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CONVÍVIO => Off-topic => Espiritualismo => Tópico iniciado por: Conforti em 25 de Fevereiro de 2013, 22:22

Título: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Conforti em 25 de Fevereiro de 2013, 22:22
     
      COMO SAIR DA RODA DO SAMSARA‏

      Nirvana – mundo, estado ou condição do real; felicidade, sabedoria, bem-aventurança, amor; estado de existência não submetida às ilusões causadas pelas interpretações equivocadas do ego).

      Samsara – mundo, estado ou condição de ilusões e, conseqüentemente, irreal, q mergulha o ser na ignorância e nos sofrimentos; existência submetida às ilusões causadas pelas interpretações equivocadas do ego).

      Obs: M = mestre, P = pergunta do discípulo; os comentários estão entre parênteses, dentro dos textos.
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      M: Embora sendo Pura Sabedoria Imutável por natureza, o Supremo Ser, quando associado à mente, (a um cérebro, ao ego; está em tudo; se manifesta de modos diferentes em face de experiências diferentes pelas quais cada um passa) que muda conforme as qualidades operantes no momento (eventos exteriores q causam reações interiores, como pensamentos e suas associações, emoções...), identifica-se com ela (o ser se identifica com o conteúdo da mente; no estado em q a mente esteja, está o ser...).

      P: Como isso pode ocorrer?

      M: Veja q a água, em si, é fria e insípida. No entanto, por associação, pode ser quente, doce, amarga, azeda, etc. Da mesma forma, o Eu Real, que por natureza é Ser-Consciência-, Beatitude, aparece como ego quando associado ao modo-“eu” (o modo ‘eu’ resulta de o Ser ocupar um cérebro localizado, fato q resulta na maior ‘enganação’ de Maya, a ilusão de se estar separado do universo, do Ser único e universal, e de ser independente de tudo o mais, pois percebe-se o mundo, a vida, pelos canais  de comunicação com o exterior, com o mundo, dos quais os mais operantes, visão e audição, dão-nos a ilusão  de q o mundo está ao derredor de nós (está, sim, ao redor do corpo físico, mas não ao redor do espírito, Ser infinito...).

      Assim como a água fria associada ao calor fica quente, também o Bem-aventurado Ser, unido ao modo-“eu”, torna-se o ego carregado de sofrimentos, (devido ao fato de existir num mundo ilusório e irreal...). Assim como a água, originalmente insípida, fica doce, amarga ou azeda conforme as suas associações, também o Ser de Pura Sabedoria parece imparcial, pacífico e bondoso, ou impetuoso, raivoso e ambicioso, ou ainda torpe e indolente, segundo a qualidade do modo-“isto” do momento. (os muitos ‘eus’ da ‘Gnose’; o ‘eu’ do momento, resultante das circunstâncias do momento).

      O Supremo Ser, associado ao prana, (pensamento, palavra, verbo, mente... Verbo: sem ele nada foi criado...) etc., aparece respectivamente como prana, mente, intelecto, terra e outros elementos, desejo, raiva (amor, ódio, alegria, tristeza, felicidade e infelicidade...) desapaixonamento, etc.   

      Conseqüentemente, associado à mente, o Ser parece ter-se transformado na alma individual (para as crenças, essa alma individual é verdadeira; mas não passa da ilusão de se sentir um ‘eu’ separado), afundado no sofrimento do infindável Samsara, e sendo enganado por inúmeras ilusões, como eu, tu, isto, meu, teu, etc (das quais vem felicidade e infelicidade, dor e prazer, desejos, decisões, escolhas, sempre sob a influência dos atrativos do mundo).

      P: Agora que o Samsara chegou ao Ser, como se pode afastá-lo?

      M: Com a total quietude mental, o Samsara desaparecerá; causa e efeito. Do contrário, não haverá fim para o Samsara, mesmo em milhões de éons. (Do maior (?) profeta do Ant Test: ‘Aquieta-te e sabe: eu sou Deus’; de Blavatysk, fundadora da Teosofia – ‘Conhecimento Divino’: ‘a mente é a assassina de Deus; mate (cale) a assassina’; de Taniguchi, fundador da Seicho-no-ie – ‘Casa do progredir infinito’: ‘qdo o ego se afasta, Deus se manifesta’; de outros sábios: ‘ou o eu, ou Deus’).

      P: Não será possível livrar-se do Samsara por algum outro meio além da aquietação da mente?

      M: Absolutamente não; nem os Vedas, nem os ensinamentos, nem as práticas austeras (como amor, caridade, humildade, sacrifício pelos demais, autoflagelação...), nem o karma, nem votos (de caridade, renuncia a isto e àquilo...) nem dons, nem o recitar escrituras, nem fórmulas místicas (mantras), nem cultos, nem qualquer outra coisa pode desfazer o Samsara. Somente a aquietação da mente pode atingir este fim; nada mais.

      (o ego tem de cessar para o Samsara cessar; o ego não opera no momento presente; o ego está nos pensamentos, sempre operando no passado – lembranças, remorsos, q evocam pensamentos e emoções as mais diferentes, boas ou más; ou operando em relação ao futuro - expectativas ou esperanças, imaginações, planejamentos...).

      P: Mas as escrituras declaram que só a Sabedoria pode conseguir isso. Então, como o senhor diz que a tranqüilidade mental põe fim ao Samsara?

      M: O que é descrito nas escrituras de diversas formas como Sabedoria, Libertação, etc., nada mais é do que o silenciar da mente.

      (assim, também, o buscar o reino; o silenciar a mente resulta da sabedoria incipiente q percebe o q deve ser feito...; libertação, porq isso é o q traz o conhecer a verdade q liberta...). 

      P: Alguma outra pessoa já disse isto antes?

      M: Sri Vasishta (muitas: Krishnamurti, Nisargadata, Ramana, Ramacharaca, Osho..., o Zen, Sufismo, Taoismo)
............................................ Continua para terminar......................
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Conforti em 25 de Fevereiro de 2013, 22:34
      Como sair da roda do Samsara      ........ Continuação e fim.......

      M: Sri Vasishta (muitas: Krishnamurti, Nisargadata, Ramana, Ramacharaca, Osho..., o Zen, Sufismo, Taoismo) disse: Quando, pela prática, a mente fica imóvel, todas as ilusões do Samsara desaparecem, causa e efeito. Assim como quando o oceano de leite encrespado (cru) foi batido para obter o néctar (creme, manteiga) e tornou-se calmo e límpido depois que o batedor foi retirado (o ego foi afastado), também ocorre que, ao silenciar a mente, o Samsara cai em descanso eterno. (o Samsara morre porq o ego morre, ou se afasta, se cala, se aquieta).

      P: Como levar a mente ao silêncio?

      M: Pelo desapaixonamento (desencanto vindo da observação do mundo, q nos mostra q seus atrativos deixam de ser o q eram; mostram-se como sendo apenas ilusões, coisas passageiras às quais nos apegamos e q, como cessam qdo menos esperamos, fazem-nos sofrer; ver textos, na continuação, sobre o desencanto); pelo abandono (desapego conseqüente, pois os atrativos do mundo deixam de ser o q eram) de tudo que nos é caro, pode-se, por esforço próprio, realizar facilmente essa tarefa. Sem essa paz mental, a Libertação é impossível (essa paz vem qdo não mais praticarmos aquilo a q foi dado o nome de pecados capitais, veniais e outros, inclusive aquilo q, nos Dez Mandamentos, é proibido ao homem). Apenas quando todo o mundo objetivo é extinto pela mente desiludida, em conseqüência do conhecimento (pela observação da vida q, se feita com profundidade, nos mostra q nada, nem ciências, medicinas, psicologias, filosofias, religiões, enfim, o mundo não traz solução para os males e sofrimentos de todos, humanos e não humanos) que discerne que tudo que não é Brahman é objetivo e irreal (e faz sofrer...), é que resultará a Suprema Beatitude. Do contrário, se não há paz mental, por mais que um homem ignorante se esforce e se arraste pelo abismo profundo dos textos espirituais, não conseguirá obter a Libertação (sem paz mental, a caminhada dificilmente será bem sucedida.)

       Só pode ser considerada morta a mente que, pela prática do yoga (raja-yoga, o yoga real, o yoga da meditação), perdeu todas as suas tendências e tornou-se pura e imóvel como uma lâmpada bem protegida do vento por uma redoma. Essa morte da mente é a realização mais elevada (q o homem pode alcançar; é o ‘morrer antes de morrer’, morrer para o passado, num total esquecimento de todas as coisas, de todos os conhecimentos, para q a mente, se esvaziando, se calando o ego, abre espaço, condição, para q Deus, a sabedoria, a verdade, nela possa entrar; Krishnamurti: entrar, em vida, na ‘mansão da morte’).

      A conclusão final de todos os Vedas é que a Libertação nada mais é do que a mente silenciada (q trará a percepção de q somos o q sempre fomos mas q o ego, com seu ruído, impedia de perceber... ).

       Para a Libertação apenas uma mente silenciosa tem valor (não tornada silenciosa à força, mas pela atenção total; como ensinaram os mestres, Teresa de Ávila e outros: ‘Atenção! Atenção! Atenção! ’. Ver, na continuação os modos de tornar a mente silenciosa, ensinados por Teresa de Ávila e por São Simeão); riqueza, parentes, amigos, karma resultante de movimentos dos membros (escolhas), peregrinação a lugares santos, banhar-se em águas sagradas, vida em regiões celestiais, práticas austeras, por mais severas que sejam, ou qualquer outra coisa – nada disso serve.

      (assim, Walt Witman afirmou que ninguém conhece a verdade pelo fato de freqüentar templos e cultos, ouvir sermões que emocionam, pedir aos céus, ou por orar; nem por promessas ou por praticar as virtudes pregadas pelas diferentes igrejas e crenças, ou por sacrifícios. Como os místicos e os iluminados, ele afirma que, somente na solidão, no silêncio do “eu”, na perseverança da busca, é que nós podemos encontrar aquilo que é sagrado. E, depois disso, vamos perceber que sermões, escrituras, sacrifícios, rituais, cultos, orações, promessas, isto é, exterioridades, não têm qualquer valor; desaparecem como fumaça.

      E afirmou, também, que: “Enquanto estamos na escuridão, não compreendemos as escrituras; quando chegamos à luz, elas não são mais necessárias”).

      Da mesma forma, muitos livros sagrados ensinam que a Libertação consiste em abandonar a mente. Em várias passagens do Yoga Vasishta a mesma idéia se repete, de que a Bem-aventurança da Libertação só pode ser alcançada pela extinção da mente, que é a causa principal do Samsara e, portanto, de todo sofrimento.

      Assim, matar a mente pelo conhecimento dos ensinamentos sagrados (q ensinam “como” isso deve ser feito!), pelo raciocínio e pela experiência pessoal é desfazer o Samsara. De que outra maneira pode ser parada a miserável roda de nascimentos e mortes? E como pode a liberdade resultar disso? Nunca! A não ser que o sonhador desperte o sonho não termina, como não acaba o pavor de estar diante de um tigre, no sonho. Igualmente, se a mente não estiver desiludida, a agonia do Samsara não cessará. A única coisa é que a mente precisa ser silenciada. Esta é toda a realização da vida.
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Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Olé em 13 de Setembro de 2014, 16:49
A Confiança na Mente

"O caminho perfeito não possui dificuldades
Mas não faz distinções ou preferências;
Apenas quando não houver apego nem aversão
É que tudo surgirá de modo claro e aberto.
Porém, com a menor diferenciação,
As coisas se afastam mais do que o céu e a terra;
Se quiser o caminho bem aqui, diante de seus olhos,
Não concorde ou discorde dele.
A competição entre a aceitação e a rejeição
É uma doença para a mente;
Sem compreender o significado profundo,
Esforça-se em vão para aliviar os pensamentos.
O caminho é circular, é um vazio imenso
Em que nada falta e nada sobra;
É só por causa do escolher e do rejeitar
Que o caminho deixa de ser assim.
Não procure condicionamentos externos
Nem permaneça no vazio interno;
Quando a mente repousa na unidade,
O dualismo desaparece por si mesmo.
Se acalmar a mente detendo seu movimento,
Essa quietude fará movê-la ainda mais;
Enquanto estiver nesse dualismo,
Como poderá conhecer a unidade?
Onde a unidade não é total,
Os dois extremos perdem seu mérito;
Negar a realidade é o mesmo que afirmá-la,
Perseguir o vazio é afastar-se ainda mais dele.
As conversas e as preocupações
O farão se perder ainda mais;
Abandonando as conversas e as preocupações,
Não haverá por onde atravessar.
Voltando à raiz, o significado é obtido;
Seguindo luzes externas, sua origem é perdida;
Acendendo a própria luz interior,
Pode-se dominar o vazio do mundo que está diante de seus olhos.
Os desvios e as curvas do vazio
Surgem das visões iludidas;
Não há necessidade de buscar da verdade,
Apenas cesse essas visões.
Não fique no dualismo,
Cuidado, nunca vá até ele;
Enquanto houver o certo e o errado,
A mente estará perdida na confusão.
Os dois surgem por causa do um,
Mas também não se agarre ao um;
Quando a mente não é perturbada,
As dez mil coisas ficam sem ofensa.
Não há ofensa, não há dez mil coisas,
Nada de perturbação, nada de mente para trabalhar;
O sujeito só desaparece quando o objeto desaparece;
O objeto só desaparece quando o sujeito desaparece.
O objeto só é objeto por causa do sujeito,
O sujeito só é sujeito por causa do objeto;
Se quiser conhecer a relatividade dos dois,
Perceba que ambos estão no vazio.
"Um" vazio é como o "dois"
E cada vazio contém todas as dez mil coisas;
Quando não há diferenciação entre isso e aquilo,
Como poderia preferir uma a outra?
O grande caminho é largo e generoso;
Para ele, nada é fácil e nada é difícil;
As visões curtas são indecisas,
As visões rápidas são as mais demoradas.
Ter apego é jamais se libertar dos limites estreitos,
É seguir por um caminho errado;
Deixe isso para lá, deixe que as coisas sigam o próprio caminho,
Pois nada há de ir, nada há de ficar.
Siga a sua própria natureza e estará de acordo com o caminho,
Calmo, à vontade, livre dos apegos;
Quando os pensamentos estiverem restritos, estará contra a verdade
E eles se tornarão pesados, fracos e insatisfeitos.
Quando os pensamentos estão insatisfeitos, a mente é perturbada;
Por que cobiçar uma coisa e desprezar outra?
Se quiser entender o veículo único,
Não despreze os seis sentidos.
Você e a iluminação serão um só;
O sábio não age de nenhum modo especial,
Enquanto o ignorante amarra a si mesmo.
No Dharma não há este nem aquele, mas o ignorante ainda se apega.
Usar a mente para despertar a mente existe contradição maior do que esta?
A ignorância origina as idéias de repouso e agitação;
Na iluminação, não existe o bom nem o mau;
Todos as formas de dualismo surgem de uma percepção falsa.
São como sonhos, fantasmas, flores no ar;
Por que se incomodar tentando alcançá-los?
Ganho e perda, certo e errado
Livre-se deles de uma vez por todas!
Quando os olhos não se fecham no sono,
Os sonhos desaparecem por si mesmos;
Quando a mente não faz distinções,
As dez mil coisas são vistas como são, como se fossem uma coisa só.
Uma coisa só, de natureza misteriosa, densa, sem complicações,
Em que todas as dez mil coisas são vistas como uma unidade;
Todos voltam à origem e permanecem onde sempre estiveram,
Esquecendo o seu porquê, sendo impossível preferir um a outro.
Pare o movimento e o movimento desaparece;
Movendo-se a quietude, a quietude desaparece.
Mas quando não há essa dualidade,
Até mesmo a unidade deixa de existir.
O mundo absoluto, de onde não se pode passar,
Não é limitado por regras e medidas;
Na mente harmoniosa, existe a unidade
Em que todas as ações desaparecem.
Eliminados todos os temores e dúvidas,
A confiança verdadeira é fortalecida;
Absolutamente, não resta mais qualquer coisa,
Nada para se pensar, nada para se lembrar.
Na claridade vazia, sua luz brilha por si mesma,
Sem gastar as energias do corpo ou da mente,
No mundo que está além do pensamento,
Que não pode ser compreendido pela imaginação.
No mundo do Dharma das coisas como elas são,
Não há eu, nem outro;
Se entrar nessa percepção direta,
Só se pode dizer, "não-dualidade".
Na não-dualidade, tudo é unidade
E tudo está dentro dela;
Todos os sábios das dez direções
Querem chegar a essa origem.
Nessa origem, não há tempo nem espaço,
Um instante é dez mil anos,
Não existe "aqui" nem "não-aqui",
As dez direções estão bem diante de seus olhos.
O pequeno é igual ao grande
Pois todas as condições exteriores desaparecem;
O grande é igual ao pequeno
Pois não se pode ver limites internos.
Ser é não ser,
Não ser é ser;
Qualquer opinião diferente desta
Não deve ser mantida.
O um é o todo,
O todo é o um;
Se conseguir compreender isso,
Que preocupações não vão desaparecer?
Quando a confiança e a mente não são duas
Quando não são duas, confiança e mente
Todos os mundos se desintegram,
Sem passado, sem futuro, sem presente.
O caminho supremo não é difícil
Se você apenas não separar e escolher.
Nem amor nem ódio
E você entenderá claramente.
Esteja separado por um cabelo
E você estará tão separado quando o céu da terra.
Se quiser que ele apareça,
Não esteja a favor nem contra.
A favor e contra opõem-se um ao outro
Esta é a doença da mente.
Sem reconhecer o princípio misterioso,
É inútil praticar a quietude.
O caminho é perfeito como o grande espaço,
Sem falta, sem excesso.
Por causa do apego e da rejeição,
Você não pode atingi-lo.
Não siga a existência condicionada;
Não permaneça na aceitação da vacuidade.
Na unidade e igualdade,
A confusão desaparece de si mesma.
Pare a atividade, retorne à calma,
E essa calma será ainda mais ativa.
Apenas estagnando na dualidade,
Como você poderia reconhecer a unidade?
Se falhar em penetrar a unidade,
Ambos os lugares perderão a sua função.
Expulse a existência e você cairá na inexistência;
Siga a vacuidade e você dará as costa para ela.
A fala e o pensamento excessivos
Desviam-no da harmonia com o caminho."

Continua...
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Olé em 13 de Setembro de 2014, 16:50
Continuação e fim

A Confiança na Mente

"Corte a fala e o pensamento
E não haverá lugar que você não possa penetrar.
Retorne à raiz e atinja o princípio;
Siga iluminação e você a perderá.
Um momento de reversão da luz
É maior que a vacuidade anterior.
A vacuidade anterior é transformada;
Foi tudo um produto de visões deludidas.
Não há necessidade de procurar o real;
Apenas extinga as suas visões.
Não permaneça nas visões dualistas;
Tome cuidado para não correr atrás elas.
Assim que houver certo e errado,
A mente torna-se dispersa e perdida.
O dois vem do um,
Mas não mantenha nem mesmo o um.
Quando a mente não surge,
Os fenômenos miríades são sem defeito.
Sem defeito, sem fenômenos,
Sem surgimento, sem mente.
O sujeito é extinto com o objeto.
O objeto afunda com o sujeito.
O objeto é objeto por causa do sujeito;
O sujeito é sujeito por causa o objeto.
Saiba que os dois
São originalmente uma vacuidade.
Em uma vacuidade, os dois são o mesmo,
Contendo todos os fenômenos.
Não vendo sutil ou grosseiro,
Como poderia haver qualquer distorção?
O grande caminho é amplo,
Nem fácil nem difícil.
Com visões estreitas e dúvidas,
A pressa irá retardá-lo.
Apegue-se a ele e você perderá a medida;
A mente entrará em um caminho desviado.
Deixe-o ir e seja espontâneo,
Não experiencie ida ou permanência.
De acordo com a sua natureza, una-se com o caminho,
Vague à vontade, sem irritação.
Atado pelos pensamentos, você se separa do real;
E afundar em estupor é ruim.
Não é bom cansar o espírito.
Por que alternar entre aversão e afeição?
Se deseja entrar no grande veículo,
Não seja repelido pelo reino dos sentidos.
Sem aversão ao reino dos sentidos,
Você se torna um com a verdadeira iluminação.
O sábio não tem motivos;
Os tolos colocam-se em servidão.
Um fenômeno não é diferente de outro.
A mente deludida apega-se ao que quer que deseje.
Usando a mente para cultivar a mente
Isto não é um grande erro?
A mente errante produz tranqüilidade e confusão;
Na iluminação, há gostos ou desgostos.
A dualidade de todas as coisas
Vem das discriminações falsas.
Um sonho, uma ilusão, uma flor no céu
Como poderiam ser dignos de apego?
Ganho e perda, certo e errado
Descarte-os todos de uma vez.
Se os olhos não se fecharem no sono,
Todos os sonhos cessarão por si mesmos.
Se a mente não discrimina,
Todos os fenômenos são de uma talidade.
A essência de uma talidade é profunda;
Imóvel, as coisas condicionadas são esquecidas.
Contemple todos os fenômenos como iguais
E você retornará às coisas como elas são.
Quando o sujeito desaparece,
Não pode haver medida ou comparação.
Pare a atividade e não há atividade;
Quando a atividade pára, não há descanso.
Já que dois não podem ser estabelecidos,
Como poderia haver um?
No próprio absoluto,
As regras e padrões não existem.
Desenvolva uma mente de equanimidade
E todos os atos são colocados em descanso.
As dúvidas ansiosas são completamente esclarecidas.
Faz-se a fé correta é feita ficar direita.
Nada fica para trás,
Nada pode ser lembrado.
Brilhante e vazia, funcionando naturalmente,
A mente não se esforça.
Não é um lugar de pensamento,
Difícil para a razão e emoção sondarem.
No reino dos fenômenos da verdadeira talidade,
Não há outra, não há si.
Estar de acordo com isto é vitalmente importante;
Refere-se apenas a "não-dois".
No "não-dois", todas as coisas estão em unidade;
Nada está incluído.
Os sábios através das dez direções,
Todos entram nestes princípios.
Este princípio não é apressado nem lento
Um pensamento por dez mil anos.
Permanecem em lugar algum, porém em todos os lugares,
As dez direções estão bem diante de você.
O menor é ao mesmo tempo o maior
No reino onde a delusão é cortada.
O maior é ao mesmo tempo o menor;
Nenhum limite é visível.
A existência é precisamente a vacuidade;
A vacuidade é precisamente a existência.
Se for assim, então você não deve preservar isto.
Um é tudo; tudo é um.
Se você puder ser assim,
Por que se preocupar com não terminar?
Fé e mente não são duas;
Não-dualidade é fé na mente.
O caminho das palavras é cortado;
Não há passado, não há presente, não há futuro."

Sent-ts'an (jap. Sôsan), 1689-1789
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: lconforjr em 13 de Setembro de 2014, 19:31
Re: como sair da roda do Samsara

      Sair da roda do Samsara (= mundo de ilusões e sofrimentos) significa estar no Nirvana (= mundo real, de felicidade).

      Para isso, falemos sobre a MEDITAÇÃO:

      Sua finalidade é levar à extinção do ego (eu inferior, mente inferior, mente condicionada). Com isso se consegue conquistar o domínio sobre os pensamentos, os desejos, a vontade e, conseqüentemente, sobre as escolhas. Extinto o ego, ou cessadas as suas operações, cessa o único obstáculo entre nós e Deus.  ‏
...........................
 
      Um amigo escreveu: “Há algum tempo, venho tentando praticar a meditação. Apesar da correria do dia-a-dia e do pouco tempo de que disponho, pude perceber algumas coisas.

      "Não sei se estou de todo correto porém, com esses exercícios, senti que a nossa mente tem vida própria e o tempo todo tentei dominá-la, comandá-la ou “expulsá-la” de mim. Insistente, ela vai e volta, trazendo lembranças, pensamentos muitas vezes sem sentido, desnecessários e mesmo indesejáveis, independentemente de nossa vontade...

      "Pude constatar que não somos a nossa mente e, conseqüentemente, não somos o que pensamos ser...

      "Como posso ir mais além? Como posso me conectar com o sagrado? Me vejo, muitas vezes, sem caminho a seguir.

      "Um abraço"
.................................
      Resp: É assim mesmo pois, desde q abrimos os olhos para a vida, somos condicionados pelas tradições, culturas, costumes, religiões, sociedade, suposições... a crer q somos nós mesmos q pensamos, que decidimos, que escolhemos, que fazemos de nós o que somos, que somos os construtores de nosso futuro, de nossa felicidade ou infelicidade.

      No entanto, como vc percebeu, nenhum comando, ou controle, temos sobre os pensamentos. Eles não se originam de nós mesmos, de nossas ações, mas de percepções de ações, de eventos que ocorrem fora de nós (fora ou além de nós espíritos; não fora de nós corpo material), que captamos com nossos canais de relacionamento com o mundo.

      Eles apenas vêm, permanecem pouco ou muito tempo, e se vão, nos fazendo bem ou mal, e também nos levando a fazer o bem ou o mal, independentemente de nossa vontade, e mesmo contra ela. Como disse Paulo, o porta-voz do cristianismo: “É o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer!”, e mais: “... como se tivésseis algum pensamento como de vós mesmos, pois todos os pensamentos vêm de Deus!”

      ('Deus', o Todo eterno e infinito, a causa primária de todas as coisas, esse fluir incessante que é a vida, essa força, ou energia, que cria e movimenta desde os mais insignificantes "quantas" de energia e partículas, aos mais imensuráveis universos e que, como uma correnteza irresistível, nos leva daqui para lá, e de lá para mais além, nos colocando em jardins floridos e perfumados, ou em fétidos lodaçais).     

      Por isso, como agimos sempre de acordo com os pensamentos, pois acreditamos que são verdadeiramente nossos, fazemos tantas coisas absurdas, e sofremos e fazemos outros sofrerem, muitas vezes qdo queremos fazer exatamente o contrário. E, tb, exatamente devido ao fato de estarem fora de nosso controle ou comando, é que somos levados daqui para lá e de lá para mais além, e q somos o q somos neste exato instante.

      Se tivéssemos comando sobre eles, eventualmente, chegaríamos a ‘eliminar’ o ego e estaríamos naquela condição a que damos o nome de "iluminação"; saberíamos quem e o que somos; a ignorância e seus consequentes medos, sofrimentos etc cessariam. Como disse o Buda: "essa percepção de o que somos realmente, a iluminação, é o fim de todos os sofrimentos", como disse Jesus: "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"; como disseram outros, "é a bem aventurança, a felicidade sem mácula".

      E como os pensamentos não são verdadeiramente nossos, também não são nossos os desejos, as vontades que eles despertam e, conseqüentemente, nem as escolhas deles decorrentes. Dentro dessa visão, nem mesmo somos responsáveis por nossas obras, como disse o sábio e místico Paulo: "é o Sr que opera em nós o querer e o fazer!".

      Assim, talvez para q não pensemos ou estranhemos q sofremos por obras que “fazemos”, mas q verdadeiramente não fazemos, Paulo, também afirmou: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus!”. Jesus, também, falou coisas nesse mesmo sentido, mostrando que as escolhas não são nossas, nem mesmo para seguir seus ensinamentos: "Ninguém vem a mim, se o Pai que me enviou não o mandar a mim!"

      A prática da meditação tem somente esse objetivo: assumir o comando sobre os pensamentos, sobre a mente, o que implica em ‘eliminar’ o ego. Se conseguirmos isso, o ego, único obstáculo entre nós e Deus, se vai, e podemos perceber e dizer, como Jesus e  outros: "Eu e o Pai somos um!".

      Por isso, disse o maior (?) profeta do Antigo Testamento: "Aquieta-te e sabe: eu sou Deus!"; isto é, se vc conseguir controlar sua mente, fazendo-a cessar de operar, aquietar-se, vc perceberá q não é mais você que está aí onde vc está, mas Deus. Como os mestres afirmam: “Ou o eu; ou Deus!”.

      Esse é o único trabalho q precisamos fazer: dominar a mente, aquietar a mente, resultado que somente se alcança com a meditação. (Obs: meditar não é uma palavra apropriada pois meditar, no sentido em que os espiritualistas usam essa palavra, é estar "absolutamente atento"). E isso é realmente trabalhoso e difícil devido a estarmos num corpo material, devido a nossos condicionamentos e a nossa cultura ocidental, que impõem enormes dificuldades para esse trabalho.

      Assim, no Bagavad Gita, a “Sublime Canção da Imortalidade”, do Mahabarata, épico clássico do hinduísmo, considerado um verdadeiro manual de psicologia-evolutiva do ser humano, escrito há mais de cinco mil anos (3 mil anos antes de Cristo), está:

      “Arjuna, o ‘representante’ dos homens, desolado se lamenta: “Como dominar a mente? Ela é como um cavalo selvagem, indomável!”, ao q Krishna, o ‘representante’ de Deus, afirma: “Sim, é difícil, mas não é impossível!””.

      Os pensamentos são a mente; a mente são os pensamentos. No mesmo sentido do que disse o profeta do Antigo Testamento, como citado mais acima, H.P. Blavatysk, uma das figuras mais notáveis do século XIX, fundadora da Teosofia (literalmente, “Sabedoria Divina”), e que surgiu em um momento histórico em que a religião estava sendo rapidamente desacreditada pelo avanço da Ciência e da Tecnologia, disse:

      “A mente é a assassina de Deus; mate a assassina!”

      E, Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-no-ie (“A casa, ou o lugar, ou o caminho do progredir infinito”), disse:

      “Quando o ego se afasta, Deus se manifesta!”.
..................................................... Continua .......................................
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: lconforjr em 13 de Setembro de 2014, 19:53
Re; Como sair da roda  do Samsara............................ Continuação e fim ..................

      “Quando o ego se afasta, Deus se manifesta!”.

      Nas práticas da Raja-Yoga (yoga real, a yoga da meditação, da ligação com Deus), usa-se a repetição do mantra “Om... na... mo” q, para uns, tem o significado de “Om (Deus)... na (não)... mo (eu)”; do mesmo modo, para uns, “Seicho-no-ie” tem o mesmo significado: “Deus-não eu”.
 
      Isso mostra q a percepção a q devemos chegar é q “não sou eu q estou aqui; é Deus”. Para mestres e sábios, “a doença da humanidade é ver dois onde só existe um”; e para a ciência moderna, e outros, todos somos Deus, todos somos um só: “a mente é a única coisa q não tem plural” e, ainda, “só existe uma mente, e nós somos essa mente!”
“Os” espíritos são “O” Espírito.
     
       Muitos outros afirmaram a mesma coisa e, por isso, tantos foram, devido à ignorância de poderosos, como mostra a história antiga e a da Idade Média, penalizados com a morte pela crucificação, pelo fogo, esfolados ou sepultados vivos; outros, obrigados a se calarem para sempre, outros...

      Assim, aconteceu com Jesus, e outros, naqueles tempos mais longínquos. Mais perto de nós, Giordano Brunno, monge (queimado vivo), Meister Eckart, monge (que só não foi executado pelo fogo, porq morreu durante o processo), Teilhard de Chardin, sacerdote (obrigado ao silêncio até o dia de sua morte) e, bem mais recente, Leonardo Boff, monge, que teve de se afastar, ou foi excomungado da Igreja de Roma.
 
      Tereza de Ávila, hoje santa e doutora teologal da igreja de Roma, que por pouco não foi também condenada à execução pelo fogo, por dizer coisas como esta: "Atenção! Atenção! Atenção!", e “... é insensatez tentar ir aos céus para encontrar Deus, pois Ele está desde sempre dentro de cada um de nós”; e João da Cruz, hoje santo dos católicos, que passou grande parte de sua vida de sacerdote da Igreja, preso nos cárceres dos conventos, por dizer coisas semelhantes.
     
      Amigos, a "tentativa" de meditar nada mais é do que uma tentativa de permanecer exatamente no “aqui – agora”. Observem que o ego não “funciona”, não opera, não existe, no presente/presente, no exato instante (no agora); e que nós só podemos operar com nossos sentidos, ou com memórias do passado e expectativas qto ao futuro, exatamente no presente/presente (no agora).

      O pensamento (ação do ego) nunca está focado no presente mas, ou no futuro imediato ou distante, ou no passado imediato ou distante (por isso, podemos dizer que o ego é resultado da desatenção, da distração). E é essa desatenção que nos leva a todas as alegrias e acertos e/ou a todas as tristezas e desacertos, portanto aos sofrimentos que vemos no mundo.

      Tanto que, no primitivo cristianismo, a maior virtude era a “atenção” e o maior pecado, a “desatenção” (os chamados "pecados mortais" se baseiam nisso). Nós, ninguém, vê, ouve, cheira, saboreia, toca, sente ou pensa ou se recorda do passado, ou planeja ou imagina o amanhã, senão no presente (no agora), nunca no passado ou no futuro; nossos sentidos só agem no agora e no aqui.

      Assim, quando há “total atenção” na ação de cada sentido, ou pensamento ou o que quer que seja, o ego não está presente, cessa de operar, pois suas operações só existem qdo estamos “desatentos” pensando, imaginando, devaneando (espírito perfeito + ego = espirito obscurecido = homem; homem, ou espirito obscurecido – ego = espírito perfeito). E a total e absoluta atenção "mata" o ego, pois impede o nascimento de pensamentos, já que pensamentos etc, como está acima, só surgem qdo estamos desatentos.

      Krishnamurti (em mais de 80 livros),  Yogananda (Sociedade da Auto-Realização), Nisagardatta ("I am that", "Eu sou Aquilo"), Benoit ("A Doutrina Suprema") e muitos outros, mais antigos ou mais modernos, como Ken Wilber ("O Espectro da Consciência"), Amit Goswami ("O Universo Autoconsciente, como a consciência cria o mundo material"), enfatizam sobremaneira a "atenção": quando a atenção ao presente é total não nascem pensamentos.

      Como, na verdade, nunca estamos totalmente atentos temos, de início, “treinar”, reforçar, nossa atenção, adquirir o comando de nossa atenção com exercícios semelhantes a sestes: atenção total às diferentes partes do corpo, sentir cada centímetro, os pontos onde há tensão, pontadas, leves dores, mais sensíveis, a testa, o couro cabeludo, boca, a nuca, indo descendo, assim, até a sola dos pés.

      Se essa atenção é desviada por um ruído, luz, o que for, retomar a atenção às partes do corpo; fique atento a tudo, inclusive, ao ruído do carro ou do avião que passa, às paredes da sala, aos móveis, às cores das roupas dos demais, mas, sempre voltando às partes do corpo; tudo com atenção total. (Muita literatura diz: atenção absoluta à ponta do nariz, atenção ao umbigo, ao centro da testa etc; na AMORC, à luz de uma vela; na yoga e outras, a um som, ou mantra).

      Diz Nisagardatta que, se se consegue, nas primeiras práticas, permanecer totalmente atento por 1 minuto que seja, já é uma vitória. Todos esses exercícios, como os de Ramana, de atenção ao “eu sou”, têm o mesmo objetivo: tirar o comando da mente/ego/pensamentos de sobre nós, e o assumirmos. Repito o que já foi dito anteriormente: no Bhagawad Gita, a Sublime Canção da Imortalidade, Arjuna, simbolizando o homem, se queixa para Krishna, q simboliza Deus: “Senhor, como dominar a mente? Ela é como um cavalo selvagem!”, e Krishna lhe responde: “Sim, é difícil, mas não é impossível!”.

      À medida que se fazem mais e mais tentativas, deve acontecer que o tempo de atenção melhore e, quando se consegue atenção total e completa por tempo mais longo (?) sente-se que, naqueles intervalos, o ego se foi. Então, cessadas as operações do ego, aquietada a mente, entra-se em contato com o próprio eu, espírito puro e perfeito que sempre foi; percebemo-nos identificados e nos confundimos com o Espírito que sempre fomos (”Eu e o Pai somos um!”), mas que o ego não nos permitia perceber. Quanto mais exercícios, mais avançamos na tentativa de meditar.

      Abraços a todos.
 
..............
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Antonio Renato em 13 de Setembro de 2014, 23:58
Meu amigo Coronel,sem tecer comentários pois os meus conhecimentos são poucos para
tal.Tudo isto nos é muito esclarecedor com toda certeza.
Fique com Deus,fique na paz.
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: lconforjr em 14 de Setembro de 2014, 01:13

..............

      Olá, amigo ARenato, aos poucos vamos entendendo. Isso tb ocorreu comigo de, no início, nada compreender, mas foi superado pois estudo a doutrina há cerca de 70 anos.

      Forte abraço para você.

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Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Anton Kiudero em 14 de Setembro de 2014, 01:54
Nossos pensamentos são como um bando de macacos selvagens correndo pela floresta de arvore em arvore, gritando sem parar... Se atentarmos a eles nada mais seremos que macacos selvagens... Eles não deixarão de existir, mas podemos simplesmente não lhes dar ouvidos e jamais acreditar em um unico de seus gritos...

É ai então que inicia-se o caminho da felicidade...

E antes que algum querido amigo pergunte "como" se faz isto, já respondo: "é fazendo"...

Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Norizonte da Rosa em 14 de Setembro de 2014, 13:27
Bom dia.

Já que o tema do tópico envolve o tema pensamento..

Uma citação em latim no livro metapsíquica de C. Richet, traduzida e que diz sobre o que está em nosso intelecto diz:

"Nada está em nosso intelecto que já não esteve em nossos sentidos. A não ser o próprio intelecto"

No livro pensamento e vontade de E. Bozzano também aparece:

"Denominamos ideia ou imagem, à lembrança de uma ou
de muitas sensações, simples ou associadas.

Todo e qualquer pensamento não é mais que um
fenômeno de memória, que se resume no despertar ou no
reproduzir de uma sensação anteriormente percebida.

Existem tantos agregados de imagens, quantos os
sentidos que possuímos.

Assim, temos grupos de imagens visuais, auditivas, táteis,
olfativas, gustativas, motrizes etc..

Aí temos imagens que, ao mesmo tempo em que as
sensações, constituem a matéria prima de todas as operações intelectuais.

Memória, raciocínio, imaginação, são fenômenos psíquicos
que, em última análise, consistem no grupar e coordenar
imagens, em lhes apreender as conexões, constituídas, a fim
de retocá-las e agrupar em novas correlações, mais ou menos originais ou complexas, segundo a maior ou menor potência intelectual dos indivíduos.

Taine disse: Assim como o corpo é um polipeiro de
células, assim o espírito é um polipeiro de imagens.

Pensava-se outrora que as ideias não tinham correlativo
fisiológico, isto é, que um substrato físico não lhes fora
necessário para manifestarem-se no meio físico.

Hoje, pelo contrário, está provado que as ideias ocupam no
cérebro as mesmas localizações das sensações.

Noutros termos: está provado não ser o pensamento senão
uma sensação renascente de modo espontâneo, e que,
portanto, ele - o pensamento - é de natureza mais simples e
mais fraca que a impressão primitiva, ainda que capaz de
adquirir, em condições especiais, uma intensidade suficiente
para provocar a ilusão objetiva daquilo com que sonha.

Mas, o pensamento não é unicamente a ressurreição de
sensações anteriores: a faculdade imaginativa domina, no
homem; é graças a ela que as imagens se combinam entre si, a fim de criarem outras imagens.

Por aí se prova existir na inteligência uma iniciativa
individual própria, assim como relativa liberdade em face dos
resultados da experiência.

E isto devido a duas faculdades outras, superiores, da
inteligência: - abstração e comparação.

Segue-se que a imaginação, a abstração e a comparação
dominam as manifestações do espírito, delas decorrendo todos os inventos e descobertas, inspirações e criações do gênio."

Também sabemos de OLE que muitos pensamentos nos são sugeridos por desencarnados.

Como o pensamento, bem resumidamente, é resultado do que já vivemos, das sensações vivenciadas por nossos sentidos e das associações dessas sensações, parece natural e aceitável, a priori, que uma prática, como a meditação, que possa barrar essa corrente de pensamentos, que em estado normal não teríamos condições de controlar, pois se estamos despertos, estamos vivenciando o que nossos sentidos nos mostram. Dizia, se essa prática pode conter essa corrente de pensamentos, parece razoável imaginar que o efeito disso seja a libertação (se é que poderíamos usar essa palavra) do Espírito da matéria, pois o isolaria das sensações do mundo físico.

Mas daí a dizer que os pensamentos não são nossos porque não podemos controlá-los? Podem não ser nossos quando nos forem sugeridos. O fato de não podermos controlar nossos pensamentos se deve ao fato de estarmos despertos e esse estado tem a ver com as sensações constantes que temos pelos nossos sentidos e pelos arquivos que temos de sensações anteriores: o que nossos olhos, ouvidos, nariz, papilas gustativas, pele, sentiram ou detectaram.

Não sei se fiz confusão, ou não entendi a proposta do tópico. Deixando de lado a questão da afirmação de que somos um só, ou que Deus e nós somos um, o que não vejo sentido, nem vejo argumentos (salvo os de autoridade, mas que podem ter sido ditos de forma alegórica)  para sustentar; a questão de propor a meditação parece ser boa. Se milhões praticam a meditação é porque deve ser algo bom.




Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Antonio Renato em 14 de Setembro de 2014, 16:03
Meu irmão Norizonte,tente ter um pensamento que não seja lembranças do que já tenha
vivenciado,isso não será possivel,outros pensamentos lhes virão aos borbulhões sem que
tenha controle destes para chegarem até você.Apartir daí então você pode controla-los,
se não o fizer eles poderão induzi-lo a cometer aquilo que não queira em razão do seu
progresso moral.
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Norizonte da Rosa em 14 de Setembro de 2014, 16:39
Meu irmão Norizonte,tente ter um pensamento que não seja lembranças do que já tenha
vivenciado,isso não será possivel,outros pensamentos lhes virão aos borbulhões sem que
tenha controle destes para chegarem até você.Apartir daí então você pode controla-los,
se não o fizer eles poderão induzi-lo a cometer aquilo que não queira em razão do seu
progresso moral.

Amigo Antônio, o problema é que não dá para não pensar sem que sejam lembranças. Não lembranças de acontecimentos, necessariamente, mas lembrança de sensações. Veja: o nosso principal sentido é a visão e é principal no sentido de que a maioria das coisas em que pensamos é formada por imagens. Então não pensamos apenas lembrando de acontecimentos, mas pensamos com imagens de pessoas, objetos materiais,..Agora mesmo, cada um de nós estará pensando ao lembrar visualmente do lugar onde mora. Podemos estar dentro de nossa casa, mas a percepção de tudo que nos rodeia (pátio, árvores, rua em frente, vizinhos,..) tudo isso é um pensamento que é reprodução de uma memória principalmente visual.

Penso que a descrição do que seja estado de vigília seja justamente essa repetição de lembranças de sensações, mas não vejo essa repetição, desordenada muitas vezes, como uma justificativa para afirmarmos que esses pensamentos não são nossos, apesar de sabermos que recebemos sugestões.

Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Antonio Renato em 14 de Setembro de 2014, 17:17
 Norizonte,sem querer contemporizar,ou mesmo discordar totalmente,mas cada um tem
uma visão pela sua comprensão.Esse asunto não é a primeira vez que é discutido aqui
no FE.Os pensamentos que não queremos ter,nos vêm muitas vezes sem que se possa
ter um controle deles,no entanto dado o nosso progresso moral podemos repeli-los ou
não.A exemplo:imaginemos em uma discursão com um desafeto,ou alguém que venha
nos agredir,podemos ter um pensamento de responder de uma forma mais violenta e
até mesmo atentar contra a vida desta.pela nossa força moral poderemos modificar
este pensamento.Assim eu penso.
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: lconforjr em 14 de Setembro de 2014, 18:48
Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)

      Referencia resp #9 em: 140914, às 13:27 , de Norizonte

      Noriz trouxe msg/resposta onde escreveu: “Charles Richet escreveu: Nada está em nosso intelecto que já não esteve em nossos sentidos. A não ser o próprio intelecto".

      Conf: amigos, é preciso raciocinar com o q esses notáveis afirmaram; é o q a doutrina manda. Eles, com muitos outros, inclusive os psicólogos, afirmam que nossos pensamentos não são verdadeiramente nossos. E agora, como podemos entender isso pois, se os pensamentos não são nossos, tb não são nossas as escolhas q fazemos!

      Mas, temos de concordar com Richet, pois absolutamente nada nasce espontaneamente de nossa cachola, nem o q é relativo ao bem, nem o relativo ao mal. Tudo vem de fora de nós. Assim, não se originam de nossa mente, nem os pensamentos (q sempre acreditamos serem nossos!) e, em consequencia, nem desejos, vontades, bem como nenhuma decisão ou escolha.

      Conseqüentemente, não são verdadeiramente nossos nem sentimentos, nem virtudes, pensamentos ou desejos elevados, como tb não são verdadeiramente nossos os pensamentos, desejos baixos, e, consequentemente, nem as imperfeições, os vícios, a corrupção moral. Como solucionar esse problema?

      Como disse Richet, tudo q está em nossa memória/mente vem do que nossos sentidos, os nossos canais de ligação/relacionamento com o mundo, captam de ações q ocorrem fora de nós. Nada se origina de nós mesmos; tudo tem origem em eventos que ocorrem fora de nós.

      Percebam q Ernesto Bozzano e Taine, estão dizendo a mesma coisa q Richet. Bozzano: “Todo e qualquer pensamento não é mais que um fenômeno de memória, que se resume no despertar ou no reproduzir de uma sensação anteriormente percebida. Existem tantos agregados de imagens, quantos os sentidos que possuímos”.

      Assim, os eventos exteriores são ações que despertam memórias e mais esse tudo, q nada mais é do q reações relativas àquelas ações, e q se manifestam como pensamentos (e tudo que destes deriva, como desejos, vontades e, consequentemente, escolhas). Os eventos de fora de nós são ações q produzem, em nosso interior/intelecto, reações q resultam, afinal, nas escolhas q fazemos.

      Sendo assim, aqui é obrigatória uma questão: se os pensamentos não são verdadeiramente nossos (como tb afirmou Paulo e o mestre Jesus fez entender), como afirmar q as escolhas são nossas e q teremos de sofrer as consequências da lei de causa e efeito se nossas escolhas forem erradas??!! Essa é uma questão q tem deixado muitos espiritas sem conseguirem encontrar solução. Será q a encontraremos agora?

      Como afirma o texto, “hoje está provado que as ideias ocupam no cérebro as mesmas localizações das sensações” isto é, pensamentos derivam de sensações e, portanto, pensamentos vêm de onde vêm todas as sensações: de fora de nós!

      Texto: “Mas, o pensamento não é unicamente a ressurreição de sensações anteriores: a faculdade imaginativa domina, no homem; é graças a ela que as imagens se combinam entre si, a fim de criarem outras imagens”.

       Conf: logo a imaginação tb não é verdadeiramente nossa, pois depende de imagens q, com nossos sentidos, captamos do mundo exterior.

      Noriz: Mas daí a dizer que os pensamentos não são nossos porque não podemos controlá-los? Podem não ser nossos quando nos forem sugeridos. O fato de não podermos controlar nossos pensamentos se deve ao fato de estarmos despertos e esse estado tem a ver com as sensações constantes que temos pelos nossos sentidos e pelos arquivos que temos de sensações anteriores: o que nossos olhos, ouvidos, nariz, papilas gustativas, pele, sentiram ou detectaram.

      Conf: meu amigo Noriz, como dizer q os pensamentos são nossos se não se originam de nós mas de eventos q, como vc mesmo está dizendo, estão fora de nós?! E como dizer q são nossos se são eles que mandam em nós e não somos nós que mandamos neles?!

      Noriz: Se milhões praticam a meditação é porque deve ser algo bom.

      Conf: sim, meu jovem, milhões praticam a meditação mas, atualmente, não mais porq é boa, como até há pouco tempo se pensava, para saúde, cura de estresse e coisas semelhantes. Esse era, apenas, o pensamento/crença, hoje ultrapassada, dos ocidentais. Mas, hoje, mesmo ocidentais praticam meditação com o objetivo, não de ter uma saúde melhor, mas de chegar à percepção q os orientais sempre buscam: a percepção de Deus.

.................




Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: lconforjr em 14 de Setembro de 2014, 19:27
Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)

      Referencia resp #10 em: 140914, às 16:03, de ARenato

      Conf: amigo ARenato, vc está certo em dizer q os pensamentos nada mais são do q lembranças do q já vivenciamos. Mas, vamos dizer, não são propriamente lembranças; todos os pensamentos “se originam” de algo que já vivenciamos.

      Sendo assim, ninguém se lembrará de nenhum pensamento q tenha vindo de si mesmo, de sua mente ou intelecto. E, como todas e quaisquer escolhas vêm/nascem/derivam dos pensamentos, surge um problema de difícil solução: se os pensamentos não são nossos, como afirmar q as escolhas são nossas?

      ARenato:... outros pensamentos lhes virão aos borbulhões sem que vc tenha controle destes para chegarem até você. A partir daí então você pode controla-los.

      Conf: amigo, vc já, alguma vez tentou controlar os pensamentos q chegam para vc? Já conseguiu controlar um só que seja? Se lhe chega um pensamento ruim, vc consegue transformá-lo em um pensamento bom?! Tente fazer isso e depois nos diga se conseguiu!

      Ninguém, absolutamente ninguém (falo de homens comuns, como nós) tem essa possibilidade/capacidade de “manipular” pensamentos e, consequentemente, de “manipular” sentimentos, como de amor, ódio, egoísmo, orgulho, etc etc.

      Como não conseguimos “manipulá-los” e acreditamos q conseguimos e que sejam verdadeiramente nossos, fazemos, pensamos, dizemos o q eles determinam (e, por isso, fazemos tantas coisas erradas, pois são eles q nos comandam, e não nós a eles!) e, depois, ficamos acreditando que fizemos, pensamos, dissemos o q nós mesmos decidimos/escolhemos fazer e, por isso, tantas vezes nos recriminamos e ficamos com remorsos e sofremos!

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Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: lconforjr em 14 de Setembro de 2014, 20:13
Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)

      Referencia resp #8 em: 140914, às 01:54, de Anton

      Anton escreveu: “... pensamentos... Se atentarmos a eles nada mais seremos que macacos selvagens... Eles não deixarão de existir, mas podemos simplesmente não lhes dar ouvidos e jamais acreditar em um unico de seus gritos...

      “E antes que algum querido amigo pergunte "como" se faz isto, já respondo: "é fazendo"...”.
....
      Conf: é, meu jovem e querido Anton, muito esclarecedora e instrutiva sua resposta para todos os companheiros do Fórum: “... podemos simplesmente não dar ouvidos aos pensamentos e jamais acreditar neles...”.

      Mais esclarecedora ainda é esta: como q se faz isso de “não dar ouvidos aos pensamentos” e o jovem respondeu: “fazendo!”

................
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: BRUNO TINEL em 15 de Setembro de 2014, 01:25
Prezados,


Vocês já ouviram falar em Mary Grace, que afirma ser Ex-Espirita, que recentemente produziu um filme autobiográfico, Nascida de Novo, contando sua história, que de certa forma critica a doutrina espirita

http://ibrem.com.br/2014/testemunho-da-ex-medium-mary-grace-hughes/

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Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Olé em 15 de Setembro de 2014, 01:33
O nada que somos, realmente!

Não obstante, para ver claramente como a pseudo-entidade, ou o ego (que se supõe ser a causa e o objeto da suposta escravidão), surge, é necessário entender o processo conceitual da manifestação. O que somos Absolutamente, numenalmente, é unicidade-absoluto-subjetividade sem o mais leve toque de objetividade. A única forma em que isto-que-somos pode se manifestar é através do processo da dualidade, cujo começo é o movimento da consciência, o sentido de ‘eu sou’. Este processo de manifestação-objetivação, que estava totalmente ausente até agora, implica uma divisão em um sujeito que percebe e um objeto que é percebido; conhecedor e conhecido.

O númeno – pura subjetividade – deve permanecer sempre como o único sujeito. Portanto, os supostos conhecedor e conhecido são ambos objetos na consciência. Este é o fator essencial a ser lembrado. É apenas na consciência que este processo pode acontecer. Toda coisa imaginável – todo tipo de fenômeno – que nossos sentidos percebam e nossa mente interprete é uma aparição em nossa consciência. Cada um de nós existe apenas como um objeto, uma aparição na consciência de alguma outra pessoa. O conhecedor e o conhecido são objetos na consciência, mas (e este é o ponto importante no que diz respeito à pseudo-entidade) o que conhece o objeto presume que é o sujeito da cognição de outros objetos, em um mundo externo a si mesmo, e este sujeito que conhece considera sua pseudo-subjetividade como constituinte de uma entidade independente e autônoma – um ‘eu’ – com o poder de ação voluntária!

O princípio da dualidade, que começa com o sentido ‘eu sou’, e sobre o qual está baseada toda a manifestação fenomênica, é levado um passo além quando a pseudo-entidade, em seu papel como o pseudo-sujeito, inicia o processo de raciocínio ao comparar contrapartidas interdependentes e opostas (tais como bom e mau, puro e impuro, mérito e pecado, presença e ausência, grande e pequeno, etc.), e, depois disto, discrimina entre elas. Isto constitui o processo de concepção.

À parte desta divisão de sujeito e objeto, o processo da manifestação fenomênica depende do conceito básico de espaço e tempo. Na ausência do conceito de ‘espaço’, nenhum objeto poderia tornar-se visível com seu volume tridimensional; similarmente, na ausência do conceito relacionado de ‘tempo’, o objeto tridimensional não poderia ser percebido – nem qualquer movimento poderia ser medido – sem a duração necessária para fazer perceptível o objeto. O processo da manifestação fenomênica, portanto, acontece no espaço-tempo conceitual, no qual os objetos tornam-se aparências na consciência, percebidas e conhecidas pela consciência, através de um processo de concepção cuja base é a divisão em um pseudo-sujeito que percebe e um objeto percebido. O resultado da identificação com o elemento que conhece no processo de manifestação é a concepção da pseudopersonalidade com escolha de ação pessoal. E esta é toda a base da ‘escravidão’ ilusória.

Entenda todo o processo da manifestação fenomênica, diz Maharaj, não em partes ou fragmentos, mas em um momento de apercepção. O Absoluto, o númeno é o aspecto não-manifestado, e o fenômeno, o aspecto manifestado do que somos. Eles não são diferentes. Uma símile grosseira seria a substância e a sombra, exceto que o manifestado seria a sombra do não-manifesto sem forma! O númeno Absoluto é atemporal, ilimitado, não perceptível aos sentidos; os fenômenos estão limitados pelo tempo, com formas limitadas e perceptíveis pelos sentidos. Númeno é o que nós somos; fenômenos são o que parecemos ser como objetos separados na consciência. A identificação da unicidade (ou o sujeito) que nós somos com a separação em dualidade (ou o objeto) que nós parecemos ser constitui ‘escravidão’, e a desidentificação (desta identificação) constitui ‘liberação’. Mas ‘escravidão’ e ‘liberação’ são ilusórias, pois não existe tal entidade que está na escravidão e que deseja a libertação; a entidade é apenas um conceito que surgiu da identificação da consciência com um objeto visível que é, simplesmente, uma aparição na consciência!

"Sinais do Absoluto" - Ensinamentos de Sri Nisargadatta Maharaj. (Ramesh Balsekar)
Título: Re: Como sair da Roda do Samsara (das ilusões)
Enviado por: Olé em 15 de Setembro de 2014, 02:16
A Mente Única

"Se acalmar a mente detendo seu movimento,
Essa quietude fará movê-la ainda mais;
Enquanto estiver nesse dualismo,
Como poderá conhecer a unidade?
Onde a unidade não é total,
Os dois extremos perdem seu mérito;
Negar a realidade é o mesmo que afirmá-la,
Perseguir o vazio é afastar-se ainda mais dele.
As conversas e as preocupações
O farão se perder ainda mais;
Abandonando as conversas e as preocupações,
Não haverá por onde atravessar.
Voltando à raiz, o significado é obtido;
Seguindo luzes externas, sua origem é perdida;
Acendendo a própria luz interior,
Pode-se dominar o vazio do mundo que está diante de seus olhos.
Os desvios e as curvas do vazio
Surgem das visões iludidas;
Não há necessidade de buscar da verdade,
Apenas cesse essas visões.
Não fique no dualismo,
Cuidado, nunca vá até ele;
Enquanto houver o certo e o errado,
A mente estará perdida na confusão.
Os dois surgem por causa do um,
Mas também não se agarre ao um;
Quando a mente não é perturbada,
As dez mil coisas ficam sem ofensa.
Não há ofensa, não há dez mil coisas,
Nada de perturbação, nada de mente para trabalhar;
O sujeito só desaparece quando o objeto desaparece;
O objeto só desaparece quando o sujeito desaparece.
O objeto só é objeto por causa do sujeito,
O sujeito só é sujeito por causa do objeto;
Se quiser conhecer a relatividade dos dois,
Perceba que ambos estão no vazio.
"Um" vazio é como o "dois"
E cada vazio contém todas as dez mil coisas;
Quando não há diferenciação entre isso e aquilo,
Como poderia preferir uma a outra?
O grande caminho é largo e generoso;
Para ele, nada é fácil e nada é difícil;
As visões curtas são indecisas,
As visões rápidas são as mais demoradas.
Ter apego é jamais se libertar dos limites estreitos,
É seguir por um caminho errado;
Deixe isso para lá, deixe que as coisas sigam o próprio caminho,
Pois nada há de ir, nada há de ficar.
Siga a sua própria natureza e estará de acordo com o caminho,
Calmo, à vontade, livre dos apegos;
Quando os pensamentos estiverem restritos, estará contra a verdade
E eles se tornarão pesados, fracos e insatisfeitos.
Quando os pensamentos estão insatisfeitos, a mente é perturbada;
Por que cobiçar uma coisa e desprezar outra?
Se quiser entender o veículo único,
Não despreze os seis sentidos.
Você e a iluminação serão um só;
O sábio não age de nenhum modo especial,
Enquanto o ignorante amarra a si mesmo."

Sent-ts'an (jap. Sôsan), 1689-1789