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CONVÍVIO => Off-topic => Espiritualismo => Tópico iniciado por: Conforti em 29 de Maio de 2011, 16:42

Título: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 29 de Maio de 2011, 16:42
          Um amigo colocou que “quanto mais identificados com a matéria, mais distantes de Deus”.
          Observe, amigo, que afirmar que “quanto mais identificados com a matéria, mais distantes de Deus” é apenas outro modo de dizer que “quanto mais ignorantes do que somos ou da verdade libertadora, mais distantes de Deus”, pois é fato que, então, mais estaremos presos à matéria, aos atrativos do mundo; nossas ilusões serão mais “ativas”. Todos os atrativos do mundo se referem à matéria. A igreja primitiva, talvez por seus teólogos, ou pór aqueles que se destacaram na busca de Deus, mostrou sabedoria ao elencar os pecados capitais, todos eles vinculados às coisas materiais. Evidentemente não tinham o significado que posteriormente a igreja deu à expressão  “pecado capital”, prática que, pela visão da igreja de hoje, pode levar a penas eternas, mas guarda semelhanças pois, enquanto esses defeitos persistem, o trabalho de meditar é impedido ou prejudicado e o homem não chega à se libertar do ego e, consequentemente, não chega à realidade última, que traz felicidade absoluta (céu).
          À medida que aumenta a compreensão acerca do mundo e da armadilha que é a vida, e que o homem percebe que não encontra, no mundo, solução para seus problemas, mas vai se distanciando das coisas da matéria que antes o atraiam pois que essas coisas, aos poucos, mostram que não mais satisfazem, que não preenchem suas mais altas aspirações. E instala-se nele o desencanto pelas coisas materiais que, por mais satisfatórias e mais duradouras que sejam, não trazem as soluções definitivas almejadas. Isso tem sua valia, pois leva aquele, que já começou a refletir sobre “o porque de tudo isto”, a buscar algo mais e algo mais e algo mais..
          Assim, quanto mais nos afastamos das coisas do mundo, mais próximos ficamos de Deus (e vice-versa)..
          Como vc disse, o mundo não passa de uma grande escola, mas é uma escola tanto do bem quanto do mal pois é aqui que o ego aprende a desconfiar, a ser violento, a matar, roubar mentir (o decálogo), enfim, a ser mau e se torna cheio de imperfeições. Em nenhum lugar além do mundo o ego se enche de imperfeições e defeitos morais.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: CONDE em 29 de Maio de 2011, 20:16
Olá amigo Coronel.

O que o amigo pensa à respeito daqueles que perderam o encanto por esse mundo e cometeram o suicídio?


Abaço
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Elpi em 29 de Maio de 2011, 20:37
Buenas tardes.Todos que aqui estamos nesse Planeta Terra de provas e expiaçoes, somos 'encatados com o mundo' se assim nao fosse...  A frase:"Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus",nao é toda verdadeira. Tudo vai depender de que modo uma pessoa se desenvolve dentro do seu entorno e quais foram os valores morais recebidos. Adquirir uma nova consciência nao é tarefa fácil. O que é ser  um encantados com o mundo?  Eu nao entendo bem. Nesse momento, milhares de pessoas estao trabalhando para um mundo melhor. Pessoas dispostas a ensinar gratuitamente diversas técnicas nas mais diversar áreas  do conhecimento como: pintura, imagem e beleza, decoraçao, artesania, educaçao, comunicaçao, musica, medicina, espiritualismo, amor a Deus, ética etc. Eu considero estas pessoas super encantadas com o mundo e nao distante de Deus. E mesma sou muito mais encantada com esse mundo que me toca viver quando vejo toda exuberante natureza que foi criada para nós. Fico maravilhada com a prisa fresca da noite depois de um dia forte de calor. Fico infeliz por saber que em muitas ocasioes nao consigo resolver os problemas sociais da minha comunidade, sem contar com os meus problemas familiares. Estar encantado com o mundo é nos reconhecer mais servidores que servidos. É agradecer ao Criador esta nova oportunidade,agora e nesse momento e tentar imitar os caminhos do Cristo.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 30 de Maio de 2011, 01:50
          CONDE   (ref #1)
       
          Olá amigo Conde.
          Vc pergunta: 
          "O que o amigo pensa à respeito daqueles que perderam o encanto por esse mundo e cometeram o suicídio?"
          Cel: amigo Conde, vc já percebeu que nossas concepções são muito diferentes, certo? Pela minha concepção todos os sofrimentos do homem vem das ilusões provocadas pela interpretação  incorreta do 'ego'; cessando o ego, a interpretação se faz correta e vemos a pura realidade.E o ego cessa apenas de duas maneiras: pela iluminação, quando podemos continuar iluminados mesmo na vida do mundo do espaço-tempo, ou pela morte biológica, quando cessam as operações ego; logo, o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos.
          Fique em Deus.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 30 de Maio de 2011, 03:24
          Elpi   (ref #2)
          Olá, nova amiga Elpi, vc disse:
          “Todos que aqui estamos nesse Planeta, somos 'encatados com o mundo'.”
          Cel: exato, e por estarem encantados, se apegam ao mundo e, embora a felicidade possa lhes sorrir hoje, o que será no amanhã? Todas as coisas à quais nos apegamos e julgamos duradouras, como amores, afetos, saúde, riqueza, prestígio, poder etc, são impermanentes e incertas, podem cessar qdo menos esperamos; e, quando cessam, trazem decepções, frustrações e sofrimentos de todas as espécies dos quais tentamos fugir de todas as maneiras. Essa é a razão do sofrimento e do desencanto com o mundo.
          Cito a amiga Elpi:
          “A frase: "Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus" nao é toda verdadeira. Tudo vai depender de que modo uma pessoa se desenvolve dentro do seu entorno e quais foram os valores morais recebidos. Adquirir uma nova consciência nao é tarefa fácil”.
          Cel: é tarefa difícil; por isso mesmo é que somente dores difíceis nos levam à tentar adquiri-la.
          Elpi:
          “O que é ser  um encantado com o mundo?”
          Cel: é estar apegado aos atrativos do mundo (poder, prestígio, saúde, afetos, amores, situações e condições que causam felicidade ou bem-estar,  pessoas e objetos, dinheiro, vícios, sexo e outros tantos mais). Como nada disso é permanente, cessa e provoca sofrimentos. E não há solução para isso; nem o tempo, pois outras dores sempre virão.
          Elpi:
          “Nesse momento, milhares de pessoas estao trabalhando para um mundo melhor”.
          Cel: é verdade, minha amiga; estão tentando tornar o mundo melhor. E porq isso? Porq, na concepção dessas pessoas altruístas, o mundo não é bom ou não tão bom como desejariam que fosse. Estão fazendo aquilo que os chamados “fundadores” de religiões e aqueles que compreendem que o mundo possui numerosas falhas/erros/males/sofrimentos/conflitos, recomendaram: amai-vos uns aos outros, ‘fora da caridade não há salvação’. Todos enalteceram o amor como a mais excelente das virtudes; lembre-se de Jesus e de Paulo. Aqueles que tentam ajudar, ainda não perderam as esperanças de tornar o mundo melhor e, em vista disso, continuam apegados aos problemas do mundo. Para alguns desses, o desencanto com o mundo já produziu o efeito de os libertarem do mundo. (“... e a verdade vos libertará”).
          Elpi:
          “Eu considero estas pessoas super encantadas com o mundo e não distantes de Deus”.
          Cel: amiga, reflita bem e verá que não estão superencantadas com o mundo. Estão, em face daquilo que as desencanta, tentando corrigir os erros do mundo, das condições de vida e, assim, o tornarem melhor. Evidentemente, agem assim, porq o mundo não é aquilo que gostariam que fosse. Se o desencanto ainda não lhes chegou, estão sim, distantes de Deus, porque, enqto apegadas ao mundo, o ‘ego’, que é o que nos relaciona com o mundo, ainda não se desfez e, só qdo o ego é eliminado é que percebemos o Real. Enqto o ego persiste, vemos a vida através de sua vidraça embaçada, que não permite que saibamos o que é a vida e quem somos na realidade.
          Elpi:
          “E mesma sou muito mais encantada com esse mundo que me toca viver quando vejo toda exuberante natureza que foi criada para nós. Fico maravilhada com a brisa fresca da noite...”.
          Cel: é preciso, Epil, que olhemos, da moeda, não só a face brilhante, bela, benfazeja, agradável, que traz alegrias e felicidade; olhemos também pra sua face escura, feia, desagradável, que traz lágrimas e infelicidade. Nós, em geral, só nos lembramos, em certos momentos da vida, daquilo que a natureza mostra de belo... e esquecemos os tsunamis, terremotos, erupções, tempestades, epidemias, cânceres, lepra, enfermidades q fazem sofrer os doentes e as famílias; esquecemos do egoísmo dos homens, que exploram e humilham os semelhantes, dos crimes hediondos, do estupro daquela pequenina, a alegria dos pais, violentada e assassinada a sua frente, das guerras que destroem e matam inocentes, daqueles que vivem sob aquela ponte ou dos lixões das cidades, dos desesperados, dos dementados, dos deficientes mentais e físicos... 
          Amiga Epil, sua brisa é gostosa também para esses que vida esqueceu e maltratou, muitas vezes com sofrimentos insuportáveis? E q acontece qdo a brisa se transforma num furacão de sofrimentos?
          Epil:
          “Estar encantado com o mundo é nos reconhecer mais servidores que servidos. É agradecer ao Criador esta nova oportunidade,agora e nesse momento e tentar imitar os caminhos do Cristo”.
          Cel: a amiga deve estar se referindo a seu caso particular, que é feliz em se reconhecer servidora dos demais, em agradecer as bênçãos do Criador... mas esse é, apenas, seu caso particular; olhe para o mundo, para a história conhecida do homem, para o dia-a-dia dos acontecimentos... Essa compreensão da totalidade da vida, não só da nossa, mas de todos os seres humanos e não humanos é q pode trazer o desencanto e, afinal, nos levará a buscar uma felicidade definitiva.
          Fique em Deus.

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Alita em 30 de Maio de 2011, 04:14
Querido amigo Coronel,
é muito bom ler o que fala.
Concordo com quase tudo o que falou a respeito do ego nos limitar a tomada da verdadeira consciencia divina que há em nós.
E que há duas formas so ser adqurir este conhecimento ...ou pela reflexão e desapego consciente do que o prende ao prazer egoico, ou pela dor, que o força a verificar a transitoriedade deste apego não é..

Porém queria  entender melhor esta frase

Cel: é tarefa difícil; por isso mesmo é que somente dores difíceis nos levam à tentar adquiri-la.

Hum, querido amigo,podemos adquirir esta compreensão sem a dor que somente surge quando esistimos a este aprendizado não é mesmo... Senão a dor seria mecanismo evolutiv(obrigatoriedade-fatalidade) e é apenas instrumento(opcionalidade-livre-arbitrio)

Abraços

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 30 de Maio de 2011, 05:12
          Alita   (ref #5)
          Amiga, cito vc:
          “... duas formas de ser adqurir este conhecimento ...ou pela reflexão e desapego consciente do que o prende ao prazer egoico, ou pela dor, que o força...”
          Cel: amiga Alita, é quase isso; só  um reparo: nem a reflexão, nem o desapego consciente levam ao conhecimento da verdade. Pela reflexão sobre a observação da totalidade da vida, pode nos vir a compreensão de q temos, sim, de, sem dúvida, fazer alguma coisa, encontrar algo, uma saída, q nos permita escapar da armadilha q é a vida: então, não mais ficamos presos a crenças, religiões, doutrinas, filosofias, pois percebemos que nenhuma delas traz solução definitiva; abrimos nosso leque de buscas, olhamos, não só para aquilo q acreditávamos ser ‘o melhor’, mas para os lados e afinal podemos encontrar a solução. Como disse Jesus: ‘... se teu olho é treva, quão densas serão tuas trevas’.
          O desejo ou a determinação de se desapegar não levam ao desapego verdadeiro, mas apenas a um desapego forçado, falso, portanto. Todas as ilusões que resultam no apego estão armazenadas no ego, na mente localizada, limitada, finita; e como o ego apegado vai forçar a si mesmo a se desapegar daquelas coisas às quais está apegado?  Só há uma solução: eliminar o ego.
          Alita:
          “Porém queria  entender melhor esta frase
’é tarefa difícil; por isso mesmo é que somente dores difíceis nos levam à tentar adquiri-la’”.
          Cel: amiga, veja o mundo; a vida é sofrimento e, mesmo assim, os homens estão ainda encantados com as coisas do mundo! Veja como os atrativos ainda nos satisfazem! Então, sofremos, mas temos esperanças (pelo apego q temos ao mundo) q as coisas melhorem amanhã, mês que vem, no ano que vem, e ficamos dando voltas dentro do mesmo círculo de pequenas ou grandes alegrias e pequenos ou grandes sofrimentos. Logo, só quando a dor é demais (o que pode ser entendido como: o fato de não vemos definitivamente solução para o sofrimento!) é que nos desencantamos e procuramos ‘sair’ do mundo, não pela cessação da vida, é evidente, mas pela cessação daquilo que nos mostra que a vida é má: o ego.
          Alita: 
          “... podemos adqirir esta compreensão sem a dor que somente surge quando resistimos a este aprendizado não é mesmo...? Senão a dor seria mecanismo evolutivo(obrigatoriedade-fatalidade) e é apenas instrumento (opcionalidade-livre-arbitrio)”.
          Cel: vc tem razão; a dor não é obrigatória; nada existe a obriga-la. No entanto, a ilusão provocada pelo ego é tão grande que, parece, só pela observação do sofrimento (não só nosso, mas de todos sem exceção) nos faz abrir os olhos; a dor, em face da força do ego, pode ser instrumento para nos levar à busca da verdade. Quanto ao que chamamos de livre-arbítrio, isso não passa de artifício usado na tentativa de explicar o inexplicável sofrimento do mundo. 
              Até mais.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Alita em 30 de Maio de 2011, 05:35
Querido amigo Coronel  sua citação anterior


Citar
O desejo ou a determinação de se desapegar não levam ao desapego verdadeiro, mas apenas a um desapego forçado, falso, portanto. Todas as ilusões que resultam no apego estão armazenadas no ego, na mente localizada, limitada, finita; e como o ego apegado vai forçar a si mesmo a se desapegar daquelas coisas às quais está apegado?  Só há uma solução: eliminar o ego.

Desculpe a pergunta se já a tiver respondido e eu não compreendi mas como eliminar este ego então?
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 02 de Junho de 2011, 04:08
          Alita   (ref #7)
          Amiga Alita, o único modo de eliminar o ego é esquece-lo. Mas, como esquece-lo se ele é que nos relaciona com o mundo, é nossa mente individual, ele nos comanda e não nós a ele? A única solução é encontrar um modo de cala-lo. Como disse o profeta do Ant Testamento: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus”; muitos outros sábios, mestres, místicos disseram a mesma coisa: “Qdo o ego é anulado, Deus se manifesta”, “O ego é o assassino de Deus: mate o assassino”... Todos disseram o que disse o profeta acima: “Se vc aquietar (eliminar, dissolver, matar) o ego, ficará sabendo quem é vc mesmo, na realidade, isto é, como percebeu Jesus, e outros muitos perceberam, qdo o ego cessa, “eu e o Pai somos um”.
          O q é a meditação? Como místicos, sábios afirmaram, e como já compreenderam expoentes de nossa ciência mais avançada, o que pode nos levar à percepção do Sagrado não são as religiões e crenças populares, mas a meditação. (Como disse Krishnamurti, sábio contemporâneo: “As religiões impedem o acesso à Verdade”. E, ainda: “Aquele que se liga a religiões organizadas é imaturo”).
          Depois que a própria ciência mais avançada do mundo concluiu que as meditações das tradições orientais podem levar a estados elevados de consciência (estados que, até há pouco tempo, nem eram considerados pela ciência ocidental), nos quais podemos entrar numa condição de felicidade indescritível (chamada de “bem-aventurança” pelos místicos e iluminados), muitos cientistas, psicólogos, religiosos e estudantes praticam técnicas de meditação. Mas, o objetivo dessa meditação não é mais, como geralmente acreditávamos aqui no mundo ocidental, fazer cessar o estresse ou trazer saúde para o corpo. É muito mais do que isso: é perceber, conhecer a verdade; é conhecer o que ou quem realmente somos; conhecer aquilo a que damos o nome de “eu”, aquilo a que chamamos de Deus. 
          E só podemos conhecer Deus, qdo nos esquecemos de nós mesmos e do mundo, o que pode ser conseguido pela meditação.
          Krishnamurti disse “A libertação (de todos os problemas, ignorância, dúvidas e sofrimetos) não é alcançada nem pelo pensamento, nem pelo raciocínio, mas pela meditação”.
          Eqto as religiões ensinam que somos incapazes de nos aproximar de Deus, porque estamos cheios de pecados e imperfeições, as revelações trazidas pela meditação ensinam  que desde sempre somos a própria divindade (“eu e o Pai somos um”); que nosso trabalho, para nos libertarmos da ignorância e do sofrimento, é, como afirmou Jesus, conhecer a verdade que liberta.
          Assim, hoje, a meditação é praticada, no Ocidente, por milhares de pessoas: cientistas, psicólogos, psiquiatras, sacerdotes, monges, freiras, estudantes. Ela é a porta pela qual a Verdade pode entrar, e essa afirmação é confirmada pela ciência moderna que, hoje, tem uma nova visão do universo, visão semelhante à dos místicos.
          Hoje existem trabalhos com relação aos quais é até difícil de saber se são obras de cientistas quânticos ou de místicos, pois suas concepções sobre a vida, sobre o lugar do homem no universo e sobre Deus, são semelhantes. Veja este título dado a um livro: “Questões quânticas: Escritos místicos dos maiores físicos do mundo”. Afinal, esse livro trata de ciencia ou de misticismo?... Trata das duas coisas porque, hoje, pela primeira vez na história do mundo, a visão de mundo da ciência se confunde com a visão de mundo do misticismo milenar, o mesmo misticismo que a ciência ocidental considerava, até há pouco tempo, um amontoado de superstições, bobagens e mesmo psicose.
          O objetivo da meditação é aquietar a mente, isto é, cessar com todas as operações mentais; trazer silêncio ao cérebro, fazer cessar o “eu/ego/mente individual”, com suas lembranças e condicionamentos e, se houver perseverança nessa condição, podemos vir a perceber aquilo que os místicos perceberam: que não somos essas criaturas impotentes e sofredoras, envolvidas pela escuridão da ignorância; que podemos dar o vôo da águia, subir às alturas e conhecer que somos a própria divindade que em nós habita.
          Por isso: “Aquieta-te e sabe: Eu sou Deus!”, isto é, aquiete o ego, cesse com suas ações de pensar, imaginar, recordar, se emocionar e você poderá, se for perseverante, “ouvir” a voz de Deus, “sentir” Deus, “tocar” Deus. Como disse o iluminado: “Aquele que perseverar até o fim será salvo!”
          Assim, a única saída desta babel de incertezas, ignorância e sofrimentos, desta confusão que é a vida, é a solução dos místicos: é buscar, pela meditação, a percepção que eles buscaram, conhecer a verdade que eles conheceram, a “verdade que liberta”, como disse Jesus. É o “conhece-te a ti mesmo”, o “auto-conhecimento”, dos antigos filósofos gregos (“Conhece-te a ti mesmo e serás Deus”). E isso é possível pela meditação.
          Todas as “religiões” do Ocidente e do Oriente, cristianismo, judaísmo, budismo, bramanismo, todos os numerosos “ismos”,  quer sejam religiões populares ou tradições sérias buscadoras da “re-ligação” com a divindade, perdem as características que as diferenciam umas das outras, e “se fundem numa única compreensão perfeita e universal” quando se tem o conhecimento da verdade, quando se tem a extraordinária percepção de que “eu e o Pai somos um”.         
          Portanto, a única saída da escuridão em que estamos, é “aquietar o eu, esquecer o eu”, penetrar muma condição além do eu. E é isso o que a meditação pode fazer. Ela nos leva para além de nosso nível comum de consciência, além das limitações de nossa mente, e faz com que penetremos em níveis mais elevados de compreensão.
          Mas, meditar não é pensar ou refletir sobre um tema elevado, no amor ao próximo, nos exemplos dos Mestres, na paz mundial, imaginar ou visualizar isto ou aquilo; nada disso; e aquietar o ego. Isso é trabalhoso e leva tempo, sobretudo para nós, ocidentais; estamos acostumados, viciados, condicionados a tagarelar o tempo todo. Nosso cérebro não é capaz de ficar quieto; estamos sempre falando, ouvindo, raciocinando; ficamos imaginando o dia de amanhã, lembrando o dia de ontem (nunca estamos no presente, no aqui-agora); julgamos, avaliamos, classificamos, comparamos, dando nomes a tudo que vemos, tudo isso até quando estamos dormindo.
          Não gostamos do silêncio. Experimente assistir, na TV, a um filme com legenda e tire o som; veja como os outros vão reclamar  mesmo que não precisem do som! E os pequenos rádios que muitos sempre levam consigo enquanto caminham!
          Agora, imagine fazer silêncio mental! A dificuldade será enorme. Mas, para a percepção do sagrado é necessário esse silêncio: “Aquieta-te...”
          Foi isso que Krishnamurti disse: “temos de fazer cessar o pensamento e o raciocínio”. Isso é aquietar-se.
          Lembro aqui palavras, hoje esquecidas, de padres do cristianismo dos primeiros tempos: “Meditação é a coisa mais importante que a humanidade tem a fazer”.
           Falei demais. Fique em Deus.

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Goedert em 02 de Junho de 2011, 14:29
Querido amigo Coronel  sua citação anterior


Citar
O desejo ou a determinação de se desapegar não levam ao desapego verdadeiro, mas apenas a um desapego forçado, falso, portanto. Todas as ilusões que resultam no apego estão armazenadas no ego, na mente localizada, limitada, finita; e como o ego apegado vai forçar a si mesmo a se desapegar daquelas coisas às quais está apegado?  Só há uma solução: eliminar o ego.

Desculpe a pergunta se já a tiver respondido e eu não compreendi mas como eliminar este ego então?

O único ensinamento que conduz ao desapego ao Ego é o transmitido pelo Buda, todos os outros conduzem a alguma forma de apego grosseiro ou sútil, grande ou pequeno.

Seguindo o Nobre Caminho Óctuplo baseado na virtude, concentração meditativa e penetrativa análise crítica baseada nas três características da existência.

A impermanência dos fenômenos, o sofrimento imbutido nos fenômenos e a ausência de um eu nos fenômenos.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 02 de Junho de 2011, 14:57
Não existe só um caminho Godert,
Todos os Avatares trouxeram os mesmos ensinamentos.
O problema é a interpretação dada pelo homem de acordo com a cultura que está inserido.
O apego a qualquer religião também não leva a eliminação do EGO.


Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 02 de Junho de 2011, 15:04
          Hebe,

          Vc não quis dizer 'há um só caminho'? É esse caminho q é interpretado de várias maneiras, dando a idéia de vários caminhos.

          Tchau.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 02 de Junho de 2011, 15:14
 :D É Coronel,
Expressei-me mal.
A diversidade quem faz é o homem de acordo com seu meio social.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Goedert em 02 de Junho de 2011, 18:46
Não existe só um caminho Godert,
Todos os Avatares trouxeram os mesmos ensinamentos.
O problema é a interpretação dada pelo homem de acordo com a cultura que está inserido.
O apego a qualquer religião também não leva a eliminação do EGO.

Hebe, veja bem. O ensinamento do Buda é diferenciado, assim como consta no brahmajala sutta.

O nome Brahmajala, significa Perfeita sabaderia que abraça todos as visões (brahma significa sabedoria perfeita e jala significa rede que envolve todas as visões). A sutta também é chamada de Atthajala (Rede da Essência), Dhammajala, (Rede da Doutrina), Ditthijala (Rede das Visões) e Anuttarasangama Vijaya (Vitória Imcomparável na Batalha).

Todos aqueles que especularem sobre o passado ou sobre o futuro irão desenvolver idéias que se encaixam nos sessenta e dois modos expostos pelo Buda neste discurso. Todas essas idéias refletem esperanças e aspirações que têm como origem o contato entre as seis bases sensuais internas e externas. Por sua vez, o contato condiciona a sensação, que por seu turno, conduz ao apego e a um novo ciclo de renascimento e morte. Mas o Buda superou tudo isso e todos os sessenta e dois modos de entendimento incorreto são capturados na sua rede suprema.

Brahmajala Sutta (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5hY2Vzc29hb2luc2lnaHQubmV0L3N1dHRhL0ROMS5waHA=)
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 02 de Junho de 2011, 19:11
Jesus superou tudo também e trouxe os ensinamentos de uma outra forma ou linguagem de acordo com a cultura do povo ao qual  se reportava.
Fique com Deus
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Goedert em 02 de Junho de 2011, 20:28
Jesus superou tudo também e trouxe os ensinamentos de uma outra forma ou linguagem de acordo com a cultura do povo ao qual  se reportava.
Fique com Deus

Amiga Hebe, justamente, existem formas de apego muito sutis.

Não encontrarás na Doutrina de Jesus ou qualquer Doutrina Cristã, algum ensinamento que faça referência a doutrina do não-eu empregada de forma similar ao Buda. Todas as formas de tentar tecer uma similaridade nascem da profunda destorção do sentido das palavras e dos objetivos das duas doutrinas.

Deste modo, cada caminho leva a um lugar específico.

O de Cristo ao renascimento no paraíso celestial, ao lado de Deus.

O do Buda ao fim do ciclo de renascimento e morte.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 02 de Junho de 2011, 20:46
Goedert, ambos levam ao final do ciclo das reencarnações.
Jesus pregava o desapego ao mundo material também.
São formas diferentes de interpretar.
Fique com Deus
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Anton Kiudero em 02 de Junho de 2011, 22:36
A Boa Nova trazida por Cristo foi que todo aquele que o deseja pode libertar-se do circulo de encarnações humanas. Esta a agua da vida que dessedenta a todo aquele que o copmpreende. Mas os humanos que se consideram cristãos, independependemente do nome que deram a suas convicções criaram um monte de historias que apenas os levam a continuar sendo, humanos...
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 03 de Junho de 2011, 13:06
Bom dia,
Penso que o título do tópico é bastante importante para não cair em debates estéreis.
Vamos estudar o desapego, que é fundamental, os seguidores de Cristo aqui não estão em questão. E nem se Buda foi melhor ou pior que Cristo. Ambos foram seres iluminados e nenhum dos dois pediu que se criasse religiões ou templos em nome deles.
Um abs
Hebe
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: CONDE em 03 de Junho de 2011, 13:29
resp#3
Olá Coronel, em relação ao meu questionamento à respeito do suicídio o amigo respondeu:

"o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos."

Segundo esse raciocínio digo; para que então continuar vivendo? Não teria um caminho mais fácil e rápido?  Não seria este um dos caminhos pregados por algumas seitas que resultaram em genocídio?


Abraços
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 03 de Junho de 2011, 14:00
resp#3
Olá Coronel, em relação ao meu questionamento à respeito do suicídio o amigo respondeu:

"o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos."

Segundo esse raciocínio digo; para que então continuar vivendo? Não teria um caminho mais fácil e rápido?  Não seria este um dos caminhos pregados por algumas seitas que resultaram em genocídio?


Abraços
Não Coronel,
Essa sua concepção que acabando a vida física o sofrimento acaba é errada.
A dor e o sofrimento estão na consciência do Espírito, se morrer apegado ao EGO, o sofrimento continuará. Basta ver as inúmeras comunicações e obsessões relatadas por diversos médiuns.
Se assim não fosse todo mundo que tivesse qualquer dor de barriga se mataria e pronto.
Não há sentido no que fala.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: LuizFrancisco em 03 de Junho de 2011, 14:32
Olá a todos,
Olá Sr. Conde, e Sra. Hebe,
Parabéns por questionarem uma resposta, contrária a DE. pois a frase trazida pelo Sr. Coronel fez apologia ao suicídio que é contrário a Lei de Deus.
No complemento da frase o Sr. Coronel escreveu: "nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos."
Esta frase é totalmente  contrária a todas as respostas dadas aos outros foristas, pois é, incoerente sermos espirito puro e praticarmos a iniquidade.
 
Temos sim que praticar o desapego material, pois somos herdeiros do universo, e enquanto não nos emanciparmos, estamos sendo orientados pelo Tutor (Jesus), que o nosso Pai Celestial nos concedeu.
 
Tenho certeza absoluta que esta não era a intenção do Sr. Coronel, e isto nos mostra a importância de relermos e verificarmos antes de enviar o sentido que estamos querendo passar.
 
Abraços,
 
 
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Goedert em 03 de Junho de 2011, 15:44
Bom dia,
Penso que o título do tópico é bastante importante para não cair em debates estéreis.
Vamos estudar o desapego, que é fundamental, os seguidores de Cristo aqui não estão em questão. E nem se Buda foi melhor ou pior que Cristo. Ambos foram seres iluminados e nenhum dos dois pediu que se criasse religiões ou templos em nome deles.
Um abs
Hebe

Hebe, concordo sim que o tema do tópico é o desapego.

Porém como seguidor dos ensinamentos do Iluminado, gostaria de esclarer sua concepção errônea.

Onde a amiga tirou a conclusão que Gotama e Jesus não quis instituir uma religião?

Jo 2: 19-20; Jesus cita que destruiria o primeiro templo e o reconstruiria em três dias, Ele destruiu o templo do pecado e da morte e em três dias Ele levantou dos mortos e reconstruiu o novo templo, totalmente livre do pecado e das trevas, trazendo de volta tudo que é natural da habitação da glória e da presença do Espírito de Deus.

Verifica-se na citação de Jo 2:19-20 que Jesus iria instituir uma nova religião após sua ressureição.

Algumas diferenças entre os ensinamentos do Buda e de Jesus:

O Buda não comunhava com os principais ensinamentos de Jesus. O Buda não ensinava:

- Uma era de ouro do Jardim do Eden, e a subsquente queda da humanidade.
- O pecado original da humanidade, derivado de Adão e Eva.
- O diluvio no tem de Noé, causando uma dos maiores genocidios da história.
- A necessidade de um salvador.
- Um homem-deus nascido de uma virgem, executado, ressucitado e ascendeu os céus.


A Salvação é atingida:

- Através de bons trabalho (uma crença comum do Cristianismo);
- Ações e crenças especifícas;
- Seguir os Sacramentos.

A maioria dos Critãos acreditam em alma ou espírito: a essência de uma pessoa que continua a pós a morte, imutável, eterna. O Buda refutava completamente este tipo de entendimento.

Essas são as princípais diferenças, claro que existem similaridades no que tange a moralidade, mas quando se análise o objetivo e a meta a ser alcançada pelos ensinamentos de cada um, a coisa é muito divergente.

Por isso aqueles que alegam que existe um só caminho, não sabem do que falam, estudam superficialmente a doutrina dos sábios da humanidade, deturpando-os e contorcendo suas palavras.

O Buda - o 'Desperto' - dizia que sua religião era baseada na Doutrina e Disciplina - 'Dhamma-vinaya'.

Ele o Buda, institui as três jóias, o Buda, o Dhamma e a Sangha.

Esta é a religião no aspecto triplice, A Liberação, O Caminho e A comunidade Religiosa.

Veja amiga Hebe, quanto distorção é necessária para chegar ao denominador de sua conclusão.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 03 de Junho de 2011, 16:00
Goedert,
Para te responder teria que começar aqui mostrar uma série de aspectos, o Espiritismo , por exemplo, não admite a queda, o espírito sempre evolui nunca retrogada, e sempre esteve ligado a Deus, isso é interpretação errônea de correntes cristãs.
O novo templo de Jesus, era um novo templo baseado em uma nova consciência, talvez tenha usado palavras que levaram a esta conclusão para o povo.
Bem, vamos discutir o desapego  ok?
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Goedert em 03 de Junho de 2011, 20:23
Goedert,
Para te responder teria que começar aqui mostrar uma série de aspectos, o Espiritismo , por exemplo, não admite a queda, o espírito sempre evolui nunca retrogada, e sempre esteve ligado a Deus, isso é interpretação errônea de correntes cristãs.
O novo templo de Jesus, era um novo templo baseado em uma nova consciência, talvez tenha usado palavras que levaram a esta conclusão para o povo.
Bem, vamos discutir o desapego  ok?

A conversa foi direcionada a determinado ponto, me reservo o direito de manifestar-me a cerca do entedimento.

Caso a amiga queira discutir sobre isso abra um novo tópico.

Aproveitando o tema do desapego.

O que a amiga Hebe pensa sobre o apego ao Espírito? Com que base fundamenta seu pensamento?
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 03 de Junho de 2011, 22:26
Apego ao Espírito? :o

Não Goedert, o apego é ao EGO, a persona, o espírito é o que é.
O Espírito é a essência, não há apego ao espírito.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 05 de Junho de 2011, 00:13
          Conde   (ref #19)
          Olá, amigo Conde, satisfação em falar com vc; até parece q faz tempo q não nos cruzamos. Vamos lá.         
          Vc colocou uma resposta q dei sobre o suicídio; cito a resposta:
          "o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos.",
           E vc colocou:
          “Segundo esse raciocínio digo; para que então continuar vivendo? Não teria um caminho mais fácil e rápido?  Não seria este um dos caminhos pregados por algumas seitas que resultaram em genocídio?”
          Cel: qto à sua última pergunta nada posso dizer. Qto ás outras, eu lhe pergunto: você cometeria o suicídio? você já chegou “lá”, isto é, já se libertou de todas as dependências? De todas as amarras que o prendem ao mundo? Já conhece a verdade que de tudo nos liberta? Do medo de fazer o errado, da incerteza das coisas e de sofrer pela sua (das coisas) impermanencia? Não tem qualquer espécie de responsabilidade ou compromisso? Já se desfez de todos os apegos aos atrativos do mundo (sexo, dinheiro, beleza, afetos, amores, afeições..., enfim qualquer coisa que o prenda aqui ao mundo, como a família, os deveres sociais, a crença q as tradições, costumes, religiões, sociedade nos impoem? E já se desfez da ignorância q nos faz ver o falso como sendo o real? Eqto o homem conserva qualquer tipo de apego, ele não se desligará deste mundo; e se perder todos os apegos, também não se desligará pelo suicídio pois, essa perda (de todos os apegos) lhe fará ver que os homens sofrem por serem apegados e tentará, de todos os modos, mostrar aos semelhantes o caminho, q ele mesmo já percorreu para chegar ao desapego total, que representa a liberdade/felicidade total. (“... a verdade vos libertará”). Como já lhe tentei mostrar, a perda do ego se dá pela iluminação ou pela morte cerebral; mas o homem que se ilumina nunca se matará, pois agora vê o que não via antes: um sentido da vida que não compreendia; como todos os que abriram os olhos, como Jesus, por exemplo, desperta-lhes um amor quase “insuportável” (testemunhos deles) (compaixão) pelos semelhantes, q sofrem exatamente porque ainda não conheceram/perceberam o q ele conheceu/percebeu e isso faz com que, a vida toda, até que a morte lhes cerre a boca, tentem ensinar aos demais o que fazer para chegar à libertação q ele chegou.
          É isso, meu amigo. Só o desesperado, o dementado, o ignorante, o descontrolado se suicida; o iluminado, nunca.
          Um abraço.

Abraços

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 05 de Junho de 2011, 00:34
          Hebe   (ref #20)
          Sobre a questão apresentada pelo Conde, sobre o suicídio (que significa bem-aventurança):
          Cel (msg anterior): "o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos."
          Conde (msg anterior):
          “Segundo esse raciocínio digo; para que então continuar vivendo? Não teria um caminho mais fácil e rápido?  Não seria este um dos caminhos pregados por algumas seitas que resultaram em genocídio?”
          A amiga disse:
          “Essa sua concepção que acabando a vida física o sofrimento acaba é errada.
A dor e o sofrimento estão na consciência do Espírito, se morrer apegado ao EGO, o sofrimento continuará. Basta ver as inúmeras comunicações e obsessões relatadas por diversos médiuns.Se assim não fosse todo mundo que tivesse qualquer dor de barriga se mataria e pronto. Não há sentido no que fala”.
          Cel: pois é isso mesmo, minha amiga: “.. e pronto”! O espirito é puro e perfeito (“Eu e a consciência una, universal, o Pai somos uma só consciência”, “Só existe uma consciência e nós somos essa consciência”, lembra-se? Qto a obsessões, já falamos antes.
          Para você poder compreender melhor, peço que leia a resposta acima (#26) que dei ao Conde.
           Abraços.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 05 de Junho de 2011, 02:17
Já li a resposta ao Conde Coronel,
Pode ser que você se refira a morte não do corpo físico, mas a morte a que se refere, morrer a cada dia sem passado e futuro, a morte do EGO e não somente a morte corporal.
Se desencarnar com apegos ainda, nada feito, os apegos é que leva o Espírito ao tormento, sofrimentos e obsessões.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 05 de Junho de 2011, 03:09
Coronel,
Como estamos na sessão de Espiritualismo, trouxe da Wikipédia a definição de Samsara.

Samsara (sânscrito-devanagari: संसार: , perambulação) pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos.
Na maioria das tradições filosóficas da Índia, incluindo o Hinduísmo, o Budismo e o Jainismo, o ciclo de morte e renascimento é encarado como um fato natural. Esses sistemas diferem, entretanto, na terminologia com que descrevem o processo e na forma como o interpretam. A maioria das tradições observa o Samsara de forma negativa, uma condição a ser superada. Por exemplo, na escola Advaita de Vedanta hindu, o Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu, Brahman, e sua alma é levada a crer na realidade do mundo temporal e fenomenal.
Já algumas adaptações dessas tradições identificam o Samsara (ou sa sâra, lit. "seu caminho") como uma simples metáfora.
[editar]Samsara no Vedantismo

No Vedanta, o samsara tem o mesmo significado em diversas escolas, designando o ciclo da transmigração do atma em mundos materiais. Shankara, considerado o fundador das escolas modernas de vedanta, definia o samsara como sendo o caminho atemporal realizado pelo atma em avidya ou ignorância. Uma vez que vidya é alcançada através de jñana o conceito dual e egocêntrico de aham e mamata se esvai, o ciclo se extingue e o atma se funde no Brahman alcançando moksha.
Shankara argumentava que o karma-vamsana, ou o desejo de realizar atividades materiais do ego iludido é simplesmente devido à sua ignorância em ver-se diferente e com a identidade distinta do Brahman, com a destruição do sentimento de aham, o atma vê que ele também é o Brahman (aham brahmansmi; lit. “eu sou brahman”) e o samsara deixa de ter fundamento.
No vedanta e na maioria das diversas tradições hindus que se fundamentam no Vedanta, o ciclo de transmigração da alma, ou samsara, não é feito exclusivamente do passado para o presente, numa temporalidade linear como a concebida pela cosmologia Ocidental. O ciclo pode se deslocar para qualquer posição no espiral do tempo e, de acordo com as diferentes inferências feitas pelos sábios, em quaisquer Brahmandas, ou universos da criação material, e em quaisquer tipos de corpos, entre as 8,4 milhões de espécies transmigráveis, podendo haver evolução ontogênica ou filogência, nos dois sentidos: elevação e degradação; de semi-deus a larva, de planta a ser humano, e vice-versa. De fato, as possibilidades de transmigração são infinitas.
Alguns smritis tais como o Garuda Purana, o Padma Purana, o Vixnu-smriti, o Manu-samhita, o Vixnu-dharma-shastra e inúmeros outros textos clássicos do hinduísmo, podem ser considerados cânones da transmigração da alma, explicando em que situações a alma transmigra de onde para onde e por que.

[editar]Samsara no Budismo Tibetano

É a perpétua repetição do nascimento e morte, desde o passado até o presente e o futuro, através dos seis ilusórios reinos: Inferno, dos Fantasmas Famintos, dos Animais, Asura ou Demônios Belicosos, Ser humano, dos Deuses e da Bem-Aventurança. A menos que se adquira a perfeita sabedoria ou seja iluminado, não se poderá escapar desta roda da transmigração, ou Roda da Samsara. Aqueles que estão livres desta roda de transmigração são considerados lamas, iluminados (ou budas, em sânscrito).
[editar]Samsara como metáfora psicológica

À parte da cosmologia e mitologia tradicional de renascimento do corpo físico no budismo também pode-se compreender este ensinamento como o ciclo de morte e renascimento da consciência de uma mesma pessoa. Momentos de distração, anseios e emoções destrutivas são momentos em que a consciência morre para despertar em seguida em momentos de atenção, compreensão e lucidez. Nesta visão os agregados impuros, skandhas, são levados a diante para o momento seguinte em que a consciência toma uma nova forma.
A meditação budista ensina que por meio de cuidadosa observação da mente é possivel ver a consciência como sendo uma sequência de momentos conscientes ao invés de um contínuo de auto-consciência. Cada momento é a experiência de um estado mental específico: um pensamento, uma memória, uma sensação, uma percepção. Um estado mental nasce, existe e, sendo impermanente, cessa dando lugar ao próximo estado mental que surgir. Assim a consciência de um ser senciente pode ser entendida como uma série contínua de nascimentos e mortes destes estados mentais. Neste contexto o renascimento é simplesmente a persistência deste processo.
Esta explicação do renascimento como um ciclo de consciência é consistente com os demais conceitos budistas, como anicca (impermanência), dukkha (insafistatoriedade), anatta (ausência de identidade) e é possivel entender o conceito de karma como um elo de causa e consquências destes estados mentais.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 05 de Junho de 2011, 03:53
          LuizFrancisco   (ref #21)
          Olá, novo amigo, companheiro de estudos. O amigo discordou de minhas colocações nas últimas respostas. Nada posso lhe dizer em minha defesa, senão que nossas concepções são diferentes, apenas isso. 
          Devemos nos lembrar de que a DE, sabiamente, aconselha que estudemos as outras linhas de pensamentos espiritualistas, estudar até os contras e as críticas que fazem à nossa, para tentar compreender e, pela comparação, eleger aquela q mais se adapta ao nosso modo de ver a vida; crença ou religião é assunto de foro pessoal, íntimo e pode nada ter a ver, ou ser diferente de tudo aquilo que já nos transmitiram, q lemos e estudamos, q aprendemos e em que acreditávamos e depositávamos fé. Para saber se nossa crença é “melhor” ou se contém maior dose de verdade em relação às outras, que são tantas, temos que estudá-las todas, sem preconceitos ou suspeitas...
          Sei, perfeitamente q o que tenho colocado pode ser considerado absurdo para muitos, mas é minha concepção e uso este espaço que o Fórum Espírita, sabiamente (afirmo novamente), dispõe para outras correntes espiritualistas exatamente conforme conselho da codificação, ao qual me referi acima, conselho que corrobora e dá mais força e respeito à recomendação do apóstolo dos gentios: “Estudai de tudo e guardai o que for bom” ...
          Se o amigo bem analisar as respostas acima, feitas ao Conde e a Hebe, com certeza vai verificar que não existe qualquer enaltecimento do suicídio, pois que afirmo que somente aquele que é dementado, ignorante, descontrolado o tenta. Verifique qual é a razão de se abandonar (pela própria vontade) a vida pela morte do corpo: é o sofrimento, de uma espécie ou de outra, moral ou fisiológico, conseqüente das condições que a vida lhe apresenta. E analise de onde lhe vêm essas condições adversas, conforme as doutrinas das religiões explicam.
         Cito o novo amigo Luiz:
         “... escreveu: "nos leva à suprema bem-aventurança do espírito puro e perfeito que sempre fomos." Esta frase é totalmente  contrária a todas as respostas dadas aos outros foristas, pois é, incoerente sermos espirito puro e praticarmos a iniqüidade”.
          Cel: amigo, se analisar e realizar a pesquisa que falei, não focando somente aquilo em que crê, com certeza verá que o espirito é “o Espirito”, único e universal, perfeito e puro. Como lembrei ao Conde ou à Hebe, só existe uma Mente, uma só consciência em todo o universo e nós somos essa Mente; essa é a verdade do misticismo de desde séculos ou milenios a.C, até nossos dias, de mestres e iluminados e, hoje, de expoentes da ciência mais avançada de nosso planeta. E, como o amigo tocou em iniqüidade, lhe faço esta pergunta: “porque somos iníquos? Somos iniquos simplesmente porque desejamos ser iníquos? Somos nós que nos fazemos iníquos?”
           Cito o Luiz, meu xará:
          “Tenho certeza absoluta que esta não era a intenção do Sr. Coronel, e isto nos mostra a importância de relermos e verificarmos antes de enviar o sentido que estamos querendo passar”.
          Cel: se o amigo se refere à afirmação de que a morte, seja, afinal, por velhice, doença, acidente ou por qual motivo for, leva à bem-aventurança, lhe digo que minha intenção foi, exatamente, essa.
          Fique em Deus.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 05 de Junho de 2011, 12:41
Bom dia Coronel,

Cito você:
 
          Cel: se o amigo se refere à afirmação de que a morte, seja, afinal, por velhice, doença, acidente ou por qual motivo for, leva à bem-aventurança, lhe digo que minha intenção foi, exatamente, essa.
          Fique em Deus.

Neste quesito continuamos não concordando.
Um bom domingo
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: LuizFrancisco em 05 de Junho de 2011, 15:05
Olá Sr. Coronel,
Leio sim, outras obras espiritualista, não sou expert, mas, quando o assunto há um antagonismo de entendimento, uma dualidade, mesmo espiritualista, me dou a liberdade de seguir aquela que professo, que é a DE (que também é espiritualista), e nela há um entendimento universal da qual não devemos fugir:

1 - Somos Espíritos criados simples e ignorante para galgarmos a perfeição, seremos, mas ainda não o somos. Deus nosso Criador, nos criou para a perfeição, que é diferente de ser perfeito. Temos que conquistar com o uso de nosso livre arbítrio.

2 - Também é universal que o corpo físico, é apenas uma ferramenta para sua conquista, logo morrer não leva a nenhuma bem-aventurança, somente o retorno ao Mundo dos Espíritos.

Quanto ao tema do tópico, concordo e já falei na outra citação, que o Espírito para sua evolução há de praticar  o desapego material, mas isso não impede de ficar agradecido ao Criador, que me proporcionou esta morada para a minha evolução (o que fazemos nesta morada é de responsabilidade nossa e sofreremos a lei de Causa e Efeito).

Novamente, em meu entendimento, nossos pensamentos sobre o tópico é identico, mas, considero que o senhor, esteja utilizando expressões que permitem considerá-la contrário ao que a DE nos ensina.
 
Proponho ao senhor citar das obras básicas,  pois, como já citei ela também é espiritualista, que corrobore na sua afirmativa: Cel: se o amigo se refere à afirmação de que a morte, seja, afinal, por velhice, doença, acidente ou por qual motivo for, leva à bem-aventurança, lhe digo que minha intenção foi, exatamente, essa.
 
Abraços,

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 05 de Junho de 2011, 15:37
"Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus"

Bem, acredito que esta frase inicial do tópico independe de religiões ou crença ou doutrinas filósoficas que qualquer um siga para ser compreendida como o desapego as coisas do mundo para alcançar um estado de paz e felicidade plena. Já dizia os antigos, religião e futebol não se discute nem se impõem. Então sugiro que sigamos com os ensinamentos sobre o desapego.

ESE


III – A Felicidade Não É Deste Mundo
FRANÇOIS-NICOLAS-MADELAINE
Cardeal Morlot, Paris, 1863

 
            20 – Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o homem, em toda as posições sociais. Isto prova, meus caros filhos, melhor que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude em flor, são condições essenciais da felicidade. Digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições, tão cobiçadas, pois que ouvimos constantemente, no seio das classes privilegiadas, pessoas de todas as idades lamentarem amargamente a sua condição de existência.

            Diante disso, é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. Neste mundo, seja quem for, cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e desengano. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.

            Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem, e que somente nela, e numa única existência, lhe é permitido alcançar o mais elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado, por uma experiência multissecular, que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.

            Num sentido geral, pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia, a cuja perseguição se lançam as gerações, sucessivamente, sem jamais a alcançarem. Porque, se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem realmente feliz não se encontra com maior facilidade."

O que quer dizer exatamente este capítulo do ESE?
Que quanto mais apegado ao mundo material, mais atrasado e não sábio encontra-se o Espírito. É fundamental começar a entender o desapego para verdadeira reforma íntima.
O desapego consiste em internamente abrir mão de crenças, afetos condicionados, bens materiais e tudo o que nos fascine e ilude neste mundo de provas e expiações para assim alcançar a paz interior e o amor incondicional.
Coronel tem trazido a sabedoria dos místicos, que nos fala que através da meditação podemos sossegar a mente e enxergar o mundo de uma forma muito mais ampla que o personalismo ou o EGO nos impõe.

Um abs
Hebe



 
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Mourarego em 05 de Junho de 2011, 17:16
Deixem que faça um adendo,vendo o tema, segundo o tópico, por outra via:
alguém encantado com as belezas que o mundo nos oferece; as matas,os rios, as diversas nuances que vemos, mesmo em uma espécie de pássaros, e sabendo que tudo é obra de Mais Alto, estaria, se afastando deste?
Vocês decidem hehehe
Abraços,
Moura
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 05 de Junho de 2011, 18:05
Não Moura,
O sentido não é esse.
O que está sendo falado é sobre  a observação e a contemplação das coisas de Deus, e não  o sentimento de posse, ou ser infeliz por não possuir.
 abçs
Hebe
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Mourarego em 05 de Junho de 2011, 18:11
Hebinha,
note que eu deixei bem claro:"Deixem que faça um adendo,vendo o tema segundo o tópico, por outra via".
Logo,eu só me ative ao tópico e não ao que é falado por voces.
Eu só quis, olhando apenas para o tópico,falar de generalização.
Abração,
Moura
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 05 de Junho de 2011, 21:34
          Amigos
          Hebe   (ref #29)
          Olá, amiga, bom dia. Vc trouxe um texto muito bom mesmo para reflexão sobre reencarnação; continuidade do “eu”; morte do “ego”; o “novo homem”; ressurreição; “carma” (chamada, por muitos, como conseqüências da “lei de causa e efeito”), sofrimento e felicidade, nirvana...
          Viu quantas definições de “samsara”, umas levando ao sentido de vidas sucessivas (reencarnações), outras levando ao sentido de o oposto da felicidade e da libertação?
          E viu qual o significado da palavra, conforme a tradução, “perambulação”? É andar sem rumo, sem norte, vaguear, andar ao acaso, sem objetivo ou destino, viver ou andar na incerteza ou na inconstância. Veja que “pode” ser entendido como o fluxo incessante de renascimentos... e pode ser entendido  como não ter ainda encontrado o “rumo de casa”, estar perdido e, por isso, sofrendo; assim, samsara pode significar, para uns, algo como “reencarnação”, para outros, o “oposto de nirvana”, cessação de todos os sofrimentos, felicidade total. Observe ‘poema’ de um roshi:
         “Chuva nevoenta sobre o Monte Lu,
          E ondas encapeladas no rio Che.
          Se você ainda não esteve lá,
          Muitos pesares, por certo, terá;
          Mas, uma vez lá e no ‘rumo de casa’,
          Como parecem prosaicas todas as   
          coisas!
          Chuva nevoenta sobre o Monte Lu,
          E ondas encapeladas no rio Che”.           
Uma tentativa de interpretar: Se você ainda não teve o percebimento do Real (iluminação), os sofrimentos da vida continuarão, como para todos que ainda não chegaram lá; mas, se teve o percebimento, não por efeitos de drogas ou outra razão, mas no ‘rumo de casa’, isto é, na intenção de encontrar Deus, como tudo, a partir daí, passa a ter significado profundo se comparado às coisas prosaicas  da vida comum. E, depois de iluminado, a mesma chuva, as mesmas ondas, todos os eventos serão os mesmos de sempre, porque o mundo não mudou, mas, para quem chegou, a interpretação do mundo e da vida se transforma radicalmente.
          Texto da Hebe:
          “Na maioria das tradições filosóficas da Índia... o ciclo de morte e renascimento é encarado natural.,, diferem na terminologia com que descrevem o processo e na forma como o interpretam. A maioria das tradições observa o Samsara de forma negativa, uma condição a ser superada”.
          Cel: esta ultima frase é a conceituação trazida do misticismo: samsara, ‘o modo de viver a ser superado’, se se desejar livrar-se dos sofrimentos. É a busca da identidade com a realidade absoluta, Deus, pela experiência direta, como ensinava o primitivo cristianismo. (Jesus, em todas suas palavras que não fossem “regras de bem-conviver”, mostrou-se místico).
          Texto:
          Do livro de Jakob Böhme "O Príncipe dos Filósofos Divinos"[2], o misticismo se define por: o misticismo, em seu mais simples e essencial significado, é um tipo de religião (?!) que enfatiza a atenção imediata da relação direta e íntima com Deus, ou com a consciência da Divina Presença. É a religião em seu mais apurado e intenso estágio de vida. Aquele que alcançou o "segredo" (que busca alcançar o segredo, o mistério, a verdade, como escapar das ilusões, do ego) é chamado um místico. Os antigos cristãos empregavam a palavra "contemplação" para designar a experiência mística.
"O místico é aquele que aspira a uma união pessoal, ou a unidade com o Absoluto, que ele pode chamar de Deus, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo, etc. (Ralph M Lewis, Imperator da AMORC).

         “Por exemplo, na escola Advaita de Vedanta hindu, o Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu, ignorância de que somos Brahman (por isso disse Jesus: “... e a verdade vos libertará”), e a alma é ‘levada a crer’ na realidade do mundo temporal e fenomenal (são só ilusões, mundo do espaço-tempo).
          No Vedanta, o samsara tem o mesmo significado em diversas escolas, designando o ciclo da transmigração do atma (alma, espirito) em mund
os materiais. Shankara, considerado o fundador das escolas modernas de vedanta, definia o samsara como sendo o caminho atemporal realizado pela alma no mundo de ignorância (mundo ilusório, ou de ilusões). Uma vez que vidya (a sabedoria, a verdade) é alcançada através de jñana (caminho do saber, do conhecer a verdade) o conceito dual e egocêntrico de aham (ilusão de pensar-se um eu separado de Brahman, um ego) e mamata (ego/mente condicionada, localizada, individual) se esvai, o ciclo se extingue e o atma se funde em Brahman (eu e Pai somos um) alcançando moksha (iluminação, nirvana, bem-aventurança).
          Shankara afirmava que o karma (desejo, do ego iludido, de realizar atividades materiais) é simplesmente devido à sua ignorância de que é um só com Brahman (“Eu e o Pai somos um”). Contudo, com a destruição do sentimento de aham (mente pessoal, ego, falso ‘eu’), o atma vê que ele “é” Brahman, e o samsara deixa de existir.
          Conitinua e termina na próxima msg...
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 05 de Junho de 2011, 21:39
          Amigos   (ref #29, da Hebe)       Continuação e fim.

 ...  o atma vê que ele “é” Brahman, e o samsara (o ego, a ilusão, o sofrimento) deixa de existir.
          No vedanta, e na maioria das tradições hindus baseadas no Vedanta, o ciclo de transmigração da alma, ou samsara, não é feito exclusivamente do passado para o presente, numa temporalidade linear como a concebida pela cosmologia Ocidental. O ciclo pode se deslocar para qualquer posição na espiral do tempo (conforme os sábios e a ciência quântica, tempo e espaço são ilusões, como Einstein afirmou com sua teoria da relatividade), de acordo com as diferentes inferências feitas pelos sábios, isto é, em quaisquer universos da criação material, e em quaisquer tipos de corpos, entre as 8,4 milhões de espécies transmigráveis, podendo haver evolução ontogênica (evolução dos organismos tanto no sentido de melhorar ou de piorar em relação ao meio, como conhecemos) ou filogênica (evolução da espécie no sentido que consideramos o normal, o natural), nos dois sentidos: elevação e degradação; de semi-deus a larva, de planta a ser humano, e vice-versa. (pois não é o ‘eu/ego/mente individual’ q transmigra, mas alma universal – q pode vir a animar qualquer coisa – se manifestar onde existir um cérebro, logo como um virtuoso santo, quanto como um idiota ou um facínora). Assim, as possibilidades de tipos de transmigração são infinitas (pois são apenas ilusões).
          Alguns textos clássicos do hinduísmo, explicam como a alma transmigra, de onde, para onde e por que.

          Samsara no Budismo Tibetano
          (Cel: reencarnacionista – não esquecer q as religiões têm a fase exoterica e a esotérica; na exotérica, a reencarnação é a explicação de porque o homem sofre (mau uso do livre-arbítrio, ações erradas, desejos não concretizados...).
          É a perpétua repetição do nascimento e morte, desde o passado até o presente e o futuro, através dos ilusórios reinos: do Inferno (sofrimento)... dos Animais (irracionais)... do Ser humano (animais irracionais) até a Bem-Aventurança (iluminação, “Um com Deus”). A menos que se adquira a perfeita sabedoria (iluminação), não se poderá escapar desta roda da transmigração, ou Roda do Samsara.   
          Os que se libertaram dessa roda (“... a verdade vos libertará”) são considerados lamas, iluminados, cristos ou budas.

          Samsara como metáfora psicológica
          À parte da cosmologia e mitologia tradicional de renascimento do corpo físico (veja: não do espírito!): no budismo também pode-se compreender este ensinamento como o ciclo de morte e renascimento da consciência de um mesmo ‘eu’ (continuidade ininterrupta de renascer e morrer, a todo instante, no mesmo corpo físico – Krishnamurti, ciência quantica).   
          Momentos de distração, de inconsciência de si mesmo, são momentos em que a consciência morre para despertar em seguida em momentos de atenção, compreensão e lucidez. Nesta visão, skandhas (os agregados impuros, imperfeições), são levados adiante para o momento seguinte em que a consciência toma uma nova forma diferente.
         O budismo ensina que, por meio de cuidadosa observação da mente (pela meditação), é possivel ver a consciência como sendo uma sequência de ‘momentos’ (intermitentes, sim-não-sim-não da física monista) conscientes e inconscientes, ao invés de um contínuo de auto-consciência. Cada momento é a experiência de um estado mental específico: um pensamento, uma memória, uma sensação, uma percepção. Um estado mental nasce, existe e, sendo impermanente, cessa dando lugar ao próximo estado mental que surgir. Assim a consciência de um ser senciente pode ser entendida como uma série contínua de nascimentos e mortes ‘de estados mentais (não de corpos físicos, ou de desencarnações e reencarnações do espírito). Neste contexto, o renascimento é simplesmente a persistência deste processo (Jesus: “aquele que não nascer de novo, não pode entrar no reino dos céus”, evidentemente significando “aquele que não vier a ter o estado mental de compreender”, o “novo homem”, a ressurreição).
          Esta explicação do renascimento como um ciclo de consciência é consistente com os demais conceitos budistas, como anicca (impermanência), dukkha (insatisfação que vem do conjunto de nossas experiências no corpo físico), anatta, ou ego (perda da identificação com Brahaman) e, assim, é possivel entender o conceito de karma como um elo de causas e consequências destes estados mentais.
 ....................

          Abraços a todos.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 05 de Junho de 2011, 21:55
Sim, Coronel,
Este último trecho de Krishnamurti eu conheço bem já postei inclusive, não neste tópico.
Todo este processo está perfeitamente compreendido, pelo menos por mim.
Mas tem que haver a eliminação do EGO para se alcançar o Nirvana ou o Reino dos Céus.
Jesus em suas palavras respondeu   "O Reino dos Céus" está dentro de vós",quer dizer temos a centelha divina, em estado latente, tem que vir a luz, uma vez vindo, pronto a verdade é revelada, mas enquanto não vier o caminho é longo, por isso creio nas diversas encarnações até que este processo esteja concluido.
Conta-se nos dedos quem alcançou, não que não seja possível, é e para todos nós.
Abçs
Hebe
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Goedert em 06 de Junho de 2011, 02:45
Deixem que faça um adendo,vendo o tema, segundo o tópico, por outra via:
alguém encantado com as belezas que o mundo nos oferece; as matas,os rios, as diversas nuances que vemos, mesmo em uma espécie de pássaros, e sabendo que tudo é obra de Mais Alto, estaria, se afastando deste?
Vocês decidem hehehe
Abraços,
Moura

Amigo Moura, não amigo. Quem pensa assim esta cada vez mais próximo de Deus.

O que deve ser obsevado é que existem doutrinas que não buscam a união com o Mais Alto, e sim o fim do ciclo de renascimentos. Conforme essa doutrina onde existe forma, sensações, percepções, pensamentos e consciência é mais um estado de ser, mesmo que no Mais Alto ápice da escala dos seres.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 06 de Junho de 2011, 03:50
          Hebe   (ref #39)

          Vou fazer um pequeno repara (mesmo vc acreditando em reencarnações do "eu", com letra pequena); não temos a centelha divina, nem somos "uma" centelha divina; somos a "fogueira" toda.
          Abraços.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 06 de Junho de 2011, 04:03
          Mourarego   (ref #34)

          Olá, mano amigo; posso fazer um adendo a seu adendo? O amigo não está olhando apenas um lado da moeda, o brilhante, liso, macio, limpo e belo, até gostoso, agradável de olhar? Não está se esquecendo que a moeda tem dois lados?
          Um abraço, mano
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: CONDE em 06 de Junho de 2011, 18:52
Olá Coronel, quanto a sua resposta #26:
Cel: "o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos.",
Conde: “Segundo esse raciocínio digo; para que então continuar vivendo? Não teria um caminho mais fácil e rápido?  Não seria este um dos caminhos pregados por algumas seitas que resultaram em genocídio?”

Cel: qto à sua última pergunta nada posso dizer. Qto ás outras, eu lhe pergunto: você cometeria o suicídio?
Conde: Amigo, não se trata disso. Quero apenas entender o que o leva a querer continuar vivendo, suportando os inevitáveis sofrimentos da vida sabendo que, de uma maneira mais rápida poderia alcançar, como diz, a suprema bem-aventurança.

Cel: Eqto o homem conserva qualquer tipo de apego, ele não se desligará deste mundo;
"o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos.",

Conde: Não entendi, o amigo quis dizer que mesmo depois de cometer o suicídio continuaria o homem que conservou os apegos, ligado à este mundo?

Cel: Como já lhe tentei mostrar, a perda do ego se dá pela iluminação ou pela morte cerebral;
Conde: Dai deveríamos concluir que não poderia mais haver qualquer tipo de apego em ambos os casos, concorda?

          Um abraço.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Goedert em 06 de Junho de 2011, 19:56
No meu ver não se trata apenas de apego, no caso do suicídio se trata de aversão, mais um veneno.

O respeito a vida deve começar com si próprio, não existe ninguém mais querido no mundo que você mesmo.

O apego e aversão estão intrisicamente ligados. O apego a estados divinos da forma sútil gera aversão aos estados inferiores da forma grosseira.

O amigo Coronel, tome cuidado com os conceitos referentes ao Absoluto aos aplicar a relatividade dos fenômenos.

O carro é composto por peças certo? Convencionamos o nome 'carro' para descrever o amontoado de peças, não existe nenhuma forma permanente ou objeto carro. Da mesma forma os seres não tem nenhum eu dotado de características permanentes, são apenas agregados. Convencionamos um Eu e outro para poder realizar a diferenciação das coisas, mas não existe nenhum Eu permanente.

Por isso é dito que quando um ser liberado do ciclo falece, não pode ser dito que ele existe ou não existe ou que existe e nem existe ao mesmo tempo, ele simplesmente se torna imensurável ou inconceituável através dos mecânismos que utiliza-los para conceituar os fenômenos de maneira relativa. Por isso é necessário cautela ao descrever algo que está além da forma, senção, percepção, mente ou consciência. Podemos confundir a cabeça das pessoas e colocá-las em modo incorreto de ser/existir.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 06 de Junho de 2011, 21:59

          Conde   (ref #43)
          Cel (msg anterior): "o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos.",
          Conde (msg ant):
          “Segundo esse raciocínio, para que então continuar vivendo? Não teria um caminho mais fácil e rápido?  Não seria este um dos caminhos pregados por algumas seitas que resultaram em genocídio?”
          Cel(msg ant): qto à sua última pergunta nada posso dizer. Qto ás outras, eu lhe pergunto: você cometeria o suicídio?....
          Conde (msg atual):
          “Amigo, não se trata disso. Quero apenas entender o que o leva a querer continuar vivendo, suportando os inevitáveis sofrimentos da vida sabendo que, de uma maneira mais rápida poderia alcançar, como diz, a suprema bem-aventurança”.
          Cel: olá, Conde, devo não ter me explicado bem. Não sei se sua pergunta não foi bem respondida por mim, ou se a resposta q dou agora, será a q vc espera. Mas vamos lá. 
          Perguntei se vc cometeria o suicídio, com tantos apegos ao mundo, certo? E vc, como eu, estamos, ainda, cheios de apegos. Repito o que coloquei na msg anterior, pois ali está toda minha resposta; além daquilo q está ali, nada posso dizer mais: “Vc já se libertou de todos os apegos, de todas as dependências? De todas as amarras que o prendem ao mundo? Já conhece a verdade que de tudo nos liberta? Do medo de fazer o errado, da incerteza das coisas e de sofrer pela sua (das coisas) impermanencia? Não tem qualquer espécie de responsabilidade ou compromisso? Já se desfez de todos os apegos aos atrativos do mundo como sexo, dinheiro, beleza, afetos, amores, afeições..., enfim qualquer coisa que o prenda aqui ao mundo, como a família, os deveres sociais, a crença q as tradições, costumes, religiões, sociedade nos impoem? E já se desfez da ignorância q nos faz ver o falso como sendo o real? Eqto o homem conserva qualquer tipo de apego, ele não se desligará deste mundo; e se perder todos os apegos, também não se desligará pelo suicídio pois, essa perda (de todos os apegos) lhe fará ver que os homens sofrem por serem apegados e tentará, de todos os modos, mostrar aos semelhantes o caminho, q ele mesmo já percorreu para chegar ao desapego total, que representa a liberdade/felicidade total. (“... a verdade vos libertará”). Como já lhe tentei mostrar, a perda do ego se dá pela iluminação ou pela morte cerebral; mas o homem que se ilumina nunca se matará, pois agora vê o que não via antes: um sentido da vida que não compreendia; como todos os que abriram os olhos, como Jesus, por exemplo, desperta-lhes um amor quase “insuportável” (testemunhos deles) (compaixão) pelos semelhantes, q sofrem exatamente porque ainda não conheceram/perceberam o q ele conheceu/percebeu e isso faz com que, a vida toda, até que a morte lhes cerre a boca, tentem ensinar aos demais o que fazer para chegar à libertação q ele chegou”.
          Aquele que tem apegos, não se suicida; aquele que se desfez de todos os apegos, também não se suicida, pois se iluminou e vê, pelo amor que nele desperta, que tem de ensinar os demais. Assim, só o desesperado, o dementado, o ignorante, o descontrolado se suicidam”.
          Cel (msg anterior): “Eqto o homem conserva qualquer tipo de apego, ele não se desligará deste mundo; "o cometimento do suicídio, que nada mais é q a morte biológica, nos leva à suprema bem-aventurança do espirito puro e perfeito que sempre fomos.",
          Conde (msg atual):
          “Não entendi, o amigo quis dizer que mesmo depois de cometer o suicídio continuaria o homem, que conservou os apegos, ligado à este mundo?
          Cel: não, meu amigo, me perdoe se não me fiz entender: é exatamente o oposto disso q vc está dizendo. Pela morte cessa o ego e com este, qualquer tipo de apego; logo, não havendo apegos, o espírito estará totalmente desligado deste mundo, liberto, perfeito, puro.
          Cel (msg ant): Como já lhe tentei mostrar, a perda do ego se dá pela iluminação ou pela morte cerebral.
          Conde:
          “Dai deveríamos concluir que não poderia mais haver qualquer tipo de apego em ambos os casos, concorda?
           Cel: perfeitamente; a morte provocada ou natural, e também a iluminação, mata o ego e os apegos se vão. Todos os apegos são provocados pela interpretação ilusória que o ego nos proporciona do mundo; não mais existindo o ego, não há mais interpretação ilusória; a interpretação será correta e percebemos que nos descartamos das ilusões e, então, interpretamos a realidade como ela é.
          Conde, me perdoe se novamente não fui claro.
          Um abraço.

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 06 de Junho de 2011, 22:23
          Hebe   (ref #28)
          A amiga colocou:         
          “Pode ser que você se refira à morte, não do corpo físico, mas a morte a que se refere, morrer a cada dia sem passado e futuro, a morte do EGO e não somente a morte corporal.
          Se desencarnar com apegos ainda, nada feito, os apegos é que levam o Espírito ao tormento, sofrimentos e obsessões”.
          Cel: não, minha amiga; a morte cerebral elimina o ego; onde estarão os apegos? No espírito? O espírito é “o Espírito”, perfeito, e o que é perfeito não possui apegos. Todos os apegos, todas as imperfeições, vêm da maneira equivocada com que o homem/ego interpreta o mundo. O espírito é perfeito; o ego é o causador das imperfeições, não do espírito, mas da vida ilusória, do homem ego.
          O morrer a cada instante objetiva a que percebamos o “novo modo de existir”, que vem com a dissolução do ego, isto é, um modo de existir no Espírito, em bem-aventurança; é um, vamos dizer, “artifício” ou exercício que praticamos, na busca da eliminação do ego (iluminação) para perceber o Real”.
          Abraço.

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 06 de Junho de 2011, 22:34
          Hebe   (Ref #31)

          Amiga, continue lendo, estudando, refletindo que talvez acabe concordando. A questão é que estamos muito condicionados pelo q a vida (crenças, religões, cultura, sociedade) nos tem ensinado.

          Até mais.
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 07 de Junho de 2011, 00:04
Eu não tenho religião, Coronel,
Para mim a DE nunca foi.
Mas as comunicações mediúnicas são um fato.
As obsessões estão aí, não cessaram com a morte do corpo físico.
Isso sim é um conceito Católico e religioso, morreu descansou, foi para o Céu :(
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: CONDE em 07 de Junho de 2011, 00:54
Olá Coronel, creio que entendi, não precisa mais repetir, obrigado. Agora, devemos admitir que apesar de seus argumentos estarem de acordo com o sistema em que está embasada a sua crença, eles não se aplicam a doutrina espírita, e acima de tudo, eles desprezam as inúmeras provas, muitas veiculadas por médiuns famosos e tantas outras produzidas diariamente por pessoas simples, que apesar de ficarem  no anonimato,  continuam surgindo, dando-nos provas de que liberado do veículo físico o homem mantém sua individualidade e seus apegos, enquanto não atinge a perfeição. É certo que não preciso aqui citar algumas delas, pois o amigo que já fora médium deve conhecê-las muito bem.
O amigo sugeriu a Hebe, continuar estudando para compreender e aceitar assim aquilo que prega. Digo, no entanto que, pessoas analfabetas são capazes de desenvolver a mediunidade a ponto de não ter mais dúvida alguma na comunicabilidade entre espíritos encarnados e desencarnados.
Não sou contra muito do que disse à respeito do desapego, pelo contrário concordo e vejo esta dificuldade em se desapegar, a causa de muitos sofrimentos, até depois do desencarne. 
Abraços
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 07 de Junho de 2011, 22:15

          Conde   (ref #49)
          O amigo Conde disse:
          “Agora, devemos admitir que apesar de seus argumentos estarem de acordo com o sistema em que está embasada a sua crença...”
          Cel: não, meu amigo, não são crenças;  são verdades científicas, embora muitos não gostem de admitir isso. Isso que coloco, é verdade, tem muitos pontos discordântes, não só em relaçãoa DE, mas com <todas> as religiões do mundo. Aqui estão “verdadeiras” provas: homens buscadores da verdade que liberta, como disse Jesus, desde séculos ou milênios a.C. até os dias de hoje, pela meditação profunda (que nada tem a ver com reflexão, raciocínio, imaginação ou preces) e sem os sofisticados laboratórios e instrumentos de última geração, de q os cientistas modernos dispõem, chegaram às mesmas (ou semelhantes) conclusoes a que estão chegando sómente agora, séculos depois, os cientistas da ciência mais avançada do planeta.
          Compreendo o que o amigo explana sobre a mediunidade; contudo, não podemos esquecer que o cérebro e a mente eram até pouco tempo atrás um mistério quase total para a ciência. No entanto, segundo numerosos testemunhos e depoimentos, antigos e recentes e, hoje, conforme a ciência, só existe uma consciência e nós somos essa consciência. Assim, muitos, chegaram a constatar, como Jesus, que “eu e o Pai somos um”.
          Abraços, Conde.
          Obs: se dispuser de paciência e tempo, dê uma olhada no Blog http://www.obuscadordedeus.blogspot.com

Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Hebe M C em 09 de Junho de 2011, 13:10
          Hebe   (Ref #31)

          Amiga, continue lendo, estudando, refletindo que talvez acabe concordando. A questão é que estamos muito condicionados pelo q a vida (crenças, religões, cultura, sociedade) nos tem ensinado.

          Até mais.

Oi Coronel,


"Teologias antieducacionais
Huberto Rohden


Voltamos a um assunto já focalizado em outra parte. Certas teologias eclesiásticas dominantes no Brasil, em vez de favorecer, desfavorecem a verdadeira educação. Algumas ensinam que o homem pode pecar a vida inteira mas, se se arrepender nos últimos momentos da vida, é absolvido de todos os seus pecados, seja pela absolvição sacramental, seja por um ato de crença no sangue de Jesus. Semelhantes sistemas teológicos são um verdadeiro convite para ser mau, contanto que o homem seja bom nos últimos momentos. Uma boa morte parece cancelar uma vida má; 5 minutos de arrependimento parecem neutralizar 50 anos de maldades.

Essas teologias apelam para certas palavras de Jesus, sobretudo para as que ele dirigiu ao ladrão penitente; "Ainda hoje estarás comigo no paraíso". É questionável que essas palavras tenham o sentido que eles lhes dão. É provável que tal paraíso seja o primeiro passo, o início da verdade, após meio século de erros,o início de uma linha reta após longo período de ziguezagues em que o criminoso vivera- mas não é a entrada num céu definitivo e imutável.
Aliás, todas as nossas teologias, de quase 2000 anos, professam ainda a idéia obsoleta de que a morte física do homem decida sobre o seu eterno destino, no céu ou no inferno. A ciência mais avançada dos últimos tempos já provou que a vida após a morte continua mais ou menos no mesmo teor em que se desenrolou antes da morte. Ninguém está no céu, ninguém está no inferno, definitiva e imutavelmente; todos continuam a viver em corpo imaterial, no ambiente que crearam durante a vida terrestre.

A vida continua em outro corpo, com as mesmas luzes e as mesmas sombras, com as mesmas virtudes e os mesmos vícios da vida terrestre. Se há tal coisa como "destino definitivo" (o que é muito improvável), será no ciclo final da evolução, que pode ser de milhões de anos. A "vida eterna" não é uma chegada,uma parada inerte, é uma incessante evolução, um processo dinâmico, afetado por todos os atos e por toda atitude da vida presente. O que o homem semeou no ciclo presente, isto colherá ele no ciclo futuro. A vida eterna não é um estático ser, mas um incessante devir.

Podemos conceber a vida eterna ao modo de uma teoria de relatividade: no mundo dos finitos nada é absoluto, tudo é relativo; o relativo de ontem determina o relativo de hoje, e o relativo de hoje molda o relativo de amanhã.

O vocábulo "salvação" já foi substituído pela palavra filosófica "auto-realização". O homem não é salvo após a morte, num tal céu, nem é perdido após a morte, num tal inferno- o homem realiza-se incessantemente em plena vida, através de todas as existências, telúricas e cósmicas.

As teologias salvacionistas fariam bem em passar para a filosofia da auto-realização, que favorece a verdadeira ética educacional. O principal não é morrer bem,mas viver corretamente.

O Brasil, que é um país sem lastro filosófico nem teológico, que não é onerado de taras ideológicas, como certos povos europeus, o nosso Brasil poderia e deveria ser o berço de uma nova humanidade.

O Brasil, no qual "se plantando tudo dá", poderia e deveria iniciar uma pedagogia educacional isenta das taras tradicionais. Mas se nem o governo nem as igrejas estão em condições de iniciar esses novos rumos para a educação, devem pessoas individuais ou grupos sem preconceitos realizar essa educação verdadeira."
Título: Re: Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus.
Enviado por: Conforti em 11 de Junho de 2011, 17:11
 
          Hebe   (ref#51)
 
          Olá Hebe, bom dia
          "Teologias antieducacionais”, de Rohden:
          “... ensinam que o homem pode pecar a vida inteira mas, se se arrepender nos últimos momentos da vida, é absolvido de todos os seus pecados, seja pela absolvição sacramental, seja por um ato de crença no sangue de Jesus”.
          Cel: é evidente q Rohden mostra aqui aquilo que foi, em geral, o primeiro objetivo dos líderes religiosos: tornar os homens mais aptos para uma convivência melhor: “amai-vos uns aos outros...”
          Mas o q ele que dizer com “arrepender-se”? Se é arrepender-se de sua vida anterior e se tornar, por isso, verdadeiramente virtuoso, o q mais lhe falta? Qual é, para as doutrinas, a finalidade da reencarnação? Logo, se considerarmos o q Rohden disse como, nos últimos momentos, tornar-se bom, está cumprida a finalidade da reencarnação, nesse aspecto.
          Assim, é verdade que 5 minutos de arrependimento real neutralizam, sim, 50 anos ou uma vida inteira de  maldades. O que mais lhe falta?
          O restante do texto é a compreensão da DE e fico-me perguntando, onde está o amor infinito com os milhões de anos de q Rohden fala; q criação de Deus, mais imperfeita?!! O Rohden estará se esquecendo do misticismo?
          Tchau e bom inverno sem muito frio.