Forum Espirita

CODIFICAÇÃO => O Livro dos Médiuns => Tópico iniciado por: Mourarego em 06 de Junho de 2005, 17:49

Título: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Mourarego em 06 de Junho de 2005, 17:49

"Todos os dias a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos, com que muitos topam na prática do Espiritismo, se originam da ignorância dos princípios desta ciência e feliz nos sentimos de haver podido comprovar que o nosso trabalho, feito com o objetivo de precaver os adeptos contra os escolhos de um noviciado, produziu frutos e que à leitura desta obra devem muitos o terem logrado evitá-los.

Natural é, de entre os que se ocupam com o Espiritismo, o desejo de poderem pôr-se em comunicação com os Espíritos.

Esta obra se destina a lhes achanar o caminho, levando-os a tirar proveito dos nossos longos e laboriosos estudos, porquanto muito falsa idéia formaria aquele que pensasse bastar, para se considerar perito nesta matéria, saber colocar os dedos sobre uma mesa, a fim de fazê-la mover-se, ou segurar um lápis, a fim de escrever."

Allan Kardec, Introdução ao Livro dos Mediuns
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Mourarego em 06 de Junho de 2005, 17:53
"Enganar-se-ia igualmente quem supusesse encontrar nesta obra uma receita universal e infalível para formar médiuns. Se bem cada um traga em si o gérmen das qualidades necessárias para se tornar médium, tais qualidades existem em graus muito diferentes e o seu desenvolvimento depende de causas que a ninguém é dado conseguir se verifiquem à vontade. As regras da poesia, da pintura e da música não fazem que se tornem poetas, pintores, ou músicos os que não têm o gênio de alguma dessas artes.

Apenas guiam os que as cultivam, no emprego de suas faculdades naturais. O mesmo sucede com o nosso trabalho. Seu objetivo consiste em indicar os meios de desenvolvimento da faculdade mediúnica, tanto quanto o permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir-lhe o emprego de modo útil, quando ela exista.

Esse, porém, não constitui o fim único a que nos propusemos. De par com os médiuns propriamente ditos, há, a crescer diariamente, uma multidão de pessoas que se ocupam com as manifestações espíritas. Guiá-las nas suas observações, assinalar-lhes os obstáculos que podem e hão de necessariamente encontrar, lidando com uma nova ordem de coisas, iniciá-las na maneira de confabularem com os Espíritos, indicar-lhes os meios de conseguirem boas comunicações, tal o círculo que temos de abranger, sob pena de fazermos trabalho incompleto. Ninguém, pois, se surpreenda de encontrar nele instruções que, à primeira vista, pareçam descabidas; a experiência lhes realçará a utilidade. Quem quer que o estude cuidadosamente melhor compreenderá depois os fatos de que venha a ser testemunha; menos estranha lhe parecerá a linguagem de alguns Espíritos. Como repositório de instrução prática, portanto, a nossa obra não se destina exclusivamente aos médiuns, mas a todos os que estejam em condições de ver e observar os fenômenos espíritas."

Allan Kardec
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Victor Passos em 29 de Junho de 2007, 20:16
   
   Ola amigo
   Muita paz

      Realmente amigo reconheço que esta Obra só com grandiosidade se poderia colocar nas mãos de todos nós, tendo por condão ser a estola para toda a pratica mediunica, que se diga infelizmente pouco seguida com correcção.
      Hoje fazem-se mediuns de trabalho os doentes da alma, sem educação através do estudo, sem o minimo de preparação.
      Isto não é benefico para a Doutrina  e para o veiculo da mediunidade, enfim ,trabalha-se apenas no mediunismo e em nada o Espiritismo, depois vemos noticias nos midia que "Jesus falou através de fulana" e até escreveu um livro e já salva as outras almas, e isto corrompe tudo que possa existir de bom senso.

     Muita paz

    Victor Passos
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Victor Passos em 02 de Julho de 2007, 16:28
 
 Ola amigo
Muita paz

Podemos dizer que o principal objectivo com o qual Kardec escreveu o Livro dos Mediuns foi o de uma orientação a todos aqueles que se se propõem a vivenciar a mediunidade de acordo com os postulados espíritas.
 No Livro dos Mediuns nós encontraremos, descrito por Kardec, quais as condições necessárias, quais os empecilhos e os auxílios que teremos em nossa vivência mediúnica, quais as possibilidades, o que podemos e o que não devemos esperar de uma reunião de intercâmbio ou de educação mediúnica..

O Espiritismo pode ser considerado uma ciência pois tem um objecto e metodo de estudo definido, tanto no sentido intelectual quanto moral, para que se possa colocar em prática o meio de estudo (a mediunidade). Ou seja, Para nos considerarmos espíritas, não basta dizer que acreditamos em vida após a morte, em reencarnação, e que vemos ou ouvimos espíritos. É necessário que saibamos o porque acreditamos, o como acreditamos, o como ocorrem as comunicações mediúnicas. Em resumo, o Espiritismo pode ser considerado uma ciência pois, tendo um objeto de estudo, é necessário que entendamos como e porque estudar esse objecto.
O Livro Mediuns não é um guia prático de formação de médiuns, e nem existe obra que o seja, pois a mediunidade não é algo que se desenvolva por querermos. É uma qualidade natural, inerente à cada indivíduo, e que em alguns se encontra de maneira mais ostensiva. O Livro do Mediuns ajuda-nos a educar médiuns, mas nunca a fazer médiuns.
Porém nunca devemos descorar o intercâmbio no estudo pois ele é por demais importante e até pelos exemplos vividos por varios irmãos, os quais servirão de objecto de reforço da pratica mediunica.

Muita paz
Victor Passos
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Mourarego em 03 de Julho de 2007, 21:48
Adorei a lucidez do teu posicionamento Victor!
Muitos acham que  mediunidade se desenvolva bastando o nosso querer, o que não é verdade.
Sendo de origem orgânica, quer dizer, radicando-se no organismo todos a temos, o estado é que nos faz sermos médiuns ostensivos ou não.
No caso de ostensividade da faculdade, teremos de notar sobre as qualidades medianímicas que são outros 50 euros hehehe.
Se não tivermos de um qualidade, nem o germen, dizem os espíritos não adianta passarmos tempos a fio tentando, é pura perda de tempo.
fica então bem claro, ser médium não significa poder confabular com Espíritos ou estar possibilitado a pelo menos se saber médium, alias, diz Kardec que isso ninguém nos pode dizer. Porém se o somos em forma ostensiva, e conhecemos de uma ou mais qualidades medianímicas que tivermos, a essas podemos pelas tentativas e estudos, fortificar, reduzindo o nível de ruídos produzidos mais por nossa ação do que pela ação dos Espíritos.
è por isso que se diz, não se educa a mediunidade, educa-se o médium.
Abraços,
Moura
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: SB em 03 de Julho de 2007, 23:44
è por isso que se diz, não se educa a mediunidade, educa-se o médium.

Moura esta frase diz muito, sendo ela verdadeira e importantissima, na sua relatividade, deveria se sublinhar o seguinte:

Pois existem mediuns sem saber que o são, e algumas vezes (nao se ducando), acabam por isso sofrendo de perturbaçoes fisicas, doenças a varios niveis, desde psicologicas a patologicas, sem falar das obsessões... ;)

 
Abraços
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Mourarego em 03 de Julho de 2007, 23:59
Isso mesmo maninha querida!
Citação referente ao Livro dos Médiuns está também na Revue explicando e abrindo os olhos do que querem ver.
Abração,
Moura
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Peregrino em 05 de Janeiro de 2008, 21:01

"Não faltará quem desejara publicássemos um manual prático muito sucinto, contendo em poucas palavras a indicação dos processos que se devam empregar para entrar em comunicação com os Espíritos. Pensarão esses que um livro desta natureza, dada a  possibilidade de se espalhar profusamente por módico preço, representaria um poderoso meio de propaganda, pela multiplicação dos médiuns. Ao nosso ver, semelhante obra, em vez de útil, seria nociva, ao menos por enquanto. De muitas dificuldades se mostra inçada a prática do Espiritismo e nem sempre isenta de inconvenientes a que só o estudo sério e completo pode obviar. Fora, pois, de temer que uma indicação muito resumida animasse experiências levianamente tentadas, das quais viessem os experimentadores a arrepender-se. Coisas são estas com que não é conveniente, nem prudente, se brinque e mau serviço acreditamos que prestaríamos, pondo-as ao alcance do primeiro estouvado que achasse divertido conversar com os mortos. Dirigimo-nos aos que vêem no Espiritismo um objetivo sério, que lhe compreendem toda a gravidade e não fazem das comunicações com o mundo invisível um passatempo.

Havíamos publicado uma Instrução Prática com o fito de guiar os médiuns. Essa obra está hoje esgotada e, embora a tenhamos feito com um fim grave e sério, não a reimprimiremos, porque ainda não a consideramos bastante completa para esclarecer acerca de todas as dificuldades que se possam encontrar. Substituímo-la por esta, em a qual reunimos todos os dados que uma longa experiência e conscienciosos estudos nos permitiram colher. Ela contribuirá, pelo menos assim o esperamos, para imprimir ao Espiritismo o caráter sério que lhe forma a essência e para evitar que haja quem nele veja objeto de frívola ocupação e de divertimento. A essas considerações ainda aditaremos outra, muito importante: a má impressão que produzem nos novatos as experiências levianamente feitas e sem conhecimento de causa, experiências que apresentam o inconveniente de gerar idéias falsas acerca do mundo dos Espíritos e de dar azo à zombaria e a uma crítica quase sempre fundada. De tais reuniões, os incrédulos raramente saem convertidos e dispostos a reconhecer que no Espiritismo haja alguma coisa de sério. Para a opinião errônea de grande número de pessoas, muito mais do que se pensa têm contribuído a ignorância e a leviandade de vários médiuns."

Allan Kardec
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Peregrino em 05 de Janeiro de 2008, 21:02
"Desde alguns anos, o Espiritismo há realizado grandes progressos: imensos, porém, são os que conseguiu realizar, a partir do momento em que tomou rumo filosófico, porque entrou a ser apreciado pela gente instruída. Presentemente, já não é um espetáculo: é uma doutrina de que não mais riem os que zombavam das mesas girantes. Esforçando-nos por levá-lo para esse terreno e por mantê-lo aí, nutrimos a convicção de que lhe granjeamos mais adeptos úteis, do que provocando a torto e a direito manifestações que se prestariam a abusos. Disso temos cotidianamente a prova em o número dos que se hão tornado espíritas unicamente pela leitura de “O Livro dos Espíritos”. Depois de havermos exposto, nesse livro (o Livro dos Espíritos), a parte filosófica da ciência espírita, damos nesta obra (o Livro dos Médiuns) a parte prática, para uso dos que queiram ocupar-se com as manifestações, quer para fazerem pessoalmente, quer para se inteirarem dos fenômenos que lhes sejam dados observar. Verão, aí, os óbices com que poderão deparar e terão também um meio de evitá-los. Estas duas obras, se bem a segunda constitua seguimento da primeira, são, até certo ponto, independentes uma da outra. Mas, a quem quer que deseje tratar seriamente da matéria, diremos que primeiro leia “O Livro dos Espíritos”, porque contém princípios básicos, sem os quais algumas partes deste se tornariam talvez dificilmente compreensíveis".

Allan Kardec
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Peregrino em 05 de Janeiro de 2008, 21:13
"Importantes alterações para melhor foram introduzidas nesta segunda edição, muito mais completa do que a primeira. Acrescentando-lhe grande número de notas e instruções do maior interesse, os Espíritos a corrigiram, com particular cuidado. Como reviram tudo, aprovando-a, ou modificando-a à sua vontade, pode dizer-se que ela é, em grande parte, obra deles, porquanto a intervenção que tiveram não se limitou aos artigos que trazem assinaturas. São poucos esses artigos, porque apenas apusemos nomes quando isso nos pareceu necessário, para assinalar que algumas citações um tanto extensas provieram deles textualmente. A não ser assim, houvéramos de citá-los quase que em todas as páginas, especialmente em seguida a todas as respostas dadas às perguntas que lhes foram feitas, o que se nos afigurou de nenhuma utilidade. Os nomes, como se sabe, importam pouco, em tais assuntos. O essencial é que o conjunto do trabalho corresponda ao fim que colimamos. O acolhimento dado à primeira edição, posto que imperfeita, faz-nos esperar que a presente não encontre menos receptividade.

Como lhe acrescentamos muitas coisas e muitos capítulos inteiros, suprimimos alguns artigos, que ficariam em duplicata, entre outros o que tratava da Escala espírita, que já se encontra em “O Livro dos Espíritos”. Suprimimos igualmente do “Vocabulário” o que não se ajustava bem no quadro desta obra, substituindo vantajosamente o que foi supresso por coisas mais práticas. Esse vocabulário, além do mais, não estava completo e tencionamos publicá-lo mais tarde, em separado, sob o formato de um pequeno dicionário de filosofia espírita. Conservamos nesta edição apenas as palavras novas ou especiais, pertinentes aos assuntos de que nos ocupamos."

Allan Kardec
Título: Re: Introdução de Allan Kardec à 2.ª edição do Livro dos Médiuns
Enviado por: Gigii em 11 de Janeiro de 2008, 22:01
OLá Peregrino  :)

O bom senso de Kardec está presente em todos os seus escritos, mesmo nos anteriores ao espiritismo.

Sem dúvida se compreende que um ABC de mediunidade tem os seus riscos, mais talvez até naquela época do que agora. Penso eu.

Mas o Livro dos Médiuns, tornou-se genial porque é um verdadeiro manual de educação mediúnica. O melhor que pude ler até ao momento. É a minha opinião.

Um grande abraço

Gi