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GERAL => Outros Temas => Tópico iniciado por: Brenno Stoklos em 23 de Abril de 2013, 05:17

Título: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 23 de Abril de 2013, 05:17
Citando um trecho de Carlos Imbassahy:

Ao contrário do que se pensa, os homens melhoram! Muito pouco em relação ao progresso, mas um bom tanto se considerarmos o tempo. Nota-se que a evolução do sentimento nos parece mínima, porque estamos contando de ontem, e o ontem nosso é quase nulo em relação à vida planetária.
Não há dúvida que o sentimento de piedade é muito condicionado entre os homens. Basta lembrarmos uma página de Veit Valentin:

"Que César, na Gália, massacrasse populações inteiras, inclusive mulheres e crianças, que tivesse mandado decepar as mãos a todos os defensores da fortaleza gaulesa de Uxelodunum, ordenando que se exibissem os mutilados para amedrontar, que tenha feito açoitar até matar seu adversário Vercingetórix, não horrorizou ninguém em Roma; tratando-se de bárbaros, ninguém se compadecia, e com seus adversários romanos César era benigno e indulgente. Quando, porém, os seus soldados, sem trabalho, espancaram o seu co-cônsul Bibulus, quando ele arbitrariamente aumentou o número de suas legiões, quando fez vir para Roma a egípcia Cleópatra como mãe de seu filho Cesarion, passou então a ser considerado criminoso."

É verdade que hoje é assim, ou talvez pior, porque não vejo essa benignidade com os patrícios; antes pelo contrário. O progresso consiste em que há maior número de benignos, e doutrinas que pregam a benignidade, enquanto antigamente havia pouquíssimas, ou não havia nenhuma! E, quando aparecia um Cristo ou um Sócrates, mandavam matar!

O que pensam os amigos a respeito desse tema?
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: liviabm em 23 de Abril de 2013, 16:00
Em nosso nível evolutivo, temos ainda um foco muito voltado para o hoje, o agora. É difícil pensar em outras vidas. Aceitamos a ideia de que vivemos várias vezes, mas pensar realmente sobre isso, viver com esta verdade, é diferente.
Fomos todos criados simples e ignorantes para alcançar a perfeição. A evolução é inevitável. Uns vão demorar mais do que outros, alguns podem até fazer força para permanecer no mesmo lugar, mas todos vão evoluir.
Vejam o quanto já melhoramos em conforto: energia elétrica, água encanada, telefone, televisão, vaso sanitário! Sem nem voltar muito no tempo, 100 anos atrás, isso era raridade, em algumas partes do mundo, ainda é. Quantas doenças já foram ou estão sendo erradicadas. Quantos avanços em termos de educação, direitos civis, organizações de apoio e amparo a sociedade.
Já evoluimos muito e com estes avanços, vemos o quanto ainda temos para melhorar. A inteligência sem o sentimento, não funciona. Mas será que não melhoramos nisso? O texto mossa a melhora social, na qual acredito, a sociedade não é mais tão bárbara, não aceita mais tanta atrocidade, se mobiliza mais pelo próximo.
E individualmente? Nos romances espíritas nós vemos mudanças nas pessoas de uma vida para outra ou até na mesma vida. É triste adminitr que eramos piores, mas acho que hoje, essa já é uma versão melhorada nossa, que já mudamos desde a última encarnação, que já estamos um pouquinho melhores. Agora é se esforçar para na próxima, a diferença ser ainda maior.
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Ann@ em 23 de Abril de 2013, 19:29
Citando um trecho de Carlos Imbassahy:


"Que César, na Gália, massacrasse populações inteiras, inclusive mulheres e crianças, que tivesse mandado decepar as mãos a todos os defensores da fortaleza gaulesa de Uxelodunum, ordenando que se exibissem os mutilados para amedrontar, que tenha feito açoitar até matar seu adversário Vercingetórix, não horrorizou ninguém em Roma; tratando-se de bárbaros, ninguém se compadecia, e com seus adversários romanos César era benigno e indulgente. Quando, porém, os seus soldados, sem trabalho, espancaram o seu co-cônsul Bibulus, quando ele arbitrariamente aumentou o número de suas legiões, quando fez vir para Roma a egípcia Cleópatra como mãe de seu filho Cesarion, passou então a ser considerado criminoso."

Acredito que a maioria ainda vive assim. Nos sensibilizamos com aqueles que, de alguma forma, se identifica conosco (vivenciam os mesmos problemas, são vítimas de mesmo "crime", etc.), mas acabamos sendo implacáveis com aqueles que vão na contra mão. Independentemente da análise moral... Dois pesos duas medidas, como diriam meus avós!

Porém, acredito que o homem de forma geral evoluiu, moralmente falando, considerando que certas ações comparáveis às barbáries ainda são cometidas, porém de forma isolada e muito reservada. A lei material já condena, mas continuam existindo trabalho escravo, infantil, acerto de contas, etc..

Abçs

Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 24 de Abril de 2013, 05:45
Mais um ponto-de-vista:

A maldade do ser humano nos parece latente a cada dia que passa, mas de forma alguma tentamos entender que estamos em evolução, tempos atrás – e não tem muito tempo – o ser humano não respeitava de forma alguma o valor da vida do próximo. Nestes tempos matava por qualquer motivo, tomava para si o que era de outrem e tudo com o aceite de quem nos representava. Vivemos a cada dia melhor que o outro que passou, a todo momento as Leis modificam, vai se adequando a vontade dos habitantes deste planeta e se ainda não está perfeito é porque como seres pensantes e evolução queremos a perfeição, então quem quer a perfeição deveria pelo menos tentar ser perfeito, ser digno de um mundo melhor, não de forma geral, temos que cada um fazer a sua parte. Daí sim estaremos contribuindo para dias melhores que talvez nem mesmo nossos filhos e netos ainda percebam, mas o ser humano está evoluindo.

                                              Jorge Romanholi Gouvêa.
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Ann@ em 24 de Abril de 2013, 17:20
Mais um ponto-de-vista:

A maldade do ser humano nos parece latente a cada dia que passa, mas de forma alguma tentamos entender que estamos em evolução, tempos atrás – e não tem muito tempo – o ser humano não respeitava de forma alguma o valor da vida do próximo. Nestes tempos matava por qualquer motivo, tomava para si o que era de outrem e tudo com o aceite de quem nos representava.

                                              Jorge Romanholi Gouvêa.

Acredito com certeza que o ser humano está evoluindo moralmente, mas... isto ainda acontece!
Pode não acontecer de forma escancarada, mas acontece...
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 25 de Abril de 2013, 07:01
Um outro ponto-de-vista:

Segundo a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, Deus criou todos os Espíritos simples e  ignorantes, os Espíritos recém criados  não tem sentimentos, nem livre arbítrio têm apenas instinto. Pois os sentimentos surgem  a partir do conhecimento  e a experiência do ser.
Começa o desenvolvimento do Espírito com as suas necessidades básicas, seus  desejos, com as  buscas pela sua sobrevivência,  que aos poucos vão se manifestando.  Novos pensamentos vão  nascendo, com isso também  os sentimentos de ódio, o amor, vingança.
Na realidade os sentimentos dos seres humanos são expressados diferente uns dos outros,  por exemplo:  O sentimento de amor expressado por uma pessoa, não é igual ao sentimento do outro. O mesmo ser pode exteriorzar um sentimento elevado, como manifestação de ódio e orgulho.
Há seres que amam, mais a demontração desse amor os torna agressivos, magoados, depressivos, o tempo do espírito pode ser medido  pela maneira que demonstra os seus sentimentos. A medida que o espírito evolui, estando encarnado ou desencarnado seus sentimentos são também renovados, aprendendo  a amar e  a perdoar. Ninguém consegue modificar seus sentimentos sem entendimento.
É mais fácil ao espírito encarnado tentar modificar os seus sentimentos, pois o corpo físico é como um pára-raios de força espírituais, que drena de forma eficiente as energias deletérias que aprisionam o espírito. Os excessos são evitados através do esforço do ser, buscando o equilibrio.
Quando o ser vive alimentado pela vaidade,pelo  egoísmo, e outras imperfeições.  não consegue entender o valor do amor, da família, etc.. não consegue se relacionar de forma equilibrada. O relacionamento  é a base do progresso e através dele descortinamos as nossas virtudes e os nossos fracassos.
Somos a soma dos nossos sentimentos e portanto somos produto  dos relacionamentos humanos. O esforço de aprimoramento de um espírito para tornar-se equilibrado, passa pela compreensão de saber amar os que estão a nossa volta.

Muita Paz

Euripides Barsanulfo
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Ann@ em 25 de Abril de 2013, 11:26
Oi Brenno, como eu entendo:

ok, o Espírito é criado simples e ignorante, age por instinto e tem seu livre arbítrio "liberado" mediante sua capacidade de entendimento e consequente escolha. Mas o que faz um Espírito ser mais arredio, ou mais duro, ou ainda, mais rebelde que outro? Talvez as experiências vividas?!...

Cada Espírito tem a própria concepção sobre o que é sentimento. Se pedirmos a 10 pessoas para conceituar o que é amor, ódio, orgulho, preconceito, etc., cada um tem uma forma de se expressar e de sentir. Para algumas pessoas o amor é cuidar do outro e cuidar significa dar bases materiais (conforto, bens, etc.), para outros amar está mais para o apego. Só aqui já temos várias diferenças de conceito e consequente ação.

Imagino que a evolução do sentimento ocorre quando o Espírito compreende que amor está muito além da matéria, está na doação incondicional do ser, auxiliando sem julgar ou reprimir e muito menos, humilhando. Acredito que o Espírito inicia esta compreensão quando tem a oportunidade de realizar este trabalho através das religiões.

No Espiritismo, por exemplo, temos dentro do CE vários trabalhos sociais, mas para falar apenas de sentimento, citarei o Passe que é puro sentimento. Um passe bem dado é aquele quando o "passista" doa o seu amor aquele que está à sua frente sem reservas e sem julgamento.

É sim um comportamento imposto num primeiro momento, mas acredito (e vivenciei) que esta conduta imposta numa sala e por algumas horas, levado para a vida cotidiana, ajuda. Óbvio, levar este comportamento para fora da sala de passes e do CE, depende da vontade do Espírito e aqui entramos novamente nas diferenças de compreensão de cada ser. ;)

Mas, Brenno, o que você pensa a respeito?
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 26 de Abril de 2013, 06:35

Mas, Brenno, o que você pensa a respeito?

Eu, particularmente, acredito que o Sentimento é a expressão do que há de Divino no Espírito humano.
Que o Sentimento só pode evoluir através da experiência, independentemente da razão.
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Ann@ em 26 de Abril de 2013, 12:18

Eu, particularmente, acredito que o Sentimento é a expressão do que há de Divino no Espírito humano.
Que o Sentimento só pode evoluir através da experiência, independentemente da razão.

Concordo com você quando diz que o sentimento é a expressão do que há de Divino...

Mas sobre a evolução, quero entender tua colocação, então me diga uma coisa: ao passar por situações desagradáveis, que tragam sofrimento; num primeiro momento pode-se experimentar a revolta, a apatia e até mesmo o vitimismo, agravando ainda mais certos casos. Só se consegue sair destes quadros (às vezes reincidentes) se analisarmos e compreendermos toda a situação, observando inclusive e principalmente nossas atitudes, sem condescendências e com honestidade íntima, que antecedem essas situações desagradáveis.

Pois bem, esta análise esta tentativa de entendimento que gera a compreensão (sentimento) e consequente mudança de atitude, não é a utilização da razão? A análise fria de nossas reações - e a constatação de uma palavra mal direcionada, uma resposta agressiva, etc. - ou a compreensão de que certos acontecimentos, só podem seguir uma estrada, porque os envolvidos não tem condições (emocionais) de realiza-las de forma diferente, não é usar a razão?

Não seria a compreensão (uso da razão para entender certos fatos) o motivo para modificarmos nossos sentimentos e consequentemente nossas atitudes e assim evoluir?

abçs
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 26 de Abril de 2013, 21:25

Não seria a compreensão (uso da razão para entender certos fatos) o motivo para modificarmos nossos sentimentos e consequentemente nossas atitudes e assim evoluir?

abçs

É que são os sentimentos que influem na Razão, e não o contrário.
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Ann@ em 26 de Abril de 2013, 21:43
É que são os sentimentos que influem na Razão, e não o contrário.

Não entendo assim. Acredito que os dois - sentimento e razão "trabalham" de comum acordo - mas já usei a razão, e somente a razão, para não fazer coisas erradas. Digo isso, porque o sentimento me levaria ao erro com certeza.

abçs
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 28 de Abril de 2013, 06:18
É que são os sentimentos que influem na Razão, e não o contrário.

Não entendo assim. Acredito que os dois - sentimento e razão "trabalham" de comum acordo - mas já usei a razão, e somente a razão, para não fazer coisas erradas. Digo isso, porque o sentimento me levaria ao erro com certeza.

abçs

Sentimento não é o mesmo que "desejo" ou "vontade". Para usar a razão temos que ter a experência, ou seja, temos que ter experimentado (sentido) em alguma ocasião as consequências boas ou ruins de um ato praticado.
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Conforti em 28 de Abril de 2013, 19:00
      Re: A Evolução do Sentimento.

      Ann@   (ref #6)
     
      Ann, nossa querida companheira de estudos, escreveu: o Espírito é criado simples e ignorante, age por instinto e tem seu livre arbítrio "liberado" mediante sua capacidade
de entendimento e conseqüente escolha.

      Cel: nova amiga, dentro daquela sábia recomendação de “fé raciocinada”, vamos raciocinar um pouco: porq os espíritos praticam tantos males e estão sujeitos a tantas e terríveis infelicidades e sofrimentos? A resposta, q as doutrinas cristãs dão, é que escolhem, pelo livre-arbítrio, fazer o mal, certo? Contudo, essa é uma questão para a qual nenhuma de nossas religiões populares, nem a doutrina espírita, tem resposta definitiva, pois, porq mesmo podendo escolher fazer o bem, escolhem fazer o mal! Se todo efeito tem sua causa, qual é a causa que tem esse efeito de, podendo escolher fazer o bem, escolhem fazer o mal?

      Contudo, a amiga está dizendo que espíritos têm seu livre arbítrio "liberado" mediante sua capacidade de entendimento e conseqüente de escolha. Então, e antes de terem essa capacidade, porq sofriam? Todos os males do mundo, segundo Kardec, vêm do mau uso do livre-arbítrio, mas seu livre arbítrio ainda não estaria totalmente liberado porq sua capacidade de entendimento e de escolher ainda não tinha condições para isso!

      Porq o espírito, q tem seu livre-arbítrio restrito em face de sua capacidade de entendimento, tem de sofrer e sofrer terrivelmente? Ou será q espíritos mais atrasados sofrem menos do q os mais adiantados? Não precisamos dar exemplos dos sofrimentos em relação aos homens, mas lembremos dos animais (erradamente, como compreende a ciência de hoje, chamados de irracionais), os quais, devido ao cérebro com q são dotados, têm menor capacidade de entendimento do q aqueles. Onde estarão exemplos de que sofrem menos aqueles q têm o livre-arbítrio mais restrito?

      Ann: Mas o que faz um Espírito ser mais arredio, ou mais duro, ou ainda, mais rebelde que outro? Talvez as experiências vividas?!...

      Cel: aqui, a amiga Ann tocou numa questão interessante, tantas vezes repetida, mas nunca respondida, por nenhuma religião, e por nenhum de seus estudiosos seguidores: o q faz um espírito mais duro, perverso, criminoso, pervertido, assassino, ladrão, explorador dos semelhantes se, no ato da criação, somos todos perfeitamente iguais? É evidente q os espíritos não se tornam desiguais sem q exista uma fortíssima causa para isso. Afinal, o q foi que desfez aquela perfeita igualdade inicial?

      Se são as experiencias/lições da vida que nos fazem ou bons ou maus, como a amiga diz (e com o que concordo plenamente) porq temos de passar por tremendos padecimentos, se não somos responsáveis pelo q a escola que frequentamos nos ensina? Por isso, podemos afirmar, sem receio de errar, que a escola que o Criador nos deu para aprendermos a nos desligar das imperfeições, é uma escola "do bem e do mal", pois é exatamente nela q aprendemos a nos ligar às mais monstruosas imperfeições!   

      Interessante que, sendo essa uma questão de extrema importância, ninguém, nenhuma religião consegue lhe dar resposta.

      Porém, na própria codificação, essa resposta existe, mas muitos q a descobrirem não a admitirão; nem a própria doutrina a admite pois, por seus ensinamentos, mostra q é contrária a essa resposta .

      Ann: Imagino que a evolução do sentimento ocorre quando o Espírito compreende que amor está muito além da matéria, está na doação incondicional do ser, auxiliando sem julgar ou reprimir e muito menos, humilhando. Acredito que o Espírito inicia esta compreensão quando tem a oportunidade de realizar este trabalho através das religiões.

      Cel: sim, quando compreende, não q o amor está “além” da matéria (a amiga tem razão se está significando q o amor é extremamente perturbado pela matéria, q um amor genuíno, integral, incondicional é impossível de existir na matéria), mas que o amor é extremamente imprescindível para tentar aliviar, por pouco q seja, a vida “aqui” na matéria.

      A vida é sofrimento para todos, sem exceção, é caótica e, sem o amor, será mais caótica ainda!

      Entretanto, o fato de alguém ter amor no coração (não só nas atitudes exteriores q, nelas, pode nada mais haver do que encenação ou interesse próprio, sem valor algum para o crescimento espiritual), não depende do desejo, da vontade, do livre-arbítrio de ninguém.

      E ter e demonstrar amor nada tem a ver com pertencer a alguma religião; amor não depende de crença, mas de compreensão.

      Ann:... Óbvio, levar este comportamento para fora da sala de passes e do CE, depende da vontade do Espírito e aqui entramos novamente nas diferenças de compreensão de cada ser.

      Cel: novamente, a jovem amiga, traz questão de grande importância mas que, podemos ver, nem todos já despertaram sequer para se interessarem nem para formulá-la, nem para buscar uma resposta: qual é a causa de haver entre os espíritos (entre nós) essas desigualdades, muitas vezes gigantescas, pois levam uns para o bem e a consequente felicidade, eqto levam outros ao mal e a extremas infelicidades?
..............................................
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 29 de Abril de 2013, 08:06

      Cel: aqui, a amiga Ann tocou numa questão interessante, tantas vezes repetida, mas nunca respondida, por nenhuma religião, e por nenhum de seus estudiosos seguidores: o q faz um espírito mais duro, perverso, criminoso, pervertido, assassino, ladrão, explorador dos semelhantes se, no ato da criação, somos todos perfeitamente iguais? É evidente q os espíritos não se tornam desiguais sem q exista uma fortíssima causa para isso. Afinal, o q foi que desfez aquela perfeita igualdade inicial?

      Se são as experiencias/lições da vida que nos fazem ou bons ou maus, como a amiga diz (e com o que concordo plenamente) porq temos de passar por tremendos padecimentos, se não somos responsáveis pelo q a escola que frequentamos nos ensina? Por isso, podemos afirmar, sem receio de errar, que a escola que o Criador nos deu para aprendermos a nos desligar das imperfeições, é uma escola "do bem e do mal", pois é exatamente nela q aprendemos a nos ligar às mais monstruosas imperfeições!   

      Interessante que, sendo essa uma questão de extrema importância, ninguém, nenhuma religião consegue lhe dar resposta.

      Porém, na própria codificação, essa resposta existe, mas muitos q a descobrirem não a admitirão; nem a própria doutrina a admite pois, por seus ensinamentos, mostra q é contrária a essa resposta .

      Cel: sim, quando compreende, não q o amor está “além” da matéria (a amiga tem razão se está significando q o amor é extremamente perturbado pela matéria, q um amor genuíno, integral, incondicional é impossível de existir na matéria), mas que o amor é extremamente imprescindível para tentar aliviar, por pouco q seja, a vida “aqui” na matéria.

      A vida é sofrimento para todos, sem exceção, é caótica e, sem o amor, será mais caótica ainda!

      Cel: novamente, a jovem amiga, traz questão de grande importância mas que, podemos ver, nem todos já despertaram sequer para se interessarem nem para formulá-la, nem para buscar uma resposta: qual é a causa de haver entre os espíritos (entre nós) essas desigualdades, muitas vezes gigantescas, pois levam uns para o bem e a consequente felicidade, eqto levam outros ao mal e a extremas infelicidades?
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804. Por que não outorgou Deus as mesmas aptidões a todos os homens?

“Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros, o que lhes dá aptidões diversas.
Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, fá-lo outro. Assim é que cada qual tem seu papel útil a desempenhar. Demais, sendo solidários entre si todos os mundos, necessário se torna que os habitantes dos mundos superiores, que, na sua maioria, foram criados antes do vosso, venham habitá-lo, para vos dar o exemplo.” (361)

805. Passando de um mundo superior a outro inferior, conserva o Espírito, integralmente, às faculdades adquiridas?

“Sim, já temos dito que o Espírito que progrediu não retrocede. Poderá escolher, no estado de Espírito livre, um invólucro mais grosseiro, ou posição mais precária do que as que já teve, porém tudo isso para lhe servir de ensinamento e ajudá-lo a progredir.” (180)
Assim, a diversidade das aptidões entre os homens não deriva da natureza íntima da sua criação, mas do grau de aperfeiçoamento a que tenham chegado os Espíritos encarnados neles. Deus, portanto, não criou faculdades desiguais; permitiu, porém, que os Espíritos em graus diversos de desenvolvimento estivessem em contacto, para que os mais adiantados pudessem auxiliar o progresso dos mais atrasados e também para que os homens,
necessitando uns dos outros, compreendessem a lei de caridade que os deve unir.


361. Qual a origem das qualidades morais, boas ou más, do homem?

“São as do Espírito nele encarnado. Quanto mais puro é esse Espírito, tanto mais propenso ao bem é o homem.”

a) - Seguir-se-á daí que o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito e o homem vicioso a de um Espírito mau?

“Sim, mas, dize antes que o homem vicioso é a encarnação de um Espírito imperfeito, pois, do contrário, poderias fazer crer na existência de Espíritos sempre maus, a que chamais demônios.”


362. Qual o caráter dos indivíduos em que encarnam Espíritos desassisados e levianos?

“São indivíduos estúrdios, maliciosos e, não raro, criaturas malfazejas.”


363. Têm os Espíritos paixões de que não partilhe a Humanidade?

“Não, que, de outro modo, vo-las teriam comunicado.”


364. O mesmo Espírito dá ao homem as qualidades morais e as da inteligência?

“Certamente e isso em virtude do grau de adiantamento a que se haja elevado. O homem não tem em si dois Espíritos.”


365. Por que é que alguns homens muito inteligentes, o que indica acharem-se encarnados neles Espíritos superiores, são ao mesmo tempo profundamente viciosos?
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Sapos em 29 de Abril de 2013, 13:48
"Nesse estado (êxtase), todos os pensamentos terrestres desaparecem para dar lugar ao sentimento puro, que é a própria essência de nosso ser imaterial. Inteiramente envolto nessa contemplação sublime, o extático encara a vida apenas como uma paragem momentânea. Para ele tanto o bem quanto o mal, as alegrias grosseiras e misérias aqui da Terra são apenas incidentes fúteis de uma viagem cujo término que avista o deixa feliz."

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/o-estado-natural-do-homem/#ixzz2Rr8aGHeF
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Ann@ em 29 de Abril de 2013, 14:01
Amigo Coronel, gostei muito de suas questões...

No meu entendimento, que veio de algumas experiências vividas da atuação junto ao atendimento de diversas pessoas, percebi que cada ser tem sua própria forma de sofrer, de sentir o sofrimento. - até então, para mim sofrer, era sofrer e ponto, mas não é assim. Há também muitas diferenças entre o que faz alguém sofrer... talvez esteja um pouco confuso, mas já é difícil passar em palavras, na escrita então, mais difícil ainda :)

Um exemplo: a perda de entes queridos é um fato que traz à grande maioria das pessoas, um grande sofrimento; outro ponto comum são as doenças ditas terminais e ainda há as famílias que sofrem por ter filhos perdidos para as drogas. Porém, embora todos envolvidos com estes casos sofram, tem pessoas que sofrem mais com um caso do que com outro, muito embora todos saibam que estes casos sempre trazem dor e sofrimento.

Presenciei pessoas em condições muito delicadas, que não sofriam. Entendiam a dificuldade da situação, mas não sofriam; trabalhavam para superá-la, havia dificuldade não dor. Eu, em alguns momentos me senti muito pequena, pois eu sofreria muito em situação idêntica.

Sei que hoje, após várias e várias encarnações, responderemos a estas diferenças com a clássica resposta: "são Espíritos já preparados", mas acho que é exatamente isto que acontece desde o início de nossa criação.

Mesmo que sejamos todos criados iguais, simples e ignorantes, somos únicos, individualidades que aprendem com a experiência e a mesma experiência toca cada ser de forma diferente. - sementes de mesma fonte, jogadas no mesmo solo e tratadas da mesma forma, sempre terá aquela que não vinga.

Para mim escolher entre o certo e o errado está muito mais ligado à ignorância do que qualquer outra coisa. Embora o meu racional não consiga entender totalmente, conversando com algumas pessoas que parecem vivenciar o mal 24 horas por dia, cheguei a conclusão que elas não acreditam estarem cometendo o mal. Ao contrário, elas acreditam terem percebido o "real" sentido da vida, que suas atitudes demonstram o quanto são fortes e que somente os "fortes" tem chances de viver neste mundo... (seria resquícios do instinto de preservação?... talvez)

Coronel, meu amigo, concordo que nenhuma religião responde certas questões, mas o espiritismo me dá a liberdade de tentar achar as respostas. Talvez não a verdade "verdadeira", mas uma resposta que por certo tempo me satisfaz, até eu começar tudo de novo... acho que isto é o que nos move (a mim com certeza). E você entendeu sim o que eu quis dizer - que o amor está além da matéria. Sinceramente, acredito que poucos encarnados, muito poucos, percebem o quanto a matéria deturpa este sentimento tão puro e digno.

Ao amigo Brenno, digo que concordo plenamente que vontade e desejo nada tem a ver com sentimento, mas ainda não tenho argumentos suficientes para mudar meu conceito quando digo que, no meu entendimento, sentimento e razão andam de comum acordo na evolução do sentimento.

Abçs
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Carlos Cmz em 30 de Abril de 2013, 17:10
Gostaria de perguntar a moderação, porque estão excluindo os posts deste tópico.

O colega Sapos postou esse trecho o post #14:
"Nesse estado (êxtase), todos os pensamentos terrestres desaparecem para dar lugar ao sentimento puro, que é a própria essência de nosso ser imaterial. Inteiramente envolto nessa contemplação sublime, o extático encara a vida apenas como uma paragem momentânea. Para ele tanto o bem quanto o mal, as alegrias grosseiras e misérias aqui da Terra são apenas incidentes fúteis de uma viagem cujo término que avista o deixa feliz."

Um outro colega disse que o trecho é um entendimento de panteísmo e/ou ateísmo.
Logo abaixo do post do colega que expressou essa opinião, postei que este trecho do colega Sapos se encontra no LE.

De repente o meu post e o post do outro colega "sumiram", fazendo com que o debate fique enfraquecido e tirando a oportunidade de aprendizado dos envolvidos e dos demais que estão lendo o tópico.

Todos estamos sujeitos ao equívoco, não estou dizendo que a atitude da moderação é certa ou errada... Só digo que não é a primeira vez que apagam posts meus e de outros colegas, mesmo estando dentro do tema do tópico.

Lembrem-se:
"Aquele que se fez especialista, prende todas as suas ideias as especialidades que adotou."
Allan Kardec

Abç!
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 30 de Abril de 2013, 20:07
" Os homens mediante sua inteligência chegaram a resultados jamais vistos no que diz respeito às Ciências, à Artes e ao bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: é o de fazer reinar entre eles a caridade, a fraternidade, a solidariedade, para assegurar-lhes o bem – estar moral."

 ( A Gênese, Allan Kardec, capítulo XVIII, item 5)
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 30 de Abril de 2013, 20:13
Tomemos razão como sinônimo de raciocínio, discernimento; e sentimento como sinônimo de sensibilidade. Todos os seres humanos sentem e raciocinam. Assim fazendo, percebem o mundo ao seu redor e pautam suas condutas, fixam objetivos, perseguem ideais, tomam decisões, caminham para onde querem, seguindo o seu livre-arbítrio.

Alguns dizem, com equívoco tanto natural quanto aparente, que o sentimento afeta a razão: quem sente em demasia qualquer coisa, não mais consegue discernir entre o bom e o mau, entre o certo e o errado.

Outros, no mesmo prisma, atestam que vivem da sua razão, inferiorizando o seu sentimento; alegam prescindir da sensibilidade em homenagem ao raciocínio.

Como se fosse possível, de fato, separá-los de tão singela forma... Erro estrutural profundo.

É da constituição do ser fazê-los ambos: sentir e raciocinar.

Estabelecidas as verdadeiras premissas de que razão e sentimento são igualmente importantes ao espírito, não há por que não garantir o equilíbrio entre ambos.

A sensibilidade não deve ultrapassar determinados limites que possam causar interferência nociva na capacidade de discernimento do indivíduo. Nem a sua razão deve extrair do íntimo a condição de sensível ao mundo exterior.

Ambos merecem conviver harmoniosamente. A razão controla os abusos emocionais. O sentimento amansa o rigorismo do racional.

Interagindo e não se excluindo, tais dons do espírito aumentam as chances de elevação da força de vontade do homem no campo da reforma íntima.

Ter capacidade de sentir e raciocinar não significa automaticamente deter as melhores e mais positivas experimentações, nem tampouco a garantia de tomar as mais acertadas decisões sempre. Visto estar em constante evolução, peregrina o ser humano pelo certo e pelo errado, muda do bom para o mau num ligeiro átimo, aprende a viver e como viver melhor enquanto vai se desenvolvendo, amadurecendo.

Equilibrar razão e sentimento não quer dizer torná-los infalíveis diante do que é genuinamente cristão. Significa, tão somente, garantir um melhor ambiente para a pessoa progredir. Quando ambos respeitam-se reciprocamente, os sentimentos do âmago e as deliberações da razão, têm os encarnados maiores possibilidades de se conduzirem para o caminho correto.

Concluindo: a força de vontade de cada um decorre da sua razão e do seu sentimento. Quanto mais harmônicos e equilibrados estes últimos, maior possibilidade de consolidar aquela.

Cairbar Schutel
Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Conforti em 04 de Maio de 2013, 16:21
      Ann@     (ref #15)

      Ann escreveu: No meu entendimento, que veio de algumas experiências vividas da atuação junto ao atendimento de diversas pessoas, percebi que cada ser tem sua própria forma de sofrer, de sentir o sofrimento. - até então, para mim sofrer, era sofrer e ponto, mas não é assim. Há também muitas diferenças entre o que faz alguém sofrer... talvez esteja um pouco confuso, mas já é difícil passar em palavras, na escrita então, mais difícil ainda :)

      Cel: minha jovem amiga, e vc já refletiu do porq dessas tão grandes diferenças, tanto no sofrer, no sentir os sofrimentos e no que faz alguém sofrer? Porq uns sofrem mais do que outros? Se pela doutrina, de início, somos todos perfeitamente iguais, o q é q desfaz essa perfeita igualdade inicial, transformando-a em gigantesca desigualdade, pois leva uns para o amor/bem e, em consequência, para recompensas de felicidades, eqto leva outros ao ódio/mal e, em consequência, para um futuro de extremas infelicidades e misérias?

      Ann: Mesmo que sejamos todos criados iguais, simples e ignorantes, somos únicos, individualidades que aprendem com a experiência e a mesma experiência toca cada ser de forma diferente. - sementes de mesma fonte, jogadas no mesmo solo e tratadas da mesma forma, sempre terá aquela que não vinga.

      Cel: exato; mas, aí, há um ponto a refletir: se só sofrem aqueles q merecem sofrer por terem transgredido as lei divinas, porq, desses q estamos falando, uns sofrem mais do que outros? O que é q desfaz aquela perfeita igualdade inicial?

      Ann: Para mim escolher entre o certo e o errado está muito mais ligado à ignorância do que qualquer outra coisa. Embora o meu racional não consiga entender totalmente, conversando com algumas pessoas que parecem vivenciar o mal 24 horas por dia, cheguei a conclusão que elas não acreditam estarem cometendo o mal. Ao contrário, elas acreditam terem percebido o "real" sentido da vida, que suas atitudes demonstram o quanto são fortes e que somente os "fortes" tem chances de viver neste mundo... (seria resquícios do instinto de preservação?... talvez)

      Cel: pois é exatamente isso q o mundo nos mostra; q as escolhas erradas não vêm do íntimo daquele q erra, mas de sua ignorância. A escola da vida (esta escola do bem e do mal) ensina uns a fazerem o bem e ensina outros a fazerem o mal, mesmo que pensem que não o estejam fazendo e mesmo q saibam q o estão fazendo. O fato de sermos bons, virtuosos etc, ou de sermos maus, viciosos, corruptos etc, tem sua origem nas experiencias/lições q incessantemente a chamada escola de espiritos nos ensina. Nosso intimo é como uma lousa perfeitamente limpa, pura q, aos poucos, a vida vai nela inscrevendo suas lições de amor ou de mal. Onde estará a responsabilidade ou culpa do ser espiritual, ou do espirito encarnado?

      Ann: Coronel, meu amigo, concordo que nenhuma religião responde certas questões, mas o espiritismo me dá a liberdade de tentar achar as respostas. Talvez não a verdade "verdadeira", mas uma resposta que por certo tempo me satisfaz, até eu começar tudo de novo... acho que isto é o que nos move (a mim com certeza). E você entendeu sim o que eu quis dizer - que o amor está além da matéria. Sinceramente, acredito que poucos encarnados, muito poucos, percebem o quanto a matéria deturpa este sentimento tão puro e digno.

      Cel: é isso mesmo; se bem observarmos as religiões populares, talvez todas sem exceção, tentam levar o homem à compreensão de que devem amar, mesmo q seja por receio das consequências terríveis q a Lei divina pode lhes trazer; isto é, um amor q não é amor; apenas um pseudo-amor, muitas vezes forçado pelo medo dos castigos. Para muitos, é como aquele q sofreu na prisão e não mais comete crimes pelo medo de voltar para ela. Todas as doutrinas ensinam regras de bem-conviver, de bem-sobreviver, como os mandamentos de Moisés e os ensinamentos de Jesus como estão nas escrituras cristãs. Mas, tanto as cristãs, qto as outras, se esquecem de ensinar as regras de salvação, de levar o homem a se aproximar de Deus.
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Título: Re: A Evolução do Sentimento.
Enviado por: Brenno Stoklos em 12 de Maio de 2013, 17:13
Uma das mais belas contribuições, para mim a mais importante, do Espiritismo, é o princípio filosófico da evolução permanente do espírito . Nenhuma outra filosofia ou corrente de pensamento apresentou e desenvolveu teoria igual ou semelhante. É, portanto, inédito em termos de alcance filosófico na história do conhecimento humano. Nem nós, os espíritas, nos demos conta de que aí está a chave de todo o "mistério" da criação Divina. Toda a estrutura doutrinária espírita está assentada nesse princípio. A reencarnação nada mais é do que um período na infinita caminhada da evolução do espírito .

O princípio da evolução permanente, por sua vez, está contido no processo perfeito criado por Deus para atender os seus objetivos, os quais não temos ainda competência para compreender. É comum , principalmente às religiões, tentar arranjar justificativas para conciliar a diversidade física, moral, social entre a Humanidade e a admitida perfeição divina. Como pode o perfeito criar o imperfeito? Este tem sido o drama crucial do homem em todos os tempos. O ser humano taxado pelas religiões como verdadeiro "lixo" rejeitado pelo próprio criador, tem-se arrastado como mendigo implorando perdão e salvação . Para a Igreja, o homem é um sub-produto, sendo os anjos o "produto" que deu certo. Significa dizer que Deus teria errado na criação do homem comum. Para ela não existe evolução . Para Roustaing, ilustre desconhecido da história humana, mas que temos que citar por causa da influência que tem nas fileiras organizadas pela FEB, o espírito humano é um "criptógamo carnudo" que embora criado ótimo, rebelou-se contra o criador e por isso deve sofrer o castigo da involução, sendo projetado na carne para aprender e tentar voltar ao rebanho de Deus. Nada mais incoerente. Aliás essas teorias da queda do espírito são antigas e a própria Igreja as rejeitou em seu meio.

Por que a insistência em querer admitir que o espírito tinha que ter nascido perfeito ? Naturalmente pela razão já exposta de que Deus sendo perfeito não poderia criar nada imperfeito. E, o espírito humano, por suas manifestações de maldade, ignorância, inteligência limitada ( mas que tem evoluído extraordinariamente) é considerado imperfeito. Daí, essas extravagantes teorias para tentar explicar o que não tem explicação. Admitindo-se a perfeição em Deus, não se concebe uma criação imperfeita. Então o homem-espírito é perfeito?

Difícil também é entender o que é perfeição em termos de Deus e Universo. Será o perfeito exatamente aquilo que a nossa micro visão enxerga e concebe? Inútil divagar por esse caminho. Como explicar então o aparente caos em que vive a Humanidade, a espera de algum milagre ou ação direta do Criador, que já tarda ? É exatamente aí que entra o raciocínio construído sob as luzes do Espiritismo.

O que é um processo? Segundo o Aurélio, "ato de proceder, de ir por diante; seguimento, marcha; sucessão de estados ou de mudanças." E, o que é a vida do espírito e da Natureza em geral, senão um seguimento, marcha, sucessão de estados ou mudanças ? Portanto, consideramos a criação um processo. Um processo perfeito, em que as etapas se sucedem e se interrelacionam. Tudo se transforma na Natureza, resultando sempre o melhor de cada operação. Esse processo foi concebido e materializado em todos os seus detalhes com a precisão necessária e uma vez posto em funcionamento, caminha automaticamente sem a necessidade de ajustes. Existe uma incrível semelhança, o que denota o traço do criador em tudo, entre os vários fenômenos de desenvolvimento dos seres vivos na Natureza. Podemos até enumerar alguns princípios comuns: 1- todos começam pequenos; 2 - todos fazem esforço para nascer e desenvolver; 3- todos sofrem ação externa contra o seu desenvolvimento; 4- todos são dotados de uma incrível força íntima que supera as pressões externas; 5 - todos fenecem fisicamente e revivem em outro ser. Vejamos o exemplo notável da árvore. Uma pequena semente, que possui dentro de si o potencial da grande árvore, que enterrado na terra bruta, penetra-lhe as entranhas, fixa suas raízes, desabrocha e vence a pressão terrível do seu peso, aflorando , crescendo contra todas as intempéries e até contra a ação devastadora dos animais e do homem , encorpa, dá folhas e frutos e se multiplica pela semente recomeçando o processo. E esse processo espetacular , perfeito, é comum em toda a Natureza.

Essa semelhança nos demais reinos, nos leva a concluir, que sendo esse o critério estabelecido pelo Criador, não poderia ser diferente para o espírito, apesar de sua posição especialíssima em relação aos demais seres. Tal qual a pequena semente, o princípio espiritual (que dá a idéia de "pequeno"), é mergulhado na matéria . Trazendo dentro de si o potencial evolutivo para chegar à condição pré-determinada pelo Arquiteto ( a grande árvore que dará frutos) , sofrerá todo tipo de pressão, lutará para vencer, usará a grande força íntima de que é dotado. Esse caminho será longo, muito longo e ele precisará de várias etapas,( falecendo e renascendo) extraindo a experiência necessária em vários tipos de matéria, em infindáveis relacionamentos entre os demais seres da Natureza e os da sua espécie. Por tudo isso sua evolução será trabalhosa, repetitiva, sofrida, cheia de derrotas e de vitórias. Será sempre melhor e alcançará limites inimagináveis. Quem poderá dizer que isso não é perfeição ? Quem não enxergará nesse processo, toda a grandeza e beleza da criação?

Diante desse espetáculo deslumbrante da evolução, rendemo-nos á sabedoria divina e entendemos que o Espiritismo lançou a semente de sua compreensão futura , porque até hoje ainda não despertou a atenção do homem em geral e os espíritas, em particular, parecem que não se deram conta dessa "profecia", aceitando teorias arcaicas e tolas ou "construindo" céus especiais que conquistarão após a próxima desencarnação.

Egydio Régis