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CODIFICAÇÃO => O Livro dos Médiuns => Tópico iniciado por: Marianna em 30 de Abril de 2014, 23:17

Título: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 30 de Abril de 2014, 23:17


Tópico Mediúnico
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Moral Mediúnica

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  O fato de Kardec considerar que a Mediunidade não depende da Moral, pois se relaciona com o corpo, serviu de motivo para explorações dos inimigos gratuitos do Espiritismo, que passaram a proclamar a falta de moral no Espiritismo.

A afirmação kardeciana se confirma nas pesquisas atuais da Parapsicologia, como já se confirmara nas pesquisas da Metapsíquica. Nas experiências espíritas posteriores a Kardec também se confirmou essa distinção.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  E isso porque, como se vê rio Livro dos Médiuns, a mediunidade não é uma graça ou dom especial concedido a criaturas privilegiadas, mas uma faculdade humana como as demais.

A moral do médium determina o seu comportamento como criatura humana e regula as suas relações com os espíritos. A questão moral não surge da faculdade mediúnica, mas da sua consciência.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  Não se pode dizer que um médium entregue as práticas maldosas ou a objetivos condenáveis, contrários ao senso moral, não seja médium.

Assim como há criaturas boas e más na Terra, há espíritos maus e bons que com elas se afinam e se servem da sua mediunidade para fins maus ou bons.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  Se o médium sem moral se corrigir e passar a portar-se pelos princípios morais, passará a servir aos espíritos bons através da sua mesma mediunidade. Assim acontece com todas as faculdades humanas.

O homem pode aplicar a sua inteligência para o mal ou para o bem, mas a sua inteligência é sempre a mesma, quer atue num ou noutro campo.

(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) A maldade da linguagem não depende da língua, mas da mente que a usa.
(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) O mesmo acontece com todas as faculdades humanas.

O que gerou esse mau entendimento do ensino de Kardec foi a crença ingênua de que Deus só concede benefícios a criaturas santificadas, quando os fatos nos mostram o contrário.

▬   As criaturas:

(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) Más,
(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) Viciadas,
(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) E perversas...

... São as que mais recebem os benefícios de Deus, que deseja desviá-las de seus erros pela transformação da consciência e não pela força.
 
▬   Pois através desta a transformação seria forçada e não:

(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) Natural,
(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) Espontânea
(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) E verdadeira.

Deus nos corrige através de suas leis, tanto as leis naturais quanto as leis morais, que devemos conhecer os seus efeitos na própria experiência com elas.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  Na sua misericórdia, concede boas faculdades aos maus para que eles aprendam a ser bons. Se através das boas faculdades praticarem o mal, receberão a paga fatal de seus atos nas consequências da maldade praticada.

Quanto à ligação da mediunidade com o corpo, que muitos espíritas não entenderam, confundindo-a com uma suposta origem orgânica da mediunidade, trata-se de coisa muito diferente disso.
 
(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  A mediunidade está ligada ao corpo pelo espírito que a ele se liga, mas não pertence ao corpo e sim ao perispírito, que enquanto estivermos encarnados faz parte do corpo e permite a ligação do espírito comunicante com o perispírito do médium.

É o grau maior ou menor da possibilidade de expansão das energias perispirituais no corpo do médium que deter-mina a maior ou menor flexibilidade do médium na recepção das comunicações.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  Quando os espíritos dizem que a mediunidade, que a faculdade mediúnica liga-se ao organismo e independe da moral, confirmam a posição de Kardec. O perispírito controla o organismo como provaram as pesquisas soviéticas das funções do corpo bioplásmico do homem.

O moral, mais acentuadamente na língua francesa do que na portuguesa, representa o conjunto das atividades mentais e psíquicas da criatura. É evidente que a dependência orgânica da mediunidade decorre da ligação espírito-corpo, através do perispírito.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  Quando falamos, usamos o equipamento fônico do corpo para uma comunicação mental, que não é de ordem orgânica, tanto que, nas manifestações mediúnicas e nas experiências telepáticas atuais, a voz do espírito (de morto ou de vivo) identifica-se pela sua tonalidade e timbre, que o desaparecimento do aparelho vocal na morte não permitiria repetir-se.

A existência da mediunidade, determinando mudanças no comportamento dos médiuns, necessariamente dá origem à Moral Mediúnica. Sabemos que a Moral é um sistema de regras ou normas de conduta, derivadas dos costumes e das tradições de uma determinada cultura.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  Os costumes derivam, por sua vez, das necessidades de ordem e respeito humano das estruturas sociais. isso levou os materialistas a considerarem a Moral como simples mecanismo de manutenção e defesa da sociedade variando de povo para povo, não raro de maneira contraditória. Não passa de uma convenção pragmática.

Mas os estudos mais profundos de Bergson e outros mostraram que Moral e Religião são formas de projeção das exigências da consciência nas estruturas sociais.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  A negação materialista da Moral Absoluta e a negação positivista da Moral Metafísica tiveram então de enfrentar a tese bergsoniana da Moral Consciencial:

▬   A Moral existe como absoluta e metafísica nas aspirações de ordem:

(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) Justiça,
(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) Beleza
(http://gifportal.ru/data/smiles/nasekomie-26.gif) E bondade...
 
... Dos anseios humanos de transcendência.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  Em sentido geral, podemos dizer que a Moral é a busca da realização do Bem na Terra. Não seria possível que uma doutrina de elevação e aprimoramento do homem, como o Espiritismo deixasse de produzir um tipo de Moral.

O aparecimento da Moral Mediúnica logo se fez sentir, orientada nos rumos superiores da Moral Cristã. Mas se esta, assim chamada, desviou-se em muitos pontos da Moral do Cristo, a Moral Mediúnica agiu no sentido de reação espiritual para o restabelecimento da Moral Evangélica.

(http://gifportal.ru/data/smiles/cveta-55.gif)  É sobretudo no Livro dos Espíritos e no Evangelho Segundo o Espiritismo que encontramos as leis da Moral Mediúnica. A comprovação científica da sobrevivência do homem após a morte, através da Mediunidade, mostrou a relação direta existente entre Mediunidade e Moral e, portanto, entre Espiritismo e Moral.



Título: Re: Conversando com os Médiuns
Enviado por: Marianna em 04 de Janeiro de 2018, 02:12

O médium tem, nos princípios de moral, as normas ideais da sua orientação no mundo. Se as conhecer e seguir, sua mediunidade será altamente benéfica, posta a serviço dos Espíritos Superiores.

Seja no campo da assistência aos espíritos inferiores desencarnados e encarnados.
Seja na área das atividades doutrinárias de ordem social ou especificamente no plano cultural da transformação dos conhecimentos humanos, para a compreensão espiritual da vida.
 
A transformação do mundo se faz pela conversão. Não se trata da conversão a unir a seita, a um tipo especial de fé, mas da conversão dos valores mundanos em valores espirituais.

O médium é um servidor do espírito e para servi-lo terá de integrar-se nas condições espirituais que traz em si mesmo, na sua essência humana. O próprio desenvolvimento da mediunidade lhe ensina isso. As funções mediúnicas mudam a direção do seu campo visual e perceptivo.

Ele se desliga se desimanta da realidade mundana para focalizar em sua sensibilidade as perspectivas do espírito. Essa esquizofrenia divina caracteriza os estágios superiores da evolução anímica em que a realidade concreta se converte na abstração das idéias:

♣  Dos sonhos,
♣  Dos conceitos,
♣  Dos anseios utópicos.

O sonho dos poetas e artistas e a utopia que leva os mártires ao suplício são os primeiros sinais do alvorecer da mediunidade na esteira da reencarnação. O espírito sobe do sensível platônico (do concreto) para o inteligível (o abstrato) que é a visualização das essências.

Por isso Platão, nos seus últimos anos, sentia-se incapaz de transmitir em palavras as percepções do seu mundo das idéias.

E por isso Paulo de Tarso, que imantado às tradições violentas do Judaísmo, perseguia o Cristo, ao receber o impacto da existência espiritual do Mestre, na Estrada de Damasco:

Perde a visão das coisas, desliga-se do mundo de falsas imagens em que vivia, e mais tarde a recobra num ângulo superior, com os passes de Ananias, convertendo-se ao Cristianismo nascente.

O desenvolvimento espiritual de Paulo o leva, naquele instante, à conversão cristã pelo batismo do espírito, nas águas invisíveis da mediunidade. Dali por diante ele será inspirado por Estevão, o mártir que ele mandou lapidar na sua loucura mundana.

▬   Tudo se converte ao seu redor, o mundo em que passa a viver não é mais o:

♣  Da arrogância
♣  E da brutalidade.

▬   Mas o mundo:

♣  Da abnegação,
♣  E da humildade...
 
... O Doutor da Lei converte-se em aprendiz e servo da realidade cristã.

A mecânica da conversão é irreversível, porque decorre de um processo de amadurecimento psíquico, no desenvolvimento das potencialidades do espírito.

As potencialidades desenvolvidas elevam o grau consciencial da criatura e alargam o seu campo visual e perceptivo. O convertido, como aconteceu com Paulo, despem-se de todo o seu passado, mesmo à custa dos maiores prejuízos no plano material e mundano, para integrar-se numa compreensão superior da realidade.

Só podem regredir os pseudo convertidos do formalismo religioso, da dogmática artificial das igrejas, que nada mais fazem do que trocar de dogmáticas, sem tocar nem de leve a fímbria da Verdade.
 
O poder do Evangelho vivo e puro é semelhante ao do sol, que amadurece os frutos sem que estes possam voltar à condição de verdes. Daí a razão do ensino de Kardec no tocante à inconveniência do proselitismo forçado.

Que cada qual fique onde está, na escala evolutiva das crenças religiosas, pois o conhecimento espiritual requer tempo e maturação de cada criatura. Assim sendo individualmente, também o é coletivamente.

O mundo só pode completar a sua conversão, iniciada pelo Cristo, quando estiver maduro para isso. Não obstante, não temos o direito de cruzar os braços ante as dores do mundo.

Nosso dever é trabalhar incessantemente para que a concepção espírita, o que vale dizer o ideal cristão em sua pureza primitiva, esteja sempre ao alcance de todos, particularmente das novas gerações.

A Moral Mediúnica não é simples repetição dos preceitos evangélicos usados pelas religiões na medida de suas conveniências e aplicadas a sociedades no resguardo de seus interesses.

É a moral total ensinada e vivida por Jesus, interpretada em profundidade e sem temor pelos que realmente a compreenderam como vemos no exemplo de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Kardec desvestiu os Evangelhos de todos os adereços mitológicos e supersticiosos dos textos clássicos (escritos no clima da Era Mitológica) para destacar apenas o ensino morai do Cristo, que é a essência de toda espiritualidade verdadeira.

▬   Nada de:

♣  Aparatos e fantasias,
♣  Ou de simbologias misteriosas...

...  Apenas a verdade clara dos princípios, e estes desenvolvidos em todas as suas possibilidades de aplicação.

Não são rígidos os princípios da verdadeira Moral Cristã.

São claros e flexíveis, dessa flexibilidade funcional que permite a sua aplicação nos mais variados aspectos da existência.

O princípio do Amor é o centro luminoso desse leque de conceitos que se abrem nas dimensões da consciência. Dele parte a normativa de todos os demais princípios.


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 05 de Janeiro de 2018, 15:23

A antiga atitude de suspeita e desconfiança em relação aos outros, quando não de repúdio e hostilidade, transforma-se em simpatia e acolhimento para todas as criaturas.

O médium é afável e serviçal, pois conhece os deveres da fraternidade ativa no trato com a imensa irmandade humana.Não cobiçar as posses alheias, uma asfixia do poder de conquista.

♣  Amar aos inimigos era um absurdo, uma idéia louca para a Antiguidade.
♣  Dar a capa também ao que nos pede o vestido, uma prodigalidade tola e perigosa.
♣  Dar a face direita ao que bateu na esquerda, uma prova de covardia ou insanidade.
♣  Acertar o passo com os adversários nos caminhos do mundo, uma imprudência suicida.
♣  Manter a firmeza das palavras: sim, sim; não, não, uma carência de habilidade e astúcia.
♣  Aconselhar aos rebeldes a não-violência, uma forma indigna de aprovar o direito da força.
♣  Perdoar indefinidamente aos que erram parecia um incentivo ao erro, um estímulo ao crime.
♣  Suportar com paciência os que nos ofendem nada menos do que entregar-se ao abuso dos atrevidos.
♣  Livrar-se dos excessos da fortuna para não ser ladrão dos que nada possuem uma forma perdulária de incitar à preguiça, à malandragem.

♣  Não mentir,
♣  Não roubar,
♣  Não cultivar a hipocrisia e a traição...   

... Uma traição a si mesmo.

♣  Ser sincero,
♣  Não enganar nem fraudar..

... O caminho da derrota e da miséria.
 
Todos esses princípios de uma conversão estúpida forçaram os homens apegados ao mal e ao egoísmo a procurar os meios falaciosos de fraudá-los. E dessa fraude universal do direito e da verdade surgiram os anti-evangelhos das concessões igrejeiras com o rendoso comércio das indulgências.

A Moral Cristã reverteu-se na moral dos homens devorados pelos instintos ferozes da selva.

▬   Dois mil anos de domínio do Anticristo em nome de Cristo arderam no delírio:

♣  Das simulações,
♣  Das controvérsias,
♣  Das perseguições em nome da piedade divina,
♣  Das lutas e matanças que ensanguentaram toda a Terra...

... Para saciar a sede e a fome de conquista dos dominadores.
 
Além da crucificação do Cristo foi necessário o suplício dos mártires e a matança sem limites dos inocentes, na defesa da moral cristã revirada no avesso das morais arcaicas.

Só então foi possível, graças ao florescimento das gerações renovadoras.  O impacto das eclosões mediúnicas e a ressurreição do culto pneumático (do grego: pneuma, espírito).

No reconhecimento difícil da faculdade mediúnica, ainda hoje torturada pela brutal incompreensão dos que não conseguiram elevar-se um pouco acima das convenções condicionadoras de atitudes e comportamentos anticristãos.
 
O amor humano voltou à sensualidade desbragada dos cultos pagãos, como advertiu Paulo aos Coríntios.
 
A Moral Mediúnica, entretanto, não cedeu. As experiências da prática espírita revelaram a situação desesperada em que se encontravam, na ressurreição imediata, não da carne, mas do espírito dos mortos, os que haviam tripudiado sobre os ensinos do Mestre.
 
Kardec, em O Céu e o Inferno, provava a possibilidade de saber-se, neste mundo, o que se passa no outro. Os quadros das aflições umbralinas, dos espíritos que não conseguiram ir além dos umbrais da Terra, permanecendo nas regiões inferiores do mundo espiritual eram realmente infernais.

▬   Embora não tanto como na imaginação dos:

♣  Teólogos,
♣  Torturadores,
♣  E criadores de demônios.

Os que haviam, por seus méritos, alcançado os planos superiores, não viviam entre anjos em revoadas, mas gozavam de situação realmente feliz.

Além disso, as pesquisas kardecianas revelavam, confirmando Paulo, em contradição com os teólogos, que a ressurreição de Jesus não fora no corpo carnal, mas no corpo espiritual, e que os mortos não esperam o Dia do Juízo para ressuscitar, pois, ainda de acordo com Paulo, ressuscitam logo após a morte.

Kardec lembrava que os teólogos não haviam conseguido localizar o Purgatório, mas ele o fazia, indicando que o lugar de purgação era a Terra, em nosso sistema solar, e mundos de condições semelhantes às do nosso planeta.

Em outros sistemas a vaidade humana sentia-se ferida, na tola pretensão de estarmos, como queria o Dr. Pangloss, no melhor dos mundos.

Ruíam as pretensões igrejeiras ante essas revelações baseadas em pesquisas sérias, feitas com rigor científico, mas a Igreja investia furiosa contra o Espiritismo, que lhe roubava o direito aos segredos de Deus.

Dali por diante, as criaturas de bom-senso não comprariam mais os passaportes eclesiásticos para as mansões celestes.
 
Não obstante, a situação das almas do Purgatório era tão grosseira que elas continuariam a negociar nos guichês sagrados todos os sacramentos supostamente capazes de levá-las ao Céu, como ainda hoje o fazem. A Moral Mediúnica não se impunha e não se impõe de maneira coercitiva ou ao tilintar das moedas.

▬   Abolindo a simonia, mostrava que só existe realmente uma maneira de se conseguir passaporte para o Céu:

♣  A prática da caridade cristã humilde,
♣  Silenciosa e secreta, sem alardes,
♣  E intenções mercenárias.
 
Os vendilhões do Templo eram novamente expulsos com bois e carneiros sacrificiais, mas dessa vez com o chicote invisível das manifestações mediúnicas. Restabelecia-se o princípio evangélico do dai de graça o que de graça recebestes.

Nem um só dos atos mediúnicos poderia ser pago. pois não se vende o que não se possui. Esse é um dos princípios mais exigentes da Moral Mediúnica.
 
O Médium que a viola desrespeita as próprias palavras do Cristo e se faz ladrão perante sua própria consciência. A Moral Mediúnica substitui o sacerdócio remunerado pelo mediunato gratuito.

As mãos do Médium devem estar marcadas nobremente pelos calos do trabalho com que se sustenta e limpas de interesses materiais em tudo quanto fizer, pois não lhe cabe o direito de cobrar o que recebeu para a prática do amor ao próximo.

▬   O Médium sabe e o confirma experimentalmente, no exercício das suas funções espirituais:

♣  Na ajuda ao doente e aos desvalidos,
♣  Na assistência ao moribundo e ao desesperado,
♣  No ensino doutrinário e na pregação evangélica e assim por diante...

Que não pode vender o que não é dele, que não pode extorquir dinheiro do próximo a pretexto de que lhe dar recursos que não dependem dele.

Essa medida estabelecida por Kardec na prática espírita tornou-se o princípio básico da ética doutrinária, fundamentada nos Evangelhos.


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 19 de Janeiro de 2018, 15:35

Em consequência dela, muitos exageros são cometidos. Certas pessoas acham que um profissional espírita de qualquer ramo está obrigado a fazer tudo de graça no campo doutrinário e até mesmo para os adeptos da doutrina.

♣  Um médico,
♣  Um dentista,
♣  Um pedreiro,
♣  Um advogado...

... E assim por diante,  devem trabalhar gratuitamente nas instituições espíritas. É uma extensão absurda de principio referente exclusivamente aos dons espirituais.
 
♣  O médium,
♣  O doutrinador,
♣  O conferencista...

... Todos os que dão assistência espiritual individualmente, em sentido religioso nada podem cobrar. Porèm, fora do campo espiritual e religioso não existe nem pode existir o princípio da gratuidade.

A finalidade desse princípio é evitar a institucionalização religiosa do Espiritismo em forma de igreja, evitar o comércio religioso, a simonia das igrejas. Porque um pregador pago ou um médium pago expõe-se à tentação de transformar a doutrina em meio de vida.

Dessa tentação pode nascer a profissionalização religiosa, que acabaria subordinando a própria doutrina aos interesses financeiros. Os interesses particulares excitam a ambição e anulam a espontaneidade e a sinceridade, abrindo brechas por toda parte para o aviltamento doutrinário.

Onde entra o lucro, o interesse pessoal, desaparece a abnegação e com ela a mais alta virtude espírita que é a doação de si mesmo em favor da causa humanitária.

Um médium pago, mesmo discretamente, mais hoje, mais amanhã vai entregar-se à fraude, pois se não produzir fenômenos, o que não depende dele, perderá a clientela.

Não se trata de um princípio religioso, mas de uma medida ética em defesa da pureza da prática espírita.

Essa medida se justifica não só pelas razões éticas, mas também pela observação do que se passa na prática doutrinária. Uma instituição espírita fundada com dificuldades, onde se destaca o desinteresse e a abnegação de todos, basta crescer um pouco e começar a enriquecer-se para que tudo nela se modifique.

♣  O homem sofre a hipnose da moeda,
♣  O dinheiro o alucina e o transforma em desonesto.

São poucos os que resistem a esse poder do dinheiro, que na verdade não está no dinheiro mas na alma gananciosa e vaidosa.

Há casos espantosos de instituições que se enriqueceram e esqueceram as suas próprias finalidades, transformando-se em verdadeiras casas comerciais, onde o interesse financeiro se sobrepõe aos interesses sagrados da doutrina.

Os médiuns em evidência são tentados a passar de uma instituição para outra com a promessa de vencimentos disfarçados em benefícios à família ou em pagamento de funções técnicas que não conhecem. Felizmente a maioria dos médiuns têm resistido a essas tentações e triunfado dignamente.

Mas os diretores dessas instituições fascinadoras e invigilantes caíram no erro, incidiram no atentado ao formularem suas propostas aviltantes. Se isso acontece em plena vigência do princípio de gratuidade, abandonado o princípio teríamos a venda e compra de passes de médiuns como se fossem jogadores de futebol.
 
Os que compreendem a doutrina e a amam, e zelam por ela, não podem endossar e nem mesmo tolerar essas irresponsabilidades perigosas.
 
Os médiuns curadores são os mais expostos à tentação do dinheiro, assediados por laboratórios e até mesmo por hospitais que lhes oferecem empregos generosos em seu quadro de funcionários, para explorar o seu nome e a sua mediunidade, com o sofisma de que ali poderão trabalhar sem perigo e prestar maiores serviços em casos incuráveis.

Muitos deles caíram nesses alçapões do mundo, mas a maioria não cedeu. A Moral Mediúnica falou mais alto em suas consciências.


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 23 de Janeiro de 2018, 20:45

Os médiuns de efeitos-físicos e particularmente os de materialização geralmente são tentados pela sua própria ganância ou pela ignorância de pessoas que pretendem exibi-los para converter os incrédulos. Como se o Espiritismo fosse uma questão de crença e de proselitismo, e não um processo de transformação do homem e do mundo.
 
▬   Em tudo isso pontificam:

♣  A vaidade,
♣  A  ganância
♣  E a ignorância...

... Estigmas da inferioridade espiritual, que merecem a piedade dos espíritas sinceros, mas não a tolerância que leva à cumplicidade.

▬   Não se pode, porém, manter:

♣  Um hospital,
♣  Uma escota,
♣  Uma creche, 
♣  Um orfanato,
♣  Uma Faculdade,
♣  Ou uma Universidade...

... Absolutamente necessários no meio espírita, para a própria realização das finalidades doutrinárias, sem a contratação de profissionais de várias categorias, espíritas ou não, que darão a sua força de trabalho devidamente remunerada.

Mesmo nesses casos temos encontrado gestos de abnegação de espíritas que se dedicam à execução de serviços gratuitos, muitas vezes recebendo o salário e devolvendo-o no todo ou em parte aos cofres da instituição como doação.

Não estão obrigados a isso, mas o fazem na intenção de melhor colaborar com as instituições, convictos da sua importância e necessidade. Mas esses são casos de consciência, de pura abnegação dos que podem fazê-lo.

Mas no campo mediúnico nada disso é permitido. Os médiuns podem ser socorridos em suas necessidades por amigos e companheiros generosos, quando realmente necessário, mas não pode vender os dons mediúnicos nem mesmo a pretexto de fazê-lo em benefício desta ou daquela instituição.

Nas reuniões de passes proíbe-se o toque dos médiuns nos pacientes, a não ser para ajudá-los em casos extremos.

▬   Para evitar mal-entendidos e suspeitas maliciosas que atentam contra:

♣  O médium,
♣  A doutrina, 
♣  Ou a instituição.

Não é necessário de maneira alguma o toque do médium, nem mesmo a pretexto de transfusão fluídica, como se faz em algumas modalidades do sincretismo religioso afro-brasileiro.

As mãos do médium funcionam nos passes como antenas captadoras e emissoras de vibrações dos espíritos, o que pode ser feito até a grandes distâncias. A Moral Mediúnica não é nem pode ser preconceituosa, mas não dispensa medidas de segurança e defesa em meio à malícia do mundo.
 
Os passes individuais são geralmente dispensáveis, mas a maioria das pessoas tem necessidade psicológica da imposição das mãos para se sentirem beneficiadas, mas sempre de maneira discreta, guardando a distância conveniente. Muitos aborrecimentos o médium pode evitar com essa precaução.
 
É claro que não devemos ceder aos preconceitos estúpidos, fundados numa falsa moral, mas o preço de uma despreocupação é às vezes tão alto, não atingindo apenas o médium, que não nos convém pagá-lo.
 
Nas relações com o público, na maioria desconhecedor da doutrina, devemos tomar todas as precauções, até mesmo para não afastarmos do benefício pessoas sistemáticas que não compreendem a grandeza de uma doação fluídica.
 
Restringir-nos à nossa maneira de ser, confiantes em nossa sinceridade, sem levar em conta as condições do próximo, é também uma forma de egoísmo.

Certas instituições tomam medidas extremadas como a divisão de homens e mulheres em grupos separados em seus trabalhos mediúnicos ou de palestras e cursos.
 
Trata-se de resquícios da moral hipócrita de tempos excessivamente místicos, em que os moralistas cristãos faziam como os fariseus acusados por Jesus:
"▬   Coavam um mosquito e engoliam um camelo".
 
 Toda forma de extremismo é sempre negativa, denotando insegurança e desconfiança de tudo e de todos. Medidas extremas como essa revelam falta de maturidade dos que as impõem e falta de respeito pelos frequentadores. Além disso, levam ao ridículo.

Devemos lembrar-nos desta expressão feliz de Kardec:
"▬   O Espiritismo é uma questão de bom-senso".

As pessoas que frequentam uma reunião espírita devem ser consideradas como respeitáveis e responsáveis. No caso do passe a medida é de ordem puramente interna não pública, transmitida particularmente aos médiuns, de maneira que não ofende a dignidade alheia.

Quanto à dignidade dos médiuns, também não é afetada no caso do passe, desde que não recebam uma ordem específica pessoal, mas a devida explicação do problema.

Existe a desconfiança semeada pelos adversários da doutrina é justo que se tomem medidas de resguardo, no entendimento fraterno entre dirigentes e médiuns. Há pequenas minúcias no trato com o público que não podem ser esquecidas na prática mediúnica.
 
Autor: J.Herculano Pires.
Livro: Mediunidade.


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 27 de Maio de 2018, 23:49


Características da Mediunidade
(Parte I)

Foi Allan Kardec quem melhor estudou a para normalidade humana, adentrando a sonda da investigação no cerne do fenômeno.

No capítulo XIV de O Livro dos Médiuns, Kardec apresenta a seguinte definição:
"Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos Espíritos é por isso mesmo médium".


E tece comentários muito importantes dessa peculiaridade do organismo humano. Foi Kardec, aquele que propôs a palavra médium, por mais consentânea com a função a que se dedica. (Também trata do assunto em Obras Póstumas, 1.ª Parte, cap. VI ítem 33).

O Codificador apresenta a mediunidade como sendo uma faculdade orgânica, encontrada em quase todos os indivíduos, à semelhança de qualquer outra aptidão como a memória, a inteligência, a razão, etc.

Não constituindo, assim, patrimônio especial de grupos, nem privilégio de castas; é inerente ao Espírito, que dela se utiliza, encarnado ou desencarnado, para o ministério de intercâmbio entre diferentes esferas de evolução.

O desenvolvimento da faculdade propriamente dita, relaciona-se com o organismo, é independente da moral, não ocorrendo o mesmo com seu uso, que pode ser mais ou menos bom, segundo as qualidades do médium.

A mediunidade não implica necessariamente em relações habituais com os Espíritos superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos útil aos Espíritos em geral.

O bom médium, pois, não é aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos e somente deles têm assistência.

Unicamente neste sentido é que a excelência das qualidades morais se torna onipotente sobre a mediunidade. (Fonte para estudo: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXIV, itens 11 e 12).

A mediunidade não tem nenhum sinal ou característica exterior, que permita a quem quer que seja poder caracterizá-la ou identificá-la através de síndromes ou manifestações que tipifiquem o comportamento de um médium.

De início, por ser uma faculdade que coloca o homem entre dois extremos, ele pode propiciar determinados estados, confundidos com patologias, com enfermidades.

▬  Se ela se manifesta na área intelectual, pode apresentar no indivíduo determinados estados de aparente:

♣  Receio, 
♣  Ansiedade,
♣  Alucinação visual,
♣  Alucinação auditiva,
♣  Fenômenos claustrofóbicos,
♣  Medos injustificáveis da noite,
♣  Medo do relacionamento com as pessoas.

Porque, propiciando ao indivíduo uma percepção que estrapola o fenômeno normal, dá-lhe uma dimensão de registrar maior que o tipo comum. E, não estando a pessoa equipada para conduzir essas manifestações, é natural que experimente certas insatisfações, intranquilidade ou sensação de mal-estar.

▬  Na área física, pode proporcionar:

♣  Ruídos,
♣  Pancadas inesperadas,
♣  Mudanças de objetos de lugar,
♣  Determinadas sensações de presenças,
♣  Que pode ser agradáveis ou desagradáveis.

▬  Também na área onírica, nos estados de sono, pode caracterizar-se pelos fenômenos:

♣  De encontros espirituais,
♣  De desdobramentos,
♣  Pesadelos.

Não queremos com isso configurar, que essas manifestações pelo geral, sejam mediunidade, mas particularizar que a mediunidade pode também revelar-se através desses fenômenos.

À semelhança da inteligência, a mediunidade se apresenta dentro de várias expressões.

▬  Pode ser:

♣  Visual, a vidência,
♣  Auditiva, a audiência...   .

... Premonitório, através da qual o ser penetra no conhecimento do futuro.

Pode apresentar-se mediante à irradiação de uma energia que materializa e que desmaterializa, que produz a movimentação de objetos, ectoplasma.

Pode levar o indivíduo a estados de empatia. De repente, dá-lha aquela alegria, aquela felicidade; como de depressão, aquele estado crepuscular; o indivíduo tem a sensação de que algo bom lhe está acontecendo, sorri, se emociona, ou tem a sensação de que uma grande tragédia está prestes a acontecer-lhe.

▬  São fenômenos inspirativos:

♣  De boa ou má procedência,
♣  Psicofônica ou de incorporação,
♣  Caracterizando a mediunidade inspirativa,

Se vem um impulso de escrever, e consegue grafar uma página com beleza superior à sua capacidade momentânea, ou fazê-lo sobre um assunto que não elucubrou, eis aí patente a mediunidade psicográfica.

▬  Mas todas elas desvestidas:

♣  De superstições,
♣  De mistérios
♣  E crendices.

A mediunidade não leva à doença. O que faz o médium adoecer, não é a presença da faculdade. São as suas dívidas desta ou de outra encarnação.

A pessoa adoece, não por que seja médium, mas porque é um ser individado perante as Leis Divinas. (Fonte para estudo, O Livro dos Médiuns, cap. XVIII).

Apresentada a mediunidade, é lícito educá-la, da mesma forma que em se notando uma faculdade de natureza intelectual ou artística, a pessoa passa a desenvolver essa aptidão, para daí, canalizando as suas energias, sacar os melhores resultados possíveis.

Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 03 de Setembro de 2018, 23:11

Médiuns e mediunidade
(Parte II)

Requisitos para educar a mediunidade:

Para educar a mediunidade há requisitos inamovíveis, sem os quais ninguém consegue desdobrar essas percepções.

O primeiro deles, estudá-la, conhecer as suas possibilidades e as demais. Conhecer o Espiritismo, que é a ciência que explica a mediunidade.

Sem esse conhecimento a pessoa não passa do estado de superstição e de aventura, ainda mais, por causa do grande escolho à mediunidade, do grande perigo, que é a obsessão. (Fonte para estudo, O Livro dos Médiuns, cap. XXIII).

Sendo os Espíritos as almas dos homens que viveram na Terra, eles são exatamente os mesmos desvestidos do corpo físico.

♣  Bons ou maus,
♣  Nobres ou indignos,
♣  Honestos ou injuriosos...

E, estando a pessoa no desabrochar da mediunidade, em uma faixa de incerteza e de instabilidade emocional, sintoniza primeiro com os Espíritos levianos.

Que se lhe aproveitam da ignorância para prometer-lhe missões, funções especiais, posições de relevo, e mentindo, dizerem tudo aquilo que agrada à vaidade da criatura humana. (Fonte de estudo, O Livro dos Médiuns, cap. XVII, ítem 211 e O Livro dos Espíritos, pergunta 919)

Qual o meio mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal?
Um sábio da antiguidade disse: "Conhecer-te a ti mesmo."

"O conhecimento de si mesmo é, pois, a chave do melhoramento individual..." (Santo Agostinho)

Portanto, cumpre ao médium o dever de vigiar-se, para ter certeza de que é uma criatura humana falível, como uma outra qualquer.

Portadora apenas de uma faculdade a mais que lhe pode ser instrumento de felicidade, como de ruína, de acordo com a finalidade que lhe dê.

A mediunidade não é boa nem má; o uso que se lhe dê tornar-lhe-á uma bênção ou uma desdita para o seu usuário.

A segunda função é o exercício. A mediunidade não é para um breve período como muita gente que treina uma semana e na seguinte abre um Centro Espírita, para atender à sua e à vaidade das pessoas que lhe são afins.

Acreditando que o fato de abrir um Centro Espírita a mais, é um grande serviço que presta à Humanidade, pois que, não estando a pessoa convenientemente equipada, o que pode transmitir?

Como conduzir, se ainda não sabe conduzir-se? Incidindo naquela prescrição de Jesus:
"Cego que conduz cego, caem todos no mesmo abismo". (S. Mateus, cap. XV, vv 1 a 20)

Portanto, é um exercício para toda a vida. Porque, a pessoa que possui inteligência, não pode dizer amanhã:
"A partir de agora vou deixar de ser inteligente".

A pessoa que aprende a ler e escrever não pode afirmar:
"De agora em diante não leio mais."

Porque, onde quer que incidam as suas vistas, o que estiver grafado em seu idioma, ela o lerá, queira ou não, uma vez que é uma qualidade inerente à sua realidade humana.

A mediunidade, portanto, exige uma educação permanente e, à medida quem o médium vai educando as suas possibilidades psíquicas, mais amplas estas se lhe fazem, exigindo-lhe maior campo de ação e de vigilância.

"Educar-se incessantemente é dever a que o médium deve comprometer intimamente, a fim de não estacionar e, aprimorando-se, lograr as relevantes finalidades que a Doutrina Espírita propõe para a mediunidade com Jesus." (Joanna de Ângelis, no livro no Limiar do Infinito)

O terceiro requisito é a consciência de que é médium, para que lhe serve a mediunidade e o que dela vai fazer. Daí, a vigilância é a necessidade mais imediata e mais comum.

"É necessário vigiar as entradas do coração e permanecer no posto da prece." (Joanna de Ângelis, no livro Convites da Vida)

A vigilância lhe deve constituir um paradigma a fim de que tenha o critério de analisar as comunicações de que é objeto, não se impressionando com nomes pomposos nem com entidades que trazem uma alta dose de pieguismo.

Na cultura brasileira, remanescente do africanismo, há uma postura muito pieguista, que é a do preto velho. E muitas pessoas acham que é sintoma de boa mediunidade ser instrumento de preto velho.

Quando lhes explicamos que não há pretos velhos, nem brancos velhos, que todos são Espíritos, ficam muito magoadas, dizendo que nós, espíritas, não gostamos de pretos velhos.

E lhes explicamos que não é o gostar ou não gostar. Se tivessem lido em O Livro dos Médiuns, O Laboratório do Mundo Espiritual, saberiam que se a entidade mantém determinadas características do mundo físico, é porque se trata de um ser atrasado.

Imagine o Espírito que manquejava na Terra, porque teve uma perna amputada, ter de aparecer somente com a perna amputada.

Ele pode aparecer conforme queira, para fazer-se identificar, não que seja o seu estado espiritual. Quando, ao retornar à Pátria da Verdade, com os conhecimentos das suas múltiplas reencarnações anteriores, pode apresentar-se conforme lhe aprouver.

Então, a questão do preto velho é um fenômeno de natureza animista africanista, de natureza piegas. Porque nós achamos que o fato de ter sido preto e velho, tem que ser Espírito bom, e não é.

Pois houve muito preto velho escravo que era mau, tão cruel quanto o branco, insidioso e venal. E também houve e há muito branco velho que é venal, é indigno e corrompido. O fato de ter sido branco ou preto não quer dizer que seja um Espírito bom.

Cabe ao médium ter cuidado com esses atavismos, e quando esses Espíritos vierem falando errado, ou mantendo os cacoetes característicos das reencarnações passadas, aclarar-lhes quanto à desnecessidade disso.

Porque se em verdade, o preto velho quer falar em nagô, que fale em nagô, mas que não fale um enrolado que não é coisa nenhuma.

Ou, se a entidade foi alemã na Terra e não logre falar o idioma do médium, que fale alemão, mas que não fale um falso alemão para impressionar.

O médium só poderá falar o idioma no qual ele já reencarnou em alguma experiência passada. Desde que não há milagres nem sobrenatural, o médium é um instrumento.

Sendo a mediunidade um fenômeno orgânico, o Espírito desencarnado vai utilizar o que encontre arquivado no psiquismo do médium, para que isto venha à baila. (Fonte para estudo, O Livro dos Médiuns, cap. XIX, ítem 15)


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 19 de Outubro de 2018, 21:19

Médiuns e mediunidade
(Parte III)

A personalidade do médium e o fenômeno profundo

Agrada a pessoas ingêunas pseudo sagazes, que o médium deve ser bem ignorante para quando o Espírito falar por ele, dizer:
"Vê, que não é ele!"

E daí! Pode ser um fenômeno anímico. Ele pode ser hoje profundamente ignorante, e um ex-cientista do século passado, e em transe o seu inconsciente falar, sem ser fenômeno mediúnico. e pode ser uma pessoa erudita e agora falar com erudição e ser um fenômeno mediúnico.

As balizas demarcatórias ante a personalidade do médium e o fenômeno profundo, estão na consciência da dignidade do médium. Porque ele sabe, como qualquer pessoa, quando está mentindo. Pode colorir, pode sorrir, pode até acreditar, mas, ele sabe que está mentindo.

Também o médium sempre sabe quando está em transe. À semelhança de qualquer problema na área das psicopatias, quando passa a doença, a pessoa lembra de tudo que fez, só que não tinha forças para reagir.

Na mediunidade o fenômeno é o mesmo. Ocorre que as pessoas gostam de lendas e de fantasias, e há muita gente que experimenta o transe e diz:
"Eu fui pegado à força, eu não quis."

Equívoco. Se o fenômeno se deu à força, a comunicação é negativa. Trata-se de um obsessor, porque só há violência nas obsessões, por se tratar de vingança. (Fonte para estudo: O Livro dos Médiuns, cap. XXIII)

Nas comunicações nobres não há violência, tem que haver anuência do Espírito encarnado, pois o desencarnado não entra no médium como a água entra numa garrafa.

O médium faz o transe pela concentração, e ao concentrar-se, exterioriza o seu perispírito, que se torna o receptáculo da comunicação da entidade que dela se vai utilizar perispírito a perispírito acoplados produzem o fenômeno. (Fonte para estudo: Obras Póstumas, 1.ª Parte parágrafo 6, item 34 e também, mesma obra, 1.ª Parte, parágrafo 1.º)

▬  O fenômeno se dá em três ordens distintas:

1.ª   Consciente, a pessoa se sente inspirada;
2.ª   Semiconsciente, a pessoa sente um impulso maior e perde os parâmetros do raciocínio;
3.ª   Inconsciente, automática ou sonambúlica, em que há um bloqueio da razão e a pessoa tem a sensação de um sonho, em que se fragmentam as imagens e ela perde os contornos, e não seria capaz de reconstruir o estado de um sonho, daqueles que parecem ficar resíduos, mas dos quais a pessoa não recorda.

O exercício dará ao médium a possibilidade de transitar da faixa da consciência, para a semi e para inconsciência. Da mesma forma que ao estudar-se datilografia, colocam-se os dedos nas letras básicas, para criar-se um condicionamento pela repetição (exercício mediúnico) até que se cubra o teclado para que o automatismo funcione.

E é tão curioso que, embora o teclado seja absolutamente igual, quando o nosso dedo bate na tecla errada a gente sente que não está na verdadeira, olhamos para o papel e vemos a letra equivocada. O mesmo ocorre com no piano, no violino ou em qualquer instrumento ou atividade.

O exercício levará à mecanização da faculdade:
O hábito de escrever mediunicamente,
O hábito de incorporar...

... Cria no indivíduo confiança e dá-lhe a estrutura da realidade mediúnica.

A mediunidade deve, portanto, ser exercida mas não abusada. Há médiuns que se demoram horas-a-fio, para impressionar os consulentes.

Sendo a mediunidade um campo de ação, tem um quantum de energia que gasta e depois de certo momento, à semelhança de uma energia qualquer, sendo desgastada desaparece o intercâmbio. E o médium continua no estado de auto-sugestão.

Há exceções raríssimas a que os Espíritos denominam de Mediunato, palavra criada pelos Espíritos e que está em O Livro dos Médiuns nas últimas comunicações, para caracterizar a mediunidade gloriosa ou missionária, como é o caso de Francisco Cândido Xavier e alguns outros médiuns.

Então, o médium que fica horas-a-fio concentrado, está queimando combustível que ele não recoloca. Porque o Espírito que dele se utiliza, não lhe pode dar a energia que ele está consumindo.

Essa energia que ele está consumindo é fluido animal e só através da alimentação, do repouso e do concurso de natureza física lhe podem restituir.

A aplicação de passes dado por pessoas físicas, transmitindo essas células, que também podem ser chamadas de nêutrons de natureza energética, restabelecem-lhe a harmonia orgânica e refazem a estrutura do metabolismo.

Então, ocorre que todo aquele que se dedica com exagero à mediunidade, e que, o Espiritismo não recomenda, porque há horas para tudo e não é o fato de a pessoa trabalhar vinte horas por dia na mediunidade que dela fará um bom médium, termina por gerar fadiga, estresse.

O homem tem deveres sociais e o Espiritismo recomenda que cumpra com seus deveres em família.

Essas pessoas que dizem:
"Vou largar o emprego para me dedicar à mediunidade." São pessoas preguiçosas, porque, para se dedicar à mediunidade sem trabalhar, tem que cobrar.

E aí profissionalizam a mediunidade, caindo no que as religiões chamam de simonia, crime da venda de coisas sagradas e que Jesus reprochou veementemente com estas palavras:
Dar de graça aquilo que de graça se recebe. (Fonte para estudo: O Livro dos Médiuns, cap. XXVI)

Não recebendo os Espíritos nenhum pagamento, não têm nenhuma obrigação de acompanhar aqueles que mercadejam com a mediunidade.

Normalmente, os abandonam e eles passam para mãos equivocadas de Espíritos levianos quanto eles, que os exploram, ridicularizam e obsidiam na etapa final da existência física.

"A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente..." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVI, ítem 10)


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 04 de Dezembro de 2018, 12:03

Médiuns e mediunidade
(Parte IV)

A lei dos fluídos

A mediunidade, para continuar a ser desenvolvida, vai exigir do indivíduo disciplinas morais, porque as disciplinas morais fá-lo-ão atrair entidades respeitáveis.

"Dize-me com quem andas e eu te direi quem és. Dize-me que és, e eu caracterizarei as tuas companhias."

Portanto, é necessário que o médium se moralize, para que os Espíritos simpáticos e nobres que com ele se afinem, passem a ajudá-lo.

É indispensável ao médium estudar, para que compreenda como é o mecanismo da mediunidade. O estudo da Doutrina é muito importante, sobretudo, nos dias atuais, quando vemos proliferar a mediunidade desordenada, a serviço de interesses subalternos em proveito pessoal.

Um médium que cultiva o estudo sério se conscientiza de suas responsabilidades perante a faculdade que detém.  Sabe-se que, por exemplo, a respeito de certa prática que vem ocorrendo, em que médiuns podem receber qualquer Espíritos.

Isso não corresponde à verdade, pois existe a lei dos fluídos, em que os semelhantes se atraem e os contrários se repelem. É uma lei básica da Física.

Portanto, os médiuns não podem receber os Espíritos que estejam acompanhando outras pessoas como hoje se faz, e as pessoas ingênuas dão crédito, de realidade, pedindo que o obsessor de José incorpore na mediunidade Antonio.

Isso só será possível se houver identidade fluídica; não havendo, não acontecerá. Há Espíritos levianos que gostam de distrair-se com nossa ignorância. Incorporam e fingem ser aquele que foi evocado.

Por isso, o Espiritismo evita as evocações, porque nem todos os Espíritos chamados têm condições de atender, ou permissão para isso. O Espíritos também têm ocupações, deveres, e existem leis que lhes regem o comportamento.

Às vezes, eles podem vir, mas não lhes é permitida a oportunidade de se comunicarem, para provação de quem evoca ou para sofrimento deles mesmos, por falta de méritos.

Espíritos levianos, interesseiros, vêm e assumem a personalidade, enganando e mentindo. (Fonte para estudo, O Céu e o Inferno, 1a. parte, cap. XI). Também não tem a mediunidade a função de descobrir tesouros ocultos, heranças, pessoas desaparecidas.         

Afirmou Kardec com estas palavras: A função da mediunidade é promover o progresso da humanidade. Mas não é porque ele o disse, é porque os Espíritos superiores assim elucidaram. A mediunidade tem uma função muito mais nobre do que encontrar a pedra de brilhante que se perdeu e a gente quer achá-la.

Pode ocorrer que Espíritos ociosos e brincalhões digam, mas será sempre através de um fenômeno frívolo e fútil de uma mediunidade que está em mãos boas e más, correndo o perigo de permanecer nas negativas.

Dessa forma, cabe ao médium aplicar-se à consciência da finalidade da tarefa, dedicando-se à lei mais alta da criação, que é a Lei do Amor personificada na Caridade.

Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes, contrárias ao egoísmo e ao orgulho.

Em todos os seus ensinos, Ele aponta essas virtudes, como sendo as que conduzem à eterna felicidade. (Fonte para estudo, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV)

A sua ação de caridade é efeito natural de sua moralização. Só as pessoas moralizadas praticam a caridade.

As pessoas não moralizadas têm crises de filantropia, têm explosões de generosidade, têm momentos de altruísmo, mas não têm a ação da caridade:

●  Renúncia,
●  Compaixão,
●  Devotamento,
●  Sentimento solidário. 

...  Mas só quem tem controle moral sobre imperfeições é que pode reunir essas qualidades morais.

Daí a moralização precede à ação da caridade, fazendo com que os Espíritos bons passem a amar aquele instrumento que é dúctil e maleável às boas tendências.

Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 28 de Dezembro de 2018, 18:32

Médiuns e mediunidade
(Parte V)

Na ação da caridade a mediunidade se agiganta. Também não tem a mediunidade a função de descobrir tesouros ocultos, heranças, pessoas desaparecidas.

Afirmou Kardec com estas palavras: A função da mediunidade é promover o progresso da humanidade. Mas não é porque ele o disse, é porque os Espíritos superiores assim elucidaram. A mediunidade tem uma função muito mais nobre do que encontrar a pedra de brilhante que se perdeu e a gente quer achá-la.

Pode ocorrer que Espíritos ociosos e brincalhões digam, mas será sempre através de um fenômeno frívolo e fútil de uma mediunidade que está em mãos boas e más, correndo o perigo de permanecer nas negativas.

Dessa forma, cabe ao médium aplicar-se à consciência da finalidade da tarefa, dedicando-se à lei mais alta da criação, que é a Lei do Amor personificada na Caridade.

Toda moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes, contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, Ele aponta essas virtudes, como sendo as que conduzem à eterna felicidade. (Fonte para estudo, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XV)

A sua ação de caridade é efeito natural de sua moralização. Só as pessoas moralizadas praticam a caridade.

As pessoas não moralizadas têm crises de filantropia, têm explosões de generosidade, têm momentos de altruísmo, mas não têm a ação da caridade, pois que essa exige abnegação, renúncia, devotamento, compaixão, sentimento solidário, mas só quem tem controle moral sobre imperfeições é que pode reunir essas qualidades morais.

Daí a moralização precede à ação da caridade, fazendo com que os Espíritos bons passem a amar aquele instrumento que é dúctil e maleável às boas tendências.

O médium que se dedica ao exercício da caridade, realiza mister relevante.

Não é necessário salvar o mundo, basta salvar-se a si mesmo e salvar a pessoa mais próxima que está perto dele, uma pessoa que está dentro de casa, porque há pessoas que querem salvar a humanidade inteira e são verdadeiros tiranos dentro do lar, odiando a todos.

Não exercem o primeiro dever, pois o próximo, é o ser que está mais perto de nós, dali partindo para a Humanidade.

Quem não ama aos seus, aos outros jamais amará. Terá paixões, terá entusiasmo e decepções.

Depois a frase é de Jesus:
"Quem não ama a quem vê, como poderá amar a quem não vê? Se não vos amais a vós mesmos que vos vedes, como amareis a vosso Pai a quem não vedes." Pode haver maior força de lógica? (Fonte para estudo, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XI)

Daí, é necessário que o exercício da caridade paute a nossa vida, não só dos médiuns, mas de todas as criaturas, e do médium em particular, por ser alguém aquinhoado com recursos que a outrem falte.

Todas as pessoas são médiuns, alguns com mais amplas possibilidades, como todo mundo normal tem inteligência, mas há uns que têm uma memória excelente. Há em

quase todos nós a presença da mediunidade e em alguns, características mais acentuadas. Equivale dizer que se todos nós exercitarmos a mediunidade, aumentá-la- no seu grau de percepção.

Há pessoas que não têm capacidade para escrever, mas fazendo exercícios, terminam, por automatismo, escrevendo. Há pessoas que não têm capacidade para cantar, educando a voz conseguem alguma harmonia. Assim também é a mediunidade; exercitando, a pessoa logra realizar o mister para o qual a mediunidade está presente.

Mas na ação da caridade a mediunidade se agiganta. É lamentável ver que médiuns que começam com grande entusiasmo, emulados pelo ego, depois se desencantam até no exercício do passe. Isso não é bom.

Apesar de suas dificuldades momentâneas ou pequenos distúrbios, não devem abandonar a tarefa. Devem esforçar-se para manterem-se em condições de aplicar o passe, pois quem é veículo do perfume, terminada a ação, fica perfumado.

Há um modo muito cômodo entre os espíritas: pedirem para que nós oremos por eles. Jesus recomendou que o fizéssemos, mas desde que ele ore por si:
"Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XXV)

Divaldo Pereira Franco.

[size=10pt]A oração é um estado de comunhão com Deus e o médium acaba por viver esse estado de comunhão com Deus, através dos bons pensamentos, que são a melhor técnica de oração. Mas, como a oração é a arte de se abrir a Deus, a ação é o efeito da prece. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVII.


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 09 de Janeiro de 2019, 23:27

O Grupo de Apoio com/aos Médiuns.

Primeira parte

Lidando na área da mediunidade (1) podemos observar que alguns médiuns, embora vigilantes, disciplinados, aplicados, habituados ao estudo do Evangelho no Lar, ministrando passes, frequentando grupos de estudos e mediúnicos, continuam sofrendo o assédio de Espíritos enfermos e dificuldades significativas no equilíbrio de suas forças anímicas e mediúnicas.

Em muitos desses médiuns, o passado se mistura ao presente, causando grande sofrimento e graves problemas pessoais, familiares e sociais. Geralmente são taxados de desequilibrados, e isso muito os faz sofrer.

Comecei a questionar o que acontecia com eles. As explicações foram surgindo a partir da questão 226, item 6, cap. XX de O Livro dos Médiuns, quando Kardec questionava os Espíritos sobre as qualidades morais dos médiuns.

Os Espíritos chamavam a atenção para o que estava além da aparência:
“Conheces, porventura, todos os escaninhos da alma humana?

Demais, pode a criatura ser leviana e frívola, sem que seja viciosa. Também isso se dá, porque, às vezes, ela necessita de uma lição, a fim de manter-se em guarda”. Entendemos, a partir dessa questão, que aquilo que pode ser observado externamente é o que marca a atual existência, mas não a pessoa como um todo.

Daí a resposta dos Espíritos:
“Conheces, porventura, todos os escaninhos da alma humana?”

1 Este texto resulta de um relato sobre nossas experiências no Grupo de Apoio a Médiuns, por isso, sugerimos a leitura das notas de rodapé (em cor azul), na medida em que forem sendo apresentadas, pois trazem explicações importantes à compreensão do estudo aqui realizado.

2 Ao longo do texto, ora o relato se faz na primeira pessoa do plural (quando se trata de reflexões feitas com o grupo ou na construção desta escrita), ora na primeira pessoa do singular (quando se trata de minha intervenção pontual junto aos médiuns.)

Entendi, então, por que em muitos casos tais médiuns, que se esforçam por ter uma conduta equilibrada, às vezes caem em desequilíbrio.

Há neles muito mais do que a personalidade atual nos apresenta. Passei, então, a compreender essa situação de aparente queda, não como um erro, mas como um despertar de possibilidades outras.

A relação entre conquista e esforço aqui se faz exemplar. O que vive na atual existência – uma conduta equilibrada – é mais fruto do esforço contínuo da vontade consciente que uma conquista já sedimentada.

Muitas vezes podem ser levianos e frívolos, sem, no entanto, serem viciosos; ou seja, a aparente queda representa um processo de autoconhecimento e aprendizagem. Com o tempo e a construção de novos hábitos, que substituem os antigos, o esforço se torna conquista e, com ela, novos degraus da evolução poderão ser galgados.

“De grau em grau chegaremos, assim, ao sossego de espírito, à posse de nós mesmos, à confiança absoluta no futuro, que dão a força, a quietação, a satisfação íntima, permitindo-nos permanecer firmes no meio das mais duras vicissitudes” (Léon Denis, O problema do Ser, do Destino e da Dor).

Compreendi que cada pessoa, aqui especificamente falando dos médiuns, possui e vive em um campo próprio de ação. Nesse campo coexistem presente e passado, posturas atuais e tendências de outrora. Esse campo não é estático, está em constante movimento.

Alguns acontecimentos/ações na vida do médium podem fazer com que as tendências de outrora atrapalhem o esforço atual.

Cobranças da própria consciência, ativadas por terceiros ou não, se fazem fortes o suficiente para (3) abalar seu equilíbrio, assim como a presença de um Espírito ou um fato existencial podem representar estímulos suficientes para fazer emergir situações dolorosas que existem no psiquismo espiritual do médium e não estão superadas ou resolvidas.

(3) Usamos os conceitos de conquista e esforço para nos referir a duas situações que são, muitas vezes, confundidas pelas pessoas: aquilo que já é conquista do Espírito (a pessoa o faz sem grandes dificuldades, sem sofrimento) e o que ainda é esforço da vontade consciente (a pessoa já o consegue fazer, mas com esforço, disciplina e não raras vezes com doses de sofrimento moral). As aparentes quedas se fazem no âmbito das condutas que configuram esforço.

Não consideramos aqui que ele tenha fracassado, retrocedido ou esteja cometendo erro. (4) O que vem à tona é algo que já existe e que, de alguma forma, precisa ser trabalhado e superado, o que não raras vezes se faz permeado de dor e sofrimento moral.

Nessas situações, os médiuns veem*se fragilizados. Precisam ser acolhidos, compreendidos, ouvidos, orientados.

Superado esse momento crítico da vida, o médium retoma o equilíbrio, agora mais amadurecido, fortalecido, sempre sustentado pela Lei da Reencarnação, com a bênção do esquecimento, da superação e do recomeço após cada tempestade emocional.

(4) Erro implica afetar negativamente a outrem, querer prejudicar, causar dor. Nessa situação está apenas reencontrando seus próprios fantasmas.

Kardec encerra a questão dizendo:
“Também isso se dá porque ele necessita de uma lição, a fim de manter-se em guarda”. Compreendi que esses médiuns reencarnaram nessa condição para se preservarem de si mesmos.

A condição da mediunidade se afigura, assim, como uma oportunidade para que tais criaturas possam desenvolver com mais rigor a consciência do bem proceder, bem como cultivar valores morais mais sólidos, levando-os ao progresso.

Trazem no seu perfil psicológico melindres, revoltas e, regra geral, devem trabalhar a humildade, pois, em sua maioria, são orgulhosos. Para eles, é extremamente constrangedor conviver com a sua exposição na sociedade crítica em que vivemos.

Precisam de disciplina na prática diária do esforço e da vontade consciente para vencer os desafios do autoconhecimento e da conquista moral.

Jorge Andréa, no livro Dinâmica Psi, nos ajuda a entender melhor essa questão quando afirma que:
 “Na ausência de um bom ou aceitável comportamento, o indivíduo Erro implica afetar negativamente a outrem, querer prejudicar, causar dor.

Nessa situação está apenas reencontrando seus próprios fantasmas, colherá as dores que as energias negativas desencadearam, mas que serão neutralizadas, caso as construções positivas se façam presentes.

O processo será lento, por haver necessidade de formação de novos alicerces após o expurgo dos potenciais deletérios. Nas dores, que os processos dessa ordem propiciam, existirão as vibrações retificantes, que ensinarão à alma deficiente o caminho seguro evitando novas quedas”.


Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 30 de Janeiro de 2019, 22:43


Uma das razões para a criação do Grupo de Apoio aos Médiuns foi a necessidade de acolhimento desses médiuns.

Estudo e diálogo que nos permitissem esclarecer, orientar e amparar a quantos nos procurassem; saber o que se passa em sua alma, os pensamentos que povoam sua mente e os efeitos da mediunidade em sua vida.

O diálogo tornou-se nossa melhor terapia: o desabafo com o grupo, compreendendo que seu sofrimento não era único, que outros compartilhavam de experiências semelhantes.

Ao longo dessas conversas, cada um revelou seus medos, dúvidas, ignorância sobre o assunto, e mais: suas crenças sobre mediunidade e sua forma de se relacionar com os Espíritos.

Uma de nossas companheiras chegou ao grupo completamente desequilibrada. Havia entrado em um quadro de abstração da vida atual após uma regressão de memória natural (sem intervenção terapêutica).

Já se encontrava em tal situação havia vários meses, tinha feito tratamento com medicamentos psiquiátricos, mas sem resultados satisfatórios. Após o acolhimento do grupo, que lhe possibilitou maior segurança, fizemos a intervenção magnética através do passe por seis semanas e orientamos quanto aos exercícios de disciplina mental.

Algumas semanas depois, nossa companheira já se encontrava equilibrada e de novo consciente a intervenção magnética por meio do passe é uma ação por nós utilizada nos casos em que sentimos, pela intuição, que o médium dela necessita para reequilíbrio de suas forças físicas e mediúnicas.

A intervenção magnética por meio do passe é uma ação por nós utilizada nos casos em que sentimos, pela intuição, que o médium dela necessita para reequilíbrio de suas forças físicas e mediúnicas.

No final deste capítulo, apresentamos mais informações sobre esta ação. No final deste capítulo, fazemos uma apresentação desses exercícios da sua encarnação atual.

A continuidade da sua participação no grupo foi fundamental para que restabelecesse o equilíbrio e retornasse para o grupo mediúnico. Voltou a ter outras “crises”, mas, amparada pelo grupo, sentia-se protegida, retomando o equilíbrio com mais facilidade.

Percebemos que estudar as situações oportuniza conhecimento mais seguro sobre seu mecanismo. Vivendo alternadamente as duas dimensões, presente e passado, veem-se fortemente impressionados pelas lembranças.

Mergulhados nelas, nem sempre de forma consciente, sua memorização acerca do aprendizado realizado hoje, bem como sua compreensão, são facilmente negligenciadas.

Nosso olhar para essa negligência ou esquecimento foi despertado ao perceber que, ao longo do tempo, os médiuns repetiam exaustivamente as mesmas perguntas e questionamentos, como se os estivessem fazendo pela primeira vez.

Esse recomeçar sempre nos trazia a imagem de Sísifo com a sensação de um cair cíclico. Começamos a observar que cada um tinha como que um ciclo de realizações, sofrendo, de tempo em tempo, alguma “queda”.

A imagem de Sísifo muito nos incomodava, pois uma condenação ao eterno recomeço não condiz com a bondade divina. Foi então que encontramos uma explicação em Jorge Andréa.

Em Dinâmica Psi, o estudioso explica o fato:
“Como as raízes do desequilíbrio encontram-se encravadas nos arcanos de seu psiquismo, a drenagem, quase sempre lenta, dessas energias, se fará presente na periferia, traduzindo modificações afetivas, nos mais intensos distúrbios neurovegetativos, nos desgastes orgânicos com a ausência de Sísifo, iniciativa e cansaço rebelde, desembocando, amiúde, nas reações depressivas”.

Continua esclarecendo que as energias podem inclusive ser transferidas de uma encarnação para outra, configurando ilhas defeituosas, que passam a fazer parte da estrutura espiritual do médium.

Sísifo, personagem da mitologia grega, condenado pelos deuses, após sua morte, a empurrar uma pedra montanha acima, a qual rolava para baixo tão logo atingia o cume. O trabalho deveria ser retomado eternamente a cada queda da pedra.

Esse exemplar castigo reafirma uma provável concepção grega do inferno como lugar onde se realizam trabalhos infrutíferos. Essas ilhas seriam campos defeituosos do psiquismo do médium, pontos de sintonia com as energias negativas de outros campos espirituais.

Buscando a explicação de Jorge Andréa para compreender a ideia do ciclo de realizações, percebemos que esses campos energéticos defeituosos (ou “ilhas”) correspondem aos nossos chamados “pontos fracos”, os quais, de tempos em tempos, afloram com o objetivo de drenar as energias doentes e substituí-las por realizações salutares. Algo muito importante a ressaltar é o papel do trabalho mediúnico na substituição de energias doentes por energias salutares.

Jorge Andréa, no mesmo livro, destaca o:
“Fenômeno mediúnico como um excelente canal do psiquismo, a realizar saltos evolutivos ou permitir mergulhos abissais nas sombras do primitivismo”.

Ao sofrer a ação do abalo vibratório que irá possibilitar o intercâmbio mediúnico, o médium estará sensível à expressão de suas ilhas defeituosas, podendo acontecer uma liberação das energias negativas, as quais, por intervenção dos Espíritos Protetores e pela ação efetiva no bem do médium, serão substituídas por energias salutares.

Explica o autor que quando:
“A mediunidade se desenvolve num clima sadio, numa atmosfera de harmonia e equilíbrio, qualquer que seja a evolução do Espírito em comunicação, só haverá construção e avanço para o psiquismo do médium”.

Sendo assim, muito ao contrário do eterno retorno ao ponto zero, percebemos que, a cada vez que entramos em contato com essas ilhas defeituosas, já nos encontramos em condições de mais uma etapa da drenagem.

Na verdade, mais um passo à frente, e não retrocesso. Cabe a cada um compreender essa drenagem e não se rebelar. Muitos desistem, julgam a luta árdua demais. Para esses, o recomeço será mais difícil.

Orientamos a realização de exercícios de disciplina mental por meio da respiração, relaxamento, leitura e oração como recursos de equilíbrio, lucidez e segurança.

No entanto, para que atinjam a proposta, esses exercícios precisam ser feitos com sentimento, emoção e vontade consciente. Se são feitos no “automático” não alcançam a proposta.

Percebemos que muitos médiuns acabam caindo em um mecanicismo análogo a uma acomodação natural a rituais. Nesse caso, podemos dizer que vemos aí um trabalho sendo realizado de forma infrutífera.

É verdade que nem todos os dias estamos com as melhores condições de realização dos exercícios disciplinares, mas devemos persistir.

Analisar a eficácia ou não da realização deles caberá prioritariamente aos próprios médiuns, que deverão fazer uma análise sincera da sua conduta.

No entanto, nem sempre o médium está em condições de se analisar, podendo ser alertado pelo coordenador da reunião mediúnica, pelo plantonista do Atendimento Fraterno ou por um amigo que tenha por conselheiro.

Fonte Desconhecida.

Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 16 de Fevereiro de 2019, 01:07


Nem tudo é só mediunidade...

Os encontros do grupo acontecem com horário marcado para início e fim. A escolha das leituras se faz de acordo com os interesses ou as necessidades do grupo.

Estudamos aquilo que no momento julgamos significativo, mas com diretriz e organização. Um tema indica a necessidade de se estudar outro. Buscamos esclarecimentos para nossas dúvidas, lenitivos para nossas dores.

Assim, todos participam, conversamos sobre o que lemos e cada um, na medida em que sente vontade ou necessidade, fala sobre suas experiências.

●  O falar às vezes se faz como algo aprendido para exemplificar o que estamos estudando;
●  Outras vezes, como questionamentos de algo que desconhecemos
●  E, ainda outras, como simples desabafo.

—  O mais importante é que não haja, por parte dos integrantes, movimentos de julgamento de:

●  Certo ou errado,
●  Bom ou ruim.

—  Somos todos acolhidos como uma equipe em busca de um objetivo comum:
"O equilíbrio físico e espiritual".

Ao falar sobre nossas experiências, percebemos acontecer o que Manoel Philomeno de Miranda denomina de catarse, na obra "Tramas do Destino", cap. 10:
“A narração, repassada de sentimentos, funcionava como proveitosa catarse, como um dreno psíquico. Aquele homem de caráter difícil jamais expusera os seus problemas a quem quer que fosse, e, por isso, sem amigos, conselheiros ou diretrizes, emparedava-se nas opiniões infelizes, decorrentes das autoanálises tormentosas a que se impunha, sem uma clara visão ou, pelo menos, com imparcialidade, emocionalmente”.

O que buscamos é, além do conhecimento, criar um ambiente propício à amizade e à construção de diretrizes.

—  O falar:

●  Tanto das experiências mediúnicas,
●  Quanto dos dramas da presente existência...

... Possibilita que a pessoa tenha outro olhar sobre seus problemas.

Uma situação que pode ilustrar o que acabamos de dizer foi o relato, certo dia, de uma de nossas companheiras.

—  Ela disse saber que não se tratava de mediunidade, mas estava se sentindo estranha.

●  Querendo se isolar,
●  Sentia muito medo,
●  Sentia muita angústia,   
●  Querendo ficar deitada,
●  Querendo só ficar dentro de casa.

Os problemas, a princípio, eram por causa da doença do pai, preocupação que tinha se prolongado por vários meses.

Naquele momento, tal situação era agravada pelo quadro de doença de seu filho, um jovem que sofria de uma doença degenerativa que poderia levá-lo a perder todos os movimentos.

Seu filho tinha entrado em crise, sem conseguir se levantar, com o corpo bastante debilitado. Seu coração de mãe entrou em tristeza profunda, preocupada com a possibilidade de o filho perder totalmente os movimentos.

Naquele instante, fez silêncio. Então, perguntei-lhe sobre o estado psicológico do filho, sua estrutura moral.

Parou por um instante, analisando a personalidade do filho, que era tranquilo, calmo, resignado e lutava muito pela vida e fazia todos os tratamentos recomendados sem reclamações.

Emocionada, percebeu, nesse momento, que o filho veio preparado para a doença. Novo estado de ânimo foi-se instalando nela. Na medida em que fomos conversando, a companheira foi-se acalmando, pensando em Deus, na Sua bondade e amparo.

Essa companheira é médium, porém sabia, com bastante distinção, que seu problema, naquele momento, era existencial. Sabia também que, se continuasse com aquele estado de espírito deprimente, angustiante, fatalmente entraria em sintonia com Espíritos em desequilíbrio e ficaria em desarmonia também.

Este é apenas um dos inúmeros exemplos de como o falar pode trazer outros olhares sobre os problemas, amenizando o sofrimento, dando ânimo e forças para sua superação. O quadro de doença do filho não foi alterado, mas a forma de a mãe lidar com ele, sim; isto lhe trouxe relativa tranquilidade.

Outra situação foi a ocorrida com uma companheira encaminhada para um grupo mediúnico. Relatou que estava tendo grandes conflitos íntimos, não conseguia entrar no estado de concentração necessário à comunicação mediúnica, pois não se sentia segura no grupo e não concordava com algumas posturas assumidas pelos dirigentes.

Com sinceridade de coração, expôs sua situação em nossos encontros. Conversei com a médium, refletindo sobre a necessidade de conversar com os dirigentes da reunião, reavaliar seus sentimentos, se predispor a compreender o que estava acontecendo, bem como mostrar, com sinceridade, o que sentia e do que precisava.

Assim, em um movimento mútuo de boa vontade, poderiam entender-se e mudar a situação. Após algumas semanas de reflexão e oração, tendo em vista os companheiros não terem compreendido suas dificuldades de adaptação, a médium decidiu sair daquele grupo mediúnico, indo para outro, onde desenvolve seu trabalho mediúnico com tranquilidade.

Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 26 de Fevereiro de 2019, 02:53

Percebemos que o trabalho mediúnico não depende simplesmente de estar em um grupo, mas faz-se fundamental empatia, sintonia e afinidade com ele.

Compreendemos e respeitamos a decisão da médium por entender, como bem esclarece André Luiz em "Mecanismos da Mediunidade", cap. 18:
“Quase toda a exteriorização fisiológica do fenômeno pertence ao médium”.

E, no livro "Nos Domínios da Mediunidade", cap. 1:
 “A mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos”.

E, ainda, a importância do grupo nesse processo. Léon Denis, na obra "No Invisível", cap. 8, esclarece que as dificuldades nas comunicações espíritas consistem em “harmonizar vibrações e pensamentos diferentes”, por isso, se o médium não está conseguindo estabelecer sintonia vibratória (ou mental) com o grupo, com certeza não será feliz na sua prática mediúnica.

Muitos companheiros trazem conflitos vivenciados devido a influências espirituais, tanto na vida diária quanto nas reuniões mediúnicas. Esse é o caso de outra companheira que há muitos anos sofria influência direta dos Espíritos em sua vida diária, chegando mesmo a incorporações em casa, efeitos físicos, sugestões de suicídio e até a comportamentos violentos.

Essa médium chegou ao Grupo em estado de profundo desânimo em relação à vida.

▬  Acolhemo-la, fizemos a:

Intervenção magnética,
O uso dos exercícios disciplinares,
Orientamos a realização do Estudo do Evangelho no Lar.

Ela já está em condições de trabalhar em um grupo mediúnico e também auxilia no serviço de passe da casa. Tem-nos trazido relatos muito interessantes da relação estabelecida com o mundo espiritual...

Título: Re: Conversando com Médiuns
Enviado por: Marianna em 06 de Março de 2019, 03:34

Devido à grande facilidade de desdobramento, costumava viver mais na dimensão espiritual que na material. Relatou-nos que certa vez, em uma festa, foi surpreendida por um companheiro desencarnado, em relação ao qual alimentava grande afetividade.

Ele a convidou para dançar. Ela deixou o corpo a “dormir” na cadeira e saiu bailando com o companheiro pelo salão, até que foi “acordada” por uma amiga que perguntou se estava dormindo, se queria ir para casa.

A médium revelou sentir grande prazer nesses encontros, pois não era feliz em seu casamento. Em nossa conversa, dissemos a ela que deveria voltar seus interesses e atenção para os acontecimentos da sua atual existência, uma vez que tais “saídas” se configuravam como fugas e poderiam tornar-se viciosas. Assim, não incentivamos essa prática de desdobramento voluntário.

O esclarecimento se faz de suma importância, pois percebemos que muito dos conflitos são fruto de desconhecimento e de crenças pessoais.

O médium sem conhecimento de causa, que desconhece as leis que regem a comunicação entre os Espíritos e que ignora trazer em si o instrumento facilitador de uma comunicação mais complexa, se desequilibra e passa a se comportar de maneira arredia.

▬  Registra, sente “coisas” que ninguém consegue explicar e afirma:

●  Que não está bem,
●  Que precisa fazer terapia,
●  Ou que precisa consultar um médico

Não que o médico ou o terapeuta não o possam ajudar, mas, aliado aos tratamentos da medicina terrena, é necessário que cuide da saúde da alma também.

O conhecimento sobre mediunidade e sobre sua realidade espiritual torna-se, assim, o melhor antídoto contra os conflitos que o afligem.

Ao longo destes anos de existência do Grupo, muitos médiuns chegaram e se foram, alguns permaneceram; muitas experiências têm enriquecido nossa formação e progresso no campo do estudo sobre médiuns e mediunidades.

Foi em função dos resultados positivos alcançados que decidimos escrever sobre esta experiência, que tem sido bendita para muitos. Entendemos que a literatura espírita e científica nos é muito útil para compreender os mecanismos da mediunidade.

Mas, devido à diversidade de suas manifestações, acreditamos ser a atuação junto ao médium, considerando-o em sua integralidade, a peça fundamental deste estudo, que nos possibilita uma aproximação do conhecimento adquirido ou dos pensamentos que alimenta, dos conflitos que vive.

Somente assim, considerando-o como muito importante para nós, merecedor do nosso olhar carinhoso e caridoso, da nossa escuta, da nossa atenção, é que poderemos ser realmente auxiliares no seu equilíbrio físico e espiritual.

Tentamos ser fiéis na reprodução dos relatos que nos foram trazidos pelos médiuns e na apresentação das ações adotadas na tentativa de auxílio.

Acreditamos e esperamos, sinceramente, que este relato possa ser útil a muitos médiuns e às pessoas que convivem com eles, seja nas casas espíritas, seja no lar ou na vida social.