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CONVÍVIO => Off-topic => Tópico iniciado por: Marianna em 06 de Setembro de 2009, 18:54

Título: A BÍBLIA SOBRE A ESCRAVIDÃO
Enviado por: Marianna em 06 de Setembro de 2009, 18:54



Obs: Para um melhor entendimento, aconselho que haja o devido acompanhamento das passagens bíblicas citadas.

* "Cada pessoa tem que ser submissa às autoridades, já que as que existem vieram ou foram estabelecidas por Deus”. (Efésios 5:22-24)

* "Escravos, obedecei em tudo aos vossos senhores terrenos, não só sob o seu olhar, como se os servísseis para agradar aos homens, mas com simplicidade de coração, por temor de Deus". (Romanos 13:1)

* "Servos, sedes submissos, com todo o temor aos senhores, não só aos bons e humanitários, mas também aos que são duros". (Colossenses 3:22)

* “O Senhor manda amar uma mulher infiel como Deus ama os filhos de Israel, que se voltam para outros deuses e gostam das tortas de uvas passas”. (I Pedro 2:18)

* “Todos os escravos devem considerar os seus senhores dignos de toda a honra, para que não se fale mal do nome de Deus”. (Oséias 3:1)

* “Escravos, obedeçam aos vossos senhores”. (I Timóteo 6:1)

* “Os escravos devem estar submissos em tudo aos senhores. Que lhes sejam agradáveis, não os contradigam, não roubem”. (Efésios 6:5)

* "Se alguém ferir seu escravo ou sua escrava com um bastão e morrer sob suas mãos, seja punido severamente, mas se sobreviver um ou dois dias, não seja punido, porque é seu dinheiro"  (Tito 2:9-10)
 
* "Quando comprares um escravo hebreu servir-te-á seis anos, mas ao sétimo sairá livre e gratuitamente. Se entrou sozinho, sozinho sairá; se estava casado, sua esposa sairá com ele. Se seu amo lhe tiver esposa, e esta lhe tiver dado à luz filhos ou filhas, a mulher e os filhos serão de seu amo e ele sairá sozinho. Se o escravo, porém, disser: "Amo meu senhor, minha esposa e meus filhos; não quero sair livre", então seu senhor o levará diante de Deus, fá-lo-á aproximar-se da porta ou do umbrau da mesma e lhe furará a orelha com uma sovela, e ficará seu escravo para sempre”.  (Êxodo 21:20-21)
 
* "Escravos e escravas para vos servires, podereis adquiri-los entre os povos circunvizinhos. Poderes também comprá-los dentre os filhos dos estrangeiros, que abitarem entre vós e dentre suas famílias, nascidos e crescidos na vossa terra”  (Êxodo 21:2-6)

Será que Deus, em sua infinita sabedoria, iria nos presentear com um "Manual para a Vida" tão cheio de falhas?

Chamar a Bíblia de "a palavra de Deus" pode até mesmo ser considerado um insulto a Deus.  Chamá-la de "um guia moral" é uma afronta à decência e dignidade dos povos. 

Chamá-la de "guia para a vida" é fazer uma piada de nossa existência. E pretender que ela seja a verdade absoluta, é ridicularizar e subestimar o intelecto humano.

Fonte da Internete.





Título: Re: A BÍBLIA SOBRE A ESCRAVIDÃO
Enviado por: YESNO em 09 de Setembro de 2009, 03:37

Chamar a Bíblia de "a palavra de Deus" pode até mesmo ser considerado um insulto a Deus.  Chamá-la de "um guia moral" é uma afronta à decência e dignidade dos povos. 

Chamá-la de "guia para a vida" é fazer uma piada de nossa existência. E pretender que ela seja a verdade absoluta, é ridicularizar e subestimar o intelecto humano.


Caríssima Marianna,

Este é um dos problemas de se ler a Bíblia não a situando no tempo e na cultura em que foi escrita e para quais inteligências e compreensão se dirigia.

Tomemo-la ao pé da letra e teremos que sair pelas ruas apedrejando adúlteras, profanadores do sábado e descrentes, matando a torto e a direito. Tudo isso está lá, não está ?

Jesus, consubstanciando uma nova revelação disse que veio cumprir lei, não destrui-la.
Porém, não cumpriu o apedrejamento da adúltera (e era a lei vigente); não respeitou o sábado: "O sábado foi feito para o homem..." (Mc 2,27)

Jesus ainda teria dito "...desde o tempo de João Batista ATÉ o presente, o reino do céus é tomado pela violência e são os violentos que o arrebatam.." (Mt 11,12).

Notamos a gradação da revelação consoante a mudança dos tempos.

A escravidão era praticada até cinco gerações atrás, aqui no Brasil, isto é, 121 anos de modo geral, o que não é nada em termos de humanidade. Como é que a Bíblia poderia ter uma linguagem tão exótica como a de exprobrar a escravidão naquele tempo ?
Há pouco tempo atrás a mulher não votava e era normal isso.

Mesmo Kardec assentado nas idéias que grassavam no século 19 tem levado, hoje, a pecha de racista pelos menos avisados e leitores superficiais da Doutrina, ou mal intencionados mesmo, que sacam uma frase aqui, outra ali e dela extraem um julgamento do todo.Não entendem que a Doutrina é dos Espíritos e a resposta deles sobre isso é a que se lê, em extrato, na mesma Gênese (Caráter da Revelação Espírita, tópico 36). Entendido isto, desfaz-se prontamente a acusação leviana a Kardec.

Também não concordamos que A  Bíblia É a palavra de Deus;
achamos melhor  a expressão: "A Bíblia CONTÉM a palavra de Deus"

Entendemos que a Bíblia precisa ter esse enquadramento histórico e cultural para podermos extrair dela como é e onde há  inspiração espiritual já que está misturada ao dia-a-dia dos recontadores da revelação, o que é humano e aceitável.

Tomá-la como manual ao rito frio da palavra e instalaremos a Inquisição Moderna.

Para  isso Jesus veio; para isso o Consolador veio, e estamos satisfeitos com isso, sem nenhum demérito à Torá judaica ao NT, a Bíblia.
Mas não a estudamos com um olho só para não repetirmos erros velhos e conhecidos.

Um abraço.

Paz ! (com ela as verdades consolam)

Título: Re: A BÍBLIA SOBRE A ESCRAVIDÃO
Enviado por: hcancela em 09 de Setembro de 2009, 11:00
Olá amigos(as)

 A Bíblia não condena especificamente a prática da escravidão. Ela dá instruções sobre como os escravos deveriam ser tratados (Deuteronômio 15:12-15; Efésios 6:9; Colossenses 4:1), mas não a declara ilegal. Muitos vêem isto como se a Bíblia permitisse todas as formas de escravidão. O que muitas pessoas falham em entender é que a escravidão nos tempos bíblicos era muito diferente da escravidão praticada nos últimos séculos em muitas partes do mundo. A escravidão na Bíblia não era baseada em raça. As pessoas não eram escravizadas por causa da sua nacionalidade ou pela cor da sua pele. Nos tempos bíblicos, a escravidão era mais um status social. As pessoas vendiam a si mesmas quando não conseguiam pagar os seus débitos ou sustentar a sua família. No Novo Testamento, algumas vezes médicos, advogados e até políticos eram escravos de alguém mais. Algumas pessoas escolhiam ser escravas para ter todas as suas necessidades providas pelo seu senhor.

A escravidão dos últimos séculos era freqüentemente baseada exclusivamente na cor da pele. Os negros eram considerados escravos por causa da sua nacionalidade – muitos donos de escravos realmente acreditavam que os negros eram “seres humanos inferiores” em relação aos brancos. A Bíblia definitivamente condena a escravidão baseada na raça. Considere a escravidão vivida pelos Hebreus quando eles estavam no Egito. Os Hebreus eram escravos, não por escolha, mas porque eles eram Hebreus (Êxodo 13:14). As pragas que Deus lançou sobre o Egito demonstram como Deus se sente em relação à escravidão racial (Êxodo 7-11). Então, sim, a Bíblia condena algumas formas de escravidão. O ponto chave é que a escravidão permitida na Bíblia de forma alguma se parecia com a escravidão racial que contaminou o nosso mundo nos últimos séculos.

Outro ponto crucial é que o propósito da vida é mostrar o caminho para a salvação, não reformar a sociedade. A Bíblia freqüentemente aborda os assuntos de dentro para fora. Se uma pessoa tem amor, misericórdia e a graça de Deus, recebendo a Sua salvação – Deus irá reformar a sua alma, mudando a forma como ela pensa e age. Uma pessoa que recebeu o dom da salvação de Deus e liberdade da escravidão do pecado, enquanto Deus reforma a sua alma, irá se dar conta que escravizar outro ser humano é errado. Uma pessoa que verdadeiramente recebeu a graça de Deus irá se tornar graciosa para com os outros. Esta seria a solução da Bíblia para acabar com a escravidão.


A doutrina espírita tem mais amplitude do que toda essa questão. Para nós não há muitas espécies de homens, há tão somente cujos espíritos estão mais ou menos atrasado, porém, todos suscetíveis de progredir pela reencarnação. Não é este princípio mais conforme à justiça de Deus?

No livro Renúncia, monumental obra da literatura mediúnica, identificamos trecho que nos chamou a atenção para refletir sobre o assunto. Robbie, filho de escravos e irmão adotivo de Alcione, ao desencarnar disse-lhe “desde que mandei os gendarmes  libertar o cocheiro, por entender que me cabia a culpa (...) sinto que não tenho mais a pele negra, que tenho a mão e a perna curadas (...) veja Alcione (...) e esta lhe explica: São estas as provas redentoras, meu querido Robbie! Deus te restitui a saúde da alma, por te considerar novamente digno.” (grifei) Dá para imaginar o Espírito Alcíone racista...?

E por que teriam os negros sofridos tanto com a escravidão? Segundo Humberto de Campos os escravos seriam “os antigos batalhadores das cruzadas, senhores feudais da Idade Média, padres e inquisidores, espíritos rebeldes e revoltados, perdidos nos caminhos cheios da treva das suas consciências polutas”.

A idéia de que o homem possa encarnar como branco, negro, mulato ou índio, estabelece uma ruptura com o preconceito e a discriminação raciais. Lembramos, porém, que na Inglaterra, ainda hoje, muitos adeptos do Neo-espiritualismo rejeitam a tese da reencarnação, por não admitirem a possibilidade de terem tido encarnações em posições inferiores quanto à raça e à condição social. Com essa visão, um Espírito, reencarnado num corpo de origem negra, estará sujeito à discriminação e isso lhe será uma condição, uma contingência evolutiva a ser superada. Para uns pode ser uma expiação, para outros uma missão.

Com os princípios espíritas apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor.  Como se vê uma doutrina libertária , como a Kardeciana, não compactua com nenhuma ideologia que vise a discriminação racial entre os grupos sociais.

Em quaisquer debates de cunho sociológico, antropológico, histórico, filosófico, psicológico etc, o Espiritismo provocará a maior revolução histórica no pensamento humano, conforme está ínsito nas questões 798 e 799 de O Livro dos Espíritos, sobretudo, quando ocupar o lugar que lhe é devido na cultura e conhecimento humanos, pois seus preceitos morais advertirão aos homens a urgente solidariedade que os há de unir como irmãos, apontando, por sua vez, que o progresso intelecto-moral na vida de todos os Espíritos é lei universal, tomando, por exemplo, Jesus, que ante os olhos do homem, é o maior arquétipo da perfeição que um Espírito pode alcançar.

SAUDAÇÕES FRATERNAS