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CODIFICAÇÃO => O Livro dos Espíritos => Tópico iniciado por: Aldebaran em 27 de Novembro de 2009, 01:12

Título: Em que consistem o sofrimento dos Espíritos inferiores?
Enviado por: Aldebaran em 27 de Novembro de 2009, 01:12
Olá pessoal,

É a questão 970 de OLE.

Abraços fluídicos,

Renato
Título: Re: Em que consistem o sofrimento dos Espíritos inferiores?
Enviado por: EsoEstudos em 27 de Novembro de 2009, 01:38

Saudações Renato!

Sua referência:

970. Em que consistem os sofrimentos dos Espíritos inferiores?
“São tão variados como as causas que os determinam e proporcionados ao grau de
inferioridade, como os gozos o são ao de superioridade. Podem resumir-se assim: Invejarem o que lhes falta para ser felizes e não obterem; verem a felicidade e não na poderem alcançar; pesar, ciúme, raiva, desespero, motivados pelo que os impede de ser ditosos; remorsos, ansiedade moral indefinível. Desejam todos os gozos e não podem satisfazer: eis o que os tortura.”


Como, por óbvio, não pretendia apenas a expressão do texto, busquemos noutros pontos da Codificaçao.

- O Céu e o Inferno, págs. 100/101.

Em que pese à diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:
1º - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2º - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.
3º - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade.
A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: - tal é a lei da Justiça
Divina.



- O Livro dos Espíritos

933. Assim como, quase sempre, é o homem o causador de seus sofrimentos
materiais, também o será de seus sofrimentos morais?
“Mais ainda, porque os sofrimentos materiais algumas vezes independem da
vontade; mas, o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o
ciúme, todas as paixões, numa palavra, são torturas da alma.
“A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável e não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?”

- mais adiante:

De ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua felicidade suprema. Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é
infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é
feliz com os que outros consideram calamidades.


- O Livro dos Espíritos - fragmentos

 - pág 126


Quanto menos material o corpo, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência, que desse modo abrevia os sofrimentos.

255. Quando um Espírito diz que sofre, de que natureza é seu sofrimento?
“Angústias morais, que o torturam mais dolorosamente do que todos os sofrimentos
físicos.”



Chamaram-me a atenção ilícitos morais como inveja, ciúme, tédio, e tudo o mais que costuma gravitar em torno desses deprimentes estados espirituais.

O mecanismo em si cinge-se às paixões que arrastam o ser para opções que, com o tempo, mostram-se sedutoras porém dolorosas.
Título: Re: Em que consistem o sofrimento dos Espíritos inferiores?
Enviado por: Anton Kiudero em 27 de Novembro de 2009, 01:53
Todos os sofrimentos dos espiritos, inferiores e não tão inferiores decorrem sempre de seus apegos e paixões cultivados durante a encarnação. Durante a encarnação o espírito em provas é dominado pelo ego e acredita ser o ego. Apaixona-se pelo ego. E enquanto não libertar-se desta paixão, sofre enquanto encarnado e mais ainda depois de liberto da veste carnal.

O que possuia coisas materiais sofre pela perda das coisas materiais. O que possuia pessoas, ama pais, conjuges, filhos, amigos, e não ama a seus inimigos, sofre por isto. O que possui verdades, o que sabe, sofre ao ver o que sabe ser destruido inelutavelmente.

Possuir significa apegar-se, apaixonar-se e não apenas ter.

Assim, a felicidade somente pode ser alcancada pelo desapego ainda durante a encarnação.

Bem aventurados os pobres de espírito, os que não possuem nada a que se apegar, pois somente lhes resta o amor a Deus.


Título: Re: Em que consistem o sofrimento dos Espíritos inferiores?
Enviado por: Aldebaran em 27 de Novembro de 2009, 02:23
Pois é... muito boas respostas.

Daí poderemos conjecturar sobre o seguinte: os Espíritos inferiores têm uma idéia errônea do que é felicidade. Como diz Emmanuel, para o glutão, a felicidde é satisfazer os prazeres à mesa. Para o sexólatra, o paraíso é um  oásis de sexolatria, em que  pode satisfazer todos os seus instintos.

Para os Espíritos Inferiores, portanto, o sofrimento  resulta da não satisfação das paixões. Tão apegados se encontram a coisas, pessoas e idéias, que não se dão conta os próprios  vícios morais são causas dos mais torturantes sofrimentos. "O vosso sofrimento é conseqüência das vossas imperfeições morais" OLE.
 
Assim, o avarento sofre  horrores não só com o medo de perder o que tem, mas na pungente expectativa de sempre ter  mais e mais. 
E o orgulhoso,  sofre indizivelmente com um comentário que lhe possa rebaixar. 
O egoísta sofre em ter que "repartir" afeições e bens  materiais, assim como o invejoso sofre com o sucesso alheio.

Concluindo, o verdadeiro, o único real sofrimento dos  Espíritos inferiores, é aquele que é conseqüência da sua imperfeição moral. Daí se explica a existência do mal no mundo: as  pessoas que são dominadas por vícios e paixões de todas as espécies, experimentam um suplício moral intraduzível, na inveja que experimentam  ao observarem  aqueles que conseguiram se libertar  dessas paixões, e daí fazem  o mal a estes últimos.

abçs,

Renato



Título: Re: Em que consistem o sofrimento dos Espíritos inferiores?
Enviado por: Mourarego em 27 de Novembro de 2009, 18:31
simples assim, mano Renato.
Abração,
Moura
PS: Cara você tirou o avarento da minha boca, valeu mano, assim o churrasco ficou mais saboroso!!!! Mas o comi avarentamente hehehhe
Título: Re: Em que consistem o sofrimento dos Espíritos inferiores?
Enviado por: EsoEstudos em 27 de Novembro de 2009, 19:03

Saudações a todos!

Conquanto já referido em outro lugar, o trecho adiante é pertinente. Na origem do sofrimento dos Espíritos inferiores estão as "paixões", merecendo todo o destaque o conceito com que a Doutrina dos Espíritos emprega esse termo.

- A Gênese, págs. 73/74

Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve,
porque esta domina a matéria.
O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal e, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.
Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, visto que, a não ser assim, Deus teria feito coisas inúteis e, até, nocivas. No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.