente escorregava para a toalha da mesa. O falar, já não mais conseguia. Mas qualquer som que emitisse era motivo de júbilo para a horda que o atormentava dia e noite.
 
Idade e problemas à parte, Chico prestou grande serviço à humanidade. Apresentou uma nova visão da vida após a morte, onde o Espírito do homem continua sua experiência de aprendizado, reencarnando-se tantas vezes quanto forem necessárias, até que se purifique e torne-se perfeito.
 
A grande obra do médium, pensamos, não foi o conforto que distribuiu às centenas de famílias que o procuraram, para consolar-se diante da morte "prematura" de parentes. Mas foi ter apresentado a realidade da vida dos Espíritos nas colônias próximas da Terra, dando sentido a certas colocações abstratas da obra de Allan Kardec.
 
Alma católica:
 
Chico não pôde livrar-se da influência dessa doutrina em seus escritos. Sua maneira de ser e viver achou eco no coração de milhões de brasileiros, em maioria também católicos, que encontraram em suas palavras e procedimentos, similaridade de gostos e tendências comuns. O médium tinha muito a oferecer aos católicos do país. E foi entre eles que conseguiu uma legião de seguidores.
 
A imprensa do país publicou a notícia em jornais, revistas e reportagens televisivas, relembrando e informando sobre a vida e obra de Francisco. Um semanário chamou o Brasil de "país do Espiritismo". E não é de se admirar que essa imagem esteja vinculada ao médium mineiro. O movimento espírita formou-se à volta de suas mensagens e livros psicografados. Mensagens e mensagens circularam pela Internet, comentando a partida daquele que foi chamado "a antena viva" do Além.
 
Que Deus o tenha:
 
Chico morreu. E com ele deverá morrer boa parte do movimento espírita que, de espírita pouco ou quase nada tem ou teve em época alguma. Escrevemos estas linhas aproveitando a partida do médium, para refletir um pouco a respeito do que será daqui para frente.
 
Temos afirmado que é preciso fazer algo pela mensagem de Jesus, conforme Allan Kardec a interpretava. Não se pode, porém, deixar essa tarefa nas mãos dos que seguiam Chico Xavier, pelas simples razão de que eles nunca a compreenderam.
 
São pessoas boas, mas apenas isso. Chico, além de bondoso, possuía certo grau de sabedoria que fazia dele um servo diferenciado. Mas não chegava a ser um Espírito superior, como Allan Kardec (para tristeza dos que achavam ser ele a encarnação do Codificador). O mesmo não se dá com seus seguidores. São bondosos, mas não possuem nem traços do saber que possuía seu mestre. Espelhos a refletirem discursos, histórias e ensinos do médium, mas possuem pouco de sua luz.
 
O centro espírita onde Chico fazia seu "Evangelho" não serve como modelo a quem deseja divulgar e viver a doutrina de Jesus, na visão de Allan Kardec. Não, não se trata de ofensa à boa alma do homem. O motivo é simples: não se tem um Chico em cada centro espírita.
 
O grupo onde trabalhava só funcionava porque ele estava lá. Administrativamente era um caos. Recentemente, escândalos foram publicados na imprensa, envolvendo disputas por dinheiro, oriundos de doações e venda de mimos à multidão que o procurava.
 
Todo mundo tinha conhecimento disso, mas ninguém se manifestava, pois um dos pontos da doutrina pregada pelos Espíritos que inspiraram o trabalho de Chico Xavier, dizia que o mal não merecia comentário em tempo algum, que a tudo se deveria suportar calado. O mal agradeceu, evidentemente.
 
Não se encontra esse tipo de instrução nas obras de Allan Kardec, nem no Evangelho de Jesus. Mas ninguém questionava tal coisa. Poucos conheciam a proposta do Espírito de Verdade.
 
Chico sofreu todo tipo de humilhação:
 
Até uma desnecessária peruca o convenceram a usar. Um filho adotivo, em todos esses anos, fez dele o que quis. Um forte tráfego de influências cercava o médium mineiro. Os mais abastados se fartavam de sua convivência, enquanto os pobres comiam do que caia da mesa. Personalidade passiva, nunca teve forças para modificar esse estado de coisas.
 
Francisco Cândido Xavier foi um homem bom, explorado por muitas pessoas e instituições, nem sempre com intenções superiores. Em sua sombra, (e com dinheiro de suas obras) a Federação Espírita Brasileira - FEB, construiu um movimento religioso incomum:
 
▬  Mistura de catolicismo com Espiritismo (roustainguismo).
 
Não só ela, mas quem quisesse, poderia encontrar nas palavras do bom mineiro, apoio para sua obra, fosse boa ou ruim. Foi assim com a FEB, com seus tentáculos estaduais e com todas as facções existentes no movimento espírita. Cada qual buscava apoio nas palavras desse homem, que infelizmente não sabia contrariar ninguém.
 
Segunda-feira, no dia posterior à morte do médium, estava uma manhã de sol morno. Pelas ruas da cidade, a vida seguia sem qualquer sinal de interrupção. Os homens ocupavam-se das tarefas cotidianas.
 
Ouvi uma pessoa comentando:
▬  "Vocês viram que Chico Xavier morreu? Coitado, né?...".
 
Adiante, um radialista comentava:
▬  "Ontem, o grande médium Chico Xavier morreu". "Tanta gente ruim continua viva, não é mesmo? E ele, um homem tão bom, morreu. Coitado...".
 
Quanto tempo havia se passado, com esse bom homem ensinando justamente o contrário. Que a vida verdadeira é além da morte. Tantos anos confortando pessoas, escrevendo centenas de livros, distribuindo pão e palavra.
▬  O quê, de verdade, teria conseguido?
 
Só Deus o sabe. Pelo comportamento dos milhões de admiradores após sua morte, pode-se dizer que continuam católicos, como eram antes de conhecê-lo. A idéia geral permanece:
▬  Para eles, morrer é sofrer.
 
E, por mais conhecida que seja a mensagem desse nosso amigo, muito ainda há por fazer, pois o mundo continua ignorante das coisas espirituais.
 
-As pessoas continuam vivendo como cegas e surdas.
-Por mais que se grite a Verdade, poucos podem ouvi-la.
 
O mundo está desabando. As pessoas seguem.
 
Muitos receberam provas da vida espiritual pelas mãos desse médium e de outros tantos, que, no anonimato, semeiam a boa semente. Mas seguem como se nada houvesse visto ou ouvido.
 
▬  Qual será o fim dessas coisas?
 
O Evangelho responde:
▬  Não se colhem uvas dos espinheiros.
 
O resultado não vai ser nada bom.
 
▬  Pobre Chico...
▬  Coitado de Chico.
▬  Coitada da humanidade!
 
WOLLER.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 20 de Dezembro de 2010, 01:36

Katia querida, que bom tê-la aqui também, fico feliz que você tenha gostado de mais este espaço pra postamos. Preciso avisar a todos vocês que nós não estamos proibidas de falar aqui.

Macili ontem os vistantes e eu ficamos velando seu sono no nosso Cantinho, menina como você é chique!

Sonia, Passei em Mundo Encantado rapidinho e fiquei triste com aquele incidente, fique tranquila amiga, essas coisas acontece nas melhores famílias, por que não na nossa?

Uma feliz semana aos nossos visitantes e pra vocês.

Um beijo no coração de todos.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 20 de Dezembro de 2010, 18:01
(http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:KFKoYMyUTHQB0M:http://blog.osespiritas.org/up/o/os/blog.osespiritas.org/img/.resized_Chico_Xavier_Blog..jpg&t=1)

Exposição sobre Chico Xavier

Quem passar pela Sede Seccional da Federação Espírita Brasileira, no Centro do Rio, poderá visitar à exposição "A obra mediúnica de Chico Xavier - linha do tempo", que fez grande sucesso no 3º Congresso Espírita Brasileiro.

Apresenta de forma cronológica, os 412 livros psicografados pelo saudoso médium mineiro. A exposição entrou em cartaz em 1º de dezembro e segue por tempo indeterminado. Está aberta à visitação de segunda à sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados, das 10h30min às 11h30min.  O endereço é Av. Passos, 30, 2º andar. Mais detalhes, pelo telefone (21)3078-4747.

Fonte: Boletim SEI 2195, de 16-31/12/2010
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 20 de Dezembro de 2010, 18:25
(http://4.bp.blogspot.com/_1h4NEUkkJlQ/S50ixPPQ0JI/AAAAAAAABPo/Ot_wt9EjIW8/s320/1thumb.jpg)
Marianna,

Por isto que dormi tão bem, tantos amigos queridos velando meu sono...

Você me acha chique???  Sou não...  Sou muito simples...

Gosto de caprichar, colocar amor e beleza nas coisas que faço.
É uma característica minha. 

Fico feliz quando sinto que o trabalho ficou bonito.
Pelo que te conheço, você também é assim!!!   

Só espero que o amor que irradio seja transparente e que todos o recebam com o mesmo encantamento e a mesma intensidade que envio.

O meu afeto e o meu carinho
para você
e para todos os que por aqui circulam

Bjsss

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 20 de Dezembro de 2010, 18:30
(http://2.bp.blogspot.com/_YmCr9VWkzz0/TMYd8vFv-8I/AAAAAAAABHY/pA21WbWy9Dc/S260/porta+flores.jpg)


"Fico triste quando alguém me ofende,
mas, com certeza, eu ficaria mais triste
se fosse eu o ofensor... "

Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 21 de Dezembro de 2010, 03:10
(http://www.mensagensangels.com.br/img/intpicpickup.jpg)

"Quero nascer de novo cada dia que nasce.
Quero ser outra vez novo, puro, cristalino.
Quero lavar-me, cada manhã, do homem velho,
da poeira velha, das palavras gastas, dos gestos rituais.
Quero reviver a primeira manhã da criação,
o primeiro abrir dos olhos para a vida.
Quero que cada manhã, a alma desabroche do sono como a rosa do botão,
e surja, como a aurora do oceano,
ao sorriso dos teus lábios, ao gesto de tua mão.
Quero me engrinaldar para a festa renovada com que cada dia nos convidas
e desdobrar as asas como a águia em demanda do sol.
Quero crer, a cada nova aurora, que esta é a definitiva,
a do encontro com a felicidade, a da permanência assegurada,
a de teu sim definitivo."

(Chico Xavier)


(http://www.mensagensangels.com.br/img/intsmpic2pickup.jpg)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 21 de Dezembro de 2010, 04:34
 ANTOLOGIA  DA  AMIZADE

 

Atende ao bem, conquanto as dificuldades que encontres para isso.

Quando a noite se adensa no caminho, envolvendo todos os ângulos do espaço, uma vela acesa tem o esplendor de uma estrela que descesse do Céu para varrer na Terra a força negativa da escuridão.

Aspiras a vencer e vencerás, mas lembra-te de que vencer sem abrir os caminhos da vitória para os outros é avançar para o tédio da inutilidade sob o frio da solidão.

Não condenes pessoa alguma.

Somos todos irmãos ante a Providência Divina, interligados no trabalho do dia-a-dia em função de nosso aperfeiçoamento mútuo.

Haja o que houver, adianta-te e faze o melhor que possas.

Recorda que é preciso semear o bem por dentro de nós e por fora de nós, onde estivermos, de vez que, nessas diretrizes, o bem se nos fará alegria e paz, coragem e esperança nas áreas de cada hora.

Se pessoas estimáveis caíram em erro, não lhes aumentes o peso da culpa, destacando-lhes esse ou aquele gesto infeliz.

Recorda que toda conversação está carregada de poder criativo. Usa o verbo para o bem e faze com ele a felicidade de quantos te compartilham a vida.

Nada sucede à revelia da Providência Divina.

Não abandones o instrumento de trabalho que os Mensageiros do Senhor te colocaram nas mãos.

Asserena-te e espera. Ama e ensina com paciência.

Não esmoreças. A vida reserva prodígios para quem segue adiante, trabalhando e servindo...

Não permitas que a idéia de fracasso anule os créditos de tempo em tuas mãos. Não abandones a certeza de que podes trabalhar e servir, auxiliar e melhorar, renovar e reconstruir.

Não digas que a grandeza de Deus te dispensa do bem a realizar. Deus é a Luz do Universo, mas podes acender uma vela e clarear o caminho para muita gente dentro da noite.

Os companheiros são sempre alavancas de apoio que devemos agradecer a Deus. Diante, porém, das tarefas a realizar, não exijas tanto dos amigos queridos que te estendem amparo.

Ergue-te, enquanto é tempo, e faze, por ti mesmo, o bem que possas.

Auxiliando a outros, obterás igualmente auxílio. É por esta razão que no Serviço ao Próximo encontrarás sempre o endereço exato do Socorro mais Urgente de Deus.

Tranqüiliza quantos te desfrutam a convivência e faze-os felizes, tanto quanto puderes.

As boas obras nascem do amor temperado pelo sofrimento.

Serve e medita. É possível que a Divina Providência haja permitido a tua queda em erro para que aprendas a tolerar e a perdoar.

Admiráveis são todos os espíritos nobres e retos que militam com grandeza na Causa do Bem. Entretanto, não menos admiráveis são todos aqueles que se reconhecem frágeis e imperfeitos, caindo e erguendo-se muitas vezes nas trilhas da existência sob críticas e censuras, mas sempre resistindo à tentação do desânimo, sem desistirem de trabalhar.

Ninguém se eleva, sem esforço máximo da vontade, dos campos do hábito para as regiões iluminadas da experiência.

Entretanto, ninguém atinge as múltiplas regiões da experiência sem passaportes adquiridos nas agências da dor.

Não penses tanto sobre o que os outros possam imaginar a teu respeito. Raramente isto acontece. Na maioria dos casos, quando notas alguém a observar-te, essa pessoa, provavelmente, deseja saber o que estás pensando a respeito dela. Em qualquer situação, mentalizemos o bem o sigamos para a frente.

No domínio das possibilidades materiais, as lições são diversas. O que guardas, talvez te deixe. O que desperdiças, com certeza te acusa. O que emprestas te experimenta. Em verdade, só te pertence aquilo que dás.

Enquanto cultivarmos melindres e ressentimentos; enquanto não pudermos aceitar os próprios adversários na condição de filhos de Deus e irmãos nossos, tão dignos de amparo quanto nós mesmos; enquanto sonegarmos serviço fraterno aos que ainda não nos estimem; e enquanto nos irritarmos inutilmente, a felicidade para nós é impossível.

Se trabalhas com fé em Deus, na Seara do Bem, não precisas articular muitas perguntas acerca daquilo que te compete fazer.

Prossegue agindo com paciência e, através do próprio serviço a que te dedicas, a Sabedoria de Deus te esclarecerá.

Repara o sol que é luz sublime e infatigável... O céu a constelar-se em turbilhões de estrelas, novas pátrias de luz, exaltando a esperança...

Tudo no altar da natureza é prazer de auxiliar e alegria de servir.

Dar o pano que sobra em nosso guarda-roupa é dever, mas vestir o próximo de novas idéias, através dos nossos bons exemplos, é caridade.

... Não bastará, portanto, crer na sobrevivência do homem. É indispensável clarear o porvir, antecipando edificações iluminadas para o amanhã de nossas almas eternas.

O Espiritismo com Jesus, entretanto, não é somente o corredor de acesso ao paraíso das consolações. Representa, acima de tudo, movimento libertador da consciência encarnada, oficina de instalação do Reino Divino no campo humano.

Não basta sentir simplesmente a bênção da Verdade Soberana. É imprescindível dilatá-la ao círculo de nossos semelhantes, através do bem que concretize a divina palavra de que somos portadores.

Ante o mundo moderno, em doloroso e acelerado processo de transição, procuremos em Cristo Jesus o clima de nossa reconstrução espiritual para a Vida Eterna.

Imprescindível renovar o coração convertendo-o em vaso de graças divinas para a extensão das dádivas recebidas.

Indaguemos, estudemos, movimentemo-nos na esfera científica e filosófica, todavia, não nos esqueçamos do “amemo-nos uns aos outros” como o Senhor nos amou.

Lembremo-nos de que somos os herdeiros diretos da confiança e do amor daqueles que tombaram nos circos do martírio por trezentos anos consecutivos.

Sem a humildade não há progresso possível.

Perdendo na esfera da posse transitória, ganharemos sempre nas possibilidades de conquistar a Luz Imperecível.

Verbo primoroso, sem fundamentos de sublimação, não alivia, nem salva. Sentimento educado e iluminado, contudo, melhora sempre



Antologia da Amizade - Francisco Cândido Xavier - Emmanuel
 

 

 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 23 de Dezembro de 2010, 02:41
(http://2.bp.blogspot.com/_iQL2j3UaIDw/S_VtK-bT8UI/AAAAAAAAAvM/iDRb-GmqLjU/s320/003_chicoxavier.jpg)

O retorno do Apóstolo Chico Xavier



Quando mergulhou no corpo físico, para o ministério que deveria desenvolver, tudo eram expectativas e promessas.

Aquinhoado com incomum patrimônio de bênçãos, especialmente na área da mediunidade, Mensageiros da Luz prometeram inspirá-lo e ampará-lo durante todo o tempo em que se encontrasse na trajetória física, advertindo-o dos perigos da travessia no mar encapelado das paixões bem como das lutas que deveria travar para alcançar o porto de segurança.

Orfandade, perseguições rudes na infância, solidão e amargura estabeleceram o cerco que lhe poderia ter dificultado o avanço, porém, as providências superiores auxiliaram-no a vencer esses desafios mais rudes e a crescer interiormente no rumo do objetivo de iluminação.

Adversários do ontem que se haviam reencarnado também, crivaram-no de aflições e de crueldade durante toda a existência orgânica, mas ele conseguiu amá-los, jamais devolvendo as mesmas farpas, os espículos e o mal que lhe dirigiam.

Experimentou abandono e descrédito, necessidades de toda ordem, tentações incontáveis que lhe rondaram os passos ameaçando-lhe a integridade moral, mas não cedeu ao dinheiro, ao sexo, às projeções enganosas da sociedade, nem aos sentimentos vis.

Sempre se manteve em clima de harmonia, sintonizado com as Fontes Geradoras da Vida, de onde hauria coragem e forças para não desfalecer.

Trabalhando infatigavelmente, alargou o campo da solidariedade, e acendendo o archote da fé racional que distendia através dos incomuns testemunhos mediúnicos, iluminou vidas que se tornaram faróis e amparo para outras tantas existências.

Nunca se exaltou e jamais se entregou ao desânimo, nem mesmo quando sob o metralhar de perversas acusações, permanecendo fiel ao dever, sem apresentar defesas pessoais ou justificativas para os seus atos.

Lentamente, pelo exemplo, pela probidade e pelo esforço de herói cristão, sensibilizou o povo e os seu líderes, que passaram a amá-lo, tornou-se parâmetro do comportamento, transformando-se em pessoa de referência para as informações seguras sobre o Mundo Espiritual e os fenômenos da mediunidade.

Sua palavra doce e ungida de bondade sempre soava ensinando, direcionando e encaminhando as pessoas que o buscavam para a senda do Bem.

Em contínuo contato com o seu Anjo tutelar, nunca o decepcionou, extraviando-se na estrada do dever, mantendo disciplina e fidelidade ao compromisso assumido.

Abandonado por uns e por outros, afetos e amigos, conhecidos ou não, jamais deixou de realizar o seu compromisso para com a Vida, nunca desertando das suas tarefas.

As enfermidades minaram-lhe as energias, mas ele as renovava através da oração e do exercício intérmino da caridade.

A claridade dos olhos diminuiu até quase apagar-se, no entanto a visão interior tornou-se mais poderosa para penetrar nos arcanos da Espiritualidade.

Nunca se escusou a ajudar, mas nunca deu trabalho a ninguém.

Seus silêncios homéricos falaram mais alto do que as discussões perturbadoras e os debates insensatos que aconteciam a sua volta e longe dele, sobre a Doutrina que esposava e os seus sublimes ensinamentos.

Tornou-se a maior antena parapsíquica do seu tempo, conseguindo viajar fora do corpo, quando parcialmente desdobrado pelo sono natural, assim como penetrar em mentes e corações para melhor ajudá-los, tanto quanto tornando-se maleável aos Espíritos que o utilizaram por quase setenta e cinco anos de devotamento e de renúncia na mediunidade luminosa.

Por isso mesmo, o seu foi mediunato incomparável.

...E ao desencarnar, suave e docemente, permitindo que o corpo se aquietasse, ascendeu nos rumos do Infinito, sendo recebido por Jesus, que o acolheu com a Sua bondade, asseverando-lhe:

- Descansa, por um pouco, meu filho, a fim de esqueceres as tristezas da Terra e desfrutares das inefáveis alegrias do reino dos Céus.




Autor: Joanna de Ângelis (espírito)
Psicografia de Divaldo Franco.
fonte: www.oespiritismo.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5vZXNwaXJpdGlzbW8uY29tLmJy)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 23 de Dezembro de 2010, 03:02
CHICO XAVIER, porque "Um homem Amor"?

(http://4.bp.blogspot.com/_iQL2j3UaIDw/S71KfNFEvHI/AAAAAAAAAdY/a-yQLihaOiQ/s640/coluna+Zezinho.jpg)

Postado por Programa Muitas Vidas às Quarta-feira, Abril 07, 2010
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 23 de Dezembro de 2010, 03:11
Obras de Chico Xavier

(http://3.bp.blogspot.com/_iQL2j3UaIDw/S9tgLDjph6I/AAAAAAAAAnM/Xd4qXKJ3hb0/s400/livros-chico.jpg)


Em julho de 1927 inicia os trabalhos de psicografia escrevendo 17 páginas. Em 1928, aos 18 anos, começou a publicar suas primeiras mensagens psicografadas nos jornais O Jornal, do Rio de Janeiro, e Almanaque de Notícias, de Portugal.


Em 22 de maio de 1965, Chico Xavier e Waldo Vieira viajaram para Washington, Estados Unidos, a fim de divulgar o espiritismo no exterior. Com a ajuda de Salim Salomão Haddad, presidente do centro Christian Spirit Center, e sua mulher Phillis estudaram inglês e lançaram o livro Ideal Espírita, com o nome de The World of The Spirits.


Chico Xavier psicografou 451 livros, sendo 39 publicados após a morte. Nunca admitiu ser o autor de nenhuma dessas obras. Reproduzia apenas o que os espíritos lhe ditavam. Por esse motivo, não aceitava o dinheiro arrecadado com a venda de seus livros. Vendeu mais de 50 milhões de exemplares em português, com traduções em inglês, espanhol, japonês, esperanto, italiano, russo, romeno, mandarim, sueco e braile. Psicografou cerca de 10 mil cartas de mortos para suas famílias. Cedeu os direitos autorais para organizações espíritas e instituições de caridade, desde o primeiro livro.


Mesmo não tendo ensino completo ele escrevia em torno de 6 livros por ano entre eles livros de romances, contos, filosofia, ensaios, apólogos, crônicas, poesias… É o escritor mais lido da América Latina. (nota: ano de 2010).


Seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, com 256 poemas atribuídos a poetas mortos, entre eles os portugueses João de Deus, Antero de Quental e Guerra Junqueiro, e os brasileiros Olavo Bilac, Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos, foi publicado pela primeira vez em 1932. O livro gerou muita polêmica nos círculos literários da época. O de maior tiragem foi Nosso Lar, publicada no ano de 1944, atualmente com mais de 2 milhões cópias vendidas, atribuído ao espírito André Luiz, sendo o primeiro volume da coleção de 17 obras, todas psicografadas por Chico Xavier, algumas delas em parceria com o médico mineiro Waldo Vieira.


Uma de suas psicografias mais famosas, e que teve repercussão mundial, foi a do caso de Goiânia em que José Divino Nunes, acusado de matar o melhor amigo, Maurício Henriques, foi inocentado pelo juiz que aceitou como prova válida (entre outras que também foram apresentadas pela defesa) um depoimento da própria vítima, já falecida, através de texto psicografado por Chico Xavier. O caso aconteceu em outubro de 1979, na cidade de Goiânia, Goiás. Assim, o presumido espírito de “Maurício” teria inocentado o amigo dizendo que tudo não teria passado de um acidente.

Como resumir a mais recente encarnação deste espírito?

Eis a tentativa de informar um pouco do caminho de Chico Xavier, tão importante para a doutrina espírita.

Que a sua luz possa nos incentivar no caminho do bem!

Postado por Programa Muitas Vidas às Sexta-feira, Abril 30, 2010
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 23 de Dezembro de 2010, 03:33
(http://3.bp.blogspot.com/_2KsOEO2i5DI/TNcr8YzmzuI/AAAAAAAABmo/2gakoxP-B1A/s1600/imagesCAVUE8CW.jpg)


Benefícios Imediatos


Entre o Aprendiz e o Orientador se estabeleceu o precioso diálogo:


-Instrutor, qual é a força que domina a vida?
-Sem dúvida, o amor.
-Esse poder tudo resolve de pronto?
-Entre as criaturas humanas, de modo geral, ainda existem problemas, alusivos ao amor que demandam muito tempo a fim de que se atinja a solução no campo do entendimento.
-E qual o recurso máximo que nos garante segurança entre as desarmonias do mundo?
-A fé.
-Pode a fé ser obtida, de momento para outro?
-Não é assim. A confiança raciocinada reclama edificação vagarosa no curso dos dias.
-A que fator nos cabe recorrer, para que nos conservem o ânimo e a alegria de servir entre conflitos da existência?
-A paz. -E a paz surge expontânea?
-Também não. Ninguém conhece a verdadeira paz sem trabalho e todo trabalho pede luta.
-Então instrutor, não existe elemento algum no mundo que nos assegure benefícios imediatos?
-Existe.
-Onde está esse prodígio, se vejo atritos por toda parte, na Terra?
-O Mentor fez expressivo gesto de compreensão e rematou:
-Filho, a única força capaz de proporcionar-nos triunfos imediatos, em quaisquer setores da vida, é a força da paciência.



Obra: Pronto Socorro.
Emmanuel e Chico Xavier.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 23 de Dezembro de 2010, 03:52
(http://www.rededasolidariedade.com.br/imagens/pomba.gif)

Dor de Cabeça...


"Era uma sexta-feira. Muita gente aglomerava-se em volta de Chico Xavier. Zeca Machado tomava providências para o início da reunião. O irmão Barbosa postou-se à cabeceira da mesa, Lico, Dr. Rômulo e outros dirigentes do "Luiz Gonzaga" puseram-se a postos. Chico, de pé, abraçava um, dirigia a palavra a outro. Aproximou-se dele uma jovem senhora, reclamando de forte dor de cabeça. Chico a ouviu atentamente e convidou-a a sentar-se na assistência para participar.

A palestra transcorreu normalmente, com os colaboradores dando sua parcela de cooperação nos comentários. Depois da meia-noite, finda a reunião, a senhora que reclamara de dor de cabeça achegou-se ao médium, com a fisionomia radiante e feliz. A dor de cabeça cessara nos primeiros minutos das tarefas. Chico sorriu docemente, despedindo-se dela com carinho.

Instantes depois, explicou: - Emmanuel me disse que aquela senhora teve uma discussão muito forte com o marido, chegando quase a ser agredida fisicamente. O marido desejou dar-lhe uma bofetada e não o fez por recato natural. Contudo, agrediu-a vibracionalmente, provocando uma concentração de fluidos deletérios que lhe invadiram o aparelho auditivo, causando a dor de cabeça. Tão logo começou a reunião, Dr. Bezerra colocou a mão sobre sua cabeça e vi sair de dentro de seu ouvido um cordão fluídico escuro, negro, que produzia a dor. Eu estava psicografando mas, orientado por Emmanuel, pude acompanhar todo o fenômeno".



Fonte: Aprender para Evoluir
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 25 de Dezembro de 2010, 20:27
(http://3.bp.blogspot.com/_qZqbHXtDO9s/SyYW62MjmkI/AAAAAAAABgM/hMQ_MoyfWhM/s400/Natal+bola+presepio.gif)

O significado do Natal para Chico Xavier (exercício para a alma).


O que é o Natal para Chico Xavier?
O que é o Natal para os espíritas?
O que é o Natal para você?

Perguntaram ao Chico Xavier:

Você acha que o Natal está perdendo o significado?
R: Não, não acredito que esteja perdendo o significado porque de ano a ano todos os cristãos se reúnem num pensamento só, no recolhimento e na glorificação de Jesus Cristo, como sendo o Embaixador da Paz e do Amor na redenção da Terra. É possível que, com o aumento da população da cidade, com a explosão demográfica muita gente ainda esteja despercebida do Natal; mas o Natal continua ainda dominando o coração da criatura.

O que representa o Natal para os espíritas?
R: A necessidade de nos amarmos uns aos outros, seguindo o que Jesus nos ensinou, perdão das ofensas, esquecimento das injúrias, o cultivo do trabalho, a fidelidade ao dever, a lealdade aos compromissos assumidos, o lar, a família, a alegria de nos pertencermos uns aos outros através dos laços de fraternidade. Isto tudo é Natal. É nossa mãe, nosso pai, quando estejam no Plano espiritual. Natal representa nossos irmãos muito queridos, ainda mesmo aqueles que não se encontram conosco. É muito amor, muita saudade, mas, é, sobretudo muita união para que se faça o melhor em cada novo ano que aparece.

( do livro Chico Xavier:O Homem, O Médium, O Missionário, de Antônio M. Noroefe)

O que é o natal para você?
Minha irmã, meu irmão que lê esta postagem; nesta bendita hora, te peço para que sintonize uma relação de união com seus Mentores, com o Amado Mestre Jesus e faça esta pergunta dentro do seu coração: " O que é o Natal para mim?".Silencie todo o pensamento, pare todo o movimento e reflita dentro de você sobre esta data, comemorada em todo o mundo Cristão, mas, que poucos sabem o que realmente representa. Fique por alguns minutos pensando sobre o Natal em sua vida; faça uma sincera reflexão. Ao final de alguns minutos, escreva o que você está sentindo e pensando. Não se preocupe em fazer bonito ou certo. Apenas registre a impressão de seu espírito. Deixe-se levar pelo Amor e pela Paz que reina nos corações cristãos nesta época tão especial. Escreva, meu irmão e minha irmã, deixe sua alma falar! Depois leia o que você escreveu: você vai se surpreender com a beleza do seu pensamento! Se você achar interessante use o que sua alma transmitiu e use como mensagem de Natal para seus amores, amigos e conhecidos. Espalhe o verdadeiro Espírito de Natal! Salve Deus!


Fonte: Ciganaaganara

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 25 de Dezembro de 2010, 23:35
(http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/wp-content/uploads/2010/04/topo-clique-na-estreia.jpg)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 25 de Dezembro de 2010, 23:39
Vencedores da Promoção  "Clique na Estréia".

(http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/oscar_chegando.jpg)


Fui pra Uberaba assistir a este belo filme e pelo que percebi
o Amor do Chico merecia um Oscar!
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 25 de Dezembro de 2010, 23:42
(http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/wp-content/uploads/2010/04/maria.jpeg.jpg)


Com a imagem dele no peito, na mente e no coração !!!
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 25 de Dezembro de 2010, 23:45
(http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/wp-content/uploads/2010/03/Antonio-L-Ferreira-Junior.jpg)


No Cinemais, único cinema da cidade localizado no shopping Uberaba,
com 5 salas, todas as seções lotadas desde quinta feira.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 25 de Dezembro de 2010, 23:47
Promoção: "Um minuto para o Chico"

(http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/wp-content/uploads/2010/02/minuto.jpg)


Resultado da Promoção
Confira abaixo os 10 vídeos selecionados pela equipe do site.

Entraremos em contato com os vencedores, que ganharão uma camiseta exclusiva
e um livro dos Bastidores do Filme, autografado por Daniel Filho e Marcel Souto Maior.

Agradecemos a participação de todos. Aguardem novidades!
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 00:06
(http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/wp-content/uploads/2010/07/selo-bluray.jpg)

Promoção dos Vídeos selecionados pela equipe do site.

1. Um minuto para o Chico por Fernando Oliveira Lima Ribeiro;
2. Um minuto para o Chico por Ari Morais;
3. Um minuto para o Chico por David Garcia Alonso;
4. Um minuto para o Chico por Renã Vargas;
5. Um minuto para o Chico por Carla Rogéria Rosa Ferraz;
6. Um minuto para o Chico por Fernando Oliveira Lima Ribeiro;
7. Um minuto para o Chico por Daniel Felix Valsechi;
8. Um minuto para o Chico por Leilane Cassaro Lorca;
9. Um minuto para o Chico por Wagner Aparecido Pressi;
10. Um minuto para o Chico por Katia G. Luz e
11. Um minuto para o Chico por Daniel Barbosa.

Para assistirem aos vídeos -  http://www.chicoxavierofilme.com.br
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 01:56


Emmanuel entrou em cena e quebrou as ilusões do candidato a cobaia:
▬  Se quiser, pode ir. Eu fico.

Chico precisava ter cuidado. A tal "harpa melodiosa" citada por sua mãe poderia enferrujar se ele cedesse à ambição ou ao orgulho.

Cont.



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As vidas de Chico


Para evitar o perigo, começou a castigar o próprio ego com golpes diários e contundentes. A autoflagelação partia de um pressuposto simples: ele não era nada, os benfeitores espirituais eram tudo e um pouco mais.

O segredo do sucesso:

Abrir mão de si mesmo. "Aquele que quiser ser o maior que se faça o servidor de todos", lia no Evangelho. E acatava. Em sua campanha antivaidade, Chico criou, ao longo da vida, alguns slogans para se defender dos elogios.
▬  "Sou apenas Cisco Xavier" era um deles.

Ele fazia questão de proclamar a própria "absoluta insignificância". Afinal de contas, era um "servidor quase inútil da doutrina espírita", "o mais pequenino de todos", "um nada", "mais imperfeito que os outros".

A lista de metáforas autodepreciativas cresceria a cada ano. Chico se apresentaria como um graveto que se confunde com o pó, um animal em serviço, uma besta encarregada de transportar documentos dos espíritos, uma tomada entre dois mundos.

Nenhuma das frases de efeito afastava os devotos e os bajuladores.

Um dia, diante de uma mulher quase de joelhos a seus pés, ele apelou:
▬  Não me elogie assim. É desconcertante. Não passo de um verme no mundo.

No mesmo instante, ouviu a voz de Emmanuel:
▬  Não insulte o verme. Ele funciona, ativo, na transmutação dos detritos da terra, com extrema fidelidade ao papel de humilde e valioso servidor da natureza. Ainda nos falta muito para sermos fiéis a Deus em nossa missão. Daí em diante, Chico preferiu se definir, de vez em quando, como subverme. Para os admiradores, tanta humildade era mais uma prova de santidade. Para os adversários, era pura demagogia, vaidade.

Chico lutava para ser "o servidor de todos", ou seja, "o maior". Um dia, o rapaz se empolgou e apostou nos elogios feitos a ele. Uma carta enviada de um centro espírita de Belo Horizonte definia sua presença numa sessão como "indispensável".

Chico pediu a Rômulo Joviano dois dias de licença na Fazenda Modelo e embarcou no trem rumo à capital mineira. No vagão, foi surpreendido pela aparição de Emmanuel:
▬  Então, você se julga indispensável e, por isso, rompeu todos os obstáculos para viajar como quem realiza uma tarefa fundamental?
▬  Já refletiu que o serviço do ganha-pão é indispensável a você?

Chico desceu do trem e tomou outro de volta. Até se aposentar, não faltaria a um dia de trabalho. Os problemas se sucediam em Pedro Leopoldo. O número de pessoas à procura de Chico Xavier aumentava e muitas delas já iam até a Fazenda Modelo pedir socorro.

Rômulo Joviano começou a se irritar. Era preciso encerrar aquela romaria no horário do expediente. Numa tarde, uma mulher desesperada chegou ao escritório e foi barrada pelo patrão de Chico no meio do caminho. Para despachar a visita, ele garantiu que seu empregado estava em casa. A mulher foi até lá e recebeu a informação verdadeira: Chico estava no emprego. Irritada, ela voltou a Fazenda e ouviu outra mentira: o datilógrafo tinha saído a serviço. Após resmungar um palavrão, desapareceu batendo os saltos no chão.

À noite, foi a primeira a entrar no Centro Luiz Gonzaga. Nem pensou duas vezes. Avançou contra Chico Xavier e encheu seu rosto de bofetões.
Com a voz e as mãos trêmulas, berrou:
▬  Está pensando que tenho tempo para andar atrás de você para cima e para baixo?
▬  Vá já para aquela sala. Você vai me dar um passe agora, cachorro.

Chico ficou paralisado. Não conseguiria ajudar ninguém. Precisava estar calmo para transmitir energia positiva. Emmanuel apareceu com mais um conselho:
▬  Converse com ela, mostre compreensão.

Ainda com o rosto ardendo, ele tomou fôlego e começou a se desculpar: A senhora me perdoe por ser uma pessoa tão ocupada. Não pude atendê-la em meu emprego porque meu chefe não permite. A senhora compreende. Estou ali para servir à empresa que me paga. Não posso ser demitido porque tenho irmãos para ajudar.

A mulher começou a chorar, Chico voltou ao normal e obedeceu a ordem. Quando ela virou as costas, ele perguntou ao seu companheiro invisível se não teve razão de ficar irritado:
▬  Você está com a razão, mas ela está com a necessidade.

Para se acalmar, se lembrou de um dos mandamentos ouvidos de Emmanuel:
▬  Sua missão é formar livros e leitores.
▬  Formar leitores é suportar suas exigências, sem censuras.
▬  Formar livros é se esquecer de você.

No dia seguinte, quando chegou à Fazenda Modelo, Chico foi recebido pelos olhares inquisidores de Rômulo Joviano.
▬  Que inchaço era aquele no rosto do funcionário?
Chico disfarçou:
▬  Bati na porta.
E preferiu o silêncio quando o patrão retrucou:
▬  Dos dois lados?

Para evitar cenas como essa, José Xavier decidiu ajudar o irmão. Os visitantes poderiam ser encaminhados à sapataria onde ele trabalhava. Conversaria com todos até a hora em que Chico saísse do serviço para atendê-los. Alguns doentes chegavam amarrados, arrastados pela família, para serem submetidos às sessões de desobsessão promovidas por Chico.

José atendia aos desesperados com educação e paciência. Numa noite, Chico foi chamado às pressas pela família. José tinha desmaiado e estava mal. Quando chegou à casa do irmão, o médico lhe deu uma esperança:
▬  José vai voltar.

A alegria durou segundos. Logo, ele ouviu um desconsolo de Emmanuel:
▬  Ele vai voltar, mas não vai reconhecer ninguém. Consta de suas provas cármicas que ele deve ficar onze anos num hospício. Algumas horas se passaram e Chico viu, em volta da cama do irmão, um círculo de espíritos. Era uma assembléia.

A explicação veio do amigo invisível:
▬  José conversou com tantos obsediados estes anos todos... Vamos pedir ao Senhor que sua dedicação seja levada em consideração e, em vez de ficar todos esses anos alienado, ele desencarne já.

Minutos depois, Chico foi surpreendido por outra visão:
▬  José se desprendeu do próprio corpo e, como uma cópia de si mesmo, se levantou e sumiu. O velório foi constrangedor.

João Cândido Xavier estava inconformado. Encarava as pessoas, muitas delas em busca das receitas de Chico, e gritava:
▬  Vieram aqui para se curar? Vocês não enxergam? Ele não cura ninguém. Não curou nem o próprio irmão. Voltem para casa. Deixem de ser idiotas.

José Cândido não entendia, por exemplo, por que o tal Dr. Bezerra de Menezes não curava de uma vez a catarata no olho esquerdo do filho. As dores aumentavam, Chico sofria, corria o risco de ficar cego. Onde estavam os milagres? Por que os espíritos viravam as costas para quem os ajudava todos os dias? Era ingratidão demais.

Numa noite, se contorcendo de dor, o próprio Chico tomou coragem e pediu socorro a Emmanuel. Não agüentava mais aquela agonia na vista. Se fosse saudável, poderia aumentar a produção de livros. Ouviu mais uma resposta dura:
Sua condição não exonera você da necessidade de lutar e sofrer, em seu próprio benefício, como acontece às outras criaturas.
▬  Se nem Cristo teve privilégios, por que você os teria?

Chico devia carregar suas cruzes sem resmungos, como um dublê de Jesus. Seu olho às vezes sangrava. Durante uma das crises, ele ficou dois dias em casa deitado no fim de semana. Teve o repouso interrompido pela aparição de Emmanuel.
▬  Por que você está aí parado?
▬  O senhor não vê que meu olho está doente?

▬  E o que o outro está fazendo?
▬  Ter dois olhos é um luxo.

Em pouco tempo, Chico definiria a "enfermidade" como a "melhor enfermeira", agradeceria a Deus por suas dores e abençoaria o sofrimento como forma de evolução, uma maneira de resgatar dívidas de encarnações anteriores e de compensar escorregões da temporada atual. Difícil era se conformar com a falta de apoio de Emmanuel em momentos críticos.

Em 1940, ele enfrentou outra prova médica. De repente, deixou de urinar. A bexiga inchou e o doente, como simples mortal, procurou um médico em vez de recorrer aos céus. O diagnóstico não foi nada animador. Se a retenção urinária se prolongasse por mais 24 horas, o ataque de uremia seria inevitável e fatal. Diante da perspectiva da morte, Chico pediu ajuda a Emmanuel. Desta vez, nem insinuou um pedido de cura. Queria apenas ser recebido por ele no "outro mundo".

Nada feito. Emmanuel tinha mais o que fazer.
Estarei ocupado. Mas se você sentir que a hora chegou, recorra aos amigos do Luiz Gonzaga e, depois, não se descuide das sessões de quarta-feira [dedicadas aos espíritos sofredores]. Espere pacientemente a sua vez de ser atendido. Você não é melhor do que os outros.

Chico se livrou da retenção urinária e, aliviado, se animou até a criar uma letra para a marcha composta por seu companheiro de trabalho, Oswaldo Gonçalo do Carmo, autor do hino de Pedro Leopoldo. Escreveu Nossa Festa e, para evitar o assédio da crítica, atribuiu os versos a uma amiga dos dois, Maria Geralda Carrusca, a Zinha, que tinha ajudado em algumas rimas. Nem sinal de Augusto dos Anjos no poema:

Muita música, maestro
No programa colossal
Todo Sete de Setembro
É nossa data ideal
Cantemos a nossa festa
que alegria não faz mal...

Chico tinha pouco tempo para estripulias profanas. Carregava um vulcão na cabeça. As erupções, incessantes, geravam bateladas de livros.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 02:07

Em 1940, ele lançou três novos títulos ainda faltavam dezenove para ele atingir a cota de trinta combinada com Emmanuel. Mas os romances e poemas do além causavam menos impacto do que os textos que ele começava a escrever em sessões realizadas entre amigos espíritas:
Os recados enviados do céu por parentes mortos a suas famílias.

Naquele ano, Chico colocou no papel uma carta assinada por um garoto de onze anos, Sílvio Lessa, destinada a seu pai, Amaro. O menino tinha morrido e mandava lembranças do outro mundo. Estava feliz. Sua morte foi útil.
Graças ao sofrimento provocado por ela, seu pai se aproximou do espiritismo e passou a ajudar crianças pobres.

Sílvio estimulava a caridade paterna no texto escrito por Chico:
"Quando for em auxílio dos pequeninos desfavorecidos pelo mundo, o seu coração há de me ver no sorriso de todas as crianças a quem estimar como seus próprios filhos..."

Para os críticos distanciados, o texto pecava por pieguice. Para a família, as frases provavam a sobrevivência do morto e davam novo sentido à vida. O pai apostou em cada palavra da carta:
Ela é absolutamente autêntica. Sílvio tocou em pontos absolutamente desconhecidos, mesmo de muitas pessoas de nossa família, cuja realidade é indiscutível. Em sua carta, o garoto contava uma parábola indiana ouvida no colégio.

A história era exemplar:

Um camponês tentava atravessar um rio com uma vaca e um bezerrinho. Mas a vaca se recusava a fazer a travessia. Ele empurrava, puxava, chicoteava o animal, mas nada. Exausto, após várias tentativas frustradas de mover o bicho, ele segurou o bezerro nos braços e atravessou o ribeirão. Para alcançar o filhote, a vaca finalmente se mexeu e passou de uma margem à outra.

A parábola guardava uma lição dolorosa:
o afastamento, ou melhor, a morte de um filho, serviria, muitas vezes, para levar a pessoa ao outro lado da vida.

Ao espiritismo, por exemplo. As chamadas "mensagens particulares" ainda eram raras. Só a partir de 1967, após completar quarenta anos de contatos com o além, Chico receberia em sessões públicas, todas as semanas e em série, os recados de mortos para a família. Muitos céticos seriam convertidos.

As sessões com a presença do Dr. Bezerra de Menezes e os recados do outro mundo serviam à divulgação do espiritismo. As pessoas chegavam em Pedro Leopoldo em busca de ajuda médica, de conselhos espirituais ou de textos do além e voltavam para casa com livros embaixo do braço. De autógrafo em autógrafo, Chico difundia as lições de Allan Kardec, defendia a vida após a morte, consolava. Mas às vezes ficava inconsolável.

Em 1941, a viúva de José Cândido Xavier, Geni Pena, enlouqueceu. As rezas, os passes, as sessões de leitura do Evangelho no Centro Luiz Gonzaga foram inúteis. Chico teve de internar a cunhada num hospício em Belo  Horizonte. Arrasado, ele acompanhou a doente até o quarto, ficou ao seu lado algumas horas e voltou para casa à noite. O filho caçula da moça, paralítico, chorava na cama, sozinho. Chico se ajoelhou e começou a rezar. As lágrimas corriam, ele se lembrava do irmão, se sentia culpado, impotente.

De repente, Emmanuel entrou em cena, incomodado com a choradeira:
▬  Por que você chora?

Chico contou o drama da cunhada, lamentou a situação do sobrinho e foi interrompido por um sermão do recém-chegado:
▬  Não. Você está chorando por seu orgulho ferido. Você aqui tem sido instrumento para cura de alguns casos de obsessão, para a melhoria de muitos desequilibrados. Quando aprouve ao Senhor que a provação viesse para debaixo de seu teto, você está com o coração ferido, porque foi obrigado a recorrer à assistência médica, o que, aliás, é muito natural. Uma casa de saúde mental, um hospício, é uma casa de Deus. Chico ouviu as críticas em silêncio, mas, entre um soluço e outro, pediu a recuperação da cunhada o mais rápido possível.

O discurso se estendeu:
Imaginemos a Terra como sendo o Palácio da Justiça, e a mulher de José como sendo uma pessoa incursa em determinada sentença da justiça. Eu sou o advogado dela e você é serventuário do Palácio da Justiça.
▬  Nós estamos aqui para rasgar ou para cumprir o processo?
▬  Para cumprir
▬  O senhor tem que saber que ela é minha irmã também.

Emmanuel perdeu a paciência de vez:

▬  Eu me admiro muito, porque, antes dela, você tinha lá dentro, naquela casa de saúde, trezentas irmãs e nunca vi você ir lá chorar por nenhuma. A dor Xavier, não é maior do que a dor Almeida, do que a dor Pires, do que a dor Soares, a dor de toda a família que tem um doente. Se você quer mesmo seguir a doutrina que professa, em vez de chorar por sua cunhada, tome o seu lugar ao lado da criança que está doente, precisando de calor humano. Substitua nossa irmã e exerça, assim, a fraternidade.

Chico engoliu o choro, enxugou o rosto e abraçou o sobrinho. Com os braços e pernas atrofiados, a expressão atormentada, o filho de Geni Pena, Emmanuel Luiz, era o retrato do sofrimento. Revirava-se na cama, contorcia-se em convulsões, sacudia-se em crises de choro.

Um amigo de Chico ficou impressionado com o estado da criança:
▬  Como Deus, tão onipotente, admitia tanta dor?

A resposta veio de acordo com a lógica espírita:
▬  Você colhe o que planta. Cada um volta à Terra com as seqüelas provocadas por si mesmo em vidas anteriores. Deus não tinha nada a ver com as tragédias alheias. Cada um é responsável pelo próprio céu ou inferno.

Emmanuel repetiria a Chico várias vezes:
▬  O ontem fala mais alto do que podemos admitir no tempo que chamamos hoje. Na roda-viva das reencarnações, tragédias se sucediam.

Chico fazia incursões pelo mundo-cão. De vez em quando, visitava um jovem deformado num barraco à beira de um matagal. Paralítico, ausente, ele vegetava sobre a cama. Sua mãe, doente, já não tinha forças para cuidar dele. O protegido de Emmanuel arregaçava as mangas, ajudava a dar banho no rapaz e a alimentá-lo. Um médico, diante de quadro tão desolador, chegou a sugerir a eutanásia. Chico mudou de assunto e deu uma explicação estranha para tanto sofrimento.

Em sua última temporada no planeta, o infeliz tinha sido responsável pela tortura e morte de uma multidão de inocentes. Sua herança: uma legião de inimigos raivosos, loucos por vingança. Quando ele morreu, suas vítimas o agarraram e o torturaram de todas as maneiras durante vários anos. O corpo disforme e mutilado representava um abrigo contra os inimigos do outro mundo.

Enquanto ele dormia, seu espírito se desprendia do corpo, saía mundo afora e era atacado pelos adversários. Aterrorizado, em pânico, ele voltava para a tranqüilidade de seu organismo destroçado e se refugiava ali, entre os próprios escombros. A deformidade funcionava como esconderijo. A debilidade servia como fortaleza.

Chico deixava os amigos boquiabertos com histórias como esta. Para muitos, o autor do Parnaso de Além-Túmulo tinha acesso a dados privilegiados sobre as vidas passadas de cada um. Mas o vidente evitava desperdiçar revelações. Só abria exceções em casos críticos.

Como o da mãe desesperada no Centro Luiz Gonzaga, com restos do filho no colo:
▬  Meu filho nasceu surdo, mudo, cego e sem os dois braços. Agora está com uma doença nas pernas e os médicos querem amputar as duas para salvar a vida dele.

Chico pensava numa resposta, quando ouviu o vozeirão de Emmanuel:

▬  Explique à nossa irmã que este nosso irmão em seus braços suicidou-se nas dez últimas encarnações e pediu, antes de nascer, que lhe fossem retiradas todas as possibilidades de se matar novamente.

Agora que está aproximadamente com cinco anos, procura um rio, um precipício para se atirar. Avise que os médicos estão com a razão. As duas pernas dele serão amputadas, em seu próprio benefício.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 02:14


A lei de causa e efeito é implacável no espiritismo.

Que o diga Emmanuel. Quem leu o livro Há Dois Mil Anos ditado a Chico por seu tutor invisível oito anos após o primeiro encontro dos dois levou um susto. O conselheiro do rapaz estava longe de ser santo. Na pele do prepotente senador Publius Lentulus, ele teve um único contato com Jesus.

Numa noite, protegido pela escuridão, abriu mão de seu orgulho e correu até as margens do lago Tiberíades para pedir socorro a Cristo. Sua filha, Flávia, sofria com lepra e corria risco de vida. Jesus atendeu ao pedido, curou a menina e convidou Publius a segui-lo.

O pai de Flávia agradeceu o convite, virou as costas e saiu de fininho. Anos depois, abandonou a esposa, Lívia, por suspeitar de sua infidelidade. Cristã, a mulher terminou devorada pelos leões no Circo Máximo, diante dos braços cruzados do ex-marido.

Resultado:
Publius se deu mal cinqüenta anos mais tarde. Voltou à Terra como o escravo Nestório e terminou seus dias entre os dentes e garras dos leões.

Chico Xavier só conheceria o capítulo mais edificante da biografia de seu mestre em 1949. Emmanuel exibia no currículo uma identidade bem mais honrosa: A do padre Manuel da Nóbrega. Ao lado de José de Anchieta, ele teria desembarcado no Brasil no século XVI para implantar o cristianismo no país.

Com algum atraso, começou a pagar sua dívida com Jesus. Poucos sabiam, mas Chico se sentia ainda mais endividado do que Emmanuel. Naquela história de dois mil anos atrás, ele teria sido Flávia, a leprosa curada por Cristo, a filha de Emmanuel.

O mundo das reencarnações não tem fim nem começo. Alguns espíritas insistem em descobrir quem teriam sido em séculos passados. Chico sempre tentou escapar das especulações com bom humor.

Uma vez, uma senhora chegou perto dele feliz da vida. Tinha feito uma descoberta.
▬  Fui mártir. Morri na arena devorada por um leão.
▬  E você Chico?
▬  Ah, eu fui a pulga do leão.

Ficava cansado daqueles tantos heróis à sua volta. De vez em quando, um amigo abria um sorriso e se apresentava a ele, orgulhoso, como um ex- Napoleão, um ex-rei, um ex-apóstolo. Ninguém enchia a boca para dizer: "Fui um perdedor". Todos tinham histórias edificantes para contar.

Chico ouvia as revelações grandiloqüentes e, às vezes, não resistia a uma ironia:
▬  Eu, aqui, no meio destas cabeças coroadas, com a cabeça decepada.

Ficou feliz da vida quando um vizinho comunicou:
▬  Lá em casa há mais uma criadinha às ordens. Nasceu uma menina e dizem que é o espírito de uma índia que reencarnou.

Chico quase bateu palmas:
▬  Graças a Deus. Até que enfim nasceu uma índia.

Só sentia vontade de vaiar quando alguém especulava sobre as vidas passadas dele.
Certo, ele teria sido Flávia mesmo.
▬  E daí?
▬  Qual a importância disso?

O tema, para ele, era pura perda de tempo. Cada um deveria se preocupar com esta vida. Chico precisava trabalhar. E trabalhava muito para cumprir o combinado com Emmanuel. Em 1941, colocou no papel uma de suas obras preferidas, Paulo e Estevão, ditada por seu guia. Durante oito meses, ele se trancou no porão da casa do patrão Rômulo Joviano, na Fazenda Modelo, após o expediente.

Todas as noites, das 17h15 à 1h, desfilaram, diante de seus olhos, numa tela imaginária, cenas de 2 mil anos atrás, seqüências da vida dos apóstolos de Cristo, imagens de Roma antiga. O trabalho era pesado. Chico preenchia as páginas em branco com textos assinados por seu guia, passava a limpo os originais, datilografava tudo na máquina emprestada pelo patrão e apagava o que tinha escrito a lápis para reaproveitar o papel. O salário continuava curto.

A mulher de Rômulo, Wanda Joviano, mandava uma empregada lhe servir um lanche e escalava um funcionário para deixar o rapaz em casa de charrete. Havia apenas uma condição: Ele deveria estar de volta, pontualmente, às 7h30 no dia seguinte.

Enquanto escrevia Paulo e Estevão, Chico teve um companheiro constante e compenetrado: um sapo enorme. No início, o rapaz olhou desconfiado para o bicho. Emmanuel acalmou o protegido. O animal também era filho de Deus, uma forma de transição. Chico se acostumou com o espectador, embora o achasse estranho.

Todas as tardes, o bicho o esperava na entrada do porão, acompanhava-o até a mesa e ficava quieto num canto. Quando o escritor saía, ele saía junto e sumia no mato. No dia seguinte, estava lá, a postos, pronto para outra. Chico teve crises de choro durante os oito meses de trabalho.

Quando pingou o ponto final na obra, viu um espírito desmontar uma espécie de painel, que transformava aquele cômodo numa cabine isolada do mundo. Começou a sentir saudades dos personagens do livro, saudades da viagem no tempo, gratidão a Emmanuel. Precisava agradecer. Correu os olhos pelo quarto subterrâneo e deparou com o sapo. Tudo resolvido.

Encarou o animal e garantiu:
▬  Irmão sapo, a graça divina há também de brilhar para você. Daquele dia em diante o bicho sumiu.

A Roma antiga também, mas outras imagens nítidas entraram em cartaz no cinema particular do ex-matuto de Pedro Leopoldo.

Algumas seqüências eram assustadoras. Assombrações o ameaçavam de morte, espíritos encapuzados invadiam seu quarto, visitas com pés caprinos chegavam à beira da cama dele. Nem sempre seu guia estava por perto. Numa das "tardes de folga" de Emmanuel, Chico escrevia um relatório na Fazenda Modelo quando, de repente, seu rosto ficou branco, quase transparente, e se contraiu. O datilógrafo deixou escapar um gemido enquanto lançava a mão sobre o ombro. Parecia infartado. O colega de repartição correu em busca de ajuda e, quando voltou, com um veterinário a tiracolo, encontrou a vítima já recuperada. Quis saber o que houve e escutou uma história mirabolante.

Há dias, dois espíritos ameaçavam matar o autor de Paulo e Estevão. Naquela tarde, eles apareceram de supetão. Um deles sacou um revólver e, sem dizer uma só palavra, apertou o gatilho. Ao ouvir o estampido, Chico saltou para o lado, mas não foi ágil o suficiente para impedir que a bala atingisse seu ombro de raspão. Ninguém viu nem ouviu nada e Chico ficou oito dias seguidos com o ombro dolorido.

De vez em quando, o espírita surpreendia os amigos mais íntimos com revelações espantosas. Numa noite, uma jovem aproximou-se dele no Centro Luiz Gonzaga e reclamou de uma dor de cabeça insuportável. Chico pediu para ela acompanhar a leitura do Evangelho. Foi tiro e queda. A moça ficou boa. A cura repentina recebeu uma explicação surpreendente.

A tal mulher havia tido uma discussão violenta com o marido e quase foi agredida por ele com uma bofetada. O golpe foi evitado, mas o marido a atingiu "vibracionalmente", provocando uma concentração de fluidos negativos que invadiram seu aparelho auditivo, causando a enxaqueca. Logo que a reunião começou, Dr. Bezerra colocou a mão sobre a cabeça dela e Chico viu sair de dentro de seu ouvido um cordão fluídico escuro, negro, responsável pela dor.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 02:20


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O protegido de Emmanuel tinha os poderes cada vez mais afiados. Em 1943, começou a colocar no papel seu best seller, Nosso Lar, assinado por um tal de André Luiz.

O texto pegou o mineiro de surpresa. Era diferente de tudo o que ele já tinha escrito. Descrevia o cotidiano numa cidade espiritual próxima à Terra, uma zona de transição fundada por portugueses em algum ponto do espaço, mais perto do Sol do que da Terra, no século XVI.

Era para ali, ou para comunidades parecidas com aquela, que muita gente ia após a morte. Nada de céu, de inferno, de purgatório. A população, formada por cerca de 1 milhão de habitantes, vivia às voltas com uma burocracia tão intrincada quanto à terráquea. Os moradores do Nosso Lar se submetiam a regras ditadas por instâncias como a Governadoria Geral, o Ministério da Regeneração, o Ministério do Esclarecimento e o Ministério da Elevação.

Mas nem tudo era tédio.

O meio de transporte, por exemplo, era bem divertido: um aerobus carro comprido suspenso a cinco metros de altura que parecia ligado a fios invisíveis. Entre os animais à solta na cidade estavam as aves ibis viajores, capazes de devorar as formas mentais odiosas e perversas e de enfrentar, assim, as trevas do Umbral.

O moço de Pedro Leopoldo, acostumado com carroças, charretes e bois, parecia ter se transformado, de repente, em autor de ficção científica. A trama renderia um bom videogame. Para vencer, basta seguir as instruções: o segredo de sucesso nesta zona de transição é faturar os "bônus-trabalho".

Quem quiser alcançar níveis superiores de evolução ou se candidatar a uma nova encarnação deve superar os obstáculos. O principal deles é a preguiça. Uma dica é cumprir a cota mínima diária de oito horas de serviço útil. Os mais empenhados podem fazer quatro horas de serão, no máximo.

O esforço vale a pena. Quem acumula tempo de trabalho dedicado à assistência aos outros recebe provisões extras de pão e de roupa e ganha certas prerrogativas, como visitas a amigos e parentes também mortos, acesso a locais de lazer e a palestras nas escolas dos ministérios.

Mas todo cuidado é pouco. O Nosso Lar está longe de ser o céu, e o governador geral, longe de ser um anjo. A cidade já enfrentou conflitos nada celestiais. Um dia, habitantes recém-chegados da Terra se rebelaram contra a escassez de comida e começaram a exigir provisões mais fartas de pão e mais criatividade nas receitas. O clima ficou tenso, a população dividiu-se e abriu espaço para o assédio de multidões de regiões inferiores.

Legiões vindas do Umbral aproveitaram brechas nos serviços de Regeneração para invadir a cidade. Resultado: o governador mandou ligar as baterias elétricas das muralhas da cidade, destinadas à emissão de dardos magnéticos, isolou os rebeldes recalcitrantes em calabouços da Regeneração, fechou provisoriamente o Ministério da Comunicação e proibiu temporariamente os auxílios às regiões inferiores.

Por mais de seis meses, os serviços de alimentação foram reduzidos à inalação de princípios vitais da atmosfera, através da respiração, e a água misturada a elementos solares, elétricos e magnéticos.

O livro foi um marco para o espiritismo. Ele convenceu muita gente da necessidade de trabalhar, e muito, em favor dos necessitados. Quem se dedicasse à caridade evoluiria mais depressa. Quem ajudasse o outro se ajudaria. A generosidade poderia soar, às vezes, como egoísmo. Mas o discurso deu bons resultados, estimulou o auxílio aos pobres.

Chico Xavier suou para traduzir aquelas lições do outro mundo. Escutava as frases e titubeava com o lápis na mão, perplexo diante do mundo novo. Numa das noites de trabalho, em julho, ele se sentiu fora do corpo e, durante duas horas, ao lado de André Luiz e de Emmanuel, visitou uma faixa suburbana da cidade descrita por ele. Para Chico, a tal viagem, uma das maiores surpresas de sua vida, não ocorreu por merecimento, mas por necessidade: só assim ele conseguiria passar para o papel, sem trair a "realidade", o clima descrito pelo espírito.

O psiquiatra Alberto Lyra arriscou um diagnóstico para casos como esse narrados por Chico Xavier. Em depoimento à revista Realidade, afirmou, já em 1971:
▬   "Uma pessoa, contando repetidas vezes um episódio e obtendo para ele o consenso de seu meio, acaba acreditando que ele é de fato verdadeiro, e nunca mais duvidará de que assim seja".

Alguns parapsicólogos, como o padre Quevedo, defenderiam a tese de "auto-hipnose", capaz de levar Chico ao próprio subconsciente. Diante dos céticos, o rapaz tentaria manter uma postura: a de respeito. "Ninguém é obrigado a acreditar nos fenômenos", diria aos espíritas indignados com a descrença alheia.

No início, diante das primeiras críticas, ele ficava irritado. Emmanuel deu um jeito nele com algumas frases contundentes:
▬  Seu ressentimento é pura vaidade. Você não pode exigir que os outros acreditem naquilo em que você acredita. Ninguém precisa seguir a sua cartilha.

Logo após escrever Nosso Lar, seu décimo nono livro, o próprio Chico quis estudar Psicografia. Pediu a opinião de Emmanuel e foi atendido com uma metáfora bucólica:
▬  Se a laranjeira quisesse estudar o que se passa com ela na produção das laranjas, com certeza não produziria fruto algum. Vamos trabalhar como se amanhã já não fosse possível fazer nada. Para nós, o que interessa agora é trabalhar.

Chico trabalhava como um louco. Se estivesse no tal Nosso Lar, teria acumulado bateladas de bônus. O trabalho, para ele, era uma obsessão e uma terapia. Bastava acordar de suas três ou quatro horas de sono diário, quase sempre turbulento, para ser surpreendido por frases e mais frases.

Era incontrolável, compulsivo. Com a cabeça cheia, saltava até a escrivaninha, esparramava parágrafos às pressas no papel e corria para a Fazenda Modelo. À noite, ia para o Centro. Não podia perder tempo. Depois do almoço, costumava passar vinte minutos à toa, à espera da charrete que o levaria de volta à Fazenda Modelo. O charreteiro sempre se atrasava.

Numa tarde, ouviu a voz do poeta Casimiro Cunha, morto em 1914. Ele estava disposto a ditar um livro por dia ao datilógrafo nesses intervalos. Chico engolia a comida, corria para o quarto, se debruçava sobre as páginas em branco. Sua irmã fazia discursos sobre os malefícios de ler e escrever após comer e ele colocava no papel seu décimo oitavo livro.

Cabeça vazia, oficina do diabo. Ele apostava no ditado. E, muitas vezes, receitava o trabalho como cura para a ansiedade, anestesia para a solidão, antídoto contra os obsessores e até como forma de adiar a morte.

O trabalho engrossa o fio da vida repetiria, O trabalho em favor dos outros era um remédio quase milagroso. Quem alivia é aliviado. Ele estava sempre às voltas com metáforas ouvidas de Emmanuel. As frases de efeito estimulavam o rapaz a dispensar folgas e feriados. Uma delas comparava o médium a um campo de pouso, o espírito a um avião e ensinava:
Se a pista não estiver cuidadosamente preparada, a máquina não consegue se ajustar ao pouso necessário.

De vez em quando, Chico ouvia o vozeirão de Emmanuel em seus ouvidos:
▬  Nada se pode fazer de nada.

Chico nunca usou relógio, para evitar o hábito de medir o tempo de trabalho, e sempre se sentiu culpado ao desperdiçar as horas. Seu protetor fazia questão de repetir:
▬  Vamos trabalhar como se amanhã já não fosse possível fazer nada.

Emmanuel era implacável.

Numa noite, ou melhor, já à 1h da madrugada, Chico voltava exausto de mais uma sessão no Centro Luiz Gonzaga quando abriu a porta de casa e deu de cara com uma cena nada agradável. Os dois gatos tinham sofrido uma indigestão. A sala parecia um chiqueiro. O mau cheiro estava insuportável. Chico sacudiu os ombros. Pediria a uma das irmãs que fizesse a limpeza na manhã seguinte.

Quando estava a caminho do quarto, escutou a voz do guia:
▬  Você, que vem de uma reunião espírita, está fugindo da sua obrigação?
▬  Está exigindo que uma pobre menina, cansada de trabalhar nas panelas e no tanque para que não lhe falte comida nem roupa lavada, limpe esta sujeira?
▬  Você vai pegar um pano, vai trazer água, sabão e vamos lavar.

Chico acatou. Só ele lavou.

Emmanuel, de braços cruzados, se limitou a "passar sabão" no coitado:
▬  No espiritismo, a pessoa tem que começar estudando nos grandes livros e também lavando as privadas, trabalhando, ajudando os que estão com fome, lavando as feridas de nossos irmãos. Se não tivermos coragem de ajudar na limpeza de um banheiro, de uma privada, nós estaremos estudando os grandes livros da nossa doutrina em vão.

Durante toda a sua vida, ele conservaria o hábito de varrer seu próprio quarto e limpar seu banheiro. De vez em quando, Chico desanimava. Numa tarde, ele voltava da Fazenda Modelo, a pé e cabisbaixo, rumo a sua casa. Imaginava quando toda aquela trabalheira, cercada de desconfiança, iria terminar.

Emmanuel apareceu com mais uma lição.
▬  Apontou um lavrador, que capinava, e usou uma metáfora:
▬  Reparou? A enxada, guiada pelo cultivador, apenas procura servir. Não pergunta se o terreno é seco ou pantanoso, se vai tocar o lodo ou ferir-se entre as pedras. Nós somos a enxada na mão de Jesus. E a enxada que foge ao trabalho cai na tragédia da ferrugem.

Emmanuel estalava o chicote. Rômulo Joviano fincava as esporas.

MARCEL SOUTO MAIOR.




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 02:30


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 02:31


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 02:49


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 03:06


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 03:20


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 03:25

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Primeira foto de Chico Xavier.

Em meio às merecidas homenagens que Chico Xavier vem recebendo, pela comemoração do seu centenário de nascimento, vale a pena relembrar alguns dos seus momentos mais marcantes junto à imprensa.

A maioria deles foi de alegria, consideração e respeito, tratamentos que Chico sempre mereceu. Outros, bem pontuais, trouxeram alguns dissabores para o humilde seareiro de Jesus que sempre, na alegria ou na dor, soube dar testemunho de fé e de confiança na vitória do Bem.

A estréia de Chico Xavier na mídia leiga ocorreu em 1928, ano seguinte ao do inicio de suas atividades mediúnicas de psicografia, ocorrida na noite de 8 de julho de 1927, na pequenina e bucólica Pedro Leopoldo, nas proximidades de Belo Horizonte. Chico tinha 18 anos de idade. As primeiras mensagens foram publicadas em O Jornal, do Rio de Janeiro, e no Almanaque, de Portugal.

Em 1932 foi lançado o livro Parnaso do Além-Túmulo, o primeiro da extensa bibliografia mediúnica de Chico. A obra, na versão atual, bem ampliada, é uma coletânea de poesias de famosos poetas brasileiros e portugueses já falecidos. O burburinho foi grande entre literatos respeitáveis que buscavam traçar um paralelo entre as poesias do Parnaso com as que seus autores tinham produzido em vida.

Algumas críticas atribuíam plágios à obra, mesmo sabendo que Chico não tinha ido além do ensino do curso primário. Não faltaram também reconhecimentos como os de Humberto de Campos, pelas páginas do Diário Carioca, onde o festejado cronista encontrou identidade nas poesias de Casimiro, Castro Alves, Guerra Junqueiro, Antero de Quental e Augusto dos Anjos.

Com críticas ou elogios Chico ganhou notoriedade a ponto de transpor os portais de academias.

Em 1935, Chico Xavier começa a receber ditados do espírito Humberto de Campos, falecido em 5 de dezembro de 1934. A notícia correu célere já que o escritor era um dos mais conhecidos da época.

O jornal O Globo, do Rio, resolve então apurar e envia para Pedro Leopoldo o grande jornalista Clementino de Alencar. Isento e duro, mas sincero, Clementino promoveu um verdadeiro “inquérito” a respeito da vida e da obra de Chico Xavier, permanecendo na cidade de abril a junho daquele ano.

As reportagens intituladas “Mensagens de Além-Túmulo!”, sérias e bem produzidas, começaram a circular na edição de 1º. de maio de 1935, e, daí em diante, publicadas quase diariamente com destaque e interessantes ilustrações. O trabalho, profundo e respeitoso de Clementino de Alencar, valeu como atestado de idoneidade para Chico Xavier.

O jornalista acabou se dando por convencido da seriedade de seu entrevistado e do trabalho mediúnico desenvolvido.

O ano de 1944 foi difícil para Chico, talvez o mais acerbo com a mídia ao longo dos anos. Enfrentou o processo movido pela família do escritor Humberto de Campos e a reportagem desairosa produzida pelo repórter David Nasser na revista O Cruzeiro.

No processo, a viúva de Humberto de Campos, em Ação Declaratória, pleiteava reconhecimento ou não de autoria das cinco obras assinadas pelo marido falecido, que estavam em circulação. Dona Catarina Vergolino de Campos queria explicações.

O móvel principal, pelo que se depreendia, era o pleito de direitos autorais ou mesmo ingresso de processo criminal contra Chico e diretores da FEB, caso fosse proclamada alguma falsidade na Declaratória.

Concomitante ao processo, O Cruzeiro, com o claro intuito de denegrir Chico e o espiritismo, envia para Minas Gerais a sua dupla famosa, David Nasser e o fotógrafo Jean Manzon. Aterrissam em Belo Horizonte, em pleno sábado e, por estradas poeirentas, ganham a Fazenda Modelo, em Pedro Leopolodo, onde Chico trabalhava subordinado ao Dr. Rômulo Joviano.

A expectativa de ambos era concluir rapidamente o trabalho, porém, são orientados por Rômulo a procurar Chico, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, na sexta-feira seguinte. Dispostos a romper o cerco, a dupla resolve montar uma farsa dirigindo-se diretamente para a casa de Chico, apresentando-se como repórteres americanos.

Depois de entrevistarem o médium e fotografá-lo nas mais diferentes situações, saíram rapidamente da cidade temerosos de serem descobertos na “armação”, principalmente por Dr. Rômulo que os atendera.

Achavam mesmo que tinham enganado o médium e os espíritos que o secundavam. Suas identidades reais – imaginavam – não haviam sido descobertas.

No Rio de Janeiro, ao lerem as dedicatórias nos livros com que Chico os presenteara, constataram em meio às palavras seus nomes e a chancela do espírito Emmanuel, o guia espiritual do médium. Mesmo assim, a reportagem tendenciosa foi publicada no dia 12 de agosto de 1944, com fotos ridículas e legendas que tinham por fito aviltar a figura do entrevistado.

Chico temia pelo pior.

Consta que num desses momentos de tristeza o espírito Emmanuel o “consola” dizendo:
▬  “O Cristo foi para a cruz e você para o Cruzeiro!”.

Dias depois do sofrimento atroz, em 23 de agosto de 1944, o Dr. João Frederico Mourão Russell, juiz de Direito em exercício na 8º Vara Cível do antigo Distrito Federal, julga o processo e decide ser a viúva D. Catarina carecedora da ação proposta, sentença também mantida por instância superior na apelação interposta.

Após esses episódios Chico Xavier se manteve arredio com a mídia e dela afastado por muito tempo.
O retorno à imprensa se deu em 1968 com sua entronização no mundo da televisão através do repórter Saulo Gomes que, após muitas démarches e conquistar a confiança de Chico, conseguiu produzir, em Uberaba, e levar ao ar pela extinta TV Tupi de São Paulo, sua primeira entrevista com o médium mineiro.

A partir desse momento histórico sucederam-se os dois “Pinga Fogo”, na mesma TV, no ano de 1971, que Saulo Gomes ajudou a organizar. O resultado foi o que o mundo inteiro conhece: Chico Xavier tornou-se uma referência, um ícone, uma celebridade, nunca mais deixou de ser lido, ouvido e visto nos programas de rádio, de televisão e nos mais importantes jornais e revistas do Brasil e do Exterior.

Essas breves notas têm por escopo convidar os leitores a se aprofundarem no tema, difundido em livros, jornais, revistas, teses acadêmicas e na Internet.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 03:28

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Era uma vez um moço ingênuo e feliz, vivendo numa cidadezinha ingênua e feliz, perto de Belo Horizonte.

O moço se chamava Francisco Cândido Xavier e não desmentia o nome. A cidadezinha, Pedro Leopoldo, arrastava suas horas de doce paz, entre as missas de domingo e a chegada do trem da capital.

Não se sabe como, numa noite ou num dia, Chico se mostrou inquieto e desandou a escrever.

Terminando, disse, apenas, à família assustada:
▬  "Não fui eu.
▬  Alguém me empurrava a mão".

Desce êsse dia ou essa noite, Chico Xavier perdeu o sossêgo e também o de sua cidade. Turistas chegavam, atraídos pela fama do moço-profeta. Pedro Leopoldo ia crescendo e Chico Xavier ia ficando importante. Nunca mais teve paz. Nunca mais pôde sair pela rua, sem ouvir um pedido de saúde ou uma prece de gratidão.

Se ao menos fôsse só isto.

Era mais, muito mais. Eram os curiosos do Rio, de São Paulo e de Belo Horizonte, pedindo consultas ou detalhes pelo telefone interurbano. Era a legião de repórteres em busca de novas mensagens.

O representante da editôra insistindo por outros livros. Os centros espíritas de todo o país solicitando pormenores. Uma vida infernal, agitada, barulhenta sacudia o pobre rapaz.

As luzes dos lampiões da cidadezinha nunca mais dormiram sem a presença de um estrangeiro, rondando pelas ruas dantes tão sossegadas.

Fixaremos, precisamente, a violenta mudança de vida de Chico Xavier e da cidade de Pedro Leopoldo. Não nos interessa, embora pareça estranho, o medium Chico Xavier, mas a sua vida. Os seus trabalhos psicografados, ou não psicografados, já foram assunto de milhares de histórias, divulgadas desde 1935.

Se são reais ou forjadas, decidam os cientistas. Se êle é inocente ou culpado dirão os juízes. Se êle é casto, instruído, bondoso, calmo, diremos nós. Porque não somos detetives do além.

Se os espíritos nos ouvem, êles sabem que não acreditamos em suas mensagens, nem desacreditamos de suas virtudes literárias. A verdade é que não temos a bravura indispensável para avançar sôbre o terreno pantanoso do outro mundo e analisar suas reais ou irreais comunicações utilizando aparelhos de escuta com êste pálido e sensitivo Chico Cândido Xavier.

Desde que saímos daqui, levávamos a inabalável determinação de fazer uma reportagem sem complicações, apesar do assunto em sua natureza extra-terrena mostrar-se absolutamente complicado. Assim é que o senhor, amigo, chegará ao fim destas linhas sem obter a certeza que há tanto tempo procura:

▬  "É Chico Xavier um impostor ou não é?"  E dirá:
▬  "Não conseguiram desvendar o mistério!"

Sim, o mistério continuará por muito tempo. Eternamente. E Chico Xavier morrerá, sem revelar o segrêdo de sua extraordinária habilidade ao escrever de olhos fechados, se é mágico, ou de seu fantástico virtuosismo, ao chamar, além das fronteiras da vida, as almas dos imortais, fazendo-os recordar os velhos tempos da Academia.

Nossa intenção é mostrar o homem.

▬  Sem o espírito dentro de si, nos momentos vulgares, Chico Xavier é adorável, cândido, maneiroso, humilde, um anjo de criatura. A frase de uma vizinha define melhor:
▬  "Sabe, moço? O Chico é um amor".

Justamente dêsse tipo desconhecido, da parte anônima de sua devassada vida, é que tratamos, na hora e meia que permanecemos em Pedro Leopoldo. Para começar, diremos que Chico nunca teve uma namorada.

O tempo de viagem de Belo Horizonte a Pedro Leopoldo não vai além de hora e meia. A meio caminho, encontramos a fazenda federal onde Chico Xavier é dactilógrafo.

O motorista não quer entrar.
▬  "Aí, não. Até os zebus são atuados".

O diretor, Rômulo, está na horta, sòzinho. Êle nos dará, talvez, esclarecimentos sôbre a vida de Chico e, quem sabe, facilitará o encontro com o sensitivo. Ouve o pedido. Depois, lentamente, abana a cabeça e o seu "não" é inflexível, desde o primeiro minuto.

Alega um milhão de coisas. Que Chico anda cansado e precisa repousar. Um de nós lembra a possibilidade dêle, diretor, dar umas férias a Chico.

▬  "O Chico funcionário nada tem a ver com o outro Chico". Apresentadas as despedidas, êle adverte:
▬  "Não creio que será possível aos senhores um encontro com êle. Creio que vão esperar até sexta-feira".

Voltamos a deslizar pela estrada, neste sábado negro. A cidade aparece depois de uma curva.

▬  "Onde fica a casa do Chico Xavier?" O menino aponta a igreja.
▬  "Ali, na rua da matriz. Ele mora com a família".

Encontraríamos, em várias oportunidades, a mesma designação do pessoal do município: êle. Todos apontavam Chico, sem recorrer ao nome.

Êle só podia ser êle.
▬  "Minha irmã foi curada por êle".

Ei-lo aqui, diante de nós. Veio a pé da fazenda e em sua companhia um senhor do Rio, que algumas vêzes vem passar semanas com o medium.

▬  "Gosto de falar com êle. É um rapaz de cultura. Discute vários assuntos, lê um pouco de inglês e de francês. Devora os livros com fúria. Trouxe-lhe, há dias, "O homem, êsse desconhecido" e êle não gastou mais de quatro horas e meia para ler o volume gordo. É um prazer para êle. Seu único amor é o espiritismo".

Chico, perto de nós, não está ouvindo a palestra. Conversa com Jean Manzon. Devemos esclarecer que não dissemos qual a organização jornalística em que trabalhávamos. Queríamos ver se o espírito adivinhava. Não houve oportunidade.

Chico parecer ser um bom sujeito. Suas ações, mesmo fora do terreno religioso pròpriamente dito, são ações que o recomendam como alma pura e de nobres sentimentos.

Vão dizer, os espíritas, que é natural:
▬  Todo o espírita dever ser assim. Sei de um que não teve dúvida em abandonar a espôsa, o lar, sete filhos, um dos quais doente do pulmão.

 Disse-me um dos filhos:
▬  "Na rua, entre seus irmãos de seita,  êle se mostrava esplêndido, generoso, cordial.
▬  Em casa, por pouco não botava fogo nas camas, à noite. Parecia um verdadeiro demônio. Guardava até alface no cofre-forte”.

Já o Chico não é assim. Sua nobreza de caráter principia em casa. Todos os seus irmãos e irmãs louvam a sua generosa e invariável linha de conduta, protegendo-os, hora a hora, dia a dia, através dos anos, trabalhando como um mouro. Um de seus sobrinhos sofre de paralisia infantil. Atirado a um berço, chora eternamente. Sòmente o Chico vai lá, fazer companhia ao garôto, às vêzes uma noite inteira.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 03:31


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Entrevista da Revista O Cruzeiro

12 de agosto de 1944


▬  Chico!
▬  Que é, meu senhor?

▬  Você lê muito?
▬  Não. Só revistas e jornais.

Êle nos olha, surprêso, quando a pergunta, como um busca-pé, sai correndo pela sala:

▬  Você, não pensa em se casar, Chico?
▬  Eu, casar? (Dá uma gargalhada) - Claro que não.

▬  Não namora?
▬  Nunca.

▬  Por que?
▬  Não há razões. Não gosto. Tenho outras preocupações. Ora, eu namorando... Tinha graça...

▬  Chico...
▬  Que é?

▬  É verdade que o padre desafiou você para um duelo verbal?
▬  Êle disse pra eu ir à igreja discutir. Não é lugar próprio.

▬  Você gosta do padre, Chico?
E êle, o ingênuo e feliz Chico, respondeu:
▬  Ué, eu gosto do padre, mas êle não gosta de mim.

▬  Chico...
▬  Que é?

▬  Onde estão suas mensagens?
▬  Um irmão levou tudo, em vista de tantas complicações.

▬  Você vai ao Rio?
▬  Até agora, nada resolvemos. Possìvelmente, mandarei uma procuração.

Numa estante, os livros de Chico. Versos de Guerra Junqueiro, Tolstoi e uma porção de autores mortos. Na sala do lado está a mesa onde êle recebe as mensagens. Uma papelada branca, pronta para ser coberta pelas mensagens do outro mundo. Sexta-feira houve mais uma sessão, desta vez presidida pelo chefe do executivo municipal. Humberto de Campos não compareceu mas o Emanuel, guia de Chico, lá estava.

▬  Quem é Emanuel?
▬  Um romano que existiu na mesma época de Jesus e conta um mundo de coisas interessantes sôbre a terra, naqueles tempos de há dois mil anos.

▬  Êle dita?
▬  Vou psicografando as mensagens. Há outros mediuns, como um norte-americano, que ouve as vozes dos espíritos tão alto que os presentes também escutam. Eu ouço. Os outros, que estão perto, não.

▬  Chico...
▬  Que é?

▬  Já teve oportunidade de falar com espírito de homens célebres?
▬  Homens célebres?

▬  Napoleão, para um exemplo, já falou consigo?
▬  Que eu saiba, não. Os assuntos bélicos não são freqüentes, nas mensagens que recebo do além. Há seis anos, entretanto, meu guia Emanuel previu os principais acontecimentos que hoje revolucionam a terra. Êle disse: - "A vitória da fôrça é fictícia".

O cavalheiro do Rio acode:
▬  E o próprio Chico, meses antes, previu a queda da Itália. Êle disse, categòricamente, que a Itália seria a primeira a cair. E a Itália foi a primeira a cair.

Pedro Leopoldo é a cidadezinha de uma rua grande e uma porção de ruas pequenas, convergindo para ela como servos humildes do rio principal.

A casa de Chico é uma das melhores do lugar. Três quartos, sala e cozinha. O banheiro é lá fora, no fundo do quintal, ao lado do galinheiro. Chico se levanta de madrugada e vai dar milho às galinhas.

Depois, sua irmã solteira faz o café, que êle toma com pão dormido, porque o padeiro ainda não chegou. Apanha a pasta de documentos da fazenda federal, e vai andando pela estrada, ainda coberta pela neblina.

Volta para almoçar às onze horas. O expediente se encerra às dezoito horas, mas Chico, nestes dias de maior  trabalho, faz serão. Sua vida é frugal.

▬  "Quero que compreendam o seguinte: não vivo das mensagens de além-túmulo. Tenho necessidade de trabalhar para sustentar minha família. Se quase me dedico inteiramente a receber as comunicações, ainda se entende. O pior, entretanto, é a onda de gente que vem do Rio, de São Paulo e de todos os Estados".

▬  Peregrinos?
▬  Mais ou menos. Não posso deixar de recebê-los, pois fico pensando que vieram de longe e necessitam de consôlo. Isto leva tempo, toma tempo. Como se não bastassem essas preocupações, o telefone interurbano não pára dia e noite:

▬  "Chico, Rio está chamando...
▬  Chico, Cachoeira está chamando...
▬  Chico, São Paulo está chamando...
▬  Chico, Belo Horizonte está chamando..."

▬  Evito atender, mesmo constrangido. Meu Deus! Eu não quero nada, senão a paz dos tempos antigos, o silêncio de outrora. Quero ser de novo aquêle Chico sossegado e tranqüilo que apenas se preocupava com as coisas simples...

▬  Impossível a viagem de volta...
▬  Impossível? Não, não é impossível. Eu voltarei a ser aquêle sossegado Chico. Não tenha dúvida.

O repórter imagina, a essa altura, que êle acredita na possibilidade de suas comunicações, com o além serem repentinamente suspensas. Vai perguntar ao Chico, mas uma senhora de côr negra entra na sala, carregando um benjamim de olhos assustados.

▬  "Trago para o senhor, Seu Chico..."

Êle segura com trinta mãos, cheio de cuidados, o bebê e o bebê faz um berreiro dos diabos, agita as pernas, sacode as pernas dentro da prisão dos braços de Chico. Êle sorri e devolve o menino à mãe.

▬  Meu sobrinho - explica o profeta Chico - é nervoso e fica dêste jeito. Sabe por que? Êle sofre de paralisia infantil.
▬  Não tratam dêle?

▬  Não temos recursos. Já deixei claro que não recebo um centavo pelas edições dos livros que me chegam do além. Assino um documento autorizando a livraria da Federação Espírita Brasileira a editá-los e, sòmente após ficarem impressos, recebo uns cinco ou dez exemplares, para dar aos amigos.

Vamos atravessando a sala e entramos num dos quartos. Na parede, prateleiras repletas de livros. Remédios à base de homeopatia, que Chico recomenda. Não sei porque os espíritos manifestam estranha aversão pela alopatia e suas drogas, receitando sempre combinações homeopáticas.

Perto dos vidros, um armário cheio de livros. As obras de guerra conta a Santa Sé, assinadas por Guerra Junqueiro, ainda em vida. Os livros de Flammarion e de Alan Kardec, mas não os psicografados, misturados com volumes de propaganda anticlerical. Na parede, dependurado, um velho pandeiro.

▬  Quem toca pandeiro nesta casa?
▬  Chico sorri o sorriso beatífico e diz que não é êle.

▬  Alguns espíritos?
▬  O sorriso beatífico desaparece.
▬  Os espíritos não tocam pandeiro.

Saímos para a rua, hoje, sábado movimentado. O povo de Pedro Leopoldo passeia diante da Igreja que domina de forma esquisita a casa do humilde psicógrafo que Clementino de Alencar, certo dia, foi roubar de sua vida serena há dez anos. Hoje, Pedro Leopoldo é a Jerusalém do credo de Kardec. Já tem hotel e telefone. O povo de lá, por estranho que possa parecer a quem não conhece pessoalmente o nosso amigo Chico, revela invariável amizade.

▬  Será orgulho pela celebridade que êle deu ao município?

Sim, porque antes de Chico, Pedro Leopoldo nem existia nos mapas de Minas Gerais. Gostam dêle, de seus modos, de sua cara asiática, onde um dos olhos empalideceu sùbitamente, como um farol apagado em pleno caminho da luz. A cidade tem uns treze mil habitantes, contadas as aldeias próximas, mas, espíritas, uns quatro ou cinco.

Todos apreciam Chico, gregos e troianos. Gostam, mas preferem não rezar o seu catecismo. Êle não se importa. Não procura convencer ninguém à fôrça de seu estranho e discutido poder.

Quando a carta precatória, intimando-o a depor, chegou a Pedro Leopoldo, Chico leu devagarinho e abanou a cabeça.
▬  "Eu não posso mandar uma intimação judicial às almas!" E não deu mais importância ao caso.

▬  Até à volta, sereno Chico.
▬  De tôdas as pavorosas complicações, você é o menos culpado. Parece uma caixa de fósforo num mar bravio.

▬  Uma velha beata de Pedro Leopoldo me disse que isto é castigo:
▬  "Castigo, sim, nhô moço... Antão, êle telefona pro inferno e manda chamar os espíritos e depois num quer se aborrecer?"
Já o trombonista de Pedro Leopoldo deve pensar diferente:

"▬  Por que será que o Chico só sabe receber mensagens escritas?
▬  Por que não recebe músicas de Beethoven, de Chopin, de Carlos Gomes?"

Êle, o moço amável de Pedro Leopoldo, não dá maior atenção aos comentários e vai levando como pode a sua vida.

É pena, entretanto, que êle não tenha as qualidades artísticas que vão além do terreno literário. Se fôsse assim, Pedro Leopoldo teria, senhores, não apenas o psicógrafo Chico, mas também o músico Chico, o pintor Chico, o profeta Chico. Isto mesmo: o profeta Chico.

Enviado por Braz José Marques.

12 de agosto de 1944.
Reportagem de David Nasser e Fotos de Jean Manzon.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 03:36


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 26 de Dezembro de 2010, 03:38


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 14:02
(http://1.bp.blogspot.com/_6sahCIOgl_k/TO0wsg-_z5I/AAAAAAAAEUM/FmMJ2yfs7XQ/s400/nosso-lar.jpg)

Marianna,

Maravilhosas as imagens do filme Nosso Lar.
Estamos revivendo os momentos importantes da trajetória do filme.
Obrigada por postá-las tão brilhantemente.

Bjsss
Macili
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 15:04
(http://blog.opovo.com.br/conexaoespirita/files/2010/07/dvd_479g.jpg)

DVD duplo com gravações inéditas de Chico Xavier


Imagens e entrevistas inéditas com Chico.
Por: Janio Alcantara


A Versátil, através de seu selo Vídeo Spirite, lança “Chico Xavier Inédito – De Pedro Leopoldo a Uberaba”, DVD duplo em embalagem especial que reúne quatro filmes inéditos sobre o grande médium espírita Chico Xavier (1910 – 2002), realizados em 1951, 1955, 1983 e 2007.

Emocione-se com a grandeza e a simplicidade do médium de tantos espíritos, psicografando mensagens em sessões publicas no Centro Espírita Luiz Gonzaga ou trabalhando como simples escriturário na Fazenda Modelo em Pedro Leopoldo (MG). Veja também cenas de seu pai, João Cândido; seus irmãos, André Luiz, Luiza, Cidália, Lucília e Dorinha; Carmen e José Hemínio Perácio, Dr. Hernani Guimarães Andrade, Newton Boechat, Pietro Ubaldi, Dr. Rômulo Joviano, Prof. Clóvis Tavares, César Burnier, Martins Peralva, R. Ranieri, entre outros.

Eis uma sinopse de cada um dos 4 filmes:

1. O MÉDIUM DE EMMANUEL (1951) – Realizado por César Burnier, esse filme mostra Chico aos 41 anos. O médium recebe a visita do espiritualista italiano Pietro Ubaldi. Psicografa mensagem de Francisco de Assis, na casa de seu chefe Rômulo Joviano na Fazenda Modelo. Veja também imagens internas do primeiro Centro Espírita Luiz Gonzaga, inaugurado em 1928, onde Chico psicografou seus primeiros livros.

2. BRILHA UMA LUZ NO HORIZONTE (1955) – Imagens impressionantes de Chico, aos 45 anos, psicografando em velocidade inacreditável em sessão pública no Centro Espírita Luiz Gonzaga de Pedro Leopoldo. Pela primeira vez, vemos imagens de seus familiares e de seus educadores na mediunidade Espírita. Realizado e produzido por Lauro Michielin.

3. CHICO XAVIER – DE PEDRO LEOPOLDO A UBERABA (1983) – Filme com depoimentos de pessoas que conviveram com Chico em Pedro Leopoldo e Uberaba. A direção é do jornalista Fernando Portela e a produção é de Caio Alcântara Machado e Luigi Picchi.

4. O GRANDE MÉDIUM ESPÍRITA (2007) – O diretor Oceano Vieira de Melo traz depoimentos de pessoas que conviveram com Chico: Dr.Carlos Baccelli, Dr.Elias Barbosa, educadora Hilda Mussa Tavares, Arnaldo Rocha, Maria Luiza Diniz, Geraldo Lemos Neto, Profa. Suzuko Hashizume, entre outros.

O preço médio deste DVD duplo é R$ 69,90. Parte da renda obtida com a venda deste DVD é destinada à instituição espírita paulista LAR DO ALVORECER, que abriga crianças carentes e atende 1.200 famílias necessitadas. Localizei na loja DVD WORLD  o preço de R$ 49,90. Abaixo, um trecho deste memorável trabalho com o Mineiro do Século.



Fonte: O POVO Online.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 26 de Dezembro de 2010, 16:14
Boa tarde, queridos amigos!


ACIMA
 

...“Ninguém que, tendo posto a mão no arado,

 olha para trás, é apto para o Reino de Deus.”.

 Jesus (Lucas, 9:62).

 

A fim de que nos promovamos à condição de obreiros mais eficientes, na Seara do Cristo, é forçoso observar a vida acima de nossas impressões superficiais.

 

Para isso, ser-nos-á necessário:

mais do que ver – refletir;

mais do que escutar – compreender;

mais do que estudar – aprender;

mais do que trabalhar – servir;

mais do que obedecer – cooperar espontaneamente em apoio aos semelhantes;

mais do que administrar – harmonizar;

mais do que crer – raciocinar;

mais do que esclarecer – discernir;

mais do que escrever – elevar;

mais do que falar – construir;

mais do que comentar – melhorar;

mais do que saber – transmitir para o bem;

mais do que informar – educar;

mais do que desculpar – esquecer o mal;

mais do que desincumbir-se – auxiliar para a felicidade geral.

 

Todos temos idéias e possibilidades, escolhas e relações, crenças e luzes. E se é muito importante guardar equilíbrio para desfrutar semelhantes bênçãos, em nosso progresso de espíritos imortais, ante as Leis de Causa e Efeito, é muito mais importante ainda saber o que estamos fazendo por elas e com elas.

 

Do livro Aulas da Vida. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Autor: Emmanuel

 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 26 de Dezembro de 2010, 16:20
ESSE  ALGUÉM
 

 
E suportas, sem pausa, alma querida,

Doença, inquietação, infortúnio, tristeza,

No imenso desencanto da alma presa

No grande espinheiral de ansiedade e de dor...

Ninguém entende as lágrimas que choras,

Pois em tudo de bom que o mundo te oferece,

Retiras tão somente o socorro da prece,

Por doação de paz, no Céu, em teu favor.

 

Na vastidão da noite, entregue ao pensamento,

O silêncio é uma farpa em que te cortas...

Ajuntas esperanças semimortas,

Sem que a memória as possa carregar...

Onde os teus sonhos? Onde os teus projetos?

Todos se foram sob a ventania

Da provação que ruge e rodopia,

Extinguindo o prazer e deixando o pesar.

 

Entretanto, não temas. Luta e segue...

Alguém te escuta e vê a presença sofrida,

Resguardando-te a fé e amparando-te a vida,

Doando-te consolo, paz e luz.

Chora, sem atirar-te ao desespero,

Tolera a própria dor, por mais estranha,

No apoio desse alguém que te acompanha,

Que esse alguém é Jesus.

 

Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco Cândido Xavier. Autora: Maria Dolores

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 17:08
Marianna,

Peço licença para postar este vídeo "Vida e Obra Chico Xavier 1", by tvcei, "Os primeiros contatos com os espíritos na infância".
Seu conteúdo é perfeito e esclarecedor. Espero que agrade a todos.
Agradeço a compreensão.


Vida e Obra de Chico Xavier 1 (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PUxaNjkxUGYyT1lBIw==)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 17:42
(http://i498.photobucket.com/albums/rr345/tagsetags/Florais/0081.gif)

Tesouro em meio às dificuldades

"Cada homem e cada mulher, se quiserem podem reter consigo um tesouro de inavaliável expressão, em qualquer parte da Terra, inacessível a qualquer alteração.


Reformas monetárias não lhe causam transtornos.

Conflitos domésticos não lhe dilapidam a segurança.

Doenças do corpo não lhe deformam a estrutura.

Opositores não lhe alcançam a grandeza.

Esse tesouro é a consciência tranquila, com o sorriso da fraternidade
e com a alegria de viver."




Mensagem do Espírito Emmanuel, psicografada por Chico Xavier.
Extraída do livro “Hora Certa”, Ed. GEEM.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 18:28
(http://4.bp.blogspot.com/_0CUub4uG364/TQendudwKrI/AAAAAAAABTE/MWMkEDKNse8/s400/o_natal_do_cristo_the_vision_back.jpg)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 18:47
Gravidez

(http://4.bp.blogspot.com/_0CUub4uG364/SlNA6EdeGYI/AAAAAAAAA38/gcrPfJWVOvQ/s400/OgAAABm19ShxuGuEvNPQ998TvgBhEGHppgWdJaw_-13ecG6Wr75HK0HJNyHzny5wX3s446rLmmvuo1YEuJ19Knm98PUAm1T1UEDKXRq53WzroOvL-xh4MnTWc51N.jpg)

O seio maternal, desse modo...
— É um vaso anímico de elevado poder magnético ou um molde vivo

destinado à fundição e refundição das formas, ao sopro criador da Bondade Divina, que, em toda a parte, nos oferece recursos ao desenvolvimento para a Sabedoria e para o Amor. Esse vaso atrai a alma sequiosa de renascimento e que lhe é afim, reproduzindo-lhe o corpo denso, no tempo e no espaço, como a terra engole a semente para doar-lhe nova germinação, consoante os princípios que encerra.



                                           Entre o Céu e a Terra - Chico  Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Dezembro de 2010, 19:06
Atividade no Bem

(http://1.bp.blogspot.com/_0CUub4uG364/SVtTnQ7uUhI/AAAAAAAAAzc/0A9L7FTNenI/s400/eu.jpg)


"Nenhuma atividade no bem é insignificante...
As mais altas árvores são oriundas de minúsculas sementes.
A repercussão da prática do bem é inimaginável...
Para servir a Deus, ninguém necessita sair do seu próprio lugar
ou reivindicar condições diferentes daquelas que possui.”

Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 29 de Dezembro de 2010, 03:39
(http://4.bp.blogspot.com/_0CUub4uG364/R2FwoPTMbfI/AAAAAAAAAFU/t1RQcq5x31s/s400/mix4-01.jpg)


Obreiros da vida eterna


A morte não extingue a colaboração amiga, o amparo mútuo, a intercessão confortadora ou o serviço evolutivo.

As dimensões vibratórias do Universo são infinitas, como infinitos são os mundos que povoam a Imensidade.

Ninguém morre. O aperfeiçoamento prossegue em toda parte. A vida renova, purifica e eleva os quadros múltiplos de seus servidores, conduzindo-os, vitoriosa e bela, à União Suprema com a Dividade.


Xavier, Francisco Cândido (autor)André Luiz (Espírito)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 29 de Dezembro de 2010, 21:10
(http://1.bp.blogspot.com/_NdThrWYp1sI/TKNXZUORHRI/AAAAAAAAJBg/CcCQqTWTM58/s320/678.jpg)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:13



Emmanuel estalava o chicote. Rômulo Joviano fincava as esporas.

Cont.



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AS VIDAS DE CHICO


A rotina de Chico era um massacre.

Em dezembro, mês de escrever o balanço anual da Fazenda Modelo para enviar ao governo federal, Chico e seus colegas tinham que trabalhar até mesmo aos domingos. Ele ficava sempre com as prestações de contas mais difíceis.

Era o melhor escrevente da repartição. Sabia gramática como ninguém e datilografava os textos em velocidade surpreendente, quase sem rasuras, direto no papel. Fazia apenas algumas anotações numa folha ao lado e seguia em frente. Dava aula aos colegas. Seus discípulos eram promovidos e o mestre" continuava no mesmo lugar. Chico encarava a falta de promoção como uma lição de humildade, uma prova de sua insignificância.

Mas, num dos domingos de plantão, o jovem perdeu a paciência. A caminho do escritório, viu um grupo em torno de uma mesa de sinuca, cercado de garrafas de cerveja, feliz da vida.

▬  Como pode?  Era muita falta do que fazer.

Os marmanjos tentavam encaçapar bolas e ele trabalhava como um louco. A voz de Emmanuel chegou aos seus ouvidos, bem-humorada:
▬  Meu filho, Deus colocou o bilhar no mundo para que certas pessoas não se ocupassem de tarefas piores.

Chico fechava os olhos para a diversão, algumas vezes à força. Numa tarde, ele teve sua conversa com amigos interrompida pelo vozeirão irritado de Emmanuel.

Já era mais do que hora de ele encerrar aquele bate-papo, que atravessou a tarde inteira, e se trancar no quarto para escrever. Precisava colocar no papel páginas de um novo livro. Chico, animado, pediu mais alguns minutos. Emmanuel encerrou o assunto. Tinha de ser naquele momento, senão ele iria embora. Não podia perder tanto tempo com trivialidades. Você fará tudo aproveitando os minutos.

Chico lia, escrevia, estudava, atendia aos doentes no Centro e, todos os sábados, ele e alguns amigos visitavam famílias que moravam embaixo de uma ponte em Pedro Leopoldo. Levavam roupa e comida, comentavam o Evangelho.

Um dia, Chico ficou de mãos abanando. Sem donativos, só poderia levar água fluidificada. Os pobres esperavam o pão de toda semana. Chico já estava quase decidido a faltar ao compromisso, quando Emmanuel apareceu e recomendou que ele fosse de qualquer maneira. A ausência dele seria ainda mais frustrante.

Enquanto pensava no assunto, indeciso, viu surgir, acima do portal de seu quarto, uma frase resplandecente:
▬  "Não vos deixarei órfãos..."

Tomou fôlego, caminhou até a ponte, com o grupo de companheiros, e, desconcertado, explicou aos pobres o problema: só tinham água. Os necessitados tentaram atenuar o constrangimento.

Providenciaram uma toalha, estenderam o pano sobre uma laje de cimento e colocaram copos sobre ele. De repente, um senhor apareceu perguntando por Chico Xavier. Um casal de amigos ricos de Belo Horizonte havia mandado donativos. O caminhão estava parado na entrada.

▬  Onde devo descarregar? - perguntou o recém-chegado.

Foi uma festa. Sobrou comida até para os doentes da favela ao lado. O trabalho de assistência social também dividia opiniões. Chico sofreria críticas durante toda a sua vida. Muita gente acusava o espírita de ser demagogo e de se aproveitar da miséria alheia para divulgar a doutrina. Além disso, as doações eram só um paliativo, apenas remediavam o problema.

O governo, e não os espíritas, deveria cuidar dos pobres. Chico engolia em seco e investia na caridade. Só mais tarde, com o discurso mais afiado, ele enfrentaria os ataques com argumentos eficientes:
▬  Se uma casa está pegando fogo, devo enfrentar o incêndio com alguns baldes de água antes da chegada dos bombeiros ou devo cruzar os braços? O banho não resolve o problema da higiene no mundo, mas nem por isto vou deixar de me lavar...

Anos depois, ele reforçaria seu arsenal de argumentos com uma resposta emprestada de madre Teresa de Calcutá. Quando perguntaram a ela se não era melhor ensinar a pescar, em vez de dar o peixe, ela disse:
▬  Muita gente não tem nem força para segurar a vara.

Chico se sentia sob vigilância permanente. Emmanuel, Rômulo Joviano, os jornalistas acompanhavam seus passos a cada instante. Os espíritas estavam atentos a qualquer tropeço seu.

Numa das visitas à cunhada, Geni Pena, no hospício em Belo Horizonte, ele foi visto de braços dados com uma mulher. O boato se espalhou. O autor do Parnaso de Além-Túmulo, porta-voz de Humberto de Campos na Terra, estaria perdendo tempo com um romance!

Um médium chegou a divulgar longa carta ditada a ele por um espírito indignado com o namoro de Chico Xavier. O mineiro, então com 32 anos, tinha uma missão: o espiritismo e deveria se dedicar a ela por inteiro. Uma comissão, formada por três amigos de Chico, foi a Pedro Leopoldo levar conselhos e voltou com uma explicação.

A tal mulher, motivo de tanta polêmica, era sua irmã, Zina Xavier Pena. Ele se amparava nela para andar com mais segurança. Seu olho doía demais e ele enxergava cada vez menos.

Naquele tempo, Chico já tinha colocado uma frase atribuída a Emmanuel na cabeça:
▬  De que vale o perfume preso em um frasco? Ou seja:
▬  De que valeria Chico Xavier preso a uma mulher?

Ele deveria se dedicar a multidões. Devia estar à disposição de todos. Sua família era a humanidade. Companheiros dele, bem casados, exigiam sua dedicação absoluta.

Em 1940, nada menos que 500 mil pessoas se declararam "espíritas" no censo demográfico. Muitas delas foram convertidas graças ao moço de Pedro Leopoldo. Sua responsabilidade era cada vez maior. Chico sentia o peso. Queria atalhos ou, pelo menos, uma estrada menos acidentada, menos estreita.

Emmanuel apareceu com nova lição:
▬  A estrada larga, pavimentada é mais suscetível a desastres, porque nela a velocidade é ameaçadora. A estrada estreita, entulhada, nos faz caminhar com mais cuidado.

Em 1944, Chico teria a impressão de estar capotando. Humberto de Campos, O Escândalo. No início do ano, Chico Xavier abriu um envelope enviado pela Oitava Vara Cível do Rio de Janeiro e levou um susto. A viúva e os três filhos de Humberto de Campos moviam um processo contra ele e a Federação Espírita Brasileira.

Como titulares dos direitos autorais da obra do escritor, exigiam explicações. As livrarias espíritas expunham nas prateleiras cinco obras "ditadas pelo espírito de Humberto de Campos a Francisco Cândido Xavier", duas delas já em terceira edição sem que ninguém, até aquele momento, tivesse se dignado a conversar sobre dinheiro com eles.

A situação da viúva, Catarina Vergolino, era incômoda: não podia assistir quieta à publicação de livros assinados pelo marido, pois ainda mantinha contrato com a editora da obra produzida por ele em vida, a W. M. Jackson. Diante de seu silêncio, os editores poderiam até pensar que ela lucrasse com os títulos póstumos de Humberto de Campos.

Após expor os motivos para o processo, a herdeira do escritor lançou ao tribunal uma questão delicada.
▬  As cinco obras atribuídas ao espírito do escritor foram mesmo ditadas pelo morto?

Catarina era exigente. Pedia "todas as provas científicas possíveis", exigia demonstrações mediúnicas para "verificação da sobrevivência e operosidade" do espírito de Humberto de Campos, propunha exames gráficos e estilísticos dos textos escritos por Chico Xavier e requisitava depoimentos dos envolvidos, além de provas testemunhais.

Chico ficou em pânico:

Não poderia convocar espíritos para depor. A notícia do processo correu por Pedro Leopoldo e desandou em boato: Chico estaria prestes a ser preso. O rapaz teve vontade de correr para o mato e de se esconder atrás da primeira moita. Tremia só de imaginar a cadeia, a humilhação, o escândalo.

Rezou, rezou e viu, mais uma vez, Emmanuel. Diante da aparição, iniciou o interrogatório.
▬  Serei preso aqui, em Belo Horizonte ou no Rio?  Se for aqui, talvez sofra menos, porque sou conhecido, mas se for no Rio...

O recém-chegado não conseguiu disfarçar o riso nem evitar as velhas metáforas:
▬  Meu filho, você é planta muito fraca para suportar a força das ventanias. Tem ainda muito que lutar para um dia merecer ser preso e morrer pelo Cristo.

O processo prometia.

▬  Se o juiz renegasse a autenticidade dos textos, Chico e o presidente da Federação Espírita Brasileira estariam sujeitos a pagar indenização por perdas e danos e a ser presos por falsidade ideológica.

▬  Se o "meritíssimo" reconhecesse os livros como obras do além, atestaria a existência de vida após a morte e teria de decidir se os direitos autorais deveriam, ou não, ser repassados aos herdeiros do morto-vivo.

A Federação Espírita Brasileira pediu socorro ao advogado Miguel Timponi. A defesa contestou todos os pedidos da acusação. O argumento básico era simples: não era função do Poder Judiciário declarar, por sentença, se uma obra literária foi escrita ou não por um morto. Um veredito, contra ou a favor do réu, iria ferir a liberdade religiosa garantida na Constituição.

Resumindo: "O petitório é ilícito e juridicamente impossível".

Apesar de negar a validade do processo, o advogado aproveitou a deixa de Catarina para defender espíritos e espíritas. Como testemunha em favor dos réus, ele "convocou" ninguém menos do que Humberto de Campos (espírito).

O "ex-imortal" parecia ter previsto as futuras complicações jurídicas sete anos antes, quando ditou a Chico Xavier o prefácio de seu primeiro livro espírita, Crônicas de Além-Túmulo.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:20


No texto, ele comemorava o fato de estar livre dos contratos com sua editora e festejava os privilégios de escritor-fantasma:
▬  "Enquanto aí consumia o fosfato do cérebro para acudir aos imperativos do estômago, posso agora dar o volume sem retribuição monetária".

Até os réus Chico Xavier e Federação Espírita Brasileira mereceram elogios. Os dois, segundo Humberto, eram exemplos de honestidade, generosidade e dedicação à assistência social. O dinheiro arrecadado com o livro seria bem usado.

Timponi não só desencadeou este texto como colocou diante dos olhos do juiz um inédito escrito por Chico Xavier e assinado por Humberto de Campos em meio à pendenga judicial. O escritor dava mostras de cansaço no artigo de 15 de julho.

Parecia magoado com os filhos:
▬  Eles não precisavam movimentar o exército dos parágrafos e atormentar o cérebro dos juízes.
▬  Que é semelhante reclamação para quem já lhes deu a vida da sua vida?
▬  Que é um nome, simples ajuntamento de sílabas sem maior significação?

Em momento algum citava a viúva. A imprensa abriu espaço para a polêmica. Chico Xavier voltou às páginas dos grandes jornais com estardalhaço ao lado de notícias sobre a Segunda Guerra Mundial.  As bombas caíam sobre a Europa e sua mediunidade era vasculhada mais uma vez pelos jornalistas. O escritor Mário Donato assinou um texto nada imparcial em O Estado de S. Paulo, no dia 12 de agosto de 1944. Não tinha dúvidas: "Ou se aceita Humberto subsistindo no outro mundo ou se aceita Chico Xavier valendo por um Humberto e mais meia dúzia de cérebros arquiprivilegiados".

A mãe de Humberto de Campos, Anna Veras, tomou partido do réu em entrevista a O Globo:
▬  Li emocionada o livro Crônicas de Além-Túmulo e verifiquei que o estilo é o mesmo de Humberto. Se os juizes decidirem que a obra não é dele, mas de Chico, acho que os intelectuais patriotas fariam ato de justiça se aceitassem Francisco Xavier na Academia Brasileira de Letras.

Um acadêmico, o crítico Raimundo Magalhães Júnior, entrou na roda em A Noite. De olho nos poemas de Parnaso de Além- Túmulo, deu o veredicto:
▬  "Se Chico Xavier é um embusteiro, é um embusteiro de talento. Para um homem que fez apenas o curso primário, sua riqueza vocabular é surpreendente".

O cronista Edmundo Lins também se debruçou sobre o livro de poemas para julgar a capacidade de Chico escrever ou não textos ditados pelo espírito de Humberto de Campos. Em artigo em O Globo, ele confessou-se impressionado com os poemas atribuídos a Belmiro Braga.

O poeta de Juiz de Fora passou a vida escrevendo quadrinhas, trovas de sabor popular, e ressuscitou no Parnaso de Além-Túmulo como autor de sextilhas, sem perder o tom lírico e satírico, singelo e espontâneo:
▬  Se Chico quisesse imitá- lo, por que não adotou a forma habitual do poeta?

Foi necessário um escândalo jurídico para a crítica literária analisar com rigor a obra de Chico Xavier. O escritor e historiador Garcia Júnior também arriscou palpites em artigo no jornal Correio da Noite.

Após ler os vários livros assinados pelo datilógrafo de Pedro Leopoldo, garantiu que, se o rapaz fosse mesmo capaz de criar aqueles textos, não precisaria ser um modesto funcionário da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais: Bastaria que Chico Xavier viesse aqui para o Rio, mudasse o seu indumento de pobre para uns bons ternos de cavalheiro abastado e entrasse a freqüentar as rodas intelectuais. Com talento para produzir o que já lhe passou pelo lápis, psicograficamente, ele hoje poderia ufanar-se de ser um dos maiores escritores do Brasil...

Amigos de Chico se empolgaram. Alguns perguntavam ao datilógrafo da Fazenda Modelo se ele aceitaria uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Chico levava na brincadeira.
▬  Já admitem cavalos por lá? Estava bem mais descontraído. Nem desconfiava do próximo capítulo.

Os críticos esmiuçavam os poemas e as crônicas escritos por Chico Xavier, e o juiz estudava o processo Humberto de Campos, quando a dupla David Nasser-Jean Manzon desembarcou em Pedro Leopoldo. O repórter e o fotógrafo mais ousados e mais temidos da revista O Cruzeiro chegaram à cidade dispostos a "desvendar o homem Chico Xavier".

Missão quase impossível: A privacidade do autor do Parnaso de Além-Túmulo era preservada por um círculo fechado de amigos. Durante o processo na justiça, a vigilância tinha sido redobrada. Fotos, por exemplo, só eram permitidas em sessões públicas no centro espírita.

O desafio era um estímulo. Nasser e Manzon iriam romper o cerco. Mas começaram mal: foram direto para a Fazenda Modelo e deram de cara com Rômulo Joviano. O pedido da entrevista foi negado com um não inflexível. Chico está exausto e precisa descansar.

Jean Manzon, sempre irônico, sugeriu ao patrão do rapaz umas férias para seu empregado. Como troco, recebeu mais uma resposta atravessada: O Chico funcionário nada tem a ver com o outro Chico. Se quisessem mesmo fazer a entrevista, os jornalistas do Rio teriam de esperar até a sessão pública da sexta-feira seguinte. Era sábado. A dupla tinha mais o que fazer. Não podia ficar plantada na cidade mineira uma semana à espera do matuto. Aqueles caipiras não sabiam com quem estavam lidando. Nasser e Manzon mereciam respeito.

Saíram do Rio a bordo do avião do próprio Assis Chateaubriand, dono do império dos Diários Associados, foram recepcionados em Belo Horizonte por Juscelino Kubitschek e engoliram poeira uma hora e meia seguida na viagem de carro de Belo Horizonte até ali. Ou seja: a hipótese de voltar à redação da revista com as mãos abanando era inadmissível. Para liquidar o assunto de vez, David Nasser, Jean Manzon e o piloto do avião de Chateaubriand, Henrique Natividade, bolaram um plano infalível.

Nasser e Manzon se apresentariam como repórteres americanos e Natividade faria o papel de intérprete da dupla. Chico ficaria seduzido pela idéia de ser notícia internacional e se sentiria mais à vontade diante dos estrangeiros. Afinal de contas, a reportagem seria lida longe dali, longe do Rio.

Havia um porém: Rômulo Joviano. O engenheiro conhecia a identidade deles e podia desmascarar o trio a qualquer momento. Precisavam concluir o serviço antes da chegada do patrão de Chico. Mas, mesmo sendo rápidos, eles ainda corriam perigo.
▬  E se Rômulo telefonasse para alertar o empregado?

Nasser, Manzon e Natividade tomaram a decisão: cortariam o fio do telefone do entrevistado. Dito e feito. O truque deu certo. Chico escancarou as portas de casa para os "estrangeiros" e posou para fotos então inéditas na imprensa. Jean Manzon fez a festa.

Uma das fotografias estampadas em O Cruzeiro, a revista de maior circulação no país da época, exibia o representante do ilustre e saudoso Humberto de Campos sentado numa banheira, com a mão esquerda sobre a testa, como se estivesse em transe mediúnico. Só faltava estar nu. A imagem se espalhou por meia página da publicação no dia 12 de agosto, onze dias antes da sentença do juiz.

A legenda era espalhafatosa: Sensacional flagrante de Chico na banheira. Ele procurava as almas, quando Jean Manzon o surpreendeu. obtendo um impressionante documento para o próximo julgamento. Os adversários do espiritismo afirmam que é uma prova de farsa. Os espíritas, que é outra prova: o espírito desce seja onde for.

Outro "flagrante" exibia Chico deitado em sua cama estreita, com um livro aberto nas mãos. A legenda: "Ele lê e muito. Dizia-se que Chico é um ignorante, analfabeto, pouco amante das belas- letras. Pura invenção. Chico lê tanto que um dos seus olhos foi atingido por cruel catarata inoperável. Mesmo assim continua lendo".

O rapaz também se expôs diante da escrivaninha, com lápis em punho, em meio a um amontoado de livros, O texto abaixo da foto era comprometedor para quem estava sob suspeita de imitar o estilo alheio:
Outra peça de notável valor documental é esta: a biblioteca de Chico, onde encontramos livros de muitos autores, escritos na vida de seus criadores. Esses mesmos cavalheiros transmitem, segundo Chico, novas e diárias mensagens. Chico, na gravura, aparece copiando trechos de livros que mais lhe agradam.

As frases abaixo de um rapaz de olhos fechados aumentavam o mistério: Nos momentos de transe, os seus olhos se fecham ou se tornam nublados, como os de um morto. Dizem os adeptos de Kardec que a alma chegou. Dizem os céticos que é um caso médico. De qualquer forma, é impressionante ver aquele homem de pupilas brancas.

▬  Que dirão os juízes? O texto de David Nasser, intitulado "Chico, Detetive do Além", era bem menos contundente do que as imagens e legendas.

Logo no início, ele tratava de quebrar as expectativas do leitor: O senhor, leitor amigo, chegará ao fim destas linhas sem obter a resposta que há tanto tempo procura:
▬  "É Chico Xavier um impostor ou não é?" E dirá: "Dei 1.500 por esta revista e não consegui desvendar o mistério?" Sim, o mistério continuará por muito tempo.

Após definir seu objetivo, mostrar o homem Chico, ele cobriu o rapaz de adjetivos: adorável, cândido, maneiroso, humilde, um anjo de criatura. Estranho. Tantos elogios esbarravam em contradições apontadas no escritor do outro mundo. Na reportagem, um amigo de Chico, vindo do Rio, definia o mineiro como "um rapaz de cultura", capaz de ler um pouco de inglês e francês, e revelava: "Devora os livros com fúria. Trouxe-lhe, há dias, O Homem, Esse Desconhecido, e ele não gastou mais de quatro horas e meia para ler o volume gordo".

Parágrafos depois, aparecia o diálogo entre o jornalista "estrangeiro" e Chico:
▬  Chico, você lê muito?
▬  Não. Só revistas e jornais...

Nota: A intrevista completa está no tópico da Revista O Cruzeiro.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:22



O trio vasculhou os três quartos, a sala, a cozinha, a intimidade de Chico. Visitou o banheiro do lado de fora, no quintal, ao lado do galinheiro, e tratou de expor ao máximo o réu do processo movido pela família de Humberto de Campos.

Após uma hora e meia de entrevista, Jean Manzon, David Nasser e o "intérprete" se despediram do entrevistado. Enganaram o "idiota" e ainda ganharam livros de presente. Jogaram os exemplares na mala e saíram às pressas, eufóricos.

No dia seguinte, estavam no Rio. A reportagem foi publicada no dia 12 de agosto com uma lacuna estranha. Ela não mencionou como os jornalistas conseguiram passar o vidente para trás.

Nasser jogou fora a chance de lançar a dúvida:
▬  Se Chico tem um guia e tem acesso aos espíritos, como foi enganado tão facilmente?

Chico leu o texto e ficou apavorado, O juiz não teria dúvidas. O rapaz já imaginava o veredicto: todos os indícios levam a crer que Francisco Cândido Xavier imitou o estilo de Humberto de Campos. Culpado. Sacudia-se, em meio à violenta crise de choro, quando Emmanuel voltou.

Estava inspirado:
▬  Chico, você tem que agradecer. Jesus foi para a cruz e você foi só para O Cruzeiro.

O réu não conseguiu achar graça.
▬  Por que Emmanuel não evitou aquele vexame?
▬  Por que não desmascarou a fraude e revelou a identidade dos jornalistas?

Só trinta anos depois, uma reportagem publicada por O Dia, em 28 de abril, e assinada por João Antero de Carvalho, revelaria, em detalhes, os bastidores daquela saga de David Nasser e Jean Manzon. A confissão foi feita por um Nasser arrependido, o mesmo capaz de definir Chico Xavier como "o maior remorso da minha vida".

O repórter voltou no tempo e reconstituiu a noite em que passava para o papel seu furo jornalístico, dois dias depois do encontro com Chico Xavier. Já era madrugada, quando ele foi interrompido por um telefonema de Jean Manzon. O fotógrafo parecia nervoso.

▬  David, você trouxe aquele livro que o homem nos ofereceu?
▬  Claro que sim.
▬  Pois bem, abra-o na primeira página e leia a dedicatória.

Nasser largou o telefone fora do gancho e, curioso, correu à procura de seu exemplar. Levou um susto ao deparar com a frase:
▬  Ao irmão David Nasser, oferece Emmanuel".
▬  Que negócio é esse, Manzon, alguém revelou nossa identidade?

O fotógrafo e o motorista também foram pegos de surpresa. Diante do mistério, os três fizeram um pacto de silêncio. A reportagem saiu sem aquele episódio. Segundo Nasser, a verdade, em jornalismo, era menos importante do que a verossimilhança.

Onze dias após a publicação da reportagem em O Cruzeiro, o juiz João Frederico Mourão Russel bateu o martelo:
▬  Nossa legislação protege a propriedade intelectual, em favor dos herdeiros, até certo limite de tempo após a morte, mas o que considera, para esse fim, como propriedade intelectual, são as obras produzidas pelo de cujus em vida. A viúva de Humberto de Campos bateu o pé.

Ao recorrer, ela esqueceu daquela história de pedir a opinião do juiz sobre a autenticidade das mensagens atribuídas ao marido e decidiu ela mesma fazer o seu julgamento. Após ter examinado de perto, com a colaboração dos filhos, as "produções ditas psicografadas, a fim de lhes aferir o valor literário", ela chegou a uma conclusão definitiva: O resultado foi o mais lastimável possível.

A obra é profundamente inferior. E não só está eivada de imperdoáveis vícios de linguagem e profundo mau gosto literário, como é paupérrima de imaginação e desprovida de qualquer originalidade. Além disso, o que é aproveitável não passa de grosseiro plágio, não só de idéias existentes na obra publicada em vida do escritor, como de trechos inteiros, o que é de fácil verificação.

O advogado de Chico Xavier e da Federação Espírita Brasileira estranhou a segurança de Catarina Vergolino dos Campos:
▬  Se era tão patente assim o valor profundamente inferior da obra psicografada, por que a viúva, diante de mistificação tão grosseira, pediu ao juiz um exame minucioso para declarar, em sentença, a autenticidade ou falsidade da obra atribuída ao espírito de Humberto de Campos?
▬  Por que intelectuais tão importantes do Rio apoiaram o autor do Parnaso?

A defesa terminava com um apelo: Basta de dissensões, litígios e desarmonias. Basta de sofrimentos e horrores. O mundo geme ainda sob os destroços e as ruínas de uma guerra gigantesca. A humanidade, angustiada, anseia pela pacificação dos espíritos, farta de tantos desequilíbrios e de tantas injustiças. Que, no Brasil, cada cidadão, tranqüilo e seguro no aconchego de seu lar, possa adorar a Deus a seu modo, segundo a sua fé e a sua crença.

No dia 3 de novembro, a sentença do juiz João Frederico Mourão Russel foi confirmada no Tribunal de Apelação do antigo Distrito Federal: os direitos da pessoa acabam após a morte. No ano seguinte, Humberto de Campos estaria de volta são em salvo. Mas seu novo livro, Lázaro Redivivo, exibiria na capa um pseudônimo: Irmão X.

Humberto de Campos Filho, 33 anos depois, encontrou-se com Chico Xavier, lhe deu um abraço forte pelos cinqüenta anos de trabalho e chorou. Tive vontade de dizer como Gorki diante de Tolstoi:
▬  "Veja que homem maravilhoso existe na Terra".

Chico ainda agradecia a Deus e ao advogado pelo final feliz da polêmica Humberto de Campos quando foi surpreendido por um presente: um piano novo em folha enviado do Paraná pelos donos da fábrica Brasil. Os empresários apostaram num dos boatos da temporada: no fim da vida, ele embalaria a Terra com músicas ditadas por compositores consagrados do além.

Tocaram num ponto fraco de Chico. Ele vibrava com música. Em meio ao escândalo na Justiça, sonatas e sinfonias serviram ao réu como tranqüilizantes e como companhia. Chico fechava os olhos e se deixava levar pela Sinfonia Fantástica, de Berlioz, pelo Concerto de Varsóvia, de Tchaikovsky, pela obra completa de Beethoven e, claro, pela Ave Maria, de Gounod.

Muitas vezes, os acordes clássicos serviam como escudo. Com o volume de sua vitrola no máximo, ele abafava, enquanto escrevia, o som dos insultos lançados contra ele por assombrações desarvoradas. Só assim conseguia passar para o papel, com alguma tranqüilidade, os ditados do outro mundo.

Chico Xavier encarou o piano e tomou a decisão: aceitaria o instrumento e aprenderia a lidar com ele. Num impulso, contratou uma professora particular e marcou a primeira aula para o dia seguinte. Afinal de contas, por que não se dar este prazer? Ele merecia uma folga.

Após os artigos em sua defesa nos jornais e o veredicto do juiz, o trabalho tinha triplicado. A legião de doentes à sua procura aumentava a cada semana. No dia da aula de piano, ele tomou um banho demorado, vestiu seu melhor terno e cruzou os braços à espera da professora.

As visitas chegavam e iam se sentando por ali. Chico pedia calma. Hoje vou ter a primeira aula. Acomodem-se. Esperem um pouco. Cegos, leprosos, pobres de cidades vizinhas se apinhavam na porta, faziam fila. A multidão crescia. A professora demorava a chegar.

Antes dela, o aluno viu Emmanuel.
▬  O que é isto, Chico? Alguma festa?

O candidato à pianista gaguejou.
▬  Não. É que eu resolvi tomar umas aulas de piano.
▬  E esses sofredores que estão aí?
▬  Vieram assistir à aula?

Chico ficou sem resposta.
▬  Quer dizer que essa gente toda que está aí sofrendo, angustiada, ficará aguardando o dia em que você resolva atendê-la?

Quando a professora chegou, Chico se desculpou, agradeceu e se despediu.
Não poderia perder tempo.

MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:29


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:32

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Entrevista de Richard Simonetti sobre Mensagens Psicografadas


Restabelecer verdades é agravar a animosidade dos que  apoiam a hipocrisia e seu desassombro não pode provocar  a sinceridade dos que se distanciam das boas intenções.

Pérolas de Sabedoria - Vinha de Luz.
Chico Xavier  e Arthur Joviano.


1 ▬ Após o falecimento de Chico Xavier, inúmeros médiuns vem recebendo mensagens atribuídas a mentores espirituais que o assistiam, como Emmanuel e André Luiz. Como encarar este fenômeno?

R. S.▬ Com estranheza. Não estão impedidos estes espíritos de se manifestarem, porquanto não constituem propriedade de Chico Xavier. Não obstante, até para evitar dúvidas conturbadoras e críticas depreciativas, acredito que adotariam outro nome, considerando como aprendemos com Kardec que o importante é o conteúdo da mensagem.

2 ▬ Obedecendo este critério, como situar mensagens atribuídas ao Espírito Emmanuel, como tem ocorrido com alguns médiuns?

R. S.▬ Especificamente em se tratando de Emmanuel, duvidarei de sua autenticidade, ainda que de teor aceitável, porquanto, segundo informações do próprio Chico, ele reencarnou em 2000, no interior do Estado de São Paulo. E é altamente improvável que, em processo reencarnatório, estivesse disposto a marcar presença mediúnica, com novas mensagens.

3 ▬ Como ficamos se o médium é respeitável e leva a sério seu trabalho?

R. S.▬ Isto não o exime de erro quanto à identidade do Espírito, refletindo até mesmo o desejo inconsciente de receber mensagens de determinada personalidade. Aí entraria o processo anímico, não quanto à mensagem, que até pode ser boa, mas quanto à autoria.

4 ▬ Não pode ocorrer que o próprio Espírito dê o nome de alguém ilustre para ser melhor aceito?

R. S.▬ Sem dúvida. Em O Livro dos Médiuns há uma manifestação de razoável conteúdo, atribuída a Bossuet (1627-1704), teólogo francês. Consultado, o Espírito de São Luiz, um dos mentores de Kardec, explicou que era uma manifestação apócrifa.

Posteriormente o próprio espírito que a produziu, confessou:
Eu desejava escrever alguma coisa, a fim de me fazer lembrado dos homens. Vendo que sou fraco, entendí de apadrinhar o meu escrito com o prestígio de um grande nome.

Quando lhe perguntaram se não imaginasse fôsse a fraude descoberta, respondeu:
▬  Quem sabe lá ao certo? Poderíeis enganar-vos. Outros menos perspicazes a teriam aceitado.

5 ▬ Você diria que está faltando perspícácia para identificar mensagens apócrifas?

R. S.▬ Quem o diz é Kardec, ao comentar esta manifestação: De fato, a facilidade com que algumas pessoas aceitam tudo o que vem do mundo invisível, sob o pálio de um grande nome, é que anima os espíritos embusteiros.

A lhes frustrar os embustes é que todos devem consagrar a máxima atenção; mas a tanto ninguém pode chegar, senão com a ajuda da experiência adquirida por meio de um estudo sério.

Daí o repetirmos incessantemente:
▬  Estudai antes de praticardes, porquanto é esse o único meio de não adquirirdes experiência à vossa própria custa.

6 ▬ E quanto às mensagens atribuídas a Chico Xavier?

R. S.▬ Chico, obviamente, não está impedido de manifestar-se. Se isso ocorresse, suas virtudes seriam um castigo, não uma vantagem, ele que recebeu milhares de comunicações, que psicografou centenas de livros.

7 ▬ Fala-se numa senha que Chico teria deixado para autenticar suas mensagens...

R. S.▬ Acho complicado uma senha, porquanto poderia ser desconhecida dos médiuns, mas não dos Espíritos. Um mistificador inteligente poderia facilmente capturá-la na mente de seus depositários. Melhor atentar ao conteúdo.

8 ▬ Considerando sob este ponto de vista, que sejam aceitáveis as mensagens que um médium receba de Chico, deveriam ser divulgadas?

R. S. ▬ Aqui está o "X" da questão. Geralmente são dirigidas a um círculo íntimo de pessoas que conviveram com ele. Dar-lhes divulgação é temerário, até porque estarão sujeitas às limitações do médium e distanciadas do potencial do Espírito.

Há um provérbio chinês:
▬  Cala-te ou fale algo que valha mais que o teu silêncio.

De Chico, publiquemos o que for mais importante do que ele psicografou ao longo de seu apostolado mediúnico, como um acréscimo, não como um decréscimo na forma e no conteúdo.
 
Fonte: Revista Internacional de Espiritismo.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:36


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:48


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 02:57



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O ESCOLHIDO


Novo iluminado para o espiritismo  Guia de Chico Xavier reencarna em menino de São Paulo

Um menino de dez anos é o iluminado. Ele poderá se tornar uma referência para quase 30 milhões de simpatizantes da doutrina espírita no Brasil. Pouco se sabe sobre ele. Nem mesmo o nome.

Conta-se que mora com os pais no interior de São Paulo e será um professor que difundirá o espiritismo. Na tarefa, contará com auxílio importante. O seu mentor seria o espírito de Chico Xavier.

O garoto é apontado como a reencarnação de Emmanuel, mentor na maior parte dos 92 anos do médium mineiro. A missão para os dois vai além da vida e da morte. Nas comemorações pelo centenário de Chico, a história do menino é o maior enigma. Há muita curiosidade sobre onde está o jovem e do que é capaz.

Amigo de Chico, Divaldinho Mattos conta que o médium, morto aos 92 anos, chegou a conhecer o bebê em 2000 ou 2001. "Chico visitou a família, numa cidade do interior paulista. Os pais são de boa condição financeira", diz ele, diretor do Centro Espírita Maria de Nazaré, em Votuporanga (SP).

O médium, porém, manteve segredo sobre as vidas anteriores do garoto. Ninguém mais teria tido acesso ao jovem. "Não se pode saber quem é o menino. A família não teria sossego", defende Wanda Joviano, colega de Chico. Para Divaldinho, nem Emmanuel terá consciência de seu passado. "Daqui a alguns anos, quando despertar na área da Educação, ele terá uma vidência.

O mundo espiritual tem de resguardá-lo", observa. O escritor Geraldo Lemos Neto, 48, conversou com o próprio médium sobre o assunto:

"Chico dizia que ele teria grande capacidade sensitiva. "Muita gente vai dizer que ele é Emmanuel. Mas ninguém terá certeza", afirma Divaldinho.

Muitos apostam que o menino já tenha começado a manifestar dons espirituais. Outros acreditam que ainda é muito cedo. Chico começou aos 17 anos. Portanto, teremos que esperar mais uns 5 ou 7 anos para conhecer o dom deste menino, acreditam os estudiosos.

Chico Xavier não voltará a terra

A maioria dos amigos não acredita que o médium volte a reencarnar para fazer companhia a Emmanuel.

"Chico afirmou que a tarefa dele no século 21 será a de guiar o Emmanuel reencarnado para as tarefas da difusão dos ensinamentos de Jesus sob a ótica da doutrina espírita", explica Geraldo Lemos Neto.

No entanto, os dois já teriam estado juntos na Terra. Segundo os mais próximos, Chico e Emmanuel foram, respectivamente, os padres jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega no Brasil colonial.

Para outros adeptos, Chico teria sido Flávia, a filha doente do senador romano Publio Lentulus, a mais conhecida encarnação atribuída a Emmanuel. Pai e filha teriam morrido na erupção do Vesúvio, em 79.

No livro "Deus conosco", Chico descreve as 12 reencarnações de Emmanuel. A última como padre paraense morto no início do século passado no Rio.

DIEGO BARRETO.

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:04


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:06


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:13


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:21

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"Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho"


Com a missão de ser o pais Espírita

Livro de Chico Xavier previu que o Brasil seria o principal centro da religião no mundo

A morte não é barreira para Chico Xavier. No centenário de seu nascimento, o médium - morto em 2002 - protagoniza novo fenômeno: o crescimento sem precedentes do espiritismo.

Embalados por inúmeros eventos, filmes e peças de teatro alusivos à data, centros espíritas de Norte a Sul do País registram aumento de até 50% de frequentadores (dados da Federação Espírita Brasileira), que buscam alívio e cura para o corpo e a alma na fé espírita.

“Vem crescendo significativamente o número de pessoas que buscam as casas espíritas, após os eventos do centenário do Chico e a exibição do filme ‘Nosso Lar’. Embora difícil de medir, já que somos mais de 15 mil centros no País, algumas casas experimentam crescimento da ordem de 50%”, afirma João Pinto Rebelo, diretor executivo da federação.

Para atender a demanda de novos adeptos, algumas instituições já mudam horários de reuniões. No Lar de Frei Luiz, em Jacarepaguá, a fila do primeiro atendimento dá voltas na quadra esportiva. “Como as sessões de quarta-feira terminam às 20h, a triagem precisa começar cedo.

O público cresceu muito: de 30% a 40%. Nas semanas seguintes às estreias de ‘Chico Xavier’ e ‘Nosso Lar’, a procura foi ainda maior”, explica Wilson Vasconcelos, diretor administrativo da instituição, que recebe mais de 4 mil pessoas por semana.

No Instituto Espírita Bezerra de Menezes, no Centro de Niterói, as reuniões nas tardes de terça e quinta-feira lotam o salão.

“Toda a divulgação do centenário de Francisco Cândido Xavier contribuiu muito para a busca pela doutrina. Nosso público aumentou em até 50%. Por semana, passam mais de mil pessoas por aqui”, diz o diretor Hélio Loureiro.

A presidente do Centro Espírita Joanna de Ângelis, na Barra, Iraci Campos, destaca outro fenômeno importante para a disseminação dos conceitos espíritas:

“Toda a divulgação do espiritismo na mídia foi extremamente positiva porque ainda havia muito preconceito. Muitas pessoas tinham pensamento completamente equivocado. Depois de ver os filmes, passaram a estudar o espiritismo. Nosso meio é filosofia, ciência e religião”, explica ela.

O escritor Marcel Souto Maior, que fez a biografia de Chico Xavier, chama atenção para a reunião de lançamentos no ano do centenário. Segundo ele, os dois filmes que ajudaram a projetar a imagem de Chico deveriam ter ficado prontos bem antes. “Houve muitos atrasos nas filmagens.

Muita coisa dava errada. Mas curiosamente tudo deu certo para terminar só em 2010”, surpreende-se ele, autor do livro ‘As vidas de Chico Xavier’.

Uma das mais famosas obras de Chico, "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", psicografada em 1938, revela que o País teria sido escolhido para a missão celeste de se tornar o centro mundial da fé espírita.

Com o crescimento, a mensagem ganha ares de profecia. O número de praticantes cresceu 200% em 60 anos. Atualmente, são mais de 2,5 milhões de adeptos. Isso sem contar os 30 milhões de simpatizantes. Muitos até de outras religiões.

“Chico sempre dizia que, quando não estivesse mais aqui, a palavra de Jesus seria mais espalhada”, afirma Eurípedes Higino, filho adotivo de Chico Xavier.

O Conselho Espírita do Rio cadastrou 676 centros. Porém, o número ultrapassa mil.

“Chico solidificou o espiritismo, colocou a semente na cabeça de muita gente e agora está desabrochando”, afirma Ronie Lima, autor do livro ‘Os caminhos espirituais da cura’.

DIEGO BARRETO



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:30

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Jesus fala aos Mártires do Circo Romano

Nota: A parte entre parênteses está interpretada na visão Espírita.

"Vinde a mim, vós todos que semeastes com lágrimas de sangue (os mártires do cristianismo), na vinha celeste do meu reino de amor e verdade.

Nas moradas infinitas do Pai (os milhões de orbes espalhados na imensidão do universo, morada dos espíritos, nos seus milhões de graus de evolução, respectivamente), há luz bastante (luz divina) para dissipar todas as trevas, consolar todas as dores, redimir todas as iniquidades.

Uma paz soberana vos aguarda, para sempre, no Reino sem fim, prometido pelas divinas aleluias da Boa-Nova, porque não alimentastes outra aspiração no mundo, senão a de procurar o Reino de Deus e de sua justiça. Entre a manjedoura e o calvário, tracei para as minhas ovelhas o eterno e luminoso caminho.

O Evangelho floresce, agora, como a seara imortal e inesgotável das bênçãos divinas. Não descansemos contudo, meus amados, porque tempo virá na Terra em que todas as suas lições hão de ser espezinhadas e esquecidas (a lição do Cristo foi esquecida progressivamente, com o passar dos anos, atingindo o seu auge no século do positivismo).

Os preconceitos religiosos e os falsos sacerdotes estabelecerão, novamente, o mercado das coisas sagradas (o lucro é a finalidade da quase totalidade das igrejas atuais), ofendendo o amor a a sabedoria de nosso Pai, que acalma a onda minúscula no deserto do mar, como enxuga a mais recôndita lágrima da criatura.

Quando se verificar esse eclipse da evolução de meus ensinamentos, nem por isso deixarei de amar intensamente o rebanho das minhas ovelhas, em nome de Deus Todo-Poderoso, meu Pai e vosso Pai.

Numerosos missionários de minha doutrina, ainda tombarão exânimes (Ghandi, Martin Luter King), na arena da impiedade, mas hão de constituir convosco, a caravana apostólica que nunca mais se dissolverá (Kardec, Chico Xavier, Bezerra de Menezes, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce).

Amparando todos os trabalhadores que perseverarem até o fim, no longo caminho da salvação das almas. Quando a escuridão se fizer mais profunda nos corações da Terra, determinando a utilização de todos os progressos humanos, para o extermínio, para a miséria e para a morte, derramarei minha luz sobre toda a carne, e todos os que vibrarem com o meu reino e confiarem nas minhas promessas, ouvirão as nossas vozes e apelos santificadores.

Pela sabedoria e pela verdade, dentro das suaves revelações do consolador (a Doutrina Espírita), que fez reviver os divinos ensinamentos, quando o Velho Mundo já tendia absoluta para o ateísmo e/ou materialismo, esmiuçando os livros religiosos e dando-lhe nova interpretação, de modo racional.

Meu verbo se manifestará novamente no mundo (O Espírito denominado "A Verdade", mentor espiritual de Kardec), para as criaturas desnorteadas no caminho escabroso através de vossas lições, que se perpetuarão nas páginas imensas dos séculos do porvir.

Sim, amados meus, porque o dia chegará no qual todas as mentiras humanas hão de ser confundidas pela claridade das revelações do Céu.

Um sopro poderoso de verdade e vida, varrerá toda a Terra, que pagará, então, a evolução dos seus institutos, os mais pesados tributos de sofrimentos e de sangue (guerras, fome, miséria).

As impiedades terrestres formarão pesadas nuvens de dor (dissenções, invasões, bombardeios aéreos e atômicos, que rebentarão no instante oportuno, em tempestades de lágrimas, na face escura do planeta.

Mas nosso Pai, que é a sagrada expressão de todo amor e sabedoria, não quer que se perca uma só de suas criaturas, nas tenebrosas sendas da crueldade.

Trabalharemos com amor, na oficina dos séculos porvindouros; reorganizaremos todos os elementos destruídos; examinaremos, detidamente, todas as ruínas, buscando o material passível de novo aproveitamento.

E quando as instituições terrestres reajustarem a sua vida, na fraternidade e no bem, na paz e na justiça, depois da seleção natural dos espíritos e dentro das compulsões renovadoras da vida planetária (evolução da Terra, passando de planeta de Expiação e Provas, para planeta de Regeneração), organizaremos para o mundo, um novo ciclo evolutivo, consolidando, com as divinas verdades do consolador, os progressos definitivos do homem espiritual".

Há Dois Mil Anos.
Espírito: Emmanuel.
Psicografia: Chico Xavier.




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:38



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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:53


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O Orgulhoso Públio Lentulus

Este é o nome de uma das mais luminosas entidades espirituais a figurar nos arraiais espiritistas. Quando citamos o nome de Emmanuel, nos lembramos sempre do espírito humilde, generoso, de personalidade cujas características demonstram uma evolução intelecto-moral equilibrada, onde outros espíritos deixam a desejar tanto num, quanto noutro aspecto.

A participação de Emmanuel no Espiritismo antecede o transplante do Consolador para plagas brasileiras, pois Chico Xavier disse certa feita que ele foi um dos espíritos que participou da equipe que preparou a codificação da Doutrina Espírita, onde podemos verificar a assertiva do médium na mensagem do Evangelho Segundo o Espiritismo intitulada "O Egoísmo", do capítulo XI, item 11, assinada por este espírito.

O primeiro contato de Emmanuel com Francisco Cândido Xavier se deu em 1931, numa reunião mediúnica em Pedro Leopoldo (MG), no Centro Espírita Luís Gonzaga quando o médium de apenas vinte anos de idade pode ver pela primeira vez o mentor espiritual que lhe acompanharia pelo resto da vida.

No prefácio do Livro "Emmanuel", Chico relata:

"Eu psicografava, naquela época, as produções do primeiro livro mediúnico, Parnaso de Além Túmulo, recebido através de minhas humildes faculdades, e experimentava os sintomas de grave moléstia nos olhos.

Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença; mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim, dentro de reflexos luminosos que tinham a forma de uma cruz.

Às minhas perguntas naturais, respondeu o bondoso guia:
▬  Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista. Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e, o sentimento afetivo que me impele para teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos..."

A história de Emmanuel até onde conhecemos, começa na Roma longínqua dos césares, onde o espírito envergou o corpo do senador Públio Lentulus Cornelius, descendente de antiga família de senadores e cônsules da república romana.

Em 7 de setembro de 1938, Emmanuel ditou a seguinte mensagem ao grupo de estudos espíritas de Pedro Leopoldo, através de Chico Xavier:

▬  "Algum dia, se Deus mo permitir, falar-vos-ei do orgulhoso patrício Públio Lentulus, a fim de algo aprenderdes nas dolorosas experiências de uma alma indiferente e ingrata.

Esperemos o tempo e a permissão de Jesus."

Semanas depois, Emmanuel cumpria a promessa de sua autobiografia com o início da produção mediúnica do romance "Há Dois Mil Anos".

O livro conta a história de um orgulhoso senador romano casado com uma patrícia chamada Lívia, tendo o casal uma filha de nome Flávia Lentúlia, que era portadora de lepra, e um menino chamado Marcus.

O autor espiritual descreve a figura do senador como um homem relativamente jovem, aparentando menos de trinta anos, não obstante o seu perfil orgulhoso e austero.

No decurso da história, quando o senador e a família viajavam para Jerusalém, acompanhados de pequena expedição militar, ocorreu um imprevisto. Uma minúscula pedra cortara o ar, alojando-se no palanquim do senador, ferindo levemente o rosto de sua esposa.

Grande alarme ocorreu na comitiva de servos e soldados, e um rapaz que se encontrava nas proximidades é capturado pelo lictor que comandava a expedição e apresentado ao senador como responsável pelo delito.

Públio manda açoitar severamente o rapaz sob o sol causticante da tarde, ante o olhar espantado e compungido dos escravos e centuriões presentes.

 O estalar do chicote no dorso seminu do moço – que gemia em soluços dolorosos -, só cessa quando a esposa pede súplice ao marido o fim do castigo. O senador ordena então a suspensão do castigo, mas condena o rapaz à trabalhos forçados nas galeras, que significavam a morte ou a escravidão para sempre.

Ao ouvir a sentença condenatória, o rapaz deita sobre Públio Lentulus um olhar de ódio e desprezo supremos e no âmago de sua alma nasce um sentimento de vingança e cólera. A viagem segue então seu curso normal e os viajores chegam a Jerusalém.

Três dias depois, um judeu humilde chamado André de Gioras o procura para uma entrevista, identificando-se como pai do rapaz preso, implorando-lhe clemência para o filho. Porém o senador recordando a necessidade de fazer sentir a autoridade de sua posição, se nega orgulhosamente a revogar sua deliberação.

André de Gioras ferido em sua emotividade de pai e em seu sentimento de homem jura vingança, estremecendo a alma inflexível e fria do senador.

Públio Lentulus e a família haviam se transferido para a Palestina visando a recuperação da filha que era portadora de uma doença na época considerada incurável, na esperança que o clima de Cafarnaum trouxesse melhoras à menina.

Lívia implorou ao marido que procurasse o profeta de Nazaré na esperança de uma cura definitiva para a pequenina, visto o grande número de comentários do povo naquela época sobre as curas operadas por Jesus.

O senador aquiesce ao pedido da esposa, dizendo-lhe porém que iria à procura do messias, mas que não chegaria ao cúmulo de abordá-lo pessoalmente, descendo de sua dignidade social e política, mas que pretendia um encontro fortuito com Este, e que se sobreviesse alguma circunstância favorável, far-lhe-ia sentir o prazer que lhes causaria a sua visita, com o intento de reanimar a doente.

Quando as horas mais movimentadas do dia se escoaram e o crepúsculo começou a se fazer visível, o senador então se colocou no caminho que conduzia a uma antiga fonte da cidade que era motivo de atração para os forasteiros, na estrada que conduzia às margens do Tiberíades, onde Jesus era freqüentemente visto em suas pregações.

Depois de mais de uma hora de expectativa, dá-se então o encontro de Públio Lentulus com Jesus, que ele descreve como um homem ainda moço, cujo olhar transparecia profunda misericórdia, além de uma beleza suave e indefinível. Longos cabelos sedosos molduravam-lhe o semblante compassivo, cujo sorriso divino revelava ao mesmo tempo bondade imensa e singular energia, irradiando de sua melancólica e majestosa figura, uma fascinação irresistível.

Jesus lhe aconselha que mude de caminho, exortando o homem de Estado superficial e orgulhoso, a ter fé e ser humilde, imitando o exemplo da esposa. Que os poderes do império eram bem fracos e todas as suas riquezas bem miseráveis...

Jesus ainda lhe fala das efemeridades das magnificências dos césares e das glórias terrenas, porquanto um dia todas as criaturas são chamadas aos tribunais da justiça de seu Pai, deixando as águias poderosas de existir, para se transformar num punhado de cinzas misérrimas e que apenas uma lei imutável prevalece ante as inquietações dos homens – a lei do amor, instituída por Deus, desde o princípio da criação...

No final do diálogo, Jesus diz-lhe:

▬  "Agora, volta ao lar, consciente das responsabilidades do teu destino...

"Se a fé instituiu na tua casa o que consideras a alegria com o restabelecimento de tua filha, não te esqueças que isso representa um agravo de deveres para o teu coração, diante de nosso Pai, Todo-Poderoso!..."

Mas Públio Lentulus em sua presumida superioridade, prefere se entregar ao orgulho que lhe caracterizava a personalidade, esquecendo todas as exortações do profeta de Nazaré, não chegando nem mesmo a reconhecer-Lhe a intervenção na cura da filha.

Na mesma noite tem um sonho onde entre outras coisas, vê um juiz ostentando uma toga extremamente alva que lhe fala:

" ▬  Públio Lentulus, porque desprezaste o minuto glorioso, com o qual poderias ter comprado a hora interminável e radiosa da tua redenção na eternidade?

"Estiveste, esta noite, entre dois caminhos:

▬  O do servo de Jesus
▬  E o do servo do mundo.

No primeiro, o jugo seria suave e o fardo leve; mas, escolhestes o segundo, no qual não existe amor bastante para lavar toda a iniqüidade. Sofrerás muito, porque nessa estrada o jugo é inflexível e o fardo pesadíssimo; mas agiste com liberdade de consciência, no jogo amplo das circunstâncias de tua vida. Não te condenamos, para tão somente lamentar o endurecimento do teu espírito em face da verdade e da luz! 

Retempera todas as fibras do teu "eu", pois enorme há-de ser, doravante a tua luta!..."


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 03:59




À partir de então sua vida se transforma numa seqüência de decepções e amarguras indescritíveis. André de Gioras trama e executa o rapto do filho Marcus, intrigas e calúnias fazem com que ele desconfie da fidelidade da própria esposa.

Relegada à indiferença e ao abandono do esposo, Lívia abraça ardentemente a fé cristã e em uma das reuniões nas catacumbas é feita prisioneira, vindo a morrer no circo.

No final do livro Emmanuel conclui por si mesmo que enquanto Lívia vivera para Deus, ele vivera para César, recebendo ambos compensações diversas na estrada do destino.

Enquanto o jugo de Jesus fora suave e leve para a esposa, seu coração altivo e orgulhoso estava preso ao terrível jugo do mundo, sepultado nas dores irreversíveis, sem claridades e sem esperanças.

Acabou os últimos dez anos de sua vida cego, amargando as pungentes revelações de André de Gioras, ainda num gesto de transformação de sua alma, perdoando-lhe as infortunadas ações.

Desencarna fatidicamente em agosto de 79, na terrível erupção do Vesúvio. Mas errar em uma existência não significa estar condenado para sempre, pois todo erro pode ser reparado.

Em seu segundo romance "50 Anos Depois", prefacia Emmanuel:

"Cinqüenta anos depois das ruínas fumegantes de Pompéia, nas quais o impiedoso senador Públio Lentulus se desprendia novamente do mundo, para aferir o valor de suas dolorosas experiências terrestres, vamos encontrá-lo, nestas páginas, sob a veste humilde dos escravos, que o seu orgulhoso coração havia espezinhado outrora.

A misericórdia do Senhor permitia-lhe reparar, na personalidade de Nestório, os desmandos e arbitrariedades cometidas no pretérito, quando, como homem público, supunha guardar nas mãos vaidosas, por injustificável direito divino, todos os poderes."

Nestório era um negro de grande cultura que fora feito escravo pelos romanos, sendo comprado por uma nobre família de patrícios. Cristão desde criança, chegou a alcançar a velhice do apóstolo João, conhecendo-o em suas pregações evangélicas em Éfeso.

O livro ainda nos chama a atenção sobre a lei de causa e efeito, mostrando o imperativo do resgate das faltas, nas trilhas da evolução espiritual.

Em uma das reuniões nas catacumbas, quando substituía um pregador ausente, Nestório é feito prisioneiro junto dos demais presentes, vindo a morrer no circo, numa morte semelhante a que tivera a esposa na reencarnação pretérita.

Desde então o nobre espírito não mais se desvincularia da missão de propagação do Evangelho do Cristo, que viera a conhecer ainda na personalidade do orgulhoso senador romano.

Em 12 de janeiro de 1949, Emmanuel ditou a seguinte mensagem no grupo de estudos espíritas de Pedro Leopoldo:

"O trabalho de cristianização, irradiando sob novos aspectos, do Brasil, não é novidade para nós.

Eu havia abandonado o corpo físico em dolorosos compromissos, no século XV, na Península, onde nos devotávamos ao "crê ou morre", quando compreendi a grandeza do País que nos acolhe agora. Tinha meu espírito entediado de mandar e querer sem o Cristo.

As experiências do dinheiro e da autoridade me haviam deixado a alma em profunda exaustão. Quinze séculos haviam decorrido sem que eu pudesse imolar-me por amor do Cordeiro Divino, como o fizera, um dia, em Roma, a companheira do coração.

Vi a floresta a perder-se de vista e o patrimônio extenso entregue ao desperdício, exigindo o retorno à humanidade civilizada e, entendendo as dificuldades do silvícola relegado à própria sorte, nos azares e aventuras da terra dadivosa que parecia sem fim, aceitei a sotaina, de novo, e por Padre Nóbrega conheci, de perto, as angústias dos simples e as aflições dos degredados.

Intentava o sacrifício pessoal para esquecer o fastígio mundano e o desencanto de mim mesmo, todavia, quis o senhor que, desde então o serviço americano e, muito particularmente, o serviço ao Brasil não me saísse do coração.

A tarefa evangelizadora continua. A permuta de nomes não importa. Cremos no Reino Divino e pugnamos pela ordem cristã. Desde que reconheçamos a governança e a tutela do Cristo, o nome de quem ensina ou de quem faz não altera o programa. Vale, acima de tudo, a execução (...)".

Manuel de Nóbrega nasceu na vila portuguesa de Sanfins, nas cercanias de Vila Real, em Entre-Douro-e-Minho, a 18 de outubro de 1517.

Estudou nas Universidades de Salamanca e Coimbra, bacharelando-se em direito canônico pela última. Ingressou na Companhia de Jesus em 1544, e cinco anos depois designado por Dom João III, embarcava juntamente com Tomé de Souza para o Brasil, desembarcando na Bahia em 29 de março de 1549.

Colaborou na fundação das cidades de Salvador e do Rio de Janeiro e foi sua a iniciativa da fundação da cidade de São Paulo em 1554. Virtuoso, enérgico, de um caráter por assim dizer tenaz, exercia grande ascendência moral sobre os religiosos, colonos e índios.

É considerado o primeiro escritor do Brasil, pelas suas cartas informativas sobre o país, escritas da Bahia e pelo livro "Diálogo sobre a conversão do Gentio".

O confrade Clóvis Tavares no livro "Amor e Sabedoria de Emmanuel", nos fala de uma mensagem de Emmanuel, recebida em Pedro Leopoldo, no dia 13 de março de 1940, que trata sobre o encontro do senador Públio Lentulus com o apóstolo Paulo em Roma.

Emmanuel conta que este encontro se deu pouco depois da trágica desencarnação de Lívia, quando o espírito do senador ainda se encontrava bastante atormentado. Em dos trechos da mensagem Emmanuel relata:

" (...) As palavras de Paulo eram firmes e consoladoras. O grande convertido não conhecia a úlcera que me sangrava o coração, todavia, as suas expressões indiretas foram, imediatamente, ao fundo de minh'alma, provocando um dilúvio de emoções e de esclarecimentos."

Na espiritualidade o grande convertido de Damasco que sempre se dedicou a amparar "as grandes inteligências afastadas do Cristo, compreendendo-lhes as íntimas aflições e o menosprezo injusto de que se sentem objeto no mundo, ante os religiosos de todos os matizes, quase sempre especializados em regras de intolerância", prometeu auxiliá-lo em suas posteriores existências terrenas.

Talvez seja por isso que em gratidão a este gigante do evangelho, o padre Manoel da Nóbrega chegou a adiar a inauguração do Colégio de Piratininga, a que deu o nome de "São Paulo", para o dia da conversão do Apóstolo, comemorado em 25 de janeiro.

Desencarnou no Rio de Janeiro, no antigo Morro do Castelo, em 18 de outubro de 1570, ao completar 53 anos de idade, vítima de tuberculose.

Podemos dizer que Emmanuel é na atualidade - sem sombra de dúvida, um dos mais valorosos espíritos encarregados de propagar a Terceira Revelação na Terra. Mentor Espiritual responsável pela obra mediúnica de Francisco Cândido Xavier,

Escreveu mais de 100 livros que tratam dos mais diversos assuntos entre Filosofia, Ciência, Literatura, e principalmente Exortações Evangélicas, sendo orientador também de diversos espíritos, como André Luiz, do qual prefaciou vários livros.

Chico Xavier disse certa vez notar em Emmanuel o mais alto grau de tolerância, por sempre tratar todas as questões com o máximo de respeito pela liberdade e idéias dos outros.

Nestas despretensiosas linhas, lembramos um pouco das "vidas" e da obra deste grande discípulo do Cristo, que sempre nos consolou com suas mensagens confortadoras e instrutivas, onde sempre ressaltou que o grande desafio que temos pela frente é o de: "Evangelizarmos a nós mesmos..."

Paulo Henrique D. Vieira
Uberlândia, MG.

Bibliografia:
XAVIER, Francisco Cândido. Emmanuel – Há 2000 Anos... 24.ª ed., FEB.
TAVARES, Clóvis – Amor e Sabedoria de Emmanuel. 7.ª ed., Instituto de Difusão Espírita.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 04:01


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 30 de Dezembro de 2010, 04:04


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 02 de Janeiro de 2011, 00:23
(http://1.bp.blogspot.com/_0CUub4uG364/SRrnFVOT-dI/AAAAAAAAAlM/vLBFM9R_Kpg/S269/4764_lagrima2.JPG)

Acorda e Ajuda

                                                                      "Segue-me e deixa aos mortos o
                                                                       cuidado de enterrar os mortos."
                                                                       - Jesus.
                                                                                             (Mateus, 8:22.)




Jesus não recomendou ao aprendiz deixasse "aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres",
e sim conferisse "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".

Há, em verdade, grande diferença.

O cadáver é carne sem vida, enquanto um morto é alguém que se ausenta da vida.

Há muita gente que perambula nas sombras da morte sem morrer.

Trânsfugas da evolução, cerram-se entre as paredes da própria mente, cristalizados no egoísmo ou na vaidade, negando-se a partilhar a experiência comum.

Mergulham-se em sepulcros de ouro, de vício de amargura e ilusão. Se vitimados pela tentação da riqueza, moram em túmulos de cifrões; se derrotados pelos hábitos perniciosos, encarceram-se em grades sombra; se prostrados pelo desalento, dormem no pranto da bancarrota moral, e, se atormentados pelas mentiras com que envolvem a si mesmos, residem sob as lápides, dificilmente permeáveis, dos enganos fatais.

Aprende a participar da luta coletiva.

Sai, cada dia, de ti mesmo, e busca sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias de teu irmão e ajuda quanto possas.

Não te galvanizes na esfera do próprio "eu".

Desperta e vive com todos, por todos e para todos, porque ninguém respira tão somente para si.

Em qualquer parte do Universo, somos usufrutuários do esforço e do sacrifício de milhões de existências.

Cedamos algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós.

Recordemos, desse modo, o ensinamento do Cristo.

Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas, em se tratando da jornada espiritual, deixa sempre "aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos".


Livro Fonte Viva - FEB,  Emmanuel/Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 02 de Janeiro de 2011, 00:37
(http://2.bp.blogspot.com/_uu0pruUFM9w/S1ufA3SB9EI/AAAAAAAADUE/3cf1XCuya2s/s320/Barrinhas1g1g1XXc.gif)

Misericórdia Divina



“Toda vez que a Justiça Divina nos procura no endereço exato para execução das sentenças que lavramos contra nós próprios, segundo as leis de causa e efeito, se nos encontra em serviço ao próximo, manda a Divina Misericórdia que a execução seja suspensa, por tempo indeterminado.”




Emmanuel / Chico Xavier
Perante Jesus cap. 4 - Remuneração Espiritual
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 02 de Janeiro de 2011, 02:03
(http://dialogos.files.wordpress.com/2010/03/velho-chico-sorrindo1.jpg?w=300&h=214)

Dúvida e Tempo



Chico visitou durante muitos anos um jovem que tinha o corpo totalmente deformado e que morava num barraco a beira de uma mata. O estado de alienado mental era completo. A mãe deste jovem era também muito doente e o Chico a ajudava a banhá-lo, alimentá-lo e a fazer a limpeza do pequeno cômodo em que morava.

O quadro era tão estarrecedor que, numa de suas visitas em que um grupo de pessoas o acompanhava, um médico perguntou ao Chico:

Nem mesmo neste caso a eutanásia seria perdoável?

- Não creio, doutor, respondeu-lhe o Chico. Este nosso irmão, em sua última encarnação, tinha muito poder. Perseguiu, prejudicou e com torturas desumanas tirou a vida de muitas pessoas. Algumas o perdoaram, outras não e o perseguiram durante toda a sua vida. Aguardaram o seu desencarne e, assim que ele deixou o corpo, eles o agarraram e o torturaram de todas as maneiras durante muitos anos. Este corpo disforme e mutilado representa uma benção para ele. Foi o único jeito que a Providência Divina encontrou para esconde-lo de seus inimigos. Quanto mais tempo agüentar, melhor será. Com o passar dos anos, muitos de seus inimigos o terão perdoado. Outros terão reencarnado. Aplicar a eutanásia seria devolvê-lo às mãos de seus inimigos para que continuassem a torturá-lo?


- E como ele resgatará seus crimes? Inquiriu o médico.

O irmão X costuma dizer que Deus usa o tempo e não a violência.

Extraído do livro "Chico, de Francisco" - Adelino da Silveira
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 02 de Janeiro de 2011, 17:42
(http://i269.photobucket.com/albums/jj52/psytasya/html/girl.jpg)


Mãos


Harpas de amor tangendo de mansinho
A música do bem ditosa e bela,
As mãos guardam a luz que te revela
A mensagem de paz e de carinho.

Não te digas inútil ou sozinho...
Na existência mais triste ou mais singela,
Nas mãos todo um tesouro se encastela,
Derramando-se em bênçãos no caminho.

Ara, semeia, tece, afaga e ajuda...
Mãos no trabalho são a prece muda
De nosso coração, vencendo espaços...

E, aprendendo com Cristo, ante o futuro,
Tuas mãos, como servas do amor puro,
São estrelas fulgindo nos teus braços.

(Auta de Souza e Francisco Cândido Xavier)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 02 de Janeiro de 2011, 19:27
Boa tarde, queridos amigos!


  INIMIGOS  OCULTOS



Mencionamos, com muita freqüência, que os inimigos exteriores são os piores expoentes de perturbação que operam em nosso prejuízo. Urge, porém, olhar para dentro de nós, de modo a descobrir que os adversários mais difíceis são aqueles de que não nos podemos afastar facilmente, por se nos alojarem no cerne da própria alma.

Dentre eles, os mais implacáveis são:

- o egoísmo, que nos tolhe a visão espiritual, impedindo vejamos as necessidades daqueles que mais amamos;

- o orgulho, que não nos permite acolher a luz do entendimento, arrojando-nos a permanente desequilíbrio;

- a vaidade, que nos sugere a superestimação do próprio valor, induzindo-nos a desprezar o merecimento dos outros;

- o desânimo, que nos impele aos precipícios da inércia;

- a intemperança mental, que nos situa na indisciplina;

- o medo de sofrer, que nos subtrai as melhores oportunidades de progresso, e tantos outros agentes nocivos que se nos instalam no Espírito, corroendo-nos a energias e depredando-nos a estabilidade mental.

Para a transformação dos adversários exteriores contamos, geralmente, com o amparo de amigos que nos ajudam a revisar relações, colaborando conosco na constituição de novos caminhos; entretanto, para extirpar os que moram em nós, vale tão-somente o auxílio de DEUS, com o laborioso esforço de nós mesmos.

Reportando-nos aos inimigos externos, advertiu-nos JESUS que é preciso perdoar as ofensas setenta vezes sete vezes, e decerto que para nos descartarmos dos inimigos internos – todos eles nascidos na trevas da ignorância – prometeu-nos o Senhor: “conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”,

o que equivale dizer que só estaremos a salvo de nossas calamidades interiores, através de árduo trabalho na oficina da educação.

 

Livro: Alma e Coração. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Autor: Emmanuel
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 02 de Janeiro de 2011, 19:33
  CANTIGA  DA  DOR

 

“E por que tanta dor por este mundo afora?

-Perguntei ao mentor que me instruía –

Ralava-me na Terra a escassez de alegria...

Voltei do mundo físico e, ainda agora,

Novo tipo de lágrimas me assiste:

Sou feliz e sou triste

Vendo aqueles que amo, em provação constante,

Sem que eu possa vale-los,

Muito embora o carinho dos meus zelos

E o meu imenso amor de cada instante!...”“.

 

 

Ele explicou-me com bondade:

“Essa história da dor na Humanidade

Precisa ser revista...

Por que lhe menosprezar a função alta e bela,

Se não há criatura a evoluir sem ela?

Vemo-la, em toda parte,

Desde o sono da pedra aos altos sonhos da Arte.

Entre os homens irmãos, tudo o que se conquista:

A cela corporal, as posses e os prazeres

Pedem a vida de milhões de seres!...

Quanta aflição envolve a Natureza

Para que o homem se alimenta à mesa!?...

Se houvesse uma consulta em cada horta,

Se alguém se dispusesse a ouvir a queixa dos rebanhos

Ou se escutasse o tronco que se corta,

Quantas inquietações e protestos estranhos!...

A dor também é lei na qual se apura

A Civilização de que tens a cultura!...

Força de propulsão,

Sofrimento é processo

Para que se organize o topo do progresso

Ante o esplendor da evolução!...

 

“E posso caminhar sem dor, em minha estrada?”.

-Indaguei, pensativa.

E o mentor respondeu em voz pausada:

“Sem a bênção da dor, que nos guarda e elucida

Para o encontro do Bem,

Ninguém pode entender os ensinos da vida

Nem saberá servir junto de alguém ““.

 

 

 

Livro ALMA E VIDA – Psicografia: Francisco Cândido Xavier. Autora: Maria Dolores
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 02 de Janeiro de 2011, 19:39
”O lar não é somente a moradia dos corpos, mas, acima de tudo, a residência das almas…”

                                                 Emmanuel
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 06 de Janeiro de 2011, 21:07
   

      
(http://img.americanas.com.br/produtos/01/02/item/7130/8/7130859G1.jpg)


EDITORAS QUE CHICO ESCOLHEU
PARA PUBLICAREM SEUS LIVROS


Ordem Alfabética

 

. Ceu – Centro Espírita União
  Av. Rangel Pestana, 233/243 – Centro
  01017-000 – São Paulo – SP
  Tel. (011) 3105-6315
  Email – ceu@ceu.com.br
  Site – www.ceu.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5jZXUuY29tLmJy)

 

. Clarim – Casa Editora “O Clarim”
  Rua Rui Barbosa, 1070
  Caixa Postal - 09
  15990-000 – Matão – SP
  Tel. (016) 3382-1066
  Email – oclarim@oclarim.com.br
  Site – www.oclarim.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5vY2xhcmltLmNvbS5icg==)


. Edicel – Editora Cultural Espírita Edicel Ltda
  Caixa Postal – 7551
  Cep 73001-970 – Sobradinho – DF
  Tel. (061) 4851-1530
  Email – edicel@edicel.com.br
  Não tem site


. Feb – Federação Espírita Brasileira
  Rua. Souza Valente, 17 – São Cristovão
  Cep. 20941-040 – RJ
  Tel. (21) 2187-8282
  Email - feb@febrasil.org.br
  Site – www.febrasil.org.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5mZWJyYXNpbC5vcmcuYnI=)


. Feesp – Federação Espírita do Estado de São Paulo
 
Rua Santo Amaro, 372 – Bela Vista
  01315-001 – SP
  Tel. (011) 3104-2344
  Email - Fesp@fesp.com.br
  Site – www.fesp.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5mZXNwLmNvbS5icg==)


. Fergs – Federação Paulista do Rio Grande do Sul
  Av. Des. André da Rocha, 49
  Cep 90050-161 – Porto Alegre – RS
  Tel. (051) 3224-1493
  Email - Livraria@ fersgs.com.br
  Site – www.fergs.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5mZXJncy5jb20uYnI=)


. Fmg – Fundação Marieta Gaio
  Rua 19 de Outubro, 54 – Bonsussesso
  Cep 21040-110 – RJ
  (021) 2564-8262
  Email - fundacaomarietagaio@zipmail.com.br
  Site –  não tem

. Geem – Grupo Espírita Emmanuel s/c Editora
  Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, 2857 – Alves Dias
  Cep 09701-970 – São Bernardo do Campo – SP
  Caixa Postal – 222
  Tel. (011) 4109-7122
  Site – www.geem.org.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5nZWVtLm9yZy5icg==)
  Email – www.geem@ (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5nZWVtQA==)geem.ortg.br

. Cec – Comunhão Espírita  Cristã
  Rua Prof. Eurípedes Barsanulfo, 157 Pq. Das Américas
  Cep 3845-040 – Uberaba – MG
  Tel. (34)  3336-4234
  Email - cec.uberaba@terra.com.br
  Site – não tem


. Ide – Instituto de Difusão Espírita
Rua Otto Barreto, 167
  Cep 13602-970 – Araras – SP
  Tel. (019) 3541-0966
  Email - Info@ide.org.br
  Site – www.ide.org.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5pZGUub3JnLmJy)


. Ideal – Instituto de Divulgação Espírita André Luiz
  Rua. Lacônia, 101 – Jd. Brasil
  Cep. 04634-050 – SP
  Tel. (011) 5031-0077
  Email - ideal@uol.com.br
  Site - www.editoraideal.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5lZGl0b3JhaWRlYWwuY29tLmJy)


. Lake – Livraria Allan Kardec Editora
  Rua Assunção, 43 – Brás
  Cep. 03005-020 – SP
  Caixa Postal  15190
  Tel. (011) 3229-0526
  Email - Lakelivraria@uol.com.br
  Site: www.lakelivraria.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5sYWtlbGl2cmFyaWEuY29tLmJy)

 

. Pens – Editora Pensamento Ltda
  Rua. Dr. Mário Vicente, 374 – V. D. Pedro I
  Cep. 04270-000 – São Paulo – SP
  Tel. (011) 6166-9000
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. Uem – União Espírita Mineira
  Rau Guarani, 315 – Centro
  Cep.  30120-040 – BH – MG
  (031) 3201-3038
  Email - livraria@uembh.org.br
  Site – www.uembh.org.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy51ZW1iaC5vcmcuYnI=)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 08 de Janeiro de 2011, 02:51
(http://2.bp.blogspot.com/_G5vmDZj0XdE/TBvclm969VI/AAAAAAAAAjQ/FEnIKVdKtz8/s400/amo-te+c%C3%B3pia.jpg)

O  Pirilampo


Nunca te afirmes imprestável.

Num aldeamento de colonização, surgiu um químico dedicado à fabricação de remédios, pesquisando as qualidades de certo arbusto que existia unicamente em cavernas.

Detendo informes de antigos habitantes da região, muniu-se de lâmpada elétrica, vela e fósforos para descer aos escaninhos de grande furna.

O homem começou a distanciar-se da luz do sol e porque as sombra se escondesse, acendeu a lâmpada desdobrando uma corda que, na volta, lhe orientasse o caminho.

A breves instantes, porém, as pilhas se esgotaram. Recorreu aos fósforos e inflamou a vela; entretanto, a vela se derreteu e os fósforos foram gastos inteiramente, sem que ele atingisse o que desejava.

Dispunha-se ao regresso, quando viu em pequeno recôncavo do espaço estreito e escuro, o brilho intermitente de um pirilampo.

Aproximou-se curioso e, à frente dessa luz, achou a planta que buscava, com enorme proveito na tarefa a que se propunha.

Anotemos a conclusão.

Quem não pode ser luz solar, terá possivelmente o clarão da lâmpada. Quem não consegue ser a lâmpada terá consigo o valor de uma vela acesa ou de um fósforo chamejante. E quem não disponha de meios a fim de substituir a vela ou o fósforo, trará sem dúvida, o brilho de um pirilampo.


Emmanuel
Do livro "Recados do Além"
Psicografada por Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:23


Quando a professora chegou, Chico se desculpou, agradeceu e se despediu. Não poderia perder tempo.

Cont.



[attach=1]


AS VIDAS DE CHICO


No fim do ano, o ex-futuro-aluno de piano não resistiu e arriscou um vôo mais comedido. Pediu ao vizinho de mesa na Fazenda Modelo, o músico e escrevente Oswaldo Gonçalo do Carmo, aulas de teoria musical.

Queria estudar as notas, tons, semitons, escalas. Empolgado, chegou a confidenciar ao mestre:
▬ Se aprender música, Conseguirei completar a sinfonia de Schubert.

Oswaldo se empolgou com a perspectiva de produzir um gênio. E ficou impressionado com o aluno. Chico aprendeu, em três meses, o que poucos aprenderiam em um ano. E parou.

A sinfonia de Schubert ficaria incompleta. Chico queria relaxar, mas era impossível. Seu nome, já estampado na capa de 25 livros, começava a gerar dinheiro mesmo contra sua vontade. Em 1947, a irmã dele, Zina, foi procurada pela polícia de Belo Horizonte.

Precisava identificar o "Chico Xavier" que atraía multidões num bairro populoso da cidade. O curandeiro cobrava trezentos cruzeiros por sessão e cem por passe e vendia exemplares autografados das obras de Emmanuel, Irmão X e André Luiz. Foi desmascarado a tempo.

Os charlatões estavam à solta. Chico vivia numa espécie de "prisão domiciliar". A fama custava caro, tomava tempo e espaço, acabava com a liberdade de ir-e-vir do porta-voz dos mortos. De vez em quando, ele fugia para o cemitério ou o açude em busca de privacidade. Precisava de um pouco de paz para escrever seus livros e cumprir o combinado com seu "patrão" invisível.

Em 1947, conseguiu pingar o ponto final no trigésimo título, Volta, Bocage. Um alívio tomou conta dele. Eufórico, viu Emmanuel se aproximar e perguntou se a tarefa já estava encerrada.

O guia sorriu e anunciou:
▬  Começaremos uma nova série de trinta volumes.

Chico respirou fundo e obedeceu desanimado. Quanto mais escrevia, mais ficava encurralado. As mentiras o cercavam. Previsões falsas eram atribuídas a ele e até mesmo textos apócrifos eram divulgados como seus.

Em 1949, um livro assinado por um certo André Luiz chegou às livrarias com um prefácio enriquecido pela colaboração direta de Chico Xavier. Tudo mentira. O escritor de Nosso Lar nem conhecia a médium responsável pela publicação.

Sua casa era pequena para tantos visitantes. O telefone tocava insistentemente e cartas chegavam, às bateladas, todos os dias. Alguns envelopes guardavam surpresas desagradáveis. Remetentes aconselhavam o protegido de Emmanuel a se desligar do espiritismo antes de ser engolido pela vaidade.

Espíritas acusavam sinais de exibicionismo em Chico Xavier e também identificavam nos seus textos evidências de "cansaço". Algumas cartas, enviadas do Sul por "confrades" espíritas, sugeriam sua aposentadoria. Ele engolia em seco e ia em frente.

De vez em quando, era procurado por algum político interessado em seu apoio nas campanhas eleitorais em troca de ajuda financeira às "campanhas beneficentes". Chico escutava as propostas, se esquivava de todas com educação e comentava com os amigos mais íntimos:
▬  As sereias estão cantando.

Em carta enviada ao então presidente da Federação Espírita Brasileira, Wantuil de Freitas, desabafou:
"▬  Uma pessoa importante é sempre perigosa. Se pode trazer muito bem, pode trazer igualmente muito mal". E revelou sua postura diante dos poderosos: a de funcionário do Itamaraty. Com diplomacia, ele evitava atritos e conquistava aliados.

O empresário carioca Frederico Figner, proprietário da Casa Edison e introdutor do fonógrafo no Brasil, era um deles. Tão rico quanto espírita, ele trocou cartas com Chico Xavier dezessete anos seguidos. E o ajudou muito. Sem suas doações, o datilógrafo da Fazenda Modelo não conseguiria atender tanta gente.

A cada mês, o filho de João Cândido gastava o correspondente a três vezes o seu salário só com assistência social. Para Chico, os ricos deveriam ser considerados "administradores dos bens de Deus". Ao longo de sua vida, ele ajudaria muitos milionários "benfeitores" a canalizar os "tesouros divinos" para a caridade.

Numa de suas idas a Pedro Leopoldo, Figner perguntou a Chico qual era o seu ideal. Ouviu dele a resposta espiritualmente correta:
▬  Meu ideal é viver o Evangelho de acordo com Nosso Senhor Jesus Cristo e servir humildemente ao homem.

Figner insistiu:
▬  Está certo, está certo. Esse é o seu ideal espiritual. Mas eu queria saber se há aqui no nosso mundo mesmo, o material, algum objetivo que você gostaria de alcançar.

O empregado de Rômulo Joviano foi franco:
▬  Ora, meu caro, se dependesse de mim, eu gostaria de ter uma renda de trezentos mil-réis mensais para poder me dedicar aos necessitados livre e despreocupado em relação à vida material.

Figner nunca mais tocou no assunto. Continuou acumulando milhões, enquanto escrevia artigos em jornais espíritas contra o catolicismo e a favor do espiritismo.

Em 1947, ele morreu. Antes de se retirar para o outro mundo, deixou para as filhas, em testamento, 35 mil contos de réis e reservou cem contos para Chico. A quantia tinha razão matemática: se o funcionário da Fazenda Modelo depositasse o dinheiro no banco, a soma renderia, em juros, exatos trezentos mil-réis mensais.

Quando Chico abriu o envelope enviado pelo advogado da família Figner e encontrou o cheque, ficou em pânico:
▬  Senhor? Que será que este dinheiro quer fazer comigo? A herança chegou logo após uma reunião de família das mais tensas.

João Cândido não tinha como pagar o imposto da casa onde moravam. Deviam oito mil-réis ou seja, 7% do total mensal que estavam prestes a receber apenas de juros. O escrevente da Fazenda Modelo nem pensou duas vezes. Enfiou o cheque num envelope e o mandou para o endereço de origem. João Cândido se arrependeu amargamente de não ter internado o filho enquanto era tempo. Já não dava mais. O garoto tinha 37 anos.

Dias depois, os cem contos voltaram às mãos de Chico Xavier, acompanhados de uma carta das filhas de Figner. Não aceitariam o dinheiro de volta, iriam cumprir as ordens do pai, apesar de serem católicas. Afinal de contas, foi o último desejo dele.

Chico já sabia dizer "não". E insistiu na recusa. Nova devolução. Nova carta. O toma-lá-dá-cá só terminou quando Chico Xavier sugeriu às filhas de Figner que elas enviassem o dinheiro direto para a Federação Espírita Brasileira. A quantia ajudaria na instalação de novas oficinas para o livro espírita.

Em carta a Wantuil de Freitas, ele comunicou a doação e ainda se deu ao trabalho de tranqüilizar o presidente da FEB: Nada me falta e não é sacrifício nenhum da minha parte, porque, providencialmente, Jesus me aproximou do nosso amigo Manoel Jorge Gaio, que tem me auxiliado a sustentar a luta.

Se os deveres aumentaram para mim, aumentou a sua proteção, porque o Sr. Gaio me provê do que preciso. Sua senhora, D. Marietta Gaio, chama-me 'filho", ajudando-me também com sua ternura e abnegação.

Chico pedia apenas um favor ao amigo: discrição. Obedecia a uma orientação de Emmanuel: "Fazer com uma mão o bem, de tal forma que a outra mão não veja". O segredo vazou. E Chico foi "recompensado" com uma série de cartas anônimas endereçadas contra sua decisão de dispensar a herança. Os adjetivos mais educados eram "pedante", "ingrato", "orgulhoso".

O destinatário já estava acostumado. E se consolava:
▬  O que eu preciso é de um bom travesseiro na consciência para dormir com tranqüilidade, e esse tesouro, graças a Jesus, não me tem faltado.

Quatro meses depois, Chico recebeu a visita de Frederico Figner. O ex- milionário apareceu do além pronto para colocar no papel suas primeiras impressões sobre o outro mundo. Já tinha até um título na cabeça para suas memórias: Voltei.

Voltou para o "outro mundo" decepcionado. Chico recusou a missão e pôs a culpa em Emmanuel. Seu guia considerava o projeto prematuro. Só dois anos mais tarde o livro chegou às lojas. Mas, antes, o escritor submeteu os originais às filhas do empresário. Uma medida de segurança para evitar um "caso Humberto de Campos II".

Sorte dele. As herdeiras do ex-milionário ficaram revoltadas com o texto. Não acreditaram numa só palavra sobre o dia-a-dia do pai no outro mundo. O morto vibrava com a bênção de ter se libertado das "correntes materiais" e comemorava o fato de estar mais vivo do que nunca. Para elas, tudo não passava de invenção de Chico.

O livro foi publicado.

O título Continuou o mesmo, mas o nome do autor mudou bastante. Virou Irmão Jacob. Figner não Conseguiu mostrar aos amigos empresários o quanto era imortal, indestrutível. Chico Xavier fechava os olhos para os Céticos e jogava no papel frases assinadas por mortos ilustres.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:25


No dia 26 de julho de 1948, o desabafo atribuído a um certo Alberto Santos Dumont aterrissou nas páginas em branco. O chamado Pai da Aviação, que se suicidou após crise depressiva provocada pelos bombardeios aéreos durante a Revolução Constitucionalista de 1932, ainda lamentava os estragos causados por sua invenção na Segunda Guerra Mundial.

Sob o impacto das carnificinas em Hiroshima e Nagasaki, ele avaliava, com algum atraso:
"▬  Facilitar comunicações às criaturas que ainda não se entendem possivelmente será acentuar os processos de ataque e morte, de surpresa, nas aventuras da guerra".

Para atenuar sua culpa, definia a evolução como uma fatalidade e se dedicava a conselhos elevados:
"▬  Outra deve ser a vocação da altura. Não há vôo mais divino que o da alma. Sejamos descobridores de nós mesmos".

Os vôos de Chico Xavier nesse ano foram turbulentos. Enquanto passava para o papel o livro Libertação, assinado por André Luiz, ele sentiu-se na mira de uma rajada de assombrações. Numa tarde, quando voltava da Fazenda Modelo, a pé e sozinho, parou no meio da estrada de terra e se jogou no chão, de joelhos. com os olhos voltados para o céu e as mãos enlaçadas em prece.

Em sua direção, cada vez mais perto, avançava uma legião de quase seiscentas criaturas descontroladas, armadas com paus e aos berros:
▬  Você é o Chico Xavier? Agora você vai ver. Miserável, protegido. Os agressores já estavam a cinco passos de distância e nem sinal de Emmanuel, o protetor. Chico rezou, pediu perdão a Deus e se preparou para o linchamento. De repente, as figuras começaram a se de fazer. Não sobrou uma para contar a história.

Chico se levantou, sacudiu a poeira da calça e, a caminho de casa, decifrou a lição do dia:
▬  A reza era um santo remédio.

Semanas depois, Chico foi surpreendido por três mulheres nuas se ensaboando embaixo do chuveiro em sua casa. Elas riam, jogavam água uma nas outras e encaravam o moço com olhares convidativos. O autor de Libertação fechou os olhos, rezou e, quando voltou à tona, estava sozinho de novo no banheiro, pronto para o banho.

Chico sempre se sentiu sob vigilância constante. Um dia, na Fazenda Modelo, arrancou uma laranja do pé e ouviu a censura: "Ladrão". Emmanuel poderia pegá-lo em flagrante a qualquer momento. E entrava em cena contrariado quando seu protegido usava palavras inconvenientes, falava em tom áspero ou dava sinais de agressividade e impaciência.

Com o tempo, Chico passou a apostar na frase "o mal é o que sai da boca do homem" e começou a construir um discurso sob medida. Logo ele se tornou um mestre em eufemismos.

No seu mundo, não havia prostitutas, mas "irmãs vinculadas ao comércio das forças sexuais". Os presos eram "educandos", os empregados eram "auxiliares", os pobres eram "os mais necessitados", os mongolóides eram "nossos irmãos com sofrimento mental", os adversários eram "nossos amigos estimulantes" e os maus eram os "ainda não bons". Ninguém fazia anos e sim "janeiros" ou "primaveras". Os filhos de mães solteiras deveriam ser encarados como filhos de pais ausentes. A nota de vinte cruzeiros, entregue com freqüência aos pobres, ganharia um apelido inspirado em sua cor: "laranjada".

O cuidado com as palavras não era mera formalidade nem prova de educação. Tinha fins preventivos, quase terapêuticos. O uso de expressões agressivas era perigoso, arriscado. Os maus pensamentos também. Era Kardec quem ensinava: "Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável..."

Um dia, Chico andava esbaforido em direção à Fazenda Modelo quando foi chamado por uma vizinha. Desde a véspera ela tentava falar com o representante do Dr. Bezerra de Menezes. O moço tinha assumido o compromisso de ajudá-la naquela manhã.  Atrasado para o serviço, ele seguiu em frente e se limitou a dizer:
▬  Estou com pressa. Na hora do almoço passo aqui.

Deu cinco passos e ouviu a voz de Emmanuel.
▬  Cinco minutos não vão prejudicá-lo.

Chico voltou, tirou dúvidas da mulher sobre um remédio receitado pelo Dr. Bezerra e foi embora. A vizinha ficou feliz da vida. Obrigada, Chico, Deus lhe pague. Vá com Deus. O rapaz despediu-se e, cem metros adiante, seguiu outro conselho de Emmanuel. Olhou para trás para ver o que saía dos lábios da moça em sua direção.

Enxergou uma massa branca de fluidos luminosos aproximando-se e entrando no corpo dele. Emmanuel concluiu a lição daquele turno:
▬  Imagine se, em vez de "vá com Deus", ela dissesse "vá com o diabo". De seus lábios estariam saindo cinzas, ciscos, algo pior.

Chico passou a aconselhar os amigos no Centro Luiz Gonzaga:
 ▬  Até punhaladas e tiros temos recebido de volta por mau uso das palavras. Um dia, porque adverti um companheiro sem vestir-me da defesa da humildade, recebi, quando menos esperava, um tiro projetado sobre mim com a força de um pensamento carregado de ódio.

A humildade, para ele, funcionaria como escudo em várias ocasiões. Numa delas, ele levou um tombo, caiu de costas e bateu com a cabeça no chão. Já estava pronto para reclamar, quando Emmanuel ordenou:
▬  Agradeça.
▬  Como?
▬  Agradeça.

Ainda no chão, Chico levantou um pouco a voz e acatou:
▬  Obrigado, muito obrigado.

A voz do amigo invisível decifrou o enigma: Se você se irritasse, emitiria vibrações quase iguais às deles e eles ficariam com mais força. O tombo, segundo o amigo invisível, tinha sido provocado por "espíritos de baixa vibração".

Numa noite, quando já se preparava para dormir suas três horas de sono, Chico foi surpreendido pela visita de uma figura diabólica.
▬  Você me chamou?
A voz era arrepiante. Chico ia dizer a verdade, quando Emmanuel o aconselhou a trocar o "não" por um "sim" estratégico.
▬  Chamei, sim, senhor.
▬  E o que você quer?

Chico arriscou uma resposta política:
▬  É que a vida está tão difícil que eu queria que o senhor me abençoasse em nome de Deus ou em nome das forças em que o senhor crê.

O recém-chegado perdeu o rebolado e insultou:
▬  É só a gente aparecer que você cai de joelhos.

Depois sumiu. As provações se sucediam.

Na noite de 11 de setembro de 1948, Chico Xavier e um amigo, Isaltino Silveira, admiravam Pedro Leopoldo do alto de um morro, na beira de um riacho. Sentado numa pedra, sob a luz de um poste, Chico lançava sobre o papel um poema assinado por Cruz e Sousa.

Isaltino substituía as páginas preenchidas por outras em branco. Os dois estavam às voltas com o poeta do além quando escutaram um barulho no mato. Eram passos. O amigo de Chico olhou para trás e levou um susto: um homem enorme, com olhos injetados, avançava na direção deles com um pedaço de pau na mão. Isaltino levantou-se rápido e se preparou para enfrentar o agressor.

Chico, já escaldado, continuou sentado. Sugeriu arma mais contundente: uma boa reza para emitir vibrações positivas. A poucos metros, o agressor parou e começou a balbuciar com a língua enrolada e os olhos fixos em Chico:
▬  Esta luz nas suas pernas, esta luz nas suas pernas.
 ▬  Vá para casa e fique na paz de Deus, meu filho. Chico aconselhou.

Isaltino, já refeito do susto, viu o homem dar meia-volta e ficou perplexo diante de um fato insólito. O mato, em um raio de cinco metros ao redor do agressor, ficou todo amassado enquanto ele caminhava. Chico Xavier tentou explicar a história toda: o homem era um médium poderoso, embora descuidado, e tinha sido arrancado da cama por espíritos obsessores, interessados em assassinar os dois e jogar seus corpos no rio.

O plano daria certo se os benfeitores espirituais não tivessem envolvido a dupla com um cinturão de luz. Isaltino ainda estava perplexo.
▬  Por que o agressor se referiu à luz nas pernas de Chico?

A resposta veio rápida, como se fosse óbvia. Ele percebeu o foco que os espíritos projetavam sobre o papel durante a psicografia.
▬  Por que o capim em torno dele se amassava?
▬  As tais entidades eram tão ruins que se utilizaram dos fluidos do médium e Conseguiram peso específico para provocar o fenômeno físico. Eram aproximadamente duzentos espíritos. Isaltino suou frio.

A reza só não afastava as assombrações de carne e osso. Chico sempre viveu cercado de pessoas que se agarravam a ele, o envolviam, quase o sufocavam. Uma delas recebeu até um apelido: Águia.

Enorme, com a cabeça descomunal, nariz curvo e costas largas, o "companheiro" de Chico assumia ares de guardião no Centro Luiz Gonzaga e chegava a afastar os amigos do alcance de seu protegido. Poucos se aproximavam. Muitos se irritavam com a omissão de Chico.

▬  Por que ele não se desvencilhava do intruso?

A resposta era simples:
Se enfrentasse o Águia, poderia receber de volta vibrações que o prejudicariam. Preferiu ficar quieto e, com o tempo, o homem sumiu de cena.

Os amigos chiavam:
▬  Chico, todo mundo quer mandar em você.

Ele ia além:
▬  Todos mandam em mim. Eu já não me mando mais.




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:27


Outra assombração bastante real era o padre Sinfrônio. Quanto mais gente saía de outros estados à procura de Chico Xavier, mais o sangue do pároco subia à cabeça. Os carros passavam direto pela igreja de Nossa Senhora da Conceição e estacionavam diante do centro, a cinqüenta metros de distância.

Ele ficou tão irritado com o espiritismo, com o Dr. Bezerra de Menezes, com as curas e textos do além, que instalou na torre da igreja, em frente ao sino, um potente alto-falante. Entre uma badalada e outra o sacerdote convocava a população para a missa, rezava a ave-maria, criticava a idéia de reencarnação.

Só evitava pronunciar o nome de Chico Xavier. Uma medida estratégica: não queria transformar o filho de João Cândido em vítima. Com sutileza e inteligência, Sinfrônio conseguiu convencer muitas beatas do quanto o espiritismo era arriscado.

Chico Xavier era um exemplo: uma pessoa boa, educada, honesta. Mas como sofria o coitado. Era perseguido pela imprensa, processado na justiça, assediado por fantasmas e por forasteiros.

▬  Quem mandou se meter com o diabo?

Chico nunca tentou argumentar com o padre. Ignorava qualquer provocação, fugia de confrontos. Quando cruzava com o "rival" no meio da rua, tirava o chapéu e o cumprimentava, respeitoso. Muita gente ficava irritada com sua passividade.

Ele se defendia das acusações de ser omisso comparando o ato de polemizar ao de remexer uma tina de água,
"▬  um serviço vão que cansa os braços inutilmente".

Nunca atacaria o catolicismo nem qualquer outra religião. Pelo contrário. Faria questão de defender a Igreja Católica como fundamental ao país. Por mais de quatrocentos anos, nós fomos e somos tutelados por ela na formação do nosso caráter cristão. Chico estava longe de ser ingênuo.

O catolicismo era útil para o espiritismo. Multidões de católicos desembarcavam no Luiz Gonzaga todas as semanas. Chico confidenciaria a um amigo sua estratégia:
▬  A Igreja Católica precisa sobreviver pelo menos mais cem anos. Nós não temos tempo nem recursos para receber todos os fiéis. Nossos centros são como choças, os católicos vêm dos palácios.

Sua tática pacifista e sua postura ecumênica funcionaram. Com o sacerdote. Quase quarenta anos depois, Sinfrônio participaria da festa de inauguração de uma praça batizada com o nome de Chico Xavier em Pedro Leopoldo.

Mulheres também atormentavam o balzaquiano mais casto da cidade. Uma vez, Chico abriu a boca numa sessão espírita em Belo Horizonte e deixou escapar uma voz encorpada, densa, vibrante. O rosto do rapaz ganhou ares aristocráticos. Após o discurso, o dono do vozeirão se identificou.

Era Emmanuel. Azar de Chico. Uma das espectadores, filha de um embaixador argentino, perdeu a cabeça. Tinha encontrado o homem de sua vida. A sessão terminou, a moça se agarrou ao braço do médium e não soltou mais.

Quando Chico entrou na sala de passes, ela entrou atrás e trancou a porta. Para garantir a privacidade, arrancou a chave da fechadura e guardou no bolso. O dublê de Emmanuel não sabia o que fazer com aquela mulher entre os braços. Ela queria casar, ter filhos, recitar O Evangelho Segundo o Espiritismo para ele, ajudar todos os pobres do Brasil, doar.

Chico tentou escapulir em tom paternal:
▬  Minha filha, não tenho programa de casamento. Não valho mais nada e seria sua infelicidade. Você se apaixonou por Emmanuel e não por mim. Tenha paciência. Jesus há de nos ajudar. Você encontrará um homem bom que a fará feliz. Eu já não sou mais homem. Nada posso fazer.

Naquela época, Chico, um solteirão com fala mansa e gestos femininos, sofria insinuações maliciosas. E recorria a respostas prontas para justificar seu celibato. Devo me dedicar à família espírita, à família universal. Não posso ficar preso a uma mulher. A moça insistia. Chico sofreu para convencê-la a abrir a porta. Reza nenhuma adiantou.

Tempos depois, ele recebeu uma carta educada do pai da apaixonada. Em termos incisivos e delicados, o embaixador pedia a mão do espírita em casamento para a filha: 
▬  Sei que o senhor é homem pobre, de cor, mas como tenho uma filha só e sempre lhe fiz todas as vontades, assim como desejo que ela " seja feliz, conformo-me e peço-lhe que se case com ela. Darei todo o dinheiro necessário para que tenham conforto.

Chico agradeceu a generosidade do ex-futuro sogro e recusou a oferta. Quanto mais rezava, mais assombração aparecia. O espírita mais famoso do país vivia em outro mundo e, a cada ano, ficava mais íntimo dos mortos.

Em fevereiro de 1948, Rômulo Joviano abriu sua casa para exibições extravagantes. A sala sobre o porão onde Chico Xavier escreveu Paulo e Estevão seria usada para as mágicas do médium carioca Francisco Peixoto Lins, o Peixotinho, um expert em fenômenos batizados de materialização.

Após assombrar céticos e espíritas em várias capitais do Brasil, o visitante do Rio emprestaria seu ectoplasma aos seres invisíveis em Pedro Leopoldo. Com sua energia, os mortos ganhariam consistência física e poderiam ser vistos, e até tocados, por qualquer mortal.

No dia da reunião, marcada para um sábado, nenhum dos espectadores da sessão privê comeu carne, fumou ou bebeu. Todos cumpriram os pré-requisitos do ritual. Rômulo Joviano reservou um quarto só para Peixotinho e o transformou, com a ajuda de uma cortina, numa cabine própria para as materializações. A escuridão ali tinha de ser absoluta e a janela deveria estar trancada. Na sala, a pouco mais de dez metros de distância, ficariam os espectadores.

Às oito da noite em ponto, uma lâmpada vermelha iluminou a platéia. Mais de quinze pessoas, entre elas Chico Xavier, iniciaram o rito, de acordo com o regulamento espírita: leitura de trechos evangélicos, seguida de comentários, "para atrair espíritos de ordem superior", acompanhada por música clássica, "para facilitar a aglutinação fluídica" e conduzir os participantes a uma vibração positiva. Ave Maria, de Gounod, tomou conta do ambiente.

Da cabine onde estava Peixotinho saíram clarões coloridos. O corredor foi atingido por reflexos verdes, roxos e azuis. De repente, apareceu na sala um visitante fluorescente. Diante de olhos atônitos, alguns deles desconfiados, começou o desfile de assombrações.

Um dos perplexos na platéia era o delegado de polícia paulista R. A. Ranieri. Naquela noite, ele foi surpreendido pela visita de uma réplica iluminada de sua filha, Heleninha, morta três anos antes, com dois anos de idade. A garota "saiu" do corpo de Peixotinho e "ressuscitou", quase em neon, com a mesma fisionomia e estatura dos tempos de viva e com a voz semelhante à original. Cumprimentou o pai e colocou nas mãos dele uma flor brilhante.

Era ela, sem dúvida nenhuma, garantiu Ranieri. E exigiu credibilidade. Um delegado dificilmente se deixará embair por truque afirmou. Ficou tão convencido da autenticidade dos fenômenos que escreveu um livro sobre o assunto, intitulado Materializações Luminosas. Naquela noite, todos ficaram impressionados com o respeito demonstrado pelas aparições quando se aproximavam de Chico Xavier.

Muitos dos seres fluorescentes só faltavam se curvar diante do matuto de Pedro Leopoldo. Um dos visitantes do outro mundo naquela noitada estranha se apresentou como José Grosso e, às gargalhadas, tratou de honrar o apelido. Lançou numerosas pedras iluminadas sobre os espectadores.

Nenhuma atingiu o alvo. Mas o recém-chegado deu provas de pontaria ao acertar, na penumbra, o nome de cada um dos quase apedrejados. O espetáculo durou pouco e foi até bem comportado perto dos shows promovidos por Peixotinho no Rio.

As experiências realizadas por ele e acompanhadas por Ranieri na capital eram ainda mais espetaculares. Algumas vezes, duas latas, com capacidade para vinte litros cada, ficavam lado a lado na cabine onde o médium dava à luz seres invisíveis. Numa delas, parafina dissolvida fervia sobre um fogareiro aceso, à temperatura de até cem graus centígrados.

A outra ficava cheia de água fria. As criaturas iluminadas enfiavam as mãos e os pés nas latas de parafina fervente e, depois, as mergulhavam na água. Resultado: esculturas perfeitas. As surpresas se sucediam.

Frases ditas pelos espectadores viravam, em segundos, letreiros luminosos suspensos no ar. As roupas e os cabelos dos participantes eram cobertos por luz fluorescente, produzida por uma mistura de radioatividade com outro elemento, desconhecido na Terra, capaz de anular as "contra-indicações" do rádio.

Balas de açúcar cristalizado recebiam descargas radioativas, ficavam esverdeadas e soltavam luz a cada dentada ou a cada atrito contra o chão 24 horas seguidas. Os participantes da sessão privê levaram as balas para casa e exibiram seus poderes mágicos para a família.

Chico Xavier encarava aqueles espetáculos insólitos com naturalidade. Personagens fantásticos faziam parte de sua rotina. E a "materialização" não era novidade alguma.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:30

Já em 1870, o químico inglês William Crookes, descobridor de seis elementos e membro da Sociedade Real Inglesa, estudou o fenômeno. Tudo começou quando o cientista decidiu acabar de vez com aquela idéia absurda de que "espíritos" poderiam se materializar. Vou provar tratar-se de uma ilusão vulgar anunciou.

Em pouco tempo, convenceu um médium de catorze anos, Florence Cook considerada um fenômeno na época, a se submeter a testes em sua casa, com a assessoria de sua mulher. O relatório escrito pelo cientista, e publicado quatro anos depois, era quase uma heresia. A adolescente, quando em transe, liberava tanto ectoplasma que dava vida a uma outra forma feminina Kate King, capaz de andar e falar por mais de duas horas seguidas.

Florence era baixa e morena. Kate era alta, loura e tinha 35 anos. O relato era minucioso e apresentava até as pulsações, completamente diferentes, da viva e da morta. Para arrematar, Crookes, anexou à sua narrativa 48 fotografias. Muitas experiências de Pedro Leopoldo também foram fotografadas. Empolgado com os fenômenos, Chico Xavier transformou seu quarto em cabine e o emprestou a Peixotinho.

As aparições, lideradas por Sheilla - uma enfermeira alemã morta na Segunda Guerra, autorizaram as fotos. E a cabine, antes indevassável, foi aberta ao fotógrafo Henrique Ferraz Filho. O médium carioca ficava deitado na cama estreita de Chico, inconsciente. O ectoplasma, expelido de sua boca e ouvidos, assumia forma humana e adquiria voz. Quando Henrique disparava o flash, não via nada ou ninguém diante dele. Mas, ao revelar o filme, a aparição estava lá.

Na noite de 2 de maio, a Rolleyflex registrou o corpo estranho de um senhor carrancudo envolto em uma espécie de manto vaporoso. No verso da fotografia, Chico Xavier escreveu: Na cabine habitual das sessões de materialização, tivemos a felicidade de receber a visita do irmão Camerino, desencarnado na cidade de Macaé...

Francisco Cândido Xavier. Ninguém conseguiu provar a existência de truques nas sessões de materialização em Pedro Leopoldo nem de montagem nas fotos. Chico "assinou embaixo" de várias delas. Na época, ele já era considerado por milhares de pessoas uma testemunha acima de qualquer suspeita. Até sua família se espantava com tanta popularidade e credibilidade. O rapaz atormentado por vozes e visões, o ex-réu do processo Humberto de Campos, cresceu, apareceu e começou a se transformar em mito.

Em 2 de abril de 1950, Chico Xavier comemorou seus quarenta anos com uma festa de inauguração concorrida. Naquele dia, o Centro Luiz Gonzaga mudou de sede. Já não cabia mais na casa de José Felizardo Sobrinho e se transferiu para a casa onde o aniversariante tinha nascido. O quarto miúdo de Maria João de Deus, local do parto, virou sala de passes. Convidados de vários estados lotaram o salão recém-pintado e reformado com a ajuda de Rômulo Joviano. A badalação em nada lembrava aquela reunião íntima que inaugurou o primeiro centro espírita de Pedro Leopoldo, em 1917.

Espíritas de São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Rio de Janeiro e Sabará marcaram presença e fizeram discursos entusiasmados. Até um representante do Clube de Jornalistas Paulista apareceu para homenagear o tema de tantas reportagens polêmicas. Após ouvir elogios e mais elogios, Chico colocou no papel um texto assinado por Pedro d'Alcântara, ou melhor, Dom Pedro II.

Em "Rogativa", ele pedia a bênção de Deus ao "lar erguido às dores/ ao refúgio para os sofredores". Nem tudo era só espírito. Naquele ano, o novo integrante do time dos quarentões tomou uma decisão frugal: deixaria de jantar. Seus quase noventa quilos eram inadequados para seu 1,64m de altura. A taxa de colesterol também começava a pesar. Chico Xavier começou a cuidar do corpo. Mais tarde, cuidaria da calvície.

Em 1951 ele foi surpreendido por uma hérnia estrangulada. A cirurgia, à altura do peritônio, era inadiável e arriscada. Um médico providenciou a internação imediata. Chico não contou nada à família, na época às voltas com dificuldades financeiras graves. A operação durou cerca de quatro horas. Enquanto convalescia, ele pensava em como pagar a conta. Dessa vez, nem puxou conversa com Emmanuel.

Logo nos primeiros dias, recebeu a visita de uma desconhecida muito bem vestida. Ela conversou com ele durante alguns minutos, procurando animá- lo, e, ao se retirar, deixou na sua mão, discretamente, um envelope. Pediu para o doente aceitar aquela contribuição e comprar frutas.

Chico agradeceu, mas não abriu o envelope de imediato, o médico passou pela visitante e a cumprimentou um tanto constrangido. Em seguida, perguntou a Chico se ele a conhecia. Diante da resposta negativa, explicou: era uma prostituta famosa nas altas rodas da cidade.

No envelope, Chico encontrou dinheiro suficiente para pagar a cirurgia. Em poucos dias, o doente já estava de pé, pronto para outra. Bem- humorado, recebeu uma visita ilustre no Centro Luiz Gonzaga: o professor italiano Pietro Ubaldi, autor de um dos livros de cabeceira de Chico na época, A Grande Síntese.

O anfitrião surpreendeu o visitante com uma série de revelações. A mãe dele, Lavínia, já morta, estava ali e, após abraçar o filho, se referiu a ele como mio garofanino (meu pequeno cravo). Ubaldi confirmou o apelido de infância. Em seguida, Chico assinalou a presença do filho do escritor, Franco Ubaldi, morto na Segunda Guerra, no norte da África.

Tudo ia muito bem até o momento em que o mineiro anunciou a presença do espírito de uma irmã do professor, Maria. Ubaldi se desculpou e, sem graça, garantiu: ele tinha mesmo uma irmã com este nome, mas ela estava viva na Itália. Chico ficou em silêncio. A hesitação durou segundos. Tempo suficiente para o mineiro trazer uma explicação do além:
▬  Maria era o nome de outra irmã sua, mas ela tinha morrido quando ele ainda era bebê. Ubaldi se lembrou, aliviado. Teve sorte.

Exatos vinte anos depois, Chico criaria o mesmo constrangimento ao anunciar ao presidente da Federação Espírita do Paraná, João Guignone:
▬  Sabe quem está aqui ao meu lado, cheia de emoção e querendo abraçá-lo? Sua mãe.

Para não contrariar, o rapaz fingiu alegria. E confidenciou a um amigo:
▬  Chico não está regulando bem. Minha mãe está viva em Curitiba. Ao chegar ao hotel, recebeu um interurbano do Paraná. O enterro estava marcado para a manhã seguinte. Os casos sobre o mito Chico Xavier se sucediam.

MARCEL SOUTO MAIOR.




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:38


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:41


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:55


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 03:58


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:01


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:03


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:13

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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:16
(http://sl.glitter-graphics.net/pub/2778/2778715lmodr2rugy.gif)

Resguarde-se



Resguarde-se...



 
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  dos tentáculos do desânimo, com a prece sincera;
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  das arremetidas da sombra, com a vigilância efetiva;
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  dos ataques do medo, com a luz da meditação;
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  dos miasmas do tédio, com o serviço incessante;
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  das nuvens da ignorância, com a bênção do estudo;
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  das labaredas da revolta, com a fonte da confiança;
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  das armadilhas do fanatismo, com a fé raciocinada;
     (http://sl.glitter-graphics.net/pub/1057/1057880px3mycbx1w.gif)  das águas mortas do estacionamento, com o trabalho constante e desinteressado no bem.
 

(http://sl.glitter-graphics.net/pub/924/924272jgorm0nagt.gif)



Cada espírito traz em si as forças ofensivas do mal e os recursos defensivos do bem, na marcha da evolução.

A vitória do bem, conquando seja fatal, depende, pois, do livre-arbítrio de cada um.

Assim sendo, para a sua felicidade, resguarde-se de toda contemporização com os enganos que nascem de você mesmo.


André Luiz


(http://sl.glitter-graphics.net/pub/2778/2778715lmodr2rugy.gif)



Fonte: Francisco C. Xavier, Waldo Vieira. Estude e viva. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz.





Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:19


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:21

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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:24

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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:26

 
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 08 de Janeiro de 2011, 04:28


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 08 de Janeiro de 2011, 23:46
(http://www.revistaviverbrasil.com.br/img/materias/submateria/-192629.jpg)

A Ação do Mal


                "A ação do mal pode ser rápida, mas ninguém sabe quanto tempo exigirá o serviço da reação, indispensável ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por nossas atitudes contrárias ao bem...". Silas

          Um minuto pode resultar em decênios de sofrimentos para consertar os estragos que fazemos em nossa biografia espiritual, quando não exercitamos o perdão.

          Dois condôminos de um prédio discutiram sobre vagas na garagem coletiva. Irritaram-se. Gritaram.

          Ofenderam-se, com a inconseqüência de quem fala o que pensa, sem pensar no que fala.

          Finalmente, agrediram-se fisicamente e o mais fraco fuzilou o mais forte.

          Resultado: um foi para o cemitério e o outro para a prisão.

          Ambos comprometeram-se infantilmente: o morto retornou prematuramente à vida espiritual, interrompendo seus compromissos, situando-se em lamentáveis desajustes O assassino assumiu débitos cujo resgate lhe exigiu muitas lágrimas e atribulações.

          Isso, sem falar das famílias desamparadas...

          Não raro, esses desentendimentos geram insidiosas obsessões. O morto transforma-se em verdugo, empolgado pelo desejo de fazer justiça com as próprias mãos.

          Ninguém pode prever até onde irão os furiosos combates espirituais entre dois desafetos, um na Terra e outro no Além.

          Tudo isso por quê?

          Porque erraram na escolha dos verbos e das ações.

          Usaram o verbo revidar sendo que o certo seria relevar.

          Relevar sempre!

          Revidar jamais!


Livro: Ação e Reação
André Luiz & Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Janeiro de 2011, 01:01
(http://d.yimg.com/gg/u/09451f0b674b9141da27d0be64100dac7d950523.jpeg)

Quem Dera Você Fosse o Chico

          Numa livraria de Belo Horizonte, servia um irmão que, pelo hábito de ouvir constantes elogios ao Chico Xavier, tomou-se de admiração pelo Médium.

          Leu, pois, com interesse, todos os livros de Emmanuel, André Luiz, Néio Lúcio, Irmão X e desejou, insistentemente, conhecer o psicógrafo de Pedro Leopoldo.

          E aos fregueses pedia, de quando em quando:

          - Façam-me o grande favor de me apresentar o Chico, logo aqui apareça.

          Numa tarde, quando o Aloísio, pois assim se chamava o empregado, reiterava a alguém o pedido, o Chico entra na Livraria.

          Todos os presentes, menos o Aloísio, se surpreendem e se alegram.

          Abraçam o Médium, indagam-lhe as novidades recebidas. E depois, um deles se dirige ao Aloísio:

          - Você não desejava ansiosamente conhecer o nosso Chico?

          - Sim, ando atrás desse momento de felicidade....

          - Pois aqui o tem.

          Aloísio o examina; vê-o tão sobriamente vestido, tão simples, tão decepcionante.

          E correspondendo ao abraço do admirado psicógrafo, com ar de quem falava uma verdade e não era nenhum tolo, para acreditar em tamanho absurdo disse:

          - Quem dera que você fosse o Chico, quem dera!...

          E Chico, compreendendo que Aloísio não pudera acreditar que fosse ele o Chico pela maneira como se apresentava, responde-lhe, candidamente: - É mesmo, quem me dera...

          E, despedindo-se, partiu com simplicidade e bonomia, deixando no ambiente uma lição, uma grande lição, que ira depois ser melhormente traduzida por todos, e, muito especialmente, pelo Aloísio...


Livro: Lindos Casos de Chico Xavier - 42  //  Ramiro Gama
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 09 de Janeiro de 2011, 23:51
(http://3.bp.blogspot.com/_zr5HSFQCRHY/S8NtD6KCTaI/AAAAAAAABVo/C1mUL6w5Hpk/s200/homeopatia1.jpg)

HOMEOPATIA


PERGUNTA
É verdade que a homeopatia age no perispírito?


EMMANUEL
O medicamento homeopático atua energicamente e não quimicamente, ou seja, sua ação terapêutica vai se dar no plano dinâmico ou energético do corpo humano, que se localiza no perispírito.
A medicação estimula energéticamente o perispírito que por ressonância vibratória, equilibra as disfunções existentes, isto é, o remédio exerce duas funções enquanto atua.
Por isso a homeopatia além de tratar doenças físicas, atua também no tratamento dos desequilíbrios emocionais e mentais, promovendo, então, o reequilíbrio físico-espiritual.


(do livro " Plantão de respostas" - Franscisco Cândido Xavier).
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 11 de Janeiro de 2011, 01:41
(http://cadernodemensagens.net/files/images/Tudo%20passa%20Chico%20Xavier.preview.jpg)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 11 de Janeiro de 2011, 03:53
Bom dia, queridos amigos!


Afeições



O amor não é cego.
Vê sempre as pessoas queridas
tais quais são
e as conhece, na intimidade,
mais do que os outros.

Exatamente por dedicar-lhes
imenso carinho,
recusa-se a registrar-lhes
os possíveis defeitos,
porquanto sabe amá-las
mesmo assim.
 
* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caminhos.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 11 de Janeiro de 2011, 04:02
Em Torno da Felicidade



Em matéria de felicidade convém não esquecer que nos transformamos sempre naquilo que amamos.

*

Quem se aceita como é, doando de si a vida o melhor que tem, caminha mais facilmente para ser feliz como espera ser.

*

A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação a felicidade que fizermos para os outros.

*

A alegria do próximo começa muitas vezes no socorro que você lhe queira dar.

*

A felicidade pode exibir-se, passear, falar e comunicar-se na vida externa, mas reside com endereço exato na consciência tranqüila.

*

Se você aspira a ser feliz e traz ainda consigo determinados complexos de culpa, comece a desejar a própria libertação, abraçando no trabalho em favor dos semelhantes o processo de reparação desse ou daquele dano que você haja causado em prejuízo de alguém.

*

Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.

*

Amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor é usina geradora de felicidade.

*

Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade está chamando o seu coração para vida nova.

*

Quando o céu estiver em cinza, a derramar-se em chuva, medite na colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão no jardim.
 
* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Sinal Verde.
Ditado pelo Espírito André Luiz.
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 12 de Janeiro de 2011, 01:48
(http://alemdaterra.blog.terra.com.br/files/2008/03/at_tagmargaridas_menor.jpg)

FARDOS

Quando a ilusão o fizer sentir o peso do próprio sofrimento, como
sendo opressivo e injusto, recorde que você não segue sózinho.
Cada pessoa tolera a carga que lhe pertence.
Existem fardos de todos os tamanhos e feitios.

O sacerdote sofre a tortura de um condutor de almas.
O coração materno angustia-se com a sorte de seus filhos.
O poderoso arca com o peso da responsabilidade de decisões que influenciam grandemente o destino alheio.
O enfermo desamparado carrega as dores de sua indigência.
A criança sem ninguém sofre seu pavor.

Aprenda a entender o serviço e a luta dos semelhantes para não se supor indevidamente vítima ou herói.
No campo das provações, todos são irmãos uns dos outros, mutuamente identificados por semelhantes dificuldades, dores e sonhos.
Suporte com amor o peso de suas obrigações e caminhe.

Do acervo da pedra bruta nasce o ouro puro.
Do fardo que transportamos de boa vontade procedem as lições de que necessitamos para a vida maior.

Talvez você se pergunte qual a carga transportada pelos maus e levianos, que aparentemente passam pela vida isento de provações.
Provavelmente eles, sob uma falsa aparência de vitória, vivem sob encargos singularmente mais pesados do que os seus.

Impunidade e injustiça são conceitos estranhos às leis divinas.
O céu não é um local físico predeterminado, mas um estado de consciência.
Ele somente é acessível, com seus tesouros de paz e luz, para quem está em harmonia com as leis divinas.

Nada há para invejar de quem ainda nem começou a se recompor com essas leis, por leviandade ou preguiça.
Pior ainda é a situação de quem, pela desdita de praticar o mal, está adquirindo débitos perante a vida.

Se o suor alaga sua fronte e se a lágrima lhe visita o coração, isso é um sinal de que a sua carga já está sendo aliviada.
Quem desempenha corajosamente, sem murmurações, as tarefas que lhe competem está caminhando para a plenitude de sua consciência.
Provas bem suportadas, sem desânimo ou preguiça, convertem-se de forma gradativa em tesouros de entendimento, paz e luz  para a ascensão da criatura.

Lembre-se do madeiro injusto que dobrou os ombros doloridos de Jesus Cristo.
Sob as vigas duras no lenho infamante jaziam ocultas as asas divinas da ressurreição para a imortalidade.

Deus criou o mundo estruturado por leis perfeitas, belas e justas.
Nesse harmônico concerto, por certo você não foi esquecido.
Sua vida não é regida por acasos.

As provações que o visitam visam a fortificá-lo, lapidá-lo, despi-lo de inferioridades que o infelicitam há longo tempo.
Não imagine, sequer por um momento, que o Pai Amoroso que Jesus nos revelou possa ser cruel.

As provas duram o tempo estritamente necessário para ajudá-lo a adquirir os valores e aprender as lições de que necessita.
Reduza sua quota de dores, dedicando-se ao bem com determinação e vigor.

Dê um basta nas reclamações e nos vícios, alegrando-se ao executar as tarefas que a vida lhe confiou.

Fardos e dificuldades não são desgraças, mas desafios a serem vencidos e superados, com otimismo e esperança.

- Chico Xavier -
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 12 de Janeiro de 2011, 02:17
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 12 de Janeiro de 2011, 02:22
(http://ninhascraps1.n.i.pic.centerblog.net/27llfqrb.gif)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 12 de Janeiro de 2011, 13:51
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AJUDE A VOCÊ MESMO

 
Não ambicione do seu vizinho senão os dons excelentes que lhe exornam o espírito.
Não permita que os dissabores governem o leme de seu destino.
Não entregue o templo de sua memória às más impressões.
Não retire sua experiência dos fundamentos espirituais.
Não se esqueça de que o ideal superior, objeto de sua admiração, deve corporificar-se em seus caminhos.
Não se prenda ao mal; no entanto, não se desvie das obrigações de fraternidade para com aqueles que foram atingidos pelo mal.
Não apague o archote da fé em seus dias claros, para que não falte luz a você nos dias escuros.
Não fuja às lições da estrada evolutiva, por mais difíceis e dolorosas, a fim de que a vida, mais tarde, lhe abra o santuário da sabedoria.
Não lhe falte tempo para cultivar o que é belo, eterno e bom.
Não olvide que a justiça institui a ordem universal, mas só o amor dilata a obra divina.


Do livro: AGENDA CRISTÃ, por André Luiz e Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 12 de Janeiro de 2011, 14:01
(http://i498.photobucket.com/albums/rr345/tagsetags/Diversos/1-3.gif)


A Idéia

Na fase terminal de nossa reunião de 27 de outubro de 1955, fomos honrados com a palavra do nosso benfeitor Emmanuel, que nos transmitiu a preciosa alocução, abaixo transcrita.

     
Meus amigos:

A ideia é um elemento vivo de curta ou longa duração que exteriorizamos de nossa alma e que, exprimindo criação nossa, forma acontecimentos e realizações, atitudes e circunstâncias que nos ajudam ou desajudam, conforme a natureza que lhe venhamos a imprimir.

Força atuante — opera em nosso caminho, enquanto lhe asseguramos o movimento.

Raio criador — estabelece atos e fatos, em nosso campo de ação, enquanto lhe garantimos o impulso.

Expressa flor ou espinho, pão ou pedra, asa ou algema, que arremessamos na mente alheia
e que retornarão, inevitavelmente, até nós, trazendo-nos perfume ou chaga, suplício ou alimento, cadeia ou liberdade.

O crime é uma idéia-flagelação que não encontrou resistência.

A guerra de ofensiva é um conjunto de idéias-perversidade, senhoreando milhares de consciências.

O bem é uma ideia-luz, descerrando à vida caminhos de elevação.

A paz coletiva é uma coleção de idéias-entendimento, promovendo o progresso geral.

É por essa razão que o Evangelho representa uma glorificada equipe de idéias de amor puro
e fé transformadora, que Jesus trouxe à esfera dos homens, erguendo-os para o Reino Divino.

Na manjedoura, implanta o Mestre a idéia da humildade.

Na carpintaria nazarena, traça a idéia do trabalho.

Nas bodas de Caná, anuncia a idéia de auxílio desinteressado à felicidade do próximo.

No socorro aos doentes, cria a idéia da solidariedade.

No sermão das bem-aventuranças, plasma a idéia de exaltação dos valores imperecíveis do espírito sobre a exaltação passageira da carne.

No Tabor, revela a idéia da sublimação.

No Jardim das Oliveiras, insculpe a idéia da suprema lealdade a Deus.

Na cruz da renunciação e da morte, irradia a idéia do sacrifício pessoal pelo bem dos outros, como bênção da ressurreição para a imortalidade vitoriosa.

Nos mínimos lances do apostolado de Jesus, vemo-lo associando verbo e ação no lançamento
das idéias renovadoras com que veio redimir o mundo.

E é por isso que, em nossas tarefas habituais, precisamos selecionar em nossas manifestações as idéias que nos possam garantir saúde e tranquilidade, melhoria e ascensão.

Não nos esqueçamos de que nossos exemplos, nossas maneiras, nossos gestos e o tipo de palavras que cunhamos para uso de nossa boca, geram idéias, que, à maneira de ondas criadoras, vão e vêm, partindo de nós para os outros e voltando dos outros para nós, com a qualidade de sentimento e pensamento que lhes infundimos, levantando-nos para o triunfo,
ou impulsionando-nos para a derrota.

Evitemos o calão, a queixa, a irritação, o apontamento insensato, a gíria deprimente e a frase pejorativa, não apenas em nosso santuário de preces, mas em nosso intercâmbio vulgar, porque toda expressão conduz à inspiração e pagaremos alto preço pela autoria indireta do mal.

Somos hoje responsáveis pela ideia do Senhor no círculo de luta em que nos situamos.
E é indispensável viver à procura do Cristo, para que a idéia do Cristo viva em nós.

Emmanuel/Chico Xavier, de Vozes do Grande-Além, Espíritos Diversos
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 13 de Janeiro de 2011, 12:38
(http://4.bp.blogspot.com/_oGSpmDAp4D8/S2XDz1M5hkI/AAAAAAAAAPE/eya-TZlx6vY/s400/bacelli.bmp)
(disponível partir 03/02/2010 - "100 Anos de Chico Xavier"
- Fenômeno Humano e Mediúnico - Em sua Biografia mais completa.) 
Fonte: Cotidiano Chico Xavier.


LIVROS  QUE  FALAM  DE  CHICO XAVIER
   

Estaremos reunindo aqui a relação de todos os livros publicados que abordam de uma ou outra forma nosso grande homenageado.

Inicialmente estamos relacionando nome, capa, editora e prefácio destes livros, fazendo assim seu registro.

Se outros livros existirem, solicitamos nos  informarem.

01    CHICO XAVIER MANDATO DE AMOR
02    CHICO, DE FRANCISCO    
03    CHICO XAVIER 70 ANOS DE MEDIUNIDADE    
04    CHICO XAVIER CASOS INÉDITOS    
05    TESTEMUNHOS DE CHICO XAVIER    
06    TRAÇOS DE CHICO XAVIER
07    CHICO XAVIER CORAÇÃO DO BRASIL    
08    CHICO XAVIER POR ELE MESMO    
09    KARDEC PROSSEGUE    
10    LINDOS CASOS DE CHICO XAVIER    
11    NOSSO AMIGO CHICO XAVIER    
12    PRESENÇA DE CHICO XAVIER    
13    CHICO XAVIER O HOMEM E A OBRA    
14    CHICO XAVIER 60 ANOS DE MEDIUNIDADE    
15    CHICO XAVIER 40 ANOS DE MEDIUNIDADE    
16    CHICO XAVIER MEDIUNIDADE E PAZ    
17    CHICO XAVIER MEDIUNIDADE E AÇÃO    
18    CHICO XAVIER  O HOMEM CORAÇÃO    
19    CHICO XAVIER DOS HIPPIES AOS  PROBLEMAS DO MUNDO    
20    MOMENTOS COM CHICO XAVIER    
21    CHICO E EMMANUEL    
22    CHICO XAVIER FONTE DE LUZ E BÊNÇÃOS    
23    CHICO XAVIER A SOMBRA DO ABACATEIRO    
24    CHICO XAVIER MEDIUNIDADE E LUZ    
25    CHICO XAVIER MEDIUNIDADE E CORAÇÃO    
26    CHICO XAVIER PARA SEMPRE    
27    A PISICOGRAFIA ANTE OS TRIBUNAIS    
28    30 ANOS COM CHICO XAVIER    
29    LIÇÕES DE SABEDORIA    
30    CHICO XAVIER O SANTO DE NOSSOS DIAS    
31    ÍNDICE GERAL DAS MENSAGENS PSIC. POR CHICO XAVIER    
32    AS VIDAS DE CHICO XAVIER    
33    CHICO você é kardec?    
34    APRENDENDO COM CHICO XAVIER    
35    Novíssimas Revelações do Nosso Amigo Chico Xavier    
36    COLEÇÃO PROFECIA NÚMERO 4 Chico Xavier    
37    Chico Xavier, O HOMEM, O MÉDIUM, O MISSIONÁRIO    
38    (BREVE)  o evangelho de Chico Xavier    
39    Sala de visitas de Chico Xavier    
40    Chico Xavier D. PEDRO II E  O  BRASIL    
41    Recordações de Chico Xavier
42    Anuário Allan Kardec 1975 dedicado ao Chico Xavier
43    Chico Xavier Fragmentos de uma Vida     
44    As Bênçãos de Chico Xavier       
45    Chico Xavier em Pedro Leopoldo 
46    No mundo de Chico Xavier 
47     Um Minuto com Chico Xavier
48    Chico Xavier O MINEIRO DO SÉCULO 
49    Janela para a Vida
50    Chico Xavier uma vida de amor
51    Chico Xavier e os Grandes Gênios 
52    Entrevistas
53     A Ponte
54     Prisioneiro do Cristo
55    Nosso Amigo Chico Xavier     
56     Chico Xavier para sempre
57    Chico Xavier na intimidadE     
58    Chico Xavier  A VIDA E AS OBRAS     
59    O EVANGELHO DE Chico Xavier      
60    Chico Xavier -o homem, o médium, o missionário     
61    O ESPÍRITO DE Chico Xavier       
62    NOTÍCIAS DE Chico Xavier      
63    TRINTA ANOS COM Chico Xavier 


Fonte: Universo Espírita.

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 13 de Janeiro de 2011, 12:42
   
Notícias
 
06/01    Livros Recentes de Chico Xavier

O Grupo Espírita da Prece de Francisco Cândido Xavier, de Uberaba (MG), juntamente com a Editora IDEAL (SP) lançou dois livros inéditos psicografados por Chico Xavier: "Chico Xavier: exemplo de amor..." e "Chico Xavier: o referencial". O novos livros foram organizados por Eurípedes Humberto Higino dos Reis e contém mensagens curtas, de vários Espíritos, principalmente Maria Dolores e Cornélio Pires, psicografadas por Chico Xavier nas últimas reuniões que compareceu no Grupo Espírita da Prece, entre 1997 e 2001. Informações: Rua Dom Pedro I, 165 - Parque das Américas - Uberaba - CEP 38045-050.

(http://www.100anoschicoxavier.com.br/img/livros/Livro1.jpg)

(http://www.100anoschicoxavier.com.br/img/livros/Livro2.jpg)

Fonte: Centenário de Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: casquinha em 13 de Janeiro de 2011, 17:49
[link=http://www.gifsfofos.com](http://www.recadodeorkut.com/048/059.gif)
[/link]

Mais recados? http://www.gifsfofos.com
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 16 de Janeiro de 2011, 21:07
(http://3.bp.blogspot.com/_zqHdCljs1Mk/TMGboXQCV0I/AAAAAAAAApQ/3jCXrT8PNAo/s1600/chico-andreluiz-carloschagas1.jpg)

ANDRÉ LUIZ CONCEDE ESPETACULAR ENTREVISTA EM 1964.

Nesta entrevista, concedida ao diretor do Anuário Espírita, para a edição de 1964, n.º 1, André Luiz (espírito) respondeu às perguntas formuladas de números ímpares através do médium Waldo Vieira e as de números pares através do médium Francisco Cândido Xavier.

Os temas são os mais diversos — sexualidade, homossexualidade, vida atual, reencarnação, etc..


1.Qual a quantidade aproximada de habitantes espirituais – em idade racional – que se desenvolvem, presentemente, nas circunvizinhanças da Terra?
“Será lícito calcular a população de criaturas desencarnadas em idade racional, nos círculos de trabalho, em torno da Terra, para mais de vinte bilhões, observando-se que alta percentagem ainda se encontra nos estágios primários da razão e sendo esse número passível de alterações constantes pelas correntes migratórias de espíritos em trânsito nas regiões do planeta.”




2. A quantidade de espíritos que vivem nas diversas esferas do nosso planeta tende, atualmente, a aumentar ou a diminuir?
“Qual acontece na crosta planetária, as esferas de trabalho e evolução que rodeiam a Terra estão muito longe de quaisquer perspectivas de saturação, em matéria de povoamento.” 




3. Considerando-se que as criaturas dos reinos vegetal e animal, deste e de outros planos, absorvem elementos de economia planetária, pergunta-se: O nosso planeta dispõe de recursos para a manutenção e sustentação de uma comunidade de número ilimitado de indivíduos ou a despensa celeste do nosso domicílio cósmico se destina a uma sociedade de proporções limitadas, ainda que de dimensões desconhecidas?
“Certo, nos limites do orbe terreno não é justo conceituar os problemas da vida física fora de peso e medida, entretanto é preciso considerar que as ciências aplicadas à técnica, à indústria e à produção, nos vários domínios da natureza, assegurarão conforto e sustento a bilhões de espíritos encarnados na Terra, com os recursos existentes no planeta, por muitos e muitos séculos ainda, desde que o homem se disponha a trabalhar.” 





4. Espíritos originários da Terra, têm emigrado, nos últimos séculos, para outros orbes?


“Seja de modo coletivo ou individual, em todos os tempos, espíritos superiores têm saído da Terra no rumo de esferas enobrecidas, compatíveis com a elevação que alcançaram.
Quanto a companheiros de evolução retardada, principalmente os que se fizeram necessitados de corretivo doloroso por delitos conscientemente praticados, em muitos casos, sofrem temporária segregação em planos regenerativos.” 




5. Espíritos originários de outras plagas costumam estagiar na Terra em encarnações de exercício evolutivo? 


“Isso acontece com frequência, de vez que muitos espíritos superiores reencarnam no planeta terrestre a fim de colaborarem na educação da humanidade, e criaturas inferiores costumam aí sofrer curtos ou longos períodos de exílio das elevadas comunidades a que pertencem, pela cultura e pelo sentimento, porquanto a queda moral de alguém tanto se verifica na Terra quanto em outros domicílios do Universo.


"

6. Considerando-se a enorme distância geométrica existente entre dois ou mais orbes de um sistema solar ou entre dois ou mais sistemas solares, pergunta-se:

a – os espíritos, em seu desenvolvimento evolutivo, ligam-se, necessariamente, a determinados orbes? 

b – na imensidão dos espaços que separam dois ou mais corpos celestes vivem, também, inteligências individuais?
“a) Em seu desenvolvimento, sim, qual acontece com a pessoa que em determinada fase de experiência física se vincula, transitoriamente, a certa raça ou família.


 b) Isso é perfeitamente compreensível; basta lembrar os milhares de criaturas que atendem aos interesses de um país ou de outro nas extensões do oceano.”




7. Quais os processos de locomoção utilizados nas migrações interplanetárias, considerando-se a possibilidade de migrações de entidades de categoria até mesmo criminosa, como parece ser o caso dos imigrantes do sistema planetário de Capela?
“Esses processos de locomoção, no plano espiritual, são numerosos. A técnica não se relaciona com a moral. Os maiores criminosos do mundo podem viajar num jato, sem que isso ofenda os preceitos científicos.”


8. Onde começa o Umbral?


“A rigor, o Umbral, expressando região inferior da espiritualidade, pelos vínculos que possui com a ignorância e com a delinquência, começa em nós mesmos.” 




9. Onde se situa “Nosso Lar”?
“Não possuímos termos terrestres para falar em torno da geografia no plano espiritual, mas podemos informar que as primeiras fundações da cidade “Nosso Lar” por espíritos pioneiros da evolução brasileira se verificaram no espaço do território conhecido como Estado da Guanabara.” 





SEXO





10. Por que a disciplina sexual é recomendada pelo plano espiritual cristão?

 “Claramente que a disciplina sexual é recomendável em qualquer plano da vida para que a degradação não arruíne os valores do espírito.”



11. Há alguma relação entre sexo e mediunidade?

“Tanto quanto a que existe entre mediunidade e alimentação ou mediunidade e trabalho, relações essas nas quais se pede equilíbrio.”



12. As funções reprodutoras do sexo se destinam, somente, da vida na Terra?


“Em muitos outros orbes, compreendendo-se, porém, que mundos existem nos quais as funções reprodutoras não são compreensíveis, por enquanto, na terminologia terrestre.” 



13. Espíritos sensuais mantêm atividades de natureza sexual após a desencarnação?
“Aos milhões, reclamando educação dos recursos do sentimento e das manifestações afetivas, como acontece nos caminhos da humanidade.” 



14. Os perispíritos das entidades espirituais que se localizam nas vizinhanças da Terra conservam o órgão do aparelho sexual humano?


“Sim, e por que não? O órgão sexual é tão digno quanto os olhos e como não se deve atribuir aos olhos os horrores da guerra, o órgão sexual não pode ser responsável pelo vício.” 



15. Os espíritos conservam, para sempre, as condições de masculino e feminino?

 "Respondamos com os orientadores espirituais de Allan Kardec que, na questão número 201, de 'O Livro dos Espíritos' afirmaram, com segurança, que o espírito tanto reencarna no corpo de formação masculina quanto no corpo de formação feminina.”

- continuação -
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 16 de Janeiro de 2011, 21:13
ANDRÉ LUIZ CONCEDE ESPETACULAR ENTREVISTA EM 1964.

- continuação -

16. Como explicar os homossexuais?
“Devemos considerar que o espírito reencarna, em regime de inversão sexual, como pode renascer em condições transitórias de mutilação ou cegueira. Isso não quer dizer que homossexuais ou intersexos estejam nessa posição, endereçados ao escândalo e à viciação, como aleijados e cegos não se encontram na inibição ou na sombra para ser delinquentes. Compete-nos entender que cada personalidade humana permanece em determinada experiência merecendo o respeito geral no trabalho ou na provação em que estagia, importando anotar, ainda, que o conceito de normalidade e anormalidade são relativos. Lembremo-nos de que se a cegueira fosse a condição da maioria dos espíritos reencarnados na Terra, o homem que pudesse enxergar seria positivamente considerado minoria e exceção.”

17. Se vivemos tantas vezes participando da formação de casais frequentemente diversos, como explicar o ciúme?


"O ciúme é característico de nossa própria animalidade primitiva, sombra que a educação dissipará.” 



18. O espírito desencarnado também está sujeito a crises prolongadas de ciúme? 


“Como não? A desencarnação é um acidente no trabalho evolutivo, sem constituir por si qualquer solução aos problemas da alma."




19. Como explicar a paixão que, tantas vezes, cega o indivíduo? (A paixão é, somente, uma doença humana?)


“Ainda aqui animalidade em nós é a explicação.”



20. O adultério é, sempre, causa de conflitos quando da volta dos cúmplices ao plano espiritual?


“Sim.” 





REENCARNAÇÃO 



21. A reencarnação é lei imperativa em todos os orbes do Universo?

“Mais razoável dizer que a reencarnação é princípio universal, compreendendo-se que existem esferas sublimes nas quais a reencarnação, como recurso educativo, já atingiu características inabordáveis ao conhecimento humano atual.”




22. Se a Medicina da Terra aumentar – num futuro não muito distante – a média da vida humana na crosta, do ponto de vista educacional, uma única existência, de 500 anos, por exemplo, bastaria para libertar o espírito das necessidades da escola terrena?

 
"Cabe-nos aguardar o apoio mais amplo da Medicina à saúde humana, com vista à longevidade, entretanto, em matéria de libertação espiritual o problema se relaciona com a vontade acima do tempo. Quando a pessoa se decide ao burilamento próprio, com ânimo e decisão, a existência física de cinquenta anos vale muito mais que o tempo correspondente a cinco séculos, sem orientação no aprimoramento moral de si mesma.”



23. É de esperar-se que nos próximos milênios, quando a Terra se tornar um centro de solidariedade e de cultura, seja dispensado o processo de reencarnação como elemento indispensável de experiências e estudos?


“Digamos, com mais propriedade, que o espírito, alcançando a sublimação, não mais se encontra sujeito ao processo de reencarnação, por medida educativa, conquanto prossiga livre para reencarnar, como, onde e quando deseje, em auxílio voluntário aos semelhantes.”



24. A duração média de vida dos encarnados racionais de outros orbes corresponde à terrena? 


“Não. Essas etapas de tempo variam de mundo a mundo.”



25. Todas as reencarnações, mesmo as dos indivíduos vinculados a condições inferiores, são objeto de um planejamento detalhado por parte dos administradores espirituais?


“Há renascimentos quase que automáticos, principalmente se a criatura ainda permanece fronteiriça à animalidade, entendendo-se que quanto mais importante o encargo do espírito a corporificar-se, junto da humanidade, mais dilatado e complexo o planejamento da reencarnação.” 



26. As organizações espirituais que pautam as suas atividades dentro de programas alheios aos princípios cristãos também procedem a execuções de programas para a reencarnação de tarefeiros determinados em suas organizações?
“Sim.”

27. Reencarnações de espíritos de ordem superior, presididas por espíritos elevados, em meio inferior, estão sujeitos a represálias da parte de organizações espirituais interessadas na ignorância humana?


“Natural que assim seja. Recordemos o próprio Jesus.”




28. Se um espírito encarnado com propósitos cristãos pode, pela má conduta, transformar-se num instrumento das trevas, é de se perguntar se um espírito encarnado sob os vínculos de organizações ainda não cristianizadas no Espaço, pode, também, transformar-se num instrumento ostensivo do programa do bem?


“Perfeitamente. Assim ocorre porque o íntimo de cada um prevalece sobre o rótulo que caracterize a pessoa no ambiente humano."



ATUALIDADES



29. Sabemos que outras civilizações terrenas se desfizeram em épocas remotas. Diante do perigo atual de uma conflagração atômica, é de se perguntar: estamos às portas da nova Jerusalém ou no começo de um novo fim?
“Na condição de espíritas-cristãos encarnados e desencarnados, pensemos no futuro da humanidade em termos de evolução, otimismo, confiança, progresso. De todas as calamidades, a civilização sempre surgiu em novos surtos de força para o burilamento geral, ao influxo da Providência Divina, ainda mesmo quando pareça o contrário.”



30. Habitantes de outros orbes conhecem a humanidade terrena, sua história, costumes, etc.?
“Sim.”

31. Diante dos progressos alcançados pela ciência, conseguirá o homem aportar a outros corpos de nosso sistema solar?
“Ninguém pode traçar fronteiras às conquistas da ciência humana. Quanto mais dilatados o serviço e a fraternidade, a educação e a concórdia na Terra, maiores as possibilidades do homem nas conquistas do espaço cósmico.”




32. Se a ciência humana se servir de seus recursos, pondo em risco a estabilidade do planeta, é de se esperar esteja a humanidade da Terra sujeita a uma intervenção direta da parte de outros planetas? 


“Nossa confiança na sabedoria da Providência Divina deve ser completa. Ainda mesmo que a Terra se desintegrasse numa catástrofe de natureza cósmica, Deus e a vida não deixariam de existir. Uma cidade arrasada num cataclismo não significa a destruição de um povo inteiro. Justo que, em nos considerando coletivamente, temos feito por merecer longas aflições e duras provas na Terra, entretanto, diante da Infinita Bondade, devemos afastar quaisquer idéias sinistras da cabeça popular carecedora de harmonia e esperança para evoluir e servir. Amemo-nos uns aos outros. Realizemos o melhor ao nosso alcance. Convençamo-nos de que o bem vive para o mal como a luz para a sombra. Edifiquemos o mundo melhor começando em nós mesmos, e confiemos na palavra fiel do Cristo, que prometeu amparar-nos e auxiliar-nos “até o fim dos séculos”. E assim nos exprimindo não nos propomos afirmar que, a pretexto de contar com Jesus, podemos andar irresponsáveis ou desatentos. Não. Forçoso trabalhar e cumprir as obrigações que a vida nos trace, a fim de sermos amparados e auxiliados por ele, sejam quais forem as circunstâncias.”

Fonte: http://www.vinhadeluz.com.br/site/noticias.php
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 22:21

Para não contrariar, o rapaz fingiu alegria. E confidenciou a um amigo:

▬  Chico não está regulando bem. Minha mãe está viva em Curitiba. Ao chegar ao hotel, recebeu um interurbano do Paraná. O enterro estava marcado para a manhã seguinte. Os casos sobre o mito Chico Xavier se sucediam.

Cont.





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AS VIDAS DE CHICO


Em 1955, O filho de um motorista de táxi de Pedro Leopoldo, Geraldo Leão, estava de cama, vítima de uma paralisia facial provocada por choque térmico. Era tratado com chá de canela e compressas de água fria, em meio a uma febre crônica. Seus lábios pareciam prestes a alcançar as orelhas.

Chico foi até o quarto e ouviu as queixas do rapaz. Ele tinha a sensação de que uma faca lhe rasgava o rosto. O espírita tirou o chapéu, colocou a mão na testa do doente e disse três vezes: Você vai ficar bom, você vai ficar bom...

A boca foi voltando ao normal, a dor desapareceu e Chico também, logo após pedir segredo. Eram escassas, e discretas, as curas promovidas por ele. E eram ainda mais raras as previsões feitas por Chico Xavier. Ele evitava profecias, temia ser enganado por espíritos mal-intencionados.

Uma vez quebrou o protocolo e garantiu ao amigo Ranieri: se ele segurasse uma lâmpada com força, ela acenderia. A energia do delegado seria suficiente para gerar luz. Ranieri quase ficou com os dedos roxos. Tudo em vão. Não tinha vocação para bocal.

Muita gente duvidava dos superpoderes de Chico Xavier. O coro dos desconfiados seria engrossado até pelo oftalmologista do vidente, o Dr. Nadir Sáfadi, de São Paulo. Numa das consultas, enquanto examinava a catarata e a miopia do paciente, ele não resistiu e perguntou:
▬  Você vê mesmo os espíritos?

Chico deu a resposta de sempre e recebeu de volta outra dúvida:
▬  Mas como você enxerga os espíritos com olhos tão debilitados?

O doente recorreu a um discurso kardecista:
▬  A mediunidade vidente independe dos olhos do corpo físico. O assunto exige muito estudo.
▬  Você está vendo algum espírito aqui no consultório?
Chico Xavier respondeu com um "sim" desconcertante e lacônico. O silêncio foi quebrado pela ansiedade do médico:
▬  Quem está aqui? Como ele se chama?

O paciente engoliu em seco. Sentiu medo de dizer nome tão inusitado e ridículo. Podia estar sendo vítima de alguma chacota espiritual.

Diante da insistência do médico, ele tomou coragem e revelou: Ele está me dizendo chamar-se Senobelino Serra. Diz ter sido natural de São José do Rio Preto. O Dr. Sáfadi ficou pasmo. Dr. Senobelino foi meu professor, foi muito amigo meu.

Chico Xavier respirou aliviado e foi adiante: O Dr. Senobelino está me dizendo ter sido designado pela Espiritualidade Maior para ajudar o senhor na profissão de médico oftalmologista, juntamente com outros amigos, porque o senhor ajuda muita gente aqui no consultório.

Histórias mirabolantes como esta se espalhavam, e o protegido de Emmanuel recebia a visita de céticos dispostos a desmascará-lo de uma vez por todas. A cada semana, cerca de duzentos novos curiosos chegavam à cidade. Chico calculava em um terço desse número a quantidade de desconfiados.

Em 1955, desembarcou em Pedro Leopoldo frei Boaventura Chasseriaux. Durante três dias, em abril, ele seguiu os passos do ex-católico, conversou com ele e tentou convencê-lo a se submeter a uma hipnose e a dizer a verdade em confissão. A conversa ficaria em segredo. Chico agradeceu. Não precisava desabafar. O padre registrou suas impressões em O Diário, autoproclamado "o maior jornal católico da América Latina".

Para começar, decretou: "O espiritismo não passa de um erro que irá acabando com a pregação da verdadeira doutrina do Cristo". Em seguida, criticou: "Só mesmo com muita indulgência podemos achar os livros e discursos de Chico Xavier de grande valor e seria desaforo atribuí-los aos espíritos de luz".

Mais adiante, absolveu Chico de seus pecados: "Ele é solteiro, de vida simples e pura. Não podemos acusá-lo de ter se aproveitado pessoalmente do movimento em torno dele".

Para arrematar, levantou suspeitas contra seus parentes: "Sua família (irmãos, cunhado) tem lucrado bastante. De pobres que eram passaram para uma situação bastante invejável". Frei Boaventura registrou boatos que já ventilavam em Pedro Leopoldo.

Alguns parentes de Chico estariam mesmo tirando vantagens da movimentação em torno dele. Os vizinhos cochichavam pelas esquinas. Lucília sentia os olhares desconfiados dentro de sua casa.

Algumas visitas chegavam, sentavam-se e, se houvesse algum eletrodoméstico novo na casa, disparavam a pergunta incômoda:
▬  Quem te deu?

Os rumores envolviam com freqüência o nome de André Xavier. As acusações eram graves. O irmão caçula de Chico, um dos receitistas assistentes do centro, teria feito um acordo com um fabricante do depurativo Fumarento. Em troca de comissão, incluiria nas receitas do Dr. Bezerra o nome do remédio, por sinal bastante assíduo nas sessões.

André também usaria o nome de Chico Xavier para contrair empréstimos. Um colega de trabalho, Guilherme Augusto Filho, guarda lembranças amargas da convivência com André. Ele emprestou dinheiro ao irmão do amigo, que prometeu o pagamento de juros mensais de 5% até o saldo da dívida. Nos dois primeiros meses, o trato foi cumprido. Nunca mais.

Tempos depois, após fugir o quanto pôde dos credores, André arrumou as malas e foi para São Paulo. Só reapareceu em Pedro Leopoldo como assunto da revista Fatos e Fotos, em 1980. Tinha montado um consultório espiritual na capital paulista e prometia cura por correspondência.

"Os pedidos por escrito são enviados a mim. Cerca de quinze a vinte dias após a formulação do pedido, a consulta é concluída com uma resposta contendo a orientação espiritual. Os casos que merecem um cuidado especial são encaminhados pessoalmente a Chico".

Diante dos boatos e das críticas, Chico recorria a uma idéia fixa:
"▬  Deixa a água do silêncio trabalhar nesses incêndios".

Em carta a amigos, ele aconselhava:
"▬  Nunca revidemos".

Emmanuel fiscalizava não só as palavras ditas por Chico como também, e principalmente, as escritas. Vetava, sem piedade, "idéias impróprias". Até Humberto de Campos sofreu censura espiritual. Tudo porque assinou, através de Chico, artigo sobre um dilema já em alta naquela época:
▬  O homem deve ou não comer carne?

Para responder à questão, Humberto contou a história de um anjo encarregado por Deus de fazer um relatório sobre a Terra. Chegou aqui e encontrou um animal arando o campo, açoitado por uma espécie de demônio. Depois, viu outro animal no curral, com outro demônio espremendo suas tetas e tirando leite, em prejuízo do filho dele, que berrava à distância.

Mais tarde, viu um enorme animal sendo morto, suas carnes sendo comidas pelos pequenos demônios e seu couro sendo usado em calçados. Era o bastante. Ele anotou no seu bloco:
▬  O homem é um ser muito elevado, bom e paciente, merecedor do amor de Deus.

E decidiu conversar com o demônio:
▬  Por que fazes isto com o homem?
▬  Por que o maltratas e o matas se ele te dá tudo?

O demônio desfez o mal-entendido:
Eu sou o homem. Ele é o boi.

O anjo ficou perplexo e enviou o mais rápido possível seu relatório a Deus.

Emmanuel apareceu, leu a parábola e mandou Chico rasgar o texto em pedacinhos. Os espíritas poderiam ser influenciados por aquela história. Muitos deles, inclusive Rômulo Joviano e Chico Xavier, funcionários da Fazenda Modelo, trabalhavam com a carne e ganhavam a vida assim. O artigo poderia provocar problemas sociais mais graves do que os gerados pela alimentação carnívora.

Chico acatou. E seguiu também ordens atribuídas a Emmanuel ao preparar a sexta edição do Parnaso de Além-Túmulo, em setembro de 1955, ano da morte de Manoel Quintão.

A nova versão da coletânea de poemas chegou às livrarias com um adendo na capa: "Revista e ampliada pelos autores espirituais". Emmanuel fez o papel de censor. E foi implacável. Ele queria versos espiritualmente corretos, fiéis à cartilha evangélica, de acordo com os ensinamentos de Jesus e de Kardec. A poesia perdeu espaço para a doutrina.

O poema "A Guerra", de Augusto dos Anjos, por exemplo, desapareceu. Quem abre hoje o Parnaso já não encontrará estes versos, formulados em meio às bombas da Segunda Guerra Mundial.

A torva geração do ódio e da Guerra embora a paz suavíssima a conclame Faz dos homens do mundo amargo e infame. Assanhados carnívoros da Terra. O texto era pessimista demais. Guerra Junqueiro também sofreu cortes. Seu poema "Contra a Besta Apocalíptica" sumiu.

Pecou por excesso de anticlericalismo, considerado uma virtude nos tempos do indignado Manoel Quintão, responsável pela primeira edição da coletânea. Os versos não passaram pelo crivo "emmanuelino": Não contente com o dogma inquisitorial que o seu concílio impôs a todas as criaturas A Igreja ainda requer benesses, sinecuras Amealhando assim o ouro universal.

Para arrematar, Junqueiro chamava o padre de "mercador do altar". Era demais. Na busca do tom político e evangelicamente correto, Chico aprovava as alterações. Algumas eram mínimas, quase imperceptíveis. Em "Homem da Terra", também de Augusto dos Anjos, "células taradas" deram lugar a "células cansadas".

Muitas vezes, em nome do espiritismo, Chico recorria a omissões e mentiras estratégicas. Ele mesmo admitia em conversa com os amigos:  A verdade é um veneno. Nem Jesus Cristo quis defini-la. Quando Pilatos lhe perguntou o que era a verdade, ele ficou em silêncio. Se formos falar a verdade na vida social, seremos considerados indesejáveis e loucos..


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 22:29


Chico preferia pegar a "avenida do contorno". Diante de perguntas escorregadias, desviava com um "vamos estudar melhor a questão". Para escapar de críticas aos poderosos do país, apelava para a diplomacia: Eles estão tentando fazer o possível.

Como um embaixador do outro mundo no Brasil, Chico Xavier aprendeu a engolir em seco e a adiar a verdade. Era cauteloso, como bom mineiro.

Em 1955, saiu da defensiva e abriu a guarda para um rapaz de 23 anos, vindo de Monte Carmelo com a mãe. Seu nome: Waldo Vieira. Foi afinidade à primeira vista, O rapaz mostrou a Chico um poema intitulado "Deus", ditado a ele por um espírito anônimo. O autor do Parnaso de Além-Túmulo ficou abismado. Era um soneto alexandrino perfeito.

A surpresa cresceu após outra revelação. Waldo, com metade de sua idade, dizia receber mensagens de um espírito chamado André Luiz, homônimo do autor de Nosso Lar, mas com um currículo diferente. De repente, o próprio apareceu para os dois.

Um olhou para o outro e perguntou:
▬  Esse aí é o seu?
▬  É?
▬  Mas este aí é o meu.

André Luiz tinha apresentado históricos diferentes para os médiuns e foi desmascarado ali mesmo. Seu nome era, na verdade, um pseudônimo usado para encobrir sua verdadeira identidade: a do médico sanitarista Carlos Chagas (nunca admitida por Francisco Cândido Xavier).

Um truque usado para evitar processos por direitos autorais como o movido pela família de Humberto de Campos. Chico estava perplexo. E exultou com o currículo mediúnico do jovem de Monte Carmelo. Espírita desde os seis anos, quando seu pai fundou um centro, Waldo viu a primeira assombração de sua vida aos nove anos. Aos treze, começou a receber os primeiros textos do além. Com o tempo, tornou- se um dos líderes das Mocidades Espíritas.

Era perfeito, bom demais para ser verdade. Chico previu a possibilidade de os dois trabalharem juntos. Só não adivinhou o que aconteceria após o dueto. Waldo se tornaria um dissidente, definiria o espiritismo como um "estágio prématernal", faria pouco-caso da mediunidade, "tão primária", e atacaria o ex-companheiro com palavras duras.

Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes, ninguém o alertou na época. Chico, empolgado com a descoberta de uma nova promessa espírita, tratou de apresentar o jovem, em carta, ao presidente da Federação Espírita Brasileira, Wantuil de Freitas.

Já em 1957, quando completava trinta anos de serviços prestados a servir de ponte entre este mundo e o outro, Chico defendeu o jovem:

▬  Apesar de moço ainda, revela-se um companheiro muito abnegado e senhor de um caráter honesto e limpo. Estudioso, amigo, trabalhador. Agora, meu caro Wantuil, que trinta anos consecutivos se passaram sobre minhas singelas atividades mediúnicas, tenho necessidade de sentir alguém comigo, a quem eu possa ir transmitindo recomendações de nossos Benfeitores Espirituais que eu não possa, de pronto, atender ou em cujas mãos possa deixar alguns deveres preciosos, na hipótese de qualquer necessidade.

Chico estava cansado. Um parceiro viria a calhar. Ainda faltavam três livros para ele honrar o compromisso assumido com Emmanuel e concluir a segunda série de trinta títulos. As sessões de Pedro Leopoldo eram exaustivas e, às vezes, terminavam muito mal.

As mensagens de mortos a seus parentes, apesar de escassas e de dirigidas ao público espírita, causavam transtornos. Companheiros de Chico, alguns deles interessados em fazer média com ricos e poderosos do Rio e de São Paulo, convidavam figurões para tentar a sorte em Pedro Leopoldo.

▬  Quem sabe eles não receberiam recados do além de seus familiares?

A maioria absoluta voltava para casa frustrada. Chico tentava explicar: não dependia dele, não era má vontade, ele não tinha poder para obrigar um morto a mandar recados para a Terra.

E insistia: O telefone só toca de lá para cá. Alguns dos inconformados sentiam vontade de bater aquele telefone imaginário na cara do pobretão ignorante. Resultado: Chico foi atacado quatro vezes com tapas no rosto por não conseguir atender aos pedidos.

A chegada de Waldo Vieira poderia aliviar tanto estresse. Naquele ano, Chico viajou para Sacramento com o jovem e foi homenageado em uma festinha espírita. Entre os convidados estava um desconhecido de apenas dezesseis anos, bastante incomodado com as reverências prestadas por todos ao médium de Pedro Leopoldo. Ele não entendia tanta badalação.

▬  Qual a graça daquele senhor esquisito?

De repente, uma mulher pediu um autógrafo ao homenageado. Chico disse em voz alta:

Só se o Celso me emprestar uma caneta. Celso de Almeida Afonso, o rapaz mal-humorado, estava por perto e teve uma reação inusitada: agarrou aquele quarentão estranho, beijou seu rosto e, aos prantos, prometeu: Nesta encarnação vou me comparar a um dedo do pé do senhor.

Chico se encolheu e disse: Sou apenas cascalho que serve para machucar os pés de quem passa por mim. Você é luz. Em seguida, avisou a Waldo Vieira: Celso é médium e vai trabalhar conosco em Uberaba. Ele previa mudanças na própria vida. E já se preparava para elas. Emmanuel também parecia estar bem informado sobre o futuro próximo.

Em 1957, Chico ouviu o aviso: André Luiz ditaria um novo livro, o sexagésimo. Parecia tão ansioso quanto Chico para concluir logo a tarefa. Tão apressado que convidou Waldo Vieira a dividir o serviço com o autor do Parnaso de Além-Túmulo.

▬  Por quê?

A resposta, segundo Emmanuel, viria no ano seguinte. Por enquanto, os dois deveriam apenas escrever. A dobradinha espírita mais pródiga do espiritismo no Brasil começou com Evolução em Dois Mundos. O método de trabalho da dupla era insólito.

Waldo Vieira, um jovem de 27 anos, recém-formado em medicina e odontologia, enviava de Uberaba para Pedro Leopoldo, aos cuidados de Chico, 47 anos e curso primário incompleto, os capítulos ímpares do livro um resumo da história da alma humana repleto de termos médicos. Chico dava seqüência ao texto com os capítulos pares. A fusão dos artigos era surpreendente. Impossível afirmar quem escreveu qual parte.

Em julho de 1958, o livro número sessenta já estava no pronto. Chico comemorou. A maratona literária tinha terminado. Mas a alegria durou pouco até Emmanuel comunicar: Os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também estar disciplinado, me advertiram que nos cabe chegar ao limite de cem livros.

Assim já era demais!

Chico estava exausto e chegou a desabafar com um amigo: Na próxima encarnação não quero saber de livros nem de imprensa. Quero nascer num lugar onde só haja analfabetos. Pouco tempo depois, sonharia: Nas encarnações do futuro, quero ter uns trinta filhos... O pior é que Chico escrevia e ainda levava desaforo pra casa.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 22:33



Evolução em Dois Mundos chegou às livrarias em meio a críticas. Médicos escreveram a Chico para protestar contra a complexidade do texto "pseudocientífico".
▬  Por que eles não eram capazes de entender?
▬  Qual o sentido de páginas tão inacessíveis?

O livro, denso, quase inalcançável, contrariava a linha popular defendida poucos anos depois por Chico: as mensagens deveriam ser entendidas pelos "espíritas mais humildes". Chico temia o elitismo e repetiria aos intelectuais da doutrina: O espiritismo veio para o povo e para com o povo dialogar.

O "povo", desta vez, ficaria de fora. "Hausto corpuscular de Deus", "corpúsculo-base", "fluido elementar" as expressões eram complicadas demais. Mas o livro chegou na hora exata. Em julho de 1958, palavras escandalosas atingiam Chico Xavier em cheio. Seu sobrinho, Amauri Pena Xavier, de 25 anos, que morava em Sabará, apareceu na redação do jornal Diário de Minas "para desabafar".

Precisava se livrar de um peso na consciência: há muitos anos escrevia poemas, atribuía a obra ao espírito de Castro Alves e dizia ter sido escolhido pela espiritualidade para divulgar na Terra um novo Lusíadas. Pois bem: era tudo mentira. Aquilo que tenho escrito foi Criado pela minha própria imaginação, sem interferência do outro mundo ou de qualquer outro fenômeno miraculoso.

Assim como tio Chico, tenho enorme facilidade para fazer versos, imitando qualquer estilo de grandes autores. Como ele, descobri isso muito cedo. Tio Chico é inteligente, lê muito e, com ou sem auxílio do outro mundo, vai continuar escrevendo seus versos e seus livros.

Os espíritas próximos a Amauri levaram um susto. O rapaz prometia. Escrevia num caderno, desde criança, poemas impressionantes. Seu trabalho foi acompanhado de perto, durante muito tempo, pelo professor Rubens Costa Romanelli, um dos fundadores da União da Juventude Espiritual de Minas Gerais, secretário do jornal O Espírita Mineiro.

Espíritas experientes ficavam surpresos com o poema épico intitulado Os Cruzílidas. Os versos, escritos por Amauri e assinados por Camões, contavam a história espiritual do descobrimento do Brasil, a epopéia no outro mundo durante o descobrimento do país.

Cabral teria sido acompanhado de perto pelos espíritos. Amauri exibiu as oitavas lusitanas aos jornalistas, renegou os espíritos, atribuiu a autoria dos versos a si mesmo e levantou novas suspeitas contra o tio. A imprensa ignorou a qualidade de seus textos e explorou ao máximo a chance de transformar Chico Xavier em escândalo.

O jornal O Globo estampou em manchete, com direito a ponto de exclamação, na primeira página de sua edição de 16 de julho: "Desmascarado Chico Xavier pelo sobrinho e auxiliar!" O texto, curto, era taxativo: Depois de se submeter ao papel de mistificador durante anos, o jovem Amauri Pena, sobrinho de Chico Xavier, resolveu, por uma questão de consciência, revelar toda a verdade! Chico Xavier era, desde muito cedo, um devorador de livros.

A velha polêmica parecia à beira da ressurreição. Para piorar a situação, o Jornal do Brasil se dedicava a estampar na primeira página milagres da Igreja Católica.

Amauri colocava o espiritismo em xeque e o JB transformava em manchete a notícia da cura de uma menina, Ana Luísa que, ao ouvir pelo rádio informações sobre a agonia de Pio XII, fechou os olhos e pediu: Papa, lembre-se de mim, antes de morrer. Tuberculosa, de acordo com a última radiografia, ela ficou curada em instantes.

O jornal Diário da Tarde decidiu apurar melhor a confissão do sobrinho de Chico Xavier e mandou um repórter a Sabará para entrevistar Amauri. O rapaz estava em Belo Horizonte, O delegado Agostinho Couto recebeu o jornalista e deu a folha corrida do "confessor". Alcoólatra inveterado, "um desordeiro", ele já tinha sido apanhado tentando roubar uma casa e fora expulso da cidade várias vezes pelo policial.

O pai de Amauri, Jaci Pena, confirmou as acusações: Meu filho é um doente da alma. Todo mundo sabe disso. É dado a bebidas. Ontem mesmo eu o apanhei caído no jardim no maior pileque. Chico conhece Amauri. As declarações dele não alteram nada. Só faltava entrevistar o outro envolvido na polêmica: Chico Xavier.

No dia 29 de julho, o repórter do Diário de Minas, responsável pelo furo jornalístico, conversou com o tio de Amauri Pena. Chico, na época bastante magoado, disfarçou a tristeza e exibiu seu talento para medir palavras. O discurso seguiu à risca o regulamento cristão.

Para começar, Chico negou, com humildade, que Amauri Pena fosse seu auxiliar: Meu sobrinho, até agora, não freqüentou reuniões espíritas ao meu lado, mas posso acrescentar que ele tem estado num grupo de espíritas muito responsáveis em Belo Horizonte, junto dos quais sempre recebeu orientação com muito mais segurança que junto a mim.

Em seguida, perdoou o autor da denúncia: Meu sobrinho é muito moço e, pelo que observo, é portador de um idealismo ardente, em sua sinceridade para consigo mesmo. De minha parte, peço a Jesus, com muita sinceridade, para que ele seja muito feliz no caminho que escolher.

Para encerrar, deu exemplo de respeito às crenças ou descrenças alheias: Não recebi as palavras dele como acusação nem desafio. Tenho a felicidade de possuir muitos amigos que, em matéria religiosa, não pensam pela minha mesma convicção.

Na despedida, ainda escreveu um bilhete para ser publicado no jornal do dia seguinte: Se algo posso falar ou pedir, nesta hora, rogo a todos os corações caridosos uma oração a Nossa Mãe Santíssima em meu favor, a fim de que eu possa se for a vontade da Divina Providência continuar cumprindo honestamente o meu dever de médium espírita sem julgar ou ferir quem quer que seja. A calma era aparente.

Em uma carta a Wantuil de Freitas, no dia 10 de dezembro, ele fez referência a um "familiar deliberadamente vendido aos adversários implacáveis de nossa causa". E, mais uma vez, destacou Waldo Vieira como alguém capaz de livrálo "dos perigos que rondam a tarefa". A polêmica acabou ali.

Amauri, sempre bêbado, acabou internado em um sanatório na cidade de Pinhal em São Paulo e morreu pouco tempo depois. Seu último desejo: divulgar um documento com um pedido de desculpas ao tio. Os diretores da Federação Espírita Brasileira decidiram adiar a retratação. Os adversários podiam insinuar que o jovem havia sido forçado a se arrepender. Amauri morreu e deixou como herança um mistério para os espíritas.

▬  Por que ele tinha atacado o tio?

A versão mais aceita no meio é a de que ele assumiu a autoria dos poemas e levantou suspeitas contra Chico para impressionar e agradar uma moça católica por quem estava apaixonado. Outra versão, mais apimentada, coloca dinheiro na roda: ele teria sido subornado por um padre para desmoralizar o espírita de Pedro Leopoldo. Amauri nunca mandou explicações do além.

Chico Xavier ficou deprimido. A culpa tomou conta dele. Os "espíritos inferiores" atacavam seus amigos e parentes como forma de atingi-lo. Seus adversários eram punidos com mortes trágicas. Todos sofriam por sua causa.

Conclusão: ele era má companhia tanto para aliados como para os rivais. Estava tão só e inconsolável que decidiu pedir a Emmanuel não um conselho, mas uma orientação da própria Maria de Nazaré. Alguns dias se passaram e o guia voltou com uma frase atribuída à mãe de Jesus: Isso também passa.

Chico se sentiu anestesiado. Escreveu o recado num papel e o colocou na cabeceira da cama. Todas as noites e manhãs ele lia a frase e se consolava. Emmanuel tratou de fazer uma ressalva: a frase valia tanto para os momentos tristes como para os alegres. O efeito da anestesia passou logo. O pessimismo voltou.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 22:49



Em outubro de 1958, Chico tomou uma decisão surpreendente: iria experimentar o ácido lisérgico. Perguntou a Emmanuel se ele poderia fazer a experiência com amigos de Belo Horizonte. O guia se ofereceu para promover a "viagem". À noite, Chico se sentiu fora do corpo, Emmanuel se aproximou dele, colocou uma bebida branca num copo e explicou: era um alcalóide capaz de produzir o mesmo efeito do LSD.

Chico engoliu a bebida, um tanto amarga, e começou a se sentir mal, como se estivesse entrando num pesadelo. Animais monstruosos se aproximavam e cenas assustadoras desfilavam diante de seus olhos. Ele acordou com mal-estar. O sol parecia uma fogueira e o irritava, as pessoas o cercavam, desfiguradas.

À noite, Emmanuel reapareceu com a lição psicodélica: o alcalóide refletia seu estado mental. Chico quis saber como recuperar a tranqüilidade e escapar da ressaca. Receita: oração, silêncio e caridade, para colher vibrações positivas. Chico seguiu as dicas à risca. Começou a visitar doentes pobres, a atrair bons fluidos e, durante cinco dias, trabalhou para se refazer. No sexto dia ele se sentiu melhor.

À noite, Emmanuel voltou e propôs repetir a experiência com o mesmo alcalóide. Mesmo desconfiado, o discípulo concordou. O efeito foi surpreendente: alegria profunda. Teve sonhos maravilhosos, visitou uma Cidade de cristal, olhou para o céu como se ele fosse de vidro. Até a Fazenda Modelo ficou deslumbrante. Os livros pareciam encadernados por safiras e ametistas, luzes saíam do corpo dos companheiros, das plantas e dos animais.

Chico sentiu vontade de abraçar todo mundo. Ficou assim, em êxtase, quatro dias seguidos, em estado de alegria descontrolada, insuportável. Emmanuel apareceu com as explicações:
▬  Você está vendo seu próprio mundo íntimo fora de você. Moral da história: Nós estamos aqui para cumprir obrigações, não para gozar um céu imaginário nem para fantasiar um inferno que devemos evitar.

Na manhã de 3 de novembro de 1958, Chico saiu do ar. Viajava num avião de Uberaba para Belo Horizonte, quando o aparelho começou a trepidar com violência. Parecia fora de controle. Os passageiros começaram a gritar, a pedir socorro. O comandante apareceu para pedir calma: não havia motivos para alarme, os movimentos desordenados eram provocados por um fenômeno atmosférico chamado "vento de cauda". E encerrou o discurso com a garantia de que chegariam ao destino mais depressa.

Alguém, completou irritado. Mais depressa no outro mundo. Chico tentava manter o equilíbrio. Mas era difícil. Não entendia nada de "vento de cauda". O avião sacudia, virava de um lado, do outro, só faltava fazer piruetas. Muita gente começou a vomitar, quatro crianças abriram o berreiro, os marmanjos apertaram o cinto, se agarravam às poltronas, rezaram aos gritos.

O protegido de Emmanuel se uniu ao coro.
▬  Valei-me, meu Deus. Socorro, misericórdia. Socorro, pelo amor de Deus. Tende piedade de nós. Um padre, a poucas poltronas de distância, reconheceu o desesperado e gritou:
▬  O Chico Xavier está ali. Ele é médium, espírita, e está rezando conosco.

Chico gritou do outro lado:
▬  Graças a Deus, padre, eu também estou rezando.

E continuou a berrar:
▬  Valei-me, meu Deus.
Quando já estava fora de controle há quase dez minutos, viu Emmanuel entrar no avião e se aproximar dele. Queria saber o motivo da gritaria.

Chico tinha uma dúvida mais urgente:
▬  O senhor não acha que estamos em perigo?

O guia foi seco:
▬  Estão, e daí?
▬  Não tem muita gente em perigo?
 ▬  Vocês não são privilegiados.

Chico nem pensou duas vezes:
▬  Está bem. Se estamos em perigo de vida, eu vou gritar.
▬  Valei-me, socorro, meu Deus.

Os passageiros berravam ainda mais. Emmanuel ficou horrorizado com a cena. O espírita mais importante do país, defensor da vida depois da morte, estava em pânico diante da hipótese de morrer.
▬  Você não acha melhor se calar?
▬  Dá testemunho da tua fé, da tua confiança na imortalidade.

Chico teimou:
▬  Mas é a morte. E nós estamos apavorados diante da morte.
E insistiu:
▬  Nossa vida não está em perigo?
Emmanuel repetiu a resposta:
▬  Está.
E Chico defendeu seu direito de estar em pânico:
▬  Estou apavorado como todo mundo.
▬  Estou com medo de morrer como qualquer ser humano.
O guia perdeu a paciência:
▬  Está bem. Então, cale a boca para não afligir a cabeça dos outros com seus gritos. Morra com fé em Deus, morra com educação.
Quando Emmanuel virou as costas, Chico ainda resmungava:
▬  Quero saber como alguém pode morrer com educação.
E Continuou a gritar.

Chico Xavier estava estressado. Escrevia compulsivamente para chegar ao centésimo livro, fazia caridade, atendia aos "obsediados", percorria bairros pobres de Pedro Leopoldo para distribuir alimentos e ler o Evangelho, consolava os desesperados. Mas continuava desconsolado.

O clima tenso, em Pedro Leopoldo, atingiu o clímax quando uma senhora bem-vestida, de Belo Horizonte, se aproximou dele e lhe ofereceu veneno:
▬  Vim aqui te ajudar a se suicidar.
Chico dispensou o presente:
▬  Quero viver até o fim.
▬  É melhor você se suicidar. Você fica em paz e dá paz ao nosso Centro.
Chico encerrou o assunto com um "não" redondo.

Estava convencido: já era hora de virar mais um capítulo de sua história. Sua família andava nervosa. Lucília, a irmã com quem ele morava, estava cansada de tanto entra-e-sai, tanta campainha, tanto telefone. O marido dela, Pacheco, era católico e não entendia tanto movimento, não suportava a invasão diária de sua privacidade.

Um dia, a irmã perguntou:
▬  Você sai ou nós saímos? Chico aproveitou a deixa e saiu. Estava cansado. Todas as irmãs já estavam casadas, ele já não precisava mais tomar conta de ninguém. Já era hora de poupar a família, de poupar a si mesmo.

No dia 18 de dezembro, assinou apenas a entrada no livro de ponto da Fazenda Modelo. Uma observação na margem direita esclarecia: "O escrevente-datilógrafo Francisco Cândido foi designado pelo ato 1614 para trabalhar em Uberaba". Isso mesmo: Francisco de Paula Cândido. Este é seu nome de batismo. Uma homenagem da família católica ao santo do dia de seu nascimento, 2 de abril, São Francisco de Paula. Quando rompeu com o catolicismo e escreveu os primeiros textos espíritas, ele adotou o sobrenome paterno.

Poucos amigos conheciam a dupla identidade do autor de Parnaso de Além- Túmulo. Era Francisco de Paula Cândido quem escrevia os relatórios para Rômulo Joviano. Ele mesmo buscaria todo mês no banco a sua aposentadoria, assinada por Juscelino Kubitscheck. O próprio Presidente da República, aliás, pediu a assessores para apressar a papelada do escriturário nível 8 da Fazenda Modelo, de Pedro Leopoldo. Queria atender ao médium antes de sair do poder.

No meio da noite de 4 de janeiro de 1959, Chico Xavier bateu a porta de casa e sumiu. Sobre a cama, ainda estendido no cabide, ficou um terno de linho branco. Na sala, restaram a vitrola, discos de Beethoven, Bach, Noel Rosa e um retrato a óleo de Emmanuel. No escritório, sua mesa tosca, quatro cadeiras, um baú repleto de papéis e os quase quatrocentos volumes de sua biblioteca. Entre dezenas de títulos espíritas, A Divina Comédia, o Leilo Universal e exemplares de Seleções e Almanaque Bertrand. Não se despediu de ninguém.

Com a roupa do corpo, tomou o rumo de Uberaba. Levou apenas o velho caderno de endereços e telefones. Iria morar com Waldo Vieira. Deixou para trás uma cidade perplexa e minguante.

Geraldo Leão, o garoto curado por ele da paralisia facial, guardou os três lápis usados pelo filho mais pródigo e famoso da cidade em sua última sessão no Centro Luiz Gonzaga. Um tinha a marca da Casa Garçon, outro vinha com o símbolo da lâmpada Astra Super e o terceiro divulgava a campanha "Crianças brasileiras, vamos estudar".




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 22:58


Mais de trinta anos depois, ele exibiria as relíquias aos poucos turistas da cidade. Os quatro hotéis e pensões dos tempos do médium se reduziram a uma reles pensão.

O Cine Central, onde Chico costumava ir aos domingos pagar ingressos para a criançada pobre, deixaria de existir. Nas mesas do Bar Central, na esquina da rua onde Chico Xavier morou durante 49 anos e escreveu sessenta livros, o filho de João Cândido Xavier ainda gerava polêmica 34 anos após sua mudança.

Um ex-charreteiro da Fazenda Modelo, José Porfírio Costa Lima, contava, de olhos arregalados, a frase dita por um espírito em um centro de umbanda: A cidade vai pagar caro por ter deixado Chico Xavier ir embora.

Após encarar a praça vazia e mal-iluminada, garantia, perplexo: Pedro Leopoldo está amaldiçoada. Em pleno 1993, os motivos do sumiço repentino de Chico ainda esquentavam as conversas entre um café e outro. Alguns acusavam o padre Sinfrônio. Muitos jogavam a culpa na família dele, "exploradora demais". Outros lembravam do escândalo provocado por Amauri Pena. Alguns se culpavam.

Podiam ter tratado o conterrâneo melhor, com mais respeito. O santo da casa não fez milagre... A razão alegada pelo próprio Chico Xavier nem era levada em consideração. Chico jogou a culpa pela mudança em uma labirintite, iniciada naquele ano. Incomodado por barulhos no ouvido e por fortes dores de cabeça, ele teria seguido conselho dos médicos e dos benfeitores espirituais para procurar um clima temperado. Pedro Leopoldo era fria demais.

Chico foi mesmo em busca de um clima menos frio, mas não no sentido meteorológico da expressão. Aos amigos mais íntimos, ele daria uma outra explicação. Uberaba, então com dezessete centros kardecistas, estaria mais protegida espiritualmente.

Deitada em sua cama, paralítica, Nair Tarabau Pinto, colega de escola de Chico Xavier, deixaria nas páginas de um caderno puído uma declaração de amor ao ex-companheiro: Chico, você é o amigo de infância que não posso esquecer por mais que a vida dure.

Às vezes, pergunto a mim mesma:
▬  Quem é este homem?
▬  Um gênio, um predestinado?
▬  Ou um precursor?"

Chico já estava longe. A NOVA ATRAÇÃO DE UBERABA Chico Xavier se refugiou no meio do mato a oito quilômetros do centro de Uberaba. Sua casa, que dividia com Waldo Vieira, era um barraco. Quarto, sala, cozinha, banheiro, chão de cimento, paredes sem pintura. Nenhum ônibus passava por ali.

Quem quisesse chegar até o porta-voz dos mortos no Brasil precisava atravessar o matagal, driblar bois e vacas, pular cercas de arame farpado. Sem telefone, com os parentes a seiscentos quilômetros de distância, livre de Rômulo Joviano e do padre Sinfrônio, às vésperas da aposentadoria, Chico experimentava a privacidade e tomava fôlego para recomeçar. Precisava chegar ao centésimo livro. Agora, pelo menos, já tinha um parceiro.

No dia seguinte à sua chegada, ele abriu a porta aos primeiros visitantes. Sete amigos participaram da primeira sessão espírita comandada por Chico Xavier no novo endereço. Na noite de 5 de janeiro de 1959, todos se sentaram em volta da mesa, na cozinha. Os bancos eram tábuas equilibradas sobre pilhas de tijolos. Dois tamboretes velhos compunham a decoração.

O anfitrião colocou no papel, após a leitura do Evangelho, um recado assinado por Emmanuel:  "Se tiveres amor, relevarás toda ofensa com que martirizem as horas..."

A notícia da chegada de Chico Xavier começou a se espalhar pela cidade. E chegou até os ouvidos de uma católica fervorosa chamada Maria Olina. Aos quarenta anos, analfabeta, ela ia à missa todo santo dia, de manhã e de tarde, e emprestava seus ombros para a imagem de Santa Teresinha nas procissões. Um de seus orgulhos era ter ajudado na construção da igreja dos capuchinhos, dois anos antes. Muitos tijolos foram comprados graças aos leitões e galinhas criados por ela e leiloados nas quermesses.

Sua vida estava prestes a mudar. Uma vizinha, Joventina Lourenço, entrou em sua casa com um brilho estranho nos olhos e uma idéia pouco católica na cabeça. Queria companhia para visitar o tal espírita de Pedro Leopoldo.

Ele era um fenômeno, falava com os mortos, curava doentes, adivinhava pensamentos. Maria Olina, curiosa, fez o sinal-da-cruz e cedeu à tentação do desconhecido. Na mesma tarde, ela e a amiga pularam as cercas e correram das vacas para chegar à ponte para o "outro mundo".

Chico Xavier recebeu as visitantes com abraços, sorrisos, café e bom humor. Livre, às vésperas de completar cinqüenta anos, ele se revelava um contador de "causos" inspirado. Eça de Queiroz aprovaria. Olina, no início desconfiada, terminou a noitada às quatro horas da manhã, exausta de tanto rir. As histórias se sucediam e as gargalhadas também. Waldo Vieira, mais sério, preferia o silêncio e certa distância.

Seu companheiro, de pé na cozinha miúda, roubava a cena e ressuscitava a juventude na cidade natal. Chegava até a cantar para imitar uma vizinha de trinta anos antes, a Raimunda, apelidada de Buduca. A moça enchia o peito e soltava a voz no embalo de marchas de carnaval.

Numa tarde, Chico sentiu dificuldades para pôr no papel os textos do além e, com muito cuidado, pediu à cantora que baixasse um pouco o volume porque precisava enviar para o Rio, com urgência, algumas orientações. Buduca, um tanto envergonhada, pediu desculpas e a nova atração de Uberaba concordou. Mas não resistiu. Quando Chico entrou no quarto, ouviu a nova letra inventada pela vizinha para um hit carnavalesco da época.

Era só o que faltava você me fazer calar para ouvir os seus demônios para poder se concentrar.

O show continuava, O repertório parecia interminável. Chico Xavier contava, às gargalhadas, a história de um homem fanático pelo espiritismo. Ele cultivava um hábito bastante comum entre os espíritas: o de buscar respostas para qualquer problema em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Ele fechava os olhos, abria o livro ao acaso e, com a ajuda do "outro mundo", esperava encontrar na página aberta uma solução para suas dúvidas. Um dia, o devoto estava em sua chácara, de pernas para o ar, refestelado numa rede, quando o céu escureceu.

Uma tempestade varreu o sítio e um raio atingiu em cheio um gato a poucos metros dele. Ainda trêmulo, o sobrevivente correu para O Evangelho Segundo o Espiritismo e, com o coração aos pulos, buscou a mensagem.  Encontrou: "Se fosse um homem de bem teria morrido..."

Chico ria das superstições alheias e também falava sério. De história em história, ele envolvia as visitas, dava o seu recado. Olina estava quase conquistada. Mas ainda achava estranha a idéia de os mortos voltarem a Terra.

Quando sua amiga se levantou para rezar, beber a água fluidificada e receber os passes, ela continuou sentada. Waldo leu o Evangelho, pediu licença e foi dormir. Chico ficou na cozinha com os olhos e boca bem abertos. Ainda tinha muita história para contar.

Como a da lagarta, que sempre dizia:
▬  Esqueçam esta ilusão de que nós podemos voar. Isto é tudo mentira. Um dia, ela virou borboleta e saiu por aí batendo asas.

▬  E os pássaros, coitados?
Eram as criaturas mais infelizes do mundo quando Deus criou a Terra. Moravam no chão e bastava uma chuva para suas asas ficarem ensopadas e eles, pesados, serem devorados por outros animais. A situação era insustentável. Eles se organizaram, formaram uma comissão, estufaram as penas e decidiram pedir socorro ao Todo-poderoso.

Deus foi pego de surpresa:
▬  Vocês foram as únicas criaturas às quais dei o céu.
▬  Por que não usam o dispositivo esculpido em seus corpos?

Então perguntou um dos defensores da categoria.
▬  Que dispositivo?
▬  As asas.

De imediato, Deus ensinou os interlocutores a abrir o par de asas, tão "incoveniente" nas chuvas, e eles saíram voando felizes da vida.

Olina se sentiu nas nuvens. Perdeu a noção do tempo, se esqueceu dos filhos, nem se lembrou da missa na manhã seguinte. Eram 4h30 quando o padeiro estacionou sua Kombi velha em frente à casa de Chico e buzinou.

O anfitrião pediu carona para suas novas amigas. Misturadas aos pães, Maria Olina e Joventina fizeram a viagem de volta, O carro parava de casa em casa e elas nem resmungavam. A noitada valeu a pena.

Só as 7h30, suja de farinha de trigo, Olina entrou em seu barracão. O marido já tinha ido para o curtume onde trabalhava, os filhos já estavam no colégio. Seus olhos exibiam um brilho estranho enquanto ela lavava a louça do café da manhã.

MARCEL SOUTO MAIOR.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:09


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:13


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:21


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:23


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:25


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:30


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:36


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:40

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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:43


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:46


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 16 de Janeiro de 2011, 23:53


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 20:15

Só as 7h30, suja de farinha de trigo, Olina entrou em seu barracão. O marido já tinha ido para o curtume onde trabalhava, os filhos já estavam no colégio. Seus olhos exibiam um brilho estranho enquanto ela lavava a louça do café da manhã.

Cont.


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AS VIDAS DE CHICO


Minha vida era ficar namorando o Chico - ainda se lembraria, 34 anos depois, com a voz embargada. Aquela foi a primeira de uma série de noites inusitadas. Às segundas, quartas e sextas, Maria Olina e sua amiga pulavam as cercas até a casa de Chico Xavier e Waldo Vieira. Às terças, quintas, sábados e domingos, ela engolia hóstias e se confessava na igreja. A vida dupla duraria pouco tempo. Logo, o dia-a-dia da beata viraria de cabeça para baixo.

Às terças e quintas-feiras, Chico e Waldo calavam a boca, fechavam as portas de casa e se dedicavam a um novo livro assinado por André Luiz, o primeiro da nova série de quarenta necessários para atingir o centésimo título. Os capítulos ímpares eram escritos por Waldo, os pares, por Chico.

O texto tentava traduzir, de forma científica, os "mecanismos da mediunidade". A primeira frase dava o tom: "A Terra é um magneto de gigantescas proporções, constituída de forças atômicas condicionadas e cercado por essas mesmas forças em combinações multiformes. Olina se benzeria se visse Chico espalhar frases como essa no papel.

O presidente da Federação Espírita Brasileira, Wantuil de Freitas, ficou preocupado com aquele palavrório todo. Era científico demais. Esperava um livro mais acessível do autor de Nosso Lar. Eles tinham que se aproximar da população e não se afastar dela. Chico também estranhava aqueles parágrafos. Nunca conseguiria entender direito Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade.

Vinte anos depois, algumas das idéias mirabolantes assinadas por André Luiz em Uberaba seriam confirmadas por físicos estrangeiros. Uma delas "a matéria é luz coagulada" seria respaldada por dois cientistas americanos, Jack Sarfatti e David Bohm, em um livro intitulado Space Time and Beyond. Eles garantiriam: "A matéria é luz capturada gravitacionalmente".

Chico Xavier trabalhava e os boatos proliferavam à distância. Alguns espíritas espalharam a notícia de que o novo morador de Uberaba iria se internar num sanatório espírita. Ele estaria esgotado. O companheiro de Waldo Vieira tratou de desmentir os rumores em carta a Wantuil: "Se isso acontecer, podes estar certo de que estarei me sentindo extremamente mal de saúde e com perspectiva de desencarnação".

Chico tinha medo. Acreditava que pessoas tinham sido pagas para atribuir a ele falsas declarações contra o espiritismo no momento de sua morte. Seu medo de cair numa armadilha preparada por adversários era tanto que ele já tinha pedido a Waldo e a outros companheiros para ser internado em instituição espírita de confiança se adoecesse. Precisava ficar a salvo de um complô silencioso armado contra ele..

No dia 18 de abril de 1959, Chico e Waldo Vieira inauguravam, ao lado da casa  deles, a Comunhão Espírita Cristã. Nenhum deles assumiu a presidência do centro. Precisavam escrever. Dalva Rodrigues Borges, uma espírita de Uberaba, assumiu o comando. A programação do novo centro era intensa: reuniões públicas às segundas, sextas e sábados, sessões de desobsessão privadas às quartas-feiras, sopas para os pobres todas as tardes, peregrinações pelos bairros da periferia aos sábados, além de cursos sobre o Evangelho.

Na varanda da casa eram servidas as refeições aos pobres, cerca de duzentas todos os dias. Na sala ampla eram realizadas as sessões. Uma mesa cercada de cadeiras servia aos médiuns. Diante dela, ficavam os bancos destinados aos espectadores. À esquerda, uma saleta era usada para os passes e, à direita, títulos espíritas se amontoavam em prateleiras numa livraria modesta.

Maria Olina acompanhou a construção do novo centro e sentiu vontade de promover, em sua casa, um curso sobre o Evangelho Segundo o Espiritismo. Suas idas à igreja estavam cada vez mais escassas. Conversou com Chico Xavier sobre o projeto e ficou decepcionada. Ele pediu calma. A idéia era prematura. Olina ainda precisava levar bons sustos.

Numa noite, sua amiga, Joventina, deu à luz uma menina. Chico foi até sua casa para uma visita e lhe ofereceu uma surpresa, um presente de Sheilla. Quando ele pronunciou o nome da enfermeira morta na Segunda Guerra, o quarto se encheu de perfume. Olina procurou o frasco de onde vinha o aroma e não encontrou. Chico não se moveu. Segurava as mãos de Joventina, deitada na cama.

Após deixar no ar o seu presente, Chico foi até a casa de Maria Olina. No caminho, passou por duas fogueiras de São João próximas à igreja e comentou: Que coisa mais linda aquele povo em volta do fogo. Está tão feliz junto com os nossos apóstolos. Maria Olina ficou feliz da vida. A mistura de espiritismo com catolicismo soava muito bem.

Já em casa, a anfitriã apresentou sua mãe ao visitante ilustre. Chico grudou os olhos naquela senhora humilde e ficou calado o tempo todo, distante e atento ao mesmo tempo. Olina voltou ao assunto: queria ensinar o Evangelho em sua casa. Chico concordou, mas fez uma ressalva: o curso deveria acontecer no barracão onde a mãe dela morava, no quintal, e não onde eles estavam.

Olina bateu o pé. Chico Xavier bateu o martelo: Você não sabe o que tem aqui. A futura professora de Evangelho nem quis saber. Concordou. Durante seis meses, espíritas da Comunhão Espírita Cristã ajudaram Olina, analfabeta, a ensinar as lições de Kardec aos pobres da vizinhança. Ela ainda se esforçava para aprender a doutrina, quando sua mãe morreu.

O velório seria às 13h30. Dez minutos antes, Chico chegou sozinho, aproximou-se da cama onde o corpo da morta estava, rezou e disse: Sua mãe foi direto.
▬  Direto como?

Olina ainda tateava naquele mundo estranho. Chico precisou entrar em detalhes, O espírito de sua mãe tinha subido aos céus sem sofrer qualquer resistência. Ao contrário de muitos outros, não ficou preso à Terra, sem se conformar ou sem acreditar na própria morte. Olina ficou impressionada. Chico deu outra notícia a ela.

Sua mãe, antes de ir, pediu para ter o corpo velado sobre a mesa onde se realizavam as sessões espíritas. Olina concordou. Chico enrolou um lençol em volta do cadáver, segurou uma das pontas do pano e, com a ajuda do marido de Olina, levou a morta para o barracão no quintal. Em seguida, abriu o Evangelho, se sentou no banco de madeira comprido, ao lado do corpo, e iniciou a leitura.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 20:18

Olina ficou a seu lado. Enquanto lia, Chico se afastava em direção à outra extremidade. A cada página, ele ficava mais distante de onde tinha se sentado. Olina o acompanhava. No final, Chico e sua companheira já estavam de pé, do outro lado. O banco ficou para os espíritos. Chico se despediu às 15h, deu um beijo na testa de Olina e disse: Não precisa se preocupar com nada. Meus amigos vêm fazer companhia a você.

O parceiro de Waldo Vieira estava cada vez mais seguro. Firme, ele tomava decisões, defendia suas idéias, exigia disciplina de seus auxiliares. Estava cada dia mais parecido com Emmanuel. Não sentia mais tanta necessidade de atribuir ao seu guia a responsabilidade pelos próprios atos.

Já era capaz de dizer: Posso ser uma besta espírita, pois transporto os textos dos benfeitores espirituais, mas não sou um espírita besta.

Chico era respeitado e obedecido. Naquela noite, quatro de seus amigos chegaram à casa de Olina com pães, roscas, leite e café. Ficaram em volta do corpo da mãe de Olina, lendo o Evangelho, madrugada adentro. Na tarde seguinte, voltaram com um carro e, ao lado de outros companheiros, levaram o corpo até o cemitério. Chico não apareceu.

Olina foi até ele, um dia depois, na Comunhão Espírita Cristã. Chico a convidou a tomar parte na mesa. Era uma honra. Ficou ali, ao lado do espírita mais importante do país, durante três anos. Três meses após o enterro da mãe de Olina, Chico Xavier anunciou a decisão para a ex-beata: Vamos inaugurar um centro em sua casa.

No dia 21 de agosto de 1960, ele comandou a festa de inauguração da Casa de Sheilla. Olina ficou entusiasmada. As garrafas com água, colocadas sobre a mesa para concentrar energias espirituais, assumiam consistência leitosa e fervilhavam.

O perfume se espalhava por todos os cômodos vindo não se sabe de onde. Chico anunciou em discurso, após colocar no papel um texto assinado por Emmanuel e outro por Sheilla: "Lá, na Comunhão Espírita Cristã, está a cabeça, Emmanuel. Aqui, está o coração, Sheilla".

Foi um inferno. A vida de Maria Olina mudou e, nas primeiras semanas, piorou. A nova espírita da praça passou a ser surpreendida por um fantasma, todas as noites, quando iniciava as rezas antes de dormir. O visitante do além passava um pano áspero sobre o seu rosto e dizia: Isto aqui é o resto da mortalha. Ela via o vulto, escutava a voz e gritava. Seu marido, sempre tão paciente com as noitadas espíritas da mulher, começou a perder a calma.

Chico dizia: Você está ficando maluca.
Olina dizia o mesmo para Chico. Tinha medo de enlouquecer. Chico ria e, com jeito de Emmanuel, afirmava, nada consolador: Isto é só o começo.

Não estava exagerando. Um coro de vozes sem rosto começou a cercar Maria Olina. As assombrações exigiam a presença dela em cidades vizinhas, onde doentes estariam à sua espera. Chico deu nova orientação: Quando mandarem você ir a algum lugar, diga para eles virem para cá. Daqui você não sai. Olina seguiu o conselho e, de repente, sua casa ficou repleta de gente.

Em 1960, o centro virou albergue noturno e passou a abrigar hóspedes pobres das cidades vizinhas, sem dinheiro para comer, morar ou se tratar. Naquele ano, ela ajudou nada menos que 82 pessoas. No início, pensou em pedir doações para atender aos necessitados, mas Chico tirou a idéia de sua cabeça. As ajudas viriam espontaneamente. Ela não deveria fazer campanhas. Sem saber como, Olina saía às ruas, às vezes desesperada sem ter o que dar de almoço para seus hóspedes, e voltava com frutas, legumes, pães doados pelos vizinhos pobres. Era mesmo só o começo.

No dia 20 de março de 1961, o albergue começou a se transformar em ambulatório. Com a ajuda do médico Waldo Vieira, de seu colega Eurípedes Tahan Vieira e de Chico Xavier, e com a "supervisão espiritual" da enfermeira do outro mundo, Sheilla, ela abriu as portas de seu barracão aos queimados. O mau cheiro tomou conta do local. As vítimas de queimaduras, muitas delas de terceiro grau, todas pobres, eram acomodadas no chão pelos cômodos. Água boricada e água oxigenada se espalhavam pelas prateleiras.

Olina ouvia a voz da enfermeira alemã, seguia instruções vindas do nada e, mesmo sem saber ler, encontrava no escuro o remédio capaz de atenuar a dor dos pacientes. Com os olhos arregalados, um tanto em pânico, ela varava as noites ao lado dos moribundos e rezava para nenhum deles morrer. Cometia heresias como tratar das feridas com água, desobedecia recomendações médicas quando elas demoravam a surtir efeito, e conseguia resultados animadores.

No primeiro ano, atendeu a dezoito casos, alguns deles perdidos.

Uma das vítimas tinha ateado fogo ao próprio corpo com álcool. Olina examinou os ossos expostos, a pele macilenta, e escutou a voz de Sheilla: Lave só com água fluidificada.

Após quatro enxaguadas, o corpo começou a cicatrizar. Olina escutava as gargalhadas de sua guia. Nunca viu seu rosto. Em doze anos, atendeu a quase mil pacientes. Apenas trinta morreram. Olina chorava e cuidava do enterro. De um dia para o outro, tudo acabou, sem explicações. O perfume de Sheilla desapareceu, sua risada também, a enfermaria foi desativada.

Cinco anos depois Olina contratou uma professora particular e estudou até o segundo ano primário. O centro continuou no mesmo lugar, sempre aberto, com passes e divulgação do Evangelho, sessões de desobsessão às sextas, ciclo de estudos às terças e sopa para todo mundo aos sábados.

Olina nunca perguntou a Chico Xavier por que Sheilla desaparecera. Quase vinte anos após o sumiço de sua "orientadora", ela entrou na fila no centro de Chico Xavier para receber seus passes e ele se negou a atendê-la. Com um riso no rosto disse: Epa, esta aí é a Sheilla. Um leve perfume ficou no ar..

Chico Xavier também mudou a vida de Aparecida Conceição Ferreira, uma enfermeira do Setor de Isolamento da Santa Casa de Misericórdia. Especializada no tratamento de doença contagiosa, ela deu os primeiros passos em direção ao desconhecido antes mesmo de conhecer o fenômeno de Pedro Leopoldo.

No dia 8 de outubro de 1958, Aparecida abandonou o emprego para acompanhar doze vítimas de pênfigo foliáceo, o fogo-selvagem. Com os corpos cobertos de bolhas, muitas delas transformadas em crostas, elas receberam alta do hospital sem qualquer perspectiva de cura. A direção considerou o tratamento longo e caro demais. A enfermeira, inconformada, pediu demissão e saiu pelas ruas da cidade em busca de abrigo para as vítimas da doença inexplicável.

Febris, algumas com os pés descalços, elas deixaram um rastro de sangue pelas calçadas e terminaram a via-crúcis sem ter onde ficar. As pessoas apenas olhavam para o grupo e aceleravam os passos, sem conseguir disfarçar o nojo. Aparecida levou as doze pessoas para a própria casa. Na época, a doença era considerada contagiosa. Os vizinhos ficaram apavorados. A família também.

Seu marido e os filhos deram o ultimato:
▬  Ou eles ou nós.

▬  Eles.

Os doentes ficaram na casa quatro dias, até alguém, comovido, alugar um barracão a duas quadras de distância. A temporada no novo endereço durou o mesmo período. Quatro dias depois, a prefeitura cedeu um pavilhão no Asilo São Vicente de Paulo para os enfermos. Eles poderiam ficar ali durante dez dias até conseguirem novo abrigo. Os dez dias se prolongaram por dez anos e, desde a primeira noite, Aparecida passou a morar com as vítimas do fogo-selvagem.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 20:24



Em 1959, o número de doentes já tinha quadruplicado. Um deles estava louco, descontrolado. Aparecida decidiu pedir socorro a Chico Xavier. Foi até a Comunhão Espírita Cristã com um amigo e o doente e, quando lhe apontaram o espírita, levou um susto.

Viu um senhor com a cabeleira branca cortada à la garçon e reconheceu a figura estampada em livros de literatura: era Castro Alves.

Chico ainda colocava no papel um poema assinado pelo morto ilustre, quando Aparecida voltou para casa. O doente estava inquieto demais e não poderia esperar. Na tarde seguinte, Aparecida teve outra surpresa.

Recebeu de um auxiliar de Chico Xavier dois conjuntos de roupas para cada doente: lençóis, fronhas, pijamas, toalhas de rosto e de banho. E ainda ganhou três vestidos e um par de sapatos. Ficou perplexa. Nem havia conversado com o médium.

Na época, cada doente tinha apenas um conjunto de roupas e, após o banho, precisava ficar nu, na cama, enquanto ela lavava e passava as mudas. Sua situação também era precária. Aparecida andava descalça, tinha um único avental. Um detalhe deixou a ex-enfermeira ainda mais impressionada: os sapatos eram de número quarenta, um exagero para mulheres e um absurdo em relação a sua baixa estatura.

▬  Como Chico adivinhou?

Na mesma semana, o vidente voltou à cena, desta vez ao vivo e em cores. Aparecida tentava levantar dinheiro para pagar o óleo de cozinha, tinha gasto doze cruzeiros, quando recebeu a visita de Chico Xavier. Ele apareceu sozinho e lhe entregou um envelope. Dentro dele, estavam trezentos cruzeiros, quantia suficiente para saldar a dívida e ainda reforçar a despensa. Ela ficou perplexa. Não acreditava em espiritismo. O trabalho aumentava a cada ano.

Em 1960, 187 doentes se amontoavam na enfermaria de Aparecida. Em 1961, o número subiu para 363. O pavilhão do São Vicente de Paulo ficou pequeno demais. A enfermeira pôs na cabeça uma idéia fixa: iria construir um hospital. Um conhecido lhe ofereceu um terreno por 300 mil. Aparecida nem pensou duas vezes. Saiu às ruas, com seus doentes, para pedir ajuda. Muita gente se apressava em lavar e desinfetar o chão por onde eles passavam e, mesmo diante deles, esfregavam com álcool as grades tocadas pelas vítimas do fogo-selvagem.

Apesar da resistência geral, Aparecida conseguiu juntar o dinheiro. Comprou o terreno, abriu uma cisterna, cortou árvores e lançou a pedra fundamental. Estava pronta para começar a obra. Nem imaginava, mas tinha caído numa armadilha: comprara os lotes da pessoa errada.

Os proprietários eram outros e estavam dispostos a processá-la por invasão de propriedade alheia. Pior: ela não tinha um documento para provar o pagamento do terreno. Voltou à estaca zero. E pediu socorro a Chico Xavier. Bem relacionado, o espírita a encaminhou a um corretor de imóveis, que negociou a compra com os proprietários de verdade. Tudo sairia por 260 mil cruzeiros.

Mais calma, ela voltou até Chico e comunicou: Vou a São Paulo porque, dizem, lá é só estender a mão que o povo dá. Chico perguntou se ela conhecia a cidade e ouviu a resposta: Só sei que fica para lá. E apontou a direção. Chico lhe deu um cartão endereçado a um radialista.

Aparecida foi à procura dele e tropeçou no dono dos Diários Associados, Assis Chateaubriand. Teve muita sorte. O empresário colocou à sua disposição suas emissoras de rádio. A campanha beneficente arrecadou 720 mil cruzeiros. Aparecida tomou fôlego e avisou a Chico que iria iniciar as obras.

Desta vez, ele foi desanimador: Virá muita tempestade, ainda não é o momento. Aguardemos a hora para iniciar a construção. Aparecida perdeu a paciência. Não iria aguardar hora alguma. Comprou 22 mil tijolos e começou a acumular o material. Na semana seguinte, vizinhos pediram tijolos emprestados. Nunca mais devolveram. A ex-enfermeira se lembrou do conselho de Chico e sossegou.

Em janeiro de 1962, Chico apareceu no hospital com a boa notícia: Você pode pôr os ovos para chocar, que agora vêm os pintinhos. Não espere pelos poderes públicos, São Paulo é que vai ajudar.

Em 1964, Aparecida voltou à capital paulista para pedir donativos. Com doentes ao redor, ela começou a abordar os transeuntes embaixo do Viaduto do Chá. Resultado: foi presa por mendigar em nome de entidade fictícia. Ficou atrás das grades oito dias até provar sua honestidade, com atestados e cartas da Prefeitura, Câmara de Vereadores, juiz e delegado de Uberaba.

Ela levantaria o prédio e seria vítima de acusações constantes. Ganhava dinheiro à custa dos doentes. A cada nova sala, os boatos se multiplicavam. Um dia, Aparecida pensou em parar. Ouviu de Chico, já acostumado com a desconfiança geral, uma contra-ordem firme: Se desistir, vão dizer que roubou o suficiente.

Numa tarde, para estimular a ex-enfermeira, ele cometeu uma rara indiscrição: Revelou a Aparecida a última encarnação dela. Aparecida tinha sido responsável pela morte de muitos "hereges" nas fogueiras da inquisição. Na atual temporada, ela resgatava sua dívida. Os doentes também. As vítimas do fogo-selvagem, tratadas por ela, tinham obedecido às suas ordens e incendiado os corpos.

Aparecida se aproximou do espiritismo. Numa noite, foi a um centro espírita em São Paulo e sentiu vontade de sair de fininho. Ninguém a conhecia, mas o presidente da sessão chamou até a mesa a dirigente do hospital do fogo-selvagem. Queria que ela aplicasse um passe na presidente do centro, vítima de uma paralisia repentina, que a impedia de andar.

Aparecida nem se moveu. Nunca tinha dado passe em ninguém. O sujeito devia estar mal-informado. No fim da sessão, ele repetiu o convite. Era o próprio mentor espiritual do centro quem pedia a ajuda de Aparecida. Ela tomou coragem e se apresentou. Em seguida, subiu três lances de escada para se encontrar com a doente.

Todos se concentraram em torno da cama. Aparecida sentiu algo estranho nas mãos, no corpo, na cabeça. Sentiu medo. Mesmo assim, com suas rezas, realizou um "milagre". A doente se levantou no dia seguinte e se tornou não só amiga de Aparecida como sua companheira em várias campanhas de assistência aos doentes do fogo-selvagem.

A ex-enfermeira mudou. Começou a aplicar passes curadores em seus doentes, com resultados surpreendentes. O Hospital do Pênfigo viraria Lar da Caridade e, além de vítimas do fogo-selvagem, atenderia a "desamparados em geral".

Aparecida se transformou em mais uma devota de Chico Xavier. Baseou seu tratamento em valores fundamentais para o discípulo de Emmanuel - os doentes deveriam trabalhar e estudar, com disciplina, para ter melhoras, e passou a reverenciar o aliado: Quando Chico vem ao hospital é como se Jesus chegasse.

Os mortos estão vivos para ficar mais perto de Deus, multidões começavam a procurar Chico Xavier em Uberaba, uma megalópole se comparada à minúscula Pedro Leopoldo. Em julho de 1961, a Comunhão Espírita Cristã já estava tumultuada. Numa sexta-feira, cerca de quinhentas pessoas esperavam na fila por uma "entrevista espiritual" com o porta-voz dos mortos. Um dos mais ansiosos era o uberabense Augusto César Vanucci, futuro diretor da linha de shows da Tv Globo.

Na época, era apenas mais um homem em crise. Chico entregou-lhe uma xícara de café. Vanucci viu o líquido preto assumir consistência leitosa e embranquecer. Quando bebeu, sentiu um gosto de licor. Foi tiro e queda: ficou novo. Duas décadas depois, comandaria uma campanha para dar a Chico Xavier o Prêmio Nobel da Paz. Os aflitos se agarravam ao ex-matuto de Pedro Leopoldo como se ele fosse a última esperança, a salvação, o milagre.

Uma moça, vinda do Rio, pediu socorro: Ando tão deprimida que sou capaz de me matar. Tinha esperado uma hora para desabafar e ouviu uma única frase como resposta. Chico segurou sua mão, esboçou um sorriso e pediu com a voz quase inaudível: Não faça isso, minha filha. Volte para casa pelo caminho de Deus. A morte não existe.

Foi o suficiente. Muitos visitantes queriam bem mais. Eles chegavam à Comunhão Espírita Cristã com a esperança de receber notícias de seus mortos queridos.

As "mensagens particulares" ainda eram escassas e provocavam comoção quando apareciam pelas mãos de Chico Xavier, repletas de referências a nomes, sobrenomes e apelidos de família, descrições detalhadas sobre as circunstâncias da morte e sobre a vida no outro mundo ao lado de parentes já mortos. Era preciso escrever o nome do "desencarnado" e o próprio nome numa ficha e esperar pela surpresa ou pela decepção no final da noite. De vez em quando, vinha a surpresa.

Em dezembro de 1961, por exemplo, um certo Anélio Gilbertoni, morto três meses antes, mandou um recado para a ex noiva, Marina. Ela estava atormentada. Afinal de contas, tinha aconselhado o noivo a se submeter a uma cirurgia de úlcera e ele morrera na mesa de operação. O morto voltou para pedir calma, paciência, paz:

"▬  Não chore mais, sua dor quase me anula. Ampare-me. Eu também sofro. Não use entorpecentes. Não tente encontrar-me abandonando o corpo terrestre".

Em seguida, tratou de inocentar o médico:

"▬  Rogo a você e a todos os nossos que não culpem o médico. Não houve imperícia. A operação cirúrgica era simples, mas deveria terminar como terminou".

O texto, como muitos outros, acabava com um estímulo à caridade:

"▬  Trabalhe, Marina. Há quem sofra muito mais que nós mesmos. Repare nos abandonados e nos infelizes".



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 20:47


A partir de cartas como esta, muita gente passaria a se dedicar à caridade. Era preciso atender aos pedidos póstumos. Às vezes, para merecer a bênção de receber uma notícia do além, os candidatos ao "correio espiritual" ajudavam os pobres e doentes. Chico Xavier comandava, assim, uma cadeia de solidariedade movida pela esperança de diálogo entre vivos e mortos.

Nem tudo era luto e tragédia na Comunhão.

Aos 51 anos, o ex-matuto de Pedro Leopoldo assumia, com desenvoltura, o papel de conselheiro e atendia também a casos triviais. Com paciência desmedida, opinava sobre assuntos inesperados. Amparado pelos benfeitores espirituais, tirava dúvidas até sobre finanças. "Não carregues o teu tesouro numa só nau", responderia ao amigo interessado em saber como aplicar o dinheiro da indenização.

Já naquela época, o segredo era diversificar os investimentos. Chico também apelaria para um provérbio para aconselhar um visitante às voltas com problemas na empresa onde trabalhava.

Queria saber se deveria pedir demissão e ouviu a frase feita: Em tempo de tempestade a ave não muda de ninho.  Um outro senhor se aproximou. Tinha tudo: dinheiro, saúde, família. Mas era triste. Vivia num vazio permanente.

Chico matou a charada: "Falta ao senhor a alegria dos outros".

Numa das noitadas, duas senhoras, cobertas de linho e de jóias, enfrentaram a longa fila e, aos prantos, iniciaram o desabafo: Sentimos tanto a falta dele. A casa está tão vazia... Soluçavam, as lágrimas corriam. A solidão era insuportável. 

Os auxiliares mais próximos a Chico ficaram perplexos quando entenderam o motivo de tanto sofrimento: a morte de um cão. Tanta gente desesperada com a perda de filhos ou torturada por doenças incuráveis e dolorosas, e aquelas duas ali chorando por um cachorro.

Chico fez questão de dar a maior atenção ao caso: Quando os nossos animais domésticos morrem, é comum eles ficarem em nossas casas. Eles são como nós: possuem almas. Os espíritos que cuidam da natureza costumam deixá-los por algum tempo com o dono até que possam renascer.

Dois jovens fazendeiros pegaram Chico de surpresa. Estavam apavorados com a quantidade de cascavéis em suas terras. O pai deles já tinha sido atacado sete vezes e a última picada quase foi fatal. Muitos cavalos morreram.

Chico prestou atenção ao drama e pigarreou antes de revelar sua receita para espantar cobras:  Coloquem nitrato de prata, aos montinhos, nos lugares onde elas costumam aparecer. Isto às vezes dá resultado.

Mas se não adiantar... O dublê de pajé se aprumou na cadeira, abriu um sorriso e recomendou: Procurem um benzedor. Levem-no à fazenda. Se ele cobrar, paguem. Quando fizer as orações, as cobras vão embora.

Dessa vez, quem se surpreendeu foi a dupla caipira.
▬  Aquilo funcionaria mesmo?

Chico tentou explicar: o benzedor seria um médium de materialização e os espíritos que cuidavam da natureza utilizariam seus fluidos para afastar as cobras dali...

Os fazendeiros deram o bote.
▬  E se o benzedor fosse Chico Xavier?

Ele saiu de fininho:
▬  Se o Chico Xavier for lá, não vai adiantar nada. Elas não irão embora. Minha tarefa é com os livros.

Chico Xavier e Waldo Vieira saíam das sessões públicas e, ao chegarem em casa, costumavam datilografar os textos ditados pelos "benfeitores espirituais". Tinham muito trabalho pela frente: ainda estavam longe do centésimo livro.

Numa dessas jornadas noturnas, um besouro caiu sobre a máquina do companheiro de Chico. Waldo atirou o inseto com força na parede. O bicho voou e tornou a cair sobre sua mesa. Waldo arremessou o recalcitrante com violência contra o chão.  Mais uma vez, ele levantou vôo.

Dessa vez, aterrissou no lugar certo: a mesa de Chico. Com cuidado, o companheiro de Waldo pegou o inseto, abriu a janela e o soltou lá fora enquanto comentava: Besouro, se você não conseguiu desencarnar através de Waldo, é porque você é como eu: tem uma missão a cumprir no mundo. Vá com Deus.

Waldo olhava torto para o sentimentalismo de Chico e evitou fazer comentários quando soube como o parceiro tinha cuidado das formigas em seu quintal. 

À noite, o batalhão avançava sobre a horta e devorava verduras e legumes plantados para as sopas dos pobres. Os amigos já tinham providenciado o veneno quando Chico tentou um último recurso: dois dedos de prosa.

Ele se debruçou sobre o formigueiro e começou a conversar: Vocês precisam ser mais piedosas, mais humanas. Estão faltando com a caridade ao seu semelhante. Estão tirando o alimento de quem precisa, e não há justificativa para tal procedimento.

Usou todos os argumentos possíveis e até se deu ao trabalho de sugerir um caminho para as adversárias.

Ao lado desta modesta horta (e apontou) tem um enorme terreno todo plantado das mais variadas gramíneas, uma grande mata que a natureza colocou à disposição de todos. Mudem-se e nos deixem em paz. Caso contrário, se isso não ocorrer dentro de três dias, tomarei enérgicas providências. No dia seguinte, sobrou apenas uma formiga, a "subversiva", segundo Chico.

Com paciência e um arsenal de "causos", apólogos e conselhos do além, Chico se tornava a cada dia mais persuasivo. Aprendia com a sucessão de histórias trágicas e cômicas que desfilavam diante de seus olhos e passava as lições adiante. Era um bom aluno e, portanto, um bom professor.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 20:51


O médico Elias Barbosa teve aulas de psicologia com o mestre Chico. Recém-formado em 1958, ele fundiu medicina, psicanálise e espiritismo em seu consultório e em 24 anos de serviços gratuitos prestados no sanatório espírita aos "irmãos com sofrimento mental", segundo um dos eufemismos de Chico, Freud, estetoscópio e soro fisiológico conviviam com passes, rezas e águas fluidificadas em terapias pouco ortodoxas.

Pais desesperados com filhos à beira do suicídio entravam no consultório do médico dublê de psiquiatra e de lá saíam com muito mais do que teorias sobre o complexo de Édipo e Electra, elucubrações sobre a inveja do pênis ou receitas de antidepressivos.

Elias Barbosa ia além: Se você quer evitar o suicídio de seu filho, vá para a cadeia e ajude os presos. Escreva cartas para eles, dê cobertores aos detentos, vire pai e mãe deles. Muitos não entendiam nada.

De acordo com a lógica do guru Chico Xavier, os presos quase sempre eram acompanhados pelos espíritos das mães mortas. E elas retribuíam toda a ajuda dada a seus filhos pedindo aos benfeitores espirituais atenção a quem os auxiliasse. 

No Dia das Mães, a cada ano, Chico reunia um grupo de amigos e visitava os presos. Distribuía sorrisos, cumprimentos, algum dinheiro e ia embora. Nunca lia o Evangelho, como fazia em peregrinações pelos bairros pobres antes de doar os alimentos. "Não poderia me aproveitar do fato de eles estarem atrás das grades para dar sermão".

Numa tarde, o Dr. Elias Barbosa conheceu um pouco da "terapia de casais" defendida por Chico Xavier. Ele almoçou com o médium e seu companheiro Waldo num restaurante em São Paulo e, ao pedir a conta, teve uma surpresa. Uma mulher, na mesa ao lado, já tinha pago a despesa. Ao lado do marido, ela se aproximou com um buquê e o entregou a Chico, comovida.

Mais tarde, ele explicou: Aquela senhora tinha chegado atônita à Comunhão Espírita. Estava em crise com o marido, disposta a se separar. Chico se limitou a aconselhar: Trate seu marido como um filho. Deu certo. Édipo venceu, O casamento também.

Em 1962, Chico Xavier já mobilizava milhões de espíritas e católicos no Brasil. Para formar livros e leitores, o escrevente aposentado se impunha um ritmo estressante. Acordava todos os dias às seis horas e, antes mesmo de tomar café, regava a horta. Às sextas e sábados, dias de sessões públicas, deixava o sono de lado para cumprir uma programação quase insuportável.

Chico costumava chegar ao centro meia hora antes da abertura dos portões, marcada para as 20h. Quando a fila começava a andar, ele já estava sentado à cabeceira da mesa folheando o Evangelho Segundo o Espiritismo ou o Livro dos Espíritos à procura de um bom trecho para ser lido e comentado naquela noite.

Após escolher os oradores entre os companheiros espíritas, ele se refugiava num pequeno quarto destinado ao receituário. Os comentaristas se dedicavam a discursos quase intermináveis sobre a importância da paciência, do perdão e da caridade, e Chico passava para o papel as dicas do Dr. Bezerra.

Muitas vezes, atendia a trezentas pessoas por noite. Por volta das 21h as receitas começavam a sair por uma abertura na porta do cômodo onde ele trabalhava. Em noites de casa cheia, Chico ficava até meia-noite confinado.

Quando voltava para a mesa, os espectadores só faltavam aplaudir, não só por sua presença, mas pelo fim dos comentários evangélicos. A presidente do centro pedia silêncio, meditação, prece. Chico fechava os olhos, segurava o lápis e as frases se espalhavam pelo papel. Waldo em geral o acompanhava no dueto do além. Às vezes, quando um parava, o outro começava, e os dois produziam textos complementares assinados pelo mesmo "autor".

O espetáculo atingia o clímax quando Chico preenchia as páginas em branco com as esperadas "mensagens particulares". Nessas longas noites mais produtivas o ritual costumava se prolongar até as 3h.

Era a hora de a multidão se aglomerar em volta de Chico. Risonho, de pé, com uma paciência indestrutível, ele atendia a centenas de pessoas, autografava livros, contava casos, ouvia histórias, ria, orientava. Era rara a noite em que não precisava recorrer à velha frase: O telefone só toca de lá pra cá.

Mães levavam os filhos para ele tocar, outras se limitavam a chorar em silêncio, alguns desmaiavam. As cenas de idolatria se seguiam madrugada adentro.

Um dos visitantes mais assíduos era um rapaz chamado Jorge. Sempre descalço, enfiado em roupas remendadas e fedorentas, ele vinha da favela e, ao ver Chico Xavier, abria um sorriso dolorido.

Carregava no lábio inferior uma ferida crônica, que se abria e sangrava a cada riso. Era sempre assim. Além do machucado, sua boca trazia dentes apodrecidos. O hálito beirava o insuportável. Quase todos no centro, e em todo canto, fugiam dele.

Chico o recebia com um abraço demorado e a pergunta de praxe:
▬  Jorge, como vai a vida?
▬  Ah, tio Chico, a vida é uma beleza.

A conversa às vezes se estendia por cinco, dez, quinze minutos. A fila parava, gente suspirava, os mais impacientes olhavam para os lados, se coçavam, bufavam, rezavam. Jorge falava da briga dos gatos, da goteira sobre a cama, do ninho no telhado. Só calava após muita falação.

Quando todos já saboreavam o fim do suplício, Chico anunciava:
▬  Agora, o nosso Jorge vai declamar alguns versos.
Ele recitava algumas rimas e Chico cobrava, então, o grand finale:
▬  Na nossa despedida, declame o poema de que mais gosto.
▬  Qual, tio Chico?
▬  Aquele da moça.

Jorge tomava fôlego, olhava para os lados para conferir a atenção do público, e enchia a boca:

"Menina, penteia o cabelo,
joga as tranças pra cacunda.
Queira Deus que não te leve
de domingo pra segunda"

O riso era geral. A sensação de alívio estimulava o senso de humor. Jorge se aproximava de Chico, recebia dele alguns cruzeiros e os guardava na capanga. Em seguida, se jogava sobre o anfitrião, dizia as últimas palavras a um palmo de seu nariz, beijava sua mão. Chico retribuía.

Não só beijava a mão de Jorge como sapecava um beijo em seu rosto. Para encerrar, o rapaz deixava nas bochechas de Chico as manchas de sangue de seu lábio. Os amigos ficavam impressionados. Nunca, em vários anos, Chico esboçou um recuo instintivo. Nunca levou o lenço ao rosto após a saída de Jorge.

A romaria só terminava por volta das 4h, quando Chico convidava os mais resistentes a tomar chá e café, acompanhados de pão e rosca, na cozinha. Era a hora da conversa descontraída. Muitas e muitas vezes, já eram 5h, quando o anfitrião se despedia dos últimos visitantes.

MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 21:01


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 21:11


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2011, 21:19


Presença de Chico Xavier


(http://sl.glitter-graphics.net/pub/1052/1052312k0wvua6l3j.gif)


Jovens

No estudo das idéias inatas, pensemos nos jovens, que somam às tendências do passado as experiências recém-adquiridas.

Com exceção daqueles que renasceram submetidos à observação da patologia mental, todos vieram da estação infantil para o desempenho de nobre destino.

Entretanto, quantas ansiedades e quantas flagelações quase todos padecem, antes de se firmarem no porto seguro do dever a cumprir!...


(http://sl.glitter-graphics.net/pub/726/726637vmjq6sbxey.gif)

Ao mapa de orientação respeitável que trazem das Esferas Superiores, a transparecer-lhes do sentimento, na forma de entusiasmos e sonhos juvenis, misturam-se as deformações da realidade terrestre que neles espera a redenção do futuro.

Muitos saem da meninice moralmente mutilados pelas mãos mercenárias a que foram confiados no berço, e outros tantos acordam no labirinto dos exemplos lamentáveis, partidos daqueles mesmos de quem contavam colher as diretrizes do aprimoramento interior.

Muitos são arremessados aos problemas da orfandade, quando mais necessitavam de apoio amigo, junto de outros que transitam na Terra, à feição das aves de ninho desfeito, largados, sem rumo, à tempestade das paixões subalternas.

Alguns deles, revoltados contra o lodo que se lhes atira à esperança, descem aos mais sombrios volutabros do crime, enquanto outros muitos, fatigados de miséria, se refugiam em prostíbulos dourados para morrerem na condição de náufragos da noite.


(http://sl.glitter-graphics.net/pub/726/726637vmjq6sbxey.gif)

Pede-se-lhes o porvir, e arruína-se-lhes o presente.

Enrinalda-se-lhes a forma, e perverte-se-lhes a consciência.

Ensina-se-lhes o verbo aprimorado em lavor acadêmico, e dá-se-lhes na intimidade a palavra degradada em baixo calão.

Ergue-se-lhes o ideal à beleza da virtude, e zomba-se deles toda vez que não se revelem por tipos acabados de animalidade inferior.

Fala-se-lhes de glorificação do caráter, e afoga-se-lhes a alma no delírio do álcool ou na frustração dos entorpecentes.

Administra-se-lhes abandono, e critica-se-lhes a conduta.


(http://sl.glitter-graphics.net/pub/726/726637vmjq6sbxey.gif)

Não condenes a mocidade, sempre que a vejas dementada ou inconseqüente.

Cada menino e moço no mundo é um plano da Sabedoria Divina para serviço à Humanidade, e todo menino e moço transviado é um plano da Sabedoria Divina que a Humanidade corrompeu ou deslustrou.

Recebamos os jovens de qualquer procedência por nossos próprios filhos, estimulando neles o amor ao trabalho e a inciativa da educação.

Diante de todos os que começam a luta, a senha será sempre - "velar e compreender" -, a fim de que saibamos semear e construir, porque, em todos os tempos, onde a juventude é desamparada, a vida perece.


(http://sl.glitter-graphics.net/pub/1052/1052312k0wvua6l3j.gif)


Pelo Espírito Emmanuel


Fonte: Francisco C. Xavier, Religião dos Espíritos.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 22 de Janeiro de 2011, 12:01
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 22 de Janeiro de 2011, 12:22
(http://www.recado-virtual.com/recados/espirita/00013.gif)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 23 de Janeiro de 2011, 01:15
(http://1.bp.blogspot.com/_WtLKqFC3tOo/TN9tX05QzBI/AAAAAAAADtY/23l4vptHenU/s400/no-caminho-dos-trilhos-097c8.jpg)


Escola Bendita


Quem vê a terra de longe
Nota que o orbe no espaço
Recorda um comboio de aço
Varando os céus na amplidão;
Em trilhos de mar e terra,
Conquanto em linha disforme,
Formando o comboio enorme
Cada cidade é um vagão.

Contemplo esse trem-escola,
Conduzindo várias classes,
Em salões de muitas faces,
Cada pessoa é aprendiz;

Todo viajor nessa nave,
Em nome da luz Divina,
Luta, sofre e raciocina,
Aprendendo a ser feliz.

Cada qual em seu refúgio,
Seja palácio ou choupana,
Recebe da escola humana
As lições do eterno bem;
Cada aluno está restrito
Ao progresso em que se marca,
Até que, enfim, desembarca
Nas plataformas do além.

Alma querida, prossegue
No educandário sublime,
Que nada te desanime
Nos dias de prova e dor...
Quem conquista as notas altas
Quem mais se alteia e merece
É quem mais serve e se esquece
Na sementeira do amor.


Do livro A Vida Conta, de Francisco Cândido Xavier, por Maria Dolores.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 25 de Janeiro de 2011, 02:01
(http://3.bp.blogspot.com/_l3CD_qv7XMk/TAr5GtsgMII/AAAAAAAAAV0/F2xOI4PmHoI/s320/TRES_ANJOS80por_cento.JPG)


Ajuda e Passa.



“ Estende a mão fraterna ao que ri e ao que chora:

O palácio e a choupana, o ninho e a sepultura,
Tudo o que vibra espera a luz que resplendora,
Na eterna lei de amor que consagra a criatura.

Planta a bênção da paz, como raios de aurora,
Nas trevas do ladrão, na dor da alma perjura;
Irradia o perdão e atende, mundo afora,
Onde clame a revolta e onde exista a amargura.

Agora, hoje e amanhã, compreende, ajuda e passa;
Esclarece a alegria e consola a desgraça,
Guarda o anseio do bem que é lume peregrino...

Não troques mal por mal, foge à sombra e à vingança,
Não te aflija a miséria, arrima-te à esperança.
Seja a bênção de amor a luz do teu destino. ”


Alberto de Oliveira / Chico Xavier/Parnaso do Além Túmulo
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: casquinha em 25 de Janeiro de 2011, 02:43
[link=http://www.poemasparaorkut.com](http://www.recadodeorkut.com/458/055.gif)
[/link]

Mais recados? http://www.poemasparaorkut.com
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 25 de Janeiro de 2011, 15:52
(http://www.recadodeorkut.com/120/126.gif)
[/img]
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 25 de Janeiro de 2011, 23:08
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 26 de Janeiro de 2011, 02:57
(http://4.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gdewbWr_I/AAAAAAAANyE/dFeGtreYbGg/s320/Slide1+(Small).JPG)

(http://4.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gdb4QuNII/AAAAAAAANx8/sGWYyRPHraU/s320/Slide2+(Small).JPG)

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(http://1.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gdWIQuvjI/AAAAAAAANxs/zEDkWJtX2PM/s320/Slide4+(Small).JPG)

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(http://4.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gdGhprGeI/AAAAAAAANxE/WrFqMxCNYO4/s320/Slide9+(Small).JPG)

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(http://2.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gc-viVyGI/AAAAAAAANw0/yiMAWjPuY6o/s320/Slide11+(Small).JPG)

(http://4.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gc7bbEOMI/AAAAAAAANws/Jn2yXeUlBz4/s320/Slide12+(Small).JPG)

(http://3.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gc4vhuyuI/AAAAAAAANwk/N3U9GrBvwvM/s320/Slide13+(Small).JPG)

(http://3.bp.blogspot.com/_gY8Co6j-S9Y/S_gc1uh2KlI/AAAAAAAANwc/asV9-prSr-o/s320/Slide14+(Small).JPG)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 26 de Janeiro de 2011, 09:57
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 26 de Janeiro de 2011, 10:03
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:28


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:31
Era a hora da conversa descontraída. Muitas e muitas vezes, já eram 5h, quando o anfitrião se despedia dos últimos visitantes.

Cont.


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AS VIDAS DE CHICO

Em janeiro de 1963, Chico Xavier colocou o lápis no papel e as páginas em branco se encheram de rimas assinadas por um de seus compositores preferidos, o sambista Noel Rosa. Eram sambas de exaltação ao Rio e a Deus.

O samba não é pecado
se nasce do coração
Jesus nasceu festejado
no meio de uma canção.

Meu Rio belo e risonho,
canto ainda a serenata
em tuas praias de sonhos
em tuas noites de prata

Atraídos por surpresas como essa, os visitantes engrossavam a fila em frente à Comunhão Espírita Cristã. A confusão se alastrava pelo chão de terra da rua Eurípedes Barsanulfo. Centenas de carros de todos os estados procuravam uma boa vaga entre os postes de madeira e as cercas de arame farpado. Os guardas apitavam e o choro e os gritos das crianças se misturavam aos resmungos e gemidos de velhos e doentes e ao coro dos vendedores de balas, pipocas, picolé. As ruas em volta do centro ficavam estreitas para tanta gente as sextas e sábados. O centro acompanhava o movimento e crescia. O galpão já podia abrigar entre oitocentas e mil pessoas.

Na noite de 28 de junho de 1963, Chico deixou mais uma mãe exultante. A felizarda foi Júlia Gomes de Oliveira, paulista de Barretos. Um texto assinado por seu filho, Wilson de Oliveira, caiu do céu. O morto mandava notícias um mês após ter se afogado numa represa. Júlia sofria a dor da perda e da culpa. Foi ela quem convidou o filho para o passeio. A carta do além tirava os dois pesos dos ombros da mãe e terminava com uma assinatura quase idêntica à exibida na carteira de identidade do morto. Júlia, comovida, exibiu o documento e a mensagem a quem quisesse ver e comparar.

Na semana seguinte, começou a atender um pedido vindo do outro mundo: Ampare as crianças sofredoras. O contato com a multidão era quebrado pela solidão de levar ao papel mais poemas do além. Desta vez, os versos não renderiam uma edição reforçada do Parnaso de Além-Túmulo. O dueto com Waldo Vieira iria gerar a Antologia dos Imortais. Ainda faltavam 27 livros para chegar ao título número cem.

Chico assinava os capítulos ímpares, Waldo, os pares. Os poemas eram evangelicamente corretos. Quase todos os poetas "representados" se dedicavam a confirmar a vida depois da morte, a criar rimas em torno da reencarnação e a divulgar, assim, o espiritismo.

Entre os autores, apareceu Zeferino Brasil, aquele jornalista gaúcho que defendeu a autenticidade dos poemas escritos por Chico em seu livro de estréia. Augusto dos Anjos também deu o ar de sua graça.

Nem parecia ter se incomodado com as censuras espirituais na sexta edição do Parnaso de Além-Túmulo. Fiel à cartilha espírita, ele descreveu seu retorno a Terra, mas não resistiu a criticar o caos deste mundo, a exalação de todos os detritos e os túmulos de esterco.

Em "Morte Húmida", ele narrava a agonia de um doente vítima de úlcera:
A morte chega brusca, horrenda e terna corre na goela hirta fino gume. E, quando tudo parecia perdido, concluía feliz, espírita. A alma ditosa nasceu noutro nível. É o parto novo... E a vida imperecível, desabrocha qual lírio sobre o estrume.

Em fevereiro de 1964, 5 vésperas do golpe militar, Chico não resistiu e, seduzido pelas materializações promovidas pela médium Otília Diogo, de Campinas, se animou a exibir os poderes dela a um repórter e a um fotógrafo da revista O Cruzeiro. Tomou a decisão após participar de uma sessão privativa comandada pela moça.

Naquele primeiro show para Chico Xavier, ela ficou amarrada a uma cadeira, cercada por grades. De repente, luzes pipocaram pela sala escura e um cheiro forte de perfume se espalhou pela casa. Otília gemia enquanto o ectoplasma se desprendia de seu corpo e ganhava a forma de uma criança que, fora das grades, cantava.

Chico assinou embaixo: os fenômenos eram autênticos. Otília Diogo dava mesmo vida a outras criaturas. Uma das aparições mais assíduas era de uma freira, a "irmã Josefa". Mas, diante dos jornalistas, Otília foi uma decepção. A figura que apareceu, "saída" de seu corpo, era a sua cara. Os repórteres exibiram fotos de Chico de braços dados com a visitante do além, a "irmã Josefa", e destacaram a semelhança entre "espírito" e médium. Chico calou-se sobre o assunto.

Só seis anos depois, ele analisou a noite decepcionante. Oito repórteres e não dois, como combinado, apareceram para tentar comprovar fraudes. O clima ficou carregado na sala e a médium só conseguiu materializar o próprio "perispírito" (espécie de corpo fluídico do espírito, sempre parecido com o corpo físico) e as roupas de freira.

Quando ele falou, já era tarde. Otília Diogo tinha sido presa com uma maleta recheada de roupas utilizadas em "materializações". O hábito de irmã Josefa também estava lá. A transformista confessou até mesmo ter pago uma cirurgia plástica facial com exibições "espíritas" na casa do cirurgião. Atrás das grades, desta vez numa delegacia, ela explicou ter perdido a mediunidade em 1965, um ano após as sessões em Uberaba. Não se conformou e decidiu apelar para truques.

Chico Xavier, em entrevista à revista O Cruzeiro, voltou a definir todo médium como "uma criatura humana, com defeitos, qualidades e anseios humanos". Para ele, havia os espíritas capazes de superar as vaidades e viver para o outro e havia, também, aqueles que não suportavam os baques "reservados por Deus como provação". Otília era do segundo time.

Em junho de 1964, Chico, com o aval de Emmanuel e com o apoio de Waldo Vieira, decidiu ceder à Comunhão Espírita Cristã os direitos de livros escritos por ele e seu parceiro. Pela primeira vez, ele seria beneficiado, embora indiretamente. O centro, cada vez maior, contraía dívidas e já não podia contar apenas com a ajuda esporádica e voluntária de amigos ricos e de gente grata a Chico Xavier.

O prédio crescia a cada ano. O barraco de cinco anos antes já era acompanhado por galpão, sala de refeições, livraria, depósito. Um afilhado de Chico, Hermínio Cassemiro, filho de José Felizardo Sobrinho, de Pedro Leopoldo, visitou o prédio e ficou impressionado com a quantidade de cobertores, remédios e alimentos acumulados.

Chico garantiu ao conterrâneo. Uberaba tem mais campo para mim. Na despedida, parou diante de algumas flores e afirmou: O sonho de sua mãe, Júlia, era ter na janela do quarto um canteiro para plantar as damas-da-noite. Eu plantei as flores aqui e ela me visita toda noite. Escurecia. Hermínio voltou para casa com uma das flores no bolso.

Os generais tomavam conta do país e Chico Xavier, com a ajuda do jovem Waldo Vieira, promovia mais uma distribuição de Natal. No dia 13 de janeiro de 1965, uma fila de 11.765 pessoas se estendeu diante da Comunhão Espírita para buscar sacolas com roupas e alimentos. Com a ajuda de seus amigos de São Paulo e de outros estados, conseguiram arrecadar 8.337 peças de roupas, 993 pares de sapatos, 311 enxovais infantis, 1.926 brinquedos, 4.320 lápis, 500 livros, 335 sacas de arroz, 218 quilos de balas, 11.815 sanduíches.

Eram raros os que agradeciam ao receber as doações. Alguns assistentes de Chico, de vez em quando, citavam um bilhete que teria sido enviado por são Vicente de Paulo aos auxiliares nas campanhas de atendimento aos pobres: Muita tolerância com os hóspedes de Jesus, pois eles são impacientes e exigentes.

Entre os "hóspedes de Jesus" não estavam apenas os pobres. Comerciantes, acompanhados de amigos e parentes, também enfrentavam o calor para buscar os donativos, enfiá-los em Kombis e transformá-los em lucro. Um amigo de Chico denunciou a presença constante na fila de uma mulher rica, conhecida na cidade. Todo fim de ano, ela fazia questão de levar sacolas para casa. Era um roubo. Havia gente passando fome em todo canto e ela tirava comida da boca de quem precisava.

Chico escapou da polêmica mais uma vez: Que humildade a desta senhora! Enfrenta uma fila com sol ou chuva e, pacientemente, aguarda sua vez para pegar mantimentos. As distribuições anuais às vezes terminavam em briga e sempre provocavam confusão. Pobres de cidades vizinhas chegavam a Uberaba e ficavam por ali mesmo.

Afinal de contas, os centros espíritas também distribuíam sopa todo dia ou toda semana e ainda providenciavam atendimento médico e dentário gratuitos. Chico nem respondia a quem o acusava de atrair miseráveis à cidade. Fazia caridade a qualquer preço.

Os adversários reclamavam e Chico estudava, de acordo com orientação ouvida de Emmanuel, estatísticas sobre suicídios publicadas pelas Nações Unidas no Demographic Year-Book, em 1964. A Áustria liderava o número de suicidas (1.598 em 1962) e era seguida pela Alemanha, Suíça, Japão, França, Bélgica, Inglaterra, Estados Unidos, Polônia e Portugal. Nenhum país subdesenvolvido entrava na lista. Conclusão: o suicídio teria ligações com o vazio provocado pelo materialismo. Ou seja: faltava espiritualidade naqueles países.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:33


Chico e Waldo começaram a arrumar as malas para viajar ao exterior. Em maio de 1965, os dois embarcaram para os Estados Unidos. Já era hora de levar o espiritismo segundo Kardec aos americanos. Acompanhados por dois amigos, Maria Aparecida Pimental e Irineu Alves, eles chegaram a Washington na tarde de 22 de maio, um sábado.

No dia seguinte, visitaram um templo espírita na cidade para agradecer ao plano espiritual pela chance da viagem. Sem aviso prévio, foram até o The Church of Two Worlds (A Igreja dos Dois Mundos), dirigido pelo médium Gordon Burroughs. Eram 5h. Eles se sentaram no último banco e ficaram em silêncio, acompanhando as preces, cânticos e comentários sobre a doutrina. Ninguém os conhecia ali.

No final da reunião, uma senhora indicou os quatro "irmãos de outro país" ali presentes e falou sobre a tarefa deles nos Estados Unidos: levar a renovação espiritual e estimular a aproximação fraterna.

Logo depois, em transe, anunciou a presença dos espíritos de um teacher e um doctor junto aos visitantes brasileiros. Chico e Waldo já tinham percebido a companhia de Emmanuel e de André Luiz.

Em julho, Waldo Vieira colocou no papel um texto com a assinatura do doctor. "Pontos fundamentais para o espírita em viagem". Era uma cartilha para kardecistas que viajassem para o exterior pela primeira vez. Os conselhos, assinados por André Luiz, pareciam ter sido escritos por Chico Xavier.

Para início de conversa, a palavra estrangeiro deveria ser riscada do dicionário: "Os filhos de outros povos devem ser tratados como verdadeiros irmãos". Era preciso fugir da exibição pessoal, guardar discrição e simplicidade, evitar críticas e discussões, anedotas e aforismos de mau gosto, além de comparações pejorativas capazes de humilhar os anfitriões. Para ser mais útil, cada um deveria estudar a língua e os costumes do país visitado.

O quarteto tinha muito trabalho a fazer. Allan Kardec era um ilustre desconhecido nos Estados Unidos, mesmo entre os espíritas. Eles cultuavam a reencarnação, acreditavam em fenômenos como a materialização, mas ainda eram leigos em relação ao Evangelho ditado pelo francês no século passado.

Chico e Waldo se dedicaram, então, à segunda parte do plano: fundar um centro kardecista. Já tinham até um contato em Washington: Salim Salomão Haddad e sua mulher Phillis. O casal tinha conhecido Chico Xavier ainda em Pedro Leopoldo, em 1956.

Chico elegeu o turco Salim, que conhecia sete línguas, presidente do centro, batizado de Christian Spirit Center (Centro Espírita Cristão). A sede funcionaria na casa dos dois. Durante três semanas, o brasileiro ficou hospedado ali. Como sempre, trabalhou e estudou compulsivamente. De manhã, recebia aulas de inglês da filha mais velha do casal, à tarde, era a vez de Phillis assumir o papel de professora e à noite o marido virava mestre.

Chico aprendeu em 15 dias o que poucos conseguiriam aprender em um ano. O aluno era um fenômeno, mas não tinha, segundo os professores, know-how suficiente para escrever os textos que, em poucos minutos, ele colocou no papel, com a assinatura de um certo Ernest O'Brien. As palavras em inglês saíam de sua mão em velocidade absurda até mesmo para os americanos e deixavam Mrs. Phillis boquiaberta.

Um dos artigos, intitulado "Family", começava com uma descrição das primeiras impressões logo após a morte:  Trernendous surprise takes place in our mmd at the rnornent of death. Contrary of our own former opinions we are alive. The body carne back to the inorganic Kingdon as subject of universal change and we recognize that death is a rebirth.

(Tremenda surpresa ocorre em nossa mente no momento da morte. A despeito de nossas próprias opiniões anteriores, continuamos vivos, O corpo retorna ao reino inorgânico, sujeito que está à mutação universal, enquanto reconhecemos que a morte é um renascimento)

Waldo Vieira não ficava atrás e também apresentava textos assinados por O'Brien:
On what basis shall we localize the problem of death? Of course, there is no death. Life itself dernands death as a rebirth (Em que base devemos colocar o problema da morte? Naturalmente, a morte não existe. A própria vida exige a morte como um renascimento)

O suicídio seria pura perda de tempo. A vida era inevitável. Entre uma aula e uma "mensagem", Chico Xavier escrevia livros e, de vez em quando, saía para passear com os anfitriões pela cidade. Mrs. Phillis guardou duas frases de Chico durante a estada: Um tanto mais de paciência todos os dias. A gente precisa perdoar setenta vezes sete diariamente.

Depois de Washington, Nova York. Ali, Chico se encontrou com o médico Eurípedes Tahan, o parceiro de Maria Olina na Casa Espírita de Sheilla. Tahan fazia pós-graduação em pesquisa de transplante de fígado e, estimulado por Chico, matriculou-se com ele em um curso noturno de inglês. Durante três semanas, o mineiro de Pedro Leopoldo participou das aulas. A professora ficou impressionada com sua facilidade para o idioma.

No fim de uma das aulas, um rapaz da Nicarágua se aproximou de Chico e Eurípedes e desabafou, sem mais nem menos: enfrentava problemas com a mulher e precisava de ajuda. Chico resolveu visitá-lo naquela noite mesmo. O médico o acompanhou e estranhou seu comportamento na casa do nicaragüense.

Mal chegou e começou a conversar com a mulher dele em espanhol fluente. O bate-papo demorou quarenta minutos. Chico parecia outra pessoa. Quando saíram, explicou: "Era a avó daquela senhora. Eu a estava ajudando, dando conselhos..."

Chico e Waldo saíram dos Estados Unidos e aterrissaram na França. Chico, é claro, fez questão de visitar o túmulo de Allan Kardec, no cemitério Père Lachaise. Rezou e chorou. Antes de voltarem ao Brasil, passaram por Lisboa, onde deixaram textos escritos em bom português.

Num deles, assinado por Emmanuel, vinha a convocação: Atendamos à caridade que suprime a penúria do corpo, mas não menosprezemos o socorro às necessidades da alma. Divulguemos a luz da Doutrina Espírita. Auxiliemos o próximo a discernir e pensar.

Chico repetia palavras de Cristo: Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres.

Emmanuel completava com mão de ferro: Os mortos estão vivos. Livres para sermos felizes em nossas obrigações e para sermos mais responsáveis perante Deus. Nessa primeira viagem, Chico e Waldo lançaram sementes kardecistas no exterior.

No ano seguinte, eles voltaram aos Estados Unidos para fiscalizar a plantação. Antes de partir, em abril, Chico pediu a retificação de seu nome. Estava cansado de usar, em documentos oficiais, o Francisco de Paula Cândido.

O juiz Fábio Teixeira Rodrigues Chaves autorizou. E a certidão de nascimento dele, em Pedro Leopoldo, mereceu um reparo na margem direita ao lado do registro original: onde está o nascimento de Francisco de Paula Cândido, fique constando Francisco Cândido Xavier.

Com seu "nome artístico" reconhecido, ele viajou disposto a dar um passo importante: o lançamento da versão em inglês do livro Ideal Espírita. Para atrair mais leitores, o título se transformou em The World of The Spirits e chegou às lojas com o selo da respeitada Philosophycal Library. Chico ficou eufórico. A viagem era um sucesso.

Mrs. Phillis Haddad contribuiu para o otimismo do espírita. Inspirada, ela deu provas de estar em sintonia com o outro mundo e tocou num dos pontos mais sensíveis de Chico: colocou no papel recados assinados por uma certa Maria João de Deus.

Aos espíritas já irritados com a badalação da dupla no exterior, a FEB apresentou, em sua revista O Reformador, um artigo assinado por Salim Salomão intitulado: "Por que Estados Unidos". Era quase um pedido de desculpas pelo sumiço dos dois.

Os guias espirituais dos infatigáveis médiuns apontaram-lhes a necessidade de aprendizado da língua inglesa a fim de que as recepções de mensagens nesse idioma se tornem menos difíceis e mais rápidas.

Daí também a necessidade de suas ausências do Brasil e do seu treinamento intensivo em estudos do inglês, o que vêm fazendo com admirável progresso, pontualidade e dedicação. A viagem renderia. Livros como Agenda Cristã e Nosso Lar seriam vertidos para o inglês, japonês e tcheco. O kardecismo começaria a engatinhar nos Estados Unidos.

Um Centro de Sheilla seria inaugurado em Miami, ao lado de outros dois centros. Nova York sediaria três casas espíritas, a Califórnia ficaria com duas e Filadélfia com outra nos trinta anos seguintes. Nada muito estimulante. The World of The Spirits venderia, no primeiro ano, 216 exemplares. Chico achou ótimo.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:35

Antes de voltar ao Brasil, o porta-voz dos mortos visitou outro cemitério, o Memorial Park, em Hollywood. Estava no local certo na hora exata. Embaixo de uma árvore, com a cabeça no colo de uma senhora, descansava, a cerca de dez metros de seu túmulo, a mulher mais trepidante daquela época, a sexy symbol Marilyn Monroe.

A precursora de Madonna já estava enterrada há três anos e a imprensa ainda debatia hipóteses sobre as circunstâncias de sua morte por overdose de tranqüilizantes, no auge do sucesso, aos 36 anos.

A maioria defendia a tese do suicídio puro e simples. Outros falavam em acidente, a loura fatal não queria morrer quando misturou altas doses do tranqüilizante Nembutal com álcool.

Os mais criativos arriscavam teorias bem mais arrojadas. A atriz tinha sido vítima de um complô?

FBI?
Máfia?
Os Kennedy?
Fidel Castro?

Siglas e nomes vieram à tona. Pois bem. Marilyn Monroe iria falar. Chico Xavier, de Pedro Leopoldo, viu quando seu velho conhecido, o repórter Humberto de Campos, se aproximou da estrela.

▬  Sou um amigo do Brasil que deseja ouvi-la.
▬  Um brasileiro a procurar-me depois da morte? Em que poderia ser útil?

A mulher mais esfuziante dos últimos tempos estava irreconhecível. Na conversa, bastante reveladora, ela tratou de desmentir os boatos sobre seu suicídio. Os vivos falam sobre os mortos o que lhes vêm à cabeça, sem que os mortos possam lhes dar a resposta de vida.

Depois do desabafo, ela apresentou sua versão: Ingeri, quase semi-inconsciente, sob profunda depressão, os elementos mortíferos que me expulsaram do corpo, na suposição de que tomava uma simples dose de pílulas mensageiras do sono.

Isso mesmo: Os adeptos da tese do acidente acertaram. Rica, irresistível, famosa, Marilyn vivia desorientada. E, com conhecimento de causa, após um período de mea culpa no além, tratou de dar um conselho às mulheres:

Não se iludam a respeito da beleza e fortuna, emancipação e sucesso. Isso dá popularidade, e popularidade é um trapézio no qual raras criaturas conseguem dar espetáculo de grandeza moral, incessantemente, no circo do cotidiano.

Após recorrer à metáfora circense, ela tratou de definir a liberdade como um bem que deveria ser administrado com bom senso, O sexo, "canal de renascimento e renovação", poderia ser guiado para as "trevas" e "tumultuado por inteligências animalizadas", nos níveis mais baixos de evolução, se não fosse respeitado por "sensata administração de valores".

Marilyn Monroe só não gostava de lembrar o momento de sua morte: Quando minha governanta bateu na porta do quarto, inquieta ao ver a luz acesa, acordei sentindo-me duas pessoas a um só tempo. Gritei apavorada sem saber, de imediato, identificar-me.

▬  Seus planos para o futuro?

Primeiro quero melhorar. Em seguida, como a aluna no educandário da vida, preciso repetir as lições e provas em que falhei. Por agora não devo e nem posso ter outro objetivo que não seja reencarnar, lutar, sofrer e reaprender.

Humberto agradeceu pela entrevista exclusiva e Marilyn voltou para o colo de sua companheira.

Chico Xavier chegou a Uberaba com a entrevista-bomba assinada pelo Irmão X e com uma outra novidade também surpreendente: estava sozinho.

Waldo Vieira tinha ido para o outro lado do mundo, o Japão. Iria fazer um curso de pós-graduação em plástica e cosmética em Tóquio. Meses depois, ele voltaria para a Comunhão Espírita Cristã apenas para arrumar as malas e sumir do mapa em direção ao Rio, onde abriria um consultório.

Chico Xavier garantia estar conformado com a separação. E previa em entrevistas na época: Waldo será invariavelmente o médico humanitário e o abnegado missionário da doutrina espírita que todos nós conhecemos. Errou em cheio.

Após deixar sua assinatura ao lado da de Francisco Cândido Xavier em dezessete livros, o "médico humanitário" virou as costas para o espiritismo, "estreito demais", e seguiu carreira solo.

Estava cansado de Chico, "tão frágil, tão suscetível, tão chorão", estava cansado da sacralização em torno de seu parceiro e do "populismo" das sopas diárias, das peregrinações semanais e das distribuições natalinas. Queria distância da culpa cristã, da caridade, das lições evangélicas.

Ele não iria se conformar, não iria agradecer a Deus por seus sofrimentos, não viveria atrelado a guias espirituais, não se submeteria a ser um eterno datilógrafo de textos do além.

Waldo abandonou a doutrina espírita e definiu sua saída da Comunhão como "uma benção". Leitor voraz, dono de uma biblioteca com 60 mil exemplares, ele fundaria não uma seita, mas uma ciência batizada de "projeciologia". Iria estudar as projeções de consciência, as experiências fora do corpo físico.

Em 1986, lançaria um livro sobre o assunto - um calhamaço de mil páginas coberto por 1.907 citações extraídas de mais de 5.500 títulos específicos. Os cientificismos de André Luiz, no complexo Mecanismos da Mediunidade, são até bastante acessíveis se comparados à linguagem usada no mundo novo de Waldo.

Tanto que ele lançaria um "miniglossário da conscienciologia" para quem quisesse entender seu dialeto. No livro de bolso, o leitor teria acesso a informações como esta: "Acoplamento áurico interfusão das energias holochacrais entre duasconsciências".

▬  Mas o que é holochacra?

O livro explica: "Paracorpo energético da conscin". Conscin? Isso mesmo, a "consciência intrafísica a personalidade humana, o cidadão ou cidadã da Socin". Nesse universo sofisticado, a mediunidade é considerada um "pré-maternal, uma bobagem", o espiritismo não passa de uma superstição e Kardec já está superado.

A pessoa capaz de projetar a própria consciência estaria anos-luz à frente do médium. A projeciologia eliminaria o intermediário, o atravessador. Se uma pessoa quisesse entrar em contato com o "espírito", por exemplo, bastaria sair conscientemente de seu corpo físico e procurar seu morto em outra dimensão.

Ou seja: a mãe, arrasada com a morte de seu filho, poderia fazer um curso de projeciologia, treinar bastante e ir para o espaço.

▬  Haveria o risco de ela se perder no meio do caminho?
▬  Mas quem não corre riscos? pergunta Waldo. Quase 27 anos após se tornar um dissidente de Chico Xavier, Waldo só interromperia os ataques para confirmar: Emmanuel e André Luiz existem mesmo.

A mediunidade e a psicografia são reais. Chico Xavier seria um "completista", segundo termo inventado por André Luiz. Ou seja: cumpriu à risca a programação traçada no outro mundo para ele.

Com longas barbas brancas e seu discurso demolidor, Waldo Vieira seria acusado por vários espíritas de estar cercado de espíritos obsessores. Ao saber das acusações, ele se limitaria a gargalhar. Eu ameaço o espiritismo. Eu acabo com os atravessadores.

Os espíritas mais indignados chegaram a prever a "desencarnação" do ex-médium. Ele teria traído sua missão e poderia pagar por isso. Waldo provocaria: Eu só tenho medo do espírito obsessor do cachorro do vizinho.

Em seu último livro, 600 Experimentos da Conscienciologia, Waldo dedicou um capítulo a Jesus Cristo. E lançou uma série de adjetivos implacáveis contra o homem mais importante do espiritismo e mais adorado por Chico Xavier.

Para o ex-parceiro de Chico, JC (como ele chama Jesus) é um "teólatra populista inamovível", um "catequista inveterado e fanático", um "rezador de 4 retiros espirituais", um "autopromotor da autolatria cega", um "doutrinador e repressor acrítico", um "sectarista ginecófobo apaixonado".

Desde a separação, Waldo Vieira nunca mais se encontrou com o antigo parceiro. Em 1991, tentou conversar com ele. Os auxiliares de Chico afastaram-no com uma desculpa: Chico estava viajando. O "completista" preferiu ficar em casa, sozinho, recolhido em seu quarto, escrevendo. Tinha mais o que fazer.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:38


Em 1967, Chico lutava para atingir o centésimo livro e encerrar a maratona
literária. Estava exausto. Logo após a separação, colocou no papel o livro Encontro Marcado, assinado por Emmanuel. Uma coletânea de conselhos bastante úteis para quem, como ele, sofria com mais um desencontro na vida.

Uma das frases era consoladora: "A pedra que acidentalmente nos fira será provavelmente a peça que sustentará a segurança da construção". O autor de 92 livros, muitos deles já traduzidos para o espanhol, esperanto e  inglês, nem teve tempo para se lamentar. Aquele era o ano do quadragésimo aniversário de sua mediunidade. E os espíritas estavam em festa. Os fãs mais exaltados faziam Chico recorrer à ironia ao chamá-lo de papa do espiritismo. Só se for a papa do angu na panela.

Até o padre Sinfrônio, de Pedro Leopoldo, fez as pazes com o conterrâneo. Ele hasteou a bandeira branca e convidou o "rival" a participar de um encontro de educadores promovido pela Escola da Imaculada Conceição. Naquele ano, Chico recebeu o título de cidadania da cidade natal e, com lágrimas nos olhos, agradeceu a todos por tudo, logo após afirmar não merecer tamanha honraria. Era o primeiro de uma série quase interminável de títulos.

No ano seguinte, seria a vez de Uberaba dar o título a seu morador mais ilustre. Os donos de hotéis apoiaram com fervor... Chico agradecia as homenagens, atribuía todo o crédito aos espíritos e a Emmanuel e gerava ensaios científico-espirituais. Um deles, assinado pelo professor Herculano Pires, definia o quase sessentão como um "ser interexistente", alguém capaz de existir no "aqui e no agora" como homem no mundo e, no além, como "homem fora do mundo".

Alguém capaz de experimentar, ao mesmo tempo, duas vidas: a de vigília e a hipnótica. Um "médium humilde desprezado e depreciado pela inteligência brasileira". Os mais matemáticos calculavam: nos quarenta anos de mediunidade, Chico teria ficado o correspondente a oito anos em transe.

Chico demorou a entender o tal conceito de "interexistência. Foi preciso Herculano morrer para Chico decifrar a expressão. Ele passava para o papel, em sessão pública, o recado de um rapaz morto para sua mãe, quando escutou o convite de um "espírito amigo": Precisamos de você neste instante numa reunião no plano espiritual. Por favor, me acompanhe até lá. Com a permissão de Emmanuel, sem ninguém notar, ele se retirou da sala, deixou seu corpo na cadeira e andou quilômetros até chegar a um salão.

Lá dentro, todos estavam em silêncio.

O presidente da sessão: Herculano Pires. Chico soube, em pensamento, que deveria substituir um médium ausente. Uma mãe aflita esperava notícias de seu filho. Os dois estavam mortos, mas em planos diferentes. Enquanto seu corpo psicografava uma mensagem em Uberaba, ele passava para o papel outro texto em um ponto qualquer do espaço. Após a dupla jornada de trabalho, o professor se aproximou e perguntou:

▬  Você entendeu agora o que é ser interexistente?

Como presente de aniversário mediúnico, Chico ganhou de Emmanuel mais responsabilidade. Daquele ano em diante, ele teria autorização para colocar no papel, com assiduidade, em sessões públicas, os textos ditados pelos mortos a suas famílias. Chico sairia da fase do varejo e iria para o estágio do atacado na chamada "literatura de consolação".

A cada semana, ele poria no papel a média de três mensagens particulares. A nova missão talvez substituísse em breve a dos livros, quando ele concluísse seu centésimo título. E era uma tarefa arriscada. A tensão dos parentes em busca de notícias de seus mortos chegava ao descontrole.

Numa noite, em sessão pública, um espírita, amigo de Chico Xavier, duvidou de uma mensagem mandada por um familiar do outro mundo e cuspiu no rosto do médium. Chico se enxugou com um lenço, desabafou com amigos e, em casa, chorou. Emmanuel apareceu. Em vez de palavras de consolo, mais uma ordem: Quando alguém cuspir em seu rosto, diga simplesmente que a chuva molhou sua face, se alguém pedir explicações. Não reclame.

Chíco evitava as queixas e escrevia sem parar, apesar das dores provocadas por um tumor na próstata. Agüentou o sofrimento enquanto pôde. Mas a cirurgia era inevitável. Zé Arigó, o médium que incorporava o Dr. Fritz e realizava cirurgias sem anestesia, se ofereceu para operar o colega. Chico recusou a oferta e preferiu se internar numa clínica em São Paulo. Antes, tomou o cuidado de entregar ao Dr. Elias Barbosa documentos particulares: Ninguém sabe o que pode acontecer.

Ele foi para o centro cirúrgico e provocou mais uma polêmica:
▬  Por que não aceitou a oferta do Dr. Fritz, tão requisitado na época?
▬  Ele duvidava do poder dos espíritos?

O protegido de Emmanuel se limitou a repetir a mesma resposta dada a Arigó:
▬  Como eu ficaria diante de tanto sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi como o boi para o matadouro?
▬  E eu vou querer facilidades? Eu tenho que me operar como os outros, sofrendo como eles.

Anos mais tarde, num desabafo, Chico deixaria de lado a diplomacia e diria: Sou contra essa história de meter o canivete no corpo dos outros sem ser médico. O médico estudou bastante anatomia, patologia e, por isso, está habilitado a fazer uma cirurgia.

▬  Por que eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um cristão sem ser considerado um criminoso?

Já recuperado da cirurgia de próstata, Chico recebeu outra orientação de seu guia: às vésperas de concluir seu livro número cem, ele poderia dar entrevistas na TV para atingir um número maior de pessoas. No dia 6 de maio de 1968, ele conversou com o repórter Saulo Gomes, da TV Tupi de São Paulo, na Comunhão Espírita Cristã.

Deu uma aula de espiritismo. Para ele, os sovinas, ao guardarem dinheiro, operavam no organismo social o correspondente a uma trombose na circulação do sangue. A caridade era uma boa saída. O suicídio gerava conseqüências desastrosas. Ele reencontrou amigos suicidas, mortos com tiros no ouvido, reencarnados como "crianças retardadas em estado de extrema idiotia".

No final, Chico colocou no papel, de olhos fechados, em velocidade, um texto assinado por Emmanuel. Temperada por revelações e surpresas do outro mundo, a entrevista fez tanto sucesso que acabou sendo exibida em quase todas as capitais. Chico não sabia, mas aquele era apenas um ensaio para a maratona televisiva dos anos 70.

A vida desapropriada Em 1969, Chico Xavier pingou, finalmente, o ponto final em seu centésimo livro: Poetas Redivivos. Sentiu vontade de correr pelas ruas, de gritar, de festejar. Tinha cumprido o acordo assumido com Emmanuel dez anos antes.

Aos 59 anos, estava pronto para diminuir o ritmo. Chegou até a avisar o amigo Ranieri: Já escrevi muito. Livros, livros, livros. Agora é preciso o povo executar. A mensagem já está dada. O anúncio foi precipitado. Chico ouviu uma contra-ordem de seu guia e ficou perplexo.

Emmanuel disse: Estou na obrigação de dizer a você que os mentores da Vida Superior, que nos orientam, expediram uma instrução: ela determina que sua atual reencarnação seja desapropriada, em benefício da divulgação dos princípios espírita-cristãos. Sua existência, do ponto de vista físico, fica à disposição das entidades espirituais que possam colaborar na execução das mensagens e livros, enquanto seu corpo se mostre apto para nossas atividades.

Chico não se conformou:
▬  Devo trabalhar na recepção de mensagens e livros até o fim da minha vida atual?
▬  Sim, não temos outra alternativa.

O autor dos cem livros insistiu:
▬  E se eu não quiser? A doutrina espírita ensina que somos portadores do livre-arbítrio para decidir sobre os nossos próprios caminhos.

Emmanuel sorriu e deu o veredito: A instrução a que me refiro é semelhante a um decreto de desapropriação, quando lançado por autoridade na Terra.

Se você recusar o serviço a que me reporto, os orientadores dessa obra de nos dedicarmos ao cristianismo redivivo terão autoridade bastante para retirar você de seu atual corpo físico.

Assunto encerrado.

MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:40


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:44

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ENTREVISTAS

Chico Xavier Por Chico Xavier

Numa de suas raras entrevistas, Chico Xavier recebeu em sua casa, nas comemorações dos 40 anos de suas manifestações mediúnicas, o escritor Elias Barbosa, autor de “No mundo de Chico Xavier” e respondeu as perguntas do autor.

Nelas, Chico expõe fatos e episódios que são pouco conhecidos e dizem de seus primeiros anos de vida na senda do espiritismo.
Estas são perguntas e respostas de Chico Xavier em 1967.

▬  Chico, cientes através do prefácio de “Parnasso de Além Túmulo”, o primeiro livro de sua mediunidade psicográfica, que o exercício de suas faculdades começou em 1927, precisamente há quarenta anos, em que dia do ano isso aconteceu?

8 de julho de 1927.

▬  Podemos saber em que dia da semana?

Era uma noite de sexta-feira, em sessão pública do Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo.

▬  O Centro já estava fundado há muito tempo? E possuía sede própria?

O “Luiz Gonzaga” havia sido fundado no mês anterior, isto é, em 21 de junho de 1927.
Então, o grupo não dispunha de sede própria. Reuníamos na residência da Sra. D. Josepha Barbosa Chaves, que nos havia emprestado o salão de sua casa, à rua São Sebastião, em Pedro Leopoldo.

▬  Lembra-se de alguns dos companheiros presentes à reunião de 8 de julho de 1927?

Sim. Posso mencionar muitos deles como sejam Ataliba Ribeiro Vianna, o primeiro presidente do “Centro Espírita Luiz Gonzaga”, José Felizardo Sobrinho,  José Cândido Xavier, José Hermínio Perácio, D. Carmem Pena Perácio, Antônio Barbosa Chaves, Agripino de Paula, D. Ornélia Gomes de Paula, Jacy Pena, Maira Xavier, Zina Xavier, Nelson Pena e muitos outros.

▬  Dos companheiros citados, muitos ainda estão conosco na Terra?

Sim. Temos Antônio Barbosa Chaves, residente em Pedro Leopoldo, D. Carmem Pena Perácio, Zina Xavier e Nelson Pena, em Belo Horizonte, Jacy Pena e Maria Xavier em Sabará, Minas.

▬  Diz você no prefácio do “Parnasso de Além-Túmulo” que você e sua família, então católicos até 1927, se voltaram para a Doutrina Espírita por motivo de cura de uma das suas irmãs que sofrera um processo obsessivo. Podemos saber qual delas e que notícias conseguiríamos saber a seu respeito?

Perfeitamente. É minha irmã Maria Xavier Pena, casada com o Sr. Jacy Pena, ambos residentes em Sabará hoje com vários descendentes.

Ela, depois de curada, e o esposo, aceitaram a tarefa espírita e continuam trabalhando?

Sim, são ambos devotados seareiros do Espiritismo, na cidade em que residem.

▬  Lembra-se de sua primeira participação na primeira atividade a que assistiu e qual foi essa atividade?

Recordo-me. Minha primeira tarefa espírita foi a prece que se fez em torno Da minha irmã doente, no próprio quarto em que ela se achava.

▬  Pode mencionar a data?

7 de maio de 1927, pela manhã.

▬  Quem tomara a iniciativa dessa reunião de cura?

Nosso amigo Sr. José Hermínio Perácio, que veio de Maquiné, localidade próxima da cidade de Curvelo, em Minas, mais de cem quilômetros distantes de Pedro Leopoldo, atendendo ao pedido de meu pai que o conhecia por amigo e espírita cristã, a fim de socorrer minha irmã, então em estado grave.

▬  E sua irmã curou-se imediatamente?

Desde a primeira reunião de preces e passes, na manhã de 7 de maio de 1927, ela se restabeleceu e, até hoje, é uma valorosa companheira na Seara Espírita Evangélica.

▬  Quais os primeiros espíritas que conheceu?

Nossos irmãos José Hermínio Perácio e sua esposa D. Carmen Pena Perácio, com os quais me iniciei o conhecimento da Doutrina Espírita e na mediunidade e diante de quem sou um espírito eternamente devedor pelo bem que me fizeram.

▬  Onde está presentemente nosso irmão José Hermínio Perácio?

Ele desencarnou em Belo Horizonte, em janeiro deste ano, 1967, mas a esposa que lhe sobrevive, D. Carmen Pena Perácio, reside com as filhas, na capital mineira.

▬  De que modo, o casal Perácio iniciou você no Espiritismo?

Explicando-me o que eu sentia, em matéria de mediunidade, desde a infância, quando fiquei órfão de mãe, aos cinco anos de idade, amparando-me em minhas necessidades espirituais, ensinando-me a orar e presenteando-me com o “O Evangelho, segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec.

Os dois livros que me deram os alicerces de minha fé espírita-cristã e me orientaram para aceitar a mediunidade e respeitar os Bons Espíritos.

▬  Disse você que sentia fenômenos mediúnicos desde criança. Poderá especificá-los agora após de quarenta anos de mediunidade ativa?

Sim. No quintal da casa em que eu morava via freqüentemente minha mãe desencarnada em 1915 e outros Espíritos, mas as pessoas que me cercavam então não conseguiam compreender minhas visões e notícias e acreditavam francamente que eu estivesse mentindo ou estivesse sob perturbação mental.

Como experimentasse minha incompreensão, cresci debaixo de muitos conflitos íntimos, porque de um lado estavam as pessoas grandes que me repreendiam ou castigavam supondo que eu criava mentiras e de outro lado estavam as entidades espirituais que perseveravam comigo sempre.

Disso resultou muita dificuldade mental para mim, porque eu amava os espíritos que me apareciam, mas não queria vê-los para não sofrer punições da parte das pessoas encarnadas com quem eu precisava viver.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:46



▬  De família católica e praticando o catolicismo, você via os Espíritos também na igreja?

Sim.

▬  Você via bons e maus?

Sim.

▬  E nada disso contava a algum padre?

Contava na confissão.

▬  Podemos saber quem era esse sacerdote e de que maneira ele ouvia suas descrições?

Era ele, o Padre Sebastião Scarzelli, que residia em Matosinhos, cidade muito próxima de Pedro Leopoldo. Durante anos, até 1927, ele me ouvia paternalmente em confissão de dois em dois meses. Devo dizer que ele me ouvia admirado e compadecido.

Não sei se ele acreditava em tudo que eu narrava para ele, no que se referia ao que enxergava e escutava nos horários dos ofícios religiosos, mas posso declarar que ele sempre me tratou com a bondade de um pai.

Ensinava-me a orar e a confiar em Deus, a respeitar a escola e cultivar o trabalho, a fazer novenas pelo descanso dos mortos e a esquecer as más palavras dos espíritos infelizes quando eu as escutava.

▬  O padre nunca emitiu uma opinião clara sobre os fatos que você observava?

Ele me ouvia na confissão e ficava pensativo... Só pedia para que eu orasse muito. Lembro-me de que uma vez, debaixo da perseguição de um espírito sofredor, quando eu ia completar quinze anos, chorei muito na confissão, rogando a ele para livrar-me... Ele interrompeu minhas palavras e mandou que eu esperasse.

Quando terminou o trabalho em que estava, veio a mim e me disse que eu não devia chorar ou desesperar-me com as visões e vozes que me procuravam e acrescentou que se elas viessem da parte de Deus, que Deus me abençoaria e me daria forças para fazer o que devia ser feito.

Em seguida caminhou comigo e vendo que eu estava descalço me perguntou se eu gostaria de ter um par de sapatos. Eu disse que sim e ele me levou a uma loja, a loja do Sr, Armando Belisário Filho, em Pedro Leopoldo, e comprou um par de sapatos para mim. Conto isso porque notei que ele queria me ver alegre, esquecendo o estado de angústia em que me achava.

▬  Esse padre ainda existe?

Há tempos, soube em Pedro Leopoldo, que ele, já velhinho, reside atualmente no Estado de Santa Catarina, o que não posso confirmar porquanto depois de nosso último encontro, em 1927, não mais tornei a vê-lo.

▬  Além desse sacerdote, não teria você na escola algum professor ou professora a quem se dirigisse, rogando explicações?

Sim, dentre as minhas professoras na infância, uma delas estimava me ouvir sobre o que eu sentia, perante o Mundo Espiritual, dedicando-me grande atenção.

▬  Como se chama?

Chamava-se na Terra, Dona Rosária Laranjeira, pois desencarnou em Belo Horizonte, creio que por volta de 1956. Ela era católica de profunda compreensão cristã, e embora não pudesse ou não soubesse dar-me esclarecimentos espíritas, quando me achava perto dela só via e ouvia espíritos amigos e nobres, com abençoados ensinamentos e consolações para mim.

▬  Em que condições, você recebeu a primeira mensagem psicográfica?

Estávamos em reunião pública e depois da evangelização, D. Carmem Perácio, médium de muitas faculdades, transmitiu a recomendação de um benfeitor espiritual para que eu tomasse o lápis e experimentasse a psicografia.

Obedeci e minha mão de pronto escreveu dezessete páginas sobre deveres espíritas. Senti alegria e susto ao mesmo tempo.Tremia muito quando terminei.

▬  Qual era o espírito comunicante?

Não se identificou. Apenas assinou “um espírito amigo”.

▬  Essa mensagem ainda existe, poderíamos lê-la?

Temos um grande arquivo de mensagens psicográficas em Pedro Leopoldo, mas não creio possa ser encontrada. De 1927 a 1931 recebi centenas de mensagens que foram inutilizadas, depois, a pedido do Espírito de Emmanuel, que passou a dirigir-nos de 1931 para cá. Disse ele que essas mensagens apenas se destinavam aos nossos exercícios de psicografia.

▬  Antes de Emmanuel, dos espíritos amigos que amparavam você, qual o mais assíduo?

Minha mãe Maria João de Deus.

▬  Sendo o “Parnasso de Além-Túmulo”, o primeiro livro de sua mediunidade, editado em 1932, será possível conhecer o nome dos espíritas que receberam para a imprensa as primeiras mensagens em prosa e verso psicografadas por suas mãos?

Foram eles, Manoel Quintão e Ignácio Bittencourt, ambos do Rio.

▬  Desde 1932, você está trabalhando mediunicamente nos livros dos instrutores espirituais?

Sim.

▬  Sempre sob a supervisão de Emmanuel?

Sim.

▬  Que nos diz sobre as suas próprias impressões na formação dos livros mediúnicos, por seu intermédio?

Poderia, talvez, relacionar muitos assuntos e fazer muitas narrativas, mas peço para que isso fique para uma outra oportunidade, de vez que isso exigiria muito tempo.

▬  Como se sente você, no quadragésimo ano de trabalho psicográfico incessante?

Como quem está viajando através da mediunidade, há quarenta anos, aprendendo sempre.

▬  Durante esse tempo, foi você vítima de mistificação algumas vezes?

Muitas.

▬  E até hoje isso acontece ou pode acontecer?

Sim.

▬  E os livros recebidos por você?

Os livros que passaram por minhas mãos pertencem aos Espíritos Instrutores e Benfeitores e não a mim.

▬  Ignora você a popularidade que os livros mediúnicos lhe trouxeram?

Sei que eles me trouxeram muita responsabilidade. Quanto ao caso da popularidade, sei que cada amigo faz de nós um retrato para uso próprio e cada inimigo faz outro.

Mas diante do Mundo Espiritual não somos aquilo que os outros imaginam e sim o que somos verdadeiramente.

Desse modo, sei que sou um espírito imperfeito e muito endividado, com necessidade constante de aprender, trabalhar, dominar-me e burilar perante as leis de Deus.

Diário Regional Juiz de Fora, Junho de 1999.




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 27 de Janeiro de 2011, 23:56


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"As Cartas Psicografadas por Chico Xavier"

 
As cartas psicografadas por Chico Xavier é um filme de conversas e silêncio. Mães e pais que perderam filhos, procuraram Chico, receberam cartas. Sentimentos, lembranças, imagens da falta de alguém. A procura por alento para a dor sem nome. As palavras chegam em papel manuscrito. As cartas são lidas. Sobreviver a isso, viver ainda assim. As cartas são os elos entre mães e filhos, entre Chico e essas mães e seus filhos, entre o público e o filme.
 
A psicografia de Chico Xavier em dois casos notórios:
 
A vida de Chico Xavier foi marcada por acontecimentos polêmicos e, para muitos, inacreditáveis. Suas psicografias não eram assinadas apenas por renomados escritores e poetas já falecidos, mas também por gente que buscava, por meio de relatos além-túmulo, esclarecer acontecimentos ocorridos na Terra.
 
Alguns desses relatos foram levados em conta em tribunais de Justiça, marcando a história do País. Foi o que aconteceu em Goiânia, em maio de 1976. Uma mensagem psicografada por Chico Xavier, assinada por uma pessoa morta, foi utilizada pela primeira vez como prova para inocentar um réu.
 
Tudo começou quando a família de Maurício Garcez Henrique, morto aos 16 anos, foi ao encontro de Chico Xavier, a pedido do médium. Chico havia recebido uma carta do jovem na qual Maurício contava que a sua morte havia sido acidental. Na carta, Maurício contou que ele e o amigo José Divino Nunes – acusado de assassiná-lo – estavam brincando quando a arma disparou.
 
Os pais de Maurício ficaram impressionados, mas comprovaram a legitimidade da mensagem, que foi anexada às provas do processo. Em 16 de julho de 1979, o juiz Orimar de Bastos proferiu a sentença, inocentando José Divino Nunes, de 18 anos: “Temos de dar credibilidade à mensagem de Chico Xavier, apesar de a Justiça ainda não ter merecido nada igual, em que a própria vítima, após a sua morte, vem revelar e fornecer dados ao julgador para sentenciar”, lê-se na sentença do juiz.
 
Assassinato – A repercussão do fato na imprensa foi enorme, inclusive no exterior. Em 1982, o médium se envolveu em um episódio ainda mais polêmico: o assassinato do deputado federal Heitor de Alencar Furtado, filho de Alencar Furtado, ex-líder do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cassado pelo AI-5. O policial José Aparecido Branco era acusado do crime. Mais uma vez, a habilidade mediúnica de Chico Xavier foi utilizada como recurso para esclarecer um crime.
 
Mensagens psicografadas por Chico e assinadas pelo deputado morto contavam como se desenrolou a morte e sustentavam que tudo tinha sido um acidente. A letra, assinatura e informações trazidas nas mensagens foram reconhecidas pelo pai de Heitor e anexadas aos autos do processo.
 
Em 1984, depois de mais de 30 horas de julgamento, o Tribunal do Júri de Mandaguari absolveu o policial. O promotor de justiça da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Davi Gallo Barouh, explica que a legislação processual brasileira não admite provas consideradas subjetivas, não-materiais, a exemplo das psicografias, que “nada mais são do que uma nova versão dos fatos, narrada pelo espírito de alguém que já morreu”, como definiu.
 
No entanto, Barouh destaca que, em casos como os que Chico Xavier esteve envolvido, as psicografias foram adicionadas a outras provas e testemunhos. “As mensagens psicografadas podem servir como mais um elemento no acervo probatório e, se cruzadas com outros elementos concretos, podem, sim, auxiliar na resolução de processos penais”, conclui o promotor Davi Gallo Barouh.

As cartas de Chico Xavier nos tribunais: quatro casos de repercussão internacional.
 
Psicografia como meio de prova documental.
 
1º De acordo com Weimar Muniz de Oliveira, Presidente da Federação Espírita de Goiás, a psicografia pode ser definida como "um dom mediúnico pelo qual o médium recebe, por via intuitiva ou mecânica, a mensagem de autoria espiritual". Na definição do Dicionário Aurélio, "psicografia é a escrita dos espíritos pela mão do médium"
 
2º Doutrinariamente, pode-se dizer que "prova" é o "instrumento por meio do qual se forma a convicção do juiz a respeito da ocorrência ou inocorrência de certos fatos"
 
3º No processo penal, com exceção das provas concernentes ao estado das pessoas, cuja comprovação obedece às restrições ditadas pela lei civil (CPP, art. 155)
 
4º Todos os demais meios de prova tendentes ao esclarecimento da verdade dos fatos são, em tese, plenamente aceitos.
 
Entenda-se como "meios de prova" os modos ou instrumentos não defesos em lei, capazes de revelar a verdade, dentre eles as provas testemunhal, documental e pericial (CPP, arts. 155-250). Nesse contexto, cumpre identificar que meio de prova seria aquele que se obtém com a psicografia.
 
Em linhas gerais e de forma objetiva, pode-se dizer que, na linguagem jurídica, prova pericial é aquela "realizada ou executada por peritos, a fim de que se esclareçam ou se evidenciem certos fatos"
 
5º Por conseguinte, o "espírito" nem o "médium" – considerado este pela doutrina espírita como "o intermediário entre os vivos e a alma dos mortos"
 
6º Podem ser enquadrados na definição de prova pericial. Nos termos do art. 202 do Código de Processo Penal, "toda pessoa poderá ser testemunha". Trata-se, porém, "da pessoa natural, isto é, o ser humano, homem ou mulher, capaz de direitos e obrigações"
 
7º Daí que os "espíritos" ou "desencarnados" não podem ser, juridicamente, considerados testemunhas.
 
Já de acordo com o art. 232 do Código de Processo Penal, "consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares".
 
A psicografia, por constituir-se manuscrito, pode ser tomada, pela interpretação do citado dispositivo, como sendo documento particular, visto que é "feito ou assinado por particulares" (médium), "sem a interferência de funcionário público no exercício de suas funções"
 
8º Na esfera penal, tem-se notícia de pelo menos quatro decisões judiciais fundadas em comunicações mediúnicas psicografadas por Francisco Cândido Xavier, de repercussão internacional, e que até hoje geram polêmica no meio jurídico. Cuida-se dos seguintes casos:
 
a) Dois crimes de homicídio ocorridos em Goiânia (GO): um, no dia 10 de fevereiro de 1976, praticado por João Batista França contra Henrique Emmanuel Gregoris; o outro, no dia 8 de maio de 1976, cometido por José Divino Gomes contra Maurício Garcez Henriques, em que os autores do delito foram absolvidos.
 
b) Um crime de homicídio havido no Mato Grosso do Sul no dia 1º de março de 1980, praticado por José Francisco Marcondes de Deus contra a sua esposa Gleide Maria Dutra de Deus, ex-miss Campo Grande. João de Deus, condenado por homicídio culposo, teve sua pena prescrita.
 
c) Um crime de homicídio perpetrado na localidade de Mandaguari (PR), no dia 21 de outubro de 1982, pelo soldado da Polícia Militar Aparecido Andrade Branco, vulgo "Branquinho", contra o então deputado federal Heitor Cavalcante de Alencar Furtado. Neste, embora admitida como prova a mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, na qual o espírito da vítima inocentava o réu pelo tiro que deste recebera, o Tribunal do Júri, por cinco votos a dois, considerou-o culpado, tendo o Juiz de Direito, Miguel Tomás Pessoa, fixado a condenação em oito anos e vinte dias de reclusão.
 
Recentemente (maio/2006), a imprensa nacional noticiou que, na cidade de Viamão (RS), o Tribunal do Júri absolveu Lara Marques Barcelos, acusada de mandar matar o tabelião Ercy da Silva Cardoso, executado dentro de casa com dois tiros na cabeça na noite do dia 1º de julho de 2003, em face de uma carta emitida pela vítima, pelas mãos do médium Jorge José Santa Maria da Sociedade Beneficente Espírita Amor e Luz.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:00

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Chico Xavier costumava ter em cima
de sua cama uma placa escrita:

Isso também passa...   

Aí perguntaram para ele o porque disso.

E ele disse que era para se lembrar que quando estivesse passando por momentos ruins, poder se lembrar de que eles iriam embora. Que iriam passar. E que ele teria que passar por aquilo por algum motivo.

Mas essa placa também era para lembrá-lo que quando estivesse muito feliz, não deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam passar e momentos difíceis também viriam de novo.

E é exatamente disso que a vida é feita.

MOMENTOS.

Momentos os quais temos que passar, sendo bons ou não, para o nosso próprio aprendizado. Por algum motivo nunca esquecendo do mais importante:

NADA É POR ACASO. Absolutamente nada.

Por isso temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível!!!


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:12


(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/sflowers12.gif)
 
1 º-)  PARNASO DE ALÉM TÚMULO 1932

 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  A teoria, tanto quanto a prática espírita, apresenta, aos leigos e inscientes, aspectos e modismos inéditos, imprevistos, bizarros, surpreendentes.
 
Nos domínios da mediunidade, então, o reservatório de surpresas parece inesgotável e desconcerta, e surpreende até os observadores mais argutos e avisados. Se fôssemos minudenciar, escarificar, o assunto até às mais profundas raízes, poderíamos concluir que o comércio de encarnados e desencarnados, velho quanto o mundo, se indica mais ou menos latente ou ostensivo, em todos os atos e feitos da Humanidade.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Inspirações, idéias súbitas ou pervicazes, sonhos, premonições e atos havidos por espontâneos e propriamente naturais, radicam muito e mais na influenciarão dos Espíritos que nos cercam - por força e derivativo da mesma lei de afinidade incoercível no plano físico, quanto no psíquico - do que a muitos poderia parecer.
 
E assim come se não desloca nem se precipita, isoladamente, um átomo no concerto sideral dos mundos infinitos, assim também não há pensamento, ideia, sentimento, isolado no conceito consciência dos seres inteligentes, que atualizam e vivificam o pensamento divino, em ascese indefinida - sempre acendeis...
 
É o que fazia dizer a Luísa Michel:
“▬  Um ser que morre, uma folha que cai, um mundo que desaparece, não são, nas harmonias eternas, mais que um silêncio necessário a um ritmo que não conhecemos ainda".
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Mas, não há daí concluir que a criatura humana se reduza à condição de autômato, sem vontade e sem arbítrio, porque nada à revelia da Lei se verifica; e no jogo dessa atuação constante, o ascendente dos desencarnados não vai além dos lindes assinadas pela Providência;não ultrapassa, jamais, a capacidade receptiva do percipiente, seja para o bem, seja para o mal.
 
Não é, contudo, desse mediunismo sutil, intrínseco, consubstancial à natureza humana, que importa tratar aqui.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Nem remontaríamos, aos filões da História para considerar-lhe a identidade nos tempos da Índia, do Egito, da Grécia, das Galas e de Roma, em trânsito para a Idade Média, na qual os médiuns eram imolados ao mais estúpido dos fanatismos - a religião. Hoje, a fogueira e potro foram substituídos pela difamação, pelo ridículo alvar, pago em boa espécie monetária, ou ainda pelo cerco caviloso e interditório de quaisquer vantagens sociais.
 
A luta tornou-se incruenta, mas, nem por isso, menos áspera e porfiosa. Assoalha-se que a mediunidade é fonte de mercantilismo: entretanto, nenhum grande médium, que o saibamos, chegou a acumular fortuna e rendimentos. Muitos, ao invés, quais Homem, Cadê, Eusápia e Espérance, morreram paupérrimos e, o que mais é, tendo a planejar-lhes a memória o labéu de charlatões.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Mas, houvesse de fato esse mercantilismo e nunca se justificaria, senão por abusivo e espúrio, de vez que a Doutrina o não autoriza, sequer por hipótese.

Porque, na verdade, assim se escreve a História e o maior dos médiuns, o médium Deus, só escapou ao estigma da posterioridade pela porta Eça do concílio de Nicéia, numa divinização numa acomodação acomodatícia e rendosa ao formigamento parasitário e unindo dos Constantino, que, ainda hoje, lhe exploram os feitos e o nome Augusto, com bulas políticas de vulpina retórica fática pruridos de grosseira mistificação, em bonzolatrias de cimento armado.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Entretanto, como a confirmar a tradição: "Os Santos Apóstolos foram, em sua maioria, humildes pescadores" - e não só a tradição como a sentença de que os últimos seriam os primeiro, não vêm hoje os vexilários da Verdade trazê-la magnatas da Terra, aos príncipes dos sacerdotes, escribas e fariseus hodiernos, disputantes à compita da magnífica carapuça e eles talhada e ajustada, de vinte séculos, co capítulo XXIII de Mateus.

Ao contrário, esses escolas do Além parece preferirem os operários modestos, modestos e rústicos, rústicos e bons, como tão sutilmente os define o Eça em magistral mensagem:
"▬  Tipos originais, mãos calosas que se entregam aos rudes trabalhos braçais, a fazerem a literatura do além-túmulo; homens a que Tartufo chama bruxos e Esculpiu qualificado basbaque, mistificadores, ou simples casos patológicos a estudar...”. É verdade tudo isso: Mas, convenhamos, também o é para maior glória de Deus.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Não ignoramos que homens de alta cultura e renome científico têm versado o assunto, investigado, perquirido e proclamado a verdade, acima e além das conveniências e preconceitos políticos, científicos, religiosos. Nomeá-los aqui, seria fastidioso quanto inútil.
 
O vulgo que não lê, ou que lê pela cartilha só Sr. vigário nos conselhos privados da família beata, não deitaria os seráficos olhares a estas páginas e seguiria, clamoroso ou contente, de qualquer forma inconsciente, - infinitos stultorum números - a derrota do seu calvário, no melhor dos mundos, a Pangloss.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  O outro, o vulgo que lê e compreende, mas para o qual o magister deste é a melhor fórmula de concessão e acomodação consegue mesmo, estômago e vísceras em função, sofra a quem sofrer, doa a quem doer - esse, bazofiando ciência em gestos largos de animalidade superior, se estas linhas chegasse a ler, haveria de esboçar aquele sorriso fino e bom que Bonnemère não sabia definir se seria de Voltaire, ou do mais refinado dos idiotas...

Adiante, pois, na tarefa nada espartana, de apresentar esta prova opima das esmolas de luz que nos chegam em revoada de graças, a encher-nos o coração de alvissareiras esperanças. Quem quiser certezas maiores, explanações técnicas e eruditas do fenômeno em apreço, que as procure no livram Do País da Luz, obra similar, editada, há uma vintena de anos, psicografada pelo médium português Fernando de Lacerda, e que fez, nas rodas profanas de Lisboa, o mais ruidoso sucesso.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Nessa obra, o ilustre Dr. Sousa Couto, em magistral prefácio, esgotou o assunto ao encará-lo sob todos os prismas de uma severa crítica, para concluir pela transcendência do fenômeno, rebelde a todos os métodos de classificação científica e, sem embargo, realismo em sua especificidade. Pois, a nosso ver, maior é o mérito, por mais opulenta a polpa mediúnica, desta obra.

É que lá em Do País da Luz, avulta a prosa, com raras exceções; ao passo que aqui desborda o verso, mais original, mais difícil, mais precioso como índice de autenticidade autoral. Lá, as mensagens características são exclusivas de escritores lusos, únicas que podem, a rigor, identificar pelo estilo os seus autores.
 
As de Napoleão I, Teresa de Jesus, etc., são incontestavelmente belas no fundo e na forma, mas não características de tais entidades. Aqui, pelo contrário, não só concorrem poetas brasileiros e portugueses, como retinem cristalinas e contrastantes as mais variadas formas literárias, como a facilitarem de conjunto a identificação de cada um.
 
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)  Simbolismo,
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)    Romantismo,
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)    Condoreirismo,
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)    Parnasianismo, aí se ostentam em louçanias de sons e de cores, para afirmar não mais subjetiva, mas obtivamente, a sobrevivência dos seus intérpretes.
 
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)  É ler Casimiro: e reviver Primaveras,
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)  É frasear Augusto dos Anjos: e evocar Eu,
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)  É recitar Castro Alves: e sentir Espumas flutuantes,
(http://asiaassets.ebay.com/SEA/newportal/img/sb/imgIconCC_BB.gif)  É declamar Jongueiro: e lembrar a Morte de D. João.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:14


▬  Senão vejamos:

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Casimiro:
▬  Oh! Que clarão dentro Dalmar. Constantemente cismando, o pensamento sonhando e o coração a cantar, na delicada harmonia que nascia da beleza, do verde da Natureza, do verde do lindo mar!

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Castro Alves:
▬  Há mistérios peregrinos, no mistério dos destinos. que nos mandam renascer. Da luz do Criador nascemos, múltipla vida vive, para a mesma luz volver.
 
(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Jongueiro:
▬  Pairava na amplidão estranho resplendor. A Natureza inteira em lúcida poesia repousava, feliz, nas preces da harmonia!... Era o festim do amor, no firmamento em luz, que celebrava. A grandeza de uma alma que voltava. Ao redil de Jesus.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Augusto dos Anjos:
▬  Descansa agora, vibrião das ruínas, esquecem o verme, as carnes, os estrumes. Retempera-te em meio dos perfumes Cantando a luz das amplidões divinas.

E todos, todos os mais, aí estão vivos, ardentes, inconfundíveis na modulação de suas liras encantadas e decantadas. E na prosa - exceto a Fernando de Lacerda, cujo estilo não temos elementos para identificar, o mesmo traço de originalidade personalíssima se impõe.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Duvidamos que o mais solerte plumitivo, o mais intelectual dos nossos literatos consiga imitar, sequer, ainda que premeditadamente, esta produção. E isto o diz porque o médium Xavier, um quase adolescente, sem lastro, portanto, de grande cultura e treino poético, recebe-a de jato, e mais, quando de alguns autores não conhece uma estrofe!

É extraordinário, será maravilhoso, mas é a verdade nua e crua; verdade que, qual a Luz, não pode ficar debaixo do alqueire. Foi por assim pensarmos que conseguimos vencer a relutância do médium em sua natural modéstia para lançar ao público, em geral, e aos confrades, em particular, esta obra mediúnica, que, certo estamos, ficará como baliza fulgurante, na história a tracejar do Espiritismo em nossa pátria.

Mas, perguntarão:
▬  Quem é Francisco Cândido Xavier?

▬  Um acadêmico?
▬  Será um rapaz culto?
▬  Um bacharel formado?
▬  Um rotulado desses que por aí vão felicitando a Família, a Pátria e a Humanidade?

Nada disso.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  O médium polígrafo Xavier é um rapaz de 21 anos, um quase adolescente, nascido ali assim em Pedro Leopoldo, pequeno rincão do Estado de Minas. Filho de pais pobres, não pôde ir além do curso primário dessa pedagogia incipiente e rotineira, que faz do mestre-escola, em tese, um galopam eleitoral e não vai, também em tese, muito além das quatro operações e da leitura corrida, com borrifos de catecismo católico, de contrapeso.

Órfão de mãe aos cincos anos, o pai infenso a literatices e, ao demais, premido pelo ganha-pão, é bem de ver-se que não teve, que não podia ter o estímulo ambiente, nem uma problemática hereditariedade, nem um, nem dez cerídeos que o conduzissem por tortuosos e torturantes labirintos de acesso aos alatinados passos do Olimpio para o idílico convívio de Calíope e Pollímnia.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Tudo isso é o próprio médium quem no-lo diz, em linguagem eloqüente, porque simples como a própria alma cedo esfolhada de sonhos e ilusões, para não pretender colimar renomes literários.

Ao lhe formularmos um questionário que nos habilitasse a pôr de plano estes detalhes essenciais - de vez que, em obra deste quilate o que se impõe não é a apresentação do operário, mas da ferramenta por eles utilizada, tanto quanto do seu manuseio; e não querendo, por outro lado, endossar um fenômeno cuja ascendência sobejamente conhecemos para não recusar, mas, cujo flagrante não presenciamos - ele, o médium, veio "candidamente" ao nosso encontro com Palavras minhas, nas quais estereotipa a sua figura moral, tanto quanto retrata as impressões psicofísicas que lhe causa o fenômeno.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Nós mesmos vimos, certeza, em S. Paulo, o médium Mirabelli cobrir dezoito laudas de papel almaço, no exíguo tempo de 13 minutos marcados a relógio, enquanto conosco descritiva em idioma diverso da mensagem escrita. É um fato. Do seu mecanismo intrínseco e extrínseco, porém, nada nos disse o médium. Agora, diz-nos este que também as produções são recebidas de jato.

Não há ideação prévia, não há encadeamento de raciocínios, fixação de imagens. É tudo inesperado, explosivo, torrencial! Do que escreve e sabe que está escrevendo, também sabe que não pensou e não seria capaz de escrever.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Há vocábulos de étimo que desconhece; há fatos e recursos de hermenêutica, figuras de retórica, que ignora; teorias científicas, doutrinas, concepções filosóficas das quais nunca ouviu falar, de autores também ignorados e jamais lidos!

▬  Como explicar, como definir e transfixar a captação, a realização essencial do fenômeno?

Só o médium poderia fazê-lo, e isso ele o faz seguir, de maneira impressionante, e de modo a satisfazer aos familiares da Doutrina. Aos outros, aos céticos, fica-lhes a liberdade de conjeturar, para melhor explicar, sem, contudo negar, porque o fato aí está na plenitude de sua realidade, e um fato, por mais insólito que seja, vale sempre por mil umas teorias que nada explicam, antes complicam...

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Como nota final aos Argos da crítica, Catões e Zelos de compasso e metro, faisqueiros de negas e nicas, na volúpia de escandir quando mente, diremos que, encarregado de apresentar esta obra, não nos dispôs a escoimá-la possíveis defeitos de técnica, não só por nos falecer autoridade e competência, como por julgar que tal ousio seria uma profanação.

Trata-se, precisamente, de um trabalho de identificação autoral, e de entidades hoje mais lúcidas e respeitáveis do que porventura o foram aqui na Terra. Tal como no-lo deram, esse trabalho melhor corresponde à sua finalidade altíssima, e que a legítima ética doutrinária aponta é que quaisquer lacunas, ou tales devem ser atribuídas ou enrugadas ao possivelmente precário aparelhamento de transmissão, ou a fatores outros, em suma, que mal podemos imaginar e que, no entanto, racional e logicamente devem existir, mais sutis e delicados do que esses que, amiúde, ocorrem na telepatia, na radiofonia, em tudo, enfim, que participa do meio físico contingente.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Que os arautos da Boa Nova aqui escalonados, por vindos de tão alto, nos perdoem a vacuidade e a insulsice destas linhas, e que os leitores de boa vontade as desprezem como inúteis, para só apreçarem a obra que ora lhes apresentamos, na pauta evangélica que diz: A árvore se conhece pelo fruto.

Manuel. Quintão (*)

(*) MANUEL Justiniano de Freitas QUINTÃO, nascido em 28 de maio de 1874, na Estação de Quirino, Marquês de Valença, RJ, e desencarnado em 16 de dezembro de 1954, no Rio de Janeiro. Foi guarda-livros, depois de lutar com imensas dificuldades, como jovem sem recursos financeiros, nas posições mais modestas do comércio.

(http://www.recantodadeli.com/extras/mini/aves/aves/04.gif)  Chefe de família numerosíssima. Estudioso incansável conseguiu, como autodidata, invejável cultura humanística. Foi jornalista. Ingressou na FEB em 1903, integrando-lhe o quadro social por 44 anos. Médium curador e espírita militante durante mais de meio século, exerceu cargos na Diretoria da Federação Espírita Brasileira ao longo de vários decênios, inclusive a Presidência nos anos 1915, 1918,1919 e 1929.

Como membro do "Grupo Ismael" foi sempre dos mais assíduos e proficientes no estudo do Evangelho de Jesus. Traduziu diversos livros espíritas e publicou alguns de sua autoria, muito apreciados, dentre eles "Cinzas do meu Cinzeiro" (coletânea de trabalhos publicados no "Reformador") e "O Cristo de Deus", este último editado pela FEB. Em 1939, escreveu notas autobiográficas endereçadas ao Reformador, para serem publicadas após a sua desencarnação: estão estampadas na edição de janeiro de 1955. (Nota da Editora)

Parnaso do Além Túmulo.
ESPÍRITOS DIVERSOS.
1932.

Biografia de Chico Xavier.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:16


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Sobre a morte

▬  Por que, na maioria dos casos, após a morte, a fisionomia dos desencarnados adquire uma expressão de suave paz?

Chico Xavier:

▬  A maioria das criaturas, em se desencarnando, de maneira pacífica, isto é, com a paz de consciência, quase sempre reencontra entes queridos que a antecederam na viagem da chamada morte física e deixa no próprio semblante as derradeiras impressões de paz e alegria que o corpo consegue estampar.

Resposta dada em entrevista feira pelo jornalista Fernando Worm, publicada no jornal "O Espírita Mineiro", de Belo Horizonte, MG, número 171, fevereiro/abril de 1977. Página 241 do livro "Chico Xavier - mandato de amor"/União Espírita Mineira - Belo Horizonte, 1992

Enviado por Luz do Evangelho.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:18



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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:20

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O Filme

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)   Talvez seja o tom de mistério que leva doutrinas como o espiritismo a despertar tanto interesse no público, mesmo que o assunto já tenha sido esmiuçado em tantas obras. Mas o fato é que o filme Chico Xavier reacendeu a curiosidade daqueles que nunca pisaram em um centro espírita.
 
O tema estava adormecido pela mídia desde 2002, depois da morte de seu mais ilustre representante brasileiro, mas voltou a fazer parte das rodas de discussões e a aquecer o mercado cinematográfico sobre o assunto.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)   Em todo o Brasil, o filme inspirado na obra do jornalista Marcel Souto Maior e que estreou no dia em que o médium Francisco Cândido Xavier completaria cem anos, bateu o recorde de bilheteria no primeiro fim de semana de exibição, com 590 mil espectadores.

Depois de três semanas em cartaz, mais de duas milhões de pessoas já assistiram ao longa. A arrecadação até agora é de R$ 18,5 milhões. Em Joinville, as duas empresas de cinema estrearam o filme em quatro horários diários e seguem as exibições com quase o mesmo número de sessões. No GNC Cinemas, por exemplo, a média de público foi de três mil na primeira semana, 2,2 mil na segunda e mil na terceira. Para se ter uma comparação, "Os Normais 2", em todo o período em que ficou em cartaz, levou quase seis mil pessoas, número que o filme do médium já bateu, e ainda vai aumentar.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)   Sucesso nos cinemas, o filme também pode ter ajudado nas vendas do estande da Federação Espírita Catarinense na Feira do Livro de Joinville, um dos mais visitados nos dez dias do evento. As vendas de obras sobre espiritismo e psicografia disponíveis tiveram um aumento de 80% em relação ao ano passado.

Nunca os sete centros espíritas de Joinville receberam a visita de tantos interessados na doutrina. Até espíritas que estavam afastados retomaram a participação nos encontros, segundo o presidente da Federação Espírita Catarinense, Elonyr Teixeira.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)   "Motivados pelo filme, muitos vêm buscar soluções para os problemas e inquietações, mas o que pregamos é a orientação espiritual. A solução está dentro das pessoas", explica Teixeira, que acha o número de centros na cidade pouco para atender a grande procura. "O ideal é que tivesse um centro em cada bairro", reforça.

O fato é que depois de conhecer a vida de Chico Xavier, inevitavelmente as pessoas passaram a se interessar pela doutrina. Mesmo que a versão de Daniel Filho tenha sido baseada em relatos do próprio médium e de pessoas que conviveram com ele, floreadas com algumas estratégias ficcionais, como em qualquer outra produção cinematográfica, Teixeira, que conheceu o médium pessoalmente, afirma que de forma geral o longa foi bem fiel à realidade e traz uma boa imagem para o espiritismo.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)   Uma das únicas cenas que fogem da vida real foi o velório do padre que dava conselhos a Chico Xavier quando, ainda criança, ele se comunicava com a mãe desencarnada.

A situação na verdade não ocorreu, foi apenas uma "licença poética", lembrada pelo presidente da Sociedade Espírita de Joinville, Alberto Ferreira. Inclusive, o padre Sebastião Scarzello, interpretado no filme, morreu há pouco tempo em Joinville, onde se tornou monsenhor da Igreja Católica.

(http://gifportal.ru/data/smiles/flowers-151.gif)   Ferreira ressalta que não foi apenas o filme a fonte que despertou a curiosidade das pessoas. A novela que recém estreou na Rede Globo, "Escrito nas Estrelas", também é baseada em uma obra de Chico Xavier, intitulada "E a Vida Continua".

RAFAELA MAZZARO
JOINVILLE.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:25


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 00:26


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 28 de Janeiro de 2011, 11:19
(http://3.bp.blogspot.com/_g4cGrqtQQjA/SkuuwnSrr9I/AAAAAAAAAKY/mP5XI0dqDPc/S220/girasol.bmp)

Mensagens Edificantes

Agenda Cristã
Livro: Sinal Verde
André Luiz e Francisco Cândido Xavier


"Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão, e, se você tem possibilidades de corrigir, não tem o direito de censurar."

"Ajude com a sua oração a todos os irmãos que jamais encontram tempo ou recursos para serem úteis a alguém."

"Antes de sair para a execução de suas tarefas, lembre-se de que é preciso abençoar a vida para que a vida nos abençoe."

"Se você tem qualquer mágoa remanescendo da véspera, comece o dia, à maneira do Sol: - esquecendo a sombra e brilhando de novo."

"Nas provações e conflitos do lar terrestre, quase sempre, estamos pagando pelo sistema de prestações, certas dívidas contraídas por atacado."

"A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando na condição de espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelos menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos."

"Não tente padronizar as necessidades afetivas dos outros por suas necessidades afetivas, porquanto embora o amor seja luz uniforme e sublime em todos, o entendimento e posição do amor se graduam de mil modos na senda evolutiva."

"Antagonizar sistematicamente é um processo exato de angariar aversões."

"Festejar dignamente, em torno da fraternidade humana, para ajudar o próximo, é uma das mais belas formas de auxílio."

"No que se refere à alimentação, é importante recordar a afirmativa dos antigos romanos: "há homens que cavam a sepultura com a própria boca".

"Quem fala menos ouve melhor, e quem ouve melhor aprende mais."

"Toda vez que criticamos alguém, estamos moralmente na obrigação de fazer melhor que esse alguém a tarefa em pauta."

"É possível que determinados companheiros nos incomodem presentemente, no entanto, será que temos vivido, até agora, sem incomodar a ninguém?"

"Auxílio sempre possível: colocar a flor da paciência no espinheiro da irritação."

"Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade está chamando o seu coração para vida nova."

"Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz."

"Por maior lhe seja o fardo do sofrimento, lembre-se de que Deus, que agüentou com você ontem, agüentará também hoje."

"Disse um notável filósofo: "uma criatura irritada está sempre cheia de veneno", e podemos acrescentar: "e de enfermidade também".

"Indiscrição, leviandade, curiosidade vazia ou malícia afastam de quem as cultiva as melhores oportunidades de elevação e progresso."

"O essencial em seu êxito não é tanto aquilo que você distribui e sim a maneira pela qual você se decide a servir."

"Em qualquer circunstância, é preciso não esquecer que podemos ver e ouvir para compreender e auxiliar."

"Quem diz que o tempo traz apenas desilusões, é que não tem feito outra cousa senão iludir-se."

"Quanto mais avança, a ciência médica mais compreende que o ódio em forma de vingança, condenação, ressentimento, inveja ou hostilidade está na raiz de numerosas doenças e que o único remédio eficaz contra semelhantes calamidades da alma é o específico do perdão no veículo do amor."

"A sentença de Jesus: "procura e achará" equivale a dizer: "encontrarás o que desejas".
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 20:03
Se você recusar o serviço a que me reporto, os orientadores dessa obra de nos dedicarmos ao cristianismo redivivo terão autoridade bastante para retirar você de seu atual corpo físico. Assunto encerrado.

Cont.



[attach=1]


AS VIDAS DE CHICO.


Chico manteve a conversa em segredo. Os espíritas estavam em festa mais uma vez. Comemoraram o centésimo livro de Chico como o milésimo gol de Pelé. O número redondo era um recorde. Chico era saudado como o único, entre os escritores vivos, com cem obras publicadas no país.

Vendia dez vezes mais que Carlos Drummond de Andrade. Só o best seller Jorge Amado era páreo para ele. Entre os autores brasileiros de sucesso, era o mais eclético. Sua obra incluía reportagens, poemas, crônicas, títulos infantis, contos e romances históricos.

Num dos jantares oferecidos a ele, o "desapropriado" dispensou os elogios e apelou para mais um de seus trocadilhos:
▬  Este é meu livro número cem, mas com "s".

Ele insistia: todos os livros eram dos espíritos. E abria mão, em cartório, dos direitos autorais. Os observadores espíritas mais atentos faziam as contas e analisavam a lógica matemática da obra de Chico Xavier. Ele tinha colocado no papel os primeiros quarenta títulos a uma velocidade de dois livros por ano. Os trinta seguintes chegaram às livrarias no pique de três publicações anuais. Depois, já aposentado, a média subiu para quatro. Para os mais entusiasmados, não restava qualquer dúvida: a obra obedecia a um planejamento minucioso do outro mundo.

Nos anos 70, sem nenhum parceiro, Chico escreveria oito livros por ano. Na noite de 28 de julho de 1971, Chico Xavier entrou na arena: o auditório da TV Tupi de São Paulo. Quase quinhentas pessoas cercavam o palco. Calvo, com a cabeça grande demais para o corpo franzino, Chico cumprimentou a multidão e, com um sorriso tímido, dirigiu-se sozinho ao centro do tablado, em direção à mesa reservada para ele. Após ajeitar-se na poltrona, ajustou os óculos, engoliu em seco.

O responsável por 107 livros ditados por quase quinhentos defuntos estava prestes a se submeter a uma sabatina via satélite. E, o melhor (ou pior), ao vivo. Chico Xavier entrou na roda. Uma roda-viva chamada Pinga-Fogo, o programa de entrevistas mais demolidor da época.

As perguntas viriam de todos os lados: da platéia, dos telespectadores, de uma bancada formada por cinco entrevistadores. Além dos três jornalistas da equipe da Tv Tupi Saulo Gomes, Reali Júnior e Helle Alves, dois convidados cuidariam da "inquisição": o católico João de Scantimburgo e o espírita Herculano Pires. Como mediador, o jornalista Almir Guimarães. O tribunal estava montado. Réu, advogados de defesa e acusação, juiz, todos a postos.

Às 23h30, Chico deu o seu boa-noite. Com fala pausada, baixa, monocórdia, disse a primeira das muitas frases estranhas da noite:
 ▬  Estou confiante no espírito de Emmanuel, que prometeu assistir-nos pessoalmente.

Estava tenso.
▬  Quantas pessoas estariam sintonizadas naquele canal? Talvez entrasse em pânico se soubesse a resposta:75% dos televisores paulistas ficaram ligados no Pinga-Fogo até o fim, às 3h da manhã. Pobres, milionários, padres, céticos, políticos, psiquiatras dormiram de madrugada naquela terça-feira para acompanhar as opiniões extravagantes de Chico Xavier sobre reencarnação, sexo, catolicismo, fornos crematórios e bebês de proveta. Nada menos que duzentos telespectadores telefonaram ao longo das quase três horas de entrevista.

João de Scantimburgo ajudou a espantar o sono do público em duelos como este:
Os que não crêem nos seus dotes defendem a tese de que o senhor registra no papel, por meio de escrita automática ou inconsciente, reminiscências de leituras.
▬  Não terá o senhor repetido de Augusto dos Anjos, por exemplo, os versos que leu e reteve na memória?

Sem gaguejar, Chico Xavier deu a resposta de sempre:
▬  Se eu disser que estes livros pertencem a mim, estarei cometendo uma fraude pela qual vou responder de maneira muito grave depois da partida deste mundo.

Após resumir seu currículo escolar limitado ao quarto ano primário, ele fez questão de defender a própria ignorância. Não tinha a menor idéia do que escrevia enquanto passava para o papel grande parte dos livros psicografados.

João de Scantimburgo não se convencia.
▬  O senhor é um homem que tem grande fluência ao falar. O senhor constrói com perfeição a frase, o senhor tem lógica na exposição da sua doutrina. Logo, o senhor é um autodidata, que se compenetrou da doutrina que esposou e a estudou profundamente e passou a exercer o seu trabalho expondo essa doutrina.

Chico apelou para a presença de Emmanuel:
▬  Qualquer estrutura fraseológica mais feliz de que eu possa ser portador se deve à influência de Emmanuel, à presença dele junto a mim, compreendendo a responsabilidade de um programa como este.

De vez em quando, ao longo da entrevista, ele diria:
▬  Emmanuel pede para mencionar... Emmanuel pede para lembrar... Emmanuel, que está presente, diz...

Mais tarde, Chico Xavier descreveu aos amigos mais íntimos os bastidores invisíveis daquela saga televisiva. Emmanuel teria se fundido a ele em simbiose. Semiconsciente o tempo inteiro, Chico teria repetido, como um amplificador, as respostas ditadas por seu guia. Só soube mesmo do teor da entrevista quando assistiu à reprise do programa em Uberaba.

Scantimburgo duvidava de fenômenos como este. E lançava perguntas escorregadias.
▬  Por que filósofos como Platão, Aristóteles e Kant não enviavam do além obras para os médiuns?
▬  Seria difícil demais "traduzir" as idéias deles?

Chico (ou Emmanuel) respondeu com uma hipótese incômoda:
▬  Com todo o respeito ao senhor, eu me permitiria perguntar se eles também não seriam médiuns.

Scantimburgo perdeu a paciência:
Este programa é de perguntas e não de debate. Chico concordou, tranqüilo, para evitar atritos. Exibiu seu talento para a diplomacia várias vezes. Como ao declarar um imenso respeito pela Igreja Católica, "em cujo seio formei a minha fé". Ou ao evitar mencionar o nome dos países que estavam legalizando o aborto, para não ser injusto com "povos que amamos e respeitamos muito".

Como sempre, ele mediu cada palavra e pediu perdão ao usar a expressão "assassinando crianças" quando criticou o aborto. Naquela noitada, o espírita falou menos sobre a doutrina e mais sobre temas polêmicos na época. Muito mais liberal do que o papa e os bispos, ele apontou nos bebês de proveta a possibilidade de diminuir o sofrimento da mulher no parto e os riscos de vida dos fetos.

Viu nas então revolucionárias e controvertidas pílulas anticoncepcionais a chance de mulheres e homens ficarem livres do "delito do aborto" e ainda defendeu o homossexualismo e a bissexualidade como "condições da alma humana", que não deveriam ser encaradas como "fenômenos espantosos, atacáveis pelo ridículo da humanidade". Fazia questão de destacar, a cada resposta mais elaborada, a presença de Emmanuel.

Telespectadores começaram a se acostumar com a idéia. O guia de
Chico analisou até a cremação, com palavreado um tanto rebuscado:
-- Ela é legítima para todos aqueles que a desejam, desde que haja um período de pelo menos 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio... Ou seja: o corpo deveria ser conservado em baixas temperaturas antes de ser lançado às labaredas.

O jornalista Reali Júnior cobrou uma posição mais ativa do espiritismo na luta por uma distribuição de renda mais justa no país. Dom Hélder Câmara projetava-se na batalha contra os problemas sociais e enfrentava com coragem a resistência de militares e conservadores. Chico limitava-se a promover campanhas beneficentes, atribuía o sofrimento de cada um à necessidade de "resgatar dívidas passadas", distribuía sopas, roupas, remédios e só.

▬  Por que ele, como líder religioso, não cobrava uma política mais eficiente do governo em vez de apenas acenar com paliativos?
▬  Os espíritas seriam adeptos do conformismo?

Com calma, Chico defendeu a doutrina:
▬  O espiritismo nos pede paciência para esperar os processos da evolução e as ações dos homens dignos que presidem os governos. Chico (ou Emmanuel?) fazia questão de defender as autoridades.

Um telespectador mandou, pelo telefone, outra pergunta incômoda. No livro Cartas de uma Morta, Maria João de Deus tinha descrito Marte como um planeta habitado, mas as sondas americanas desmentiram esta notícia.
▬  O espírito da mãe de Chico Xavier teria se enganado?

Após destacar seu respeito pela ciência, Chico garantiu:
▬  Sabemos que o espaço não está vazio. Mas precisamos esperar o progresso científico na descoberta mais ampla e na definição mais precisa daquilo que chamamos anti-matéria. Então, devemos aguardar que a ciência possa interpretar para nós a vida em outras dimensões, outros campos vibratórios.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 20:06


O clima ficou bem mais leve quando Chico descreveu seu desespero naquele avião trepidante em 1959. A expectativa da morte, seus gritos apavorados, a incapacidade de prever ou não a queda, a aparição de Emmanuel em pleno vôo, irritado com a quase histeria de seu "protegido".

Aquela história surpreendeu o público. Deu uma dimensão humana, frágil e real àquele homem estranho. Ele também tinha medo de morrer, ele também tinha dúvidas quanto ao próprio futuro. Ele não se anunciava como um vidente, um profeta, um super-homem bem relacionado com Deus. Com bom humor, Chico conquistou o público.

Após duas horas e 45 minutos de inquérito, Almir Guimarães pediu ao entrevistado para colocar no papel "uma mensagem de seus guias". Chico respondeu com um "vamos tentar", fechou os olhos, levou a mão esquerda à testa. O auditório ficou em silêncio absoluto, O único ruído vinha do lápis sobre a página em branco, em velocidade impressionante.   

De repente, Chico parou, ajeitou os óculos, tomou fôlego e, com a voz baixa, começou a ler o texto. Era um soneto assinado pelo ex-poeta, ex conferencista, ex jornalista, ex advogado, ex integrante da Academia Paulista de Letras e ex delegado-auxiliar de polícia do Rio de Janeiro Cyro Costa. Um ilustre desconhecido naquele início da década de 70. Tinha morrido em 1937, após publicar dois livros.

Ninguém esperava por aquele visitante do outro mundo. Muitos apostavam num fecho de ouro com Augusto dos Anjos ou Castro Alves, só para impressionar. Mais uma vez, Chico surpreendeu. O poema, "Segundo Milênio", resumia o clima de perplexidade geral naquele início de década atribulado:

A civilização atônita, insegura Lembra um tesouro ao mar que a treva desfigura, vagando aos turbilhões de maré desvairada.

Antes de se retirar, Chico pediu licença para homenagear as mães e agradecer a todos com a oração que Maria João de Deus rezava a seu lado, "em espírito", quando ele tinha cinco anos. As lágrimas rolaram em seu rosto enquanto ele declamava o pai-nosso. O público aplaudiu de pé

O Pinga-Fogo superou todas as expectativas. O programa foi reprisado na íntegra, a pedidos, três vezes nas semanas seguintes, sempre com audiência superior a 25% (uma enormidade se comparada com a média do programa naquele horário
ingrato: 2%).

A entrevista e o poema foram traduzidos para o esperanto e publicados pela revista japonesa Omoto, que circulava em setenta países. Chico Xavier, o mesmo "investigado" por David Nasser e Jean Manzon, virou colaborador fixo da revista O Cruzeiro, que passou a publicar em uma página semanal, para quase 400 mil leitores, "mensagens psicografadas" de Francisco Cândido Xavier.

Em novembro, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo abriu espaço para seis aulas sobre o espiritismo. A convite dos padres Mauro Batista e Marcos Masetto, o professor espírita Herculano Pires falou para auditórios lotados com quinhentos alunos.

O programa foi um marco para o espiritismo e para Chico Xavier. Muitos espíritas enrustidos, ou católicos não-praticantes, assumiram a religião. Céticos passaram a acreditar em vida depois da morte. Os amigos mais próximos e os observadores mais atentos, acostumados à figura de Chico, tiveram um motivo bem menos metafísico para ficarem impressionados.

Eles identificaram um corpo estranho sobre a cabeça do entrevistado. Nada de outro mundo. Ao contrário. Uma peruca discreta, com poucos fios, mudou sua aparência. Chico já não era mais o senhor calvo do ano anterior. Aquela alteração deixou muitos espíritas em estado de choque.
▬  Como alguém tão humilde capaz de se render a tanta vaidade?

Na introdução do livro Pinga-Fogo, lançado naquele ano pela Edicel, o autor do prefácio não se conteve ao descrever a aparição de Chico Xavier: "Haviam lhe posto uma peruca (talvez para atrapalhar), que juntamente com os seus óculos pretos dava-lhe um ar estranho. Parecia outro".

Na edição seguinte, a constatação "haviam lhe posto uma peruca" veio acompanhada de um asterisco. A observação, no rodapé, era sucinta: "Chico Xavier usa peruca". Mesmo os amigos mais íntimos demoraram a aceitar a idéia. Chico chegou a recorrer a uma explicação médica para justificar a novidade.

Da mesma forma como atribuiu à labirintite a causa de sua mudança para Uberaba, ele responsabilizou a sinusite pela necessidade da "prótese capilar". O frio sobre sua cabeça intensificava sintomas da doença e chegava a afetar seu olho enfermo. Durante algum tempo, ele tentou usar boina, mas, em meio à confusão na Comunhão Espírita Cristã, muita gente arrancava a proteção de sua cabeça, até mesmo na ilusão de levar um talismã para casa. Chico ia além em seu discurso médico:
▬  No meu caso, a calvície é uma enfermidade catalogada em qualquer dicionário. Chama-se alopécia.

Em seguida, admitiria a tentativa de um implante, na época realizado com técnicas ainda mais duvidosas do que as atuais. Sua cabeça trazia mais feridas do que novos fios e ele não poderia exibi-la por aí. Outro motivo, mais sobrenatural, também veio à tona. A "comunicação mediúnica" partia, muitas vezes, de seu cérebro.

E Chico sofria quando alguém colocava as mãos em sua careca, sempre sensível. Os fiéis mais entusiasmados costumavam tocar nele sem maiores constrangimentos. Chico demorou um pouco a admitir outro motivo, a vaidade pura e simples: Devemos cuidar de nossa aparência física, como cuidamos da parte espiritual. Não temos direito de chocar os outros e enfear o mundo com nossas deficiências.

No dia 12 de dezembro, Chico Xavier voltou ao auditório da TV Tupi para um bis do programa de maior sucesso naquele ano: o Pinga-Fogo espírita. Vestia um terno alinhado e aparentava calma, apesar da movimentação quase histérica em torno dele. O salão, com capacidade para quinhentas, abrigava oitocentas pessoas. À tarde, o superintendente da TV Tupi, Orlando Negrão, lutava para conseguir um convite para Zilda Natel, mulher do governador paulista, Laudo Natel.

A entrevista, dessa vez, não seria transmitida apenas para São Paulo. Seria veiculada por quatro emissoras em rede nacional. Na última hora, diante das reportagens extensas na imprensa, catorze outras TVs encomendaram video teipes. Antes mesmo do início do programa, mais de cem perguntas já haviam chegado à Tupi por escrito ou por telefone. Outras duzentas foram enviadas por três telefones que não pararam de tocar.

O próprio Chico Xavier declarou-se surpreso com tanto interesse no início da entrevista:
▬  Sinceramente, devemos confessar que estamos aqui numa posição imerecida. Emprestou-se tamanha solenidade a este programa que, sinceramente, nos surpreendemos sobremaneira.

A entrevista estendeu-se por cinco horas. Chico defendeu a cirurgia plástica como uma concessão da Providência Divina, "para que venhamos a valorizar cada vez mais o veículo físico".  Fez declarações de respeito a umbanda, "apesar de não estar vinculada aos princípios codificados por Kardec". Defendeu a reencarnação.

O caso bem-humorado da noite ficou por conta do pai dele, João Cândido. Antes de morrer, o vendedor de bilhetes lotéricos prometeu ao filho:
- Quando eu for embora, pode acreditar, vai parar a roda da fortuna para você no Natal. Após a morte do pai, Chico passou a jogar na loteria todo final de ano. Jamais ganhou. O público se divertiu. Mas a entrevista teve maus momentos.

No país do AI-5 e da tortura, Chico Xavier fez um discurso capaz de emocionar o general Médici, então presidente do Brasil:
▬  Precisamos honorificar a posição daqueles que nos governam e que vigiam os nossos destinos. Devemos pedir para que tenhamos a custódia das Forças Armadas até que possamos encontrar um caminho em que elas continuem nos auxiliando como sempre para que não descambemos para qualquer desfiladeiro de desordem. A oração e vigilância, preconizadas por Jesus, se estampam com clareza em nosso governo atual...

O segundo Pinga-Fogo do ano terminou com um poema intitulado "Brasil". Chico colocou no papel, com os olhos fechados, versos como:

"Dos sonhos de Tiradentes,
Que se alteiam sempre mais,
Fizeste apóstolos, gênios,
Estadistas, generais".

A assinatura: Castro Alves.

A revista Veja decifrou o discurso militarista de Chico Xavier como uma estratégia. Com os elogios generalescos, ele se livraria do risco de sofrer censura, como havia acontecido com o umbandista carioca Seu Sete da Lira, atração dos programas Sílvio Santos, Flávio Cavalcanti e Chacrinha naquele ano. Se foi mesmo uma tática, ela funcionou. A Escola Superior de Guerra convidou Chico a dar uma palestra a seus alunos. Ele aceitou o convite. No final da conferência, os cadetes se perfilaram e, em fila, cantaram para ele o hino de sua escola.

O jornal Última Hora criticou a performance do entrevistado:
▬  Sorriso por sorriso, o de Sílvio Santos é mais cativante. Simpatia por simpatia, a de Hebe Camargo é mais convincente. O gesto de ajustar os óculos tem mais charme executado pelas mãos de Flávio Cavalcanti. A voz afetada de Norminha, personagem de Jô Soares, é mais espontânea.

Mas teve de reconhecer:
"▬  Nenhum programa de televisão, por melhor que seja, terá os recursos de Chico Xavier. Qualquer problema do espírito, do corpo, deste ou de outro mundo tem dele solução pronta e imediata". Cópias dos dois Pinga-Fogo, devidamente dubladas, chegaram a circular no Japão, onde já era vendida a versão de Nosso Lar. Muita gente gravou, em fitas cassetes, o discurso de Chico Xavier.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 20:08


De repente, ele se transformou em ídolo de massas, um showman, um pop star. Além de ter sido a maior atração da TV brasileira de 1971. Foi eleito personalidade do ano pelo jornal Lavoura e Comércio, recebeu a Palma de Ouro, não em Cannes, mas no programa Silveira Lima, e foi promovido a Servidor Emérito pelo Rotary Clube, de Uberaba. Teria de pagar um imposto sobre tanto sucesso.

No fim do ano, Hamilton Ribeiro, um repórter da revista Realidade, desembarcou na Comunhão Espírita Cristã para flagrar o entrevistado mais famoso do país em seu habitat natural. Na noite de sexta-feira, sessenta carros, de jipes a Mercedes, já estavam estacionados nas ruas recém-asfaltadas da Comunhão Espírita Cristã. Placas de Monte Castelo e Itumbiara se misturavam a outras do Rio e de São Paulo.

Depois do primeiro Pinga-Fogo, o movimento tinha dobrado no "Vaticano do Espiritismo". Mil pessoas aguardavam na fila o momento de entrar no salão de cem metros quadrados. Duas filas se estendiam e se misturavam: uma ia até a cabine de passes; outra se dirigia aos auxiliares encarregados de organizar os pedidos de receitas do Dr. Bezerra de Menezes.

Uma terceira reunia os interessados em autógrafos. O repórter entrou na fila "médica", para fazer uma consulta pelo amigo Pedro Alcântara Rodrigues. Preencheu no papel o endereço do doente - alameda Barão de Limeira, 1327, apto. 82 e esperou. No final da sessão, após atender à multidão, Chico se sentou à cabeceira da mesa, colocou a mão sobre os olhos e frases no papel.

Quando iniciava a leitura do texto, assinado por Emmanuel, ele parou. Tem alguém com gravador aqui, disse à presidente do centro, Dalva. Não tem, Chico. Já olhamos. Tem sim. Eles estão dizendo. Ninguém na platéia admitiu a culpa. Dona Dalva descobriu o culpado num dos bancos do fundo: um deputado do Rio. Ele escondia no bolso um minúsculo gravador.

No final da sessão, Hamilton Ribeiro, já ansioso, recebeu a receita para seu amigo:
"▬  Junto aos amigos espirituais que lhe prestam auxílio, buscaremos cooperar espiritualmente em seu favor. Jesus nos abençoe".

Havia apenas um detalhe: o nome e o endereço do amigo eram falsos. Hamilton tinha inventado o personagem. Diante da revelação incômoda, os espíritas repetiram uma explicação dada por Chico várias vezes:
"▬  Quando o nome do consulente é uma invenção, a consulta vale para o "inventor". A dúvida ficou no ar.

Na mesma reportagem, Hamilton Ribeiro divulgou também o resultado de um encefalograma realizado pelo médico Elias Barbosa em Chico Xavier durante o transe. Sem saber de quem se tratava, o neurologista paulista Juvenal Guedes avaliou o gráfico e foi taxativo: o paciente estava longe da normalidade.

Ele encontrou no hemisfério esquerdo do cérebro de Chico uma descarga elétrica exagerada, capaz de levar o doente à convulsão epilética ou equivalente (alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor).

O Dr. Eunofre Marques, médico-assistente da clínica psiquiátrica do Hospital das Clínicas, após estudar a personalidade dos médiuns em sessões espíritas e umbandistas, tratou de enquadrar a todos em quatro categorias: altamente sugestionáveis, pouco dotados e com sentimentos de inferioridade, psicóticos delirantes e portadores de disritmia cerebral.

Em sua opinião, Chico seria um caso de disritmia cerebral. Os sintomas: crises alucinatórias (tem visões e ouve vozes), perturbações de consciência (como se estivesse sonhando acordado) ou momentos em que tem dificuldades para compreender onde está e o que se passa com ele.

Os espíritas trataram de defender a lucidez de Chico. Definiram seu desequilíbrio em transe como "disritmia sã", sem origem patológica, e sim "psíquica provisória", promovida pela interferência de uma "personalidade intrusa". Tanto que, em estado normal, ele apresentava um encefalograma comum e nunca tinha sido surpreendido por um acesso epilético.

No início de 1972, os líderes da Igreja Católica decidiram reagir contra a estrela dos Pinga-Fogo. Chico estava passando dos limites. Já tinha virado verbete até mesmo da enciclopédia Delta Larousse. Ali, ele era apresentado como "vulto do espiritismo brasileiro" e sua obra de assistência social era definida como "significativa", em texto de 22 linhas publicado acima de uma caricatura dele feita por Alvarus em 1952.

A idéia da reencarnação começava a ganhar adeptos demais. Com sua voz mansa, suas palavras sob medida, Chico Xavier usava as palavras do próprio Jesus Cristo:
"▬  Necessário vos é nascer de novo",  para vender seu peixe. Com frases bíblicas à mão, ele apregoava:
▬  Sim, nascer de novo todos os dias, todas as semanas, de ano para ano, de etapa para etapa, mas também, de vida em vida, de berço em berço. O discurso começava a ganhar uma força perigosa.

No dia 26 de janeiro, os dirigentes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniram-se para discutir a ameaça Chico Xavier. Em entrevista coletiva, dom Aloísio Lorscheider, dom Ivo Lorscheiter e dom Avelar VilIela Brandão divulgaram seu veredito:
▬  É excessiva e maciça a publicidade em torno das atividades mediúnicas, especialmente do fenômeno Chico Xavier. Admitimos o direito de consciência religiosa, que consideramos sagrado. No entanto, o que observamos não é rigorosamente o uso de um direito. Por trás desses programas de divulgação, há perigos evidentes para a formação religiosa do povo brasileiro.

Nenhum dos líderes católicos acusou o espírita de má-fé. Chico, segundo eles, atribuía seus textos aos "espíritos" por ignorar a própria capacidade de colocar no papel informações registradas em seu subconsciente. A revista Mensageiro de Santa Rita publicou uma crítica ao Pinga-Fogo intitulada "Deseducação em massa do povo brasileiro". Um dos trechos era um pedido velado de censura oficial: "Deseducação incompreensivelmente permitida pelas autoridades responsáveis".

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, avaliou o fenômeno em A Voz do Pastor. Após atestar o fascínio do brasileiro pelo extraordinário e pelo suposto sobrenatural ele garantiu:
▬  Com habilidade e inteligência podem-se arrastar multidões. O gesto do mágico, o encanto pelo desconhecido, sempre atraíram, através da história, grandes massas humanas em fugazes tentativas religiosas. Foge-se do verdadeiro e o lugar é ocupado imediatamente pelo falso.

O cardeal-arcebispo de Porto Alegre, dom Vicente Scherer, também usou A Voz do Pastor para dar seu recado. Chico, segundo ele, escrevia livros na falsa e ilusória convicção de estar sob a influência de "agentes invisíveis": A psicografia tem explicação simples e natural, pela ação normal do próprio psiquismo humano. Qualquer pessoa sugestionável, de bons estudos, tem condições de se tornar psicógrafa e, assim, escrever aparentes ditados, imitando o estilo de autores até mesmo vivos.

Após inocentar Chico Xavier da suspeita de desonestidade, ele lamentou:
"Seu engano talvez perturbe e desoriente espíritos ingênuos e desprevenidos".

O padre Oscar Gonzáles Quevedo e sua equipe estudaram o caso do médium mineiro e publicaram o diagnóstico em artigo na Revista de Parapsicologia, editada pelo Centro Latino-Americano de Parapsicologia. Um dos parapsicólogos, o psiquiatra Daulas Vidigal, foi matemático.

Chico teria lido, nos 45 anos mais úteis de sua vida, a média de um livro por semana, ou seja, 2.340 títulos no total. De cada autor "psicografado" (foram menos de quinhentos), ele poderia ter estudado cinco livros, o suficiente para captar seu estilo.

O próprio Quevedo, autor de A Face Oculta da Mente, defendia uma tese mais "científica":
Sua psicografia ocorre por um automatismo do subconsciente, o fidelíssimo gravador que retém tudo quanto se passa conosco.

Chico se auto-hipnotiza superficialmente, entregando-se ao subconsciente. Este, por sua vez, faz o lápis correr sobre o papel. O padre jesuíta fazia questão de definir a psicografia como obra deste mundo. E exibia uma prova: "Já levamos uma pessoa sugestionável a psicografar Carlos Drummond de Andrade. Na época, o poeta estava bem vivo".

Chico Xavier respondia com o silêncio. Alguns espíritas, mais invocados, provocavam.
▬  Se Quevedo é tão inteligente assim, se ele leu tanto para chegar a tantas conclusões, por que ele não se auto-hipnotizava e criava um livro bem melhor do que A Face Oculta da Mente?

Pouco depois de toda a polêmica, o jornal Gazeta Mercantil publicou uma pesquisa sobre os cinco religiosos mais influentes do Brasil. Chico Xavier apareceu num honroso quarto lugar (com 9,52% dos votos), seguido por dom Eugênio Sales (9,17%). Nas primeiras posições apareceram dom Paulo Evaristo Arns (13,06%), dom Hélder Câmara (11,49%) e dom Aloísio Lorscheider (11,39%).

No artigo do jornal, o "líder espírita" era definido como "dono de forte magnetismo pessoal", capaz de arrebanhar adeptos com extrema facilidade. Mais tarde, Chico receberia cartas de apoio de padres. Um dos remetentes foi o padre Milton Santana, já idoso, responsável pelo Centro Social Paroquial Nossa Senhora de Fátima, em Campinas:
"Chico, acompanho-o na sua missão de quem se conscientizou que "servir é o destino das grandes almas". Bondade assim só consegue quem está em comunhão com Deus pelo serviço ao outro, ao próximo".



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 20:10


Quase vinte anos depois, textos escritos por Chico e assinados por Emmanuel e André Luiz estariam estampados nas contra- capas de milhares de cadernos impressos pelas Escolas Profissionais Salesianas, dirigidas por padres.

Em "Calma", por exemplo, André Luiz pedia: "Se você está a ponto de estourar mentalmente, silencie alguns instantes para pensar..." Os cadernos só não citavam o nome de Francisco Cândido Xavier. Bispos, cardeais e espíritas discutiam e Chico era homenageado.

No dia 22 de setembro de 1972, ele foi à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro receber o título de Cidadão do Estado da Guanabara. Galerias e plenário ficaram superlotados. Entre os convidados, estava o almirante Silvio Heck. O discurso militarista de Chico Xavier ainda rendia dividendos.

O ex-ministro da Marinha, um dos telespectadores atentos do segundo Pinga-Fogo, estava empolgado. Para ele, Chico era uma prova do que Gandhi um dia afirmou:
"▬  Se um dia um único homem atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será suficiente para neutralizar o ódio de milhões".

Chico Xavier surpreendeu o público com um longo discurso improvisado, repleto de dados históricos precisos e de nomes e sobrenomes das "autoridades presentes", sem recorrer a qualquer texto. Mais uma vez, ele insistiu na humildade.

Disse não ter qualidades para receber "semelhantes honrarias" e se definiu como uma parede arruinada, sobre a qual se pregava um cartaz anunciando os ensinamentos de Jesus. Terminou seu discurso, diante de espectadores como Dulce Passarinho, tia do ministro Jarbas Passarinho, pedindo a "bênção generosa, a bênção imperecível de Deus".

Sua peruca tinha crescido e exibia até fios grisalhos. Espíritas estavam perplexos e enviavam cartas ao pop star em Uberaba. Seus ternos bem cortados, seu cabelo de mentira, tudo isto era inconcebível. Ele sucumbia à vaidade. Uma das cartas era dura:
"▬  Você envelheceu e caducou".

No dia 28 de outubro de 1972, Chico Xavier quebrou o silêncio, esqueceu a postura de engolir desaforos e desabafou ao jornal Cidade de Santos. Estava irreconhecível. Aos críticos de sua peruca, ele respondeu:

Pus cabelos na cabeça sim. E pus mesmo porque preciso. E isso me honra muito. Eu quero viver. Não quero aparecer como uma ruína humana diante de meus amigos, todos bem-postos, bem tratados.

▬  Por que eu vou aparecer como uma pessoa que morreu e que só falta enterrar?
Não, não morri, não. Eu quero viver e quero viver muito, se Deus quiser.

Aos críticos de seus ternos, ele perguntou:
▬  Eu agora vou andar vestido de bandral do século 1? Não.

▬  Por causa dos livros?
Então era melhor não ser médium. Quero andar direitinho, com a roupa limpa e com cabelos na cabeça. Me perdoem, mas eu quero.

▬  Pois se a doutrina é a maior alegria de nossa vida, vamos chegar lá imundos, pedindo esmola?
Tenho de ir desabando em glórias, uai.

A quem lhe cobrava uma postura de santo, ele gritou:
"▬  Nós precisamos humanizar a doutrina. Nem demônio, mas também nem anjos. Somos homens e mulheres da
Terra. Agora, o dia em que for promovido a anjo, ninguém sabe, porque a nomeação foi lá por cima".

A quem criticava seu empenho em receber títulos em solenidades, ele desafiou:
"▬  A Câmara Municipal vota um título para o espiritismo e diz que a besta chamada Chico Xavier deve ir receber.

Posso ofender uma cidade, falando assim:
▬  Muito obrigado, eu aí não vou pôr meus pés'?
Não posso fazer isso".

Estava magoado: "Não tenho tempo nem de cortar a unha. De vez em quando o dedo dói e sangra. Uma unha entrou no outro dedo". E terminou com uma ironia:
"Querem que eu chegue nos lugares e diga: "Olhe, eu sou espírita.
▬  Vocês podiam dar uma esmola pra Comunhão Espírita Cristã?". Mandavam a gente pra cadeia. Manda para o Carandiru que ele está doido". Nunca mais Chico faria um desabafo como esse em público.

Na Bienal do Livro daquele ano, a fila até Chico Xavier, no estande da Livraria Modelo, assumiu proporções descomunais. Quase 1.500 pessoas se esforçaram para chegar a ele. Distribuiu autógrafos das duas horas da tarde às sete da manhã seguinte. Descansou apenas meia hora.

Os amigos sugeriram o uso de um carimbo com dedicatória padrão para apressar o movimento. Chico apenas assinaria o próprio nome. Com muito custo, persuadido pelo tamanho da fila, Chico aceitou. Foi pior. Culpado pelo excesso de impessoalidade, ele tratava de escrever, ao lado do carimbo, algumas frases para cada leitor.

Em 1973, Chico foi atração em outra tarde-noite-madrugada de autógrafos. Nos dias 3 e 4 de agosto, no Clube Atlético Ipiranga, em São Paulo, ele deixou sua assinatura em nada menos que 2.243 livros após dezoito horas de maratona. A quantidade de cartas endereçadas a ele também alcançava números impressionantes.

Chico chegou a receber, por dia, trezentas cartas. A média girava em torno de duzentas. Remetentes do Brasil inteiro, além da Espanha, Estados Unidos, Portugal, Argentina e Itália, pediam socorro a Chico Xavier, "o pai dos desesperados", "o irmão dos que choram", "o melhor sobre a Terra". Dos envelopes saíam fotos, pétalas, descrições de tragédias, súplicas. "O senhor escute sua prece. Ore por nós.. "Minha filhinha morreu... Ela está bem?" "Perdi a alegria de viver..."

Chico já era um fenômeno. Passava por cima das críticas, vestia seu terno, penteava a peruca e ia em frente. Em 1973, a Câmara Municipal de São Paulo se transferiu por um dia para o Ginásio do Pacaembu. Iria entregar, em sessão especial, o título de Cidadão Paulistano a Francisco Cândido Xavier.

O Ginásio ficou lotado. Após se definir como o "último dos últimos servidores das atividades evangélicas", ele afirmou receber o título na condição de apenas um "zelador" da doutrina e iniciou uma aula sobre a fundação de São Paulo, repleta de minúcias nunca incluídas, sequer, em livros de História. Os espíritas mais atentos não tiveram dúvidas: era Emmanuel quem falava. E falava com a autoridade de quem tinha sido, em outra vida, o padre Manuel da Nóbrega, fundador da cidade.

As homenagens eram incessantes. Em 1973, a estrela do Pinga-Fogo ainda recebeu os títulos de cidadão de Araras, Santos, São Caetano do Sul, Franca, Belo Horizonte, Campinas, Araguari, Goiânia, além da Placa de Ouro da Prefeitura do Guarujá e a Medalha Anchieta da Câmara Municipal em São Paulo.

Durante a maratona, ele inventaria mais um slogan autodepreciativo:
▬  Não passo de um cabide, onde dependuram as homenagens ao espiritismo. Aos que anunciavam sua queda, por ceder ao orgulho e à vaidade, ele gritaria: Não vou cair porque nunca me levantei.

Numa tarde, ele caminhava com amigos em peregrinação por um bairro pobre de Uberaba, quando parou de repente e afirmou:

▬  Às vezes, sinto como se meu corpo estivesse coberto de lama. Mas aqui eu nunca deixei respingar uma gota,  e apontou para a própria cabeça.

A felicidade ele sempre definiu como "consciência tranqüila".

MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 28 de Janeiro de 2011, 20:12


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Telmaluz em 29 de Janeiro de 2011, 03:19
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 29 de Janeiro de 2011, 21:43
Boa noite, queridos amigos!



Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos



1 - Disciplinar os próprios impulsos.
2 - Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3 - Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4 - Aceitar sem revolta a crítica e a reprovação.

5 - Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6 - Evitar as conversações inúteis.

7 - Receber o sofrimento o processo de nossa educação.

8 - Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9 - Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10 - Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.
 
* * *

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Paz e Renovação.

Ditado pelo Espírito André Luiz.
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: katiatog em 29 de Janeiro de 2011, 21:47
O HOMEM BOM



Conta-se que Jesus, apos narrar a Parábola do Bom Samaritano, foi novamente interpelado pelo doutor da lei que, alegando não lhe haver compreendido integralmente a lição, perguntou, sutil:

- Mestre, que farei para ser considerado homem bom?

Evidenciando paciência admirável, o Senhor respondeu:

Imagina-te vitimado por mudez que te iniba a manifestação do verbo escorreito e pensa quão grato te mostrarias ao companheiro que falasse por ti a palavra encarcerada na boca.

Imagina-te de olhos mortos pela enfermidade irremediável e lembra a alegria da caminhada, ante as mãos que te estendessem ao passo incerto, garantindo-te a segurança.

Imagina-te caído e desfalecente, na via pública, e preliba o teu consolo nos braços que te oferecessem amparo, sem qualquer desrespeito para com os teus sofrimentos.

Imagina-te tocado por moléstia contagiosa e reflete no contentamento que te iluminaria o coração, perante a visita do amigo que te fosse levar alguns minutos de solidariedade.

Imagina-te no cárcere, padecendo a incompreensão do mundo, e recorda como te edificaria o gesto de coragem do irmão que te buscasse testemunhar entendimento.

Imagina-te sem pão no lar, arrostando amargura e escassez, e raciocina sobre a felicidade que te apareceria de súbito no amparo daqueles que te levassem leve migalha de auxílio, sem perguntar por teu modo de crer e sem te exigir exames de consciência.

Imagina-te em erro, sob o sarcasmo de muitos, e mentaliza o bálsamo com que te acalmarias, diante da indulgência dos que te desculpassem a falta, alentando-te o recomeço.

Imagina-te fatigado e intemperante e observa quão reconhecido ficarias para com todos os que te ofertassem a oração do silêncio e a frase de simpatia.

Em seguida ao intervalo espontâneo, indagou-lhe o Divino Amigo:

- Em teu parecer, quais teriam sido os homens bons nessas circunstâncias?

- Os que usassem de compreensão e misericórdia para comigo - explicou o interlocutor.

- Então - repetiu Jesus com bondade-, segue adiante e faze também o mesmo.
 
* * *

Xavier, Francisco Candido. Da obra: Amor e Vida em Família.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 30 de Janeiro de 2011, 01:04
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 30 de Janeiro de 2011, 01:10
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: casquinha em 30 de Janeiro de 2011, 23:23
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
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Doença e Remédio


O trato com as chagas da ignorância, na esfera da Humanidade, quais sejam a incompreensão e a vingança, a crueldade e a rebeldia, anotemos a conduta da Misericórdia Divina, no quadro das doenças terrestres.

Porque alguém acusa os reflexos tóxicos dessa ou daquela enfermidade, não sofre condenação a permanente desajuste.

Recebe a atenção da Ciência, que lhe examinas as possibilidades de cura ou melhoria.

Porque o médico deve observar detritos corruptores, não lhe impele a saúde à perturbação e ao relaxamento.

Dá-lhes luvas protetoras.

Porque processos infecciosos alteram a constituição celular nessa ou naquela parte da província corpórea, não sentencia a zona atacada a simples extirpação.

Oferta-lhe o recurso adequado para que elimine a infestação virulenta.

Se grandes lesões comparecem na estrutura do carro físico, ameaçando-lhes a segurança, traça o plano necessário à intervenção cirúrgica, mas não deixa o doente a insular-se no desespero, estendendo-lhe à dor o amparo da anestesia.

Se moléstias epidêmicas surgem, insidiosas, distribui a vacinação que susta o contágio.

Vemos que a Lei de Deus não se conforma com o mal: ao contrário, opõe-lhe a cada instante o socorro do bem.

Dessa forma, se os agentes da lama se te infiltram no passo, exibindo-te aos olhos perigosas ações de discórdia e infortúnio naqueles que mais amas, não podes realmente acomodar-se aos golpes com que te impulsionam à imersão na maldade, mas podes esparzir a água viva do amor, auxiliando em silêncio as vítimas do desequilíbrio que tombam sem saber que se arrastam no lodo.

Usa, pois, cada hora, a compaixão sem termos e o perdão sem limites, porque o próprio Jesus, perante os nossos males, exclamou, complacente:

- "Em verdade, eu não vim para curar os sãos."


Livro: Canais da Vida
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 31 de Janeiro de 2011, 00:07
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Na Via Pública


A rua é um departamento importante da escola do mundo, onde cada criatura pode ensinar e aprender.

Encontrando amigos ou simples conhecidos, tome a iniciativa da saudação, usando cordialidade e carinho sem excesso.

Caminhe em seu passo natural dentro da movimentação que se faça precisa, como se deve igualmente viver: sem atropelar os outros.

Se você está num coletivo, acomode-se de maneira a não incomodar os vizinhos.

Se você está de carro, por mais inquietação ou mais pressa, atenda às leis do trânsito e aos princípios do respeito ao próximo, imunizando-se contra males suscetíveis de lhe amargurarem por longo tempo.

Recebendo as saudações de alguém, responda com espontaneidade e cortesia.

Não detenha companheiros na vida pública, absorvendo-lhes tempo e atenção com assuntos adiáveis para momento oportuno.

Ante a abordagem dessa ou daquela pessoa, pratique a bondade e a gentileza, conquanto a pressa, freqüentemente, esteja em suas cogitações.

Em meio às maiores exigências de serviço, é possível falar com serenidade e compreensão, ainda mesmo por um simples minuto.

Rogando um favor, faça isso de modo digno, evitando assobios, brincadeiras de mau gosto ou frases desrespeitosas, na certeza de que os outros estimam ser tratados com o acatamento que reclamamos para nós.

Você não precisa dedicar-se à conversação inconveniente, mas se alguém desenvolve assunto indesejável é possível escutar com tolerância e bondade, sem ferir o interlocutor.

Pessoa alguma, em sã consciência, tem a obrigação de compartilhar perturbações ou conflitos de rua.

Perante alguém que surja enfermo ou acidentado, coloquemo-nos, em pensamento, no lugar difícil desse alguém e providenciemos o socorro possível.




Livro: Sinal Verde - 10
André Luiz & Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: casquinha em 31 de Janeiro de 2011, 00:29
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 31 de Janeiro de 2011, 14:29
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A Esmola da Compaixão


Livro: Contos e Apólogos - 38
Irmão X & Francisco Cândido Xavier


    De portas abertas ao serviço da caridade, a casa dos Apóstolos em Jerusalém vivia repleta, em rumoroso tumulto.

    Eram doentes desiludidos que vinham rogar esperança, velhinhos sem consolo que suplicavam abrigo. Mulheres de lívido semblante traziam nos braços crianças aleijadas, que o duro guante do sofrimento mutilara ao nascer, e, de quando em quando, grupos de irmãos generosos chegavam da via pública, acompanhando alienados mentais para que ali recolhessem o benefício da prece. Numa sala pequena, Simão Pedro atendia, prestimoso.

    Fosse, porém, pelo cansaço físico ou pelas desilusões hauridas ao contacto com as hipocrisias do mundo, o antigo pescador acusava irritação e fadiga, a se expressarem nas exclamações de amargura que não mais podia conter.

    - Observa aquele homem que vem lá, de braços secos e distendidos? - gritava para Zenon, o companheiro humilde que lhe prestava concurso - aquele é Roboão, o miserável que espancou a própria mãe, numa noite de embriaguez... Não é justo sofra, agora, as conseqüências? E pedia para que o enfermo não lhe ocupasse a atenção.

    Logo após, indicando feridenta mulher que se arrasava, buscando-o, exclamou, encolerizado:

    - Que procuras, infeliz? Gozaste no orgulho e na crueldade, durante longos anos... Muitas vezes, ouvi-te o riso imundo à frente dos escravos agonizantes que espancavas até à morte... Fora daqui! Fora daqui!...

    E a desmandar-se nas indisposições de que se via tocado, em seguida bradou para um velho paralítico que lhe implorava socorro:

    - Como não te envergonhas de comparecer no pouso do Senhor, quando sempre devoraste o ceitil das viúvas e dos órfãos?  Tuas arcas transbordam de maldições e de lágrimas.. . O pranto das vítimas é grilhão nos teus pés.. .

    E, por muitas horas, fustigou as desventuras alheias, colocando à mostra, com palavras candentes e incisivas, as deficiências e os erros de quantos lhe vinham suplicar reconforto.

    Todavia, quando o Sol desaparecera distante e a névoa crepuscular invadira o suave refúgio, modesto viajante penetrou o estreito cenáculo, exibindo nas mãos largas nódoas sanguinolentas.

    No compartimento, agora vazio, apenas o velho pescador se dispunha à retirada, suarento é abatido.

    O recém-vindo, silencioso, aproximou-se, sutil, e tocou-o docemente.

    O conturbado discípulo do Evangelho só assim lhe deu atenção, clamando, porém, impulsivo:

    - Quem és tu, que chegas a estas horas, quando o dia de trabalho já terminou?

    E porque o desconhecido não respondesse, insistiu com inflexão de censura:

    - Avia-te sem demora! Dize depressa a que vens...

    Nesse instante, porém, deteve-se a contemplar as rosas de sangue que desabotoavam naquelas mãos belas e finas. Fitou os pés descalços, dos quais transpareciam, ainda vivos, os rubros sinais dos cravos da cruz e, ansioso, encontrou no estranho peregrino o olhar que refletia o fulgor das estrelas...

    Perplexo e desfalecente, compreendeu que se achava diante do Mestre, e, ajoelhando-se, em lágrimas, gemeu, aflito:

    - Senhor! Senhor! Que pretendes de teu servo? Foi então que Jesus redivivo afagou-lhe a atormentada cabeça e falou em voz triste:

    - Pedro, lembra-te de que não fomos chamados para socorrer as almas puras... Venho rogar te a caridade do silêncio quando não possas auxiliar! Suplico-te para os filhos de minha esperança a esmola da compaixão...

    O rude, mas amoroso pescador de Cafarnaum, mergulhou a face nas mãos calosas para enxugar o pranto copioso e sincero, e quando ergueu, de novo, os olhos para abraçar o visitante querido, no aposento isolado somente havia a sombra da noite que avançava de leve.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Dothy em 31 de Janeiro de 2011, 14:42



     Perdão e Liberdade

Autor Espiritual(Emmanuel)
Psicografada por Chico Xavier


Aprendamos a perdoar, conquistando a liberdade de servir.

E imprescindível esquecer o mal para que o bem se efetue.
Onde trabalhas, exercita a tolerância construtiva para que a tarefa não se escravize a perturbações...
Em casa, guarda o entendimento fraterno, a fim de que a sombra não te algeme o espírito ao desespero...
Onde estiveres e onde fores, lembra-te do perdão incondicional, para que o auxílio dos outros te assegure paz à vida.
É indispensável que a compreensão reine hoje entre nós, para que amanhã não estejamos encarcerados na rede das trevas.

A morte não é libertação pura e simples.

Desencarnar-se a alma do corpo não é exonerar-se dos sentimentos que lhe são próprios.
Muitos conduzem consigo, além-túmulo, uma taça de fel envenenado com que aniquilam os melhores sonhos dos que ficaram na Terra, e muitos dos que ficam na Terra conservam consigo no coração um vaso de fogo vivo com que destroem as melhores esperanças dos que demandam o cinzento portal do túmulo.

Não procures para tua alma o inferno invisível do ódio.

Acomoda-te com o adversário ainda hoje, procurando entendê-lo e servi-lo, para que amanhã não te matricules em aflitivas contendas com forças ocultas.
Transferir a reconciliação para o caminho da morte é atormentar o caminho da própria vida.
Desculpa sempre, reconhecendo que não prescindimos da paciência alheia.

Nem sempre somos nós a vítima real, de vez que, por atitudes imanifestas, induzimos o próximo a agir contra nós convertendo-nos, ante os tribunais da Justiça Divina, em autores, intelectuais dos delitos que passamos a lamentar indebitamente diante dos outros.

Toda intolerância é violência.

Toda dureza espiritual é crueldade.
Quase sempre, a crítica é corrosivo do bem, tanto quanto a acusação habitualmente, é um chicote de brasas.
E sabendo que encontraremos na estrada a projeção de nós mesmos, conservemos o perdão por defensor de nossa liberdade, ajudando agora para que não sejamos desajudados depois
.
 
 

Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 31 de Janeiro de 2011, 18:33
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Andrade Fonseca Sonia em 31 de Janeiro de 2011, 18:36
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Dothy em 31 de Janeiro de 2011, 18:41
Lembremo-nos de que o homem interior se renova sempre. A luta enriquece-o de experiência, a dor aprimora-lhe as emoções e o sacrifício tempera-lhe o caráter. O Espírito encarnado sofre constantes transformações por fora, a fim de acrisolar-se e engrandecer-se por dentro.

Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Dothy em 31 de Janeiro de 2011, 18:46
Você nem sempre terás o que desejas, mas enquanto estiveres ajudando aos outros encontrarás os recursos de que precise

Chico Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: casquinha em 01 de Fevereiro de 2011, 00:30
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 01 de Fevereiro de 2011, 01:03
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Ensinamento de Emmanuel em excursão de Chico


O Chico, em excursão com seu chefe de serviço, expondo aqui e ali apuradas amostras de gado, passou por Sabará e, dali, pelas Minas de Morro Velho.

Visitou-as por horas. E deslumbrou-se pelo que viu.

O trabalho afanoso e sacrificial da extração do ouro, sua busca, em cascalhos, no seio da terra, numa profundidade e distância incomensurável, causou-lhe assombro inopinado.

Observou um irmão idoso, calejado naquele serviço, e que dera toda sua existência, e perguntou-lhe:

-Amigo, o ouro é extraído com facilidade?
-Nada disso, moço. Em 40 toneladas de pedra, encontramos, às vezes, tão somente 100 a  200 gramas de ouro…

E Emmanuel, que tudo ouvia, comentou:
-Assim, Chico, sucede na vida. Precisamos, quase sempre, de 40 toneladas de aborrecimentos bem suportados para obtermos 100 a 200 gramas de conhecimentos e experiência…



Fonte: Mensagens Espíritas
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: casquinha em 01 de Fevereiro de 2011, 01:12
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 01 de Fevereiro de 2011, 02:16
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Cristo e Vida



Meu amigo. Compreendendo a importância do Evangelho na seara espírita, você pergunta:

- "Já que os amigos espirituais não acreditam na salvação pela fé e sim pelas obras, sem as quais a fé se revestiria de quase nenhum valor, diga-nos, Irmão X, sem muitas palavras, que significa a influência de Jesus no mundo?"

Antes de tudo, queremos afirmar que o Cristo de Deus, sob qualquer ângulo em que seja visto, é e será sempre o Excelso Modelo da Humanidade. Mas, a pouco e pouco, o homem compreenderá que, se precisamos de Jesus sentido e crido, não podemos dispensar Jesus compreendido e aplicado. E já que você nos pede uma síntese, dar-lhe-ei uma série de vinte definições do Senhor na experiência terrestre, por nós recolhidas em aula rápida de um instrutor da Espiritualidade Maior.


Cristo na Existência: Caridade.

Cristo no Lar: Harmonia.

Cristo no Templo: Discernimento.

Cristo na Escola: Educação.

Cristo na Palavra: Brandura.

Cristo na Justiça: Misericórdia.

Cristo na Inteligência: Proveito.

Cristo no Estudo: Orientação.

Cristo no Sexo: Responsabilidade.

Cristo no Trabalho: Eficiência.

Cristo na Profissão: Idoneidade.

Cristo na Alegria: Continência.

Cristo na Dor: Resignação.

Cristo nas Relações: Solidariedade.

Cristo na Obrigação: Diligência.

Cristo no Cansaço: Refazimento.

Cristo no Repouso: Disciplina.

Cristo no Compromisso: Lealdade.

Cristo no Tempo: Serviço.

Cristo na Morte: Vida Eterna.


Aqui estão resultados da presença de Jesus em apenas alguns aspectos de nossos movimentos na Terra.

Você, contudo, provavelmente voltará à carga, indagando se nós, os espíritas desencarnados e encarnados, já atingimos semelhantes equações, e antecipo a resposta, informando a você que Jesus em nossa fraqueza é luz de esperança e, por isso mesmo, confiantes nele - o Mestre e Senhor -, estamos certos de que, um dia, nós todos faremos do evangelho o que devemos fazer.


Do livro: Estante da Vida, de Irmão X e Francisco Cândido Xavier
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:20

▬  Às vezes, sinto como se meu corpo estivesse coberto de lama. Mas aqui eu nunca deixei respingar uma gota,  e apontou para a própria cabeça. A felicidade ele sempre definiu como "consciência tranqüila".           


Cont.



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AS VIDAS DE CHICO.

Em 1973, Chico era um best seiler recorde no Brasil. Tinha escrito 116 livros e vendido mais de 4 milhões de exemplares. A renda com direitos autorais atingia a média de 30 mil cruzeiros mensais.

Ele doava tudo às editoras espíritas. Sobrevivia com os modestos 386 cruzeiros de sua aposentadoria no Ministério da Agricultura, ou seja, cerca de 1% do quanto rendiam os livros a cada mês.

De todos os títulos, reverteu a venda de treze à Comunhão Espírita Cristã. Apenas um dos livros, lançado um ano antes, Sinal Verde, já tinha esgotado três edições de 10 mil exemplares cada. Catorze anos após a fundação, a Comunhão já ocupava quase o quarteirão inteiro.

Ambulatórios médico e dentário funcionavam ao lado da livraria, de um abrigo para idosos, da sala de costuras para confecção de agasalhos, da biblioteca e do salão onde eram distribuídos setecentos a mil pratos de sopa todos os dias.

Tanta prosperidade começou a incomodar o escriturário aposentado. Numa tarde, Chico chegou ao galpão onde atendia o público e encontrou dois buracos na parede. Seus assistentes queriam lhe fazer uma surpresa: instalar aparelhos de ar-condicionado.

O médium foi curto e grosso:
▬  Eles entram e eu saio. Este é um local de trabalho.

A inscrição colada por ele sobre sua vitrola: "Muito tarde é que se vê que não se amou o bastante", começou a destoar do ambiente.

Parecia simplória demais. De vez em quando, diante de uma nova parede, de uma reforma, Chico diria: Em casa que muito cresce o amor desaparece.

As filas diante da Comunhão pareciam intermináveis. Elas se estendiam a cada entrevista na TV, a cada solenidade a cada noite de autógrafos, a cada distribuição de Natal, a cada carta enviada pelo filho morto à sua mãe, a cada prato de sopa.

As cenas de desespero e de idolatria se sucediam. Uma senhora chega diante de Chico, começa a tremer, empalidece, desmaia. Quinze minutos depois volta, coloca o rosto de Chico entre suas mãos, chora como criança e se afasta, ainda aos prantos, sem dizer uma palavra.

Homens e mulheres beijam suas mãos, ele beija de volta. Seus bolsos ficam cheios de cartas. Muita gente implora por notícias de seus mortos. Para milhares de pessoas, Chico Xavier era a única ponte confiável para o além. As "mensagens particulares" escritas por ele, e já produzidas em série, provocavam comoção.

Para a maioria, traziam provas irrefutáveis da sobrevivência dos mortos. Outros levantavam suspeitas. Chico poderia recolher aquelas informações nas cartas enviadas do Brasil inteiro para ele. Mães aflitas enviavam até cópia da carteira de identidade dos filhos na esperança de receber uma mensagem, um sinal de vida. Chico também poderia recorrer à telepatia.

▬  Ele não era capaz de ler pensamentos?
▬  Mas como explicar o caso do industrial Wady Abrahão?

Em novembro de 1973, ele foi a Uberaba em busca de notícias de seu filho, morto quatro meses antes, aos 17 anos. Era a última tentativa do católico para se livrar do sofrimento. Se ele e a mulher não melhorassem, iriam se suicidar. Já tinham combinado tudo. Wady não se conformava. À noite, saía de casa com a desculpa de voltar para a fábrica e tomava o rumo do cemitério.

Depois de driblar o vigia, ele se deitava sobre a lápide superior da sepultura do filho e ficava ali, horas, a sete palmos do corpo. Achava que seu filho tinha medo de dormir sozinho. Em várias ocasiões, traído pela fumaça dos cigarros que ele fumava sem parar, foi surpreendido pela segurança. Uma vez, até a radiopatrulha foi chamada. Áxima, a filha dele, sugeriu a ida do casal até Chico Xavier.

▬  Por que não arriscavam? Wady duvidava do médium e tomou todas as providências para evitar fraudes ou truques. Para começar, proibiu que os parentes fizessem qualquer comentário sobre a morte do filho em Uberaba. Todos deveriam ficar a seu lado para ser fiscalizados.

No hotel, o telefone ficou perto de sua cama. Ninguém poderia telefonar. Na primeira noite, eles foram ao Centro e Chico chamou pelo nome: Áxima, Áxima... Como a moça não estava, a mãe dela, Jandira, se aproximou e respondeu: Sr. Francisco, Áxima é minha filha. Viemos aqui porque perdi meu filho.

Chico respondeu: Não, a senhora não perdeu o filho. Seu filho é um apóstolo de Jesus. Wady não se convenceu, mas no dia seguinte voltou. Sentaram e esperaram. Ouviram a leitura do Evangelho, viram Chico escrever frases e mais frases sobre o papel.

No final, a surpresa: o texto tinha a assinatura de Wady Júnior. Foi o primeiro de uma série. O pai leu com atenção cada frase e, depois de algum tempo, se converteu ao espiritismo e enterrou de vez a idéia do suicídio. A morte era impossível.

Casos como este se espalhavam, eram publicados em livros e tornavam ainda mais célebre o ex-matuto de Pedro Leopoldo. De vez em quando, ele era saudado como "o famoso Chico Xavier" e sentia vontade de sumir, constrangido.

Estava tão popular que virou cordel. Em 1974, o alagoano Enéias Tavares Santos escreveu num livreto, em 208 estrofes, A Verdadeira História de Chico Xavier.

Foi impecável:

"Hoje Chico é o maior no setor da mediunidade, vive lá em Uberaba, aquela grande cidade, com uma obra grandiosa praticando a caridade.
Assim vai realizando a sua grande missão, lá oitocentas crianças e adultos também vão receber seus alimentos nos fundos de um galpão.
E se acaso uma pergunta ao Chico é formulada concernente a suas obras, responde com voz pausada: eles são que fazem tudo eu é que não faço nada".

O movimento em torno de Chico, em escala quase industrial, mudou Uberaba. E não foi apenas para melhor. A rodoviária virou um inferno nos fins de semana.

Os visitantes mais pobres chegavam em busca de Francisco Cândido Xavier e encontravam, na beira dos ônibus, ao desembarcar, curandeiros de terreiros de macumba, prostitutas e agentes de hotéis e pensões, todos dispostos a faturar.

Um mundo nada evangélico pegava carona no fenômeno da Comunhão Espírita Cristã.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:22

Em 1975, Chico Xavier recebeu pelo correio uma notícia incômoda. Uma de suas amigas, Consuelo Calado, de Goiás, comunicava a doação de cem alqueires de terra. Era um presente para ele. Chico pegou o primeiro ônibus e foi até a casa dela "apelar para seu coração humanitário".

Queria renunciar ao patrimônio em benefício das obras assistenciais da doutrina. Convenceu a doadora a repassar 50% do dinheiro à Comunhão Espírita Cristã e a aplicar a renda obtida com a venda dos outros 50% na fundação do Lar Fraternidade, em Goiás. No dia 19 de maio de 1975, Chico Xavier escreveu uma carta, em tom solene, endereçada aos "Srs. Diretores da Comunhão Espírita Cristã". Após anunciar a doação das terras, declarou:

"Agradecendo a generosidade que sempre me dispensastes, venho comunicar-vos o meu desligamento das tarefas dessa benemérita instituição a partir desta data". Em seguida, tratou de listar seus motivos: desgaste orgânico após 65 anos de vida e 48 de atividades mediúnicas, hipotensão "com características inquietantes", dificuldades crescentes na visão, ausências semanais para tratamento de saúde.

Mais uma vez, a enfermidade foi sua "enfermeira". Com a catarata, ele se aposentou por invalidez; com a labirintite, justificou sua mudança para Uberaba; com a sinusite, explicou o uso da peruca. A doença servia como álibi, uma forma de adiar a verdade.

A Comunhão Espírita Cristã tinha crescido demais. Chico já não cabia nela. Precisava apenas encontrar um novo endereço. Os amigos o ajudaram. Naquele ano, onze companheiros seus, oito de São Paulo, dois do Rio e um de Uberaba, se cotizaram e doaram ao espírita 221 mil cruzeiros, o suficiente para comprar um terreno e concluir a construção. Chico ocupou três lotes ao lado da Comunhão Espírita Cristã e, aos 65 anos, virou outra página de sua história.

Para enfrentar os últimos capítulos de sua vida, ele tratou de organizar uma nova família. Ao seu lado, morariam dois rapazes: Eurípedes Higino dos Reis e Vivaldo Cunha Borges. Desta vez, Chico escolheu os companheiros a dedo. Eurípedes, então com 25 anos, convivia com Chico desde os oito, quando sua mãe, Carmem, começou a trabalhar na Comunhão Espírita Cristã.

Vivaldo, ele conhecera cinco anos antes, quando o rapaz trancou a matrícula na Faculdade de Medicina, em Franca, após deparar com um espírito ao lado do cadáver que iria dissecar. Durante cinco anos, deu passes no centro de Chico.

Em 1974, o ex-parceiro de Waldo Vieira olhou para o rapaz e disse: Acho que a medicina não é para você. Melhor se dedicar ao serviço espírita. Anos depois, Eurípedes se tornaria o presidente do novo centro de Chico Xavier e controlaria com rigor o acesso a ele. Vivaldo assumiria a responsabilidade pela organização de toda a obra de seu "pai espiritual". Seria o encarregado de datilografar, arquivar e editar todas as mensagens.

Faltava apenas o centro. No dia 8 de julho de 1975 data do aniversário de 48 anos de atividades mediúnicas de Chico, o dissidente da Comunhão Espírita Cristã fundou o Grupo Espírita da Prece, a 17ª casa kardecista fundada em Uberaba desde sua chegada na cidade. Em dezoito anos, sob sua influência, o número de centros espíritas na cidade dobrou.

No novo endereço, distante oito quilômetros de sua casa, Chico voltou no tempo em busca da simplicidade perdida. A construção lembrava o Centro Luiz Gonzaga original, em Pedro Leopoldo. Uma sala pequena - um cubículo se comparado com a Comunhão Espírita Cristã, uma varanda, um quarto modesto para os passes, uma cozinha, com dimensão de quarto de empregada, nos fundos. Só.

Sobre a mesa de madeira, diante dos bancos simplórios, ele afixou uma nova inscrição: "Silêncio é prece".

Buscava a paz. Tentava escapar da roda-viva em que havia se metido. Precisava se poupar. Em pouco tempo seu peito começaria a doer. Em setembro de 1976, Chico Xavier recebeu a visita do médium Luiz Antônio Gasparetto, então com 26 anos e recém-formado em Psicologia.

O jovem deixava espectadores boquiabertos ao pintar, em minutos, com as mãos e os pés, sempre de olhos fechados, telas assinadas por mestres mortos como ToulouseLautrec, Renoir, Manet, Goya, Van Gogh, Matisse e Rembrandt. Na época, ele começava a ser considerado uma espécie de Chico Xavier da pintura. O encontro dos dois rendeu um espetáculo insólito.

A música de Gounod, Donizetti, Beethoven tomou conta do ambiente e, em instantes, Gasparetto abriu a boca e se identificou, com sotaque francês:
▬  Boa tarde. Sou Toulouse-Lautrec.

Em segundos, seus dedos e as palmas das mãos já estavam lambuzadas de tinta. Em menos de cinqüenta segundos, um borrão no centro da tela se transformou num contorno de mulher. Chico, compenetrado, assumiu o papel de narrador dos bastidores invisíveis da sessão.

Gasparetto usava as duas mãos para pintar uma tela intitulada Dois Esboços e Chico anunciava a presença de dois espíritos, um em cada braço do rapaz, empenhados em movimentos livres e não sincronizados. De repente, antes de aparecer na tela a assinatura da pintora, Chico anunciou a presença da pintora brasileira Tarsila do Amaral, já falecida.

▬  Sinto um impacto ao ver o espírito dessa amiga de pé, manipulando o braço do médium. Tive o privilégio de assistir à evolução espiritual e artística de Tarsila quando, paralítica, presa a um leito, retratava seus personagens invariavelmente com a cabeça pequena.

Na tela, em instantes, apareceu a figura de uma mulher deitada. Era um auto-retrato póstumo. A pintura mais demorada chegou ao fim com uma assinatura ilustre: Van Gogh. Intitulada Flores, e repleta de cores berrantes, demorou cinco minutos para aparecer diante dos olhos marejados de Chico Xavier: Sempre que vejo certas flores espirituais, o miosótis, por exemplo, sinto as vibrações que emitem e não posso conter as lágrimas.

Para encerrar, Gasparetto decidiu usar os pés. Após espalhar tinta em seus dedos, ele colocou na tela a figura de uma mulher. Senhora era o título. Picasso, a assinatura.

Em seguida, Gasparetto, ou melhor, Toulouse-Lautrec, decidiu conversar com o anfitrião:
▬  Je vous en prie, apaguemos as luzes. Merci, e 'est mieux.
Aprendi o português só pro gasto, mas vamos indo.
▬  Você está me ouvindo, Chico?
▬  Sim, perfeitamente.

Após os cumprimentos, Toulouse deu o seu recado: Embora haja muita pintura no mundo, nossa missão é alegrar mais a vida comprovando sobretudo que a morte não existe, que nós continuamos, que a vida continua. Combinamos as tintas e o quadro sai. Os incrédulos deveriam ver isso para saber que não morremos. Mas os estúpidos nem vendo crêem.

Toulouse, sem papas na língua, fez até uma inconfidência sobre o guia de Chico. Emmanuel estava estudando com ele "teoria da pintura terapêutica de elevação". Chíco não tinha tempo para cursos de pintura. Após a conversa, Gasparetto voltou à tona. Parecia atordoado.

Em poucos instantes, após massagear as pálpebras, ele se recuperou e arranjou forças para um desabafo. A conversa entrou em terreno escorregadio. O jovem estava cansado de tantos pintores invisíveis a seu redor.

Trabalho em telas a óleo, cinco, seis, sete e até mais horas por dia. Já pintei mais de 3 mil telas. Se deixo, os espíritos querem pintar até nas paredes. Disseram-me que eu não deveria trabalhar profissionalmente, só mediunicamente. Mas, com o tempo que eles me tomam, como é que vou me realizar na prática?

Gasparetto parecia buscar o aval de Chico para vender as telas do outro mundo. O doador de direitos autorais tinha a resposta pronta.
▬  Você pode disciplinar o trabalho, dando a eles um tempo adequado.

Gasparetto insistiu:
Digo a eles: "Vocês vivem em outra realidade. Por isto, não me compreendem". Van Gogh, por exemplo, exige tintas importadas da Bélgica, da Holanda, e nós as importamos por 7.500 cruzeiros, uma bateria delas.

Chico Xavier recorreu ao bom humor:
▬  Seria bom que houvesse uma espécie de INPS dos médiuns. Depois falou sério: Temos que achar um horário compatível.

Chico tinha conhecimento de causa. Até se aposentar, sempre conciliou a psicografia com seus empregos. Ao longo da vida, aprendeu a dormir cada vez menos até chegar à média de três horas e meia a quatro de sono por noite.

Com o tempo, ele aprendeu a reservar quarenta minutos de seu dia ao descanso após o almoço. Nesse período, mesmo que não dormisse, ficava imóvel e não aceitava interferências do outro mundo.

Já sabia impor limites aos escritores do além. Disciplina era o segredo. Lucrar com a mediunidade era um perigo. Gasparetto encerrou o desabafo e se despediu.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:25


Oito livros por ano, cerca de três mensagens particulares por sessão, serviços de desobsessão às segundas-feiras, peregrinações por bairros pobres. Chico aproveitava cada minuto. Sem se preocupar com o espaço, ele investia no tempo e se desdobrava, incansável.

No dia 26 de setembro, um domingo, às 15h, ele compareceu a mais uma tarde quilométrica de autógrafos, dessa vez em Ribeirão Preto. Ficou de pé, com a barriga encostada na mesa, curvado em direção à fila quase interminável que marchava devagar.

Chegaram até ele 5 mil pessoas com o livro Somos Seis nas mãos. Chico os recebia, homens, mulheres, crianças, com dois beijos em cada face e com um botão de rosas. Muitos deixavam em suas mãos bilhetes dobrados. Chico os enfiava nos bolsos do paletó. As dedicatórias já estavam escritas nos livros.

Ele se limitava a assinar embaixo e a dizer: Muito obrigado, Deus te acompanhe... Às quatro horas da manhã de segunda-feira, após distribuir mil rosas e 20 mil beijos, e acumular quase seiscentos bilhetes nos bolsos, Chico foi embora. Não parecia cansado. Era só aparência.

Em novembro de 1976, seu coração deu sinais de estresse. Chico passou a ser maltratado por sucessivas crises de angina, a mesma doença que matou sua mãe. Teria de reduzir seu ritmo para poupar as coronárias. Um motivo, e uma desculpa. mais do que convincente para faltar às homenagens dedicadas a ele. Os títulos de cidadanias que esperassem. Já aguardavam a vez de ser entregues ao espírita mais respeitado do país 68 deles.

Diante das fortes dores, recorreu mais uma vez a Emmanuel. E, mais uma vez, ouviu palavras nada consoladoras:
▬  Afinal, o que querias?

▬  Não malbarataste as energias do corpo? As lutas e as caminhadas pelo bem, embora contem com o amparo do Mundo Maior, não excluem as limitações e os desgastes do vaso físico terrestre.

Para evitar as dores no peito, Chico seguia à risca as instruções do Dr. Eurípedes Tahan Vieira. Tomava os vasodilatadores nos horários marcados, evitava o café, comia carne magra com moderação. Nunca reclamou.

Quero ser amigo da doença dizia ele. Só lamentava mesmo a necessidade de reduzir o tempo de permanência nas sessões do Grupo Espírita da Prece. Com muito custo e com muita culpa, Chico deixou de virar noites e passou a restringir sua maratona nas sessões públicas das 16h às 23h no máximo. A angina funcionava para ele como uma "campainha no tórax", o sinal de que era hora de se deitar.

Foi assim, maltratado por dores no peito, que Chico completou, em 8 de julho de 1977, cinqüenta anos de mediunidade. Espíritas e leigos comemoraram a data com entusiasmo e devoção.

O escritor Pedro Bloch deu um depoimento bem-humorado numa das várias reportagens escritas sobre o aniversariante:
"▬  Muita gente o considera um embusteiro. Mas que divino embusteiro não deve ser para viver toda aquela vida de humildade e renúncia".

Mesmo doente, Chico conseguiu entregar às livrarias naquele ano dez novos livros. De 1970 a 1977, tinha escrito nada menos que cinqüenta títulos - uma média anual de oito lançamentos.

Nos dez anos seguintes, a média subiria para catorze ao ano. Durante as comemorações do cinqüentenário, Chico fazia questão de se definir como alguém em paz, alegre. Não queria passar a impressão de um senhor enfermo, em agonia.

Mas estava amargurado. Numa noite, em São Paulo, um desconhecido se aproximou dele e comentou:
▬  O senhor é um privilegiado!

Foi o suficiente para tirar do sério o adepto da paciência.

"Meu amigo, não sei quais são meus privilégios perante os céus, porque fiquei órfão de mãe aos cinco anos de idade..." E por aí foi. O desabafo passou pelo caso Humberto de Campos, incluiu uma "escandalosa perseguição de 1958" (o escândalo Amauri Pena) e uma "internação para cirurgia de muita gravidade" (hérnia) e terminou no advento da angina.

Diante dos olhos esbugalhados do comerciante, Chico concluiu:
"▬  Se tenho privilégios como o senhor imagina, devo os ter sem saber.

Chico estava cansado. Muitas vezes, precisava colocar um lenço encharcado de álcool entre a camisa e o peito para aliviar a dor da angina e suportar o desfile de casos trágicos no Grupo Espírita da Prece.

Ao som de Mozart, Bach, Beethoven, Berlioz, a romaria se arrastava até seis horas seguidas. Doente, sentado num banco de madeira, Chico ouvia dramas dolorosos e sofria com Seu coração que levava trancos. Mas ele resistia. Parecia estar amparado por uma legião de assistentes invisíveis. As consultas eram cada vez mais rápidas.

▬  Chico, minha filha, de cinco anos, é portadora de mongolismo, mas eu acho queela está sendo assediada por espírito. Chico descartava a hipótese "espiritual" e encaminhou mãe e filha à fila de passes. Elas viravam as costas, e ele confidenciava a um amigo:
▬  Os espíritos estão me dizendo que essa menina, em encarnação anterior recente, suicidou-se atirando-se de um lugar muito alto.

Outra mãe se aproximava e reclamava do filho, de cinco anos:
▬  Ele é perturbado. Fala muito pouco e não memoriza mais que cinco minutos qualquer coisa que nós ensinamos.

Quando os dois já estavam a caminho da sala de passe Chico confidenciava: Na última encarnação, esse menino deu um tiro fatal na própria cabeça.

Numa das noites, uma moça de 26 anos se aproximou e desabafou:
Minha personalidade muda demais. Às vezes, tenho impressão de ser outra pessoa.

▬  Estou ficando louca? Essa mudança é imposta espiritualmente. No caso, você está funcionando como um espelho. Busque se ajudar.

De repente, Chico disparou a pergunta desconcertante:
▬  Quem é Rosa?
▬  É minha avó.

E ouviu a notícia: Ela está aqui e roga que lhe diga que tem procurado ajudá-la, mas você deve exercer certo controle sobre si própria. Busque orar muito. Não se preocupe. Ela está dizendo que vai ajudar.

Em seguida, uma senhora de 45 anos, Therezinha, se aproximou e, sem dizer uma palavra, tirou da bolsa uma foto do filho Cássio e apertou as mãos de Chico. No mesmo instante, o médium fechou os olhos e se agarrou a um lápis.

O papel ficou coberto de garranchos:
"Querida mãezinha Therezinha e meu querido pai Florentino, abençoem-me. Marlise, nossa irmã, Deus nos proteja a todos" A carta, longa, pedia otimismo, falava do "vovô Florentino", que, ao lado do remetente, mandava lembranças, e de duas avós convertidas em "mães do coração", Maria Faustina e Maria Caruso. Cada consulta durava minutos e terminava com uma frase: Deus não desampara.

Numa dessas longas noites, Chico se levantou da cadeira, abriu os braços e anunciou:
▬  Acaba de entrar na sala um lindo raio de sol. Era a cantora Vanusa. Na fila, atormentada pelo fim do casamento com Antônio Marcos, caiu em crise de choro incontrolável. Ficou muda, aos soluços, com o rosto coberto de lágrimas.

Os auxiliares de Chico levaram a cantora a uma sala ao lado e esperaram que se acalmasse. Só mais tarde conversou com Chico. Queria resposta.

▬  Sua vida iria melhorar?
▬  Ela iria se reconciliar com o ex marido?

Não ouviu resposta alguma.

Chico segurou suas mãos e se limitou a dizer: Pense na grande responsabilidade da sua missão. Tudo o que você sabe, pensa, canta e fala num programa de televisão é muito importante, porque você está passando toda essa gama de emoções para essa gente que te ouve e vê. Foi o suficiente.

Vanusa voltou para casa aliviada, com a mesma sensação que tomou conta do estilista Clodovil quando procurou Chico para um desabafo inesperado:

Sentia-se culpado por cobrar tão caro por seus vestidos. O espírita aliviou a consciência do estilista. Afinal de contas, ele gerava empregos e embelezava o mundo...

Motivada pela idéia de investir em sua "missão", Vanusa começou a mudar. Em vez de sofrer com suas aflições afetivas, passou a olhar mais à volta, e até a medir as palavras para passar "mensagens positivas" em declarações a jornais, revistas e TVs.

Logo, estaria casada com um dos devotos mais dedicados de Chico Xavier, Augusto César Vanucci, o todo-poderoso diretor da linha de shows da TV Globo. Em pouco tempo, viveria uma experiência estranha. Numa noite, ela se levantou da cama, foi até o piano na sala, compôs uma música em minutos, gravou a melodia, voltou para o quarto e tirou da gaveta da mesa-de-cabeceira um livro de orações.

Abriu na página da Prece de Cáritas, se sentou ao piano e conferiu: as frases tinham sido feitas para aqueles acordes. Na poltrona ao fundo, ela viu um vulto. Só podia ser o Vanucci. Mas não era. De repente, Vanusa ouviu a voz do marido do outro lado da sala. Olhou para trás e a sombra já tinha desaparecido.

Nunca mais conseguiu tocar a música ao piano. Era complexa demais para ela. Vanusa passou a se dedicar a shows beneficentes e se sentir mais leve. Nunca se esqueceu de uma previsão feita por Chico Xavier sobre sua própria morte:
Vou morrer por causa do órgão do qual mais vivi: o coração.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:27


Chico, já arqueado e atormentado por dores, precisava de proteção. Uberaba se encarregou de preservar sua atração turística mais concorrida. Um empresário, dono de uma frota de táxis, colocou à sua disposição um automóvel com motorista.

Chico usava o carro para transportar amigos até o hotel e, de vez em quando, saía para buscar sua aposentadoria no banco e as cartas no correio, quase duas centenas todos os dias. Bastava escrever no envelope "Chico Xavier" para a correspondência chegar ao destinatário mais requisitado do país.

Até os guardas de trânsito protegiam o morador ilustre. Ele tinha o hábito de pegar o táxi para ir às livrarias e, muitas vezes, demorava quase uma hora diante das prateleiras com títulos espíritas. Enquanto Chico folheava os livros e conversava com os livreiros, o motorista costumava estacionar em fila dupla.

Para se livrar da multas, bastava pronunciar as palavras mágicas: Estou com Chico Xavier. Mas o médium estava longe da tranqüilidade. Não podia andar pelas ruas sem ser interrompido por admiradores e por desesperados em geral.

Muitos agarravam suas mãos, imploravam conselhos, choravam. Ele sofria. Às vésperas de completar 69 anos, sentia-se frágil, vulnerável.

Em 1978, a Polícia Militar da cidade escalou dois PMs para o escoltarem. Eurípedes Tahan e Eurípedes Higino Reis, o médico e o filho adotivo do médium, armaram o cerco. O cordão de isolamento em torno de Chico reforçaria sua figura de mito. A cada ano, ficaria mais inatingível.

Em pouco tempo, Chico abriu mão de seus passeios vespertinos para evitar o assédio da multidão. Acatava as recomendações médicas em nome da doutrina espírita. Precisava poupar forças para escrever os livros. Os textos do além ajudariam os desesperados. Mas os leitores queriam mais do que páginas impressas. Queriam o autor.

A Comunhão Espírita Cristã vivia congestionada. Nas filas, a cada sessão, mais de trezentas pessoas se amontoavam, mesmo sem saber se Chico poderia atendê-las. Ele já não virava noites para conversar com cada visitante. Reduziu o tempo de contato com as tragédias alheias, em 1978, para duas ou três horas às sextas-feiras.

Muitas vezes, só conseguia conversar com as setenta primeiras pessoas da fila. Eram raras as noites em que repetia as antigas performances madrugada adentro. Quem quisesse se aproximar dele poderia arriscar, aos sábados, uma visita à Vila dos Pássaros Pretos, um bairro da periferia de Uberaba. Ao ar livre, embaixo de um abacateiro, ele e outros companheiros espíritas liam e debatiam o Evangelho.

As filas repletas de gente pobre se formavam ao redor. Chico dava um pão para cada um, colocava em suas mãos dinheiro com valor simbólico (duas notas de um cruzeiro e uma de cinco), um quilo de açúcar, outro de feijão. Os donativos, em geral, vinham dos visitantes beneficiados pelas mensagens dos parentes mortos.

A distribuição quase sempre era tumultuada. Os assistentes, liderados por Eurípedes Higino, apressavam os visitantes para que Chico descansasse logo. Vamos embora, olha o serviço - costumavam gritar a quem tentasse conversar com o espírita. A maioria mal conseguia tocar em sua mão.

As reclamações se acumulavam. Muita gente se queixava da arrogância do "filho adotivo" de Chico e da truculência de seus seguranças. A paulista Hened Lurdes Amarado foi além e desabafou com um repórter do jornal Última Hora: "Fiquei decepcionada.

Vi um homem gratificar um guarda para falar com Chico. Não fui atendida, mas dinheiro eu não dei". O título da reportagem traduziu uma sensação geral na época: "Chico é um santo. Pena que seja mal assessorado".

De vez em quando, alguém conseguia romper o cerco e chegar até Chico fora das sessões no Grupo Espírita da Prece. Mas o espírita já não era mais um modelo de paciência e resignação irrestritas. Mesmo à sombra do abacateiro, em clima bucólico, ele saía do sério e falava em tom seco, como Emmanuel.

Numa tarde, uma mulher pobre avançou sobre ele com uma lista de pedidos na mão. Chico parou e, com a fisionomia circunspecta, ouviu o discurso:
▬  Anteontem, enterrei meu velho. O enterro ficou muito caro e nós não temos dinheiro algum. Por isso, seu Chico...

Ele interrompeu: Isto aqui não é lugar para listas pedindo dinheiro. Não faça isso, por favor. Se vocês começarem a fazer isso aqui, não voltarei mais a este lugar. A reunião é de amor.

Mais calmo, ele perguntou:
▬  Quanto custou o enterro?
▬  Quinze mil.

Ele ficou perplexo:
▬  Como foram permitir um funeral tão caro? A gente não pode bancar o bobo, mesmo nessas horas, senão se aproveitam de nós. A senhora devia ter feito um enterro mais simples.

Em seguida, ordenou:
▬  Guarde essa lista. Nós veremos o que podemos fazer. O enterro foi pago. Para combater a doença, Chico Xavier seguia a receita de Emmanuel: caridade.

Em 1978, fiel à máxima "aliviai e sereis aliviado", ele foi buscar forças na Penitenciária de São Paulo. A diretoria do presídio pediu aos presos interessados em ouvir a prece do espírita que se inscrevessem. Resultado: 542 detentos se apresentaram. Na época, muitos deles liam o livro de Chico,

Durante a palestra, um dos presidiários reclamou de ser tratado como um número.

Chico tratou de buscar um consolo:
▬  Meu filho, quem de nós não é tratado por número? É número de telefone, de carro, de casa, de CEO, de cic. Nós estamos com mais números que você. Só que agora estamos na cela ambulante e vocês estão na fixa.

Após a palestra, Chico surpreendeu o diretor do presídio com uma notícia:
▬  Quero sair daqui, mas, antes, desejo abraçar e beijar a todos.

O diretor arregalou os olhos e quase se benzeu:
▬  Deus me livre. Não, senhor. Você não vai abraçar nem beijar ninguém.

Chico insistiu:
▬  Não senhor, doutor. Eu não viria aqui fazer prece para depois me distanciar dos nossos irmãos. Não está certo.
.
O diretor foi dramático:
▬  Neste salão, outro dia, mataram um guarda de 23 anos. Afiaram a colher até ela virar punhal. Aqui há criminosos com sentenças de duzentos a trezentos anos. Eles podem te matar.

▬  Pouco importa, vim aqui para o encontro e o senhor não me permite abraçar?
O diretor se conformou com a idéia, mas tratou de organizar uma estratégia de guerra. Não podia correr o risco de virar notícia de jornal como um dos responsáveis pela morte de um dos líderes religiosos mais requisitados do país.

Chico ouviu as instruções:
Teria de ficar atrás da mesa, cada encontro deveria ser rápido, dezoito baionetas estariam apontadas para o grupo. Para desespero do diretor, o espírita ficou na frente da mesa.

Ele abraçava e beijava cada preso. Muitos contavam segredos ou diziam algumas palavras. Tudo ia muito bem até a chegada de um senhor de quase cinqüenta anos.

Ele se aproximou e ficou estático diante do médium. Não estendeu a mão, não aproximou o rosto para o beijo, não abriu a boca.

Chico perguntou:
▬  O senhor permite que eu o abrace?
▬  Perfeitamente.

Após abraçar o corpo rígido, ele arriscou:
▬  O senhor deixa que eu o beije?
▬  Pode beijar.

Chico o beijou de um lado, do outro, duas vezes cada face.
Lágrimas escorreram dos olhos do preso. Antes de virar as costas, o detento agradeceu:
▬  Muito obrigado.

MARCEL SOUTO MAIOR.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:30


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Tsunami

▬  Dentro da Doutrina Espírita, como se explicam as mortes, assim aos milhares, em guerras, enchentes, em toda espécie de catástrofe?
 
Chico Xavier:
 
▬  São essas provações, que coletivamente adquirimos do ponto de vista de débitos cármicos.
 
As vezes empreendemos determinados movimentos destrutivos, em desfavor da comunidade ou do indivíduo, às vezes operamos em grupo, às vezes, em vastíssimos grupos e, no tempo devido, os princípios cármicos amadurecem.
 
E então, nós resgatamos as nossas dívidas, reunindo-nos uns com os outros, quando estamos acumpliciados nas mesmas culpas, porque a Lei de Deus é a Lei de Deus, formada de justiça e de misericórdia.
 
Livro: "Chico Xavier.
Dos  Hippies aos problemas do mundo

 
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:33

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Fato verídico sobre Chico Xavier.

O mais bonito, não eram apenas as visitas que o Chico fazia com os grupos, mas aquelas anônimas que ele realizava pela madrugada, quando saía sozinho para levar seu conforto moral à famílias doentes, a pessoas moribundas, às vezes acompanhado por um amigo para assessorá-lo, ajudá-lo, pois já portava alguns problemas de saúde, mas sem que ninguém o soubesse.

Ali estava a maior antena paranormal da humanidade dos últimos séculos, apagando este potencial para chorar com uma família que tinha fome.

Ele contou-me que tinha o hábito, em Pedro Leopoldo, de visitar pessoas que ficavam embaixo de uma velha ponte numa estrada abandonada, e que ruíra. Iam ele, sua irmã Luiza e mais duas ou três pessoas muito pobres de sua comunidade.

À medida que eles aumentavam a freqüência de visitas, os necessitados foram se avolumando, e mal conseguiam víveres para o grupo, pois que os seus salários eram insuficientes, e todos eram pessoas de escassos recursos.

O esposo de Luíza, que era fiscal da prefeitura, recolhia, quando nas feiras-livres havia excedente, legumes e outros alimentos, e que eram doados para distribuir anonimamente, nos sábados, à noite, aos necessitados da ponte.

Houve, porém, um dia em que ele, Luíza e suas auxiliares não tinham absolutamente nada; decidiu-se então, não irem, pois aquela gente estava com fome e nada teriam para oferecer. Eles também estavam vivendo com extremas dificuldades.

Foi quando apareceu-lhe o espírito do Dr. Bezerra de Menezes, que sugeriu colocassem alguns jarros com água, que ele iria magnetizá-los para serem distribuídas, havendo, ao menos, alguma coisa para dar.

Ele assim o fez, e o Espírito benfeitor, utilizando-se do seu ectoplasma bem como o das demais pessoas presentes, fluidificou o líquido. Esse adquiriu um suave perfume, e então o Chico tomou as moringas e, com suas amigas, após a reunião convencional do sábado, dirigiram-se à ponte.

Quando lá chegaram encontraram umas 200 pessoas, entre crianças, adultos, enfermos em geral, pessoas com graves problemas espirituais, necessitados.

"▬  Lá vem o Chico, dona Luíza"

Gritaram e ele, constrangido e angustiado, por ter levado apenas água (o povo nem sabia o que seria água magnetizada, fluidificada), pretendeu explicar a ocorrência. Levantou-se e falou:

▬   "Meus irmãos, hoje nós não temos nada"

E narrou a dificuldade. As pessoas ficaram logo ofendidas, tomando atitudes de desrespeito, e ele começou a chorar.

Neste momento, uma das assistidas levantou-se e disse:

" ▬   Alto lá! Este homem e estas mulheres vêm sempre aqui nos ajudar, e hoje, que eles não têm nada para nos dar, cabe-nos dar-lhes alguma coisa. Vamos dar-lhes a nossa alegria, vamos cantar, vamos agradecer a Deus."

Enquanto ela estava dizendo isso, apareceu um caminhão carregado, e alguém, lá de dentro, interrogou:
▬   "Quem é Chico Xavier?"

Quando ele atendeu, o motorista perguntou se ele se lembrava de um certo Dr. Fulano de Tal? Chico recordava-se de um certo senhor de grandes posses materiais que vivia em São Paulo, que um ano antes estivera em Pedro Leopoldo, e lhe contara o drama de que era objeto.

Seu filho querido desencarnara, ele e a esposa estavam desesperados, ainda não havia o denominado Correio de Luz, eram comunicações mais esporádicas, e Chico compadeceu-se muito da angústia do casal.

Durante a reunião, o filhinho veio trazido pelo Dr. Bezerra de Menezes e escreveu uma consoladora mensagem. Então o cavalheiro disse-lhe:

"▬   Um dia, Chico, eu hei de retribuir-lhe de alguma forma. Mas como é que meu filho deu esta comunicação?"

Chico explicou-lhe:

" ▬   É natural esse fenômeno, graças ao venerando Espírito Dr. Bezerra de Menezes, que trouxe o jovem desencarnado para este fim", e deu-lhe uma idéia muito rápida do que eram as comunicações mediúnicas.

O casal ficou muito grato ao Dr. Bezerra de Menezes, e repetiu que um dia haveria de retribuir a graça recebida.

Foi quando o motorista lhe narrou:

▬   Estou trazendo este caminhão de alimentos mandado pelo Sr. Fulano de Tal, que me deu o endereço do Centro onde deveria entregar a carga, mas tive um problema na estrada, e atrasei-me; quando cheguei, estava tudo fechado. Olhei para os lados e apareceu-me um senhor de idade com barbas brancas, e perguntou o que eu desejava.

" ▬  Estou procurando o Sr. Chico Xavier" - respondi.
" ▬   Pois olhe: dobre ali, vá até uma ponte caída, e diga que fui eu quem o orientou"- respondeu-me.
" ▬   E qual o seu nome?" - indaguei, e ele respondeu " - Bezerra de Menezes".

Divaldo Franco.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:37


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▬  Poderia nos contar um fato ou uma passagem de sua vida que lhe traz melhores recordações e que mais lhe tocou o coração?

Chico Xavier:

Peço permissão para contar um caso que para mim foi um dos mais expressivos, que mais parece uma história infantil.

Eu estava em Uberaba, há uns dois anos, esperando um ônibus para ir ao cartório. Da nossa residência até lá tem uns três quilômetros. Nós, com o horário marcado, não podíamos perder o ônibus.

Mas, quando o ônibus estava quase parando, uma criança, de uns cinco anos, apresentando bastante penúria, gritava por mim, de longe. Chamava por Tio Chico, mas com muita ansiedade.

O ônibus parou e eu pedi, então, ao motorista:
"▬  Pode tocar o ônibus, porque aquela criança vem correndo em minha direção e estou supondo que este menino esteja em grande necessidade de alguma providência".

O ônibus seguiu, eu perdi, naturalmente, o horário. A criança chegou ao meu lado, arfando, respirando com muita dificuldade. Eu perguntei:
"▬  O que aconteceu, meu filho?"

Ele respondeu:
"▬  Tio Chico, eu queria pedir ao senhor para me dar um beijo".

Esse eu acho que foi um dos acontecimentos mais importantes de minha vida.

Fonte: "O Espírita Mineiro"
12 de julho de 1980.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:44


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Relato de Chico Xavier

 
Trecho da "Revista Cultura Espírita" ICEB - Instituto de Cultura Espirita o Brasil, Outubro de 2009.
 
" A complexa vida no mundo espiritual"
 
É claro que, como são graduais as revelações dos Espiritos Superiores à humanidade, eles não poderiam, em 1857,  falar de comunidades Espirituais errantes, isto é, de espiritos que aguardam novas reencarnações até chegar à perfeição espiritual, habitando cidades estruturadas em edificações na atmosfera terrestre sobre o terreno fértil à vegetação, e tudo com estreita semelhança ao que conhecemos na crosta.
 
Seria até bem possivel que os adversários do Espiritismo, diante dessa revelação, e de tamanha "heresia" mandassem reacender uma fogueira inquisitorial para queimar Allan Kardec como herege.
 
Estou fazendo essa suposição pelo fato de, em pleno século XX , Chico Xavier ter me contado que, ao psicografar o livro Nosso Lar, na decada de 30, ter sido taxado de "medium fascinado", o que o deixou muito confuso com toda essa situação.
 
Aliás, ele fez esse depoimento quando estive pessoalmente com ele em sua casa, em Uberaba,  por volta de 1980.
 
Contou-me ainda que, para desfazer tudo isso, o Benfeitor Espiritual Andre Luiz levou-o em desprendimento a um ponto bem acima de "Nosso Lar", para que ele visse de cima a Cidade,  e pudesse constatar a realidade do que estava psicografando.
 
Nesse momento, Chico esclareceu-me ainda o que ele viu naquela noite, está exatamente desenhado no mapa da planta baixa da colônia pela médium Heigorina Cunha, apresentado no livro "Cidade No Além"
 
Postado por Fernando Louren.
 
Fonte:
De Gerson Simões Monteiro.
Vice Presidente da Funtarso.
Operadora da radio Rio de Janeiro.

 
 
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:47


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:54


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1º Encontro de Chico com Emmanuel

Chico se sentia sozinho apesar das visitas esporádicas da mãe e das sessões no Centro Luiz Gonzaga. Para escapar do coro dos céticos, ele arrastava os pés pelas ruas de terra do arraial e, com os sapatos sempre frouxos, tomava o rumo do açude. Aquele era seu refúgio.

Ali, ele se encolhia à sombra de uma árvore, na beira da represa, encarava o céu e rezava ao som das águas. Em 1931, o bucolismo da cena deu lugar ao fantástico. O rapaz teve sua conversa com Deus interrompida pela visita de uma cruz luminosa.

Franziu os olhos e percebeu, entre os raios, a poucos metros, a figura de um senhor imponente, vestido com túnica típica de sacerdotes. O recém-chegado foi direto ao assunto.

▬  Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?
▬  Sim, se os bons espíritos não me abandonarem.
▬  Você não será desamparado, mas para isso é preciso que:t

rabalhe,
estude
e se esforce no bem.

▬  O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?
▬  Perfeitamente, desde que respeite os três pontos básicos para o serviço.

Diante do silêncio do desconhecido, Chico perguntou:

▬  Qual o primeiro ponto?
Disciplina.
▬  E o segundo?
Disciplina.
▬  E o terceiro?
Disciplina, é claro.

Chico Xavier concordou. E o estranho aproveitou a deixa:
▬  Temos algo a realizar. Trinta livros para começar.

O rapaz levou um susto.
▬  Como iria comprar tinta e papel?
▬  Quem pagaria a publicação de tantos títulos?

O salário de caixeiro no armazém de Felizardo mal dava para as despesas de casa, os 13 mil-réis mensais eram gastos com catorze irmãos; seu pai era apenas um vendedor de bilhetes de loteria.

Chico arriscou uma previsão.
▬  Papai vai tirar a sorte grande?

O forasteiro encerrou as apostas:
▬  Nada, nada disso. Sorte grande mesmo é o trabalho com fé em Deus. Os livros chegarão por caminhos inesperados.

O roteiro estava escrito. Restava ao matuto de Pedro Leopoldo, seguir as instruções.  Seus passos, tropeços e quedas, muitas quedas, seriam acompanhados de perto por aquele estranho a cada dia mais íntimo.

O nome dele: Emmanuel, o mesmo que tinha se apresentado a Carmem Perácio quatro anos antes.

A missão:
Guiar o rapazote e evitar que ele fugisse do script traçado no além. Chico deveria colocar no papel as palavras ditadas pelos mortos e divulgar, por meio do livro, a doutrina dos espíritos.

O ex-aluno do Grupo São José ganhou de presente um professor particular constante e rigoroso. Nessa trama insólita, ele assumiu:
"O papel de um animal freado, irrequieto".

Emmanuel segurou as rédeas e estalou o chicote. Chico disparou. E levantou poeira.
▬  Quem seria, afinal, este Emmanuel?

Poucos meses após o encontro no açude, chegou às livrarias o primeiro título da série inicial de trinta: Parnaso de Além- Túmulo. Um escândalo.

Parnaso de Além-Túmulo era quase um sacrilégio. Arrancava da sepultura poetas tão célebres quanto mortos.

Trecho do livro,
As Vidas de Chico Xavier.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:56


(http://byrosi.files.wordpress.com/2010/04/pansies1.gif)


CARTAS DE UMA MORTA 1932



As páginas que vão ler são de autoria daquela que foi, na Terra, a minha mãe muita querida.

Minha progenitora chamava-se Maria João de Deus e desencarnou nesta cidade, em 29 de Setembro de 1915. Filha de uma lavadeira humilde, de Santa Luiza do Rio das Velhas, ela não pode receber uma educação esmerada; mas, todos os que a conheceram, afirmam que os sentimentos do seu coração substituíram a cultura que lhe faltava.

Quando o seu bondoso espírito se comunicou por meu intermédio, pela primeira vez, eu lhe pedi que me contasse as impressões iniciais da sua vida no outro mundo, recebendo a promessa de que havia de fazer oportunamente; e, há pouco tempo, ela começou a escrever, por intermédio da minha mediunidade, estas cartas que vão ler.

Eu contava cinco anos de idade, quando minha mãe desencarnou; mas, mesmo assim, nunca pude esquecê-la e, ultimamente, graças ao Espiritismo, ouço a sua voz, comunico-me com ela e ao seu espírito generoso devo os melhores instantes de consolo espiritual da minha vida.

Aí estão, minha mãe, as tuas páginas.

Elas vão ser vendidas em benefício das órfãzinhas. Deus permita que os pequeninos, que sofrem, recebam um conforto em teu nome, e que a Misericórdia Divina te auxilie, multiplicando as tuas luzes na vida espiritual

MARIA JOÃO DE DEUS

Biografia de Chico Xavier.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 00:58



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Zelo do bem


"▬  E qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?" - (Pedro, 3:13)
 
Temer os que praticam o mal é demonstrar que o bem ainda não se nos radicou na alma convenientemente
 
A interrogação de Pedro reveste-se de enorme sentido.
 
▬  Se existe sólido propósito do bem nos teus caminhos, se és cuidadoso em sua prática, bem mobilizará tamanho poder para anular as edificações de Deus?
 
O problema reside, entretanto, na necessidade de entendimento.
 
Somos ainda incapazes de examinar todos os aspectos da questão, todos os contornos de uma paisagem, o que hoje nos parece a felicidade, pode ser amanhã cruel desengano. Nossos desejos humanos modificam-se aos jorros purificadores da fonte evolutiva.
 
▬  Urge, pois, afeiçoarmo-nos à Lei Divina:
 
—    Refletir-lhe os princípios sagrados,
—    Submeter-nos aos Superiores Desígnios,
—    Trabalhando incessantemente para o bem, onde estivermos.
 
Os melindres pessoais, as falsas necessidades, os preconceitos cristalizados, operam muita vez a cegueira do espírito. Procedem daí imensos desastres para todos os que guardam a intenção de bem fazer, dando ouvidos, porém, ao personalismo inferior.
 
Quem cultiva a obediência ao Pai, no coração, sabe encontrar as oportunidades de construir com o seu amor. Os que alcançam, portanto, a compreensão legítima não podem temer o mal.
 
Nunca se perdem na secura da exigência, nem nos desvios do sentimentalismo, para essas almas, que encontraram no intimo de si próprias o prazer de servir sem indagar:
 
—    As provas,
—    Os obstáculos,
—    Os insucessos,
—    E as enfermidades.
 
São simplesmente novas decisões das Forças Divinas, relativamente à tarefa que lhes dizem respeito, destinadas a conduzi­las para a vida maior.
 
Extraído do Livro Caminho, Verdade e Vida.
 
Emmanuel,
ChicoXavier,
Gotinhas de Saber,
Em Julho de 2000.



Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 02 de Fevereiro de 2011, 01:00


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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: casquinha em 02 de Fevereiro de 2011, 01:06
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Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: macili em 03 de Fevereiro de 2011, 02:39
Este vídeo é uma coisa linda!!!
Não poderia deixar de postá-lo aqui.
Obrigada a Meimei e Chico Xavier pela riqueza de detalhes...

A todos vocês "Agradecimento Eterno", de Chico Xavier e Meimei.


O Agradecimento Eterno (Chico Xavier e Memei) - Gratitud eterna - The Eternal Gratitude (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PS1tQWtveDZjeTYwIw==)
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: ferchant em 03 de Fevereiro de 2011, 20:46
Bondade e Justiça

Um grupo de amigos conversava perto de Chico sobre o difícil problema do relacionamento humano e de como acertar nos serviços de assistencia social, quando ele se saiu com esta:
- Ser bonzinho é fácil; difícil é ser justo.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: ferchant em 03 de Fevereiro de 2011, 20:56
O Importante é trabalhar

Certa senhora, presidente de uma grande instituição de caridade, desencarnara, e o amigo que ficou em seu lugar pediu-me perguntar a Chico se ele estava preparado para assumir aquela tarefa. Eis a resposta:
- Nenhum de nós está preparado para relaizar a Obra do Cristo. Mas isso não é motivo para fugirmos do trabalho e permanecermos na inércia, mas, sim, trabalhar, oferecendo ao Senhor o que temos de melhor.
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: ferchant em 03 de Fevereiro de 2011, 20:59
Como Acertar
- Chico, como fazer para acertar?
- Certa vez, fiz esta mesma pergunta a Emmanuel e ele me disse: "Meu filho, procura cumprir com o teu dever da melhor forma possível, de maneira a guardar a paz de consciencia; o resto entrega a Jesus."
Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 03 de Fevereiro de 2011, 23:19
Chico o beijou de um lado, do outro, duas vezes cada face. Lágrimas escorreram dos olhos do preso. Antes de virar as costas, o detento agradeceu:
▬  Muito obrigado.

Cont.


[attach=1]

AS VIDAS DE CHICO.

No final do ano, Chico encontrou energia para quebrar o jejum televisivo. Voltou à TV Tupi, não como entrevistado, mas como ator da novela O Profeta. Fazia um favor a sua amiga Ivani Ribeiro, a novelista, e agradecia à emissora responsável pela divulgação do espiritismo no início daquela década.

Seu papel na trama: Chico Xavier. A cena foi rápida. O pai do profeta do título pediu socorro ao médium, pois estava preocupado com as atitudes do filho, Daniel. Ele usava os poderes espirituais para ganhar dinheiro.

Chico aconselhou de improviso: Deixe que a própria natureza se encarregue de mostrar a ele o caminho certo. Ninguém tem o direito de usar a mediunidade como meio de exploração comercial. O tempo se encarregará de amadurecer nele essa convicção.

Também naquele ano, Chico se envolveu numa novela" bastante real e bem mais trágica. Ele fechou os olhos e colocou no papel uma carta assinada por Maurício Garcez Henriques, de 16 anos. Sua tragédia tinha sido notícia de jornal dois anos antes.

Maurício fora assassinado pelo melhor amigo, José Divino Nunes, então com 18 anos. Os dois eram inseparáveis. José Divino foi preso e defendeu a própria inocência: o tiro tinha sido acidental. Para piorar sua situação, perdeu o pai e a mãe num desastre de automóvel, logo após ser detido.

A família de Maurício, inconformada, exigia a punição do assassino. Em meio à investigação, atormentada pela dor da perda, ela cumpriu o roteiro seguido por milhares de pessoas de todo o país. Apesar de serem católicos, o pai e a mãe da vítima foram para Uberaba em busca de Chico Xavier.

No primeiro contato, Chico repetiu a velha frase:
O telefone só toca de lá pra cá. De dois em dois meses, a família voltava a Uberaba.

Recebia sempre pequenos recados como resposta aos pedidos que deixavam sobre a mesa. Os enfermeiros do além avisavam:
▬  Nosso caro amigo está sob a assistência de abnegados amigos espirituais.
▬  O querido filho está presente e beija-lhe o coração materno.
▬  O filho querido agradece as preces e as lembranças.

A primeira carta veio em 1978. O morto pedia "resignação e coragem" e garantia: "O José Divino nem ninguém teve culpa em meu caso. Brincávamos a respeito da possibilidade de ferir alguém pela imagem no espelho.

Sem que o momento fosse para qualquer movimento meu, o tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo ou minha mesmo. O resultado foi aquele. Se alguém deve pedir perdão sou eu, porque não devia ter admitido brincar em vez de estudar. Estou vivo e com muita vontade de melhorar".

Os pais de Maurício ficaram impressionados. A assinatura da carta escrita por Chico era quase idêntica à da carteira de identidade do rapaz e o texto estava repleto de referências a parentes e assuntos pouco conhecidos da família. Mas o pai ainda queria ver José Divino atrás das grades.

No dia 12 de maio de 1979, véspera do Dia das Mães, Chico escreveu outra carta assinada por Maurício: "Peça a meu pai que, no íntimo, aceite a versão que forneci do acontecimento que me suprimiu o corpo físico. Não se procure culpa em ninguém".

O recado foi estampado em folhetos pelo casal, acompanhado de fac-símiles das assinaturas da carteira de identidade e das cartas, O material foi anexado pela defesa ao processo na justiça. A tese do advogado esclarecia:

A vítima Maurício Garcez Henrique, desencarnada, envia mensagem de tolerância e magnitude espiritual, inocentando seu amigo José Divino e dizendo que ninguém teve culpa em seu caso, tudo através do renomado médium Francisco Cândido Xavier.

A sentença do juiz Orimar de Bastos, em 16 de julho de 1979, causou alvoroço: Temos que dar credibilidade à mensagem de Chico Xavier, apesar de a Justiça ainda não ter merecido nada igual, em que a própria vítima, após sua morte, vem revelar e fornecer dados ao julgador para sentenciar. Ela isenta de culpa o acusado, fala da brincadeira com o revólver e o disparo da arma. Coaduna este relato com as declarações prestadas pelo acusado.

Veredicto: "Julgamos improcedente a denúncia para absolver, como absolvido temos, a pessoa de José Divino Nunes". O caso, inédito, repercutiu até mesmo no exterior. Os jornais National Enquire e Physic News, dos Estados Unidos, abriram espaço para o escândalo. O National definiu a saga jurídico-espiritual brasileira como "um dos mais bizarros processos na história do Direito". O juiz virou até entrevistado de Flávio Cavalcanti.

Após se declarar católico, Orimar de Bastos definiu a carta do outro mundo como "um pequeno subsídio" capaz de reforçar a tese que ele já defendia de acordo com as provas dos autos. Chico Xavier também deu seu depoimento e defendeu o uso de declarações do outro mundo nos tribunais da Terra.

Como cristão acredito que, se a mensagem de alguém que se transferiu para a Vida Espiritual demonstrar elementos de autenticidade capazes de interessar uma autoridade humana, essa mensagem é válida para qualquer julgamento.

Na década seguinte, dois mortos se tornariam testemunhas de defesa dos responsáveis por suas mortes, graças a Francisco Cândido Xavier. O ex-réu do processo Humberto de Campos ganhava status de escrivão do além nos tribunais.




Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 03 de Fevereiro de 2011, 23:20

No dia 2 de abril de 1980, Chico completou setenta anos. Não quis festa nem homenagens. Preferiu ficar em casa. Jornais e revistas estamparam seu currículo:

360 mil autógrafos,
10 mil "cartas" de mortos a suas famílias,
183 livros, 8 milhões de exemplares vendidos em quinze idiomas,
Duas mil instituições de assistência fundadas, ajudadas ou mantidas com os direitos autorais ou com as campanhas beneficentes promovidas por ele.

O censo daquele ano revelou a presença de 1,5 milhão de espíritas no país ou seja, desde o primeiro Pinga-Fogo o número de kardecistas confessos tinha triplicado. Três dias após seu aniversário, no Sábado de Aleluia, Chico rompeu o retiro e reapareceu embaixo do abacateiro, na Vila dos Pássaros Pretos.

Amigos do Rio, liderados por Augusto César Vanucci, ofereceram-lhe um presente: a candidatura ao Prêmio Nobel da Paz. Chico sorriu, desconversou e continuou a distribuir alimentos, remédios e roupas aos pobres da periferia.

Na semana seguinte, Vanucci convidou o maior fenômeno espírita do país a participar de um programa em homenagem ao médium baiano Divaldo Franco, considerado o mais importante orador da doutrina. Chico teria de gravar um depoimento no Teatro Globo, no Rio.

Ele aceitou o convite, reverteu o cachê de 50 mil cruzeiros à Fundação Maneta Caio e apareceu no teatro na hora combinada. Uma das artistas convidadas, Glória Menezes, teve uma crise de choro ao deparar com aquele senhor sorridente, amparado por auxiliares. Vanucci tinha mentido. Chico iria participar de um programa dedicado a si mesmo, Um Homem Chamado Amor.

Era o lançamento de sua campanha para o Prêmio Nobel da Paz. No roteiro, poemas e mensagens de Chico declamados por artistas como Lima Duarte, Tony Ramos e Paulo Figueiredo, depoimentos de amigos como Roberto Carlos e muita música. Roberto cantou Ave-Maria e Força Estranha, Vanusa apresentou sua Prece de Cáritas, Joyce interpretou Clareana e Elis Regina No Céu da Vibração.

Com uma camisa xadrez amarrotada sob o terno branco, diante de um retrato a óleo de Emmanuel, Chico Xavier falou sobre a infância, defendeu a inseminação artificial e desempenhou o papel de garoto-propaganda do papa João paulo II, então prestes a desembarcar no Brasil:

"Devemos recebê-lo com todas as atenções de que ele é digno e de que tanto fez por merecer, conduzindo a Cristandade com tanta abnegação e com tanto tato para evitar que a discórdia se alastre no mundo".

O discurso cristão assentava bem na emissora mais poderosa do país, presidida por um amigo de dom Eugênio Sales. Após gravar seu depoimento, Chico encarou Vanucci, o diretor do programa, e afirmou com um meio sorriso.
▬  Tudo pela doutrina.

Ele sabia quem era o verdadeiro homenageado e aceitou a candidatura. Os velhos críticos de sua vaidade voltaram à tona. Chico reagiu com as antigas explicações. Reverteu a homenagem ao espiritismo, definiu como ingratidão imperdoável a recusa de "tamanha honraria" e aproveitou a badalação em torno de seu nome para divulgar as lições de Kardec.

Diante das câmeras e das canetas dos repórteres, ele repetiu uma frase muito pouco bombástica: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Este slogan cristão resumia, para ele, a filosofia correta de vida.

Chico se agarrava à frase atribuída a Jesus e aconselhava com sua voz cada vez mais desafinada: Amar sem esperar ser amado e sem aguardar recompensa alguma. Amar sempre.

Como candidato ao Nobel, Chico voltava a ser notícia. E, dez anos depois do Pinga-Fogo da TV Tupi, surpreendia o público com revelações estapafúrdias. Do alto de seus setenta anos e sob o peso de sucessivas crises coronarianas, ele exibia a coragem de quem sente a morte cada vez mais próxima.

Já não pensava tanto antes de confessar sua crença em discos-voadores ou antes de contabilizar a "população flutuante desencarnada" da Terra: 20 bilhões de espíritos espalhados por diversas áreas invisíveis em torno da crosta terrestre, à espera de voltar ao planeta e resgatar as dívidas de existências anteriores.

Os repórteres aproveitavam a disposição do líder espírita para falar sobre a polêmica. Quando o papa chegou ao Brasil, foi recebido com pompa e majestade, como um rei.
▬  Aquela ostentação toda era justa num país tão pobre?

Chico Xavier repetiu a mesma resposta a quem quisesse saber sua opinião. Um país que gastava fortunas com campeonatos de futebol e com desfiles de carnaval não deveria economizar para reverenciar o Sumo Pontificie, um "homem extraordinário, que tem beijado o chão de tantas terras".

A sala de Augusto César Vanucci na Globo ganhou um apelido: Central do Espiritismo. Sua mesa ficou coberta de cartas de apoio a Chico Xavier enviadas do Brasil e do exterior. A Universal Temple Spiritualist Church, da África do Sul, prestou solidariedade e conseguiu coletar 10 mil assinaturas. A Saint Francis Catholic Church, de San Francisco, entrou no coro e outros 26 países aderiram.

Os quase 5 mil centros kardecistas do país distribuíram listas de adesão e 190 câmaras municipais enviaram ofícios e requerimentos. Uma Comissão Pró-Indicação de Francisco Cândido Xavier ao Prêmio Nobel da Paz de 1981 foi formada para organizar o movimento. Entre os integrantes estavam, além de Vanucci, o deputado Freitas Nobre, sua mulher, Marlene Rossi Severino Nobre, e Divaldo Franco.

Eles trataram de divulgar um texto:
"▬  Por que Chico Xavier?".

A primeira frase dava o tom:
"Em 53 anos de vida pública, dedicada à paz entre as criaturas, ele atendeu a mais de 1 milhão de pessoas, uma a uma". Um clima de "já-ganhou" começou a tomar conta do país.

Afinal de contas, a indicação de madre Teresa de Calcutá, no ano anterior, tinha como base apenas 28 entidades de assistência surgidas e mantidas pelo trabalho dela. A indicação de Chico chegaria à mesa do Comitê Nobel em Oslo, Noruega, respaldada por duas mil obras sociais, fundadas ou mantidas graças ao apoio dele.

Vanucci estava certo da vitória. E não se deixou abalar nem quando entraram no páreo como concorrentes de Chico Xavier o próprio papa João Paulo II e o líder sindical polonês Lech Walesa:

"A atuação de Walesa não vai tão de encontro ao sentido da paz, como determina, O Nobel, e a luta pela paz é uma tarefa intrínseca à função de um Papa. Chico faz uma revolução social e moral no país. Até o representante brasileiro nesse processo se empolgou.

Numa de suas entrevistas, o candidato ao Nobel da Paz saiu da posição de quem se sacrificava em nome da doutrina e da gratidão aos amigos e afirmou:
▬  Sinto-me como se estivesse sonhando.

O deputado federal Paulo Alberto, ou melhor, Artur da Távola, então titular de uma coluna sobre TV em O Globo, aderiu à campanha e assinou um artigo pró-Chico Xavier da primeira à última linha. O texto, intitulado "A figura de comunicação de Francisco Cândido Xavier", foi anexado à documentação enviada para Oslo.

Além da aura de paz e pacificação que parte dele, há um outro elemento poderoso a explicar o fascínio e a durabilidade da impressionante figura de comunicação de Chico Xavier, a grande seriedade pessoal do médium, a dedicação integral de sua vida aos que sofrem e o desinteresse material absoluto.

Maltratado pelas crises de angina e atordoado por quedas súbitas de pressão, o candidato ao Nobel anunciava a morte próxima.
▬  Já estou com o passaporte para o além.

Amigos imaginavam os capítulos seguintes: ele receberia o prêmio na Noruega e morreria, então, consagrado como um santo. Talvez fosse até canonizado com a bênção do "rival" João Paulo II.

Diante da morte Chico Xavier encarava a perspectiva da morte com calma e apreensão ao mesmo tempo. O ato de morrer, em si, não o apavorava. Os seus amigos invisíveis o tranqüilizavam. Na maioria das vezes, as pessoas nem chegavam a perceber a passagem para o outro mundo.

Afinal de contas, ao longo da vida, todos exercitavam a morte através do sono e a ressurreição ao abrir os olhos pela manhã.


Título: Re: CHICO E AMIGOS
Enviado por: Marianna em 03 de Fevereiro de 2011, 23:21

▬  Mas, e depois? Emmanuel se recusava a adiantar qualquer detalhe sobre o
destino do protegido no outro mundo. Muito menos revelava o dia de sua partida. Sem nenhuma informação privilegiada sobre si mesmo,

Chico escrevia, fazia caridade e achava pouco. Precisava trabalhar muito antes de sair desta para melhor (ou pior?).  Rezava para ter tempo de resgatar dívidas anteriores e agradecia à misericórdia divina a bênção de cada doença concedida a ele.

Numa noite, Chico já se preparava para dormir quando foi surpreendido pela visita de uma assombração com bafo de quem estava alguns goles acima do normal. O visitante se apresentou como um auxiliar dos benfeitores espirituais. Sua missão: arrancar do túmulo os espíritos mais resistentes à idéia da morte e encaminhá-los ao outro lado. Para cumprir tarefa tão estressante, ele precisava de uns tragos encorajadores.

Chico abriu um sorriso para o recém-chegado e avisou: Você vai ter que beber muito para me tirar do caixão. O protegido de Emmanuel se agarrava à Terra com obstinação. Queria escrever até o fim, servir muito, sofrer mais ainda, para merecer um pouco de paz na próxima temporada neste mundo.

Queria renascer numa aldeia onde ninguém soubesse ler, onde todos vivessem de forma simples e, de preferência, onde ele não fosse médium. Seus devotos mais fiéis apostavam em outra tese. Ele não voltaria à Terra. Não tinha mais dívidas a pagar. Ele iria direto para o céu e ficaria por lá. Chico reagia com bom humor: Vou mesmo para o CEU - o Centro Espírita Umbralino.

Em 15 de novembro, o candidato ao Prêmio Nobel da Paz virou nome de praça em Pedro Leopoldo. O filho mais estranho de João Cândido Xavier vestiu seu melhor terno e, acompanhado de amigos ricos de São Paulo e Uberaba, participou da solenidade em sua homenagem, 22 anos depois de sua mudança.

No discurso de agradecimento à cidade, ele afirmou com a voz embargada para a platéia que incluía ex-adversários como o padre Sinfrônio: Eu lhes devo tanto e tenho tão pouco para lhes dar. Estou acanhado em vos dizer, inclusive, muito obrigado. Entretanto, peço a Deus que abençoe sempre esta cidade e esta praça dedicada ao amor.

Dez anos depois, a praça, bem ao lado da Prefeitura, estaria em estado de abandono total.

As listas de apoio a Chico Xavier passavam de mão em mão pelo Brasil e o candidato ao Nobel da Paz lutava contra as dores no coração para participar das sessões no Grupo Espírita da Prece. A peruca negra e farta sobre a cabeça destoava cada vez mais das rugas no rosto e da fragilidade do corpo franzino, sempre arqueado, como se estivesse a um passo de se espatifar no chão.

Chico se sentia cada vez mais vulnerável. Seu peito parecia arrebentar sob o impacto de desabafos, como o da mulher desesperada vinda do interior de São Paulo:
▬  Chico, matei meu próprio filho, para não sermos, eu e meu marido, mortos por ele.
▬  Ajude-me pelo amor de Deus.
Com os olhos marejados, ele se limitava a dizer:
▬  Vamos orar, minha irmã. Vamos pedir a Deus forças para continuar vivendo.

Só após muita insistência do Dr. Eurípedes Tahan, ele concordou em reduzir ainda mais a quantidade de contatos pessoais com os visitantes. Um novo médico, sobrinho de Chico, o cardiologista José Geraldo, reforçou o cordão de isolamento em torno do paciente mais requisitado do país.

Começaram a aparecer no Grupo Espírita da Prece as "filas dos sessenta", também conhecidas como "filas dos suplicantes". Só os primeiros a chegar, somados a alguns eleitos por Eurípedes Higino dos Reis, conseguiam uma audiência com Chico Xavier. Os outros poderiam assistir à sessão, mas só com muita sorte trocariam algumas palavras com o anfitrião, sempre cercado de auxiliares. As reclamações se acumulavam.

▬  Quais os critérios usados para selecionar quem poderia conversar com Chico?

Alguns falavam em dinheiro. As suspeitas davam lugar a surpresa diante de cartas vindas do além e escritas, ainda em velocidade, por um Chico com mãos tr