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CONVÍVIO => Off-topic => Convívio => Tópico iniciado por: lconforjr em 19 de Novembro de 2014, 23:01

Título: Perdão e Amor
Enviado por: lconforjr em 19 de Novembro de 2014, 23:01
      Várias vezes ouvi, em CEs, em geral de algum principiante no estudo, a pergunta: “Se o espiritismo ensina que é preciso perdoar, por que há pessoas que não perdoam? Porq muitas vezes eu mesmo, q sei disso, não consigo perdoar?”.

      E a resposta, sem dúvida, tem que ser esta: Primeiramente, não é “preciso” perdoar; se perdoamos pq é preciso perdoar, nada estaremos fazendo no campo do amor ao próximo; estaremos, apenas, sendo obedientes a um mandamento da ética religiosa, ou sendo hipócritas.

      O perdão, se alguém o faz pq é ”preciso perdoar” (o q é absurdo, pq perdão feito pq é preciso fazer não é perdão), não significa que aquele q está perdoando se tornou melhor, que se tornou mais abençoado pelo sentimento de amor.

      Do mesmo modo, se alguém afirma, ou pensa, q perdoou alguma ofensa, mas conserva ainda ressentimentos, mágoas no coração, esse não perdoou a ofensa; o perdão verdadeiro é manifestação de amor, e se não há amor não é perdão verdadeiro; é apenas um perdão da “boca para fora”, um falso perdão portanto, fato que significa q o sentimento de amor ainda não alcançou o seu intimo.

      O perdão não deve ser feito porq é “preciso” ser feito, pois o verdadeiro perdão é amor, e amor não necessita que se saiba se o que estamos fazendo é perdão ou não é perdão, a quem é dirigido, se esse o merece ou não! Amor é tão somente amor, nunca pensado, nunca ponderado, pois sempre espontâneo.

      Sem dúvida, perdoar as ofensas é uma forma de manter a saúde, mas se o perdão é feito da boca para fora poderá até mesmo resultar no oposto disso: perturbar a saúde.

      Há estudos, feitos por uma instituição científica americana, comprovando que, pessoas que guardam mágoa ou ressentimentos devidos a ofensas que não conseguem perdoar, têm seus batimentos cardíacos, a taxa de suor e outras reações psíquicas (mentais) e fisiológicas (físicas) alteradas, fato que pode produzir danos à saúde.

      E, sem dúvida, nem esse batimento, nem essas outras reações se tornaram melhores se essas pessoas perdoaram apenas da boca para fora. Tudo, batimentos etc, poderão ser favorecidos, mas tão somente se esse perdão é amor.

      Por isso, temos de entender q esse “é preciso perdoar” é apenas uma afirmação equivocada. O que é preciso não é perdoar, mas amar.

      O perdão em si nada representa, senão, talvez, um pouco de conforto para aquele q é “perdoado”, mesmo que apenas da “boca para fora”, e se ele acredita q o perdão é sincero.

      Relativamente ao conteúdo da pergunta, “Por que há pessoas que não perdoam? Pq eu não consigo perdoar?”, a resposta é extremamente simples: pq nelas não existe amor. Se há amor, há perdão.

      Há quem afirme q não perdoar se deve ao fato das pessoas serem egoístas ou orgulhosas, fato que é fácil de se entender mas, infelizmente, esses mesmos q afirmam isso não sabem dizer pq é q essas pessoas são egoístas ou orgulhosas. 

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Título: Re: Perdão e Amor
Enviado por: Antonio Renato em 20 de Novembro de 2014, 11:57
Meu irmão Coronel,o perdão sem amor perde o sentido,pois o perdão é um ato de amor,e o
exercício dessa lei maior(Amor)deixada por Deus para todos nós é de verdade a grande
oportunidade de nos apróximarmos dele.O nosso mestre Jesus em seus ensinamentos
deixou para todos uma mensagem importante:" Perdoai não sete,mas setenta vezes sete ".
Título: Re: Perdão e Amor
Enviado por: lconforjr em 20 de Novembro de 2014, 13:47

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      Olá, querido amigo ARenato,

      É isso mesmo; estou de pleno acordo com vc.

      Abraços e bom feriado.

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Título: O perdão daquele que está compreendendo, ou já compreendeu.
Enviado por: lconforjr em 21 de Julho de 2015, 19:49
      Amigos,

      Há nas escrituras uma fala de Jeremias, considerado um dos “quatro maiores profetas do Antigo Testamento”, que diz: “O Senhor disse: Maldito é o homem que confia no homem”.

      Essas palavras escandalizaram muitos, reencarnacionistas e não reencarnacionistas, e provocaram muita crítica e reprovação a Jeremias.

      Há várias interpretações sobre essas palavras: para uns é: "maldito o homem que confia noutro homem”; para outros é: "maldito o homem que confia em si mesmo”!

      Me prendo, aqui, à primeira interpretação. Nesta Jeremias está, para mim, coberto de razão: aquele que confia cegamente nos outros pode estar sendo muito tolo, ingênuo, iludido, facilmente enganado, roubado, explorado, prejudicando a si mesmo e aos que dele necessitam.

      Mas, certamente, esse dito é contrário ao “amor incondicional” pregado pelo Cristo e por tantos seres elevados; mas, nesta vida, neste mundo de castigos e sofrimentos, que Deus nos deu para nossas expiações, onde imperam a maldade, a desonestidade, a corrupção, a traição, até mesmo entre os mais próximos entre si, não podemos fechar os olhos a essa verdade que Jeremias disse.

      Somente seres excepcionais, muito elevados espiritualmente, terão condições de fazer isso; não de não desconfiar, mas de perdoar os sofrimentos que outros homens, em quem confiavam plenamente, lhes causam. Mas desses, certamente, não deve haver um só que esteja aqui!

      Aqui, um exemplo de um homem excepcional nesse sentido: dois, que eram amigos desde muito tempo, possuindo cada um 50% da casa que dividiam entre si, um deles, traindo a confiança do outro, conseguiu, criminosamente, se apoderar de 100% da propriedade, deixando o outro na rua.

      A justiça dos homens, tantas vezes falha, não foi provocada para comprovar o delito, porq o que foi usurpado não permitiu que aquele que o roubou passasse por algum tipo de constrangimento; e lhe perdoou tudo!

      Mas, sem dúvida, somente aquelas exceções extremamente raras, têm condições de fazer isso, de ser tão altruísta, de pensar mais no bem dos outros do que em seu próprio bem, ou de se sacrificar pelos outros.

      E estão absolutamente certos aqueles que não confiam (sobretudo se têm quem deles necessite) porq muitos já foram terrivelmente ludibriados, traídos, enganados e sofreram misérias devido ao amor que possuíam.

      Afinal, quem está neste mundo de expiações que já possui em seu íntimo esse amor incondicional? Se houvesse alguém, como já disse, certamente não o encontraríamos aqui!
 
      Contudo, se todo efeito tem sua causa, qual é a causa de uns já terem um amor incondicional, ao passo que tantos não têm? Onde podemos conquistar esse amor que, afinal, é a causa e explicação de nossa existência, de nossas lutas sem fim, de nossos desesperos, de nossas infelicidades e insuportáveis sofrimentos, da existência da lei de causa e efeito (em seu aspecto moral), da doutrina espírita, e de muitas outras, da vida que vivemos, encarnados ou desencarnados?!

      Onde estarão os ensinamentos que nos levem a ter esse amor, se tantos possuem em seu íntimo, em sua natureza, o oposto exato do que é amor?!

      Jesus mesmo tentou nos ensinar como fazer para ter amor mas, como podemos ver, não conseguiu porq a ter amor, a amar ninguém consegue ensinar e ninguém aprende, nem com conselhos, nem com ensinamentos escritos ou falados, nem com exemplos de quem quer que sejam!
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