Forum Espirita

GERAL => O que é o espiritismo => Tópico iniciado por: VS em 11 de Março de 2006, 20:45

Título: Deus ofende-se?
Enviado por: VS em 11 de Março de 2006, 20:45
Caros amigos

Em várias das obras da codificação é dito pelos Espiritos que não devemos ofender ao Senhor de Todas as Coisas, o PAI NOSSO, como diz Jesus Cristo. A Oração que Jesus nos ensinou, fala na possibilidade de ofender Deus. Como interpretar o que significa, ofender Deus?

Na minha modesta opinião, Deus, o Criador, a Inteligência Suprema, não se ofende, porque a ofensa é uma atitude humana. o Criador está acima do sentimento de ofensa.

Para que pudessemos estabelecer uma forma de nos posicionarmos perante Deus, Jesus mandou que o tratassemos por PAI NOSSO.

Um Pai humano, que é um verdadeiro pai, não se ofende com os seus filhos. Pode ficar momentaneamente zangado, por alguma coisa que se passe, mas o ponto de vista de um verdadeiro pai é sempre o amor. Esse sentimento impede um pai verdadeiro de se sentir ofendido.

O PAI NOSSO, infinitamente acima de qualquer bom pai terrestre, compreende os seus filhos, por si criados e sabe que eles têm de passar por estados de ignorância, sobretudo quando vestem um corpo fisico. Sabe à partida do que cada um de nós é capaz. Deus ofender-se significava que se decepcionava connosco. Isso não parece nada lógico.

Quando se fala em ofender o Criador, isso significa a violação das leis de Deus em si e não um sentimento do Criador. Como Deus é Justo, não tem dois pesos e duas medidas. Todos, sem excepção, têm de atravessar o caminho desde a ignorância até ao estado mais elevado de Espirito puro. Nesse caminho, tal como crianças ignorantes, fazemos muitas asneiras que nos conduzem a um caminho de dor (a nós, e muitas vezes aos outros que nos rodeiam). Em resumo, o que se chama ofender do Criador, não traduz um sentimento particular de Deus, mas a violação das leis de Deus. Somos nós próprios que abrimos as nossas próprias feridas.

DEUS AMA-NOS, NÃO SE OFENDE. SENTIR-SE OFENDIDO É COISA DE HOMEM IGNORANTE, NÃO DO CRIADOR.

Gostava de saber se vós, caros colegas de forum, pensam como eu, ou têm outros pontos de vista desta questão.               

bem hajam
Vitor Santos
Título: Re: Deus ofende-se?
Enviado por: aruanda em 11 de Março de 2006, 21:07
Olá vitor,concordo em absoluto contigo.
Se  Deus se aborrecesse connosco não seria Deus com todos os seus atributos...seria antes um de nós.

Portanto eu acredito sinceramente que Deus nem sequer fica triste quando nós escolhemos o caminho da dor, porque ele sabe que realmente o nosso final é a perfeição e a felicidade.


Concordo em absoluto com esta tua frase:

DEUS AMA-NOS, NÃO SE OFENDE. SENTIR-SE OFENDIDO É COISA DE HOMEM IGNORANTE, NÃO DO CRIADOR.

Abraços
Título: Re: Deus ofende-se?
Enviado por: Peregrino em 13 de Março de 2006, 20:55

Olá, amigos  :)

de facto, nem sempre percebemos o exacto sentido da mensagem que nos foi transmitida pelo Espiritismo, e por isso que devemos estudar continuamente porque aquilo que lemos há dez anos hoje, com maior experiença e maturidade nossa, percebemo-la melhor.

Bem dizes, Vitor: Quando se fala em ofender o Criador, isso significa a violação das leis de Deus em si e não um sentimento do Criador.

É pois oportuno conselho este, pq o que está em causa não é um "humano" e infantil sentimento do criador, mas sim, um desequilibrio nosso ao "ofendermos" as leis da Vida, e quem se prejudica somos nós..

Ao "ofender", ao "não confiarmos nos bons conselhos que Deus coloca em nossa consciência", mostrando assim que duvidamos do amor e da sabedoria e justiça de Deus, recusamo seguir pelo "caminho, a verdade e a vida", embora, pelos atalhos também aprendemos, porque tudo é aprendizagem, embora uns caminhos sejam mais morosos e dificeis (apesar de parecerem mais faceis e celeres que outros)..

Assim poderiam os Espiritos, hoje, em vez do "não ofendeis o criador" ter-nos dito "cuidado, se violardes as leis da vida, pelo vosso desequilibrio, sereis vós próprios a prejudicar-vos"..

Não esqueçamos que se a essência da mensagem é elevada, no entanto, os Espíritos que se comunicam muitas das vezes transmitem a mensagem com a sensibilidade que muitas vezes tinham quando reencarnados, e muitos ainda não se libertaram totalmente desse "temor" a Deus que vinha das religiões herdeiras do Cristianismo. Assim revela o Livro dos Espiritos na classificação dos vários graus de evolução alcançada:

Segunda ordem. - Bons Espíritos

107. CARACTERES GERAIS - Predominância do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado; uns têm a ciência, outros a sabedoria e a bondade. Os mais reúnem o saber às qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, conforme a categoria que ocupem, os traços da existência corporal, assim na forma da linguagem, como nos hábitos, entre os quais se descobrem mesmo algumas de suas manias. De outro modo, seriam Espíritos perfeitos.Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons. São felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem. O amor que os une lhes é fonte de inefável ventura, que não tem a perturbá-la nem a inveja, nem os remorsos, nem nenhuma das más paixões que constituem o tormento dos Espíritos imperfeitos. Todos, entretanto, ainda têm que passar por provas, até que atinjam a perfeição.
Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens da senda do mal, rotegem na vida os que se lhes mostram dignos de proteção e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre aqueles a quem não é grato sofrê-la.
Quando encarnados, são bondosos e benevolentes com os seus semelhantes. Não os ovem o orgulho, nem o egoísmo, ou a ambição. Não experimentam ódio, rancor, inveja ou ciúme e fazem o bem pelo bem.
A esta ordem pertencem os Espíritos designados, nas crenças vulgares, pelos nomes e bons gênios, gênios protetores, Espíritos do bem. Em épocas de superstições e de gnorância, eles hão sido elevados à categoria de divindades benfazejas.

Podem ser divididos em quatro grupos principais:

108. Quinta classe. ESPÍRITOS BENÉVOLOS. - A bondade é neles a qualidade dominante. Apraz-lhes prestar serviço aos homens e protegê-los. Limitados, porém, são os seus conhecimentos. Hão progredido mais no sentido moral do que no sentido intelectual.

109. Quarta classe. ESPÍRITOS SÁBIOS. - Distinguem-se pela amplitude de seus conhecimentos. Preocupam-se menos com as questões morais, do que com as de natureza científica, para as quais têm maior aptidão. Entretanto, só encaram a ciência do ponto de vista da sua utilidade e jamais dominados por quaisquer paixões próprias dos Espíritos imperfeitos.

110. Terceira classe. ESPÍRITOS DE SABEDORIA. - As qualidades morais da ordem mais elevada são o que os caracteriza. Sem possuírem ilimitados conhecimentos, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes faculta juízo reto sobre os homens e as coisas.

111. Segunda classe. ESPÍRITOS SUPERIORES. - Esses em si reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Da linguagem que empregam se exala sempre a benevolência; é uma linguagem invariavelmente digna, elevada e, muitas vezes, sublime. Sua superioridade os torna mais aptos do que os outros a nos darem noções exactas sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que é permitido ao homem saber. Comunicam-se complacentemente com os que procuram de boa-fé a verdade e cuja alma já está bastante desprendida das ligações terrenas para compreendê-la. Afastam-se, porém, daqueles a quem só a curiosidade impele, ou que, por influência da matéria, fogem à prática do bem.
Quando, por exceção, encarnam na Terra, é para cumprir missão de progresso e então nos oferecem o tipo da perfeição a que a Humanidade pode aspirar neste mundo.

Primeira ordem. - Espíritos puros - 112. 113.

Vemos portanto que dentro os Bons Espiritos, nem todos se libertaram de sua antiga e terrena visão de Deus, e mesmo aqueles que já o fizeram (os Espiritos Superiores, a distinguir dos Espiritos Puros) nos falam "dentro dos limites do que é permitido ao homem saber". Ora, no seculo XIX, ainda não estaria o ser humano preparado para entender o que o actual consegue, exemplo, este tema "não ofendeis a Deus"..

Abraços

Pg.
Título: Re: Deus ofende-se?
Enviado por: VS em 14 de Março de 2006, 11:30
Olá David

O teu esclarecimento sobre a questão levantada é muito interessante.

Se bem entendi,  a tua resposta é que Deus não se ofende e que a menção à frase "ofender a Deus" significa violar as leis de Deus.

É muito interessante o teu ponto de vista: quem pode ser ferido (mazelas de crescimento/ ignorância) com a violação das leis de Deus, somos nós mesmos e não O Criador. A razão pela qual se usa a frase "ofender a Deus", está ligada à ignorância dos Espiritos que o disseram e/ou aos homens que o registaram essas comunicações.

Enfim, gostei muito da tua resposta, pois é muito esclarecedora e útil, do meu ponto de vista.

bem hajas
Vitor Santos

Título: Re: Deus ofende-se?
Enviado por: Peregrino em 14 de Março de 2006, 16:25

olá, Vitor

sim, como bem já tinhas referido,
mas nunca esquecendo que em vez de "ferida", seria mais justo entendermos que é um "reequilibrar, compelindo-nos ao progresso e a evolução", pois é de prendizagem que se trata.

Um abraço.