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CODIFICAÇÃO => O Livro dos Espíritos => Tópico iniciado por: Lima_Gil em 29 de Março de 2012, 15:17

Título: Segundo O Livro dos Espíritos
Enviado por: Lima_Gil em 29 de Março de 2012, 15:17
1
Convivência e Evolução

O homem, ao buscar a sociedade, obedece apenas a um sentimento pessoal, ou há também nesse sentimento uma finalidade providencial, mais geral?

O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer, porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se estiola.
(“O Livro dos Espíritos”, questão 768)

Todos os seres e todos os elementos da Criação são interdependentes, ou seja, necessitam de convivência mútua, a fim de que possam dar e receber.

Ninguém há que consiga viver sozinho, dispensando totalmente o concurso do outro.

Assim, aprende a relacionar-te com os teus semelhantes, em indispensável permuta de experiências, no exercício de tuas faculdades intelectivas e morais.

Se o Cristo não tivesse vindo à Terra, ensejando-nos a Boa Nova, que nos transmitiu com as suas palavras e os seus exemplos, até hoje nos encontraríamos em lamentável situação espiritual.

O que seria de ti, se não houvesses frequentado os bancos escolares, aprendendo com os que, antes de ti, igualmente os frequentaram?

Sem o salutar contato com o próximo que te possibilita aprender o que não sabes e transmitir a experiência que já entesouras no abençoado campo da Vida, não lograrias aprimorar-te em espírito, inviabilizando as conquistas da civilização, em que o homem, pouco a pouco, liberta-se dos resquícios do próprio primitivismo.

Nesta linha de raciocínio, a presença do Mundo Espiritual, através da via da mediunidade, mais ou menos ostensivamente, impõe-se por necessidade lógica, em que encarnados e desencarnados se irmanam, já que a Evolução não acontece de maneira unilateral.

Sem que mortos e vivos estabelecessem contato, substituindo-se uns aos outros em seus respectivos Planos de Ação ou, conforme dissemos, pelos canais medianímicos, tanto os que vivem no corpo como os que vivem fora dele haveriam de se condenar ao ostracismo, estagnando-se, indefinidamente, nas sendas do aperfeiçoamento.

O convívio social, se é necessário de homem a homem e de povo a povo, não o é menos de mundo a mundo... Por esse motivo, os que atravessaram as fronteiras do túmulo não rompem contato com os que permanecem nas retaguardas da Vida Física, sendo muito natural que prossigam vivendo com eles em regime de interdependência afetiva e intelectual, em que, se transformando, fazem com que o seu habitat, ao redor, igualmente se modifique.

Enganam-se quantos imaginam que os desencarnados nada mais tenham a aprender com os que mourejam no corpo de carne, pois para muitos que se emancipam dos grilhões da matéria densa, a dependência não se restringe aos vínculos da afetividade... Não é simplesmente por saudade dos que ficaram que os considerados mortos não se afastam dos caminhos que a seu lado palmilharam. O problema — transcendendo os domínios da dependência emotiva — extrapola para o campo da necessidade de continuarem contando com um ponto de referência compatível com o seu grau de lucidez espiritual.

Raros os que, em desencarnando, conseguem, de imediato, posicionar-se com consciência do fenômeno neste outro lado da Vida; a maioria não dispõe de sentidos aptos para compreender a mudança de Plano que se consumou, integrando-se na comunidade dos Espíritos que se ajustam à nova realidade à qual foram conduzidos...

O homem, encarcerada a mente ao imediatismo, não atina que as idéias que embalam todos os surtos de progresso — que, ao longo dos séculos, favorecem a Humanidade fazendo-a avançar —, saltam do vazio aparente para o seu cérebro. Por isso, concebe-as como inteiramente suas, quando lhe foram inspiradas por métodos que lhe escapam à capacidade de interpretação usual.

Portanto, se desejas ampliar os horizontes de tuas percepções, não fujas à convivência com o outro que algo sempre poderá acrescentar-te, para que saibas mais do que sabes e venhas a ser mais do que és.

Não menosprezes a capacidade de quem, à primeira análise, nada tenha para oferecer-te, na singela condição em que se te revela aos olhos.

Recorda-te de que toda semente produz de acordo com a fertilidade do solo no qual seja lançada e não propriamente pelas suas qualidades intrínsecas, de vez que, sem gleba fecunda, a boa semente não passará de mera expectativa nas mãos do semeador.

Quem se distancia da convivência com os semelhantes é como quem delibera, voluntariamente, afastar-se de sua melhor cartilha de lições na escola do mundo, da qual ninguém desertará, sem a ela voltar, mais tarde, no esforço de recuperar o tempo que se perdeu.

Do livro:
Segundo “O Livro dos Espíritos”
Irmão José
(Psicografia de Carlos A. Baccelli)
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: Lima_Gil em 31 de Março de 2012, 05:00

2
Abnegação

Qual o meio mais eficaz de combater-se a predominância da natureza corpórea?
— Praticar a abnegação.
(“O Livro dos Espíritos”, questão 912)


É nas lutas da vida humana na Terra, em contato com a própria realidade espiritual, que se lhe fica evidente diante das provas faceadas no cotidiano, que o homem deve aprender a destacar-se da matéria a que permanece cativo.

Em vão, a criatura buscará evoluir, esquivando-se dos obstáculos que a constrangem ao esforço de autossuperação.

No cadinho das dificuldades em que se retempera é que o Espírito se transfigura, abandonando, pouco a pouco, as ilusões nas quais, há séculos, tem-se equivocado.

Sem árdua peleja no mundo de si mesmo, com o intuito de sobrepujar as necessidades fictícias que o corpo lhe impõe, o Espírito não alcançará definitiva vitória sobre antigos hábitos e tendências, acalentados no curso das vidas sucessivas.

A abnegação — a qual, em síntese, é a negação do egocentrismo — fará com que o homem se liberte dos prazeres efêmeros que o desviam do cultivo dos valores que contam para sua felicidade real.

Cabe à caridade, através de continuados exercícios de desapego e desprendimento, promover a educação do ser, impedindo que continue a confundir a sua essência imortal com a indumentária fícica por ele utilizada temporariamente.

Todo o drama da Criação se resume em o homem ignorar a sua própria identidade espiritual, rendendo culto às sensações que o minimizam perante as Leis da Evolução.

Não vejas, pois, na caridade, mera oportunidade de demonstrares aos outros a magnanimidade de teus sentimentos ou a tua nobreza de caráter. Os que requisitam o teu auxílio, neste ou naquele vasto campo da solidariedade, possibilitando inevitável confronto contigo, são exortações da Vida que pretende o teu despertar em níveis mais profundos, para não prosseguires o que és.

Agradece a quem aparentemente te incomoda, subtraindo-te à indiferença a que te recolhes sem ter ouvidos para a dor de quantos gemem não muito longe de ti.

As mãos mendicantes a ti estendidas na via pública são, por outro ângulo de visão, as mãos de Deus que te conclamam a sair para fora do teu  mundo individual, onde, a bem dizer te comprazes com tão pouco...

Quem descobrir a alegria de servir, na alegria que somente a caridade proporciona, não mais a permutará por qualquer sensação oriunda dos prazeres efêmeros e insaciáveis da existência material.

Mesmo que, de início, não consigas a independência almejada sobre certos hábitos que te fazem sofrer, não desistas de, gradativamente, substituí-los... Não podes é retroceder, permitindo-te influenciar por palavras e pensamentos dos que, de todo, renderam-se ao vício, sem mais ânimo para esboçarem a menor reação.

É compreensível e esperado que, ao tomares uma decisão há muito postergada, contrariando a expectativa de quantos te reclamam a posse, encontrares natural resistência às tuas novas aspirações...

Inclusive, o corpo somático ao qual rendes culto milenar, na satisfação de quase lodos os teus caprichos, à feição de entidade que se rebela, há de criar-te inúmeros embaraços para não alcançares a tua libertação.

Pelos lábios de afeições queridas às quais te acostumaste curvar, o mundo das coisas perecíveis te endereçará comoventes apelos para ficares adiando partir em demanda de paragens onde não consegue acompanhar-te...

Incansável e determinado em teus propósitos de emancipação espiritual, na trilha de caminhos nunca dantes percorridos por teus pés, hás de seguir, porém, sem que nada possa deter-te na caminhada.

No esquecimento de ti, pelos prodígios do devotamento aos semelhantes, a cada dia te fortalecerás, impondo-te às forças inferiores que conspiram contra tua realização e plenitude.

                Irmão José
(Psicografia de Carlos A. Baccelli)
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: Lima_Gil em 01 de Abril de 2012, 03:42
3
A Influência do Mal
Quando o homem está mergulhado, de qualquer maneira, na atmosfera do vício, o mal não se torna para ele um arrastamento quase irresistível?

— Arrastamento, sim; irresistível, não; porque no meio dessa atmosfera de vícios encontra, às vezes, grandes virtudes. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que tiveram, ao mesmo tempo, a missão de exercer uma boa influência sobre os seus semelhantes.
(“O Livro dos Espíritos”, questão 645)

Somente a influência do bem é determinante ou absoluta para os Espíritos, visto que todos atingirão as cumeadas da Perfeição, vencidos os obstáculos que dela os separam.

Ninguém, pois, poderá alegar que sucumbiu a esta ou àquela influência de caráter negativo, senão por sua livre e espontânea vontade.

O homem, esteja em que situação estiver, sempre poderá escolher o seu próprio caminho, responsabilizando-se pelas consequências de suas atitudes, seja no bem ou no mal.

Se o mal se constituísse em arrastamento irresistível para as criaturas, seria lógico concluir pela sua fatalidade, o que as condenaria, em outras palavras, à sua prática inevitável.

Todos os seres se destinam à Perfeição. No entanto, chegar mais cedo ou tarde é do livre arbítrio de cada um, consoante a trajetória que traçam
— alguns chegam a estacionar por tempo indefinido, ao passo que outros seguem com determinação.

Espíritos virtuosos costumam renascer entre os que revelam certa inclinação para o vício, com o propósito de influenciá-los positivamente. Ao mesmo tempo, ainda mais se fortalecendo na vontade de a ele resistir, demonstrando que, em tempo algum, o mal não pode mais que o bem.

Basta acender-se diminuta luz para, de imediato, as trevas começarem a se dissipar.

Não há quem não disponha de forças para se reerguer de qualquer queda, desde que concentre a vontade neste sentido. Todavia quem no mal se compraz, deixando-se dominar por ele, mais se chafurda em sua desdita, dificultando o processo de sua libertação.

As provas do Espírito para as suas futuras existências, são em geral, determinadas pelas suas ações no presente, que haverão de desencadear as circunstâncias evolutívas das quais carece, em seu aprendizado.

Mais que o mérito, o fator determinante que orienta o Espírito na reencarnação é a própria necessidade.

Os Espíritos que já conquistaram certo grau de lucidez, em vez de reivindicarem direitos, priorizam deveres, com o intuito de não concederem trégua a si mesmos na luta contra as suas mazelas.

Afastar-se o mais possível do raio de influência das imperfeições que lhe dizem respeito é quanto a almeja todo Espírito sabedor do perigo iminente de novo tropeço nelas.

Nenhuma virtude se sedimenta de improviso, como nenhuma conquista se efetiva sem o concurso do tempo.

Os que bem se houverem dentro de suas proovas conseguem conferir a elas dupla finalidade: além de se impulsionarem nas sendas do progresso, servem de parâmetro e incentivo para que outros possam fazê-lo... É quando a prova mdividual assume características de missão coletiva.

Escolher entre o bem e o mal é uma questão de preferência, ou seja, de identificação íntima do Espírito. Uma única decisão equivocada pode induzi-lo, em relação a outros, a considerável atraso em sua marcha evolutiva, porque, dependendo da gravidade do erro, ele levará séculos para repará-lo e redimir-se.

Por esse motivo, o Espírito, sempre recorrendo à oração — inesgotável fonte de inspiração para os que desejam acertar — não deve descuidar da vigilância. Por mais insignificante, considere-se a dificuldade com que se vê às voltas como diminuta ferida aberta e exposta que, se não tratada preventivamente, poderá transformar-se em porta de entrada para uma infecção generalizada no organismo.

                 Irmão José
(Psicografia de Carlos A. Baccelli)
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: Lima_Gil em 05 de Abril de 2012, 03:07
4
OBSESSÃO COMUM

Os Espíritos se imiscuem algumas vezes em nossas ocupações e em nossos prazeres?
— Os Espíritos vulgares, como dissestes, sim; estão incessantemente ao vosso redor e tomam parte às vezes bastante ativa naquilo que fazeis, segundo a sua natureza. E é bom que o façam, para impulsionar o homem nos diferentes caminhos da vida, excitar ou moderar as suas paixões.
(O Livro dos Espíritos”, questão 567)

É preciso que se distinga a obsessão comum, ou natural, daquela que é engendrada pelo ódio e pelo sentimento de vingança.

Os Espíritos, compatíveis com a evolução do homem na Terra, não se distanciam tanto assim de sua convivência, interagindo com ele tal qual ainda estivessem no corpo de carne.

Habitando a dimensão espiritual imediata, para além da superfície da Crosta, influenciam e, ao mesmo tempo, são influenciados.

Os Espíritos da Codificação disseram a Kardec que “é bom que ofaçam”, porquanto comunidades isoladas não têm como permutar experiências, pensamentos e emoções que as impulsionam “nos diferentes caminhos da Vida”. A obsessão, portanto, na maioria das vezes, é um aparente mal dando origem ao bem verdadeiro.

O Senhor nos disse: ‘Ai do mundo por causa dos escândalos; pois é necessário que venham escândalos, mas ai do homem por quem o escândalo venha”.

A interferência, boa ou má, dos Espíritos, na vida dos homens, é indispensável ao seu progresso. Encarnados e desencarnados necessitam uns dos outros, como instrumentos instigadores da evolução recíproca.

Não fosse, por exemplo, pela ação pertinente de um Espírito obsessor sobre a vítima de agora, dificilmente ela adquiriria mais amplas noções de justiça, considerando a possibilidade de ter sido o algoz do pretérito.

Graças à ação dos Espíritos vulgares, que, ostensivamente, sempre se comunicaram, através de processos obsessivos patentes — mais do que propriamente pela presença dos Espíritos Esclarecidos pelos canais da mediunidade equilibrada — é que o homem vem sendo induzido a pensar em termos de sobrevivência da alma, após a morte do corpo.

A obsessão é a mediunidade nas ruas, extrapolando quaisquer fronteiras de natureza ideológica.

Muitos dos considerados obessores terminam por renascer entre aqueles com os quais se encontram compromissados, que os recebem nos laços da consanguinidade para mútuo aprendizado.

Isso equivale a dizer que os obsessores que se pretende afastar, não o fazem, em muitas ocasiões, senão para ainda mais se aproximarem daqueles que não lhes desejam a presença.

Vejamos que na resposta ao Codificador, os Fspíritos, inclusive, consideraram a hipótese de os obsessores excitarem os homens em suas paixões... Sem dúvida, por vezes, é indispensável que o Espírito encarnado indeciso ante seu progresso, seja conduzido aos limites do abismo, com o propósito de fugir à indiferença pelo próprio destino.

Convenhamos em que muitos, enquanto não tropeçam e caem de todo, não deixam de fazer concessões ao mal em si mesmos.

É evidente que a tarefa de constranger o Espírito recalcitrante não poderia ser confiada a um de ordem superior.

O juiz que lavra a sentença e o carcereiro que a executa possuem funções específicas, no processo em que o sentenciado é chamado a quitar os seus débitos para com a sociedade.

Não há, pois, efetiva doutrinação do Espfrito obsessor, sem o obsidiado se doutrinar, por sua vez.

Consideremos, sob este prisma, que os Espíritos vulgares em contato mais estreito com as criaturas encarnadas, assim são posicionados pela Lei Divina com o objetivo de se esclarecerem.

Percebamos aí a importância de o homem conduzir em sua companhia, para as atividades enobrecedoras que executa, em nome do Cristo, os espíritos que o molestam, a fim de poderem igualmente se elevar.

                Irmão José
(Psicografia de Carlos A. Baccelli)
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: Lima_Gil em 20 de Abril de 2012, 07:21
Bom dia, ininss! Grato, por sua valiosa e inteligente participação neste tópico. Todos os Espíritos são filhos da Luz, razão pela qual, em Essência, todos foram concebidos para serem felizes. Quando o Princípio Inteligente do Universo (PIU) ou Mônada Celeste, depois de exercitar-se nos reinos mineral, vegetal e animal irracional, ascende ao reino hominal, é abençoado com o livre-arbítrio e incia a sua vida moral, manifestando-se através do pensamento contínuo. O livre-arbítrio, que é uma concessão divina e produto do Princípio Positivo-Negativo, que precede ao próprio Universo Manifesto, se amplia à medida que a Consciência se lhe expande. Assim, a maioria absoluta das Entidades Pensantes acaba enveredando pelo caminho do Mal e todo o Mal que existe no Universo resulta, única e exclusivamente, da mente humana. Como você muito acertadamente postou, é produto das escolhas equivocadas do Espírito Imperecível, pelo mau uso do livre-arbítrio. Apenas, ressalvaria que os Espíritos podem permanecer no Mal por milênios ou por tempo indeterminado, mas não pela eternidade, pois somente Deus é o Eterno Amor. O Bem Absoluto é o único determinismo que existe no Universo. Prazeres, alegrias, riquezas, etc. são coisas sujeitas a mudanças. Amigos e adversários devem ser vistos como instrutores uns dos outros, pois, no final, todos, sem quaisquer privilégios ou exceções, vão descobrir que o problema é entre a Individualidade e Deus e que a Felicidade Eterna, Alegria Perene ou Paz Definitiva somente existe na perfeita integração com o Ser Supremo. Volte quando quiser ou puder, para nos oferecer a sua importante contribuição a este tópico. Paz, muita Paz!
Deus conosco, sempre!
Namastê.
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: Lima_Gil em 22 de Abril de 2012, 01:18
5
A Lei da Reencarnação


Ao passar deste mundo para o outro, o Espírito conserva a inteligência que tinha aqui?

— Sem dúvida, pois a inteligência nunca se perde. Mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la. Isso depende da sua superioridade e da idade do corpo que adquirir.
(“O Livro dos Espíritos”, questão 180)

Certas perguntas e respostas de O Livro dos Espíritos, a fim de serem melhor assimiladas em seu conteúdo, necessitam de serem meditadas dentro do contexto em que foram formuladas.

A inteligência é patrimônio inalienável do Espírito, que depende, para se manifestar, dos meios à sua disposição, notadamente de um instrumento físico mais ou menos adequado à sua livre expressão.

Um exímio violinista necessitará de instrumento à altura de sua habilidade, pois, caso contrário, sentir-se-á cerceado em sua capacidade de utilizá-lo.

Encarnado em mundos inferiores, é óbvio que o Espírito, algo intelectualmente evolvido, quase sempre não disponha de um corpo compatível com seus anseios de de raciocinar; muito embora possa ser portador de inteligência muito acima da média dos habitantes dos referidos orbes, ele não logrará avançar para além dos limites impostos por sua condição cerebral...

Alguns Espíritos, quando encarnam como vanguardeiros do progresso em meios a povos de natureza primitiva, conseguem, até certo ponto, sob o amparo de Entidades Superiores, impor-se à influência da matéria, interferindo, no que tange à genética, na construção do corpo que irá ocupar. Outros, no entanto, ver-se-ão compelidos a expiar os deslizes cometidos no campo da inteligência em um corpo com reduzidos reflexos cerebrais, à feição de um doente cuja agressividade muitas vezes requer uma camisa-de-força que o contenha.

A Lei da Reencarnação, pois, em sua aplicabilidade, varia de Espírito para Espírito, de acordo com o seu grau de consciência e com a evolução do mundo a que se destine.

A Reencarnação deste ou daquele Espírito praticamente é possível em todas as Esferas, consideradas físicas e extrafísicas, consoante a disposição das partículas que compõem a matéria nas diferentes dimensões do Universo.

O termo reencarnação condicionou a mente humana à veste corpórea, como se o involucro mais externo, no qual o Espírito se apresenta nos demais mundos, tivesse sempre a mesma constituição do organismo físico, principalmente no que se refere à densidade.

Na resposta à questão acima aqui examinada por nós, os Espíritos condicionaram a atividade intelectual a ser exercida pelo Espírito reencarnante, num outro mundo, à sua superioridade e à “idade do corpo que adquirir”! A colocação, bastante enfática, leva o estudioso da Doutrina a deduzir que, de fato, a Reencarnação não é menos Reencarnação porque, em certas circunstâncias, deixe de ocorrer segundo os estágios por ele conhecdos até o momento.

Em mundos de ordem hierárquica mais elevada, os Espíritos candidatos à reencarnação não se ligam de imediato e mais estreitamente ao corpo em sua fase embrionária, não estando, portanto, sujeitos à ação da amnésia temporária que acomete os homens, em sua generalidade.

Em relação às vidas anteriores, o esquecimento do passado será tanto mais profundo quanto menor a capacidade demonstrada pelo Espírito de se impor ao corpo que venha a habitar, nas circunstâncias, também hereditárias, que lhe sejam adversas.

Seria interessante, para maior aproveitamento, os estudiosos confrontarem a pergunta acima com a de número 183, do mesmo O Livro dos Espíritos: “Passando de um mindo para outro, o Espírito passa por nova infância?” Resposta: “ A infância é por toda parte uma transição necessária, mas não é sempre tão estúpida como entre vós”.

                  Irmão José
(Psicografia de Carlos A. Baccelli)
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: mikade1 em 26 de Abril de 2012, 04:45
Não fique nervoso.(http://www.spgames.info/g.gif)
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: zarthur em 26 de Abril de 2012, 11:43
Ele não está nervoso, apenas transcrevendo texto de uma obra do Baccelli; que aliás, nada acrescenta a coisa alguma. Parece aquela compulsão para escrever e publicar... sempre existe quem compre!
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: Marlenedd em 26 de Abril de 2012, 13:31
As críticas que estão a fazer a um homem que simplesmente expõe a sua visão, além de injustas revelam puro egoísmo. De quem se ama mais a si próprio do que a Deus.

São criticas de quem não cumpre o primeiro e o segundo mandamento do Cristo.

Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: Gustavo Rettenmaier em 26 de Abril de 2012, 15:11
Carissima Marlene.
Tenho visto, com um pouco de decepção, a quantidade de criticas, algumas ate muito fortes, aquilo que os foristas postam, comentando algum tópico.
Acredito honestamente que o objetivo de um fórum, qualquer fórum, é o debate acerca do tema proposto.
No caso de um fórum espirita, tratar de Doutrina Espirita.
Entretanto o espiritismo, por ser muito combatido, é desconhecido em seus fundamentos.
Dai vemos muitas pessoas que começam a estudar sem sequer saber como ou o que, mas com boa vontade de aprender. Entram em paginas como essas para obter um pouco mais de conhecimento, mas o que encontram são pessoas repetindo mantras como se donos da verdade fossem.
Acho que como a biblia, a literatura basica de DE tambem pode ser alvo de interpretações equivocadas, mas só poderemos corrigir as distorções através de foruns como esse onde as pessoas coloquem suas duvidas e principalmente seu entendimento sobre os temas, para a partir daí conhecerem mais e melhor a DE.
Título: Re: Segundo "O Livro dos Espíritos"
Enviado por: zarthur em 26 de Abril de 2012, 16:34
As críticas que estão a fazer a um homem que simplesmente expõe a sua visão, além de injustas revelam puro egoísmo. De quem se ama mais a si próprio do que a Deus.
São criticas de quem não cumpre o primeiro e o segundo mandamento do Cristo.


Marlene; será que do alto da sua santidade, vc não estaria desprezando os dois mandamentos citados, rotulando seus irmãos de egoístas?
Jesus disse: Eu a ninguém julgo.

Quanto ao fato de, como vc disse; ser um homem que simplesmente expõe a sua visão...
não é isto que todos estão fazendo? até vc mesma?

Bem hajas
Título: Re: Segundo O Livro dos Espíritos
Enviado por: Lima_Gil em 02 de Maio de 2012, 06:04
LEMBRETES

1. Há (...) um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos — Paulo (Efésios, 4: 4 e 6).

2. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor — João (1Jo, 4:8).

3. Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade — Paulo (2 Co, 3:17).

4. Não julgueis, para que não sejais julgados — Jesus (Mt, 7:1).

5. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros — Jesus (João, 10:35).

6. Não pode a árvore boa produzir maus frutos, nem a árvore má produzir bons frutos — Jesus (Mt, 7:18).

7. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca — Jesus (Mt, 26:41).

8. (...) porque a letra mata e o espírito vivifica — Paulo (2 Co, 3:6).

9. Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo —  O Espírito de Verdade (ESE, Cap. VI, It. 5).

10. Fora da Caridade não há salvação — Alllan Kardec.

11. Edifiquemos a Caridade revelando a luminosa Tolerância — Emmanuel.

12 O primeiro indício da falta de bom-senso é crer alguém infalível o seu juízo — (LE, Introdução, It. XVII).

13. (...) Deus, porém, julga pela intenção — (LE, Q 670).

14. “A vaidade de certos homens que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo dará nascimento a opiniões dissidentes” — (LE, Prolegômenos, § 13).

15. O argumento supremo deve ser a razão. A moderação garantirá melhor a vitória da verdade do que as diatribes envenenadas pela inveja e pelo ciúme — (LE, Conclusão, It IX).

Agradecendo as interessantes postagens dos irmãos mikadi 1, zarthur, Marlenedd e Gustavo Rettenmaier, gostaria de acrescentar os comentários que se seguem.

1) Realmente, eu não estava nervoso no momento em que li o primeiro post, razão pela qual, naquele instante, não conseguindo perceber qualquer ligação daquela pequenina mensagem com os textos anteriormente postados, resolvi esperar um pouco para respondê-la.

2) A obra indicada no estudo (Segundo “O Livro dos Espíritos”) não é de autoria de Carlos A. Baccelli, medianeiro de que se serve o Irmão José — Espírito que, com inteligência moralizada, consegue como poucos conjugar, de forma admirável, Simplicidade e Sabedoria.

3) Por não ter dado a devida atenção ao primeiro post, fui traído por minha própria invigilância e poucas horas depois entrei em violenta discussão com um sobrinho-neto, ocasião em que, perdendo o controle, me destemperei, procedendo de forma totalmente contrária aos princípios cristãos nos quais tenho buscado nortear o meu comportamento.

4) Assim, o primeiro post — Não fique nervoso —, partiu do coração de quem o fez e tinha o endereço certo, pois, como todos sabemos, nada é por acaso, já que a intenção era das melhores, ainda que aparentemente incompreensível, pelo menos para mim que apenas me liguei naquelas simples palavras sem conexão com o estudo. Somente pude entender o espírito da mensagem quando senti na carne as conseqüências de minha invigilância.

5) Certo de que Deus age por meio de todos, como vimos no primeiro lembrete, deixo aqui registrado o meu reconhecimento à pessoa que, movida com boa intenção, pelo Deus interior, tentava me alertar para as tribulações que viria a enfrentar. A Caridade moral estava presente no espírito daquela singela mensagem, e eu, infelizmente, não a percebi.

6) A propósito, a lição seguinte, da obra em estudo, por aparente coincidência, trata justamente de um tema que tem tudo a ver com esta mensagem.

7) Concluindo, convém ressalvar que todos os lembretes supracitados e os comentários que se lhes seguem destinam-se primeiramente a mim e também a quem interessar possa.

Deus conosco, sempre!
Título: Re: Segundo O Livro dos Espíritos
Enviado por: Lima_Gil em 02 de Maio de 2012, 21:33

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CARIDADE E TEMPO

Não há homens reduzidos à mendicidade por sua própria culpa?

— Sem dúvida; mas, se uma boa educação moral lhes tivesse ensinado a praticar a lei de Deus, não teriam caído nos excessos que lhes causaram a perda. E é disso, sobretudo, que depende o melhoramento do vosso globo.
(“O Livro dos Espíritos”, questão 889)

Existem, sim, inúmeras pessoas, de maior ou menor posse, que alegam falta de tempo para se consagrarem a qualquer atividade de caráter assistencial, objetivando a recuperação de quem se encontra em situação de penúria. Muitas delas, inclusive, procuram assoberbar-se ao máximo em suas ocupações profissionais, a fim de não virem a ser cobrados pela consciência quanto à solidariedade.

Não é verdade que o homem na Terra não dispõe de tempo para se consagrar a esta ou àquela obra benemérita, reparando injustiças sociais constantemente cometidas contra os menos aquinhoados.

Se o dia possui 24 horas, nos 7 dias da semana, ele tem à sua disposição 168 horas, das quais poderá subtrair, pelo menos, 30 minutos semanais para doar do que possui ou do que é àqueles que vivem à espera de uma mão a ser-lhes estendida.

No campo da caridade, comodismo ou indiferença costumam ser outros nomes do egoísmo, razão por que o homem ignora as necessidades dos semelhantes.

Quanto tempo, por exemplo, o homem ou a mulher gastam no aprimoramento da forma física, em contínuos exercícios nas academias ou nas longas caminhadas a que se entregam, diante de um simples aparelho de televisão ou no bate-papo descompromissado ao telefone?

O problema básico reside em o homem viver fugindo ao confronto consigo mesmo, para em nada se sentir compelido a renunciar em favor de tarefas que, gradativamente, haverão de promover a sua mudança de referencial diante da Vida.

Em síntese, é a estima por ele devotada ao homem-velho que o escraviza ao prazer no qual se compraz, não hesitando em pagar o preço de sua própria inconsequência.

O contato com a realidade do sofrimento alheio de que voluntariamente se distancia constrange o homem a adotar um novo paradigma existencial, sentindo-se responsabilizado pelos desníveis sociais ao seu derredor.

A caridade não é mera questão de religiosidade, para quem compreende o seu significado profundo.

Para que o mundo, de fato, se transforme, em todos os aspectos, bastaria os disponíveis de bolso e sentimento tomarem a decisão de devotar-se aos marginalizados, não atribuindo somente ao governo das nações o dever de extinguir a fome e a a ignorância, o preconceito e o fanatismo – originários da violência que assola a Humanidade, nos dias atuais.

Quando os Espíritos se referem a ensinar “uma boa educação moral” aos que se reduzem à mendicidade, não estão se referindo a currículo escolar, mas, principalmente, à lição do exemplo, que apenas se transmite sendo vivenciada. Não será à custa de decretos governamentais e medidas jurídicas que o homem logrará uma sociedade mais justa para todos quantos a integram.

Sem oferecer oportunidades de trabalho aos desempregados, escola para os que necessitam insruir-se e acesso a programas básicos de saúde, nos quais todos se sintam igualmente beneficiados, em vão se clamará por um Mundo Melhor, porque, iludindo a si mesmo, o homem viverá num arremedo de civilização na Terra, com a ameaça de guerra sempre pairando sobre a sua cabeça.

Não alegues, assim, falta de tempo para atender às obrigações que te competem em relação ao próximo, quando, em verdade, o que te falta é um pouco de boa vontade e iniciativa de servir, sendo grato a Deus pelo muito de que, mais cedo ou tarde, hás de prestar contas.

                  Irmão José
(Psicopgrafia de Carlos A. Baccelli)