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CODIFICAÇÃO => O Livro dos Médiuns => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 09 de Agosto de 2017, 09:26

Título: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 09 de Agosto de 2017, 09:26
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                    Sobre a Mediunidade



             Existe muita mistificação em torno da MEDIUNIDADE, mas, principalmente em torno do MÉDIUM.

A mediunidade é sim uma bênção, entretanto, ao contrário do que se acredita, não é um privilégio, mas uma ferramenta que a Misericórdia Divina concede à criatura para que esta possa saldar seus muitos débitos.

Veja um diálogo mantido entre o Dr. Inácio Ferreira, diretor de um Hospital Psiquiátrico na espiritualidade, e Manoel Philomeno de Miranda, autor espiritual do livro Tormentos da Obsessão, psicografado por Divaldo Franco, de onde tirei esse trecho.

".... — Não há privilégios nas Leis divinas, caro Miranda, conforme sabemos. Nem pessoas ou Espíritos existem que sejam especiais...

... — A mediunidade é compromisso de alta significação que ainda não encontrou a necessária compreensão entre as criaturas encarnadas no mundo físico.

Por um atavismo perverso que teima em permanecer dominante, a mediunidade é quase sempre tida como FAVOR DIVINO PARA ELEITOS, força sobrenatural, mecanismo prodigioso e equivalentes, que tornam o medianeiro um ser especial, quando não combatido tenazmente, tornando-se-lhe uma armadilha cruel que o leva à presunção e ao despautério.

Mesmo que procure viver com simplicidade e demonstre que é somente instrumento do mundo espiritual, que a ocorrência do fenômeno independe da sua vontade, as criaturas viciadas nas superstições e interessadas nas questões imediatistas o envolvem o médium em bajulação, em excesso de cortesias, em destaques embaraçosos que quase sempre terminam por perturbar-lhe a marcha...

As heranças do pensamento mágico, com que acompanham as manifestações mediúnicas, fazem que se transfiram para a criatura os méritos que pertencem à Vida, empurrando-a para tropeços e compromissos negativos, sem forças para resistir aos assédios de todo porte que a circunscrevem em área muito apertada e conflitiva...."

Portanto, amigos leitores, nem o médium, nem a Casa Espírita faz mágica ou milagres, apenas orientam seus frequentadores para que estes, eles mesmos, realizem o milagre da transformação através do conhecimento e da reforma íntima.

“Espíritas! Amai-vos, eis o Primeiro Ensinamento; Instruí-vos, eis o Segundo”. Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap.VI, nº 5)








                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 09 de Agosto de 2017, 20:07
Belas colocações
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 16 de Outubro de 2017, 22:42
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-noite! queridos irmãos.



     
                    Sintomas de Mediunidade




                      A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.
À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.
Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.
Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.
Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.
Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas. Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada. No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.
Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.
Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.
Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.
Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.
Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.
O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.
Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconcertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.
A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.
A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.
Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos - o físico e o espiritual - proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.
Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.
A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.
É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranquila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.
Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.
Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.



            Manoel P. de Miranda







                                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!










 









                                                                                                     











Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 24 de Novembro de 2017, 13:02
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                      Mediunidade Ontem e Hoje


 
“A maior mediunidade que um homem pode desenvolver é a sua capacidade de amar.” – Nathalia Wigg
 
Não estamos sozinhos no Universo, essa frase já é conhecida de todos, pois sabemos que é impossível estatisticamente existirem bilhões de galáxias e somente nosso orbe ser habitado.
A vida não pode ser apenas uma, pois tudo que está à nossa volta se transforma, modifica e evolui. Seria um contrassenso tudo o que amamos, aprendemos e vivenciamos, terminar no sepulcro.
Não há sustentação lógica para a negação dos dois parágrafos acima.
Senão vejamos: Numa visão materialista e fria, vamos dizer que não há vida após a morte, como também, numa análise religiosa tradicional, a vida seria apenas uma e iríamos para céu ou inferno. Podemos perceber que tudo à nossa volta ficaria sem sentido; assim sendo, por que amar? Diríamos, também, por que todo o sentido de progresso? Mas a lógica e um sentimento profundo vindo do Deus, que habita dentro de nós, sempre nos dirá: A VIDA CONTINUA...
Assim sendo, múltiplas são as nossas vidas, sendo nossa existência infinita, e as possibilidades de evolução uma constante.
Partindo do pressuposto da existência de um DEUS justo e bom, de Amor e Paz, podemos então entender e afirmar que os que partiram continuam entre nós e, portanto, de alguma forma poderemos manter contato e coparticipar de nossas vidas aqui na matéria.
Assim esse processo de nos ligarmos com o mundo “extrafísico”, chamamos no Espiritismo de mediunidade.
No passado essa faculdade humana foi vista e entendida como atributo de profetas, pitonisas, entre outros adjetivos. Em outro momento da humanidade, foi proibida e amaldiçoada.
Hoje temos essa mediunidade se espalhando pelo mundo de forma e aspectos diferentes, como previu Jesus quando disse “Se vocês não falarem, até as pedras falarão”.
Assim temos os Espíritos influenciando as nossas vidas de forma positiva ou negativa, dependendo de nossa sintonia com planos superiores ou inferiores da vida espiritual.
Sabemos com o estudo da doutrina espírita que existem múltiplas e diversificadas formas de mediunidade, sendo cada ela prestando-se a um tipo de comunicação e de ajuda à ligação entre os dois mundos.
Fica a pergunta: como reconhecer essa sintonia? Os próprios Espíritos nos alertam dizendo que depende do que buscamos, depende do que procuramos sintonizar.
Jesus é a nau segura na qual deveremos nos guiar, e o mestre de Lion, Allan Kardec, nos apresenta uma forma lógica de entender Jesus e praticar os seus ensinamentos.
Assim vemos que os Espíritos estão à nossa volta, interferindo positiva ou negativamente segundo nossas vibrações mais profundas, e vemos que depende muito de nós uma mediunidade equilibrada, produtiva cheia de amor e trabalho.
Portanto, podemos afirmar que a mediunidade atesta a continuidade da vida.
Desenvolvimento mediúnico pode ser dividido em dois: com ou sem Jesus. Mediunidade sem Jesus é perturbação, desequilíbrios, prepotência, vaidade e egoísmo, atraindo somente Espíritos perturbadores sem nada construtivo. Mediunidade com Jesus é renovação íntima, capacidade de amar e perdoar, pois somente assim vamos ter ligação com a espiritualidade maior, provendo um trabalho mediúnico produtivo e salutar, com sintonia elevada.
Temos enfim o universo infinito, com as infinitas possibilidades de reencarnação, pois já sabemos que lá estão as “moradas de meu Pai”, como nos ensina Jesus. Temos aqui a mediunidade também infinita nas suas formas e possibilidades de manifestação, pois vai desde uma intuição leve a uma profunda psicografia mecânica inconsciente, nos levando a pensar e agir para um aprendizado junto aos Espíritos, que nos conduz à reflexão sobre nossa vida maior.


                       Wagner Ideali








                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!   
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 25 de Agosto de 2018, 14:20
                                                              VIVA JESUS!




            Bom-dia! queridos irmãos.




                    Mediunidade e Mistificação




             Compreendendo-se que na experiência humana enxameiam espíritos desencarnados de todos os escalões, seja lícito comparar os médiuns, tão-somente médiuns, aos instrumentos de comunicação usados pelos homens, no trato com os próprios homens.

Médiuns de transporte.
Vejamos o guindaste que opera por muitos estivadores.
Tanto pode manejá-lo um chefe culto, quanto o subordinado irresponsável.

Médiuns falantes.
Observemos o aparelho de gravação.
O microfone que transmitiu mensagem edificante assinala com a mesma precisão um recado indesejável.

Médiuns escreventes.
Analisemos o apetrecho de escrita.
O mesmo lápis que atendeu à feitura de um poema serve à fixação de anedota infeliz.

Médiuns sonâmbulos.
Estudemos a hipnose.
Na orientação de um paciente, tanto consegue estar um magnetizador digno que o sugestiona para a verdade, quanto outro, de formação moral diferente, que o induza à paródia.

A força mediúnica, como acontece à energia elétrica, é neutra em si.

A produção mediúnica resulta sempre das companhias espirituais a que o médium se afeiçoe.

Evidentemente, o médium é chamado a garantir-se na sinceridade com que se conduza e na abnegação com que se entregue ao trabalho dos Bons Espíritos que, em nome do Senhor, se encarregam do bem de todos.

Em tais condições, nada pode o médium temer, em matéria de embustes, porque todos aqueles que se consagram e se sacrificam pelo bem dos semelhantes, jamais mistificam, por se resguardarem na tranqüilidade da consciência, convictos de que não lhes compete outra atitude senão a de perseverar no bem, acolhendo quaisquer embaraços por lições, a fim de aprenderem a servir ao bem com mais segurança, já que o merecimento do bem cabe ao Senhor e não a nós.

Fácil reconhecer, assim, que não se carece tanto de ação da mediunidade no Espiritismo, mas em toda parte e com qualquer pessoa, todos temos necessidade urgente do Espiritismo na ação da mediunidade.

Pelo Espírito André Luiz
Do livro: Opinião Espírita
Médium: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira









                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!     
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 04 de Setembro de 2018, 04:57
                                                              VIVA JESUS!





             Bom-dia!  queridos irmãos.




                     Força mediúnica





“Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhe, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas conforme o Espírito lhes cedia se exprimirem.” (Atos, 2:1-4.)


A mediunidade está presente em todas as épocas da humanidade independentemente da crença religiosa ou da sociedade onde estivermos inseridos. A ideia de que é um dom divino, privilégio de alguns, vem de épocas nas quais imperavam a falta de informações e o desvio de conceitos, a fim de benefícios apropriados a determinados grupos. Entretanto, com a vinda do Espiritismo, somos alertados sobre o verdadeiro significado do que é ser médium. No livro O Consolador, questão 382, o Espírito Emmanuel pergunta sobre esse verdadeiro significado e tem como resposta que “é uma das mais belas oportunidades de progresso e de redenção concedidas por Deus aos Seus filhos misérrimos. É atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontre ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo”.

Partindo-se dessa definição podemos dizer que médiuns são almas que fracassaram no curso da Lei Divina ao longo de suas existências e que estão tendo a chance de resgatar seus débitos, sob o dever de severos compromissos e responsabilidades. Então, a mediunidade nunca deve ser encarada como dom ou privilégio e, sim, como bendita possibilidade de reparar enganos de outrora, muitas vezes graves, que causaram o tombamento do próprio Espírito ou da coletividade. Existências pela qual passamos, nas quais fizemos uso preponderante do poder, da autoridade, da fortuna ou da inteligência.

Hoje retornamos cada qual na sua tarefa, reorganizando sacrifícios e aprendizados, buscando na prece o equilíbrio para iluminar o coração e a fé para seguir adiante. O Pai, que é toda bondade e misericórdia, não faz distinção entre Seus filhos, pois a ocasião é para todos. Cada um tem sua história, seus resgates, suas colheitas...

A mediunidade se apresenta com variedades quase infinitas, desde as formas mais comuns como as mais raras; nunca é idêntica em dois indivíduos, porém, o mais importante não é o tipo de mediunidade ou o seu grau e, sim, o que fazemos com ela, ou seja, o seu rumo dependerá da orientação que lhe dermos.

Poderemos entender, assim, que se estivermos distantes da caridade e ausentes da educação, ela nem edifica e nem ajuda e, mesmo assim, por pura misericórdia de Deus, todos nós receberemos essa oportunidade. Compreendendo a extensão da nossa responsabilidade nos deveres para a obtenção do êxito no trabalho, é fundamental que façamos luz à confiança que nos foi depositada para a caminhada, cumprindo com severidade e nobreza as obrigações, mantendo a consciência serena e o foco no objetivo maior.

O burilamento da nossa personalidade é constante e por isso o trabalho no bem sempre encontra resistência, pois somos assediados por tentações e ciladas diárias. Somos seres humanos precisando administrar o egoísmo e o orgulho que são devastadores em nós. Vivemos em um mundo que ainda acredita na felicidade material, tornando difícil nosso desprendimento, pois os vícios ainda nos cutucam cotidianamente. O tempo concedido ao Espírito para uma reencarnação por mais longa que pareça é sempre curta se comparada ao serviço que somos chamados a realizar. Daí a importância das horas e do que estamos fazendo da nossa força mediúnica, uma vez que nos foi concedida para a nossa própria melhoria, progresso e aprimoramento. Esqueçamos as mágoas, os medos, abrindo a janela do coração para que a alma se encha de brilho e energia, tornando-se um ponto de luz a serviço do próximo. Sejamos firmes no nosso caminhar porque nosso principal companheiro é Jesus.

No livro Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, Capítulo 1, item 11.6, o benfeitor espiritual Emmanuel faz a seguinte advertência: Apelo aos Médiuns: “Médiuns, ponderai as vossas obrigações sagradas! Preferi viver na maior das provações a cairdes na estrada larga das tentações que vos atacam, insistentemente, em vossos pontos vulneráveis. Recordai-vos de que é preciso vencer, se não quiserdes soterrar vossa alma na escuridão dos séculos de dor expiatória. Aquele que se apresenta como vencedor de si mesmo é maior que qualquer dos generais terrenos. O homem que se vence faz o seu corpo espiritual apto a ingressar em outras esferas e, enquanto não colaborardes pela obtenção desse organismo etéreo, através da virtude e do dever cumprido, não saíreis do círculo doloroso das reencarnações”.

 

Bibliografia:

XAVIER. C. Francisco – Seara dos Médiuns – ditado pelo Espírito Emmanuel – 20ª edição – Editora FEB, Brasília /DF – 2015 – lição 16.


             Inês Rivera Sernaglia









                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 04 de Janeiro de 2019, 13:09
                                                              VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                      
Mediunidade: Preciosa Ferramenta





A mediunidade é ferramenta valiosíssima sim, senhor!, e acima de tudo, muito
importante como instrumento de educação e progresso. Alguns dirigentes deveriam
considerar os portadores de certas aptidões mediúnicas ostensivas, pessoas que,
geralmente, apresentam fortes sintomas obsessivos, aqueles desequilíbrios naturais
do início.

Não podemos ver a mediunidade como algo desnecessário e prováveis médiuns como
meros obsedados. Não se pode subestimar quem mostre algum desequilíbrio em vista
da mediunidade aflorada e, nem sempre, estes necessitam apenas fazer imediato tratamento
antiobsessão e curso de Espiritismo.

Assisti ao depoimento de um rapaz que se dizia feliz por não mais experimentar
a “pavorosa” levitação do colchão de sua cama com ele deitado sobre este. Há algum
tempo, em um programa de TV espírita, um moço mostrou-se eternamente grato ao apresentador
e entrevistador desse programa, também dirigente de conhecida federação, por tê-lo
encaminhado ao tratamento espiritual. Segundo ele, depois dos passes, o fenômeno,
“graças a Deus, cessou!”, e isto me fez recordar aqueles testemunhos televisivos
em que se atribui responsabilidade de tudo ao Diabo…

Por que esse tal dirigente não acompanhou o desenrolar dos fatos, além de somente
conduzir o moço à terapia de passes? Quantas outras ocorrências interessantes, passíveis
de observação não devem ter sido levadas em conta, sem lhes darem a menor importância!
Gente! Deus jamais criou algo supérfluo! Qualquer tipo de fenômeno acontece consoante
Seu consentimento e há de possuir algum proveito.

Onde estarão os pesquisadores espíritas de agora? Será que Almas da qualidade
de um William Crookes, Alfred Erny, Epes Sargent, Gabriel Delanne, A. Aksakof, Charles
Richet e outros se extinguiram para sempre? Por que em tempo algum se soube de nenhuma
comunicação destes Espíritos? Ah! Mas alguém há de me contestar: “Há assuntos mais
importantes”…

Houve um tempo em que aqueles homens encaravam médiuns e fenômenos como algo
digno de se levar em consideração, com seriedade, daí, esses sábios consagrados
em seus respectivos misteres produzir obras do valor de Fatos Espíritas (Crookes),
O Psiquismo Experimental (Erny), O Fenômeno Espírita (Delanne),
Animismo ou Espiritismo? (Bozzano), Animismo e Espiritismo (Aksakof),
Física Transcendental (Zölner), etc.

Desdenhar da manutenção do intercâmbio espiritual é desdenhar da sabedoria e
misericórdia de Deus. Há quem pregue a abstração de médiuns com respeito a aparelhos
eletrônicos: tais aparelhos “substituiriam” tranqüilamente os médiuns. Ouvi de alguém
este asserto: “só existirá no futuro um tipo de mediunidade: a intuitiva”. Desde
já, menosprezam, por exemplo, a psicofonia.

Aparelhos eletrônicos não podem substituir as propriedades psíquicas de um médium.
Nenhum circuito contendo válvulas, semicondutores, transdutores, etc. ou circuitos
constituídos de componentes miniaturizados, montados em uma pequena pastilha de
silício, ou de outro material semicondutor poderá fazer as vezes do sistema nervoso
e estímulos, da corrente elétrica originária do cérebro e do campo magnético que
possibilita a geração do fluxo da carga energética de essência eminentemente divina.
Vai demorar muito certas faculdades tornarem-se coisas imprescindíveis (haja milênio,
creio eu!).

Se certos dirigentes não dão a mínima atenção a certos fenômenos, que dirá a
certos médiuns! Alguns até acham que médium não é nada, e se perde grande oportunidade
de, quem sabe, obterem-se resultados morais e intelectuais de proveito geral. Ora,
antes de tudo, qualquer médium é um filho de Deus como qualquer outra pessoa, merecedora
de todo o apoio e respeito. Alguns pensadores espíritas julgam perda de tempo desenvolver-se,
por exemplo, médiuns de efeitos físicos; para eles, já disseram, já provaram tudo,
principalmente no que consta de obras conforme psicografias de Chico e de Divaldo.

Quanto à psicografia, em particular, a que tanto Allan Kardec deu maior importância,
por razões óbvias, por que os dirigentes não pesquisam seus médiuns psicógrafos?
Será que todo mundo sentado à mesa recebe mesmo mensagens escritas do Além, é realmente
médium psicográfico? Por que já ouvi isto em certas casas espíritas de certos médiuns:
“Será que foi mesmo um Espírito ou eu que escrevi?”

Por que não inquirir de alguns Espíritos cujas assinaturas constam dos “romances
mediúnicos”? Donos de editora que se intitula espírita não deveriam só dar maior
importância à parte comercial que certos trechos enigmáticos, confusos e, às vezes,
anti-doutrinários; deveriam, sim, adotar, quando necessário, chamar o médium e o
autor desencarnado, indagá-lo a respeito de certas idéias que não ficaram claras
(tal como faria Kardec), obter, inclusive, a biografia desse autor em nome da credibilidade.

Outras perguntas: por que o Espírito André Luiz nunca foi questionado através
de médiuns de diferentes núcleos espíritas? Por que aqueles que contestam o Espírito
Emmanuel, por causa da obra A Caminho da Luz, não o convocou até hoje para
que se justificasse? Será que além de Chico Xavier, Yvonne Pereira e Divaldo Pereira
Franco não existe nem ao menos um médium competente em nossa terra?

Não. Ninguém pode garantir que não há nenhum médium idôneo. Sei de um caso de
um médium, por sinal sonambúlico, que materializa Espíritos (mediunidades
raríssimas!), o qual, antes, detestava religiões e em tempo nenhum admitia a existência
de Deus. Certo dia, depois de muito sofrer por opor-se a aceitar a sua condição
de médium, procurou desesperadamente ajuda. Ele deixou o orgulho de lado e foi em
busca de algum esclarecimento para o seu caso em conceituada casa espírita que se
localiza no centro da capital paulista; disse ele em tom de frustração: “Quando
cheguei lá, não tive quem me atendesse como deveria”…


          Davilson Silva









                                                                                                        PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 20 de Janeiro de 2019, 17:29
                                                              VIVA JESUS!




               Boa-tarde! queridos irmãos.




                     Sintomas da Mediunidade




Muitos nos procuram informando mal estar, tristeza inexplicável, mesmo quando a vida está nos conformes e não sabem o motivo de ficarem assim. Normalmente quando algo de anormal acontece conosco buscamos a medicina para resolver, mas acontece que muitos desconfortos apenas são minimizados em seus sintomas com a ingestão de medicamentos, e acabamos voltando ao médico várias vezes, chegando mesmo acreditar que o profissional teria se equivocado no diagnóstico, quando não é verdade.

                O que acontece é que a ciência trata o sintoma quando não aparece a causa física. Geralmente nos casos que envolvem comportamento como angústia, desânimo, depressão, a receita é medicamento para as manifestações, e a pessoa vai levando a vida até acreditando que seu estado é normal e que nunca voltará a ser como era antes.

                Por traz disso tudo está muitas vezes à chamada mediunidade, que a ciência não reconhece como causadora de certos sintomas, mas que é bem explicada e estudada por certas religiões, já que mediunidade não está afeta a crenças e sim é algo inerente ao ser humano. Já nascemos com esta aptidão.

                A mediunidade pode causar sonolência, enjoo, náusea, tristeza, euforia, distúrbio comportamental, visões, cheiros, efeitos físicos como movimento de objetos, barulhos como batidas, arranhões, e também desmaios entre outras particularidades. Quando isso ocorre é necessário buscar-se o médico para avaliação, mas também procurar-se numa das religiões que tratam o assunto a sério para um parecer.

                Não existe uma idade específica para que o médium sinta aflorar esta particularidade. Esta aptidão normalmente já está acertada de acontecer quando ainda estamos na espiritualidade, preparando a nossa vinda ao corpo físico. Lá juntamente com os benfeitores espirituais traçamos metas a serem atingidas aqui depois do nascimento e uma delas é a tarefa de desenvolver a mediunidade no sentido de ajudar as pessoas que necessitam.

                Muitos acreditam que ela é algo ruim que nos acontece visto que gera sintomas desconfortáveis, mas na realidade mediunidade é benéfica, pois possibilita que com esta capacidade ajudemos pessoas, e com estudo aprendemos a lidar com ela.

                A mediunidade, equivocadamente como muitos pensam não é para beneficiar quem a tem e sim para propiciar que trabalhemos em beneficio de outrem, pois modalidades vidência e psicofonia que está mais ligada a auxiliar com esclarecimento os desencarnados (pessoas que partiram), para que se encontrarem no mundo espiritual.

                Toda pessoa que tiver aflorada a mediunidade e não procurar o tratamento espiritual para ou livrar-se do compromisso ou exercer a nobre tarefa, poderá ser envolvido por patologias até grave.

                É necessário para tal muito estudo e também disciplina. “Ser médium é servir de intercâmbio entre o plano físico e o espiritual”.


          Nilton Cardoso









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 11 de Fevereiro de 2019, 16:50
                                                              VIVA JESUS!




              Boa-tarde! queridos irmãos.




                   
Entendendo de mediunidade e do caso complicado de João de Deus




Kardec deixou claro que todos nós somos um pouco médiuns, e que há os especiais equivalentes aos profetas bíblicos, que recebem Espíritos, psicografam, e que há mensagens e até livros dos Espíritos manifestantes. E há também os médiuns psicofônicos, pelos quais, Espíritos falam, ditando textos e até livros que, hoje, podem ser gravados e ouvidos à vontade pelos estudiosos do assunto. Para alguém entender bem de mediunidade, ele precisa estudar uns quatro anos, como numa faculdade espírita. E é, por isso, que o Espiritismo é também ciência, na área da parapsicologia, radiônica, psicologia profunda, e por que não também da Bíblia?

Esta coluna é complemento da anterior “As semeaduras de João de Deus e suas inexoráveis colheitas”. Nos comentários dela, no Portal de O TEMPO (www.otempo.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5vdGVtcG8uY29tLmJy)), alguém afirmou que eu fiquei em cima do muro a respeito do citado médium. É que não o conheço e menos ainda o seu trabalho mediúnico. Como já foi dito, a mediunidade exige um estudo longo, para que se possa entendê-la bem, principalmente, no quesito do estado em que o médium fica durante o transe. Se inconsciente, é a entidade que age através dele. Ele pode, pois, não se lembrar de nada do ocorrido durante o seu transe. Mas o médium mau tem culpa, por sua baixa sintonia e a consequente atração de Espíritos ainda atrasados e abusadores.

Se o Espírito for de um médico, o seu trabalho espiritual é igual ao de um médico. Quer dizer, o Espírito através do médium pode palpar partes do paciente como o faz um médico terreno, para constatar se há alguma anormalidade como, por exemplo, um tumor interno no paciente. Isso ocorre, mais frequentemente, quando os exames são para se constatar a necessidade ou não de cirurgias espirituais. E uma pessoa que não tenha um conhecimento sobre a medicina espiritual, por meio dum médium, pode pensar que se trata de uma leviandade ou abuso do médium, o que pode de fato ocorrer quando se trata de um médium mau. Mas qual é o médium mau ou aproveitador? E quando ele fica inconsciente ou consciente no seu transe?

E, infelizmente, há mais uma agravante muito séria. Existem fanáticos religiosos que apedrejam e até incendeiam centros espíritas, de candomblé, de Umbanda e mesmo igrejas contrárias a eles. E por que, então, esses fanáticos religiosos não dariam possíveis falsos testemunhos, e ainda mais por telefone? O centro de João de Deus, pelas suas características, é de Umbanda. Mas ele se diz católico, o que não é surpreendente, pois, hoje, é comum as pessoas terem mais de uma crença!

Os magistrados, ao estudarem os processos, para darem suas sentenças de absolvição ou condenação, frequentemente, nomeiam um perito de sua confiança especialista no assunto. E é no parecer do perito que eles fundamentam a sua sentença. Não seria, pois, esse caso um dos que mais necessitariam de um perito especial em mediunidade e que seja de insuspeita idoneidade? O certo é que a questão vai queimar a cuca dos magistrados!

E para complicar mais ainda esse já tão complicado caso, os noticiários de duas poderosas redes de TV nacionais parecem estar divididos. Um estaria mais com o médium, e outro contra ele. O certo é que esse ‘balaio de gatos’ vai esquentar mesmo os neurônios dos magistrados que conhecem mediunidade! E como, então, um simples colunista poderia condenar ou absolver o médium João de Deus?

   
          José Reis Chaves









                                                                                                        PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 05 de Março de 2019, 17:48
                                                              VIVA JESUS!



              Boa-tarde! queridos irmãos.




                     Ponte Mediúnica




              Mergulhado na matéria densa pelo impositivo
da reencarnação, que faculta ao Espírito o
processo abençoado da evolução, graças às
experiências de que se enriquece, este
perde, normalmente, os contatos com a
realidade donde veio, padecendo de
compreensível esquecimento da vida espírita.

Os interesses gravitam, então, em torno das
necessidades imediatas do plano físico; os
impositivos da "luta pela vida", quase
sempre revertem a escala de valores, dando
nascimento a lutas acerbas e extravagantes;
dúvidas cruéis pairam nos painéis da mente,
em relação à imortalidade da alma;
inquietações e fobias surgem, avassaladoras,
sombreando os dias da existência orgânica;
dissabores e enfermidades, insucessos
comerciais e dificuldades econômicas induzem
à loucura e ao suicídio; empenhos por gozar
a hora que passa dominam os cuidados do
homem, que teme o aniquilamento da vida por
falta de bases reais sobre as quais apóie as
convicções da sobrevivência espiritual.. .

Liberando o ser de tais amarguradas situações,
a Divindade concede a ponte da mediunidade,
a fim de que se mantenha o intercâmbio lúcido
entre os dois abismos da vida: o material e
o espiritual.

Por ela retornam os Espíritos em triunfo
sobre a morte, falando da vida em plenitude
e apresentando o resultado das suas ações,
enquanto estiveram na forma carnal.

A esperança, em razão disso, alenta o homem
físico e orienta-o com segurança para o
salutar aproveitamento das horas, granjeando
recursos que se lhe constituirão bens
inalienáveis para a felicidade.

Não existisse a mediunidade e inumeráveis
problemas seriam insolucionáveis, permitindo
que mais graves conjunturas conspirassem
contra a criatura humana.

Sem ouvir-se, nem sentir-se a realidade
espiritual de que os implementos mediúnicos
se fazem instrumento, certamente grassariam
mais terríveis dramas e tormentosas situações
injustificáveis.

A mediunidade, colocada a serviço do bem
com Jesus, enxuga as lágrimas da saudade,
diminui as dores, equaciona enfermidades
complexas, dirime dúvidas, sustenta a fé,
conduzindo à caridade luminosa e libertadora.

Reveste as tuas faculdades mediúnicas com as
vibrações superiores da prece, alicerçando-a
na sadia moral e usando-a serviço da
edificação de quantos sofrem.

Exercita-a com disciplina e estuda-lhe a
metodologia com as luzes da Doutrina Espírita,
compreendendo que ela te é concedida, não por
merecimento de tua parte, que o não possuis,
senão por misericórdia de acréscimo do amor
de nosso Pai, a fim de que o homem não se
esqueça de que sempre, na vida, edificante e
enobrecido deve ser o seu comportamento, fora
ou mergulhado na carne.

Toma como modelo Jesus, o Médium de Deus,
que jamais se escusava, amando e servindo
sempre, na condição de divina ponte entre o
Criador e todos nós.


Luz Viva (Editora Leal)








                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 20 de Março de 2019, 16:54
                                                               VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                    Inconvenientes e perigos da mediunidade




               Kardec, em "O Livro dos Médiuns" (2ª Parte, cap. XVIII, itens 221 e 222), esclarece que "a faculdade mediúnica é por vezes um estado anômalo, mas não patológico. Há médiuns de saúde vigorosa; os doentes o são por outros motivos".

O exercício da faculdade mediúnica, como outro qualquer, quando não disciplinado ou bem orientado pode ocasionar perigos e inconvenientes; a mediunidade de efeitos físicos, por despender maior quantidade de fluidos, se trabalhada continuamente, pode levar o médium à fadiga. No entanto, essa fadiga, facilmente recuperável com o repouso, diz respeito aos seus órgãos corporais e não ao seu Espírito.

"Há casos em que é prudente, necessária mesmo, a abstenção, ou, pelo menos, o exercício moderado, tudo dependendo do estado físico e moral do médium."

"Há pessoas que devem evitar quaisquer causas de superexcitação, e a prática mediúnica seria uma delas."

"Os médiuns muito sensíveis devem procurar abster-se das comunicações com Espíritos violentos, devido ao cansaço resultante" (LM, 2.a Parte, cap. XVI, item 188).

"Os médiuns velozes, quando identificados com os Espíritos, escrevem com muita rapidez, o que não seria possível em seu estado normal, despendendo assim grande quantidade de fluido, do que também resulta fadiga" (LM, 2ª.Parte, cap. XVI, item 194).

O desconhecimento da Doutrina Espírita leva algumas pessoas a julgar que a prática da mediunidade pode conduzir o médium à loucura. No entanto, isto não acontecerá, se não houver já uma predisposição para isso. Quando este fato acontece, o que facilmente se identifica pelas condições psíquicas e mentais da pessoa, deve,se procurar ter os cuidados necessários, para evitar qualquer abalo que seria prejudicial.

Muitas vezes, essa predisposição existente tem como causa a fraqueza moral, que torna a criatura sem forças para suportar o desespero, a mágoa, o medo, etc.

Como toda criatura possui mediunidade, as crianças também estão nestas condições. Porém os Espíritos orientam (LM, 2ª.Parte, cap. XVIII, perg. 221, § 6°) "que é muito perigoso" o desenvolvimento da mediunidade na infância,"porque esses organismos frágeis, delicados, seriam muito abalados e sua imaginação infantil ficaria superexcitada".

Existem casos em que a vidência, os fenômenos de efeitos físicos, e mesmo a escrita são espontâneos, são naturais nas crianças; isto não é inconveniente, é natural Porém elas não devem ser estimuladas. A prudência dos pais deverá afastá-las dessas idéias; no entanto, os pais orientarão quanto à moral trazida pelos ensinamentos dos Espíritos, preparando-as para a vida adulta, dentro do conhecimento doutrinário.

Não há idade precisa para a prática da mediunidade, que depende inteiramente do desenvolvimento físico, moral e, particularmente, do psíquico. O exercício da mediunidade na criança requer cuidados e conhecimentos, para que não haja enganos por parte de Espíritos mistificadores. Se os adultos são muitas vezes enganados por esses Espíritos, a infância e a juventude, pelas suas inexperiências, estarão muito mais sujeitas a eles.

O recolhimento e a seriedade são condições essenciais para se tratar com Espíritos. Como uma criança ainda não possui esses discernimentos é imperioso que a vigilância seja exercida sobre ela, para que não tome o fenômeno por um brinquedo.

A mediunidade deve ser evitada, por todos os meios possíveis, em criaturas que tiverem dado as menores demonstrações de excentricidade nas idéias ou enfraquecimento das faculdades mentais, preservando-se, assim, o Espiritismo dessa responsabilidade, como também a saúde mental da criatura.

Diz Edgard Armond, em "Mediunidade", cap. 20, que "Moléstias de toda ordem, que resistem aos mais acurados tratamentos; alterações físicas incompreensíveis de causas impalpáveis que desafiam a competência e a argúcia da Medicina; complicações as mais variadas, com reflexos na vida subjetiva" ... e, ainda "angústias, depressões, ou alterações, já do mundo mental, como temores, misantropia, alheamento à vida, manias, amnésias etc" enfim, todas estas perturbações, numa ampla proporção, existe sempre esse fator mediunidade, como causa determinante e, portanto, passível de regularização".

"Muita gente toma, assim, o efeito pela causa. Não é o exercício da mediunidade que traz inconvenientes ou perigos " saúde das pessoas, mas a sua abstenção é que gera os desequilíbrios. Cabe a cada um descobrir as causas de suas aflições, tornando-se médico de si mesmo, para tornar-se o arquiteto de seu próprio destino, porquanto o estudo constante, o trabalho, o devotamento ao bem e a vigilância auxiliam o homem e o previnem contra os desequilíbrios no exercício da mediunidade.

Diz Emmanuel (no livro "Roteiro", cap. 36) que "não há bom médium, sem homem bom. Não há manifestação de grandeza do Céu, no mundo, sem grandes almas encarnadas na Terra. Em razão disso, acreditamos que só existe verdadeiro e proveitoso desenvolvimento psíquico, se estamos aprendendo a estudar e servir".

Mulher Grávida: Participará das Reuniões apenas para receber energias positivas. Todos os fluidos magnéticos serão direcionados ao feto que irá renascer.

Analfabetos: Poderão trabalhar na mediunidade normalmente. Não sabem ler, mas o importante é a pureza de coração e sentimentos de amor e fraternidade; e a boa vontade e alegria de servirem aos Mentores espirituais.

Bibliografia:

*1* LM. 2: Parte, Cap XVIII

*2* MEDIUNlDADE, cap. 20 - Edgard Armond.

*3* ROTEIRO, cap. 36 - Emmanuel.

*4* LE, Introdução. XV - A Loucura e suas Causas









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 24 de Março de 2019, 18:10
                                                              VIVA JESUS!




              Boa-tarde! queridos irmãos.




                     Mediunidade, obsessão e Jesus





Para o esclarecimento sobre a cura da obsessão, o Espiritismo é, sem dúvida, a chave mestra. Foi o Espiritismo que veio revelar a existência dos Espíritos, visto que estes existiam desde toda a eternidade. A mediunidade foi a grande responsável por essa descoberta. Foi por ela que os inimigos ocultos traíram a sua presença. Ela fez com eles o que o microscópio fez com os infinitamente pequenos: revelou um mundo novo.

O Espiritismo não atrai os maus Espíritos, como imaginam algumas criaturas. Ele descobriu-os e nos forneceu os meios de lhe combatermos a ação e, por conseguinte, de os afastarmos. Não trouxe o mal, mas trouxe-nos, sim, o remédio ao mal, apontando-nos a causa dele. Na Doutrina Espírita encontramos os recursos que neutralizam a ação perniciosa que tenta invadir-nos a casa mental. É uma das abençoadas tarefas do Espiritismo Cristão: libertar irmãos invigilantes que caíram nas malhas difíceis da influenciação espiritual, em seu aspecto negativo.

As reuniões espíritas, doutrinárias e mediúnicas cooperam, eficazmente, para a cura da obsessão, pelo esclarecimento, beneficiando perseguidos e perseguidores, vítimas e algozes. É um dos serviços mais nobres a que se dedicam os médiuns, em toda parte. Companheiros se organizam em núcleos adequados de intercâmbio e assistência, para a cura desse mal que exige grande esforço dos amigos espirituais e dos auxiliares encarnados.

Quem, hoje, ironiza a mediunidade em nome do Cristo, esquece-se, naturalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou nesse mundo, erguendo-se ao mais alto nível de aprimoramento e revelação, para alicerçar a sua eterna Doutrina entre os homens. É assim que começa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na clariaudiência e na clarividência, no estabelecimento da Boa Nova. Honorificando-a nas atividades da cura, transmitindo passes de socorro aos cegos e paralíticos desalentados e aflitos, restituindo-lhes a saúde, dignificando-a nas tarefas de desobsessão, ao instruir e consolar os desencarnados sofredores, por intermédio dos alienados mentais, que lhe surgem à frente. Jesus Cristo foi o iniciador da desobsessão sobre a Terra.

Dessa forma, não nos agastemos contra aqueles que perseguem a mediunidade, através do achincalhe – tristes negadores da realidade cristã, ainda mesmo quando se escondem sob os veneráveis distintivos da autoridade humana – porquanto os talentos medianímicos estiveram, incessantemente, nas mãos de Jesus. Ele não era um médium curador, pois o Cristo não tinha necessidade de assistência, ele que assistia e auxiliava os demais, agia por si mesmo, em vista do seu poder pessoal. Se ele recebesse um influxo não poderia ser senão de Deus.

Compadecendo da nossa ignorância, a Divina Providência deliberou enviar Jesus, como governador do Planeta Terrestre, para que nos instruísse nos caminhos da elevação. Ele veio em pessoa e preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida, em aquinhoar cada Espírito com eficientes recursos de renovação para o bem, a fim de evitar a ação dos efeitos perniciosos da obsessão. Por esse motivo, nos aconselha a não condenar o próximo porque nele observemos a inferioridade e a imperfeição, mas ajudar o quanto pudermos; não perdermos tempo em procurar o mal, porém, empregar atenção em socorrer as vítimas.

Reforça o objetivo de sua vinda: “Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Vinde a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos e sereis aliviados e consolados. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade; são monstros que sugam o vosso mais puro sangue e vos abrem chagas, quase sempre mortais”. (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 7.) O médico divino curava para ensinar pelo exemplo as Leis de Deus, sintetizadas nesta sábia sentença: amar a Deus e ao próximo, fazendo ao vosso semelhante o que quereríeis que ele vos fizesse.

Assim é que seu grande conhecimento das Leis que regem o Universo e dos fluidos nele existentes, a sua força para a dominação e transformação desses fluidos, a sua vontade soberana de fazer realçar a Lei de Deus, o seu amor imenso pelos sofredores, pelos deserdados da sorte, o auxílio constante que recebia de Deus, a enorme milícia celeste e a multidão de Espíritos que se achavam sob as suas ordens, o seu magnetismo, tudo concorria para que Ele cumprisse a sua tarefa. O restabelecimento dos enfermos seguiu-se logo após as ordens dadas por Jesus aos Espíritos maléficos, para que se afastassem dos sofredores. E aquele cuja autoridade é respeitada exerce com competência a sua tarefa.

A fama do moço nazareno corria por toda a Galileia; a repercussão da sua palavra deveria ter-se feito ao longe, pois inúmeros enfermos, outros possuídos de Espíritos malignos, os que estavam sob a obsessão buscavam o Médico Divino onde Ele se encontrasse. Em algumas localidades onde o Cristo nada operou, foi por causa da incredulidade de seus habitantes. Ressaltando a fé dos doentes beneficiados, Jesus deixava implícito o estado de receptividade gerado pela confiança no poder superior. Na ausência de tal estado não haveria cura, pois não se pode dar a quem não quer receber.

O “vigiai e orai” de Jesus é o roteiro seguro para a preservação da integridade espiritual dos seres humanos em todos os processos obsessivos, uma vez que a obsessão, atingindo-lhe com mais profundeza os escaninhos da mente, causar-lhe-á graves transtornos, desequilíbrio. A oração é, assim, o mais poderoso auxiliar para agir contra o Espírito obsessor. Cessada a causa, desapareceram os efeitos; expelidos os Espíritos, cessou a loucura, e os homens se restabeleciam.

Mas, como o Médico Divino conseguiu realizar essas curas? Espírito puríssimo, de grande força moral, que vale muito mais que a força material, dominou Ele os Espíritos que tinham a força física para se apoderarem dos outros, porém, não tinham força moral para resistir às suas ordens.

Nunca, ao que parece, o estudo desse terrível flagelo – a obsessão – que infelicita as criaturas afastadas de Deus, a meditação sobre suas ações e consequências, e o esforço para combatê-la, foram mais necessários que na atualidade.

Certos médiuns temem orar pelos obsessores a fim de não atraí-los, quando, em verdade, devemos amá-los e nos compadecermos deles, procurando servi-los, pois a prece é, justamente, a defesa que temos contra essas investidas, a par das boas qualidades morais e mentais. Eles são, sim, grandes sofredores que padeceram, quando encarnados, injúrias, humilhações; muitos foram vítimas de crimes, mas são também passíveis de nos respeitar e estimar, se soubermos compreendê-los e conquistá-los pelo amor, que “tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre”, como ensina o venerável apóstolo do amor, Paulo de Tarso, na Primeira Carta aos Coríntios, capitulo 12.

Procurando aconselhá-los, mesmo através da prece, pacientemente, conseguiremos atraí-los para as coisas de Deus e mais uma ovelha poderá ser recebida no apresso daquele amoroso Pastor que afirmou “haver mais júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas, XV: 3-7).

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns – Capítulo XXIII – Questão 237 – 59ª edição – 1992 – FEB – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

KARDEC, Allan. A Gênese – Capítulo XIV – Obsessões e Possessões – item 45 – 17ª edição – 1990 – LAKE, SP, Brasil.

PEREIRA, Yvonne Amaral. À Luz do Consolador – 3ª edição – 1998 – FEB – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

SCHUTEL, Cairbar. O Espírito do Cristianismo– 8ª edição – 2001- Gráfica Editora O Clarim – Matão, SP, Brasil.

XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel – Seara dos Médiuns – lição 59 – 7ª edição – 1991 – FEB – Rio de Janeiro, RJ, Brasil.


          Maria Margarida Moreira









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!

                   
Mediunidade, obsessão e Jesus
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 31 de Março de 2019, 00:02
                                                              VIVA JESUS!




              Boa-noite! queridos irmãos.




                     
Ser médium



 
Ser médium é ser o intermediário entre o mundo espiritual e o mundo físico. É ser o elo de Deus com todos os seres humanos. Logo, a acepção deve transcender aos fenômenos.

Médium é quem oferece uma palavra de consolo ao amigo, ao desconhecido, a alguém que passa por uma provação.

Médium é quem silencia diante de uma ofensa, calúnia ou difamação.

Médium é quem alfabetiza um adulto, que não teve oportunidade de estudar na época adequada, e que deseja interpretar o mundo que o cerca, para viver com dignidade.

Médium é quem doa sangue, para salvar vidas.

Médium é quem planta uma árvore, para que os seus frutos e a sombra possam aconchegar vidas.

Médium é quem preenche o vazio da solidão do idoso com a alegria da sua companhia.

Médium é quem acompanha o enfermo nos instantes de agruras.

Médium é quem cuida do meio ambiente e não compactua com a sua destruição.

Médium é quem se lança à lama, aos escombros, ao fogo, ao frio, ao terrível sinistro para salvar vidas.

Médium é quem produz conteúdo de qualidade textual ou audiovisual para que outras mentes sejam iluminadas com o evangelho do Mestre.

Médium é quem se diminui para que o outro possa crescer.

Médium é quem trauteia uma canção para embelezar a vida.

Médium é a criança que faz garatujas como forma de presente para os seus genitores.

Médium é quem estende a mão para erguer o(a) companheiro(a).

Médium é, enfim, aquele que vivencia o Cristo na Terra.


          Marcos Paulo de Oliveira Santos








                                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 29 de Abril de 2019, 18:15
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-tarde! queridos irmãos.




                   
Mediunidade e imperfeição


A mediunidade é uma faculdade física, também chamada orgânica. A mediunidade ostensiva está igualmente distribuída entre os indivíduos no globo terrestre e independe de religião, raça, classe social ou elevação moral. É oferecida por misericórdia de Deus, para que aqueles que em outras existências se desviaram da conduta equilibrada possam ser instrumentos das orientações de que eles mesmos necessitam e, dessa forma, então, possam se realinhar com a Lei Divina.

O que define a prática mediúnica responsável, ou seja, assistida pelos bons Espíritos, com a finalidade de distribuir o amor, o consolo, amparar, alertar e orientar as criaturas, é a conduta moral do médium.

Malbaratar o talento da mediunidade, deixando-a manchar-se sob o uso com finalidades pueris e frívolas, indignas e vulgares acarreta penosas aflições e renascimentos dolorosos. Igualmente, a incorreta utilização dos recursos mediúnicos termina, quase sempre, por desarmonizar o psiquismo e a emoção, levando a patologias muito complexas.

Médiuns ciumentos, exibicionistas, descuidados, mentirosos e portadores de outras imperfeições morais pululam em toda parte, acreditando-se ignorados pelas leis soberanas. Mesmo assim, por bondade, são visitados pelos benfeitores espirituais condoídos, que deles se acercam, intentando despertá-los para os deveres e compromissos que lhes dizem respeito.

As entidades superiores, por falta às vezes de médiuns que sintonizem com os seus relevantes propósitos, utilizam-se daqueles que encontram, com dupla finalidade: adverti-los através de orientações seguras e auxiliar as pessoas confiantes ou necessitadas que lhes busquem o socorro.

Cabe, desse modo, a todos os médiuns, a vigilância e a oração constantes, a ação caridosa e a disciplina, a fim de se prevenirem de si mesmos e de suas imperfeições, lembrando que nas faixas vibratórias mais elevadas permanece o pensamento divino aguardando ser captado para o progresso da humanidade.

No livro Mediunidade: Desafios e Bênçãos, Philomeno de Miranda nos alerta: “Somente através do conhecimento lúcido e lógico da mediunidade, mediante o estudo de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, é que deve se permitir o candidato à educação da sua faculdade, ao aprimoramento pessoal, iniciando, então, o exercício dessa disposição orgânica profundamente arraigada nos valores morais do Espírito”.

Prossegue afirmando que uma das primeiras providências a serem tomadas em relação a esse programa iluminativo diz respeito à autoanálise que se deve propor ao interessado, trabalhando as imperfeições do caráter, os conflitos comportamentais, lutando pela transformação moral no seu mundo interior durante toda a existência, para ampliar o esforço pessoal de depuração dessas imperfeições.

É sabido que a permanência voluntária nos vícios torna cada um de nós responsável pelas consequências lamentáveis que advirão. O autor lembra, ainda, que: “A disciplina e a ordem são fundamentais para o seu mais amplo campo de realizações, porquanto a mediunidade não pode constituir-se estorvo à vida normal do cidadão, nem instrumento de interesses escusos sobre a falsa justificativa da aplicação do tempo que lhe é dedicado. É fundamental para os médiuns ter a consciência de que são instrumentos e não autores das informações, tornando-se simples, sem as posturas de que são seres especiais ou emissários irretocáveis da verdade. A busca da notoriedade constitui terrível chaga moral, que o médium deve cicatrizar mediante a terapia da humildade e do trabalho anônimo”.

O cultivo dos bons pensamentos constitui aos médiuns recurso valioso, que não pode ser desconsiderado, ao lado do trabalho perseverante dedicado à edificação em favor do seu próximo. O exercício da mediunidade responsável deve produzir indizível bem-estar, por proporcionar a sintonia com as elevadas esferas espirituais, nas quais o medianeiro haure conforto, inspiração e alegria de viver. Se cumprirmos os deveres que nos cabem, receberemos os direitos que nos esperam. Fazendo corretamente o que nos pede o dia de hoje, não precisaremos repetir a experiência amanhã.

Se na dedicação ao trabalho iluminativo, o medianeiro se entregar ao Pai, sem reservas, com o esquecimento do velho egoísmo, aprendendo a grandeza de sua posição de Espírito imortal, estará ele cumprindo seu papel diante da Lei Divina.

Se Deus é por nós, quem será contra nós? - Romanos,8:31.

 

Bibliografia:

XAVIER, F. C.  Seara dos Médiuns – pelo Espírito Emmanuel – Mediunidade e Imperfeição – 13ª edição – Editora FEB – Brasília/DF/ 2001.

FRANCO, D. P.- Médiuns e Mediunidades – pelo Espírito Vianna de Carvalho – encurtador.com.br/suPSZ



            Vânia Pauletti








                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!    
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 06 de Outubro de 2019, 18:40
                                                               VIVA JESUS!




              Boa-tarde! queridos irmãos.




                     
Mediunidade e alienação mental

 

“A mediunidade, conforme sabemos, exige exercício disciplinado, sintonia com as esferas superiores, meditação constante, isto é, vida íntima ativa e bem direcionada, ao lado do conhecimento do seu mecanismo e estrutura, de modo a tornar-se facilidade superior da e para a vida.” ¹


A mediunidade é a faculdade que nos permite entrar em contato com o mundo espiritual. Aprendemos, para exercê-la, as lições que nos são dadas pelos bons Espíritos e, assim, podemos consolar encarnados e desencarnados que procuram nossa orientação e carinho. Quando praticada com disciplina e baseada nos ensinamentos de Jesus, é consolo e lenitivo para todos nós.

Muitas pessoas, por falta de conhecimento, não acreditam na possibilidade dessa comunicação. Não têm fundamento os argumentos que usam para justificar seus pontos de vista, porque suas opiniões se baseiam em comentários que ouviram de pessoas que também não são estudiosas do assunto. No capítulo 43, ‘Alienação Mental’, do livro “Seara dos Médiuns”, Emmanuel, estimado benfeitor espiritual, dirige-se a essas pessoas que acreditam haver ligação entre mediunidade e alienação mental. Afirma que “especialistas que apenas examinassem os problemas do homem natural através do homem doente” ² não estariam fazendo uma análise verdadeira.

Quem pratica a mediunidade é o médium. De acordo com Kardec, no capítulo 14 de “O Livro dos Médiuns”, todo aquele que sente, em qualquer grau, a influência dos Espíritos, é médium. Mas somente aqueles que conseguem desenvolvê-la, torná-la positiva e atuante, serão considerados médiuns.

Há médiuns desequilibrados? Sim, assim como há pessoas desequilibradas em qualquer lugar da nossa sociedade, independentemente da formação, da posição social, religião que seguem ou praticam. Não podemos julgar toda uma comunidade porque um membro que dela participa apresentou problemas de equilíbrio, de saúde, de comportamento. Kardec afirma que cada um expressa a mediunidade em um grau diferente de outros companheiros. E Emmanuel corrobora dizendo que cada pessoa vai expressar sua mediunidade de acordo com seu grau de evolução.

Como a pessoa se porta no convívio social? Como se expressa através dos seus órgãos dos sentidos? Olhos, ouvidos, boca (fala). O que nossos olhos veem? A bondade praticada silenciosamente por um grupo grande de homens e mulheres ou a maldade estrondosa e barulhenta, praticada por outro grupo, muitas vezes bem menor que o primeiro, mas que ocupa manchetes de televisão, rádio, jornal, redes sociais?

O mesmo se dá com o que ouvimos. Ou falamos. Temos certeza de que nossos comentários são verdadeiros? Que vão ajudar nosso próximo? Ou desmerecem alguém? Quanto tempo, ou melhor, quantas encarnações, ainda, precisaremos para entender que nossos pensamentos, que precedem nossos atos, geram consequências?

No livro Dissertações mediúnicas, Emmanuel aborda aspectos interessantes que muitas vezes não são percebidos pelos médiuns. No capítulo 1, ele afirma que “esse posto é posto da renúncia, da abnegação e dos sacrifícios espontâneos”, ou seja, é importante saber que quem nasceu para executar a tarefa de trabalhar na mediunidade, a favor de sua evolução, mas, principalmente, atuando no socorro ao próximo, encarnado ou desencarnado, precisa conseguir filtrar tudo o que pode afetar seu equilíbrio espiritual. O apóstolo Paulo de Tarso já dizia: “sei que tudo posso, mas nem tudo me convém”. Agir com responsabilidade e encaixar a tarefa mediúnica nas suas atividades semanais, sem deixar de cumpri-la.

Por essa razão, Emmanuel afirma que a mediunidade deve ser encarada como um sacerdócio, ser cumprida com nobreza, com a consciência serena, para não tombar na luta e sempre pesar as consequências dos próprios atos, ou seja, renunciar aos desejos e aspirações de ordem material que possam impedir sua evolução moral.

O médium deve se preocupar sempre com os estudos relativos à tarefa que realiza. Já nos disse o Espírito de Verdade que o primeiro mandamento dos espíritas é amar. E, o segundo, instruir-se. Quando o médium estuda, ele está se preparando para enfrentar todos os obstáculos do seu caminho. Estudar fortalece sua fé, sua boa vontade. E, assim, o trabalhador será luz da crença e esperança para todos que o procuram.

Todos nós sabemos que a Terra é um planeta de expiações e provas, e que, por isso, ainda somos cercados por sombras, lágrimas e sofrimentos. Por tudo isso, é importante vigiar e orar para evitar que sejamos atingidos por vibrações que podem nos desequilibrar.     “Os médiuns, em sua generalidade – prossegue o benfeitor –, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas e que resgatam sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso.” São Espíritos que tombaram porque abusaram do poder, da autoridade, da fortuna, da inteligência. Retornaram à Terra para difíceis resgates, que muitas vezes significam sacrificar-se a favor das almas que prejudicaram, devendo considerar os sofrimentos que enfrentam como ações renovadoras. E isso só ocorrerá quando conseguirem reconhecer e assumir as escolhas infelizes que fizeram, porque somente assim atingirão a redenção.

Ter consciência de que, para cumprir sua tarefa, deverá estudar, entender e praticar os ensinos de Jesus. Conhecer o Evangelho do Mestre na sua divina pureza. Ser humilde, não encarando a mediunidade como um privilégio, e sim, como bendita oportunidade de recomeçar, através da correção de atitudes inadequadas e injustiças que possa ter cometido.

Podemos concluir, assim, que Deus nos permitiu fazer uso da atividade mediúnica para nossa evolução. Cada um de nós, de acordo com suas possibilidades e empenho, fará o melhor uso possível dessa faculdade, pois requererá de nós responsabilidade, disciplina e persistência. É uma tarefa árdua, mas Deus nos dá todo o suporte através da atuação dos Espíritos Superiores nos esclarecendo, sustentando e apoiando, para enfrentarmos com êxito nossas dificuldades.

“A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres, e, sobretudo, a terna solicitude do bom Espírito que a envolve em seu amor, em seus fluidos vivificantes.” ²


Bibliografia:

1. FRANCO, Divaldo Pereira - Loucura e Obsessão, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda - 9ª Edição – FEB - Rio de Janeiro, cap. 22 – 2003.

2. XAVIER, F. C. Seara dos Médiuns – ditado pelo Espírito Emmanuel – 22ª edição, FEB – cap. 43.

3. DENIS, Léon – No Invisível – 2ª reimpressão - FEB – Rio de Janeiro - Cap. 5 – Parte 1 - 2010.
 

       Arlene Paes Dias








                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!     
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 30 de Outubro de 2019, 04:51
                                                               VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                     O Espiritismo não se resume à Mediunidade




                O Espiritismo não se resume à mediunidade, da qual não é nem dono nem criador. A mediunidade é capacidade fisiológica que todos têm em maior ou menor grau e que permite comunicação direta ou sutil com a espiritualidade, de modo que os encarnados na Terra possam receber apoio espiritual para vencer a si mesmos. Esse dom, quando ostensivo, necessita ser estudado para que não seja um entrave, mas sirva de apoio na evolução dos homens.
O Espiritismo não se resume a atividades de recepção de energias, quais sejam os passes, água fluidificada e vibrações: ele precisa ser compreendido uma vez que é doutrina cristã que estimula a prática real e cotidiana dos ensinamentos de Jesus, exigindo estudo dos seus conceitos através do conhecimento da codificação espírita, para melhor serem utilizados.
O Espiritismo não se resume na reencarnação, lei natural que independe da vontade dos homens. Ele a explica como prova de justiça divina que dá a todos a oportunidade de renascerem e evoluírem até que tenham quitado seus débitos e se purificado espiritualmente nas incontáveis vidas na pobreza, riqueza, poder ou humildade, como homens e mulheres, saudáveis ou doentes, perfeitos ou deficientes, ou seja, em toda oportunidade de aprendizado possível.
O Espiritismo não se limita à caridade material, ele incita, estimula, pede, sugere, instiga sobretudo à caridade moral da tolerância, do perdão, do amor, da paciência, da solidariedade, fraternidade, de modo que se dê ao próximo mais do que coisas efêmeras, mas também valores que permanecerão e os auxiliarão a partir do exemplo.
O Espiritismo é doutrina que, sim, atua com a mediunidade, trabalha com as energias, ensina a reencarnação, faz caridade material e moral demonstrando a seus adeptos e simpatizantes que existe um sentido maior para viver, ensina a origem e o destino dos espíritos que somos todos, e explica que o “céu” será alcançado mais cedo ou mais tarde, conforme merecimento.
O Espiritismo explica que todos evoluiremos até o estado de anjos e somos, nesse percurso, os colaboradores de Deus que mudarão a si mesmos e o mundo para melhor. Ser espírita é estudar, conhecer, praticar valores morais que o transformam em homens de bem e almas mais evoluídas. O Espiritismo não faz milagres, ele ensina. Os milagres cada um os fará na própria alma!
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações”. (Allan Kardec)


             Vania Mugnato de Vasconcelos









                                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 01 de Fevereiro de 2020, 23:41
                                                               VIVA JESUS!




              Boa-noite! queridos irmãos.




                     
Trabalhos mediúnicos se tornam escassos


Em pesquisa superficial sobre os trabalhos desenvolvidos nos Centros Espíritas, nota-se, em grande parte, que essas atividades mediúnicas estão desaparecendo e cedendo espaço para outras atividades, que além de se enquadrarem em nível menor de importância e precedência, algumas outras nem figuram como matéria ou assunto doutrinário, pertencentes ao Espiritismo.

Isso é de se lamentar.

E para aumentar ainda mais a surpresa, algumas edições recentes de obras espíritas, quando fazem ligeira abordagem sobre o assunto, justificam que esse tempo e essa preocupação já passou. Muito estranhas essas posições, pois que, em todos os tempos, e não somente ontem ou nos dias atuais, esses casos ocorrem com frequência inimaginável.

Os trabalhos mediúnicos sempre tiveram importante relevância, visto atuarem diretamente em favor e benefício de Espíritos que se acham desorientados e ainda necessitados da presença pesada dos fluidos da Terra. Como sempre foi, esses irmãos são trazidos até essas sessões e recepcionados pelos doutrinadores ou dirigentes, através dos médiuns, para uma conversa orientadora, serena e reconfortante, os quais, quase em sua totalidade, desconhecem a vida atual que levam na outra margem da vida e lamentam a indiferença das pessoas que não lhes dão a necessária atenção. Não sabem onde estão nem a razão de estarem nessa condição. Sentem frio e outras necessidades materiais com sinais ainda perceptíveis pelo Espírito, uma vez que o corpo psicossomático possui, depois da morte, duração variável em razão do equilíbrio emotivo e do avanço cultural daquele que o governa, ou seja, permanece por um tempo indeterminado em adaptação ao novo estágio no plano espiritual.

Portanto, não vemos como pode estar superado esse recurso dos mais importantes em uma casa espírita, que se presta a atender irmãos desencarnados que ali são trazidos para um primeiro contato.

O que se sabe da parte dos próprios benfeitores é que a Terra oferece as condições propícias ao necessitado que ainda guarda em seu perispírito resíduos materiais dos quais precisa livrar-se. E para essa indispensável e necessária limpeza, somente uma reunião mediúnica acolhedora é capaz de promover a retomada do equilíbrio do Espírito.

Outro detalhe não menos importante é o relato feito pelas próprias entidades beneficiadas que se apresentam nessas reuniões. Quando se estabelece o diálogo e, dependendo sempre das condições psíquicas do necessitado, o que se observa durante os atendimentos é o progresso conquistado quando essas reuniões mediúnicas estão disponíveis. Com essa atividade constante e pelas oportunidades idênticas e sucessivas que surgem ao Espírito, este sente-se à vontade quando pode ouvir e absorver, nas conversações de elevado nível fraterno, as necessidades de adaptações que lhe convêm nessa nova fase de sua vida.

Durante os trabalhos poderão ocorrer fatos inusitados. Tudo é possível em uma sessão dessa natureza e útil para ambos os lados, onde estão presentes vibrações fluídicas de toda ordem e de onde poderão ser extraídos ensinamentos a serem aproveitados em benefício de desencarnados e dos próprios encarnados.

Trazemos aqui um desses exemplos que o tempo e a perseverança atuaram favoravelmente em benefício de visitante desencarnado e a sua confiança no interlocutor que, desde a primeira conversa e através das palavras equilibradas e recheadas de harmonia fraternal, culminou em resultado feliz e jubiloso ao Grupo de trabalhadores de uma sessão mediúnica.

Francisco Cândido Xavier (1910-2002) e alguns amigos, quando na cidade de Pedro Leopoldo-MG instituíram regularmente no Centro Espírita Luiz Gonzaga trabalho semanal para essa finalidade, que, além das mensagens recebidas através da psicografia e outras anotações, a exemplo da psicofonia[1], procediam à gravação do trabalho para posterior consulta e outras destinações. Isso possibilitou ao grupo a edição de algumas obras trazendo importantes relatos.

Um desses personagens comunicantes, necessitado de amparo em todas as suas modalidades e formas, de comportamento agressivo e com recusa inclusive em declinar a sua identidade, como muitos fazem, após longo tempo comparecendo às reuniões e sempre de postura rebelde, deixou bela e emocionante prece, que fez aos prantos.

"Quantos venham a ler a mensagem constante deste capítulo[2], decerto nem de longe experimentarão a surpresa de nosso grupo, em cuja intimidade Cerinto, o amigo espiritual que no-la transmitiu, caminhou, pouco a pouco da sombra para a luz.

A princípio era um Espírito atrabiliário[3] e revoltado, chegando mesmo a orientar vastas falanges de irmãos conturbados e infelizes, ainda enquistados na ignorância.

Discutia acerbamente. Criticava. Blasfemava.

De nossos entendimentos difíceis, manda a caridade que nos detenhamos no silêncio preciso.

Surgiu, porém, o dia em que a influência de nossos Benfeitores Espirituais se revelou plenamente vitoriosa.

Cerinto modificou-se e transferiu-se de plano mental, marchando agora ao nosso lado, sedento de renovação e luz como nós mesmos.

Foi por isso com imensa alegria que lhe registramos a comovente rogativa[4], por ele pronunciada em nossa reunião da noite de 24 de novembro de 1955.

Prece de Cerinto:

“Senhor de Infinita Bondade.

No santuário da oração, marco renovador do meu caminho, não Te peço por mim, Espírito endividado, para quem reservaste os tribunais de Tua Excelsa Justiça.

A Tua compaixão é como se fora o orvalho da esperança em minha noite moral e isto basta, ao revel pecador que tenho sido.

Não te peço, Senhor, pelos que choram. Clamo por teu amor a benefício dos que fazem as lágrimas.

Não te venho pedir pelos que padecem. Suplico-te a bênção para todos aqueles que provocam sofrimento.

Não te lembro os fracos da Terra. Recordo-te quantos se julgam poderosos e vencedores.

Não intercedo pelos que soluçam de fome. Rogo-te amor para os que furtam o pão.

Senhor Todo-Bondoso!...

Não te trago os que sangram de angústia. Relaciono diante de ti os que golpeiam e ferem.

Não te peço pelos que sofrem injustiças. Rogo-te pelos empreiteiros do crime.

Não te apresento os desprotegidos da sorte. Solicito teu amparo aos que estendem a aflição e a miséria.

Não te imploro mercê para as almas traídas. Exorto-te o socorro para os que tecem os fios envenenados da ingratidão.

Pai compassivo!...

Estende as mãos sobre os que vagueiam nas trevas...

Anula o pensamento insensato.

Cerra os lábios que induzem à tentação.

Paralisa os braços que apedrejam. Detém os passos daqueles que distribuem a morte...

Ajuda-nos a todos nós, filhos do erro, porque somente assim, ó Deus piedoso e justo, poderemos edificar o paraíso do bem com todos aqueles que já te compreendem e obedecem, extinguindo o inferno daqueles que, como nós, se atiraram desprevenidos, aos insanos torvelinhos do mal!”.

Não nos esqueçamos da observação feita pelos benfeitores de que "Os anjos choram de júbilo nas regiões celestes, quando um coração sofredor se levanta do abismo". Numa conclusão racional, ganha o sofredor, ganha o doutrinador, ganha o médium e ganha o grupo.

 

 
[1] Psicofonia: Quando o Espírito se utiliza dos recursos vocais do médium que lhe serve como intermediário entre os planos físico e espiritual.

[2] Obra Vozes do Grande Além, de Espíritos diversos, por Chico Xavier - Ed. FEB.

[3] Atrabiliário: Colérico, violento.

[4] Prece de Cerinto, na obra Vozes do Grande Além, por Chico Xavier - Ed. FEB.


           Vladimir Polízio









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 17 de Março de 2020, 09:27
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                    Mecanismos da Mediunidade segundo o Espiritismo - Parte 1



Resumo: “Mecanismos da mediunidade” é o título de obra espírita de natureza mediúnica, muito conhecida no meio espírita. Utilizando conceitos de Física, Química e Engenharia Elétrica, essa obra se propôs a apresentar uma explicação, com base nesses conceitos, dos mecanismos do fenômeno mediúnico. Em vista dos conceitos científicos utilizados não serem de fácil entendimento dos companheiros espíritas em geral e do crescente interesse do movimento espírita em descrever os fenômenos espíritas com base apenas na Doutrina Espírita, apresentamos um estudo sobre os mecanismos da mediunidade segundo, apenas, as obras de Kardec. Basicamente, os mecanismos da mediunidade segundo o Espiritismo decorrem dos seguintes conceitos: i) os Espíritos modificam o FU através do pensamento e vontade, impregnando-o de qualidades e informações que desejem; ii) o perispírito é formado pela condensação do FU em torno do Espírito que é o foco de inteligência, e as qualidades dos fluidos do perispírito dependem do grau de evolução do Espírito; iii) o perispírito serve de transmissão ao pensamento, como o fio elétrico; iv) os Espíritos se comunicam com os médiuns da mesma forma que com os Espíritos propriamente ditos, tão só pela irradiação dos seus pensamentos; v) para um Espírito desencarnado se comunicar com o do encarnado, o fluido do médium, através da sua expansão perispiritual, se combina com o perispírito do Espírito desencarnado; vi) os Espíritos tem mais facilidade para responder, por efeito da afinidade existente entre o nosso perispírito e o do médium que nos serve de intérprete. A explicação para esses itens e as devidas citações em Kardec são apresentadas no artigo. Esse artigo pode ser usado como base para preparação ou revisão de cursos sobre Espiritismo e mediunidade.

Introdução

Em 1959, A Federação Espírita Brasileira publicou a obra Mecanismos da Mediunidade, de autoria espiritual de André Luiz e psicografada por XAVIER & VIEIRA (1990). Emmanuel, mentor de Chico Xavier, e André Luiz prefaciaram a obra. Enquanto Emmanuel classifica a obra acima como sendo um “livro que estuda”, André Luiz afirma que a obra vale “por vestimenta necessária, mas transitória, da explicação espírita da mediunidade”. Concordamos com Emmanuel que a obra acima é de estudo, e concordamos com André Luiz sobre a necessidade de termos uma explicação espírita da mediunidade. Mas a obra acaba por usar como referência teórica, interpretações nem todas triviais de vários conceitos da Física, da Química e da Engenharia Elétrica. Isto é, a obra usa como vestimenta esses conceitos da Ciência. Não somos contrários à tentativa de desenvolver o entendimento de um assunto por ângulos diversos. Mas, para a obra atingir o propósito de ser de estudo, é necessário que o movimento espírita domine muito bem o conteúdo da Doutrina Espírita para poder, inclusive, analisa-la e avalia-la doutrinariamente.

Embora a intenção do autor espiritual de Mecanismos da Mediunidade, em usar conceitos modernos da Ciência para desenvolver um entendimento para os mecanismos do fenômeno mediúnico, seja nobre, o desconhecimento, por parte dos espíritas, do significado desses conceitos científicos prejudicou o atingimento desse propósito. Como um efeito colateral imprevisto, outros companheiros espíritas e espiritualistas, embora bem intencionados, construíram sistemas, teorias, propostas ou descrições de diversos fenômenos espiritualistas, seguindo o exemplo de André Luiz, isto é, se utilizando igualmente de conceitos científicos da Física, da Química e da Engenharia. Infelizmente, porém, algumas dessas teorias foram demonstradas estarem incoerentes com a Doutrina Espírita (DA FONSECA, 2012, 2013a, 2013b).

Tentativas de amenizar a dificuldade na conceituação científica de Mecanismos da Mediunidade existem na literatura espírita. Esclarecimentos sobre os conceitos e analogias científicas usadas por André Luiz nessa obra foram apresentados por DA FONSECA (2016b, 2017). Além de mostrar que várias das analogias realizadas por André Luiz são muito boas, desde que entendidas de modo adequado, DA FONSECA (2016b, 2017) também esclarece a validade de algumas interpretações importantes como achar que pensamento é uma onda eletromagnética. Sugerimos o leitor interessado acessar os artigos acima.

Mas, a questão que se apresenta aqui é outra. Mesmo havendo esclarecimentos sobre os pontos técnicos/científicos da obra Mecanismos da Mediunidade, ainda muitas pessoas não se sentem confortáveis com conceitos científicos que só se compreende bem após anos de estudo em nível universitário. Seria, então possível revisitar a obra de Kardec e descobrir com base somente nela, quais os mecanismos da mediunidade? Será que a obra de Kardec é capaz de fornecer, igualmente, uma explicação para os mecanismos da mediunidade?

Neste artigo, nós procuramos realizar isso. Isto é, revisitamos os conceitos genuinamente doutrinários, ou seja, apenas aqueles contidos na obra de Allan Kardec, em busca da identificação dos conceitos necessários à apresentação dos mecanismos da mediunidade segundo, apenas e exclusivamente, o Espiritismo[1]. Na atualidade, percebe-se que o movimento espírita tem buscado incentivar um maior comprometimento com a coerência doutrinária (MILANI, 2018, CARRARA, 2019). Dessa forma, é de interesse do leitor e o pesquisador espírita descobrir como a Doutrina Espírita descreveria os mecanismos da mediunidade. Isso seria importante até mesmo para poder avaliar e valorizar a proposta de André Luiz ou de outros autores em termos de coerência com a Doutrina Espírita. Aqui, portanto, encontrar-se-á uma explicação formal dos mecanismos da mediunidade de acordo com Kardec. Se houver interesse, esse material poderá ser usado na preparação e/ou revisão de material de cursos de Espiritismo e/ou de mediunidade segundo Kardec.

Na literatura espírita, encontramos alguns trabalhos que buscam descrever os fenômenos espíritas com base nas obras de Kardec. Jader SAMPAIO (1999), por exemplo, identifica um aspecto comum nos mecanismos do fenômeno de sonambulismo e clarividência, que é a emancipação da alma. Rubens P. MEIRA (2013) apresenta as funções e propriedades do perispírito em termos das obras de Kardec, discutindo a validade doutrinária de algumas afirmativas presentes no meio espírita. Porém, uma descrição detalhada de como a mediunidade ocorre, independentemente do tipo, em termos apenas dos conceitos contidos nas obras de Kardec, ainda não existe até onde pudemos investigar.

Nas seções seguintes, apresentamos, primeiro uma revisão dos conceitos fundamentais de fluidos e perispírito. Em seguida usamos esses conceitos na construção de uma explicação genuinamente espírita, dos mecanismos da mediunidade segundo a Doutrina Espírita.

II. Fluidos e perispírito

Nessa seção iremos apresentar as definições dos conceitos de fluidos e perispírito conforme apresentados por Kardec e os Espíritos. Apresentaremos esses conceitos numa ordem didática descrevendo de modo resumido, os dois elementos gerais da criação, suas propriedades e como eles se relacionam.

II.1 Fluido universal e fluidos espirituais

Das questões de 21 a 28 de O Livro dos Espíritos (LE) (KARDEC, 1995), Kardec apresenta aos Espíritos perguntas sobre o que seriam a matéria e o espírito[2]. Começa fazendo perguntas sobre a matéria, que é algo que já conhecemos, e depois pergunta “Que é o espírito?” (questão 23) para o que recebe a seguinte resposta: “O princípio inteligente do Universo.”

Daí, na questão 27 do LE, Kardec pergunta se espírito e matéria seriam os elementos gerais do Universo, ao que os Espíritos responderam que sim mas que: “ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o espírito possa exercer ação sobre ela.”

Nessa parte da resposta, identificamos um conceito distinto: o fluido universal. O que seria o fluido universal? No capítulo XIV de A Gênese (GE) (KARDEC, 2010), Kardec apresenta um importante estudo sobre os fluidos. No item 2 deste capítulo ele apresenta a definição de fluido cósmico universal ou fluido universal (abreviaremos por FU de agora em diante):


 
          Alexandre Fontes da Fonseca









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 17 de Março de 2020, 09:35
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                     
“(...) o fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza. Como princípio elementar universal, ele apresenta dois estados distintos: o de eterização ou de imponderabilidade, que se pode considerar como o estado normal primitivo, e o de materialização ou de ponderabilidade, que, de certa maneira, é apenas consecutivo àquele outro. O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível, mas, ainda aí, não ocorre uma transição brusca, uma vez que podemos considerar nossos fluidos imponderáveis como um ponto intermediário entre os dois estados.” (Grifos em negrito, nossos).

O FU é, portanto, a matéria prima de tudo o que é material na natureza. Nas palavras de Kardec acima, as transformações do FU “constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza.” Mas isso diz respeito às coisas materiais que formam o universo visível e conhecido. E com relação aos chamados fluidos espirituais? Primeiro, vamos compreender dois conceitos presentes na citação acima: ponderabilidade e imponderabilidade.

Ponderável é uma qualidade de algo que é passível de ser pesado. Em outras palavras, ponderabilidade é uma propriedade de objetos materiais que são sensíveis às forças de atração gravitacional do nosso planeta e, portanto, podem ser pesadas. Não confundir isso com a propriedade da massa de um objeto. Por exemplo, o gás hélio é tido como imponderável, mas ele tem massa. Segundo a Doutrina Espírita, tanto a matéria “etérea” ou imponderável quanto a matéria densa, tangível e ponderável são formadas pelo FU.

À época de Kardec, acreditava-se que, por serem fenômenos invisíveis e impalpáveis, o calor, o magnetismo e a eletricidade eram formados por fluidos imponderáveis. Hoje, embora a ciência descreva esses mesmos fenômenos de outra maneira, o conceito de fluidos e sua imponderabilidade encontraram grande coerência com os ensinamentos dos Espíritos, de modo que do ponto de vista filosófico, fluido é uma palavra presente na Doutrina Espírita que não requer atualização. DA FONSECA (2016a) apresentou explicações sobre a atualidade do termo “fluidos” no Espiritismo.

Mas o que são, então, os fluidos, ou os fluidos espirituais?

Para chegar à resposta, citamos Kardec que, logo depois de definir o FU, apresentou uma correspondência entre a matéria ponderável e os fenômenos materiais, conhecidos e estudados pela nossa Ciência, e a matéria imponderável (os fluidos) e os fenômenos espirituais ou psíquicos. No item 3 do capítulo XIV de GE, Kardec diz:

“No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme. Sem deixar de ser etéreo, ele sofre modificações também variadas no seu gênero, talvez mais numerosas do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedendo do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos particulares do mundo invisível.” (Grifos em negrito, nossos).

Kardec, então, afirma que algumas das modificações do FU são tais que estão presentes apenas nos fenômenos particulares do mundo invisível. O FU assim modificado, dá origem aos fluidos espirituais. Isto é, fluidos espirituais são modificações do FU que estão presentes nos fenômenos espirituais. Kardec faz uma ressalva de natureza filosófica, ao comentar o seguinte no item 5 do cap. XIV da GE:

“A classificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, uma vez que, definitivamente, eles são sempre matéria mais ou menos quintessenciada. De espiritual, realmente, só a alma ou princípio inteligente. Essa denominação é adotada apenas por comparação e, sobretudo, pela afinidade que esses fluidos têm com os Espíritos. Pode-se dizer que são a matéria do mundo espiritual, razão pela qual são chamados fluidos espirituais.” (Grifos em negrito, nossos).

Essa ressalva ressalta a correspondência entre os fluidos espirituais e o fato de que é com eles ou através deles que ocorrem os “fenômenos particulares do mundo invisível”.

Resta agora, esclarecer como os Espíritos sentem, percebem ou usam os fluidos. Kardec afirmou (item 3 do cap. XIV da GE):

“Tudo sendo relativo, esses fluidos têm para os Espíritos - que também são fluídicos - uma aparência tão material quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados, sendo para eles o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram, os combinam para produzir determinados efeitos, assim como os homens fazem com os seus materiais, embora por processos diferentes.” (Grifos em negrito, nossos).

Da transcrição acima, dois conceitos importantes podem ser destacados: a) para os Espíritos, os fluidos tem aparência material, semelhante às nossas substâncias e objetos; e b) são os Espíritos que os elaboram ou os combinam para produzir determinados efeitos. A letra b) representa um dos fundamentos dos mecanismos da mediunidade como veremos mais adiante. Em outras palavras, a mediunidade vai depender de algum tipo de combinação de fluidos para ocorrer. Entenderemos isso até o final do artigo.

Precisamos entender o que a Doutrina Espírita ensina sobre como os Espíritos podem “elaborar” ou “combinar” fluidos para produzir ou realizar algum fenômeno. Kardec explica isso no item 14 do capítulo XIV de GE:

“Os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas com a ajuda do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são para os Espíritos o que a mão é para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem aos fluidos espirituais esta ou aquela direção; eles os aglomeram, combinam ou dispersam; com eles formam conjuntos tendo uma aparência, uma forma e uma cor determinadas; mudam as suas propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outras substâncias, combinando-as segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.” (Grifos em negrito, nossos).

O entendimento do processo, agora, se torna mais claro. Não tendo corpo físico material, os Espíritos não podem agir sobre os fluidos da mesma forma que encarnados agem sobre a matéria. Os Espíritos agem sobre os fluidos através do pensamento e da vontade. Ou, em termos simples, pensando e tendo vontade. Esse é um dos princípios mais importantes do Espiritismo! O pensamento e a vontade são atributos que todo Espírito tem, com e/ou através dos quais é capaz de modificar o FU presente ao nosso redor, gerando neles forma, cor e, mais importante, qualidades associadas à qualidade do pensamento. Se um pensamento é bom, os fluidos ao redor do Espírito se modificarão de acordo e de modo a adquirirem qualidades boas. Se um pensamento é mau, os fluidos ao redor do Espírito se modificarão de modo a adquirirem qualidades más (ver item 15 do cap. XIV de GE). Essas modificações podem ocorrer por intenção ou por pensamentos inconscientes, e ocorrem de modo até mesmo instantâneo, isto é, basta pensar e/ou sentir, que o FU ao redor do Espírito, encarnado ou desencarnado, se modifica e adquire as qualidades do pensamento (ver item 14 do cap. XIV de GE).


          Alexandre Fontes da Fonseca









                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 22 de Março de 2020, 06:52
                                                              VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                     Mecanismos da Mediunidade segundo o Espiritismo - Parte 2




II.2 Perispírito

Agora, podemos entender o que é e como se forma o perispírito. Na questão 93 do LE,  Kardec pergunta aos Espíritos se eles possuem algum tipo de substância que os cobre ou envolve, ao que eles respondem que sim que “Envolve-o uma substância, vaporosa para os teus olhos, mas ainda bastante grosseira para nós; assaz vaporosa, entretanto, para poder elevar-se na atmosfera e transportar-se aonde queira.” Em nota a essa questão, Kardec propõe o termo/palavra “perispírito”.

Se uma “substância vaporosa” envolve o Espírito e forma o seu perispírito, do que é feito essa substância? Como o perispírito se forma? Voltamos à obra A Gênese onde Kardec responde isso no item 7 do capítulo XIV:

O perispírito, ou corpo fluídico dos espíritos, é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico. Ele é uma condensação desse fluido em torno de um foco de inteligência ou alma. (Grifos em negrito, nossos).

Assim, o perispírito é, simplesmente, formado de fluidos que, por sua vez, são modificações do FU realizadas pelo próprio Espírito. Isto é, o Espírito, através do seu pensamento, modifica o FU ao redor e forma em torno de si, uma “cobertura” que Kardec deu o nome de perispírito. Enfatizamos que o perispírito se forma apenas em torno de “um foco de inteligência” e, portanto, não existe perispírito sem Espírito. O corpo material pode existir separado do Espírito, como por ocasião da morte e antes de se decompor. Mas o perispírito não pode existir separado da alma. Esse é outro princípio importante da Doutrina Espírita.

As propriedades do perispírito, de acordo com a Doutrina Espírita, podem ser resumidas assim (todas elas decorrem de comentários de Kardec presentes no cap. XIV de GE):

a) Imponderável. Como os fluidos espirituais são imponderáveis, e o perispírito é composto por esses fluidos, naturalmente o perispírito será relativamente leve e sutil, não estando sujeito à ação da gravidade. Nas palavras de Kardec (item 7, cap. XIV da GE): “No perispírito, a transformação molecular ocorre de maneira diferente, uma vez que o fluido conserva a sua imponderabilidade e as suas qualidades etéreas.” Assim como os fluidos espirituais não podem ser “presos” por objetos materiais, o perispírito igualmente não pode ser preso.

b) Plasticidade. Sua forma pode variar conforme o pensamento e a vontade do Espírito. Nas palavras de Kardec (item 14, cap. XIV da GE): “É assim, por exemplo, que um Espírito se apresenta à visão de um encarnado, dotado de visão espiritual, com a aparência que tinha quando vivo na época em que o encarnado o conheceu, embora ele tenha vivido, depois dessa época, muitas outras encarnações. Ele se apresenta com as roupas, os sinais exteriores, enfermidades, cicatrizes, membros amputados, etc., que tinha então. Um decapitado se apresentará sem a cabeça. Isso não quer dizer que ele tenha conservado essa aparência, claro que não, uma vez que, como Espírito, ele não é coxo, nem maneta, nem zarolho e nem decapitado. O que ocorre é que seu pensamento reportando-se à época em que era assim, seu perispírito toma instantaneamente aquela aparência, que ele deixa, do mesmo modo, logo que o pensamento deixa de agir naquele sentido.” Faz-se, entretanto, uma ressalva de que de modo geral, a forma humana é a forma natural dos Espíritos se apresentarem[1].

c) Expansível. Por ter plasticidade, o perispírito pode se expandir. No encarnado, isso significa que o seu perispírito pode se expandir para além das percepções localizadas nos órgãos. Nas palavras de Kardec (item 17, cap. XIV da GE): “Pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha um papel preponderante no organismo; pela sua expansão, ele coloca o Espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres.”

d) Assimila fluidos com facilidade. Nas palavras de Kardec (item 18, cap. XIV da GE): “Como o perispírito dos encarnados é de uma natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja que se embebe de líquido. Esses fluidos têm sobre o perispírito uma ação tanto mais direta quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito se confunde com eles.”

e) Em seu estado normal, é invisível e intangível para os sentidos humanos. Nas palavras de Kardec (item 35, cap. XIV da GE): “O perispírito é invisível para nós no seu estado normal, mas, como é formado de matéria etérea, o Espírito pode, em certos casos, por um ato da sua vontade, fazê-lo sofrer uma modificação molecular que o torne momentaneamente visível. (...) Conforme o grau de condensação do fluido perispiritual, a aparição, às vezes, é vaga e vaporosa; outras vezes é mais nitidamente definida; outras, enfim, tem todas as aparências da matéria tangível. Pode, mesmo, chegar até à tangibilidade real, a ponto de o observador se enganar sobre a natureza do ser que tem diante de si.”

f) Irradiação. Nas palavras de Kardec (item 17, cap. XIV da GE): “O Espírito, ao encarnar, conserva o seu perispírito com as qualidades que lhe são próprias, e que, como se sabe, não é circunscrito pelo corpo, mas irradia em torno dele e o envolve como em uma atmosfera fluídica.”

g) Evolui com o Espírito. Nas palavras de Kardec (item 10, cap. XIV da GE): “Daí também resulta que o envoltório perispiritual de um mesmo Espírito se modifica com o progresso moral que ele realiza em cada encarnação, embora encarnando no mesmo meio;” e (item 9, cap. XIV da GE): “A natureza do envoltório fluídico está sempre de acordo com o grau de adiantamento moral do Espírito.”

h) Densidade relativa. Pela razão da propriedade do item f), o perispírito dos Espíritos não é igual para todo o Espírito. Nas palavras de Kardec (item 7, cap. XIV da GE): “Existem alguns cujo envoltório fluídico, mesmo sendo etéreo e imponderável em relação à matéria tangível, ainda é muito pesado, se assim podemos dizer, em relação ao mundo espiritual, para permitir que eles saiam do meio onde se encontram.” E também (item 10, cap. XIV da GE): “... conforme o próprio Espírito seja mais ou menos depurado, seu perispírito se forma das partes mais puras ou das mais grosseiras desse meio.”

As propriedades do perispírito, acima descritas, combinadas com as propriedades dos fluidos permitem resumir, a seguir, as funções do perispírito, segundo a Doutrina Espírita, como sendo:

i) O agente das sensações exteriores (Questão 257 do LE e item 22, cap. XIV da GE);

ii) O veículo de transmissão do pensamento, como o fio elétrico (Questão 455 do LE);

iii) Comprova a existência do Espírito e torna reconhecida a sua individualidade. (itens 4 e 17 do cap. XI da GE, e questões 150 e 284 do LE);

iv) Influencia na formação do corpo físico (nos itens 11, 16 e 29 do cap. XI de GE, Kardec fala sobre a influência do Espírito na evolução da forma física).

A seguir, veremos como essas propriedades e funções do perispírito e dos fluidos permitem entender os mecanismos da mediunidade segundo a Doutrina Espírita.


              Alexandre Fontes da Fonseca









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 22 de Março de 2020, 06:56
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                     
III. Percepções dos Espíritos

A pergunta que desejamos responder nesse artigo é: como ocorre a mediunidade segundo o Espiritismo? Como a pessoa que tem a faculdade mediúnica, o médium, consegue sentir essa influência dos Espíritos a tal ponto de poder transmitir uma mensagem ou informação deles a outras pessoas? A resposta a essas questões consiste dos mecanismos por trás da mediunidade.

Para descobrir tais mecanismos, é preciso verificar, primeiro, como a Doutrina Espírita ensina a forma pela qual os Espíritos sentem as coisas. Em outras palavras, como são as percepções nos ou dos Espíritos? Encontramos nas questões de 245 em diante do LE, as primeiras informações sobre isso. Os Espíritos afirmaram que o sentido da visão reside em todo o Espírito, e não de modo circunscrito como através de um órgão de visão (os olhos e a retina) nos encarnados. Kardec, ao perguntar se ocorre da mesma forma com a percepção da audição dos Espíritos, recebe de resposta não apenas a informação sobre a audição em si, mas também o esclarecimento geral sobre a questão das percepções dos Espíritos (resposta à questão 249a do LE):

“Todas as percepções constituem atributos do Espírito e lhe são inerentes ao ser. Quando o reveste um corpo material, elas só lhe chegam pelo conduto dos órgãos. Deixam, porém, de estar localizadas, em se achando ele na condição de Espírito livre.” (Grifos em negrito, nossos).

A resposta acima esclarece a questão de modo geral pois os Espíritos afirmam que “todas as percepções” são atributos do Espírito. Isso significa duas coisas importantes:

A) Todo Espírito possui percepções. Encarnado ou desencarnado, simples e ignorante ou puro, todos os Espíritos tem capacidade de perceber as coisas. Dizendo de outra forma, não existe Espírito sem percepções ou incapazes de ter percepções.

B) Se o Espírito estiver encarnado, as sensações lhe chegam pelos órgãos do sentido presente no corpo físico. Se o Espírito estiver na condição “livre”, isto é, emancipado como, por exemplo, através do sono, ou desencarnado, as sensações não são localizadas, isto é, não lhe chegam através de órgãos similares aos do sentidos (os cinco sentidos).

A combinação dos conteúdos das respostas dadas às questões de 245 e 249 forma mais um dos fundamentos da Doutrina Espírita: o mecanismo das percepções nos Espíritos. Quando encarnado (isto é, quando um Espírito está revestido de um corpo material) as percepções lhe chegam através dos órgãos dos sentidos que são: a visão, audição, paladar, olfato e tato[2]. Os órgãos são os olhos, os ouvidos, a língua, o nariz e a pele, respectivamente. Inclui-se o sistema nervoso que é responsável por permitir que os estímulos externos sejam encaminhados ao cérebro. Na condição de Espírito livre, as percepções deixam de estar localizadas, o que significa que elas deixam de depender dos órgãos dos sentidos. Elas, as percepções, residem em todo o Espírito, “em todo ele” como responderam os Espíritos a Kardec na questão 245 do LE. Essa palavra “localizada” é muito importante. Ela diz respeito à correspondência que nossa mente faz entre a percepção e a parte do corpo que recebe o estímulo que a produz. Embora a ciência já tenha mostrado que os sentidos são percebidos pelo cérebro, pelos estímulos luminosos chegarem através dos olhos, por exemplo, pensamos ou temos a impressão de que a visão se localiza na nossa fronte, na cabeça. Similarmente, pensamos ou temos a impressão de que o olfato ocorre no nariz, a audição nos ouvidos, o paladar na língua e a pele localiza a percepção do tato e temperatura.

Note que os estímulos da visão, audição, paladar, olfato e tato são todos de natureza material. A luz que adentra os olhos e formam a imagem na retina, o som que chega até os tímpanos no ouvido, as substâncias que geram sabores nos alimentos e odores nos aromas, e os estímulos do tato e temperatura são todos fenômenos materiais que envolvem objetos e sistemas materiais conhecidos. No caso dos Espíritos em estado livre, não existem órgãos no perispírito que recebem esses estímulos de percepção. Segundo os Espíritos, eles podem perceber diretamente no perispírito algumas dessas impressões. Nas palavras de Kardec (questão 257 do LE): “Outro tanto não acontece com os de perispírito mais denso, os quais percebem os nossos sons e odores, não, porém, apenas por uma parte limitada de suas individualidades, conforme lhes sucedia quando vivos. Pode-se dizer que, neles, as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o ser e lhes chegam assim ao sensorium commune, que é o próprio Espírito, embora de modo diverso e talvez, também, dando uma impressão diferente, o que modifica a percepção.” No item 22 do cap. XIV da GE, Kardec diz: “Pelos órgãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, elas são generalizadas; o Espírito vê, ouve e sente por todo o seu ser o que se encontra na esfera de irradiação do seu fluido perispiritual.” No caso das percepções dos Espíritos, são os fluidos espirituais que eles percebem através do seu perispírito. Nas palavras de Kardec (item 24 do cap. XIV da GE): “... para o mundo espiritual existe uma luz especial cuja natureza nos é desconhecida, mas que, sem dúvida, é uma das propriedades do fluido etéreo, adequada às percepções visuais da alma.”

A partir disso podemos concluir que embora uma pessoa que tenha nascido com alguma deficiência em algum(ns) órgão(s) do sentido, ou o(s) tenha lesado em algum acidente, e esteja prejudicada a percepção correspondente, isso vale apenas enquanto ela estiver encarnada. Em estado emancipado, portanto livre, a pessoa permanece com sua capacidade de ter percepções espirituais intactas.

Voltemos ao significado de Espírito livre ou em estado livre. Já comentamos que há duas situações gerais a respeito: a) por Espírito livre, entende-se o Espírito desencarnado e, portanto, livre de um corpo físico material; e b) por Espírito livre, pode se entender o Espírito encarnado em algum estado de emancipação da alma como o sono, por exemplo, já citado acima. Nesse caso, o estado livre do Espírito é momentâneo e parcial pois que momentâneo é o estado alterado de consciência e parcial a emancipação (total apenas no caso de desencarnação). O corpo físico, nesse segundo caso, está com suas atividades de vigília suspensas, reduzidas ou adormecidas, e o Espírito goza de estado relativamente livre. Nesse estado, o Espírito pode se afastar do seu corpo físico, se relacionar com outros Espíritos no mundo espiritual e se deslocar a lugares do seu interesse. Suas percepções nesse estado, são similares a de um Espírito completamente livre ou desencarnado, isto é, não são localizadas.

O ponto que nos interessa aqui é o estado de Espírito livre ou relativamente livre que um encarnado pode ter. Estando, portanto, um encarnado em um estado de emancipação da alma, a Doutrina Espírita garante que seu Espírito tem todas as suas percepções, visão, audição e outras sensações, ocorrendo através do seu perispírito, como um todo, e não através dos órgãos no corpo. Nas palavras de Kardec, ao falar sobre a visão espiritual, é esclarecido que (item 26, cap. XIV da GE): “A visão espiritual, portanto, oferece percepções especiais que, não tendo por sede os órgãos materiais, ocorrem em condições muito diversas das da visão corporal.” (Grifos em negrito, nossos). No item 22, cap. XIV da GE, diz: “Pelos órgãos do corpo, a visão, a audição e as diversas sensações são localizadas e limitadas à percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, elas são generalizadas; o Espírito vê, ouve e sente por todo o seu ser...” (Grifos em negrito, nossos).

Aproveitamos o tema para apresentar um esclarecimento. Não existiriam órgãos do sentido no perispírito? Não! A questão 257 do LE afirma claramente que não existem órgãos sensitivos no perispírito. Como já citado nos vários trechos de Kardec acima, os Espíritos no estado livre têm suas percepções ocorrendo através de todo o perispírito. Portanto, os Espíritos não enxergam com os “olhos do perispírito”, nem ouvem com os “ouvidos do perispírito”, e assim por diante, mas simplesmente sentem as imagens ou os sons, ou percebem os pensamentos dos outros Espíritos através do seu perispírito. No máximo, se pode dizer, com Kardec (item 22, cap. XIV da GE) que “O perispírito é o órgão sensitivo do Espírito...” Outros estudos demonstram isso apresentando mais argumentos com base em Kardec (MASSI, 2018).

 
 
(1)        Sobre a forma humana, ver itens 3, 53, 56, e questão 28 do item 100, do Livro dos Médiuns (LM) (KARDEC, 1996).

(2) A ciência já reconhece a existência de outros sentidos, mas todos eles estão relacionados ao sistema nervoso. Veja, por exemplo, o texto do Wikipedia (em inglês), acessado em 18/2/2020: clique aqui



            Alexandre Fontes da Fonseca







                             
                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!

 
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 25 de Abril de 2020, 23:36
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-noite! queridos irmãos.




                   
Dons mediúnicos, o que fazer deles?


“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.” Paulo (I Coríntios, 12:4.)


Examinando os dons espirituais ou, propriamente, as faculdades mediúnicas entre os aprendizes do Evangelho, o apóstolo Paulo afirma categórico, no capítulo XII de sua primeira epístola aos Coríntios: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo, há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo e há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera em tudo e em todos. A manifestação dos Espíritos, porém, é concedida a cada um para o que for útil”.

Portanto, não nos creiamos maiores ou menores. Como as árvores espalhadas no solo, cada talento mediúnico tem a sua utilidade e a sua expressão. Lembremo-nos de que todo bem, muito antes de externar–se por intermédio desse, ou daquele intérprete da verdade, procede, originalmente, de Deus.

Os atributos medianímicos são como talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino é desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da Seara da verdade e do amor. Todavia, multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos de Deus.

Todos nós somos chamados a cooperar no conjunto das boas obras, a fim de que nos elejamos à posição de escolhidos para tarefas mais elevadas. Entretanto, para a nossa segurança, deixemo-nos conduzir pelas mãos do operário Divino, para que modelemos e executemos as construções mentais superiores, tornando-nos cooperadores na obra do nosso Pai.

Depende de cada qual aprimorar ou descuidar a sua faculdade mediúnica, relegando-a a plano secundário; é responsabilidade que cada um exerce, mediante o próprio arbítrio. Para lograrmos êxito, abstenhamo-nos do contato com as forças que operam a perturbação e a desordem, visíveis ou invisíveis, na certeza de que daremos conta dos dotes mediúnicos com que fomos, temporariamente, felicitados, pois o espírito do Senhor, por seus mensageiros, nos aquinhoa com esse ou aquele empréstimo de energias medianímicas, a título precário, para a nossa própria edificação e segundo as nossas necessidades.

O exercício desse mandato exige treinamento, dedicação, estudo. O fator moral é, igualmente, de relevante importância pelos efeitos que dele resultam. Assim, o conhecimento que adquirimos sobre a faculdade mediúnica nos proporcionará melhor comportamento, a fim de produzirmos com eficiência e tranquilidade.

Tenhamos cuidado de não apressar, ou seja, apurar os nossos dons mediúnicos. Ninguém deverá forçar o seu desenvolvimento, pois nesse terreno toda espontaneidade é necessária. Deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e boa vontade, seja essa possibilidade psíquica a mais humilde de todas, considerando-se que as tarefas medianímicas são dirigidas pelos mentores do plano Espiritual. E, paulatinamente, através de exercício metódico desses dons e, mediante conduta correta no bem, conjugando a oração ao trabalho, alcançaremos êxito, e os resultados felizes que almejamos.

Não existe uma mediunidade mais preciosa que a outra. Qualquer uma é campo aberto às mais belas realizações espirituais. Certamente, alguns ao longo de sua jornada evolutiva estão mais bem aquinhoados pelos dons mediúnicos que lhes são concedidos para a própria edificação à luz consagradora da Doutrina Espírita, que é a única diretriz segura com Jesus, para o ministério abençoado da iluminação na Terra.

Dessa forma, nos quadros da ação espírita, temos os instrumentos mediúnicos necessários ao exercício, neste ou naquele setor de trabalho. E, com boa vontade e muita disposição, doemos nossas horas disponíveis ao exercício da mediunidade nobre ao falar, ao escrever, ao ensinar, ao aplicar passes, ao magnetizar a água pura, ao orar em favor do nosso próximo, ao intervir com bondade e otimismo nas paisagens enfermas de quem nos busca ajuda, ao evangelizar os Espíritos em perturbação, sobretudo, ao viver a lição do bem arrimado à caridade, pois segundo Joanna de Ângelis, nobre benfeitora espiritual, “médium sem caridade pode ser comparado a cadáver de boa aparência, entretanto, a caminho da degeneração”.

A verdade é que todos estamos interligados em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos, vinculados espírito a espírito, pelo impositivo da evolução. Por isso mesmo, em nossa esfera de serviço, não necessitamos de profissionalismo religioso. Não existem médiuns pastores, médiuns gerentes, médiuns lideres ou médiuns diretores, pois a cada um de nós cabe uma parte do grande apostolado da redenção que nos foi atribuído pela Espiritualidade Maior. E se temos um mentor a procurar e ouvir, no plano da consciência e no santuário do coração, esse mentor é nosso Senhor Jesus Cristo, que deveremos revelar em nós mesmos a divina essência da sua lição: “A cada um, segundo as suas obras”.

Se, todavia, experimentamos, ainda, sintomas mais evidentes desta ou daquela faculdade mediúnica, transformemo-nos, espontaneamente, em instrumento de amor e acendamos a lâmpada do auxílio fraterno no coração, a fim de que a caridade nos transforme em medianeiros da esperança entre os que aspiram a um mundo renovado e ditoso para o futuro, desde hoje.

 

Bibliografia:

XAVIER, C. Francisco – Seara dos Médiuns – ditado pelo Espírito Emmanuel – 75ª edição – Rio de Janeiro/RJ/ Editora FEB – 1991 – lição 48.

XAVIER, C. Francisco e VIEIRA Waldo – O Espírito de Verdade – ditado por Espíritos diversos – 15ª edição – Rio de Janeiro/RJ/ Editora FEB – 2006 – lições 5 e 11.

KARDEC, Allan – O Evangelho segundo o Espiritismo – 131ª edição – Rio de Janeiro/RJ/ Editora FEB – 2013 – capítulo XXV – itens 9, 10 e 11.

FRANCO, P. Divaldo – pelo Espírito Joanna De Ângelis – 89ª edição – Salvador/BA/ Editora Centro Espírita Caminho da Redenção – 1972 – lição 30.



           Maria Margarida Moreira Ferreira









                                                                                                 PAZ, MUITA PAZ!
 
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 26 de Maio de 2020, 08:27
                                                              VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                     
   
O despertar da
força mediúnica



Apesar de ser um tema relevante no cotidiano espírita, o momento e o processo de afloramento da mediunidade ainda carecem de uma discussão mais aprofundada, o que motivou os autores a redigir este provocativo e orientativo artigo, buscando trazer mais debates sobre o tema e, ainda, visando trazer aos trabalhadores da juventude espírita algum subsídio para essa discussão.

O Livro dos Médiuns (cap. XVII) se detém na discussão do exercício da mediunidade, no seu desenvolvimento pela experimentação, mas esse ponto do despertar não é objeto de grandes confabulações kardequianas. Algo existe na obra “Qualidade da prática mediúnica”, da equipe soteropolitana Manoel Philomeno de Miranda, que se utiliza de trechos de obras psicografadas pelo médium Divaldo Franco, trazendo que esse afloramento surge em qualquer idade, posição social ou denominação religiosa, e que se pode dar de forma explosiva ou sutilmente, informações que vão ao encontro do senso comum.

Mas os autores, inquietos, resolveram buscar bases mais empíricas para essa discussão e resolveram perguntar ao médiuns, e no primeiro semestre de 2018, por meio de grande divulgação nas redes sociais, foram colhidas as narrativas de 38 médiuns ostensivos, em exercício no Brasil, adultos, e que responderam às perguntas:

i) Como se deu o processo de afloramento da minha mediunidade?

ii) Em que medida esse processo foi conturbado? e

iii) Que caminhos você adotou para se equilibrar nesse processo?

No que se refere ao processo de afloramento, as narrativas indicaram que as primeiras manifestações ostensivas se deram entre 13 e 17 anos de idade, com alguns relatos de manifestações esparsas na infância, não percebidas como mediunidade.

Essa faixa etária reforça a importância de se suprir a lacuna de literatura especializada voltada ao público juvenil sobre o tema mediunidade, e ainda, a importância do preparo e da percepção dos trabalhadores da juventude espírita nessa temática.

Os sintomas listados, de um modo geral, em processos espontâneos, e um tanto conturbados, eram acompanhados de manifestações diretas de clariaudiência, desdobramentos, psicofonia ou vidências, ou seja, o jovem começa de ordem confusa, e sem controle, a dar passividade.

Ocorreram também narrativas de pensamentos estranhos, angústia, sonhos confusos, taquicardia, choro, sentir a presença de espíritos, não discernir quem é encarnado ou não, e, em menor número, premonições e sentir odores estranhos.

Percebe-se que existe um período de inflexão, no qual esse fenômeno mediúnico realmente aflora no jovem, e que é um período tenso e conflituoso, como é a juventude. Um grupo minoritário se manifestou no sentido de sua mediunidade ter surgido mais tarde, nos trabalhos da casa de educação mediúnica, naturalmente.

Sobre em que medida o processo foi conturbado, a maioria revelou que sim, que foi um processo de sofrimento, doloroso, com descrição de incômodos como: medo, inclusive de ficar sozinho; apreensão; tristeza; dificuldade de identificar as suas próprias emoções; sofrer chacota dos grupos sociais; sentir vergonha; acordar de relance no meio da noite; sustos; fugir de aglomerações; além de desmaios, taquicardia, falta de ar e tontura.

Como se vê, pela narrativa dos médiuns, se percebe o sofrimento que se deu nesse processo, e que muitos sentem ainda hoje, sendo que alguns respondentes ainda relataram serem levados a religiões não mediúnicas, sendo imputados a eles desequilíbrios ou negação do que sentiam, e alguns, ainda, contaram terem sido submetidos a tratamentos psicológicos e psiquiátricos por conta dos efeitos desse processo, e também por desconhecimento dos pais.

Esse sofrimento, se não for considerado, pode afastar o jovem com a mediunidade aflorada do devido acolhimento, ainda mais pelo fato da maioria dos respondentes ter informado que se equilibrou vinculando-se a uma casa espírita ou espiritualista, o que é um viés da presente pesquisa, dado que, por se utilizar de médiuns em exercício, são pessoas que de alguma forma aderiram a uma forma de tratamento, e não foi considerado o sem-número de pessoas que sofrem por não entenderem o que está ocorrendo com elas nesse processo.

Aliás, a falta de compreensão em como se processa o intercâmbio entre encarnados e desencarnados é um dos grandes desafios a serem vencidos, não apenas para o equilíbrio dos médiuns, mas também para um bom aproveitamento da própria mediunidade, que, se bem conduzida, traz possibilidades importantes de crescimento.


             Marcus Braga e Wellington Balbo









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 26 de Maio de 2020, 08:30
                                                              VIVA JESUS!




             Bom-dia! queridos irmãos.




                     Como o tema mediunidade é ainda pouco trabalhado fora do meio espírita e espiritualista, paira sobre a temática uma ideia de que se trata de algo sobrenatural.

Muita gente, portanto, que não está familiarizada com as questões que envolvem a mediunidade, quando passam a sentir os chamados “sintomas" mediúnicos, inclusive os relatados pelos médiuns entrevistados para o presente artigo, acabam por sofrer.

Sem saber o que se passa consigo e sem encontrar respostas na medicina convencional que lhes tragam bem-estar e melhor qualidade de vida, frequentemente essas pessoas buscam auxílio numa casa espírita ou espiritualista.

Nas casas espíritas, essas pessoas narraram que foram alocadas no eficiente “pacote básico” de estudo doutrinário e tratamentos espirituais, inclusive de reuniões específicas da chamada educação da mediunidade, e, pelo que foi dito por esses médiuns, esse receituário se mostrou efetivo, trazendo equilíbrio e funcionalidade a eles.

Destacam-se também no processo de equilíbrio a oração constante, a leitura edificante e, ainda, o que chamaremos de auto-observação do fenômeno, que é um conhecimento construído aos poucos de como a mediunidade se processa em si, dado que, apesar das regularidades, esse processo tem um quê de peculiar a cada pessoa. Portanto, cada indivíduo, pode-se dizer, sente o contato com os Espíritos de uma forma diferente.

O processo de despertar da força mediúnica pode ser fonte de sofrimento, seja por causas obsessivas concomitantes, seja ainda pela falta de experiência no manuseio dessa faculdade, que às vezes vem como um rio caudaloso.

Percebeu-se também a ocorrência de alguns relatos de pensamentos que chegavam de forma desordenada ou desconexa, causando, por isso, uma espécie de confusão mental nos indivíduos cuja mediunidade estava em eclosão. Mas esse é um processo natural da própria mediunidade e já levantado pelos Espíritos em O Livro dos Espíritos, questão 459, quando dizem ser frequente a influência dos Espíritos em nossos pensamentos e, não raro, sendo difícil identificar o que é ideia nossa e o que é ideia de outra inteligência.

Fator lembrado com certa constância pelos entrevistados, no que se refere ao afloramento da mediunidade, foi o medo expresso em suas mais diversas formas; desde lugares com muitas pessoas, o que produzia/produz mal-estar físico, até o medo de estar sozinho ou de perder o controle da situação.

A propósito, no caso de locais com aglomeração de pessoas, uma das hipóteses para o mal-estar físico sentido pelos médiuns é a heterogeneidade dos pensamentos dos presentes, o que pode produzir fluidos dos mais variados tipos, sendo muitos desses fluidos antagônicos aos do médium, gerando, então, o mal-estar orgânico.

Mais sensíveis aos ambientes, pensamentos, emoções e sentimentos emanados em um determinado local, que pode, aliás, ser até o próprio lar, os médiuns sentem a necessidade de se protegerem; por isso, até de forma inconsciente ou atendendo às inspirações dos Espíritos que lhes dedicam afeição, criam seus próprios métodos de proteção, que passam pela leitura edificante, o trabalho na casa espírita e tantas outras atividades que lhes ocupam o tempo de maneira saudável, criando uma atmosfera mais leve para viver e trabalhar a mediunidade.

Em virtude desses constrangimentos orgânicos, também, muitos médiuns informaram que não gostariam de ser médiuns e de sentir, perceber, ver e ouvir, enfim, vivenciar as experiências mediúnicas que estavam e estão a passar, o que é bem compreensível.

Não dá, todavia, para deixar de ser médium por vontade própria, porquanto, conforme ensina Allan Kardec, a mediunidade reside no organismo do próprio indivíduo, sendo uma faculdade inata que não está subordinada à nossa vontade.

Que se pode fazer então?

Como as próprias respostas fornecidas pelos entrevistados sugerem, um fator de alívio e bom direcionamento à mediunidade é buscar, por meio da boa literatura, qual a melhor maneira de lidar com a mediunidade e dela extrair elementos para a própria melhoria.

Outro ponto importante a destacar é o acolhimento àqueles que chegam à casa espírita ou espiritualista com a mediunidade bem aflorada. Além do estudo, participar de um grupo coeso e harmônico representa um grande acalento ao médium que chega a uma casa espírita, como já dito no presente texto, num processo de dúvidas, dores e descobertas próprias da mediunidade.

Compreende-se, a partir da ideia do parágrafo acima, a importância do trabalho bem realizado pelos dirigentes espíritas no que se refere ao equilíbrio daqueles que estão com a sensibilidade mediúnica à flor da pele.

Destaque, ainda, para os trabalhos no campo social que são desenvolvidos pelos médiuns e que, conforme os relatos, colaboraram para o restabelecimento do equilíbrio.

Os pontos referentes ao tema aqui tratado são muitos e, óbvio, não foram esgotados; ao contrário, pois a abordagem com apoio nas respostas fornecidas pelos médiuns apenas levanta a ponta de um assunto instigante e importante para todos nós.

 
             Marcus Braga e Wellington Balbo









                                                                                                     PAZ, MUITA PAZ!   
     
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 11 de Agosto de 2021, 22:22
                                                              VIVA JESUS!




              Boa-noite! queridos irmãos.




                     Mal do século
 



Ouve-se, por vezes, a afirmativa de que a mediunidade é, hoje, a doença do século. E aponta-se como causa da loucura, do desequilíbrio mental, o seu exercício.

Ora, a mediunidade é uma faculdade psicofísica, que é normal em quase todas as criaturas. O eminente professor Charles Richet a denominou sexto sentido. Portanto, não é algo novo.

A mediunidade esteve presente em Francisco de Assis, que se extasiava ante o espetáculo da natureza e compunha poemas delicados, extravasando o que sua alma percebia da Espiritualidade Superior.

Igualmente nos êxtases de Teresa d'Ávila ou nos colóquios de Rita de Cássia, que chegou a reproduzir em seu corpo as chagas do Cristo.

A mediunidade, hoje tão conhecida e pouco compreendida, se encontra descrita na Primeira Epístola aos Coríntios, pelo Apóstolo Paulo, quando fala dos dons e dos carismas.

Uns veem, outros ouvem, outros falam, outros profetizam, outros curam.

Os dons e os carismas apresentados por Paulo de Tarso são a mediunidade.

Por ser apanágio dos homens, a possuem bons e maus. Assim a possuía também Adolf Hitler, que chegou a exercê­-la em Berlim, no período de 1914 a 1918, no grupo Tullis.

Ele acreditava ser a chibata com a qual Deus puniria a Humanidade.

Como se percebe, a mediunidade em si não é boa nem má. O seu uso depende das condições morais e intelectuais do seu portador.

Dessa forma, é oportuno corrigir a afirmativa inicial, dizendo que o mal do século é a obsessão e não a mediunidade.

A obsessão é a influência exercida por um espírito mau sobre o ser encarnado.

Esse mal sim, hoje dizima milhões de criaturas, com desequilíbrios da personalidade e da própria vida mental.

A terapêutica é a educação da mediunidade. A direção moral que o homem lhe dá, elevando-se na ordem psíquica, moral e emocional, passando a sintonizar com os Espíritos elevados.

Desses, só receberá sensações agradáveis, bem­-estar e realizações no bem.

Cabe-nos estudar um pouco mais a mediunidade a fim de melhor compreender essa faculdade que Deus nos empresta para que possamos evoluir.

*   *   *

Cyrano de Bergerac, no século XVIII, descreveu em sua obra Viagem à lua, um foguete de vários corpos e etapas que se queimavam sucessivamente, até situar a cápsula tripulada em órbita.

Ele também descreveu, na sua obra, o rádio e o gravador.

Von Braun, o idealizador dos foguetes norte-americanos afirmava que, durante seus anos de juventude em Berlim, via Cyrano.

Dois exemplos de mediunidade: premonição e vidência de duas personalidades da área literária e científica.

Redação do Momento Espírita, com base na pergunta nº 8 de Entrevista com Divaldo Pereira Franco, inserida na Revista Informação, de março de 1997 e no artigo A viagem à lua de Cyrano de Bergerac, da Revista O espírita, de outubro/dezembro 1996.









                                                                                                       PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 29 de Agosto de 2021, 22:08
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-noite! queridos irmãos.




                       
Todos somos, realmente, médiuns?



Introdução

Uma frase enunciada por grande parte dos adeptos do Espiritismo é a famosa sentença: “Todos somos médiuns”. E, de fato, uma série de procedimentos cotidianos do centro espírita é guiada por essa ideia básica.

No entanto, o tema mediúnico é conhecido por ser um assunto altamente complexo assim como a faculdade mediúnica é conhecida por apresentar nuances bem particulares e distintas de indivíduo para indivíduo. Portanto, cabe-nos questionar se essa generalização é coerente com a realidade.

Para uma melhor avaliação do tópico, precisamos questionar a origem desse paradigma. De fato, esse conceito é, em princípio, oriundo de um texto kardequiano. Resta saber se ele está sendo bem interpretado e bem empregado como fundamento para as práticas usuais das casas espíritas.

O texto kardequiano mais utilizado

Assim sendo, vejamos o texto kardequiano em questão, o qual é encontrado no item 159 do capítulo XIV, intitulado “Os Médiuns”, da Segunda Parte de “O Livro dos Médiuns” (estamos utilizando a tradução do Professor Herculano Pires):

“Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos”. (Grifos meus)

Analisemos o início da discussão do Codificador do Espiritismo:

“Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium.”

Kardec inicia a discussão estabelecendo que todos os que sentem os Espíritos “em qualquer grau de intensidade” poderiam ser considerados médiuns. No entanto, curiosamente, ele não diz que todos, sem exceção, sentem essa influência. Ademais, ele parece sugerir que os níveis de intensidade de sensibilidade mediúnica são muito variáveis.

“Essa faculdade é inerente ao homem.”

Nessa frase, Kardec sugere uma generalização para a ocorrência da mediunidade, ou, pelo menos, quer indicar uma naturalidade para o fenômeno. Para um texto publicado em torno de 160 anos atrás, é lícito supor que Kardec não estava se contradizendo em relação à sentença anterior, pois a ênfase pode ser no fato de se tratar de um fenômeno natural e não patológico ou maravilhoso, o que não deixa de ser um importante registro. Será que ele desejou frisar que se trata de fenômeno vivenciado por 100% dos indivíduos? Ou estava apenas rejeitando o caráter miraculoso normalmente atribuído aos fenômenos mediúnicos, sobretudo naquele tempo? Para avançar nesse entendimento, precisamos continuar a leitura do texto kardequiano.

“Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar.”

Essa colocação de Allan Kardec parece esclarecer a dúvida que surgiu com relação ao comentário anterior. Quando o Codificador afirma “Por isso mesmo não constitui privilégio...”, ele está deixando claro que o médium não deve ser tratado como um “super-homem”, um “predestinado”, ou um “fora de série”, como é comum, ainda mais no século XIX. Por conseguinte, essa colocação parece sinalizar que a afirmação anterior (“Essa faculdade é inerente ao homem”) é muito mais uma prevenção contra o excessivo misticismo que a mediunidade desperta, do que o estabelecimento de que tal faculdade é ocorrência observada na totalidade da população.


         Leonardo Marmo Moreira









                                                                                                    PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Sobre a Mediunidade
Enviado por: dOM JORGE em 29 de Agosto de 2021, 22:13
                                                              VIVA JESUS!




             Boa-noite! queridos irmãos.




                   De fato, quando Kardec afirma “...e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar...”, ele admite que algumas pessoas poderiam não ter mediunidade alguma (ao utilizar a palavra “raras”). Portanto, estaria, em princípio, excluída a possibilidade de Kardec estar afirmando que 100% das pessoas são médiuns. Além disso, Kardec parece sugerir que muitos dos que a possuem, apresentam uma mediunidade apenas “em estado rudimentar”, o que seria, aparentemente, algo tão pouco expressivo, que, na prática, seria como se o indivíduo não tivesse mediunidade.

“Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns.”

Para simplificar a questão, Kardec afirma que “pode-se dizer que todos são mais ou menos médiuns.” Apesar dessa afirmação de Kardec realmente dar margem à afirmativa de que “todos são médiuns”, ele a constrói quase como se fosse uma concessão (“Pode-se dizer...”), ou seja, uma simplificação didática mais grosseira. Isso fica evidente principalmente se analisarmos em conjunto com a frase anterior. De fato, Kardec não cairia em contradição tão brutal, ainda mais em duas colocações justapostas. Ademais, o “...mais ou menos médiuns”, sugere que essa concessão deve ser utilizada com um certo cuidado, pois alguns podem ser “mais médiuns”, mas muitos poderiam ser “...menos médiuns”.

“Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.”

Kardec conclui seu primeiro parágrafo, afirmando que comumente o termo “médium” é utilizado somente para aqueles que demonstram uma “intensidade” mediúnica significativa, “bem caracterizada”, com “efeitos patentes”. Ora, é fácil perceber que apenas uma minoria bem pequena da população é capaz de apresentar fenômenos mediúnicos nesse nível de intensidade.

“Deve-se notar, ainda, que essa faculdade não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, pneumatógrafos, escreventes ou psicógrafos.”

Kardec inicia o segundo parágrafo destacando o caráter eminentemente pessoal e variável da mediunidade. Ademais, interessantemente, para diferenciar as nuances mediúnicas, Kardec cita como tipos mediúnicos até casos raríssimos de especialidade mediúnica, como é o caso dos médiuns “pneumatógrafos”. Isso permite inferir que devemos ter cuidado ao utilizar o termo “médium”, pois o mesmo era, na prática, utilizado para quem realmente era intermediário de fenômenos bem representativos.

Logo, é importante que registrar que a predisposição básica ao fenômeno, que não gera nenhuma percepção mediúnica concreta, passível de ser analisada em reuniões de experimentação, constitui, em princípio, a condição da maioria dos seres humanos. Por outro lado, aquilo que se convencionou chamar de “mediunidade ostensiva” ou “mediunidade de ação” constitui condição de uma micro minoria dos seres humanos. Kardec também destaca que essa condição “...depende de uma organização mais ou menos sensitiva”, dando a entender que, por depender de uma predisposição orgânica, haveria limitações em nossas possibilidades de expandi-la, em uma única encarnação, a partir de uma condição orgânica desfavorável às manifestações mediúnicas mais contundentes.

Implicações no Movimento Espírita

A partir da popularização, sem maior explicação, da frase simplista “todos são médiuns”, uma série de procedimentos questionáveis comumente encontrados no nosso movimento espírita têm sido explicados ou pretensamente justificados.

Encaminhamentos sistemáticos à reunião mediúnica de grande número de interessados ou apenas curiosos têm gerado reuniões em que não se percebe a presença de nenhum médium ostensivo ou de ação. Isso não seria necessariamente ruim, se a reunião fosse entendida apenas como um teste preliminar, isto é, se houvesse um entendimento mínimo de que o exercício mediúnico pode realmente não gerar algo concreto. No entanto, raramente esse é caso, implicando que a proposição e principalmente a manutenção de “reuniões mediúnicas sem médiuns” frequentemente tem gerado processos anímico-mistificadores difíceis de serem corrigidos. Isso ocorre em função de uma expectativa exagerada em relação ao que a reunião mediúnica pode proporcionar e também em função de um desconhecimento das limitações da fenomenologia mediúnica, sobretudo para quem não é “médium ostensivo”.

Cursos de iniciação à Doutrina Espírita, com variados nomes, e com maior ou menor ênfase no estudo da mediunidade, têm gerado um número enorme de grupos mediúnicos ou de desenvolvimento mediúnico. Resta saber se todos esses grupos apresentam pelo menos um médium ostensivo por reunião ou, pelo menos, se as reuniões que não apresentam médiuns ostensivos têm, da parte de seus participantes, uma noção clara das limitações em termos de intensidade mediúnica de todos os componentes.

Esse cuidado deve ser bem trabalhado previamente por dirigentes, doutrinadores, palestrantes e estudantes da mediunidade em geral, a fim de evitarmos a ocorrência de reuniões em que a autossugestão e a imaginação acabem sendo tomadas como fenômenos mediúnicos “patentes”.

 
          Leonardo Marmo Moreira









                                                                                                      PAZ, MUITA PAZ!