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CODIFICAÇÃO => O Livro dos Espíritos => Tópico iniciado por: HamLacerda em 24 de Abril de 2017, 06:36

Título: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 24 de Abril de 2017, 06:36
A questão 127 da primeira edição definitivamente foi uma das questões que mais gerou polêmica entre os espíritas. Dois tipos de espíritas nasceram desta divisão: os espíritas que acreditam que a alma dos animais se tornam Espíritos Humanos, e os espíritas que não acreditam .

Aqui no Fórum Espírita, e em diversos Centros Espíritas, essa questão foi muito usada como argumento contra a evolução do Espírito dos animais. Mas a questão nunca foi examinada a sério e confundiu muita gente. Alguns até pensaram que os Espíritos estavam se contradizendo. 

Mês passado, discutindo em um fórum sobre Evolução, iniciou uma discussão sobre as contradições do Espiritismo. Um forista apareceu com essa questão e começamos uma discussão bem interessante. Nessa discussão eu percebi que eles estavam confundindo Reencarnação com Metempsicose. Isso já acontecia na época de Kardec, vejam o que ele diz:


Um dos mais importantes princípios do Espiritismo é, sem contradita, o da pluralidade das existências corpóreas, isto é, da reencarnação, que os cépticos confundem, voluntariamente ou por ignorância, com o dogma da metempsicose. Sem este princípio a gente se choca com tantas dificuldades insolúveis na ordem moral e psicológica, que muitos filósofos modernos a ele foram conduzidos pela força do raciocínio, como a uma lei necessária da Natureza. Tais são Charles Fourier, Jean Reynaud e muitos outros.

Esses espíritas, que negam que os animais se tornam Espíritos, também fazem essa mesma confusão.

Então eu voltei para os meus estudos e examinei todas as questões sobre os animais, e principalmente aquelas mais polêmicas, usadas aqui pelos foristas que negam que o Espírito dos animais se tornam Espíritos Humanos.

Depois de ter examinado bastante essas questões, ficou claro que eles estavam confundindo Metempsicose com a reencarnação, Alma (o Espírito encarnado) com o Espírito.


Vejamos a questão 127 da primeira edição:

-Questão 127: “A Alma do homem não teria sido primitivamente o Princípio Vital de ínfimos Seres vivos da Biocriação, que chegou por força da lei progressiva, até o Ser humano, percorrendo os diversos graus da escala orgânica?”

-Resposta: “Não! Não! Os Espíritos – homens, somos desde natos. Cada Ser vivo só progride na sua espécie e em sua essência. O homem não foi jamais outro Ser, senão homo”.


No que Kardec comenta:

-“Seja qual for a diversidade das existências por que passe o nosso Espírito ou nossa Alma, elas pertencem todas à espécie humana; seria um erro supor que, por forçai duma lei progressiva, o Homem haja passado pelos diferentes graus da escala orgânica para chegar ao seu estado atual. Assim, sua Alma não foi inicialmente o Princípio Vital de ínfimos Seres vivos da Biocriação que chegou sucessivamente ao grau superior: ao Homem”.

A alma do homem e o Espírito são duas coisas bem diferentes. A alma do homem é o Espírito encarnado, já dotado de faculdades morais e intelectuais, sempre encarna no corpo humano, jamais no de um animal.

O Espírito é o ser pensante em estado errante, isto é, não encarnado.

A Metempsicose é a transmigração da Alma (Do Espírito Encarnado e já dotado de faculdades morais e intelectuais) para os corpos de animais. A Alma, neste caso, estaria regredindo do Homem para os animais.

A Reencarnação é um progresso incessante, sempre num corpo humano e jamais no de um animal. 


Feito essas observações, vamos analisar toda a questão novamente. 


-Questão 127: “A Alma do homem não teria sido primitivamente o Princípio Vital de ínfimos Seres vivos da Biocriação, que chegou por força da lei progressiva, até o Ser humano, percorrendo os diversos graus da escala orgânica?”


De fato, a Alma do Homem, ou seja, o Espírito encarnado no corpo humano, não foi primitivamente o Princípio Vital de ínfimos seres vivos da criação que chegou por força da lei progressiva até o ser humano percorrendo diversos graus da escala orgânica. Quem percorreu os diversos graus da escala orgânica, até o ser humano, foi o Espírito, quando estava no estado de Princípio Inteligente. A Alma do Homem é o Espírito já na condição humana e dotados de faculdades morais e intelectuais desenvolvidas, logo ele não retrocede.

O próprio Espírito, que respondeu Kardec, disse isso. Ele disse: "Não! Não!" Os Espíritos. Isto é, a Alma do homem, Não!... os Espíritos, que percorreram os diversos graus da escala orgânica até o ser humano!.

Se a alma do homem, ou seja, o Espírito encarnado, dotado de faculdades intelectuais e morais avançadas, tivesse percorrido os diversos graus inferiores da escala orgânica, teríamos ai a transmigração da Alma para os animais, de um Espírito dotado de faculdades morais e intelectuais, para os corpos dos seres inferiores. Isso é a Metempsicose. O que percorreu esses estágios inferiores até o homem, foi o Princípio Inteligente, ou o Espírito. Na resposta o Espírito diz isso. Ele diz: Não! Não!, os Espírito. Ou seja, quem percorreu esses degraus inferiores foi o Espírito, e não a Alma, porque a Alma já é um Espírito encarnado na espécie humana e dotado de faculdades morais e intelectuais.


Continuando a resposta dada pelo Espírito, ele responde que Homens somos desde natos. Cada Ser vivo só progride na sua espécie e em sua essência. O homem não foi jamais outro Ser, senão homo”.

Com certeza absoluta. Nunca o homem foi macaco, nunca o homem foi peixe, nunca o homem foi outra espécie, a não ser homem. Homem somos desde natos, assim como macacos são macacos desde natos, e elefantes são elefantes desde natos. Por outro lado, o Espírito, o ser pensante, no estado de Princípio inteligente em desenvolvimento, passou por diversos estágios dos seres inferiores da criação, até chegar ao homem. Somente após desenvolver suas faculdades morais e intelectuais, e seu livre-arbítrio, é que ele teve condições de encarnar em corpos humanos. Antes desse estado ele só podia encarnar em corpos de animais.

Vamos agora examinar o comentário de Kardec:

-“Seja qual for a diversidade das existências por que passe o nosso Espírito ou nossa Alma, elas pertencem todas à espécie humana; seria um erro supor que, por força duma lei progressiva, o Homem haja passado pelos diferentes graus da escala orgânica para chegar ao seu estado atual. Assim, sua Alma não foi inicialmente o Princípio Vital de ínfimos Seres vivos da Biocriação que chegou sucessivamente ao grau superior: ao Homem”.

Kardec está confirmando o que foi dito acima. Que "seja qual for a diversidade das existências por que passe o NOSSO Espírito ou a NOSSA alma, elas pertencem todas à espécie humana", ou seja, todas as existências que passou o NOSSO Espírito (e não o espírito dos animais) foram todas na espécie humana, visto que o NOSSO Espírito é um Espírito humano, que pertence apenas à espécie humana... e, portanto, "seria um erro supor que, por força duma lei progressiva, o Homem haja passado pelos diferentes graus da escala orgânica para chegar ao seu estado atual". Consequência lógica do que foi dito, porque o Espírito Humano é um ser já dotado de faculdades morais e intelectuais avançadas, e portanto só pode encarnar na espécie humana. Seria um erro supor que ele haja passado por outras espécies. Se o Espírito humano tivesse encarnado em outras espécies, que não a Homo, ele retrocederia, porque teria que encarnar em corpos de animais. Isso seria a própria Metempsicose: A transmigração da Alma (O Espírito encarnado) para o corpo dos animais.


Em seguida Kardec diz: "Assim, sua Alma não foi inicialmente o Princípio Vital de ínfimos Seres vivos da Biocriação que chegou sucessivamente ao grau superior: ao Homem”..

Aqui fica claro. Kardec perguntou sobre o Princípio Vital, e não sobre o Princípio Inteligente. A alma do homem não foi inicialmente o Princípio Vital de ínfimos Seres vivos da criação. O Espírito que foi inicialmente o Princípio Inteligente de ínfimos seres vivos da criação, que chegou sucessivamente ao grau superior: ao Homem. O princípio vital diz respeito apenas ao corpo humano. O princípio inteligente diz respeito ao Espírito.


Título: Re: A questão que dividiu os espiritas: Q.127 da 1ª Ed do Livro Dos Espíritos
Enviado por: HamLacerda em 24 de Abril de 2017, 06:37
Agora vamos examinar a questão 610 da segunda edição.

610- LE Os espíritos que disseram que o homem é um ser a parte na ordem da Criação enganaram-se, então?

_ Não, mas a questão não havia sido desenvolvida e há coisas que não podem vir senão a seu tempo. O homem é, de fato, um ser a parte porque tem faculdades que o distinguem de todos os outros e tem outro destino. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que o podem conhecer.


kardec pergunta se os espíritos se enganaram ao dizer que o homem é um ser a parte na ordem da Criação.

O Espírito responde que não. Que o homem é, de fato, um ser a parte porque tem faculdades que o distinguem de todos os outros e tem outro destino. Que a espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que o podem conhecer.

De fato, não houve nenhum engano, porque o homem é um ser a parte na ordem da Criação. Somente os corpos humanos é que podem receber espíritos com faculdades que podem conhecer Deus. Os Espíritos que chegaram no grau humano, isto é, dotados de faculdades morais, de consciência de si mesmos, de inteligência capaz de raciocinar, de livre-arbítrio, faculdades que os qualificam como Espírito humanos, e não mais como Espíritos de animais, tem agora um outro destino do Espírito dos animais, o de conhecer Deus. O destino do Espírito dos animais é desenvolver até adquirir essas faculdades para que possam ser qualificados como Espíritos humanos, e então poder encarnar na espécie humana. Assim que o Espírito dos animais se torna Espírito Humano, ele inicia um novo destino, o de tornar Espírito puro e poder conhecer Deus. Por essa razão que o homem é um ser a parte na ordem da Criação.



O que aconteceu é que a palavra Alma não foi entendida da mesma forma por todos os Espíritos. Antes do espiritismo, a palavra Alma tinha diversos significados. Kardec também se complicou muito, porque ele deu diversos significados para a palavra Alma. Alma espírita, alma dos animais, Alma do homem, Alma vital, alma intelectual, alma inteligente, o princípio vital e o princípio inteligente também eram chamados por alma. Todos esses termos foram usados na Doutrina em diferentes épocas. No final ficou aceito Alma como um sendo o Espírito encarnado.

Os espíritos certamente se confundiram com todos esses termos, e portanto não se enganaram, como achou Kardec. Por essa razão que o Espírito disse que a questão tinha sido pouco desenvolvida. 




Agora vejam o que Kardec diz sobre a confusão com o termo Alma:

Há outra palavra acerca da qual importa igualmente que todos se entendam, por constituir um dos fechos de abóbada de toda doutrina moral, e por ser objeto de inúmeras controvérsias, à falta de uma acepção bem determinada. É a palavra alma. A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém da aplicação particular que cada um dá a esse termo. Uma língua perfeita, em que cada idéia fosse expressa por um termo próprio, evitaria muitas discussões; com uma palavra para cada coisa todos se entenderiam. 
Título: Re: A questão que dividiu os espiritas: Q.127 da 1ª Ed do Livro Dos Espíritos
Enviado por: HamLacerda em 24 de Abril de 2017, 15:36
Vejam agora essa questão onde Kardec diz que nem todos os Espíritos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais.

É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. O segundo é mais conforme à dignidade do homem e pode resumir-se da maneira seguinte:

Kardec começa dizendo que "Segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação." Esse é o conceito correto da reencarnação, e esses Espíritos que disseram isso estavam certos.

"Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes."

Neste caso os Espíritos estavam combatendo a Metempsicose, o conceito de que a Alma do homem transmigra para os corpos dos animais. Como eu já expliquei logo acima, o Alma do homem pertence sempre à raça humana, e nunca passou pela fieira animal, porque a Alma do Homem só encarna na espécie humana. A Alma do homem é um Espírito já avançado em faculdades morais e intelectuais, logo ele não pode voltar a encarnar nas espécies inferiores. A partir do momento que ele chega no grau humano, ele só encarna na espécie humana, porque ele se tornou um espírito humano.

Vejam que não houve nenhuma contradição. Os espíritos apenas estavam falando de coisas diferentes. Uns falavam da Princípio inteligente, para ensinar o processo de encarnação, e outros estavam combatendo a Metempsicose, de que a Alma do homem, ou seja, o Espírito já adiantado em faculdades morais e intelectuais, nuca passou pelos seres inferiores da criação, porque seria regredir. Isso é a própria Metempsicose.



Título: Re: A questão que dividiu os espiritas: Q.127 da 1ª Ed do Livro Dos Espíritos
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 24 de Abril de 2017, 19:57
Excelente assunto
Vou reler mais vezes

Da-se um excelente artigo
em instrução e em orientação
Título: Re: A questão que dividiu os espiritas: Q.127 da 1ª Ed do Livro Dos Espíritos
Enviado por: lconforjr em 24 de Abril de 2017, 22:22
Amigos,  e amigo Moisés, no meu OLE essa questão 127, é totalmente diferente da que as msgs de Moisés citam. Assim, de acordo com a edição de OLE que possuo, posso dizer que não compreendo porq surgiu essa dúvida, se o próprio OLE afirma que os animais vêm do mesmo Princípio Inteligente que os homens; que  apenas estão num nível inferior de evolução.
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Título: Re: A questão que dividiu os espiritas: Q.127 da 1ª Ed do Livro Dos Espíritos
Enviado por: HamLacerda em 24 de Abril de 2017, 23:20
Amigos,  e amigo Moisés, no meu OLE essa questão 127, é totalmente diferente da que as msgs de Moisés citam. Assim, de acordo com a edição de OLE que possuo, posso dizer que não compreendo porq surgiu essa dúvida, se o próprio OLE afirma que os animais vêm do mesmo Princípio Inteligente que os homens; que  apenas estão num nível inferior de evolução.
.

Olá, amigo lconforjr

Essa questão 127 a que me refiro, está na primeira edição publicada do Livro dos Espíritos.

Aqui você pode baixar o pdf da primeira edição. (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL2J2ZXNwaXJpdGEuY29tL08lMjBQcmltZWlybyUyMExpdnJvJTIwZG9zJTIwRXNwaXJpdG9zJTIwLSUyMFBhcnRlJTIwSSUyMChDYW51dG8lMjBkZSUyMEFicmV1KS5wZGY=) Eu só consegui encontrar a primeira parte de quatro, mas é fácil encontrar na net o pdf do livro completo. Qualquer coisa, se o amigo tiver interesse, me mande uma mensagem que eu tenho o pdf da edição completa aqui no hd.


Sim, companheiro, os animais vêm do mesmo Princípio Inteligente que os homens, que apenas estão num nível inferior de evolução. Mas essa questão 127 fala do Espírito encarnado, isto é, se a Alma do homem não teria sido primitivamente o Princípio Vital de ínfimos Seres vivos da criação, que chegou por força da lei progressiva, até o Ser humano, percorrendo os diversos graus da escala orgânica. Não, não foi a Alma que percorreu esses diversos graus da escala orgânica. Foi o Espírito, ou melhor, o Princípio Inteligente, que percorreu esses graus até o Ser humano.

Kardec está perguntando se a Alma teria passado pelos diferentes graus inferiores da criação. A alma do homem já é um espírito dotado de qualidades morais e intelectuais. É o mesmo que ter perguntado se o Espírito, já dotado de faculdades morais e intelectuais, de livre-arbítrio e da capacidade de raciocinar, se nesse estado já avançado, se ele teria passado pelos diferentes graus inferiores. Não.. Isso seria a metempsicose.

Foi o Espírito, no seu estado de Princípio Inteligente, que passou por esses degraus inferiores até o homem.

O problema é que um é a doutrina da reencarnação e o outro a doutrina da Metempsicose. Quando se fala de Alma, naturalmente está falando do Espírito encarnado na espécie humana, dotado de faculdades morais e intelectuais. Se esse Espírito tivesse que encarnar nos corpos inferiores, ele estaria regredindo. Nesse sentido é a metempsicose. Já quando se fala que o Espírito (não o Espírito encarnado) passou pelos graus inferiores, ai já está falando tanto do Princípio inteligente como do Espírito. Nesse sentido é a reencarnação no sentido progressiva, isto é, do Princípio Inteligente ao Homem.
Título: Re: As diferenças entre a Metempsicose e a Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 25 de Abril de 2017, 13:31
Olá pessoal

Eu fiz algumas alterações nos textos para ficar mais fácil de entender. Quem não entendeu quando leu pela primeira vez, por favor, leia novamente. Entender bem esse assunto vai fazer com que vocês entendam muito melhor a doutrina.

Quem tiver alguma dúvida é só perguntar.


Hamlacerda 
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 25 de Abril de 2017, 13:53
Essa questão explica exatamente a questão 127 da primeira edição.



12. Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem?

“Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.” (118)

613. Embora de todo errônea, a idéia ligada à metempsicose não terá resultado do sentimento intuitivo que o homem possui de suas diferentes existências?

“Nessa, como em muitas outras crenças, se depara esse sentimento intuitivo. O homem, porém, o desnaturou, como costuma fazer com a maioria de suas idéias intuitivas.”

Seria verdadeira a metempsicose, se indicasse a progressão da alma, passando de um estado inferior a outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos que lhe transformassem a natureza. É, porém, falsa no sentido de transmigração direta da alma do animal para o homem e reciprocamente, o que implicaria a idéia de uma retrogradação, ou de fusão. Ora, o fato de não poder semelhante fusão operar-se entre os seres corporais das duas espécies mostra que estas são de graus inassimiláveis, devendo dar-se o mesmo com relação aos Espíritos que as animam. Se um mesmo Espírito as pudesse animar alternativamente, haveria, como conseqüência, uma identidade de natureza, traduzindo-se pela possibilidade da reprodução material. A reencarnação, como os Espíritos a ensinam, se funda, ao contrário, na marcha ascendente da Natureza e na progressão do homem, dentro da sua própria espécie, o que em nada lhe diminui a dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que ele faz das faculdades que Deus lhe outorgou para que progrida. Seja como for, a ancianidade e a universalidade da doutrina da metempsicose, assim como a circunstância de a terem professado homens eminentes, provam que o princípio da reencarnação se radica na própria Natureza. Antes, pois, constituem argumentos a seu favor, que contrários a esse princípio.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 26 de Abril de 2017, 15:29
Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano.


"Qual a origem
do Espírito? Onde o seu ponto inicial? Forma-se do princípio
inteligente individualizado? Tudo isso são mistérios que fora inútil
querer devassar e sobre os quais, como dissemos, nada mais
se pode fazer do que construir sistemas."


Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem
e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como
muitas outras coisas, cujo conhecimento atual nada importa ao
nosso progresso e sobre as quais seria inútil determo-nos.


Muito arriscado é cravar uma afirmação definitiva nessa questão.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Abril de 2017, 15:32
Amigos,  e amigo Moisés, no meu OLE essa questão 127, é totalmente diferente da que as msgs de Moisés citam. Assim, de acordo com a edição de OLE que possuo, posso dizer que não compreendo porq surgiu essa dúvida, se o próprio OLE afirma que os animais vêm do mesmo Princípio Inteligente que os homens; que  apenas estão num nível inferior de evolução.
.

Segundo alguns trabalhos que o Fórum me permite realizar
ele consta de mensagens vinda dos espíritos...
E também de algumas atividades mediunicas que me envolvo
Isso pela espontaneidade dos mesmos espíritos ou pela integração que eles exercem em alguns trabalhos que acabo me envolvendo

O trabalho do amigo HamLacerda
Atende para um trabalho de pesquisa na Doutrina
E para apresentação das conclusões que o mesmo amigo alcança

Assim entendo
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Abril de 2017, 15:34
Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano.



Parece-me se me lembro bem
Kardec coloca nesta colocação acima
a opinião de alguns pensadores e não da DE
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 26 de Abril de 2017, 16:03
Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano.



Parece-me se me lembro bem
Kardec coloca nesta colocação acima
a opinião de alguns pensadores e não da DE

Não. A opinião é do pensador Kardec mesmo.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 26 de Abril de 2017, 17:05
Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano.


"Qual a origem
do Espírito? Onde o seu ponto inicial? Forma-se do princípio
inteligente individualizado? Tudo isso são mistérios que fora inútil
querer devassar e sobre os quais, como dissemos, nada mais
se pode fazer do que construir sistemas."


Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem
e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como
muitas outras coisas, cujo conhecimento atual nada importa ao
nosso progresso e sobre as quais seria inútil determo-nos.


Muito arriscado é cravar uma afirmação definitiva nessa questão.


O Colega omitiu o parágrafo anterior.

Essa não é a opinião nem de Kardec e nem dos Espíritos da codificação. Ele estava falando sobre o que os Espíritos, de diferentes centros e de diferentes épocas, ensinaram sobre a origem dos espíritos e da reencarnação, ou das teorias que eles formularam. Esses ensinos deram origem a dois sistemas: segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal.

Quando Kardec formula este pensamento "O primeiro desses sistemas tem a vantagem de dar um objetivo ao futuro dos animais, que formariam assim os primeiros anéis da cadeia dos seres pensantes; o segundo está mais de acordo com a dignidade do homem e pode se resumir no seguinte modo:"... Kardec não tinha dúvidas de que o primeiro sistema está de acordo com o ensino dos Espíritos da Codificação, porque isso já tinha sido esclarecido no capítulo anterior, nas questões 607 a 610.  O que ele disse sobre o segundo sistema, foi que está mais "de acordo com a dignidade do homem", ele estava falando da humilhação e orgulho do homem que não aceita o primeiro sistema.


O capítulo anterior fala sobre os animais e o homem.

Este capítulo é sobre a Metempsicose


Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 26 de Abril de 2017, 17:10
Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano.



Parece-me se me lembro bem
Kardec coloca nesta colocação acima
a opinião de alguns pensadores e não da DE

Não. A opinião é do pensador Kardec mesmo.

Não. A opinião não é do pensador Kardec. Foram de outros Espíritos que deram comunicações em outros centros, ou de Espíritos da Antiguidade, que ensinaram isso em diferentes épocas.

Releia novamente e preste atenção nos títulos dos Capítulos. Esse também é sobre a Metempsicose.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 26 de Abril de 2017, 17:38
Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano.



Parece-me se me lembro bem
Kardec coloca nesta colocação acima
a opinião de alguns pensadores e não da DE

Não. A opinião é do pensador Kardec mesmo.

Não. A opinião não é do pensador Kardec. Foram de outros Espíritos que deram comunicações em outros centros, ou de Espíritos da Antiguidade, que ensinaram isso em diferentes épocas.

Releia novamente e preste atenção nos títulos dos Capítulos. Esse também é sobre a Metempsicose.

Então a sua versão de O Livro dos Espíritos é diferente da minha. Mas nessa versão digital é possível conferir que se trata de uma observação de Kardec e que não faz referência a pensador ou Espírito algum.

http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/135.pdf

Quanto a sua mensagem anterior, não muda nada, pelo contrário, reafirma que qualquer teoria é simples chute, palpite, hipótese e que não existe consolidação doutrinária para afirmar-se nada.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 26 de Abril de 2017, 18:16

Então a sua versão de O Livro dos Espíritos é diferente da minha. Mas nessa versão digital é possível conferir que se trata de uma observação de Kardec e que não faz referência a pensador ou Espírito algum.

http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/135.pdf


É a mesma versão.

O ponto inicial do Espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. Dado não é ao homem conhecê-las de modo absoluto, nada mais lhe sendo possível a tal respeito do que fazer suposições, criar sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios Espíritos longe estão de tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas.


Não foram os Espíritos da Codificação porque os Espíritos da Codificação não emitem opiniões pessoais acerca daquilo que não sabem. O amigo deveria saber disso. Se Kardec disse isso, foi porque ele estava falando de outros Espíritos, e não dos espíritos da codificação. Os espíritos da codificação também não divergiram sobre esse ponto. As pessoas que interpretam que eles divergiram, estão confundindo a Alma, isto é, o Espírito encarnado, dotado de faculdades morais e intelectuais, e que só encarna na espécie humana, com o princípio Inteligente. Isso acontece em todas as questões sobre a Metempsicose e sobretudo na questão 127 da primeira edição.


Essa questão é a questão 613, e está no capítulo sobre a Metempsicose. Duas questões atrás, na questão 607, o Espírito já havia dito que o "princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida; que, de certo modo, é um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito."

607. Dissestes (190) que o estado da alma do homem, na sua origem, corresponde ao estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e se ensaia para a vida. Onde passa o Espírito essa primeira fase do seu desenvolvimento?

“Numa série de existências que precedem o período a que chamais humanidade.”

a) – Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não?

“Já não dissemos que tudo na Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme já dissemos. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período humano, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar da sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas.”

Não há a menor possibilidade de Kardec ter se referido aos Espíritos da Codificação na questão 613, no capítulo sobre a Metempsicose. Seria muita contradição com a questão 607.


Se vocês interpretam a codificação vendo contradições desse tipo, entre os Espíritos, então cada um deve acreditar apenas naquilo que convém, e não no que os espíritos dizem, porque não há nenhuma forma de saber qual espírito da codificação tem mais razão, se houver contradição entre eles.


Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 26 de Abril de 2017, 18:33
Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano.



Parece-me se me lembro bem
Kardec coloca nesta colocação acima
a opinião de alguns pensadores e não da DE

Não. A opinião é do pensador Kardec mesmo.

Creio que Kardec faz uma explanações
de sistemas
de formas de se pensar
ou que se pensava
tanto que expõe um como outro

Agora posso estar equivocado sim

Vejamos se entendi bem:

É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma
forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais.
Segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão
depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus
dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do
homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela
fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem
de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então
os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. O segundo é
mais conforme à dignidade do homem e pode resumir-se da
maneira seguinte:
As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano. Cada espécie constitui, física e
moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haure
na fonte universal a quantidade do princípio inteligente que
lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de seus órgãos
com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza,
quantidade que ele, por sua morte, restitui ao reservatório
donde a tirou. Os dos mundos mais adiantados que o nosso (ver
nº 188) constituem igualmente raças distintas, apropriadas às
necessidades desses mundos e ao grau de adiantamento dos homens,
cujos auxiliares eles são, mas de modo nenhum procedem
das da Terra, espiritualmente falando. Outro tanto não se dá com
o homem. Do ponto de vista físico, este forma evidentemente um
elo da cadeia dos seres vivos; porém, do ponto de vista moral, há,
entre o animal e o homem, solução de continuidade..."
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 26 de Abril de 2017, 19:33
HamLacerda, não há contradição alguma.

O grafite e o diamante são formados do mesmo elemento químico, no entanto são minerais completamente distintos. Não possuem o mesmo valor e propriedades. O diamente e o grafite e todo os outros produtos matériais são derivações do átomo elementar e nem por isso podemos dizer que o grafite é diamante por serem na origem a mesma coisa.

Em tudo há ligação. O que você quer é dizer peremptoriamente que o Espírito humano já foi primitivo e que estagiou em algum corpo de animal. E isso é uma afirmação que a doutrina não ampara.

Toda esse jogo de palavras só serve para tentar justificar as fantasias adreluizianas de animais no além.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 26 de Abril de 2017, 20:00
HamLacerda, não há contradição alguma.

Em tudo há ligação. O que você quer é dizer peremptoriamente que o Espírito humano já foi primitivo e que estagiou em algum corpo de animal. E isso é uma afirmação que a doutrina não ampara.

Toda esse jogo de palavras só serve para tentar justificar as fantasias adreluizianas de animais no além.

Aponta onde foi que eu quis dizer isso? O tópico inteiro eu estou combatendo essa ideia. Você é que deve ter entendido agora a questão e mudou de opinião, porque hoje, às 11:29, o colega era da opinião de que o princípio inteligente não se torna Espírito.


O Espírito humano e a alma do homem, são a mesma coisa, já que a alma é o Espírito encarnado, isto é, é a Alma do corpo humano, portanto ele não pode ter encarnado em outras espécies, senão teria regredido, uma vez que já está encarnado na espécie humana, já tem faculdades morais e intelectuais avançadas. Já o princípio inteligente, ou seja, o Espírito em sua forma primitiva, passa pelos diversos seres inferiores até o Homem.





HamLacerda, não há contradição alguma.

De fato, só há contradição entre o que você disse e o que os espíritos disseram:


#8 em: Hoje às 11:29 »

Dizer que a Alma nunca foi o princípio vital de ínfimos seres  não prova que o princípio inteligente dos animais transformaram-se em Espíritos.


Resposta dos Espíritos

a) – Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não?

“Já não dissemos que tudo na Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme já dissemos. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período humano, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 26 de Abril de 2017, 20:15
Eu quis dizer que o principio inteligente não reencarna na especie humana porque não é nem mesmo um Espírito como bem define a doutrina.

608. O Espírito do homem tem, após a morte, consciência de
suas existências anteriores ao período de humanidade?

“Não, pois não é desse período que começa a sua vida
de Espírito. Difícil é mesmo que se lembre de suas primeiras
existências humanas, como difícil é que o homem se
lembre dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos
do tempo que passou no seio materno. Essa a razão
por que os Espíritos dizem que não sabem como começaram.”


Nessa fase, a de "princípio inteligente" o ser não é mesmo Espírito, de modo que dizer "Espírito do animal tal" não é o mais correto. A questão 608 deixa isso claro.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 26 de Abril de 2017, 20:36
Eu quis dizer que o principio inteligente não reencarna na especie humana porque não é nem mesmo um Espírito como bem define a doutrina.

Eu não me lembro de visto alguém já ter dito que o princípio inteligente (ainda no estado de P.I, e não de Espírito) encarna na espécie humana. Nem aqui e nem em lugar algum.

O que está parecendo é que o colega não lê atentamente as questões e interpreta as coisas já pensando em atacar ou negar. É por essa razão que toda vez que nós discutimos, você aparece com essas justificativas de que não estava dizendo isso ou aquilo. O que está claro é que você não se preocupa em entender o assunto da primeira vez e fica postando coisas para que nós tenhamos que repetir o mesmo assunto diversas vezes, até  você entender e perceber que foi o que eu estava dizendo o tempo todo.


608. O Espírito do homem tem, após a morte, consciência de
suas existências anteriores ao período de humanidade?

“Não, pois não é desse período que começa a sua vida
de Espírito. Difícil é mesmo que se lembre de suas primeiras
existências humanas, como difícil é que o homem se
lembre dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos
do tempo que passou no seio materno. Essa a razão
por que os Espíritos dizem que não sabem como começaram.”


Nessa fase, a de "princípio inteligente" o ser não é mesmo Espírito, de modo que dizer "Espírito do animal tal" não é o mais correto. A questão 608 deixa isso claro.



Isso porque você não sabia que Kardec usa essa expressão o tempo todo:

Citar
"As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano."

Qualquer um sabe que a alma de um animal não é um Espírito humano. E quando diz "Espírito do animal", ou "Alma do Animal", refere-se unicamente ao Espírito do animal no grau do dos animais, e não no grau humano. Isso é óbvio.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: lconforjr em 26 de Abril de 2017, 20:51
Amigos, lendo uma das msgs iniciais deste tópico, me parece que a primeira, está lá escrito "ser pensante"; qual o significado dessa expressão?


.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 26 de Abril de 2017, 20:55
Já o princípio inteligente, ou seja, o Espírito em sua forma primitiva, passa pelos diversos seres inferiores até o Homem.


Eu também tenho que exaustivamente repetir. Mas isso não é problema:

"As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano."
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 26 de Abril de 2017, 21:13
Já o princípio inteligente, ou seja, o Espírito em sua forma primitiva, passa pelos diversos seres inferiores até o Homem.


Eu também tenho que exaustivamente repetir. Mas isso não é problema:

"As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano."


Claro que as diferentes espécies não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão, Sr Alexandre. Elas procedem da mesma espécie. O homem não procede do macaco, O macaco não procede da galinha, o cachorro não procede do peixe etc. São todos de espécies diferentes.

O Espírito da Ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano, porque isso seria uma evolução em linha reta, uma evolução direta, de uma espécie para outra espécie, sem anéis entre uma e outra.

O Princípio inteligente da Ostra elabora no Filo da Ostra, no Filo Mollusca, passando pelos animais inferiores até os mais superiores, biologicamente falando. Desse modo, o espírito da Ostra um dia pode nascer em polvos, já que os polvos são mais evoluídos biologicamente do que as ostras. Depois que estiver avançado para este Filo, sofre transformação e passa para um Filo de animais mais desenvolvidos biologicamente (talvez depois do classe dos moluscos, passe para o reino dos vertebrados) até entrar em um reino mais evoluído biologicamente. Depois faz esse mesmo caminho na classe de animais dentro desse reino, e desse modo até chegar no homem. Nunca sucessivamente de uma espécie inferior para para uma superior, sem ter passado pelas classes inferiores dos diferentes seres vivos dentro daquela espécie, ou de uma espécie para outra, de um reino para outro, sem ter passado pelos graus inferiores e superiores dessas classes, dessas espécies, e desses reinos.

Esse parágrafo, como eu disse no post anterior, foi de um dos sistemas ou de uma das hipóteses apresentada por Espíritos que não eram da codificação.



Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 26 de Abril de 2017, 21:16
Amigos, lendo uma das msgs iniciais deste tópico, me parece que a primeira, está lá escrito "ser pensante"; qual o significado dessa expressão?



O Espírito já avançado, dotado de qualidades morais e intelectuais avançadas, que encarna apenas na espécie humana.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 28 de Abril de 2017, 12:37
Já o princípio inteligente, ou seja, o Espírito em sua forma primitiva, passa pelos diversos seres inferiores até o Homem.


Eu também tenho que exaustivamente repetir. Mas isso não é problema:

"As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente
umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito
da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano."


Claro que as diferentes espécies não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão, Sr Alexandre. Elas procedem da mesma espécie. O homem não procede do macaco, O macaco não procede da galinha, o cachorro não procede do peixe etc. São todos de espécies diferentes.

O Espírito da Ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano, porque isso seria uma evolução em linha reta, uma evolução direta, de uma espécie para outra espécie, sem anéis entre uma e outra.

O Princípio inteligente da Ostra elabora no Filo da Ostra, no Filo Mollusca, passando pelos animais inferiores até os mais superiores, biologicamente falando. Desse modo, o espírito da Ostra um dia pode nascer em polvos, já que os polvos são mais evoluídos biologicamente do que as ostras. Depois que estiver avançado para este Filo, sofre transformação e passa para um Filo de animais mais desenvolvidos biologicamente (talvez depois do classe dos moluscos, passe para o reino dos vertebrados) até entrar em um reino mais evoluído biologicamente. Depois faz esse mesmo caminho na classe de animais dentro desse reino, e desse modo até chegar no homem. Nunca sucessivamente de uma espécie inferior para para uma superior, sem ter passado pelas classes inferiores dos diferentes seres vivos dentro daquela espécie, ou de uma espécie para outra, de um reino para outro, sem ter passado pelos graus inferiores e superiores dessas classes, dessas espécies, e desses reinos.

Esse parágrafo, como eu disse no post anterior, foi de um dos sistemas ou de uma das hipóteses apresentada por Espíritos que não eram da codificação.

A sua especulação é exatamente o oposto da codificação. Se ao menos trouxesse alguma evidência de um livro doutrinário ao invés de uma obra mediúnica qualquer, seu argumento não seria tão frágil, mas não seria definitivo tampouco.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 28 de Abril de 2017, 13:38

A sua especulação é exatamente o oposto da codificação. Se ao menos trouxesse alguma evidência de um livro doutrinário ao invés de uma obra mediúnica qualquer, seu argumento não seria tão frágil, mas não seria definitivo tampouco.



E onde que a doutrina diz o oposto, meu caro?

Em vez de fazer afirmações pra todos os lados, por que o colega não traz os textos para mostrar o oposto? Acaso a maneira do colega ensinar espiritismo é através da fé?

Não me admira o colega pensar assim, já que vê contradição em tudo que os espíritos dizem.



 
Se ao menos trouxesse alguma evidência de um livro doutrinário



Um fato não menos patente que o de que acabamos de falar é que o desenvolvimento orgânico está sempre em relação com o desenvolvimento do princípio inteligente. O organismo se completa à medida que se multiplicam as faculdades da alma. A escala orgânica segue sempre, em todos os seres, a progressão da inteligência, desde o pólipo até o homem. Não poderia ser de outro modo, pois à alma é necessário um instrumento apropriado à importância das funções que ela deve desempenhar. De que serviria à ostra ter a inteligência do macaco, sem os órgãos necessários à sua manifestação?






589. Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, executam movimentos que denotam grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, conforme se observa na segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma armadilha com o fim de capturar e matar aquele inseto. São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a natureza vegetal e a natureza animal? Constituem a transição de uma para outra?

“Tudo na Natureza é transição, por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a outra e, no entanto, todas se prendem umas às outras. As plantas não pensam; por conseguinte carecem de vontade. Nem a ostra que se abre, nem os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego e natural.”




24. Entre o reino vegetal e o reino animal, nenhuma delimitação há nitidamente marcada. Nos confins dos dois reinos estão os zoófitos ou animais-plantas, cujo nome indica que eles participam de um e outro: serve-lhes de traço de união.

Como os animais, as plantas nascem, vivem, crescem, nutrem-se, respiram, reproduzem-se e morrem. Como aqueles, precisam elas de luz, de calor e de água; estiolam-se e morrem, desde que lhes faltem esses elementos. A absorção de um ar viciado e de substâncias deletérias as envenena. Oferecem como caráter distintivo mais acentuado conservarem-se presas ao solo e tirarem dele a nutrição, sem se deslocarem.

O zoófito tem a aparência exterior da planta. Como planta, mantém-se preso ao solo; como animal, a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua alimentação.

Um degrau acima, o animal é livre e procura o alimento: em primeiro lugar, vêm as inúmeras variedades de pólipos, de corpos gelatinosos, sem órgãos bem definidos, só diferindo das plantas pela faculdade da locomoção; seguem-se, na ordem do desenvolvimento dos órgãos, da atividade vital e do instinto, os helmintos ou vermes intestinais; os moluscos, animais carnudos sem ossos, alguns deles nus, como as lesmas, os polvos, outros providos de conchas, como o caracol, a ostra; os crustáceos, cuja pele é revestida de uma crosta dura, como o caranguejo, a lagosta; os insetos, aos quais a vida assume prodigiosa atividade e se manifesta o instinto engenhoso, como a formiga, a abelha, a aranha. Alguns se metamorfoseiam, como a lagarta, que se transforma em elegante borboleta. Vem depois a ordem dos vertebrados, animais de esqueleto ósseo, ordem que abrange os peixes, os répteis, os pássaros; seguem-se, por fim, os mamíferos cuja organização é a mais completa.

25. Se se considerarem apenas os dois pontos extremos da cadeia, nenhuma analogia aparente haverá; mas, se se passar de um anel a outro sem solução de continuidade, chega-se, sem transição brusca, da planta aos animais vertebrados. Compreende-se então a possibilidade de que os animais de organização complexa não sejam mais do que uma transformação, ou, se quiserem, um desenvolvimento gradual, a princípio insensível, da espécie imediatamente inferior e, assim, sucessivamente, até ao primitivo ser elementar. Entre a glande e o carvalho é grande a diferença; entretanto, se acompanharmos passo a passo o desenvolvimento da glande, chegaremos ao carvalho e já não nos admiraremos de que este proceda de tão pequena semente. Ora, se a glande encerra em latência os elementos próprios à formação de uma árvore gigantesca, por que não se daria o mesmo do oução ao elefante? (Nº 23.)

De acordo com o que fica dito, percebe-se que não exista geração espontânea senão para os seres orgânicos elementares; as espécies superiores seriam produto das transformações sucessivas desses mesmos seres, realizadas à proporção que as condições atmosféricas se lhes foram tornando propícias. Adquirindo cada espécie a faculdade de reproduzir-se, os cruzamentos acarretaram inúmeras variedades. Depois, uma vez instalada em condições favoráveis, quem nos diz que os germens primitivos donde ela surgiu não desapareceram para sempre, por inúteis? Quem nos diz que o nosso oução atual seja idêntico ao que, de transformação em transformação, produziu o elefante? Explicar-se-ia assim porque não há geração espontânea entre os animais de complexa organização.

Esta teoria, sem estar admitida ainda, de maneira definitiva, é a que tende evidentemente a predominar hoje na Ciência. Os observadores sérios aceitam-na como a mais racional.





Agora traz suas evidências contrárias de um livro doutrinário do que foi exposto.


Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 28 de Abril de 2017, 20:21
Hipóteses defendidas com muita paixão podem cegar. Ainda mais quando se pretende salvar toda uma narrativa mediúnica para não admitir ter sigo enganado.

A alfabetização não significa apenas ler e escrever, mas além, entender o que se escreve e o que se lê. Adicionada a paixão, muitas induções ou deduções são apressadamente são formuladas.

Já que deseja algo mais detalhado, vamos lá.

Primeiramente, o trecho retirado da Revista Espírita de 1868 esta a refutar a tese de que a Terra teria uma alma. Apesar do assunto não ser o mesmo que o nosso não reside aí o problema de interpretação. O artigo é muito interessante, e antes de analisar o trecho selecionado por você, existe um muito pertinente:

“Esta questão prejulga uma outra: A Terra é um ser
vivo? Sabemos que certos filósofos, mais sistemáticos do que
práticos, consideram a Terra e todos os planetas como seres
animados, fundando-se no princípio de que tudo vive em a
Natureza, desde o mineral até o homem. Antes de mais, cremos
que há uma diferença capital entre o movimento molecular de
atração e de repulsão, de agregação e de desagregação do mineral e
o princípio vital da planta; há aí efeitos diferentes, que acusam
causas diferentes ou, pelo menos, uma profunda modificação na
causa primeira, se esta for única. (A Gênese, cap. X, nos 16 a 19.)”

Esse trecho é importante porque acaba com a ideia ridícula Leon Denis escreveu, como outras tantas, que os espíritas repetem sem pensar e que de certo modo corrobora todas as teses fantásticas subsequentes. E ainda diziam que Leon Denis seria o substituto natural de Kardec. Na época de Leon Denis o Espiritismo simplesmente desapareceu da França.

“Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente”

A visão de Leon Denis é muito simplista, como a da maioria do espíritas,  e deseja resolver todas as questões com chavões e slogans.

A palavra “ridículo” lhe pareceu muito agressivo, vejamos o que Kardec nos diz:

“Teriam acusado o Espiritismo de dar crédito a
idéias ridículas e nós mesmos por não sabermos distinguir o
verdadeiro do falso.”

Passemos ao parágrafo mencionado por HamLacerda:
“Um fato não menos patente que o de que acabamos de
falar é que o desenvolvimento orgânico está sempre em relação
com o desenvolvimento do princípio inteligente. O organismo se
completa à medida que se multiplicam as faculdades da alma. A
escala orgânica segue constantemente, em todos os seres, a
progressão da inteligência, desde o pólipo até o homem, e não
poderia ser de outro modo, desde que à alma é necessário um
instrumento apropriado à importância das funções que deve
desempenhar. De que serviria à ostra ter a inteligência do macaco,
sem os órgãos necessários à sua manifestação?”
Kardec já descartou o reino animal do desenvolvimento do princípio inteligente, entretanto, tanto pelo contexto, quanto pela referência ao capítulo X de A Gênese, Kardec escreve sobre o desenvolvimento orgânico. Apressadamente, a frase “desde o pólipo até o homem” pode parecer que o principio inteligente estagia desde o pólipo, evoluindo por todos os outros seres, e chegando finalmente ao homem, como se fosse o ponto final. Não há nada de estágio mas apenas a menção de cada espécie tem alma que lhe é apropriada, ou vice e versa, seja o pólipo, a ostra, o pássaro, isso até o homem.
Se essa explicação não parece suficiente, vejamos o capítulo XI de A Gênese:
Hipótese sobre a origem do corpo humano.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 28 de Abril de 2017, 20:22
Se essa explicação não parece suficiente, vejamos o capítulo XI de A Gênese:
Hipótese sobre a origem do corpo humano

15. Da semelhança, que há, de formas exteriores entre o corpo do
homem e o do macaco, concluíram alguns fisiologistas que o primeiro
é apenas uma transformação do segundo. Nada aí há de impossível,
nem o que, se assim for, afete a dignidade do homem. Bem pode dar-se
que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros Espíritos
humanos, forçosamente pouco adiantados, que viessem encarnar na
Terra, sendo essa vestidura mais apropriada às suas necessidades e mais
adequadas ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer
outro animal. Em vez de se fazer para o Espírito um invólucro especial,
ele teria achado um já pronto. Vestiu-se então da pele do macaco, sem
deixar de ser Espírito humano, como o homem não raro se reveste da
pele de certos animais, sem deixar de ser homem.

Fique bem entendido que aqui unicamente se trata de uma hipótese,
de modo algum posta como princípio, mas apresentada apenas para
mostrar que a origem do corpo em nada prejudica o Espírito, que é o ser
principal, e que a semelhança do corpo do homem com o do macaco não
implica paridade entre o seu Espírito e o do macaco.
A questão 589 não colabora com a interpretação pretendida, pelo contrário, diz mui claramente que tudo se encadeia sem ser a mesma coisa.
Os demais textos copiados por HamLacerda dizem respeito exclusivamente à gênese orgânica. Capítulo X, Gênese orgânica, de A Gênese, especificamente no item Escala dos seres orgânicos e não trata da gênese espiritual.
A Revista Espírita, em seu ano de 1860, no artigo Os Animais, uma comunicação, onde há uma longa comunicação, seguida de um interrogatório, com a participação de São Luis e posterior e preciosa observação de Kardec que serve para a investigação espírita através da mediunidade, inclusive pra analisar as obras pseudo-sábias de André Luiz.
“Nos mundos adiantados os animais são de tal modo
superiores que, para eles, a mais rigorosa ordem é dada pela palavra,
e entre vós, muitas vezes, a pauladas. Em Júpiter, por exemplo,
basta uma palavra, enquanto entre vós as chicotadas não são
suficientes. Todavia, há um sensível progresso em vossa Terra,
jamais explicado: é que o próprio animal se aperfeiçoa. Assim,
outrora, o animal era muito mais rebelde ao homem. Também há
progresso de vossa parte, por terdes instintivamente compreendido
esse aperfeiçoamento dos animais, pois que vos proibis de baterlhes.
Eu dizia que há progresso moral no animal. Há também
progresso de condição. Assim, um infeliz cavalo açoitado, ferido
por um carroceiro mais bruto que ele, estará, comparativamente,
numa condição muito mais tranqüila, mais feliz que a de seu
carrasco. Não é de toda justiça, e devemos nos admirar de que um
animal que sofre, que chora, que é reconhecido ou vingativo,
conforme a doçura ou a crueldade de seus donos, seja
recompensado por haver pacientemente suportado uma vida
repleta de torturas? Antes de tudo, Deus é justo e todas as suas
criaturas estão sob suas leis, e estas dizem: “Todo ser fraco que tiver
sofrido será recompensado.” Sempre comparativamente ao
homem, entendo, e ouso acrescentar, para terminar, que o animal,
em muitas circunstâncias, tem mais alma e mais coração que o
homem.”
“A superioridade do homem se manifesta em vosso
globo por essa elevação da inteligência que dele faz o rei da Terra.
Ao lado do homem, o animal é muito fraco, muito insignificante e,
pobre cativo dessa terra de provação, muitas vezes tem que
suportar os caprichos cruéis de seu tirano: o homem! A antiga
metempsicose era uma lembrança muito confusa da reencarnação
e, no entanto, essa doutrina não passa de crença popular. Os
grandes Espíritos admitiam a reencarnação progressiva. A massa
ignorante, não compreendendo como eles o Universo, dizia
naturalmente: Já que o homem reencarna, isto não pode ocorrer
senão na Terra; então sua punição, seu tártaro, sua provação é a
vida no corpo de um animal; absolutamente como na Idade Média
os cristãos diziam: É no grande vale que se dará o julgamento, após
o que os danados irão para o interior da terra, queimar-se em suas
entranhas.”
“Crendo na metempsicose, os Antigos acreditavam,
portanto, em espíritos de animais, já que admitiam a passagem da
alma humana para corpos de animais. Pitágoras lembrava-se de sua
antiga existência e reconhecia o escudo que usava no cerco de
Tróia. Sócrates morreu predizendo sua nova vida.
Desde que, como vos disse, tudo é progresso no
Universo, desde que as leis de Deus não são e não podem ser senão
leis do progresso, do ponto de vista em que estais, do ponto de
vista de vossas tendências espiritualistas, não admitir o progresso
do que está abaixo do homem seria um contra-senso, uma prova de
ignorância ou de completa indiferença.”
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 28 de Abril de 2017, 20:24
824. Se examinarmos a série dos seres vivos encontraremos
uma cadeia ininterrupta, desde a madrépora, a própria planta,
até o animal mais inteligente. Mas entre o animal mais inteligente e
o homem há uma evidente lacuna, que em algum lugar deve ser
preenchida, pois a Natureza não deixa elos vazios. Donde vem essa
lacuna?

Resp. – Essa lacuna dos seres é apenas aparente; não
existe na realidade. Ela provém de raças desaparecidas. [São Luís].

9. Tal lacuna pode existir na Terra, mas certamente não
existe no conjunto do Universo e deve ser preenchida em alguma
parte. Não o seria por certos animais de mundos superiores que,
como os de Júpiter, por exemplo, parecem aproximar-se muito do
homem terreno pela forma, pela linguagem e por outros sinais?

Resp. – Nas esferas superiores o germe surgido da terra
desenvolveu-se e jamais se perde. Tornando-vos Espíritos,
reencontrareis todos os seres criados e desaparecidos nos cataclismos
do vosso globo. [São Luís].

11. Falais de recompensas para os animais que sofrem
maus-tratos e dizeis que é de toda justiça que haja compensação
para eles. Parece, de acordo com isso, que admitis no animal a
consciência do eu após a morte, com a recordação do seu passado.
Isto é contrário ao que nos foi dito. Se as coisas se passassem como
dizeis, resultaria que no mundo espiritual haveria Espíritos de
animais. Assim, não haveria razão para não existirem o das ostras.
Podeis dizer se vedes em torno de vós Espíritos de cães, gatos,
cavalos ou elefantes, como vedes Espíritos humanos?



Resp. – A alma do animal – tendes perfeitamente razão
– não se reconhece após a morte do corpo; é um conjunto confuso
de germes que podem passar para o corpo de tal ou qual animal,
conforme o desenvolvimento adquirido. Não é individualizada.
Direi, todavia, que em certos animais, entre muitos, mesmo, há
individualidade.
12. Aliás, esta teoria não justifica absolutamente os
maus-tratos dos animais. O homem é sempre culpado por fazer
sofrer um ser sensível qualquer e nos diz a doutrina que por isso ele
será punido. Mas daí a colocar o animal numa posição superior a
ele, há uma grande distância. Que pensais disto?
Resp. – Sim; entretanto, sempre estabeleceis uma escala
entre os animais. Pensais que há distância entre certas raças. O
homem é tanto mais culpado quanto mais poderoso.

14. [A Charlet] Nada temos a dizer sobre este
parágrafo, que nos parece muito racional. Tendes algo a
acrescentar?

Resp. – Apenas isto: os animais têm todas as faculdades
que indiquei, mas neles o progresso se realiza pela educação que
recebem do homem, e não por si mesmos. Abandonado no estado
selvagem, o animal retoma o tipo que tinha ao sair das mãos do
Criador. Submetido ao homem, aperfeiçoa-se; eis tudo.
16. Então em que se torna o princípio inteligente dos
animais mortos?

Resp. – Retorna à massa em que cada novo animal extrai
a porção de inteligência que lhe é necessária. Ora, é principalmente
isso que distingue o homem do animal. O Espírito é
individualizado no homem e progride por si mesmo; é isso que lhe
dá superioridade sobre todos os animais. Eis por que o homem,
mesmo selvagem, como fizestes notar, faz-se obedecer mesmo
pelos animais mais inteligentes.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 28 de Abril de 2017, 20:24
OBSERVAÇÃO GERAL
Do ponto de vista da ciência espírita ressalta dessas
comunicações um importante ensinamento. A primeira coisa que
chama a atenção, ao lê-las, é uma mistura de idéias justas,
profundas, que trazem a marca do observador, ao lado de outras,
evidentemente falsas e fundadas mais na imaginação que na
realidade. Indubitavelmente, Charlet era um homem acima do
vulgo; mas, como Espírito, não é mais universal do que o era em
vida e pode equivocar-se, porque, não sendo ainda bastante
elevado, só considera as coisas de seu ponto de vista. Aliás, só os
Espíritos chegados ao último grau de perfeição estão isentos de
erros; os outros, por melhores que sejam, nem tudo sabem e
podem enganar-se; mas, quando verdadeiramente bons, o fazem de
boa-fé e concordam francamente, ao passo que os outros o fazem
conscientemente e se obstinam nas mais absurdas idéias. É por isso
que nos devemos guardar de aceitar tudo quanto vem do mundo
invisível, sem antes submeter ao controle da lógica. Os Espíritos
bons o recomendam incessantemente e jamais se ofendem com a
crítica, porque, de duas uma: ou estão certos do que dizem e, então,
nada temem, ou não estão seguros e, se têm consciência de sua
insuficiência, eles mesmos buscam a verdade. Ora, se os homens
podem instruir-se com os Espíritos, alguns Espíritos também
podem instruir-se com os homens. Os outros, ao contrário, querem
dominar, esperando que suas utopias sejam aceitas por causa de sua
condição de Espírito. Então, seja presunção de sua parte, seja má
intenção, não suportam a contradição; querem ser acreditados sob
palavra, porque sabem perfeitamente que vão perder no exame.
Ofendem-se à menor dúvida sobre a sua infalibilidade e
soberbamente ameaçam vos abandonar, como indignos de os
ouvir. Assim, só gostam dos que se prostram de joelhos perante
eles. Não há homens assim? E devemos admirar-nos de os
encontrar com suas extravagâncias no mundo dos Espíritos? Nos
homens, um tal caráter é sempre, aos olhos das pessoas sensatas,
indício de orgulho, de vã suficiência, de tola vaidade e, portanto, de
pequenez nas idéias e de falso julgamento. O que seria um sinal de
inferioridade moral nos homens, não poderia ser um sinal de
superioridade nos Espíritos.

O que ainda é próprio desses Espíritos orgulhosos é a
espécie de fascinação que exercem sobre seus médiuns, por meio da
qual algumas vezes os fazem compartilhar dos mesmos
sentimentos. Dizemos de propósito seus médiuns, porque deles se
apoderam e neles querem ter instrumentos que agem de olhos
fechados. De maneira alguma se acomodariam a um médium
perscrutador ou que visse bem claro. Não se dá também o mesmo
entre os homens? Quando o encontram, temendo que lhes escape,
lhe inspiram o afastamento de quem quer que o possa esclarecer.
Isolam-no de certo modo, a fim de poderem agir com inteira
liberdade, ou só o aproximam daqueles de quem nada têm a temer.
E, para melhor lhes captar a confiança, se fazem de bons apóstolos,
usurpando os nomes de Espíritos venerados, cuja linguagem
procuram imitar. Mas, por mais que façam, jamais a ignorância
poderá simular o verdadeiro saber, nem uma natureza má a
verdadeira virtude. O orgulho sempre se mostrará sob o manto de
uma falsa humildade; e porque temem ser desmascarados, evitam a
discussão e afastam seus médiuns.Como acabamos de ver, Charlet se presta de boa
vontade à controvérsia; escuta e admite as objeções, respondendo
com benevolência; desenvolve o que era obscuro e reconhece
lealmente o que não é exato. Numa palavra, não quer passar por
mais sábio do que é, e nisso prova mais elevação do que se
obstinasse nas idéias falsas, a exemplo de certos Espíritos que se
escandalizam ao simples anúncio de que suas comunicações
parecem susceptíveis de comentários.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 30 de Abril de 2017, 19:34

A palavra “ridículo” lhe pareceu muito agressivo, vejamos o que Kardec nos diz:

“Teriam acusado o Espiritismo de dar crédito a
idéias ridículas e nós mesmos por não sabermos distinguir o
verdadeiro do falso.”

Essa frase se encontra em outro artigo, onde Kardec examina as comunicações do Espírito Charlet.. Usa-la fora de contexto é induzir as pessoas ao erro. Ela foi dita porque o Espírito Charlet deu muitas comunicações poéticas, mais preocupado com a beleza do que com a verdade.  Kardec então explica que se ele tivesse publicado essas comunicações do Espírito Charlet, sem ter feito os comentários explicando todas as partes incompreensíveis, os críticos teriam acusado o Espiritismo de dar crédito a idéias ridículas e nós mesmos por não sabermos distinguir o verdadeiro do falso.

Charlet disse que foi arrastado pelo prazer, para ele novo, de escrever belas frases, mesmo com sacrifício da verdade. Que teria acontecido se tivéssemos publicado seu trabalho sem comentários? Teriam acusado o Espiritismo por aceitar ideias ridículas, e a nós mesmos por não sabermos distinguir o verdadeiro do falso.




Passemos ao parágrafo mencionado por HamLacerda:

“Um fato não menos patente que o de que acabamos de
falar é que o desenvolvimento orgânico está sempre em relação
com o desenvolvimento do princípio inteligente. O organismo se
completa à medida que se multiplicam as faculdades da alma. A
escala orgânica segue constantemente, em todos os seres, a
progressão da inteligência, desde o pólipo até o homem, e não
poderia ser de outro modo, desde que à alma é necessário um
instrumento apropriado à importância das funções que deve
desempenhar. De que serviria à ostra ter a inteligência do macaco,
sem os órgãos necessários à sua manifestação?”[/quoote]


Kardec já descartou o reino animal do desenvolvimento do princípio inteligente, entretanto, tanto pelo contexto, quanto pela referência ao capítulo X de A Gênese, Kardec escreve sobre o desenvolvimento orgânico. Apressadamente, a frase “desde o pólipo até o homem” pode parecer que o principio inteligente estagia desde o pólipo, evoluindo por todos os outros seres, e chegando finalmente ao homem, como se fosse o ponto final. Não há nada de estágio mas apenas a menção de cada espécie tem alma que lhe é apropriada, ou vice e versa, seja o pólipo, a ostra, o pássaro, isso até o homem.
Se essa explicação não parece suficiente, vejamos o capítulo XI de A Gênese:
Hipótese sobre a origem do corpo humano.

Então é esse o seu entendimento de todas essas questões sobre o desenvolvimento do Princípio Inteligente?

Deixa eu ver se eu entendi..

No seu entendimento cada espécie tem uma alma que lhe é apropriada, porém, essa alma não evolui do pólipo até o homem, ou seja, a ostra, por exemplo, depois que morre, seu espírito é classificado pelos Espíritos e quase que imediatamente ele encarna novamente em ostras, e assim eternamente. Ou seja, esse espírito fica eternamente nascendo e morrendo em ostras, visto que ele não progride e não desenvolve para outras espécies. O espírito dessa ostra só poderia encarnar, por exemplo, nas espécies Crassostrea gigas (ostra japonesa ou do Pacífico), Crassostrea rhizophorae (ostra do mangue), Crassostrea virginica (ostra norte-americana), Crassostrea angulata (ostra portuguesa), Ostrea edulis (ostra plana chilena) entre outras, mas jamais em outra espécie de molusco, e muito menos de outra espécie fora do filo dos Moluscos.

Vejam novamente o tamanho dessa contradição, porque os Espíritos foram muito claros em dizer que os animais e os homens tiram o Princípio Inteligente da mesma fonte. Ou seja, é o mesmo princípio, porém, no homem passou por uma elaboração. No homem o Princípio Inteligente elaborou e recebeu o Princípio Espiritual.

Não existe um princípio inteligente para os animais e outro para os seres humanos. Todos emanam do mesmo princípio, logo um não pode evoluir enquanto que outro fica no meio do caminho.


No entendimento do Sr. Alexandre, somente o princípio inteligente do homem pode evoluir, enquanto que o dos animais ficam numa espécie de círculo perpétuo de nascimento e morte.

Esse entendimento é tão contraditório, que nem vale a pena a pesquisa mostrando os erros dessa interpretação. Primeiro contradição é que nos mundos superiores os animais também são superiores. Ou seja, segundo o Sr. Alexandre, Deus privilegiou alguns espíritos de animais, enquanto que outros vivem nos mundos inferiores, encrustados eternamente nas rochas.

Vejamos o que dizem os Espíritos:



606. Donde tiram os animais o princípio inteligente que constitui a alma de natureza especial de que são dotados?

“Do elemento inteligente universal.”

a) – Então emanam de um único princípio a inteligência do homem e a dos animais?

“Sem dúvida alguma, porém no homem passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal.”

607. Dissestes (190) que o estado da alma do homem, na sua origem, corresponde ao estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e se ensaia para a vida. Onde passa o Espírito essa primeira fase do seu desenvolvimento?

“Numa série de existências que precedem o período a que chamais humanidade.”

a) – Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não?

“Já não dissemos que tudo na Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme já dissemos. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período humano, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, seria blasfemar da sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas.”
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 30 de Abril de 2017, 19:58
824. Se examinarmos a série dos seres vivos encontraremos
uma cadeia ininterrupta, desde a madrépora, a própria planta,
até o animal mais inteligente. Mas entre o animal mais inteligente e
o homem há uma evidente lacuna, que em algum lugar deve ser
preenchida, pois a Natureza não deixa elos vazios. Donde vem essa
lacuna?

Resp. – Essa lacuna dos seres é apenas aparente; não
existe na realidade. Ela provém de raças desaparecidas. [São Luís].

9. Tal lacuna pode existir na Terra, mas certamente não
existe no conjunto do Universo e deve ser preenchida em alguma
parte. Não o seria por certos animais de mundos superiores que,
como os de Júpiter, por exemplo, parecem aproximar-se muito do
homem terreno pela forma, pela linguagem e por outros sinais?

Resp. – Nas esferas superiores o germe surgido da terra
desenvolveu-se e jamais se perde. Tornando-vos Espíritos,
reencontrareis todos os seres criados e desaparecidos nos cataclismos
do vosso globo. [São Luís].


Mas meu caro, leia novamente.

Ai está falando que entre os animais mais inteligente e o homem há uma evidente lacuna, que em algum lugar deve ser preenchida, pois na Natureza não deixa elos vazios. Kardec então pergunta à São Luis de onde vem essa lacuna entre o homem e os animais mais inteligentes da terra, isto é, os cães, macacos, golfinho, elefantes etc. kardec pergunta se essa lacuna não seria preenchida pelos animais de outros mundos, como os de Júpiter, por exemplo, animais estes que parecem aproximar-se muito do homem terreno pela forma, pela linguagem e por outros sinais.

São Luis então responde que essa lacuna dos seres é apenas aparente; não existe na realidade. Ela provém de raças desaparecidas. Ele diz claramente que nas esferas superiores o germe [princípio inteligente] surgido da terra desenvolveu-se e jamais se perde.

Depois ele diz: "Tornando-vos Espíritos, reencontrareis todos os seres criados e desaparecidos nos cataclismos do vosso globo."

Ou seja, que assim que Kardec desencarnar, ele vai poder encontrar todos esses seres que completam o anel entre os animais mais superiores e os homens, em mundo superiores.





Lembrando das palavras do colega:

Hipóteses defendidas com muita paixão podem cegar. Ainda mais quando se pretende salvar toda uma narrativa mediúnica para não admitir ter sigo enganado.

A alfabetização não significa apenas ler e escrever, mas além, entender o que se escreve e o que se lê. Adicionada a paixão, muitas induções ou deduções são apressadamente são formuladas.



Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 30 de Abril de 2017, 20:37
Essas comunicações do Espírito Charlet, trazidas aqui pelo colega Alexandre, são muito interessantes para entender como Kardec organizou as perguntas e respostas do Livro dos Espíritos.

Vejam nessa resposta, dada pelo Espírito Charlet (um espírito que cometeu diversos erros nas comunicações) que ele diz que o princípio inteligente dos animais volta à massa para formar novos animais, que cada animal toma a porção de inteligência necessária. Isso excluiria qualquer chance do animais terem um princípio inteligente individualizado, já que um animal em formação apenas receberia a porção de inteligência necessária e depois da morte essa porção voltaria à massa para formar novos seres. Ou seja, o ser anterior se perdeu na massa do elemento inteligente.

16. ─ Então em que se torna o princípio inteligente dos animais mortos?

─ Volta à massa em que cada novo animal toma a porção de inteligência que lhe é necessária. Ora, é precisamente isto que distingue o homem do animal. Nele o Espírito é individualizado e progride por si mesmo e é isso que lhe dá superioridade sobre todos os animais. Eis por que o homem, mesmo selvagem, como fizestes notar, se faz obedecer, mesmo pelos mais inteligentes animais.

 

Já no Livro dos Espíritos Kardec transcreveu essa resposta da seguinte forma:

70. Que é feito da matéria e do princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?

"A matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos. O princípio vital volta à massa donde saiu."

Morto o ser orgânico, os elementos que o compõem sofrem novas combinações, de que resultam novos seres, os quais haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, o absorvem e assimilam, para novamente o restituírem a essa fonte, quando deixarem de existir.     


Ou seja, o que volta à massa não é o Princípio Inteligente dos animais, é o Princípio Vital, tanto dos animais como dos homens.




Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 30 de Abril de 2017, 21:48
Entender como Kardec elaborou a doutrina é muito importante para evitar essa quantidade de contradições que o Sr Alexandre, e outros defensores da hipótese de que o princípio inteligente dos animais não se tornam espíritos, tanto cometem.

É preciso pesquisar, examinar, fazer comparações entre uma edição e outra, e sobretudo entender o método de revisão usado por Kardec em diversas Respostas dadas pelos Espíritos na Revista Espírita e que foram fundidas no Livro dos Espíritos.



Vejamos essa questão,  do Capítulo XI - Metempsicose, usada tanto por quem acredita que o principio inteligente não se torna Espírito Humano. Ela inclusive foi usada pelo Sr. Alexandre no início deste tópico para dizer que os Espíritos da Codificação disseram que o segundo sistema é o mais correto. Porém, Kardec não está se referindo aos Espíritos da codificação, ele está se referindo à opinião de diversos pensadores, filósofos e Espíritos, que deram essas comunicações em outros centros. Na verdade, Kardec admite o primeiro sistema, como podemos vê nas questões abaixo.




» O Livro dos Espíritos » Parte Segunda - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos » Capítulo XI - Dos três reinos » Metempsicose »

O ponto inicial do Espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. Dado não é ao homem conhecê-las de modo absoluto, nada mais lhe sendo possível a tal respeito do que fazer suposições, criar sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios Espíritos longe estão de tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas.

É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. O segundo é mais conforme à dignidade do homem e pode resumir-se da maneira seguinte:




A primeira vista, parece que kardec está se referindo aos Espíritos da codificação, mas examinando atentamente e comparando com outras questões, vemos que, na verdade, Kardec está combatendo o segundo sistema e admitindo o primeiro, como podemos vê abaixo:




» A Gênese » A Gênese segundo o Espiritismo » Capítulo XI - Gênese espiritual » Encarnação dos Espíritos » Encarnação dos Espíritos

Na opinião de alguns filósofos espiritualistas, o princípio inteligente, distinto do princípio material, se individualiza e elabora, passando pelos diversos graus da animalidade. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria para ela, por assim dizer, o período de incubação. Chegada ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta, ela recebe as faculdades especiais que constituem a alma humana. Haveria assim filiação espiritual do animal para o homem, como há filiação corporal.

Este sistema, fundado na grande lei de unidade que preside à criação, corresponde, forçoso é convir, à justiça e à bondade do Criador; dá uma saída, uma finalidade, um destino aos animais, que deixam então de formar uma categoria de seres deserdados, para terem, no futuro que lhes está reservado, uma compensação a seus sofrimentos. O que constitui o homem espiritual não é a sua origem: são os atributos especiais de que ele se apresenta dotado ao entrar na humanidade, atributos que o transformam, tornando-o um ser distinto, como o fruto saboroso é distinto da raiz amarga que lhe deu origem. Por haver passado pela fieira da animalidade, o homem não deixaria de ser homem; já não seria animal, como o fruto não é a raiz, como o sábio não é o feto informe que o pôs no mundo.







» A Gênese » A Gênese segundo o Espiritismo » Capítulo III - O bem e o mal » O instinto e a inteligência » O instinto e a inteligência

Se se considerar o instinto uma inteligência rudimentar, como se há de explicar que, em certos casos, seja superior à inteligência que raciocina? Como explicar que torne possível se executem atos que esta não pode realizar? Se ele é atributo de um princípio espiritual de especial natureza, qual vem a ser esse princípio? Pois que o instinto se apaga, dar-se-á que esse princípio se destrua? Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com a bondade de Deus. (Cap. II, 19.)

13. Segundo outros sistemas, o instinto e a inteligência procederiam de um único princípio. Chegado a certo grau de desenvolvimento, esse princípio, que primeiramente apenas tivera as qualidades do instinto, passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre.

Se fosse assim, no homem inteligente que perde a razão e entra a ser guiado exclusivamente pelo instinto, a inteligência voltaria ao seu estado primitivo e, quando o homem recobrasse a razão, o instinto se tornaria inteligência e assim alternativamente, a cada acesso, o que não é admissível.





É por essa razão que vemos tantas contradições no entendimento de quem defende que o Espírito dos animais não se tornam Espíritos humanos.





Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: lconforjr em 07 de Maio de 2017, 18:33
Essa questão de que sejam diferentes os homens e os animais, relativamente às questões espirituais, se deve ao fato de que muitos ainda não entenderam que a doutrina afirma que os animais apenas estão num patamar de evolução abaixo do patamar dos homens; que já passamos pelo nível em que hoje estão os animais e que um dia também eles se acharão no mesmo nível que hoje estamos. É sábia a afirmação de que "do átomo ao anjo, é uma linha reta!" Apenas falta aos homens quem nos ensine porq essa linha reta sempre está cheia de sofrimentos para todos nós!
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 04 de Julho de 2017, 21:35
É por isso que a tão esperada regeneração não acontecerá senão após alguns milênios! Mas, que assim seja!

O princípio inteligente no animal não esta apenas um patamar abaixo com relação ao Espírito. Esse princípio é tão rudimentar que o Espírito é como um ser completamente distinto. Entretanto, chega de chover no molhado. A cada um a liberdade de pensar, assim como a responsabilidade advinda.

lconforjr, poderia citar a fonte da frase: "do átomo ao anjo, é uma linha reta!"?
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 05 de Julho de 2017, 19:01
O princípio inteligente no animal não esta apenas um patamar abaixo com relação ao Espírito. Esse princípio é tão rudimentar que o Espírito é como um ser completamente distinto.


Obviamente, assim como um bebê é um ser completamente distindo de um homem, mas não deixa de ser um ser humano.

189. Desde o início de sua formação, goza o Espírito da plenitude de suas faculdades?

“Não, pois que para o Espírito, como para o homem, também há infância. Em sua origem, a vida do Espírito é apenas instintiva. Ele mal tem consciência de si mesmo e de seus atos. A inteligência só pouco a pouco se desenvolve.”

190. Qual o estado da alma na sua primeira encarnação?

“O da infância na vida corporal. A inteligência apenas desabrocha: a alma se ensaia para a vida.”


Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 05 de Julho de 2017, 19:39
Obviamente, mas não tão simples. Não se pode romantizar essa questão.

608. O Espírito do homem tem, após a morte, consciência de
suas existências anteriores ao período de humanidade?

Não, pois não é desse período que começa a sua vida
de Espírito.


Potanto, a distinção deve sempre ser mencionada pelo espíritas. Mencionada e explicada para não deixar dúvidas de modo a não dar azo à crendices mediúnicas.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 05 de Julho de 2017, 23:43
Obviamente, mas não tão simples. Não se pode romantizar essa questão.

608. O Espírito do homem tem, após a morte, consciência de
suas existências anteriores ao período de humanidade?

“Não, pois não é desse período que começa a sua vida
de Espírito.

Essa questão já diz tudo sobre o ponto fundamental deste tópico, ou seja, que o espírito dos animais se tornará Espírito humano, porque ai afirma claramente sobre "existências anteriores ao período de humanidade". Qual existência seria essa senão dos animais? O fato do Espírito do Homem não ter consciência desse período não significa que sua inteligência não seja a mesma que habitou nos animais, pois o princípio inteligente é o princípio da inteligência, logo é diferente do princípio espiritual, ou seja, do princípio de consciência, uma vez que a consiência só é desenvolvida no período humano.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 06 de Julho de 2017, 14:33
Cuidado com as palavras. Não existe espírito de animal, mas princípio inteligente.

Espírito é algo que só existe após uma transformação independente da vontade do ser e portanto exterior a ele. A resposta é clara. Antes da fase humana, não existe vida de Espírito.
Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: HamLacerda em 06 de Julho de 2017, 15:26
Cuidado com as palavras. Não existe espírito de animal, mas princípio inteligente.

Espírito é algo que só existe após uma transformação independente da vontade do ser e portanto exterior a ele. A resposta é clara. Antes da fase humana, não existe vida de Espírito.

Cuidado deve ter você com os seus conselhos e afirmações, pois essas afirmações peremptórias, baseada em conhecimento superficial das obras de Kardec, só leva as pessoas ao erro e à confusões.

Na doutrina, "Espírito" não é sinônimo de "espírito". Espírito (com "E" maiúsculo), é sempre usado para designar os seres inteligentes, ou seja, os Espíritos. E "espírito" (com "e" minúsculo) é sempre designado para o elemento inteligete ou para o princípio inteligente.

NOTA de Allan Kardec – A palavra Espírito é empregada aqui pra designar as individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente universal.


Nas próprias palavras de kardec:

A questão do princípio e do fim do espírito dos animais apenas começa a surgir, e o fato de que se trata a ela se liga essencialmente. Se não for uma ilusão, pelo menos constata o elo de afinidade que existe entre o espírito dos animais, ou melhor, de certos animais e o do homem. Aliás, parece positivamente provado que há animais que veem os Espíritos e com estes se impressionam. Temos relatado vários exemplos na Revista, entre outros o do Espírito e o cãozinho, no número de junho de 1860. Se os animais veem os Espíritos, evidentemente não é pelos olhos do corpo. Então, também eles têm uma espécie de visão espiritual.

Título: Re: As diferenças entre Metempsicose e Reencarnação
Enviado por: Alexandre 1857 em 07 de Julho de 2017, 14:22
Veja que Kardec trata deste assunto no laboratório Revista Espírita. Não me lembro de haver tal afirmação em O Livro dos Espíritos, onde toda a Doutrina se encontra.

No artigo que você citou, ao contrário do que você escreveu, a palavra espírito está com inicial maiúscula. Mas lá não tem problema, visto que é um laboratório. Ora, se não vive da vida de um Espírito, seja a individualidade ou não, por que não tratá-lo apenas como princípio inteligente? Aliás, quando Kardec se refere à espírito, ele não se refere a individualidade mas ao elemento abstrato.

79. Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento
inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer
que os Espíritos são formados do elemento inteligente,
como os corpos inertes o são do elemento material?

“Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente"

É certo que o ser inteligente que anima o corpo do animal é uma individualidade, mas é Espírito? Não. É um espírito? Também não. Como pode ser o próprio elemento ou princpípio inteligente de onde se originam todas as indvidualidades inteligentes?

Note que Kardec é sempre muito específico:

A palavra Espírito é empregada aqui para designar as
individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o elemento
inteligente do Universo.


Para aquela parte e para aquele assunto Kardec diferenciou os significados. Isso deve ser generalizado? Cada um decida pela prudência, ou pela falta dela.

No mesmo artigo da Revista, que você cita, há a seguinte comunicação:

Assim, não se enganaram
ouvindo um grito alegre do animal reconhecido pelos cuidados de
seu dono, o qual veio, antes de passar ao estado intermediário de
um desenvolvimento a outro, trazer-lhe uma lembrança. A
manifestação, portanto, pode ocorrer, mas é passageira, porque o
animal, para subir um degrau, precisa de um trabalho latente, que
aniquila, em todos, qualquer sinal exterior de vida. Esse estado é a
crisálida espiritual, onde se elabora a alma, perispírito informe, não
tendo nenhuma figura reprodutiva de traços, irrompendo num
estado de maturidade para deixar escapar, nas correntes que a
arrastam, os germes de almas que aí se originam. Assim, pois, sernos-
ia difícil falar-vos dos Espíritos de animais do espaço: eles não
existem; ou, melhor, sua passagem é tão rápida como se nula fosse
e, no estado de crisálida, não poderiam ser descritos.


A questão é bem interessante e complexa, por que não simplificá-la?

Por que não chamar a inteligência que anima o animal de princípio inteligente, que já foi consagrado em O Livro dos Espírito?

Eu sei o porquê. Porque chamar simplesmente de princípío inteligente não está de acordo com a doutrina de André Luiz que o eleva ao nível de Espírito errante.