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CONVÍVIO => Off-topic => Espiritualismo => Tópico iniciado por: Marianna em 14 de Junho de 2014, 20:12

Título: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 14 de Junho de 2014, 20:12

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21 de janeiro dia da Intolerância Religiosa

História do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Em 2007 foi sancionada, pelo ex-presidente Lula, a Lei nº 11.635 que faz do 21 de janeiro o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

A data presta homenagem à Iyalorixá baiana (mãe de Santo) Gildásia dos Santos e Santos, que faleceu na mesma data, em 2000, vítima de enfarto.

Ela era hipertensa e teve um ataque cardíaco após ver sua imagem utilizada sem autorização, em uma matéria do jornal evangélico Folha Universal, edição 39, sob o título:
▬   “Macumbeiros Charlatães lesam o bolso e a vida dos clientes”.

O texto não era menos ofensivo e agredia as tradições de matriz africana, das quais Gildásia era representante. Referência: 21 de janeiro: um dia contra o racismo.

A igreja foi condenada pela justiça brasileira a indenizar os herdeiros da sacerdotisa. A morte de Gildásia dos Santos e Santos não foi uma fatalidade nem tampouco é uma tragédia isolada; é um exemplo das brutalidades cometidas contra adeptos de religiões como umbanda e do candomblé.

Embora nossa Constituição Federal garanta “ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”, não é raro que alguns segmentos cristãos ataquem frontalmente adeptos da umbanda e candomblé promovendo perseguições e destruição a lugares de cultos.

Pouco noticiados na grande mídia, esses crimes acabam se tornando invisíveis para a maioria da população brasileira.

Em 2013, a secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Silvany Euclênio, propõe a defesa da ancestralidade africana no Brasil como ação para combater a intolerância às religiões afro-brasileiras.

A temática da ancestralidade africana coloca em evidência os valores civilizatórios africanos que serviram de base para a criação das religiões de matrizes afro. O terreiro é o local sagrado onde as divindades são consultadas e homenageadas.

No Brasil, esse espaço sacralizado se constituiu historicamente como lugar privilegiado na transmissão e recriação de filosofias, cosmologias, práticas alimentares, saberes botânicos e redes de solidariedades.

A agência das mulheres:

O candomblé foi fudando em Salvador, no século XIX, por lideranças femininas.

As mães de santo dos primeiros terreiros eram as mais sábias e poderosas das redes que começaram:
▬   "O protagonismo feminino na criação das primeiras comunidades-terreiros é inegável".

Aquelas Iyalorixás (mães de santo) foram as fundadoras não apenas dos terreiros famosos – e atualmente reconhecidos como patrimônios nacionais – da Bahia, mas também foram as matriarcas espirituais de diversas famílias de santo que hoje estão espalhadas em terreiros de todo o Brasil.

A história das religiões dos africanos e seus descendentes no Brasil é marcada pela resistência incansável de seus devotos. Ao lembrarmos a resistência negra, a referência ao feminino continua sendo central.

As Yalorixás negociaram com políticos de alto escalão pelo direito de vivenciar plenamente suas crenças religiosas e também buscaram atrair a atenção e o apoio de intelectuais e artistas, numa tentativa de quebrar estereótipos negativos da religião e cultura negra.

O respeito como desafio:

A pluralidade vive-se, ensina-se e aprende-se. É trabalho de construção, no qual o envolvimento de todos se dá respeito e pela própria constatação de que, sem o outro, nada se sabe sobre ele, a não ser o que a própria imaginação fornece.

Referência: Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais pluralidade cultural, orientação sexual / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997.

A defesa à ancestralidade africana requer um conhecimento mínimo da história africana e da história dos africanos e seus descendentes no Brasil.

Compreender de quais formas a “África civilizou o Brasil” é fundamental para que possa existir um esforço coletivo de combate ao racismo de nossa sociedade.

A lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira, tem como objetivo garantir que não sigamos contando uma única história – branco e androcentrada.

Em paralelo, é preciso seguir no combate diário contra discurso e práticas intolerantes e racistas que podem vir em forma de:

●   Piadas
●   Assédios,
●   Violência física,
●   Sermão religioso.
 
Postado em: 21/01/2013
Por: Autoras Convidadas
Texto de Ju Paiva*.

Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 14 de Junho de 2014, 20:28


Para falar sobre o assunto, o programa Revista Brasil convidou o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial, Maurício Pestana.

Segundo ele, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa já era comemorado antes mesmo de ter uma data instituída, isso por conta do aumento, sobretudo na última década, da intolerância religiosa no país.

Disse:
▬   “O Brasil historicamente sempre foi um lugar onde as pessoas de diversas religiões e etnias conviveram muito bem, mas, nos últimos anos, via internet e por meio de denúncias, vimos que a intolerância tem aumentado, uma vez que esta é uma das denúncias que a Secretaria de Igualdade Racial de São Paulo mais recebe”.

Desde então, de acordo com Maurício Pestana, estão sendo realizadas pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial ações preventivas contra a intolerância religiosa no estado, especialmente no dia 21 de janeiro.

Destacou.
▬   “Vamos fazer manifestações para tentar mostrar que 'isto não cola' neste país e que vamos dar exemplo de tolerância, como tem dado em outras áreas”.

Maurício Pestana lembrou, ainda, que os cultos afro continuam sendo alvo da intolerância religiosa, tendo como exemplo os grupos terroristas no Oriente Médio.

▬   “Infelizmente, a intolerância religiosa é responsável por mais de 80% dos conflitos existentes hoje no planeta, haja vista os grupos terroristas do Oriente Médio, que hoje atacam em qualquer local do mundo".

▬   "No Brasil, começou-se uma intolerância contra as religiões de matriz africana, por serem consideradas mais frágeis. Muitos fiéis são surpreendidos com seus carros depredados ao saírem de seus cultos, por exemplo”.

Além disso, o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo repercutiu a decisão da justiça paraibana sobre sentença que declara a Lei de Cotas inconstitucional.

O Revista Brasil é uma produção das Rádios EBC e vai ao ar de segunda a sábado, às 8h, na Rádio Nacional de Brasília, Nacional Rio de Janeiro e MEC AM Rio de Janeiro. A apresentação é de Valter Lima.

Produtora:
Joana Darc Lima.



Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 14 de Junho de 2014, 20:32
   

Interações entre Ciência e Religião

▬   Como o senhor define religião?

R: O que nós chamamos de “religião” tem se manifestado, no decorrer da história e em todas as partes do mundo, em diversificações e diferenças múltiplas.

De acordo com essa complexidade não considero adequado pensar em uma definição fechada de religião e opto por um conceito aberto capaz de superar um entendimento pré-teórico que generaliza fenômenos religiosos, sobretudo os de origem cristã, com os quais nós estamos culturalmente acostumados.

Isso é somente necessário por que, por exemplo, para chineses, hindus e muçulmanos nem existem sinônimos em suas línguas que correspondam exatamente com nosso termo religião. A partir dessas considerações meu conceito de religião contém quatro elementos:

●   Primeiro, religiões constituem sistemas simbólicos com plausibilidades próprias.

●   Segundo, do ponto de vista de um indivíduo religioso, a religião caracteriza-se como a afirmação subjetiva da proposta de que existe algo transcendental, algo extra-empírico, algo maior, mais fundamental ou mais poderoso do que a esfera que nos é imediatamente acessível através do instrumentário sensorial humano.

●   Terceiro, religiões se compõem de várias dimensões: particularmente temos que pensar na  dimensão da fé, na dimensão institucional, na dimensão ritualista, na dimensão da experiência religiosa e na dimensão ética.

●   Quarto, religiões cumprem funções individuais e sociais. Elas dão sentido para a vida, elas alimentam esperanças para o futuro próximo ou remoto, sentido esse que algumas vezes transcende o da vida atual, e com isso tem a potencialidade de compensar sofrimentos imediatos.

Religiões podem ter funções políticas, no sentido ou de legitimar e estabilizar um governo ou de estimular atividades revolucionárias.

Além disso, religiões integram socialmente, uma vez que membros de uma comunidade religiosa compartilham a mesma cosmovisão, seguem valores comuns e praticam sua fé em grupos.

▬   Como o senhor define ciência?

R:  Ciência é uma maneira específica de se aproximar a “realidade” e de adquirir conhecimento sobre ela. De acordo com o princípio de divisão de trabalho, ciências diferentes têm seus enfoques particulares, ou seja, elas são especializadas em investigar certos segmentos da “realidade”. Para disciplinas como a Ciência da Religião é preciso que a “realidade” científica se restrinja à esfera empírica.

Em outras palavras: O que conta como “realidade” são somente aquelas camadas da existência que são extraídas da observação. Esta observação pode ser direta (através dos sensos inclusive suas ampliações artificiais) ou indireta (por exemplo a partir de uma dedução com base  em uma estatística).

Temos que lembrar que ciência é um empreendimento coletivo. A vida acadêmica se organiza em sociedades científicas. O cientista individual faz parte de um conjunto de outros cientistas que se comprometem com as mesmas regras epistemológicas, que se referem ao mesmo vocabulário de termos técnicos e que têm como pressuposto os mesmos pontos de partida.

▬   O que é Ciência da Religião?

R:  Ciência da Religião é a disciplina empírica que investiga sistematicamente religião em todas as suas manifestações. Um elemento chave é o compromisso de seus representantes com o ideal da neutralidade frente aos objetos de estudo.

Não se questiona a “verdade” ou a “qualidade” de uma religião. Do ponto de vista metodológico, religiões são “sistemas de sentido formalmente idênticos”. É especificamente este princípio metateórico que distingue a Ciência da Religião da Teologia.

O objetivo da Ciência da Religião é  fazer um inventário, o mais abrangente possível, de fatos reais do mundo religioso, um entendimento histórico do surgimento e desenvolvimento de religiões particulares, uma identificação e seus contatos mútuos, e a investigação de suas inter-relações com outras áreas da vida.

A partir de um estudo de fenômenos religiosos concretos, o material é exposto a uma análise comparada. Isso leva a um entendimento das semelhanças e diferenças de religiões singulares a respeito de suas formas, conteúdos e práticas.

O reconhecimento de traços comuns do cientista da religião, permite uma dedução de elementos que caracterizam religião em geral, ou seja como um fenômeno antropológico universal.

A Ciência da Religião tem uma estrutura multidisciplinar. Trata-se de um campo de intersecção de várias sub-ciências e ciências auxiliares. A História da Religião, a Sociologia da Religião e a Psicologia da Religião são as mais referidas.

Mas há outras, por exemplo a Geografia da Religião ou a Economia da Religião, uma matéria que atualmente ganha força na Universidade de Tübingen, Alemanha. No Brasil, na área da Ciência da Religião são freqüentemente citados as teorias e os resultados da Etnologia e da Antropologia.

▬   Um cientista pode ser uma pessoa religiosa? Por que? De que forma a religião influencia no encaminhamento que o cientista dá a sua pesquisa?

R: Houve uma época na história da nossa disciplina em que se defendia a tese de que um verdadeiro cientista da religião deveria ser um homem religioso ou uma mulher religiosa. O famoso livro de Rudolf Otto "O sagrado" elabora essa idéia já no seu primeiro parágrafo.

O livro traz a analogia de um crítico de música cuja capacidade de avaliar a qualidade de uma obra depende do senso musical de tal crítico. O mesmo valeria para a religião cuja essência se revela somente para um investigador que possui um "senso religioso". Acho que a analogia de Otto é inadequada.

Para mim, um cientista da religião nada se assemelha a um crítico de música. Ele mais se parece com um historiador da arte cuja referência não é o nível estético de uma pintura, mas que coloca questões do tipo:

●   Quem era o pintor?
●   Esta pintura é uma obra típica desse pintor?
●   Em que circunstâncias ele produziu tal obra? 
●   Que influências estilísticas se observam nesta obra?
●   Que papel esta obra desempenhava no contexto da produção artística do pintor?

A obra é típica de uma época da arte? De jeito semelhante o cientista da religião quer entender os fatores que influenciaram o surgimento e o desenvolvimento da religião investigada.

Ele tem o objetivo de classificar seu objeto de estudo ao compará-lo histórica e sistematicamente com outras religiões. Para fazer isso, precisa-se de uma formação científica adequada, um conhecimento geral da história espiritual do mundo, um instrumentário analítico.


(http://lh5.ggpht.com/_9-XVak30I2g/TLEvQi9BfOI/AAAAAAAABg8/FcaNrR9YDyg/b-continue-lendo.gif)   

Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 22 de Janeiro de 2016, 00:40


Se um cientista for um ateu ou um indivíduo religioso será uma opção particular, feita na sua vida privada. Mas quando exercer sua tarefa profissional deve controlar e disciplinar as próprias preferências ideológicas o tanto quanto possível. Nunca se consegue isso totalmente.

Mas isso não invalida a importância do ideal da neutralidade, da objetividade. Tem-se que se prestar atenção aos fatos e verificar se estão apresentados adequadamente. Por exemplo, seria fácil desvalorizar uma religião como o Islã ao se concentrar somente nos traços que estão em tensão com os valores ocidentais e cristãos.

Há uma tendência nas mídias de identificar o Islã com a Guerra Santa, mulheres reprimidas e movimentos “fundamentalistas”. Um Cientista da Religião que vê, do ponto de vista da sua religiosidade particular na sua vida pessoal.

O Islã como um desafio religioso tem que prestar atenção para não usar sua autoridade profissional e desdobrar ainda mais os preconceitos já enraizados na consciência coletiva. É melhor que ele se dedique a um assunto mais distante de seus interesses cotidianos.

▬   Qual é o estado atual da arte das pesquisas nessa área de Ciência da Religião no Brasil? E no Mundo?

R:  A situação internacional é muito complexa. Cada país tem seus traços específicos de acordo com vários fatores que dependem da história nacional da disciplina, do grau de colaboração com outras disciplinas ou da presença de certas religiões.

Por exemplo, a Ciência da Religião na Alemanha tem tradicionalmente um foco nas filologias e um interesse forte nas religiões orientais, especialmente na Índia. Atualmente vivem cerca de três milhões de turcos no país, um fato que levou uma nova geração de cientistas da religião a uma investigação do Islã no ambiente europeu ocidental.

Nos Estados Unidos a Ciência da Religião é bastante influenciada pelas Ciências Sociais e devido ao grande número de novas religiões que têm florescido num ambiente social liberal, as teorias e pesquisas nesta área são bastante desenvolvidas.

No Brasil, a Ciência da Religião é uma disciplina relativamente nova. Em comparação a outros países o perfil da matéria é menos acentuado ainda. Mas, estou otimista a respeito do futuro da disciplina num âmbito internacional.

O Brasil é conhecido como um campo religioso extremamente dinâmico, mas segundo Cientistas da Religião da Europa e dos Estados Unidos falta um saber detalhado sobre a história e a situação religiosa atual.

Ao mesmo tempo, há um contingente enorme de especialistas brasileiros que poderiam contribuir muito mais para a divulgação mundial dos seus conhecimentos. Deve-se fazer um esforço para que haja um intercâmbio mais amplo, mais freqüente com colegas norte-americanos e europeus.

Vejo pelo menos as seguintes áreas nas quais cientistas brasileiros desempenharão um papel importante na discussão internacional:

●  O Pentecostalismo, a chamada “religiosidade popular”;
●  As chamadas religiões mediúnicas (Candomblé, Umbanda, Kardecismo);
●  As religiões de Ayahuasca (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal).

Por outro lado, do ponto de vista internacional, são urgentes projetos sobre as grandes religiões não-cristãs como, por exemplo sobre o Judaísmo, o Islã, o Baha´i e até mesmo sobre o Budismo, uma religião tão freqüentemente citada nas mídias.

▬  Tendo em vista que o conhecimento religioso é dogmático, não testável, depende de crença/fé e que o conhecimento científico é replicável, fidedigno, generalizável. Na sua opinião, Ciência e Religião são divergentes ou convergentes? Por que?

R:   Em geral, concordo com a hipótese implícita na pergunta. Para mim, a divergência mais marcante é que cientistas empíricos não trabalham com conceitos metafísicos. Quer dizer, eles não levam em conta um nível extra-empírico.

Isso não significa que eles neguem a existência desta dimensão do “ser”, mas tem a ver com a posição metodológica em que se considera cientificamente irrelevante a questão sobre a “última realidade”, sobre “o absoluto”, sobre algo que transcende as esferas “relativas”.

Mas além de divergências há várias convergências. Vou mencionar aqui somente alguns aspectos de uma constelação muito complexa.

Religião e ciência são ambas sistemas de compreensão e interpretação do mundo. A teoria de “big-bang” e a doutrina cristã de criação têm o mesmo objetivo: responder a questão de onde vem nosso universo.

No decorrer do processo de secularização, ou seja, na medida em que a ciência como uma forma específica de compreensão do mundo ganhou cada vez mais aceitação coletiva na cultura ocidental, a interpretação cosmológica religiosa tem perdido sua plausibilidade para a maioria da população dos países correspondentes.

Devido ao “triunfo” das ciências exatas na modernidade é inevitável aceitar, do ponto de vista de um indivíduo religioso, que a doutrina bíblica de criação seja “apenas” uma imaginação simbólica de “verdadeiros” eventos cósmicos.

Neste sentido podem coexistir na consciência moderna os dois referenciais, ou seja, os relevantes textos bíblicos e as teorias astrofísicas atuais.

Agora, se imaginarmos um aluno que começa a sua formação universitária na área de astrofísica, qual é a sua situação? Ele nem tem a competência, nem a “reputação” de negar as teorias com as quais seus professores o confrontam.

Para crescer dentro do sistema, ele tem que aceitar a matéria apresentada nas aulas. Os conteúdos são tão abstratos, tão distantes da sua experiência cotidiana, que não lhe resta outra opção a não ser “crer” no que está escrito nos manuais impostos pelos mestres daquela disciplina.

Ele tem que ter confiança na fala das grandes autoridades dentro da comunidade acadêmica da qual ele quer participar no futuro. Talvez, depois de estudos de vários semestres, ele desenvolva a potencialidade de causar uma revolução científica, uma reforma no depósito de conhecimento estabelecido e não seja mais questionado pela geração anterior.

Mas isso só acontece excepcionalmente. A regra é que o aluno de ontem se torna um representante de uma tradição já estabelecida.

As palavras grifadas ressaltam algumas palavras chaves para indicar de que de ponto de vista sociológico há mais convergências entre religião e ciência do que se pensa normalmente.

O senhor vê a Religião como inibidora no processo de desenvolvimento da ciência?

R: A história prova que religião pode ter este efeito, isso é bem ilustrado pelo famoso caso de Galileu Galilei. Todavia, neste contexto acho muito interessante uma hipótese de Max Weber que diz que as ciências modernas têm suas raízes na tradição judaico-cristã e por isso elas se desenvolveram especificamente na Europa onde as duas religiões haviam deixado suas marcas.

Weber apontou para a cosmovisão dualista, para a ideia de um Deus transcendental, totalmente diferente do mundo, que, uma vez criado, segue suas mecanismos invariáveis.

Segundo Weber este conceito provocou uma certa divisão na área intelectual. Por um lado, se acentuou a teologia ocupada do lado divino do “ser”.

Por outro lado, as ciências exatas se articularam propondo uma integridade, uma certa autonomia do mundo distante de Deus exposto a uma investigação própria. Neste sentido podemos dizer que a religião, em vez de inibir um desenvolvimento da ciência, o estimulou.

Mais especificamente devemos pensar, por exemplo, em vários grandes físicos que eram homens religiosos e sua religiosidade não inibia que eles chegassem a resultados que levassem a novos paradigmas em suas áreas.

Devemos também lembrar do caso da Igreja Cristã dos Santos dos Últimos Dias, ou seja, dos chamados Mórmons. Motivados pela doutrina que membros da Igreja podem contribuir para a salvação de seus parentes já falecidos, ou seja, como conseqüência da prática do batismo de antepassados, há grandes especialistas em pesquisa na área de genealogia nesta Igreja.

Este exemplo também indica que religião não deve ser reduzida ao seu papel inibidor a respeito do progresso científico.

▬   A religião pode ser considerada responsável pela dificuldade que a sociedade tem de aceitar as novas idéias propostas pela ciência?

R: Sim, mas para mim a pergunta mais relevante é como avaliar este efeito? Não é assim que as possibilidades que a ciência nos oferece correm riscos? Quem garante que uma inovação é aproveitada de maneira responsável e realmente contribui para uma vida melhor?

A discussão sobre a biotecnologia é um bom exemplo para entender que   preciso ter uma instância de controle, pelo menos no sentido de um apelo para a consciência coletiva e a responsabilidade ética de pesquisadores que propagam a hipótese que tudo o que é cientificamente possível é automaticamente legítimo.

Nos debates deste tipo, instâncias religiosas desempenham geralmente um papel fundamental lembrando-nos dos limites do ser humano.

Mesmo que se prove em ambas as áreas que não houve nenhuma razão para tais preocupações e embora a história mostre que as religiões não podem deter o desenvolvimento científico, precisamos continuamente de mentes críticas que reflitam sobre possíveis impactos negativos de algo que parece um “progresso”.

Entrevista com Dr. Frank Usarski.
Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião na PUC/SP.
Entrevista com alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, PUC-SP.


Título: Re: Dia da Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 23 de Janeiro de 2016, 15:25


Denúncias de discriminação religiosa aumentam 70% no país, revela Disque 100

O número de denúncias relacionadas à discriminação religiosa aumentou 70% no ano passado no Brasil na comparação com o ano anterior, chegando a 252, o mais elevado patamar registrado desde a criação do Disque Direitos Humanos, o Disque 100, há quatro anos.

Os dados foram divulgados ontem (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, pela Secretaria de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Em 2014, foram 149 denúncias.

Diante do agravamento da intolerância religiosa, líderes de diversas matrizes religiosas que estiveram em Brasília para participar de uma mesa de debates sobre o tema se uniram para criar uma rede nacional de proteção para as vítimas desse tipo de crime.

▬   “Hoje foi a primeira discussão de um escopo e dos princípios do que será essa rede”, disse o secretário nacional de Proteção e Defesa de Direitos Humanos em exercício, Fernando Matos, que recebeu os líderes". 

Ao comentar o aumento no número de tais denúncias, Matos disse que o acirramento dos ânimos e as manifestações de intolerância observados na esfera digital podem ter contribuído para maior ocorrência de crimes reais.

▬   “É uma situação muito complexa. Temos participado de um mundo cada vez mais virtual e digital, o que tem permitido que haja episódios de intolerância descambando para o mundo real."

Matos destacou também o crescente reconhecimento da capacidade do Disque 100 de encaminhar essas denúncias às autoridades responsáveis por sua apuração.

Ao longo do ano passado, alguns casos se destacaram no noticiário. Em junho, uma menina de 11 anos foi apedrejada quando saia de um culto religioso em um subúrbio do Rio de Janeiro,

Já no Distrito Federal, houve uma série de ataques contra terreiros de candomblé entre setembro e novembro, e um incêndio, que suspeita-se ter sido criminoso, destruiu um terreiro na cidade do Paranoá.

São Paulo tem mais denúncias:

O maior número de denúncias foi feito em São Paulo (37), seguindo-se o Rio de Janeiro (36), Minas Gerais (29) e a Bahia (23). Embora haja a impressão geral de que grande parte das vítimas pertence a religiões de matrizes africanas, a Secretaria de Direitos Humanos não apresentou dados destrinchados por religião.

Relatou a mabeto:
▬   “Tivemos quatro assassinatos bárbaros em um período de dois meses”,  (mãe de santo) Nagentu, representante do candomblé angola, que viajou de Belém a Brasília para apresentar o posicionamento de sua comunidade.

Ela criticou, inclusive, o próprio conceito de “tolerância religiosa”.

Afirmou Nagentu:
▬   “Tolerância é uma palavra muito grave. Ninguém quer ser tolerado, quer ser respeitado como ser humano, como cidadão, como pessoas de bem, como pessoas que têm a sua opção de escolha, de sua tradição e de crença. Vivemos num país laico”.


Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 19 de Agosto de 2016, 20:56

Todas as religiões são verdadeiras

Não são difíceis as pessoas acharem que suas religiões são as melhores do mundo e querer que os outros sigam suas religiões e crenças.

Devemos saber que Deus e o plano espiritual estão em todos os lugares, principalmente nos lugares de culto a Deus e a Luz em modo geral.

Quase (eu disse quase) todos os procedimentos religiosos são iguais, todos usam velas, incensos, orações e até mesmo mandalas.

No Catolicismo as coisas são muito escondidas, as formas de exorcismos são feitas com incensos. Mas tudo isso para dizer que o plano espiritual e a própria realidade é uma só.

—  Apesar de algumas diferenças entre as religiões, como:

●  A existência ou não da reencarnação,
●  As diferentes formas de se representar Deus,
●  E as formas de abordar as revelações metafísicas.

Um exemplo é no cristianismo falar: que Deus é justo e em outras religiões falar da lei do Karma, ou do Karma e do Dharma.

Deus é chamado assim no Cristianismo, mas no Islamismo é Alah, no Hinduismo é Brahma, no Pajeismo é Tupã, no Egito é Há e etc.

Os cristãos vêem a palavra de Deus na Bíblia mas os índios e os wiccans vêm na natureza. Todas estas palavras e formas de ver estão corretas, o que muda é a forma e a linguagem.

—  Deus possui um tríplice aspecto não apenas:

●  No Hinduismo,
●  No Cristianismo,
●  Mas também na Teosofia.

●  No Cristianismo Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo,
●  No Hinduismo é Brahman, Shiva e Vinshu,
●  E na Teosofia é o Logo1, Logo2 e Logo3.

Porém cada religião tem uma maneira de falar e do que enfatizar destes três aspectos de Deus. Deus jamais abandona seus filhos e também nunca o fez nas religiões.

A revelação de Deus para o homem é pura e as distorções religiosas são causadas pelo ego de algumas pessoas.

Muitas vezes as distorções são feitas para provar que a religião é única e verdadeira ou como sendo a melhor de todas, também para manipular o dinheiro e a cabeça dos fiéis que trás poder.

Essas distorções só dificultam ainda mais as pessoas enxergarem que Deus está em todas as religiões.

Talvez Deus permita essas distorções para que as pessoas olhem para Dentro de si mesmas, pois lá está a verdade e não fora. Deus está dentro de nós e ele é tudo e tudo está dentro de nós.

A pessoa que trilha o caminho da iluminação enxergará diversas dessas enganações, pois a luz ilumina e mostra a verdade.

O caminho da luz é enxergar os próprios defeitos, as qualidades e as falsidades de outras pessoas.

Também transformando os seus defeitos enxergados, perdoando, buscando cada vez mais a fé em si mesmo e em Deus e ser verdadeiro e com isso fazendo cada vez mais presente o Deus que existe dentro de si mesmo.

—  O que importa mesmo é a luz que as pessoas desenvolvem nas religiões e isso implica:

●  Fé,
●  Paz,
●  Amor, 
●  Carinho,
●  Verdade,
●  Coração,
●  Bondade,
●  Sabedoria,
●  Sentimento,
●  E transformação.

Estas coisas são eternas, nos completam e dão real sentido para nossas vidas. Não importa qual é a religião da pessoa, mas sim a luz que ela desenvolve com a religião.

Mestres Ascensos.

Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 02 de Setembro de 2016, 18:10

Egito

O Egito desperta uma profusão de sentimentos enigmáticos e místicos.

Pensar no Egito é pensar nas pirâmides, nas tumbas, nas múmias e em toda história que trazem consigo, muitas vezes ainda ininteligíveis ao ser humano contemporâneo.

Contudo se outrora o país cultuava Osíris, Hórus e demais deuses, hoje é terra de Allah. Noventa por cento da população é muçulmana, em contrapartida de 10% de cristãos.

A privilegiada posição geográfica do país e grande importância cultural fez do Egito alvo de grande interesse das demais civilizações, sofrendo repetidas invasões, conquistas e imposições de novas culturas.

Assim, configurou-se um complexo mosaico cultural, linguístico e religioso. As raízes do Cristianismo no Egito datam do primeiro século depois de Cristo, quando a cidade de Alexandria se transformou em um reduto da religião.

Entretanto, a igreja egípcia possui sua própria descendência, a Igreja Ortodoxa Copta, que possui Papa e interpretações próprias da doutrina. A pequena cruz tatuada no pulso direito - que a maioria possui, mesmo não sendo obrigatório – os revelam.

Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 02 de Setembro de 2016, 18:17

Quatro séculos mais tarde, em Meca, Maomé começaria a professar o Islã. Após a morte do profeta, o Egito entrou na rota de expansão da religião, incorporando não só o Islã, como o idioma árabe à cultura; ambos permanecem até hoje.

Embora a conquista territorial tenha se sucedido, ninguém fora obrigado a se converter. Entretanto, os impostos cobrados a qualquer não muçulmano eram abusivos e se tornavam inviáveis de ser pagos, o que fazia com que as pessoas se convertessem à fé professada por Maomé.

Muitos séculos depois, em 2016, o que vemos é a religião profundamente associada a cultura do país e que, apesar de  o estado se definir como laico, ainda permeia a política.

E há, inclusive, os defensores (embora minoritariamente) de uma política completamente baseada na religião:
A sharia.

Se por um lado se mostram extremamente religiosos - o que não significa fanáticos-, por outro lado, todos os dias, as mesquitas parecem gritar em vão nas cinco chamadas para a oração.

Uma das imagens mais tangíveis do Islã para nós ocidentais, é a reza, portanto imaginamos que prontamente na hora, o país para para fazê-la. Não é bem assim.

Com exceção a reza das sextas, por volta de meio dia – na qual todos os homens devem ir a mesquita -, poucos demonstram notar o chamado das mesquitas nos alto falantes.


Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 02 de Setembro de 2016, 18:21

Egípcios fazendo a última reza do dia.

Devemos sempre lembrar que toda religião é nosso objetivo de como ser, e não de como somos. Somos seres humanos imperfeitos, e seguidores da religião que for, não seremos cópias fiéis da mesma. Assim é por aqui. Muitas contradições a parte.

Se o álcool é visto praticamente como um crime à felicidade póstuma, o haxixe é quase tão difundido como a cervejinha do fim de semana no Brasil.  Se o divórcio ainda é proibido aos coptas, o jeito é se converter a outra linhagem cristã para assim poder fazê-lo.

A convivência entre as religiões – Cristianismo e Islamismo- é pacífica e respeitosa.

Durante a revolução de 2013 quando sucessivos ataques a bomba estavam acontecendo, ficou famosa uma foto em que cristãos, de mãos dadas, protegiam muçulmanos durante a reza, e muçulmanos protegiam as igrejas para que os coptas pudessem rezar com tranquilidade.

Contudo, já reparei várias vezes, que ao contar um caso, eles sempre fazem uns parênteses da religião da pessoa, mesmo que isso não implique em nada na história a ser contada.

“Uma vez estava com um amigo, ele é cristão, ...”. “Convidei uma amiga para ir com a gente, ela é cristã.”. Não é um preconceito, é apenas uma diferença.

Diferença que até o ano passado vinha estampada nos documentos de identidade, e se faz clara apenas pelo nome de registro do cidadão - há diferentes nomes para muçulmanos e cristãos.

No interior da mesquita de Muhammad Ali no Cairo.

E essa divergência é também motivo de muitas decepções amorosas. A maioria dos egípcios tem uma história de amor platônico envolvendo as duas religiões. Apesar de permitido, o casamento na prática é impossível.

Uma vez uma amiga cristã contou que estava sofrendo por um amor correspondido muçulmano. Me pareceu óbvio que o motivo do sofrimento fosse um impedimento, por parte das famílias, mas ela me esclareceu que não, foi decisão dela de se afastar.

Segundo a mesma, jamais se casaria com um muçulmano. Por quê?  Não aceitaria que os filhos dela fossem seguidores da outra religião, assim como nenhum seguidor de Maomé aceitaria filhos fiéis a Jesus.

E por falar em filhos, a religião está extremamente arraigada ao crescimento populacional no Egito, que apenas no último ano cresceu em mais de 1.8 milhões.

Em nome da fé, os casais são encorajados a não fazer qualquer tipo de controle de fertilidade ou planejamento familiar. Quantos filhos Allah enviar, que seja feita a vontade dele!

Ainda mais encorajadora é a crença de que, quando Deus envia um filho, ele manda junto o dinheiro necessário para a criação.  Se a densidade populacional (principalmente no Cairo), baixa renda e poucas oportunidades já afetam a população atual, mais pessoas: mais problemas.

Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 02 de Setembro de 2016, 18:30

Ainda que timidamente, talvez encorajados pela liberdade e confiança no direito de auto determinação advindos da revolução de 2011, uma onda de ateísmo se faz presente no país. Nada que ameace ambas religiões.

Entretanto, aos poucos, pipocam na internet grupos de discussões e vídeos nos quais se questionam os fundamentos de ambas doutrinas. Mas nada que ainda se possa ser discutido na sociedade, ou entre famílias, sem represálias.

O país dos faraós também não poderia permanecer indiferente a seus ancestrais, enquanto todo o mundo os reverencia. São notáveis diversas tradições e rituais do antigo Egito presentes no dia a dia.

A própria língua é prova disso, o árabe falado no Egito não corresponde ao clássico, tem diversas palavras que provêm do idioma dos ancestrais.

Assim como a celebração de Páscoa, que, para eles, nada tem a ver com a ressurreição de Cristo. Apesar de a data coincidir, eles celebram o período da cheia do Nilo e consequente fertilidade.

De todos os legados, me arrisco a dizer que o principal seria a preocupação com a eternidade, seja na Terra, no paraíso prometido por Allah ou Jesus, todos eles querem ser lembrados e ser merecedores dos louros da vitória.

Por Michelle Bastos.

Michelle é graduada em jornalismo pela UFV. Já morou em Portugal, EUA, Grécia e hoje, casada com um egípcio, divide sua vida entre o Brasil e o Egito. Está sempre dando umas voltinhas por aí e adora compartilhar tudo que viu e aprendeu.

Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 22 de Outubro de 2016, 02:06

As Religiões Afro-Brasileiras

Estima-se que um total de 3.600.000 escravos foram transportados da África para o Brasil entre os séculos XVI e XIX (Bastide, 1978: 35), fazendo do Brasil o segundo maior importador de escravos do novo mundo. Durante este período, a população negra escrava era maior que a dos brancos que legislavam.

—  Os escravos vieram principalmente do:

●  Congo,
●  Nigéria,
●  Daomé,
●  Angola,
●  E Moçambique.

Apesar da instituição escravagista ter quebrado as famílias e espalhado grupos étnicos através do país, os escravos conseguiram manter alguns laços com sua herança étnica.

Isso aconteceu devido ao fato, entre outros, dos portugueses usarem a política de dividir para governar, separando os escravos em diferentes nações. O termo nações se refere ao local geográfico de um grupo étnico e sua tradição cultural (por exemplo, os que falavam Yorubá da Nigéria eram os Nagô, Ketu, Ijejá, Egba etc.)

A conseqüência inesperada dessa divisão foi que o conceito de nação desempenhou um papel importante para a manutenção de várias identidades étnicas africanas e para a transmissão cultural e as tradições religiosas.

Os escravos africanos eram proibidos de praticar suas várias religiões nativas. A Igreja Católica Romana deu ordens para que os escravos fossem batizados e eles deveriam participar da missa e dos sacramentos.

Apesar das instituições escravagistas e da Igreja Católica Romana, entretanto, foi possível aos escravos comunicar, transmitir e desenvolver sua cultura e tradições religiosas.

—  Houve vários fatos que os ajudaram a manter esta continuidade:

●  Havia um certo número de líderes religiosos entre eles;
●  Os vários grupos étnicos continuaram com sua língua materna;
●  E os laços com a África eram mantidos pela chegada constante de novos escravos.

Entre as tradições religiosas africanas que exerceram influência nas religiões afro-brasileiras, o culto aos Orixás e Voduns foram de capital importância. Orixás e Voduns são divindades dos grupos da Nigéria e Benin que falam Yorubá e Jeje.

Na África cada divindade preside um aspecto da natureza e uma família em particular. No Brasil, como a escravidão dividiu as famílias, eles se tornaram protetores dos indivíduos.

O ponto central das religiões afro desenvolvidas no Brasil eram as festas para os Orixás e Voduns, que envolviam possessões de divindades e sacrifícios de animais. As religiões afro-brasileiras constituem um fenômeno relativamente recente na história religiosa do Brasil.

Por exemplo o primeiro terreiro de Candomblé, que é localizado no nordeste, mais precisamente na Bahia, é geralmente situado no ano de 1830.

Estas novas religiões apareceram primeiro na periferia urbana brasileira, onde os escravos tinham maior liberdade de movimento e era capazes de se organizar em nações.

—  Daí eles se espalharam por todo o país, e tomaram diversos nomes como:

●  Xangó,
●  Catimbó,
●  Batuques,     
●  Macumba,
●  Candomblé,
●  E Tambor de Minas.

O Candomblé, a mais tradicional e africana dessas religiões, se originou no Nordeste. Nasceu na Bahia e desde longa data tem sido sinônimo de tradições religiosas afro-brasileiras em geral. Desde o começo os pais-de-santos, buscavam re-africanizar a religião.

Isto foi possível em parte, porque a rota dos navios entre Nigéria e Bahia, conservou viva a conexão com a África. Isso continuou mesmo depois da abolição da escravidão em 1888.

Escravos libertos que puderam viajar para áreas dos Yorubás foram iniciados no culto dos Orixás e então, ao retornar ao Brasil, puderam fundar terreiros a revitalizar a prática religiosa.

Quando as religiões afro-brasileiras começaram a aparecer, o conceito de nação ganhou nova força e significado, em parte como um símbolo de transmissão de tradições religiosas locais, e em parte como uma marca da identidade étnica.

Reafricanização ou não, as religiões afro-brasileiras ainda carregam os efeitos de sua interação com outras tradições religiosas, especialmente do Catolicismo.

Os Voduns e Orixás foram justapostos com os santos católicos e o interior dos terreiros possuía numerosos elementos católicos, incluindo e estátuas de santos, enquanto os objetos religiosos africanos eram escondidos.

As religiões afro-brasileiras eram proibidas, e os terreiros eram freqüentemente visitados pela polícia. Por isso seus praticantes deviam sempre buscar caminhos para fortalecer a aparência católica dos Orixás e dos terreiros.

O sincretismo se tornou assim estratégia de sobrevivência. Apesar de que a libertação dos escravos em 1888, a ratificação da Constituição Republicana em 1889 e a separação da Igreja e do Estado em 1890 foram caracterizados pelo mesmo espírito liberal, a república ainda proibia o Espiritismo.

Esta proibição era dirigida especialmente contra as religiões afro-brasileiras, que eram denunciadas como baixo espiritismo. Nesta designação está implícito o preconceito social direcionado contra os membros destas religiões, que pertenciam aos setores mais baixos da sociedade brasileira.

Os negros brasileiros não cabiam na modernização republicana. Inspirada pelas teorias raciais "científicas" européia e norte americana, a elite branca dominante via a população negra como uma desgraça ao caráter nacional brasileiro. (Skidmore 1974: 29).

O problema da cor da pele exigia de alguma forma uma solução, e a proposta dos intelectuais e das elites em geral era o embranquecimento.

A ideia era de que a miscigenação continuada poderia levar a um embranquecimento de toda a população brasileira. Isso poderia ser levado adiante e acelerado com a abertura do Brasil aos imigrantes europeus.

Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 27 de Novembro de 2016, 19:32
 
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.

▬   Rituais e símbolos judaicos:

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  Os cultos judaicos são realizados num templo chamado de sinagoga e são comandados por um sacerdote conhecido por rabino. O símbolo sagrado do judaísmo é o memorá, candelabro com sete braços.

▬   Memorá:candelabro sagrado.

Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos meninos ( aos 8 dias de vida ) e o Bar Mitzvah que representa a iniciação na vida adulta para os meninos e a Bat Mitzvah para as meninas ( aos 12 anos de idade ).

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  Os homens judeus usam a kippa, pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento das orações.

Nas sinagogas, existe uma arca, que representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados da Torá.

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  As Festas Judaicas. As datas das festas religiosas dos judeus são móveis, pois seguem um calendário lunisolar.

▬   As principais são as seguintes:

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Rosh Hashaná - é comemorado o  Ano-Novo judaico.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Simchat Torá - celebra a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Shavuót - celebra a revelação da Torá ao povo de Israel, por volta de 1300 a.C.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Chanucá - comemora-se o fim do domínio assírio e a restauração do tempo de Jerusalém.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)Purim - os judeus comemoram a salvação de um massacre elaborado pelo rei persa Assucro.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Sucót -  refere-se a peregrinação de 40 anos pelo deserto, após a libertação do cativeiro do Egito.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Páscoa ( Pessach ) - comemora-se a libertação da escravidão do povo judeu no Egito, em 1300 a.C.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Yom Kipur - considerado o dia do perdão. Os judeus fazem jejum por 25 horas seguidas para purificar o espírito.


Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2018, 21:44

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.

▬   Rituais e símbolos judaicos:

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  Os cultos judaicos são realizados num templo chamado de sinagoga e são comandados por um sacerdote conhecido por rabino. O símbolo sagrado do judaísmo é o memorá, candelabro com sete braços.

▬   Memorá:candelabro sagrado.

Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos meninos ( aos 8 dias de vida ) e o Bar Mitzvah que representa a iniciação na vida adulta para os meninos e a Bat Mitzvah para as meninas ( aos 12 anos de idade ).

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  Os homens judeus usam a kippa, pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento das orações.

Nas sinagogas, existe uma arca, que representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados da Torá.

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_3557.gif)  As Festas Judaicas. As datas das festas religiosas dos judeus são móveis, pois seguem um calendário lunisolar.

▬   As principais são as seguintes:

(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Rosh Hashaná - é comemorado o  Ano-Novo judaico.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Simchat Torá - celebra a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Shavuót - celebra a revelação da Torá ao povo de Israel, por volta de 1300 a.C.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Chanucá - comemora-se o fim do domínio assírio e a restauração do tempo de Jerusalém.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)Purim - os judeus comemoram a salvação de um massacre elaborado pelo rei persa Assucro.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Sucót -  refere-se a peregrinação de 40 anos pelo deserto, após a libertação do cativeiro do Egito.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Páscoa ( Pessach ) - comemora-se a libertação da escravidão do povo judeu no Egito, em 1300 a.C.
(http://paszkowski.com.br/gifs/miniaturas/mini_128.gif)  Yom Kipur - considerado o dia do perdão. Os judeus fazem jejum por 25 horas seguidas para purificar o espírito.


Título: Re: Intolerância Religiosa
Enviado por: Marianna em 21 de Janeiro de 2019, 19:54

O Sincretismo se caracteriza pela a união de várias religiões e ideologias que formam outra.

Atualmente, o sincretismo mais visível é o religioso, mas o ideológico também está presente em várias áreas das ciências sociais e humanas.

Religioso:

O sincretismo está presente na religião onde é possível visualizar elementos de várias religiões que influenciaram determinada crença.

O catolicismo, por exemplo, nasceu do judaísmo. Afinal, um dos livros judaicos, a Torá, está presente nos ensinamentos cristãos.

A grande festa judaica, a Páscoa, recebeu outro significado com os cristãos.

Da mesma forma, a Igreja Católica absorveu a organização romana e instituiu um líder máximo, auxiliado por bispos e padres.

Isto pode ser observado em todas as religiões, pois não existe uma religião pura.

No Brasil:

No Brasil, o sincretismo é evidente entre as religiões de matriz africana que incorporaram elementos do catolicismo. Importante ressaltar que esta mistura se processou de maneira diferente nos diversos pontos do país.

O principal motivo que explica este fenômeno é a forma de poder exercida em Portugal na época da colonização.

Como a coroa e a Igreja estavam unidos no projeto de colonização, a conversão ao Catolicismo é imposta aos povos conquistados. Assim como os índios, os negros escravizados foram obrigados a adotar a religião católica.

Portugal só admitia o envio para a colônia do Brasil de católicos dentro do grupo denominado "gente da renascença" - criminosos, fracassados e marginalizados.

A mesma exigência era feita aos fidalgos ou representantes da pequena nobreza que emigravam de Portugal.

Diante da conquista de território como Angola, a colônia passou a explorar a escravidão dos negros africanos, pois isto resultava num lucrativo comércio.

Assim, a escravidão entre indígenas e negros passou a coexistir, embora a Igreja condenasse o uso da mão de obra indígena não remunerada.

Pela determinação de conversão, os escravos capturados passavam a ter contato com a religião católica ainda nos navios que os transportavam até o Brasil.

Orixás Africanos:

Por imposição, os deuses africanos foram rebatizados. Olódùmarè recebe a denominação de Olorun e Oxalá é associado à Virgem Maria.

Intimidados pelos castigos que seriam impostos em caso de não aceitarem a conversão, muitos escravos abraçavam a religião católica aparentemente, mas mantinham o culto a seus orixás de origem.

Já os senhores brancos permitiam os cantos e danças aos domingos, bem como preces e batuques dentro das senzalas.

Alguns historiadores sustentam que os senhores acreditavam que desta maneira, os escravos manteriam a África na memória. Deste modo, não se esqueceriam da rivalidade entre os diversos grupos, evitando uma revolta contra o estado de escravidão.

Entre as figuras da Igreja Católica cultuadas pelos portugueses está Santa Bárbara, a quem os escravos fingiam cantar, mas na verdade, o culto era destinado a Yansan, orixá da sexualidade, deusa dos ventos e dos raios.

Também é sincretizado São Lázaro, com suas feridas e chagas, com Omolú, o orixá das doenças de pele.

Yemanjá, a deusa que deixa sair do ventre a própria vida, é sincretizada com certas denominações da Virgem Maria, como Nossa Senhora da Conceição. Por ocorrer de maneira diferente nos diversos pontos do país, o sincretismo de um mesmo santo ou orixá não é idêntico.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o orixá da guerra Ogun é sincretizado com São Jorge e no Estado da Bahia com Santo Antônio.

A imagem de São Jorge com armadura e capacete, lutando bravamente com um dragão, contrasta com Santo Antônio a ter nos braços um bebê. Segundo a Igreja, porém, Santo Antônio também teria sido soldado e, por isso, lutou, o que explica o sincretismo com Ogun.

Religiões Afro-brasileiras:

No período de exploração da mão de obra escrava, o Brasil recebeu pessoas de diversas regiões da África. Por serem de pontos diferentes, não falavam a mesma língua e também cultuavam deuses diferentes e tinham tradições distintas.

Alguns guerreavam entre si e, em comum, compartilhavam somente o fato de serem escravos na colônia. O Brasil recebeu negros sudaneses, guineanos e bantos. A diversidade é tamanha, que os guineanos são integrados por islâmicos.

Candomblé:

Deu-se o nome de Candomblé à religiosidade e ao conjunto das muitas manifestações religiosas dos negros escravizados.

A palavra Candomblé é uma onomatopeia indicativa da dança africana. É por isso que os historiadores classificam as religiões africanas como vários candomblés. Afinal, o candomblé se divide em nações como nagô, keto e ijêxa.

Pela maneira diferenciada em que ocorreu o sincretismo, as formas de culto também não são iguais.

Conforme os historiadores, na Bahia um devoto católico frequenta a missa, mas também obedece às determinações impostas por seu orixá. Ainda assim, na Bahia os rituais permanecem mais próximos aos africanos..

Umbanda:

No Rio de Janeiro, no começo do século XX, ocorreu outro fenômeno de sincretismo com o nascimento da Umbanda.

Esta é uma mistura entre a religião africana de raiz, o catolicismo, as lendas indígenas e o espiritismo de Alan Kardec.

A riqueza da mistura remonta a um passeio entre as muitas crenças e sua postura diante do comportamento na vida e na morte.