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CODIFICAÇÃO => O Livro dos Médiuns => Tópico iniciado por: *Leni* em 14 de Dezembro de 2008, 02:58

Título: Entrevista com Richard Simonetti II
Enviado por: *Leni* em 14 de Dezembro de 2008, 02:58
 


22 - Como você vê a agressividade de muitos espíritas aos irmãos e crença que lêem livros de Roustaing, por exemplo? Não sou roustainguista. Aliás nem gosto dessa palavra, mas respeito a liberdade de cada um ler o que prefere.
R- Como diz o velho ditado, "cada um dá o que tem". Há companheiros que julgam dar força aos seus argumentos usando a clava. Também não sou roustainguista e preferiria que não falassem tanto dele, como o fazem aqueles que a pretexto de esclarecer a comunidade espírita sobre uma "ameaça" que não significa nada para 99,99% dos espíritas, são seus grandes divulgadores.

R- 23 - Considerando as dificuldades econômico financeiras, o desemprego, que a classe média vem enfrentando, como orientar o jovem espírita para a vida (lazer, sexo, família), sem o risco da desesperança que parece contagiar a juventude? (inclusive com incidência de suicídio entre os jovens)
R- O jovem espírita que comete suicídio revela total ignorância dos princípios codificados por Kardec. Um mínimo de esclarecimento a respeito das conseqüências funestas do auto-aniquilamente funciona como infalível vacina contra o suicídio. O conhecimento da Doutrina nos permite enfrentar com segurança os desafios da vida, demonstrando, sobretudo, que nossa felicidade não está subordinada à satisfação de nossos desejos. É preciso, se queremos ser felizes, que entendamos o que a vida espera de nós. Nesse particular o Espiritismo é imbatível.
24 - Como orientar o jovem espírita que gosta e se sente bem em bares, boates, etc.?
R- O Espiritismo é a Doutrina da consciência livre. Não estamos impedidos de entrar em nenhum lugar. Importante saber como vamos sair. E deve o jovem espírita ter consciência de que nesses ambientes há uma pressão muito grande da espiritualidade inferior, estimulando os impulsos do sexo promíscuo, do vício e da licenciosidade. Não é fácil conservar ali a integridade espiritual. O apóstolo Paulo dizia: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém.Seria interessante pensar nisso.

25 - Como orientar o adolescente espírita com relação ao sexo durante o namoro?
R- O problema na atualidade, quanto ao namoro, é que as pessoas tendem a confundir amor com sexo. Quando se fala em amar, pensa-se em "transar". Invertem-se as posições. O grande desafio em se tratando do jovem espírita, é passar-lhe a convicção de o sexo deve ser a culminância de uma ligação afetiva, consolidada por longa convivência, jamais o seu início.

26 - As rifas para conseguir fundos para obras de caridade são válidas ou não?
R- Há um projeto de lei que visa legalizar os cassinos. Num programa de televisão, um dos debatedores dizia-se contrário aos cassinos mas favorável aos sorteios como a loteria. Explicava que os cassinos estão associados ao vício do jogo, levando muita gente a dilapidar fortunas, um verdadeiro azar na vida da pessoa, enquanto que os sorteios, como da loteria jamais fazem viciados a gastar compulsivamente seus recursos, situando-os como inocente tentativa de experimentar a sorte. Penso da mesma forma e acho um absurdo colocar uma rifa beneficente no patamar de uma indução ao vício do jogo.

27 - O corpo de Jesus fora fluídico ou não?
R- No capítulo XV, de A Gênese, Allan Kardec deixa bem claro que Jesus foi um Espírito encarnado, como todos nós que mourejamos na Terra.

28 - No livro A Gênese, uma comunicação de Galileu (segundo o médium), diz que Marte não tinha satélites. Sabemos há muito tempo que Marte tem 2 satélites (aliás isso foi descoberto poucos anos depois dessa comunicação). O médium era astrônomo e responsável pelo observatório real da França (infelizmente esqueci o nome dele). É possível que essa comunicação tenha sido um fenômeno anímico e não uma comunicação real? Se foi então ela conseguiu passar pelos cuidados de Kardec?
R- O médium foi Camilo Flammarion, célebre astrônomo francês e é notável lembrar que ele tinha apenas 20 anos quando psicografou as mensagens que deram origem ao capítulo VI, de A Gênese, um dos mais importantes, denominado por Kardec "Uranografia Geral". Quanto ao equívoco sobre os satélites de Marte podemos atribuí-los à um problema de filtragem mediúnica, não detectado por Kardec, mesmo porque nada se sabia a respeito do assunto.

29 - O uso da palavra magnetismo ainda no meio atual do movimento espírita não induz ao pseudo-cientificismo? É compreensível na época de Kardec o seu uso e o uso da idéia de eletricidade para explicar os fenômenos espíritas, inclusive porque o elétron só foi descoberto no final do século passado. Mas hoje em dia, eletricidade e magnetismo são dois conceitos bem definidos em Física. Toda vez que vejo esses termos sendo usados sem os devidos cuidados sinto que em vez de ajudar a doutrina isso pode atrapalhá-la. Por que não mudar a expressão campo magnético por campo atracional ou outra palavra qualquer?
R- Confrades ligados às áreas da física, quando abordam o assunto junto aos seus pares, devem explicar essas expressões, reportando-se ao fato de que representavam um grande avanço na época em que foram utilizadas. Não podemos, entretanto, modificar os textos da codificação sob pena de cometermos adulteração. E para uso popular parece-me que a expressão magnetismo é bastante abrangente e está consagrada pelo uso.

30 - Como explicar a comunicação da mãe do Chico sobre o planeta Marte? Ela viu o mundo espiritual daquele planeta e não o mundo dos encarnados? Então por que ela não deixou isso explícito no texto? Por que existe uma comunidade espiritual tão operante lá se não existe comunidade encarnada, ou como se explica as fotos da sonda espacial que esteve lá?
R- Maria João de Deus foi uma mulher humilde, sem nenhuma cultura, que escreveu cartas a Chico reportando-se a Marte segundo sua própria ótica, sem perceber que passava a idéia de que a população de Marte fosse constituída de seres biológicos. Quando à existência de uma comunidade desencarnada em Marte, sem a correspondente encarnada, não é exceção, mas regra no Universo. A Terra é uma das exceções. A questão número 55 de O Livro dos Espíritos explica que todos os mundos são habitados. Raros tem vida biológica como nosso planeta.

31 - O problema da regressão e progressão de memória é brilhantemente estudado por Hermínio C. Miranda em seus livros. Como você explica os estudos de progressão feitos recentemente por cientistas americanos e suas conclusões estranhas?
R- Não estou suficientemente informado sobre o assunto. Sei apenas que o fenômeno é escorregadio e merece reservas, porquanto pode ocorrer que o paciente fantasie inconscientemente situações envolvendo o passado e, particularmente, o futuro.

32 - O que garante que o Movimento Espírita não vai cometer o mesmo erro das outras religiões? Por exemplo, infelizmente muitos confrades espíritas não são capazes de defender suas convicções em relação à Doutrina sem cair no "duelo" de palavras, na deselegância e na falta de tolerância com as idéias de outras pessoas. Notar que Jesus nos pediu que amássemos os nossos inimigos e não estamos sabendo nem mesmo amar os amigos!
R- Espero que nossos temores a esse respeito não se confirmem. Seria lamentável ver o movimento espírita dividido pela beligerância de alguns companheiros menos felizes em suas imponderadas considerações.

33 - Sou portador de distúrbios psíquicos e nervosos de fundo mediúnico. Na Revista Espírita Allan Kardec número 11, página 32, no artigo "Formação do Expositor", diz que reencarnei com a missão de ser orador e expositor. Como fazer para cumprir essa missão? Como proceder?
R- Desconheço o artigo em referência. Não obstante, a existência de distúrbios psíquicos e nervosos não significa o desabrochar de uma mediunidade ou a notícia de uma missão a ser cumprida no campo da oratória. Seria oportuno um longo tratamento espiritual no Centro Espírita, com o empenho de estudo da Doutrina e a participação nas suas atividades, deixando para mais tarde, em melhores condições, a identificação de uma possível tarefa desse teor.

34 - Considerando as perguntas 346 e 346-a, de O Livro dos Espíritos, um feto pode morrer por imperfeições da matéria. Deus deu inteligência ao homem que atualmente consegue perceber no início da gestação, problemas de má formação do feto (ex. irmãos siameses, deficientes de nascença), indicando nesses casos o aborto clínico. Seria lícito um aborto num caso desses? Ou será que a pergunta 346a, só se refere às mortes naturais, ou seja, se a natureza não eliminou o feto, então o corpo (perfeito ou não) é o que o Espírito precisa?
R- A questão está respondida em sua derradeira conjectura. Por outro lado é importante considerar que, segundo as questões 358 e 359, só numa situação é admissível o aborto: quando o médico tem que decidir entre salvar a mãe ou o filho, numa emergência. Como diz o mentor, preferível é que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe. O existir aqui significa ter nascido.

35 - Que pensar, sob o ponto de vista espírita, do bebê de proveta, ou seja, a fecundação em laboratório?
R- Não há o ponto de vista estritamente doutrinário, já que Kardec não tratou do assunto na codificação. Não obstante, como ponto de vista de espírita podemos dizer que se trata de uma alternativa aceitável para mães com dificuldade de engravidar.

36 - Nos países onde não há Centros Espíritas como são atendidas as entidades desencarnadas sofredoras, bem como os casos de obsessões?
R- Como está claro na monumental obra de André Luiz, a Espiritualidade tem amplos recursos para cuidar de Espíritos encarnados e desencarnados, em estado de desequilíbrio. A atuação do Centro Espírita nesse particular é apenas um recurso a mais, em benefício dos Espíritos que desencarnam sem nenhum preparo para a vida espiritual.

37 - Considerando os livros publicados sobre temas de atualidade, a luz da Doutrina Espírita, de sua autoria, gostaria de saber se o senhor tem algum estudo sobre a visita de extraterrestres a Terra. Especificamente sobre o atual caso de Varginha MG, que está nos noticiários.
R- Acredito que sejamos constantemente visitados por Espíritos desencarnados pertencentes a outros mundos e outros sistemas solares. Quanto à visita de extraterrestres encarnados, parece-me uma possibilidade extremamente remota. Há muita fantasia em torno do assunto, muitas especulações, sem nenhum contato documentado, sem nenhuma fotografia, nenhum vestígio, nada de palpável, de autêntico. Varginha é um exemplo.

38 - Evoluímos assim do mineral para o vegetal, animal, hominal e deste para o angelical, certo? Passamos por todas as espécies de animais? Nesta etapa de evolução (animal), estamos já nos individualizando? Quando começamos a nos tornar Espíritos individualizados?
R- Não há uma clara definição doutrinária a respeito do assunto. Aparentemente, o princípio espiritual (embrião do Espírito), individualiza-se no reino animal. Passa, então por experiências em variadas espécies (não me parece que necessariamente por todas elas, até por que ao longo dos milênios incontáveis espécies novas surgem, incontáveis se extinguem). Segundo Emmanuel, a conquista da consciência, transformando o princípio espiritual em Espírito, não ocorre na Terra, mas em outros planos do Infinito.

39 - Qual a posição da Doutrina Espírita em relação ao sexo antes do casamento?
R- A liberalidade sexual da atualidade, transformada em libertinagem sexual, revive os impulsos poligâmicos da criatura humana. Um retrocesso transitório, decorrente do fato de que nem o homem nem a mulher estão preparados para a liberdade de que desfrutam. O ideal seria o sexo ser exercitado como a culminância de um relacionamento afetivo sustentado pelo amor, dispostos ambos a assumir as responsabilidades de uma existência em comum.

40 - Como o espírita deve encarar o casamento religioso e civil?
R- O casamento civil atende às leis humanas. É o testemunho de que o homem e a mulher estão dispostos a assumir os compromissos inerentes a uma vida em comum, uma demonstração recíproca de confiança na solidez da relação. Quanto ao casamento religioso onde se destaca a figura do oficiante, é uma cerimônia exterior incompatível com os princípios espíritas. Todo ato de adoração, em que evocamos as bênçãos divinas, deve ser um ato do coração, sem intermediários. Os próprios noivos devem fazê-lo, na intimidade do lar.

41 - Uma pessoa que não se casa tem a liberdade de manter uma vida sexualmente ativa?
R- O casamento não é condição para o exercício sexual. Considere-se, entretanto, que a promiscuidade sexual, sem compromisso e sem responsabilidade, é porta aberta para excessos e viciações, desajustes e enfermidades.

42 - Como deve ser encarada a masturbação?
R- Vai longe o tempo em que se proclamava que a masturbação conduzia à loucura e ao inferno. Normal no adolescente que está descobrindo a sexualidade, freqüente nos corações solitários, o problema é que ela favorece a viciação, conturbando o psiquismo do indivíduo com sensualidade exacerbada. Por outro lado compromete a sublimação das energias sexuais quando as circunstâncias nos convocam à castidade, convidando-nos a canalizá-las para as realizações mais nobres.

43 - No Plano Espiritual os Espíritos (atrasados, medianos e adiantados), praticam o sexo, levando em consideração as instruções de André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, que nos diz existirem algumas diferenças entre o corpo espiritual e o corpo físico, principalmente na região sexual e de digestão?
R- As poucas informações que nos chegam da espiritualidade a respeito do assunto nos permitem conceber que os Espíritos também experimentam o orgasmo, embora não saibamos exatamente como isso ocorre ou se envolve perispiritualmente sensações semelhantes aquelas que decorrem da comunhão carnal.

44 - Há alguma interseção entre o Espiritismo e a política? A meu ver não há uma lei moral mais perfeita do que as máximas do Cristo, mas percebo que todas as sociedades afastam-se deliberadamente delas, não havendo uma interseção mais forte entre a política social e a religião. Com um mundo tão cheio de riquezas, em que o dinheiro parece manipular todo o seu funcionamento, os governantes esquecem-se de certas leis básicas que podem desencadear vários conflitos totalmente desnecessários. Poderia o Espiritismo, com sua filosofia, inspirar um modelo social e governamental mais justo e adequado? O quão distante estamos hoje desta edificante realidade?
R- O grande problema das sociedades humanas é o egoísmo, a manifestar-se nos indivíduos e nas coletividades. Todas as religiões, particularmente o Cristianismo, explicam isso. A grande vantagem do Espiritismo é que ele nos demonstra de forma clara e objetiva as conseqüências do comportamento egoístico, convocando-nos à edificação de uma sociedade solidária como fundamental à nossa felicidade, onde conforme ensina Jesus, o maior será sempre aquele que se fizer sinceramente servo de todos.

45 - Muitas pessoas que conheço e que desenvolvem alguma atividade num Centro espírita dizem que isto lhes toma todo o tempo. Muitos dizem que até a família reclama devido ao fato de que essas pessoas não se lembram mais dos parentes e que estão se dedicando apenas aos trabalhos da instituição. Na sua opinião até que ponto devemos nos envolver com tarefas numa casa espírita? Eu sei que é um trabalho gratificante, mas não é por causa disso que preciso abdicar de nossas outras atividades.
R- Todos temos compromissos relacionados com a família, a sociedade, a profissão, a religião. Se nos dedicamos ao cumprimento de parte deles, negligenciando os demais, incorremos no erro da omissão, pelo qual teremos fatalmente que responder. Considere-se, entretanto, que a família não raro costuma exagerar a atenção de que necessita, pretendendo anular a iniciativa de um de seus membros, que está tentando cumprir seus deveres religiosos, fundamentais ao nosso equilíbrio e à edificação de uma sociedade melhor. Geralmente os familiares que mais reclamam são aqueles que não participam nem se interessam em fazer algo que transcenda o imediatismo familiar.

Richard Simonetti
Caixa Postal 503

GEAE
Grupo de Estudos Avançados Espíritas 
entrevista no ano 1996