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CODIFICAÇÃO => O Livro dos Espíritos => Tópico iniciado por: Haga em 19 de Setembro de 2009, 18:33

Título: Doutrina Espírita humana VS Doutrina Espírita dos espíritos
Enviado por: Haga em 19 de Setembro de 2009, 18:33
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Título: Re: Doutrina Espírita humana VS Doutrina Espírita dos espíritos
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 19 de Setembro de 2009, 19:20
O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes:
as manifestações,
os princípios de filosofia e
de moral que delas decorrem e a aplicação desses princípios;
daí,
três classes, ou três graus, entre os espíritas:

1ª) aqueles que acreditam nas manifestações e se limitam em constatá-las: para eles, o Espiritismo é uma ciência experimental;

2ª) aqueles que compreendem suas conseqüências morais;

3ª) aqueles que praticam ou se esforçam para praticar essa moral.

Seja qual for o ponto de vista, científico ou moral, sob o qual se considerem esses fenômenos, cada um deles significa que é uma ordem totalmente nova de idéias que surge, cujas conseqüências resultarão numa profunda modificação na humanidade, e também compreende que essa modificação pode apenas acontecer no sentido do bem.

Quanto aos adversários, pode-se também classificá-los em três categorias:

1ª) aqueles que negam sistematicamente tudo o que é novo ou que não vem deles e que falam disso sem conhecimento de causa. A essa classe pertencem os que não admitem nada fora da evidência dos sentidos; não viram nada, nada querem ver e ainda menos se aprofundar. Ficariam até mesmo aborrecidos se vissem as coisas muito claramente, com medo de serem forçados a admitir que não têm razão. Para eles, o Espiritismo é uma fantasia, uma loucura, uma utopia; ele não existe: está dito tudo. São os incrédulos de propósito. Ao lado deles, pode-se colocar aqueles que não se dignam em dar aos fatos a mínima atenção, nem por desencargo de consciência, e poderem dizer: quis ver e nada vi. Não compreendem que seja preciso mais de meia hora para se dar conta de toda uma ciência.

2ª) Aqueles que, sabendo muito bem o que pensar da realidade dos fatos, os combatem, todavia, por motivos de interesse pessoal. Para eles, o Espiritismo existe, mas têm medo de suas conseqüências; atacam-no como a um inimigo.

3ª) aqueles que encontram na moral espírita uma censura muito severa aos seus atos e às suas tendências. O Espiritismo, levado a sério, os incomodaria; eles nem o rejeitam nem o aprovam: preferem fechar os olhos. Os primeiros são dominados pelo orgulho e pela presunção; os segundos, pela ambição; os terceiros, pelo egoísmo. Compreende-se que essas causas de oposição, não tendo nada de sólido, devem desaparecer com o tempo, porque procuraríamos em vão uma quarta classe de antagonistas, opositores que se apoiassem em provas contrárias, concretas, e apresentassem um estudo contestador mas bem claro da questão. Todos apenas opõem a negação, nenhum oferece demonstração séria e irrefutável.

Seria esperar demais da natureza humana acreditar que ela possa se transformar subitamente pelas idéias espíritas.

A ação da idéia espírita não é claramente nem a mesma, nem no mesmo grau em todos aqueles que as professam. Mas, seja qual for o resultado, por pequeno que seja, é sempre um melhoramento, bastará apenas provar a existência de um mundo extra-corpóreo, o que implica a negação das doutrinas materialistas.

Isso é a própria conseqüência da observação dos fatos. Porém, para os que compreendem o Espiritismo filosófico e nele vêem além dos fenômenos mais ou menos curiosos, os efeitos são outros.

O primeiro, e mais geral, é de desenvolver o sentimento religioso até mesmo naquele que, sem ser materialista, sente apenas indiferença pelas coisas espirituais. Disso resultará para ele a serenidade perante a morte; porém, em vez de desprezar ou desejar a morte, o espírita defenderá sua vida como outro qualquer, mas tranqüilamente aceita, sem lamentos, uma morte inevitável como uma coisa mais feliz do que temível, pela certeza que tem do que lhe acontecerá.

O segundo efeito, quase tão geral quanto o primeiro, é a resignação nas alternâncias da vida.

O Espiritismo faz ver as coisas de tão alto que a vida terrestre passa a ter a sua verdadeira importância e o homem não se aflige tanto com os tormentos que o acompanham: daí, quanto mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos; daí também o afastamento do pensamento de abreviar seus dias, porque a ciência espírita ensina que, pelo suicídio, perde-se sempre o que se queria ganhar.

A certeza de um futuro que depende de nós mesmos tornar feliz, a possibilidade de estabelecer relações com seres que nos são queridos oferecem ao espírita uma consolação suprema. Seu horizonte se amplia até ao infinito pelo espetáculo incessante que tem da vida além da morte, da qual pode sondar os mistérios profundos. O terceiro efeito é estimular no homem o perdão e a tolerância para com os defeitos dos outros. Mas é preciso ficar claro que o princípio egoísta e tudo que dele decorre são o que existe de mais obstinado no homem e, conseqüentemente, o mais difícil de arrancar pela raiz.

Fazemos sacrifícios voluntariamente, contanto que nada custem e de nada nos privem.

O dinheiro ainda é, para o maior número de pessoas, um atrativo irresistível, e bem poucos compreendem a palavra supérfluo, quando se trata de sua pessoa. Assim a renúncia da personalidade é sinal do mais eminente progresso.