Forum Espirita

CODIFICAÇÃO => O Livro dos Médiuns => Tópico iniciado por: acmv em 03 de Novembro de 2005, 14:48

Título: a loucura no livro dos médiuns
Enviado por: acmv em 03 de Novembro de 2005, 14:48
olá a tds!
a minha questão é a seguinte: O que devemos entender por Loucos, qd Kardec aborda este tema no livro dos mediuns? o k eram os oucos para ele, como poderemos fazer a distinção entre estes e os epilépticvos k tb menciona?o que é para kardec a loucura?
carina
Título: Re: a loucura no livro dos médiuns
Enviado por: Tolomei em 15 de Fevereiro de 2006, 19:30
Oi Carina sua questão sobre a loucura sempre me intrigou muito . Minha avó paterna teve comprometimentos neste campo, parece que tinha um pouco de mediunidade também, antes das crises, e antigamente usavam eletrochoque - um horror. Não é só no livro dos Médiuns que podemos pesquisar o assunto, como é complexo, temos que ver em toda a doutrina organizada por Kardec.

Só um estudo metódico e sequencial da doutrina poderá abordar tudo o que você quer saber.

Outro caminho de estudo, além deste, é pesquisar o assunto obsessão que aparece em muitos lugares na Doutrina e em todos os livros de Kardec.

Muitos outros livros suplementares falam bastante da obsessão , com destaque para a literatura de Yvone Pereira , Divaldo Franco - Espírito Manoel Philomeno de Miranda, e Francisco Candido Xavier.

Para uma pesquisa rápida dentro da literatura somente de Kardec , pode seguir este roteiro abaixo que vai te abrir um pouco do pensamento espírita sobre a loucura :


1 - O Que é o Espiritismo – Cap. 1 O Céptico Segundo Diálogo
Item Loucura,  Suicídio e Obsessão

2 - Livro dos Espíritos -  Idiotismo e Loucura questões 371 a 378


3 - Revista Espírita 1862 Dezembro

Estudo sobre os Possessos de Morzine, As causas da obsessão e os meios de combatê-la

Link abaixo
http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1862/12a-estudo-sobre.html (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5lc3Bpcml0by5vcmcuYnIvcG9ydGFsL2NvZGlmaWNhY2FvL3JlLzE4NjIvMTJhLWVzdHVkby1zb2JyZS5odG1s)

4 - Revista Espírita 1863 Janeiro

este link é muito bom

Estudos sobre os possessos de Morzine - Causas da obsessão e meios de combate – II 

Link abaixo

http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1863/63-01-causas-da-obsessao-2.html (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5lc3Bpcml0by5vcmcuYnIvcG9ydGFsL2NvZGlmaWNhY2FvL3JlLzE4NjMvNjMtMDEtY2F1c2FzLWRhLW9ic2Vzc2FvLTIuaHRtbA==)


Fazem parte do artigo , os trechos abaixo :


“Tal é o caso da loucura obsessiva, muito diversa nas causas, senão nos efeitos, da loucura patológica.”
“O exercício da mediunidade pode provocar o desarranjo da saúde e das faculdades mentais?”
“Foi uma epidemia de tal gênero que se alastrou na Judéia, ao tempo de Cristo, e, em nossa opinião, é uma epidemia semelhante que ocorre em Morzine.”

5 - Revista Espírita 1863 Fevereiro

Estudos sobre os possessos de Morzine - Causas da obsessão e meios de combate - III

6 - Revista Espírita 1863 Abril

Estudos sobre os possessos de Morzine - Causas da obsessão e meios de combate - IV


7 Revista Espírita 1863 Maio

Estudo sobre os possessos de Morzine - Causas da obsessão e meios de combate - V

8 - Revista Espírita 1865 Maio - A loucura e o Tabaco
9 - Revista Espírita 1866 Julho Estatísticas da Loucura
10 - Revista Espírita 1869 Fevereiro – Um caso de Loucura causada pelo medo do diabo

Boa Sorte nos seus estudos , abraços !







Título: Re: a loucura no livro dos médiuns
Enviado por: Mourarego em 07 de Abril de 2006, 17:25
Des já, desculpando-me pelo longo post, trago a voces, algumas indicações sobre o assunto, encontradas na doutrina.

Conversando Sobre a Loucura
De Frente Para A Doutrina
Moura Rêgo
   Há tempos, os processos trabalhados pela psique vêm sendo estudados. Trataram deles psicólogos, psiquiatras, pesquisadores da mente nos mais variados sentidos, porém sempre no campo restrito da ciência mundana. Não que esta ciência não nos faça conta, ao contrário, é ela quem nos abre a porta para vôos, mais altos, sob vistas não só da pura ciência, mas da filosofia e das causas extra físicas, as causas Espirituais.
   Por outro lado, o vulgo, o popular, chama de loucos a quem, variadas vezes, de louco nada tem, é bem assim: fulano tem um ato que extrapola a barreira do usual e pronto, ganha a alcunha de louco, doido, maluco, trongola... Na verdade, longe disso pode ele andar e bem ser mais certo que nós mesmos.
   Não falo isso sem ter a consciência de que nestes casos, há uma interminável série de motivos que fizeram o nosso “maluco” do exemplo acima, agir da maneira que agiu. Tais causas, podem estar no frigir dos acontecimentos do seu dia a dia no hoje de sua vida, ou num passado ancestral, coberto pelas cinzas do esquecimento.
Hoje, em determinado momento, alguma ação ou reação, palavra ou acontecimento fez eclodir o cataclismo escondido. Se as tsunamis podem ser avisadas, por auxilio de instrumentos próprios, estes acontecimentos da mente humana, podem quando muito serem esperados, porém nunca datados, prefixados.
   Não sou dos que conhecem a matéria pela visão científica, não tenho cátedra em psiquiatria ou psicologia, mas como diz o ditado popular, “de médico, poeta e louco, todos nós temos um pouco”, já admitida a culpa por alguma imperfeição do pensamento, arrisco-me a escrever sobre a loucura, porém olhando-a do ponto de vista Espírita.

   A Doutrina dos Espíritos, trazida a nós pela pena de Allan kardec, lança seus olhar sobre este adoecimento, a loucura, faz suas incursão em tal tema, por ver nele importante coletânea de assuntos que podem ser facilitadores de cura ou de estágios de tratamento da formas variadas que toma tal acometimento. O que se vai fazer neste poucas linhas é apenas comentar sobre a visão dos Espíritos em tema tão importante.

   Em a obra, O Que É O Espiritismo, vemos ao Capítulo I, as páginas 111, sob o título “Loucura, suicídio e Obsessão”, algumas colocações do codificador, que ao começo mostra como os detratores da doutrina podem desses acometimentos se utilizarem para tentarem ridicularizar a Doutrina. Diz lá:
“Visitante . Certas pessoas consideram as idéias espíritas como de
natureza a perturbarem as faculdades mentais, e, por esse motivo,
acham prudente deter-lhes a divulgação.
A.K. . Conheceis o provérbio: quando se quer matar um cão, diz-se que
ele está raivoso. Não é, pois, de espantar, que os inimigos do
Espiritismo procurem se apoiar sobre todos os pretextos; este lhes
pareceu apropriado para despertar os temores e as suscetibilidades,
tomando-o zelosamente, embora ele caia diante do mais superficial
exame. Ouvi, pois, sobre esta loucura, o raciocínio de um louco.”


   O codificador, na mesma obra e capítulo, porém mais abaixo nos trás essas informações:

“Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura;
as ciências, as artes, e a própria religião fornecem seus contingentes. A
loucura tem por princípio um estado patológico do cérebro, instrumento
do pensamento: estando o instrumento danificado, o pensamento é
alterado. A loucura, pois, é um efeito consecutivo, cuja causa primeira é
uma predisposição orgânica que torna o cérebro mais, ou menos,
acessível a certas impressões; isso é tão verdadeiro que tendes as
pessoas que pensam demais e não se tornam loucas, enquanto que
outras se tornam sob o domínio da menor superexcitação. Havendo uma
predisposição à loucura, esta toma o caráter da preocupação principal,
que se torna, então, uma idéia fixa. Essa idéia fixa poderá ser a dos
Espíritos, naqueles que deles se ocupam, como poderá ser a de Deus,
dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência,
da maternidade, de um sistema político ou social.”

   E ainda mais abaixo:
“Fez-se grande alarde de um exemplo conhecido,
de Victor Hennequin, esquecendo-se que, antes de se ocupar com o
Espiritismo, ele tinha já dado provas de excentricidade das idéias. Se as
mesas girantes não tivessem acontecido, o que, segundo um jogo de
palavras bem espirituoso de nossos adversários, fizeram lhe girar a
cabeça, sua loucura teria tomado outro curso.
Eu digo, pois, que o Espiritismo não tem nenhum privilégio a esse
respeito; e vou mais longe: digo que, bem compreendido, é um
preservativo contra a loucura e o suicídio.
Entre as causas mais freqüentes de superexcitação cerebral, é preciso
contar as decepções, os desgostos, as afeições contrariadas, que são, ao
mesmo tempo, as causas mais freqüentes de suicídios. Ora, o
verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão
elevado, que as tribulações não são para ele senão os incidentes
desagradáveis de uma viagem. O que, em outro, produziria uma
emoção violenta, o afeta levemente. Ele sabe, aliás, que os sofrimentos
da vida são provas que servem para o seu adiantamento, se as suporta
sem reclamar, porque será recompensado de acordo com a coragem
com a qual as tiver suportado. Suas convicções lhe dão, pois, uma
resignação que o preserva do desespero, e, por conseguinte, de uma
causa permanente de loucura e de suicídio. Por outro lado, ele sabe,
pelo que vê nas comunicações com os Espíritos, da sorte deplorável
daqueles que abreviam voluntariamente seus dias, e esse quadro basta
para fazê-lo refletir; por isso é considerável o número daqueles que se
detiveram sobre essa inclinação funesta. Eis aí um dos resultados do
Espiritismo.
Ao número das causas de loucura, é preciso ainda acrescentar o medo,
e o medo do diabo desarranjou mais de um cérebro. Sabe-se, acaso, o
número de vítimas que se fez amedrontando-se imaginações fracas com
esse quadro que se esforça em tornar mais assustador por detalhes
hediondos? O diabo, diz-se, não assusta senão as crianças e é um freio
para torná-las sábias; sim, como o bicho papão e o lobisomem, e
quando elas não têm mais medo, tornam-se piores que antes. E, para
esse belo resultado, não se conta o número de epilepsias causadas pela
comoção de um cérebro delicado.”

   As colocações de Kardec nessa obra, jogam mais que um balde de água fria nas pretensões daquele que insistia em deturpara as coisas, a inteligência, humor, sagacidade e perfeitas conclusões, baseadas em pra lógica, desarmam pela razão toda e qualquer assertiva em plano contrário. Porém, Kardec segue e toca a ferida com maestria quando diz:

“É preciso não confundir a loucura patológica com a obsessão. Esta não
se origina de nenhuma lesão cerebral, mas da subjugação que Espíritos
malfazejos exercem sobre certos indivíduos, e tem por vezes as
aparências da loucura propriamente dita. Essa doença, que é muito
freqüente e independente de qualquer crença no Espiritismo, existiu em
todos os tempos. Nesse caso, a medicação ordinária é ineficaz e mesmo
nociva. O Espiritismo, fazendo conhecer esta nova causa de perturbação
da saúde, dá ao mesmo tempo o único meio de triunfar sobre ela,
agindo não sobre a doença, mas sobre o Espírito obsessor. Ele é o
remédio e não a causa do mal.”

Explicando a nuança diferenciada da Obsessão, o codificador entra  no assunto que deu ensejo a este artigo, e na Obra O Livro dos Médiuns toca de novo no assunto, razão pela qual passo a utilizar-me de tal obra.

 “Sistema da loucura. - Alguns, por condescendência, concordam em pôr de
lado a suspeita de embuste. Pretendem então que os que não iludem são iludidos, o que
eqüivale a qualificá-los de imbecis. Quando os incrédulos se abstêm de usar de
circunlóquios, declaram, pura e simplesmente, que os que crêem são loucos, atribuindo-se
a si mesmos, desse modo e sem cerimônias, o privilégio do bom-senso. Esse o
argumento formidável dos que nenhuma razão plausível encontram para apresentar.
Afinal, semelhante maneira de atacar se tomou ridícula, tal a sua banalidade, e
não merece que se perca tempo em refutá-la. Acresce que os espíritas não se alteram
com isso; tomam corajosamente o seu partido e se consolam, lembrando-se de que têm
por companheiros de infortúnio muitas pessoas de mérito incontestável.
Efetivamente, forçoso será convir em que essa loucura, se loucura existe,
apresenta uma característica muito singular: a de atingir de preferência a classe instruída,
em cujo seio conta o Espiritismo, até ao presente, a imensa maioria de seus adeptos. Se
entre estes algumas excentricidades se manifestam, elas nada provam contra a Doutrina,
do mesmo modo que os loucos religiosos nada provam contra a religião, nem os loucos
melamos contra a música, ou os loucos matemáticos contra a matemática, Todas as
idéias sempre tiveram fanáticos exagerados e é preciso se seja dotado de muito obtuso


juízo, para confundir a exageração de uma coisa com a coisa mesma.
Para mais amplas explicações a este respeito, recomendamos ao leitor a nossa
brochura: O que é o Espiritismo e O Livro dos Espíritos (Introdução, § 15).”

Os amigos têm notado que faço as anotações da obra indicada por extenso e tal atitude é para que fique desde já patente que o faço para não deixar a menor dúvida de que as insiro da própria pena do codificador.

   Tratando do capítulo obsessão, Kardec em a Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, no ano de 1862, no mês de dezembro, faz um valioso estudo sobre aqueles a quem codinominou de “Os possessos de Morzine”, voltando a eles no ano de 1863 nos meses de janeiro, em segundo artigo e em fevereiro, no terceiro artigo sobre o tema, alias, escreve sobre os possessos de Morzine ainda em abril e maio do ano de 1863, dando a entender o quão importante era para ele o assunto. Cabe a nós, que nos interessamos pelo tema, um estudo metódico e consciencioso e deva ser de interesse máximo para os que se detiverem no estudo do tema loucura, sob a visão da doutrina dos Espíritos.

   Disse a princípio deste, que não tenho conhecimento da área psicológica nem da área psíquica, este o motivo porque arrisco-me tão somente a escrever, dando aos leitores amigos, as indicações melhores para que possam encontrar maiores subsídios para seus estudos. Nesse sentido penso ter feito um trabalho razoável.
Dessarte, fico por aqui nestas linhas, na ciência de quem as ler, por certo saberá o rumo a tomar.
Muita paz,
Rio de Janeiro, 07 de abril de 2006.
 






   
Título: Re: a loucura no livro dos médiuns
Enviado por: Victor Passos em 30 de Junho de 2007, 12:01
 
 Ola amigos
 Muita paz
                 
                       Achei este trabalho e acho que dá resposta aos amigos.
                       È longo mas é bom.

EPILEPSIA – COMPILAÇÃO

13 - O Livro dos Espíritos -Allan Kardec - introd. XV 5°, questão. 47

XV—A LOUCURA E SUAS CAUSAS
Há ainda criaturas que vêem perigo por toda parte, em tudo aquilo que não conhecem, não faltando as que tiram conclusões desfavoráveis ao Espiritismo do fato de terem algumas pessoas, que se entregaram a estes estudos, perdido a razão. Como podem os homens sensatos aceitar essa objeção? Não acontece o mesmo com todas as preocupações intelectuais, quando o cérebro é fraco? Conhece-se o número de oucos e maníacos produzidos pelos estudos matemáticos, médicos, musicais, filosóficos e outros? E devemos, por isso, banir tais estudos? O que provam esses fatos? Nos trabalhos físicos, estropiam-se os braços e as pernas que são os instrumentos da ação material; nos trabalhos intelectuais estropia-se o cérebro que é o instrumento do pensamento. Mas se o instrumento se quebrou, o mesmo não acontece com o Espírito: ele continua intacto e quando se libertar da matéria não desfrutará menos da plenitude de suas faculdades. Foi no seu setor, como homem, um mártir do trabalho.

Todas as grandes preocupações intelectuais podem ocasionar a loucura: as Ciências, as Artes e a Religião fornecem os seus contingentes. A loucura tem por causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos suscetível a determinadas impressões. Havendo essa predisposição à loucura, ela se manifestará com o caráter da preocupação principal do indivíduo, que se tornará uma idéia fixa. Essa ideia poderá ser a dos Espíritos, naquele que se ocupa do assunto, ou a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da materialidade ou de um sistema político ou social. E provável que o louco religioso se apresente como louco espírita, se o Espiritismo foi a sua preocupação dominante, como o louco espírita se apresentaria de outra forma, segundo as circunstâncias.

Digo, portanto, que o Espiritismo não tem nenhum privilégio neste assunto. E vou mais longe: digo que o Espiritismo bem compreendido é um preservativo da loucura. Entre as causas mais frequentes de superexcitação cerebral devemos contar as decepções, as desgraças, as afeições contrariadas, que são também as causas mais frequentes do suicídio. Ora, o verdadeiro espírita olha as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, em face do futuro que o aguarda; a vida é para ele tão curta, tão fugitiva, que as tribulações não lhe parecem mais do que incidentes desagradáveis de uma viagem.

Aquilo que para qualquer outro produziria violenta emoção, pouco o afeta, pois sabe que as amarguras da vida são provas para o seu adiantamento, desde que as sofra sem murmurar, porque será recompensado de acordo com a coragem demonstrada ao suportá-las. Suas convicções lhe dão uma resignação que o preserva do desespero e consequentemente de uma causa constante de loucura e suicídio. Além disso, conhece, pelo exemplo das comunicações dos Espíritos, a sorte daqueles que abreviam voluntariamente os seus dias, e esse quadro é suficiente para o fazer meditar. Assim, o número dos que têm sido detidos à beira desse funesto despenhadeiro é considerável. Este é um dos resultados do Espiritismo. Que os incrédulos se riam quanto quiserem: eu lhes desejo as consolações que ele proporciona a todos os que se dão ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundidades.

CONTINUA
Título: Re: a loucura no livro dos médiuns
Enviado por: Victor Passos em 30 de Junho de 2007, 12:04
CONTINUAÇÃO

     Entre as causas da loucura devemos ainda incluir o pavor, sendo que o medo do Diabo já desequilibrou alguns cérebros. Sabe-se o número de vítimas que ele tem feito ao abalar imaginações fracas com essa ameaça, que cada vez se procura tornar mais terrível por meio de hediondos pormenores? O diabo, dizem, só assusta as crianças, e um meio de torná-las mais ajuizadas. Sim, como o bicho-papão e o lobisomem. Mas quando elas deixam de temê-lo ticam piores do que antes. E para conseguir tão belo resultado não se levam em conta as epilepsias causadas pelo abalo de cérebros delicados. A religião seria bem fraca se, por não usar o medo, seu poder ficasse comprometido. Felizmente assim não acontece. Ela dispõe de outros meios para agir sobre as almas, e o Espiritismo lhe fornece os mais eficazes e mais sérios, desde que os saiba aproveitar. Mostra as coisas na sua realidade e com isso neutraliza os efeitos funestos de um temor exagerado.

19 - Saúde e espiritismo - A.M.E. Brasil- pág. 151, 193

Epilepsia e obsessão: - Osvaldo Hely Moreira

O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência sem o Espiritismo se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação. (Génese, Allan Kardec, 12 - edição, pág. 20, FEB)
A epilepsia constitui-se num dos desafios da medicina devido sua alta incidência ( 0,5% a 2 % da população ), diagnóstico etiológico difícil e abordagem terapêutica ainda discutida. A história relata casos de epilépticos sempre sendo vistos como seres envolvidos por anjos ou demônios, já que a intuição mostrava ao homem a conexão de determinados processos de convulsão com atuação obsessiva. A responsabilidade dos profissionais da área médica, diante dessa patologia, cresce não só em função da alta incidência relatada, mas também em função de suas implicações sociais e emocionais. O epiléptico encontra dificuldades para progredir em sua vida social e profissional.

Seu campo de trabalho é restrito e suas inibições, pelo receio da ocorrência das crises convulsivas, levam-no a evitar a convivência habitual na sociedade, além do fato de ver-se obrigado a utilizar medicação de forma crônica. Essa visão da patologia em estudo, leva-nos, profissionais médicos espíritas, a buscarmos soluções mais definitivas para esses pacientes, motivando a realização desse estudo.

DEFINIÇÕES
Epilepsia - As epilepsias são um grupo de distúrbios caracterizados por alterações primárias, crônicas e recorrentes na função neurológica causadas por anormalidades na atividade elétrica do cérebro, podendo ser:
- Idiopática (primária ou genuína) - indivíduo sem lesão neurológica aparente.
- Secundária - (resultado de lesão neurológica ou alteração estrutural do cérebro):
- Hipóxia e isquemia perinatal;
- Distúrbios genéticos;
- Doença cérebro-vascular;
- Malformação congênita;
- Distúrbios metabólicos;
- Tumores;
- Drogas ;
- Infecção;
- Traumatismos.

Obsessão - 1) Do latim obsessione - impertinência, perseguição, vexação. Preocupação com determinada idéia, que domina doentiamente o espírito. (Dicionário Aurélio); 2) "É a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral sem perceptíveis sinais exteriores até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais". (O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec, Cap. XXVIII, item 81)
Esclarecendo, Kardec continua: "A obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral do obsediado, que dá ascendência a um Espírito mau..." Mas porque se pensar nessa associação (epilepsia e obsessão)?
A história relata-nos, há milénios, os quadros epilépticos sendo atribuídos à ação de bons ou maus espíritos. Com o advento de Jesus surgem novas informações confirmando essa associação. No Evangelho de Lucas, cap. 9, versículos 38 a 43 encontramos o seguinte relato: "A cura do jovem possesso.

38 - E eis que, dentre a multidão, surgiu um homem dizendo em voz alta: Mestre, suplico-te que vejas meu filho, porque é o único.
39 - Um espírito se apodera dele e, de repente, grita e o atira por terra, convulsiona-o até espumar, e dificilmente o deixa, depois de o ter quebrantado.
40 - Roguei aos teus discípulos que o expelissem, mas eles ; não puderam.
41 - Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traze o teu filho.
42 - Quando ia se aproximando, o demónio o atirou no chão e o convulsionou, mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou ao pai".

Essa passagem do evangelho é também encontrada no Evangelho de Marcos, 9: 14 a 29, que nos versículos 25 e 26 relata o estado do jovem após a ação de Jesus:
"25 - ... sai desse jovem e nunca mais tornes a ele.

Continua
Título: Re: a loucura no livro dos médiuns
Enviado por: Victor Passos em 30 de Junho de 2007, 12:05
 CONTINUAÇÃO

 26 - E ele, clamando, agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, ao ponto de muitos dizerem: morreu".
Os relatos de Lucas e Marcos permitem diagnosticar o qua­dro apresentado pelo jovem como epilepsia com crise generalizada tônico-clônica. Na obra de Kardec, encontramos mais informações sobre o assunto: Em O Livro dos Espíritos, cap. IX, parte 2", pergunta 474, encontramos a seguinte resposta:

"Sem dúvida e esses são ao verdadeiros possessos(...) isto nunca ocorre sem que aquele consinta, quer por sua fraqueza quer por desejo; muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médicos que de exorcismos, têm sido tomados por possessos". O relato do Evangelho confirma a existência de quadros epilépticos secundários à ação de obsessores desencarnados e na fala dos espíritos na obra de Kardec esclarece que existem quadros de epilepsia não secundários à interferência espiritual e ainda, na 2a parte do mesmo livro, Kardec fala da postura cármica das doenças.Esse estudo objetiva encontrar esclarecimentos sobre a questão apresentada. Quando há obsessão ou não?

No entendimento da ação obsessiva levando à crise convulsiva, vemos que da mesma forma que a enfermidade orgânica manifesta-se onde há carência, o campo obsessivo desloca-se da mente do paciente para o departamento somático onde as imperfeições morais do passado deixaram marcas profundas no Perispírito. Todos os nossos corpos e suas células têm a sua função governada pelo Espírito. Cada órgão do corpo é submetido ao governo do Espírito. Quando erramos, entramos em situação de "culpa", que significa desequilíbrio de nossa mente, que, por sua vez, tem reduzida a sua capacidade de governo celular adequado, gerando no Perispírito uma "área de remorso". Essa área seria a região de nossos corpos utilizada para o erro ou que nos lembra pessoas ou situações ligadas ao erro. No nosso estudo, essa área seria a região cerebral utilizada inadequadamente como abuso da inteligência ou, por exemplo, como consequência de traumatismos provocados em atos de auto-extermínio.

Essa região, o cérebro, no caso em estudo, terá não somente sua função prejudicada, mas terá também suas defesas vibratórias reduzidas possibilitando a ação obsessiva sobre ela. A ação obsessiva dá-se na área previamente lesada pelo obsediado. A ação obsessiva gera maior desequilíbrio da fisiologia pela associação da emissão mental tóxica do obsessor, agravando ou fazendo evidente o processo de doença.

Aplicando esse raciocínio à Epilepsia, o tecido cerebral é composto por células de limiar de estimulação baixo. Pequenos estímulos mecânicos ou eléctricos aplicados directamente no cérebro podem desencadear crise convulsiva. Compreenderemos a ocorrência da convulsão, ao imaginarmos a falta do equilíbrio do encarnado sobre a região cerebral associada à emissão tóxica do obsessor. Resumindo, diríamos que no caso da Epilepsia a convulsão ocorre por excitação interna ou anímica (sem obsessão), associada ou não à excitação externa (obsessão). (..)

CONTINUA
Título: Re: a loucura no livro dos médiuns
Enviado por: Victor Passos em 30 de Junho de 2007, 12:07
CONTINUÇÃO

LEMBRETE:

EPILEPSIA: No processo epiléptico, como no histérico, existe um arcabouço psicológico oscilante, como pano de fundo, porém mostrando tendências muito mais marcantes; isto porque, no processo epiléptico, mais do que no histérico, a obsessão espiritual parece ser ressonante e como que se impondo na estrutura íntima do Espírito. (...) Daí podermos dizer que o quadro epiléptico parece traduzir um grau de maior intensidade de influências espirituais pregressas; isto é, a mente do epiléptico, em alguns casos, tendo sido comprometida em etapas anteriores de vida, os efeitos podem manifestar-se posteriormente, mesmo que a influência espiritual negativa tenha desaparecido. Também devemos dizer que muitas formas epilépticas se instalam devido a traumatismos cranianos, sem correlações com o passado. Jorge Andrea dos Santos

— "A epilepsia é conhecida desde remotas eras, particularmente na antiguidade clássica, quando se acreditava que Hércules fosse epiléptico, daí se derivando designação de morbus hércules. É também sabido que as sacerdotisas experimentavam convulsões de caráter punitivo, dando origem ao morbus divinus. Por muito tempo acreditou-se na influência da lua como desencadeadora de crises, facultado a denominação de morbus lunaticus e, por fim, entre outros nomes e causas morbus demoníacus, por suposição de que os pacientes eram possuídos por seres demoníacos. Nessa última classificação, incluímos os episódios mediúnicos-ostensivos, que certamente alguns psiquiatras e neurologistas não consideram legítimos. A história da epilepsia é longa e tem raízes profundas nas sutis engrenagens do Espírito (...). O estudo dos efeitos e da sua psicogênese necessita avançar no rumo das estruturas originais do ser humano, a fim de serem detectados os fatores sencadeantes verdadeiros. (...)

"Abandonando a hipótese obsessiva, a ciência médica refere-se a epilepsias reflexas, por traumatismos cranianos, por tumorações no sistema nervoso Central, dócrinas, tóxicas e emocionais..."De acordo com as síndromes — conjunto de fatores etiológicos — que facultam o surgimento da forma sintomática, acredita-se naquela denominada essencial ou idiopâtica, que seria efeito de manifestações constitucionais, não obedecendo às gêneses estabelecidas, porém derivada de fatores hereditários." (...) "A epilepsia não perturba a inteligência, podendo encontrar-se pacientes idiotas como intelectualizados. Lamentavelmente, como irrompe de surpresa, leva sua vítima a complexos de inferioridade, graças à insegurança em que vivem, do quando pode ocorrer um episódio ou crise.

Esse caráter faculta-lhes reações inesperadas, mesmo em decorrência de acontecimentos de pequena monta. Tal crise pode ser precedida de uma aura psíquica, sensitiva, sensorial, motora mediante pequeno tremor, visões, percepções de sons inexistentes, falsas sensações gustativas, olfactivas, tácteis, cenestésicas... Alguns pacientes, às vezes, tem o ataque em razão de determinadas percepções... "O epiléptico pode ser vítima de impulsos inesperados, que o levam a atitudes criminosas e até mesmo automutiladoras, qual ocorreu com Van Gogh, uma orelha depois de acirrada discussão com Gaugin. "Há muitos outros fenómenos patológicos e criminosos que decorrem da epilepsia — desnecessário aqui serem apresentados. Manoel P. Miranda
Edivaldo