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CONVÍVIO => Off-topic => Espiritualismo => Tópico iniciado por: lconforjr em 27 de Fevereiro de 2015, 22:20

Título: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 27 de Fevereiro de 2015, 22:20
       MEDITAÇÃO – aonde ela pode nos levar. 
     
       Discípulo: O que me entrava que não consigo chegar a Deus? 

       Mestre: Vc mesmo; a sua vontade, a sua visão, audição, desejo e pensamento (que, portanto, devem cessar e só cessam pela prática da meditação) sobre as coisas terrenas... são essas coisas q trazem sua visão, audição etc. ao nível terreno de tal forma que você não consegue atingir esse objetivo maior...

      Há que caminhar pelo caminho mais difícil (a porta estreita e o caminho pedregoso, o esforço da busca, os julgamentos equivocados q dos demais lhe virão), tomar o que o mundo rejeita, e não fazer o que o mundo faz... então, terá encontrado o caminho mais próximo para isso... pois (como disse Paulo), o caminho para o amor de Deus parece tolo para este mundo, mas é sabedoria para os filhos de Deus.’ (a sabedoria dada pelo percebimento).
..............

     ‘... Docemente cresceu e se espalhou em torno de mim a paz e o conhecimento além de todo o argumento da terra (sabedoria além de todo conhecimento terreno), e eu sei que a mão de Deus é a promessa da minha (é o que a minha será pelo percebimento), e sei que o espírito de Deus é irmão do meu e que todos os homens já nascidos são meus irmãos (todos somos um)... e que a criação sobrevive graças ao amor...  (Whitman).

      ‘De repente, me senti cheio de paz, alegria e conhecimento, transcendendo (indo além de) toda a arte e sabedoria da terra e percebi que somos todos da mesma natureza de Deus (Whitman).

     ‘Na verdade eu diria que apenas na perfeita incontaminação e solidão da individualidade (a mente não contaminada, só, livre dos sentidos, dos desejos, lembranças, esperanças e pensamentos), pode surgir, positivamente, a espiritualidade da religião (que, antes, era mais por costume ou desejo de respostas). Somente aqui, e nessas condições, pode acontecer a meditação, o êxtase devoto, o vôo elevado (consciência una). Somente aqui, a comunicação com os mistérios (encontro de todas as respostas), os problemas eternos: de onde? para onde?

      ‘Sozinho, o pensamento silencioso (apagado, cessado) e a aspiração (o desejo de chegar) e, então, a consciência interior (o Eu Sou), com sua inscrição prévia invisível (o Cristo, que desde sempre está ali, mas não percebido, ‘invisível’ para nós), em tinta mágica (não o víamos e agora passamos a ver), irradia suas linhas maravilhosas para os sentidos (mostra-se e o percebemos)... e todas as afirmações, igrejas e sermões, desaparecem como vapores (tudo que antes conhecíamos não tem mais valor ante a grandeza do percebimento) (Whitman).

      ‘As bíblias podem afirmá-lo e os clérigos expô-lo, mas é exclusivamente mediante o trabalho do eu isolado (ninguém chega à verdade pelos trabalhos da religião, através de suas práticas, mas pelo exercício da meditação, sozinho) que se entra no puro éter da veneração, que se alcança os níveis divinos, que se comunga com o supremo (a percepção da verdade do que somos)... Tu, Tu, enfim, conheço!’ (Whitman).
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     ‘...  visto à luz do Cristo interior (isto é, sob o ponto de vista de um iluminado), tudo é perfeito, inclusive aquilo que, visto fora dessa luz, parece imperfeito...’ (Dante); (‘... do perfeito tirando o perfeito, o que resta é perfeito... ’, de um cântico do bramanismo; isto é, tudo é perfeito, embora não o compreendamos; só os iluminados compreendem)’.

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Título: Re: MEDITAÇÃO – aonde ela pode nos levar.
Enviado por: lconforjr em 27 de Fevereiro de 2015, 22:35
Re: Meditação - aonde ela pode nos levar:

     ‘Purifique sua alma de todo medo, lembranças do passado e esperança tola sobre as coisas da terra; mortifique o seu corpo, domine o amor-próprio e os apetites, e o olho do mais íntimo (Deus) começará a exercitar a sua visão clara e solene. Tudo aquilo que contribui para purificar a mente ajudá-lo-á a atingi-la (a visão, a consciência cósmica) e facilitará a aproximação e repetição desses felizes intervalos (Plotinus)   
      (usemo-la nossa vontade para nos aproximarmos do feliz momento; como afirmam aqueles q chegaram "lá", toda esperança sobre as coisas da terra é tola, pois tudo é incerto e não há segurança em nenhum lugar nenhum tempo, nenhuma situação; estaremos plenos de felicidade quando o ‘olho do mais íntimo’ (onde o ego cessa) exercitar sua visão; a purificação da mente pode ser obtida pela meditação, que afasta o ‘eu/ego’ e, com este, todo o lixo mental, todo o condicionamento).

     ‘O infinito (Deus) só pode ser apreendido por uma faculdade superior à razão (isto é, além do ego), que nos faz entrar num estado no qual você já não é mais o seu eu finito.’ (Plotinus) (você é, portanto, seu ‘Eu’ infinito, isto é, Deus; só quando somos Deus é que o apreendemos (como diz Eckhart). Lembrar-se de Paulo: Já não sou eu que vivo, mas o Cristo é que vive em mim).

     ‘...em primeiro lugar a alma deve retornar a si mesma (como se estivesse perdida e tivesse que encontrar seu caminho, o caminho de volta para casa); isso se alcança pela prática das virtudes, cujo objetivo é despoluir (limpar) a mente (para que se torne semelhante) à semelhança com Deus e que conduz ao próprio Deus, pelas quais a alma se liberta da sensualidade (da ação dos sentidos, fato que elimina o ego)... Por meio de práticas ascéticas (meditação) o homem uma vez mais se converte num ser espiritual, livre de todos os pecados. Entretanto, ainda há um escalão mais alto: não basta ser sem pecado (isso apenas nos limpa a mente); é preciso converter-se em Deus (Eckart: ‘nos confundirmos com Deus’).
      Isto se alcança pela contemplação (meditação) do Ser Único ou, em outras palavras, por uma aproximação extasiada (em êxtase) desse Único. O pensamento (a imaginação, o intelecto, o ego) não pode chegar a isso... pois é apenas um estágio preliminar dessa aproximação (portanto,  pensamento, intelecto, ego devem ser eliminados). E é apenas em estado de perfeita passividade e repouso (inação, sem operações do ego; meditação) que a alma pode reconhecer e tocar (sentir) o Ser Divino.
      Para atingir esse fim mais alto, a alma necessita passar por um currículo espiritual. Iniciando na contemplação das coisas corpóreas, em sua multiplicidade e harmonia (isto é, conhecendo a vida, o mundo em sua diversidade; ‘compreendendo a totalidade da vida’, como diz Krishnamurti), retira-se para dentro de si mesma, nas profundezas de seu próprio ser (para dentro do eu)...
      Mas, o mais alto não está ainda aí... O último estágio é alcançado quando, na mais alta tensão e concentração, no silêncio e esquecimento de todas as coisas (sejam boas ou más: meditação), a alma acha-se apta a perder-se em si mesma (o eu não mais opera). Então, ela pode ver Deus, a fonte da vida, do ser, a origem de todo o bem, a raiz (origem) da alma. Nesse momento, a alma desfruta da bênção mais indescritível; é como se fosse banhada pela divindade (Plotinus).   
      (Interpretação: ‘virtudes que levam à semelhança de Deus’, isto é, que tornam a consciência pura, livre dos condicionamentos. ‘Não basta ser sem pecado’: isto, no dizer dos sábios, não retira o homem da multidão; só tranqüiliza a mente preparando-a para a meditação. ‘O pensamento, a imaginação, a razão, o intelecto, não podem chegar a isso’; são finitos e só uma faculdade infinita, isto é, algo além do ego, pode apreender o infinito. ‘Em perfeita passividade e repouso’: relaxamento externo e interno, isto é, na meditação; dentro de si mesmo, ‘no silêncio e esquecimento de todas as coisas’ (meditação); ‘na mais alta tensão e concentração’ - dizem os sábios que, somente quando a paixão é tão grande que o homem derrama lágrimas, é que a luz chega – ou, como afirma o bramanismo, ‘para se subir à presença do mestre, os pés devem ser lavados no sangue do (próprio) coração’. ‘Perder-se’: perder o ego, o ego cessa. ‘Poderá ver Deus’: ter o percebimento, a iluminação, ver que tudo, que cada ser é Deus).

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Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 28 de Fevereiro de 2015, 21:04
A arte da meditação

"Toda a meditação que envolve esforço deixa de ser meditação. Não se trata de nenhum ato de realização nem algo que deva ser praticado diariamente de acordo com um sistema ou método qualquer, para obtenção de um fim almejado. Ao contrário, toda a imaginação e medida devem cessar. A meditação não constitui um meio para atingir um fim; é um fim em si mesma. No entanto aquele que medita deve deixar de existir para que a meditação possa ocorrer.

A meditação não é uma experiência nem uma lembrança erguida em torno de um dado prazer futuro. Aquele que experimenta move-se sempre dentro dos limites das suas próprias projeções de tempo e pensamento. Uma vez inserida nos limites do pensamento, a liberdade não passará de uma ideia e uma fórmula; o pensador jamais poderá alcançar o movimento da meditação.

A meditação diz sempre respeito ao presente enquanto que o pensamento pertence sempre ao passado. Toda a consciência é pensamento, porém, o estado de meditação não ocorre dentro das suas fronteiras. A meditação consciente é somente o ato de redefinir ainda mais esses limites destruindo assim toda a liberdade. Mas somente em liberdade poderá haver meditação.

Se não meditardes sereis sempre um escravo do tempo, cuja sombra é a dor. O tempo é sofrimento."

Ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/a-arte-da-meditacao-krishnamurti/?PHPSESSID=8942dcd5cdc0131b55ee4071b2d01c21#.VPIr11NIMZk
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 11 de Março de 2015, 18:47
MEDITAÇÃO   

      Amigos, leiam com atenção .

      Esta msg procura levar a vocês o entendimento daquilo a que o "Espiritualismo" tanto se refere, isto é, a meditação, ou melhor, de o que é a "tentativa" de meditar.

      A tentativa de meditar é, nada mais, q uma tentativa de, através de exercícios de atenção, permanecer exatamente no aqui e agora .

      O objetivo da meditação é afastar o ego, defesa nossa psicológica - criada inconscientemente e naturalmente por nós mesmos, frente às ameaças do mundo ao nosso derredor (semelhante a "marcar nosso território": isto é meu), e q nos acompanha, desde o instante em q abrimos os olhos para a vida, até q dele (da defesa do ego) não mais necessitemos, o q acontece, ou pela morte física, ou pela meditação bem sucedida.

      O ego (resultante de estarmos habitando um corpo carnal) é o causador de todas as nossas ilusões e, consequentemente, de todas as nossas interpretações equivocadas acerca dos eventos da vida (conforme tb ensina a doutrina espírita) e, de novo consequentemente, de todos os nossos sofrimentos e más ações, pois as interpretações equivocadas nos fazem pensar, sentir, compreender tb de maneira equivocada; e como sempre agimos exatamente do modo q compreendemos q devemos agir (pois compreender nos faz agir exatamente do modo q compreendemos), se nossa compreensão estiver equivocada, também estarão equivocadas nossos pensamentos, sentimentos, vontades, desejos, decisões e, finalmente, nossas escolhas e nossas ações.

      É daí q resultam todos os nossos “pecados morais” e destes, todos os nossos sofrimentos chamados “sofrimentos morais”; e, como a área psicológica exerce influencia sobre nossa área física, tb daí resultam muitos de nossos sofrimentos “físicos”. Como disse Paulo: “... quem me livrará deste corpo carnal, que me acarreta todo o mal?...”.

      Observem (isto é importante) que o ego nunca “funciona”, nunca está, no presente instante; e que nossos sentidos objetivos só e unicamente "funcionam", só podem operar, exatamente no presente instante; nunca no passado, nem no futuro pois do passado nada mais resta, senão apenas lembranças, remorsos etc, e qto ao futuro, ainda nada existe senão apenas expectativas, esperanças, imaginações, planejamentos; nada mais.

      Percebam q, por sua vez, nossos pensamentos nunca estão no presente instante mas, ou no futuro imediato ou distante, ou no passado imediato ou distante; e, tb observem que absolutamente ninguém vê, ouve, cheira, saboreia, sente, toca em algo, senão no presente instante; nunca no passado ou no futuro; nossos sentidos só agem exatamente no “aqui-agora”, ao passo q nossos pensamentos (e, consequentemente, o ego) só e unicamente sempre estão operando em relação ao passado, ou ao futuro.

      Assim, quando há total e absoluta atenção na ação de cada sentido, em ver, ouvir, cheirar, degustar, sentir, acontecerá q os pensamentos deixam de existir (façam o teste!), os pensamentos cessam; isto é, qdo há total atenção, não há pensamento. E, não havendo pensamentos o ego q é, como vimos, produto de nossos pensamentos (área psicológica), também deixa de existir; consequentemente, não havendo pensamentos, q resulta da atenção total, tb não há o ego; o ego deixa de existir, de estar presente, e podemos ter a percepção daquilo que é a última e sublime realidade: Deus.

      Repetindo: o ego não existe no presente instante, pois a atenção “obriga” nossa área psicológica a permanecer no presente instante, no aqui-agora e, em consequência, o ego cessa sua operações de lembrar, de esperar, de imaginar, planejar etc.

      Está “equação” ilustra bem o q falo: espírito perfeito + ego = homem iludido; homem iludido – ego = espírito perfeito.

      Como disse Masaharu Taniguchi, fundador da “Seicho no iê” (O caminho do crescimento infinito): “Calado o ego, Deus se manifesta”; e Helena Blavatisky, fundadora da Teosofia (O conhecimento de Deus): “A mente/ego é a assassina de Deus; mate essa assassina!"; como disse aquele q é considerado o maior profeta do Antigo Testamento, Davi: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus!”, isto é, aquiete, cale, faça q cessem as operações de sua mente/ego/eu inferior e vc poderá perceber q quem está aí não é mais você; é Deus.

      Por isso, tb Jesus disse; "Eu e o Pai somos um!", Paulo disse: "Já não sou eu que vivo; é o Cristo q vive em mim!". E, no bramanismo/hinduísmo, o "mantra": "Om na mo" (Deus, não eu).

      E como o ego é o único obstáculo entre nós e Deus, o único impedimento a essa percepção, cessando o ego, cessa esse obstáculo e podemos perceber a realidade, Deus.

      Krishnamurti, Yogananda, Nisagardatta, Benoit e outros mentores enfatizam sobremaneira a atenção. O mesmo fez Teresa de Ávila, antes candidata à morte pelo fogo (Santa Inquisição); depois respeitada doutora teologal dos católicos, q, nas primeiras dissertações às noviças de seu convento, recomendava: “Atenção! Atenção! Atenção!”.

      E, tb o mestre Jesus, em várias de suas parábolas, tentou nos ensinar a mesma coisa, a imprescindível atenção. E mais: no primitivo cristianismo, o maior pecado era a distração, a desatenção, e a maior virtude, a atenção (verdade q se perdeu por interpretações q o cristianismo sofreu). Deve ser tb por isso o  ensinamento da igreja de Roma, o conceito criado em relação aos chamados "pecados mortais ou capitais"; cada um deles se relaciona a algo q dificultará ou mesmo impedirá a prática da atenção pois nos leva a desatenção, à distração: ira, luxúria, gula, avareza, preguiça, inveja, orgulho ou vaidade. Sem dúvida, todos nós podemos perceber q todos eles produzem a desatenção.

      Quando a atenção ao presente é total, não nascem pensamentos e, consequentemente, como vimos acima, o ego se cala.

      Esses que experienciaram a realidade por experienciarem a cessação do ego, aconselham q, para as tentativas de meditação, façamos, assim (me parece que coloquei num texto do site “máscaras de Deus”):

      - Atenção total às diferentes partes do corpo, sentir cada centímetro, os pontos onde há tensão, pontadas, leves dores, os pontos mais sensíveis, a testa, o couro cabeludo, boca, a nuca, indo descendo, sentindo cada parte do corpo (braços, mãos, pernas, costas etc q estão tocando a roupa, ou um tocando o outro, ou a cadeira onde está sentado etc); assim seguindo até a sola dos pés; se essa atenção é desviada por um ruído, luz, o que for, retomar a atenção; onde estiver, fique atento a tudo (atenção total), inclusive, ao ruído do carro ou do avião que passa, a tudo, às paredes da sala, aos móveis, às cores das roupas dos demais, ao corpo; tudo com atenção total.

      Como a atenção total nos coloca exatamente, no presente instante, no aqui-agora, qdo há atenção total, o ego cessa de operar, de funcionar, e ficamos livres de suas operações perniciosas, pois são essas operações q nos impedem a percepção do real, de quem realmente somos.

      Diz Nisagardatta que, se se consegue, nas primeiras práticas, permanecer totalmente, absolutamente, atento por 1 q seja, já é uma grande vitória. Todos esses exercícios, como os de Ramana, de atenção ao “eu sou”, têm o mesmo objetivo: com a atenção absoluta, q faz q o ego cesse, tirar o comando da mente/ego e de seus pensamentos, de sobre nós, e, assim, assumirmos nós o comando sobre nós mesmos, sobre nossa mente, e nossa vontade, fato q nos libertará das ilusões e, consequentemente, poderá nos mostrar aquilo q é Real.

      Mas, essa tarefa não é fácil, e qualquer um vai perceber isso. Como, no Bhagawad Gita, a Sublime Canção da Imortalidade (extraído do Mahabarata, de 5 mil anos antes de Cristo), Arjuna, simbolizando o homem, se lamentando, diz para Krishna, q simboliza Deus: “Senhor, como dominar a mente? Ela é como um cavalo selvagem!”, e Krishna lhe responde: “Sim, é difícil, mas não é impossível!”.

      À medida que se fazem mais e mais tentativas, deve acontecer que o tempo de atenção melhore e, quando se consegue atenção completa por tempo mais longo, sente-se que, naqueles intervalos, o ego se foi. Então, entramos em contato com o próprio eu, com nós mesmos, espíritos puros e perfeitos que sempre fomos; percebemo-nos identificados e nos confundimos com o Espírito que sempre fomos, mas que o ego não nos permitia perceber.

      Quanto mais exercícios, mais avançamos na tentativa de meditar.

          Abraços a todos.

....................
     
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 15 de Março de 2015, 14:52
MEDITAÇÃO   

      Amigos, leiam com atenção .

      Esta msg procura levar a vocês o entendimento daquilo a que o "Espiritualismo" tanto se refere, isto é, a meditação, ou melhor, de o que é a "tentativa" de meditar.

      A tentativa de meditar é, nada mais, q uma tentativa de, através de exercícios de atenção, permanecer exatamente no aqui e agora .

      O objetivo da meditação é afastar o ego, defesa nossa psicológica - criada inconscientemente e naturalmente por nós mesmos, frente às ameaças do mundo ao nosso derredor (semelhante a "marcar nosso território": isto é meu), e q nos acompanha, desde o instante em q abrimos os olhos para a vida, até q dele (da defesa do ego) não mais necessitemos, o q acontece, ou pela morte física, ou pela meditação bem sucedida.

      O ego (resultante de estarmos habitando um corpo carnal) é o causador de todas as nossas ilusões e, consequentemente, de todas as nossas interpretações equivocadas acerca dos eventos da vida (conforme tb ensina a doutrina espírita) e, de novo consequentemente, de todos os nossos sofrimentos e más ações, pois as interpretações equivocadas nos fazem pensar, sentir, compreender tb de maneira equivocada; e como sempre agimos exatamente do modo q compreendemos q devemos agir (pois compreender nos faz agir exatamente do modo q compreendemos), se nossa compreensão estiver equivocada, também estarão equivocadas nossos pensamentos, sentimentos, vontades, desejos, decisões e, finalmente, nossas escolhas e nossas ações.

      É daí q resultam todos os nossos “pecados morais” e destes, todos os nossos sofrimentos chamados “sofrimentos morais”; e, como a área psicológica exerce influencia sobre nossa área física, tb daí resultam muitos de nossos sofrimentos “físicos”. Como disse Paulo: “... quem me livrará deste corpo carnal, que me acarreta todo o mal?...”.

      Observem (isto é importante) que o ego nunca “funciona”, nunca está, no presente instante; e que nossos sentidos objetivos só e unicamente "funcionam", só podem operar, exatamente no presente instante; nunca no passado, nem no futuro pois do passado nada mais resta, senão apenas lembranças, remorsos etc, e qto ao futuro, ainda nada existe senão apenas expectativas, esperanças, imaginações, planejamentos; nada mais.

      Percebam q, por sua vez, nossos pensamentos nunca estão no presente instante mas, ou no futuro imediato ou distante, ou no passado imediato ou distante; e, tb observem que absolutamente ninguém vê, ouve, cheira, saboreia, sente, toca em algo, senão no presente instante; nunca no passado ou no futuro; nossos sentidos só agem exatamente no “aqui-agora”, ao passo q nossos pensamentos (e, consequentemente, o ego) só e unicamente sempre estão operando em relação ao passado, ou ao futuro.

      Assim, quando há total e absoluta atenção na ação de cada sentido, em ver, ouvir, cheirar, degustar, sentir, acontecerá q os pensamentos deixam de existir (façam o teste!), os pensamentos cessam; isto é, qdo há total atenção, não há pensamento. E, não havendo pensamentos o ego q é, como vimos, produto de nossos pensamentos (área psicológica), também deixa de existir; consequentemente, não havendo pensamentos, q resulta da atenção total, tb não há o ego; o ego deixa de existir, de estar presente, e podemos ter a percepção daquilo que é a última e sublime realidade: Deus.

      Repetindo: o ego não existe no presente instante, pois a atenção “obriga” nossa área psicológica a permanecer no presente instante, no aqui-agora e, em consequência, o ego cessa sua operações de lembrar, de esperar, de imaginar, planejar etc.

      Está “equação” ilustra bem o q falo: espírito perfeito + ego = homem iludido; homem iludido – ego = espírito perfeito.

      Como disse Masaharu Taniguchi, fundador da “Seicho no iê” (O caminho do crescimento infinito): “Calado o ego, Deus se manifesta”; e Helena Blavatisky, fundadora da Teosofia (O conhecimento de Deus): “A mente/ego é a assassina de Deus; mate essa assassina!"; como disse aquele q é considerado o maior profeta do Antigo Testamento, Davi: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus!”, isto é, aquiete, cale, faça q cessem as operações de sua mente/ego/eu inferior e vc poderá perceber q quem está aí não é mais você; é Deus.

      Por isso, tb Jesus disse; "Eu e o Pai somos um!", Paulo disse: "Já não sou eu que vivo; é o Cristo q vive em mim!". E, no bramanismo/hinduísmo, o "mantra": "Om na mo" (Deus, não eu).

      E como o ego é o único obstáculo entre nós e Deus, o único impedimento a essa percepção, cessando o ego, cessa esse obstáculo e podemos perceber a realidade, Deus.

      Krishnamurti, Yogananda, Nisagardatta, Benoit e outros mentores enfatizam sobremaneira a atenção. O mesmo fez Teresa de Ávila, antes candidata à morte pelo fogo (Santa Inquisição); depois respeitada doutora teologal dos católicos, q, nas primeiras dissertações às noviças de seu convento, recomendava: “Atenção! Atenção! Atenção!”.

      E, tb o mestre Jesus, em várias de suas parábolas, tentou nos ensinar a mesma coisa, a imprescindível atenção. E mais: no primitivo cristianismo, o maior pecado era a distração, a desatenção, e a maior virtude, a atenção (verdade q se perdeu por interpretações q o cristianismo sofreu). Deve ser tb por isso o  ensinamento da igreja de Roma, o conceito criado em relação aos chamados "pecados mortais ou capitais"; cada um deles se relaciona a algo q dificultará ou mesmo impedirá a prática da atenção pois nos leva a desatenção, à distração: ira, luxúria, gula, avareza, preguiça, inveja, orgulho ou vaidade. Sem dúvida, todos nós podemos perceber q todos eles produzem a desatenção.

      Quando a atenção ao presente é total, não nascem pensamentos e, consequentemente, como vimos acima, o ego se cala.

      Esses que experienciaram a realidade por experienciarem a cessação do ego, aconselham q, para as tentativas de meditação, façamos, assim (me parece que coloquei num texto do site “máscaras de Deus”):

      - Atenção total às diferentes partes do corpo, sentir cada centímetro, os pontos onde há tensão, pontadas, leves dores, os pontos mais sensíveis, a testa, o couro cabeludo, boca, a nuca, indo descendo, sentindo cada parte do corpo (braços, mãos, pernas, costas etc q estão tocando a roupa, ou um tocando o outro, ou a cadeira onde está sentado etc); assim seguindo até a sola dos pés; se essa atenção é desviada por um ruído, luz, o que for, retomar a atenção; onde estiver, fique atento a tudo (atenção total), inclusive, ao ruído do carro ou do avião que passa, a tudo, às paredes da sala, aos móveis, às cores das roupas dos demais, ao corpo; tudo com atenção total.

      Como a atenção total nos coloca exatamente, no presente instante, no aqui-agora, qdo há atenção total, o ego cessa de operar, de funcionar, e ficamos livres de suas operações perniciosas, pois são essas operações q nos impedem a percepção do real, de quem realmente somos.

      Diz Nisagardatta que, se se consegue, nas primeiras práticas, permanecer totalmente, absolutamente, atento por 1 q seja, já é uma grande vitória. Todos esses exercícios, como os de Ramana, de atenção ao “eu sou”, têm o mesmo objetivo: com a atenção absoluta, q faz q o ego cesse, tirar o comando da mente/ego e de seus pensamentos, de sobre nós, e, assim, assumirmos nós o comando sobre nós mesmos, sobre nossa mente, e nossa vontade, fato q nos libertará das ilusões e, consequentemente, poderá nos mostrar aquilo q é Real.

      Mas, essa tarefa não é fácil, e qualquer um vai perceber isso. Como, no Bhagawad Gita, a Sublime Canção da Imortalidade (extraído do Mahabarata, de 5 mil anos antes de Cristo), Arjuna, simbolizando o homem, se lamentando, diz para Krishna, q simboliza Deus: “Senhor, como dominar a mente? Ela é como um cavalo selvagem!”, e Krishna lhe responde: “Sim, é difícil, mas não é impossível!”.

      À medida que se fazem mais e mais tentativas, deve acontecer que o tempo de atenção melhore e, quando se consegue atenção completa por tempo mais longo, sente-se que, naqueles intervalos, o ego se foi. Então, entramos em contato com o próprio eu, com nós mesmos, espíritos puros e perfeitos que sempre fomos; percebemo-nos identificados e nos confundimos com o Espírito que sempre fomos, mas que o ego não nos permitia perceber.

      Quanto mais exercícios, mais avançamos na tentativa de meditar.

          Abraços a todos.

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É mesmo necessário ler com total atenção, porque só assim pode surgir aquela compreensão que não pertence ao tempo - ao pensamento especulativo, à memória -, por isso atemporal.
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Anton Kiudero em 15 de Março de 2015, 19:59
https://www.youtube.com/watch?v=i5QiyF99eEU
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 18 de Março de 2015, 17:15
"A meditação é um movimento no e do desconhecido. Nós não estamos presentes mas somente o seu movimento. Somos demasiado insignificantes ou grandiosos, muito ou pouco significativos para o seu movimento. Ele não possui nada na retaguarda nem na sua frente. É essa energia que o pensamento, enquanto matéria, não pode tocar. O pensamento é perversão, pois é um produto do ontem; preso na labuta dos séculos é, consequentemente confuso e obscuro. Façam o que fizerem, o conhecido não poderá esticar o "braço" para tocar o desconhecido. E a meditação constitui um ato de morrer para o conhecido."

Ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/auto-conhecimento/a-arte-da-meditacao-krishnamurti/msg304921/#msg304921
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 18 de Março de 2015, 17:28
Re: Meditação – aonde ela pode nos levar

      Ref resp #6 em: 180315, às 17:15, de Olé.

      Como diz antiga filosofia e psicologia: “o todo, a vida, a existência, é como um lago de águas tranquilas, mas, de repente, um pensamento surge, como um peixe q salta, e a tranquilidade das águas é desfeita”. Como diz recente filosofia e psicologia: “o pensar é um dom grandioso, mas o não pensar é um dom mais grandioso ainda!”.
.................
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 19 de Março de 2015, 20:49
O tempo e o sofrimento

"O homem vive do tempo. A invenção do futuro se tornou seu favorito jogo de fuga. Pensamos que as mudanças em nós mesmos só podem ser efetuadas no tempo, que a ordem só pode ser estabelecida em nós mesmos pouco a pouco, aumentada dia por dia. Mas, o tempo não traz a ordem nem a paz e, portanto, temos de deixar de pensar em termos de gradualidade. Isso significa que não há um amanhã em que viveremos em paz. Temos de alcançar a ordem imediatamente.

Quando se apresenta um perigo real, o tempo desaparece, não é verdade? A ação é imediata. Mas, nós não percebemos o perigo existente em muitos dos nossos problemas e, por conseguinte, inventamos o tempo como um meio de superá-los. O tempo é um embusteiro, porquanto nada faz para ajudar-nos a promover uma mudança em nós mesmos. O tempo é um movimento que o homem dividiu em passado, presente e futuro. E, enquanto fizer essa divisão, o homem viverá sempre em conflito.

O aprender depende do tempo? Após tantos milhares de anos, ainda não aprendemos que existe uma maneira de vida melhor do que odiarmos e matarmos uns aos outros. Muito importa compreender o problema do tempo, se desejamos uma solução para esta vida que cada um de nós contribuiu para tornar tão monstruosa e sem significação como é.

A primeira coisa, pois, que se deve compreender é que só podemos olhar o tempo com aquele vigor e aquela inocência da mente, que já estivemos considerando. Vemo-nos confusos a respeito de nossos numerosos problemas, e perdidos no meio desta confusão. Ora, quando uma pessoa se perde numa floresta, qual a primeira coisa que faz? Pára e olha em torno de si. Mas nós, quanto mais nos vemos confusos e perdidos na vida, tanto mais corremos em todos os sentidos, buscando, indagando, rogando. A primeira coisa que deveis fazer, se me permitis sugeri-lo, é fazer alto, interiormente. E, quando parais, interiormente, psicologicamente, vossa mente se torna muito tranqüila e clara. Podeis então considerar verdadeiramente a questão do tempo.

Os problemas só existem no tempo, isto é, quando nos encontramos com um fato de maneira incompleta. Esse encontro incompleto com o fato cria o problema. Quando enfrentamos um desafio parcial, fragmentariamente, ou dele tentamos fugir — isto é, quando o enfrentamos com atenção incompleta — criamos um problema. E o problema continua existente enquanto continuarmos a dar-lhe incompleta atenção, enquanto esperarmos resolvê-lo um dia destes.

Sabeis o que é o tempo? — Não o tempo medido pelo relógio, o tempo cronológico, porém o tempo psicológico? É o intervalo entre a idéia e a ação. Uma idéia visa, naturalmente, à autoproteção: a idéia de estar em segurança. A ação é sempre imediata; não é do passado nem do futuro; o agir deve estar sempre no presente; mas a ação é tão perigosa, tão incerta, que preferimos ajustar-nos a uma idéia que nos promete uma certa segurança.

Olhai isso em vós mesmo. Tendes uma idéia do que é certo ou errado, ou um conceito ideológico relativo a vós mesmo e à sociedade, e de acordo com essa idéia ides agir. A ação, por conseguinte, ajusta-se àquela idéia, aproxima-se da idéia, e por essa razão existe sempre conflito. Há a idéia, o intervalo, e a ação. Nesse intervalo encontra-se todo o campo do tempo. Esse intervalo é, essencialmente, pensamento. Quando pensais que amanhã sereis feliz, tendes então uma imagem de vós mesmo a alcançar um certo resultado no tempo. O pensamento, pela observação, pelo desejo, e pela continuidade desse desejo, sustentada por mais pensamento, diz: "Amanhã serei feliz; amanhã terei sucesso; amanhã o mundo será um belo lugar." Dessa maneira, o pensamento cria esse intervalo que é o tempo.

Agora, perguntamos: Pode-se deter o tempo? Podemos viver tão completamente que não haja um amanhã para o pensamento pensar nele? Pois o tempo é sofrimento. Isto é, ontem ou há um milhar de "ontens", amastes ou tínheis um companheiro que se foi, e essa memória perdura e ficais pensando naquele prazer ou naquela dor; estais a olhar para trás e a desejar, a esperar, a lamentar, e, assim, o pensamento, ruminando continuamente aquilo, gera essa coisa que se chama sofrimento e dá continuidade ao tempo.

Enquanto existir esse intervalo de tempo, gerado pelo pensamento, tem de haver sofrimento, tem de haver a continuidade do medo. Assim, perguntamos a nós mesmos: Pode esse intervalo terminar? Se disserdes: "Terminará ele algum dia?", isso então já é uma idéia, uma coisa que desejais conseguir e, por conseguinte, tendes um intervalo e de novo vos vedes na armadilha."

(Krishnamurti)
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 21 de Março de 2015, 11:25
O silêncio

"O silêncio é a nossa verdadeira natureza. O que somos fundamentalmente, é apenas o silêncio. O silêncio é livre do começo ao fim. Era antes do início de todas as coisas. É sem causa. Sua grandeza está no fato de que ele simplesmente é. No silêncio todos os objetos têm a sua terra natal. É a luz que dá aos objetos seu conteúdo e forma. Todo o movimento, toda a atividade está harmonizada pelo silêncio. Está além de positivo e negativo. O silêncio dissolve todos os objetos.
Ele não está relacionado com qualquer contra-parte que pertença à mente. O silêncio não tem nada a ver com a mente. Ele não pode ser definido, mas pode ser sentido diretamente porque é nosso intimo. É nossa plenitude, nem dentro nem fora do corpo. O silêncio é alegre. O silêncio não precisa de intermediário.
O silêncio é sagrado. Ele é a cura. Não há nenhum medo no silêncio.
É intocado pelo tempo. O silêncio é meditação, livre de qualquer intenção, livre de qualquer pessoa que medita.
O silêncio é a ausência de si mesmo. Ou melhor, o silêncio é a ausência da ausência. O som que vem do silêncio é música. Toda a atividade é criativa quando se trata do silêncio. É constantemente um novo começo. O silêncio precede a fala e a poesia, a música e toda a arte. O silêncio é a terra natal de toda a atividade criativa."


(Jean Klein)
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 01 de Junho de 2015, 21:05
17 - Krishnamurti, Anderson 1974 - Meditación Part 1

www.youtube.com/watch?v=_tPm3S8G9AA (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PV90UG0zUzhHOUFBIw==)
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 02 de Junho de 2015, 17:49
18 - Krishnamurti, Anderson 1974 - Meditación Part 2

www.youtube.com/watch?v=graxUficVIo (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS93YXRjaD92PWdyYXhVZmljVklvIw==)
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Diaz em 20 de Julho de 2015, 17:29
Interessante esse tema. Creio que já consegui algumas vezes manter este estado meditativo de atenção total no presente. Experimento com freqüência esse estado enquanto pratico atividades intensas como corridas em montanhas e natação e também no yoga. Sei dos benefícios  já citados, mas não entendo essa ligação com Deus.
Quanto ao silêncio total, a ausência total de pensamentos no yoga experimentei algo interessante. Conforme as imagens vinham eu as despachava calmamente, como se eu estivesse colocando fotos num cesto de lixo. Aos poucos pararam de chegar e dentro de pouco tempo fiquei num estado de silêncio profundo, de profunda  paz e contentamento e permaneci assim por algum tempo, mas o que tem isso à ver com Deus?
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Vitor Santos em 21 de Julho de 2015, 19:01
Olá amigo Diaz

Citar
Interessante esse tema. Creio que já consegui algumas vezes manter este estado meditativo de atenção total no presente. Experimento com freqüência esse estado enquanto pratico atividades intensas como corridas em montanhas e natação e também no yoga. Sei dos benefícios  já citados, mas não entendo essa ligação com Deus.
Quanto ao silêncio total, a ausência total de pensamentos no yoga experimentei algo interessante. Conforme as imagens vinham eu as despachava calmamente, como se eu estivesse colocando fotos num cesto de lixo. Aos poucos pararam de chegar e dentro de pouco tempo fiquei num estado de silêncio profundo, de profunda  paz e contentamento e permaneci assim por algum tempo, mas o que tem isso à ver com Deus?

O amigo tem alguma experiência que eu não tenho. Mas partilho da mesma dúvida. Atingir estados não comuns, em que seja dado à pessoa ter percepções, sentimentos ou emoções extraordinárias, admito que seja possível e que tem a haver com determinadas práticas.

Mas ter a noção da ligação à Inteligência suprema, Causa primeira de todas as coisas é uma afirmação mais difícil (normalmente  as pessoas que falam nestas coisas dizem que espiritualmente são parte de Deus - penso que crêem da dualidade carne-espírito mas não na dualidade espírito-Deus, segundo me parece).

Perder a noção de separação em relação às outras pessoas, senti-las como se fossem uma extensão de nós, sem medo, sem apreensão, sem desconfiança, em paz, sentir um amor incondicional por elas,   eu aceito que é possível.

No fundo eu tenho esta dúvida em relação a toda e qualquer pessoa que diz sentir a presença ou a intervenção directa de Deus, em qualquer contexto.

Bem haja   
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 22 de Julho de 2015, 20:16
Re: Meditação – aonde ela pode nos levar

      Ref resp #12 em: 200715 (ou 21), às 17:29, de Diaz

      Diaz disse: Creio que já consegui algumas vezes manter este estado meditativo de atenção total no presente. Experimento com frequência esse estado enquanto pratico atividades intensas como corridas em montanhas e natação e também no yoga. Sei dos benefícios já citados, mas não entendo essa ligação com Deus.

      Quanto ao silêncio total, a ausência total de pensamentos no yoga experimentei algo interessante. Conforme as imagens vinham, eu as despachava calmamente, como se eu estivesse colocando fotos num cesto de lixo. Aos poucos pararam de chegar e dentro de pouco tempo fiquei num estado de silêncio profundo, de profunda paz e contentamento e permaneci assim por algum tempo; mas o que tem isso a ver com Deus?

      Conf: amigo, acredito que vc esteja dando bons passos em direção ao objetivo que busca!

      Agora, qto ao que isso tem a ver com Deus, lembre-se que a finalidade de nossa a existência, de todos os ensinamentos da doutrina, das ações de Deus sobre nós, das palavras de Jesus e de tantos espíritos amigos, é o aperfeiçoamento espiritual; e que este só é conseguido qdo não mais formos escravos de nada, nem dos preconceitos, da ignorância, dos pensamentos e, consequentemente, nem de nossa vontade!

      Só assim, qdo conseguirmos adquirir a capacidade de comandar nossa “atenção” e, em consequência, pudermos colocá-la só no presente, ou onde quisermos (coisa que só pode acontecer qdo conquistarmos o comando sobre ela) é que poderemos conhecer o que verdadeiramente somos, o que é o Real, deixando essa ilusão que mundo ao nosso derredor, e o que somos qdo encarnados, sempre nos trás!

      Podemos, então, vir a conhecer o que é o Real e o que é o falso,  o ilusório, e, como disse Jesus, “a verdade nos libertará”!
............
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Gabri-El em 23 de Julho de 2015, 00:27
A prática meditativa com o objetivo de  Autorrealização (a mais alta Meta), é aquela de voltar a atenção para o Ser Eterno. Isso se faz através da ininterrupta introspecção para conhecer-se essencialmente, "indo" além de qualquer aspecto físico e sutil da personalidade humana. O universo da forma e dos conceitos, que pertence àquilo que é transitório, precisa ser discernido pelo buscador para se ter a clara visão de si mesmo como sendo unicamente Consciência, eterna e bem-aventurada.
Conceitos a respeito de Alma, Deus, Universo, Bem e Mal, Reencarnação, Plano Material e Plano Espiritual, etc., tais como discutidos em qualquer escola de pensamento, inevitavelmente precisam ser transcendidos pelo buscador genuíno da Verdade, por aquele que almeja verdadeiramente a Autorrealização.
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Diaz em 23 de Julho de 2015, 13:35
Diaz: Perguntei o que a meditação tem a ver com Deus e o amigo respondeu:
Conf: Agora, qto ao que isso tem a ver com Deus, lembre-se que a finalidade de nossa a existência, de todos os ensinamentos da doutrina, das ações de Deus sobre nós, das palavras de Jesus e de tantos espíritos amigos, é o aperfeiçoamento espiritual; e que este só é conseguido qdo não mais formos escravos de nada, nem dos preconceitos, da ignorância, dos pensamentos e, consequentemente, nem de nossa vontade!

      Só assim, qdo conseguirmos adquirir a capacidade de comandar nossa “atenção” e, em consequência, pudermos colocá-la só no presente, ou onde quisermos (coisa que só pode acontecer qdo conquistarmos o comando sobre ela) é que poderemos conhecer o que verdadeiramente somos, o que é o Real, deixando essa ilusão que mundo ao nosso derredor, e o que somos qdo encarnados, sempre nos trás!

Diaz:Concordo com isso, mas não respondeu minha pergunta. Permita-me formulá-la de outra maneira: Um agnóstico não seria capaz de adquirir essa capacidade? Se este seria, quem poderia garantir que a experiência de Deus não seria fruto da imaginação ou da crença daquele que acredita em Deus?

     

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/outras-doutrinas-espiritualistas/meditacao-aonde-ela-pode-nos-levar/#ixzz3giTX0yH7
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Diaz em 23 de Julho de 2015, 13:44
Amigo Conf, quanto ao agnóstico refiro-me aquele que não crê em Deus, ou melhor dizendo, ao ateu.
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Vitor Santos em 23 de Julho de 2015, 16:46
Olá amigos

Segundo Swami Vivekananda, por exemplo, as pessoas não necessitam de crer em coisa nenhuma para aprender a concentrar a mente. Mas têm de dar um voto de confiança a quem tem experiência no assunto, na medida em que têm de aceitar uma série de condições (e a Raja Yoga é mesmo muito exigente) no que se refere ao comportamento pessoal (incluindo a auto-disciplina) e às técnicas necessárias para meditar, que envolvem também práticas corporais e o controle do regime alimentar.

Partindo do principio que se conseguem cumprir as condições exigidas, a pessoa transforma-se e  atinge o estado denominado samadhi (nome atribuído por Pantajali, segundo li), estado esse de conhecimento absoluto. O conhecimento não é atingido na sequência e em consequência de raciocínios ou deduções intelectuais, mas da experiência directa do mesmo. Trata-se de uma via experimental em que o instrumento é a concentração mental e o objecto do estudo é a mente.

Não interessam as crenças com que as pessoas partem, pois a ideia é não crer em nada que não se possa constatar por nós mesmos. Tal como no método cientifico mas com uma grande diferença: a experiência não é objectiva, mas subjectiva. Cada um tem de constatar por si mesmo.     

Isto é mais ou menos o que diz Swami Vivekananda, que era considerado um sábio e um mestre nesta área. Todavia há outros. As várias vias do Budismo, por exemplo. Também na tradição do Ocidente há uma tradição contemplativa, não apenas na tradição Oriental, segundo o que tenho aprendido. Mas penso que é pouco divulgada.



Esta forma de conhecimento é a ideal. Pois evita os debates e as lutas entre crentes das várias religiões e Doutrinas. os sacerdotes e praticantes destas últimas visam levar os outros a crer no que eles crêem. Como não crêem todos no mesmo, mas ninguém abdica das próprias crenças há um choque ideológico tolo. E quando as pessoas são intolerantes há mesmo choques violentos e coisas como a santa Inquisição, as investidas terroristas dos radicais Islâmicos, etc. 
   
O problema, para mim, é adaptar tais práticas à minha vida e ter a confiança que esse grande esforço produz mesmo  resultados, se eu for capaz de enveredar por ele. Lá vamos ter à questão da fé, desta feita na eficácia dessas práticas e, para além disso, na nossa capacidade de as conseguir colocar em prática.

É quase como a aposta do maratonista, que treina duramente com base na confiança de que consegue ser melhor do que os outros na competição. Aposta tudo, se perder, se não conseguir atingir os objectivos, ficará decepcionado e todo o esforço será em vão.



O Movimento Espirita, tal como eu o conheço, pertence ao grupo das religiões que entende que o conhecimento se alcança pela via intelectual, associada a um comportamento que seja de acordo com a moral que defende, ou seja, coerente com Doutrina moral dos Espíritos.

Pertence ao grupo daqueles que entendem que não é necessário ver para crer, e que quem não tem fé é porque não quer, ou porque a abafa ou oculta propositadamente a si mesmo, ou porque tem fé mas não a tem em conta propositadamente, porque a fé e a verdade espiritual não é compatível com os defeitos morais que carrega, que o levam a escolher um comportamento errado. Há aqui uma acusação implícita ao não crente, que pode roçar a intolerância.

Esta é a tradição, na medida em que a prática da mediunidade é escondida apenas em reuniões privadas, excluindo quaisquer actividades públicas baseadas na mediunidade, por norma. Nesta medida, o Movimento não tem nada a propor no sentido de proporcionar ou ensinar a obter qualquer tipo de experiência, subjectiva ou objectiva, ao público, em geral, que eu saiba, e que permita mostrar evidências que sustentem a crença. Já que experiências que levem ao conhecimento absoluto, tal como promete Swami Vivekananda não pode mesmo proporcionar. Aliás crer que podemos alcançar esse estado de conhecimento absoluto não me parece muito credível, mas, como ele diz, só experimentando podemos ter uma opinião avalizada.   
   


A meditação, fora o útil relaxamento que pode proporcionar, que é sempre vantajoso, mesmo que conduza ao tal estado denominado samadhi, a uma experiência muito forte e muito convincente, o que aqueles que já passaram por ela nos dizem da mesma não deixa de ser uma interpretação pessoal. Se eles dizem que conheceram Deus, se dizem que constar a existência da própria alma (Purusha), mas que é una com Deus (conceito complicado de entender, pelo menos para mim).

No fundo, são os fenómenos paranormais, estudados de forma cientifica, de modo a excluir explicações que nada tenham a haver com espiritualidade, são a única esperança de obter evidências objectivas e universais comprovadas de que existe a vida depois da vida, que somos espiritos imortais, etc., sem ter que fazer apostas às cegas, em práticas duras e prolongadas. Quanto a demonstrar que Deus existe, será mais complicado. Podemos encontrar argumentos lógicos que sustentem a nossa crença, mas, face à complexidade da natureza, de tudo isto onde nos encontramos e a que pertencemos, esses argumentos são sempre demasiado simplistas.

Bem hajam
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 23 de Julho de 2015, 20:19
Re: Meditação – aonde ela pode nos levar

      Ref resp #13 em: 21 de Julho de 2015, 19:01, de Vitor

      Amigos,

      Conf: primeiro uma pequena introdução ao que vou expor: o objetivo imediato da ‘tentativa’ de meditação (se bem me lembro há mais de uma centena de métodos, pois que vão adquirindo variações, de acordo com as experiências dos que a praticam) embora para muitos não pareça, é chegarmos a dominar, ou conquistar, o comando de nossa vontade, para não sermos (mesmo contra nossa vontade) facilmente levados daqui pra lá e de lá para cá, ao sabor dos pensamentos, que tantos acreditam que são verdadeiramente nossos!

      No entanto, se bem observarmos, vamos constatar que são eles que nos comandam, e não nós a eles! Cada um pode facilmente, em alguns minutos, comprovar isso!
....
      Diaz (msg anterior): Creio que já consegui... manter esse estado meditativo de atenção total no presente. Experimento com frequência esse estado enquanto pratico atividades intensas... Sei dos benefícios já citados, mas não entendo essa ligação com Deus.

      Quanto ao silêncio total, a ausência total de pensamentos...: conforme as imagens vinham, eu as despachava calmamente, como se eu estivesse colocando fotos num cesto de lixo. Aos poucos pararam de chegar e dentro de pouco tempo fiquei num estado de “silêncio profundo, de profunda paz e contentamento” e permaneci assim por algum tempo; mas o que tem isso a ver com Deus?

      Conf: Diaz, isso que vc diz guarda profunda semelhança com o que muitos sábios têm dito desde séculos ou milênios antes de Cristo. Lembro-me de Tereza de Ávila, que quase foi, pela Inquisição, condenada à execução pelo fogo, mas que, depois, foi reconhecida como santa e recebeu o título de Doutora Teologal da própria igreja que pretendia executá-la.

      Ela aconselhava às suas noviças que praticassem duas (que afinal são uma só) espécies de oração: a “de recolhimento” e a “de quietude”; a primeira consiste em recolher todas as memórias, pensamentos, imagens mentais, tudo o que povoa sua mente, e esquece-las; é o que vc disse: “conforme as imagens vinham, eu as despachava calmamente, como se eu estivesse colocando fotos num cesto de lixo”.

      Em seguida, se essa oração de recolhimento for bem sucedida, isto é, se vc consegue jogar no lixo tudo o que estiver em sua mente (portanto, esvaziando-a sem que ali nada reste), automática e naturalmente, sem qualquer esforço ou intenção sua, vc entra na “oração de quietude”, pois nela, sempre natural e automaticamente, vc entra numa quietude, como vc disse, num “silêncio absoluto”.

      E é aí que a "coisa", o despertamento com dizem os evangélicos, pode acontecer: se na oração de quietude vc conseguir permanecer nesse “profundo silêncio” por um certo tempo (?) (pois o que pode acontecer é que pensamentos provocados por eventos que ocorrem fora de vc, captados por seus sentido objetivos, imagens (visão), ruído (audição), perfume (olfato), sabores (paladar), sensações (tato), lembranças etc, não mais o estarão perturbando), sua mente então se aquieta e poderá abrir espaço para que nela “entre” Deus.

      Como relata o Antigo Testamento, o homem considerado o maior dos profetas, o Davi dos Salmos, disse: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus”; e, mais recentemente, Helena Blavatisky, a fundadora da Teosofia (literalmente: “O conhecimento de Deus”) disse: “A mente é a assassina de Deus; mate essa assassina!”. Mais recentemente, Masaharu Taniguchi, o fundador da Seicho-no-iê (literalmente: “O caminho do progredir infinito”), disse: “Quando a mente se cala, Deus se manifesta”.

      Tudo que o homem pode perceber enquanto encarnado é apenas o Irreal, devido a que a mente sempre nos dá uma falsa interpretação dos eventos do mundo (como também a doutrina espirita ensina); sendo assim, a percepção de o que é o Real, só pode acontecer quando a mente é morta, aquietada, calada, dominada. Então nos libertamos das ilusões, do Irreal, e podemos contemplar o que é o Real.

      O primeiro objetivo da ‘tentativa’ de meditação (se bem me lembro, há mais de uma centena de métodos, pois que vão adquirindo variações, de acordo com as experiências dos que os praticam) embora não pareça para muitos, é chegar a dominar ou conquistar o comando de nossa vontade, para não sermos levados daqui pra lá e de lá para cá ao sabor de nossos pensamentos, que tantos acreditam que são verdadeiramente nossos!     

      Vitor (ao Diaz): O amigo tem alguma experiência que eu não tenho. Mas partilho da mesma dúvida. Atingir estados não comuns... de percepções, sentimentos ou emoções extraordinárias, admito que seja possível e que tem a haver com determinadas práticas. Mas ter a noção da ligação à Inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas, é uma afirmação mais difícil (normalmente  as pessoas que falam nestas coisas dizem que espiritualmente são parte de Deus - penso que crêem da dualidade carne-espírito mas não na dualidade espírito-Deus, segundo me parece).

      Conf: sem dúvida isso é muito mais difícil, mas todos podem (“podem” porq não há uma certeza absoluta de que “todos” compreendam, pois que compreender depende de numerosas circunstâncias que podem ser diferentes para cada um), portanto "podem", pela prática, saber se isso é uma verdade ou uma mentira!

      Ninguém pode afirmar que isso é uma inverdade, se primeiro não tentar comprovar, por métodos que vêm de milênios antes de Cristo, e que perduram até agora, se é ou não verdade!     

      Vitor: Perder a noção de separação em relação às outras pessoas, senti-las como se fossem uma extensão de nós, sem medo, sem apreensão, sem desconfiança, em paz, sentir um amor incondicional por elas, eu aceito que é possível.

      No fundo eu tenho esta dúvida em relação a toda e qualquer pessoa que diz sentir a presença ou a intervenção directa de Deus, em qualquer contexto.

      Conf: tentei dar uma resposta, na msg #14 em: 210715, às 20:16, não quanto a alguém sentir a presença ou a intervenção directa de Deus (pois nem mesmo sei – e, com certeza, muitos não sabem - se Deus realmente existe, a não ser pelo que nos comunicam as religiões deístas e teístas, pois nunca senti Sua presença; e as religiões têm ensinado tantas coisas que se contradizem sobre Deus!!), mas dei uma resposta quanto ao “que tem Deus a ver com isso”, conforme perguntou o amigo Diaz.

      Quanto à questão do dualismo: os antigos sábios buscadores de Deus sempre afirmaram a verdade do “monismo”, como também afirmam hoje os formuladores da física quântica. Resumindo: que “só existe uma mente e que nós somos essa mente”, ou como os sábios antigos e outros até hoje afirmam: “a doença da humanidade é ver dois, onde só existe um”. Para tantos buscadores da verdade, todos “os” espíritos são “O” Espírito, Deus!

     Bem hajam.
......................................         
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 23 de Julho de 2015, 21:57
Re: Meditação – aonde ela pode nos levar

      Ref resp #16 em: 230715, às 13:35, de Diaz

      Diaz: Perguntei o que a meditação tem a ver com Deus e o amigo respondeu:

      Conf: Agora, qto ao que isso tem a ver com Deus, lembre-se que a finalidade de nossa a existência, de todos os ensinamentos da doutrina, das ações de Deus sobre nós, das palavras de Jesus e de tantos espíritos amigos, é o aperfeiçoamento espiritual; e que este só é conseguido qdo não mais formos escravos de nada, nem dos preconceitos, da ignorância, dos pensamentos e, consequentemente, nem de nossa vontade!

      Só assim, qdo conseguirmos adquirir a capacidade de comandar nossa “atenção” e, em consequência, pudermos colocá-la só no presente, ou onde quisermos (coisa que só pode acontecer qdo conquistarmos o comando sobre ela) é que poderemos conhecer o que verdadeiramente somos, o que é o Real, deixando essa ilusão que o mundo ao nosso derredor, e o que somos qdo encarnados, sempre nos trás!

      Diaz: Concordo com isso, mas não respondeu minha pergunta. Permita-me formulá-la de outra maneira: Um agnóstico não seria capaz de adquirir essa capacidade? Se este seria, quem poderia garantir que a experiência de Deus não seria fruto da imaginação ou da crença daquele que acredita em Deus?

      Conf: primeiro, meu amigo, sem dúvida nem todos têm condições de adquirir essa capacidade, pois essa aquisição depende de “n” fatores que não dependem da vontade de ninguém. Segundo: nenhum agnóstico procurará tentar obter essa capacidade enquanto não deixar de ser agnóstico. Terceiro: todas as nossas experiências se resolvem em nossa área psicológica e, por isso, na realidade, não podemos afirmar, com total certeza, se são ou não frutos de nossa imaginação!

      O que ocorre é que, conforme aqueles que dizem (e nós em muitos deles acreditamos) que chegaram ao glorioso objetivo, relatam a felicidade que conquistaram, o despertamento de um amor incondicional para todos, sejam estes humanos ou não humanos, e para com toda a criação; seja ao que nos traz sofrimentos, a perigosos assassinos, aliciadores de crianças inocentes pra as levar à escravidão às drogas ou para matá-las e lucrar com a venda de   órgãos; ou peçonhentos como escorpiões e cobras venenosas; ou ferozes, perigosos e vorazes como felinos e tubarões; sejam egoístas, orgulhosos, perversos ou pervertidos, criminosos os mais cruéis que possam existir, os praticantes de crimes os mais hediondos etc etc. Se a estes não dedicarem amor, esse amor não será incondicional, não será aquele que mestres, Jesus, espíritos amigos etc tentaram nos ensinar.

      Amor incondicional é o daquele que perdoa tudo e ajuda todos, não lhe importando o que fizeram e o que estão fazendo (certamente não o ajuda a fazer o mal), como naquela fábula do mestre que, tendo entrado em águas perigosas para salvar um escorpião que nelas se afogava, foi picado por ele e, sacudindo as mãos de dor, o deixou cair novamente às águas; mas novamente (com espanto dos discípulos que não o compreenderam) entrou no rio para salvá-lo!

      Esse semelhante ao amor incondicional pregado por Jesus, e esse amor somente nasce naquele que está compreendo o que é a vida e o que somos.

      Semelhante, “em alguns pontos”, àquele outro que quando via um inseto, uma lesma, que devido à chuva tinha sido arrastada para lugar que agora estava seco, onde agora morreria por não suportar o calor do sol, com cuidado a pegava e colocava na sombra, na grama molhada.
................
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 23 de Julho de 2015, 23:15
A mente especulativa não alcança Aquilo que é Real‏

"Embaixo e ao longe se avistava o vale, cheio das atividades próprias dos vales em geral. O sol se punha naquele momento atrás das montanhas longínquas, e as sombras eram escuras e longas. Era uma tarde serena e uma brisa soprava do mar. As laranjeiras, alinhadas em renques sucessivos, pareciam quase negras e sobre a longa estrada reta que percorria o vale, viam-se ocasionais lampejos, quando a luz do sol poente se refletia nos carros que passavam. Era uma tarde de paz e encantamento.

A mente parecia abarcar a amplidão do espaço e a distância infinita; ou melhor, a mente parecia expandir-se infinitamente e, acompanhando a mente, mas fora dela, algo existia que continha todas as coisas. A mente lutava, na penumbra do subconsciente, procurando reconhecer e lembrar aquilo que não fazia parte dela própria, detendo a sua habitual atividade; mas não podia apreender o que era estranho à sua própria natureza; e logo todas as coisas, inclusive a mente, estavam engolfadas naquela imensidão. Caiu a noite, e o longínquo latir dos cães não perturbava de maneira nenhuma aquela existência que escapava a toda percepção. Ela não pode ser pensada e “experimentada” pela mente.

Mas que foi, então, que percebeu e se tornou cônscio de uma coisa tão diferente das “projeções” da mente? Quem é que a experimenta? Não foi, por certo, a mente constituída das lembranças, reações e impulsos de cada dia. Existe outra mente, ou há uma parte da mente que permanece adormecida e só pode ser despertada por Aquilo que existe acima e além da mente? Se assim é, existe então, sempre, dentro da mente aquela coisa que transcende todo o pensamento e o tempo. Todavia, não pode ser assim, pois isso é apenas pensamento especulativo e, portanto outra das muitas invenções da mente.

Uma vez que aquela imensidão não nasce do processo do pensamento, que é então que se torna cônscio dela? A mente, como “experimentador”, se torna cônscia dela, ou é aquela imensidão que está cônscia de si mesma, porque não existe mais “experimentador”? Não havia “experimentador”, na hora em que aquilo aconteceu, ao descermos a montanha e, todavia, o percebimento da mente era de todo diferente, tanto em qualidade como em intensidade, daquela coisa imensurável. A mente não estava funcionando; achava-se vigilante e passiva e, embora cônscia da brisa a brincar com as folhas, não havia movimento de espécie alguma, nela própria. Não havia “observador”, medindo ou avaliando a coisa observada. Só aquilo existia e era aquilo que estava cônscio de si mesmo e sua imensurabilidade. Aquilo não tinha começo, nem nome.

A mente está cônscia de não poder captar, pela experiência e pela palavra, aquilo que permanece sempre, atemporal e imensurável."

(Krishnamurti)
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 24 de Julho de 2015, 20:37
Uma imensidão além de qualquer medida

"O que acontece quando você perde alguém por morte? A reação imediata é uma sensação de paralisia, e quando você sai desse estado de choque, há o que chamamos sofrimento. Ora, o que essa palavra sofrimento significa? O companheirismo, as palavras felizes, os passeios, as muitas coisas agradáveis que vocês fizeram e esperavam fazer juntos – tudo isso é levado num segundo, e você é deixado vazio, nu, solitário. É a isso que você faz objeção, é contra isso que a mente se rebela: de repente ser deixado por sua própria conta, completamente só, vazio, sem nenhum apoio. Ora, o que importa é viver com esse vazio, apenas viver com isso sem qualquer reação, sem racionalizar, sem correr para médiuns, para a teoria da reencarnação e todas essas estúpidas tolices; viver com isto com todo o seu ser. E se você entrar nisto passo a passo, descobrirá que existe um fim para o sofrimento, um fim verdadeiro, não apenas um fim verbal, não o fim superficial que chega pela fuga, pela identificação com um conceito ou o compromisso com uma ideia. Então você descobrirá que não existe nada para proteger, porque a mente está completamente vazia e não está mais reagindo no sentido de tentar preencher esse vazio; e quando todo o sofrimento chegar ao fim, você terá iniciado outra viagem; uma viagem que não tem fim nem começo. Existe uma imensidão que está além de toda medida, mas você não pode entrar nesse mundo antes do fim total do sofrimento."

(Krishnamuti)

Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Vitor Santos em 26 de Julho de 2015, 16:21
Olá amigo Inconforjr

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Quanto à questão do dualismo: os antigos sábios buscadores de Deus sempre afirmaram a verdade do “monismo”, como também afirmam hoje os formuladores da física quântica. Resumindo: que “só existe uma mente e que nós somos essa mente”, ou como os sábios antigos e outros até hoje afirmam: “a doença da humanidade é ver dois, onde só existe um”. Para tantos buscadores da verdade, todos “os” espíritos são “O” Espírito, Deus!

O amigo pode especificar quem é que é ou são os cientistas dedicados ao estudo da mecânica quântica, que demonstraram cientificamente que só "existe uma mente e que nós somos essa mente"? E onde estão as publicações peer-rewied, em revistas cientificas de referência, que descrevam as ideias desses cientistas? - Gostava de conhecer os trabalhos científicos desses cientistas sobre esse assunto.

Estou-me a referir a trabalhos científicos e não a experiências pessoais de meditação, especulações de cientistas, reformados ou no activo, que não têm base em evidências cientificas confiáveis, comprovadas. Pois especulações e hipóteses não comprovadas existem por aí, para todos os gostos e feitios, à medida de cada um.

Que existem pessoas que se dizem Yoguis muito experientes na prática da Raja Yoga, por exemplo  (mas não só os Yoguis), e que dizem ter experimentado pessoalmente um estado em que constatam algo parecido com o que amigo alega: que nós somos uma parte de Deus, ou algo similar, isso eu sei. Todavia eles não se referem a uma dedução ou indução racional, nem à ciência, mas à constatação experimental e subjectiva (pessoal).

Os conhecimentos comprovados pela ciência são objectivos e universais. Não dependem de experiências subjectivas. E a mecânica quântica, pelo menos o que eu conheço sob esse nome, é ciência. E resultados científicos, na área da Fisica ou da Quimica-Fisica, que falem da natureza da mente humana, não só nunca vi, nem ouvi falar, como, desculpe a sinceridade, duvido que existam. Mas a minha dúvida pode ser contrariada, com dados concretos que apontem numa direcção diferente daquilo que eu conheço ou imagino. De outra forma, essa minha dúvida permanecerá.

Para além disso, essa conclusão vai contra o que diz a Doutrina Espirita, que diz com clareza que Deus é uma Entidade e que nós somos Entidades distintas Dele. Isso não implica que não existam relações entre nós e Deus, e vice-versa. Por exemplo, relações de amor, leis que Deus concebeu para reger os Espíritos e a Natureza, em geral, que nos abrangem. Assim, cabe no âmbito deste fórum esse debate. Embora todas as conclusões e lógicas que nós deduzimos ou constatámos sejam limitadas, face à lógica da Inteligência Suprema.

As ideias que o amigo apresenta aproximam-se mais do Panteísmo ou do Panentaísmo, não sei bem:

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Citação da Wikipédia:

O panteísta é aquele que acredita e/ou tem a percepção da natureza e do Universo como divindade. Ao contrário dos deístas, ele não advoga a existência nem de um Deus criador do Universo, tão pouco das divindades teístas intervencionistas, mas simplesmente especula que tudo o que existe é manifestação divina, autoconsciente.

De entre as doutrinas ocidentais, o panteísmo é uma das que mais se aproximam das filosofias orientais como o budismo, o jainismo, o taoísmo e o confucionismo. É também a linha filosófica que mais se aproxima da filosofia hermética do antigo Egito, onde o principal objetivo é fazer parte da conspiração Universal (ou conspiração Cósmica).

Contudo, o panteísta não vê a Ciência de maneira diversa de um ateu, não atribuindo a nenhum tipo de divindade fatos como a origem do Universo, da Vida e da espécie Humana. Deus, no panteísmo, é todo o Universo. O seu templo é qualquer lugar e sua lei é a das Ciências Naturais, a lei natural.     
       
Na minha óptica a Doutrina Espirita crê que Deus é Causa primeira de todas as coisas, mas não necessariamente a causa directa da vida material, nem sequer da vida material humana. Ou seja, a vida material pode ser uma consequência da criação do Universo, prevista nas leis da natureza, concebidas por Deus, e não o resultado da acção directa de Deus. A vida iria sempre surgir por força da evolução do Universo.

A Doutrina Espirita também não inclui a crença no  Sobrenatural e nos milagres. Ela inclui a crença de que tudo é natural, mas que nós não conhecemos suficientemente a natureza para explicar cientificamente tudo. Mas, sem dúvida, a DE não inclui o Panteísmo.

Quando o amigo fala em Deus não está decerto a usar a definição Espirita de Deus: Inteligência suprema, Causa primeira de todas as coisas. Eu não creio num Deus à semelhança do homem, incluindo até os defeitos dos homens, nem a Doutrina Espirita, a meu ver, mas também não creio na definição de Deus que o amigo parece defender. 

Em conclusão, respeitando, e sem retirar qualquer valor ao que o amigo pensa, é outra coisa completamente distinta da Doutrina Espirita. E convém que o amigo assuma isso para que as pessoas que chegam a este fórum, denominado "Espirita", não tomem a Doutrina Espirita pelas suas palavras. O amigo até pode estar mais certo do que a DE, ou não, no que concerne à descrição da realidade, não sei, nem tenho a pretensão de definir e assegurar o que é possível ou impossível, neste tipo de assunto.

O que o amigo não pode é dizer é que as suas ideias se tratam de Doutrina Espirita, porque isso não seria verdade. Chamemos os bois pelos seus nomes, como se diz na gíria popular.         

Bem haja
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 27 de Julho de 2015, 04:44
Re: Meditação – aonde ela pode nos levar

      Ref resp #23 em: 26 07 15, às 16:21,  de Vitor

      Conf disse (msg ant): Quanto à questão do dualismo: os antigos sábios buscadores de Deus sempre afirmaram a verdade do “monismo”, como também afirmam hoje os formuladores da física quântica: que “só existe uma mente e que nós somos essa mente”, ou como os sábios antigos e outros até hoje afirmam: “a doença da humanidade é ver dois, onde só existe um”. Para tantos buscadores da verdade, todos “os” espíritos são “O” Espírito, Deus!

      Vitor: O amigo pode especificar quem é que é ou são os cientistas dedicados ao estudo da mecânica quântica, que demonstraram cientificamente que só "existe uma mente e que nós somos essa mente"? E onde estão as publicações peer-rewied, em revistas cientificas de referência, que descrevam as ideias desses cientistas? - Gostava de conhecer os trabalhos científicos desses cientistas sobre esse assunto.

      Conf: amigo, não são apenas “dedicados” a esse estudo; são os “formuladores” dessa mecânica; e desconheço se demonstraram cientificamente que somos uma só mente; sei apenas que afirmaram que só existe uma mente e que somos essa mente. Há muita literatura a respeito que, sinceramente, não tenho mais “fôlego” para procurar.

      Procurando agora encontrei Plank, Einstein, Amit Goswami, Pascal, Heisenberg, Sheldrak, Scrhodinger, Niels Bhor, Thelhard de Chardin, Satprem, Medard Boss, Huxley, Broglie, Bertandre Russel, Sulivan, Whithead, Spencer Brow, Eddington, Bronowisky, Bergson, Joseph Needlan, Margenau, Von Newmann, David Bohn, e há outros mais... Devo ter citado quem não seja cientista místico (como os chamaram) mas, certamente todos cooperaram com sua ciência, psicologia etc para que se aprofundassem as novas revelações da quântica.

      Há também, trabalhos científicos (mas que eu nem ousaria ler); há muita literatura a respeito de haver uma só consciência, escrita por cientistas.  Essas evidências científicas confiáveis vc mesmo terá de encontra-las, se entender essa ciência que muitos cientistas afirmam que, “quem diz que entendeu, é porq não entendeu nada”!

      Vitor: Os conhecimentos comprovados pela ciência são objectivos e universais. Não dependem de experiências subjectivas.

      Conf: amigo Vitor, mas “todas” as nossas experiências são “subjetivas”!

      Vitor: E a mecânica quântica, pelo menos o que eu conheço sob esse nome, é ciência. E resultados científicos, na área da Física ou da Quimica-Fisica, que falem da natureza da mente humana, não só nunca vi, nem ouvi falar, como, desculpe a sinceridade, duvido que existam.

      Conf: talvez vc nunca tenha visto por uma desta razões: ou porq não as procurou onde as encontraria ou, se procurou, não conseguiu encontrá-las. Agora, se nunca ouviu falar delas... de muitos anos para cá, muito se tem falado sobre elas (que já completaram 1 século de existência).

      Vitor: As ideias que o amigo apresenta aproximam-se mais do Panteísmo...

      Conf: é verdade que muitos sábios concordam com isso pois, se existe uma só mente (concepção que vem desde séculos ou milênios antes de Cristo) tudo é Deus.

      Vitor: Contudo, o panteísta não (não vê ou vê?) vê a Ciência de maneira diversa de um ateu, não atribuindo a nenhum tipo de divindade fatos como a origem do Universo, da Vida e da espécie Humana. Deus, no panteísmo, é todo o Universo. O seu templo é qualquer lugar e sua lei é a das Ciências Naturais, a lei natural.     

        Conf: mas conhecemos realmente o que seja Deus? Só o conhecemos pelo que as religiões tentam nos comunicar mas, no que elas comunicam, encontramos gigantescas contradições. Para uns é amor e justiça; para outros é ódio, sanguinário, vingativo, assassino cruel, vaidoso, orgulhoso, e outras coisas semelhantes.

      Enquanto que, para outros ainda, Deus é a vida que vivemos, o movimento universal, tudo o que acontece no universo, na vida de cada um, a causa das desigualdades, dos sofrimentos, a felicidade e a infelicidade, a ignorância e a sabedoria, enfim, essa dualidade (opostos) gigantesca em que o universo está mergulhado.

       Vitor: A DE também não inclui a crença no Sobrenatural e nos milagres. Ela inclui a crença de que tudo é natural, mas que nós não conhecemos suficientemente a natureza para explicar cientificamente tudo. Mas, sem dúvida, a DE não inclui o Panteísmo.

      Conf: pois é, meu jovem, para a física quântica é possível a existência do “milagre” que vem da criatividade que pode surgir naquele que se liberta de todos seus condicionamentos, pela morte do “ego”, único obstáculo entre nós e o que é o Real, logo, o único obstáculo entre nós e Deus!

      Vitor: Quando o amigo fala em Deus não está decerto a usar a definição Espirita de Deus: Inteligência suprema, Causa primeira de todas as coisas.

      Conf: vc já encontrou em meus escritos algo que contrarie essa definição?! Por favor cite o que encontrou para que, analisando melhor, se for o caso, possamos corrigir. Mas, como já disse, quem é que conhece Deus? Muitos simplesmente falam sobre ele, tentando mostrar o que ele é.

      Vitor: O que o amigo não pode é dizer é que as suas ideias se tratam de Doutrina Espirita, porque isso não seria verdade. Chamemos os bois pelos seus nomes, como se diz na gíria popular.         

      Conf: bem, como já disse acima, se coloquei alguma coisa que o amigo considerou absurda quando me referi a Deus, por favor, cite-a aqui para que, analisando melhor, se for o caso, possamos corrigir o que vc supõe que está errado!

      Bem haja, amigo Vitor.

      (Obs: há muito mais coisas, milhares de documentos, que escrevi sobre o que tenho falado! Se tiver paciência de esperar, tentarei enviá-los para vc).

..................
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Vitor Santos em 28 de Julho de 2015, 10:31
OLá amigo Iconforjr

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Conf: amigo, não são apenas “dedicados” a esse estudo; são os “formuladores” dessa mecânica; e desconheço se demonstraram cientificamente que somos uma só mente; sei apenas que afirmaram que só existe uma mente e que somos essa mente. Há muita literatura a respeito que, sinceramente, não tenho mais “fôlego” para procurar.

      Procurando agora encontrei Plank, Einstein, Amit Goswami, Pascal, Heisenberg, Sheldrak, Scrhodinger, Niels Bhor, Thelhard de Chardin, Satprem, Medard Boss, Huxley, Broglie, Bertandre Russel, Sulivan, Whithead, Spencer Brow, Eddington, Bronowisky, Bergson, Joseph Needlan, Margenau, Von Newmann, David Bohn, e há outros mais... Devo ter citado quem não seja cientista místico (como os chamaram) mas, certamente todos cooperaram com sua ciência, psicologia etc para que se aprofundassem as novas revelações da quântica.

      Há também, trabalhos científicos (mas que eu nem ousaria ler); há muita literatura a respeito de haver uma só consciência, escrita por cientistas.  Essas evidências científicas confiáveis vc mesmo terá de encontra-las, se entender essa ciência que muitos cientistas afirmam que, “quem diz que entendeu, é porq não entendeu nada”!

Caro amigo, você está sempre a falar em mecânica quântica, que é uma especialidade dentro da ciência, para justificar as suas ideias, no campo espiritual. Mas, quando lhe perguntamos onde encontra afirmações ou justificações cientificas, ou seja, conhecimento baseado em evidências cientificas confiáveis, comprovadas e publicadas em revistas ou jornais peer-rewied, o amigo não apresenta nada de concreto. Afirmações desgarradas, sem comprovação, venham elas de cientistas ou de quem quer que seja, não são ciência, são opiniões pessoais.

Conclusão:

- O amigo não baseia as suas palavras na ciência, tal como afirma ou insinua. Caso contrário saberia dizer concretamente quais os trabalhos científicos em que se baseia, não acha lógico? E, quando digo científicos, são baseados em evidências suficientemente comprovadas por métodos científicos.Os seus argumentos são fantasias ou divagações da sua cabecinha, ou algo o amigo leu ou ouviu, mas que é fantasia, e nada tem a haver com ciência. E mais, com a lista de nomes que apresenta está a difamar nomes respeitáveis de cientistas, deturpando os trabalhos e conclusões a que eles chegaram, no âmbito da ciência. E a compará-los com palhaços, como Amit Goswami, que anda para aí a dizer disparates em nome da ciência e que também não apresenta os trabalhos científicos em que se baseia. Conversa para camelo!

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Conf: talvez vc nunca tenha visto por uma desta razões: ou porq não as procurou onde as encontraria ou, se procurou, não conseguiu encontrá-las. Agora, se nunca ouviu falar delas... de muitos anos para cá, muito se tem falado sobre elas (que já completaram 1 século de existência).

O amigo pode não ter formação cientifica, ao que parece. Mas eu tenho! Quer ensinar a missa ao padre? - Não há nenhum trabalho cientifico, comprovado e validado por métodos científicos, no âmbito da mecânica quântica, que afirme o que o amigo afirma. E por isso nem eu, nem ninguém os pode encontrar... Não afirme coisas que não sabe e sobre as quais não tem fundamentos. Ou então apresente os fundamentos.

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Vitor: As ideias que o amigo apresenta aproximam-se mais do Panteísmo...

      Conf: é verdade que muitos sábios concordam com isso pois, se existe uma só mente (concepção que vem desde séculos ou milênios antes de Cristo) tudo é Deus.


Isso já é outra conversa. Que há doutrinas de âmbito espiritual que afirmam isso, também eu concordo.
A doutrina Espirita, contudo, não afirma isso. Crenças são crenças. Para as ter não necessitamos de fundamentos.

Não posso, nem quero, dizer que as ideias desses pretensos sábios estão certas nem erradas, que são possíveis ou impossíveis, no sentido de constatar e explicar a realidade de tudo isto o que somos e onde estamos inseridos.

Apenas garanto que não existem trabalhos científicos que comprovem, de acordo com métodos científicos, esse tipo de crenças, porque nós podemos verificar objectivamente o que os trabalhos científicos dizem.

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Conf: mas conhecemos realmente o que seja Deus? Só o conhecemos pelo que as religiões tentam nos comunicar mas, no que elas comunicam, encontramos gigantescas contradições. Para uns é amor e justiça; para outros é ódio, sanguinário, vingativo, assassino cruel, vaidoso, orgulhoso, e outras coisas semelhantes.

Tem razão, há muitas definições diferentes de Deus. E algumas que o definem com características homem comum, que vive acima das nuvens, com barbas brancas, com um martelo de juiz na mão. Para mim são definições disparatadas, mas para outras pessoas não. Respeito as crenças alheias e reconheço aos outros o direito de expressarem as respectivas crenças. Nem sequer posso garantir que estão certos ou errados, que o crêem é possível ou impossível.   

Até encontrar melhor, eu gosto, para mim, da definição de Deus que nos dá a Doutrina Espirita: Inteligência Suprema, Causa primeira de todas as coisas. Em assuntos como este é ridículo e desonesto estar a dizer aos outros como é a realidade, ou é que é possível e impossível. Concordo que é algo que não podemos compreender. Todavia uma definição é apenas uma definição, um conceito, independente da explicação do mesmo e da realidade.   

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Conf: pois é, meu jovem, para a física quântica é possível a existência do “milagre” que vem da criatividade que pode surgir naquele que se liberta de todos seus condicionamentos, pela morte do “ego”, único obstáculo entre nós e o que é o Real, logo, o único obstáculo entre nós e Deus!

Para a mecânica quântica, como disciplina cientifica que é, não existem milagres. Ou seja Sobrenatural. Para a Doutrina Espirita também não. Dizer outra coisa é mentir, consciente ou inconscientemente!

Os milagres existem para os supersticiosos, incluindo alguns religiosos, como os Católicos, por exemplo. E, pelos vistos, também para o amigo. Digo isso, porque você mesmo o afirma.

O amigo sabe-nos dizer como é a realidade, e inclui Deus na realidade, ou seja sabe o que é Deus. Enfim, o amigo sabe tudo! Então, se calhar  tem razão em dizer que é uno com Deus, pois você fala como se fosse o Criador :D

Respeito que o amigo creia que sabe tudo. Está no seu direito. Agora eu eu já não diria isso de mim, porque me pareceria que estava a ser presunçoso, ridículo e, pior que isso, que estava a ser desonesto, pelo menos comigo próprio.

Bem haja
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Diegas em 28 de Julho de 2015, 12:39
Olá !


Sinceramente, quanto mais leio menos entendo essa filosofia libertadora ! Até me provem o contrário não passa de um amontoado de frases desconexas, com a interessante e inesperada apropriação das palavras de Dante Alighieri e a lembrança das parábolas de Jesus - pesquisem por que está na Biblia para quem quiser entender o significado.

Fiz um rápido apanhado:

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'O silencio dissolve todos os objetos...'
 

Aqui tem poesia, ou trata-se realmente da língua dos anjos ?



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'Há (pela meditação) que caminhar pelo caminho mais difícil, pedregoso...'

O amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas deve ser o caminho mais fácil !



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'De repente, me senti cheio de paz, alegria e conhecimento, transcendendo toda a arte e sabedoria da Terra...'

Provavelmente, depois há um esvaziamento a ponto de voltar a meditar


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Atenção! Atenção! Atenção!


Todo desvio de atenção de si mesmo é um sério risco, mas tenha atenção redobrada sobre o avião, o carro e tudo que acontece ao seu redor !


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'Pela meditação cessam a vontade, o pensamento...'

Deve ser esta a explicação de a cada dia aumentar a quantidade de obsidiados - deixem o pensamento e a vontade à mercê de outrem (assunto de outro tópico)



Abç
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 29 de Julho de 2015, 01:16
Re: Meditação – aonde ela pode nos levar

      Ref resp #25 em: 28 07 15, às 10:31 de Vitor

      Vitor disse: você está sempre a falar em mecânica quântica para justificar suas ideias, no campo espiritual.

      Conf: olá, amigo Vitor, mas quem tenta justificar as conclusões da ciência não sou eu; são os cientistas que escreveram sobre elas; eu apenas as tomo “emprestadas” para tentar explicar o que tenho escrito!

      Vitor:... Mas, quando lhe perguntamos onde encontra... conhecimentos baseados em evidências  confiáveis, comprovadas... o amigo não apresenta nada de concreto. Afirmações desgarradas, sem comprovação, venham elas de cientistas ou de quem quer que seja, não são ciência, são opiniões pessoais.

      Conf: vc tem razão, Vitor; estudo essas afirmações “desgarradas” (que conforme famosos cientistas, não são, como vc disse, “sem comprovação”, mas, que segundo eles, são “comprovadas com todo rigor da ciência”!), desde muitas décadas atrás. Talvez, devido a isso, encontrei muita coisa a respeito, que vc ainda não encontrou; e, como não sei explicá-las em suas minúcias (pois só conheço as conclusões, mas não os procedimentos científicos de como chegar a elas) vc mesmo, se estiver interessado, como sempre parece mostrar que está, terá de pesquisar para entendê-las como é necessário entender.
      Para mim bastam as afirmações de cientistas de renome mundial, as conclusões que eles nos comunicaram.

      Vitor: Conclusão: O amigo não baseia as suas palavras na ciência, tal como afirma ou insinua.

      Conf: é verdade, meu amigo, pois, como não sou cientista, não tenho condições de fazer isso; não conheço essa ciência, senão as conclusões a que chegaram os cientistas (vários citei na resp anterior que vc mesmo não acreditou, mas que eu acreditei profundamente,  pois são elas que me lavaram, com entusiasmo e disposição aumentada, a estudar durante todos esses anos).
      Continuando o que dizia acima, neste mesmo parágrafo,... conclusões a que chegaram os cientistas que a formularam e que trouxeram revelações (segundo eles, cientificamente comprovadas), que vieram a dividir a ciência do mundo, a clássica, em “antes e depois” dos primeiros experimentos (como o das “duas fendas” e da “opção retardada”).
      Com isso ruíram os alicerces da física anterior (firmes durante 3 ou 4 séculos) e nasceu a quântica que, conforme renomados cientistas, antropólogos, sociólogos... veio comprovar revelações que na realidade que já eram conhecidas desde séculos ou milênios antes de Cristo.
      Somente agora (de 100 anos para cá), com seus sofisticados laboratórios e ferramentas de pesquisa de última geração, nossos cientistas estão chegando a comprovar a realidade de revelações “espirituais” obtidas há milênios, pelos antigos buscadores das soluções para esses numerosos “mistérios”, apenas com o laboratório de sua própria mente!

      Vitor: Caso contrário saberia dizer concretamente quais os trabalhos científicos em que se baseia, não acha lógico? E, quando digo científicos, são baseados em evidências suficientemente comprovadas por métodos científicos.

      Conf: como já lhe disse, não sou cientista, e, portanto, não tenho conhecimentos para lhe dizer isso. Vc, se tem conhecimentos suficientes para entender a nova ciência, e está sinceramente determinado a conhecer os procedimentos científicos realizados, vc mesmo deverá procurar esses, como vc diz,  “trabalhos científicos baseados em evidencias suficientemente comprovadas por métodos científicos”.
      Antes de realizar essa busca e de chegar a concluir se são ou não  verdades (pois existem ferramentas pra isso), tudo que afirmar a respeito dessas “absurdas e perturbadoras” revelações (como, de início, Einstein e outros disseram) nada mais será do que “suspeita” sua, sem qualquer fundamento! O que disser será apenas preconceito!

      Vitor: Os seus argumentos são fantasias ou divagações suas... fantasias que nada tem a haver com ciência. E mais, com a lista de nomes que apresenta está a difamar nomes respeitáveis de cientistas, deturpando os trabalhos e conclusões a que eles chegaram, no âmbito da ciência. E a compará-los com palhaços, como Amit Goswami, que anda para aí a dizer disparates em nome da ciência e que também não apresenta os trabalhos científicos em que se baseia. Conversa para camelo!

      Conf: Pois é meu amigo, disparates para vc; verdades científicas para os cientistas quânticos que a elas se referiram. Eles mesmos, de início, afirmavam que essas revelações mostravam coisas absurdas, perturbadoras, que não conseguiam entender nem crer nelas, que não podiam acreditar nelas, pois, como disseram Einstein e outros, estavam mostrando uma realidade “absurda” (“a realidade está se mostrando mais estranha do que a ficção!” e Eisntein: “Deus não joga dados!”, lembra-se?). E Einstein e outros dois físicos, não acreditando nelas, realizaram um experimento científico para provar que não eram a realidade; mas, com esse experimento, vieram a dar mais credibilidade a ela.
      Já lhe disse, e vc há de concordar comigo, que não poderá dizer nada disso que está dizendo, se primeiro não fizer o que deve fazer  para constatar se são, ou elucubrações tolas de cientistas mentirosos ou incompetentes, ou se são afirmações sábias e verdadeiras de cientistas sérios e competentes para afirmar o que estão afirmando.

      Conf (resp anterior): talvez vc nunca as tenha visto... porq não as procurou onde as encontraria ou, se procurou, não conseguiu encontrá-las. Agora, se nunca ouviu falar delas... de muitos anos para cá, muito se tem falado sobre elas (que já têm 1 século de existência).

      Vitor: O amigo pode não ter formação cientifica, ao que parece. Mas eu tenho! Quer ensinar a missa ao padre? - Não há nenhum trabalho científico, comprovado e validado por métodos científicos, no âmbito da mecânica quântica, que afirme o que o amigo afirma. E por isso nem eu, nem ninguém os pode encontrar... Não afirme coisas que não sabe e sobre as quais não tem fundamentos. Ou então apresente os fundamentos.

      Conf: agradeço seu conselho. É mesmo, como vou ensinar missa ao padre?! Absurdo, não? Agradeço seu conselho. E concordo com vc: se tem formação científica deverá mesmo considerar tudo isso nada mais que maluquice, como tantos consideraram e, como Einstein e outros, tentaram comprovar através de experimento designado pelas iniciais dos nomes deles! Vc, que tem formação científica, deve saber disso! Mas vc só pode se convencer disso que está afirmando, se são mesmo maluquices, se fizer o que pode e deve fazer para se convencer! O mais será suspeita tola, preconceito, concorda?!

      Vitor: As ideias que o amigo apresenta aproximam-se mais do Panteísmo...

      Conf: é verdade e, certamente, muitos sábios concordam com o que vc está dizendo pois, se existe uma só mente (concepção que vem de desde séculos ou milênios antes de Cristo e agora “comprovada” pelos cientistas quânticos) só existe uma mente e nos  somos essa mente; tudo é Deus, desde o universo e o que mais for, até as fezes e a urina.

      Vitor:... Que há doutrinas de âmbito espiritual que afirmam isso, concordo. A doutrina Espirita... não afirma isso. Crenças são crenças. Para as ter não necessitamos de fundamentos.

      Conf: exato! Mas para saber se são ou não verdades o que esses.................... final na próxima resp ...............
Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: lconforjr em 29 de Julho de 2015, 01:23
      Ref resp #25 em: 28 07 15, às 10:31 de Vitor........ final .......

      Conf: exato! Mas para saber se são ou não verdades o que esses cientistas (chamados por outros de “cientistas místicos”) afirmam, temos de ter fundamentos e temos condições de tê-los!

      Vitor: Não posso, nem quero, dizer que as ideias desses pretensos sábios estão certas nem erradas, que são possíveis ou impossíveis, no sentido de constatar e explicar a realidade de tudo isto o que somos e onde estamos inseridos.

      Conf: sem dúvida que, não só vc, mas que ninguém que for lúcido e honesto, pode dizer se são possíveis ou impossíveis se antes não provar a si mesmo se são ou não são!

      Vitor: Apenas garanto que não existem trabalhos científicos que comprovem, de acordo com métodos científicos, esse tipo de crenças, porque nós podemos verificar objectivamente o que os trabalhos científicos dizem.

      Conf: como já coloquei, me bastam as afirmações daqueles que já citei (também daquele, como vc o designou, “palhaço” , “disparatado” e “desonesto” Goswami, impostor e hipócrita)’!!

      Conf (resp ant): mas conhecemos realmente o que seja Deus? Só o conhecemos pelo que as religiões tentam nos comunicar mas, no que elas comunicam, encontramos gigantescas contradições. Para uns é amor e justiça; para outros é ódio, sanguinário, vingativo, assassino cruel, vaidoso, orgulhoso, e outras coisas semelhantes.

      Conf: pois é, meu jovem, para os “hipócritas” e incompetentes físicos quânticos é possível sim existir o “milagre”, que nasce da criatividade que pode surgir naquele que se liberta de todos seus condicionamentos, pela morte do “ego” (que pode nos mostrar o que é o Real!); do ego, o único obstáculo entre nós e o que é o Real, logo, o único obstáculo entre nós e Deus!

      Vitor: Para a mecânica quântica... não existem milagres. Ou seja Sobrenatural. Para a Doutrina Espirita também não. Dizer outra coisa é mentir, consciente ou inconscientemente!

      Conf: pois é, meu amigo, como vc diz, para a mecânica quântica não existem milagres; porém lhe pergunto: como a ciência poderia comprovar a existência ou não existência de alguma coisa que ela não tem ferramentas para comprovar?  Vc, que conhece a ciência, me informe: como a ciência pode comprovar algo que para ela não existe?! A ciência, como vc sabe, só pode comprovar o que existe para ela, com as ferramentas que já possui; só pode trabalhar com o que realmente existe para ela! Como pode comprovar a não existência de alguma coisa?!!

      Vitor: Os milagres existem para os supersticiosos, E, pelos vistos, também para o amigo. Digo isso, porque você mesmo o afirma.

      Conf: não meu jovem, não sou eu que afirmo isso; isso podemos deduzir das revelações que os cientistas afirmam serem verdades! E vc, meu amigo, tendo formação científica, como poderá afirmar que uma determinada coisa não existe? Existe como confirmar isso?! Vc, cientista, só terá condições de comprovar o que a ciência afirma que existe; nunca que não existe, concorda? Vc sabe que a ciência é limitada a certos aspectos do universo, ao que diz respeito à matéria e ao que é consequência da existência da matéria!

      Vitor: O amigo sabe-nos dizer como é a realidade, e inclui Deus na realidade, ou seja sabe o que é Deus. Enfim, o amigo sabe tudo!

      Conf: é, o que vc diz, isso é muito estranho, pois o amigo está mostrando que me conhece mais do que eu mesmo me conheço, e do que os que convivem comigo me conhecem!
      Mas, veja, Vitor, que me apego ao que, para mim, se mostra ser mais evidente, coerente com aquilo em que acredito, e possuidor de lógica, para mim, incontestável!
      Afinal, isso não é semelhante aos motivos pelos quais vc está tentando compreender a doutrina espírita?

      Vitor: Então, se calhar tem razão em dizer que é uno com Deus, pois você fala como se fosse o Criador.

      Conf: se o amigo houvesse lido com mais atenção o que escrevo, com certeza poderá constatar que eu não digo isso! Como já lhe disse, apenas tomo afirmações emprestadas, pois são aquilo que considero que sejam verdades! E precisamos nos lembrar que todas as percepções que temos, todas as experiências pelas quais passamos, se resolvem na área subjetiva! Mas, essa subjetividade estará sempre dizendo exatamente a verdade?! Vc sabe que não!

      Vitor: Respeito que o amigo creia que sabe tudo. Está no seu direito.

      Conf: não, meu amigo, ninguém crê em alguma coisa porq está no seu direito crer. Somente acreditamos em alguma coisa se nossa compreensão (não o nosso direito) nos levar a compreender, a crer nela!

      Vitor: Agora eu já não diria isso de mim, porque me pareceria que estava a ser presunçoso, ridículo e, pior que isso, que estava a ser desonesto, pelo menos comigo próprio. Mas, para mim, parecer presunçoso ou ridículo de nada me importa se conseguir (como muitas.

      Conf: pois é, veja como somos enormemente desiguais, mesmo a doutrina afirmando que eramos, originalmente, perfeitamente iguais! E é evidente que vc tem o “direito” de lhe parecer que seja assim.  Mas, para mim, parecer presunçoso ou ridículo de nada importa desde que consiga (como tenho conseguido) que alguém mais abra os olhos e chegue a raciocinar como a doutrina manda. Como já lhe disse, desde há muito tempo me impus essa dif´cil missão difícil (difícil devido aos condicionamentos, aos preconceitos, às ilusões que o corpo material produz em nós).

      Amigo Vitor, me perdoe se às vezes pareci meio ríspido ao conversar com vc; minha intenção nunca foi essa. O que acontece é que, devido à pressa, vou escrevendo à medida que as palavras surgem em minha cabeça; às vezes, se tenho tempo, faço uma revisão para corrigir algo que me pareça inconveniente.

      Bem haja
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Título: Re: Meditação – aonde ela pode nos levar
Enviado por: Olé em 29 de Julho de 2015, 22:36
O Despertar da Fé

"Método da Sabedoria. O objetivo desta disciplina é dar ao sujeito o hábito de aplicar a penetração adquirida por meio de disciplinas precedentes. Quando o sujeito se levanta, está em pé, anda, faz algo, detêm-se, deveria constantemente concentrar sua mente no ato e em sua execução, não em sua relação com o ato. O sujeito deveria pensar: isto é andar, isto é deter-se, isto é advertir; e não: ando, faço isto, é bom, é agradável, faço méritos, sou eu quem adverte quão maravilhoso é. Desde aí nascem pensamentos, sentimentos de júbilo ou de fracasso e desdita. Em vez de tudo isto, o sujeito deveria simplesmente praticar a concentração da mente no ato mesmo, entendendo-o como um meio conveniente para alcançar a tranquilidade mental, ensinamento, penetração e sabedoria; e deveria seguir a prática com fé, bom desejo e alegria. Depois de longa prática, as ataduras aos velhos hábitos se afrouxam até romper-se e em seu lugar aparecem confiança, satisfação, ensinamento e tranquilidade.

Na pura Dharmakaya não existe dualismo, nem sombra de diferenciação. Todos os seres sensíveis veriam, se fossem capazes de adverti-lo, que estão já no Nirvana. A pura Essência da mente é o Altíssimo Samadhi, é Projna Paramita, é a Altíssima Sabedoria Perfeita."

(ASHVAGHOSHA)